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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Microsoft ajudou governo dos EUA a espionar seus clientes

12.07.2013
Do blog COXINHA NEWS NETW0RK

A Microsoft manteve uma estreita colaboração com as agências de inteligência americanas para facilitar a interceptação de mensagens privadas de seus usuários, segundo documentos da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) revelados nesta quinta-feira pelo jornal britânico The Guardian.

A nova informação divulgada pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden revela como a empresa do Vale do Silício ajudou a NSA a evitar o sistema de criptografia que protege as conversas entre os usuários através do chat do site Outlook.com.

Segundo os documentos, a agência tinha capacidade de acesso às mensagens de e-mail enviadas com o Outlook – que inclui o Hotmail – antes que o programa as codificasse para envio seguro.

A Microsot trabalhou, além disso, durante este ano com o FBI e a NSA para facilitar o acesso indiscriminado às informações arquivadas na nuvem através do serviço SkyDrive, que conta com cerca de 250 milhões de usuários.

Também o Skype, uma companhia que a Microsoft adquiriu em 2011 por cerca de 6 bilhões de euros, ajudou os serviços secretos dos Estados Unidos para facilitar seu trabalho de interceptar conversas em formato de vídeo e áudio, segundo o “Guardian”.

Snowden, que permanece na zona de trânsito do aeroporto de Moscou desde 23 de junho, divulgou no início de junho documentos que revelam a existência do programa Prism, que permite que as agências de inteligência tenham acesso às informações armazenadas por milhões de usuários nos servidores de empresas como Google, Microsoft e Facebook.

As empresas que apareceram nos documentos de Snowden negaram que seus programas contenham “portas traseiras” para facilitar o acesso à informação privada de seus servidores.

A nova informação indica, no entanto, que a Microsoft forneceu soluções técnicas para os serviços secretos para permitir o acesso direto às conversas criptografadas no site Outlook.com.

Um documento com data de 26 de dezembro de 2012 que o “Guardian” atribuiu a uma comunicação interna da NSA diz: “MS (Microsoft), trabalhando com o FBI, desenvolvida a capacidade de vigilância para fazer frente (ao problema)”.

“As soluções foram testadas com sucesso e entraram em funcionamento no dia 12 de dezembro de 2012″, acrescenta o documento.

Outra nota descreve como a companhia trabalhou “durante muitos meses” com os serviços secretos para permitir que o programa Prism tivesse acesso ao SkyDrive sem a necessidade de autorização prévia.

Essa capacidade de acesso “significa que os analistas já não terão que fazer um pedido especial ao SSO (um departamento da NSA) para isso”, afirma o documento.

Em comunicado enviado ao Guardian, a Microsoft afirmou que leva o seu “compromisso com seus clientes e o cumprimento da lei de uma forma muito séria”, e por isso só fornece informações privadas dos usuários “em resposta a processos legais”.

“Quando atualizamos produtos, em algumas circunstâncias existem obrigações legais que requerem que mantenhamos a possibilidade de oferecer informação para cumprir a lei ou em resposta a pedidos sobre segurança nacional”, afirmou a Microsoft.
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Não se discute “ato médico” com “atos-monstros”

12.07.2013
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

O confronto entre Governo e parte da categoria médica não é bom nem para ambos, nem para o país e muito menos para a população.

Só um cego não reconheceria as carências dos nossos serviços de saúde em matéria de equipamentos, instalações, medicamentos e outros insumos necessários ao seu bom funcionamento.
Há séculos os médicos convivem com essas e outras carências, as quais não parecem sensibilizar tanto as entidades que agora protestam contra a obrigatoriedade de que médico, para se formar, tenha dois anos de atuação no serviço público e outros absurdos, como restringir a médicos a aplicação de injeções, um dos dispositivos vetados na sanção da lei do Ato Médico.
É claro que a lei saiu incompleta e deixa de tornar restrito a médicos procedimentos que só a eles cabe. Mas falta à comunicação do Governo explicar publicamente que, no veto (cujas razões podem ser lidas aqui) o Poder Executivo não pode mudar ou acrescentar nada ao texto aprovado no Legislativo, somente pode suprimir.
Mas é uma loucura imaginar que se pudesse aprovar coisas como tornar privativo de médico procedimentos simples, como a colocação de soro (punção), a prescrição de calçados ortopédicos, muletas, cadeiras de rodas e congêneres.
No caso mais delicado, o de tornar privativo o diagnóstico nosológico (de doença), o veto presidencial é explicado oficialmente e só não lê quem não quer, ou quem não pode ler, porque não lhe dão a informação: “Da forma como foi redigido, o inciso I impediria a continuidade de inúmeros programas do Sistema Único de Saúde que funcionam a partir da atuação integrada dos profissionais de saúde, contando, inclusive, com a realização do diagnóstico nosológico por profissionais de outras áreas que não a médica. É o caso dos programas de prevenção e controle à malária, tuberculose, hanseníase e doenças sexualmente transmissíveis, dentre outros. Assim, a sanção do texto colocaria em risco as políticas públicas da área de saúde, além de introduzir elevado risco de judicialização da matéria”
Traduzindo: as equipes de saúde que não tivessem a presença de médicos, mas apenas de enfermeiros ou técnicos, não poderia diagnosticar hanseníase ou malária, por exemplo, e tratar a pessoa. Teria de removê-la até uma unidade de saúde, esperar o diagnóstico e a prescrição médica para, só aí, tratar o paciente. Imagine isso no Alto Solimões…
facehadMesmo assim, o veto é claro ao dizer que “o Poder Executivo apresentará nova proposta que mantenha a conceituação técnica adotada, porém compatibilizando-a com as práticas do Sistema Único de Saúde e dos estabelecimentos privados.”
Nada disso justifica posições radicais que estão sendo tomadas por entidades médicas e outras, piores ainda, que grupos de profissionais – dói-me chama-los de médicos, porque não apenas sou amigo de vários médicos como admiro imensamente a profissão – estão fazendo.
Isso não é politicagem, é nojo de ler mensagens como a que consta da imagem ao lado.  Depois de verificar a identidade, apaguei o nome da médica, porque a ética que ela não tem, eu tenho.
Mas posso revelar o que ela faz: é auditora-médica do plano de saúde Unimed, privado. Não se sabe se também atua na rede pública, ou se dá aos outros o conselho monstruoso que ela não terá de praticar.
Mandar pacientes para exames desnecessários para “lotar as filas de espera das tomografias, radiologias, laboratórios e aumentar ao extremo os gastos públicos com a saúde não é ato médico.
É ato monstro.
Quando eu era jovem, popularizou-se a expressão “máfia de branco”,  partir de reportagens do “Pasquim” que denunciavam barbaridades feitas por médicos.
Para desfazê-la, custou muito a uma geração de médicos com preocupação social, formada naqueles anos 70. Eles apagaram essa imagem. Foi uma era de imensa procura pela medicina social, saúde pública, doenças infecto-parasitárias, pela humanização da saúde mental, até então trancada em hospícios tenebrosos.
Eu venho deste tempo e desta visão sobre a medicina e os médicos.
Se critico o Governo por falta de clareza nas informações e pela escassez de diálogo com a categoria, também tenho de dizer que diálogo, neste clima, é impossível.
Até porque não é possível tratar o assunto com declarações do tipo “nem pagando R$ 100 mil por mês” um médico vai para Amazônia, como fez o Dr. Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica , no UOL.
Nem tratar como “escravidão” o fato de um médico ter de trabalhar, remuneradamente, dois anos na rede pública de saúde para receber seu registro. A reportagem de ontem à noite de O Globo mostra que é assim na Inglaterra – dona do maior sistema público de saúde do mundo e onde, até há pouco tempo, a medicina era essencialmente pública, ao ponto de, nos anos 80, só 5% dos leitos hospitalares do país serem privados –  e também é na Suécia.
E não vale o argumento que isso é feito com um salário de quase 80 mil reais, porque esse é o valor anual e os R$ 6,6 mil reais mensais que ele representa é, certamente, bem pouco num país que tem salário mínimo de seis libras a hora,o que dá, para 4o horas e 22,5 dias por mês, R$ 3.744 mensais.
Aliás, é bem menos do que está sendo oferecido no programa Mais Médicos Para o Brasil. É verdade que os R$ 10 mil que o Governo está oferecendo não são os R$ 100 mil que o Dr. Lopes acha pouco, mas é um salário mais que razoável.
Os médicos merecem respeito, mais do que por tudo o que se dedicaram para estudar e aprender – e isso é contínuo, ao longo de toda a carreira – e por por serem trabalhadores como os demais. Merecem, sobretudo, porque são aqueles e eu, você ou qualquer um quer encontrar na hora mais difícil.
E tem o direito de encontrar, não é? Aqui, aí, ou num rincão isolado. Ou mesmo num posto de saúde, como aquele onde se deu o episódio deprimente da médica que, num domingo, batia o ponto para outros cinco usando dedos e impressões digitais em silicone.
Com estes, a sua entidade médica, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, é mais tolerante. Disse que ia abrir sindicância, mas até agora ela e os outros cinco continuam com o seu registro profissional ativo e imaculado. Eu poderia reproduzir a pesquisa aqui, mas não é o caso ficar me valendo de execrações públicas para argumentar. Se alguém quiser, vá ao site do Cremesp e confira o que eu já salvei para o caso de serem retirados agora.
A discussão precisa voltar para um grau de seriedade compatível com o tema e, para isso, é preciso que tenha a serenidade necessária a qualquer diálogo produtivo.
Sábado volto ao tema, para falar do quanto considero e respeito os médicos, por conta do convívio com dois deles, pessoas a quem admiro profundamente. E da tristeza que sinto ao ver muitos jovens profissionais, em início de carreira, tornarem-se presa do mais obscuro conservadorismo e desumanização em matéria de cuidado com o ser humano.
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CPI da espionagem deve convocar FHC para explicar entrega dos satélites da Embratel para os EUA

12.07.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 11.07.13


Só tucano que se finge de ingênuo pode se dizer surpreendido com a arapongagem dos EUA sobre telefonia e dados de brasileiros.

Não faltaram advertências de analistas para avisar com todas as letras que a entrega da Embratel para uma empresa dos EUA como foi o caso da MCI World Comm na privataria tucana de 1998 era estender o tapete vermelho para o governo dos USA grampear as redes e satélites brasileiros.

O dinheiro dos paraísos fiscais descritos no livro "A Privataria Tucana" falou mais alto, e o tucanato de FHC vendeu a Embratel de porteira fechada, com satélites, redes de fibra ótica e tudo. Nos primeiros anos pós privatização a Embratel era hegemônica nas redes nacionais e internacionais de longa distância.

Nas ligações locais de Brasília o controle estava nas mãos da Brasil Telecom, empresa controlada pelo Citibank através do banco Opportunity. Tudo dominado.

As empresas tiveram por um bom tempo o controle sobre todas as ligação nacionais e internacionais, sobre o tráfego de dados na internet. Pode perfeitamente ter gravado clandestinamente ligações com fins de espionagem diplomática, militar, comercial, industrial, de chantagem, etc, e repassado ao governo estadunidense informações sensíveis. E não havia nada que impedisse isso, pois não adianta nada estar proibido na lei, se ações de espionagem são por natureza clandestinas e secretas, e se não há controle nacional sobre as atividades.

Mesmo depois que o controle acionário foi transferido pela Telmex, o controle estadunidense sobre as informações continuou presente, através de serviços de empresas dos EUA para a operadora mexicana, e de equipamentos, softwares e controle de satélites.

Pode-se afirmar, sem exagero, que o governo FHC fez um verdadeiro planejamento estratégico meticulosamente preparado para o governo estadunidense bisbilhotar a tudo e a todos.

Agora que o senado decidiu abrir uma CPI para investigar a espionagem, o vendilhão da pátria número 1, FHC, tem que ser convocado, se preciso por condução coerciva pela Polícia Federal, para explicar o inexplicável.

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BLOG DA CIDADANIA: GLOBO FALSIFICA REPORTAGENS

12.07.2013
Do portal BRASIL247
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Médicos suecos e britânicos precisam servir no setor público

12.07.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

No Reino Unido e na Suécia, médicos precisam servir no setor público. Britânicos têm que passar dois anos em hospitais públicos. Na França, formação pode levar de 9 a 11 anos

médicos estrangeiros brasil mundo
No Reino Unido e na Suécia, médicos precisam servir no setor público (Foto: Reprodução)
No Reino Unido e na Suécia, países que teriam inspirado o governo brasileiro, os jovens recém- saídos das universidades de Medicina precisam cumprir um período de treinamento remunerado no setor público antes de receberam licença para exercer a profissão.
Para os britânicos, são obrigatórios dois anos de treinamento em hospitais públicos, após o período da universidade. Os cursos de Medicina no país variam de cinco a seis anos e conferem aos estudantes uma registro provisório, com o qual se inscrevem no chamado “The Foundation Progamme”.
No primeiro ano, o salário-base do jovem médico é de 24 mil libras anuais (quase R$ 80 mil), segundo estatísticas de 2012. A quantia pode variar de acordo com as dificuldades do hospital, do cronograma do profissional e das dificuldades do ofício. Completados os 12 meses iniciais, ele recebe a licença, mas é obrigado a terminar o segundo ano.
— Só então o médico poderá partir para o período de especialização e residência, que pode durar outros cinco anos — explica a assessora da faculdade de Medicina da George’s University of London, Elenor Sheppard.
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Na Suécia, o curso dura cinco anos e meio. O programa de treinamento, conhecido por AT, dura pelo menos 18 meses. É cada vez mais frequente terminá-lo em 21 meses, ao final dos quais o profissional é submetido a um exame, sem o qual não pode trabalhar. Após o AT, ele pode escolher sua especialização, que dura, no mínimo, cinco anos.
Na França, a formação pode levar de 9 a 11 anos. O vestibular dá direito a cursar um ano de faculdade de Medicina, num aprendizado mais abrangente em aulas de biologia, bioquímica ou biofísica. Depois, os melhores alunos são admitidos e prosseguem a formação, em seis anos. A partir do terceiro ano, passam a praticar atendimento externo remunerado em hospitais conveniados com as universidades. Com a conclusão do curso, inicia-se um período também remunerado, equivalente à residência no Brasil, que pode durar de três a cinco anos.
jornal O Globo
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A reforma política começa na TV

10.07.2013
Do portal da CARTACAPITAL, 
Por Pedro Ekman*, do Intervozes

 A população que não se reconhece no sistema político atual, certamente, também não se vê representada na TV. A reforma política e da comunicação começa proibindo a posse dos meios por políticos. 

Muito se fala sobre a crise de representatividade do sistema político brasileiro. O debate sobre a reforma política ganhou força e o país se debruça em propostas de como fazer a população se sentir novamente parte da política, e não mera espectadora. Essa crise de representatividade não atinge apenas a classe política. Atinge também os meios de comunicação de massa. A mudança brusca de opinião, regada a pedidos de desculpas, só evidenciou a velha desconfiança: o que sai nas telas, nos auto-falantes e nas folhas de papel jornal soa bem diferente da voz das ruas. A comunicação ponto a ponto e cara a cara, promovida pela internet, trouxe a relativização do intermediário que, historicamente, sempre falou pelo povo: a grande mídia.
A indignação demonstrada nos protestos contra os políticos foi amplamente difundida pelos noticiários. Já os gritos e cartazes contra emissoras de TV estiveram surdos e invisíveis nestes veículos. A mesma população que, talvez, não esteja mais se reconhecendo no sistema político atual, certamente, também não se vê representada na TV.
Se vamos mudar o sistema de representação política, temos também que mudar o conceito de comunicação que considera a população mera consumidora de informação. Avancemos para um sistema no qual a sociedade possa produzir informação de forma plural e diversa, envolvendo todos os que hoje estão de fora.
A reforma política e da comunicação de massas pode começar por onde os dois temas se encontram: o Congresso Nacional. Deputados e Senadores brasileiros estão proibidos pelo artigo 54 da Constituição Federal de serem proprietários ou diretores de canais de TV e rádio. Entretanto, é grande a lista de congressistas que controlam concessões de rádio e TV a olhos vistos, sem que haja nenhuma punição por infringir a Constituição.
Quando perguntados, os donos da mídia fingem que não ter nada a ver com o assunto. O presidente das organizações Globo, João Roberto Marinho, respondeu ao Observatório da Imprensa: “Eu imagino que se há deputados que são donos de concessão, eu acho que está errado, mas eu não sei se [existem], realmente”. No entanto, João Roberto Marinho sabe que a família Sarneycontrola a afiliada da Globo no Maranhão. Também sabe que o ex-presidente deposto Fernando Collor faz o mesmo em Alagoas.
Os Marinhos sempre tiveram ligações estreitas com os governos de plantão desde a ditadura militar, mas fazem de tudo para não ter a imagem associada ao que há de mais podre na política brasileira. A ilegalidade corre solta, com exemplos de uso político na distribuição das concessões de TV. Enquanto isso, as nossas autoridades, simplesmente, fingem que nada acontece. O Congresso segue emitindo concessões para os seus pares; o Ministério Público segue sem dar o seu parecer para a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental movida pelo PSOL (ADPF/246), e o Governo Federal até admite o problema, mas parece não se sentir muito responsável pela situação.
Em janeiro de 2011, o Ministro das Comunicações Paulo Bernardo afirmou: “A Constituição menciona que políticos não deveriam ser donos de radiodifusão (…) É o Congresso que autoriza as concessões. Então, me parece claro que o congressista não pode ter concessão, para não legislar em causa própria. Os políticos já têm espaço garantido na televisão, nos programas eleitorais. E há também a vantagem nas disputas eleitorais, e o poder político e econômico”.
Ora, se o ilícito é flagrante e admitido pelo Governo, por que nada é feito? O Governo se defende ao afirmar que o artigo 223 da Constituição define que uma concessão só pode ser revogada por decisão judicial. O mesmo artigo também afirma: “Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão”.
Se cabe ao Ministério das Comunicações a fiscalização destas concessões, então cabe a ele também mover ação pedindo a revogação das licenças, ilegalmente concedidas, pelo mesmo Poder Executivo e autorizadas pelo Congresso. Outros ainda vão dizer que não é fácil detectar a ilegalidade, pois as empresas estão em nomes de parentes. E os casos que já constam no próprio site da Anatel? Como o de Jader Barbalho, que controla a afiliada do Grupo Bandeirante, no Pará? Ou Agripino Maia, dono da afiliada da TV Record no Rio Grande do Norte?
A promiscuidade entre meios de comunicação e política é um dos pilares que sustenta o sistema no qual a população não se reconhece mais. Estamos cansados de assistir a esse jogo de poder, que ignora a própria lei. Resolvemos ir às ruas dizer o que pensamos. No dia de hoje, a Rede Globo vai receber na sua porta, em várias cidades do país, manifestações contra o monopólio e por uma mídia democrática.
reforma agrária do ar brasileiro precisa ser feita e ela tem que começar no Congresso para ser concluída com o fim do monopólio.
*Pedro Ekman é coordenador do Intervozes e integrante da Executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/a-reforma-politica-comeca-na-tv-1419.html

ONGs acusam gigantes da internet de fraude e espionagem

12.07.2013
Do portal da Agência Carta Maior, 11.07.13
Por Eduardo Febbro. Eduardo Febbro

Duas ONGs sediadas na França, a Liga de Direitos Humanos e a Federação Internacional de Direitos Humanos, ingressaram com uma ação com o objetivo de revelar o papel desempenhado pela NSA norteamericana e pelos mastodontes da internet como Google, Yahoo!, Facebook, Microsoft, Paltalk, Skype, YouTube, AOL e Apple na espionagem planetária que Washington orquestrou mediante o sistema Prisma revelado pelo ex-agente da CIA e da NSA, Edward Snowden. 


Paris - Sempre há algum valente no caminho. Duas ONGs sediadas na França, a Liga de Direitos Humanos (LDH) e a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH), apresentaram um queixa ao Procurador da República com o objetivo de revelar o papel desempenhado pela NSA norteamericana e pelos mastodontes da internet como Google, Yahoo!, Facebook, Microsoft, Paltalk, Skype, YouTube, AOL e Apple na espionagem planetária que Washington orquestrou mediante o sistema Prisma revelado pelo ex-agente da CIA e da NSA, Edward Snowden. 


Ainda que tenham descoberto que foram espionados pelos Estados Unidos até na sua intimidade, os dirigentes europeus aplicaram uma pomada anestésica sobre esse escândalo. Além de uma condenação verbal não muito veemente, tudo ficou entre aliados. A FIDH e a LDH recorreram à justiça com cinco acusações na mão: acesso fraudulento a um sistema automatizado de dados e armazenagem dos mesmos, coleta de dados pessoais por meio de um método ilícito, desleal e fraudulento, violação da privacidade, violação do sigilo das correspondências eletrônicas, utilização de gravações e dados obtidos mediante violação da privacidade.

Michel Toubiana, advogado da Liga de Direitos Humanos, considera que “não se pode projetar impunemente e de maneira imperial sua própria legislação fora de suas fronteiras sem que tenha que prestar contas por isso”. O advogado Patrick Baudouin, presidente de honra da FIDH, explicou que neste caso “estamos ante um fenômeno de uma amplitude considerável: a possibilidade de controlar todas as comunicações em escala planetária. Ou seja, temos um país capaz de se imiscuir na vida de todos os cidadãos”.

Outro advogado que defende a causa, Emmanuel Daoud, esclareceu as suspeitas que pesam sobre Google, Yahoo, Facebook, Paltalk, Apple ou Microsoft. Essas empresas “colocaram à disposição do FBI e da NSA seus servidores para que as agências de espionagem norte-americanas tivessem acesso aos dados de todos os clientes da internet que utilizam os serviços dessas empresas”. A denúncia apresentada pelas duas ONGs especifica que, por meio dos documentos secretos revelados por Snowden e publicados pelo Washington Post, o diário britânico The Guardian ou o semanário alemão Der Spiegel, se mostra como “a NSA e o FBI contavam com um acesso direto aos serviços de nove empresas norte-americanas especializadas em internet: Microsoft (desde 2007), Yahoo (2008), Google, Paltalk y Facebook (desde 2009), YouTube y Skype (desde 2010), AOL (2011) y Apple (2012)”. 

As empresas que foram envolvidas por Snowden na espionagem refutaram as alegações. Larry Page, o presidente do Google, assegurou em seu blog que “nós não participamos de nenhum programa capaz de entregar ao governo norteamericano – e a nenhum outro governo – um acesso direto a nossos servidores”. Page alegou que “não sabia que existia” o programa de espionagem Prisma até que ele virou centro de um escândalo. Marc Zuckerberg, presidente do Facebook, disse exatamente a mesma coisa. Apple, Paltalk, AOL, Microsoft, Yahoo e Droopbox se expressaram em termos familiares. Aparentemente, ninguém sabia que os serviços de inteligência se serviam dessas empresas para espionar. A Microsoft afirmou que “só transmitia os dados quando havia uma obrigação legal”.

É difícil acreditar nestes argumentos. A denúncia entregue ao Procurador da República precisa que mediante o programa de espionagem Prisma as agências de informação puderam “recuperar os dados materiais conservados pelos servidores dessas empresas, incluídos os históricos de buscas e conexões efetuadas na rede, o conteúdo dos correios eletrônicos, das comunicações de vídeo e áudio, os arquivos de fotografia, o envio de documentos assim como o conteúdo das conversas em linha”. 

O advogado Emmanuel Daoud reiterou na rádio francesa France Info as fortes suspeitas que pesam sobre as empresas citadas: “ter colocado seus servidores a disposição do FBI e da NSA para que as agências pudessem ter acesso a todos os dados de seus clientes”. Todos são conscientes da quase impossibilidade que existe em matéria judicial contra esses gigantes da indústria virtual e os serviços secretos norteamericanos. O doutor Baudouin sustenta que “todos os artigos do Código Penal citados na denúncia foram violados. Mas somos realistas e modestamente otimistas”.

A meta da ação é múltipla, além do valor da denúncia em si diante do silêncio das autoridades. A este respeito, o advogado e presidente de honra da FIDH comenta que “um dos objetivos desta ação é preventivo: trata-se de que as coisas se movam, que se controle de maneira mais estrita a vigilância de nossas comunicações. Ao longo dos últimos 20 anos, a internet mudou o mundo. É preciso se adaptar. É uma ferramenta maravilhosa, mas também pode ser monstruosa quando pervertida como é o caso atual”.

Não há nenhuma garantia de que a ação judicial prospere. Para isso, a denúncia das ONGs deve conduzir a uma investigação formal. Esta segunda etapa, se ocorrer, exige que a justiça francesa peça a colaboração judicial dos Estados Unidos. No entanto, essa possibilidade é muito remota. A atitude do governo francês tem sido de perfil baixo em relação aos Estados Unidos e de quase sanção à América Latina. Quando se descobriu a espionagem global dos EUA, que incluía seus próprios aliados da União Europeia, Paris apontou para outro lado: quando correu o rumor de que Edward Snowden viajava escondido no avião do presidente boliviano Evo Morales, proveniente de Moscou, a França foi, junto com a Itália, Espanha e Portugal, um dos países que fechou seu espaço aéreo ao avião presidencial.

No entanto, Daoud insiste em pensar que “as filiais francesas dos gigantes da internet deveriam ser investigadas pelos juízes”. Emmanuel Daoud revelou que, entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013, o FBI e a NSA, mediante a colaboração de Google, Yahoo!, Apple, Microsoft, Paltalk, Skype, Facebook, YouTube e AOL, foram capazes de controlar ou interceptar mais de dois milhões de comunicações telefônicas privadas, SMS ou correios eletrônicos. Para os autores da ação, estamos diante de um quadro sui generis desenhado após os atentados de 11 de setembro de 2001.

O advogado Patrick Baudouin recorda que “quando se trata de investigar os cidadãos instrumentalizando seus medos com fins demagógicos termina-se por atravessar todas as fronteiras de nossas democracias”. Além da FIDH e da LDH, só uma associação europeia composta essencialmente por estudantes austríacos, Europeus contra Facebook, ousou recorrer à justiça contra as empresas estadunidenses acusadas de pactuar com os serviços secretos e entregar informação privada. Só três em um oceano de hipocrisia, covardia e silêncio.

Tradução: Katarina Peixoto


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SANTAYANA E O MÉDICO: DAR UM POUCO DE SI AO OUTRO

12.07.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Os dois anos de SUS e o depoimento de Jatene, um exemplo.

Tolentino: "aos pobres não cobramos nada"


Conversa Afiada reproduz artigo de Mauro Santayana no JB online:



O MÉDICO E SUA ÉTICA



por Mauro Santayana

Em 1956, conheci, na cidade do Serro, em Minas, o médico Antonio Tolentino, que era o profissional mais idoso ainda em atividade no Brasil. Ele chamava a atenção por dois motivos: coubera-lhe assistir ao parto de Juscelino, em 1902, e não alterara o valor da consulta, que equivalia,  então, a cinco cruzeiros. Entrevistei-o, então, para a Revista Alterosa, editada em Minas e já desaparecida.

Em razão da matéria, o deputado federal Vasconcelos Costa obteve, da Câmara, uma pensão vitalícia da União para o médico, que morreu logo depois. Ele tinha, na época, 94 anos – e setenta de atividade. Seus descendentes criaram um museu, em sua casa e consultório. Uma das peças é o anúncio que fez, logo no início da carreira: “aos pobres, não cobramos a consulta”.

Confesso o meu constrangimento. Estou em  idade em que dependo, e a cada dia mais, de médicos, e de bons médicos, é claro. Tenho, entre eles, bons e velhos amigos. O que me consola é que os meus amigos estão mais próximos da filosofia de vida do médico Antonio Tolentino, do que dos que saíram em passeata, em nome de seus direitos, digamos, humanos. 

Mais do que outros profissionais, os médicos lidam com o único e absoluto bem dos seres, que é a vida. Os enfermos a eles levam as suas dores e a sua esperança. É da razão comum que eles estejam onde se encontram os pacientes – e não que eles tenham que viver onde os  médicos prefiram estar. 

De todos os que trataram do assunto, a opinião que me pareceu mais justa foi a de Adib Jatene. Um dos profissionais mais respeitados do Brasil, Jatene acresce à sua autoridade o fato de ter sido, por duas vezes, Ministro da Saúde. Ele está preocupado, acima de tudo, com a qualidade do ensino médico no Brasil. Se houvesse para os médicos exames de avaliação, como o dos bacharéis em direito, exigido pela OAB para o exercício profissional, o resultado seria catastrófico. 

Jatene recomenda a formação de bons clínicos e, só a partir disso, a especialização médica. Os médicos de hoje estão dependentes, e a cada dia mais, dos instrumentos tecnológicos sofisticados de diagnóstico, e  cada vez menos de seu próprio saber. O vínculo humano entre médico e paciente – salvo onde a medicina é estatizada – é a cada dia menor. Assim, Jatene defende o sistema do médico de família. Esse sistema permite o acompanhamento dos mesmos pacientes ao longo do tempo, e a prática de medidas preventivas, o que traz mais benefícios para todos.

Entre outras distorções da visão humanística do Ocidente, provocadas pela avassaladora influência do capitalismo norte-americano, está a de certo exercício da medicina e da terapêutica. A indústria farmacêutica passou a ditar a ciência médica, a escolher as patologias em que concentrar as pesquisas e a produção de medicamentos. A orientação do capitalismo, baseada no maior lucro, é a de que se deve investir em produtos de grande procura, ou, seja, para o tratamento de doenças que atinjam o maior número de compradores. Dentro desse espírito, a medicina, em grande parte,  passou a ser especulação estatística e probabilística.

Os médicos protestam contra a contratação de profissionais estrangeiros, pelo prazo de três anos, para servir em cidades do interior, onde há carência absoluta de profissionais. Não seriam necessários, se os médicos brasileiros fossem bem distribuídos no território nacional, mesmo considerando a má preparação dos formados em escolas privadas de péssima qualidade, que funcionam em todo o país. 

Ora, o governo oferece condições excepcionais para os que queiram trabalhar no interior. O salário é elevado, de dez mil reais, mais moradia para a família, e alimentação. É muitíssimo mais elevado do que o salário oferecido aos engenheiros e outros profissionais no início de carreira. Ainda assim, não os atraem. E quando o governo acrescenta ao currículo dois anos de prática no SUS, no interior e na periferia das grandes cidades, vem a grita geral.

Formar-se em uma universidade é, ainda hoje, um privilégio de poucos. Os ricos são privilegiados pelo nascimento; os pais podem oferecer-lhe os melhores colégios e os cursos privados de excelência, mas quase sempre vão para as melhores universidades públicas,  bem preparados que se encontram para vencer a seleção dos vestibulares. Os pobres, com a ilusão do crescimento pessoal, sacrificam os pais e pagam caro a fim de obter um diploma universitário que pouco lhes serve na dura competição do mercado de trabalho.

Um médico sugeriu que a profissão se tornasse uma “carreira de estado”, como o Ministério Público e o Poder Judiciário. Não é má a idéia, mas só exeqüível com a total estatização da medicina. Estariam todos os seus colegas de acordo? Nesse caso não poderiam recusar-se a servir onde fossem necessários. 

Temos, no Brasil, o serviço civil alternativo que substitui o serviço militar obrigatório, e é prestado pelos que se negam a portar armas. Embora a objeção possa ser respeitada em tempos de paz, ela não deve ser aceita na eventualidade da guerra: a defesa da nação deve prevalecer. Mas seria justo que não só os pacifistas fossem obrigados, pela lei,depois de formados pelos esforços da sociedade como um todo, a dar um ou dois anos de seu trabalho à comunidade nacional, ali e onde sejam necessários. Nós tivemos uma boa experiência, com o Projeto Rondon, que deveria ser mais extenso e permanente como instituição no Brasil.

As manifestações recentes mostram que todos, em seus conjuntos de interesses, querem mais do Estado em seu favor. Não seria o caso de oferecerem alguma coisa de si mesmos à sociedade nacional? Dois anos dos jovens médicos trabalhando no SUS – remunerados modestamente e com os gastos pagos pelo Erário – seriam um bom começo para esse costume. E a oportunidade de aprenderem, com os desafios de cada hora, a arte e o humanismo que as más escolas de medicina lhes negaram.
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O homem que deu o furo da funcionária da Receita que sumiu com o processo contra a Globo

12.07.2013
Do blog COMTEXTO LIVRE

As causas do advogado carioca Eduardo Goldenberg.
Ele
Goldenberg
O advogado carioca Eduardo Goldenberg, 44 anos, morador da Tijuca, tem algumas dúvidas na vida, mas pelo menos duas certezas: “1) Quem começou a foder o Brasil foi a Globo; 2) O que a Globo quer eu não quero”.
Foi ele quem descobriu a ação do Ministério Público que condenava a funcionária da Receita Cristina Maris Meinick Ribeiro por sumir com o processo contra a Globopar. “Eu vi os artigos sobre a dívida de 600 milhões. Quando disseram que o processo havia desaparecido, fui atrás. Pesquisei no site Consultor Jurídico e em outros lugares até encontrar a história do sumiço”, diz.
Uma vez com o número do processo, escreveu um post no Twitter avisando alguns blogueiros, que deram a notícia. Goldenberg é um farejador incansável e que trabalha sozinho (embora tenha boas fontes). A revelação teve ampla repercussão — mas ele nem sempre foi creditado como autor. “Meus amigos ficaram putos com isso. Eu não. Como não sou pavão, deixei para lá. Muitos desses blogueiros progressistas têm os mesmos vícios dos caras do PIG”.
Eduardo tem um ídolo absoluto: Leonel Brizola. (“Mito”). Se declara brizolista desde os 13 anos. Cita o político gaúcho com fervor e devoção. Conheceu-o depois de pregar uma peça na repórter Renata Ceribelli, que entrevistava a plateia num festival de música em 2000. Renata perguntava às pessoas o que elas estavam achando dos shows, quando chegou a vez de Goldenberg. Ele saca um boné e grita o slogan da campanha de Brizola para a prefeitura do Rio: “Faz um 12, Brizola!”

“Te filie ao PDT!”, disse Brizola para ele no dia seguinte. “Eu nunca quis me filiar. Mas foram conversas que mudaram o rumo da minha cabeça. Quero honrar o sentimento de independência dele”.
Herdou do “Velho”, como o chama, a ojeriza pela Globo. “Os governos têm uma relação promíscua com a Globo. Só o Leonel peitou a Vênus Platinada”. Define essa bronca como ira santa. “A Globo é uma potência mundial. Tenho orgulho de ser bloqueado por eles no Twitter. Nós somos um país dominado pela Globo. Havendo uma chance de contribuir para que os podres dela venham à tona, eu o farei. Por que o Ministério Público não correu atrás da Cristina Maris? Parece que ela teria se valido do direito constitucional de ficar em silêncio. Por quê?”
Não foi a primeira vez que Goldenberg deu um furo. Num domingo, há dois anos, estava tomando cerveja quando um conhecido lhe telefonou contando que Aécio Neves fora parado numa blitz da Lei Seca. Ele pôs no Twitter. “Em 25 minutos, aquilo estava nos jornais do país todo.” Em 2010, publicou em seu blog Buteco do Edu cópias dos editais do Diário Oficial em que as filhas de Soninha Francine eram nomeadas para cargos públicos na prefeitura de São Paulo.
Seu blog tem crônicas, memórias, Brizola, entrevistas, denúncias, Brizola, boas histórias (algumas com o amigão e cliente Aldir Blanc, gênio letrista e outro “indignado permanente”). Goldenberg gosta de advogar e avisa não é colunista, blogprog ou ativista. “A rede, bem usada, mudou a relação de forças. Eu não quero mudar o mundo”, diz. “Só quero fazer um barulhinho”.

Kiko Nogueira
No DCM

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Raio laser invade a Globo em SP

12.07.2013
Do blog COMTEXTOLIVRE

Globo não conseguiu esconder a manifestação, que a penetrou como um raio

O batismo da “Ponte jornalista Vladimir Herzog”

Globo tenta montar imagem e é desmascarada nas manifestações


A manifestação contra a Globo em São Paulo conseguiu enviar um raio laser que invadiu o estúdio que transmitia o jornal local do início da noite.
O ponto verde, em movimento, à esquerda da tela, desconcertou o apresentador e foi rapidamente tirado do ar.
Como diria o Cala a boca, Galvão – também celebrado na manifestação desta noite -, depois que a Holanda empatou: a coisa já esteve melhor para a seleção brasileira.
Paulo Henrique Amorim
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Fonte:http://contextolivre.blogspot.com.br/2013/07/raio-laser-invade-globo-em-sp.html

Mídia tenta abafar protestos na Globo

12.07.2013
Do BLOG DO MIRO, 
Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Era previsível que a grande mídia procurasse, de todas as formas, diminuir as manifestações organizadas pelas centrais sindicais. Mas fizeram pior: houve um esforço deliberado para denegri-las.

Não é de hoje que a mídia brasileira se assume como um partido político fundamentalmente antisindical e antitrabalhista.

O rancor da mídia contra sindicatos e centrais sindicais é fácil de entender. Com todos os seus problemas, eles são a expressão da classe trabalhadora organizada e constituem o único meio pelo qual os mais pobres podem ascender a posições políticas importantes.

Nenhum pobre jamais ganhará uma eleição sem apoio sindical. O núcleo duro de todos os partidos de esquerda é formado por sindicatos, centrais e movimentos sociais organizados.

Nota-se ainda um esforço, maquiavelicamente calculado, para criar uma polarização entre as manifestações de junho e as de ontem, 11 de julho. As comparações numéricas foram sempre no sentido de aumentar as primeiras e diminuir as últimas.

As manifestações de junho, de fato, foram monstruosas. Mas as de ontem ocuparam toda a Avenida Rio Branco. Não fosse o ataque covarde dos fascistas de preto aos manifestantes, cresceria ainda mais.

A mídia gosta de mencionar uma suposta realidade fantástica que o governo vende à população. Acontece que o governo não tem mídia. Quem vende uma realidade paralela à população é a nossa TV. Quem vende um mundinho encantado aos jovens é a TV. Não é o governo. Ao governo interessa, obviamente, fomentar o otimismo, visto que este é a mola do empreendedorismo, e incentiva o consumo, para acelerar as vendas e o crescimento econômico. Mas é a mídia que produz uma imagem esquizofrênica: por um lado, vende aos cidadãos uma fascinante fantasia de felicidade e consumismo; de outro, faz uma campanha sistemática contra o país, pintando-o sempre negativamente.

Há um estudo recente – este é um assunto do qual falaremos em breve – mostrando que a corrupção na sociedade, na esfera privada, é bem superior à da esfera pública. A corrupção individual, de médicos que faltam ao trabalho, empresários que sonegam, jornalistas que traficam informação, executivos que maquiam relatórios financeiros, é igual ou maior do que a de políticos. Temos ainda a corrupção na burocracia, no Judiciário e no Ministério Público.

Os cidadãos que protestam contra a corrupção deveriam sair às ruas com chicotes, flagelando-se a si mesmos, e gritando: Abaixo eu! Abaixo eu!

De qualquer forma, é apavorante constatar o poder da mídia de fazer prevalecer sua hegemonia na interpretação dos fatos sociais. Os jornais e a televisão esconderam acintosamente que a defesa pela democratização da mídia é uma demanda que constava nas grandes manifestações de junho, e que foram centrais nas desta quinta-feira.

A deficiência da representação política está ligada diretamente à questão da mídia. Congresso, Presidência da República, Ministério Público, STF, apenas são atingidos pelas demandas destacadas pela mídia. Isso é um erro. Talvez o principal erro da democracia brasileira. As instituições estão subestimando o que é a principal lacuna da nossa democracia. A mídia deve ser democratizada para que as demandas dos diferentes setores possam fluir de baixo para cima no corpo social.

Ontem, aconteceu uma grande manifestação diante da Globo. Saiu apenas uma notícia de segundos no SP-TV, e mais nada. Não há editoriais.

Merval Pereira, em sua coluna de hoje, menciona o tema de forma absolutamente cínica e mentirosa:

Pedir uma vaga democratização da mídia , por exemplo, é simplesmente tentar levar para as ruas a reivindicação de pequenos grupos de pressão, apoiados por blogs e revistas chapas-brancas, como se fosse uma aspiração da nacionalidade.
Como não é uma manifestação da nacionalidade? Como assim: “pequenos grupos de pressão”? A democratização da mídia era uma das principais bandeiras dos movimentos sociais e centrais que ontem saíram às ruas. Não só ontem. Nas manifestações de junho, foi uma das demandas mais importantes, embora expressa de maneira genérica, em cantorias, cartazes e faixas contra a Globo.

Mas os ministros do STF, o procurador-geral, e os clipeiros do Congresso e da Presidência, preferem ler Merval Pereira do que ouvir a voz das ruas.

Que imprensa é essa, que vem abafando um dos maiores escândalos fiscais do século? Porque nenhum jornal aborda o “mensalão” da Globo, e seus desdobramentos holliwoodianos? Porque nem a Agência Brasil parece ter coragem de mencionar o tema? Eu fui entrevistado pela Rádio Nacional argentina, principal rádio pública daquele país, para falar da sonegação da Globo. Todos os sites, blogs e jornais alternativos no Brasil têm abordado o caso. Porque a Agência Brasil e a TV Brasil não entram no assunto? Por que o sistema público de comunicação sempre fica a reboque da grande mídia?

Tudo bem, a gente está na luta para isso mesmo. Confira o vídeo abaixo, com cenas da manifestação realizada em frente à Globo. Veja se isso é coisa de “pequenos grupos de pressão”…

Nada disso. O que vimos ontem, em frente à Globo, foi uma das maiores manifestações da história brasileira contra uma emissora de TV que apoiou a ditadura e se consolidou financeiramente durante o regime militar, com dinheiro dos Estados Unidos. E que até hoje se caracteriza pelo mais abjeto golpismo. Uma manifestação criativa, jovem, e de massa. E apoiada por milhões de brasileiros em todo país.

Quem sabe o gigante não esteja, de fato, acordando? Num primeiro momento, ele se espreguiçou, e espalhou os braços, confusamente, quebrando tudo ao redor. Aos poucos, porém, começa a lembrar onde está, o que fez no dia anterior, e seus pensamentos clareiam-se.

Agora sim, a coisa está ficando boa.





PS: A Folha fez uma menção na capa, tão escondido que demorei muito tempo para descobrir. Mas foi pior que abafar. Distorceu negativamente. A menção vem numa nota em que se fala dos vândalos de preto no Rio. E diz que a manifestação foi de “400 black bocs”, quando na verdade foram duas mil pessoas e com participação de vários movimentos sociais.  Na edição nacional, veio sem foto. Na edição de São Paulo, teve uma foto de um grupo de mascarados segurando paus. Muito pior que abafar!

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