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quinta-feira, 27 de junho de 2013

IDEIAS FASCISTAS NOS PROTESTOS: HORRORIZADO PELAS RUAS

27.06.2013
Do portal FAZENDO MEDIA, 22.06.13
Por Fábio Py Murta de Almeida

Após passeatas em Niterói e as coberturas das diferentes mídias: o que empolgava nos atos/protestos vem se “diluindo no ar”. Fato aferido na participação na passeata de pelo menos 300 mil pessoas no Rio, no dia 20, que foi das 17 horas às 22 horas. Para os que não sabem as manifestações foram orquestradas primeiro pelo Movimento do Passe Livre (MPL) que luta para baixar os preços das passagens que haviam sido aumentados no último mês. Após os primeiros atos os preços retornaram ao valor anterior tanto na cidade do Rio, Niterói e São Paulo. O movimento tem uma plataforma de questionamento do projeto neoliberal de parcerias públicas e privadas sobre os custos dos serviços públicos essenciais. Pauta iluminada sobre o espectro vermelho que questiona na direção dos direitos dos trabalhadores e estudantes.

Agora após tal vitória as manifestações seguiram como a do dia 20, no Rio. E, diferente do primeiro momento mais ligado ao MPL, onde se questionava as bases dos governos neoliberais brasileiros desde Fernando Collor de Mello até hoje Dilma Roussef, nesse segundo momento há pouca crítica ligada ao comum. Após a ‘vitória’ do MPL dos 20 centavos outros atores vêm ganhando destaque. O que se via nas manifestações do fôlego do MPL os temas e os cantos giravam em função dos pleitos das tarifas e do sistema de trânsito.

Nesse segundo momento o que se vê são: o canto do hino nacional, ressuscitou o hino da bandeira, canta-se uma música de uma banda de rock nacional dos intervalos televisivos, cantos de hinos de igrejas (falando de Deus e da família) e pagodes do momento. Não se lê mais Bertolt Brecht nas camisas. Ao inverso, os rostos trazem as marcas da bandeira nacional e como os usados pela mídia-hegemônica ‘caras-pintadas’ (Globo, grupo Veja, Record…). Gritos, falas e cantos são sobre a corrupção, contra os governos e qualquer partidarismo. Em catarse se afirma que não se quer qualquer plataforma partidária, de esquerda ou direita, preferem o “melhor para o Brasil”. Impressionante que poucos dias após conseguir baixar as tarifas de ônibus o que se vê é a exponencial participação popular nas manifestações. Também, a profunda falta de plataforma, falta de objetivo direto nelas. Ora, coisa parecida com essa não foi vista antes na história do Brasil não? Doses de patriotismo, um pouco de ufanismo, apego a tradição, a família, a ação de grupos de direita e contrariedade à politização – principalmente a politização de esquerda, acusados de comunistas: baderneiros que jantam crianças.

Para isso, cito um detalhe. Amigos e amigas de partidos históricos como a CUT, o PCB e PSTU (esquerdas) e o recente PSOL levantam as bandeiras partidárias e foram rechaçados por um número de pessoas, e entre eles, grupos de extrema direita atacaram os partidários da esquerda. Tiraram as bandeiras, rasgaram e queimaram. Usaram de socos e pontapés contra o centro-esquerda. Violência não só pura mais principalmente simbólica frente às esquerdas. Carecas atacaram covardemente grupos de luta por direitos humanos.

Repito: há (no mínino) uma flagrante despolitização do movimento. Comparativamente, essa manifestação frente às demais há uma queda da politização de lutas por direitos e igualdade. Também, há um tom religioso (conservador) nas discussões sobre direitos humanos. Há a troca de pauta contra indícios neoliberais em prol de um patriotismo, com doses elevadas de moralismo. Troca-se as ações diretas contra os 20 centavos pela luta efêmera contra a corrupção e a impunidade. Mais que corrupção e impunidade? Qual ação concreta? Ninguém sabe: ninguém aponta. Mais parece ser uma catarse de cobrança na forma festas/manifestação nos cantos de marchinhas e do recente sertanejo universitário.

Por fim, se antes tinha escrito que “Horrorizai-vos por que estamos nas ruas!”, agora, saí horrozirado delas. Estado de surpresa pela simples comparação entre os atos na flagrante mudança das pautas fruto dos diferentes grupos que constroem/sustentam as manifestações. Se antes havia uma empolgante pauta de luta por direitos comuns, nas últimas passeatas sente-se o cheiro de orquestrações da ultra-direita. Que seu fronte luta pela baderna e pela intolerância para construir um clima de anarquia no governo democraticamente eleito no Brasil.

(*) Fábio Py Murta de Almeida é teólogo, historiador e doutorando em Teologia pela PUC-RJ. Articulador do blog: fabiopymurtadealmeida.blogspot.com

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REDE GLOBO TUCANIZADA: Globo joga o povo pra escanteio no JN e vira palanque do Aécio. Usou até powerpoint.

27.06.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 26.06.13


O Jornal Nacional trocou o "golpe" das manifestações populares para derrubar Dilma pelo "golpe" do palanque para Aécio Neves (PSDB-MG) no noticiário.

A coisa foi tão descarada, que uma liderança tucana, o secretário de energia de São Paulo, José Aníbal, elogiou em seu twitter a "força" que o Jornal Nacional deu.

O JN diminuiu as notícias sobre as manifestações populares, e as jogou para o fim do telejornal.

E o resto só deu Aécio ou coisas de seu interesse, numa edição mal feita, deturpada e tendenciosa.

O JN começou falando de Dilma, deturpando ao dizer que ela recuou. Escolheu como "especialistas" quase só pessoas do contra, que queriam que o Congresso fizesse a reforma política que nunca fez, criticando a proposta de fazer plebiscito ou processo constituinte exclusiva com ampla participação popular.

O JN editou a fala de Joaquim Barbosa para deturpar e não dar a entender que ele tem a mesma opinião dela quanto à participação popular.

Enfim, o telejornal tentou desconstruir a imagem da presidenta e de suas propostas (sem muito sucesso, diga-se).

Depois deu ênfase a Aécio, como se fosse um salvador da Pátria, com propostas neoliberais para salvar tudo.

Só que Aécio é tão fraco, que a Globo precisou explicar o discurso dele no powerpoint, fazendo um infográfico, em vez de editar a própria fala do senador.

Essa é a Globo tucana de sempre, da bolinha de papel.

Leia também:
Apavorado, Aécio manda JN tirar do ar sua fala contra o povo na Constituinte
Agora é oficial: Rede Golpe assume o papel de porta-voz de Aécio Neves
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A defesa do IPTU progressivo por Haddad, em 2001: "Justo e constitucional"

27.06.2013
Do portal da Agência Carta Maior, 24.06.13
Por Caio Sarack. Caio Sarack


Em texto publicado na seção Tendência&Debates da Folha em 2001, Fernando Haddad, atual prefeito de São Paulo, já enxergava a necessidade do IPTU Progressivo para sanar o orçamento da cidade. Ele criticava: "O lucro de um único banco supera a arrecadação do imposto sobre a propriedade territorial e predial da quinta maior cidade do mundo". 


O prefeito Fernando Haddad tem um currículo acadêmico respeitável. No final dos anos 90 e início dos anos 2000, ele escreveu sobre projetos que viabilizariam o maior financiamento público de setores essenciais da cidade. Dentre estes, um caso bastante controverso é o IPTU progressivo.

Em 2001, na seção Tendências e Debates da Folha de S. Paulo sobre o assunto, o prefeito é lacônico: "é simples e justo". Haddad, na ocasião chefe de Gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico do município de São Paulo, posiciona-se:

"O projeto do novo IPTU segue princípios simples e justos.

Primeiro, o princípio da diferenciação: o imóvel não-residencial deve pagar proporcionalmente mais do que o imóvel para uso residencial. Segundo, o princípio da progressividade: um imóvel de valor venal maior deve pagar proporcionalmente mais do que um imóvel de valor venal menor.

Os dois princípios combinados resultam no seguinte: uma mercearia deve pagar um pouco mais do que uma casa de mesmo valor, mas também deve pagar proporcionalmente menos do que um hipermercado"

Na gestão de Erundina (89-93), o debate sobre a tarifa zero do transporte público, reanimada com força nas últimas semanas pelas ruas, gerou um projeto de lei que propunha uma reforma tributária que faria do IPTU progressivo fonte de seu financiamento, o Fundo Municipal de Transporte. Na vanguarda deste debate esteve e está Lúcio Gregori, engenheiro e ex-secretário de Transportes da gestão Erundina. Gregori permanece no enfrentamento das questões de viabilidade de um novo projeto urbano há mais de 20 anos e acompanha os militantes do Movimento Passe Livre desde 2005. Gregori ainda hoje atesta a viabilidade de um projeto de transporte público gratuito pautado no imposto progressivo sobre determinados imóveis. O poder público deve dar ao trabalhador condições para sua vida e trabalho. O IPTU progressivo, portanto, agiria de maneira a sanar a má distribuição de serviço deste mesmo poder público. "Simples, justo e constitucional".

"Em seu balanço, um lucro de R$ 2,15 bilhões, em nove meses, contra a arrecadação anual de IPTU prevista para 2002 de R$ 1,75 bilhão. Isso mesmo:o lucro de um único banco supera a arrecadação do imposto sobre a propriedade territorial e predial da quinta maior cidade do mundo"

Haddad, em seu texto, não leva em conta somente a vontade pública de onerar os empresários em benefício do trabalhador, mas também as demandas criadas pela conjuntura da capital paulistana. A própria mania lucrativa dos empresário não condiz com a realidade econômica da cidade, e a resistência ao IPTU progressivo, segundo Haddad, decorre dos interesses do setor empresarial. O prefeito argumenta: "Numa conversa franca e desapaixonada, os empresários teriam que admitir três coisas: 1) o aumento do IPTU não pesa na planilha de custos das empresas (menos do que 0,1% do seu faturamento); 2) depois das duas últimas gestões municipais, a cidade não pode ser administrada sem um orçamento maior; e 3) os R$ 400 milhões de recursos adicionais viabilizam investimentos que gerarão cerca de 16 mil empregos (40 empregos para cada R$ 1 milhão investido)".

A necessidade da reforma tributária era e ainda é premente para realmente democratizar a cidade e seu acesso, a fim de cada vez mais incluir parcelas marginalizadas da população. As recentes manifestações assumiram o papel de catalisador dessa demanda.


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Fracassaram, mas seguem à espreita

27.06.2013
Do blog DoLaDeLá, 23.06.13
Por  Laurindo Leal Filho (*)


O JN, na sexta-feira (14), censurou uma entrevista dada no Rio por uma integrante do Movimento do Passe Livre, Mayara Vivian. Enquanto ela falava dos ônibus, tudo bem. Mas a parte em que ela defendia a reforma agrária, a reforma política e o fim do latifúndio no Brasil foi cortada pela censura global. Esses temas não fazem parte das bandeiras da família Marinho.

A mudança da grade de programação, com a troca da novela pelas manifestações “ao vivo”, na última quinta (20), é ainda mais emblemática. Sinalizou para o telespectador que algo de muito grave estava ocorrendo e ele deveria ficar “ligado na Globo” para “entender” a situação.

Tanto entenderam que às 20h30 centenas, se não milhares de pessoas, continuavam a sair das estações do Metrô na Avenida Paulista. Iam se juntar aos “apolíticos” que hostilizavam os militantes partidários insuflados por “pitbulls” (jovens parrudos) estrategicamente postados ao longo da avenida. Pela minha cabeça passaram imagens das brigadas nazistas vistas no cinema.

Os cartazes tinham de tudo. Alguém disse que era um “facebook” real. Cada um “postava” na cartolina a sua reivindicação. E a TV até disso se aproveitou.

Na sexta pela manhã, Ana Maria Braga ensinava como as mães deveriam orientar seus filhos na confecção desses cartazes. Como o Movimento pelo Passe Livre já disse que não iria mais convocar novas manifestações, parece que a Globo assumiu o comando. Quando será o próximo ato? Saiba na Globo.

Fustigado nas ruas e nas telas, o governo para responder tem de se valer da mesma TV que o ataca. Julgou, como julgaram outros governos, que isso seria possível e por isso não constituiu canais alternativos de rádio e TV capazes de equilibrar a disputa informativa (a presidente Cristina Kirchner não entrou nessa).

Sem falar na regulamentação dos meios eletrônicos cujo projeto formulado ao final do governo Lula está engavetado. Se houvesse sido enviado ao Congresso e aprovado, outras vozes estariam no ar. Teríamos mais chance de evitar o golpe anunciado.

* O Lalo é aquele cara que acompanhou o fechamento do Jornal Nacional, em 2005, e ouviu o sr. Willian Bonner chamar seu telespectador de Homer Simpson (tapado). Um dos documentos mais importantes da história da comunicação brasileira, que pode ser lido aqui. - See more at: http://maureliomello.blogspot.com.br/2013/06/fracassaram-mas-seguem-espreita.html#sthash.zwnwZW2R.dpuf

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DEMOCRACIA MADE IN BRAZIL: PODE QUEBRAR !

27.06.2013
Do blog CONVERSA AFIADA, 21.06.13
Por Paulo Henrique Amorim

Nenhuma Democracia aceitaria a subversão da ordem pública através do espectro eletromagnético.

Em nenhuma Democracia tem tarifa zero.

Em nenhuma Democracia manifestante avisa na hora aonde vai manifestar.

Em nenhuma Democracia manifestante manifesta de máscara.

Em nenhuma Democracia a Polícia deixa manifestante manifestar onde bem entender.

Em nenhuma Democracia a Polícia deixa rasgar e incendiar bandeiras e faixas de manifestantes.

Em nenhuma Democracia a Polícia deixa arrebentar lojas e invadir prédios públicos como o do Itamaraty.

(O Itamaraty preserva algumas das mais significativas obras da pintura e da escultura brasileiras.)

Em nenhuma Democracia os não-manifestantes são impedidos de trabalhar e ir pra casa.

Em qualquer Democracia a Polícia limita a manifestação aos espaços públicos que ela, de ante-mão,  polícia e demarca. 

Depois da cobertura de ontem, em nenhuma Democracia o sinal da Globo continuaria no ar.

Nenhuma Democracia aceitaria a subversão da ordem pública através do espectro eletromagnético, de propriedade do povo.

Paulo Henrique Amorim
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JB que ser candidato do grito dos “sem par-ti-do”

27.06.2013
Do BLOG DOS DESENVOLVIMENTAS, 26.06.13

Enxergando-se como principal beneficiário das manifestações de rua que renegam o establishment, mesmo fazendo parte e sendo beneficiário do poder constituído, Joaquim Barbosa defende junto à presidente Dilma Rousseff a liberação de candidatos avulsos para as eleições presidenciais de 2014; ele sairia ganhando com a nova regra; “É excelente para o meu histórico pessoal ser lembrado nessas manifestações”, regozija-se; sozinho acima e à frente dos partidos políticos, o presidente do STF poderia surgir, com o apoio inconfessável de grupos radicais, como o nome capaz de higienizar todo o sistema político brasileiro, com poderes até mesmo para revogá-lo; um pai; um salvador; um ditador?

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No Brasil 247

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, parecia extremamente satisfeito, no final da tarde da terça-feira 25, ao falar aos jornalistas na sede do Conselho Nacional de Justiça. Exibia, sempre em pé, abraçado à cadeira mais alta da sala de entrevistas, aquele sorriso de canto de boca, sem aparentar o menor sinal de preocupação com as manifestações de rua que, de outro modo, têm deixado a presidente Dilma Rousseff com os olhos fundos e a face tensa. É que Joaquim sabe que as marchas o beneficiam.

“A democracia brasileira está madura para não se deixar abalar por este tipo de manifestações”, celebrou ele, deixando em seguida um alerta: “Mas é preciso tomar as decisões certas diante delas”.

E quais são, do ponto de vista de Barbosa — nome citado por mais de 30 por cento dos manifestantes ouvidos pelo Instituto Datafolha como o homem em que gostariam de votar para presidente da República – essas “decisões certas”?

Uma delas, sem dúvida a mais importante para os planos pessoais do próprio Barbosa, ele não revelou aos jornalistas, mas explicitou a Dilma: a liberação para candidatos avulsos, não filiados a partidos políticos, concorrerem às eleições de 2014 e a todas as próximas.

“É excelente para o meu histórico pessoal ser lembrado dessa maneira, mas já tenho 41 anos de vida pública. Chega, né?”, disse ele aos jornalistas, deixando uma resposta aberta no ar. Chega mesmo? Está cansado ou pode, a depender das circunstâncias, ficar um pouco mais?
As dúvidas lançadas naquele instante, na simples interrogação, somadas à defesa feita à Dilma sobre o estabelecimento de candidatos avulsos nas regras eleitorais, mostram que Barbosa está acelerando seu jogo. Ele percebeu que pode pessoalmente emergir das marchas como a resultante que refletiria os desejos generalizados de varrição da corrupção política, ultrapassagem das estruturas partidárias e tornar-s o repositário de esperanças num Brasil higienizado. O pai.

Não interessa a Barbosa, para manter-se no coração de uma boa parte dos que protestam, associar-se a qualquer estrutura política, exatamente para ter a liberdade de expor numa nova esfera, como vem fazendo no STF, seu personalismo. Essa esfera seria a chefia do Poder Executivo.

No STF, Joaquim Barbosa acostumou-se a ser promotor e juiz ao mesmo tempo, acusando e julgando, humilhando e ironizando, enfeixando plenos poderes para fazer valer sua vontade para além do colegiado. Tem sido assim também no exercício da presidência do Conselho Nacional de Justiça, onde ele vive às turras com as estruturas formais, apontando-lhes defeitos e mazelas, mas sem jamais abrir mão dos galhardões e mordomias que elas lhe oferecem, como choferes, carrões e até banheiros reformados ao seu feitio.

O estabelecimento de candidaturas avulsas a cargos eletivos, especialmente o de presidente da República, é a chave para que Barbosa possa exibir a todo Brasil, à frente e acima do “tudo o que está aí”, seu perfil de paladino da moralidade e dos bons costumes. Ele estaria liberado, a partir do que poderá alegar como sendo o chamamento das massas revoltadas, para empreender uma cruzada contra todo o establishment, mesmo sendo parte e beneficiário dele. Havendo uma situação de convulsão social, risco inerente à dimensão que as manifestações estão alcançando, ele seria o elemento de pacificação. O salvador.

Numa eleição presidencial, as aparências são o que importam. E, aparentemente, Barbosa é o sujeito que fala grosso com os poderosos, o pobre que chegou lá para agir como fariam seus iguais. Acima dos partidos, das classes sociais, das categorias profissionais e das diferenças regionais, ele poderia encarnar como candidato de si mesmo e das massas agitadas a higienização das instituições democráticas sob o manto – ou melhor, a toga – da restituição e da renovação. Um passo perigosamente na direção, até mesmo, da sua revogação.

Passa a existir, com a candidatura avulsa, o risco Joaquim. O atual presidente do STF seria o ponto de encontro entre os que gostariam de ultrapassar os partidos políticos como etapa necessária para a chegada ao poder. Uma espécie de ‘vamos direto ao ponto’ pelo qual, no momento seguinte à superação das legendas, se demonstraria que os partidos não mais serviriam como organizações de expressão de ideias e programas determinados, retirando-lhes toda importância. Casse-se. Estaria aberto, então, o caminho para o retorno do autoritarismo, no qual um único iluminado, como Barbosa ou outro qualquer, agiria em nome de massas disformes e numerosas, barulhentas e com nichos de violência e discriminação dentro de si, cujas reais dimensões vão sendo conhecidas aos poucos, até um limite ainda não claramente delineado.

“O povo unido não precisa de partido”, gritam manifestantes. Não precisam de “par-ti-do”, frisam, no que soa como música de primeira linha aos ouvidos de Barbosa. Sem os partidos, na base do avulso, alguém terá de se apresentar para personificar esse brado – e lá estará o heróico JB para unificar essa força e ser a sua mais perfeita tradução.

- See more at: http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/blog/2013/06/26/jb-que-ser-candidato-do-grito-dos-sem-par-ti-do/#sthash.9B7O9mRh.dpuf
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TIJOLAÇO: Na hora da crise, beba História

27.06.2013
Do blog TIJOLAÇO,26.06.13
Por Fernando Brito

Recebo de José Vicente Goulart, filho de Jango e presidente do Instituto João Goulart, um discurso pronunciado por seu pai dias antes do Golpe de 64, que nos impôs morte, trevas e opressão. Quando a direita golpista se move, mascarada debaixo de crises políticas, o melhor antídoto contra ela é nos abeberarmos das lições da história.
Afinal, o poeta espanhol George Santayana escreveu, há mais de um século, em seuA Vida da Razão: “aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”.
Leia e veja as semelhanças que, infelizmente, estão longe de serem coincidências:
Democracia é por fim a privilégios
“Brasileiros, não receio ser chamado subversivo por propagar a necessidade de revisão da atual Constituição da República, é antiquada porque legaliza uma estrutura econômica já soberana , injusta e desumana .
O povo tem que sentir a democracia que ponha fim aos privilégios de uma minoria proprietária de terras.
Acusam o Governo Federal de estar incitando a agitação e de estar pretendendo golpear o regime democrático, mas quem acusa o Governo de pretender golpear as Instituições?
São aqueles mesmos que o povo reconhece como os maiores golpistas deste país e que, em todas as oportunidades, ostensivamente, procuram desviar o Brasil do seu rumo democrático, que é o rumo do povo brasileiro.
Os que hoje dizem que o Governo conspira, são aqueles que mais vem conspirando contra os interesses do povo e do País, os mesmo que em 1950 queriam impedir a posse do Presidente Getúlio Vargas, os mesmo que em 1954 levaram o grande Presidente ao suicídio, os mesmos que, em 1956, afirmaram que o governo eleito não podia tomar posse, os mesmos que em novembro do mesmo ano pretenderam sufocar as liberdades democráticas, os mesmos que em 1961 proclamaram que um vive-presidente eleito não podia sequer pisar no solo da Pátria e invadiam jornais e encarceravam operários e líderes populares para impedir que a constituição fosse cumprida, esses mesmos que gritam hoje que o Presidente  João Goulart conspirou contra o regime e que eles são os democratas deste País; desgraça da nossa democracia se tivesse de ser defendida por aqueles que sempre estão prontos para golpeá-la.
O que eles querem encobrir com essas acusações constantes são outros propósitos e objetivos com essa campanha de difamação, de mentiras, de mistificação e confundir o povo brasileiro, para evitar que se façam dentro deste País as reformas  reclamadas pela classe operária, que não constituem apenas uma reivindicação legítima e patriótica dos brasileiros deserdados, mas sim um imperativo nacional, reclamado pelo nosso desenvolvimento e o nosso progresso.”
Por: Fernando Brito



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Alipio Freire: Fortalecer a presidenta Dilma e aprofundar a democracia

27.06.2013
Do blog VI O MUNDO, 26.06.13
Por Alipio Freire, no Brasil de Fato

Propõe Alipio Freire contra a tentativa de direita e ultradireita de desestabilizar governo. Foto: Marcelo Camargo/ABr

Há uma nítida tentativa da direita e ultradireita brasileiras de desestabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff, coro coadjuvado e alimentado pela grande mídia internacional (especialmente dos EUA e Inglaterra) com o slogan “CHANGE BRAZIL” (Muda Brasil); animado por estrelas da envergadura de Lady Gaga e outras peruas e chesters da mesma granja; e com a adesão de figuras do naipe de Mark Zuckerberg – o homem do “fez-se-buque”.

Felizmente a resistência contra a ditadura do pós-64 foi cantada por Carlinhos Lyra, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Gonzaguinha, João Bosco, Aldir Blanc, Fausto Nilo, Belchior, Fagner, Milton Nascimento, Capinam, Tom Zé, Torquato, Gil, Caetano – e interpretadas por, além dos próprios autores, ninguém menos que Nara Leão, Elis Regina, Odete Lara, Beth Carvalho, Zezé Mota, Elba Ramalho, MPB-4, Quarteto em Cy, Gal, Bethânia e tantas outras figuras, igualmente protagonistas daquela saga.

E não se trata de brincadeira ou retórica: os movimentos podem sempre ser medidos pela qualidade das representações que produzem. O golpe e a ditadura de 1964, por exemplo, tiveram – como epígono da arte (representação/comunicação) e da estética que produziram – Don e Ravel…

Mas vamos aos fatos.

Há mais de década, o Movimento Passe Livre (MPL), tem se manifestado regularmente em várias cidades do Brasil, quando do aumento das passagens dos transportes. Neste ano, em São Paulo, o movimento voltou às ruas e, antes de qualquer tentativa de diálogo ou negociação por parte das autoridades locais (governador e prefeito), que viajaram para Paris, despejou-se violenta repressão contra os manifestantes, protagonizada pela Polícia Militar paulista, imediatamente apoiada e aplaudida desde a França pelos senhores Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT) – para não falarmos da grande mídia comercial de Pindorama, useira e vezeira em glorificar todas as medidas e violências contra a classe trabalhadora e o povo. Coroando o desastre, o ministro da Justiça – senhor José Eduardo Cardozo (PT), disponibilizou “forças nacionais” para reforçar a razia iniciada pela PM.

Sinal verde para uma repressão sem limites

Com relação ao governador Alckmin, nenhuma novidade: é este o tratamento cotidiano que a sua PM dispensa impunemente aos habitantes dos bairros populares de São Paulo. O ministro Cardozo e o prefeito Haddad, porém, deram um passo a mais com relação à postura que têm assumido: passaram do estágio do habitual e eloquente silêncio pusilânime, para um apoio explícito e desavergonhado à ação da PM.

Assim, o sinal verde estava dado pelas principais autoridades responsáveis pela contenção (e mesmo punição) dos agentes do Estado que violam os direitos constitucionais de liberdade de opinião e manifestação pacífica dos cidadãos deste País.

Autorizada e estimulada a reprimir com violência os protestos, a PM prepara com requintes nova performance: na manifestação (sempre pacífica) do MPL, dias depois, na avenida Paulista, em formação de parede, a polícia parte para cima dos manifestantes. A formação em parede – diferentemente da formação em cunha, que visa à dispersão – é utilizada para o confronto. E foi em parede que marcharam para o confronto contra os cidadãos que se manifestavam.

Ou seja, o objetivo claro era o de terra arrasada. Mais ainda: ao mesmo tempo em que avançavam, os policiais quebravam e incendiavam suas viaturas e outros próprios públicos e particulares, secundados por personagens à paisana, “skinheads” e outras formações da direita e dos fascistas – integralistas ou não. Preparavam assim, certamente orquestrados, o álibi para o terror que semeavam na avenida. Algo como o argumento de “reação armada” que costumam sempre alegar para suas vítimas nas periferias, mortas com um tiro na nuca.

O milagre da multiplicação de manifestantes

E foi desse modo que prosseguiam os confrontos, até que um dia, em menos de 12 horas – “de repente, não mais que de repente” –, como se numa Epifania, como se resultado de uma Revelação, a grande mídia comercial uníssona, passa a defender os manifestantes e atacar seus agressores. Também o governador Alckmin muda de posição frente à ação policial, e o prefeito Fernando Haddad silencia. Ao mesmo tempo – e é aqui que entram a Gaga e suas gaguetes – a mídia dos EUA lança seu lema “MUDA BRASIL”, o que transborda para outros países.

Mas, “muda” para onde?

A grande mídia comercial não apenas apoia os manifestantes. Oferece seus préstimos, em termos de pautar suas reivindicações. Sempre na vanguarda da canalhice, a revista Veja (edição de 19 de junho) estampa na capa: “A REVOLTA DOS JOVENS – Depois do preço das passagens, a vez da corrupção e da criminalidade?”

Jornais, rádios, TVs, Datenas e outros passam a convocar e/ou estimular os cidadãos a participarem das manifestações. O jornal O Estado de S. Paulo insta todos a cederem seus wi-fi a serviço da causa. Centenas de milhares lotam as ruas e avenidas de São Paulo. Mas as organizações populares e/ou de esquerda perdem o rumo e o controle dos protestos que reúne caoticamente todas as insatisfações difusas da cidade, com palavras de ordem plantadas pela grande mídia, entre as quais, a questão da corrupção começa a se destacar. Não faltou sequer a invocação da nossa Vestal de Ébano: “Corruptos fora. Joaquim Barbosa agora”. Até faixas pedindo a volta da ditadura estiveram presentes.

Nesse interim, o prefeito FH reúne o Conselho da Cidade. Vários conselheiros (e pelo menos uma das conselheiras) educadamente tentam convencê-lo a revogar o aumento. Mas o prefeito FH permanece irredutível. Não negocia. Somente passados alguns dias depois de uma reunião com a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (seu Criador), o prefeito aceita voltar atrás com relação ao aumento. A essa altura, porém, o MPL e as forças populares e de esquerda já haviam perdido a batalha do controle das ruas de São Paulo.

A lamentável performance do prefeito FH

O prefeito FH decide então anunciar a queda dos 20 centavos, lado a lado com o governador Geraldo Alckmin. O governador fala primeiro, e anuncia que decidiu revogar o aumento das passagens dos trens e metrô. O prefeito FH fala em seguida, anuncia que também os ônibus voltarão à tarifa anterior, mas se recusa a utilizar qualquer expressão que possa significar “revogar”, “recuar” ou “voltar atrás”.

A cena torna-se patética: uma arrogância descabida, uma empáfia grotesca que desconhece que sua candidatura é filha de uma decisão apenas da cúpula partidária, sem qualquer discussão nas (já esfrangalhadas) instâncias ou mecanismos democráticos do seu partido, e que grande parte da sua votação se deve ao prestígio do seu Criador e outra (talvez até maior), aos eleitores que, conscientes, escolhem o candidato “menos pior” ou, no caso da última eleição paulistana, eleitores que não votaram nele, mas contra o senhor José Serra.

A postura do prefeito paulistano, estimulando inicialmente a repressão e adiando o quanto pode sua decisão de atender aos reclamos do MPL – esquecendo (se é que conhece) o projeto Tarifa Zero, brilhantemente elaborado pelo secretário de Transportes Lúcio Gregori (gestão da prefeita Luiza Erundina), gerou o tempo necessário à organização da direita, sua intervenção orquestrada junto às manifestações populares, fazendo com que estas inchassem, criando sérios problemas para a presidenta Dilma e a falsa conclusão junto a setores da esquerda e dos movimentos populares, de um “ascenso do movimento de massas”, que os pode levar a desastrosas estratégias e táticas.

O que percebemos é um ascenso da direita e da ultradireita fascista, e é indispensável que nos preparemos desde já para reverter esse perigoso quadro que poderá sempre extrapolar os limites da disputa eleitoral do próximo ano, e até implicar rupturas institucionais “legais”, do tipo que vimos acontecer em Honduras e, ainda mais recentemente, no Paraguai.

O silêncio oficial dos partidos políticos chega a ser constrangedor – especialmente o do PT, e a omissão dos poderes da República nas três esferas (exceto o Executivo Federal representado pela presidenta Dilma) tangencia o criminoso.

O desconserto das quatro estações

Em plena véspera do Inverno no Hemisfério Sul, sentimos no ar o perfume da Primavera Árabe, aparentemente induzido por nomes tipo Kassab, Alckmin e Haddad. Mas – se nos detivermos um pouco, rapidamente perceberemos que não parte daí o odor que paira no ar. Até o começo da queda dos governos árabes, os EUA haviam semeado (e toda a mídia capitalista internacional amplificou) que, depois da “Queda do Muro”, a única ditadura que sobrara no Ocidente era Cuba. E de repente, “como por encanto”, descobriram quase uma dezena de déspotas nos países árabes.

Impressionante como esses dissimulados ditadores conseguiram passar despercebidos dos serviços de inteligência dos EUA e das civilizadas potências europeias. Sim, personagens sinistras, figuras realmente perigosas! A sorte da humanidade é que o princípio do direito dos povos à sua autodeterminação, conforme esteve inscrito pelo menos inicialmente na Carta da ONU, parece ter sido banido ou caído em desuso, e a Casa Branca, vigilante, tem tomado sempre as medidas necessárias à garantia da democracia em todo o mundo.

Parece-nos que, exceto a democrática Arábia Saudita, ali nada sobrava. Foram então tomadas as providências primaveris. Certamente, por mera coincidência, os tais ditadores primaverizados assentavam-se sobre milhões de barris de petróleo e/ou passagens de gasodutos e oleodutos.

Com os sucessivos acontecimentos envolvendo a Venezuela, o Paraguai, a Argentina e agora este “Change Brazil”, a esperança é que não venhamos a ter um novo Frio Inverno no Cone Sul.
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O ‘boom’ do gás lacrimogêneo

27.06.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 26.06.13

Indústria do gás lacrimogêneo cresce alimentada por protestos em todo o mundo. Produto começou a ser usado na década de 30 e agora se consolida como arma repressiva “não letal” favorita. Empresa brasileira é uma das principais fornecedoras

Em meio à crise econômica e às várias medidas de austeridade adotadas por vários países, especialmente no Ocidente, um setor da indústria está se dando bem: os fabricantes de gás lacrimogêneo.
Desde a Primavera Árabe (iniciada no final de 2010), o mercado de segurança interna no Oriente Médio teve um aumento de 18% em seu valor, chegando próximo aos 6 bilhões de euros (R$ 17,4 bilhões) em 2012.
Usado por forças de segurança do mundo inteiro para dispersar manifestações, as bombas de gás lacrimogêneo também tiveram destaque recente nas imagens da evacuação do Parque Gezi em Istambul no último fim de semana e da repressão aos protestos em diversas cidades brasileiras contra o aumento das tarifas de transporte público e os gastos excessivos na organização da Copa do Mundo 2014.
Egito e Tunísia estão aumentando suas compras de equipamentos para controle de distúrbios no momento em que negociam empréstimos com o FMI para cobrir seus buracos orçamentários.
Na zona do euro, afetada pela crise financeira, as coisas não são muito diferentes. O orçamento de 2012 do governo espanhol de Mariano Rajoy enfrenta cortes em praticamente todas as áreas, mas em equipamentos antidistúrbios o gasto passa de cerca de 173 mil euros a mais de 3 milhões em 2013.
indústria gás lacrimogêneo
Empresa brasileira é principal fornecedora de gás a governo turco. Críticos dizem que produto não pode ser chamado de ‘não letal’.
A pesquisadora Anna Feigenbaum, que investiga a história política do gás lacrimogêneo na Universidade de Bournemouth, na Grã-Bretanha, acredita que a austeridade e o aumento dos gastos com segurança interna andam de mãos dadas. “Para a indústria do gás, nada como as crises econômico-sociais”.
A Turquia é um dos casos com mais cobertura midiática, mas um mapa (Clique veja aqui) dos protestos no mundo onde o gás lacrimogêneo foi usado, elaborado por Feigenbaum, mostra a expansão do mercado desde janeiro de 2013.
Como se pode ver no mapa, os protestos contidos com o uso do gás vão desde manifestações contra o estupro de uma mulher na Índia a protestos dos estudantes no Chile e dos professores no México, ou de trabalhadores na França e na Espanha.

Fabricantes

A organização internacional War Resister League (Liga dos Resistentes à Guerra, em tradução livre), que tem uma campanha específica contra o gás lacrimogêneo, identificou a presença de empresas americanas como Combined Systems Inc., Federal Laboratories e NonLethal Technologies da Argentina até a Índia; de Bahrein, Egito e Israel a Alemanha, Holanda, Camarões, Hong Kong, Tailândia e Tunísia.
A brasileira Condor Non-Lethal Technologies, uma das principais provedoras da Turquia, vende seus produtos a 41 países.
Durante a Primavera Árabe, empresas americanas exportaram 21 toneladas de munição, o equivalente a cerca de 40 mil unidades de gás lacrimogêneo.
Em termos de manejo de protestos, nada mudou com a democratização egípcia. Esse ano, o ministério Interior encomendou cerca de 140 mil cartuchos de gás lacrimogêneo ao mesmo elenco de exportadoras americanas.
Em fevereiro, o porta-voz do Departamento do Estado americano, Patrick Ventrell, defendeu a concessão de licenças para a exportação a essas empresas, dizendo que o gás lacrimogêneo “salva vidas e protege a propriedade”.
A empresa brasileira Condor Non-Lethal Technologies usa argumentos semelhantes.
“As tecnologias não letais são projetadas para incapacitar temporariamente as pessoas sem causar danos irreparáveis ou morte. Seus efeitos são totalmente reversíveis. De acordo com uma recomendação da ONU em 1990, a polícia tem de fazer um uso proporcional da força por meio de armas não letais em consonância com os direitos humanos e o respeito à vida”, disse um porta-voz da companhia à rede BBC.
A expressão “não letal” aparece no nome e marca de muitas companhias. Mas o uso dessa expressão é contestado por especialistas e grupos defensores de direitos humanos, que também questionam a relação próxima entre a indústria, as forças militares e de segurança e governos, que permitiu que o uso do produto fosse se consolidando como arma repressiva favorita ao longo das últimas décadas.

Normalização

Na Primeira Guerra Mundial, o gás lacrimogêneo era classificado como arma química. Mas a partir daí, entrou um cena a força do lobby industrial-militar-governamental, como explicou Anna Feigenbaum.
“Por pressão dos governos e das corporações, mudou-se o nome de ‘arma química’ a ‘irritante químico’ ou ‘instrumento de controle de distúrbios’. Isso produziu uma normalização. O gás que começou a ser usado no ‘controle de multidões’ na década de 30 se generalizou a partir dos anos 60″, disse.
Uma pesquisa pedida pelo governo britânico sobre o uso de gás lacrimogêneo no fim dos anos 1960 na Irlanda do Norte contribuiu de forma particularmente significativa para essa normalização.
A investigação concluiu que não havia perigo nem para mulheres grávidas, nem para idosos, uma afirmação duramente criticada pela Anistia Internacional e pela ONG Médicos pelos Direitos Humanos.
Ambas as organizações sustentam que não é preciso ser mais velho ou estar grávida para sentir efeitos “irreversíveis” dessas armas não letais. Entre as mortes mais recentes atribuídas ao uso de gás lacrimogêneo figuram a do adolescente Ali Al-Shiek Bahrain no ano passado e a do palestino Mustafa Tamini no final de 2011.
“Surpreende que, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos aprovam o fornecimento de armas a rebeldes sírios por causa da suposta evidência de ataques químicos ordenados pelo governo de Assad, (os Estados Unidos) tolerem a exportação de gás lacrimogêneo. Nenhum governo deveria aprovar ou pagar pelo uso de armas químicas”, disse Kimber Heinz, da ONG Liga dos Resistentes à Guerra.
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Reforma Política nas mãos do povo

27.06.2013
Do  portal da Agênci Carta Maior, 24.06.13
Por Redação

Dilma propõe Constituinte exclusiva para reforma política Em encontro com governadores e prefeitos após onda de protestos que toma conta do país, a presidenta Dilma Rousseff disse que vai propor a convocação de um plebiscito que autorize uma Constituinte para fazer a reforma política. "O Brasil está maduro para avançar e já deixou claro que não quer ficar parado onde está", afirmou. 


Na campanha eleitoral de 2010, o Lula e a Dilma chegaram a falar da convocação de uma Assembleia Constituinte Exclusiva, para uma reforma política no país. Eles tinham consciência que um Parlamento eleito pelo financiamento privado não daria um tiro no pé, abolindo esse mecanismo e promovendo o financiamento público.

Passadas as eleições, confiaram que conseguiriam aprová-la mediante negociações com os partidos, mas houve resistência do PMDB, especialmente no tema do financiamento público das campanhas eleitorais – no máximo, aceitariam para os cargos executivos, sem conceder seu lugar privilegiado de negociações nos parlamentos.

Diante do fracasso iminente da reforma e da situação de falta de representatividade partidária nas mobilizações das duas últimas semanas, Dilma deu um passo audaz: propor um plebiscito para uma Constituinte exclusiva para a reforma política.

As mobilizações das últimas semanas confirmaram para a Dilma a necessidade de uma renovação do sistema político. Os que se mobilizaram não se reconheciam em nenhum partido político. Nem aquele que tradicionalmente participava e liderava essas mobilizações – o PT – desta vez foi poupado da falta de confiança. 

O plebiscito permitirá uma eleição sui generis – por ser uma Assembleia Constituinte exclusiva –, que poderá eleger uma bancada renovada de parlamentares. E abrirá caminho para remover os obstáculos postos por uma estrutura partidária que favorece o troca-troca de favores, mediante partidos de aluguel, que abundam atualmente.

No mais importante dos temas, abre caminho para o financiamento público, impedindo que o poder do dinheiro continue a ser determinante na composição de um parlamento controlado por lobbies de interesses privados.

A Dilma retoma a iniciativa política, atende a demandas populares e coloca as bases para uma renovação do sistema político brasileiro.

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Direita boçal,esquerda anódina

27.06.2013
Do blog ESCREVINHADOR, 10.04.13
Por  Izaías Almada

Com uma direita boçal e uma esquerda anódina, o Brasil vai empurrando a crise e mantendo algumas conquistas sociais sobre o fio da navalha. Sabe-se que o exercício da política é um jogo delicado. Na maioria das vezes de cartas marcadas e com muitos jogadores viciados.

Nem por isso, contudo, deve-se desprezá-la, mas – ao contrário – tentar ver o que é possível fazer para melhorar o país sempre que isso for possível. Mas o dia a dia é cruel e nele se misturam os interesses mais variados, prevalecendo a força da manipulação das idéias, o jogo ideológico das cadeiras, odinheiro fácil sedimentando cada vez mais a hipocrisia, e a vaidade botando as manguinhas de fora em homens e mulheres que já foram mais sérios um dia.

Aliás, se a vaidade e a obsessão matassem, com certeza o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seu discípulo José Serra já teriam ido dessa para a melhor há algum tempo… Que eles não se preocupem, entretanto, desejo-lhes vida longa. Ironicamente, FHC será o primeiro imortal nas letras que pediu para esquecerem tudo o que ele escreveu. E pensar que o país já produziu um Machado de Assis… A eleição do jornalista Amaury Ribeiro Jr. seria mais digna.

Nesses tempos bicudos, onde se vende muito gato por lebre, onde o título de “celebridade” é disputado a tapas por prostitutas inglesas, políticos e juristas emplumados e medíocres, padres pedófilos, jogadores de futebol publicitários e máfias do colarinho branco, européias, sul e norte-americanas, onde o Oscar de melhor filme do ano é vencido por uma história em homenagem à CIA, penso que o melhor é divagar por outros assuntos e, quem sabe, lembrarmo-nos de algumas das verdadeiras celebridades, aquelas que merecem da humanidade alguns minutos de reflexão a sério.

Personalidades, quanto a mim, até merecedoras de um Prêmio Nobel da Paz, não tivesse essa própria honraria sido tão enxovalhada, se nos lembrarmos também de que Barak Obama é um de seus vencedores.

Mas deixemos a intolerância, a ironia, a má vontade e a desconfiança de lado e acreditemos na boa vontade entre os homens aproveitando esse momento em que o mundo troca de papa, agora Francisco, que já deixou a presidente da Argentina embevecida com o seu beijo.

O valente soldado Bradley Manning abre com gala o desfile destas que são, de fato, verdadeiras celebridades. Mostrou para o mundo, em particular para os idiotas que repetem como papagaios os valores da “democracia norte-americana”, e não vêem como aquilo funciona entre a Califórnia e o Estado do Maine. Ou como é “exportada” para o resto do mundo. Para o Departamento de Estado norte-americano democracia não se conquista, se impõe como no velho oeste mostrado no filme “Django” de Tarantino. Com o uso da manipulação mediática ou pela força das armas: aqui sim, o cliente é livre para escolher. Pode-se iniciar o aprendizado em Miami na Flórida, onde se encontra o maior número de mercenários ideológicos por metro quadrado. Todos a serviço das oligarquias de seus países de origem, do México à Patagônia.

Julien Assange, outra grande personalidade que, por ser cidadão honesto e pronto a defender a humanidade dos belicistas e dos bárbaros modernos, cumpre pena de prisão domiciliar dentro da embaixada equatoriana em Londres. Viva a liberdade de expressão e a publicação das vergonhosas tramóias que se escondem em nome da democracia ocidental e cristã!

Hugo Chávez, com sua fisionomia que expressava – e bem – a mistura de duas raças, índios e negros, e que até o último minuto de vida enfrentou a barbárie que tem o seu ninho de répteis no hemisfério norte, branco e de olhos azuis. Esse homem tirou a sua querida Venezuela da miséria e da ignorância, enchendo-a de esperança e orgulho nacional, para desespero dos eternos exploradores e gigolôs do trabalho escravo e da mão de obra barata, bem como para os idiotas da subjetividade, tão disseminada entre “elites” caipiras que comem salame e arrotam caviar.

Rafael Correa, Evo Morales, Nelson Mandela aumentam aqui o pequeno rol de verdadeiras celebridades e que, por mais que façam o Departamento de Estado, a CIA, os quinta-colunas do jornalismo internacional, os analistas políticos e econômicos candidatos à boa vida neoliberal, não conseguem ser crucificados como gostariam os ventríloquos do moribundo neoliberalismo.

Feita essa divagação pela senda das verdadeiras e poucas celebridades do mundo contemporâneo, o que fica é uma tremenda falta de assunto, pois é cada vez mais difícil o diálogo com uma imprensa de mão única e que procura impor o seu ponto de vista através de um tacanho e oportunista conceito de liberdade de expressão. E agora com o apoio de uma parte necrosada do poder judiciário, celebridades menores ofuscadas pelo poder efêmero que julgam possuir.

O verdadeiro poder continua sendo o do povo, mas no Brasil poucos sabem disso. E os que sabem se dividem entre afoitos, puristas ou defensores de um pragmatismo que muitas vezes se confunde com a covardia. Pobre Brasil!


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