segunda-feira, 24 de junho de 2013

Boca a boca pela web ganha status de estratégia política

24.06.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 23.06.13
Por Carlos Castilho

Se alguém tinha alguma dúvida de que a internet é um novo ambiente político, esta dúvida desapareceu durante as manifestações de rua que abalaram o Brasil nos últimos dias. E dentro do ambiente virtual, o boca a boca em redes virtuais mostrou-se a estratégia de surpreendente eficiência na circulação rápida de mensagens – não importa a distância e status entre os protagonistas, nem se é usada em países ricos ou pobres.
Só assim é possível entender como ocorreram os protestos em quase cem cidades diferentes sem que ninguém tivesse assumido a coordenação.Em condições normais seria inacreditável que isso acontecesse num país de dimensões continentais e com uma enorme diversidade regional. Mas o que se viu foi uma sucessão de manifestações cuja sincronização seria impossível sem as redes sociais na internet e o correio eletrônico.
A importância assumida pela web como ambiente político confere aos mais jovens um protagonismo político inédito na história do país, não só porque tradicionalmente eles sempre foram os primeiros a sair às ruas, como também são, agora, os que têm mais intimidade com os recursos das novas tecnologias de comunicação e informação.
uso intensivo da comunicação viral boca a boca pelas redes sociais surge como a explicação mais plausível para o fato de tanta gente em tantas cidades ter saído às ruas ao mesmo tempo, sem pertencer a uma mesma organização política e sem que a maioria soubesse exatamente o que iria acontecer.
Isso seguramente mudará a forma e o conteúdo das manifestações futuras, produzindo um novo contexto político cujos desdobramentos estão sendo definidos na prática e caso a caso. Não há especialistas em mobilização política pela internet, embora o recurso já tenha sido usado em países tão distintos quanto Filipinas, Líbano, Turquia, Tunísia, França e agora, Brasil.
Os acontecimentos das última semanas mostram que a internet já deve ser levada a sério como ambiente político em vez de ser relegada à condição de submundo do boato, informações falsas e mau jornalismo. A rede tem tudo isso, mas tem algo mais que passa a mudar o nosso quotidiano da mesma forma que a televisão alterou as campanhas eleitorais.
Em vez de ver apenas defeitos na internet, é necessário descobrir como ela está alterando o exercício das relações políticas na sociedade contemporânea, até porque a rede é uma realidade irreversível. Pesquisar, por exemplo, como combinar a tranquilidade com que os jovens usam as ferramentas digitais com a capacidade contextualizadora dos mais velhos.
Se a garotada tem mais facilidade em integrar-se ao ambiente digital porque não tem preconceitos e possui uma inclinação natural para aventurar-se em territórios inexplorados, a geração com mais de 40 anos tem uma experiência de vida que os mais jovens ainda não puderam ter. Esta experiência lhes dácondições de contextualizar melhor os fatos e processos deflagrados pelas novas tecnologias de comunicação e informação.
A revolta das ruas, viabilizada pelo boca a boca pela internet, pode criar um novo contexto político no país na medida que as pessoas descobrirem que podem usar as redes sociais virtuais para mostrar presença física nas ruas e, assim, serem ouvidas nas grandes questões nacionais. Mas para que isso aconteça é necessário haver uma combinação da tecnologia e da sociabilidade virtual com a capacidade de identificar tendências e conjunturas, coisa que os mais velhos têm mais condições de fazer, desde que sintonizados com os ativistas digitais. 
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Governo quer escutar suas prioridades, manifestantes: pesquisa IPEA está aberta na internet

24.06.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE

Enquete: Nossas Vozes
Milhões de pessoas saíram às ruas em todo o país nos últimos dias e manifestaram-se pela internet. Para analisar esse movimento, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) quer saber sua opinião sobre os protestos, suas motivações e anseios.

Selecionamos 17 perguntas sobre você e as razões que o levam a manifestar-se. Lembramos que o questionário é anônimo, e a privacidade de todos será garantida.

Sua voz ajudará a aperfeiçoar a democracia brasileira.

Participe: nossasvozes.ipea.gov.br
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-06-24/manifestacao-no-centro-do-rio-interrompe-trafego-na-avenida-rio-branco

FASCISTAS QUEREM UM GOLPE DE ESTADO: Erdogan diz que mesma conspiração atua na Turquia e no Brasil

24.06.2013
Do blog VI O MUNDO, 22.06.13

Anônimos pautam milhares. E quem pauta os Anônimos?
22/06/2013 – 15h38 | Redação | São Paulo

Erdogan: Brasil e Turquia são alvo de conspiração internacional

Premiê turco afirmou que os dois países — duas potências emergentes — sofrem tentativa de desestabilização vinda de fora

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que enfrenta uma onda de manifestações em seu país, afirmou neste sábado (22/06) que os protestos registrados nos últimos dias no Brasil fazem parte uma conspiração para desestabilizar a presidente Dilma Rousseff, assim como estaria acontecendo com ele próprio.

Erdogan falava a centenas de milhares de simpatizantes na cidade de Samsun, uma das paradas de uma jornada de mobilizações em apoio a ele. Há três semanas, protestos contra a construção de um centro comercial da Praça Taksim de Istambul foram violentamente reprimidos pela polícia. A repressão impulsionou as manifestações, onde palavras de ordem contra Erdogan e pela sua saída do governo são frequentes.

Situação semelhante aconteceu no Brasil, quando a repressão da Polícia Militar do Estado de São Paulo nas quatro primeiras manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus (responsabilidade da prefeitura), metrô e trem (responsabilidade do governo do estado) – especialmente em 14 de junho, pela violência e agressão contra jornalistas – chocou o país.

Antes apoiada pelos principais jornais, a ação da polícia gerou uma onda de protestos, que acabaram absorvendo outras pautas, como corrupção, inflação, insegurança, algumas incluídas em um rechaço à realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
A violência registrada nas manifestações seguintes – quinta-feira (20/06) na cidade de São Paulo houve agressão contra militantes de partidos de esquerda – foi condenada nesta sexta-feira (21/06) por Dilma, que se dispôs a receber os manifestantes e propôs um pacto para buscar atingir as demandas dos que protestaram.

Assim como Dilma, que lidera um país com altos níveis de crescimento econômico e social, Erdogan tem alta aprovação após 10 anos de governo. Para ele, os protestos são alimentados por forças estrangeiras, banqueiros e a mídia turca. Em Samsun, o premiê disse que o Brasil – outra economia emergente – foi alvo da mesma tentativa de desestabilização.

“O mesmo jogo está sendo jogado no Brasil. Os símbolos são os mesmos, Twitter, Facebook, são os mesmos, a mídia internacional é a mesma. Os protestos estão sendo levados ao mesmo centro”, analisou Erdogan. “Eles estão fazendo o máximo possível para conseguir no Brasil o que não conseguiram aqui. É o mesmo jogo, a mesma armadilha, o mesmo objetivo”.

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GOLPISTAS DA DITADURA DE 64 SE APROVEITAM DOS PROTESTOS: Tirem os seus filhos da rua antes que seja tarde

24.06.2013
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
Escrevo a você que é pai ou mãe de um ou de mais de um desses jovens que estão indo a essas manifestações que estão ocorrendo pelo país nas últimas semanas, mas que não tem maiores conhecimentos sobre o que de fato ocorre nessas passeatas além daquilo que vê nos meios de comunicação ou do que o seu filho ou a sua filha lhe conta.
Quem escreve é um homem de 54 anos, pai de jovens de 30, de 27, de 25 e de 14 anos, avô de uma adolescente de 12 anos e de uma bebê de um mês de vida, e que entende ser positiva a mobilização cívica sobretudo da juventude por causas justas e claras, sejam referentes à política ou a quaisquer outras questões importantes para a coletividade.
Dirijo-me a quem acha positivo que seu filho ou filha com idade para participar desses atos esteja indo a eles apesar da violência que tem visto na televisão sendo praticada por “grupos pequenos” durante o que lhe dizem ser “manifestações pacíficas”.
Possivelmente você já se preocupou com a integridade física de seu filho ou filha durante esses atos públicos, mas entende que, seja como for, segurança total nunca haverá para jovens que inevitavelmente saem pelas ruas de nossas perigosas cidades e que, além de tudo, julga – em grande medida, de forma acertada – que é preciso que a cidadania seja exercida e que os jovens careciam mesmo de tal engajamento.
Sim, é positivo que a juventude se mobilize. Sempre quis que os meus filhos e até a minha neta maior participassem de algum movimento cívico no qual as pessoas saíssem às ruas por uma causa que é de todos. E sempre me preocupei com uma suposta apatia da juventude que, agora, estamos vendo que não era bem assim.
Só há um problema no que deveria ser positivo: esse movimento não tem apenas o seu inegável lado cívico, tem seu lado violento, lado que lhe dizem estar restrito a “grupo pequeno” mas que não é tão pequeno assim.
Além do que, mesmo entre os jovens que não estão cometendo atos literalmente criminosos de depredação e/ou saques, há muitos com graves deformações morais. E quando se fala em deformações morais não se está falando em problemas de comportamento que difeririam dos de jovens que estão praticando aqueles atos criminosos.
Entre esses jovens que não estão praticando crimes existem alguns cuja conduta está longe de ser puramente cívica, pois conspurcada por crenças fanáticas ou até por abuso de drogas e álcool, podendo seu filho estar participando de um movimento que requer toda atenção necessária sem estar no controle completo – e, muitas vezes, até mínimo – de suas faculdades mentais.
Escrevo como pai e avô. Há muita gente boa nesses atos? Há, sim. Já estive em dois deles. Um no último dia 18 de junho e outro no dia 20. Por conta disso, garanto que também há muita gente ruim neles. Gente que não está lá para ajudar a melhorar o país coisa nenhuma, mas apenas para se “divertir”. E é aí que mora o perigo.
O conceito de diversão de alguns desses jovens – como sempre ocorreu com a juventude – que estão indo a essas manifestações está longe de ser sadio. Por conta disso, alguns vão a essa mega “balada” de dimensão nacional cheios de confiança de que estão no controle de alguma coisa, sobretudo quando vão em grupos.
Além dos jovens que se tornam valentões quando estão em grupos, há um outro tipo bem perigoso que frequenta esse tipo de “evento”, o fanático ideológico que acredita que está agindo bem, mas que está equivocado na forma de protestar.
Esse é o pior, muitas vezes quando o vigor da juventude e a sensação de pertencer a uma “maioria” o levam a perder a noção de seus próprios limites, sobretudo do limite de seus direitos, entre os quais não está o de agredir – mesmo que verbalmente – qualquer um que lhe dê na veneta.
Qualquer tipo de agressão, como se sabe, frequentemente acaba gerando reação em sentido oposto e de intensidade por vezes proporcional, mas muitas vezes desproporcionalmente maior.
E o que é pior. Essa perda de noção de limites está ocorrendo bem no meio de ruas em que o império da lei decresceu por conta da ausência ou dos excessos das autoridades, sobretudo de uma polícia que não está conseguindo impor a ordem sem apelar a uma violência tão extremada que acaba emulando a criminalidade daqueles que deveria controlar.
Tornou-se, portanto, perigosíssimo participar dessas manifestações. Há, inclusive, numerosos grupos criminosos se aproveitando de que a massa humana ocupa a polícia muito além do normal para praticarem crimes comuns como furto, roubo, agressões e até tráfico de drogas.
Nesse quesito, nas duas vezes em que fui a essas manifestações pude presenciar jovens completamente dopados por uma mistura perigosa de álcool com outras substâncias.
Vi jovens com garrafas de cerveja ou outras bebidas alcoólicas em uma das mãos e cocaína ou maconha na outra. Sobretudo na noite do dia 20, quando ocorreram confrontos violentos na avenida Paulista, confrontos que foram amplamente minimizados pela grande imprensa.
Desde a primeira manifestação percebi focos de brigas que surgem por toda parte em meio a elas, sobretudo por diferenças políticas, mas, também, por estado psicológico alterado de muitos manifestantes, seja por drogas artificiais ou ideológicas – sendo estas, muitas vezes, as piores, pois drogas artificiais perdem efeito enquanto que as drogas ideológicas não se dissipam tão facilmente.
Nos últimos dias, começaram a ficar mais claros os envolvimentos de grupos mal-intencionados nessas manifestações. As autoridades, por isso, preveem acirramento de confrontos entre as “forças da ordem” e os que chegam a anunciar nas redes sociais que pretendem desafiá-las.
Por tudo que expus, não é hora de ir à rua se manifestar. Não existe uma pauta clara de reivindicações. Até houve a questão do preço das passagens, mas houve rendição das autoridades, com redução de preço que as manifestações pediam, e não foi suficiente. Surgiram, então, vários outros motes. Muitos deles, obscuros.
Quando pedem “fim da corrupção” é como se estivessem exigindo que fosse criada uma lei que a proibisse. Ocorre que essas leis já existem. A corrupção, portanto, não deixará de existir por decreto, mas por ações de fiscalização e controle.
Nesse aspecto, não adianta arguir só “o governo” ou “os políticos”. O Poder Judiciário é tão responsável pela impunidade quanto os Poderes Legislativo ou Executivo. Mas os atos não têm foco, o que permite a muitos dos responsáveis por brechas legais por onde corruptos e corruptores escapam, serem poupados de questionamentos.
Manifestações corretas, pois, precisam ter foco e não podem transigir ou coexistir com a violência ou com outros tipos de condutas criminosas.
Não cabe só à lei coibir que manifestantes atuem de forma incompatível com o mote das manifestações, que, acima de tudo, seria o interesse da coletividade. O cidadão também é responsável.
Não está havendo essa racionalidade nessas manifestações. Enfim, elas estão se tornando progressivamente violentas. Da forma como estão sendo conduzidas, não vão mudar nada no país.
Não basta que alguns se vistam de branco e entoem slogans cívicos. É preciso que os manifestantes se preocupem com a violência que coincide com suas manifestações. Sem isso, são corresponsáveis do que houver.
Enquanto esse entendimento não ocorre, a chance de seu filho se envolver em embates sem sentido e limites ou até com gente que não presta, sobretudo se for dos mais jovens, é muito grande.
Se este texto o convenceu de que não é hora de participar desse processo pseudo cívico e se o seu filho ou filha está participando, talvez seja hora de você conversar com ele e de lhe dizer estas ponderações com sua autoridade de pai ou mãe, que, por mais que atualmente não seja muito grande, sempre existirá acima da argumentação de outras pessoas.
Quero lhe garantir, ao fim desta exortação, que não tenho qualquer interesse pessoal em que essas manifestações parem. Escrevo, só, como pai e avô. O que peço é um “freio de arrumação” para que as manifestações sejam repensadas, para que uma forma mais sadia de manifestação seja encontrada pelos que as promovem.
Concluo exortando a você que tem filho ou filha em idade de participar dessas manifestações que, se eles ainda não foram a elas tente impedir que vão agora e que, se já foram, dê um jeito de retirá-los delas antes que seja tarde, pois adiar uma participação cívica tem volta, mas tragédias que possam ocorrer, não terão.
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REACIONÁRIO DE DIREITA LUTA CONTRA O POVO BRASILEIRO....ESPIÃO DOS EUA?:#changebrazil: “Sujar o governo brasileiro no mundo”

24.06.2013
Do blog VI O MUNDO

23/06/2013 – 15h37 | Marina Terra | Redação

#changebrazil: “O que eu fiz foi uma tentativa de sujar o governo brasileiro no mundo”

Correia da desinformação gira velozmente na Web, aproveitando marcas de protesto em outras partes do mundo

“O que eu fiz foi uma tentativa de sujar o governo brasileiro no mundo, exatamente como o vídeo diz.” Assim definiu Thismr Maia, pseudônimo de Silvio Roberto Maia Junior, porta-voz do movimento Change Brazil, o objetivo dos vídeos que postou na Web, segundo o site Direto da Aldeia. Nascido em 14 de junho, no momento em que uma onda de manifestações eclodiu no país, o movimento vocalizou por meio de vídeos de Maia pedindo – em inglês – um pedido de “ajuda” internacional.

No vídeo, que já tem mais de um milhão de acessos no YouTube, Maia fala da repressão sofrida por manifestantes em 13 de junho. Nesse dia, a polícia militar, controlada pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), reprimiu com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha o protesto, ferindo também jornalistas.

Boa parte da mídia, que anteriormente havia criminalizado os protestos – especialmente por meio de editoriais raivosos pedindo a “retomada da Paulista” –, mudou completamente o tom e passou a defender o movimento Passe Livre.

Ali, naquele momento, nascia também o Change Brazil, ou #changebrazil. Nas redes sociais, pipocou um vídeo, em inglês, com legendas em inglês, que se intitulava “Please Help Us” (Por favor, nos ajude). Em um estúdio bem iluminado, em gravação de qualidade profissional, Maia começa falando sobre o aumento da tarifa de ônibus e imediatamente cita os levantes populares na Turquia e na Síria – “espontâneos”.

De fato, o caso turco foi rapidamente comparado ao brasileiro pela mídia brasileira e internacional, que apontou como o denominador comum o caos das grandes metrópoles. Manifestantes aqui e lá trocaram afagos, com brasileiros levando aos protestos bandeiras da Turquia e vice-versa. O premiê turco, Tayyip Erdogan, porém, avalia que não se trata de uma coincidência e que os dois países são alvo, na verdade, de conspiração internacional. Não está claro que haja uma articulação externa, mas a correia da desinformação gira velozmente na Web.

O Anonymous Brasil, um perfil que, como o próprio nome indica, preserva a identidade de quem o dirige, precisou desmentir que tinha publicado um vídeo que também teve mais de um milhão de visitas, que elencaria cinco bandeiras do movimento que segue nas ruas. Entre os perfis que espalharam este vídeo, um deles, talvez o mais acessado, é assinado por “Dilma Bolada” — ao que tudo indica, um perfil no You Tube falso que se aproveita da popularidade da personagem, essencialmente pró-governo, do Facebook.

Falando rápido, Maia critica a mídia, pedindo que o espectador tenha em mente que a “verdade” sobre os protestos não será reportada nem no Brasil nem no exterior. Por isso a “boa ação” do vídeo. Ainda antes de completar um minuto de fala – o vídeo tem mais de cinco minutos –, Maia já condena a classe política brasileira e aponta que a motivação dos manifestantes é justamente um rechaço contra a roubalheira e má fé, generalizadas. Ele não menciona nomes de partidos ou políticos.

Nos protestos seguintes, coincidentemente, muitos gritos eram direcionados exatamente contra os políticos, vários pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em 17 de junho, a matriz foi repetida pelos apresentadores de telejornais, enquanto as imagens da multidão espalhada pelas ruas das principais cidades brasileiras eram transmitidas ao vivo. Alguns jornalistas, enquanto narravam “o despertar do Brasil”, se emocionaram. Poucos dias antes, os mesmos reclamavam do trânsito provocado pelos protestos do Passe Livre e chegavam a chamar alguns manifestantes de “vândalos”.

No dia seguinte, os principais jornais, como Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, seguiram disseminando o “basta” escutado nas ruas brasileiras. Não demorou para o espírito do Change Brazil se espalhar. Mais tarde, na quinta-feira passada, membros de partidos de esquerda foram agredidos na Avenida Paulista.

Organizada pelo Passe Livre para comemorar a redução da tarifa, a manifestação logo perdeu o intuito inicial. “Sem partido” e “Aqui é Brasil” eram as consignas tanto dos agressores como do resto dos manifestantes, muitos enrolados na bandeira nacional, com pinturas em verde e amarelo no rosto.

Também se ouviu “Quem não pula quer a Dilma”, adaptado do protesto pelo aumento da passagem do transporte público, “Quem não pula quer tarifa”. Com o aumento da violência nos protestos, cada dia mais numerosos, a presidente se dirigiu à nação em cadeia de rádio e TV, onde deixou claro seu respeito aos manifestantes pacíficos. Ela também se disse disposta a analisar todas as demandas apresentadas nas ruas. “Eu estou escutando vocês”, sublinhou Dilma.

Maia comemora o êxito.

“Essa tática sempre funcionou bem historicamente. Como também diz no vídeo, a Dilma não pode deixar o Brasil ficar feio no mundo agora. Eu só queria trazer a atenção mundial para o Brasil, e junto com a companheira que não conheço, do vídeo ”No, I’m not going to the world cup”, tenho orgulho de dizer que conseguimos. Agora, com pressão internacional, a Dilma e companhia são mais obrigados a nos ouvir”, comemora o brasileiro, em entrevista dada ao Aldeia.

Ainda segundo ele, “historicamente, pressão mundial tem se provado extremamente eficaz em relação a mudar governos opressores. Recentemente pedi para pessoas mandarem outro vídeo nosso para organizações humanitárias, e agora fiquei sabendo que a Greenpeace tem se pronunciado sobre o que está acontecendo aqui também”.

Após celebrar a grande adesão ao movimento, Maia lança a chantagem: “se a Dilma quer que sua administração seja vista favoravelmente, ela terá que nos ouvir”.



Uma visita à página no Facebook do porta-voz do Change Brazil nos revela ainda mais sobre esse curioso personagem, que sublinhou na entrevista ser contra governos repressores. A foto acima simula Maia levando um tiro na cabeça de uma arma – desenhada na parede com as cores da bandeira dos Estados Unidos. Os “miolos” também estão pintados nas cores azul e vermelha.

No resto da página, mais fotos de armas, com mensagens apoiando o porte civil. “Quando eu falei ‘o Brasil terá que se dobrar’, é óbvio que eu me referia ao governo brasileiro, né. Pelo amor de deus, gente”, justifica o porta-voz do Change Brazil.

PS do Viomundo: Também no Direto da Aldeia, ele esclareceu que “resido na cidade de Joinville, Santa Catarina. Tenho 28 anos, sou professor de ingles. Morei nos Estados Unidos por 13 anos, desde os 10 até os 23. Fiz algumas faculdades lá, e voltei pra cá á uns 5 anos atrás. Tenho também um canal de Youtube chamado Mr. Maia, no qual ensino ingles”.
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Jandira Feghali: Grupos fascistas pagos jogaram bombas nos próprios manifestantes

24.06.2013
Do blog VI O MUNDO, 23.06.13
Por  Conceição Lemes

 

Em São Paulo, jovens fazem saudação nazista na manifestação da quinta-feira 20. No Rio de Janeiro, agressões a quem portava uma bandeira de partido político ou movimento social

Na última quarta-feira 19, deputados federais do Rio de Janeiro divulgaram uma carta aberta aos manifestantes sobre os atos que tomaram as ruas de várias cidades do Estado:

 Nós, deputados federais do Rio de Janeiro, sentimo-nos estimulados e saudavelmente cobrados por essas manifestações que tomam as ruas das nossas cidades. Aos milhares que, mobilizados pela internet, saem para as passeatas, transitando do virtual para o presencial, dizemos: VOCÊS NOS REPRESENTAM

Inclusive quando questionam o padrão rebaixado da política movida a interesses menores e também distante de ideias e causas.

 Temos orgulho de nossos mandatos políticos e queremos colocá-los à disposição das justas demandas por transportes públicos eficientes, redução das tarifas, educação e saúde pública de qualidade, ética na política, transparência e prioridade social nos orçamentos públicos. As grandes lutas sociais de nossa história, que alcançaram vitórias concretas, tiveram a participação de organizações partidárias vinculadas ao povo.

 Entre os signatários, a deputada Jandira Feghali, do PCdoB, que me concedeu esta entrevista.

Viomundo – Na quinta-feira 20, houve atos de violência e depredações em alguns pontos da cidade do Rio de Janeiro. Os manifestantes continuam representando- a?

Jandira Feghali – Mantenho a mesma posição de apoio, pois a grande maioria da manifestação não tem nada a ver com a confusão que aconteceu. Majoritariamente ela continua agindo de maneira democrática, com bandeiras justas pela educação, saúde, mobilidade urbana, contra o fundamentalismo em relação à diversidade.

Viomundo – E a destruição de patrimônios históricos do Rio?

Jandira Feghali – Aí está o problema. Existem dois grupos minoritários, que estão quebrando, destruindo, partindo para a violência, que nós não apoiamos.  Acredito que também a sociedade e os manifestantes também não os apoiam.

Viomundo – Quais seriam?

Jandira Feghali – Um é o anarco-punk, que desde o início sabíamos que existe e está presente em vários lugares. Seus integrantes acham que os símbolos do capital e do poder tem de ser depredados, destruídos. Daí os ataques a bancos, assembleias legislativas, patrimônios históricos. Eles acham que uma revolução se faz assim.

Existe outro grupo que, no Rio de Janeiro, só ficou mais explícito na manifestação da última quinta-feira. É um grupo fascista, de direita, que atacou não apenas as poucas bandeiras de partidos e  entidades, tocando-lhes fogo, rasgando-as, mas que jogou bombas nos próprios manifestantes, machucando muitos. Eles são nitidamente pagos e organizados. Isso é grave e nos preocupa, pois podem partir para agressões mais pesadas e gerar uma tragédia.

Viomundo – Como a senhora sabe que são grupos pagos?

Jandira Feghali – Eles foram identificados  por pessoas de entidades democráticas. Eram caras que usavam jaqueta e gravata, davam ordem para agredir aqui, ali, acolá.  Não jogaram bombas em bancos, prédios, polícia.  Jogaram no carro de som da manifestação, diretamente nas lideranças, nos ativistas, que estavam celebrando. Eles acabaram produzindo uma série de confusões para dentro da passeata.

São típicos grupos de fascistas. São pagos para gerar confusão entre os manifestantes e gerar uma mídia antipartidária, antidemocrática. Repito: acho isso muito grave e tem de ser denunciado abertamente por nós, pois fere o estado democrático de direito, a livre liberdade de manifestação.


Viomundo – O que acha  de bandeiras de partidos e movimentos sociais terem sido destruídas e militantes de partidos agredidos? 

 Jandira Feghali –Nós não estamos na época da ditadura em que as pessoas eram proibidas de se manifestar. Os partidos são parte da luta democrática. Aliás, essa liberdade de estarmos nas ruas como hoje é também consequência da luta dos partidos, que perderam militantes na ditadura e lutaram para que houvesse essa liberdade de manifestação.

Portanto, os partidos são parte do processo. Ninguém quer tutelar nada. Eu acho que não tem de ter a tutela de absolutamente ninguém. E o movimento tem que ser amplo, suprapartidário mesmo, com os movimentos sociais.

Nós queremos que essas manifestações legítimas de desejos tenham vitórias, conquistas concretas, nas bandeiras importantes. Mas não queremos que isso seja confundido com bandeiras da direita, atrasadas, contra a liberdade de expressão e de manifestação de partidos políticos, de LGTB, do movimento negro ou de uma juventude que não milita em partido.

Viomundo – O que fazer agora?

Jandira Feghali – Nós  não podemos admitir que atos fascistas, provocatórios, que se expressam através de movimentos organizados e pagos, possam gerar alguma tragédia, algum mártir.  Ou confundir o processo que está se dando nas ruas. Nós temos de denunciar isso. Também temos de excluir esse esse comportamento fascista para que a beleza do que foi para as ruas movimento possa avançar de maneira democrática.

Os jovens têm que ficar antenados para se definir de forma ampla. Precisam aprender que a liberdade e a democracia são os maiores bens da sociedade brasileira.


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O lugar da presidenta Dilma

24.06.2013
Do BLOG DO MIRO, 23.06.13
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Observadores variados descobriram uma melodia única para avaliar o pronunciamento de Dilma Rousseff, ontem, quando a presidente falou sobre os protestos e a baderna.

Eles cobram novidades – sem dizer quais – e reclamam medidas espetaculares – sem dizer o que teriam em mente.

Esse pessoal não entendeu nada. O pronunciamento de Dilma, um pouco demorado demais, talvez, esteve a altura do momento em que o país se encontra depois que milhões de pessoas foram às ruas. Sua virtude é não trazer novidades nem anunciar medidas espetaculares. O país, em 2013, não precisa disso, vamos combinar. O grande espetáculo se encontra nas ruas.

Num ambiente de semi-insurreição, onde reivindicações justas e urgentes se misturam a proclamações autoritárias e atos contínuos de violência arruaceira, cabe a presidente da República mostrar que assume suas responsabilidades, lembrando que o país possui uma Constituição, que ela tem a obrigação de defender pelos meios de que dispõe.

São valores teoricamente velhos, tão antigos como o regime republicano, de 1889.

Na conjuntura atual, são afirmações atuais e indispensáveis. Não precisamos de lances de marketing. Precisamos afirmar valores consistentes e fundamentais, como democracia, progresso social, Constituição.

A atitude de Dilma ajuda a recordar que os brasileiros usufruem do mais amplo regime de liberdades publicas de sua história e que essa conquista deve ser preservada. Lembra que seus poderes presidenciais emanam do povo. Foi um pronunciamento presidencial, de quem fala para o país inteiro – e não para os aliados do governo nem, exclusivamente, para os brasileiros que foram às ruas.

São referências importantes após quinze dias de baderna urbana – carros incendiados, vidros quadros, roubos, ataques a edifícios públicos – e baderna ideológica, com perseguição e porrada em militantes de partidos políticos, faixas que pediam golpe militar e atitudes fascistas.

A presidenta não fez ameaças diretas, mas ficou implícito – felizmente – que se sente inteiramente a vontade para usar o monopólio da violência – que é um direito do Estado – quando for necessário. Num momento em que se multiplicam atos de puro banditismo, condenou a arruaça e a irracionalidade. Mostrou disposição muito maior para ouvir e negociar.

Para quem passou os dois últimos anos criticando a falta de diálogo do governo com a sociedade, Dilma anunciou que irá abrir as portas para dialogar com manifestantes, com entidades e sindicatos. Vai ouvir, considerar e ponderar. Se cumprir o que disse, seu governo assumirá um novo perfil político a partir de então.

Para quem imaginava que os protestos iriam paralisar o governo e transformar a presidente numa órfã política, Dilma avisou que está ativa. Mostrou disposição para ouvir a voz das ruas como nenhum antecessor jamais o fez. Mas sabe seu lugar e sabe muito bem para que foi eleita.

Essa é a mensagem real do pronunciamento.

O resto é crítica de cinema.
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Governo desmente uso de dinheiro público em estádios da Copa

24.06.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 23.06.13
Por  Redação RBA

Nota do Ministério do Esporte reforça explicação de Dilma de que recursos do BNDES em arenas são empréstimos a empresas e governos estaduais

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O governo nega que tenha colocado R$ 600 milhões na reforma do Mané Garrincha, em Brasília
São Paulo – O governo federal emitiu hoje (23) comunicado desmentindo o uso de recursos públicos na construção e na reforma de estádios que são utilizados na Copa das Confederações deste ano e na Copa do Mundo de 2014. A nota publicada no Blog do Planalto foi emitida pelo Ministério do Esporte depois de publicação de reportagem do portal UOL informando que a União destinou R$ 1,1 bilhão à construção de arenas.
“Não há um centavo do Orçamento da União direcionado à construção ou reforma das arenas para a Copa”, diz o ministério. “Há uma linha de empréstimo, via BNDES, com juros e exigência de todas as garantias bancárias, como qualquer outra modalidade de crédito do banco. O teto do valor do empréstimo, para cada arena, é de R$ 400 milhões, estabelecido em 2009, valor que permanece o mesmo até hoje. O BNDES tem taxas de juros específicas para diversas modalidades de obras e projetos.”
A reportagem do UOL visava a rebater a informação divulgada por Dilma Rousseff durante pronunciamento na sexta-feira. Entre outras motivações dos protestos realizados nas últimas semanas, a presidenta abordou os gastos com a Copa para afirmar que os recursos federais empenhados na construção de estádios são empréstimos para empresas e governos estaduais.
Mas, na visão do texto do portal, os juros subsidiados garantidos pelo BNDES levam a uma perda de arrecadação de R$ 189 milhões, “valor que poderia ser aplicado em outros financiamentos para outros projetos”. Além disso, diz a reportagem, a União é sócia na reforma do Estádio Nacional de Brasília, o Mané Garrinha, cujos custos totais chegaram a R$ 1,2 bilhão. Segundo o UOL, isso resultou em um gasto de R$ 600 milhões para a União.
“Não houve qualquer aporte de recursos do Orçamento da União nos últimos anos para a Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília). Portanto, a matéria do UOL está errada. Não há recurso algum do Orçamento da União para a obra de nenhuma das arenas, o que inclui o Estádio Nacional Mané Garrincha”, rebate o Ministério do Esporte.
O governo confirmou que foram oferecidas algumas isenções fiscais para incentivar a construção e reforma dos estádios, mas que tal renúncia fiscal não pode ser considerada como uma despesa porque serve “para gerarempregos e incentivar o desenvolvimento econômico e social ao serem destinadas a diversos setores e projetos". Segundo o Ministério do Esporte, 24.500 postos de trabalho diretos foram criados.
O comunicado reforça que os investimentos para a preparação do Mundial são dirigidos para obras de infraestrutura que melhorarão a vida dos moradores das cidades-sede, como sistemas de transporte, portos, aeroportos, segurança pública, energia, telecomunicações e estruturas turísticas. O governo acrescenta que a organização de grandes eventos esportivos constitui para o país "uma oportunidade para acelerar investimentos em infraestrutura e serviços que melhoram as cidades e a qualidade de vida da população".
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A extrema-esquerda vai ao paraíso

24.06.2013
Do blog CRÔNICAS DO MOTTA, 23.06.13


Os partidecos de extrema-esquerda, depois de anos tentando, finalmente conseguiram atingir seu objetivo. 

Não, não tomaram o poder. 

Não, não derrubaram a Bastilha. 

Não, não acabaram com a ordem burguesa, muito menos com o capitalismo.

Foram além.

Estão prestes a tocar o céu, a chegar ao paraíso. 

Estão muito perto de acabar com a jovem democracia brasileira, esta que foi conquistada graças ao esforço, à dor, ao trabalho, às lágrimas e à persistência de milhares de brasileiros.

A irresponsabilidade com que vêm agindo nesses anos todos, somado ao absoluto desprezo à racionalidade e ao ódio patológico ao Partido dos Trabalhadores e às suas lideranças, fez com que se aliassem aos setores mais reacionários do país, justamente aqueles que deveriam ser execrados pela sua  ideologia política - se é que se pode classificar assim o amontoado de bobagens que repetem como papagaios.

Está lá no site do PSTU, o nome escolhido pela antiga Convergência Socialista para mascarar a sua origem: "No entanto, as manifestações expressam um profundo descontentamento que vai desde os primeiros sinais da desaceleração da economia – na qual o repique inflacionário é sem dúvida o elemento mais sentido – até a revolta da população contra o abandono e o descaso dos serviços públicos diante da bilionária roubalheira das megas obras da Copa do Mundo. E, em todos estes assuntos, a culpa é do governo Dilma, do PT."

É a mesma ladainha, os mesmo palavrório, o mesmo blá-blá-blá, as mesmas palavras e vírgulas usadas pela turma do contra, pelos neoliberais, pelos milicos de pijama, pela oligarquia, por todos que empreendem essa guerra incessante para que o Brasil volte aos tempos da Casa Grande e Senzala.

Ingênuos?

Nem tanto, se seus líderes foram capazes de fazer lavagem cerebral em uma quantidade razoável de jovens idealistas.

Aproveitadores?

Certamente, pois só fazem o que fazem porque o Brasil é hoje um país que ruma à democracia plena.

Idiotas?
Sem dúvida nenhuma, pois serão varridos do mapa assim que seus novos amigos, os neofascistas movidos a slogans de marcas de uísque e de carros, terminarem de estourar as garrafas de champanhe que já encomendaram para brindar o "novo" Brasil que almejam - uma nação sem esperanças, sem sonhos e sem liberdade.
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FACEBOOK NÃO TRAZ O PROGRESSO

24.06.2013
Do blog CONVERSA AFIADA, 23.06.13
Por Paulo Henrique Amorim

Em Maio de 1968, o De Gaulle voltou mais forte ainda


Em maio de 1968, o gaullismo ficou mais forte ainda.

Na Praça da Paz Celestial, Deng Xiao-Ping mandou os liberais embora.

Na Praça Tahir, ganhou a direita muçulmana.

Os indignados da Plaza Mayor, em Madrid, elegeram o Rajoy, um neo-franquista.

Se Facebook fosse instrumento do progresso, o meu neto Francisco, de 5 anos, assumia o controle da CacauShow, muito mais importante para ele que o Palácio do Itamaraty.

Paulo Henrique Amorim

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O FASCISMO NO BRASIL DE HOJE

24.06.2013
Do blog O COXINHA, 23.06.13
Por Márcio Sotelo Felippe**

Fascismo no Brasil de hoje

Fascismo no Brasil de hoje*
GGN

Os regimes fascistas em muitos aspectos  não eram diferentes de outras experiências históricas caracterizadas pelo terror  do Estado contra movimentos  populares, etnias, trabalhadores, sindicatos e organizações de esquerda.  Mas o que apareceu na Alemanha e na Itália  tinha algo específico.  No primeiro momento ninguém se deu conta. Os soviéticos usaram um conceito genérico. Disseram que era uma ditadura terrorista  aberta dos elementos mais reacionários do grande capital.

Se fosse isso apenas não seria uma novidade. O fascismo tinha de fato  em comum com outras ditaduras burguesas vários aspectos:  era uma forma de dominação com métodos terroristas,  impedia o exercício de direitos, liberdades e garantias  básicas dos indivíduos e esmagava movimentos populares e organizações de esquerda. Podemos identificar algo assim na Comuna de Paris, muito tempo antes.  Um governo popular foi esmagado com extrema crueldade e 20 mil “comunards” foram executados. No entanto, soaria  meio estranho dizer que Thiers era fascista.

Quem pôs o ovo em pé foi Palmiro Togliatti, histórico dirigente do Partido Comunista Italiano. Ele viu que era  uma ditadura de direita, mas  de novo tipo.  Além  do terror, buscava o consenso e queria capturar a consciência das massas. O objetivo era transformar a sociedade em um organismo e eliminar conflitos.  Isto sim era novidade histórica.

Um novo tipo de dominação naquele momento era necessário porque surgira o poder bolchevique. Até então o socialismo era uma ameaça   detida pela só  violência. Mas comunistas tomaram o poder na Rússia  e se consolidaram no poder. Um desafio novo exigia  respostas novas:  não bastavam a violência e o terror do Estado, era preciso tornar a sociedade imune a transformações  uniformizando-a.  Era preciso dominar a consciência de uma parte da sociedade para excluir a outra parte.

Domina-se uma consciência operando com a ideia de verdade. Uma visão de mundo, um interesse de classe, um ponto de vista, a ideia de conservação, todo o ideário reacionário  torna-se “verdade”.   Particularmente no caso do nazismo isto se deu por uma apropriação perversa do romantismo filosófico. A base do romantismo filosófico era  uma ruptura com a ideia usual de  verdade. No conceito clássico  imaginava-se que a consciência se apropriava de uma verdade  como se fosse, digamos,  uma máquina fotográfica. No romantismo filosófico o eu cria a verdade. O espírito  livre passa a ser senhor absoluto do dever ser. Quando está apenas submetido às leis necessárias da natureza o espírito está morto. Quando faz suas próprias regras o espírito está vivo.

Para  Fichte, escrevendo em plena invasão napoleônica, esse eu criador seria o  povo alemão. Fichte inspirou o “volkisch”,  movimento que grassou na Alemanha no século XIX. “Volkisch”  significava mais ou menos poder do povo, espírito do povo, mas  com uma conotação étnica.  Abarcava o sangue, a tradição, a pátria, o ambiente, a terra e permeando isso tudo a etnia. O filósofo romântico pensava que o povo alemão emanciparia a humanidade. Lançaria “massas rochosas de pensamentos” sobre os quais “eras vindouras construiriam suas moradas”. O espírito alemão era uma “águia cujo poderoso corpo se impele ao alto e paira sobre asas fortes e experientes no céu para poder ascender para perto do sol,  de onde ele gosta de observar”. (Discursos à Nação Alemã)

Conhecemos os resultados dessa apropriação do romantismo pelo regime nazista. O sujeito - o povo alemão -  cria seu mundo, cria a moral. Tudo que estivesse  na perspectiva do povo alemão - entendido como “volkisch” , etnicamente -  seria bom e verdadeiro. Tudo que não  estivesse seria  mau e  falso. Ou uma  doença para o “organismo”.

 O Estado nazista criou uma polícia e um processo penal volkisch.  Um historiador do nazismo os descreve assim: “esse tipo de polícia “volkisch”, ou biológica, da polícia foi apresentado ao povo alemão como a base racional para o que a polícia fazia. Himmler informou tranquilamente em março de 1937, que a tradição do Estado mínimo estava morta, assim como a velha ordem liberal na qual, pelo menos em teoria, a polícia era neutra. Enquanto a velha polícia vigiava mas não interferia para cumprir agendas de seu interesse, a nova polícia, disse ele, não estava mais sujeita a quaisquer restrições formais para realizar sua missão, que incluía fazer valer a vontade da liderança e criar e defender o tipo de ordem social que esta desejava. Segundo Hans Frank, era impensável que a polícia ficasse meramente restrita à manutenção da lei e da ordem. Ele disse que esses conceitos costumavam ser considerados neutros e livres de valores, mas na ditadura de Hitler ‘a neutralidade filosófica não existe mais’, isto é, apoiar ou abraçar qualquer outra visão política a não ser o nazismo era um crime. Para a nova polícia, a prioridade era ‘a proteção e o avanço da comunidade do povo’, e contramedidas policiais eram justificadas para deter toda “agitação” oposta ao povo, que precisava ser sufocada”. A polícia podia tomar quaisquer medidas necessárias, incluindo a invasão de lares, ‘porque não existe mais esfera privada, na qual o indivíduo tem permissão para trabalhar sem ser molestado na base da vida da comunidade nacional-socialista. A lei é aquilo que serve ao povo, e ilegal é aquilo que o fere’”.(Robert Gellately, Apoiando Hitler – Consentimento e Coerção na Alemanha Nazista, p. 79/80)  

Nesse momento desaparece a herança iluminista do processo. A polícia pode tudo. Basta entender que certa conduta é contrária ao “povo”. Provas e procedimentos são desnecessários porque o processo é outro: um simples  juízo a cargo de uma autoridade qualquer.

Sempre que de algum modo o diferente é tratado como inimigo, excluído do povo,  desqualificado em sua humanidade, associado a desvalores, mau,  falso, injusto, sujo,  sempre que alguém procura uniformizar o meio social como um organismo por tal método, estamos diante de uma atitude fascista. A chave é essa: alguns são  “o povo” e devem ser protegidos; outros não são o povo,  não tem direitos e podem   ser excluídos.
        
O ódio à diferença é o fenômeno social fascista por definição. Há hoje no Brasil problemas com a diferença. Devemos prestar atenção quando a  luz amarela acende.

A inculta e selvagem classe média brasileira  tem horror à diferença. Não gosta de  negro, não suporta homossexual, não quer pobres por perto a não ser para limpar suas privadas.  Quando é de direita – quase sempre – tem ódio da  esquerda. Não é apenas contra. Não é que discorda. Odeia.  A classe média brasileira é a favor da pena de morte, da redução da maioridade penal, da execução sumária de transgressores, repete  frases como “bandido bom é bandido morto” e seu ideal de polícia  é tal qual o  “volkisch” da Alemanha nazista, mas isso, claro, quando o acusado é pobre, negro, puta,  gay, etc.

O julgamento da AP 470 (o “mensalão”) teve a ver com a rejeição do diferente. Não se tratou de uma questão meramente partidária. Engana-se quem pensa isso. Pau que bate em Chico bate em Francisco. O PT não é hoje exatamente um partido rebelde,  mas a questão era simbólica. O PT está associado no imaginário social à esquerda e muitos dos seus quadros são “outsiders” em relação à elite branca universitária que sempre foi dona do poder e sempre ganhou  eleições presidenciais.  Colocar seus quadros  na prisão no vislumbre de uma edição do Jornal Nacional em que aparecerão algemados será  o início  do pretendido processo de “higienização” da política.  Subliminarmente faz-se a  associação de uma  concepção não conservadora do mundo  ao crime.

 O STF  distorceu doutrinas jurídicas, desrespeitou a própria jurisprudência, decidiu diversamente do que  havia decidido pouquíssimo tempo antes para declarar-se competente (apenas três dos trinta e sete réus teriam foro privilegiado, e nesse caso o processo deveria ter sido remetido a outra instância). Um ministro declarou em sessão,    ao vivo para todo o país,  que estabelecia a pena  sob medida para que não houvesse prescrição. Confessou  um ato de vontade à margem da lei para que houvesse a condenação. Nesse momento desapareceu a figura do julgador e surgiu a do inquisidor.  Não queria julgar, queria condenar. Uma ministra reconheceu que não havia provas suficientes, mas a “literatura” permitia condenar...

Tudo isso foi possível porque existe em parte da  sociedade (com apoio aberto da grande midia) um  ambiente favorável à exclusão de outra visão do mundo que não a conservadora. Não  um mero combate, o que seria normal da política,  mas exclusão. Esse é o ponto. O diferente deve  ser excluído e para isso vale o ordenamento jurídico do lobo e do cordeiro,  a norma  que permite ao lobo jantar o cordeiro e que pode ser qualquer uma.

Colunistas ou comentaristas políticos de direita  costumam agora utilizar  o mais rasteiro e pobre dos recursos de argumentação, o argumento ad hominem. A estratégia é desqulificar a pessoa, a história familiar, um suposto problema do pai, da mulher, do tio, etc.   As pessoas de esquerda são assim, gente sem valor  desde a origem familiar. Subrepticiamente afirma-se que o  desvalor está na constituição genética ou foi impresso pelo ambiente de onde vieram.  A contrario sensu  os que os combatem  são  limpinhos e saudáveis. Às vezes aparece uma descarada eugenia, como a chocante  matéria de uma revista semanal  que dizia que, segundo uma pesquisa científica,  pessoas altas ganham mais dinheiro. O sucesso dependeria de uma condição biológica que em geral se desenvolve  nas camadas privilegiadas da sociedade, constituída por descendentes de europeus, mais altos na média do que o brasileiro não branco.

O trágico episódio do Pinheirinho escancarou a violência de que essa gente é capaz de praticar  ou de apoiar. Os diferentes nunca  têm os mesmos direitos. Mais uma vez, contra eles pode-se tudo.  A  vida de 6 mil  pessoas foi destruída por máquinas passando em cima de  suas casas às 5,30  hs de uma  manhã de domingo, com o aviso prévio suficiente para tirar o bebê do berço e correr. Não sei o que pode ser mais parecido com o Judiciário alemão sob o nazismo do que isso.

Uma parte desta sociedade pensa que o Brasil deve ser o espelho deles, do mesmo modo como a cultura “volkisch” queria que a Alemanha fosse o seu  espelho.

Esta sociedade protegerá os direitos dos brancos, dos negros, dos amarelos,  dos gays, dos travestis,  dos indígenas, dos drogados, dos loucos, dos bêbados, das putas e será a sociedade de toda incusão. Não será a sociedade dos brancos de classe média  heterossexuais (supostamente).

É escolher entre democracia ou barbárie.

* Texto baseado em apresentação feita no seminário “Resistência Democrática - Diálogos entre Política e Justiça”,   promovido pela Escola da Magistratura do Rio de Janeiro de  15 a 17 de maio deste ano.

** Márcio Sotelo Felippe é jurista, ex-Procurador Geral do estado de São Paulo (1995-2000), autor do livro Razão Jurídica e Dignidade Humana, publicado pela editora Max Limonad.
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