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segunda-feira, 15 de julho de 2013

A mídia odeia o sindicalismo

16.07.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Altamiro Borges

O Dia Nacional de Lutas com Greves e Mobilizações, na quinta-feira passada, teve vários saldos positivos. Os trabalhadores entraram em cena, de forma organizada e com suas pautas bem definidas, na onda de protestos que agita o país. As centrais sindicais deixaram de lado suas divergências e se uniram na defesa da democracia e dos direitos trabalhistas. 

Fábricas, bancos, lojas e outros estabelecimentos foram paralisados; estradas foram bloqueadas; e milhares de trabalhadores saíram às ruas em atos e passeatas. Afora tudo isto, as mobilizações serviram para revelar a postura raivosa da mídia patronal e para indicar a urgência da luta pela democratização da comunicação. Esta é uma bandeira estratégica para o avanço das lutas sindicais. Os editoriais dos jornalões e os comentários venenosos na tevê reforçaram esta necessidade.

Os três maiores jornalões do país tentaram desqualificar o protesto sindical, como se os filhos dos Marinho, Frias e Mesquita tivessem se reunido para acertar as manchetes e a cobertura “jornalística”. Todos falaram em “fracasso” das mobilizações, o que foi repetido pelos “calunistas” das emissoras de rádio e tevê. No sábado, eles voltaram à carga com editorais hidrófobos. “Limitações do sindicalismo oficialistas”, esbravejou o Globo. “A irrelevância das centrais”, rosnou o Estadão. “Sindicalismo vencido”, decretou a Folha. A argumentação foi a mesma nos três editoriais, num “pensamento único” autoritário e tacanho.

Segundo o jornal da famiglia Marinho, “enquanto as manifestações de junho, com muito mais jovens, trataram de questões amplas, capazes de sensibilizar todos - combate à corrupção, ética na política, baixos investimentos em transporte, educação e saúde -, os sindicatos oficialistas colocaram a tropa nas ruas com a velha agenda trabalhista, corporativista: redução da jornada de trabalho com manutenção dos salários, fim do fator previdenciário, aumentos salariais etc. Alguns dos pedidos são inexequíveis, sob o risco de explodir de vez as contas públicas... Mas nada de mirar na corrupção, pois o oficialismo de cada um os impede disto. Até porque há sempre a possibilidade de alguma pedra atingir o próprio telhado de vidro”. Na maior caradura, o jornal nada falou sobre as denúncias de sonegação fiscal do poderoso império.

Já o Estadão – que nasceu vendendo anúncios de trabalho escravo e rogando pela repressão às greves anarquistas – não escondeu seu ódio ao sindicalismo, que deve “a sua prosperidade exclusivamente à aberração do Imposto Sindical”. Para o jornalão da famiglia Mesquita, a jornada de 11 de julho foi “o retrato acabado do definhamento” das centrais, que “ou são criaturas de agremiações políticas, como a CUT em relação ao PT, ou trampolim para carreiras políticas, como a do notório Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, ex-PTB, hoje no PDT e com planos de ter um partido para chamar de seu, o Solidariedade”.

Por último, a Folha tucana afirmou que “as manifestações organizadas no país para o chamado Dia Nacional de Lutas foram uma tentativa das diversas centrais sindicais de recuperar terreno perdido. Não apenas em relação aos protestos de junho, mas também aos anos de atuação domesticada pela simbiose com o governo petista... Já ficaram para trás as reivindicações em prol do ‘sindicalismo autêntico’, defendido pelo então líder operário Lula, que postulava organizações trabalhistas autônomas. Com a ascensão dos sindicatos ao poder, a reboque do PT, consolidou-se a versão repaginada do modelo varguista. O sistema continua a ser tutelado pelo Estado e mantido por tributos compulsórios”.

Todo este ódio ao sindicalismo tem vários motivos. Entre eles, o fato dos barões da mídia serem um dos piores empregadores do país e temerem qualquer resistência trabalhista. Eles pagam péssimos salários, precarizam as relações de trabalho (através da nefasta figura dos PJs) e demitem milhares de profissionais sem dó nem piedade. Pena que alguns jornalistas não percebam esta realidade, não se sintam pertencentes à classe dos trabalhadores e sejam até mais realistas do que o rei. Como sempre ironiza Mino Carta, o Brasil é o único lugar do mundo em que o jornalista chama o patrão de companheiro! Lamentável!
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O incrível “pânico espontâneo” de beneficiários do Bolsa Família

15.07.2013
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
A conclusão da investigação da Polícia Federal sobre o pânico que engolfou ao menos 12 Estados do Norte e do Nordeste durante dois dias de maio (18 e 19) devido a boato de que o programa Bolsa Família iria acabar insere-se naquela categoria de coisas de todo tipo que costumam ser comparadas à jabuticaba, que, apesar de também dar na Bolívia, no Paraguai, em Honduras e em El Salvador, dizem que só dá aqui.
A ser verdadeira conclusão como essa da investigação da PF, de que tudo ocorreu “espontaneamente”, o mundo está diante de um dos maiores fenômenos sociais da história. E de um dos grandes mistérios da humanidade.
Senão, vejamos. Trecho da nota oficial da Polícia Federal em que anuncia a conclusão de sua “investigação” sobre um caso que já pertence ao realismo fantástico, afirma que “A PF constatou aumento anormal no volume de saques nas cidades de Ipu (CE) e Cajazeiras (PB) já nas primeiras horas do sábado, dia 18/5. Essas duas cidades apresentaram, proporcionalmente, o maior número de saques dos benefícios no final de semana. A partir das 11 hs da manhã do mesmo dia, verificou-se aumento incomum nas demais cidades que sofreram grande procura nas agências bancárias
A versão que está prevalecendo na mídia para esse fenômeno, apesar de a PF não ter apontado causa outra para o pânico continental que se estabeleceu no Brasil, é a seguinte: no dia 17 de maio (sexta-feira), a Caixa liberou pagamentos do Bolsa Família antes do que deveria. Pessoas dessas cidadezinhas do Nordeste que encontraram o pagamento antecipado por terem ido sacar o benefício antes da hora – sabe-se lá por que – elaboraram as teorias de que a antecipação se deveu a “abono” que o governo estaria pagando pelo dia das mães – o que jamais ocorrera em outros anos – ou de que o programa iria ser extinto e aquele era o último pagamento, por isso fora antecipado.
A criatividade dessas poucas pessoas de duas cidades minúsculas de regiões ermas do país fez explodir nelas a corrida às agências da Caixa já “nas primeiras horas” de sábado, dia 18. Digamos que isso ocorreu por volta das seis da manhã, ao alvorecer, já que ninguém vai a agências bancárias fazer saques em caixas eletrônicas durante a madrugada, enquanto ainda está escuro, até por questão de segurança.
Entre as 6 e as 11 horas de sábado 18 de maio, segundo a PF, em todas as outras cidades de 12 Estados – uma região de dimensão literalmente continental – os saques começaram a ocorrer em progressão geométrica.
Todavia, a investigação da PF não explica como se deu a disseminação desse boato por região tão grande e tão rapidamente. Muito pelo contrário: nega que a internet tenha sido usada para difundi-lo. Outro trecho da nota do órgão, reproduzido logo abaixo, diz exatamente isso.
Foi analisada a possível utilização de redes sociais para propagação dos boatos. Foi identificada uma postagem em uma rede social feita pela filha de uma beneficiária da cidade de Cajazeiras informando sobre o saque antecipado de sua mãe. Essa foi a primeira menção na internet a respeito do assunto. No entanto, a postagem desta informação não foi a origem dos boatos. Assim sendo, a internet e as redes sociais apenas reproduziram notícias veiculadas pela imprensa sobre os tumultos em agências bancárias
Se não houve concurso da internet para espalhar o boato, como é possível que tenha se espalhado por região tão grande e em questão de horas? A PF não diz se foi por telefone, pombo-correio, tambores, código Morse, telepatia ou sabe-se lá mais o quê.
A nota da PF diz que, para chegar à conclusão sobre “pânico espontâneo”, sua investigação identificou e entrevistou “180 beneficiários do Bolsa Família nos estados de Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio de Janeiro”. E que, “Entre esses beneficiários, constam os primeiros sacadores das cidades de Ipu e Cajazeiras, além daqueles que foram às agências bancárias a partir das 11hs do dia 18/5 nas demais cidades
Por fim, a nota informa que “Também foram ouvidos 64 gerentes da Caixa Econômica Federal nas localidades onde ocorreu o maior volume de saques”.
A investigação da Polícia Federal durou sessenta dias. As entrevistas de beneficiários e gerentes da Caixa que diz ter feito ocorreram à média de quatro por dia. Alguns diriam que se tratou de uma investigação “Tabajara”, tanto pelo contingente reduzido de pessoas ouvidas em uma região continental em que multidões se desesperaram, depredaram etc. quanto pelo ritmo de trabalho.
A nota da PF em que ela informa que esse episódio impressionante ocorreu por geração espontânea, aliás, não atribui tudo o que ocorreu à antecipação do pagamento do benefício. Apenas diz que os boatos ocorreram sem uma causa só, sendo a antecipação um dos prováveis fatores.
Então, além de essa investigação Tabajara não explicar como o boato se disseminou – se foi por alguns dos meios tecnológicos ou paranormais acima descritos ou pelo que quer que seja –, ainda não diz por que uma hipótese surgida da cabeça de um grupo provavelmente microscópico de pessoas ganhou uma publicidade tão potente.
Para disseminar qualquer ideia por uma região tão grande e tão rapidamente, talvez só fosse possível fazê-lo usando a televisão e o rádio. E seria altamente questionável dizer que a internet, sozinha, conseguiria espalhar o boato tão rápido por uma população empobrecida e entre a qual a inclusão digital deve ser baixíssima.
Até se pode entender a investigação da Polícia Federal não ter sido boa. As polícias brasileiras são mais famosas pela truculência e pela corrupção do que pela capacidade investigativa, que ainda costuma se resumir a torturar suspeitos de crimes para que “deem o serviço” que policiais não querem ou não sabem fazer. O que não se entende é todos ficarem satisfeitos com explicações tão ruins.
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Paulo Moreira Leite: “Novo”, “velho”? Não vale fazer papel de bobo

15.07.2013
Do blog VI O MUNDO, 14.07.13
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog



Procura-se minimizar o Dia Nacional de Luta convocado pelas centrais sindicais a partir de uma comparação cinematográfica com os protestos de caráter político ocorridos em junho. É uma comparação indevida. A nova moda ideológica é falar em “velho” e “novo.”

Aquelas mobilizações tiveram clara natureza política, apontando, difusamente, para autoridades constituídas – fosse o prefeito, o vereador, o guarda da esquina, o governador, a presidente da República e assim por diante. Eram formadas por uma massa de jovens, em sua maioria estudantes, com ideias diversas e até antagônicas.

Sua direção era semi-secreta, movimentando-se por sites, vídeos e blogs da internet. Havia anarquistas, libertários e fascistas, que chegaram a carregar faixas pedindo a volta dos militares ao poder. Vídeos com audiência nos milhões de pessoas pediram boicote a Copa e até a suspensão de investimentos no país. Interessada em manter Dilma Rousseff sob pressão, os grandes grupos de mídia adoraram. Divulgaram datas e locais dos protestos como se prestassem um serviço para shows e peças de teatro.

Os protestos trouxeram benefícios palpáveis, como redução nas tarifas. Também obrigaram as instituições políticas a responder a demandas há muito tempo ansiadas pela população. Mas também deram curso a atos de demagogia e grande oportunismo.

O Congresso Nacional transformou-se numa usina de projetos aprovados a toque de caixa, apenas para agradar a multidão. Uma das principais questões colocadas pelas ruas – uma reforma de fundo em nosso sistema político – pode ser destruída, ponto a ponto, em negociações destinadas a bloquear a participação popular nas decisões. Velho? Novo?

O Dia Nacional de Luta foi um ato das lideranças de trabalhadores, que, como apontou o jornal espanhol El País, pela primeira vez em 22 anos foram às ruas numa mobilização nacional para defender seus interesses e cobrar providências do governo. Não foi um grande espetáculo nem um ato de ruptura com o governo Dilma, como gostaria a oposição.

Mas foi um aviso definido numa situação bem específica.

Em vários pontos de São Paulo, viveu-se um clima de feriado – ainda mais notável porque as linhas de ônibus e o metrô funcionaram normalmente. Os protestos em grandes empresas, no Paraná, em Goiás, foram vigorosos entre categorias importantes.

Um ato reuniu 15 000 pessoas no Recife e 10 000 em Belo Horizonte. Ocorreram marchas em Cuiabá e em Brasília mas também em São Luís e Fortaleza. Quatro mil trabalhadores de São Bernardo do Campo desfilaram pela Via Anchieta. Se cabe registrar a denúncia de pagamento de ajuda de custo cachê recebido por manifestantes da avenida Paulista, convém não tomar a árvore pela floresta. A 25 de março, maior centro de comércio do país, foi paralisada, evento nada desprezível. O Rio de Janeiro assistiu a um protesto de 20 000 pessoas.

É preciso muito esforço para não enxergar sua importância – apesar da desvantagem numérica e da falta daquele glamour midiático de uma ação comandada por pessoas com menos de 24 anos.

No Brasil de 2013, os juros estão em alta, o crescimento econômico encontra-se em queda e os trabalhadores estão preocupados com o futuro de suas famílias. Ninguém sabe até quando o desemprego permanecerá baixo. Nem até quando os salários poderão subir sempre um pouco acima da inflação. Coisas “velhas”, com certeza. Mas imagine o “novo” que pode estar a caminho.

Antes de acreditar nos ideólogos que em menos de 24 horas descobriram a nova divisão do mundo e das pessoas, é bom lembrar que o trabalho assalariado não foi abolido, apesar do desemprego estrutural crescer em vários países e versões inesperadas de trabalho escravo terem surgido.

Ter um bom emprego continua sendo a principal referência de existência e conforto para a imensa maioria da população, ao menos enquanto o mundo viver sob regras da economia atual e não for possível criar uma sociedade do lazer ampla e irrestrita.

As questões deste universo, do trabalho foram colocadas pela manifestação de ontem. Nada “novo,” é verdade. Mas dolorosamente real.

Os sindicatos pedem atenção às aposentadorias, questão essencial num país em processo acelerado de envelhecimento. Também denunciam as políticas de terceirização, que ameaçam progressos históricos obtidos a partir da CLT. Não querem o “novo”, se isso significa criar um mundo pior que o “velho.”

Enfraquecer as organizações do movimento sindical de todas as maneiras constitui um objetivo estratégico do conservadorismo brasileiro desde 1954, quando Getúlio Vargas foi arrancado do Catete pelo tiro do suicídio. Essa meta alimentou o golpe de 1964, e, com todas as nuances e correções, encontra-se por trás de campanhas permanentes contra o sindicalismo brasileiro nos dias de hoje. Como a CLT foi assinada em 1944, é vista como símbolo do “velho.” Mas era o “novo” em relação a 1930, quando a questão social era “caso de polícia.”

Novo, velho? Não vale fazer papel de bobo.

Convém não esquecer que o atual governo não foi gerado em gabinetes da FIESP nem em piqueniques acadêmicos mas tem raízes nas greves de trabalhadores dos anos 70.

E é evidente que dividir e enfraquecer o movimento sindical será um objetivo essencial da oposição para 2014, quando se joga a sucessão presidencial de Dilma Rousseff, desde já a mais difícil disputa política para os trabalhadores desde 2002.

A principal crítica que se faz aos protestos foi ter, supostamente, um caráter governista, de quem teria sido cooptado pelo governo em troca de favores e presentinhos. Em tom de lamúria, lamenta-se que o sindicalismo tenha perdido a vocação “autêntica” para assumir velhas práticas de conciliação e submissão.

Numa versão verde-amarela da estratégia thatcherista de deixar as entidades sindicais sem recursos, estrangulando sua atividade com a falta de dinheiro, volta-se a criticar o imposto sindical, que todo trabalhador pode se recusar a pagar, sendo devidamente estimulado a fazer por funcionários de RH de grandes empresas.

Falar em “acomodação” e “peleguismo” é uma ação de fundo eleitoral, para ajudar aquele “novo” que ninguém sabe quem será. Tenta-se, com ela, esconder benefícios reais conseguidos nos últimos anos.

A maioria dos trabalhadores votou na eleição de Dilma em 2010, assim como assegurou as duas eleições de Lula. Obteve conquistas importantes, ainda que o país não tenha, obviamente, chegado ao paraíso.

A renda média do cidadão brasileiro continua muito baixa. O salário médio não permite à maioria dos brasileiros ter acesso a bens e confortos que são padrão neste início de século XXI.

A falta de qualidade nos serviços públicos atinge um padrão vergonhoso.

Apesar disso, na última década os trabalhadores conseguiram melhorias importantes, muitas inéditas. O desemprego caiu a um nível nunca visto. O salario mínimo não parou de subir. O emprego formal cresceu e a desigualdade regional diminuiu.

Apresentado como filantropia de fins eleitorais, o Bolsa Família nada mais é do que uma resposta dos poderes públicos à condição de miséria na qual sobrevivem milhões de famílias de trabalhadores sem emprego decente, sem estudo formal e sem qualificação profissional, a que todos deveriam ter direito.

O problema real é outro. Entregue aos solavancos e misérias do mercado, o mundo encontra-se em sua pior crise desde 1929. Em toda parte, conquistas históricas da se encontram sob ameaça – quando não foram simplesmente revogadas.

A regressão é geral e muita gente repete que não há outra saída. É o novo conformismo. Novo?

Este é o mal que ronda a Terra, como assinalou Tony Judt, um dos principais historiadores de nosso tempo.

O debate realmente novo é impedir este processo de chegar ao País.

A oposição, em suas várias faces e muitas máscaras, está pronta para cumprir seu papel. Recebe estímulos, favores e até carinhos. Fala através de eufemismos e encontra-se bem protegida.

Por trás dela encontra-se o rumo das conquista arrancadas depois de 2002 – e o que será feito com elas no pós-2014.

Este é o debate que o Dia Nacional de Luta colocou. Convém não desprezá-lo.

 Leia também:

Em BH, protesto contra noticiário tendencioso teve grito de “a verdade é dura”

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PML: QUEM QUER SILENCIAR A DILMA

15.07.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

É, simplesmente, um esforço para silenciar o governo.

O Conversa Afiada reproduz artigo do Paulo Moreira Leite, na IstoÉ:



DILMA SILENCIADA


Amadores e profissionais do mundo político parecem de acordo num ponto: Dilma Rousseff tem problemas de comunicação.

A razão dessa dificuldade é menos clara, porém. 

Um conjunto de analistas, dentro e fora do governo, acredita que a presidente não consegue comunicar com clareza aquilo que pensa ou planeja. É como se fosse uma incapacidade congênita, apenas disfarçada pelo período em que as coisas pareciam andar tão bem na economia que não era necessário falar muito. 

Ao enfrentar tempos mais difíceis, expressos nos protestos de junho, revelou-se que seria incapaz de conversar com o povão e também com a elite.

Assim, sua mensagem não chega ao eleitor.

Não se trata, é claro, de uma opinião consensual.

Analisando os protestos, o sociólogo Manuel Castells, um dos mais celebrados intelectuais contemporâneos, interlocutor de Fernando Henrique Cardoso e referência do ex-presidente para tantos assuntos, disse a Daniela Mendes, da IstoÉ:

- Ela (Dilma) é a primeira líder mundial que presta atenção, que ouve as demandas de pessoas nas ruas. Ela mostrou que é uma verdadeira democrata.

Na mesma entrevista, Castells deixou claro que tinha entendido qual era o problema da mensagem. Ele disse: 

- Ela (Dilma) está sendo esfaqueada pelas costas por políticos tradicionais.

A verdade é que em apenas quinze dias as principais respostas que Dilma ofereceu aos problemas reais colocados pelos protestos passaram no moedor de carne e sobrou pouca coisa.

É certo que, com toda sinceridade, e sem intenções ocultas, muita gente não tinha a menor disposição de prestar atenção na presidente. Como escreveu uma estudante no Twitter: “para quem tem 20 anos, a pergunta é: por que ela só pensou nisso agora?”

Nem todos pensaram da mesma forma, contudo.

O plebiscito e a Constituinte, as principais ideias da presidente para encaminhar a reforma política, tradução quase literal do urro das ruas contra nossas formas de representação e nossos representantes, obtiveram apoio de 68% da população.  Difícil falar em problemas de comunicação, certo?

Até um calouro do pior curso de Ciência Política seria capaz de imaginar que, a partir dali, a presidente poderia tentar reconstruir relações políticas com uma fatia do seu antigo eleitorado. Aos trancos e barrancos, havia encontrado uma passagem.

Em poucos dias, para realizar a profecia de Castells, Dilma foi “esfaqueada pelas costas por políticos tradicionais”, sob aplauso do mesmos veículos de comunicação que celebraram os protestos como o despertar do gigante.

O que se alegou? Que o plebiscito e a Constituinte eram ideias de quem não têm ideias reais e se orientam pelas bolas de cristal dos serviços de marketing.

Considerando que absolutamente todos os políticos brasileiros têm seu consultor de marketing, que costuma exercer sua influência tão notável como decisiva na maioria de suas decisões políticas, cabe abandonar a ingenuidade fingida e mudar a pergunta:  o que se temia?

Simples: temia-se que o povo desse palpite – de verdade – nas linhas gerais de formação de um novo sistema político. Não se queria correr o risco de eliminar a influência do poder econômico nos processos políticos.  Era preciso garantir a falsa mudança, o processo em que tudo muda para que nada mude. As ruas sempre foram úteis para isso, como se sabe desde que essa frase foi escrita, para registrar  os limites da luta pela democracia italiana.

No esforço unilateral para desqualificar ideias da presidente, inclusive de grande aprovação popular, inventou-se até que Dilma havia tentado criar uma lei inútil, aquela que transforma a corrupção em crime hediondo, apenas para cultivar a demagogia das massas. Você pode gostar ou não do projeto. Mas é bom saber que ele só entrou  em votação numa ação combinada entre Renan Calheiros e a mais aplicada dupla de inimigos do governo no Senado, Álvaro Dias e Pedro Taques. Os petistas apenas pegaram carona, até porque, em função de projetos antigos, mantidos na gaveta pela direção do Senado, tinham todo direito de se apresentar como pais da ideia. 

O mesmo tratamento se reservou a um projeto ambicioso, prioritário e, mais uma vez, tão necessário ao país que a estudante de 20 anos teria toda razão em perguntar mais uma vez: por que não se fez isso antes?

Estou falando do programa Mais Médicos, destinado a suprir a carência obvia de médicos em boa parte dos municípios brasileiros. Quem estuda o mercado de trabalho sabe que, em dez anos, nossas faculdades formaram 54.000 médicos a menos do que o número necessário para manter um atendimento razoável no país. No Rio Grande do Sul, prefeituras em região de fronteira contratam médicos uruguaios para atender à população. Há dois meses, 2.500 prefeitos – que representam metade das cidades do país – apoiaram um abaixo assinado para pedir a contratação de médicos. Cansados de esperar pelos doutores que não vêm, foram até Brasília num ato explícito pela contratação de estrangeiros. 

Mas é óbvio que esse projeto foi camuflado pela prioridade de dar voz aos adversários do governo. Cumprindo aquele papel já assumido de auxiliar uma oposição “fraquinha”, em vez de debater os prós e contras do projeto, a maioria dos meios de comunicação deu atenção maior às entidades corporativas dos médicos do que à opinião dos usuários do SUS e lideranças da periferia. Por esse método, seria coerente ouvir apenas Federação Nacional de Jornalistas para falar sobre o diploma da categoria. Ou perguntar somente aos sindicatos dos professores sobre o plano de bônus por produtividade.

Os titulares das entidades médicas foram ouvidos como porta-vozes legítimos de toda  sociedade e não de uma parte dela. Veiculou-se como verdade estabelecida a noção de que o governo pretendia enviar médicos para trabalhar em taperas sem estrutura nem condição de trabalho. Falso. 

Neste domingo, graças ao Estado de S. Paulo, revelou-se que as carências da saúde pública são imensas, mas ela se encontra em  situação oposta. Em cinco anos, o total de equipamentos de saúde registrados pelo governo federal teve alta de 72,3%. O número de leitos hospitalares subiu 17,3% e o de estabelecimentos de saúde, 44,5%. A oferta de médicos, porém, cresceu apenas 13,4% – ou seja, menos do que os principais índices de infraestrutura de saúde.  

Posso até concordar que há um problema real na comunicação de Dilma, entre aquilo que ela diz e aquilo que pretende dizer.

E é evidente que o governo possui um problema de articulação essencial, que desconhece inclusive forças que poderiam ajudá-lo, como se viu no debate sobre o plebiscito. 

Mas há um esforço para bloquear a comunicação. Procura-se um debate a partir da mentira. Dizem agora que o governo quer “obrigar” estudantes a “doar” dois anos de suas vidas em função da residência em locais onde a presença de médicos é mais necessária – como se não fosse uma atividade remunerada, e que em alguns casos pode chegar a R$ 8.000. 

O que se quer, na verdade, é negar  à autoridades eleitas o direito de definir prioridades para atender a população. O que se quer é deixar para o mercado a tarefa de organizar a saúde pública – opção histórica de nossas autoridades, que produziu a miséria visível aos olhos de todos.

Não é o exercício da crítica, não é a apuração para mostrar verdades ocultas por trás dos atos do governo. Também não tem a ver com o caráter adequado ou danoso de suas propostas.

É, simplesmente, um esforço para silenciar o  governo. Vale tudo, inclusive dizer que não sabe se comunicar. 
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APÓS TENSÃO, DILMA SE REÚNE COM EVANGÉLICOS

15.07.2013
Do portal BRASIL247

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Duas semanas depois de despertar críticas e ameaças de líderes evangélicos como o pastor Silas Malafaia e o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), por ter recebido movimentos sociais ligados à causa gay, presidente Dilma Rousseff se reúne com cantoras gospel e lideranças de igrejas evangélicas no Palácio do Planalto; entre as convidadas, a pastora Sônia Hernandes, da Renascer, que ficou cinco meses presa nos EUA por evasão de divisas; Feliciano não aceitou convite para conversar: "Não tenho nada a tratar com essa gente"

247 - "Somos ou não somos invisíveis?", reclamou pelo Twitter, há duas semanas, o deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) em mensagem para o pastor Silas Malafaia, ao comentar reunião da presidente Dilma Rousseff com ativistas da causa gay. Em resposta, Malafaia disse que Dilma tem recebido até "vadias", mas esqueceu dos evangélicos, enquanto ambos dirigiam ameaças ao governo petista, de olho em 2014. A partir desta segunda-feira, contudo, nenhum dos dois pode mais reclamar -- pelo menos de falta de atenção de Dilma com os evangélicos.

Acompanhada pelo ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB), a presidente se reuniu com cantoras gospel e lideranças de Igrejas Evangélicas no Palácio do Planalto. Dilma recebeu, entre outros, as cantoras Ana Paula Valadão, Bruna Karla, Damares, Eyshila, Cássia Helena Sousa, Ezenete Rodrigues, Fernanda Hernandes, Juliana e Leonor Machado, Irene Correa, Mara Maravilha, Maria do Carmo, Maurizete Acioli, Rubia Fernandes, Sonia Hernandes e Valnice Coelho.

Das cantoras, as que chamam mais atenção são a apresentadora Mara Maravilha e a pastora Sônia Hernandes, da Igreja Renascer, que ficou cinco meses presa nos Estados Unidos por evasão de divisas. Em 2007, ela e o marido, Estevam Hernandes, tentaram entrar em território americano com US$ 56 mil escondidos, parte dentro de uma Bíblia.

Feliciano

A reunião desta segunda-feira faz parte da estratégia do governo para dar uma resposta às manifestações que tomaram conta das ruas em vários Estados nas últimas semanas. Crivella disse que o encontro não possuía pauta específica, mas foi uma demonstração de apoio e solidariedade. "Temos neste país uma solidariedade entre as mulheres e foi isso que as cantoras, bispas e pastoras vieram demonstrar", disse.

Apesar do chamado dos evangélicos para conversar, Feliciano não se deu por satisfeito. "Eu não tenho nada a tratar com essa gente", comentou. "Ela (Dilma) só recebeu essas lideranças porque eu e Silas Malafaia fizemos pressão, mas isso era para ter ocorrido lá atrás, não agora, depois de ter conversado com várias outras lideranças políticas. A assessoria do Gilberto Carvalho até me ligou, mas preferi não atender", disse o deputado pastor à coluna Radar on-line.
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TIJOLAÇO: Repúdio à espionagem dos EUA. E 86 deputados foram contra. Quem foi?

15.07.2013
Do blog TIJOLAÇO, 09.07.13
Por Fernando Brito
Publico aí abaixo a relação do voto dos deputados à moção de repúdio, apresentada pelo Deputado José Guimarães, à espionagem norte-americana. Leia o texto e veja quais são os 86 parlamentares que prezam tão pouco o seu país e o direito dos brasileiros à inviolabilidade de suas comunicações telefônicas e telegráficas.

MOÇÃO DE REPÚDIO
Nós, parlamentares da Câmara dos Deputados da República Federativa do Brasil, MANIFESTAMOS:


O nosso repúdio à espionagem e o monitoramento de bilhões de e-mails, telefonemas e dados de empresas e cidadãos brasileiros, bem como do governo 
do Brasil, supostamente realizados por agências de inteligência dos Estados Unidos da América, que violam direitos de empresas e cidadãos brasileiros 
e atentam contra a soberania nacional.

Ao mesmo tempo, externamos o nosso apoio às iniciativas do Estado brasileiro, que pretende levar este 

grave caso à consideração da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Internacional das Telecomunicações (UIT).

Declaramos, ademais, nossa concordância com as iniciativas destinadas a criar uma agência multilateral, no âmbito do sistema das Nações Unidas, para gerir e regulamentar a rede mundial de computadores, poderoso instrumento de uso compartilhado da humanidade.
Por último, externamos a nossa apreensão com a segurança do cidadão norte-americano Edward Snowden, que está refugiado, há dias, no aeroporto de Moscou.
ParlamentarUFVoto
DEM
Abelardo LupionPRNão
Alexandre LeiteSPNão
Augusto CoutinhoPENão
Claudio CajadoBANão
Davi AlcolumbreAPNão
Eli Correa FilhoSPNão
Fábio SoutoBASim
Jairo AtaídeMGNão
Jorge Tadeu MudalenSPNão
Júlio CamposMTNão
Luiz de DeusBANão
Major FábioPBSim
MandettaMSNão
Mendonça FilhoPENão
Mendonça PradoSESim
Onyx LorenzoniRSNão
Paulo Cesar QuartieroRRNão
Professora Dorinha Seabra RezendeTOSim
Rodrigo MaiaRJNão
Ronaldo CaiadoGONão
Total DEM: 20   
PCdoB
Alice PortugalBASim
Chico LopesCESim
Daniel AlmeidaBASim
Delegado ProtógenesSPSim
Evandro MilhomenAPSim
Jandira FeghaliRJSim
Jô MoraesMGSim
Luciana SantosPESim
Manuela D`ÁvilaRSSim
Osmar JúniorPISim
Perpétua AlmeidaACSim
Total PCdoB: 11   
PDT
André FigueiredoCESim
Ângelo AgnolinTOSim
Damião FelicianoPBSim
Dr. Jorge SilvaESSim
Enio BacciRSSim
Félix Mendonça JúniorBASim
Flávia MoraisGOSim
Giovani CheriniRSSim
Giovanni QueirozPASim
João DadoSPSim
ManatoESSim
Marcelo MatosRJSim
Marcos MedradoBASim
Marcos RogérioROSim
Mário HeringerMGSim
Miro TeixeiraRJSim
Oziel OliveiraBASim
Paulo Rubem SantiagoPESim
ReguffeDFSim
Salvador ZimbaldiSPSim
Sueli VidigalESSim
Vieira da CunhaRSSim
Weverton RochaMASim
Wolney QueirozPESim
Total PDT: 24   
PEN
Fernando FrancischiniPRSim
Nilmar RuizTOSim
Total PEN: 2   
PHS
José HumbertoMGSim
Total PHS: 1   
PMDB
AdrianRJSim
Akira OtsuboMSSim
Alberto FilhoMASim
Alceu MoreiraRSSim
Alexandre SantosRJSim
André ZacharowPRSim
Aníbal GomesCEObstrução
Arthur Oliveira MaiaBASim
Asdrubal BentesPASim
Benjamin MaranhãoPBSim
Camilo ColaESSim
Celso JacobRJSim
Celso MaldanerSCSim
Darcísio PerondiRSNão
Edinho AraújoSPSim
Edinho BezSCSim
Edio LopesRRNão
Eduardo CunhaRJSim
Elcione BarbalhoPASim
Fabio ReisSESim
Fabio TradMSSim
Fátima PelaesAPSim
Fernando JordãoRJNão
Flaviano MeloACSim
Gabriel ChalitaSPSim
Genecias NoronhaCESim
Henrique Eduardo AlvesRNArt. 17
Hermes ParcianelloPRSim
Íris de AraújoGOSim
João ArrudaPRSim
João MagalhãesMGSim
Júnior CoimbraTOSim
Leandro VilelaGOSim
Leonardo QuintãoMGSim
Lucio Vieira LimaBANão
Luiz PitimanDFSim
Manoel JuniorPBSim
Marçal FilhoMSNão
Marcelo AlmeidaPRNão
Marcelo CastroPISim
Marinha RauppROSim
Mário FeitozaCESim
Marllos SampaioPISim
Mauro BenevidesCESim
Mauro MarianiSCNão
Nilda GondimPBSim
Odílio BalbinottiPRSim
Osmar SerraglioPRSim
Osmar TerraRSNão
Osvaldo ReisTOSim
Pedro ChavesGOSim
Pedro NovaisMASim
Professor SetimoMASim
Raul HenryPESim
Renan FilhoALSim
Rogério Peninha MendonçaSCSim
Ronaldo BenedetSCSim
Rose de FreitasESSim
Saraiva FelipeMGSim
Silas BrasileiroMGNão
Valdir ColattoSCNão
Washington ReisRJSim
Wilson FilhoPBSim
Wladimir CostaPANão
Total PMDB: 64   
PMN
Dr. Carlos AlbertoRJSim
Francisco TenórioALNão
Jaqueline RorizDFNão
Total PMN: 3   
PP
Afonso HammRSSim
Arthur LiraALNão
Beto MansurSPSim
Dilceu SperaficoPRNão
Esperidião AminSCNão
Gladson CameliACSim
Iracema PortellaPINão
Jair BolsonaroRJNão
Jerônimo GoergenRSNão
João LeãoBASim
José LinharesCESim
Lázaro BotelhoTONão
Luis Carlos HeinzeRSNão
Luiz Fernando FariaMGNão
Missionário José OlimpioSPNão
Nelson MeurerPRSim
Renato AndradeMGNão
Renzo BrazMGNão
Roberto BalestraGONão
Roberto BrittoBANão
Roberto TeixeiraPENão
Sandes JúniorGONão
Vilson CovattiRSNão
Waldir MaranhãoMASim
Total PP: 24   
PPS
Arnaldo JordyPASim
Augusto CarvalhoDFSim
Carmen ZanottoSCSim
Humberto SoutoMGSim
Roberto FreireSPSim
Rubens BuenoPRSim
Sandro AlexPRSim
Simplício AraújoMASim
Stepan NercessianRJSim
Total PPS: 9   
PR
Aelton FreitasMGSim
Anderson FerreiraPESim
Anthony GarotinhoRJSim
Aracely de PaulaMGSim
Bernardo Santana de VasconcellosMGNão
Davi Alves Silva JúniorMASim
Francisco FlorianoRJSim
GiacoboPRSim
Goiaciara CruzTOSim
Gorete PereiraCESim
Henrique OliveiraAMNão
Jaime MartinsMGSim
Jorginho MelloSCSim
Lincoln PortelaMGSim
Lúcio ValePASim
Manuel Rosa NecaRJSim
Maurício Quintella LessaALNão
Milton MontiSPSim
Paulo FeijóRJSim
Paulo FreireSPNão
TiriricaSPSim
Vicente ArrudaCEAbstenção
Wellington RobertoPBSim
ZoinhoRJSim
Total PR: 24   
PRB
Acelino PopóBASim
Antonio BulhõesSPSim
Cleber VerdeMASim
Jhonatan de JesusRRSim
Márcio MarinhoBASim
Oliveira FilhoPRSim
Otoniel LimaSPSim
VilalbaPESim
Vitor PauloRJSim
Total PRB: 9   
PRP
Chico das VerdurasRRSim
Jânio NatalBANão
Total PRP: 2   
PSB
Alexandre RosoRSSim
Antonio BalhmannCESim
Ariosto HolandaCESim
Beto AlbuquerqueRSSim
Edson SilvaCESim
Fernando Coelho FilhoPEAbstenção
Givaldo CarimbãoALSim
Glauber BragaRJSim
Isaias SilvestreMGSim
Janete CapiberibeAPSim
Jose StédileRSSim
Júlio DelgadoMGNão
Keiko OtaSPSim
Leopoldo MeyerPRSim
Luiza ErundinaSPSim
Márcio FrançaSPSim
Pastor EuricoPESim
Paulo FolettoESNão
RomárioRJSim
Severino NinhoPESim
Valadares FilhoSESim
Total PSB: 21   
PSC
Andre MouraSENão
Costa FerreiraMANão
DeleyRJNão
Hugo LealRJSim
LaurieteESNão
Nelson PadovaniPRNão
Pastor Marco FelicianoSPNão
Professor Sérgio de OliveiraPRSim
TakayamaPRNão
Zequinha MarinhoPANão
Total PSC: 10   
PSD
Ademir CamiloMGNão
Armando VergílioGOSim
Arolde de OliveiraRJNão
Átila LinsAMNão
Carlos SouzaAMNão
César HalumTONão
Danrlei De Deus HinterholzRSNão
Diego AndradeMGSim
Dr. Paulo CésarRJSim
Edson PimentaBASim
Eduardo SciarraPRNão
Eleuses PaivaSPNão
Felipe BornierRJSim
Fernando TorresBANão
Geraldo ThadeuMGSim
Guilherme CamposSPNão
Hélio SantosMANão
Hugo NapoleãoPINão
Jefferson CamposSPNão
João LyraALNão
José Carlos AraújoBANão
Júlio CesarPINão
Liliam SáRJSim
Manoel SalvianoCENão
Marcos MontesMGSim
Onofre Santo AgostiniSCNão
Paulo MagalhãesBASim
Pedro GuerraPRSim
Ricardo IzarSPSim
Roberto SantiagoSPSim
Sergio ZveiterRJNão
Walter IhoshiSPNão
Total PSD: 32   
PSDB
Alexandre ToledoALSim
Alfredo KaeferPRNão
Andreia ZitoRJAbstenção
Antonio Carlos Mendes ThameSPAbstenção
Antonio ImbassahyBAAbstenção
Bonifácio de AndradaMGSim
Bruna FurlanSPSim
Carlos BrandãoMASim
Carlos SampaioSPSim
Duarte NogueiraSPAbstenção
Dudimar PaxiubaPASim
Eduardo AzeredoMGAbstenção
Eduardo BarbosaMGSim
Emanuel FernandesSPSim
IzalciDFSim
João CamposGOSim
Jutahy JuniorBAAbstenção
Luiz CarlosAPSim
Luiz NishimoriPRSim
Mara GabrilliSPSim
Marcio BittarACSim
Marco TebaldiSCSim
Marcus PestanaMGSim
Nelson Marchezan JuniorRSAbstenção
Nilson LeitãoMTAbstenção
Nilson PintoPASim
Otavio LeiteRJSim
Paulo Abi-AckelMGSim
Pinto ItamaratyMASim
Plínio ValérioAMNão
Raimundo Gomes de MatosCESim
Reinaldo AzambujaMSNão
Rodrigo de CastroMGSim
Ruy CarneiroPBSim
Urzeni RochaRRSim
Vanderlei MacrisSPSim
Vaz de LimaSPAbstenção
Wandenkolk GonçalvesPASim
William DibSPAbstenção
Total PSDB: 39   
PSL
Dr. GriloMGSim
Total PSL: 1   
PSOL
Chico AlencarRJSim
Ivan ValenteSPSim
Total PSOL: 2   
PT
Afonso FlorenceBASim
Alessandro MolonRJSim
Amauri TeixeiraBASim
Andre VargasPRSim
Anselmo de JesusROSim
Arlindo ChinagliaSPSim
Artur BrunoCESim
Assis CarvalhoPISim
Assis do CoutoPRSim
Benedita da SilvaRJSim
Beto FaroPASim
BiffiMSSim
Bohn GassRSSim
Cândido VaccarezzaSPSim
Carlos ZarattiniSPSim
Cláudio PutyPASim
Dalva FigueiredoAPSim
Devanir RibeiroSPSim
Dr. RosinhaPRSim
Fernando FerroPESim
Fernando MarroniRSSim
Francisco ChagasSPSim
Francisco PracianoAMSim
Gabriel GuimarãesMGSim
Geraldo SimõesBASim
Henrique FontanaRSSim
Iara BernardiSPSim
Iriny LopesESSim
Janete Rocha PietáSPSim
João Paulo LimaPESim
Jorge BittarRJSim
José GenoínoSPSim
José GuimarãesCESim
Josias GomesBASim
Leonardo MonteiroMGSim
Luci ChoinackiSCSim
Luiz AlbertoBASim
Luiz CoutoPBSim
Luiz SérgioRJSim
Márcio MacêdoSESim
Marco MaiaRSSim
MarconRSSim
Margarida SalomãoMGSim
Nazareno FontelesPISim
Nelson PellegrinoBASim
Newton LimaSPSim
Nilmário MirandaMGSim
Odair CunhaMGSim
Padre JoãoMGSim
Padre TonROSim
PaulãoALSim
Paulo FerreiraRSSim
Paulo PimentaRSSim
Paulo TeixeiraSPSim
Pedro EugênioPESim
Pedro UczaiSCSim
PolicarpoDFSim
Reginaldo LopesMGSim
Ricardo BerzoiniSPSim
Rogério CarvalhoSESim
Sibá MachadoACSim
Taumaturgo LimaACSim
Valmir AssunçãoBASim
Vander LoubetMSSim
Vanderlei SiraqueSPSim
Vicente CandidoSPSim
VicentinhoSPSim
Weliton PradoMGSim
Zé GeraldoPASim
Zezéu RibeiroBASim
Total PT: 70   
PTB
Alex CanzianiPRSim
Antonio BritoBASim
Arnaldo Faria de SáSPNão
Arnon BezerraCESim
José Augusto MaiaPESim
Josué BengtsonPASim
Jovair ArantesGOSim
Magda MofattoGOSim
Nelson MarquezelliSPSim
Nilton CapixabaROSim
Ronaldo NogueiraRSSim
Sérgio MoraesRSNão
Silvio CostaPESim
Total PTB: 13   
PTdoB
Lourival MendesMASim
Luis TibéMGSim
Total PTdoB: 2   
PV
Alfredo SirkisRJSim
Antônio RobertoMGSim
Eurico JúniorRJSim
Fábio RamalhoMGSim
Henrique AfonsoACSim
PennaSPSim
Roberto de LucenaSPSim
Rosane FerreiraPRSim
Total PV: 8   
S.Part.
Jorge BoeiraSCSim
Total S.Part.: 1   
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