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quarta-feira, 3 de julho de 2013

IMPERIALISMO AMEAÇADOR: Bolivianos compartilham 'indignação' por constrangimento a Evo Morales na Europa

03.07.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL
PorTadeu Breda, da RBA

Analistas coincidem em condenar bloqueio aéreo ao líder aimará e dizem que atitude coloca em risco normas internacionais; PT e CUT se adiantam a Dilma e criticam países europeus 

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Bolivianos protestaram em frente à embaixada da França em La Paz com bloqueio aéreo imposto a Morales
São Paulo – Mais do que abrir uma nova arenga diplomática entre Estados Unidos e América Latina, os países europeus que fecharam seus espaços aéreos à passagem do avião presidencial boliviano na madrugada de hoje (3) conseguiram fabricar um breve momento de trégua na conturbada relação entre a oposição e o governo de Evo Morales. “Nos sentimos também hostilizados por esta atitude”, diz o analista Carlos Cordero, professor de Ciência Política na Universidad Mayor Andrés Bello, em La Paz. “Independente das críticas que temos ao governo, a grande maioria do povo está expressando sua solidariedade ao presidente e seu profundo mal-estar com toda esta situação.”
Em conversa por telefone, Cordero não esconde suas divergências políticas à administração do Movimento ao Socialismo (MAS), partido liderado por Evo Morales, à frente do Estado boliviano desde 2006. Acredita que o pouso forçado em Viena, na Áustria, é uma consequência da política internacional praticada pelo presidente aimará. “Existe um distanciamento muito claro entre a Bolívia e a União Europeia graças às frequentes declarações anti-imperialistas do presidente”, argumenta. “Evo tem se alinhado com Cuba, Irã e Venezuela, e essa aproximação ideológica acaba criando esse tipo de resposta. Tem muito a ver com as 'novas amizades' do presidente.”
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Apesar disso, o analista considera que houve excessos, e que a Bolívia deveria buscar seus direitos nas instâncias internacionais. E acredita que os países da região deveriam condenar publicamente a atitude de França, Itália, Espanha e Portugal. “Exigir respeito ao presidente boliviano é defender a dignidade e institucionalidade de todos os presidentes da América Latina”, argumenta. “Embora existam países muito influentes na economia, e por isso muito poderosos no cenário internacional, existe um princípio diplomático que estabelece igualdade política entre todas as nações do mundo. Defender Evo é defender o continente.”
A opinião de Carlos Cordero ecoa as declarações dos líderes latino-americanos que condenaram o “sequestro” de Evo Morales na Áustria. Os governos de Equador, Argentina, Uruguai e Venezuela foram ágeis em criticar os países europeus. Em Buenos Aires, Cristina Fernández de Kirchner classificou o episódio como uma “humilhação ao continente sul-americano” e um “vestígio vergonhoso de colonialismo”. O presidente equatoriano, Rafael Correa, pediu a convocação de uma reunião de emergência da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para discutir a situação e emitir uma posição conjunta da região. O encontro ocorrerá amanhã (4) em Cochabamba, na Bolívia.
A presidenta Dilma Rousseff foi a última em se pronunciar – e o fez por meio de uma nota, repudiando o “constrangimento” imposto ao líder aimará. “O constrangimento ao presidente Evo Morales atinge não só a Bolívia, mas toda a América Latina”, escreveu. “Compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações entre eles. Exige pronta explicação e correspondentes escusas por parte dos países envolvidos nesta provocação.” A presidenta brasileira, porém, não vai a Cochabamba oferecer seu apoio a Evo Morales – tampouco foi cumprimentá-lo em Fortaleza, onde faria uma escala de voo na noite de hoje. Na cúpula da Unasul, o país será representado pelo chanceler interino, Eduardo dos Santos, uma vez que o ministro Antonio Patriota está na Holanda. Também o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, vai ao encontro.
Especialista boliviano em relações internacionais, Hugo Molidiz também fala da “unidade nacional” em torno da figura presidencial após seu avião ter sido retido por 13 horas na Áustria. “Isso provocou uma reação totalmente compreensível de indignação na maior parte do povo boliviano, independente da posição política de cada um em relação ao governo”, avalia. “Alguns grupos muito reduzidos da oposição entenderam o pouso forçado como resultado de uma política equivocada da Bolívia em relação aos Estados Unidos, mas a maior parte dos bolivianos reagiu com indignação. Não é uma afronta apenas ao presidente ou a seu partido, mas ao Estado boliviano.”
Segundo a Agência Efe, indígenas partidários do presidente queimaram hoje as bandeiras da França e da União Europeia em La Paz às portas da embaixada francesa, que também foi apedrejada e bloqueada com pedras. “França fora da Bolívia”, “França hipócrita colonialista, fora da Bolívia” e “França racista, hipócrita e fascista”, “Bolívia se respeita” e “Propriedade dos Ponchos Vermelhos” eram alguns dos cartazes que colaram no exterior do edifício.
As razões que motivaram França, Itália, Espanha e Portugal a restringirem seus espaços aéreos ao avião presidencial boliviano foi a suspeita de que Evo Morales trazia em sua bagagem o ex-espião norte-americano Edward Snowden. Refugiado no aeroporto de Moscou, na Rússia, Snowden é requisitado pela justiça dos Estados Unidos por ter revelado ao mundo um esquema de vigilância em massa patrocinado por Washington sobre e-mails, telefones celulares e outros meios de comunicação entre cidadãos do planeta. As denúncias de Snowden foram publicadas pelo jornal britânico The Guardian há dois meses. Desde então, o jovem é caçado pelas autoridades ianques.
Ontem, o WikiLeaks, que está ajudando Snowden, protocolou pedido de asilo para o ex-espião em 20 países. Bolívia e Brasil estão entre eles. Evo Morales ainda não se pronunciou sobre a requisição de Snowden – e ainda não demonstrou interesse em acolhê-lo, como tem feito o Equador. Ainda assim, começaram a circular boatos de que o presidente boliviano traria Snowden escondido em seu avião depois de participar de uma cúpula de países produtores de gás natural ocorrida nesta semana na Rússia. Por isso seu itinerário de voo foi bloqueado na Europa.
“Os Estados Unidos se aproveitaram desse rumor para lançar uma espécie de advertência ao presidente Morales e aos governos de esquerda da América Latina sobre o quanto está decidido a manter sua hegemonia na região”, acredita Molidiz, que conversou por telefone. “Vão enfrentar, inclusive com métodos não democráticos, as intenções dos países que buscam maior autonomia frente a Washington.” De acordo com o analista, esse tipo de atitude coloca em risco as leis internacionais. “Nem mesmo em tempos de guerra houve coisa parecida”, critica. “É preocupante que, apesar das convenções da ONU e outras normas que garantem imunidade aos chefes de Estados, se tenha atentado contra a vida do presidente.”
Radicado no Brasil, o analista uruguaio Bernardo Sorj, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lembra que a atitude de França, Itália, Espanha e Portugal é injustificável sob todos os pontos de vista. “Não havia nada que pudesse ser considerado um risco enorme para a segurança dos países que Morales estava sobrevoando, o que, daí sim, poderia configurar uma situação de gravidade tal que justificassem medidas totalmente excepcionais, como o fechamento o espaço aéreo”, opina. “Isso só foi feito porque se tratava de um presidente de um país pequeno, sem grande relevância no comércio mundial.”
Em conversa telefônica, Sorj afirma que, apesar de Edward Snowden estar sendo procurado pela justiça dos Estados Unidos, sua presença no espaço aéreo de qualquer país não coloca em risco a segurança dos cidadãos desse país. “Além disso, não existe nenhuma demanda de extradição legal do ex-espião nestes países pelos que o presidente Evo Morales iria sobrevoar”, continua. “Se bem é uma pessoa que feriu os interesse da segurança nacional de seu país, Snowden não é uma pessoa perigosa ou um terrorista internacional.”
Por isso, o professor da UFRJ acredita que os governos francês, italiano, espanhol e português agiram a pedido de Washington. “Snowden deve estar com informações estratégicas que não são do interesse da Europa e dos membros da Otan, aliança militar de que esses países fazem parte”, sugere, apesar de os Estados Unidos terem afirmado, por meio de seu porta-voz, que não tiveram nada a ver com o caso. “Eles estão enfrentando uma pessoa com informações secretas, e não interessa que ele continue circulando com essas informações confidenciais.”
Enquanto a presidenta Dilma Rousseff não se pronunciava sobre o episódio, o PT soltou uma nota em que insta os países europeus a explicar as razões do bloqueio aéreo. “Caso tenha alguma relação com a suspeita de que o avião da República da Bolívia estaria transportando o ex-agente da CIA Edward Snowden, os governos europeus implicados precisam explicar por quais motivos agridem preceitos diplomáticos básicos em benefício do governo dos EUA, num caso que envolve espionagem eletrônica em massa praticada pelos Estados Unidos contra a população mundial, inclusive contra governos europeus.”
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também se posicionou. “A CUT repudia este atentado que serve apenas aos comandos imperialistas como forma de amedrontar, intimidar e tentar calar àqueles que não se rendem aos interesses hegemônicos e lutam contra as políticas econômicas de dominação e intervenção.”
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'A mídia e a política estão dominadas pelo dinheiro de maneira avassaladora'

03.07.2013
Do portal da Revista Carta Maior, 02.07.13
Por Cassiano Viana e Octávio Costa - Brasil Econômico

Em entrevista ao 'Brasil Econômico', Paulo Nogueira Batista Jr., diretor-executivo do Brasil e de mais dez países no Fundo Monetário Internacional (FMI), ainda atribuiu a atual insatisfação dos jovens a uma combinação de fatores, como o desencanto com a política, as deficiências crônicas no transporte urbano, na educação e na saúde, e o momento desfavorável pelo qual passa a economia.


Diretor-executivo do Brasil e de mais dez países no Fundo Monetário Internacional (FMI), o economista Paulo Nogueira Batista Jr. vive em Washington desde 2007 e, de seu posto, tem uma visão privilegiada da cena mundial. Na semana passada, ao desembarcar no país, mostrou-se surpreso com a dimensão da onda de protestos.

Em entrevista ao Brasil Econômico, além de destacar o poder de mobilização das redes sociais, atribuiu a insatisfação dos jovens a uma combinação de fatores, como o desencanto com a política, as deficiências crônicas no transporte urbano, na educação e na saúde, e o momento desfavorável pelo qual passa a economia.

Quanto ao último ponto, é otimista. "Se o PIB crescer 3%, o mercado de trabalho se mantiver forte e o governo conseguir estabilizar a inflação, creio que o quadro de ânimo em relação à economia vai melhorar gradualmente".

O que mais o preocupa é a extrema volatilidade dos mercados financeiros. A especulação, adverte ele, está desenfreada e os países podem sofrer com a livre movimentação de capitais. "É preciso cautela. O mundo continua à mercê da turma da bufunfa, que tem poder de fogo extraordinário". Leia a entrevista:

A pergunta é inevitável: como o senhor avalia a onda recente de protestos no Brasil? 

A escala das manifestações foi surpreendente e agora começa uma temporada de busca de justificações, explicações. Provavelmente isso é uma combinação de fatores, alguns conjunturais - como o desempenho menos favorável da economia, o crescimento baixo, a inflação alta - e outros mais estruturais - como problemas sociais ainda não resolvidos no Brasil, deficiências crônicas no sistema de transporte público (nas grandes cidades principalmente), as deficiências na saúde e na educação. Essas coisas foram se combinando e avolumando.

A internet também ajuda na mobilização, não?

Sem dúvida. Temos um fenômeno tecnológico e de comunicação que é a capacidade de mobilização das redes sociais que já se fez sentir em outras situações, em outros países, como na Primavera Árabe, mas também recentemente na Turquia, nos Estados Unidos, com o movimento Occupy Wall Street e antes disso em Seattle, na famosa Batalha de Seattle, contra a OMC (Organização Mundial do Comércio). Esse movimento tem revelado uma capacidade convocatória das redes sociais gigantesca, que é muito maior do que se poderia pensar há cinco, dez anos atrás.

Há outra explicação para a adesão tão rápida e surpreendente dos jovens?

Além desses fatores, no campo político, não podemos perder de vista, no meu entender, um desencanto cada vez mais profundo com a política e com a democracia, que está meio perdida hoje no mundo. Os jovens, a população em geral, não se sentem representados pelas classes políticas. Essa é uma realidade que tem a ver com várias coisas, dentre elas, a percepção, que em grande parte é justa, de que o dinheiro dominou a política.

Mesmo nos países que tem tradição democrática, como os Estados Unidos e os países europeus, a colonização da política pelo dinheiro se tornou um fenômeno que deformou a democracia e que leva a população e os jovens a entender que devem buscar canais de ação direta, como essas manifestações que estamos vendo hoje e que se expressam como a rejeição de todos partidos políticos e da mídia tradicional.

A que o senhor atribui este comportamento? 

Tanto a mídia quanto a política estão dominadas pelo dinheiro de maneira avassaladora. A percepção de que a conjuntura atual tende a transformar democracias em plutocracias gera um movimento de rejeição, pois as pessoas já não se sentem representadas nem pela política, nem pelos partidos e nem pela mídia. Então buscam a expressão nas redes sociais, onde a população sente que tem mais voz e na rua. 

Os protestos aumentam o Risco-Brasil e a desconfiança internacional no país?

Essa notícia (dos protestos) se junta às notícias que já vinham tendo destaque na imprensa internacional, de uma desaceleração da economia brasileira. A visão economicista mais simples é fazer uma ligação direta entre as manifestações e o desempenho econômico, que é uma parte da verdade.

Por outro lado, dependendo da reação das autoridades brasileiras, isso pode mostrar um ponto forte da democracia brasileira. Que é mostrar que os brasileiros têm o direito de se manifestar. Temos que evitar a armadilha em que caiu, por exemplo, o governo turco, que é a de ser percebido como intolerante, autoritário e fechado ao diálogo. Cabe ao governo brasileiro demonstrar sua capacidade de diálogo. 

O senhor diria que é o que está acontecendo agora?

Acho que o governo já está caminhando nessa direção. Mas essa é uma pergunta difícil. Ainda é cedo para dizer qual vai ser o desdobramento desse processo e disso vai depender a repercussão internacional para o país e para a economia brasileira.

Até que ponto a situação atual da economia brasileira contribuiu para acirrar os ânimos?

A conjuntura dos últimos dois, três anos, contribuiu para gerar mais insatisfação, porque não é só o desempenho mais fraco, o crescimento muito baixo, a inflação mais alta do que a esperada. É um desempenho que frustra as expectativas, porque nós vínhamos de uma fase de crescimento forte, até 2011, onde o Brasil era considerado um pólo dinâmico da economia mundial, uma economia bem sucedida, e essa reversão da conjuntura,que foi bastante inesperada, acabou alimentando também essa insatisfação que se traduz de várias maneiras, dentre outras, nessas manifestações.

Agora, há uma ressalva a se fazer, que é conhecida, mas que convém sublinhar: é que essa deterioração da economia brasileira não atingiu o mercado de trabalho ainda. Temos hoje altas taxas de geração de emprego, inclusive do emprego formal, e acima do que poderíamos esperar.

O Brasil tem hoje taxas de desemprego próximas do que poderíamos considerar pleno emprego. Apesar da inflação recente crescendo em termos reais nos últimos anos, essa combinação de desemprego forte e salário real evoluindo ainda mantém a popularidade alta do governo. Esse apoio ao governo, pelo menos nas camadas de renda mais baixa, é bastante visível. Ao mesmo tempo, essa grande insatisfação da classe média é um quadro preocupante. Não adianta tapar o sol com a peneira.

O senhor acha que o caminho de aumento da taxa de juros pode levar a economia de volta ao eixo? 

As indicações e a maior parte das projeções ainda apontam para uma recuperação da economia, embora as projeções tenham sido revistas para baixo. Ainda se espera que a economia cresça em torno de 3% nesse ano, um pouco menos talvez. E se esse quadro se confirmar, com a economia voltando a crescer um pouco mais e com os investimentos mais fortes, como foi no primeiro trimestre, e o mercado de trabalho se mantiver forte, como esteve nesses últimos anos, e o governo conseguir estabilizar a inflação, eu creio que o quadro de ânimo em relação à economia vai melhorar gradualmente.

A política adotada até agora pelo governo pode ter êxito? Não haveria necessidade de cortes de gastos públicos e ajuste fiscal forte? Essa seria uma alternativa?

A situação fiscal brasileira não é assim muito preocupante. Ela sofreu certa deterioração até como reflexo do próprio enfraquecimento do crescimento, mas a trajetória da dívida como proporção do PIB continua declinante. A redução da taxa de juros ao longo dos últimos anos reduziu substancialmente o custo da dívida pública. O déficit brasileiro nominal não é alto para os padrões internacionais.

O superávit primário caiu, mas continua positivo. Então não vejo a situação fiscal do país como alarmante. Você sugerir um forte reajuste fiscal com a economia enfraquecida, já submetida a dificuldades, parece discutível, para dizer o mínimo. De qualquer maneira, essa é uma recomendação de laboratório porque mesmo as pessoas que fazem essas recomendações sabem que em ambiente de ciclo político eleitoral é muito difícil que o governo faça um reajuste fiscal forte.

Eu pessoalmente acredito que a conjuntura econômica fraca, combinada com as circunstancias políticas eleitorais, dificilmente permitirão ou estimularão o governo a fazer um ajuste fiscal forte. O que não quer dizer, evidentemente, que o governo não tenha que manter a disciplina fiscal e o rigor em nas contas públicas. Isso é fundamental para a confiança da economia e até para garantir o crescimento no longo prazo. A dificuldade é saber qual a dosagem, qual a combinação de política fiscal que você usa em uma situação econômica que se complicou.

O presidente do Banco Central tem falado na possibilidade de uma nova rodada de alta dos juros. Isso não seria conflitante com a economia enfraquecida?

É uma escolha ruim essa de ter que elevar a taxa de juros quando a economia ainda está se recuperando de uma fase de crescimento muito baixa. É uma escolha difícil e o Banco Central ponderou bem os prós e contras, acredito. É importante entender e colocar esses aumentos recentes das taxas de juros em perspectiva. 

O governo brasileiro e o Banco Central, quando baixaram o patamar da taxa de juros nos últimos anos, conseguiram algo muito importante que foi romper com o tabu de que o Brasil precisava ter juros excepcionalmente altos, mais altos do que se pratica no resto do mundo. Agora, a taxa não fica congelada em um nível baixo.

É um importante instrumento de política monetária e, conforme a conjuntura, o Brasil pode aumentá-la e baixá-la novamente, de acordo com as circunstâncias nacionais e internacionais. Mas não ao ponto de retornar ao patamar que nós tivemos anteriormente, sem voltar a praticar os juros extorsivos que praticava quando era campeão mundial dos juros. Acho que o mercado está entendendo que esse ciclo de alta de juros, essa elevação dos juros a um nível um pouco mais alto, está ocorrendo em função da necessidade do governo de ancorar as expectativas em relação à inflação e para demonstrar que o Banco Central está agindo.

O Brasil tem registrado uma saída de recursos do câmbio. Até que ponto isso é preocupante? 

O Brasil, ao longo do período de situação de liquidez internacional, não embarcou nisso de maneira totalmente desguarnecida, como fez em períodos anteriores da história econômica. O país tomou algumas precauções que agora estão nos valendo bem, acumulando um nível de reservas muito alto e adotando medidas de controle sobre a entrada de capitais de curto prazo. Então agora está muito menos vulnerável do que estaria diante da saída bruta de um grande estoque de capitais de curto prazo. E o país manteve regime de câmbio flutuante, então ele pode acomodar uma parte dessa reviravolta nas condições de liquidez internacional, permitindo uma depreciação cambial.

E isso não é totalmente ruim...

Para o Brasil, isso tem o lado positivo porque estamos lutando agora com as consequências de um período de grande valorização cambial que afetou muito a nossa capacidade competitiva internacional, a indústria em particular. Então, do ponto de vista desses setores que amargaram grandes prejuízos, os setores que competem internacionalmente, uma certa depreciação cambial é boa, é positiva.

Mas há a preocupação com o impacto do câmbio na inflação. 

Por isso que o Banco Central tem atuado de várias maneiras para impedir que a depreciação tome um impulso exagerado, com o fenômeno internacional que é a tendência de valorização do dólar nos mercados mundiais em face da expectativa, que agora começa a se tornar mais nítida, de que os bancos centrais, notadamente o BC norte-americano, terão de desfazer o período de extraordinária expansão.

A experiência tem mostrado que nos mercados super-voláteis, alavancados, sofisticados, basta uma pequena movimentação dos bancos centrais para desencadear reações gigantescas e desproporcionais. Nós já vimos isso acontecer várias vezes. Um pseudo-movimento, apenas a expectativa de que o banco central esteja considerando um movimento, já é suficiente para grande turbulência e volatilidade. É uma situação singular: a mera percepção de que o banco central norte-americano começou a considerar um movimento gradual de saída das políticas expansionistas já causou um tumulto razoável.

A especulação está muito aguçada? 

Está desenfreada. Apesar da violência da crise de 2008 e 2009, não houve nenhuma reforma financeira decisiva e o mundo continua à mercê do que eu chamei há alguns anos em um artigo de "turma da bufunfa", que tem um poder de fogo extraordinário. Isso tudo mostra com muita clareza que os países precisam se acautelar. E não só os países em desenvolvimento e emergentes como o Brasil, mas também os países desenvolvidos, porque a crise nos últimos anos mostrou que até mesmo os países desenvolvidos podem sofrer com a livre movimentação de capitais e com os mercados financeiros desregulados.

Quais seriam as medidas de cautela possíveis, diante desse momento especulativo? 

É importante, por exemplo, manter reservas internacionais muito altas. O que antigamente se considerava um nível de reservas adequado, não é mais. Um outro fator importante é manter um regime de regulação das contas de capitais. Essa é uma opinião que eu tenho há muitos anos e até mesmo o FMI se moveu um pouco nessa direção. Hoje em dia, cada vez mais, passa o tempo e os países se dão conta do estrago que essas crises financeiras, que a volatilidade financeira, produzem.

Cada vez mais os países vão ter que entender que precisam combinar políticas de reservas internacionais altas, com políticas permanentes de regulação de capitais. O Brasil tem isso e nosso principal instrumento é o IOF. É um instrumento permanente que pode ou não ser acionado. Mas é um instrumento que tem que ser usado quando houver mudança da liquidez externa.

Dentro do Fundo havia a discussão, no auge da crise, de se adotar, multilateralmente, medidas de maior regulação do mercado de capitais. Pelo jeito essa discussão morreu... 

As ideias multilaterais financeiras sempre foram, no meu entender, ilusórias. É meio utópico pensar em uma regulamentação multilateral dos mercados financeiros ou de capital. Alguma coisa pode avançar em termos de padrões mínimos de regulação bancária, mas estamos longe ainda de uma reforma da arquitetura financeira internacional. Cabe aos países se acautelarem usando os instrumentos que têm, e desenvolvendo os instrumentos que não têm, para manter as economias a salvo das turbulências internacionais. Nenhum país deve colocar sua sorte à mercê da “turma da bufunfa”.

O Fundo recentemente sugeriu que o Brasil criasse um comitê para monitorar o risco sistêmico e coordenar a reação a crises. O senhor concorda com essa sugestão? 

Essa foi uma das únicas sugestões que o Fundo fez quando analisou o setor financeiro brasileiro. Não tenho certeza se é uma boa idéia ou não. Mas imagino que o Banco Central esteja avaliando essas e outras sugestões feitas pelo FMI.

O Fundo recentemente fez uma espécie de mea culpa, afirmando que o ajuste grego teve preço mais alto que o previsto. É para levar a sério mesmo?

O relatório que fez essa primeira avaliação, sobre o primeiro programa grego, é interessante. O Fundo Monetário demonstrou autocrítica, a capacidade de reconhecer erros, coisa que as autoridades europeias não conseguem ainda demonstrar. O Fundo Monetário tem se mostrado mais flexível e mais propenso a reconhecer erros do que a Comissão Européia.

Paradoxalmente, para quem conhece o Fundo Monetário sob a ótica latino-americana, eu diria que hoje o FMI é a perna mais flexível da troika. Mas não basta fazer mea culpa três anos depois. É importante aplicar as reflexões aos casos que estão surgindo hoje, de outros países que vem ao Fundo Monetário. É importante ter uma noção clara de que o processo de autoavaliação do FMI é algo que está em curso.

Recentemente a presidente Dilma Rousseff sugeriu a necessidade de reforma de organismos internacionais, inclusive o FMI. Como vai essa discussão no Fundo? 

Essa reforma está em sua pior fase desde que eu cheguei no FMI. O processo praticamente parou desde 2011. Em 2012 e 2013, foi acrescentado um fator novo e muito preocupante que é a incapacidade do governo norte-americano de ratificar a reforma de 2010, que ainda não entrou em vigor. Tivemos algum progresso com a reforma de 2008, que já está em vigor.

A reforma de 2010 foi mais um passo significativo, mas ela não entrou em vigor.É preciso entender que o Fundo Monetário é um organismo que tem muito peso, é central na ordem internacional. Então os países não querem abrir mão das posições que têm lá.

E nós emergentes queremos adquirir um quinhão maior de poder decisório. Há uma disputa feroz basicamente entre os europeus e emergentes.E como os europeus não têm mostrado sensibilidade e os americanos não têm capacidade de ratificar, está surgindo uma situação que pode se transformar em uma nova crise de legitimidade dentro da instituição. 

O que significa exatamente essa crise? 

Os países dos Brics vão reagir à paralisação. Se os Brics aceitarem esse golpe passivamente, será um cenário. Se os Brics e outros emergentes passarem a questionar essa falta de resultados, será bem diferente. No contexto da crise internacional de 2008, houve um grande acordo político entre os países desenvolvidos e os emergentes: os membros do G-20 concordaram em ampliar a capacidade financeira do Fundo, mas, em troca disso, as potências tradicionais aceitaram abrir mão do espaço decisório em favor dos emergentes. A primeira parte do acordo aconteceu. A segunda não aconteceu dentro do prometido.

Qual é a sua expectativa em relação à crise da Europa? Na reunião do G-7 na Irlanda, foi dito que o pior já passou. 

Acho temerário afirmar isso. É verdade que a fase mais aguda da crise do Euro parece ter sido superada ou pelo menos afastada temporariamente, pois já não se fala em colapso da moeda. Mas as economias européias não conseguiram se recuperar. Continuam em recessão, com altas taxas de desemprego e falta de perspectiva de recuperação, o que é mais grave ainda. O quadro europeu é um quadro de desesperança, de "salvamos o Euro, mas não salvamos a economia". A situação dos jovens no Sul da Europa é uma situação dramática. Falar que o pior já passou é um pouco panglossiano (referência ao Dr. Pangloss, personagem de Voltaire, em “Cândido”, que era um otimista exagerado) .

O Brasil pode passar novamente ao largo da crise, como aconteceu em 2008 e 2009? 

Acho difícil não só o Brasil, mas também que os outros emergentes consigam ter um desempenho tão forte nessa fase quanto tiveram na outra fase, em 2008 e 2009. Agora temos fatores novos. No Brasil, temos o esgotamento de certos instrumentos. Temos o endividamento das famílias. A primeira recuperação deixou um legado de dívida familiar alto.

Repetir esse mecanismo não é possível. Também naquela época o Brasil e os outros emergentes cresceram em função de termos uma forte relação de trocas com a China. Não temos mais isso devido à desaceleração chinesa. Então, o quadro hoje é bem mais complexo. Na verdade, a crise foi mais aguda em 2008, foi mais intensa. Mas hoje a recuperação é mais problemática, um desafio maior do que foi em 2008 e 2009.

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Globo veta o plebiscito

03.07.2013
Do BLOG DO MIRO, 
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

São 20 horas e a mensagem de Dilma propondo o plebiscito já caiu das principais chamadas dos sites de notícias.

No lugar dela, a morte do projeto da “cura-gay”.

Espero um pouco mais, e vem o Jornal Nacional. Lá no fim, depois de uma imensa reportagem sobre a indústria em queda e a inflação em alta, vem a matéria sobre o plebiscito.


O vice-presidente Michel temer só falta pedir desculpas por ter levado a proposta de Dilma ao Congresso.

Os líderes da base “não tão aliada” querem que isso vire referendo para 2014.

Aecinho, pontificando, diz que Dilma mandou uma proposta que até ela sabe que não é possível viabilizar.

Os líderes acharam tudo complicado e só vão falar isso na semana que vem.

Depois, destaque na nota do TSE de que, se o Congresso não implementar, até o início de outubro, o resultado do plebiscito ”não haverá efeitos, no pleito eleitoral subsequente, o que pode ser fator de deslegitimação da chamada popular”.Claro, não houve menção ao final da nota, onde a Ministra Carmen Lúcia e os 27 presidentes de TREs dizem que “o sonho do povo brasileiro é a democracia plena e eficiente. O dever do juiz é garantir o caminho do eleitor para que o sonho venha a ser contado para virar a sua realidade. O juiz não se descuida do poeta. É a sua forma de atentar ao eleitor, única razão de ser da Justiça Eleitoral”.

Dois ex-ministros do TSE aparecem para dizer que “não haverá tempo”.

Resumo de tudo, nas palavras do líder do PT na Câmara, José Guimarães: “quando se quer, dá tempo; quando não se quer, não dá”.

Alguém acha que o Congresso quer reforma?

E assim, ficamos com a nossa triste ordem democrática, onde o povo votar e decidir qualquer coisa diferente do interesse de suas elites é inviável.
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TIJOLAÇO TEM OS DOCUMENTOS DO SUBORNO NA FIFA

03.07.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Como a “Difusora de Paracatu” entrou no escândalo da FIFA

Saiu no Tijolaço:

COMO A “DIFUSORA DE PARACATU” ENTROU NO ESCÂNDALO DA FIFA


Reproduzo abaixo, na íntegra, os documentos da investigação criminal contra a FIFA, João Havelange e Ricardo Teixeira em curso na Suíça e que a Justiça daquele país determinou que fossem tornados públicos.

Não é, portanto, “publicação de documentos confidenciais, protegidos por sigilo legal, acreditamos que o assunto será apurado pelos órgãos competentes”, como outro dia se falou sobre a sonegação de impostos da Globo.

O Jamil Chade, no Viomundo, já contou parte desta história, mas a gente prefere transcrever os documentos judiciais.

Vamos aos trechos mais instigantes:

No dia  26 de maio de 1998, foi firmado um contrato de licença entre FIFA e da “Empresa 1″ para concessão de direitos mundiais para utilização da televisão e radiodifusão Direitos para a Copa do Mundo de 2002 e 2006, (exceto para a Europa e os EUA). Este foi assinado em nome da FIFA por João Havelange. Com este contrato, a FIFA concedeu a utilização exclusiva do rádio e direitos de transmissão televisiva para a Copa do Mundo de 2002 e 2006 para a Empresa 1 (a ISL/ISMM) com o exceção da Europa e os EUA. A concessão dos direitos exclusivos para a utilização dos direitos deveria ser compensada pelo pagamento mínimo de US$ 650 milhões para a Copa do Mundo de 2002 e US$  750 milhões para a Copa do Mundo de 2006.

Um mês depois, a  29 de junho de 1998, foi firmado um sublicenciamento pela “Empresa 1″ com as “Empresa 2“ e “Empresa 3″ para  a utilização dos direitos de radiodifusão sonora e televisiva da Copa do Mundo de 2002 no Brasil. A  compensação seria de US$  220,5 milhões, elevada, em 17 de dezembro de 1998, para US$ 221 milhões.

Os documentos dizem que João Havelange e Ricardo Teixeira embolsaram – 1,5 milhão de francos suíços (R$ 3,6 milhões), o primeiro   e o segundo pelo menos 12,7 milhões de francos suíços (R$ 30 milhões), mesmo sem especificação de valores recebidos após 98 –  em parte por suas influências, especialmente com os direitos de transmissão:

“(Com) a alimentação constante (de dinheiro) que teve lugar ao longo de vários anos, os serviços  -não apenas de João Havelange, mas também os de Ricardo Terra Teixeira foram comprados. O último foi o genro de João Havelange – uma circunstância de que o Grupo ISMM / ISL esperava, sem dúvida, para alcançar benefícios adequados – aliado ao fato de que ele era o presidente do membro mais poderoso da FIFA, a CBF,  uma forma adequada de marcar um conjunto de metas, por assim dizer. Em primeiro lugar, a celebração do contrato com a FIFA e, posteriormente, aqueles com os negociantes  brasileiros dos direitos de licença atribuídos sob a forma de contratos de sublicenciamento.”

Embora a Rede Globo tenha, curiosamente, comprado por US$ 220 milhões os direitos de transmissão da Copa de 2002 pela via de uma empresa que abriu e fechou nas Ilhas Virgens Britânicas, é mera coincidência que o mesmo paraíso fiscal tenha sido usado para pagar as propinas a ambos.

“A  Fundação 1 foi  constituída, entre outros, pelos membros do conselho de administração da  Grupo (ISL)ISMM com objetivo estatutário  foi o de investimento e gerenciamento dos ativos, bem como a distribuição do lucro líquido e os ativos da fundação para determinados, ou determináveis, os beneficiários. A  Empresa  4,  estabelecida nas Ilhas Virgens Inglesas em 1° de dezembro de 1997, e todas as suas ações foram transferidas para a Fundação 1 em um 08 de fevereiro de 1999.”


Tudo, é claro, é mera teoria conspiratória de blogs sujos, porque todos sabem que os direitos de transmissão da Copa ficaram mesmo com a Difusora de Paracatu e sua subsidiária Paracatu Global Network.

Clique aqui para ver os documentos.

Por: Fernando Brito
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Dilma expressa “indignação e repúdio” por episódio com Evo

03.07.2013
Do blog VI O MUNDO


O governo brasileiro expressa sua indignação e repúdio ao constrangimento imposto ao presidente Evo Morales por alguns países europeus, que impediram o sobrevoo do avião presidencial boliviano por seu espaço aéreo, depois de haver autorizado seu trânsito.

O noticiado pretexto dessa atitude inaceitável — a suposta presença de Edward Snowden no avião do Presidente –, além de fantasiosa, é grave desrespeito ao Direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações. Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores.

Causa surpresa e espanto que a postura de certos governos europeus tenha sido adotada ao mesmo momento em que alguns desses mesmos governos denunciavam a espionagem de seus funcionários por parte dos Estados Unidos, chegando a afirmar que essas ações comprometiam um futuro acordo comercial entre este país e a União Europeia.

O constrangimento ao presidente Morales atinge não só à Bolívia, mas a toda América Latina. Compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações entre eles. Exige pronta explicação e correspondentes escusas por parte dos países envolvidos nesta provocação.

O governo brasileiro expressa sua mais ampla solidariedade ao presidente Evo Morales e encaminhará iniciativas em todas instâncias multilaterais, especialmente em nosso continente, para que situações como essa nunca mais se repitam.

Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil

Leia também:

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Dilma: bloqueios de rodovias ferem ordem do País

03.07.2013
Do BLOG DA FOLHA
PUBLICADO POR BRANCA ALVES

“Meu governo não ficará quieto durante o processo de interrupção de rodovias. Ordem significa democracia, respeito às condições da produção e de circulação da população", disse a petista (Foto: Wilson Dias/ABr)

Agência Brasil (Brasília) – A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (3) que as interrupções de rodovias federais por caminhoneiros nos últimos dias ferem a ordem do país. Segundo ela, o governo não concorda com qualquer processo que provoque turbulência nas atividades produtivas do País e na vida da população.

“Meu governo não ficará quieto durante o processo de interrupção de rodovias. Ordem significa democracia, respeito às condições da produção e de circulação da população. Não tenham dúvidas que o governo não negocia isso, não concordamos com processos que levem a qualquer turbulência nas atividades produtivas e na vida das pessoas”, disse. Ela discursou na cerimônia de assinatura do primeiro anúncio público de terminais de uso privado (TUPs), no Palácio do Planalto.

A presidenta mencionou a expressão “Ordem e Progresso” da bandeira do Brasil para dizer que ordem significa democracia. Dilma disse haver diferença entre bloqueios de caminhoneiros e das manifestações feitas pela população nas ruas das cidades nos últimos dias. “Uma coisa são manifestações pacíficas que muito engrandecem o País, outra muito diferente é acreditar que o País possa viver sem normalidade e estabilidade”.

Nos últimos dias caminhoneiros em protestos interditam, total ou parcialmente, rodovias federais no País. Hoje, trechos de rodovias que cortam estados da região Sul foram bloqueadas. Ontem (2), segundo balanço nacional divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) sete estados tiveram estradas bloqueadas.

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Fonte:http://www.folhape.com.br/blogdafolha/?paged=2

EM PROTESTO, MANIFESTANTES 'LACRAM' REDE GLOBO

03.07.2013
Do portal BRASIL247
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Globo é expulsa do protesto da favela da Maré na Av. Brasil

03.07.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA



Mais uma equipe da Rede Globo que não consegue gravar reportagem diante dos protestos dos manifestantes.

No protesto realizado na terça-feira (2), na favela da Maré até a Av. Brasil, no Rio, pelas 10 vítimas fatais do confronto na semana passada, a equipe da Globo foi recebida com os gritos:

Globo, fascista! Sensacionalista!

A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura!


Em tempo:
Hoje, 03/07, tem ato Nacional em frente às emissoras da Rede Globo em todo o Brasil. Procure saber em sua cidade.
No Rio, das 17 às 20hs: https://www.facebook.com/events/562115547160522/
Em Fortaleza, às 16:30hs: https://www.facebook.com/events/156592181195500/
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MARCHA OCUPE REDE GLOBO MARCADA PARA ESTA QUARTA

03.07.2013
Do portal BRASIL247
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