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terça-feira, 9 de julho de 2013

CIBERATIVISMO: Cidadão Face

09.07.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Por Sérgio Dávila,na edição 754
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 7/7/2013

Há mais de uma contradição entre meio e mensagem nas manifestações que tomaram o país. Uma delas foi revelada por reportagem da Folha na última quinta-feira (ver “Jornalismo domina rede social em protestos“).
Nela, levantamento mostra que 80% dos links compartilhados no Twitter com “hashtags” ligadas aos protestos durante o auge do movimento tinham origem na mídia dita tradicional –quer dizer, era conteúdo produzido pela imprensa profissional, levando em conta os preceitos do bom jornalismo.
Ainda de acordo com a pesquisa, páginas ligadas à imprensa no Facebook tiveram o compartilhamento de seu conteúdo pelo menos triplicado.
Ou seja, antes e depois de sair para as ruas para criticar, entre outras centenas de bandeiras, a grande mídia, os manifestantes se informavam por ela, utilizando o trabalho produzido pelo jornalismo profissional para validar ou rejeitar os vários rumores que surgem nas redes sociais.
Revolução anticapitalista
Outra contradição foi o uso principalmente do Facebook para ajudar na formação e na divulgação dos eventos, o que muita gente boa chamou de “mídia direta”, fruto da “liderança horizontal”. Nós –jornalistas incluídos– gostamos de pensar em Apple, Facebook, Google e Twitter como organizações etéreas sem fins lucrativos, em vez de empresas bilionárias que visam o lucro, que é o que são. É preciso desvestir a fantasia.
Para ficar apenas no Facebook, o “terceiro país do mundo”, com seu 1,1 bilhão de usuários, não fica nada a dever a seu “vizinho” China na falta de transparência de suas práticas (vide caso NSA), no controle da vida de seus “cidadãos” (por algoritmos e política de privacidade obscuros) e na remuneração aviltante de sua mão de obra (nós e nossos posts, pelos quais ganhamos zero e em cima dos quais faturam bilhões).
Se a geração MPL quer fazer a revolução anticapitalista, fazê-la no Facebook é como se rebelar contra o imperialismo ianque morando na Disneylândia.
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Sérgio Dávila é editor executivo da Folha de S.Paulo
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Brics no olho do furacão da espionagem norte-americana

09.07.2013
Do portal LUIS NASSIF ON LINE
Por  Marcia, no Vermelho.org

Brasil e Rússia: A espionagem estadunidense focou no Brics

Membros do grupo Brics (Brasil, Rússia, Ínida, China e África do Sul) estão no topo da lista de países escolhidos para consideração especial pela Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA), com seu programa intensivo de espionagem Prism, que coleta dados de bilhões de registros telefônicos e virtuais pelo mundo, de acordo com um artigo do portal da Russia Today, publicado nesta segunda-feira (8).

O portal cita um artigo publicado neste final de semana pela mídia brasileira, com a observação de que o “Brasil parece se ressaltar nos mapas da agência estadunidense como um alvo prioritário por tráfico telefônico e de dados, junto com países como a China, a Rússia”, e outros.

Leia também:
Brasil, Rússia e China são três membros proeminentes da associação internacional denominada Brics, junto com a Índia e a África do Sul.
O chanceler brasileiro Antônio Patriota expressou “grave preocupação” pelo fato de as comunicações telefônicas e eletrônicas dos brasileiros estarem sendo coletadas pela comunidade de inteligência dos EUA.

O relatório não especifica quanto do tráfico é monitorado pela NSA, mas enfatiza que nas Américas, o Brasil fica atrás apenas dos EUA no número de comunicações interceptadas pela agência de espionagem.

O ministro Patriota disse que o Brasil pedirá que a Organização das Nações Unidas sejam tomadas medidas “para impedir abusos e proteger a privacidade” dos usuários de internet, com leis aos governos “que garantam segurança cibernética que protejam os direitos dos cidadãos e preservem a soberania de todos os países”.

Vivendo no Brasil, o jornalista estadunidense e analista político Glenn Greenwald, que publicou pela primeira vez a denúncia do ex-agente da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), Edward Snowden, sobre o programa de espionagem Prism, disse que “há muitas outras populações de países não-adversários [dos EUA] que foram sujeitos ao mesmo tipo de vigilância massiva da NSA; de fato, a lista daqueles que não foram é menor do que a dos que foram”.

A Rússia no radar da NSA

Que a Rússia foi o primeiro alvo da vigilância da NSA ficou evidente quando o contratado da agência transformado em informante, Snowden, expôs os detalhes de uma operação de vigilância massiva de “escavação de dados”, conhecida como Prism, que coleta detalhes de milhares de comunicações telefônicas e eletrônicas e de e-mails, tanto no país quando no exterior.

Embora a extensão completa das atividades de espionagem da NSA dirigidas à Rússia não seja precisa numericamente, sabe-se que os tentáculos da operação global de “escavação de dados” alcançaram os mais altos níveis do governo russo, até mesmo afetando as comunicações mais classificadas do antigo presidente russo Dmitri Medvedev, durante a sua visita à Grã Bretanha, para a cimeira do G20 em Londres.

Medvedev chegou à cidade no dia 1º de abril. No mesmo dia, a NSA interceptou as comunicações da sua delegação, de acordo com o relatório da agência intitulado “As comunicações da liderança russa em apoio ao presidente Dmitry Medvedev, na cimeira do G20 em Londres – intercepção na estação Menwith Hill."

Os detalhes da intercepção foram alegadamente compartilhadas com oficiais britânicos, australianos, canadenses e neozelandeses.

A intercepção da NSA às comunicações do líder russo no G20 aconteceu logo após o primeiro encontro entre Medvedev e o president estadunidense Barack Obama, e em meio ao tão falado “recomeço” entre os antigos inimigos da Guerra Fria.

Durante o seu encontro, os dois discutiram uma quantidade abrangente de questões espinhosas, inclusive a crise financeira, o desarmamento nuclear e a decisão controversa de Washington de construir um escudo de defesa na Europa do leste.

Agora, a Rússia encontra-se na posição de desempenhar o papel de anfitrião ao indivíduo responsável pelo que muitos acreditam ter sido o vazamento mais prejudicial da inteligência estadunidense, de todos os tempos.

No mês passado, Snowden embarcou em um avião dos Estados Unidos para Hong Kong, com uma montanha de documentos sensíveis dos EUA, que ele publicou quando estava a salvo dentro do território chinês. Em 23 de junho, o informante norte-americano embarcou em um avião para Moscou, onde ficou na zona de trânsito do aeroporto de Sheremetyevo Airport’s desde então.

A julgar pelas declarações de Moscou, entretanto, parece que o senhor Snowden arrisca abusar da estadia, ou potencialmente pior. Enquanto a Venezuela tornou-se o terceiro país sul-americano a oferecer asilo politico, até colocando um prazo até segunda-feira antes que a sua oferta expire, um político de alto escalão da Rússia sugeriu veementemente que Snowden considere a oferta.

Alexei Pushkov, que chefia o comitê de Relações Exteriores do parlamento russo, postou uma mensagem na rede social Twitter dizendo: “A Venezuela está esperando uma resposta de Snowden. Isto, talvez, seja a sua última chance de receber asilo político”.

As autoridades venezuelanas dizem que não tiveram notícias de Snowden desde que o país ofereceu asilo ao informante da NSA, mas que esperaria até segunda-feira pela resposta.

“Não houve qualquer forma de comunicação”, disse o chanceler venezuelano Elias Jaua, na televisão estatal. “Estamos esperando até segunda para saber se ele confirma seu desejo de receber asilo da Venezuela”.

Com Russia Today
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A explosão do ódio neonazista

09.07.2013
Do BLOG DO MIRO, 
Por Márcio Sampaio de Castro, na revista CartaCapital:


Durante a última grande manifestação organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL), para comemorar a revogação do aumento das tarifas do transporte coletivo em São Paulo, integrantes de partidos políticos e movimentos sociais foram atacados por jovens trajando toucas ninjas, roupas pretas e coturnos. Enquanto agrediam seus alvos, a multidão ao redor aplaudia e gritava “fora partidos, fora partidos”. Para a antropóloga Adriana Dias, que pesquisa há mais de 10 anos a atuação dos movimentos neonazistas no Brasil e já foi diversas vezes ameaçada de morte por seus integrantes, não resta a menor dúvida sobre quem eram esses jovens violentos e quais eram suas motivações.

A partir da análise de blogs, sites e fóruns de relacionamento, muitos deles com domínio no exterior, a pesquisadora documentou, ao longo de sete anos, que mais de 150 mil downloads de arquivos de teor nazista, superiores a 100 megabites cada, foram baixados por um número equivalente de computadores com endereços eletrônicos localizados no Brasil no mesmo período. De 2009 para cá, o índice de arquivos baixados com estas características tem crescido a uma taxa média de 6% ao ano e até postagens de crianças já foram detectadas por ela.

Para Adriana, um misto de despolitização da sociedade no período pós-ditadura e a transformação da política em escândalo por boa parte da mídia são o ovo da serpente para a expansão de manifestações crescentes de caráter nazifascista na sociedade brasileira. A omissão sistemática das autoridades às agressões perpetradas contra homossexuais, negros, judeus, nordestinos, moradores de rua e imigrantes bolivianos nas ruas de grandes centros urbanos completa o ciclo de terror, que silenciosamente avança junto a um número nada desprezível de jovens brasileiros.

Nas manifestações populares das últimas semanas em São Paulo, um momento que chamou a atenção foi quando jovens, aparentemente ligados a esses movimentos, atacaram militantes partidários e militantes do movimento negro, destruindo suas bandeiras. Enquanto isso ocorria, a multidão à sua volta gritava “fora partido, fora partido”. Como explicar esses dois fenômenos simultâneos?

Desde a ditadura militar nós avançamos por um processo de despolitização espantoso em todas as camadas sociais. Os cursos de sociologia e filosofia foram retirados do currículo escolar. Em segundo lugar, há no Brasil uma proliferação da teologia da prosperidade. Na Alemanha, ela foi fundamental para a ascensão do nazismo. A ideia aqui é que não são as ações do governo que auxiliam nessa prosperidade. Por exemplo, o indivíduo consegue comprar uma casa pelo programa Minha Casa, Minha Vida e vai a um culto religioso e acredita que conseguiu por sua própria conta. Esse afastamento gradual do Brasil de um estado laico torna tudo mais difícil. Tanto na Igreja Católica, em sua linha carismática, quanto em certas igrejas protestantes. Por fim, a política de escândalos, patrocinada pela mídia, criou uma personalização da política como um eterno escândalo. Eu chamo isso de um carnaval às avessas. Se no carnaval o povo vai pras ruas para expor sua alegria, nessas manifestações as pessoas têm ido às ruas para expor suas insatisfações, fazendo reivindicações que não são mensuráveis e de um fundo conservador muito forte.

Quais as alternativas para isso?

A alternativa é a volta para o diálogo com os movimentos sociais. Nas elites políticas, em um sentido mais geral, há um movimento totalitário, dentro do que analisa Hannah Arendt. Particularmente na direita brasileira. Em São Paulo, por exemplo, muitas práticas do Estado são totalitárias. Veja a atuação da polícia. Já em um campo mais específico, entram esses movimentos neonazistas e suas ações, como essa verificada nas manifestações.

Como esses jovens neonazistas são cooptados?

Há um proselitismo muito forte no Brasil. Os grandes líderes têm entre 35 e 50 anos e normalmente são pequenos empresários e profissionais liberais. Estes não vão para as ruas. Em um segundo grupo, temos os mais jovens, que vão para as ruas e não se importam por que sabem que, se forem presos, serão soltos. E temos também as mulheres neonazistas, que são vistas somente como reprodutoras, dentro de um ideal paternalista e machista. Os grandes líderes atuam dentro de universidades, por exemplo, distribuindo material de divulgação do movimento e, principalmente, nas redes sociais.

Como surgiu a ideia de pesquisar o movimento neonazista no Brasil?

A partir de uma disciplina que cursei na Unicamp, em 2002, na graduação, onde se discutia a negação do holocausto, tive a ideia de fazer um trabalho para conhecer um pouco os grupos neonazistas brasileiros. Como sou programadora, criei uma aranha de busca e percebi que estava entrando em um mundo muito grande. No início, eram apenas 7500 sites, em 2009 já eram mais de 20 mil. Existem também os blogs, que cresceram 450% nesse período, e as redes sociais.

Quais as características desses sites?

São compostos por páginas profundas, com diretórios dentro de diretórios. Nos diretórios mais profundos encontramos incentivos ao genocídio e assassinatos. Muitos deles são de origem norte-americana. Fazem apologia ao número 88, já que o H é a oitava letra do alfabeto e duplicado faz referência ao Heil Hitler. Uma frase muito comum de ser encontrada é o “nós devemos assegurar um futuro para as crianças brancas”, o slogan de 14 palavras inspirado em uma passagem do Mein Kampf, livro escrito por Hitler. Da combinação desses dois números, temos o 14/88, que é uma saudação. Muitos membros nos fóruns de internet se utilizam desses números como nicknames associados a nomes nórdicos. Coisas como Odin88 ou Thor 14/88.

Eu fiz a minha pesquisa em inglês, espanhol e português. Os grandes pensadores do movimento estão nos EUA e um dos principais deles foi o David Lane, que morreu na prisão em 2007. O movimento surge muito forte lá por que a questão racial é muito dura entre eles. Esse lado mais duro permite a expansão desses pensamentos, ao lado do conceito de liberdade de expressão. Nos Estados Unidos, esses sites são legais. É um discurso público e consequentemente é mais fácil de reproduzi-lo. Só que para mim, a liberdade de expressão se interrompe quando chega à dignidade humana. Representar outro ser humano como animal ou como um demônio está muito além da liberdade de expressão.

A ligação com movimentos estrangeiros tem crescido?

Já houve casos de grupos brasileiros serem rejeitados por serem sul-americanos, mas nos últimos tempos esta visão tem mudado e o ideário da raça branca tem aproximado esses grupos ao redor do mundo.

O jornalista espanhol Antonio Salas, autor de O Diário de Um Skinhead, se infiltrou em grupos neonazistas. A senhora chegou perto de ter alguma experiência deste tipo?

Antonio Salas produziu um trabalho heroico, se fazendo passar por um neonazista para conhecer estes grupos a fundo. Atualmente, ele tem que se manter oculto, pois é ameaçado de morte em 16 países. Eu pesquiso os sites e fóruns. Conheço perto de 500 desses fóruns e muitos funcionam como páginas de relacionamentos, mas os mais representativos chegam a um número de 12. Eles se dividem por temáticas, como o Fórum Verde, sobre ecologia, o Solar General, sobre religiosidade e o Movimento Cristão Identitário, que é protestante radical de direita e que tem a plataforma de criar um estado branco dentro dos EUA.

Em sua pesquisa, o que mais chamou a atenção?

A quantidade de ódio, a idolatria ao ódio. A ideia de achar que ele estrutura a personalidade. Eu, que tenho uma formação humanista, posso dizer que fiquei chocada com isso. Outro aspecto é a crença na noção de sangue que ultrapassaria a substancialidade. Ou seja, o sangue não seria material, estaria na alma. Isto explica por que entre eles a nação, tal qual nós a concebemos, não existe. O que existe é a nação racial. Por isto, é preciso destruir os movimentos populares, que estão associados a outra concepção de nação. Por fim, me chamou a atenção a facilidade para encontrar inimigos. Eu, como antropóloga, não acredito em raças, somente na raça humana, mas para eles, o casamento chamado de inter-racial, por exemplo, é considerado um genocídio.

E no Brasil?

No Brasil, existe o discurso separatista, que traz elementos complicadores.

Como assim?

Cada um quer uma coisa. Veja o caso do (Ricardo) Barollo, que mandou matar o (Bernardo) Dayrell, em 2009, no Paraná. Eles estavam lutando pela liderança do movimento no país, mas o que cada grupo defende a seu modo é a separação de São Paulo ou dos estados do sul do restante do Brasil. Nessas explosões de ódio, que mencionei há pouco, é exigido que eles ataquem os inimigos. Aliás, um dos critérios para aceitar um novo membro é que ele cometa uma violência contra um inimigo. Os grupos neonazistas têm matado e agredido gays em São Paulo, na região da rua Augusta, e ninguém fala nada. A polícia não faz nada. Já conversei com policiais que não consideram crime um indivíduo portar uma suástica bordada na blusa.

Somente os gays?

Não. Atacam bolivianos, negros, gays, nordestinos, judeus e depois relatam nos fóruns. Eles são organizados. Possuem inclusive estratégias de defesa. Muitos, quando são pegos, alegam loucura. São estratégias previamente montadas e as autoridades, por sua vez, não dão importância.

Isto seria em função da cultura brasileira de deixar as coisas acontecerem para depois tomar uma atitude?

Não, não acho. Acontece que no Brasil as minorias não têm importância e é por isso que ninguém faz nada.

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Filho de Joaquim Barbosa recebeu dinheiro de Marcos Valério

09.07.2013
Do blog MEGACIDADANIA, 08.07.13

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Marcos Valério contratou filho de Joaquim Barbosa
O grupo Tom Brasil contratou Felipe Barbosa, filho do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, para assessor de Imprensa na casa de shows Vivo Rio, em 2010. Até  poucos dias atrás, antes de ele ir trabalhar na TV Globo com Luciano Huck, Felipe ainda era funcionário da Tom Brasil.
Nada demais, não fosse um forte inconveniente: a Tom Brasil é investigada no inquérito 2474/STF, derivado do chamado "mensalão", e o relator é seu pai Joaquim Barbosa. Este inquérito, aberto para investigar fontes de financiamento do chamado "mensalão", identificou pagamento da DNA propaganda, de Marcos Valério, para a Casa Tom Brasil, com recursos da Visanet, no valor de R$ 2,5 milhões. E quem autorizou este pagamento foi Cláudio de Castro Vasconcelos, gerente-executivo de Propaganda e Marketing do Banco do Brasil, desde o governo FHC. Estranhamente não foi denunciado na AP-470 (chamado "mensalão") junto com Henrique Pizzolato.
Outra curiosidade é que um dos sócios do grupo Tom Brasil, Gladston Tedesco, foi indiciado na Operação Satiagraha, sob a acusação de evasão de divisas como cotista do Opportunity Fund no exterior, situação vedada a residentes no Brasil. Ele negou ao jornal Folha de S. Paulo que tenha feito aplicações no referido fundo.
Tedesco foi diretor da Eletropaulo quando era estatal em governos tucanos, e respondeu (ou responde) a processo por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público.
Pode ser só que o mundo seja pequeno, e tudo não passe de coincidência, ou seja lobismo de empresários que cortejam o poder, embora o ministro Joaquim Barbosa deveria ter se atentado para essa coincidência inconveniente, dada a sua dedicação ao inquérito. Entretanto, não custa lembrar que se o ministro, em vez de juiz, fosse um quadro de partido político, o quanto essa relação poderia lhe causar complicações para provar sua inocência, caso enfrentasse um juiz como ele, que tratou fatos dúbios como se fossem certezas absolutas na Ação Penal 470. Também é bom lembrar que o ministro Joaquim Barbosa já declarou que não tem pressa para julgar o mensalão tucano, no qual Marcos Valério é acusado de repassar grande somas em dinheiro para a campanha eleitoral dos tucanos Eduardo Azeredo e Aécio Neves.
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Faça o ‘teste do pescoço’ e saiba se existe racismo no Brasil

09.07.2013
Do blog  PRAGMATISMO POLÍTICO, 08.07.13

Aplique o Teste do Pescoço em todos os lugares e depois tire sua própria conclusão. Questione-se se de fato somos um país pluricultural; uma Democracia Racial

1. Andando pelas ruas, meta o pescoço dentro das joalherias e conte quantos negros/as são balconistas;
2. Vá em quaisquer escolas particulares, sobretudo as de ponta como; Objetivo, Dante Alighieri, entre outras, espiche o pescoço pra dentro das salas e conte quantos alunos negros/as há . Aproveite, conte quantos professores são negros/as e quantos estão varrendo o chão;
3. Vá em hospitais tipo Sírio Libanês, enfie o pescoço nos quartos e conte quantos pacientes são negros, meta o pescoço a contar quantos negros médicos há, e aproveite para meter o pescoço nos corredores e conte quantos negros/as limpam o chão
4. Quando der uma volta num Shooping, ou no centro comercial de seu bairro, gire o pescoço para as vitrines e conte quantos manequins de loja representam a etnia negra consumidora. Enfie o pescoço nas revistas de moda , nos comerciais de televisão, e conte quantos modelos negros fazem publicidade de perfumes, carros, viagens, vestuários e etc
5. Vá às universidades públicas, enfie o pescoço adentro e conte quantos negros há por lá: professores, alunos e serviçais;
6. Espiche o pescoço numa reunião dos partidos PSDB e DEM, como exemplo, conte quantos políticos são negros desde a fundação dos mesmos, e depois reflitam a respeito de serem contra todas as reivindicações da etnia negra.
7. Gire o pescoço 180° nas passeatas dos médicos, em protesto contra os médicos cubanos que possivelmente irão chegar, e conte quantos médicos/as negros/as marchavam;
racismo no brasil
(Imagem – Ilustração)
8. Meta o pescoço nas cadeias, nos orfanatos, nas casas de correção para menores, conte quantos são brancos, é mais fácil;
9. Gire o pescoço a procurar quantas empregadas domésticas, serviçais, faxineiros, favelados e mendigos são de etnia branca. Depois pergunte-se qual a causa dos descendentes de europeus, ou orientais, não são vistos embaixo das pontes ou em favelas ou na mendicância ou varrendo o chão;
10. Espiche bem o pescoço na hora do Globo Rural e conte quantos fazendeiros são negros, depois tire a conclusão de quantos são sem-terra, quantos são sem-teto. No Globo Pequenas Empresas& Grandes Negócios, quantos empresários são negros?
Leia também
11. Nas programações das Tvs abertas, acessível à maioria da população, gire o pescoço nas programações e conte quantos apresentadores, jornalistas ou âncoras de jornal, artistas em estado de estrelato, são negros. Onde as crianças negras se veem representadas?

Mais sugestões enviadas:

1. Enfiar o pescoço dentro das instituições bancárias e contar quantos negros são gerentes, quantos são caixas e quantos são faxineiros. (Margot Jung)
2. Nunca tive professores negros. Nunca fui consultada por médicos negros. Em contas bancárias, nunca tive gerentes negros. E muitos ainda insistem em dizer que em nosso país todos têm os mesmos direitos e oportunidades. Onde estão? (Priscila Gomes)
Aplique o Teste do Pescoço em todos os lugares e depois tire sua própria conclusão. Questione-se se de fato somos um país pluricultural, uma Democracia Racial e se somos tratados iguais perante a lei?!
* Você descobriu mais alguma coisa? Envie-nos para acrescentarmos a esta lista.
* * Este teste me foi ensinado pelo amigo Francisco Antero, e tenho adaptado no meu dia a dia. Foi assim que eu comecei a perceber todas as desigualdades existentes no meu país e mudei a minha opinião à respeito das Cotas Raciais para Negros e Índios.
Créditos: Página História Preta – Fatos & Fotos.
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FALSO MORALISMO: Joaquim Barbosa escondeu laudo que envolvia seu filho

09.07.2013
Do blog O CAFEZINHO, 08.07.13
Por Helena Sthephanowitz, nRede Brasil Atual.

RELAÇÕES ESTRANHAS
Empresa investigada por receber R$ 2,5 milhões de Marcos Valério contratou filho de Joaquim Barbosa
Se Barbosa é relator da ação que envolve Valério, não deveria ter mais atenção a este tema?
O grupo Tom Brasil contratou Felipe Barbosa, filho do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, para assessor de Imprensa na casa de shows Vivo Rio, em 2010. Até poucos dias atrás, antes de ele ir trabalhar na TV Globo com Luciano Huck, Felipe ainda era funcionário da Tom Brasil.

Nada demais, não fosse um forte inconveniente: a Tom Brasil é investigada no inquérito 2474/STF, derivado do chamado “mensalão”, e o relator é seu pai Joaquim Barbosa. Este inquérito, aberto para investigar fontes de financiamento do chamado “mensalão”, identificou pagamento da DNA propaganda, de Marcos Valério, para a Casa Tom Brasil, com recursos da Visanet, no valor de R$ 2,5 milhões. E quem autorizou este pagamento foi Cláudio de Castro Vasconcelos, gerente-executivo de Propaganda e Marketing do Banco do Brasil, desde o governo FHC. Estranhamente não foi denunciado na AP-470 (chamado “mensalão”) junto com Henrique Pizzolato.
Outra curiosidade é que um dos sócios do grupo Tom Brasil, Gladston Tedesco, foi indiciado na Operação Satiagraha, sob a acusação de evasão de divisas como cotista do Opportunity Fund no exterior, situação vedada a residentes no Brasil. Ele negou ao jornal Folha de S. Paulo que tenha feito aplicações no referido fundo.
Tedesco foi diretor da Eletropaulo quando era estatal em governos tucanos, e respondeu (ou responde) a processo por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público.
Pode ser só que o mundo seja pequeno, e tudo não passe de coincidência, ou seja lobismo de empresários que cortejam o poder, embora o ministro Joaquim Barbosa deveria ter se atentado para essa coincidência inconveniente, dada a sua dedicação ao inquérito. Entretanto, não custa lembrar que se o ministro, em vez de juiz, fosse um quadro de partido político, o quanto essa relação poderia lhe causar complicações para provar sua inocência, caso enfrentasse um juiz como ele, que tratou fatos dúbios como se fossem certezas absolutas na Ação Penal 470. Também é bom lembrar que o ministro Joaquim Barbosa já declarou que não tem pressa para julgar o mensalão tucano, no qual Marcos Valério é acusado de repassar grande somas em dinheiro para a campanha eleitoral dos tucanos Eduardo Azeredo e Aécio Neves.
PS O Cafezinho: Barbosa manteve-se o inquérito 2424 em sigilo absoluto. Neste inquérito, constavam documentos que podiam inocentar vários réus da Ação Penal 470. Os documentos também envolviam, conforme denúncia da Rede Brasil Atual, o seu próprio filho, que trabalhou numa empresa investigada por receber R$ 2,5 milhões de Marcos Valério. Tudo muito estranho. Ainda iremos escrever um bocado sobre isto. Aguardem.
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Mensalão da Globo: a bomba principal ainda vai explodir

09.07.2013
Do blog O CAFEZINHO
Por Miguel do Rosário

Com o vazamento de um processo que pode vir a ser o maior escândalo fiscal da história recente, e desmoralizar a Rede Globo, amigos e leitores ficaram bastante procupados com minha segurança física. Um leitor me ligou e perguntou, preocupado: “você tem ideia no que está se metendo? Fica atento a isso, eles fazem a pessoa desaparecer, ter um infarte na rua…”
O mesmo cidadão me deu um conselho, que achei inteligente: distribuir responsabilidades. 

Apesar da minha admiração por figuras como Assange e Snowden, não quero ficar preso por anos numa embaixada do Equador, nem ser perseguido mundo a fora pela CIA.
Segui os conselhos, e distribuí dicas e sugestões. Agora a matéria deixa de ser apenas um “furo” do Cafezinho: há mais gente de posse das informações. Com Rodrigo Vianna chutando o pau da barraca e revelando que os documentos que vazei são apenas uma pequena parte de uma ampla investigação sobre as atividades da Rede Globo em paraísos fiscais, o caso ganha uma dimensão mais explosiva. Pode ser, como observou Vianna, uma bomba atômica.
Agora todo mundo sabe que existe, em algum lugar, um relatório oficial da Receita que pode ferir gravemente o maior conglomerado de mídia da América Latina. Ainda não foi revelado a público onde está o processo. Mas todos sabem que está próximo, e farejam seu alto grau de radiotividade.
Jornalistas investigativos bem mais competentes do que este modesto blogueiro já estão em campo. O caso virou também uma guerra de gigantes: a Record, que tem antigas contas a acertar com a Globo, já decidiu usar o caso para detonar a rival, o que é ótimo para o Brasil.
As coincidências do caso Globo com as operações de lavagem de dinheiro registradas na “privataria tucana” sugerem ainda possíveis (e escusas) ligações financeiras entre o poder político à época (governo FHC) e a Globo. Não esqueçamos que a Globo não apenas apoiou o processo de privatização, ela foi uma de suas principais formuladoras e articuladoras políticas.
Quero registrar aqui a enorme quantidade de apoios que tenho recebido. Fernando Brito, do Tijolaço, postou-se à nossa porta armado até os dentes com sua verve feroz e agilidade mental incomparável. Altamiro Borges, presidente do Barão de Itararé, me ligou assim que a coisa explodiu para me dar apoio: “Miguel, se precisar de alguma coisa, grita!”
Felizmente, pude responder ao Miro que não precisava de nada, que tenho um exército poderoso, meus leitores, que divulgam o conteúdo, adquirem títulos-fantasia do blog e fazem assinaturas.
(Pausa para propaganda: Compre títulos-fantasia do Cafezinho (clique aqui), e se torne um investidor em novas mídias!)
Estamos neste pé. Onde foi parar o documento da Receita Federal contendo a investigação completa sobre a Rede Globo? O documento que divulguei foi o único a que tive acesso.
Eu confirmo algumas informações dadas por Rodrigo Vianna:
1) De fato, minha fonte – o “garganta profunda” – afirma que os documentos vazados eram apenas um “aperitivo”. Que a bomba mesmo ainda vai explodir. A movimentação da sociedade e do Congresso será decisiva para exigir, em nome da transparência, que a íntegra destes documentos venha à tôna imediatamente.
2) Os documentos originais, que estranhamente jamais foram digitalizados, sumiram dos arquivos da Receita Federal. Ninguém sabe, ninguém viu. Com o caso estourando em toda parte, funcionários entraram em pânico. Eu tinha essa informação há alguns dias, mas preferi aguardar porque não encontrava um “gancho” jornalístico. Vianna conseguiu uma outra fonte que forneceu informações suplementares sobre as dificuldades financeiras que a Globo enfrentava no momento em que a Receita a flagrou com a boca na botija.
A máxima do jornalismo investigativo manda seguir o rastro do dinheiro, aí incluindo dívidas. O caso envolveria, além de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, crime contra o sistema financeiro e sonegação fiscal, alguma tentativa de suborno para fazer o processo sumir do mapa, até prescrever? A próprio Globo dá a pista ao afirmar, em sua lacônica resposta, que tem débitos sendo “discutidos” junto ao Conselho de Contribuintes, um órgão civil ligado à Receita, que conta com a participação de membros de associações empresariais. Que dívidas da Globo estão sendo discutidas no Conselho de Contribuintes? Quais seus valores? Porque uma empresa de concessão pública tem direito a tanto sigilo? Quem fazia parte do Conselho de Contribuintes na época em que a tal dívida da Globo foi discutida?
A admissão da própria Globo de que tem dívidas na Receita é confirmada na Certidão que acessamos na internet:


Um auditor fiscal mandou um email para nosso blog para afirmar que acha um tanto estranho a Globo ter pago esta dívida sem esgotar as possibilidades de recorrer. Ou seja, pode ser que esta dívida ainda esteja sendo “discutida” no Conselho de Contribuintes.
Assim como o Globo conseguiu pressionar o Supremo Tribunal Federal a julgar às pressas a Ação Penal 470, para que nenhum crime prescrevesse, a sociedade também deve cobrar o Ministério Público, a Polícia Federal e a Receita, para que investigue o caso da sonegação da Globo antes que seus supostos crimes prescrevam. É inacreditável que a Globo continue pressionando o STF a mandar prender Henrique Pizzolato e Genoíno, sem provas (ou antes, com provas inocentando-os!), e saia impune de um crime fiscal para o qual existe uma ampla investigação já pronta, e concluída!
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‘VEJA’ & EIKE BATISTA:Ascensão e queda

09.07.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Por Mauro Malin, na edição 754



Não passou sem registro uma nova modalidade de cinismo em curso no país: o pedido de desculpas segundo os preceitos de La Rochefoucauld, para quem a hipocrisia é um tributo que o vício paga à virtude. No final de maio, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, protagonizou episódio que ilustra a tese: agrediu um cidadão que o insultava e no dia seguinte desculpou-se perante a população da cidade. Pronto.
Alguns detalhes, porém, não foram suficientemente esmiuçados. Paes disse que não estava em atividade pública (um jantar com a esposa e amigos). Mas gozava de segurança pessoal remunerada com dinheiro público, circunstância que, se ele tivesse respeito pela democracia, deveria ter pautado sua conduta. Seus guarda-costas, aliás, informou-se, seguravam o oponente, Bernardo Botkay, quando o prefeito lhe acertou um murro no rosto. Os meios de comunicação se desincumbiram da suíte jornalística com o costumeiro e preguiçoso “o caso foi registrado e será instaurado inquérito”.
Agora, a Veja com data de 10 de julho (edição 2.329) pratica a mesma modalidade de rito sumário a propósito da “Ascensão e queda” (título de sua Carta ao Leitor) do empresário Eike Batista.
Usina ou retífica?
Editoriais valem o que valem. Certa feita, um repórter do Jornal do Brasil fez uma visita à sala dos editorialistas e jocosamente saudou aquela “usina de ideias”. O chefe dos editorialistas, Wilson Figueiredo, retrucou, com a invejável velocidade de pensamento que o caracteriza: “Usina não, meu filho. Retífica de ideias”.
A Carta ao Leitor dessa Veja merece alguns minutos de atenção. Não pela contribuição que terá dado à marcha ciclotímica da civilização brasileira, mas como exemplar dos expedientes com que a grande (tamanho) imprensa tenta engazopar o leitor quando sua consciência (aquela “voz interior que diz que alguém pode estar olhando”, no dizer de H.L. Mencken, traduzido por Ruy Castro) a obriga a “se explicar”.
Antes de tudo, o título não foi dos mais felizes, na medida em que pode fazer algum leitor menos crédulo a pensar na trajetória não de Eike e sim da própria revista. Diga-se, a bem da equanimidade, que a Vejaregistrou em reportagem uma hipótese constrangedora a que não poucos ainda dão crédito para explicar o sucesso do empresário:
“O sucesso empresarial de Eike nunca o livrou de uma história incômoda. Há quem afirme – ele sempre negou – que teria recebido de Eliezer Batista, seu pai e responsável pelo lançamento dos alicerces da Companhia Vale do Rio Doce, um mapa do subsolo brasileiro que serviu de guia a todos os seus investimentos de mineração” (Veja, 18/6/2008, ed. 2.065, “O Mister X da Bolsa”).
O mapa de Eike
A revista, entretanto, não comprou essa versão, de impossível comprovação. Preferiu uma mais simples e igualmente plausível, exposta na sequência:
“O mapa que Eike efetivamente recebeu foi outro: o da enorme rede de influência que Eliezer angariou desde o início dos anos 60, quando foi alçado à presidência da Vale do Rio Doce por Jânio Quadros. A outra herança inegável é a capacidade de convencer investidores do potencial de seus projetos”.
O redator da Carta ao Leitor esquivou-se, como manda a técnica da tergiversação aplicada quase sempre que um jornal ou revista precisa desculpar-se, de colocar o dedo na ferida. Apresenta assim o histórico daVeja: na reportagem “Eike Xiaoping – ‘Enriquecer é glorioso’, com essas palavras [sic] de ordem, Deng Xiaoping deu a largada para a China virar potência”, de 18/1/2012 (edição 2.252), a revista “refletiu uma percepção” de idolatria de Eike pelos “novos milionários brasileiros”.
Não foi bem assim. A reportagem especial se chamava “Eu quero ser Eike” e dava a seguinte explicação para o sucesso do bilionário, então listado na oitava posição dos mais ricos da Terra, com US$ 30 bilhões. Ele havia criado um novo paradigma de magnata porque “veio de baixo, progrediu à própria custa fazendo negócios no Brasil e, sobretudo, não teme ostentar sua fortuna”.
Construtora de percepções
O que é preciso ser dito, com o máximo de clareza possível, jamais fazendo de Eike Batista um vilão solitário e evitando a sarna brasileira de encontrar “culpados”, é que a Veja não “refletiu essa percepção”. Ajudou (poderosamente) a construí-la. Na mesma edição que o fantasiou de revolucionário capitalista chinês, cujo gancho fora o lançamento de ações de empresas de Eike em bolsa, a matéria que abordava especificamente esse ponto tinha este título: “O triunfo do capital privado. Venda de ações da petrolífera de Eike prova que a bolsa de valores tem musculatura para financiar o crescimento do país”.
Agora, na edição que se compraz em chutar Eike caído, sob o título (autorreferido e quase tão néscio quanto o anterior) “Eike ‘Tchau’ Ping”, a revista proclama “O fim da Bolsa Eike”. Com a desenvoltura de sempre, escreve, na já citada edição datada de 10/7:
“O colapso do grupo de Eike Batista revela o custo do apoio bilionário do BNDES às empresas do governo. Eles fazem graça e quem paga a conta são os brasileiros que trabalham cinco meses do ano para custear o Estado perdulário”.
Cabe aplicar à Veja outra definição de consciência, esta séculos mais antiga, de Vauvenargues: “A consciência é a mais mutável das regras”.
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EIKE BATISTA & MÍDIA: Anúncios ardilosos

09.07.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Por Mauro Malin,  na edição 754

Reportagem do O Estado de S. Paulo de domingo (7/7), assinada por Irany Tereza e Mariana Durão, prestou bom serviço aos mostrar que Bolha da OGX foi inflada por 55 anúncios de descobertas de petróleo”. Levantamento feito pelo jornal constatou que a petroleira de Eike Batista fez 105 comunicados ao mercado em dois anos e meio, grande parte deles anunciando descobertas em um mesmo poço; CVM vai investigar ‘conjunto da obra’ e o efeito no preço das ações’.”
De outubro de 2009 a maio de 2012, contabilizaram as repórteres,
“a OGX protagonizou (...) 55 anúncios de descoberta de petróleo ou declarações de comercialidade (jargão que indica, no setor de petróleo, que uma área pesquisada vai virar um campo produtor). A cada comunicado promissor, o mercado reagia imediatamente e a empresa acompanhava os saltos no gráfico de suas ações”.
Esse caso recentíssimo é uma ilustração contundente da maneira como tantos assuntos são processados pelo “embromódromo” oficial brasileiro (verFatos levaram multidões às ruas”). Na mesma página doEstadão, Sérgio Torres analisa a linguagem “da elogiosa autobiografia O X da Questão”, de Eike Batista. E pinça esta pérola: “A OGX tem no seu DNA algo especial que herdou de mim: a vontade de encantar e surpreender”. Sabrina Valle, em outra matéria, diz que “Reguladores, BNDES e grandes bancos privados não viram problemas nas promessas das empresas de Eike”.
Alguma coisa por nada
Essa pequena amostra do que os jornais deram desde a queda do valor de ações de empresas X não depõe contra Eike e sua turma de comunicação. Depõe contra a própria imprensa. E, ao mesmo tempo, contra os leitores que se deixaram embair pela melodia tão atraente. Fizeram-no porque o quiseram.
No livro Tudo faz sentido (It All Adds Up, traduzido em 2001 no Brasil), Saul Bellow relata entrevista que fez com o trambiqueiro-mor de Chicago, Yellow Kid. É uma conversa muito engraçada. A horas tantas, Bellow pergunta a Kid (nascido Joseph Weill; viveu 100 anos): você não tem remorso por ter dado golpe em tanta gente? (Tratava-se de uma operação que prometia retornos espetaculares mediante quantias modestas; o vigarista tinha alugado uma loja com grande visibilidade e contratado recepcionistas muito atraentes.)
Kid respondeu: “Não. Eles queriam levar alguma coisa por nada. Eu dava nada por alguma coisa”.
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GLOBO: MP ACUSOU FUNCIONÁRIA DA RECEITA DE ROUBAR PROCESSO

09.07.2013
Do portal BRASIL247
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