sábado, 29 de junho de 2013

Feltrin: Globo não admite crime, diz que pagou multa e que operação nas ilhas Virgens foi legal

29.06.2013
Do blog VI O MUNDO

Parecer da Receita falou em simulação, sonegação e crime “em tese”.

Globo pagou multa de R$ 274 mi à Receita por causa da Copa 2002
29/06/201317h50

Em comunicado oficial, a Globo Comunicação e Participações confirmou neste sábado (29) que pagou multa de mais de R$ 270 milhões à Receita Federal em 2006. O motivo da multa foi — no entendimento da Receita — irregularidades na operação de compra dos direitos exclusivos de transmissão da Copa do Mundo de 2002. A notícia sobre o auto de infração lavrado contra a emissora foi dado pelo repórter e blogueiro Miguel do Rosário.

No total, a emissora teve de desembolsar entre multa (R$ 274 milhões) , juros de mora (R$ 157 mi) e imposto não pago (R$ 183 milhões) um total de mais de R$ 615 milhões. A emissora “disfarçou” a compra dos direitos sobre a rubrica “investimentos e participação societária no exterior”, utilizando para esse fim um paraíso fiscal, as Ilhas Virgens. O Fisco discordou da estratégia contábil e aplicou a multa, que já foi paga, segundo a emissora.
O processo correu em sigilo até então.

Usando de eufemismo, a assessoria que responde pela Globo nesse assunto (uma assessoria particular, e não a CGCom) tentou a princípio tergiversar.

“A Globo Comunicação e Participações esclarece que não existe nenhuma pendência tributária da empresa com a Receita Federal referente à aquisição dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de Futebol de 2002. Os impostos devidos foram integralmente pagos.”

Ao ser novamente questionada pelo fato de que não havia respondido à pergunta inicial e fundamental desta coluna — a Globo foi multada ou não pela Receita? –, a assessoria enviou uma nova nota esclarecendo que, sim, a TV Globo fora multada.

“Todos os procedimentos de aquisição de direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 pela TV Globo deram-se de acordo com as legislações aplicáveis, segundo nosso entendimento. Houve entendimento diferente por parte do Fisco. Este entendimento é passível de discussão, como permite a lei, mas a empresa acabou optando pelo pagamento”, informava uma segunda nota oficial enviada neste sábado.

A Receita Federal entendeu que houve erro ou sonegação, não aceitou as justificativas contábeis e fez a cobrança.

“A pessoa jurídica realizou operações simuladas, ocultando as circunstâncias materiais do fato gerador de imposto de renda na fonte”, afirma página do processo 0719000/0409/2006, obtida pelo blog de Rosário.

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SONEGAÇÃO DA GLOBO TEM O FEDOR DA PRIVATARIA

29.06.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

A Globo derruba a Dilma e negocia com o Temer pagar em cem anos. Bingo !

O ansioso blogueiro perguntou a um leão da Receita – daqueles que não tinham medo e cobravam de todo mundo … – se a Globo já tinha pago a multa devida pela sonegação que o Miguel do Rosário denunciou. 

Resposta interessante:

A Globo não pagou. Nem fez acordo. O caso está no site da Receita inscrito como “em trânsito”, segundo um amigo. Ou seja, deve ter ficado preso num engarrafamento. Talvez tenha havido um protesto na rua.

Navalha

Não é preciso ser um engenheiro da NASA para entender a acrobacia.

A Globo derruba o Governo nas manifestações, dá posse ao Temer e paga a dívida em suaves prestações mensais ao longo de 100 anos.

Interessante também foi a interpretação que o ansioso blogueiro recolheu do Vasco, que leu e releu o Privataria Tucana, do Amaury Ribeiro jr.

(Engraçado, o pessoal da doença infantil do transportismo não levou nenhuma faixa para a Avenida Paulista pedindo a apuração da Privataria ou a legitimação da Satiagraha. Deve ter sido um lapso …)

O relatório do auditor Alberto Sodré Zile – que jamais aparecerá para as suaves apresentadoras da GloboNews – fala em “em aparência” para “dissimular”, ao descrever a operação da Globo num paraíso fiscal.

O Vasco mergulhou no relatório e no livro do Amaury e concluiu.

A Globo pode ter aberto uma empresa de fachada nas Ilhas Virgens para adquirir os direitos de transmitir a Copa do Mundo.

Uma empresa dela mesma, a Globo.

Para não pagar o imposto devido – deve ser em torno de 15% !!! – ela simula que essa empresa offshore foi que comprou os direitos.

A Globo do Brasil manda o dinheiro para a Globo offshore.

A Globo offshore compra os direitos.

A Globo fica com os direitos.

Não paga o imposto e em seguida fecha a empresa offshore.

Bingo !

Isso fede a Privataria Tucana, lembrou o Vasco, sempre alerta.

Essa é a tecnologia descrita no livro do Amaury para as operações do clã Cerra: Ricardo Sergio de Oliveira, o “Mr Big”, aquele do se isso der m…, Verônica Cerra e seu marido, Alexandre Bourgeois.

Abria a empresa nas Ilhas Virgens – as mesmas ilhas, coitadas, estupradas por brasileiros ilustres … – o clã Cerra fazia a negociata, não pagava imposto, lavava o dinheiro aqui dentro, numa boa, e depois fechava a empresa.

Tudo isso debaixo das barbas da Policia Federal do zé Cardozo !

E quem vai em cana é o Genoino.

Quá, qua, quá !

Viva o Brasil !

Em tempo: o Bessinha, como se vê, presta singela homenagem ao Faustão, o filósofo do Faustão, que recebe os amigos para uma pizza em casa. Esse Bessinha …

Paulo Henrique Amorim
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Governo organiza agenda para ampliar debate com movimentos sociais, diz ministro

29.06.2013
Do portal da Agência Brasil
PorYara Aquino

Brasília - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje (29) que o governo pretende conversar com mais representantes de movimentos sociais na próxima semana. A finalidade é continuar a debater as reivindicações defendidas nos protestos que ocorrem em todo o país. Ele esteve neste sábado com a presidenta no Palácio da Alvorada.

“Achamos que o governo colocou uma agenda para o país e essa agenda vai ser desdobrada para a próxima semana, tanto a parte econômica, a questão da agenda de transporte urbano público, que é importante, e a agenda política do plebiscito. Na verdade, está sendo organizada uma agenda para a presidenta conversar com mais entidades e atores políticos esta semana”, disse.

Sobre o plebiscito que definirá uma reforma política para o país, ele disse que diante da “magnitude” das manifestações a reforma política é um dos pontos a serem dados como resposta à sociedade. “É urgente fazer uma reforma política. O congresso não tem conseguido avançar, até por um motivo muito simples, porque divide a classe política, portanto chamar o povo para opinar num ponto como esse é importante e urgente.”    

O governo conseguiu consenso em torno da proposta do plebiscito na quinta-feira (27), após dia intenso de reuniões entre a presidenta Dilma, presidentes de partidos e líderes da base aliada na Câmara e no Senado. No entanto, a data da consulta popular, questões e validade das mudanças ainda serão debatidas.

"O plebiscito é uma responta para um quadro de incerteza política, de um quadro onde você não consegue fazer avançar uma reforma política. Então estamos dando uma saída, que achamos que viabiliza uma reforma política, que é um dos pontos que deve ser dado como resposta a esta conjuntura", enfatizou Paulo Bernardo.
    
Edição: Talita Cavalcante//Matéria ampliada às 15h36.
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Para diretor do Diap, poder econômico pode influenciar

29.06.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL,
Por Hylda Cavalcanti, especial para a RBA

Congresso na reforma política Antônio Augusto Queiroz observa, no entanto, que a presidenta Dilma tem o poder de vetar e deve analisar o que pode vir a ser considerado excesso, oportunismo, conveniência ou contrário ao interesse público 
PT
congresso
Toninho: Dilma tem prerrogativa de veto a matérias que podem chegar por oportunismo no Palácio do Planalto
Brasília - O jornalista e analista político Antônio Augusto Queiroz, o Toninho, diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), avalia que a “carona” observada na inclusão de itens diversos às matérias votadas pela Câmara e pelo Senado é comum nos parlamentos de todo o mundo em momento semelhantes ao que vive o Brasil. Para ele, no entanto, a presidenta Dilma Rousseff tem o poder de vetar e deve analisar, com cuidado, o que pode vir a ser considerado excesso, oportunismo, conveniência ou contrário ao interesse público.
Nesta entrevista Toninho também chama a atenção para a influência do poder econômico junto aos parlamentares durante a votação da reforma política.
Alguns parlamentares estão pegando carona nessa agenda positiva do Congresso dos últimos dias para tentar incluir outros itens na aprovação das matérias. O sr. acredita que pode haver um conflito de interesses com esse processo de votação acelerada?

Nessas coisas feitas às pressas sempre corre-se o risco de ver serem incluídos contrabandos, matérias impensadas e tal. Mas a presidenta da República tem a prerrogativa de veto e uma vez essas matérias chegando no Palácio do Planalto ela pode fazer uma adequação mediante veto e corrigir. De qualquer maneira, é uma situação em que, para aprovar, o presidente de cada Casa (Câmara e Senado), tem de enfrentar. As forças que querem dar uma resposta rápida às manifestações votam e fazem concessões para viabilizar a agenda. É um processo natural nos parlamentos de um modo geral.

O sr. poderia dar exemplos do comportamento do Congresso em situações comoesta em outros países?
No Congresso americano, quando se vota alguma coisa com muita pressa, sempre se faz concessões. A diferença é que lá não há veto parcial: ou o veto é total ou não se veta, ou se sanciona tudo ou se veta tudo. No caso daqui, a presidenta Dilma tem veto parcial, então é menos preocupante, porque ela pode tirar aquilo que considere excesso, oportunismo, conveniência ou que seja contrário ao interesse público.
O poder econômico fala cada vez mais forte no Congresso por conta dos financiamentos das campanhas dos parlamentares e do grande número deparlamentares que são empresários. Isso não pode criar dificuldades na aprovaçãoda reforma política e na aprovação mais rápida desta agenda positiva?
No caso da reforma política, esta vai ser antecedida, pelo que está sendo desenhado, por um plebiscito. Em tese, os parlamentares terão de obedecer os parâmetros observados no plebiscito para fazer essa reforma, então não haveria, na minha avaliação, como extrapolar esse escopo. Agora, que o poder econômico e os próprios parlamentares vão dificultar a aprovação desse plebiscito de modo a que vigore já na eleição seguinte, isso vão, porque qualquer que seja o resultado da reforma, a pretensão é sempre reduzir a influência do poder econômico sobre as eleições. E, certamente, haverá resistência em relação a esse aspectos.
Hoje o que está havendo é uma prevalência do poder econômico em relação à formação do poder no Brasil. Como há o financiamento privado de campanha, os parlamentares e os governantes de um modo geral, considerando o custo elevado das campanhas, dependem desses apoios, e isso com certeza, traz uma situação de constrangimento para esses parlamentares.
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ECOS DO PROTESTO: O risco de frustrar as ruas

29.06.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Por Luciano Martins Costa, na edição 752

O governo petista comemora sinais de que os partidos aliados apoiariam uma consulta popular sobre a reforma política e a possibilidade de que parte da oposição acabe aderindo à proposta, por causa da pressão das ruas. O britânico Financial Times chama o Partido dos Trabalhadores de “oportunista”, por levantar a tese da taxação de fortunas. Enquanto isso, vão saindo da pauta as questões periféricas ao núcleo dos protestos, como o projeto da “cura gay”, a proposta de emenda constitucional nº 37, que poucos entenderam mas muitos condenaram, e adiam-se aumentos de tarifas e pedágios.
Mas segue no ar o cheiro da revolta, que, embora informada por ideias de mudança, não parece se sustentar sobre as teorias políticas que fizeram as bases de movimentos relevantes no passado.
Mesmo que não se possa afirmar que vivemos uma "pós-modernidade", ou, ainda, que testemunhamos o "pós-História", como querem alguns, chega perto quem identificar o desaparecimento das revoluções sistêmicas que marcaram os últimos duzentos anos. Há uma fragmentação das motivações, mas o resultado do pensamento não conformista ainda é uma ação política efetiva e impactante.
Aparentemente, muitos dos analistas acreditados pela imprensa têm dificuldade para enquadrar o fenômeno das manifestações, assim como o Financial Times não consegue ir além dos dogmas do credo liberal para imaginar de onde pode sair pelo menos uma parte do dinheiro necessário para atender as reivindicações das ruas.
Não se pode condenar uma proposta de taxação de grandes fortunas sem considerar certos aspectos da sociedade brasileira, principalmente o histórico das diferenças de renda e oportunidades; mas mesmo a imprensa nacional, que opera no contexto dessa sociedade desigual, costuma se valer desse olhar plano sobre o cenário de vales e montanhas para justificar que nada seja mudado.
Acontece que não existe a possibilidade desse "nada".
O estado dos debates não permite afirmar que é possível ou mesmo conveniente taxar o patrimônio privado a partir de determinado montante, além do que é feito segundo as normas atuais da Receita Federal, mas pode-se prever que, se não forem atendidas as pautas centrais que motivam os protestos, não haverá ganhadores ao final da contenda.
Uma no cravo, uma no dedo
Ainda que não haja teorias prontas, claras o suficiente para auxiliar os analistas dispostos a compreender os fatos recentes – e não interessados em apenas interpretar esses acontecimentos –, pode-se fazer uma aproximação interessante no calor dos eventos, como se exige do jornalista. Basta lembrar o básico da filosofia clássica, observando-se aquilo que transparece dos fenômenos, ou seja, todos os elementos compreensíveis da realidade.
Há um conjunto de razões declaradas, que conduziram às decisões recentes dos governantes, e há também as motivações implícitas, que, apesar de não verbalizadas, também podem ser observadas.Algumas dessas motivações ocultas certamente irão mover ou imobilizar aqueles que acreditam ser possível apaziguar as ruas sem conceder o essencial das reivindicações, e que, por terem muito a perder, também estarão dispostos a aumentar suas apostas.
Entre esses haverá certamente alguns ou muitos dos que têm participado até agora do festim no interior das instituições públicas, que não estão habituados a prestar contas – ou melhor – que só prestam contas no âmbito vicioso das próprias instituições. Esse é o contexto do jogo de toma-lá-dá-cá, ou, como na frase que celebrizou o falecido deputado Roberto Cardoso Alves, a regra segundo a qual "é dando que se recebe".
As instituições republicanas parecem ter despertado de sua alienação, e uma aparente disposição para levar adiante a reforma política seria o sinal mais claro de que alguma coisa se move no interior do sistema.
Essa reforma deveria produzir uma ruptura na parede que separa essas instituições da sociedade, reanimando o jogo democrático. O noticiário dos jornais indica que tanto a imprensa quanto as autoridades ainda não sabem o lugar certo onde colocar seus desejos, e certamente seguirão dando uma no cravo, outra na ferradura, e eventualmente outra no próprio dedo.
Mas é assim mesmo que se aprende a compreender o novo.
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Observar não basta, tem de estar junto

29.03.2013
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

Muito boa a iniciativa de Dilma Rousseff em chamar as organizações da juventude e das periferias para uma conversa direta, hoje, no Palácio do Planalto.

Melhor ainda a ideia de criar – embora o nome seja muito inexpressivo – o tal “Observatório Participativo”, destinado a ouvir e se comunicar com os jovens que utilizam as redes sociais como forma de relacionamento e mobilização.
Tomara que não seja uma coisa unilateral, onde a moçada fala e o governo só ouve.
Ouvir é, sim, um imenso passo para um governo que, pelas suas necessidades, estava tendo de ouvir mais o que é o passado que queremos deixar pra trás e menos o futuro que não sabemos como é, mas sabemos como queremos que seja.
E, também, ouvindo, estar junto, presente, atento e nunca ser atropelado por fatos que, distante, não pôde perceber.
Mas há outro enorme e indispensável passo, que é falar.
Falar, falar muito, mostrar que esses cartazes que levantam nas ruas são e foram a razão de nossas vidas e que, com todas as dificuldades, são o que estamos tentando fazer.
Precisamos dizer e apontar quem são os que se opoem aos nossos sonhos, quem são as barreiras, os obstáculos, os muros que se levantam no caminho de nossas esperancas, para que esses, sim, possamos juntos derrubar.
Para que possamos dizer a eles o que Bertold Brecht disse no seu “Aos que virão depois de nós“:
Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo
da revolta
e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção
e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.

Vocês, que vão emergir das ondas
em que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios
de que vocês tiveram a sorte de escapar.

Nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países que de
sapatos, desesperados!
quando só havia injustiça e não havia revolta.

Nós sabemos:
o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
que queríamos preparar o caminho para a
amizade,
não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós
com um pouco de compreensão.

Se nos compreenderem, a força que se pretendeu voltar contra um governo popular se voltará justamente contra aqueles que impedem que um governo popular avance mais.
É por isso que estes dois processos não se distinguem: compreender a rua para avançar; ser compreendido por elas e poder avançar.
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O SIGNIFICADO E AS PERSPECTIVAS DAS MOBILIZAÇÕES DE RUA

29.06.2013
Do portal FAZENDO MEDIA, 27.06.13
Por Nilton Viana, do Brasil de Fato*

stedileÉ hora do governo aliar-se ao povo ou pagará a fatura no futuro. Essa é uma das avaliações de João Pedro Stedile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) sobre as recentes mobilizações em todo o país. Segundo ele, há uma crise urbana instalada nas cidades brasileiras, provocada por essa etapa do capitalismo financeiro. “As pessoas estão vivendo um inferno nas grandes cidades, perdendo três, quatro horas por dia no trânsito, quando poderiam estar com a família, estudando ou tendo atividades culturais”, afirma. Para o dirigente do MST, a redução da tarifa interessava muito a todo o povo e esse foi o acerto do Movimento Passe livre, que soube convocar mobilizações em nome dos interesses do povo.
Nesta entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Stedile fala sobre o caráter dessas mobilizações, e faz um chamamento: devemos ter consciência da natureza dessas manifestações e irmos todos para a rua disputar corações e mentes para politizar essa juventude que não tem experiência da luta de classes. “A juventude está de saco cheio dessa forma de fazer política burguesa, mercantil”, constata. E faz uma alerta: o mais grave foi que os partidos da esquerda institucional, todos eles, se moldaram a esses métodos. Envelheceram e se burocratizaram. As forças populares e os partidos de esquerda precisam colocar todas as suas energias para ir para a rua, pois está ocorrendo, em cada cidade, em cada manifestação, uma disputa ideológica permanente da luta dos interesses de classes. “Precisamos explicar para o povo quem são os principais inimigos do povo”.
Brasil de Fato – Como você analisa as recentes manifestações que vêm sacudindo o Brasil nas últimas semanas? Qual é a base econômica para elas terem acontecido?
João Pedro Stedile – Há muitas avaliações sobre por que estão ocorrendo estas manifestações. Me somo à análise da professora Ermínia Maricato, que é nossa maior especialista em temas urbanos e já atuou no Ministério das Cidades na gestão Olívio Dutra. Ela defende a tese de que há uma crise urbana instalada nas cidades brasileiras, provocada por essa etapa do capitalismo financeiro. Houve uma enorme especulação imobiliária que elevou os preços dos aluguéis e dos terrenos em 150% nos últimos três anos. O capital financiou – sem nenhum controle governamental – a venda de automóveis para enviar dinheiro para o exterior e transformou nosso trânsito um caos. E, nos últimos dez anos, não houve investimento em transporte público. O programa habitacional Minha casa, minha vida empurrou os pobres para as periferias, sem condições de infraestrutura. Tudo isso gerou uma crise estrutural, em que as pessoas estão vivendo um inferno nas grandes cidades, perdendo três, quatro horas por dia no trânsito, quando poderiam estar com a família, estudando ou tendo atividades culturais. Somado a isso, a péssima qualidade dos serviços públicos, em especial na saúde e mesmo na educação, desde a escola fundamental, ensino médio, em que os estudantes saem sem saber fazer uma redação. E o ensino superior virou loja de vendas de diplomas a prestações, onde estão 70% dos estudantes universitários.
Do ponto de vista político, por que isso aconteceu?
Os 15 anos de neoliberalismo e mais os últimos dez anos de um governo de composição de classes transformou a forma de fazer política em refém apenas dos interesses do capital. Os partidos ficaram velhos em suas práticas e se transformaram em meras siglas que aglutinam, em sua maioria, oportunistas para ascender a cargos públicos ou disputar recursos públicos para seus interesses. Toda a juventude nascida depois das Diretas Já não teve oportunidade de participar da política. Hoje, para disputar qualquer cargo, por exemplo, o de vereador, o sujeito precisa ter mais de um milhão de reais. O de deputado custa ao redor de dez milhões de reais. Os capitalistas pagam e depois os políticos os obedecem. A juventude está de saco cheio dessa forma de fazer política burguesa, mercantil. Mas o mais grave foi que os partidos da esquerda institucional, todos eles, se moldaram a esses métodos. Envelheceram e se burocratizaram. E, portanto, gerou na juventude uma ojeriza à forma dos partidos atuarem. E eles têm razão. A juventude não é apolítica, ao contrário, tanto é que levou a política para as ruas, mesmo sem ter consciência do seu significado. Mas está dizendo que não aguenta mais assistir na televisão essas práticas políticas que sequestraram o voto das pessoas, baseadas na mentira e na manipulação. E os partidos de esquerda precisam reapreender que seu papel é organizar a luta social e politizar a classe trabalhadora. Senão cairão na vala comum da história.
E por que as manifestações eclodiram somente agora?
Provavelmente tenha sido mais pela soma de diversos fatores de caráter da psicologia de massas, do que por alguma decisão política planejada. Somou-se todo o clima que comentei, mais as denúncias de superfaturamento das obras dos estádios, que é são um acinte ao povo. Vejam alguns episódios. A Rede Globo recebeu do governo do estado do Rio de Janeiro e da prefeitura R$ 20 milhões do dinheiro público para organizar o showzinho de apenas duas horas do sorteio dos jogos da Copa das Confederações. O estádio de Brasília custou R$ 1,4 bilhão e não tem ônibus na cidade! A ditadura explícita e as maracutaias que a Fifa/CBF impuseram e que os governos se submeteram. A reinauguração do Maracanã foi um tapa no povo brasileiro. As fotos eram claras, no maior templo do futebol mundial não havia nenhum negro ou mestiço! E aí o aumento das tarifas de ônibus foi apenas a faísca para acender o sentimento generalizado de revolta, de indignação. A gasolina para a faísca veio do governo tucano Geraldo Alckmin, que protegido pela mídia paulista que ele financia, e acostumado a bater no povo impunemente – como fez no Pinheirinho e em outros despejos rurais e urbanos – jogou sua polícia para a barbárie. Aí todo mundo reagiu. Ainda bem que a juventude acordou. E nisso houve o mérito do Movimento Passe Livre, que soube capitalizar essa insatisfação popular e organizou os protestos na hora certa.
Por que a classe trabalhadora ainda não foi à rua?
É verdade, a classe trabalhadora ainda não foi para a rua. Quem está na rua são os filhos da classe média, da classe media baixa, e também alguns jovens do que o Andre Singer chamaria de subproletariado, que estudam e trabalham no setor de serviços, que melhoraram as condições de consumo, mas querem ser ouvidos. Esses últimos apareceram mais em outras capitais e nas periferias. A redução da tarifa interessava muito a todo o povo e esse foi o acerto do Movimento Passe livre, soube convocar mobilizações em nome dos interesses do povo. E o povo apoiou as manifestações. Isso está expresso nos índices de popularidade dos jovens, sobretudo quando foram reprimidos. A classe trabalhadora demora a se mover, mas quando se move afeta diretamente o capital. Coisa que ainda não começou acontecer. Acho que as organizações que fazem a mediação com a classe trabalhadora ainda não compreenderam o momento e estão um pouco tímidas. Mas a classe, como classe, acho que está disposta a também lutar. Veja que o número de greves por melhorias salariais já recuperou os padrões da década de 1980. Acho que é apenas uma questão de tempo, é só as mediações acertarem nas bandeiras que possam motivar a classe a se mexer. Nos últimos dias já se percebe que em algumas cidades menores e nas periferias das grandes cidades já começam a ter manifestações com bandeiras de reivindicações bem localizadas. E isso é muito importante.
 Vocês do MST e dos camponeses também não se mexeram ainda…
É verdade. Nas capitais onde temos assentamentos e agricultores familiares mais próximos já estamos participando. Inclusive, sou testemunha de que fomos muito bem recebidos com nossa bandeira vermelha e com nossa reivindicação de reforma agrária, alimentos saudáveis e baratos para todo o povo. Acho que nas próximas semanas poderá haver uma adesão maior, inclusive realizando manifestações dos camponeses nas rodovias e municípios do interior. Na nossa militância está todo mundo doido para entrar na briga e se mobilizar. Espero que também se mexam logo.
 Na sua opinião, qual é a origem da violência que tem acontecido em algumas manifestações?
Primeiro vamos relativizar. A burguesia, através de suas televisões, tem usado a tática de assustar o povo colocando apenas a propaganda dos baderneiros e quebra-quebra. São minoritários e insignificantes diante das milhares de pessoas que se mobilizaram. Para a direita, interessa colocar no imaginário da população que isso é apenas bagunça e no final, se tiver caos, colocar a culpa no governo e exigir a presença das Forças Armadas. Espero que o governo não cometa essa besteira de chamar a guarda nacional e as Forças Armadas para reprimir as manifestações. É tudo o que a direita sonha! Quem está provocando as cenas de violência é a forma de intervenção da Policia Militar. A PM foi preparada desde a ditadura militar para tratar o povo sempre como inimigo. E nos estados governados pelos tucanos (SP, RJ e MG), ainda tem a promessa de impunidade. Há grupos direitistas organizados com orientação de fazer provocações e saques. Em são Paulo, atuaram grupos fascistas e leões de chácaras contratados. No Rio de Janeiro, atuaram as milícias organizadas que protegem seus políticos conservadores. E claro, há também um substrato de lumpesinato que aparece em qualquer mobilização popular, seja nos estádios, carnaval, até em festa de igreja, tentando tirar seus proveitos.
 Há, então, uma luta de classes nas ruas ou é apenas a juventude manifestando sua indignação?
É claro que há uma luta de classes na rua. Embora ainda concentrada na disputa ideológica. E o que é mais grave, a própria juventude mobilizada, por sua origem de classe, não tem consciência de que está participando de uma luta ideológica. Eles estão fazendo política da melhor forma possível, nas ruas. E aí escrevem nos cartazes: somos contra os partidos e a política? Por isso têm sido tão difusas as mensagens nos cartazes. Está ocorrendo, em cada cidade, em cada manifestação, uma disputa ideológica permanente da luta dos interesses de classes. Os jovens estão sendo disputados pelas ideias da direita e pela esquerda. Pelos capitalistas e pela classe trabalhadora. Por outro lado, são evidentes os sinais da direita muito bem articulada e de seus serviços de inteligência, que usam a internet, se escondem atrás das máscaras e procuram criar ondas de boatos e opiniões pela internet. De repente, uma mensagem estranha alcança milhares de mensagens. E aí se passa a difundir o resultado como se ela fosse a expressão da maioria. Esses mecanismos de manipulação foram usados pela CIA e pelo Departamento de Estado Estadunidense, na Primavera Árabe, na tentativa de desestabilização da Venezuela, na guerra da Síria. É claro que eles estão operando aqui também para alcançar os seus objetivos.
E quais são os objetivos da direita e suas propostas?
A classe dominante, os capitalistas, os interesses do império Estadunidense e seus porta-vozes ideológicos, que aparecem na televisão todos os dias, têm um grande objetivo: desgastar ao máximo o governo Dilma, enfraquecer as formas organizativas da classe trabalhadora, derrotar quaisquer propostas de mudanças estruturais na sociedade brasileira e ganhar as eleições de 2014, para recompor uma hegemonia total no comando do Estado brasileiro, que agora está em disputa. Para alcançar esses objetivos, eles estão ainda tateando, alternando suas táticas. Às vezes, provocam a violência para desfocar os objetivos dos jovens.
Às vezes, colocam nos cartazes dos jovens a sua mensagem. Por exemplo, a manifestação do sábado (22), embora pequena, em São Paulo, foi totalmente manipulada por setores direitistas que pautaram apenas a luta contra a PEC 37, com cartazes estranhamente iguais e palavras de ordem iguais. Certamente, a maioria dos jovens nem sabem do que se trata. E é um tema secundário para o povo, mas a direita está tentando levantar as bandeiras da moralidade, como fez a UDN em tempos passados. Isso que já estão fazendo no Congresso, logo, logo vão levar às ruas. Tenho visto nas redes sociais controladas pela direita, que suas bandeiras, além da PEC 37 são: saída do Renan do Senado; CPI e transparência dos gastos da Copa; declarar a corrupção crime hediondo e fim do foro especial para os políticos. Já os grupos mais fascistas ensaiam Fora Dilma e abaixo-assinados pelo impeachment. Felizmente, essas bandeiras não têm nada a ver com as condições de vida das massas, ainda que elas possam ser manipuladas pela mídia. E, objetivamente podem ser um tiro no pé. Afinal, é a burguesia brasileira, seus empresários e políticos que são os maiores corruptos e corruptores. Quem se apropriou dos gastos exagerados da copa? A Rede Globo e as empreiteiras!
Nesse cenário, quais os desafios que estão colocados para a classe trabalhadora e as organizações populares e partidos de esquerda?
Os desafios são muitos. Primeiro devemos ter consciência da natureza dessas manifestações e irmos todos para a rua disputar corações e mentes para politizar essa juventude que não tem experiência na luta de classes. Segundo, a classe trabalhadora precisa se mover, ir para a rua, manifestar-se nas fábricas, campos e construções, como diria Geraldo Vandré. Levantar suas demandas para resolver os problemas concretos da classe, do ponto de vista econômico e político. Terceiro, precisamos explicar para o povo quem são os principais inimigos do povo. E agora são os bancos, as empresas transnacionais que tomaram conta de nossa economia, os latifundiários do agronegócio e os especuladores. Precisamos tomar a iniciativa de pautar o debate na sociedade e exigir a aprovação do projeto de redução da jornada de trabalho para 40 horas; exigir que a prioridade de investimentos públicos seja em saúde, educação, reforma agrária. Mas para isso, o governo precisa cortar juros e deslocar os recursos do superávit primário, aqueles R$ 200 bilhões que todo ano vão para apenas 20 mil ricos, rentistas, credores de uma dívida interna que nunca fizemos, deslocar para investimentos produtivos e sociais. É isso que a luta de classes coloca para o governo Dilma: os recursos públicos irão para a burguesia rentista ou para resolver os problemas do povo? Aprovar em regime de urgência para que vigore nas próximas eleições uma reforma política de fôlego, que, no mínimo institua o financiamento publico exclusivo da campanha. Direito a revogação de mandatos e plebiscitos populares autoconvocados. Precisamos de uma reforma tributaria que volte a cobrar ICMS das exportações primárias e penalize a riqueza dos ricos, e amenize os impostos dos pobres, que são os que mais pagam. Precisamos que o governo suspenda os leilões do petróleo e todas as concessões privatizantes de minérios e outras áreas publicas. De nada adianta aplicar todo os royalties do petróleo em educação, se os royalties representarão apenas 8% da renda petroleira, e os 92% irão para as empresas transnacionais que vão ficar com o petróleo nos leilões! Uma reforma urbana estrutural, que volte a priorizar o transporte público, de qualidade e com tarifa zero. Já está provado que não é caro, e nem difícil instituir transporte gratuito para as massas das capitais. E controlar a especulação imobiliária. E, finalmente, precisamos aproveitar e aprovar o projeto da Conferência Nacional de Comunicação, amplamente representativa, de democratização dos meios de comunicação. Assim, acabar com o monopólio da Globo, para que o povo e suas organizações populares tenham amplo acesso a se comunicar, criar seus próprios meios de comunicação, com recursos públicos. Ouvi de diversos movimentos da juventude que estão articulando as marchas que talvez essa seja a única bandeira que unifica a todos: abaixo o monopólio da Globo! Mas, para que essas bandeiras tenham ressonância na sociedade e pressionem o governo e os políticos, é imprescindível a classe trabalhadora se mover.
O que o governo deveria fazer agora?
Espero que o governo tenha a sensibilidade e a inteligência de aproveitar esse apoio, esse clamor que vem das ruas, que é apenas uma síntese de uma consciência difusa na sociedade, que é hora de mudar. E mudar a favor do povo. Para isso o governo precisa enfrentar a classe dominante, em todos os aspectos. Enfrentar a burguesia rentista, deslocando os pagamentos de juros para investimentos em áreas que resolvam os problemas do povo. Promover logo as reformas políticas, tributárias. Encaminhar a aprovação do projeto de democratização dos meios de comunicação. Criar mecanismos para investimento pesados em transporte público, que encaminhem para a tarifa zero. Acelerar a reforma agrária e um plano de produção de alimentos sadios para o mercado interno. Garantir logo a aplicação de 10% do PIB em recursos públicos para a educação em todos os níveis, desde as cirandas infantis nas grandes cidades, ensino fundamental de qualidade até a universalização do acesso dos jovens a universidade pública. Sem isso, haverá uma decepção e o governo entregará para a direita a iniciativa das bandeiras, que levarão a novas manifestações, visando desgastar o governo até as eleições de 2014. É hora do governo aliar-se ao povo ou pagará a fatura no futuro.
E que perspectivas essas mobilizações podem levar para o país nos próximos meses?
Tudo ainda é uma incógnita, porque os jovens e as massas estão em disputa. Por isso que as forças populares e os partidos de esquerda precisam colocar todas suas energias, para ir para a rua. Manifestar-se, colocar as bandeiras de luta de reformas que interessam ao povo. Porque a direita vai fazer a mesma coisa e colocar as suas bandeiras conservadoras, atrasadas, de criminalização e estigmatização das ideias de mudanças sociais. Estamos em plena batalha ideológica, que ninguém sabe ainda qual será o resultado. Em cada cidade, em cada manifestação, precisamos disputar corações e mentes. E quem ficar de fora, ficará de fora da historia.
(*) Entrevista publicada no Brasil de Fato.
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PROTESTOS: NÃO CONFIE NA VELHA MÍDIA QUE APOIOU A DITADURA MILITAR BRASILEIRA

29.06.2013
Do BLOG DO MIRO

Protestos: não confie na velha mídia


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Centrais sindicais afirmam que não convocaram greve para segunda-feira

29.06.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Ônibus, trens e barcas deverão funcionar normalmente Diante de uma onda de boatos sobre uma greve geral na próxima segunda-feira, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical negaram, ontem, qualquer participação no movimento. As duas entidades estão convocando uma mobilização nacional para 11 de julho. 

Na terça-feira, as centrais têm uma reunião para tratar do assunto. "Nem a CUT nem as demais centrais sindicais, legítimas representantes da classe trabalhadora, convocaram greve geral para o dia 1º de julho", divulgou, em nota, a CUT.

 A convocação anônima pelas redes sociais foi classificada como "oportunista". O clima de incerteza foi disseminado por criado por um evento, com cerca de 200 mil adesões, criado numa rede social. Ontem, sindicatos e associações comerciais do Rio disseram não acreditar na adesão. - O importante é ver a situação dos transportes.  Empresas de ônibus, trens e barcas disseram que funcionarão normalmente na segunda.
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