domingo, 23 de junho de 2013

MÍDIA MENTE: Blog do Planalto publica nota desmentindo a UOL

24.06.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 

Nota à imprensa: esclarecimentos sobre investimentos do governo federal para a Copa do Mundo

Domingo, 23 de junho de 2013 às 16:03

matéria veiculada pelo Portal UOL na manhã deste domingo (23), assinada por Rodrigo Mattos e Vinicius Konchinski, distorce informações, faz relações incorretas e induz o leitor a uma interpretação errada dos fatos. Cabe esclarecer o seguinte:

- Não há um centavo do Orçamento da União direcionado à construção ou reforma das arenas para a Copa.

- Há uma linha de empréstimo, via BNDES, com juros e exigência de todas as garantias bancárias, como qualquer outra modalidade de crédito do banco. O teto do valor do empréstimo, para cada arena, é de R$ 400 milhões, estabelecido em 2009, valor que permanece o mesmo até hoje. O BNDES tem taxas de juros específicas para diversas modalidades de obras e projetos. O financiamento das arenas faz parte de uma dessas modalidades.

- Não houve qualquer aporte de recursos do Orçamento da União nos últimos anos para a Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília). Portanto, a matéria do UOL está errada. Não há recurso algum do Orçamento da União para a obra de nenhuma das arena, o que inclui o Estádio Nacional Mané Garrincha.

- Isenções fiscais não podem ser consideradas gastos, porque alavancam geração de empregos e desenvolvimento econômico e social, e são destinadas a diversos setores e projetos. Só as obras com as seis arenas concluídas até agora geraram 24.500 empregos diretos, além de milhares de outros indiretos, principalmente na área da construção civil.

- É importante reforçar que todos os investimentos públicos do Governo Federal para a preparação da Copa 2014 são em obras estruturantes que vão melhorar em muito a vida dos moradores das cidades. São obras de mobilidade urbana, portos, aeroportos, segurança pública, energia, telecomunicações e infraestrutura turística.

- A realização de megaeventos representa para o país uma oportunidade para acelerar investimentos em infraestrutura e serviços, melhorando as cidades e a qualidade de vida da população brasileira. Os investimentos fortalecem a imagem do Brasil, de seus produtos no exterior e incrementa o turismo no país, gerando mais empregos e negócios para o povo brasileiro.

Ministério do Esporte
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
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BLOG DA CIDADANIA: O saldo trágico dos protestos

23.06.2013
Do BLOG DA CIDADANIA, 22.06.13
Por Eduardo Guimarães
Após o processo desgastante das últimas semanas, a vontade era de escrever um texto pregando o apaziguamento dos ânimos, sobretudo após a onda de quase linchamentos contra o Partido dos Trabalhadores que eclodiu no seio das manifestações por todo o país, com agressão de militantes do partido e queima de seus símbolos em praça pública.
Infelizmente, não é possível. Durante esse processo nefasto que se abateu sobre o país, este blogueiro se impôs uma missão: dizer o que precisava ser dito e que ninguém que tem um pouco menos de invisibilidade estava disposto a dizer. E não abandonar o contingente de pessoas que discorda dessa farsa que embriagou a nação e que, agora, a deixou de ressaca.
Quando vi os líderes do Movimento Passe Livre no Jornal Nacional dizendo que a causa da tragédia que desencadearam no país sempre foi a redução das tarifas, que a PEC 37 e mais um monte de “causas” que anunciaram nunca foram seu objetivo e que, uma vez alcançado esse objetivo, não havia mais por que convocar manifestações, tive certeza da falta de seriedade deles.
Durante as duas semanas sombrias em que, ao menos por omissão, esse grupo espalhou medo, sofrimento, ódio, destruição, violência e mortes, ele repetiu à exaustão que “Não é por R$ 0,20”. Os mesmos líderes que agora dizem que tudo foi, sim, por vinte centavos, apresentaram antes uma extensa pauta de reivindicações que os manteria na rua por muito tempo.
Tanto é que o tal movimento indicava continuidade das manifestações mesmo após a redução das tarifas em São Paulo e no Rio de Janeiro que aquela mocinha que tem aparecido mais na mídia falando em seu nome afirmou, em entrevistas televisionadas, que a mobilização de rua continuaria por várias razões, entre as quais impedir que os militantes que foram presos fossem processados criminalmente.
O terror que eclodiu pelo país entre o fim da noite de quinta-feira (20) e a madrugada de sexta (21), porém, parece ter assustado as lideranças, que recuaram do mote “Não é por R$ 0,20” e que, agora, anunciavam que não convocariam mais novas manifestações.
Porém, a falta de rumo e de seriedade dessa meninada se faz notar de novo. Confira logo abaixo, leitor, trecho de matéria de capa da Folha de São Paulo de sábado, 22 de junho, em que o tal MPL recua do recuo:
O MPL (Movimento Passe Livre) anunciou na manhã de ontem a suspensão, por tempo indeterminado, de novos atos na cidade de São Paulo depois da proliferação de protestos violentos pelo país. No final da noite, entretanto, o movimento recuou e divulgou nota afirmando que os atos vão continuar na cidade
Essa molecagem (no sentido estrito da palavra) já causou uma legítima tragédia no país. Uma tragédia ampla.
O saldo parcial de tudo isso são 137 feridos, 3 deles em estado grave, duas mortes, prejuízos –só ao comércio, pois ao patrimônio público ainda não foi mensurado – que já somam meio bilhão de reais (segundo a Globo News), disparada do dólar, queda das bolsas e um clima de incerteza no país que por certo afetará os investimentos, que estavam em alta.
Isso sem falar na imagem internacional do Brasil, que, antes positiva, transformou-se em péssima.
O pior mesmo, porém, parece ser o nível de insensibilidade que domina hoje a sociedade brasileira. É assustador.
Os telejornais se estenderam muito além da duração normal nesses últimos dias, gastando tempo sem fim para afirmar que foi um “grupo pequeno” que causou tudo isso que vai expresso no parágrafo anterior. Obviamente que satisfeitíssimos pela possibilidade de desgastarem o governo ao qual se opõem, esses noticiários exaltaram a tragédia até perderem o fôlego.
Nenhum veículo, porém, gastou mais do que alguns segundos com as duas vítimas fatais desse processo.
Marcos Delefrate, manifestante do Movimento Passe Livre, de 18 anos, morreu por atropelamento durante protesto em Ribeirão Preto (SP). Contudo, morreu por ter se arriscado a participar de protestos que todos sabiam que poderiam descambar para a violência. Fez uma escolha e pagou por ela.
Pior, porém, foi Cleonice Vieira de Moraes, gari, de 54 anos, que morreu em Belém (PA) após ter inalado gás lacrimogêneo lançado pela Polícia Militar. Cleonice trabalhava na limpeza noturna da prefeitura da cidade, que foi atacada por manifestantes. A polícia explodiu bombas de gás para dispersá-los, ela inalou, passou mal e teve uma parada cardíaca.
Essas baixas trágicas se tornaram apenas “efeitos colaterais” de um processo insano, sem rumo, sem causa específica. Mortes, ferimentos graves que resultaram até em mutilações horrorosas não interessam a ninguém. Cleonice e Marcos viraram números frios.
Em que esta sociedade se converteu? Enfim viramos robôs. Máquinas desprovidas de sentimentos, de civilidade, de qualquer traço de humanidade.
Nesse aspecto, a foto que encima este texto comprova isso. O caos em que se converteram as urbes brasileiras virou uma imensa “balada” para a qual hordas de jovens de classe média combinavam de ir através de troca de torpedos entre seus Iphones de última geração.
O casal que se deixa fotografar em meio à barbárie parece estar se divertindo muito, enquanto a maioria silenciosa e trabalhadora amargava nos pontos de ônibus, sabendo que chegaria em casa quase na hora de retornar ao trabalho.
Porém, a oportuna pesquisa que o instituto Datafolha realizou entre os manifestantes sobre intenção de voto para presidente da República e que deixou Dilma Rousseff em terceiro lugar e o presidente do STF, Joaquim Barbosa, disparado na frente, em primeiro, mostra que esse movimento que convulsionou e pisoteou o país não representa a grande maioria da sociedade.
Segundo a pesquisa, o perfil dos manifestantes mostra que a maioria é composta por homens (61%) e tem nível superior (78%). Precisa dizer mais alguma coisa?
Na opinião deste Blog, militantes da oposição à direita e à esquerda do governo Dilma Rousseff estão comemorando cedo demais. Pode ter havido algum prejuízo à imagem da presidente? Talvez, mas, possivelmente, muito pequeno. E, se bobear, em vez de prejuízo pode até ter havido ganho após o excelente pronunciamento dela na sexta-feira.
Pouca gente tem coragem de dizer, mas minha percepção – igual à que tinha quando escrevi que esse movimento iria levar à tragédia a que levou – é a de que a maioria silenciosa, que amargou duas semanas de sofrimento passando as noites se escondendo dos manifestantes em vez de ir pra casa descansar após a jornada de trabalho, está farta desse circo.
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MAURO SANTAYANA: O Brasil e sua influência no mundo

23.06.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL
Por  Mauro Santayana 

Nossas elites, com exceção de poucas personalidades lúcidas e honradas, valem pouca coisa, se é que valem alguma. O povo, com suas dificuldades e sofrimento, carrega o país para a frente 

Em um dos seus discursos, na pregação democrática que conduziu à transição, Tancredo Neves disse que a construção da nacionalidade se deve mais ao povo do que às elites. Os ricos têm seus bens, algumas vezes até mesmo fora do país. Os pobres só têm o patrimônio comum da nação, com seus heróis e seus símbolos. É em razão disso que os trabalhadores, de modo geral, quando ascendem ao poder, mediante as poucas oportunidades que surgem, contribuem para o crescimento do país. Nada mais expressivo, nessa constatação, do que o exemplo de Lula. Ele pode encerrar a sua vida política hoje, se quiser: o que fez, no exercício do poder, já o consagra na História.
Mas o Brasil tem seus competidores e inimigos externos – além dos inimigos internos. Não se sabe exatamente quais são os piores. A leitura dos grandes jornais brasileiros e o acompanhamento dos principais programas de televisão levam as pessoas desatentas a imaginar que nos encontramos no pior dos mundos. É certo que não podemos levantar um muro sanitário ao longo de nossas fronteiras, de forma a impedir a repercussão interna das crises econômicas, temos ocupado na economia mundial uma posição sólida, com presença crescente em todas as regiões do planeta.
Uma de nossas grandes vantagens é a amplitude do mercado interno. As políticas compensatórias nos permitiram o aumento do consumo, primeiro, de alimentos e, em seguida, de bens duráveis, o que repercutiu no crescimento do emprego, da massa salarial e da poupança, com o dinamismo geral da economia. Tivemos o cuidado de não expor demasiadamente a economia ao comércio internacional, de forma a manter, no teto confortável de 12% do PIB, o valor de nossas exportações. Não somos, como outras nações, assim tão dependentes do mercado externo.
Os esforços nacionais, na formação de saldos no balanço de pagamentos, nos transformaram no terceiro maior país credor dos Estados Unidos – depois da China e do Japão – e o maior credor no mundo ocidental. Em março deste ano, segundo informações oficiais do Tesouro norte-americano, eles nos deviam US$ 258,6 bilhões, US$ 5 bilhões a mais do que no fim do ano passado.
Nos últimos meses, os Estados Unidos têm empurrado o México a tentar confronto inútil com o Brasil, na disputa de influência na América Latina. Há uma enorme diferença entre o Brasil e o México, na divisão internacional do trabalho. O México é a etapa final de maquiagem de produtos das multinacionais norte-americanas e de terceiros países, destinados aos Estados Unidos e aos outros países do Nafta, o tratado de livre-comércio firmado em 1991 entre as três nações da América do Norte, para onde se dirigem 90% das exportações. O Brasil, é certo, exporta menos que o México, mas exporta para todos os continentes, e bens realmente produzidos em nosso território – e não simplesmente aqui maquiados.
Todos esses êxitos, somados, refletem-se em nossa posição política no mundo, e estimulam o patriotismo, mas é preciso ter cautelas. Não podemos fazer disso instrumento de orgulho, sobretudo em nossas relações com os vizinhos. Se quisermos influir no continente, devemos não apregoar a superioridade territorial nem os resultados econômicos. A América do Sul só será poderosa se for a soma entre iguais, não obstante as suas dimensões geográficas e políticas – e esse, que poderia ser o caminho natural, é trecho difícil de ser percorrido. A diplomacia brasileira, que vem obtendo êxitos, como a eleição do embaixador Roberto Azevêdo para o posto de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, terá de redobrar a sua prudência.
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MÍDIA GOLPISTA: Às ruas contra o partido da mídia

23.06.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Editorial da revista Fórum:

O pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff, ontem, apontou para muitas direções. Mas foi uma das raras vezes em que alguns temas essenciais para o país foram abordados em discursos oficiais da atual mandatária, como a reforma política e a necessidade de diálogo com os movimentos sociais. Estes que, até agora, tiveram um tratamento mais do que distante por parte do governo.

Pode ser o início de um ponto de virada no mandato da presidenta, mas tudo vai depender das ações concretas que serão tomadas daqui para a frente. Contudo, é impossível não notar uma lacuna no discurso de ontem. A democratização da comunicação, questão negligenciada em boa parte dos oito anos de Lula e que estagnou – ou regrediu – ainda mais na gestão Dilma. Para quem sentiu a ausência do assunto nas palavras da presidenta, a entrevista do ministro das Comunicações Paulo Bernardo à revista Veja foi mais do que um balde de água fria. É a certeza de que, se não houver uma mudança radical nessa área, a tendência é que o que já é ruim possa piorar.

No abre da entrevista, Bernardo é apresentado como um “daqueles raros e bons petistas que abandonaram o radicalismo no discurso e na prática”. Na entrevista, talvez o principal trecho esteja no final, quando o repórter pergunta sobre por que razão “o seu partido insiste na defesa de medidas para controlar a mídia”. O ministro responde dizendo que “algumas pessoas acham que nós podemos fazer, por exemplo, regulação da mídia impressa”. Depois, segue: “Quando se fala nisso, é a militância que extrapola, e eu posso dizer que está errada, que está falando besteira. Se ela não gosta da capa da revista, da manchete de jornal, que que eu faça regulação. Isso não existe. Não vai ter regulação para isso”.

Curiosamente, Bernardo cita o que a militância do seu partido “entende errado”, mas não faz questão nenhuma de falar sobre o que o seu partido e seus militantes “entendem certo”. São pontos como o monopólio dos meios de comunicação, a propriedade cruzada, o papel das teles, a luta pela diversidade informativa… Nada disso tem qualquer relação com “censura” da mídia impressa. Reduzir as demandas do PT, ou melhor, de boa parte da esquerda a isso é contribuir para a desinformação. Ou má-fé.

Além disso, Bernardo faz questão de mostrar intimidade com a presidenta e, apesar de admitir ser cobrado por ela, cita um episódio trivial para ilustrar sua proximidade. Conta que Dilma o alertou para comprar um “presente bom” para o aniversário de sua esposa, a ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann. E diz ter comprado um colar de pérolas.

Não é à toa que uma entrevista como essa tenha saído agora. A mídia tradicional não diz, mas a narrativa que ela conta sobre os protestos não a inclui como personagem. Foi ela, mídia tradicional, em várias manifestações pelo Brasil, hostilizada por grande parte das pessoas que foram às ruas. Em São Paulo, Veja foi xingada, a Globo também. Tanto que os repórteres da emissora saem para a cobertura sem seus cubos ou prismas nos microfones, ou então veem à distância os fatos por helicópteros. Os veículos tradicionais fingem que não, mas são alvo. E, quem diria, Paulo Bernardo faz as vezes de protetor.

É preciso que se inclua, de forma urgente, a democratização da comunicação na pauta dos protestos, nas ruas e em todas as redes. Que se discuta, de forma saudável, como garantir a pluralidade de meios e de canais no Brasil. Sem pressão social, é certo que nada sairá dos gabinetes de Brasília nesse sentido. Caso o cenário não se modifique, nossa democracia continuará sem pernas. E sem voz(es).
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MARCO AURÉLIO WEISSHEIMER: Multidão sequestrada por fascistas

23.06.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Marco Aurélio Weissheimer, no blog RS Urgente:

O que começou como uma grande mobilização social contra o aumento das passagens de ônibus e em defesa de um transporte público de qualidade está descambando a olhos vistos para um experimento social incontrolável com características fascistas que não podem mais ser desprezadas. A quem interessa uma massa disforme na rua, “contra tudo o que está aí”, sem representantes, que diz não ter direção, em confronto permanente com a polícia, infiltrada por grupos interessados em promover quebradeiras, saques, ataques a prédios públicos e privados, ataques contra sedes de partidos políticos e a militantes de partidos, sindicatos e outros movimentos sociais? Certamente não interessa à ainda frágil e imperfeita democracia brasileira. Frágil e imperfeita, mas uma democracia. Neste momento, não é demasiado lembrar o que isso significa.

Uma democracia, entre outras coisas, significa existência de partidos, de representantes eleitos pelo voto popular, do debate político como espaço de articulação e mediação das demandas da sociedade, do direito de livre expressão, de livre manifestação, de ir e vir. Na noite de quinta-feira, todos esses traços constitutivos da democracia foram ameaçados e atacados, de diversas formas, em várias cidades do país. Houve violência policial? Houve. Mas aconteceram muitas outras coisas, não menos graves e potencializadoras dessa violência: ataques e expulsão de militantes de esquerda das manifestações, ataques a sedes de partidos políticos, a instituições públicas. Uma imagem marcante dessa onda de irracionalidade: os focos de incêndio na sede do Itamaraty, em Brasília. Essa imagem basta para ilustrar a gravidade da situação.

Não foram apenas militantes do PT que foram agredidos e expulsos de manifestações. O mesmo se repetiu, em várias cidades do país, com militantes do PSOL, do PSTU, do MST e pessoas que representavam apenas a si mesmas e portavam alguma bandeira ou camiseta de seu partido ou organização. Em Porto Alegre, as sedes do PT e do PMDB foram atacadas. Em Recife, cerca de 200 pessoas foram expulsas da manifestação. Militantes do MST e de partidos apanharam. O prédio da prefeitura da cidade foi atacado. Militantes do MST também apanharam em São Paulo e no Rio de Janeiro, entre outras cidades. Em São Paulo, algumas dessas agressões foram feitas por pessoas armadas com facas. E quem promoveu todas essas agressões e ataques. Ninguém sabe ao certo, pois os agressores agiram sob o manto do anonimato propiciado pela multidão. Sabemos a identidade de quem apanhou, mas não de quem bateu.

Desde logo, cabe reconhecer que os dirigentes dos partidos, dos governos e dos meios de comunicação têm uma grande dose de responsabilidade pelo que está acontecendo. Temos aí dois fenômenos que se retroalimentam: o rebaixamento da política à esfera do pragmatismo mais rasteiro e a criminalização midiática da política que coloca tudo e todos no mesmo saco, ocultando da população benefícios diários que são resultados de políticas públicas de qualidade que ajudam a vida das pessoas. Há uma grande dose de responsabilidade a ser compartilhada por todos esses agentes. A eternamente adiada Reforma Política não pode mais esperar. Em um momento grave e difícil da história do país, o Congresso Nacional não está em funcionando. É sintomático não ter ocorrido a nenhum dos nossos representantes eleitos pelo voto convocar uma sessão extraordinária ou algo do tipo para conversar sobre o que está acontecendo.

Dito isso, é preciso ter clareza que todos esses problemas só poderão ser resolvidos com mais democracia e não com menos. O rebaixamento da política à esfera do pragmatismo rasteiro exige partidos melhores e um voto mais esclarecido. A criminalização da política, dos partidos, sindicatos e movimentos sociais exige meios de comunicação mais responsáveis e menos comprometidos com grandes interesses privados. Não são apenas “os partidos” e “os políticos” que estão sendo confrontados nas ruas. É a institucionalidade brasileira como um todo e os meios de comunicação são parte indissociável dessa institucionalidade. Não é a toa que jornalistas, equipamentos e prédios de meios de comunicação estão sendo alvos de ataques também. Mas não teremos meios de comunicação melhores agredindo jornalistas, incendiando veículos de emissoras ou atacando prédios de empresas jornalísticas.

Uma certa onda de irracionalidade atravessa esse conjunto de ameaças e agressões, afetando inclusive militantes, dirigentes políticos e ativistas sociais experimentados que demoraram para perceber o monstro informe que estava se formando. E muitos ainda não perceberam. Após as primeiras grandes manifestações que começaram a pipocar por todo o país, alimentou-se a ilusão de que havia um “movimento em disputa” nas ruas. O que aconteceu na noite de sexta-feira mostra claramente que não há “um movimento” a ser disputado. O que há é uma multidão disforme e descontrolada, arrastando-se pelas ruas e tendo alvos bem definidos: instituições públicas, prédios públicos, equipamentos públicos, sedes de partidos, jornalistas, meios de comunicação. Os militantes e ativistas de organizações que tentaram começar a fazer essa disputa na noite de quinta foram repelidos, expelidos e agredidos. Talvez isso ajude a clarear as mentes e a desarmar um pouco os espíritos para o que está acontecendo.

Não é apenas a democracia, de modo geral, que está sob ameaça. Há algo chamado luta de classes, que muita gente jura que não existe, que está em curso. Não é à toa que militantes do PT, do PSOL, do PSTU, do MST e de outras organizações de esquerda apanharam e foram expulsos de diversas manifestações ontem. Com todas as suas imperfeições, erros, limites e contradições, o ciclo de governos da última década e em outros países da América Latina provocou muitas mudanças na estrutura de poder. Não provocou todas as necessárias e esse é, aliás, um dos fatores que alimentam a explosão social atual. Mas muitos interesses de classe foram contrariados e esses interesses não desistiram de retornar ao poder plenamente. Tem diante de si uma oportunidade de ouro.

Como jornalista, militante político de esquerda e cidadão, já firmei uma convicção a respeito do que está acontecendo. Uma multidão cuja direção (rumo) passou a ser atacar instituições públicas, sem representantes, sequestrada por grupos de extrema-direita, que rejeita partidos políticos e hostiliza manifestantes de esquerda, não só não me representa como passa a ser algo a ser combatido politicamente. Ou alguém acha que setores das forças armadas e da direita brasileira estão assistindo a tudo isso de braços cruzados?
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CUT condena ataques a partidos e afirma que política 'organiza a sociedade'

23.06.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 22.06.13
Por DANILO RAMOS. RBA
Central diz que há grupos interessados em se apropriar de mobilização para desestabilizar país em momento de desenvolvimento. Entidades sindicais se reúnem na terça

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"Não há democracia sem partidos, sindicatos e instituições livres", diz a CUT sobre a hostilidade da última quinta
São Paulo – A CUT emitiu nota na noite de ontem (21) cobrando respeito à democracia, aos partidos políticos e aos movimentos sociais que ajudaram a conquistar direitos ao longo de décadas no Brasil, e lamentou o oportunismo de setores conservadores que tentam se apropriar da mobilização surgida nas duas últimas semanas no Brasil.
“A derrota da ditadura e a democracia que conquistamos indo para as ruas se devem à organização e à responsabilidade que os movimentos social e sindical sempre tiveram. É incontestável que não há democracia sem partidos, sindicatos e instituições livres. É a política que organiza a sociedade”, diz o comunicado, assinado pelo presidente da central, Vagner Freitas, e pelo secretário-geral da entidade, Sérgio Nobre. “A CUT continua nas ruas em defesa da pauta da classe trabalhadora e da democracia, contra o conservadorismo. Repudiamos todo e qualquer retrocesso!”
Os presidentes das centrais sindicais se reúnem na terça-feira (25) para debater a unificação de uma agenda de mobilizações em defesa da democracia, que consideram atingida por grupos de manifestantes que na última quinta-feira, especialmente durante protestos em São Paulo, queimaram bandeiras de partidos e de movimentos. Neste sentido, a CUT saudou a decisão do Movimento Passe Livre de não convocar mais atos para evitar a apropriação das mobilizações por pessoas contrárias à existência de um sistema partidário e das instituições políticas.
“A CUT repudia as ações violentas de grupos contrários à democracia que, de forma oportunista, levaram às ruas pautas conservadoras que apontam para o retrocesso, o preconceito, a intolerância e estimulam o ódio de classe”, continua a nota, que orienta sindicatos, federações e confederações a defender, “de forma pacífica e organizada”, as bandeiras fundamentais para o sistema democrático, o que inclui uma reforma política que fortaleça os partidos e a participação popular. “Esses grupos demonstram a clara intenção de desestabilizar o projeto de desenvolvimento que defendemos e que ajudamos a construir, tentam impor o retrocesso às conquistas e aos avanços sociais.”
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GLOBO REPÓRTER COMENTA OS PROTESTOS MANIPULANDO EM FAVOR DO "PARTIDO DA ELITE"

23.06.2013
Do portal BRASIL247
Por CLEBER*

  1. Globo Repórter (21/06/2013 ) No “GLOBO REPÓRTER “ de 21/ 06 /2013 começou com a família de uma arquiteta e os filhos , sendo um deles estudante de direito, em determinado momento foi dito pela família que o movimento não era de partidos políticos, mas eu sinto que a própria família que participa do programa é parte de um dos piores partidos políticos do Brasil, “ o partido da Elite “ que quer voltar ao poder de qualquer jeito. 

    Ao assistir o “ Globo Repórter “ observei que quem ocupa a posição de “narrador do bem” eram pessoas de aparência de elite e o papel de vândalos era dado ao povo humilde e com aparência de pessoas comuns. Estudantes de medicina socorrendo pessoas feridas no movimento e estavam falando sobre a situação da saúde, infiltrados dentro do movimento por causa do aumento de passagem de 0,20. 

    Isso só pode ser golpe montado pela “Globo Golpista”. Observando as casas das pessoas entrevistadas que participaram é possível ver a realidade das pessoas que foram usadas no programa do “Globo Repórter”. Por que não entrevistaram pessoas das periferias? São essas pessoas que estão recebendo e usufruindo das mudanças que estão acontecendo em nosso país, tais como financiamentos por projetos do governo federal como “Moradia e Educação”. 

    Em um bloco do “Globo Repórter” mostraram os problemas dos transportes coletivos nos estados de SP e RJ. Eu tenho 51 anos e desde criança ouço falar dos problemas dos transportes coletivos nas grandes cidades brasileiras. Então será que só no momento atual pelo qual está passando o povo brasileiro é que existem estes problemas? Entrevistaram a família de um advogado que se preparava para participar da manifestação. Manifestação sem o pai e a mãe e sem riscos por participar das manifestações. 

    Será que para esta família, a manifestação não passou de cenas para o “Globo Repórter”? Na fala da presidenta Dilma reprisada no “Globo Repórter” ela inicia dizendo que na política brasileira não é feito muito mais por limitações políticas. Essas limitações que não foram apontadas existem por parte da direita golpista que, por puro, egoísmo político e desejo de voltar ao poder e retomar de novo as explorações da classe trabalhadora humilde, não apóia e impede a aplicação de ações políticas para melhorar a saúde e educação pública brasileira ou qualquer outra ação política para melhorar a vida do trabalhador brasileiro. 

    Manifestar e protestar é uma ação livre e necessária dentro do regime democrático, o que não pode acontecer é o povo brasileiro que participa possa se deixar manipular. Acorda, Brasil!!! Levanta, Brasil!!! E viva o povo brasileiro!!!

    *Cleber, internauta que fez este bom comentário sobre do artigo  "BARROSO FEZ PARECER SOBRE A PEC 37; LEIA E SAIBA DO QUE REALMENTE SE TRATA".
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FREI BETO: Bem-vindos os médicos

23.06.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 22.06.13
Por  Frei Betto*

Profissional cubano não virá ao Brasil para concorrer com a medicina de mercado, mas para tratar de problemas que podem reduzir a mortalidade em regiões onde poucos querem trabalhar

Conselho Federal de Medicina (CFM) ficou indignado frente ao anúncio do governo brasileiro de que pretende trazer 6 mil médicos de Cuba e outros tantos de Portugal e Espanha para atuar em municípios carentes de profissionais da saúde. Mas a opinião do conselho importa menos que a dos habitantes das periferias e do interior do país, que tanto necessitam de cuidados. Estudos do próprio CFM, em parceria com o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), demonstram que em 2011 o Brasil dispunha de 1,9 médico para cada mil habitantes. Cuba dispõe de 6,4. Em 2005, a Argentina contava com mais de 3 médicos para cada mil habitantes, o que o Brasil só deve alcançar em 2031.
Dos 372 mil médicos registrados no Brasil, 209 mil se concentravam nas regiões Sul e Sudeste, enquanto pouco mais de 15 mil na Norte. (O Brasil oferecerá vistos de trabalho de dois a três anos para profissionais dos três países que queiram realizar atendimento em cidades carentes na área da saúde.)
Se a medicina cubana fosse de má qualidade, como se explica a saúde daquela população apresentar, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), índices melhores que os do Brasil e comparáveis aos dos Estados Unidos? No ranking da OMS, dados de 2011, o melhor sistema de saúde do mundo é o da França. Os Estados Unidos ocupam o 37º lugar e Cuba, o 39º. O Brasil está em 125º. Cuba, especialista em medicina preventiva, exporta médicos para 70 países. Graças a essa solidariedade, a população do Haiti teve amenizado o sofrimento decorrido do terremoto de 2010.
Mapa médicos Brasil
Médico cubano não virá para o Brasil para emitir laudos de ressonância magnética ou atuar em medicina nuclear. Virá tratar de verminose, diarreia, malária, desidratação, reduzindo as mortalidades infantil e materna, aplicando vacinas, ensinando medidas como cuidados de higiene. O New England Journal of Medicine elogiou a medicina cubana, que alcanças as maiores taxas de vacinação do mundo, “porque o sistema não foi projetado para a escolha do consumidor ou iniciativas individuais”. Em outras palavras, não é o mercado que manda, é o direito do cidadão.
Quem dera um dia o Brasil pudesse expor em suas cidades um cartaz como o que vi em Havana: a cada ano, 80 mil crianças no mundo morrem de doenças facilmente tratáveis: nenhuma delas é cubana.

Ouça todo dia

*Frei Betto faz parte do time de colunistas da Rádio Brasil Atual. Sintonize o jornal, das 7h às 9h e das 12h30 às 14h30. Ao longo do dia, ouça música brasileira.
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A revolta dos bem nascidos e a “revolução” na tela da Globo

23.06.2013
Do BLOG PALAVRA LIVRE
Por Davis Sena Filho 

 

Vamos à pergunta que não quer calar e à dúvida que está no ar: o sistema midiático de negócios privados é a favor das manifestações de estudantes, mas por que nunca apoia as greves, por exemplo, dos servidores públicos, dos bancários, dos rodoviários, dos médicos e dos professores? E agora vamos a outra pergunta que também teima em não calar: por que a imprensa corporativa e alienígena sempre atacou, com veemência, intolerância e preconceito os partidos trabalhistas, além de distorcer a realidade de praticamente todos os movimentos da sociedade organizada e que lutam há décadas por seus direitos constitucionais e civis?

Dou como exemplo os Movimentos dos Trabalhadores Sem-Teto, Sem-Terra e dos indígenas, somente para explicitar esses, porque existem milhares de grupos sociais que lutam diuturnamente para conquistar uma vida de melhor qualidade e que não são ouvidos e muito menos reconhecidos como força da sociedade pelos grupos econômicos midiáticos, que, conservadores, recusam-se a ouvir e a dar voz aos trabalhadores, aos índios e aos despossuídos, bem como combatem e distorcem os objetivos de suas legítimas reivindicações.

Então, por que a Rede Globo e todos os grupos de mídia eletrônica e impressa que seguem a agenda econômica efinanceira dos interesses do capitalismo internacional apoiaram incondicionalmente o movimento dos estudantes, inclusive incitando-o, ao vivo, a ocupar espaços públicos, como a Ponte Rio-Niterói, o que, evidentemente, é o fim da picada e a falta de total responsabilidade por parte dos donos, dos diretores e dos jornalistas da Globo, que estão a apagar o incêndio com gasolina, pois não é necessário ser um gênio para perceber que um conflito no decorrer de um trajeto como o de uma ponte de grandeza monumental certamente pode acabar em tragédia.

Dito isto, vamos à resposta: a imprensa, as mídias de caráter hegemônico e, portanto, monopolistas, apoiaram o movimento dos estudantes por oito motivos: 1- Se partidarizaram e são de oposição aos governos trabalhistas; 2- Ano que vem tem eleições presidenciais e o PSDB está enfraquecido; 3- As Organizações(?) Globo e seus principais parceiros midiáticos não querem que os eventos esportivos (Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas) sejam um sucesso para o País e o seu povo, mas apenas um sucesso para os seus bolsos e cofres, com inserções de propaganda ao preço de R$ 400 milhões no horário nobre, ao tempo em que desqualifica e desconstrói os eventos esportivos no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil e incessantemente na Globo News e até mesmo no canal SporTv; 4- Quem trouxe os megaeventos para o Brasil foi o ex-presidente trabalhista Lula, cuja administração efetivou as conquistas sociais, e, para o desgosto da direita, as evidenciou internacionalmente; 5- A presidenta trabalhista Dilma Rousseff é a mandatária herdeira de Lula e, oficialmente, a anfitriã dos jogos; 6- A imprensa de direita e de tradição histórica golpista está de olho nas eleições de 2014 e não vai permitir que Dilma Rousseff, eventual candidata a presidente do PT, colha os frutos da Copa; 7- O movimento dos estudantes é conservador, sem objetivos concretos e se diz “apolítico”, sendo que não existem manifestações e protestos apolíticos, pois ninguém é ingênuo, nem mesmo os “ingênuos” que se dizem “contra a corrupção”, como se a grande maioria dos trabalhadores e das pessoas em geral não o fossem; e 8- A Globo sabe que o movimento é conservador e por causa disto apoia os protestantes, porém, se for necessário e perceber que não vai ser alvo de retaliações e protestos, vai, seguramente, retomar as críticas à moda Arnaldo Jabor, que ofendeu desrespeitosamente os estudantes e depois recebeu uma ordem de algum dos irmãos Marinho para se retratar, porque nas ruas muitos cantavam “O povo não é bobo; abaixo a Rede Globo!”

Trata-se de uma manifestação, irrefragavelmente, solta e com episódios de violência explícita, que fez a Globo, logo no início dos protestos, volto a repetir, escancarar os dentes do establishment e rosnar, propagar seu discurso moralista tradicional, que faz da palavra “ordem” uma espécie de ultimato antes de bombardear com seu canhão midiático aqueles que tal empresa “global” considera como grupos ou pessoas que possam colocar em “perigo” os seus interesses políticos, bem como os interesses das grandes corporações que têm a Globo como sua porta-voz e ferramenta de propaganda de combate aos movimentos sociais desde 1965 quando ela foi criada em plena ditadura militar.

A Globo medrou, pois ciente de que poderia ser alvo dos manifestantes, recuou, retirou sua logomarca dos microfones dos repórteres e passou a cobrir os eventos de helicóptero, bem longe do povo que ela diz gostar todos os dias no RJ TV e em seus jornais similares nos estados outros da Federação, pois, arrogante e presunçosa, quer fazer a vez dos prefeitos e das autoridades eleitas, pois sua intenção é desconstruir os políticos, desqualificar a política e, por intermédio desse processo draconiano, efetivar o domínio político e econômico das corporações privadas sobre o estado nacional.

A Globo quer governar no lugar dos eleitos, e, esperta e malandra, aderiu ao movimento estudantil vazio de propósitos, porque sem pauta, sem coordenação e perigosamente “apolítico”, como afirmam muitos dos estudantes.  Quando grupos ou pessoas ou multidões são contrários à politica, que é a essência natural dos entes humanos e das sociedades, resta o caminho perigoso e violento do fascismo, pois com a falta de uma referência que sirva de ponte entre os poderes e a sociedade, quem vai ocupar esse vácuo de poder  vão ser os fascistas, os fundamentalistas do mercado e os aventureiros. Essas realidades se repetiram muitas vezes na história da humanidade. Não é novidade. Ponto.

E os empresários como ficam? Qual é a responsabilidade deles? E as caixas pretas que escondem e acobertam todas as mazelas do sistema de transportes em todas as grandes e médias cidades, que movimentam bilhões de reais e não apresentam à sociedade, de forma transparente, os lucros, os dividendos e os gastos. A imprensa comercial e privada praticamente não questiona esse segmento empresarial. Por quê? É cúmplice? Afinal, a revista Veja, a Última Flor do Fáscio, foi cúmplice e parceira do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que a Folha de S. Paulo, o diário que emprestava os seus carros para carregar presos da ditadura militar, insistia em chamar o bicheiro de empresário. E os governantes? Eles vão rever os custos, no que é relativo à responsabilidade dos empresários, além de mudar a relação institucional com esses magnatas dos transportes? Quem viver verá.

O Ministério Público, que atualmente se preocupa em fazer política partidária e embargar obras importantes para o desenvolvimento do País, e, consequentemente, não exerce condignamente a sua função e trabalho, resolveu se mexer. Até então não denunciava, com a ênfase necessária, os desmandos de mandatários e de empresários, no que tange a defender o povo dos maus serviços do transporte público e da ganância dos empresários que atuam nesse setor. Esse meio é uma máfia poderosa, influente e violenta e que financia fortemente as campanhas eleitorais. Todo mundo sabe disso. Até os recém-nascidos e os idiotas por convicção.

Entretanto, o Ministério Público aparentemente não se mexia e somente agora anuncia que vai exigir, em nome do povo, satisfações aos empresários e às prefeituras municipais. É que o MP, com representações em todos os estados — leia-se Procuradoria Geral da República (PGR) — do procurador Roberto Gurgel, antes desses protestos, estava a se preocupar com a PEC 37, ou seja, a PGR está preocupada, e há muito tempo, em fazer politica e não trabalha pelos interesses e desejos do povo brasileiro, que talvez tal instituição os considere ordinários, simples, de rotina ou do dia a dia, e essas realidades devem deixar certos promotores ou procuradores deprimidos, aborrecidos, fragorosamente entediados, e por isto e por causa disto muitos deles preferiram fazer politica, em âmbito federal, para que suas vidas se tornassem mais emblemáticas, emocionantes, aventureiras, além de favorecerem, evidentemente, o espectro em que grande parte desses promotores agem e atuam: o campo político da direita.

O Movimento Passe Livre (MPL) não iniciou suas atividades hoje e nem ontem. Ele existe há anos e nunca foi levado a sério pela imprensa e muito menos pela maioria dos estudantes da classe média tradicional e média alta, que não se locomovem de ônibus, trens ou metrô, pois a maioria anda de carros e veículos escolares. São jovens que compõem a parte da classe média oportunista politicamente, pois despolitizada, rancorosa e colonizada, que tem ódio da ascensão social dos pobres, dos negros, dos recentemente incluídos e que vota em partidos conservadores e consomem os produtos editoriais da mídia conservadora e velhaca. Igualzinho aos seus pais. A mesma mídia de mercado que combatia o Movimento Passe Livre nos tempos do ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, aliado na época dos políticos do PSDB paulista. O MPL era escondido pela imprensa imperialista e desqualificado pelos seus jornalistas pagos para pensar o que seus patrões pensam.
      
O pau está a quebrar nas ruas das capitais brasileiras, e a polícia não pode intervir sem ser alvo de críticas açodadas para preservar o patrimônio público, mesmo quando em perigo de ser depredado, não pelos estudantes e, sim, pelos vândalos rebeldes sem causa. Opino sobre as ações policiais especificamente no concerne ao aspecto legal, que fique claro a quem lê este artigo, pois sou contra, terminantemente, a qualquer violência praticada pelo estado contra os estudantes.

Contudo, ocorrem saques, pichações, roubos, furtos, assaltos, depredações de lojas e agressões físicas. A própria imprensa aliada dos protestos mostra e ameniza os crimes, que não devem ser amenizados, porque se fossem levados a efeito pelos movimentos sociais que, ao contrário dessas manifestações, tem agenda política e lutam por seus direitos há décadas, a exemplo do MST, a imprensa burguesa e as instituições e os órgãos de repressão do estado já estavam, sem sombra de dúvida, a criticar açodadamente e a reprimir duramente aqueles que, porventura, ousassem quebrar as vidraças ou tocar em algum caixa eletrônico de uma agência de banco. É verdade ou não é? Sua consciência decide.

Há quase duas semanas os jovens que se relacionam pela internet ou pelas redes sociais realizaram a primeira manifestação das muitas que se sucederam em todo o País. Tais protestos se transformaram, ratifico mais uma vez, em grandes eventos heterogêneos, politicamente e ideologicamente primitivos, desorganizados, com vândalos infiltrados e pessoas, como se comprovou depois, que se mostraram alheias às reivindicações. Os pleitos se transformaram em uma miscelânea de contestações, na verdade um emaranhado de gritos de ordens e de cartazes, que não condizem com os propósitos e os objetivos iniciais das manifestações de ruas contra o aumento de R$ 0,20 das tarifas de ônibus. Os prefeitos recuaram, abriram-se ao diálogo, mostraram as planilhas e informaram que o orçamento vai ter de ser modificado, a fim de atender as reivindicações dos estudantes. Haverá uma reengenharia e considero que a sociedade brasileira já sabe disso.

O Brasil avançou, e muito, em suas conquistas sociais e econômicas. É visível e palpável e somente não reconhece quem não quer enxergar, por motivos ideológicos, partidários, culturais, de ordem preconceituosa, de classe social, que leva à intolerância política e, por seu turno, à contestação vazia, porque falta uma agenda que elenque as reivindicações e que prevê também a abertura de diálogo, de maneira democrática e respeitosa. Não adianta os reacionários de plantão apostarem no golpismo, tão a caráter das classes privilegiadas, que querem impedir a distribuição de renda e de riqueza. Não é de bom alvitre as classes média tradicional e alta, frequentadoras há mais de cem anos de universidades federais e estaduais reeditarem a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, porque a que está a acontecer  é maior, com maior tempo de duração e não tem, insisto, ainda uma agenda política para debater o Brasil e dialogar com consciência, com seus interlocutores, que são e têm de ser as autoridades eleitas e não a os donos e os seus empregados do sistema midiático privado.

O MPL foi questionado por vários grupos extremistas, à esquerda e à direita, que apostaram e ainda apostam em rompimento institucional para favorecer a oposição partidária ao Governo trabalhista. A oposição (PSDB, DEM, PPS e PSOL) que neste momento está enfraquecida, porque não tem programa de governo, projeto de País, enfim, propostas para o povo brasileiro. Em 2014, veremos se a corrente politica democrática que está no poder e mudou o Brasil para melhor tem ainda fôlego para vencer as eleições. Do contrário, a oposição tucana assume a Presidência, com o apoio dos barões proprietários do sistema midiático, dos setores ricos e rentistas inconformados com os juros mais baixos e, inapelavelmente, com o apoio da classe média conservadora, cujos filhos estão nas ruas, pois portadora dos valores e dos princípios das classes dominantes. Todos os países brigam, ou seja, disputam duramente para ter em suas terras eventos internacionais, que, evidentemente, proporcionam inúmeros benefícios em infraestrutura, sociais e econômicos. Não tem como ser diferente. Torna-se imperativo ter muito espírito de porco para não compreender essas questões, que inclusive transformam o Brasil em um País ainda mais internacional. O tempo mostrará, pois ele é o senhor da razão.

A Copa das Confederações já é um sucesso de público e o retorno financeiro vai se concretizar.  A Copa do Mundo de 2014 vai ser uma das melhores. A Globo vai encher a burra de dinheiro, bem como os seus anunciantes, e, malandramente, no Jornal Nacional, vai dizer que os eventos são e serão um fracasso, ainda mais no Governo do PT. Só não dá mais para dizer que o Brasil não sabe construir estádios. Quando essa gente viu os estádios prontos ficou furiosa, porque não imaginava tanta competência. Eles torcem contra o Brasil e tergiversam, distorcem, manipulam e disfarçam seus desprezos e rancores e desamores. Vários grupos e em diferentes capitais gritavam: “Foda-se o Brasil”! Afirmo novamente: todos os países disputam duramente para ter em suas terras eventos esportivos internacionais. Aqui no Brasil é o contrário. O complexo de vira-lata, o DNA de escravagista e a alma subserviente e colonizada impedem, definitivamente, que essa gente reconheça o Brasil e os direitos de seu povo. Vamos ver quem tem mais garrafas para vender em 2014. A maioria do povo trabalhador que vota na Dilma, definitivamente, não está a ocupar as ruas. Só não vale golpe de estado midiático, a "revolução" na tela da Globo, como tentaram na Venezuela.
  
Seis anos após o Brasil ser confirmado como sede da Copa do Mundo de 2014, as pessoas resolvem protestar somente agora, e exatamente no decorrer dos jogos da Copa das Confederações? Por quê? Não houve tempo para combinar pela internet? Os manifestantes acham que falam pelo Brasil profundo e pelo povo? Esses jovens que se dizem apolíticos e cuja pauta era a passagem do transporte público e depois passaram a ter mil pautas incongruentes e incoerentes, como se fosse o “Samba do Crioulo Doido”, de Sérgio Porto, tem de ser ouvidos, pois são cidadãos brasileiros, mas, sobretudo, não falam em nome do povo brasileiro, que elegeu a presidenta Dilma Rousseff, porque seria muita presunção.

Além disso, se os partidos e outras associações e agremiações quiserem participar das manifestações, os líderes do MPL têm de aceitar e não querer um movimento sectário, afinal o PT, por exemplo, é um partido orgânico, inserido na sociedade, e, inquestionavelmente, foi forjado nas ruas e nas fábricas e universidades. Ou esses rapazes e moças pensam que as passeatas começaram a ocorrer no Brasil na semana passada? Sugiro que o MPL convide os políticos do PSDB e do DEM, além de seus aliados da Globo, para também participar das manifestações. O problema é saber se eles vão aceitar caminhar nas ruas. Eu duvido. O melhor é citar a conhecidíssima frase de Hamlet: "Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia". É isso aí.
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LUIS NASSIF: Ação contra partidos durante manifestação foi organizada

23.06.2013
Do portal LUIS NASSIF ON LINE
Por  blog de Roldão Arruda, no Estadão.com.br
21.junho.2013 22:31:16
Às 17h30 da quinta-feira, 20, a esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta era uma festa. Vinha gente de todo lado com cartazes defendendo causas e causas. Alguns eram sofregamente improvisados ali mesmo, nas calçadas, com cartolina e pincel atômico. Os mais divertidos e criativos eram os que atacavam o pastor Marco Feliciano e seu projeto de lei sobre a “cura gay”.
Foi mais ou menos nessa hora que apareceu o grupo de representantes de partidos e sindicatos, com suas bandeiras e bumbos. Eram poucos, pouquíssimos para o tamanho da manifestação, e foram recebidos com vaias e gritos de "Oportunistas" e "Sem partido".
Eu estava ali por acaso. Havia ido ao Conjunto Nacional para uma entrevista com dois antigos militantes de esquerda, os dois torturados pela ditadura, hoje atuando em movimentos de direitos humanos. Ao encerrar a conversa, fomos para a esquina, ver a manifestação organizada pelo Movimento do Passe Livre para comemorar a redução das tarifas de ônibus na cidade.
Os dois falaram com entusiasmo da mobilização popular. Diante das vaias, dirigidas sobretudo ao PT, um deles, que já militou no partido, comentou: “Isso é bom. O PT precisa aprender, precisa ver o quanto se distanciou dos movimentos sociais.”
Os dois foram embora e eu fiquei. Acompanhei, da calçada, o grupo de sindicalistas e militantes partidários.
Ele foi hostilizado a cada passo. Sempre que alguém puxava palavras de ordem contra sua presença na marcha, imediatamente surgiam vozes dispostas a repicar. Logo se ouvia: “PT, vai tomar no cu”, “Puta que o pariu, o PT é a vergonha do Brasil” e “Mensaleiro” .
Mas não foi só grito à distância. Desde que entrou na Paulista, o grupo teve no seu encalço, quase colado, um bloco de pessoas dedicado a insultá-lo e provocá-lo.
Às vezes saltava desse bloco algum manifestante. Geralmente bem mais forte que a média, aparentando indignação desmedida e falta de controle, fazia provocações cara a cara, xingava, erguia o punho, até ser contido por alguém de seu próprio grupo ou por manifestantes defensores da não violência.
Os pró-partido iam adiante, protegidos por um cordão humano, cujos integrantes tentavam não se descontrolar. Cheguei a imaginar que, em algum momento, chegaria algum reforço. Mas ele não veio. Na verdade, o grupo encolheu na caminhada.
Reconheci vários rostos entre os militantes que caminhavam de costas – para poder encarar as investidas do bloco antipartido. Já estive com eles em entrevistas e coberturas de ações de movimentos populares. Em sua maioria são pessoas ligadas à luta pela reforma agrária, por moradia, direitos dos indígenas, direitos humanos. Gente que fica mais à esquerda, critica as alianças do PT com setores conservadores e defende a presença dos manifestantes na rua.
O bloco dos antipartido, em determinados momentos se aproximava, depois recuava. Parecia uma tática para aumentar o medo. A certa altura, o bloco foi dividido: de maneira organizada, uma parte passou para a outra pista da Paulista e se alinhou ao grupo pró-partido. Começou a provocá-lo pela lateral.
Em três momentos da minha caminhada, que foi da esquina da Augusta ao Edifício Cásper Líbero, entre as alamedas Campinas e Joaquim Eugênio de Lima, presenciei palmas e urros de vitória ao redor de rodas que surgiam do nada. Nas três vezes o motivo era o mesmo: bandeiras subtraídas à força dos militantes pró-partido estavam sendo rasgadas e queimadas. De todos os lados se erguiam mãos empunhando celulares para registrar a cena.
Nas proximidades do Edifício Cásper Líbero, a marcha parou. Me afastei um pouco do grupo, para ver o que ocorria adiante e encontrei um bloco isolado, ameaçando seguir para a sede da Assembleia Legislativa. Na linha de frente, esses manifestantes estendiam a faixa mais bem produzida que vi na marcha, uma espécie de banner com quase cinco metros de comprimento. Dizia: “Lula, o câncer do Brasil”.
Ao voltar, só encontrei confusão.
O grupo antipartido que havia saído pela lateral retornara à pista original, mas dessa vez à frente do pró-partido. Com essa manobra, conseguiu cercar e isolar os militantes e desfechar o ataque final. Após quase duas horas de humilhações, o grupo pro-partido se retirou, sem bandeiras, sob chutes, socos e gritos.
Entre os agressores, muitos traziam o rosto coberto com máscaras e toucas ninja. As bandeiras que eles arrancavam das mãos dos militantes eram destruídas sob aplausos e celulares.
Um militante da turma petista, a mais perseguida, me contou depois que levou vários socos e só conseguiu escapar porque partidários do PSOL o acolheram como se fosse um deles.
Ao buscar meu carro, num estacionamento da Alameda Santos, encontrei a moça do caixa assistindo à marcha pela TV. Antes de me atender, ela comentou com o chefe, atrás dela: “Viu? Não sei o que esse PT foi fazer na Paulista. Tudo isso que está acontecendo é contra eles, não é?”
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O MOVIMENTO DO PASSE LIVRE APOIOU A PRESENÇA DE PARTIDOS
O ataque aos partidos já era esperado. Em São Paulo, em duas manifestações anteriores, militantes do PSOL e do PSTU, os partidos que mais apoiaram as marchas, haviam sido hostilizados e sofrido violências. Isso tornava temerária a proposta de voltar à Paulista.
A questão foi avaliada na reunião de organização da marcha, na sede do Sindicato dos Advogados, na tarde de quarta-feira. A maior parte dos participantes concluiu que seria um recuo inaceitável, do ponto de vista das liberdades democráticas, abdicar da presença dos partidos. na manifestação. Ao final da discussão, representantes do PT, PSOL, PSTU e PCB decidiram ir e levar suas bandeiras.
Os representantes do Movimento do Passe Livre apoiaram a decisão. Deixaram claro que são apartidários, mas não se opõem à existência dos partidos. A única exigência do movimento tem sido quanto à organização: as reivindicações sobre transporte coletivo devem aparecer com destaque. Bandeiras de partidos não podem se sobrepor à faixas do Passe Livre.
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