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domingo, 21 de julho de 2013

OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA: Como ludibriar o leitor

21.07.2013
Do blog OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA,17.07.13 

Uma das vantagens que os jornais supostamente oferecem em relação aos outros meios de informação é o sistema de organização das notícias: elas são distribuídas por seções temáticas, quase sempre agrupadas em cadernos específicos, facilitando a busca do leitor por seus assuntos preferidos.
O fato de esse pacote de informações se renovar diariamente reforça a percepção de uma ordem e uma correlação entre os acontecimentos, o que também funciona para passar ao leitor a confiança de que a cada dia ele está recebendo o que há de mais atual, e que com isso estaria adquirindo um conhecimento objetivo sobre a realidade que lhe interessa.
Por isso, quando a imprensa quebra esse elo, a consequência pode ser desastrosa.
Por exemplo, no domingo passado, o Globo publicou como sendo recente o resultado de uma pesquisa sobre credibilidade da imprensa que havia sido divulgada pela agência de Relações Públicas Edelman quatro meses antes. O estudo, feito anualmente há uma década, dizia que a mídia é a entidade mais confiável para os brasileiros, com 66% de aprovação, contra 64% das empresas, 59% das ONGs e 33% do governo.
O resultado, divulgado no primeiro trimestre deste ano, se refere a levantamento feito no ano anterior, ou seja, é um retrato desatualizado da realidade. Portanto, se apresentado como atual, é uma mentira. E por que razão o jornal carioca venderia aos seus leitores, como se fosse fresco, esse peixe congelado?
Os leitores atentos haverão de perceber que essa publicação, que foi imediatamente reproduzida por outros veículos noticiosos, passa a impressão de que a credibilidade da imprensa aumentou justamente quando caía a reputação de outras instituições, todas atingidas pela onda de protestos que ocorreram a partir de maio, ou seja, dois meses depois de distribuída pela Edelman a pesquisa referente a 2012.
Mas existe outro aspecto a ser considerado nessa questão. A publicação da pesquisa defasada sobre a credibilidade da imprensa foi feita em meio a uma série de outros levantamentos que mostram a queda da popularidade do atual governo.
Produzidos no calor dos protestos que paralisaram as grandes cidades brasileiras, esses estudos foram sendo levados ao público numa cronologia regular, a partir do início de junho, como se fossem resultados de consultas sequenciais, o que pode produzir em muitas pessoas a impressão de que o governo está rolando ribanceira abaixo.
Jogo perigoso
Essa técnica de manipulação é muito conhecida entre os marqueteiros e jornalistas, e costuma ser praticada em períodos eleitorais. Se serve para registrar as mudanças de humor de eleitores em meio às emoções produzidas pela propaganda dos candidatos, esse tipo de cobertura produz distorções fundamentais na percepção de outros contextos que devem ser vistos no longo prazo, como a avaliação da eficiência de um governo.
Funciona assim: o Datafolha produz uma pesquisa, constatando que a presidente Dilma Rousseff sofreu a primeira queda em sua alta taxa de popularidade, perdendo 8 pontos na aprovação popular, mas ainda venceria uma eleição em primeiro turno. Em seguida, os jornais reproduzem a pesquisa destacando declarações de líderes da oposição vinculando o governo às manifestações de rua e prevendo novas quedas de popularidade. Na sequência, nova pesquisa, desta vez com uma queda de 27 pontos porcentuais.
A notícia original, dada pela Folha de S. Paulo, usa o verbo “despencar”, que é repetido por todos os outros veículos, como num túnel de ecos. Novamente, repetem-se as “análises” com base em declarações de políticos da oposição, que vinculam os indicadores aos protestos que se multiplicam nas ruas.
Interessante observar que a mesma sequência de constatações é feita por outra série de pesquisas, estas produzidas para a Confederação Nacional do Transporte, mostrando tendência semelhante. No entanto, os jornais publicam esses resultados, com diferenças de poucos dias em relação aos levantamentos do Datafolha, como se fossem novas prospecções, quando são, na verdade, novas tomadas do mesmo contexto.
Dessa forma, passa-se para o leitor a impressão de que a aprovação do governo está “despencando”, para usar a palavra preferida dos jornais. No entanto, o que está “despencando” é a confiança dos brasileiros no processo democrático.
O fato mais relevante dessas pesquisas, que está sendo omitido pela imprensa, é a declaração de intenção no voto nulo ou em branco. Na última pesquisa do CNT/DMA, a presidente Dilma aparece com mais intenções de voto espontâneo do que o ex-presidente Lula da Silva e o dobro das intenções dirigidas aos possíveis candidatos Marina Silva e Aécio Neves. Na pesquisa estimulada, ela ainda venceria as eleições em dois turnos.
Além disso, a imprensa está escamoteando um dado fundamental nessa pesquisa, a mais recente: na pergunta sobre que partido o entrevistado quer ver na Presidência da República a partir de 2015, a resposta espontânea mostra que 22,1% apontam o PT, apenas 5,6% preferem o PSDB e 2,1% citam o PMDB.
No conjunto dos levantamentos, vistos desde o início de junho, o retrato mostra que o que caiu foi a confiança no processo político: mais de 50% dos brasileiros estariam dispostos a se abster em 2014. Com a redução do total dos votos válidos, ficaria mais fácil influenciar o resultado das urnas – e essa possibilidade parece estar no horizonte estratégico da mídia tradicional.
Mas esse é um jogo muito perigoso.
*Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 17/7/2013
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A nova agenda em movimento cobra outra postura dos poderes

21.07.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 19.07.13
Por Revista do Brasil

De olho em 2014 e desconectados dos anseios imediatos do país, políticos foram atordoados com os protestos de junho. Movimentos se organizam para apoiar avanços e conter retrocessos 
respostaDilma recebeu centrais sindicais, movimentos sociais, da juventude e do campo. E levou aos partidos e poderes propostas para tentar acelerar as demandas das ruas

Se durante as manifestações de junho o Congresso permaneceu calado e as oposições, mudas, sobrou para a presidenta Dilma Rousseff – para quem se apontava grande parte da fúria antigovernos e antipolíticos – reagir. Frequentemente criticada por oposicionistas e aliados, por ser centralizadora e ouvir pouco, e pelos movimentos sociais, pela falta de atenção, a presidenta chamou-se à responsabilidade de assimilar o clamor das ruas e liderar o diálogo com a sociedade, os aliados e as oposições. Ao entrar em cena, devolveu parte das demandas sociais, que estavam dispersas nos protestos, ao ambiente da política, dos partidos e dos movimentos sociais. Mas as ruas não pararam de ecoar – e, como observou o professor Alfredo Bosi, mostram que “a democracia puramente formal e representativa em termos eleitorais está em crise”.
O senador Aécio Neves (PSDB-MG), nome trabalhado pela oposição para disputar o Planalto, criticou a agenda sugerida pelo governo. “É absolutamente inviável do ponto de vista prático e diversionista. A presidente da República quer dizer aos brasileiros que aquilo que os levou às ruas foram as propostas que interessam ao PT na reforma política, e não a calamidade da saúde pública, a falência da mobilidade urbana, em especial o transporte público, o aumento da criminalidade”, afirmou, em entrevista coletiva. “Mais uma vez o governo mostra que não entendeu absolutamente nada do que a população brasileira quis dizer.” Aécio está em seu papel. Tem pouco menos de um ano para avaliar se o cenário será favorável a se cacifar para disputar com Dilma ou se será mais seguro para a ocasião voltar a disputar o governo de Minas Gerais.
Seu argumento é rebatido pelo sociólogo Emir Sader: “Quando o Brasil enfrenta sua crise atual e as mobilizações populares com diálogo e atendimento de reivindicações, soa o coro dos frustrados para atacar o Brasil”, escreveu, em seu blog no site Carta Maior, acusando também as correntes mais à esquerda de jogar o jogo eleitoral. “Ultraesquerda e direita neoliberal estão juntinho enquanto o Brasil está reinventando seu processo democratizador, sem repressão e sem retrocessos.”
O economista Paulo Nogueira Batista Jr., representante do Brasil e de outros dez países na direção executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI), observa que não se deve perder de vista que a “colonização da política pelo dinheiro” deformou a democracia e levou a população e os jovens a se rebelar em busca de canais de ação direta. “Tanto a mídia quanto a política estão dominadas pelo dinheiro de maneira avassaladora. As pessoas já não se sentem representadas nem pela política, nem pelos partidos, nem pela mídia. Então buscam a expressão nas redes sociais, onde a população sente que tem mais voz, e na rua”, analisou, em entrevista ao jornal Brasil Econômico. O economista chama atenção para as oportunidades de amadurecimento que a crise oferece: “Como indivíduos, podemos melhorar a nossa casa, batalhar o estudo para os nossos filhos, comprar um carro melhor. Mas as mudanças sociais dependem de organização social”.
Essa maturação requer o engajamento dos movimentos sindical e social, na avaliação do presidente da CUT, Vagner Freitas, para quem as jornadas de junho contribuíram para colocar no centro da conjuntura o dia a dia das pessoas e seu sentimento em relação à qualidade do transporte coletivo, da saúde e da educação públicas. “Constatamos que setores conservadores tentaram influir nas mobilizações por objetivos estranhos aos interesses da imensa maioria do povo brasileiro”, observou. Entretanto, como ele diz, o movimento soube interpretar os aspectos positivos do que foi expressado nas ruas, criando uma unidade em torno de suas batalhas antigas, sempre sem eco nos meios de comunicação.
Essa lógica moveu as centrais a rechaçar uma convocação anônima de “greve geral” para 1º de julho e programar uma série de manifestações conjuntas, como a do dia 11, em várias partes do país, com foco na chamada agenda dos trabalhadores, como a rejeição do projeto de lei que amplia as possibilidades de emprego irregular de mão de obra terceirizada (Projeto de Lei nº 4.330), fim do fator previdenciário, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. “Em conjunto com os movimentos sociais, a CUT levantará também a luta pela democratização da mídia e pela reforma política por plebiscito popular”, acrescenta o sindicalista.

Responsabilidades

Em meio ao habitual desprezo da imprensa comercial pela pauta sindical, o ator americano Danny Glover, conhecido por sua atuação em filmes como Máquina Mortífera e Ensaio sobre a Cegueira, furou o bloqueio e expressou, em plena Rede Globo, seu sentimento em relação ao papel dos sindicatos. Em visita ao país para uma campanha pelo direito à sindicalização dos funcionários da Nissan no Mississippi, Estados Unidos, Glover participou no dia 1º de uma entrevista no Programa do Jô.
O humorista tentou, na conversa, ligar a inflação aos protestos. “São manifestações de uma juventude que enfrenta uma inflação que nunca vivenciou. Para mim é um dos fatores importantes que desembocaram nas manifestações”, diz Jô, sendo interrompido pelo ator: “Acho que é algo mais profundo. Acho que é a busca para que sua voz seja ouvida. Eles estão assumindo responsabilidades de cidadãos. O que é uma democracia sem divergências, sem discordâncias, sem diálogo?”
Muitos pontos da agenda dos movimentos sociais vinham sendo cozinhados em banho-maria, no Planalto e no Congresso. Na verdade, o primeiro semestre até apresentava uma pauta movimentada, mas repleta de intrigas e, pelo que ficou demonstrado, desconectada da sociedade. Os primeiros cinco meses avançavam em ritmo atípico. Da eleição das mesas diretoras da Câmara e do Senado ao envolvimento das duas casas na apreciação das pautas – passando pela composição das comissões de trabalho –, ninguém pode dizer que deputados e senadores estavam paralisados. O jogo da política estava sendo jogado.
O ano começa com a eleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) para presidir o Senado e de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para a Câmara. Renan ingressou na carreira como deputado estadual em 1978 e Alves foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1970. Suas carreiras vão da oposição do velho MDB à ditadura ao vício fisiologista adquirido pelo atual PMDB – que, afinal, não é oposição mesmo desde 1985. Mas os defeitos de Renan e Alves só se tornaram importantes para a imprensa quando o partido aproximou-se das bases de apoio dos governos Lula e Dilma.
Também foi destaque no início da temporada a eleição de Marco Feliciano (PSC-SP) para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. A tragédia desenhou-se quando o PT abriu mão de presidir a comissão e consolidou-se quando PMDB e PSDB cederam vagas para tornar o PSC o partido mais numeroso do colegiado, responsável por avanços, ou retrocessos, em relação às liberdades individuais e à valorização, ou não, da dignidade humana. Chamou ainda atenção a eleição de Blairo Maggi (PR-MT), segundo maior plantador de soja do mundo, para a Comissão de Meio Ambiente do Senado.

Acorda, nobre colega

A formação das comissões permanentes (11 no Senado e 21 na Câmara) atrasou a tramitação do Orçamento da União, que deveria ter ocorrido em novembro, e até a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2014 ficou ameaçada. E seguiu-se o jogo, com clima ácido entre as legendas, a baixa confiabilidade da base aliada e uma oposição à espreita de faturar com algum erro do adversário.
A votação da medida provisória que estabeleceu novas regras para ampliar a capacidade dos portos brasileiros foi momento de grande dedicação do Legislativo ao trabalho – e de críticas às atuações das ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais), em seu papel de fazer o meio de campo entre o Planalto e os congressistas. Na votação, a MP dos Portos sofreu diversas alterações, que depois sofreram vetos por parte do Planalto.
A MP demorou na Câmara. Rendeu até cenas bizarras de deputados dormindo ou sendo levados de volta ao plenário para dar quórum à sessão. No Senado, teve de ser vapt-vupt, sob protestos de amigos e de inimigos. Por isso, uma semana depois, quando o Senado teria de votar a MP referente à redução das contas de luz, o prazo de validade passou e o Executivo teve de incluir rapidamente a demanda em outro texto para garantir a medida, que alivia o bolso de todos, mas foi pensada especialmente para reduzir custos das empresas.
Dias depois, dois deputados do PMDB requereram a instalação de uma CPI para investigar operações da Petrobras fora do país. “Nunca vi a base aliada tomar a iniciativa de pedir CPI contra o governo”, irritou-se o líder Arlindo Chinaglia (PT-SP), assinalando: “Embora a base aliada tenha quase 400 parlamentares, atualmente só se pode contar com 150 deles”.
Na agitação e ativismo do Congresso, porém, o que todos – oposição e situação – já vinham fazendo eram contas para 2014.

Com olhos muito adiante, a movimentação política não se apercebera do choque de realidade que viria da onda de manifestações de junho, que fez a agenda ordinária ruir e impôs ao país, e à sua democracia, um nova ordem. Uma demonstração, voluntária ou não, de que a política tem seus canais institucionais, mas não pode ser delimitada aos plenários e corredores do Parlamento.
Em uma pauta difusa, pareceu clara a crítica à função que o Estado – em nível federal, estadual e municipal – desempenha quanto aos serviços prestados e gastos que realiza. E também despontou o olhar desconfiado em relação a meios de comunicação e aos “formadores de opinião” de sempre.
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Carta de um médico cubano: respeito, solidariedade e ética

21.07.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 19.07.13

Carta de um médico cubano: Simplesmente respeito, solidariedade e ética

“Meu nome é Juan Carlos Raxach, cubano, que desde 1998 escolhi o Brasil como meu país de residência, e sinto o maior orgulho de ter me formado, em 1986, como médico em Havana, Cuba.
É com tristeza e dor que vejo as notícias publicadas pela mídia e nas redes sociais, a falta de respeito e de solidariedade proveniente de alguns colegas brasileiros, profissionais ou não da área da saúde, que atacam e desvalorizam os médicos formados em Cuba como uma forma de justificar a sua indignação às medidas tomadas pelo governo brasileiro no intuito de melhorar a qualidade dos serviços do SUS.
A qualidade humana e a alta qualificação dos profissionais de saúde cubanos têm permitido que ainda hoje, quando o país continua a enfrentar graves problemas econômicos que se alastram desde os anos 90, após a queda do campo socialista da Europa do leste, os índices de saúde da população cubana seguem colocados como exemplo para o mundo.
São índices de saúde alcançados através do trabalho interdisciplinar e intersetorial desses profissionais.
Por exemplo, em 2012 a mortalidade infantil em Cuba continuava sendo 4,6 por cada mil nascidos vivos, menor que o índice de Canadá e dos Estados Unidos.
Leia também
A expectativa de vida é de 78 anos para os homens e 80 para as mulheres.
médicos cubanos brasil
Vinda de médicos estrangeiros e, sobretudo, cubanos, têm gerado discussões acaloradas
E já em 2011 existia um médico a cada 143 habitantes.
Em 2012, a dra. Margareth Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), reconheceu e elogiou o modelo sanitário de Cuba e destacou a qualidade do trabalho que realizam os profissionais de saúde e os cientistas cubanos, e felicitou às autoridades cubanas por colocar o ser humano no centro da sua atenção.
Não é desprestigiando nossos colegas de profissão, seja qual for o seu país onde tenha se formado, que vamos colocar em pauta e debater as verdadeiras causas da deterioração da qualidade dos serviços de saúde no Brasil.
Na hora de nos manifestar, o respeito, a solidariedade e a ética são necessários para estabelecer o diálogo e ir ao encontro da solução dos problemas.
Solidariamente,
Juan Carlos Raxach
Juan Carlos Raxach é assessor de projetos da Associação Brasileria Interdisciplicar de AIDS – ABIA
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Adeus inflação. E agora?

21.07.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Amir Khair, no sítio Carta Maior:


Ao final de cada ano o mercado financeiro inicia o processo de ameaça com o fantasma da inflação. Aproveita a sazonalidade característica de maior ritmo inflacionário típico do início de cada ano.

Nesse início há os reajustes e pagamentos no IPTU, IPVA, despesas escolares e contratos com vencimentos de início de ano, visando recompor a inflação ocorrida no ano anterior. É um período favorável para as ameaças de inflação e, ato contínuo pressão ao governo para elevar a Selic.

Neste ano esses arautos do fantasma da inflação tiveram uma ajuda extra importante. Foi o choque climático que reduziu a oferta de vários alimentos in natura, sendo o tomate tomado como símbolo. Isso tudo convergiu para dar suporte a essa campanha conduzida com competência pelos representantes do mercado financeiro, que têm nos principais meios de comunicação, seus propagadores.

O resultado alcançado levou o governo a ceder em sua política de redução das taxas de juros. O Banco Central (BC) que estava acuado, sendo duramente criticado pelo mercado financeiro, resolveu usar mais uma vez a solução milagrosa de elevar a Selic, mesmo sabendo que nenhum banco central no mundo fazia elevações desde setembro de 2012.

Mas nosso BC é especial e lá foi ele subindo a Selic do seu mínimo histórico de 7,25% para até agora 8,5%, prometendo ir além.

O mercado financeiro que antes criticava o BC passou a elogiá-lo, argumentando que ele agora estava reconquistando sua liberdade e passou a ancorar (bonita palavra) as expectativas dos agentes econômicos. A razão todos sabem: quanto mais alta a Selic maior o lucro do sistema financeiro e, quem paga isso é o Tesouro Nacional.

Fato é que o choque agrícola ia naturalmente se dissipar e isso já podia ser captado pela inflação mensal cadente desde janeiro no IPCA de alimentos e bebidas: janeiro 1,99%, fevereiro 1,45%, março 1,14%, abril 0,96%, maio 0,31% e junho 0,04%.

Isso, no entanto, não pesou nas avaliações do BC. Preferiu considerar a inflação acumulada nos últimos doze meses, que era crescente devido à comparação com a inflação mensal deste ano com a correspondente de 2012.

É importante observar o peso que tem os alimentos na inflação. Na composição do IPCA os alimentos e bebidas pesam 25%. Desde maio do ano passado essa inflação ficou acima do IPCA. Caso fosse excluída sua participação, o IPCA nos últimos doze meses girou no entorno de 3,5% ao ano, ou seja, a inflação no Brasil ficou abaixo do centro da meta de 4,5% se não fosse pela inflação de alimentos e bebidas.

Essa constatação questiona a política de usar a Selic para controlar a inflação. Ninguém advoga que a Selic influencia a inflação de alimentos, muito menos a de alimentos in natura, que dependem especialmente da oferta, sujeita a chuvas e trovoadas.

Mas, novamente foi usada a elevação da Selic, como se a inflação fosse cair por ação do BC. Ela vem caindo, independentemente do BC, e continuará caindo, pois refluíram os preços dos alimentos. Mas, atenção, o mercado financeiro vai tentar mais uma vez torcer os fatos e atribuir a elevação da Selic como a responsável pela queda da inflação.

É isso aí! É pena que a presidenta Dilma, que é quem de fato conduz a economia, também tenha caído mais uma vez no engodo do mercado financeiro.

O estrago feito, e que continuará a crescer com novas elevações da Selic, sai caro ao País. Cada elevação de um ponto na Selic causa uma despesa adicional ao governo federal de R$ 27 bilhões. As elevações neste ano atingiram até agora R$ 34 bilhões. 

O mercado financeiro ardilosamente pressiona por seus porta vozes, em geral ex-presidentes do BC, para a redução das despesas do governo, para evitar que o BC, sozinho (coitado) tenha que elevar a Selic. Na realidade querem espaço fiscal maior para dar lugar ao aumento das despesas com juros. Assim, vale observar a ginástica que vem fazendo o governo para cortar R$ 12 bilhões. É o mesmo que enxergar uma pulga e não ver um elefante desfilando à sua frente.

A despesa com a elevação dos juros, até a Selic de 8,5%, de R$ 34 bilhões, equivale a uma vez e meia à prevista para este ano com o Bolsa Família, que deve atingir neste ano R$ 23 bilhões. É por isso que vale a crítica de que o governo dá com uma mão os R$ 23 bilhões e retira com a outra R$ 34 bilhões para dá-lo ao mercado financeiro e ao rentismo que alimenta a elite financeira do País.

Nesse sentido todas as políticas econômicas até agora, passando por todos os governos, mantém como traço marcante o domínio do mercado financeiro. E isso em nome da independência do BC. Vale registrar a Selic média ocorrida nas gestões dos diferentes presidentes do BC. Os três primeiros comandaram o BC na fase FHC: Gustavo Loyola 22,6%, Gustavo Franco 24,6%, Armínio Fraga 19,5%, Henrique Meirelles 14,9% e Alexandre Tombini até agora 9,6%.

Uma nova política econômica se impõe para retomar o crescimento baseado na economia real, e não mais sendo pilotada ao interesse do mercado financeiro. Para isso destaco: a) operar a Selic ao nível da inflação, como fazem os demais países; b) emitir moeda para pagar os juros da dívida federal, como fazem os países desenvolvidos; c) deixar o câmbio flutuar, sem interferência do BC.

Com essas três medidas se poderá: a) economizar os recursos hoje destinados ao pagamento de juros (R$ 16 bilhões em média por mês); b) devolver às empresas o poder competitivo que foi retirado com o câmbio artificialmente valorizado pelo BC; c) equilibrar as contas externas e; d) crescer de forma sustentada, com fundamentos macroeconômicos sólidos.

Caso não haja as mudanças, o governo vai continuar remando contra a maré e agravando o quadro fiscal, as contas externas e amargando a semiparalisia econômica.

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TÂNIA PASSOS: Viena reutilizou trilhos de bondes e o Recife tem alguma chance?

21.07.2013
Do blog MOBILIDADE URBANA, 20.07.13
Por Tânia Passos

Fellipe Castro/Esp. Aqui PE/D.A

O Recife que já teve uma malha viária de bondes de quase 200km, acabou perdendo quando se optou pelo transporte rodoviário. Os trilhos ficaram como memória de um passado, pelo menos por enquanto. Confira o exemplo de Viena.

Em alguns lugares do Brasil, como resquício do século 20, há diversos trilhos de bondes nos quais hoje não circula mais nenhum transporte e a infraestrutura serve apenas como vestígio do passado. Em Viena, capital da Áustria, esses mesmos trilhos estão sendo reutilizados para as linhas de ônibus elétricos.

A vontade de mudar o sistema de transporte público era maior que o orçamento em Viena. Foi então que os governantes resolveram adaptar a infraestrutura deixada pelos bondes para os veículos que usam baterias. Sem uso de gasolina e dotados de bateria elétrica, doze ônibus já estão em serviço – eles reduzem a emissão de CO2, o barulho comum dos veículos convencionais e aproveitam a mobilidade de linhas exclusivas para o transporte público.

Cada ônibus transporta 40 passageiros. A cidade não precisou criar uma infraestrutura para o novo modal, o que seria inviável financeiramente, uma vez que o orçamento de Viena encontra-se restrito ainda devido à crise europeia, segundo informou o New York Times.

A tecnologia foi fornecida pela Siemens e deve ser utilizada em cinco cidades da Europa e duas da América do Sul, cujos nomes não foram divulgados. De modo pioneiro, as linhas de bonde permitem o carregamento das baterias enquanto os ônibus circulam sobre os trilhos. A emissão de dióxido de carbono tende a ser redzida em 300 toneladas ao ano.

Os ônibus adotados por Viena custaram à cidade 400 mil euros (1,2 milhão de reais), o dobro de uma frota movida a gás ou gasolina, mas quando compensada a economia com os trilhos e com a saúde pública, percebeu-se que valeria o investimento.

Brasil atrasado

Embora não seja novidade no resto do mundo, o Brasil está entrando atrasado no terreno dos veículos elétricos. A opinião é do presidente do conselho consultivo da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Jaime Buarque de Holanda.

Há cerca de 13 anos, a entidade chama a atenção de que seria importante o país se preparar para essa transição tecnológica. “De modo geral, essa coisa não foi bem percebida aqui no Brasil”, apontou Holanda.

A capital do Paraná, Curitiba, foi pioneira no país na produção de ônibus elétricos para transporte coletivo. No município já estão em operação 30 veículos hibribus, ônibus movidos por dois motores, um deles abastecido por energia elétrica e outro, por biodiesel.

Esse é o primeiro ônibus híbrido produzido pela Volvo no Brasil, por encomenda da prefeitura de Curitiba. O investimento, porém, foi feito pelas empresas privadas do setor de transporte urbano e não incluem a reutilização de trilhos.
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Norueguesa é condenada à prisão por denunciar estupro em Dubai

21.07.2013
Do portal da Revista Fórum, 19.07.13
Por Redação

Marte Deborah Dalelv foi condenada a 16 meses de prisão por ter feito “sexo” fora do casamento, perjúrio e por ter ingerido bebida alcoólica na noite em que foi estuprada 

Marte Deborah Dalelv, vítima de estupro, foi transformada em criminosa pela justiça de Dubai (Foto: Reprodução / Facebook)
Nesta quarta-feira (17), a norueguesa Marte Deborah Dalelv , de 24 anos, foi condenada a 16 meses de prisão por ter sido vítima de um estupro em Dubai, famoso destino turístico dos Emirados Árabes. No dia 6 de março, Dalelv procurou a polícia de Dubai e afirmou ter sido vítima de violência sexual durante sua viagem de trabalho ao país. De acordo com o pai da jovem, ela foi imediatamente detida por quatro dias, teve o passaporte e dinheiro confiscados e foi indiciada criminalmente.
Segundo a legislação dos Emirados Árabes, um estuprador só pode ser condenado se o crime for presenciado por quatro testemunhas homens ou se o mesmo confessar o estupro. Já a norueguesa, em razão de ter denunciado o crime, foi condenada a 16 meses de prisão por ter feito sexo fora do casamento, perjúrio e por ter ingerido bebida alcoólica na noite em que foi violentada.
De acordo com o site norueguês VG.no, ao denunciar o estupro, a norueguesa ainda foi interpelada pelas autoridades policiais, em tom jocoso, se estava fazendo a denúncia por “não ter gostado do sexo”.
O caso repercute entre autoridades norueguesas que prometem apoiar a jovem na apelação da sentença. “A sentença em Dubai a uma norueguesa que denunciou um estupro é contrária a nosso sentido da justiça. Daremos a ela apoio no processo de apelação”, afirmou Espen Barth Eide, ministro das Relações Exteriores da Noruega, através do Twitter.
Com informações do Portal Terra. 
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Os pobres não existem para o Instituto Millennium

21.07.2013
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
Por PAULO NOGUEIRA

No mundo, até os plutocratas se preocupam com a concentração de renda, mas no Brasil não.
O Millenium não enxerga este mundo
Não conhecia o Instituto Millennium.
Depois de conhecer, concluí imediatamente que poderia ter continuado a não conhecer.
É o triunfo do arquiconservadorismo nacional. Naveguei pelo site, e vi basicamente uma duplicação desinspirada do que você já vê na grande mídia brasileira: as mesmas pessoas, os mesmos articulistas, as mesmas ideias, o mesmo nhenhenhém.
E a mesma desconexão com o mundo moderno.
Vejamos o que o Millennium tem a dizer sobre o tema mais importante da agenda dos líderes globais: a questão da desigualdade social.
Nada. Simplesmente nada. É como se isso não existisse no Brasil. A história está abarrotada de situações em que a extrema desigualdade levou ao caos social, ou a revoluções. Mas para o Millennium  isto não é um problema brasileiro.
Vejamos.
A desigualdade é o tema de uma reportagem especial desta semana da excelente revista The Economist, conservadora como o Millennium – mas com a diferença de que é competente, lúcida e persuasiva na defesa de seu ideário.
A Economist afirma, com razão, que o movimento Ocupe Wall St trouxe a desigualdade para a mesa dos debates mundiais. Nos Estados Unidos, ela está no centro da campanha de Obama para derrotar Romney e ganhar uma nova temporada na Casa Branca.
Nos últimos 30 anos, escreve a Economist, uma “dramática” concentração de renda nos Estados Unidos remeteu a uma situação “parecida ou pior” do que a que marcou a infame “Gilded Age” do começo do século 20. Foi a era dos “barões ladrões”, como passaram para a história magnatas americanos como os Vanderbilts, e da miséria para a maior parte da sociedade.
Biltmore, a casa de George Vanderbilt II com 250 quartos
Foi um tempo de extravagâncias chocantes. George Vanderbilt II, por exemplo, ergueu ao longo de seis anos na Carolina do Norte a Biltmore, uma mansão de 250 quartos na qual trabalharam 1000 pedreiros. Passados cem anos, a casa de Bill Gates em Seattle não faz feio diante de Biltmore.
A fatia da riqueza nacional das 16 000 famílias mais ricas dos Estados Unidos – 0,01% — quadruplicou nas três últimas décadas. “A ampliação da desigualdade começa a preocupar até os plutocratas”, afirma Economist.
Não os nossos, aparentemente. Ou não, pelo menos, os agrupados no Millennium. Eles parecem ignorar que, quanto menos desigual uma sociedade, menores as chances de radicalismos ou extremismos florescerem.
A despeito dos avanços recentes, o Brasil tem uma iniquidade pavorosa. No mundo da economia, há uma medição para isso, o chamado Coeficiente Gini. Os países escandinavos, como sempre, são os que aparecem no topo dos lugares em que a distribuição de renda é boa.
O Brasil é um dos últimos colocados. Tem disputado com a África do Sul a duvidosa honra de ser o primeiro da relação dos iníquos.
Segundo números do Banco Mundial, os 20% mais ricos do Brasil concentram 43,3% da riqueza nacional. Os 20% mais pobres têm 2,9%.
O Millennium se bate por esse status quo. Brotam de lá as habituais ladadinhas em relação ao excesso de impostos do Brasil. Isso lembra a pregação cínica de Romney, um especialista em achar maneiras de evadir impostos – com o assim chamado planejamento fiscal, uma arte disseminada entre a plutocracia brasileira. (A Receita cobra na Justiça uma dívida de 2,6 bilhões de reais da Globo, presentíssima no Millennium pelo acionista João Roberto Marinho e mais os colunistas de sempre.)
O Millennium defende um mundo velho, feito de privilégios – e é por isso que não influencia e não comove os brasileiros.
Este texto foi publicado no Diário do Centro do Mundo em 15 de outubro de 2012.
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MANIPULAÇÃO DA MÍDIA: O Brasil que existe nos jornais

21.07.2013
Do portal LUIS NASSIF ON LINE
Por  Luis Nassif

Existe um jornalismo fast-food que se limita a seguir todo movimento de manada, a apresentar visões extraordinariamente simplistas da realidade ou a exercitar a opinião (leiga) sobre assuntos da maior profundiade.

Em todos esses casos, valem-se do expediente da "autoridade" - no caso, a possibilidade de sua opinião, por mais primária que seja, saia publicada em jornais de alta circulação ou em jornais de TV.

Esse movimento teve início no pós-redemocratização e está estreitamente ligado ao florescimento dos âncoras de rádio de TV e seus bordões de fácil alcance - tipo "isto é uma vergonha".

Sempre valeu para rádio e TV, mas não tinha espaço entre formadores de opinião - categoria na qual se enquadravam os jornais, antes da deblacle dos últimos anos.

Um dos mais fáceis recursos de marketing consiste em juntar um conjunto de temas negativos para concluir que tudo está negativo - ou o inverso.

Por exemplo, junto a tortura a quatro réus acusados de um crime aqui, com um ato de vandalismo ali, junto algumas tragédias sanitárias acolá e passo ao leitor a percepção de que aqueles fragmentos de realidade se constituem no todo.

Ora, países, estados, cidades, grandes empresas, são organizações complexas, das quais se pode extrair centenas de exemplos positivos e negativo.

Poderia falar do evento da SBPC em Recife, da euforia dos jovens com a redescoberta da política, da ascensão da nova música brasileira, dos resultados da indústria naval, do trabalho excepcional de ONGs e OSCIPs em parceria com o setor público, da universidade do MST, da recuperação pontual das bolsas e dizer que o país é uma maravilha.

O tal país terminal ou pujante não é o país real: é aquele que existe na cobertura da mídia, na cabeça do jornalista, no cérebro de quem não consegue enxergar além do retrato em branco e preto do momento.

É o marketing da notícia, uma opção que os jornais escolheram para se tornarem irrelevantes junto à opinião pública que conta.
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Ministro do TCU muda sua data de nascimento para evitar aposentadoria e presidir corte

21.07.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Raimundo Carreiro, que foi secretário-geral do Senado, apresentou registro de 1946 para conseguir o salário integral de aposentado pela Casa; mas, após chegar ao tribunal, foi à Justiça provar que nasceu em 1948, evitando a saída compulsória em 2016

Nomeado há seis anos para o Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro Raimundo Carreiro envelheceu, sem truque de beleza ou matemática, só quatro de lá para cá. Depois de assumir o cargo, conseguiu na Justiça mudar sua data de nascimento de setembro de 1946 para setembro de 1948 e, assim, esticar em dois anos a permanência na corte, tida como o "céu" de políticos e servidores públicos em fim de carreira.  

A manobra adia a aposentadoria do ministro, obrigatória aos 70 de idade, e lhe assegura a posse na presidência do tribunal no biênio 2017-2018, escanteando colegas de plenário.
O comando do TCU é definido anualmente numa eleição pró-forma, que ratifica acordo de cavalheiros previamente costurado. O presidente exerce mandato de um ano, renovado sempre por mais um. 

Pela tradição, o escolhido é sempre o ministro mais antigo de casa que ainda não exerceu a função. O próximo da fila é Aroldo Cedraz, que tomou posse em janeiro de 2007, dois meses antes de Carreiro, e sucederá a Augusto Nardes no período 2015-2016. Em seguida, será a vez de Carreiro, que, com nova certidão de nascimento, tirou a cadeira de José Múcio Monteiro. "Pode ser consequência (assumir a presidência), mas não que o objetivo seja esse", diz Carreiro.

A decisão que o "rejuvenesceu" foi obtida na Comarca de São Raimundo das Mangabeiras, município do interior do Maranhão em que cresceu, foi vereador e se tornou influente. Para remoçar dois anos, Carreiro mostrou à Justiça certidão de batismo da Igreja de São Domingos do Azeitão, lugarejo vizinho a Benedito Leite, onde veio ao mundo. Preenchido à mão e de difícil leitura, o documento registra o nascimento de "Raimundo", filho de Salustiano e Maria, em 6 de setembro de 1948, e não nos mesmos dia e mês de 1946, como no registro civil original do cartório.

Antes de migrar para o TCU, em março de 2007, Carreiro se aposentou no Legislativo usando a idade antiga, ou seja, aos 60 anos contados de 1946, e salário integral. Deixou a Secretaria-Geral da Mesa do Senado para ser empossado no TCU. A remuneração bruta alcança hoje R$ 44 mil, mas, segundo o Senado, não é paga por causa dos proventos do TCU, não acumuláveis.

Em 2008, já aposentado, Carreiro recorreu à Justiça para "corrigir" a confusão. Desta vez, lhe interessava comprovar a data de nascimento de 1948.

A sentença da Justiça maranhense saiu em março de 2009. Antes de concordar com a troca do registro, o Ministério Público rejeitou duas vezes os documentos juntados por Carreiro. Foi preciso o ministro viajar para São Raimundo e levar à audiência o padre de São Domingos, com livro de batismo e tudo. "Sabe quantos dias ele ficou para dar esse parecer? Contei: 43", recorda Carreiro, reclamando do promotor Cássius Guimarães Chai: "Ele é muito conhecido lá, porque é muito ‘cri-cri’", acrescentou o ministro.

Reforçaram o conjunto probatório os depoimentos da mãe biológica, Maria Pinheiro da Silva, que corroborou a data, e os de dois conhecidos da época de menino. Questionado se o registro de batismo é 100% certo, o padre atual, José Edivânio de Lira, explica: "Aqui é comum dar os dados de cabeça. É um pouco mais preciso, apesar da dúvida".

No TCU, a notícia da retificação provocou críticas. "O poder rejuvenesce", ironizou fonte graduada do tribunal. Além de administrar a estrutura da corte, com um orçamento anual de R$ 1,5 bilhão, o presidente não relata e julga processos, cumprindo, a seu critério, agenda recheada de negociações políticas e viagens internacionais. As informações são do Estadão Siga o Facebook do nosso blog aqui
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Um dia, a Globo terá que pagar

21.07.2013
Do portal da Revista Caros Amigos, 19.07.13

Milhares de pessoas protestam contra a Globo pelo Brasil
Por Márcio Zonta
Do Brasil de Fato

Centenas de pessoas protestaram contra a Rede Globo em diversos pontos do país, em frente às sedes da empresa. Isso ocorreu no dia 11 de julho, uma quinta-feira, no Dia Nacional de Lutas, chamado pelas centrais sindicais e pelo MST.
fora clogo
Com o tema da democratização da mídia ganhando fôlego nas ruas, a emissora mergulha em uma série de denúncias sobre suas relações promíscuas com figurões da política brasileira, benefícios ilícitos adquiridos desde os tempos ditatoriais, além do mais recente escândalo de sonegação de impostos, que ultrapassa os R$ 600 milhões.

O que a família Marinho tentou esconder na onda de mobilizações de junho, pautando manifestações e canalizando os protestos em temas como corrupção e PEC 37, veio à tona nos últimos dias.
O apresentador Carlos Tramontina, que apresentava ao vivo o programa SPTV, ao ter seu rosto alcançado por um laser verde não teve outra opção. “Um grupo de aproximadamente 400 pessoas fazem um protesto contra a TV Globo em São Paulo”, anunciou Tramontina.
Altamiro Borges, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé afirma que a Globo tentou ao máximo deslocar os protestos, sobretudo, porque grande parte da insatisfação era contra a própria empresa.
“A Globo tentou destacar que eram protestos sem partido, horizontais contra o governo. Só que deixou de falar que era contra a mídia também. Em todos eles, a maior palavra de ordem era ‘Fora Globo’, ou seja, há um descontentamento explícito contra a emissora”, destaca.
Roubo de Dinheiro Público
Recentemente, mais uma irregularidade envolvendo a Rede Globo foi descoberta. Uma denúncia de Miguel do Rosário, do blog O Cafezinho, revela que, em 2002, o grupo empresarial promoveu uma sonegação que contabilizou R$ 183 milhões.
Ao concluir o processo, quatro anos mais tarde, em 2006, o valor alcançou a cifra de R$ 615 milhões, somando juros e multas cobrados pela Receita Federal.
O jornalista Rodrigo Viana, em seu blog Escrevinhador, aponta que a Receita Federal solicitou uma investigação criminal contra os Marinho em 2006. No entanto, o Ministério Público Federal não teria levado adiante o pedido.
Sonegação
Segundo Viana, o processo contra a Globo vai além dos R$ 615 milhões sonegados e escancara as contas da família Marinho em paraísos fiscais. Esse caso seria um exemplo claro, pois a Globo teria usado o nome de uma pessoa jurídica com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, um conhecido paraíso fiscal, para não recolher imposto de renda referente ao direito de transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2002.
A trama teria sido realizada pela família Marinho anos antes da realização do evento esportivo, sendo que na véspera da Copa de 2002, o patrimônio da pessoa jurídica criada foi vertido para a Globo, manobra que possibilitou a emissora o direito de difusão das partidas totalmente livre dos impostos decorrentes.
“Essas Ilhas coincidentemente são conhecidas como verdadeiros paraísos fiscais e, por isso, o caso é muito grave e merece uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)”, solicita o deputado federal Protógenes Queiroz (PC do B- SP).
A empresa Organizações Globo tentou recorrer ao processo, mesmo parado. Porém, não obteve sucesso. A relatora Maria de Lourdes Marques Dias não aceitou. “Se trata de um conjunto de operações realizadas que revela sonegação conforme apontado pela fiscalização”, rebateu.
“A própria Globo, ao tentar esclarecer o fato numa nota dias atrás, admitiu que tem vários créditos tributários junto ao Conselho de Contribuinte, então, só falta agora pagar”, cobra Queiroz.
Padrão global
Parte desse sentimento de revolta contra a Globo por parte da população põe em questão a promiscuidade histórica da família Marinho com o poder político e ideológico de grandes grupos econômicos nacionais e internacionais.
“A família que detém a Globo cometeu crimes históricos contra o Brasil. Lutou contra a criação da Petrobras. Fez parte do golpe que levou ao suicídio de Vargas. Consolidou-se financeiramente com dinheiro estrangeiro de um lado e de golpistas internos de outro, sobre o cadáver da nossa democracia”, cita o jornalista Miguel do Rosário.
Sem contar que diversas emissoras afiliadas da Globo pelo País são controladas por políticos envolvidos em inúmeros casos de corrupção. No Maranhão, a família Sarney controla a TV Mirante; em Alagoas, Fernando Collor responde pela Gazeta.
Constituição
O artigo 54 da Constituição estabelece que é proibido políticos detentores de cargos eletivos controlarem concessionárias de serviço público. Contudo, a Organizações Globo é a empresa de comunicação que concentra 73% da verba pública de publicidade.
No mercado de TV por assinatura, a Globosat detém 38 canais e tem poder de veto na definição dos canais da NET e SKY, que juntas controlam 80% de assinantes. Em grandes cidades como Rio de Janeiro, a Globo controla os principais jornais impressos, TVs e rádio.
“Essa situação seria proibida nos Estados Unidos e em vários países da Europa, onde há regulação democrática da mídia anticoncentração”, adverte João Brant, do Coletivo Intervozes.
Porém, foi dessa relação entre os Marinho e os diversos personagens do poder no Brasil, que rendeu esse poderio midiático ao grupo. “A Globo construiu seu poder econômico e político a partir de estreitos laços com a ditadura militar, que lhe garantiu o acesso a toda a estrutura da Telebras e a expansão nacional do seu sinal”, denuncia João Brant.
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Kate Epstein: Netflix, quando o entretenimento nos entorpece

21.07.2013
Do blog VI O MUNDO, 

Netflix e Espionagem

O Admirável Mundo Novo do Banco de Dados

Os vazamentos de [Richard] Snowden e o debate que se seguiu sobre nosso governo [dos Estados Unidos], banco de dados e privacidade levou a mais alusões a [George] Orwell do que eu já havia escutado em minha (admitidamente pós-1984) vida. É difícil não comparar a vigilância constante do século XXI nos Estados Unidos à onipresença do Grande Irmão na visionária novela de 1949. Isso para não mencionar o pensamento duplo que envolve a nossa guerra sem fim, com um inimigo que vive mudando de lugar, para manter a pátria segura (guerra é paz), nossa população carcerária que está explodindo, um aumento de 790% desde 1908 (liberdade é escravidão), e a brutal repressão atual, por parte do governo, a quem fala a verdade e à educação pública (ignorância é força).

Mas o grande Banco de Dados tem um outro lado, que Aldous Huxley previu muito bem em sua distopia de 1932, “Admirável Mundo Novo”. Nessa versão do futuro, o desejo do consumidor, e não o policiamento das ideias, mantém os cidadãos do Estado Mundial na linha, no ano definido não por D.C. mas por A.F., ou “After Ford”(depois de Henry Ford). Chicletes de hormônio sexual, a droga soma para induzir o êxtase (“um centímetro cúbico cura dez sentimentos melancólicos”) e sexo recreativo são incentivados, como também participar das populares “feelies”, que combinam visão, cheiro e tato para criar a última experiência de entretenimento.

De diversas maneiras nós estamos vivendo uma combinação bizarra do monitoramento total de “1984” com a administração das sensações de “Admirável Mundo Novo” na corporatocracia pós-Fordista na qual nossas ações são monitoradas e nossas percepções são administradas o suficiente para determinar nossos desejos e então satisfazê-los como forma de eliminar os dissidentes e esmagá-los.

São corporações como a Booz Allen, afinal de contas, que conduzem o trabalho de vigilância do governo em nosso fantástico, e desregulado, mundo novo.

Apesar de uma das funções de todo esse banco de dados ser a “segurança”, que é uma indústria lucrativa o suficiente por si só, uma função ainda mais lucrativa é entender melhor a tomada de decisão dos consumidores, o que pode ser construído a partir dos mais de 2.8 zettabytes de dados que existem no mundo.

Como os personagens da distopia de Huxley (a grande maioria achava que estava vivendo em uma utopia), nós existimos em uma sociedade saturada de entretenimento. Boa parte desse entretenimento nos é entregue por uma empresa: Netflix, que atende aproximadamente 30 milhões de telespectadores e tem mais audiência do que as tevês a cabo.

Eu pensei em “feelies” e na visão ampla de Huxley, quando ouvi falar da nova estratégia do Netflix para criar conteúdo original, usada pela primeira vez em fevereiro passado com o seriado “House of Cards” – uma estratégia que envolve o uso de bilhões de dados para entender melhor o que seus telespectadores querem ver.

O Netflix, assim como a NSA (Agência de Segurança Nacional), sabe muito sobre nós. Pense o quanto o seu padrão como telespectador revela a seu respeito (o que você assiste, quando assiste, com que frequência interrompe o programa, etc.).

Foi a preocupação com a privacidade na hora de alugar um vídeo que forçou a adoção do Ato de Proteção de Privacidade nos Vídeos, de 1988, depois que os dados sobre o aluguel de vídeos do juiz Robert Bork, indicado para a Suprema Corte, foram publicados em um jornal. O Congresso ficou ultrajado ao ver uma informação tão pessoal tornada pública (considere isso o “metadata” da época), mas a lei não foi atualizada desde então, apesar de certas novidades, incluindo a invenção da internet.

Considere o quanto o Netflix deve saber a seu respeito já que, segundo a GigaOm, ele também coleta dados de localização, informação de aparelhos, metadata de terceiros como o Nielsen e dados de mídias sociais do Facebook e Twitter, além dos mais óbvios data-eventos: mais de 30 milhões de plays por dia, 4 milhões de classificações, 3 milhões de pesquisas e todas as pausas, fast-forwards, rewinds e replays. (Nielsen é a empresa de pesquisa de mercado, criada em 1923 por Arthur Nielsen, que cunhou o termo market share. 

Ela recolhe informação global sobre o que os consumidores assistem e compram para os anunciantes e clientes corporativos como Coca-Cola, Nestle, Procter & Gamble, Unilever, Walmart, CBS, NBC, News Corp. e Disney).

Essa informação dita há muito tempo que conteúdo o Netflix decide licenciar e recomendar para diferentes espectadores, mas com o seriado “House of Cards” foi a primeira vez que uma empresa usou toda essa informação no processo criativo de produção de um programa de TV.

Tudo começou quando o Netflix percebeu que havia superposição significativa entre grupos de telespectadores que assistiam filmes com Kevin Space e filmes dirigidos for David Fincher do começo ao fim, e telespectadores que adoravam a minissérie ”House of Cards” original da BBC, de 1990. Assinantes assistiram um de dez trailers da série com base nos seus perfis de consumo.

Os produtores também sabiam, a partir do estudo do padrão de comportamento dos espectadores, que lançar os treze episódios de uma vez promoveria e satisfaria o comportamento viciado demonstrado pela audiência alvo. A nova estratégia funcionou: 10% dos assinantes do Netflix viram a série toda nas duas semanas após a estreia, e 80% dos telespectadores consideraram a série “boa” ou “excepcional”.

Na onda do sucesso de “House of Cards”, o Netflix estreou uma nova série, “Orange is the New Black”, na quinta-feira, dia 11 de julho. Apresentada como “hilariante, de cortar o coração e muito elogiada pelos críticos, a série se baseia na história verídica de Piper, uma mulher de classe alta de Nova York que se vê condenada a 15 meses de cadeia em uma prisão de mulheres por um crime que ela cometeu há muito tempo”. O programa realmente recebeu elogios. O San Francisco Chronicle afirmou que a série alcançou “uma nova definição de excelência na televisão”.

Assim como as empresas de varejo como a Target [loja de departamento dos Estados Unidos] sabem quando uma adolescente está grávida antes que os pais dela, através da coleta de uma extensa coleção de dados, os produtores de entretenimento de várias indústrias estão se tornando mais e mais especializados a respeito do potencial que o banco de dados tem para transformar o processo criativo e satisfazer a demanda do consumidor de uma maneira sem precedentes.

A ideia de que algoritmos de computador possam mostrar o que normalmente considerávamos ser criatividade humana única é relativamente nova, mas está se expandindo rapidamente.

Algoritmos que pesquisam, coletam e organizam uma quantidade de dados que cresce exponencialmente já conseguem avaliar textos, compor música que imita Bach tão bem que muitos não conseguem dizer qual é a diferença, e escrever textos jornalísticos sobre eventos nos quais nenhum jornalista esteve presente. (Veja “Can Creativity Be Automated?”).

“Nós sabemos o que as pessoas assistem no Netflix e podemos, com alto índice de certeza, entender qual é o tamanho do público potencial para um determinado programa, com base nos hábitos de programação das pessoas”, disse à revista Wired, em 2012, o diretor de comunicações da Netflix, Jonathan Friedlan. “Nós queremos continuar a ter algo para todo mundo. Mas na medida em que o tempo avança, melhoramos nossa capacidade de entender o que é esse algo para todo mundo que alcança alto grau de resposta”.

Talvez seja ir longe demais comparar esse novo ambiente de entretenimento com os “feelies” e jogos de golfes de obstáculo do “Admirável Mundo Novo”, mas é difícil não ser um pouco cético a respeito de uma indústria tão antenada com as preferências do consumidor que pode até usar algoritmos para criar “O Último Programa de Televisão”.

Apesar da realidade de que estamos diante de crises de proporções drásticas – meio ambiente, economia, problemas sociais e políticos – somos bombardeados pela propaganda de uma realidade totalmente diferente. Em mais de 3.000 propagandas por dia, nos apresentam um mundo no qual o consumidor é soberano, a liberdade de escolha reina e a vida sem dor, com prazer constante, é possível.
Arte e entretenimento que não conseguem agradar o tempo todo, apesar do valor social que possam ter, representam uma parcela cada vez menor em relação ao que a maior parte dos norte-americanos consome.

Enquanto a tecnologia avança, as corporações estão desenvolvendo métodos mais precisos para monitorar nosso comportamento e algoritmos mais inteligentes para organizar esses dados.

No ano passado, a Verizon [companhia telefônica] entrou com um pedido de patente para um tipo de tecnologia de monitoramento que usa câmeras infravermelhas e microfones para seguir e registrar o comportamento do consumidor – comer, fazer exercícios, ler e dormir – nas redondezas de uma tevê ou de um aparelho móvel.

Inserido nas caixas de cabo, nas salas-de-estar dos Estados Unidos, essa ferramenta orwelliana supostamente ajudaria as empresas a nos conhecer um pouquinho melhor.

As empresas de marketing usam monitores de olhos para medir como elementos de propagandas são vistos, retidos e lembrados, e as empresas usam reconhecimento de face em câmeras secretas de outdoors para detectar idade e sexo para apresentar anúncios dirigidos.

Com certeza essas novidades levantam várias das mesmas preocupações com a privacidade suscitadas pelo amplo programa de espionagem da comunidade de inteligência. Quando foi que concordamos em dar todos esses dados pessoais de graça? E sequer sabemos que isso está acontecendo?

Como o fundador e CEO do Netflix, Reed Hastings, disse à Businessweek, “Nós podemos fazer mais cálculos e estatísticas com base em dados para que o Netflix represente mais e mais um lugar para o qual você vai relaxar, escapar”.  Soa quase tão bom quanto a festa “soma” sem ressaca.

Kate Epstein é advogada e ativista. Administra o blog The Lone Pamphleteer.

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