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domingo, 7 de julho de 2013

Dono de rádio do Guarujá usou texto falso de Carlos Chagas; “Minha repulsa integral a esses cretinos”, diz jornalista

07.07.2013
Do blog VI  O MUNDO, 06.07.13
Por Conceição Lemes

No início dessa semana, Clara Gurgel, via Facebook,  nos enviou uma mensagem, denunciando  um fato ocorrido em 25 de junho, no programa Rotativa no Ar, na rádio Guarujá.


“Um verdadeiro discurso panfletário em prol do governo militar”, afirmou Clara. “Um descalabro que abre um precedente muito perigoso.”

Achamos estranho o texto, fui então investigar se ele era mesmo do jornalista ou não.

Com a ajuda do colega Tejota Menezes, da rádio Jovem Pan, onde Chagas até recentemente era comentarista político, enviei-lhe uma mensagem.

Realmente o artigo Os generais-presidentes é de Chagas, mas o final foi modificado. 

Acrescentaram o último parágrafo em que fazem referências indiretas ao ex-presidente Lula, numa comparação com os ditadores que torturaram, mataram, exilaram e censuraram:

“Nenhum deles mandou fazer um filme pseudo-biográfico, pago com dinheiro público, de auto-exaltação e culto da própria personalidade. Nenhum deles usou dinheiro público para fazer parque homenageando a própria mãe. Nenhum deles usou o Hospital Sírio Libanês. Nenhum deles comprou avião de luxo no Exterior. Nenhum deles enviou nosso dinheiro para ajudar outro país. Nenhum deles saiu de Brasília ao fim do mandato acompanhado por 11 caminhões lotados de toda espécie de móveis e objetos roubados. Nenhum deles exaltou a ignorância, nenhum deles falava errado. Nenhum deles apareceu embriagado em público. Nenhum deles urinou em público. Nenhum deles passou a apoiar notórios desonestos depois de tê-los chamado de ladrões”.

Segue a nota do jornalista.


Para ouvir o texto e o acréscimo como foram lidos na emissora, clique abaixo:


Texto original, conforme o jornalista (na internet circulam várias versões com uma série de acréscimos, entre as quais uma com referência ao filho de Lula):

OS GENERAIS PRESIDENTES

Carlos Chagas

Erros foram praticados durante o regime militar, eram tempos difíceis. Claro que no reverso da medalha foi promovida ampla modernização de nossas estruturas materiais. Fica para o historiador do futuro emitir a sentença para aqueles tempos bicudos.

Mas uma evidência salta aos olhos.

Quando Castelo Branco morreu num desastre de avião, verificaram os herdeiros que seu patrimônio limitava-se a um apartamento em Ipanema e umas poucas ações de empresas públicas e privadas.

Costa e Silva, acometido por um derrame cerebral, recebeu de favor o privilégio de permanecer até o desenlace no palácio das Laranjeiras, deixando para a viúva a pensão de marechal e um apartamento em construção, em Copacabana.

Garrastazu Médici dispunha, como herança de família, de uma fazenda de gado em Bagé, mas quando adoeceu, precisou ser tratado no Hospital da Aeronáutica, no Galeão.

Ernesto Geisel, antes de assumir a presidência da República, comprou o Sítio dos Cinamonos, em Teresópolis, que a filha vendeu para poder manter-se no apartamento de três quartos e sala, no Rio.

João Figueiredo, depois de deixar o poder, não aguentou as despesas do Sítio do Dragão, em Petrópolis, vendendo primeiro os cavalos e depois a propriedade.

Sua viúva, recentemente falecida, deixou um apartamento em São Conrado que os filhos depois colocaram à venda, ao que parece em estado lamentável de conservação.

Não é nada, não é nada, mas os cinco generais-presidentes até podem ter cometido erros, mas não se meteram em negócios, não enriqueceram, nem receberam benesses de empreiteiras beneficiadas durante seus governos. Sequer criaram institutos destinados a preservar seus documentos ou agenciar contratos para consultorias e palestras regiamente remuneradas.

Bem diferente dos tempos atuais, não é?

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Leia também:

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PROTESTO NA PORTA DA REDE GLOBO NO RIO CRITICOU CONCENTRAÇÃO DA MÍDIA

07.07.2013
Do portal FAZENDO MEDIA, 04.07.13
Por Eduardo Sá
"A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura – e ainda apoia!”, foi um dos gritos de ordem durante o protesto. Foto: Facebook.
“A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura – e ainda apoia!”, foi um dos gritos de ordem durante o protesto. Foto: Facebook.
A conscientização que vem crescendo nas mídias sociais em relação aos meios de comunicação não foi suficiente para levar muitos manifestantes para a sede da Rede Globo, no Rio de Janeiro. Apenas cerca de 150 pessoas, dentre elas estudantes, professores, sindicalistas e movimentos sociais, foram na noite de ontem (03) protestar contra a emissora. Os manifestantes lacraram de forma simbólica sua sede, no Jardim Botânico, fazendo uma crítica ao fechamento de milhares de rádios comunitárias no país. Uma das pautas do movimento é a apuração da recente denúncia de suposta sonegação fiscal da empresa à Receita Federal. O ato foi pacífico, e contou com a presença de aproximadamente 30 policiais.
O protesto ocorreu num momento em que centenas de cartazes e bandeiras contra a mídia foram levadas às ruas em todas as manifestações nas últimas semanas no Brasil. Carros de alguns jornais foram incendiados, e jornalistas, principalmente da Rede Globo, inclusive em coberturas fora do país, impedidos de gravar durante as manifestações. Na internet cresce o interesse da população pelos meios alternativos e a insatisfação quanto à credibilidade da informação dos veículos tradicionais. Foi anunciada ao final do ato a participação de 6 mil internautas na transmissão online.
Movimento luta pela democratização da mídia. Foto: Facebook.
Movimento luta pela democratização da mídia. Foto: Facebook.
Participantes defenderam que só é possível fechar as rádios comunitárias graças à ajuda ideológica da empresa, que criminaliza os pequenos projetos de comunicação. O atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, também foi muito criticado. Outro destaque foi a perseguição sofrida por alguns blogueiros independentes que, por fazerem denúncias sobre grupos ou pessoas poderosas, estão sendo submetidos a processos que exigem valores tão altos em dinheiro que inviabilizam seus projetos. “Muitos são criminalizados não porque inventaram mentiras, mas sim por denunciarem verdades”, afirmou uma manifestante.
De acordo com Orlando Guilhon, da Coordenação Executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), a luta pela liberdade de expressão e o direito a comunicação é antiga e hoje está focada na necessidade de uma nova legislação para a comunicação brasileira. O movimento, segundo ele, acumulou forças ao longo de 25 anos e luta por um novo marco regulatório.
“Estamos dando o nome de Lei da Mídia Democrática ao que a gente quer. A manifestação ocorreu na porta Globo porque há todo um simbolismo, em nenhum outro país do mundo a concentração dos meios de comunicação é tão forte quanto no Brasil. É impressionante essa coisa de 7 ou 8 famílias dominarem, e a Globo historicamente sempre se sobressaiu nesse oligopólio, a gente é contra uma política de comunicação que se expressa através dessa empresa que é oligopólica mas se expressa também pela Record, SBT, Band, etc”, ressaltou.
"Globo fascista, sensacionalista!”, foi outro grito dos manifestantes. Foto: FAcebook.
“Globo fascista, sensacionalista!”, foi outro grito dos manifestantes. Foto: FAcebook.
Essas empresas, ainda na opinião de Guilhon, dominam meios de televisão aberta e fechada, rádios, mídia impressa, como a Globo, com jornais e revistas, configurando a chamada propriedade cruzada. Apesar de proibida em vários países e na nossa constituição, até hoje isso não foi regulamentado, complementou. “Há um sentimento um pouco contraditório na base da população: por um lado admira aspectos técnicos da Globo, e ao mesmo tempo há o sentimento de rejeição, uma percepção sútil sobre a manipulação da informação e o discurso único. Isso precisa se espalhar na população e ganhar forças e as ruas, como foi na Argentina, Bolívia e Equador, onde novas legislações estão sendo ou foram aprovadas democratizando o espectro eletromagnético”, concluiu.
Luciano, estudante de economia da UFRJ, destacou que é necessário atacar também o “poderio econômico que sequestra a política”. Nesse sentido, ele defendeu que é preciso se organizar para deixar de ouvir os poderosos. “A internet está vindo para isso. Esse sistema é a base ideológica deles, mas o povo está acordando”, afirmou.
Nos últimos anos foram realizadas conferências municipais e estaduais, que culminaram na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, em 2009. A população participou no processo, dezenas de propostas foram sistematizadas coletivamente e não houve nenhum avanço. Mudou o Ministro das Comunicações, as pautas ficaram na gaveta e todo o processo foi ignorado. A presidente Dilma Rousseff afirmou que está atenta às vozes que vêm das ruas, mas ainda não tocou na questão dos meios de comunicação.
Possível sonegação da Globo
Processo que investiga a fraude da Globo no site da REceita. Foto: Pragmatismo Político.
Processo que investiga a fraude da Globo no site da REceita Federal. Foto: Pragmatismo Político.
O blogueiro Miguel Rosário, em seu “O Cafezinho”, denunciou as Organizações Globo por sonegação de R$ 183,14 milhões, em valores não atualizados, em relação aos direitos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo de 2002. A empresa, segundo a reportagem, disfarçou a compra como investimentos em participação societária no exterior. Somando juros e multa, ainda de acordo com a reportagem, o valor pode chegar a R$ 615 milhões.
Diante da denúncia, as Organizações Globo publicaram, em seu portal G1, uma nota negando a dívida com a Receita. Veja a íntegra: “Ao contrário do que vem sendo divulgado por alguns sites, as Organizações Globo não têm qualquer dívida em aberto com a Receita Federal ou outros entes arrecadadores de tributos. Como ocorre em qualquer grande empresa, há cobranças de tributos sendo discutidas nos Conselhos de Contribuintes (via administrativa) ou na Justiça (sempre seguindo os procedimentos previstos em lei). No entanto, podemos afirmar que nenhuma dessas cobranças refere-se à aquisição de direitos de Copas do Mundo. Como já informado, os valores relativos a tal cobrança já foram pagos. Quanto à publicação de documentos confidenciais, protegidos por sigilo legal, acreditamos que o assunto será apurado pelos órgãos competentes”.
O blogueiro desafia a emissora a mostrar o DARF (recibo) do pagamento, o que ainda não foi apresentado pela empresa. Participantes do protesto na sede da Rede Globo o fato de as grandes empresas jornalísticas apresentarem documentos sigilosos como furos de reportagem, ao contrário do que está acontecendo com o blogueiro sendo criminalizado. Informaram ainda que protocolaram no Ministério Público Estadual um pedido de apuração da possível fraude da Globo contra o sistema financeiro e desvio de dinheiro público.
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Recordar é viver:Gilmar Mendes arquiva ações em que José Serra foi condenado a devolver R$ 200 milhões a União

07.07.2013
Do blog TERROR DO NORDESTE

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, arquivou duas ações de reparação de danos por improbidade administrativa ajuizadas pelo Ministério Público Federal contra os ex-ministros da Fazenda Pedro Malan e do Planejamento, Orçamento e Gestão José Serra e da Casa Civil Pedro Parente, além de ex-presidentes e diretores do Banco Central.

As ações questionavam assistência financeira no valor de R$ 2,9 bilhões pelo Banco Central ao Banco Econômico S.A., em dezembro de 1994, assim como outros atos decorrentes da criação, pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer).

A decisão foi tomada por Gilmar Mendes no último dia 22 na Reclamação 2.186, em que os ex-ministros do governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso apontavam a usurpação da competência do STF pelos dois juízos federais em Brasília, onde as ações foram ajuizadas.

A defesa dos ministros se fundamentou no artigo 102, inciso I, letra C, da Constituição Federal, segundo o qual cabe ao STF processar e julgar, originariamente, os ministros de Estado, “nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade”.

A primeira ação, ajuizada na 22ª Vara Federal de Brasília sob o número 95.00.20884-9, ainda não havia sido julgada. Nela, o MPF pedia a condenação dos ex-ministros ao ressarcimento ao erário das verbas alocadas para pagamento de correntistas de bancos que sofreram intervenção na gestão deles (Econômico e Bamerindus), bem como à perda dos direitos políticos.

Na segunda ação, protocolada sob o número 96.00.01079-0 — que envolvia, além de Malan e Serra, Pedro Parente relativamente a período em que foi ministro interino da Fazenda, assim como os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Loyola, Francisco Lopes e Gustavo Franco, e ex-diretores do BC —, o juiz da 20ª Vara Federal do Distrito Federal julgou o pedido do MPF parcialmente procedente.

Ele condenou os ex-ministros a devolverem ao erário “verbas alocadas para o pagamento dos correntistas dos bancos sob intervenção”. Porém, não acolheu o pedido de perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, bem como de pagamento de multa civil e de proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente. Para o juiz, não ficou provado “que os réus, por estes atos, acresceram os valores atacados, ou parte deles, a seus patrimônios”.

Ao determinar o arquivamento dos dois processos, o ministro Gilmar Mendes observou que, conforme decisão tomada pelo STF no julgamento da Reclamação 2.138, a Corte deixou claro que os atos de improbidade descritos na Lei 8.429/1992 (dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional) “constituem autênticos crimes de responsabilidade", contendo, “além de forte conteúdo penal, a feição de autêntico mecanismo de responsabilização política”.

Entretanto, segundo Gilmar Mendes, em se tratando de ministros de Estado, “é necessário enfatizar que os efeitos de tais sanções em muito ultrapassam o interesse individual dos ministros envolvidos”. Nesse sentido, ele chamou atenção para o valor da condenação imposta aos ex-ministros e ex-dirigentes do BC pelo juiz da 20ª Vara Federal do DF, de quase R$ 3 bilhões, salientando que este valor, “dividido entre os 10 réus, faz presumir condenação individual de quase R$ 300 milhões”. Segundo ele, “estes dados, por si mesmos, demonstram o absurdo do que se está a discutir”.

Gilmar Mendes observou, ainda, que esses valores “são tão estratosféricos” que, na sentença condenatória, os honorários advocatícios foram arbitrados em mais de R$ 200 milhões, sendo reduzidos pela metade, ou seja, quantia em torno de R$ 100 milhões.

Portanto, conforme o ministro Gilmar Mendes, os ministros de Estado não se sujeitam à disciplina de responsabilização de que trata a Lei 8.429/1992, mas sim à da Lei 1.079/50, que define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento. E este julgamento, em grau originário, é de exclusiva competência do STF. Assim, à época em que os reclamantes eram ministros de Estado, não se sujeitavam à Lei 8.429/1992, pela qual foram processados e condenados.

Curioso é que o MPF recorreu dessa decisão e até agora,  passados quase 6 anos, o recurso ainda não foi julgado.

Rcl 2.186

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STF recebe ações penais contra 21 réus da Operação Voucher

07.07.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Débora Zampier
Brasília – O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu, pouco antes do fim do semestre, quatro ações penais relativas àOperação Voucher, da Polícia Federal, que apurou esquema de desvio de dinheiro no Ministério do Turismo. Os processos tramitavam na Justiça Federal do Amapá desde 2011, e, agora, ficarão sob responsabilidade do ministro Gilmar Mendes. 

Os processos chegaram à Corte depois que o ex-secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Colbert Martins, tomou posse como deputado federal. Desde janeiro de 2011, o suplente ocupa a vaga de Maurício Trindade (PR-BA), que assumiu a Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza de Salvador.
A decisão da justiça federal paraense que encaminhou os processos ao STF é de abril, mas as ações penais chegaram à Corte apenas no final de junho. Os processos foram distribuídos para Gilmar Mendes porque ele já é o relator de inquérito relativo à Operação Voucher nos fatos que envolvem a deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP).
Nas quatro ações penais apenas um dos 21 réus tem prerrogativa de foro. De acordo com o Ministério Público Federal do Amapá, caberá ao STF decidir se mantém um julgamento único, como ocorreu no caso do mensalão, ou se divide o processo e devolve os réus que não são parlamentares para julgamento em primeira instância.
Edição: Marcos Chagas
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Ramonet: Serviços de espionagem já controlam a internet

07.07.2013
Do blog VI O MUNDO, 

Ignacio Ramonet*: ‘Somos todos vigiados’

Snowden, Manning e Assange são defensores da liberdade de expressão, lutam em favor da democracia e dos interesses de todos os cidadãos do planeta. Hoje são assediados e perseguidos pelo “Grande Irmão” norte-americano. Por que os três heróis do nosso tempo assumiram correr semelhante riscos, que podem custar a sua própria vida?

Nós já temíamos [1].

Tanto a literatura (1984, de George Orwell), como o cinema (Minority Report, de Steven Spielberg) haviam avisado: com o progresso da tecnologia da comunicação, todos acabaríamos por ser vigiados. Presumimos que essa violação de nossa privacidade seria exercida por um Estado neototalitário.

Aí nos equivocamos. Porque as revelações inéditas do ex-agente Edward Snowden sobre a vigilância orwelliana acusam diretamente os Estados Unidos, país considerado como “pátria da liberdade”. Aparentemente, desde a promulgação, em 2001, da lei Patriot Act [2], isso ficou no passado.

O próprio presidente Barack Obama acaba de admitir: “Não se pode ter 100% de segurança e 100% de privacidade”. Bem-vindos, portanto à era do “Grande Irmão”…

O que revelou Snowden? Este antigo assistente técnico da CIA, de 29 anos, que trabalhava para uma empresa privada – a Booz Allen Hamilton [3] – subcontratada pela Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, sua sigla em inglês), revelou aos jornais The Guardian e Washington Post a existência de programas secretos que tornam o governo dos Estados Unidos capaz de vigiar a comunicação de milhões de cidadãos.

Um primeiro programa entrou em operação em 2006. Consiste em espiar todas as chamadas telefônicas feitas pela companhia Verizon, dentro dos Estados Unidos, e as que se fazem de lá para o exterior.

Outro programa, chamado PRISM, foi posto em marcha em 2008. Coleta todos os dados enviados pela internet (e-mails, fotos, vídeos, chats, redes sociais, cartões de crédito), por (em princípio…) estrangeiros que moram fora do território norte-americano.

Ambos os programas foram aprovados em segredo pelo Congresso norte-americano, que teria sido, segundo Barack Obama, “constantemente informado” sobre o seu desenvolvimento.

Sobre a dimensão da incrível violação dos nossos direitos civis e das nossas comunicações, a imprensa deu detalhes escabrosos. Em 5 de junho, por exemplo, o Guardian publicou a ordem emitida pela Tribunal de Supervisão de Inteligência Externa que exigia à companhia telefônica Verizon entregar à NSA os registos de milhões de chamada dos seus clientes.

O mandado não autoriza, aparentemente, saber o conteúdo das comunicações, nem os titulares dos números de telefone, mas permite o controle da duração e o destino dessas chamadas.

No dia seguinte, o Guardian e o Washington Post revelaram a realidade do programa secreto de vigilância PRISM, que autoriza a NSA e o FBI acesso aos servidores das nove principais empresas da internet (com a notável exceção do Twitter): Microsoft, Yahoo, Google, Facebook [4], PalTalk, AOL, Skype, YouTube e Apple.

Por meio dessa violação, o governo dos EUA pode aceder a arquivos, áudios, vídeos, e-mails e fotografias de usuários dessas plataformas.

O PRISM converteu-se, desse modo, na ferramenta mais útil da NSA para fornecer relatórios diários ao presidente Obama.

Em 7 de junho, os mesmo jornais publicaram uma diretiva da Casa Branca que ordenava às suas agências (NSA, CIA, FBI) estabelecer uma lista de possíveis países suscetíveis de serem “ciberatacados” por Washington.

E em 8 de junho, o Guardian revelou a existência de outro programa, que permite à NSA classificar os dados recolhidos na rede. Esta prática, orientada à ciberespionagem no exterior, permitiu compilar – só em março – cerca de 3 bilhões de dados de computador nos Estados Unidos…

Nas últimas semanas, ambos os jornais conseguiram revelar, sempre graças a Edward Snowden, novos programas de ciberespionagem e vigilância da comunicação em países no resto do mundo. Edward Snowden explica que “a NSA construiu uma infraestrutura que lhe permite interceptar praticamente qualquer tipo de comunicação. Com esta técnica, a maioria das comunicações humanas são armazenadas para servir em algum momento a um objetivo determinado”.

A NSA, cujo quartel-general fica em Fort Meade (Maryland), é a mais importante e mais desconhecida agência de informações norte-americana. É tão secreta que a maioria dos norte-americanos ignora a sua existência. Controla a maior parte do orçamento destinado aos serviços de informações e produz mais de cinquenta toneladas de material por dia.

É ela – e não a CIA – a proprietária e operadora da maior parte do sistema de coleta de dados dos serviços secretos dos EUA.

Desde uma rede mundial de satélites até as dezenas de postos de escuta, milhares de computadores e as florestas de antenas localizadas nas colinas de West Virginia.

Uma das suas especialidades é espiar os espiões — ou seja, os serviços secretos de todas as potências, amigas e inimigas.

Durante a guerra das Malvinas (1982), por exemplo, a NSA decifrou o código secreto dos serviços de espionagem argentinos, o que lhe permitiu transmitir aos britânicos informações cruciais sobre as forças argentinas.

O vasto sistema da NSA pode captar discretamente qualquer e-mail, qualquer consulta de internet ou telefonema internacional. O conjunto total da comunicação interceptada e decifrada pela NSA constitui a principal fonte de informação clandestina do governo dos EUA.

A NSA colabora estreitamente com o misterioso sistema Echelon. Criado em segredo, depois da Segunda Guerra Mundial, por cinco potências anglo-saxônicas — Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia (os “cinco olhos”), o Echelon é um sistema orwelliano de vigilância global que se estende por todo o mundo, monitoriza os satélites usados para transmitir a maioria dos telefonemas, comunicação na internet, e-mails, redes sociais etc.

O Echelon é capaz de capturar até dois milhões de conversas por minuto. A sua missão clandestina é a espionagem de governos, partidos políticos, organizações e empresas. Seis bases espalhadas pelo mundo recolhem informações e desviam de forma indiscriminada enormes quantidades de comunicação.

Em seguida, os super-computadores da NSA classificam este material, por meio da introdução de palavras-chaves em vários idiomas.

Em torno do Echelon, os serviços de espionagem dos EUA e do Reino Unido estabeleceram uma larga colaboração secreta. E agora sabemos, graças às novas revelações de Edward Snowden, que a espionagem britânica também intercepta clandestinamente cabos de fibra ótica, o que lhe permitiu espionar as comunicações das delegações presentes na reunião de cúpula do G-20, em Londres, em abril de 2009. Sem distinguir entre amigos e inimigos [5].

Por meio do programa Tempora, os serviços britânicos não hesitam em armazenar enormes quantidades de informação obtidas ilegalmente. Por exemplo, em 2012, manejaram cerca de 600 milhões de “conexões telefônicas” por dia e puseram sob escuta, em perfeita ilegalidade, mais de 200 cabos…

Cada cabo transporta 10 gigabites [6] por segundo. Em teoria, poderia processar 21 petabytes [7] por dia; equivalente a toda a informação da Biblioteca Britânica, enviada 192 vezes ao dia.

O serviços de espionagem constatam que a internet já tem mais de 2 bilhões de utilizadores no mundo e que quase um bilhão utiliza o Facebook de forma habitual. Por isso, fixaram como objetivo, transgredindo leis e princípios éticos, controlar tudo o que circula na internet. E estão a conseguir: “Estamos a começar a dominar a internet”, confessou um espião inglês, “e a nossa capacidade atual é bastante impressionante”.

Para melhorar ainda mais esse conhecimento sobre a internet, o Quartel-Geral de Comunicações do Governo [Government Communications Headquarters, ou GCHQ, a agência de espionagem britânica] lançou recentemente novos programas: Mastering The Internet (MTI) sobre como dominar a Internet, e Programa de Modernização da Intercetação [Interception Modernisation Programme] para uma exploração orwelliana das telecomunicações globais.

Segundo Edward Snowden, Londres e Washington já acumulam, diariamente, uma quantidade astronômica de dados, interceptados clandestinamente através das redes mundiais de fibra ótica. Ambos países dispõem de um total de 550 especialistas para analisar essa titânica informação.

Com a ajuda da NSA, a GCHQ aproveita-se de que grande parte dos cabos de fibra ótica por onde trafegam as telecomunicações planetárias passam pelo Reino Unido. Este fluxo é interceptado com programas sofisticados de informática. Em síntese, milhões de telefonemas, mensagens eletrônicas e dados sobre visitas na internet são armazenados sem que os cidadãos saibam, a pretexto de reforçar a segurança e combater o terrorismo e o crime organizado.

Washington e Londres colocaram em marcha o plano orwelliano do “Grande Irmão”, com capacidade de saber tudo que fazemos e dizemos nas nossas comunicações. E quando o presidente Obama menciona a suposta “legitimidade” de tais práticas de violação de privacidade, está a defender o injustificável.

Além disso, há de se lembrar que, por interceptarem informação sobre perigosos grupos terroristas com base na Flórida – ou seja, uma missão que, segundo a lógica do presidente Obama seria “perfeitamente legitima” — cinco cubanos foram detidos em 1998 e condenados [8] pela Justiça dos EUA a largas e imerecidas penas de prisão [9].

O presidente Barack Obama está a abusar do seu poder e a diminuir a liberdade de todos os cidadãos do mundo. “Eu não quero viver numa sociedade que permite este tipo de ação”, protestou Edward Snowden, quando decidiu fazer as suas revelações.

Divulgou os fatos e, não por acaso, exatamente quando começou o julgamento do soldado Bradley Manning, acusado de promover a fuga de segredos da Wikileaks, organização internacional que divulga informações secretas de fontes anônimas.

Enquanto isso, o ciberativista Julian Assange está refugiado há um ano na Embaixada do Equador em Londres…

Snowden, Manning e Assange são defensores da liberdade de expressão, lutam em favor da democracia e dos interesses de todos os cidadãos do planeta. Hoje são assediados e perseguidos pelo “Grande Irmão” norte-americano [10].

Por que os três heróis do nosso tempo assumiram correr semelhante riscos, que podem custar a sua própria vida? Edward Snowden, obrigado a pedir asilo político no Equador e em vinte países, responde: “Quando se dá conta de que o mundo que ajudou a criar será pior para as próximas gerações, e que os poderes desta arquitetura de opressão se estendem, você entende que é preciso aceitar qualquer risco. Sem se preocupar com as consequências”.

NOTAS:

1 Ver, de Ignacio Ramonet, “Vigilância absoluta”, na Biblioteca Diplô, agosto de 2003.



2 Proposta pelo presidente George W. Bush e adotada no contexto emocional que se seguiu aos ataques de 11 de setembro de 2001, a lei “Patriot Act” autoriza controles que interferem com a vida privada, suprimem o sigilo da correspondência e liberdade de informação. Não requer a permissão para escutas telefónicas. E os investigadores podem aceder a informações pessoais dos cidadãos sem mandado.

3 Em 2012, a empresa faturou 1.300 milhões para “missões de assistência de informação.”



4 Recentemente, soube-se que Max Kelly, chefe de segurança no Facebook, encarregado de proteger as informações pessoais dos usuários da rede social contra ataques externos, deixou a empresa em 2010 e foi contratado… pela NSA.

5 Espiar diplomatas estrangeiros é legal no Reino Unido: protegido por uma lei aprovada pelos conservadores britânicos, em 1994, que coloca o interesse económico nacional acima da diplomacia.

6 O byte é uma unidade de informação em computação. Um gigabyte é uma unidade de armazenamento cujo símbolo é GB, igual a mil milhões de bytes, o equivalentes a uma van repleta de páginas de texto.



7 Um petabyte (PT) é igual a um quatrilhão de bytes — ou um milhão de gigabyte.

8 A missão dos cinco Antonio Guerrero, Fernando González, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e René González, era infiltrar-se e observar o processo de grupos de exilados cubanos para evitar atos de terrorismo contra Cuba. Porém o juiz condenou eles à prisão perpétua, disse a Amnistia Internacional num comunicado que “durante o julgamento não mostrou qualquer prova de que os acusados tinham informações classificadas realmente tratado ou transmitida.”



9 Ler de Fernando Morais, Os últimos soldados da guerra fria, Companhia das Letras.

10 Edward Snowden corre o risco de ser condenado a trinta anos de prisão após ter sido formalmente acusado pelo governo dos EUA de “espionagem”, “roubo” e “uso ilegal de propriedade do governo.”



*Ignacio Ramonet é jornalista. Foi diretor do Le Monde Diplomatique entre 1990 e 2008.

Tradução de Cauê Ameni para o Outras Palavras

Leia também:

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TRANSPORTE PÚBLICO: Que língua eles falam?

07.07.2013
Do portal do DIARIO DE PERNAMBUCO
VIDA URBANA

 (JULIO JACOBINA/DA/D.A PRESS)
O recifense teve uma semana dura. Desde as primeiras horas da segunda-feira, a cidade ficou vazia, sem ônibus. O que, no início, parecia uma luta legítima pela melhoria da qualidade do serviço, dos salários e das condições de trabalho, foi se revelando como uma briga política e econômica envolvendo empregados, sindicalistas, patrões e governo. No olho do furacão, estava o usuário do transporte público confuso, a pé e cansado de uma peleja que, cada vez mais, distanciava-se do interesse coletivo. Afinal, se o que se deseja é um serviço digno e tarifas coerentes, por que, então, não estamos falando a mesma língua?

No sistema de transporte público do Recife e das grandes cidades brasileiras, há muitas questões que precisam ser esclarecidas. Uma delas é saber o porquê de o usuário, até hoje, carregar nas costas todo um sistema, sem nenhum apoio do setor produtivo ou do estado para subsidiar as passagens. Será que poderíamos pagar menos por esse serviço? 

Como se chega ao valor da tarifa hoje? Na Região Metropolitana do Recife, nunca foi feita uma licitação para selecionar, de forma transparente, as empresas que têm o direito de operar esse serviço. Na primeira vez que o estado tentou, no início do ano, nenhum candidato apareceu. A quem interessa manter a atual disposição das peças no tabuleiro?

Como todos já perceberam, a sociedade acordou e as travas das caixas-pretas começam a ser rompidas. E essa deve ser a próxima. O Ministério Público, em todo o país, já anunciou que vai investigar as contas do sistema. Vamos descobrir, então, que língua eles falam e começar a impor a nossa.
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Golpe suspende projeto de Mursi de levar Bolsa Família ao Egito

07.07.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

O recente projeto de levar programas sociais brasileiros, como o Bolsa Família, foi interrompido

A cooperação, assinada durante a visita do então presidente Mohammed Mursi ao Brasil, em maio passado, foi interrompida, menos de dois meses depois, pela abrupta queda do líder egípcio, seu principal entusiasta. 

Com o golpe militar que tirou Mursi do poder, ficam suspensos também projetos de cooperação comercial, e empresários acompanham com atenção a evolução política no Egito --segundo principal mercado do Brasil no Oriente Médio, atrás apenas da Arábia Saudita. 

"Vamos ter que esperar até que o Egito e o seu povo tenham tempo para um rearranjo institucional, que a gente espera ser democrático. No momento, esse é um processo muito complicado e extremamente nebuloso para que se tomem decisões de política exterior", afirma o enviado do Brasil para o Oriente Médio, Cesário Melantonio Neto. 

O memorando assinado em maio previa o intercâmbio de técnicos para compartilhar a metodologia dos programas brasileiros. O processo foi abortado antes mesmo de começar. 

"Neste momento, fica difícil levar adiante coisas concretas, porque não se sabe quem vai ser o interlocutor do outro lado", observa o porta-voz do Itamaraty, Tovar Nunes. 

Na visita ao Brasil, Mursi manifestou um especial interesse no funcionamento do Bolsa Família.
O Egito enfrenta atualmente um desemprego de mais de 13% e a faixa da população abaixo da linha de pobreza supera os 25%. 

O programa,  teria de ser reajustado para atender às demandas e às características do país.
O governo brasileiro, contudo, diz acreditar que o "conteúdo da cooperação" vai interessar a qualquer governo democrático que venha a ascender no Egito pós-Mursi. 

"Muitos partidos do Egito têm grande interesse no Brasil. Os acordos permanecem, já estão assinados, apesar de ainda ser muito cedo para saber o que vai acontecer adiante", diz o embaixador do Brasil no Cairo, Marco Antônio Brandão. 

Também foi suspensa a missão de empresários brasileiros ao Egito anunciada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) durante encontro com Mursi, em maio, e prevista para ocorrer no segundo semestre. 

Segundo Rubens Barbosa, presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp, não houve nem sequer tempo de fazer as reuniões para definir as áreas de interesse das empresas brasileiras
"Seria uma missão mais objetiva, muito centrada no interesse das empresas aqui. Mas, em vista do que está acontecendo, realmente não há clima", afirma. 

Mais de 90% do fluxo comercial de US$ 3 bilhões entre os dois países é representado por exportações brasileiras --em sua maioria carnes, milho, açúcar e minério de ferro.
Grandes empresas brasileiras, como Marcopolo, Camargo Corrêa --ambas com fábricas no país-- e Randon já estão instaladas no Egito, mas Mursi, durante a visita, pediu mais investimentos em indústria, defesa e turismo. 

Além de reafirmar o interesse expressado por Mursi, contudo, caberá ao novo governo do Egito oferecer ainda mais atrativos diante da instabilidade política.Com informações da Folha
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'VOO DAS BABÁS' FAZ DE CABRAL SÍMBOLO DA CRISE

07.07.2013
Do portal BRASIL247, 06.07.13
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A HISTÓRIA DO FEISCISMO BRASILEIRO

07.07.2013
Do blog CONVERSA AFIADA

Rogerio Mattos Costa analisa a repetida intervenção dos “anônimos” que todo mundo sabe quem são


O Conversa Afiada reproduz texto de Rogerio Mattos Costa: 



A HISTORIA E O FASCÍNIO DO FEICEISMO DO “ANONYMOUS”, O NOVO PARTIDO ÚNICO DA DIREITA, DIRIGIDO DE LONDRES.


Rogerio Mattos Costa, de Madrid



História breve do Brasil, – da Ditadura ao “Feicismo” – ,  dedicada aos jovens que estão nas ruas fazendo o país avançar, mas que não querem ser usados pela CIA para fazer o Brasil voltar atrás.


1.      Nos anos 50, eles se agrupavam num partido chamado UDN, que defendia sempre os interesses dos Estados Unidos no Brasil, a ponto de seu presidente, o tristemente célebre deputado Mangabeira, quando na presidência do Congresso Nacional ter beijado a mão do General americano Dwight Eisenhouwer candidato a presidente daquele país, como se pode ver nessa foto.

2.      Sempre derrotados pelos trabalhistas, chefiados primeiro por Vargas e depois por Brizola e Juscelino em 1959 eles chegam à conclusão que precisariam deixar de parecer partido das elites e tinham que conseguir um candidato que parecesse ser do povo se quisessem ganhar as eleições presidenciais.

3.      Em 1960, finalmente, eles tinham vencido uma eleição para presidente, tendo como candidato Jânio Quadros, um candidato que, nos comícios, comia na frente do microfone um grande sanduiche de mortadela para parecer popular e usava uma vassoura na mão como símbolo de que iria acabar com a corrupção.



4.      Mas seu presidente, Jânio Quadros, renunciou seis meses depois de tomar posse. Eles e os militares queriam impedir que o vice tomasse posse, que na época era eleito em separado, João Goulart, também um trabalhista.

5.      Em 1962 e 1963 eles tentaram por três vezes, sem sucesso, aplicar um novo golpe de estado. Seu chefe era Carlos Lacerda, jornalista financiado pela Agencia Central de Inteligência, a CIA, que teve um papel chave na deposição e morte de Getúlio Vargas em 1954.

1.      Aproveitando-se da grande religiosidade do povo, eles criaram programas religiosos nas principais rádios do Brasil, nos quais pretensos padres americanos, na verdade agentes da CIA infiltrados na igreja católica, chefiados por Patrick Peiton, diziam que a “Virgem Maria os havia enviado ao Brasil para salvar o país de vocês do comunismo.”

2.      Finalmente, aliados a alguns generais brasileiros e chefiados por Lacerda, então governador da Guanabara e pelo embaixador americano Lincoln Gordon, em 1º de Abril de 1964, elesderrubaram, com o total apoio dos seus veículos de comunicação, não apenas o presidente trabalhista, João Goulart, mas o regime democrático.

3.      Entre outros “crimes”, eles acusavam Goulart de defender a reforma agrária e principalmente por ter aumentado em 100% o salário mínimo, congelado por oito anos, o que era um sinal de que o presidente eleito “queria implantar o comunismo no Brasil”.

4.      Com seus rádios e TVs, num mesmo dia, eles convocaram uma “Marcha com Deus pela Democracia”, que levou às ruas dezenas de milhares de pessoas, principalmente da classe média, para “pedir a intervenção dos militares”. Tal como ocorre hoje em dia no Egito, no Brasil, na Turquia, através do “Facebook”.

5.      Para dar o golpe, eles e os generais revoltosos cometeram vários crimes. Entre eles o principal, de traição de sua pátria, conspirando contra seu próprio governo, dentro da embaixada americana no Rio de Janeiro, planejando o golpe com a ajuda de generais estadunidenses, chefiados por Vernon Walters, que era da CIA.

6.      Para perpetrar o golpe, eles contaram com a ajuda do porta-aviões, dos navios e dos bombardeiros da Sétima Frota da Marinha dos Estados Unidos, deslocada do Caribe para dar apoio militar aos generais que traíram seus próprios camaradas de armas, como provam estas gravações entre o presidente estadunidense Lyndon Johnson e seus auxiliares.

7.      Caso o golpe não tivesse sucesso, o comando da Sétima Frota recebeu, dos generais brasileiros aliados dos golpistas, as informações precisas sobre onde atacar as tropas que permanecessem leais ao presidente eleito.

8.      Por meio de mapas e fotos aéreas, os golpistas apontaram aos militares americanos, onde estavam os quartéis dos nossos soldados, nossas baterias anti-aéreas e de artilharia de costa, cometendo assim um autêntico ato de traição à pátria.

9.      Eles apontaram ainda como alvos principais que precisavam ser destruídos para minar a resistência do governo, a Refinaria Duque de Caxias da Petrobrás, a Usina Siderúrgica Nacional e a Fábrica Nacional de Motores, empresas estatais contra cuja criação, seu partido, a UDN, sempre havia se oposto “para não fazer concorrência com as empresas privadas”, a grande maioria estrangeiras.

10.   Após consolidado o golpe, eles e os generais que com apoio entusiástico de seus jornais haviam roubado o poder para “defender a Democracia com a Ajuda de Deus”, traíram suas promessas e nunca mais realizaram eleições diretas para presidente, governador e prefeitos das capitais.

11.   Eles fecharam o congresso, cassaram mandatos, prenderam prefeitos, vereadores, parlamentares adversários. A alguns como o deputado comunista Gregório Bezerra amarraram na traseira de um Jeep do exército e arrastaram meio morto, algemado, pelas ruas de Recife.

12.   Eles implantaram o regime de exceção, que governava por decretos e não por leis, que seus jornais, rádios e TVs aplaudiram e louvaram por 21 anos.

13.   A ditadura que eles apoiaram proibiu a existência de partidos políticos, estabeleceu a censura a livros, revistas, músicas, poesias, rádios e jornais que deveria aprovar antes, qualquer coisa antes de ser publicada. Centenas de jornalistas foram presos, torturados, mortos ou processados naquela época.

14.   A ditadura que eles apoiaram, fechou milhares de sindicatos em todo o Brasil, cassou mandatos de senadores e deputados adversários, prendeu sem ordem judicial, sequestrou, torturou e matou seus opositores e qualquer pessoa que continuasse defendendo a democracia.

15.   Em 1968, devido a manifestações estudantis muito menores do que as atuais, que eles classificavam de “perigoso atentado terrorista, eles aplaudiram o fechamento do congresso e a cassação do deputado federal Márcio Alves.

16.   Eles interviram no Supremo Tribunal Federal, colocando lá, advogados ambiciosos que prestavam serviços às suas empresas, que agradecidos pela fama e pelos salários, não se importaram nada com as violências contra as instituições democráticas e os direitos individuais.

17.   Eles sempre quiseram interferir na memória da juventude, sempre jogaram muito na alienação dos estudantes, na sua cooptação para que se esquecessem do que haviam presenciado . E principalmente no repúdio e no esquecimento dos jovens quanto à nossa música, à nossa cultura.

18.   E aqui começa algo que iria se repetir ao longo de mais de quarenta anos: a sucessiva troca de nome dos partidos usados por eles.

19.   A coisa funcionava assim: na medida em que o povo, nas eleições, os derrotava seus partidos, pois identificava a sua sigla com os que atuaram sempre contra os trabalhadores e a favor dos interesses de empresas e do governo dos Estados Unidos, eles mudavam o nome dos seus partidos.

20.   UDN, ARENA, PDS, PFL, DEM, PSDB…Imagino que você já ouviu falar nesses nomes de partidos, é claro. Mas é sempre bom conhecer mais um pouco.

21.   Uma vez que a UDN, seu primeiro partido, já tinha ficado conhecida pelo povo como partido que atentou contra a democracia e como partido dos golpistas, aliados das empresas americanas, eles trocaram seu nome e a velha UDN passou a chamar-se ARENA, ou “Aliança Renovadora Nacional”.

22.   Através de suas estações de televisão, eles promoveram uma verdadeira lavagem cerebral em massa, ganhando de uma só vez, centenas de concessões de rádio e TV, em todo o país, formando uma rede de veículos de comunicação.

23.   Nos 21 anos que se seguiram, eles ganharam fortunas imensas, medidas em bilhões de dólares como pagamento da publicidade oficial que faziam dos governos da ditadura, sem qualquer tipo de licitação.

24.   Através do emprego de equipamentos de televisão de ultima geração e do vídeo tape e com recursos quase ilimitados, eles passaram a produzir programas e telenovelas de qualidade muito elevada para a época, que passaram a hipnotizar a classe média.

25.   Nas eleições eles sempre apoiaram descaradamente a ARENA, que era a antiga UDN. Faziam isso como hoje em dia,  sem nenhuma preocupação em manter um mínimo de imparcialidade. Eles simplesmente ignoravam a existência do único partido dede oposição que era permitido, que era o MDB.

26.   Nas eleições para vereadores e deputados, as únicas permitidas, os candidatos ou qualquer um que criticasse o governo era simplesmente preso, torturados e vários simplesmente desapareceram. Muitos foram mortos sob tortura e seus corpos jogados do alto de aviões, sobre o mar.

27.   Assim mesmo, a partir de 1974, a máscara começou a cair e a ARENA começou a ser reconhecida como o partido da ditadura e então para tentar enganar os eleitores eles mudaram seu nome, que já tinha sido UDN, agora para PDS ou “Partido Democrático Social”.

28.   Em 1978, quando através de greves e manifestações os trabalhadores protestaram  contra o arrocho salarial, eles ficaram contra os trabalhadores e a favor da repressão aos operários. Suas emissoras de TV mostravam Lula e os trabalhadores em greve como terroristas, bandidos e arruaceiros e aplaudiram sua prisão e o fechamento dos sindicatos paulistas.

29.   Em 1979, quando Lula propôs a criação de um partido da classe trabalhadora, eles com seus veículos de informação fizeram de tudo para impedir, ridicularizando a iniciativa e dizendo que nunca isso seria possível, já que seus membros seriam ignorantes, incultos e semi-analfabetos.

30.   Quando em 1986, a população saiu às ruas em todo o país para exigir a realização de eleições diretas para presidente e governadores, eles simplesmente não transmitiam nenhuma imagem, nem noticiavam nenhuma manifestação.

31.   Sabendo que não iriam poder manter aquela situação por mais tempo, e vendo que haveriam eleições diretas eles trocaram novamente o nome do seu partido, que de PDS, passou a chamar-se PFL – “Partido da Frente Liberal”.

32.   Para auxiliar o PFL, que já nasceu muito “manjado” como partido da ditadura, eles criaram outro partido, chamado PSDB, chefiado por Fernando Henrique Cardoso, sociólogo que também era financiado pela Agencia Central de Inteligência, como contou a escritora Francis Stonor Sauders em seus livro “Quem pagou a conta?”

33.   Em 1989, eles criaram a figura de Fernando Collor como o Caçador de Marajás, apoiando sua campanha de forma descarada, pois ele mesmo era um membro de sua rede de TVs.

34.   Quando Lula enfrentou Collor nas eleições em 1989 e chegou ao segundo turno, eles  editaram o debate na TV, retirando partes onde Collor foi mal e retirando os momentos onde Lula foi bem.

35.   Nas quatro eleições presidenciais em que Lula concorreu, eles ficaram abertamente a favor de Color, FHC e Serra.Na ultima eleição, eles ficaram contra Dilma, com todas as suas televisões apoiando Alkmin e forma mais uma vez derrotados.

36.   O PFL, seu partido, ficou tão desmoralizado que só ganhou as eleições para governador em um único Estado. E de nada adiantou, mais uma vez, eles terem mudado seu nome para Democratas, ou DEM, pois o povo, com a ajuda da internet, começou a seguir seus passos nessa floresta de siglas e nomes de partidos que eles criaram para confundir o povo.

37.   Mas eles nunca desistem. Derrotados nas urnas a cada dois anos desde 2002, com seus lideres e seus partidos totalmente desacreditados, eles tentam novamente, sempre contando com apoio decidido da Agencia Central de Inteligência e do Governo dos Estados Unidos.

38.   O governo americano e suas empresas monopolistas não admitem que o Brasil tenha crescido do 10º para o 6º lugar entre as maiores economias do mundo, nem que sejamos os maiores produtores de vários produtos industriais e agrícolas do mundo. E nem que tenhamos um governo que não obedeça a tudo que eles mandam.

39.   Eles e seus patrões americanos não suportam a ideia de que um metalúrgico e uma ex-guerrilheira tenham colocado 1,5 milhão de jovens pobres nas universidades e construído 240 escolas técnicas federais, criando 18 milhões de empregos em dez anos.

40.   Eles e seus patrões americanos não suportam a ideia de que apenas esses dois presidentes tenham tirado 28 milhões de pessoas da miséria absoluta com o Bolsa Familia e 31 milhões tenham passado da pobreza para a classe média.

41.    Mas os tempos são outros. Agora, na era da informática e da internet, em todo o mundo, basta ver os telejornais para perceber que eles não usam apenas tanques de guerra, soldados, nem só jornais, rádios e TVs para derrubar governos.
42.   Manejando programas de internet como “Facebook” desenvolvidos por encomenda do próprio governo dos Estados Unidos, eles tentam agora, derrubar a Presidenta Dilma.

43.   Em vez de usar tanques de guerra e a sétima frota da Marinha Americana, eles agora tentam um golpe de tipo novo, com ajuda de programas que também são encontrados em versões comerciais, que simulam serem autênticos, mas que enviam de um único computador milhares de mensagens por minuto.

44.   Percebendo que iriam perder as próximas eleições em 2014 eles pretendem tornar realidade mais uma vez, seu velho sonho: como seus partidos estão desmoralizados, querem acabar com os outros partidos políticos e implantar a sua ditadura mais uma vez.

45.   E novamente, dar um golpe de estado, novamente com a ajuda da CIA, que criou o Facebook e os sistemas usados como ferramenta de controle e de mobilização de milhares de pessoas “adicionadas”, que recebem mensagens de “seus amigos”, sem saber que podem não ser verdadeiras, como denunciaram Julien Assenge e Edward Snowden.

46.   No “Facebook” pessoas identificadas com eles dizem que querem acabar com os partidos políticos.

47.   E que querem criar uma “Democracia Direta”, que funcionaria pela internet, através do “Facebook”. Eles querem que Dilma renuncie, que os partidos sejam fechados.

48.   Em vez de eleições diretas, votação pela internet. Em vez de Congresso Nacional, votação pela internet.  Mas qual a garantia de segurança e autenticidade da votação?

49.   Isso “eles” não explicam.

50.   O único partido admitido seria o “Partido do Facebook”, como se em qualquer lugar não se pudesse comprar e baixar programas que votam dezenas de vezes em qualquer “pesquisa”, que enviam milhares de mensagens automáticas em nome de milhares de pessoas diferentes.

51.   Eles querem que acreditemos que quem não defende o “Feicismo” é antiquado, “careta” e atrasado. Eles querem incentivar inúmeros conflitos no seio do povo, jogando jovens contra “velhos”. Querem jogar evangélicos contra gays. Querem jogar os que são a favor do aborto contra os que são contra o aborto. Eles querem dividir o povo e desviar a atenção das verdadeiras questões.

52.   Por exemplo, na questão do transporte coletivo, eles e seus meios de comunicação nem tocaram na questão do excessivo e abusivo lucro e sinais exteriores de riqueza das empresas que dominam, por meio de cartéis fechados, o negócio em cada capital do país.

53.   Eles estimulam através do “Feice” e da televisão, cenas de violência, de preconceito, de intolerância. Enquanto isso tentam manipular e orientar as manifestações de rua através do “Anonymous”, uma empresa privada, com sede em Londres, criada pela CIA para contratar jovens de classe média entusiasmados com computadores e jovens desempregados do terceiro mundo.

54.   É preciso reagir a essa tentativa da inteligência militar norte-americana, inglesa e israelense de manipular os movimentos de rua, divulgando informações verdadeiras.
55.   Eles devotam um ódio irracional contra Lula por não poderem admitir que um operário tenha em oito anos, criado mais de 15 milhões de empregos, tirado 28 milhões de pessoas da faixa da miséria e passado 31 milhões de pessoas da pobreza para a classe média.

56.   Eles estimulam o preconceito racial, o ódio religioso, o preconceito contra nordestinos e todo tipo de pensamento que seja mesquinho, egoísta, conservador e reacionário.

57.   Reparem como eles propagam o ódio ao Brasil e o elogio a tudo que venha dos Estados Unidos ou da Inglaterra. Eles estimulam a que tenhamos vergonha de sermos brasileiros, que não tenhamos em nós qualquer traço de patriotismo, que consideram coisa atrasada. Mas que sempre elogiam e admiram nos americanos.

58.   Eles estão agora no Brasil, atacando o Brasil através de agentes brasileiros contra as nossas conquistas, contra a democracia, contra qualquer coisa que seja brasileira, são contra qualquer política social compensatória como o Bolsa Família, que mantem as crianças nas escolas e vacinadas, propiciando mais dignidade a milhões de famílias, principalmente aquelas dirigidas por mulheres.

59.   Eles são contra as cotas sociais e raciais nas universidades, que já permitiram que mais de um milhão e meio de jovens pobres e descendentes de vítimas da escravidão, tivessem condição de formar-se médicos, engenheiros, advogados, etc.

60.   Aproveitando a lavagem cerebral promovida pela TV durante esse 50 últimos anos, bem como a falta de qualquer preocupação do governo e do PT em dar educação política ao povo, em ter qualquer meio de comunicação que não esteja sob o controle do capital americano, inglês ou israelense, eles querem culpar Lula, Dilma e o PT pelo enorme atraso do Brasil. Que por ironia, são exatamente aqueles que mais fizeram pela diminuição dessas desigualdades.

61.   Trabalhando para eles, comandados por eles, vicejam dentro do “face” inúmeros agrupamentos que usam o “charme da clandestinidade” para atrair os incautos e os mais distanciados da realidade. Será que alguém ainda acredita que um grupo de valentes cidadãos anônimos teria tanto dinheiro e recursos para produzir centenas de vídeos contra o governo brasileiro como o tal “Anonimous”?

62.   Alguns grupos são extremamente preparados, controlados de fora do país como o “Anonymous”,  formado pela CIA, pelo Mossad e pelo M-16, os serviços secretos de Israel e da Inglaterra.

63.   Usando jovens mascarados, são eles que tentam conduzir e direcionar as manifestações e com a ajuda da TV e de vídeos postados no Youtube, impor a elas suas palavras de ordem e as suas pautas, bem como sugerir seus trajetos, estimular os atos de violência.

64.   Será que a essa altura, você já sabe quem são “eles”?


Parabéns!

Se souber, você já passou para o outro nível de nosso Curso Breve de História.

Agora é só aguardar.

Divulgue esse texto entre seus amigos e em suas listas de contato.
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