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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

JORNALISMO & POLÍTICA: A opção preferencial pela crise

03.08.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 31.07.13
Por Luciano Martins Costa,na edição 757  
Comentário para o programa radiofônico do Observatório

Há um debate em curso nas redes sociais sobre as escolhas editoriais dos jornais considerados de circulação nacional. No centro da questão, a diferença de tratamento dado a escândalos políticos de acordo com a filiação partidária dos protagonistas.
O núcleo duro das discussões coloca em confronto defensores do atual governo federal, liderado pelo Partido dos Trabalhadores, e os adeptos dos governos do PSDB sob o comando de Fernando Henrique Cardoso. Mas uma parte dos debatedores considera que a imprensa tradicional sempre criticou os governantes e que seu papel é o de se opor invariavelmente a quem quer que esteja no poder central.
Esse argumento não subiste, se considerarmos que, na atual circunstância, tal assertiva vale para o governo federal, mas não necessariamente para os governos estaduais. Veja-se, por exemplo, o caso do Rio de Janeiro, onde o principal diário, o Globo, mantém desde 2003 uma cobertura intensamente crítica ao poder de Brasília mas poupa, em grande medida, o governo local de Sérgio Cabral.
Há muitas razões para isso, e a principal delas parece ser o programa de “pacificação” de favelas, que começou após o assassinato do jornalista Tim Lopes, da TV Globo.
Em São Paulo, os dois principais jornais de circulação nacional, Estado e Folha, fazem escolhas semelhantes, poupando o governador Geraldo Alckmin e tratando como inimigo o governo federal.
Como se trata de questão que envolve preferências políticas e se emaranha na subjetividade da linguagem jornalística, é preciso buscar os elementos factuais que demonstrem a existência de um estado de espírito oposicionista a priori nas escolhas da mídia tradicional. Esses elementos de informação podem ser identificados mais facilmente no noticiário econômico dos jornais chamados de genéricos, ou generalistas, comparando-os com a imprensa especializada em economia e negócios.
Nas escolhas de indicadores econômicos sazonais se pode observar como os três principais diários de circulação nacional, aqueles que mais influenciam as instituições e são tidos como articuladores da agenda pública, tratam de minar a confiança da sociedade no governo federal, pintando um quadro de insucessos e catastrofismo.
Editados pelo mercado
Veja-se, por exemplo, as edições de quarta-feira (31/7) do Estado de S. PauloFolha de S. Paulo e O Globo.
No Estado, a manchete do caderno “Economia & Negócios”anuncia: “Superavit primário do governo no primeiro semestre é o pior desde 2001”.
Na Folha, o caderno “Mercado”afirma que “Superavit melhora, mas fica abaixo da meta em 12 meses”.
O Globo, que dá menos importância ao noticiário econômico na maior parte da semana, informa que “Economia para pagar juros é a menor do 1º semestre desde 2010”.
Já o Valor Econômico, principal jornal especializado do país, não deu a mesma importância ao resultado parcial das contas públicas – provavelmente porque seus editores consideram que, neste trecho do ano, esse indicador pode não ser tão relevante ao ponto de merecer uma manchete.
Afora as diferenças de tom nas abordagens de cada um dos três jornais, observe-se que havia, entre os números do dia da economia nacional, alguns outros tópicos que também poderiam merecer destaque. Mas eles estão escondidos em notas curtas ou editados em posição menos destacada. Por exemplo, o Índice Geral de Preços – Mercado, medido pela Fundação Getúlio Vargas, teve uma alta de apenas 0,26% em julho, frente ao aumento de 0,75% verificado em junho.
A desaceleração dos preços se deu de forma generalizada, o que induz os analistas a prever que em agosto a inflação também não deverá ser alta. Também há registro de que a confiança do comércio subiu 0,6% neste mês, em relação a julho de 2012.
Embora o cenário geral ainda seja de pessimismo na projeção até o final do ano, a melhora do ânimo no comércio deve ser considerada, dada a notória influência nefasta que o noticiário negativo produz na disposição de investimento das empresas. De qualquer maneira, os jornais poderiam registrar que, tanto a queda da inflação como a percepção da inconsistência do pessimismo, foram previstas pelas autoridades econômicas do governo federal nos últimos dois meses.
Uma terceira notícia que concorre com o espírito catastrofista da imprensa é o resultado dos balanços das instituições financeiras: misturada aos números bilionários dos lucros dos bancos, registra-se quase envergonhadamente a queda da inadimplência da população. Em algumas análises, a disposição dos correntistas de quitar suas dívidas em vez de comprometer o orçamento com novos empréstimos é vista como um risco para os bancos. Mas o fato de o número de calotes ter se reduzido em praticamente todas as instituições financeiras não seria uma boa notícia para a economia em geral?
O que se quer demonstrar aqui é que a imprensa brasileira tem uma predileção especial pelo catastrofismo, reduzindo a exposição de indicadores positivos e forçando a imposição de um cenário de crise.
Seria uma atitude contra o governo do PT?
É possível, mas o mais provável é que a mídia tradicional se oponha, sistematicamente, contra qualquer governo que não reze por sua cartilha dogmática de submissão ao mercado.
É o mercado, essa fantasmagoria irracional, que edita os jornais.
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Entidades de ensino médico declaram apoio ao Mais Médicos

02.08.2013
Do BLOG DO SARAIVA

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Carta de apoio das entidades é direcionada à proposta do governo de tornar a residência obrigatória a partir de 2018; caso as mudanças sejam implementadas pelos ministérios da Saúde e da Educação e incorporem a MP 621/2013, haverá “uma mudança significativa no perfil da prática médica para os próximos anos no Brasil, que beneficiará sobremaneira a população brasileira”, afirmam entidades; Padilha rebate críticas do CFM sobre inscrição no programa: "90% dos CRMs inválidos não eram uma confusão de números, eram zero, zero, zero ou traço, traço, traço"

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PRECISAMOS DE BONS, NÃO DE MAUS MÉDICOS

02.08.2013
Do portal BRASIL247
Por Marco DamianiMARCO DAMIANI


Marco DamianiEm lugar de chamar a PF, por que o Conselho Federal de Medicina não ajudar a encontrar profissionais que aceitem o Brasil real, as periferias e os rincões por salários de R$ 10 mil?

Radicalizou de vez, e sem volta, a guerra pública entre profissionais,estudantes de Medicina e suas entidades contra o programa Mais Médicos. O acirramento se deu com o pedido, pelo Conselho Federal de Medicina, de intervenção da Polícia Federal na apuração das cerca de 16 mil adesões anunciadas oficialmente. Foi a resposta enfurecida da cúpula da categoria sobre a posição da dupla de ministros Aluizio Mercadante e Alexandre Padilha. Na quarta-feira 31, os titulares da Educação e da Saúde recuaram, formalmente, mas sem desistir da ideia de obrigar estudantes a fazerem residência por mais dois anos antes de se formarem. Agora, a partir de 2018.

A manobra que deveria ser genial suscitou, no dia seguinte, o pedido formal do CFM para um inquérito também na Procuradoria Geral da República sobre as adesões aos Mais Médicos. A suspeita é pesada: fraude na lista de assinaturaspara abrir espaço para a contratação de médicos estrangeiros.

O governo teria chegado a esse ponto? Cometido a trapalhada do ano, baixa, vil, ilegal, fraudulenta etc, para contratar o que antes seriam médicos cubanos e depois passaram a ser espanhóis e portugueses? Abrir milhares de buracos numa relação pública, fácil de ser fiscalizada, para seu projeto ideológico sininistro? Pode-se, se se quiser, acreditar nisso. Mas, no espelho dessa situação, o que se vê é a derrubada ao chão do nível de diálogo proposto, ainda que de maneira extremamente desorganizada, pelo governo.

Chamar a PF, a esta altura dos acontecimentos, é instalar um personagem externo extremo numa mesa em que ainda se poderia conversar. Por que o CFM, antes de ganhar as manchetes com sua jogada para a plateia, não pediu vistas do processo? Porque poderia conseguir? Já que se chamou a PF, para que conversar mais? Melhor deixar a polícia fazer seu trabalho.

Olhar a balbúrdia criada em torno do Mais Médicos com racionalidade tem sido impossível também para o governo. O programa foi lançado sem explicações prévias à sociedade. Um ótimo conjunto de ideias, sobre dois grandes pilares – melhorar, inclusive pelo aumento do tempo, a qualidade dos cursos de Medicina, e povoar de médicos, com salários de R$ 10 mil, mais de 3 mil prefeituras brasileiras, ávidas por recebê-los de braços abertos --, está indo parar na lata do lixo. Entre erros de apresentação, recuos formais e as obstruções legais que, a partir de agora, poderão ser criadas nas esferas da PGR e da PF, em dois meses o que se tem é uma estrela cadente: surgiu e está desaparecendo depois de curta trajetória.

Caso não prove a culpa do governo em algum episódio de fraude na lista de adesões ao Mais Médicos, no entanto, o Conselho Federal Medicina terá tirado sua máscara. O mesmo órgão econômico em punições por erros médicos, emblemático do corporativismo de uma elite profissional, vai demarcar, de novo, o campo em que está. Em lugar de ajudar a encontrar os bons médicos que deveriam, como Hipócrates, aceitar o desafio de praticar o desafio da medicina popular, o CFM terá capitaneado o time dos maus médicos. Os que viram as costas para o Brasil real, excluem tanto as periferias das grandes cidades como os municípios mais necessitados de seu mapa de atuação e tisnam pelo preconceito a roupa branca que vestem. Infelizmente, não há dúvidas, pela postura, de que lado essa cúpula está.

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TIRO NO PÉ: Você confiaria em um médico que 'erra' o próprio CRM?

02.08.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 01.08.13
Por  Helena Sthephanowitz 
VALTER CAMPANATO/ABR
medicos_protesto.jpg
Médicos brasileiros, em um dos protestos da classe contra programas de saúde pública do governo federal
Se os médicos e os planos privados de saúde que querem boicotar o programa "Mais Médicos" quiseram dar um tiro no pé, não poderiam ter feito melhor.
Do total de 18.450 médicos inscritos no programa federal de saúde pública, 7.278 tiveram CRMs considerados inválidos (CRM é o registro profissional do profissional de saúde junto ao Conselho Regional de Medicina), depois de finalizado o prazo para a confirmação de inscrições e das intenções reais de participar do programa que pretende ampliar o atendimento de saúde pública no interior do país.
Errar o número do CRM para um médico é algo tão primário como errar o CPF ao abrir uma conta em banco. Quase ninguém em sã consciência e de boa fé, erra. Os poucos casos que erram, corrigem. O número elevadíssimo de CRM's incorretos declarados depõe contra a imagem destes médicos (claro que não podemos generalizar, pois existem muitos profissionais decentes que reprovam essas más condutas).
As conclusões e indagações a que se pode chegar são:
Esses médicos se inscreveram "de molecagem", para tumultuar. Obviamente isso é uma tremenda falta de caráter, além de crime de falsidade ideológica. Os Conselhos de Medicina deveriam punir com rigor esse tipo de médico, em vez de defendê-los.
Será que quase metade dos médicos brasileiros seriam "analfabetos funcionais", a ponto de não saberem preencher um formulário de inscrição corretamente? Ou seriam muito "distraídos", a ponto de se "enganar" com o número de seu próprio CRM?
Será que outros seriam "analfabetos" ou "descuidados" para não saberem ler os termos do programa, antes de se inscreverem, escolherem seis opções de cidade, para depois dizer que desistiram por causa dos termos do programa?
Em qualquer dos casos, não daria para confiar num diagnóstico ou numa receita de um médico destes? Afinal quem "erra" até CRM por que não erraria um diagnóstico ou uma prescrição?
Ainda bem que não apresentaram a documentação e não serão contratados, para o bem da saúde dos pacientes do SUS. As pessoas que buscam atendimento na rede privada que se cuidem e procurem se informar para que tipo de pessoa estão delegando os cuidados com sua saúde.
De resto, parabéns aos 3.891 médicos brasileiros que entregaram com seriedade a documentação exigida, e bem vindos os futuros médicos estrangeiros, que querem trabalhar no SUS e atender a população que não pode pagar os planos de saúde privados, que além de tudo querem impedir oss que não podem pagar de terem acesso ao atendimento médico pelo SUS.
Essa conduta acende o alerta de que há algo muito errado com certa medicina privada no Brasil (de novo, sem generalizar). Se há tanta gente que faz isso com um mero cadastro de inscrição, o que não poderia fazer nas infames fraudes em convênios com o SUS que sangram os cofres públicos?
Em tempo: 766 médicos estrangeiros (mais correto é dizer com diploma conquistado em cursos no exterior), também completaram a inscrição. A próxima seleção do programa será aberta no dia 15, para preencher as vagas que ainda remanescentes, não ocupadas pelos profissionais nacionais, caso nossa classe médica confirme o desinteresse pelo programa do governo federal.
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Snowden recebe asilo e já está em território russo. Livre. Extradição aos EUA sai da pauta

02.08.2013
Do BLOG DO MELLO, 01.08.13
Postado por 

Documento de asilo de Snowden

Após 30 dias no aeroporto de Sheremétievo, finalmente Edward Snowden está livre e em território russo. Ele recebeu asilo temporário por um ano (imagem do documento de asilo acima), o que garante sua não extradição aos EUA. Lei russa não permite extradição a país que aplique a pena de morte, o que é o caso dos Estados Unidos, que a aplica não somente em seu território, mas se julga no direito de fazê-lo em outro, como no caso Bin Laden, assassinado por tropas dos EUA no Paquistão, a mando de Barack Obama.

Assista a uma reportagem da Rússia (calma, está em espanhol), onde é possível ver imagens de Snowden

 
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GLOBO SONEGA: CAFEZINHO VAZA MAIS DOCUMENTOS DO GLOBOGATE

02.08.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

O que dirão os colonistas da plutocracia predadora ?
Conversa Afiada reproduz denúncia do Blog O Cafezinho, de Miguel do Rosário:

VAZAM MAIS PÁGINAS DO GLOBOGATE!


Mais algumas páginas do relatório da Receita Federal que trata da milionária sonegação da Rede Globo acabam de vazar. O Cafezinho mais uma vez divulga o fato em primeira mão.

As novas páginas disponibilizadas referem-se à decisão final da Receita de condenar a Globo ao pagamento de multa de 150%, mais juros de mora, sobre o valor sonegado. Importante anotar a data deste documento: 21 de dezembro de 2006. Alguns dias depois, estes documentos seriam roubados pela servidora Cristina Maris Meinick Ribeiro.

No documento, os auditores votam, por unanimidade, pela culpa do réu e dão 30 dias para a Globo pagar a dívida, a menos que recorresse ao Conselho de Contribuintes no mesmo prazo. O roubo do processo, alguns dias depois, permitiu à Globo adiar por um longo tempo a renegociação deste débito.

A informação joga mais pressão sobre o Ministério Público. Por que não se aprofundou nas investigações sobre o roubo do processo? Por que não ligou o roubo à sonegação em si? Ambos fazem parte do mesmo ilícito, do mesmo desejo de lesar o Tesouro Nacional. Tinha obrigação de investigar a suspeita, óbvia, de envolvimento do principal interessado: a Globo.

Em uma de suas respostas, a Globo mencionou dívidas sendo negociadas no Conselho de Contribuintes. Tudo leva a crer que a emissora apelou ao Conselho, que conta com a participação de entidades privadas. Mais uma vez, estamos diante de uma situação nebulosa.  A Globo disse que pagou o débito através da adesão ao Refis, em 2009. Como assim? No dia 21 de dezembro de 2006, a Receita deu apenas 30 dias, sob pena de cobrança executiva, para a empresa pagar ou apelar ao Conselho. Ela apelou ao Conselho? O roubo do processo lhe deu quantos meses de alívio? Qual foi a decisão do Conselho? Quem fazia parte do Conselho nesta época?

O mais importante: os novos documentos agora obrigam a mídia a não falar mais em “suposta” sonegação. Eles mostram que os auditores decidiram, com unanimidade, pela culpabilidade da empresa.



Abaixo a coleção completa dos documentos já vazados. O roteiro é o seguinte:

Capa
2 fls novas
5 fls em repetição
3 fls novas
17 fls que já estavam divulgadas.

CLIQUE AQUI PARA LER OS DOCUMENTOS



aqui para ler texto de Paulo Nogueira: “Os colonistas do PiG e a plutocracia predadora”. 
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/pig/2013/08/02/cafezinho-vaza-mais-documentos-do-globogate/

INJUSTIÇA NO STF: Feitiço contra feiticeiros no STF

02.08.2013
Do BLOG DO MIRO, 01.08.13

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Após quatro meses de espetáculo pela TV, a notícia é que alguns ministros do STF estão com medo de rever seus votos no julgamento do mensalão

Às vésperas da retomada do julgamento da Ação Penal 470, quando o STF irá examinar os recursos dos 25 condenados, o ambiente no tribunal é descrito da seguinte forma por Felipe Recondo e Debora Bergamasco, repórteres do Estado de S. Paulo, com transito entre os ministros: 
“(...) há ministros que se mostram ‘arrependidos de seus votos’ por admitirem que algumas falhas apontadas pelos advogados de defesa fazem sentido. O problema (...) é que esses mesmos ministros não veem nenhuma brecha para um recuo neste momento. O dilema entre os que acham que foram duros demais nas sentenças é encontrar um meio termo entre rever parte do voto sem correr o risco de sofrer desgaste com a opinião pública.”

Pois é, meus amigos.

Após quatro meses de espetáculo pela TV, a notícia é que alguns ministros do STF estão com medo. Não sabem como “encontrar um meio termo entre rever parte de seu voto sem correr o risco de sofrer desgaste com a opinião pública.”

É preocupante e escandaloso. 

Não faltam motivos muito razoáveis para um exame atento de recursos. Sabe-se hoje que provas que poderiam ajudar os réus não foram exibidas ao plenário em tempo certo. Alguns acusados foram condenados pela nova lei de combate à corrupção, que sequer estava em vigor quando os fatos ocorreram – o que é um despropósito jurídico. Em nome de uma jurisprudência lançada à última hora num tribunal brasileiro, considerou-se que era razoável “flexibilizar as provas” para confirmar condenações, atropelando o direito à ampla defesa, indispensável em Direito. Centenas de supressões realizadas pelos ministros no momento em que colocavam seus votos no papel, longe das câmaras de TV, mostram que há diferença entre o que se disse e o que se escreveu. 

O próprio Joaquim Barbosa suprimiu silenciosamente uma denúncia de propina que formulou de viva voz, informação errada que ajudou a reforçar a condenação de um dos réus, sendo acolhida e reapresentada por outros ministros. 

Eu pergunto se é justo, razoável – e mesmo decente – sufocar esse debate. Claro que não é. 
É perigoso e antidemocrático, embora seja possível encher a boca e dizer que tudo o que os réus pretendem é ganhar tempo, fazer chicana. Numa palavra, garantir a própria impunidade. 

Na verdade estamos assistindo ao processo em que o feitiço se volta contra o feiticeiro. E aí é preciso perguntar pelo papel daquelas instituições responsáveis pela comunicação entre os poderes públicos e a sociedade – os jornais, revistas, a TV. 

O tratamento parcial dos meios de comunicação, que jamais se deram ao trabalho de fazer um exame isento de provas e argumentos da acusação e da defesa, ajudou a criar um clima de agressividade e intolerância contra toda dissidência e toda pergunta inconveniente.

Os réus foram criminalizados previamente, como parte de uma campanha geral para criminalizar o regime democrático depois que nos últimos anos ele passou a ser utilizado pelos mais pobres, pelos eternamente excluídos, pelos que pareciam danados pela Terra, para conseguir alguns benefícios – modestos, mas reais -- que sempre foram negados e eram vistos como utopia e sonho infantil. 

(A prova de que se queria criminalizar o sistema, e não corrigir seus defeitos, foi confirmada pelo esforço recente para sufocar toda iniciativa de reforma política, vamos combinar.)

No mundo inteiro, os tribunais de exceção consistem, justamente, num espetáculo onde a mobilização é usada para condicionar a decisão dos ministros. 

“Morte aos cães!”, berravam os promotores dos processos de Moscou, empregados por Stalin para eliminar adversários e dissidentes. 

Em 1792, no Terror da Revolução Francesa, os acusados eram condenados sumariamente e guilhotinados em seguida, abrindo uma etapa histórica conhecida como Termidor, que levou à redução de direitos democráticos e restauração da monarquia. 

No Brasil de 2013, a pergunta é se os ministros vão se render ao medo.
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Augusto César: No Brasil, filho de sem terra estudar Medicina é uma afronta

02.08.2013
Do blog VI O MUNDO, 01.08.13
Por  José Coutinho Júnior


“Pobre estudar medicina é afronta para a elite”, diz médico formado em Cuba
31 de julho de 2013


A elitização do ensino de medicina no Brasil é um obstáculo para jovens de baixa renda entrarem nas universidades e se formarem. Já os problemas nas provas de revalidação do diploma dificultam o exercício da profissão em território nacional pelos brasileiros que conseguiram se formar no exterior.

“Quem estuda medicina no nosso país são os filhos das elites, em sua maioria. É uma afronta para a elite um negro, um pobre, um trabalhador rual, filho de Sem Terra estudar medicina na faculdade, principalmente pelo status conferidos por essa profissão”, afirma Augusto César, médico brasileiro formado em Cuba e militante do MST.

Estudo do Ministério da Educação (MEC) aponta que 88% dos matriculados em universidades públicas de medicina estudaram em escolas particulares no ensino fundamental e médio. Os programas do governo de acesso à universidade, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), ampliaram o acesso, mas ainda não conseguiram universalizar e democratizar a educação.

“A maioria das pessoas que entram na universidade pública para cursar medicina tem dinheiro para fazer um bom cursinho ou estudou o tempo todo numa escola particular. Claro que há exceções, mas o ensino de medicina do nosso país é altamente elitizado”, acredita Augusto.

“A maior parte das pessoas que tem acesso às escolas de medicina são de classe média e classe média-alta. Um pobre numa universidade particular não consegue se sustentar pelo alto preço das mensalidades. Sem contar que hoje temos mais universidades privadas do que públicas na área da saúde, dificultando ainda mais o acesso”, diz a médica formada em Cuba Andreia Campigotto, que também é militante do MST.

Revalidação

A necessidade dos médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros passarem por uma prova para verificar se estão capacitados a exercer a profissão é um tema frequentemente pautado pela comunidade médica brasileira.

Independentemente do curso, todos os estudantes brasileiros que realizam um curso fora do país precisam passar por uma revalidação do diploma. No entanto, há falhas nesse processo no caso da medicina.

Um dos principais problemas é que não existe um padrão para o conteúdo dessas provas. Cada universidade federal pode abrir sua prova de reconhecimento de títulos no exterior. Com isso, o conteúdo não é uniforme.

Além disso, o custo dessas avaliações é alto. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) cobra uma taxa de inscrição de R$1.172,20. Outras universidades pelo país têm preços similares.

Preconceito

“As provas são injustas, porque têm um nível de médicos especialistas, e não de ‘generalistas’, que é o que somos após nos graduar. Isso causa uma desaprovação considerável dos estudantes que vem de fora”, acredita Andréia.

“O que a categoria médica não divulga é que 50% dos estudantes da USP reprovaram na prova feita pelo Conselho de Medicina de São Paulo. Foi uma prova para médico generalista, muito mais fácil que a de revalidação”, revela.

Para Andréia, há um “grande preconceito” por parte dos profissionais brasileiros em relação aos médicos formados em outros países, o que cria um entrave para a revalidação dos diplomas.

“Seria justo se os profissionais que se formam no Brasil fizessem as mesmas provas que nós, para ver se realmente se comprova uma suposta má formação de nossa parte, bem como discursa a categoria médica brasileira”, observa.

Os dois médicos defendem a realização de uma avaliação dos conhecimentos dos profissionais graduados no exterior, mas destacam que as provas atuais não cumprem esse papel, porque não são aplicados testes adequados para auferir o conhecimento.

“As provas teóricas e práticas atuais não levam em conta as complexidades. Seria muito melhor colocar esse médico para trabalhar sob um tutor e, a partir daí, se instaurar uma avaliação rigorosa e permanente. Mas isso não tem sido pensado”, pontua Augusto.

Formação

A concepção de medicina ensinada nas universidades impede também que os estudantes vejam a luta pela saúde além do tratamento de doenças.

“Nas universidades de medicina, só se vê doença. Não se fala em saúde. Como você pode lutar pela saúde se só vê doenças? Também é saúde lutar pelo direito à cidade e por um sistema público de saúde de qualidade”, destaca Augusto.

De acordo com o militante, a concepção de saúde deve ultrapassar uma formação técnica. “O médico deve exercer a medicina a favor da construção de um país mais saudável, sem esperar que as pessoas ou uma comunidade adoeça para depois intervir sobre ela, pois é o modo de vida que vivemos que gera as doenças do país”, defende.

Andreia quer se tornar professora de medicina para colaborar para a mudança da forma de ensinar das universidades. Ela se classificou na primeira fase do concurso para lecionar na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Segundo ela, o campo da educação deve ser ocupado por aqueles que querem democratizar a educação. “Precisamos formar profissionais com um novo perfil, realmente voltados para atender o povo, para se fixar nos locais de difícil acesso, não só nos grandes centros como hoje. É um campo interessante de atuação”.

* Essa matéria faz parte de uma série de reportagens com dois médicos que analisam as diferenças entre os cursos e a concepção de medicina em Cuba e no Brasil. No próximo texto, que será divulgado na sexta-feira na Página do MST, Andreia e Augusto opinam sobre a vinda dos médicos estrangeiros para o Brasil e analisam os problemas no sistema de saúde brasileiro, como a falta de estrutura nos hospitais.

Leia também:

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CORRUPÇÃO DO PSDB E GLOBO: Ocultação dos escândalos Globo e PSDB-Siemens foi longe demais

02.08.2013
Do BLOG DA CIDADANIA, 01.08.13
Por Eduardo Guimarães
Ao que tudo indica, o acobertamento pela grande mídia de escândalos “amigos” pode ter ultrapassado aquela barreira que, seja quem for que ultrapasse, obriga as instituições corrompidas deste país a ao menos darem uma satisfação à sociedade.
Como se sabe, escândalos políticos como o que envolve a compra de trens de metrô da alemã Siemens pelos governadores Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra – escândalo cujos indícios surgiram há anos no caso Alstom, que não foi investigado corretamente no Brasil – nunca dão em nada se a grande imprensa não se interessa por eles.
O escândalo PSDB-SP/Siemens, por exemplo, é muito mais grave do que o do mensalão do PT, pois quem se corrompeu ao longo de duas décadas de governos tucanos em São Paulo não o fez com o fim “institucional” de comprar apoio político, mas para auferir enriquecimento pessoal.
E a soma envolvida é muito maior – 400 milhões de reais.
Apesar disso, os veículos que lideraram uma das maiores coberturas jornalísticas da história mundial sobre um escândalo político – cobertura que rivaliza com a do escândalo norte-americano Watergate -, a do escândalo do mensalão, até o momento se recusam a noticiar um caso que pode – apenas pode – sair do controle dos moralistas de Globos, Folhas, Vejas e Estadões.
Até o momento, entre os grandes grupos de mídia supracitados – os únicos que conseguem fazer escândalos “andar” – não se disse praticamente nada. Nenhum colunista indignado, nenhum editorial demolidor e insultante aos envolvidos.
O tom dos poucos, ou melhor, dos raríssimos textos nessa mídia – na falta de uma só matéria na Globo – sobre escândalo dessa monta envolvendo o sacrossanto PSDB paulista, chega a ser compungido.
Um colunista da Veja tocou no assunto. O tom do texto contrasta escandalosamente com os que a mesma figura escrevia sobre o mensalão do PT. Veja, abaixo, post do colunista da revista Veja Ricardo Setti
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Do Blog de Ricardo Setti no portal da Veja
Geraldo Alckmin
30/07/2013 às 20:28 \ Política & Cia
Denúncias sobre supostas roubalheiras no metrô e trens de SP devem ser investigadas a fundo — tanto para colocar na cadeia os culpados como para não permitir o linchamento dos inocentes
A Folha de S. Paulo informou que a multinacional alemã Siemens admitiu devolver aos cofres do Estado de São Paulo “parte do valor” que teria sido superfaturado no fornecimento de equipamentos de trens e metrô paulistas, durante uma reunião de executivos da empresa com promotores do Ministério Público estadual, na semana passada.
A Siemens, como se sabe, informou ao Conselho de Defesa Econômica do Ministério da Justiça (CADE) — órgão que tem como missão propiciar a livre concorrência entre empresas e barrar a formação de trustes –, sua própria participação num cartel formado para obter vantagens ilícitas em licitações para compra de equipamento ferroviário e para a construção e a manutenção de linhas de trens e metrô em São Paulo e também no Distrito Federal.
O esquema de maracutaias, que podem haver inflado preços em até 20% dos níveis de mercado, teria acontecido entre 1995 e 2003, período em o Estado foi governado pelos tucanos Mário Covas e Geraldo Alckmin.
Além da Siemens, a malandragem envolveria também subsidiárias das multinacionais Bombardier (canadense), Alstom (francesa), Mitsui (japonesa) e CAF (espanhola), e as empresas nacionais Serveng-Civilsan, Tejofran, TTrans, MGE, TCBR, Temoinsa e Iesa.
Acho interessante que a Siemens se proponha a devolver “parte” de um dinheiro que, ela própria admite, embolsou ilegalmente. O que conheço em matéria de trocar informação sobre crime por benefícios é a delação premiada — mas ela vale para as pessoas que, ajudando a polícia a investigar, obtêm do Ministério Público e da Justiça a vantagem de diminuição de pena.
De todo modo, a Siemens anunciou que “coopera integralmente com as autoridades”, postura mantida pelas demais empresas.
O governador Geraldo Alckmin, de sua parte, afirmou que os fatos serão investigados “rigorosamente”.
E é absolutamente necessário que sejam. Se houve roubalheira, como parece ser o caso, é preciso que a polícia e o Ministério Público ajam com rigor e rapidez, para descobrir como, quando, e, sobretudo, quem.
Quem tem culpa no cartório?
Secretários ou ex-secretários de Estado?
Os presidentes ou ex-presidentes do Metrô ou da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos?
Ex ou atuais diretores de ambas as estatais?
Covas?
Alckmin?
Os dois?
A ação é importante, adicionalmente, porque, enquanto flutuar no ar a acusação genérica de que houve ladroagem nos governos de Covas e de Alckmin — que podem perfeitamente estar inocentes de tudo isso –, somente os nomes de ambos estará na berlinda.
Covas, morto em 2001, foi um político de integridade indiscutível. Alckmin nunca teve contra si alegações de desonestidade pessoal. Até prova em contrário, são inocentes, até porque a Constituição assim prevê e garante.
Quanto mais as investigações sobre os culpados demorarem, mais serão linchados moralmente.
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É muita cara-de-pau. Desde quando as trajetórias ilibadas de José Dirceu ou de Lula impediram “linchamentos” e “ilações” contra eles pelo patrão desse sujeito aí em cima, quando eclodiu o escândalo do mensalão?
Lula, que até hoje nunca teve uma só mácula contra si, é tratado por esse Setti e por seus pares como um bandido. Dirceu, que jamais se envolvera em escândalo nenhum até ser acusado em 2005, desde o primeiro momento foi tratado pela Veja e Cia. como culpado.
Mas o pior é que o textinho de Setti ainda acoberta Serra, que integra o seleto grupo de governadores de São Paulo que, nos últimos vinte anos, conviveram com a roubalheira desabrida no governo do Estado e que, tanto quanto José Dirceu, terão que ser cobrados pelo “domínio do fato”.
Mas Setti esqueceu o “domínio do fato”; contra tucanos, pede provas enquanto brada “Linchamento! Linchamento!”.
No entanto, ao tocar no assunto o colunista da Veja mostra que vai ficando difícil escondê-lo. A Siemens confessou o suborno aos governos do PSDB paulista ao longo de duas décadas e não dá mais para deixar de perguntar por que o “domínio do fato” pode ser usado contra o PT, mas não pode ser usado contra o PSDB.
Se José Dirceu, mesmo afastado do PT, foi responsabilizado pelo que ocorreu no âmbito do partido, por certo que Covas, Alckmin e Serra têm que responder pelo que ocorreu no governo deles mesmos e que ignoraram apesar de as acusações à Alstom e à Siemens serem notórias.
Esses governadores de São Paulo, note-se, não determinaram nenhuma investigação. Varreram tudo para debaixo do tapete. No mínimo, prevaricaram.
O escândalo envolve atividades da Siemens em várias partes do mundo e já ganhou projeção internacional. A coisa está tomando uma dimensão tal que o jornal Folha de São Paulo, que até aqui escondeu o assunto, publicou, nesta quinta-feira (1.8), carta de leitor que cobra a mídia pelo ocultamento desse terremoto político que vai se desenhando.
Leia, abaixo, carta publicada no Painel do Leitor da Folha de São Paulo de 1º de agosto de 2013.
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Não defendo os mensaleiros do PT e acho que eles têm de responder pelo que fizeram, mas é vergonhosa a diferença entre o tratamento que a mídia deu ao caso petista e as “notas de rodapé” que dedicam aos casos de corrupção do PSDB.
Por que a Folha e outros veículos não esculacham o Serra, o Alckmin e o Covas (que Deus o tenha) da mesma forma que esculacharam o Genoino, o João Paulo Cunha e o Zé Dirceu?
A Siemens falou em irregularidade nas licitações do metrô de São Paulo, com milhões de reais desviados! O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, virá a público dizer que a Siemens não tem credibilidade, que é um “grupelho radical com intenções partidárias”, como sempre faz para desqualificar os protestos? Se a mídia não fala, nós somos obrigados a ir para as ruas e obrigá-la a falar.
LUIZ ENRIQUE VIEIRA DE SOUZA (Osasco, SP)
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Note, leitor, como esse jornal é vigarista. O leitor escreve sobre escândalo envolvendo o PSDB e o jornal publica a carta sob a rubrica “mensalão”. Patético, não é?
Como se não bastasse, a mesma Folha publica matéria em grande destaque na primeira página acusando a presidente Dilma Rousseff de “atacar o metrô” durante o lançamento, na última quarta-feira, de programa federal de investimentos na capital paulista.
Confira, abaixo, a matéria
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FOLHA DE SÃO PAULO
1º de agosto de 2013
Após anunciar R$ 8 bi, presidente critica rede metroviária a cargo de Alckmin
Apesar de investimento federal tímido em trilhos, petista diz que sistema da capital é ‘o menor do mundo’
DE SÃO PAULO
Na primeira visita a São Paulo após a onda de protestos para a redução das tarifas de transporte, a presidente Dilma Rousseff (PT) usou o tema para agraciar o prefeito Fernando Haddad, anunciar investimentos de R$ 8 bilhões na capital paulista e, em outra frente, atacar o governo do tucano Geraldo Alckmin.
Dilma anunciou a destinação de R$ 3,1 bilhões para construir 99 km de corredores de ônibus paulistanos.
Mas seu discurso foi pontuado por críticas à gestão do metrô, comandado pelo governo estadual, nas mãos do PSDB há quase 20 anos –apesar de investimentos tímidos do próprio governo federal na rede sobre trilhos paulista.
Nas palavras da presidente, São Paulo é, “talvez, a maior cidade do mundo com o menor sistema de transporte metroviário do mundo”.
“Uma das teorias divulgadas no Brasil é que o país não tinha nível de renda suficiente para comportar metrô. Ora, como é possível uma cidade do tamanho de São Paulo sem transporte metroviário?”, questionou Dilma.
O metrô de SP tem 74 km, cerca de um terço da rede da Cidade do México, que inaugurou a primeira linha na mesma época, nos anos 70.
Diferentemente de diversos países, onde os investimentos do governo federal em metrô são comuns, no Brasil eles sempre foram limitados –tanto na gestão FHC como nas administrações petistas de Lula e Dilma.
O Metrô diz que, dos R$ 22 bilhões de cinco linhas projetadas na gestão Alckmin, só há R$ 400 milhões prometidos, a fundo perdido, por Dilma –menos de 2% do total.
Há ainda R$ 2,7 bilhões de financiamentos do BNDES e da Caixa –que, porém, são somente empréstimos.
Os recursos da prefeitura também são reduzidos. Gilberto Kassab (PSD) prometeu R$ 2 bilhões para obras, mas só entregou a metade.
Na campanha, Haddad disse que não repassaria verbas sem estudar os projetos. No cargo, cogitou bancar a estação Jardim Ângela da linha 5, mas não houve acordo.
Convidado ontem para o evento, Alckmin não compareceu. A declaração de Dilma deixou irritados os aliados do governador. Até então, a relação do tucano e da petista era pontuada por afagos.
“Em nenhum país de primeiro mundo as metrópoles fazem metrô sozinhas, sem ajuda do governo federal. Mas aqui é assim”, disse o presidente estadual do PSDB, deputado Duarte Nogueira.
Dilma tratou a questão do transporte como central no discurso. “Garantir transporte público rápido, seguro e de qualidade é um dos eixos de combate à desigualdade.”
A presidente disse ainda que o governo “está empenhado em investimentos”. Numa gafe, chamou de “Capão Limpo” o bairro do Campo Limpo, na zona sul.
Além dos corredores de ônibus, serão destinados pelo governo R$ 1,4 bilhão para drenagem e R$ 2,2 bilhões para recuperação de mananciais, além de 15 mil moradias do Minha Casa, Minha Vida.
Entre as obras contempladas estão dramas políticos antigos onde já foi gasto dinheiro público.
A recuperação do córrego do Ipiranga é uma delas, onde há registros de intervenções desde os anos 1980.
De lá para cá, pouca coisa mudou nos períodos de chuva, já que a av. Ricardo Jafet alaga. Só na gestão José Serra (PSDB) foram gastos pelo menos R$ 7 milhões na recuperação do córrego.
Outro drama é a estrada do M’Boi Mirim. A gestão Marta Suplicy (PT) implantou um corredor de ônibus orçado em R$ 15 milhões, mas hoje os coletivos ficam travados. A ideia agora é fazer uma duplicação da via.
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Que história é essa de “Dilma ataca falta de metrô em São Paulo”?
Isso é jornalismo?
Falta ou não falta metrô na capital paulista?
É ou não é verdade que São Paulo é a cidade de grande porte que tem a menor linha de metrô do mundo (74 km)?
Houve ou não houve o roubo de recursos do metrô em governos tucanos, conforme a confissão da Siemens?
Essa roubalheira de recursos do metrô ajuda ou não a explicar a “falta de metrô” na cidade?
E, por fim, a informação de que há um grande escândalo e uma grande investigação nacional e internacional por roubo de recursos do metrô paulistano não deveria figurar nessa matéria se ela pertencesse ao que se convencionou chamar de jornalismo?
Seja como for, a carta do leitor da Folha e o texto do colunista da Veja reproduzidos acima mostram que está começando a ficar difícil ignorar esse caso. Até porque, existe a possibilidade de surgir um complicador para tucanos e sua mídia que pode pôr fim ao silêncio midiático.
Após a farsa das manifestações do Movimento Passe Livre pela redução de vinte centavos na tarifa de ônibus e metrô em São Paulo – diferença que será paga por uma população que foi enganada e acha que não vai pagar apesar de que vai, através dos seus impostos – esse mesmo Movimento pode vir a prestar um grande serviço à sociedade se fizer um protesto com fim real e sério como o que acaba de anunciar.
O MPL promete ir às ruas no próximo dia 14 de agosto para protestar contra o “propinoduto tucano”, ou seja, contra o assalto tucano aos cofres públicos paulistas durante os vinte anos em que está no comando do governo do Estado.
Não se imagina que o MPL consiga pôr cem mil paulistanos na avenida paulista por uma causa real e justa, pois suas manifestações foram infladas pela extrema-direita e, à esquerda, pelo PSOL, que não é de criar problemas para o PSDB. Mas com certeza conseguiria pôr umas dez mil pessoas na rua, no mínimo.
Aliás, é o que diz a carta que saiu na Folha: se a mídia esconde os crimes de seu braço político-partidário, há que fazer um grande barulho para obrigá-la a noticiar o que não quer. E se o povo de São Paulo souber que sua vida dura no sistema de transportes deriva de roubalheira dos “angelicais” Covas, Alckmin e Serra, o PSDB estará morto. Tem muita gente com raiva.
Além disso, o caso Globo começa a sair de controle. É inexplicável. O caso da funcionária da Receita que roubou o processo da emissora e a investigação do Ministério Público que foi aberta contra a mesma emissora estão sendo cobertos por cada vez mais veículos de mídia. O silêncio da Globo e do resto da grande mídia sobre o caso ainda vai enfurecer as multidões.
Só o que precisa ser resolvida, porém, é a questão do quebra-quebra ao fim das manifestações. Note-se que o noticiário sobre o protesto desta semana contra Alckmin em São Paulo diferiu do de costume. Na foto abaixo, o portal da Globo na internet atribui o vandalismo aos manifestantes e não a “infiltrados”, como de costume.


Notou, leitor? Logo abaixo da legenda principal sobre o protesto, o G1 acusa “os manifestantes” e não “os infiltrados”.
Se nos protestos contra o propinoduto tucano e contra a sonegação da Globo houver vandalismo, a mídia passará a criminalizar esses protestos e o choque das pessoas com o saldo deles ajudará na impunidade da emissora carioca e do partido político que controla.
Nesta semana, ao ir à agência bancária em que mantenho conta e que fica na avenida Paulista, impressionei-me com os 16 caixas eletrônicos da entrada do banco totalmente destruídos. As pessoas que entravam expressavam horror ao vandalismo. O que mais ouvi foi que “Isso não é jeito de protestar”.
O acobertamento desses mega escândalos de corrupção pela Globo, pela Folha de São Paulo, pela Revista Veja e pelo Estadão – e pelos satélites desses veículos – foi longe demais. Se tudo der certo, serão obrigados a noticiar que o partido político que controlam (o PSDB) é mais sujo do que pau de galinheiro e que a emissora moralista é controlada por bandidos.
Tomara que a esquerda crie juízo. Globo, PSDB e a máquina comunicacional que controlam constituem uma legítima ameaça à democracia e fazem do país uma republiqueta bananeira na qual há escândalos investigáveis e ininvestigáveis.
Vai surgindo, pois, uma grande chance de pegar essa quadrilha com as calças na mão. Há que aproveitá-la.
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