domingo, 14 de julho de 2013

Contratada no governo FHC, Booz-Allen já operava como gabinete paralelo da comunidade da informação dos EUA

14.07.2013
Do portal da Agência Carta Maior
Por  Redação
No portfólio da Booz-Allen, estão algumas das áreas em que a empresa atuou e que, a partir de agora, dadas as acusações de espionagem, estão sob suspeita. As "reformas governamentais" dos anos 1990 aparecem em destaque. A empresa orientou a reforma do sistema eleitoral do México e a privatização de empresas em diferentes países, incluindo os setores de bancos, energia, siderurgia e telecomunicações no Brasil.


A porta giratória entre as grandes corporações e o governo norte-americano reflete a eficiente sinergia entre o Estado e o mercado, no capitalismo mais poderoso do planeta. 

Cargos estratégicos na administração pública são regularmente ocupados por altos executivos e presidentes de gigantescos complexos industriais ou instituições financeiras dos EUA.

Atividades teoricamente específicas da esfera estatal são terceirizadas com absoluta desenvoltura para engordar negócios privados. Desde a guerra, até operações de segurança e espionagem transformam-se em canais de sucção de fundos públicos para a contabilidade privada.

É nessa dissipação de fronteiras e de recursos que se viabiliza a balela do Estado mínimo, maximizado em lucros privados. 

Nesse intercurso de dinheiro, poder e influencia emerge o nome da Booz-Allen, velha parceira do Departamento de Estado na área de espionagem e consultoria.

Desde os anos 40, no entorno da Segunda Guerra, o grupo trabalha em estreita colaboração com o complexo militar norte-americano.

A ponto de ser reconhecida como uma espécie de gabinete paralelo da comunidade de inteligência dos EUA.

A condição de braço do Estado e dos interesses norte-americanos, portanto, é um traço constitutivo na história da Booz-Allen, do qual o governo Fernando Henrique não poderia alegar desconhecimento, quando enganchou estrategicamente o interesse público brasileiro à empresa. 

A Booz-Allen nasceu em 1914, em Chicago, tornando-se rapidamente uma das gigantes do setor de consultoria. 

Como muitas das grandes corporações dos EUA, engatou seus lucros ao suculento orçamento do Estado, a partir da Guerra.

O livro "Spies for Hire: The Secret World of Intelligence Outsourcing" ("Espiões de aluguel: o mundo secreto da terceirização do serviço de inteligência", New York: Simon and Schuster, 2009), de Tim Shorrock, Dick Hill, dedica um capítulo inteiro à Booz-Allen. Dá detalhes de como a empresa engendrou seu trabalho de consultoria nas teias da comunidade de informação dos EUA.

O livro relata que, em 1998, uma funcionária de carreira do serviço secreto, ao assumir uma diretoria da CIA, já considerava a Booz-Allen uma verdadeira extensão da comunidade de inteligência norte-americana. 

Segundo Dempsey, em uma declaração pública registrada e divulgada por revistas especializadas em assuntos de defesa, era mais fácil encontrar ex-secretários e diretores do sistema nacional de inteligência americana na Booz-Allen do que em reuniões do governo.

Em 2005, comprovando o fundamento de suas afirmações, ela se tornaria vice-presidente da Booz-Allen, que já contabilizava 18.000 profissionais (é assim que a turma supostamente defensora do Estado mínimo esconde o real tamanho de seu Estado gigante) e US$3,7 bilhões anuais de faturamento. Em 2012 esse faturamento havia saltado para US$ 5,76 bilhões (mais de R$ 12 bilhões). O número de funcionários passava de 25 mil pessoas (agentes?) espalhados pelos quatro cantos do planeta.

Metade-metade
Ainda segundo o livro de Shorrock e Hill, pelo menos 50% dos negócios da Booz-Allen são financiados pelo governo dos EUA. 

Os outros 50% são contratos de consultoria com grandes empresas do setor privado, nas áreas de energia ao setor químico, passando por bens de consumo. 

Uma de suas especialidades é auxiliar a influenciar governos e órgãos públicos de outros países a seguir políticas que representem oportunidades de negócio para grandes corporações e fundos de investimento norte-americanos. 

Um dos eixos mais lucrativos, como ela própria explicita em seus relatórios, tem sido o dos programas de privatizações. 

Foi esse o principal alicerce de penetração da versátil corporação no Brasil durante o governo FHC. 

As relações entre a Booz-Allen e o Departamento de Defesa, que já eram estreitas de longa data, tornaram-se ainda mais explícitas e se aprofundaram na presidência de George W. Bush. 

A partir de então, a empresa se envolveu nas atividades mais sensíveis da inteligência dos EUA e do Pentágono. 

Mais que isso, encabeçou os projetos mais importantes do Departamento de Defesa após os ataques de 11 de setembro.

Esse foi o gatilho para a montagem do megaesquema de espionagem denunciado por Edward Snowden.

Bush e seu vice-presidente, o todo-poderoso Dick Cheney, passaram um recado claro ao Departamento de Defesa: as corporações privadas, coordenadas pelas consultorias da Booz-Allen, estavam avalizadas na condição de gerentes do sistema de inteligência norte-americana. 

Os profissionais da Booz-Allen, notoriamente conhecidos como mais do que simples consultores, foram chancelados internamente como atores-chave do alto escalão da comunidade de inteligência.

O que já era um gabinete paralelo tornou-se unha e carne da comunidade de informação.

Nosso homem na Casa Branca
Figura central desse relacionamento íntimo foi Mike McConnell. Depois de se aposentar na Marinha dos Estados Unidos, McConnell tornou-se vice-diretor da Booz-Allen na área que a empresa chama de "cyber business":http://www.boozallen.com/about/leadership/executive-leadership/McConnell 

Em 2007, tornou-se nada mais, nada menos do que o vice-diretor do Departamento Nacional de Inteligência (DNI), administrando um time de 100 mil profissionais (agentes secretos, arapongas, informantes, analistas de informação) e 47 bilhões de dólares (pelo menos a parte contabilizada).

Na apresentação de seu currículo, a Booz-Allen se vangloriava de tê-lo como um líder no governo, responsável pela interlocução do gabinete presidencial na Casa Branca com o Congresso, líderes internacionais e a "comunidade de negócios" dos EUA. Em 2009, na presidência Obama, ele retornou à Booz-Allen.

Unindo o útil ao agradável
No portfólio da Booz-Allen, estão algumas das áreas em que a empresa atuou e que, a partir de agora, dadas as acusações de espionagem ampla, geral e irrestrita, estão sob suspeita. Veja:


As "reformas governamentais" dos anos 1990 aparecem em destaque. 

A empresa ainda orientou a reforma do sistema eleitoral do México e a privatização de empresas em diferentes áreas de atuação e países: bancos, no Brasil e no México; energia (além do Brasil, Argentina, Peru e Bolívia), ferrovias (na Argentina), petroquímica (Brasil), portos (México e Venezuela), siderurgia (Argentina e Brasil) e telecomunicações (Brasil, México e Uruguai).

Esses setores, como a maioria se lembra, não foram considerados mais como polos estratégicos para o desenvolvimento e o Estado nacional – termo em desuso no ciclo tucano, tratado com derrisão pelos seus teóricos e operadores. 

Algo semelhante ocorreria nas demais presidências neoliberais que infestaram os governos latino-americanos. 

Estratégicos, porém, eles se tornariam para os interesses norte-americanos, conforme as recomendações de seu braço de informação e dublê de consultoria.

Para os EUA, foi uma ação orquestrada de inteligência. Para a América Latina, foi um exemplo da imensa estupidez da sapiência neoliberal que deixou cicatrizes profundas e, como se vê agora, abriu flancos estratégicos no aparato público das nações.

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MOSCOU Snowden: 'Decisão de denunciar espionagem me afetou muito, mas não me arrependo'

14.07.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 12.07.13
Por Flávio Aguiar 

Ex-técnico da CIA confirma em pronunciamento que vai pedir asilo à Rússia até que países que 'agem na ilegalidade' permitam viagem à Venezuela e acusa Estados Unidos de tentar tornar legal algo imoral 

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Snowden (c) concedeu entrevista sobre a decisão de pedir asilo à Rússia até que possa viajar
São Paulo - A RBA reproduz a íntegra do pronunciamento oferecido hoje (12) pelo técnico de informática norte-americano Edward Snowden no aeroporto internacional de Moscou, na Rússia, onde espera uma possibilidade de viajar para um dos países latino-americanos que lhe concederam asilo político. O discurso foi proferido às 17h, horário de Moscou, e seu conteúdo foi divulgado pelo site WikiLeaks. A tradução abaixo foi realizada pelo colaborador da RBA na Europa, Flávio Aguiar.
Olá, meu nome é Ed Snowden. Há pouco mais de um mês, eu tinha família, um lar no Paraíso, e vivia com muito conforto. Eu também tinha a capacidade de, sem qualquer autorização, procurar, tomar e ler as suas mensagens. Na verdade, as mensagens de qualquer pessoa, a qualquer momento. Este é o poder de mudar o destino das pessoas.
Também é uma séria violação da lei. As emendas 4 e 5 da Constituição do meu país, o artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e numerosos estatutos e tratados proíbem tais sistemas de vigilância massiva e invasiva. Enquanto a Constituição dos Estados Unidos assinala que estes programas são ilegais, o meu governo argumenta que juízos de um tribunal secreto, que o mundo não pode ver, de alguma forma legitima esta atividade ilegal. Estes juízos simplesmente corrompem a noção mais básica de justiça, que precisa ser revelado. Algo imoral não pode se tornar moral através do uso de uma lei secreta.
Eu acredito no princípio declarado em Nuremberg, em 1945: “Indivíduos têm deveres internacionais que transcendem as obrigações nacionais de independência. Portanto cidadãos individuais têm o dever de violar leis domésticas para impedir a ocorrência de crimes contra a paz e a humanidade."
Conforme esta crença, fiz o que eu acreditava ser certo e comecei uma campanha para corrigir estas ações erradas. Não procurei enriquecer, nem vender segredos dos Estados Unidos. Não me aliei a qualquer país estrangeiro para garantir a minha segurança. Ao invés, revelei o que eu conhecia ao público, de tal modo que aquilo que afeta a todos nós possa ser discutido por todos nós à luz do dia, e pedi justiça ao mundo.
A decisão moral de tornar pública a espionagem que nos afeta a todos me custou muito, mas era o correto a fazer, e não me arrependo de nada.
Desde então o governo e os serviços de inteligência dos Estados Unidos vêm tentando fazer de mim um exemplo, um aviso para todos aqueles que quiserem vir a público como eu vim. O governo dos EUA me colocou numa lista de impedidos de viajar.
Pediu a Hong Kong que me deportasse de volta, à margem da suas leis, numa clara violação do princípio de proteção – na Lei das Nações. Ameaçou com sanções países que defenderam meus direitos humanos e o sistema de asilo previsto pela ONU. Tomou inclusive a decisão sem precedentes de ordenar a aliados militares que forçassem o pouso de um avião presidencial latino-americano, na busca por um refugiado político.
Esta escalação perigosa representa uma ameaça não só para a dignidade da América Latina, mas aos direitos fundamentais compartilhados por qualquer pessoa, qualquer nação, no sentido de viver sem perseguições, de procurar e desfrutar de asilo.
Ainda assim, diante desta agressão historicamente desproporcional, países ao redor do mundo me ofereceram apoio e asilo. Estas nações – inclusive a Rússia, a Venezuela, a Nicarágua, a Bolívia e o Equador, têm minha gratidão e respeito por serem as primeiras a se erguer contra a violação de direitos humanos levada a cabo pelos poderosos, não pelos indefesos. Por recusarem a comprometer seus princípios diante das intimidações, ganharam o respeito do mundo. Tenho a intenção de viajar a cada um destes países para levar  pessoalmente meus agradecimentos a seus povos e líderes.
Anuncio hoje minha aceitação formal de todas as ofertas de apoio e asilo que foram feitas, e todas que forem feitas no futuro. Como, por exemplo, a garantia de asilo concedida pelo presidente Maduro da Venezuela, minha condição de asilado agora está formalizada, e nenhum Estado tem base legal para limitar ou interferir com meu direito de desfrutar deste asilo. Porém, como já vimos, alguns países na Europa Ocidental e os Estados Unidos demonstraram sua disposição de atuar por fora da lei, e esta disposição ainda está de pé hoje. Esta ameaça fora da lei torna impossível minha viagem à América Latina para desfrutar do asilo lá concedido segundo nossos direitos comuns.
A disposição de Estados poderosos de agir à margem da lei representa uma ameaça para todos nós e não se deve permitir que ela tenha sucesso. Portanto, peço vossa ajuda [a organizações humanitárias no sentido de garantir o direito de passagem em segurança através das nações pertinentes, para assegurar minha viagem à América Latina, bem como no sentido de pedir asilo na Rússia até que estes Estados aceitem a lei e que minha meu direito legal de viajar seja permitido. Estarei apresentando meu pedido [de asilo] à Rússia hoje, e eu espero que ele seja aceito.
Se vocês têm quaisquer perguntas, responderei na medida do meu alcance.
Obrigado.
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Pesquisa relaciona obesidade infantil a tempo que as crianças permanecem na frente da TV

14.07.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Gilberto Costa
Correspondente da Agência Brasil/EBC
Lisboa – Pesquisa divulgada nesta semana pela Universidade de Coimbra indica que pode haver relação entre a obesidade infantil e o tempo em que as crianças assistem à televisão ou usam o aparelho de TV para brincar com jogos eletrônicos. Feita na década passada, a pesquisa ouviu 17.424 crianças de 3 a 11 anos e seus parentes em todas as regiões de Portugal.
O estudo mostra que, apesar de Portugal ter sistema integral de ensino, com as crianças passando a manhã e a tarde na escola, 28% de meninos e 26% de meninas assistem a mais de duas horas de televisão por dia. Nos fins de semana, a proporção sobe significativamente: 75% meninos e 74% meninas. O parâmetro de duas horas é sugerido pela Academia Americana de Pediatria.
Em Portugal, três de cada dez crianças (6 a 10 anos) são consideradas acima do peso e 14% são classificadas como obesas. De acordo com a coordenadora do Centro de Investigação em Antropologia da Saúde, da Universidade de Coimbra, Cristina Padez, o problema do alto consumo da TV está relacionado ao comportamento sedentário. “Não é só a TV, é preciso observar a alimentação, o estilo de vida e a organização dos pais”, disse à Agência Brasil.
Dados divulgados pela Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil (Apcoi), assinalam que 57% das crianças que vivem no país não caminham para ir à escola; 90% comem lanches tipo fast food quatro vezes por semana e apenas 2% consomem frutas todos os dias.
Segundo Cristina Padez, os indicadores de Portugal são semelhantes aos de outros países do Sul da Europa, como a Espanha, a Itália e a Grécia, e guardam semelhança com o que acontece no Brasil. "O mundo é globalizado. Há um conjunto de maneiras de viver semelhantes. Todos esses problemas são consequência do desenvolvimento econômico e social”, enfatizou Cristina.
A cientista social ressaltou ainda que a vida em grandes cidades, com poucos lugares para atividades de crianças ao ar livre, ou sob risco de violência, faz com que muito meninos e meninas passem horas vendo TV. As emissoras de televisão, com o avanço tecnológico e o interesse no consumo infantil, “tornaram-se mais apelativas” para as crianças, com programas e canais dirigidos ou acopladas ao jogo eletrônico.
“A indústria aproveita a situação. O problema é que nosso corpo não está adaptado e precisa ser mais ativo”, destaca Cristina Padez. Apesar das restrições, ela não recomenda que os pais proíbam os filhos de ver televisão, nem de fazer lanches rápidos. “Os pais devem cuidar da alimentação sem proibir; é importante haver regras.”
A obesidade infantil pode favorecer o aparecimento futuro de doenças como diabetes e hipertensão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 2,6 milhões de pessoas morrem todos os anos por causa da obesidade ou do sobrepeso. A OMS calcula que, em todo o mundo, mais de 1 bilhão de adultos estão acima do peso. Destes, 300 milhões (o equivalente à população dos Estados Unidos) são obesos.
Edição: Nádia Franco
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PT revive hoje 2005, quando sua primeira “morte” foi decretada

14.07.2013
Do BLOG DA CIDADANIA, 13.07.13
Por Eduardo Guimarães
Quando explodiu o escândalo do mensalão, em 2005, o PT e alguns poucos partidos aliados mergulharam em uma verdadeira hibernação. Eu mesmo brincava, àquela época, dizendo que os petistas e simpatizantes estavam todos escondidos debaixo da cama, pois o Partido dos Trabalhadores havia se tornado maldito, um símbolo de “corrupção”.
A avalanche midiática criminalizando o governo Lula e um partido inteiro – que, então, já tinha mais de um milhão de filiados – estabelecera um fenômeno: ninguém – nem os próprios petistas – tinha coragem de se contrapor à corrente opinativa forjada pelos grandes meios de comunicação.
Pensar diferente, então, tornara-se praticamente um crime – o cidadão acabava sendo acusado de “cumplicidade” com os “corruptos” petistas.
Este blogueiro, por exemplo, àquela época era colaborador frequente de colunas de leitores dos maiores jornais do país. Foi a forma que, desde uma década antes – em meados dos anos 1990 –, encontrara para participar do debate público.
Porém, quando explodiu o escândalo, nadar contra a corrente e escrever àqueles veículos criticando o linchamento de todo um partido me rendeu ser banido dos espaços em que podia dar a minha opinião. Eu, que vivia sendo convidado pela Folha e por outros jornais para seus eventos, de repente, do dia para a noite, “desapareci”.
Eu padecia de uma “doença” opinativa que costuma ser chamada nos meios jornalísticos de “opinião impublicável”. Ou seja: aquela opinião que discorda do que parece ser “consenso” de uma esmagadora maioria e que ninguém quer reproduzir com medo de ser acusado de “conivente”.
A força da “maioria” opinativa era tão avassaladora, à época em que estourou o escândalo do mensalão – no terceiro ano do primeiro governo Lula, assim como estamos no terceiro ano do primeiro governo Dilma –, que havia uma certeza praticamente inabalável: o então presidente da República “sangraria” até a eleição de 2006 e, ali, seria fragorosamente derrotado.
Qualquer semelhança com a situação política de hoje em relação a Dilma Rousseff, não é mera coincidência.
A semelhança entre o passado e o presente se dá até na época de 2005 em que eclodiu o escândalo do mensalão. A entrevista demolidora de Roberto Jefferson à jornalista da Folha de São Paulo Renata Lo Prete denunciando o escândalo foi publicada em 6 de junho e foi nesse mesmo dia e mês que eclodiu a primeira grande manifestação do Movimento Passe Livre, que marcaria a derrocada de Dilma nas pesquisas, assim como a denúncia de Jefferson marcou a perda de popularidade temporária de Lula no segundo semestre daquele ano.
Até o fim de 2005, Lula era dado como um zumbi político. A cada pesquisa de opinião sua popularidade caía mais um pouco, chegando a dezembro daquele ano – a menos de um ano da eleição presidencial de 2006 -, segundo o Datafolha, com apenas 31% de bom é ótimo, coincidentemente o mesmo índice que Dilma tem hoje.
A precipitação dos que, nesta mesma época do ano, há oito anos, comemoraram antecipadamente a destruição política de Lula e do PT, pouco mais de um ano depois resultou na capa da Folha que você vê no topo deste texto, publicada naquela segunda-feira, 30 de outubro de 2006, quando ele obteve 60% dos votos válidos.
Nunca me arrependi de me manter fiel aos meus princípios. No ano seguinte ao da eleição presidencial, o blog que criei lá em 2005 para dizer o que ninguém dizia, já que os petistas estava escondidos debaixo da cama, fez com que jamais me arrependesse ao contrariar as “maiorias”.
Em setembro de 2007, a partir de post em que considerei inaceitável a aceitação pelo STF do indiciamento de José Dirceu no escândalo do mensalão sob pressão da mídia – conforme conversa do ministro Ricardo Lewandowski captada por uma repórter da Folha –, através deste Blog convoquei o primeiro ato público contra um grande meio de comunicação após o retorno da democracia, conforme mostra matéria publicada no Terra Magazine que você pode ler aqui.
A partir daquele ato público, junto a leitores desta página fundei o Movimento dos Sem Mídia, que, nos anos seguintes, produziria as primeiras ações de cidadãos comuns e sem partido ou interesses particulares em prol da democratização da comunicação e contra os abusos midiáticos.
No primeiro semestre de 2008, o Movimento dos Sem Mídia ajuizaria representação no Ministério Público Federal contra alarmismo midiático em torno de uma suposta epidemia de febre amarela que haveria no Brasil, amplificada pela mídia. Entrevista que dei à época ao portal Vermelho explicando o caso pode ser lida aqui.
Em 2009, o mesmo Movimento dos Sem Mídia, a partir de convocação feita neste Blog, reuniu, segundo a polícia militar, cerca de 300 pessoas diante da Folha de São Paulo para protestar contra afirmação do jornal de que a ditadura militar brasileira fora uma “ditabranda” por ter “matado pouca gente”. A informação consta no verbete da Folha na Wikipedia, aqui.
Em 2010, durante a eleição presidencial, o Movimento dos Sem Mídia conseguiria fazer sumir polêmica entre os quatro maiores institutos de pesquisa do país, que se dividiam – dois para cada lado – sobre as posições de Dilma Rousseff e José Serra nas pesquisas. Representação junto à Procuradoria Geral Eleitoral fez a titular do órgão determinar abertura de inquérito na Polícia Federal e, a partir dali, uma semana depois as pesquisas todas convergiram para os mesmos números. Matéria do portal IG sobre o caso pode ser lida aqui.
Estes são só alguns exemplos de ações do MSM entre 2007 e hoje.
Atualmente, manifestações contra meios de comunicação se tornaram comuns. Há, inclusive, ações sendo ajuizadas contra eles no Ministério Público. As pessoas comuns estão se mexendo, agindo sem esperar que alguém faça alguma coisa em seu lugar.
Um dos objetivos desta página, ao ser criada lá em 2005, era justamente esse: estimular os cidadãos comuns a se mexerem, a não ficarem só reclamando. Daí a razão de este Blog ter sido intitulado como Blog da Cidadania, pois nos últimos cerca de oito anos a tônica do que se fez aqui foi estimular as pessoas a fazerem o que hoje estão fazendo.
Em 2005/2006, a internet não era nem sombra do que é hoje e quem discordava da Onda de consenso compulsório estava escondido debaixo da cama. Assim mesmo, a destruição política artificial de um partido inteiro não foi possível. Esteja certo, leitor, de que hoje será bem mais fácil impedir que mistificações do mesmo jaez obtenham sucesso.
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Bob Fernandes: com FHC, CIA fazia a festa

14.07.2013
Do blog ESCREVINHADOR, 11.07.13


Leia outros textos de GeralOutras Palavras
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Fonte:http://www.rodrigovianna.com.br/geral/bob-fernandes-com-fhc-cia-fazia-a-festa.html

Cyberguerras Assange: independência da América Latina ainda engatinha

14.07.2013
Do blog ESCREVINHADOR, 12.07.13
Por por Julian Assange, no Brasil de Fato

O que começou como meio para preservar a liberdade individual pode agora ser usado por Estados menores, para frustrar as ambições dos maiores.

O cypherpunks originais eram, na maioria, californianos libertaristas. Eu vim de tradição diferente, onde todos nós buscávamos proteger a liberdade individual contra a tirania do Estado. Nossa arma secreta era a criptografia. 

Já se esqueceu o quanto isso foi subversivo. A criptografia, então, era propriedade exclusiva dos Estados, para uso em suas muitas guerras. Ao escrever nossos próprios programas e distribuí-los o mais amplamente possível, liberamos a criptografia, a democratizamos e a espalhamos pelas fronteiras da nova internet.

A reação contra, sob várias leis “de tráfico de armas”, falhou. A criptografia se difundiu nos browsers da rede e em outros programas que, hoje, as pessoas usam diariamente. Criptografia forte é ferramenta vital na luta contra a opressão pelo Estado. Essa é a mensagem do meu livro Cypherpunks. Mas o movimento para disponibilizar universalmente uma criptografia forte tem de trabalhar para obter mais do que isso. Nosso futuro não está apenas na liberdade para os indivíduos.

Nosso trabalho em WikiLeaks implica compreensão semelhante da dinâmica da ordem internacional e da lógica do império. Durante o período de formação de WikiLeaks, encontramos evidências de pequenos países abusados e dominados por países maiores, ou infiltrados por empresas de fora, forçados agir contra eles próprios. Vimos o desejo popular ao qual não se dava voz e expressão, eleições compradas e vendidas, e países ricos, como o Quênia, assaltados e leiloados por plutocratas em Londres e em New York.

A luta pela autodeterminação latino-americana é importante para muito mais gente do que os que vivem na América Latina, porque mostra ao resto do mundo o que pode ser feito. Mas a independência da América Latina ainda engatinha. Tentativas para subverter a democracia latino-americana ainda acontecem, inclusive recentemente, em Honduras, Haiti, Equador e Venezuela.

Por isso, a mensagem dos cypherpunks tem importância especial para os públicos latino-americanos. A vigilância em massa não é só problema para a governança e a democracia — é uma questão geopolítica. Se a população de um país inteiro é vigiada por país estrangeiro, há ameaça contra a soberania. Intervenção após intervenção nos assuntos da democracia na América Latina ensinaram-nos a ser realistas. Sabemos que os velhos poderes ainda explorarão, para benefício deles, qualquer possibilidade de retardar ou suprimir a eclosão da independência latino-americana.

Considere-se a simples geografia. Todos sabem que os recursos em petróleo regem a geopolítica global. O fluxo do petróleo determina quem é dominante, quem é invadido, quem é posto em ostracismo fora da comunidade global. O controle físico sobre um segmento de oleoduto define maior poder geopolítico. Governos que se ponham nessa posição podem obter concessões gigantescas. Num golpe, o Kremlin pode condenar a Europa Oriental e a Alemanha a um inverno sem calefação. E até a possibilidade de Teerã controlar um oleoduto para o leste, até Índia e China, é pretexto para a lógica belicosa de Washington.

Mas o novo grande jogo não é a guerra por oleodutos. É a guerra pelos dutos pelos quais viaja a informação: o controle sobre as vias de cabos de fibras óticas que se espalham pela terra e pelo fundo dos mares. O novo tesouro global é o controle do fluxo gigante de dados que conecta todos os continentes e civilizações, conectando as comunicações de bilhões de pessoas e empresas.

Não é segredo que, na Internet e no telefone, todas as rotas que entram e saem da América Latina passam pelos EUA. A infraestrutura da Internet dirige 99% do tráfego que entra e que sai da América do Sul por linhas de fibras óticas que atravessam fisicamente fronteiras dos EUA. O governo dos EUA não mostrou qualquer escrúpulo quanto a quebrar sua própria lei e plantar escutas clandestinas nessas linhas e espionar os seus próprios cidadãos. Todos os dias, centenas de milhões de mensagens de todo o continente latino-americano são devoradas por agências de espionagem dos EUA, e depositadas para sempre em armazéns do tamanho de pequenas cidades. Os fatos geográficos sobre a infraestrutura da internet, portanto, têm consequências sobre a independência e a soberania da América Latina.

O problema também transcende a geografia. Muitos governos e militares latino-americanos protegem seus segredos com maquinário de criptografia. São caixas e programas que “desmontam” as mensagens na origem e as “remontam” no destino. Os governos compram essas máquinas e programas para proteger seus segredos — quase sempre o próprio povo paga (caro) —, porque temem, corretamente, que suas comunicações sejam interceptadas.

Mas as empresas que vendem esses equipamentos e programas caros mantêm laços estreitos com a comunidade de inteligência dos EUA. Seus presidentes e altos executivos são quase sempre matemáticos e engenheiros da NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA) capitalizando as invenções que eles mesmos criaram para o Estado de Vigilância. Não raras vezes, as máquinas que vendem são quebradas: quebradas propositalmente, por uma razão. Não importa quem as use ou como as usem — as agências dos EUA conseguem “remontar” os sinais e leem as mensagens.

Esse equipamento é vendido para a América Latina e outros países como útil para proteger os segredos do comprador, mas são, de fato, máquinas para roubar aqueles segredos.

Enquanto isso, os EUA aceleram a próxima grande corrida armamentista. A descoberta do vírus Stuxnet vírus — e depois dos vírus Duqu e Flame — marca o início de uma nova era de programas complexos usados como arma, que Estados poderosos fabricam para atacar estados mais fracos. A primeira ação agressiva contra o Irã visou a minar os esforços daquele país com vistas a defender sua soberania — ideia que é anátema para os interesses de EUA e de Israel na região.

Longe vai o tempo em que usar vírus de computador como arma de ataque era peripécia de romance de ficção científica. Agora, é realidade global, que se espalha graças ao comportamento leviano do governo de Barack Obama, em violação da lei internacional. Outros estados agora por-se-ão na mesma trilha, aumentando a própria capacidade de ataque.

Os EUA não são os únicos culpados. Em anos recentes, a infraestrutura de internet de países como Uganda tem recebido grandes investimentos chineses. Gordos empréstimos chegam, em troca de contratos africanos para que empresas chinesas construam a espinha dorsal da infraestrutura de internet ligando escolas, ministérios do governo e comunidades ao sistema global de fibra ótica.

A África vai-se conectando online, mas com máquinas vendidas por potência estrangeira aspirante ao status de superpotência. A internet africana será o meio pelo qual o continente continuará subjugado no século 21?

Essas são algumas das importantes vias pelas quais a mensagem dos cypherpunks vai além da luta pela liberdade individual. A criptografia pode proteger não só as liberdades civis e os direitos individuais, mas a soberania e a independência de países inteiros, a solidariedade entre grupos que lutem por causa comum, e o projeto da emancipação global. Pode ser usada para enfrentar não só a tirania do estado contra o indivíduo, mas a tirania do império contra estados menores.

O grande trabalho dos cypherpunks ainda está por fazer. Junte-se a nós.

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Revolta das ruas contra a TV Globo

14.07.2013
Do BLOG DO MIRO, 
Por  sítio da União da Juventude Socialista (UJS):

Nesta quinta (12), mesmo dia em que se realizara a greve nacional, a população aproveitou o ensejo das mobilizações para pedir também pela democratização dos meios de comunicação. E uma das maneiras encontradas para fazer essa reivindicação foi protestar em frente a um dos grandes monopólios da mídia brasileira: a Rede Globo.


Durante o dia, cidades como Bahia, Belo Horizonte, Belém, Aracaju, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo fizeram atos em frente às sedes da emissoras. Na Bahia, cerca de mil baianos ocuparam a TV Bahia – afiliada da Globo – logo às 5:00 da manhã. No protesto, o refrão ecoado já é bem conhecido pelo povo de lá: “TV Bahia – Uma mentira todo dia”.

No começo da noite, foi a vez da capital paulista mandar o recado à rede da família Marinho.

Os manifestantes se concentraram na Praça General Gentil Carvalho, zona sul, e seguiram trajeto pela Avenida Luis Carlos Berrini, até chegar em frente à Rede Globo.Já à tarde, centenas de porto-alegrenses fizeram um escracho conta da Rede RBS- afiliada da Globo.

Na porta da emissora foram jogadas fezes de porcos, seguidos das palavras de ordem “Bosta para uma mídia de bosta”, e com cartazes “Lixo no lixo”. “A mídia é do povo” foi outro eco na voz dos manifestantes, que batucavam pedindo “Abaixo a RBS”.

Além de muitas palavras de ordem contra a emissora, o grupo também chamou a atenção por conseguir interromper o principal jornal da cidade – o SP TV 2ª Edição. Enquanto apresentava o telejornal, o apresentador Carlos Tramontina foi surpreendido por uma luz verde sobre seu rosto.

Porém, o que chamou mais a atenção não foi a luz verde sobre Tramontina, e sim a nota que o âncora soltou logo no começo do jornal. Em um curto espaço, ele comunicou o que estava acontecendo lá fora.

“Um grupo de cerca de 400 manifestantes está fazendo, neste momento, um protesto contra a TV Globo, no bairro do Brooklin. O grupo se reuniu numa praça, na zona sul da cidade, e está caminhando pela Avenida Luis Carlos Berrini, em direção à emissora.”, resumiu.

Em seguida, relatou as reivindicações do protesto. “Os manifestantes pedem a democratização da mídia, e a revisão das concessões de tv, gritam palavras de ordem contra a emissora e fazem discurso. A manifestação é pacífica.”, conclui o apresentador.

Enquanto isso, lá na rua, os manifestantes realizavam atos simbólicos. Um deles foi usar adesivos para trocar o nome da placa ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira por jornalista Vladimir Herzog – torturado e morto pela ditadura militar, em 1975.

No prédio da Globo, os manifestantes conseguiram ainda fazer uma projeção de letreiros com as frases: “Globo Mente” e “Globo Sonega”.

Como resultado do protesto, na página do ato, no facebook, os participantes apontaram a ótima experiência que tiveram e já tentam convocar mais um grande ato contra a emissora.

“Foi um enorme sucesso, foi de um simbolismo inacreditável, parabéns a todos. É o momento de aproveitar o frissom que as imagens e vídeos do primeiro ato estão causando, principalmente aqui no Facebook, e chamar o segundo.”, relatou o jornalista Lino Bocchini, presente no ato.

Detalhe: Embora Carlos Tramontina tenha enumerado apenas 400 pessoas no ato, a estimativa é que bem mais de mil manifestantes se juntaram ao ato.
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Os vídeos 'secretos' do 11 de julho que a TV Globo escondeu

14.07.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 12..07.13

No 11 de Julho, Dia Nacional de Lutas, a Rede Globo foi alvo de protestos nacionais em todo o Brasil. Todos os protestos tiveram bastante destaque nas ruas, mas foram censurados no Jornal Nacional, e mal foram mencionados nos telejornais locais. Um vexame, diante da cobertura feita na internet, onde os vídeos e fotos são abundantes. Aliás, vexame também deu a TV Record que não mostrou nada. A mídia ninja, coletivo que faz transmissões pela internet transmitiu ao vivo.

A Globo entrou numa sinuca de bico. Os protestos são porque a TV manipula notícias em interesse político e financeiro de seus donos, e ao não levar ao ar protestos em sua porta só confirma a manipulação e aumenta os motivos para continuarem os protestos.

Os protestos foram engrossados pela enorme indignação popular diante do escândalo da sonegação milionária do imposto de renda da TV Globo na compra de direitos de transmissão da Copa de 2002 da FIFA através de operações em paraísos fiscais. A indignação popular aumentou quando surgiu a notícia do sumiço do processo por funcionária corrupta da Receita Federal. O valor da cobrança foi de R$ 615 milhões em 2006. Dinheiro faz falta para o SUS a educação.

Olha a bolinha de papel II aí:

Outro vexame foi uma equipe da emissora ser flagrada produzindo imagens de ficção da manifestação. Pegaram uma pessoa bêbada e colocaram cartaz e bandeira na mão dele para captar a imagem que queriam, artificial e depreciativa, em vez de gravar as manifestações verdadeiras e espontâneas que ocorriam:

 

No telejornal SPTV, pelo menos um vídeo não teve como ser censurado. O apresentador Carlos Tramontina, cuja bancada tem uma janela de vidro ao fundo dando vista para a rua, entrou no ar e acabou recebendo feixes de raios laser verde na rosto, ao vivo, emitidos por manifestantes em frente ao prédio.


Mas Tramontina censurou a parte da manifestação de protestava contra a sonegação do imposto de renda.

Em Porto Alegre (11/07), grupo de manifestantes despejam em torno de 100 kg de estrume de porco na porta do prédio da RBS, afiliada local da Rede Globo. Alegaram que estavam devolvendo a merda à Rede Globo.


Em Salvador, houve manifestações em frente a TV Bahia, afiliada da Rede Globo e pertencente à família de Antônio Carlos Magalhães.


Ainda em São Paulo, alguns vídeos censurados:



Em Belo Horizonte:

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Joaquim Barbosa escondeu laudo que envolvia seu filho

14.07.2013
Do blog O CAFEZINHO, 08.07.13

RELAÇÕES ESTRANHAS
Empresa investigada por receber R$ 2,5 milhões de Marcos Valério contratou filho de Joaquim Barbosa
por Helena Sthephanowitz publicado 08/07/2013 13:40, última modificação 08/07/2013 13:41.

Se Barbosa é relator da ação que envolve Valério, não deveria ter mais atenção a este tema?
O grupo Tom Brasil contratou Felipe Barbosa, filho do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, para assessor de Imprensa na casa de shows Vivo Rio, em 2010. Até poucos dias atrás, antes de ele ir trabalhar na TV Globo com Luciano Huck, Felipe ainda era funcionário da Tom Brasil.

Nada demais, não fosse um forte inconveniente: a Tom Brasil é investigada no inquérito 2474/STF, derivado do chamado “mensalão”, e o relator é seu pai Joaquim Barbosa. Este inquérito, aberto para investigar fontes de financiamento do chamado “mensalão”, identificou pagamento da DNA propaganda, de Marcos Valério, para a Casa Tom Brasil, com recursos da Visanet, no valor de R$ 2,5 milhões. E quem autorizou este pagamento foi Cláudio de Castro Vasconcelos, gerente-executivo de Propaganda e Marketing do Banco do Brasil, desde o governo FHC. Estranhamente não foi denunciado na AP-470 (chamado “mensalão”) junto com Henrique Pizzolato.
Outra curiosidade é que um dos sócios do grupo Tom Brasil, Gladston Tedesco, foi indiciado na Operação Satiagraha, sob a acusação de evasão de divisas como cotista do Opportunity Fund no exterior, situação vedada a residentes no Brasil. Ele negou ao jornal Folha de S. Paulo que tenha feito aplicações no referido fundo.
Tedesco foi diretor da Eletropaulo quando era estatal em governos tucanos, e respondeu (ou responde) a processo por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público.
Pode ser só que o mundo seja pequeno, e tudo não passe de coincidência, ou seja lobismo de empresários que cortejam o poder, embora o ministro Joaquim Barbosa deveria ter se atentado para essa coincidência inconveniente, dada a sua dedicação ao inquérito. Entretanto, não custa lembrar que se o ministro, em vez de juiz, fosse um quadro de partido político, o quanto essa relação poderia lhe causar complicações para provar sua inocência, caso enfrentasse um juiz como ele, que tratou fatos dúbios como se fossem certezas absolutas na Ação Penal 470. Também é bom lembrar que o ministro Joaquim Barbosa já declarou que não tem pressa para julgar o mensalão tucano, no qual Marcos Valério é acusado de repassar grande somas em dinheiro para a campanha eleitoral dos tucanos Eduardo Azeredo e Aécio Neves.
PS O Cafezinho: Barbosa manteve-se o inquérito 2424 em sigilo absoluto. Neste inquérito, constavam documentos que podiam inocentar vários réus da Ação Penal 470. Os documentos também envolviam, conforme denúncia da Rede Brasil Atual, o seu próprio filho, que trabalhou numa empresa investigada por receber R$ 2,5 milhões de Marcos Valério. Tudo muito estranho. Ainda iremos escrever um bocado sobre isto. Aguardem.
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Nossos aliados para esclarecer o papel de Cristina no Globogato

14.07.2013
Do blog VI O MUNDO, 13.07.13
Por  Luiz Carlos Azenha

A foto acima é coisa de profissional

É notável o esforço dos internautas e tuiteiros para esclarecer o caso do processo de sonegação fiscal da Globopar, desatado a partir da denúncia do blog O Cafezinho, de Miguel do Rosário, que batizou deGlobogate (Globogato, segundo o leitor Teo Ponciano).

Muitas vezes, no entanto, este esforço acaba esbarrando na falta de experiência para apurar uma notícia sem margem de erro, ou seja, sem o risco de cometer barrigas amadoras, de fazer acusações infundadas, propagar teorias falsas ou simplesmente espalhar boatos de forma irresponsável.

A título de exemplo, eu me lembro muito bem de quando se espalhou feito fogo, nas redes sociais, a notícia da morte de uma indiazinha, suposto homicídio cometido por madeireiros no Maranhão. Opinei, noViomundo, que era preciso ter cautela. Primeiro, confirmar absolutamente a notícia, 100%. Depois, gritar.

Foi um Deus nos acuda. Ativistas me denunciaram no Facebook e no twitter. Jornalistas experientes — que continuam enganando por aí — me desancaram na maior cara de pau. A Soninha Francine — a “jornalista” Soninha! — me detonou. Depois, nenhum deles se deu ao trabalho de se desculpar. A notícia nunca foi confirmada. Não foi encontrado corpo, nem quem tenha visto o corpo, nem quem tenha testemunhado o episódio em primeira mão, além do “ouvi dizer”. O desmentido enfático da FUNAI, para todos os efeitos, se sustentou.

Por isso, é importante ter gente de altíssima qualidade profissional interessada no caso de Cristina e doGlobogato.

TC é um deles. Jornalista experiente e premiado, rato de internet, é um dos melhores apuradores que conheci ao longo de 40 anos de carreira. Foi quem me passou, no início da noite de 8 de julho, as páginas do Diário Oficial com a condenação de Cristina Maris Meinick Ribeiro pelo furto do processo da Globopar de uma repartição da Receita Federal no Rio de Janeiro.

Foi a partir delas — e apenas delas — que publicamos nosso texto a respeito, com algumas horas de defasagem devido ao processo de checagem essencial para quem tem responsabilidade jornalística e não sai por aí, chutando desde o centro do planeta e, portanto, bem longe do Brasil.

LL — chamemos assim, por motivo de sigilo profissional — conhece todo o submundo do Rio de Janeiro. É um rato de cartório. Conhece gente na política, na polícia, no Ministério Público, na extinta mas atuante “comunidade de informações” da ditadura militar. LL tem duas dúzias de prêmios por investigações jornalísticas. Não, não é um homem da era Google. É de bater perna, conversar, fofocar com vizinhos e porteiros, buscar documentos, fotografar, cruzar dados e mergulhar no submundo. Respira isso. A combinação de LL com os fuçadores das redes sociais é mortal!

Nenhum dos dois — nem LL, nem TC — é ansioso. Ambos sabem que holofotes são a pior companhia para quem quer chegar à verdade.

Ah, os holofotes, como atraem os amadores!

Curiosamente, o balanço do que ambos — TC e LL —  levantaram sobre o caso, até agora, é incerto.

Não quero atrapalhá-los antes que estejam prontos para divulgar o que apuraram, mas todas as possibilidades ainda estão em aberto: Cristina atuou por conta própria? Cumpria a agenda de terceiros? Pretendia ajudar ou prejudicar a Globo? Estava a serviço de uma quadrilha de achacadores? Essa quadrilha tentou tomar dinheiro dos irmãos Marinho, bandidos da era da informação? Cristina cumpriu um papel político? Um acordo teria acontecido, como sugeriu o Rodrigo Vianna? 

Cristina não quer falar. Desconversa, foge, faz que não é com ela.

Temos — a partir do relato de TC e LL —  a certeza de que Cristina se envolvia em situações nebulosas. São vários os processos com o nome dela, sempre em benefício de empresas endividadas ou com problemas junto ao Fisco. Ponto contra a Globo, que era cobrada por uma dívida de mais de 615 milhões de reais. Sabemos, também, que Cristina — depois de ter cumprido prisão preventiva e ser solta por habeas corpus do STF (relator, Gilmar Mendes) — foi aposentada “por invalidez” pela chefe, conforme documento que nos foi enviado por TC e mencionado anteriormente pelo internauta Paulo Felipe:

Qual o motivo para uma chefe aposentar Cristina por invalidez se sabia que ela estava sendo processada e corria o risco de ser condenada, como de fato foi, em janeiro de 2013? Foi um cala-boca? Sinal de que havia mais gente envolvida?

Na sentença, diga-se, o juiz condenou Cristina à perda do cargo público — e, portanto, da aposentadoria.

É, sem dúvida, uma novela. Um desafio diante dos internautas, de gente fuçadora como Fernando Brito eMiguel do Rosário e de profissionais tarimbados como os que auxiliam o Viomundo: TC e LL, ao trabalho!

Aguardem que, com calma, juntos chegaremos à verdade.

Leia também:

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