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sexta-feira, 21 de junho de 2013

DILMA FALA SOBRE AS MANIFESTAÇÕES

21.06.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Saiu no Blog do Planalto: Dilma: “Manifestações pacíficas são legítimas e próprias da democracia” Temos que aproveitar o vigor das manifestações para [...]

Saiu no Blog do Planalto:

DILMA: “MANIFESTAÇÕES PACÍFICAS SÃO LEGÍTIMAS E PRÓPRIAS DA DEMOCRACIA”


Temos que aproveitar o vigor das manifestações para produzir mais mudanças, afirma Dilma

A presidenta Dilma Rousseff afirmou, nesta sexta-feira (21), que o vigor das manifestações deve ser aproveitado para que mais mudanças sejam feitas em benefício da população. Dilma anunciou que vai convidar os governadores e prefeitos das principais cidades do país para um grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos.

“O foco será: primeiro, a elaboração do Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que privilegie o transporte coletivo. Segundo, a destinação de 100% do petróleo para a educação. Terceiro, trazer de imediato milhares de médicos do exterior para ampliar o atendimento do SUS”, anunciou Dilma, que ainda afirmou que ainda vai receber os líderes das manifestações pacíficas, de entidades sindicais e dos movimentos de trabalhadores.

Para Dilma, é necessário oxigenar o “velho sistema político”, e encontrar mecanismos que tornem as instituições mais transparentes, resistentes aos malfeitos e permeáveis à influência da sociedade. Ela ainda reforçou que é um equívoco achar que qualquer país pode prescindir de partidos e do voto popular, que, segundo ela, é a base de qualquer processo democrático.

“Temos de fazer um esforço para que o cidadão tenha mecanismos de controle mais abrangentes sobre os seus representantes. Precisamos muito, mas muito mesmo, de formas mais eficazes de combate à corrupção. A Lei de Acesso à Informação, sancionada no meu governo, deve ser ampliada para todos poderes da república e instâncias federativas”, destacou.

Copa

Sobre a disputa da Copa do Mundo, a presidenta Dilma destacou que o dinheiro investido na construção das arenas são fruto de financiamento, que serão pagos pelos proprietários, ou pelas empresas que vão operar os estádios. Ela ainda pediu que os atletas e turistas que estão no país para Copa das Confederações sejam bem recebidos, assim como os jogadores brasileiros foram quando disputaram competições em outros países.

“Jamais permitiria que esses recursos saíssem do orçamento público federal, prejudicando setores prioritários como a Saúde e a Educação. Na realidade, nós ampliamos bastante os gastos com Saúde e Educação. E vamos ampliar cada vez mais. Confio que o Congresso nacional aprovará o projeto que apresentei para que todos os royalties do petróleo sejam gastos exclusivamente com a Educação”, reforçou.
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2013/06/21/dilma-fala-sobre-as-manifestacoes/

Estudiosos explicam porque a fé faz bem à saúde

21.06.2013
Do portal GOSPEL PRIME
Por Leiliane Roberta Lopes

Um deles afirma que a religiosidade só faz sentido quando é aplicada no dia a dia

Estudiosos explicam porque a fé faz bem à saúdeEstudiosos explicam porque a fé faz bem à saúde
Diversas pesquisas atestam que a fé, independente da religião, oferece benefícios à saúde, dizendo até que as pessoas religiosas têm menos doenças como depressão, ansiedade, problemas cardíacos e outros.
Em entrevista ao portal Mulher do UOL, especialistas explicam porque quem tem fé vive melhor e consegue ter equilíbrio para superar seus problemas. Entre os entrevistados está o filósofo e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Jorge Claudio Ribeiro, que justifica o resultado dessas pesquisas dizendo que quem crê consegue se recuperar mais rápido diante das dificuldades.
“Enquanto a pessoa que não acredita em nada tem mais chances de se desesperar diante de uma dificuldade”, disse ele. Ribeiro também fala que a conexão com uma força maior produz um sentimento de segurança e conforto.
O teólogo e chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, David Charles, também falou com a reportagem do UOL dizendo que “ter fé é assumir um compromisso pessoal com uma determinada visão de mundo”. Esse compromisso só pode ser assumido “quando se consegue atribuir verdade e valor ao conjunto de princípios que ela expressa”.
“É interessante que a experiência em que se está investindo apresente subsídios que poderão ser usados no dia a dia. Ou seja, o que se aprende no templo precisa fazer sentido no mundo lá fora”, diz.
Entre as ferramentas que podem ser usadas para o desenvolvimento da espiritualidade estão leituras diversas, orações, meditação e até mesmo a música, como explica o pesquisador do Centro de Estudos em Medicina Comportamental da UNIFESP, Ricardo Monezi. “A religião e a religiosidade, que é a prática e a vivência da religião, são ferramentas que o ser humano pode usar para desenvolver a espiritualidade
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LUIS NASSIF: As manifestações de rua e uso oportunista da Copa

21.06.2013
Do portal LUIS NASSIF ON LINE

Um balanço das manifestações de ontem por todo o Brasil revela o seguinte quadro desconexo:

1. Nas cidades do interior, o movimento foi contra as câmaras municipais. Em muitas cidades, os manifestantes se dirigiram ou à prefeitura ou às Câmaras com listas de reivindicações.
2. Nas capitais, contra prefeitura, governo do estado e assembleias.
3. Na multidão, toda sorte de manifestos, a favor dos direitos dos gays e contra Feliciano, mas também a favor da familia tradicional, contra a PEC 37, contra os estádios na Copa do Mundo etc.
Momentos de catarse, no entanto, favorecem as manifestações oportunistas, de grupos radicais ou de criminosos mesmo. Com 100 mil pessoas em uma passeata. 99.500 podem ter propósitos pacíficos. Mas meia dúzia pode provocar conflitos, eventos e ganhar mais visibilidade que a maioria. Especialmente se souber manobrar alguns sentimentos, informações ou desinformações comuns à multidão.
É por aí que agem os provocadores.
Por exemplo, havia um sentimento difuso contra o uso das manifestações por partidos políticos. Ontem, na Paulista, grupos organizados aproveitaram para potencializar esse sentimento e partir para a agressão. O sentimento era real. A agressão foi ação articulada de grupos neofascistas.
Em outros casos – Prefeitura de São Paulo, Teatro Municipal, Palácio do Itamaraty -, ação nítida de vândalos e criminosos.
Foi visível a montagem do rapaz que saiu belo e lampeiro, amparado pelos amigos, com uma inundação de sangue na cabeça. Uma armação totalmente inverossímil mas que ganhou espaço nas TVs.
O jogo oportunista
No caldeirão geral de insatisfação, existem os oportunistas querendo tirar sua lasquinha. E se posicionam de acordo com interesses específicos.
Nesses tempos de informação e desinformação difusa, há duas bandeiras genéricas que estão sendo empunhadas contra o governo: a corrupção e as obras da Copa.
Os estádios tornaram-se o novo alvo da oposição, pelo fato de ser fácil passar para o cidadão a (falsa) ideia de que os recursos para a construção dos estádios foram subtraídos  da saúde e da educação. Cada vez que alguém tiver problemas de atendimento no posto de saúde, imediatamente atribuirá aos gastos com a Copa e, automaticamente, aos governos Lula e Dilma.
É a nova palavra de ordem. Aliás, tão eficiente que há setores no governo atribuindo essa movimentação à Siemens Internacional – por ter bancado integralmente o projeto Jogos Limpos, que o respeitado Instituto Ethos montou para acompanhamento da Copa.
Cada problema mínimo nos estádios passou a ser supervalorizado pela mídia. Cada obra entregue no prazo, minimizada.
Por exemplo, dia desses um comentarista esportivo dizia que não haverá povo nos novos estádios devido ao preço dos ingressos mais caros nas chamadas áreas nobres. Dizia isso comentando um jogo no Pacaembu, no qual havia ingressos mais caros sendo vendidos na faixa de 400 reais.
Os manifestantes nem se dão conta que todas as obras estão sendo acompanhadas por um Grupo de Trabalho do Ministério Público Federal, o próprio MPF que está sendo defendido em várias manifestações, Tribunais de Contas, CGUs etc.
E não se dão contas porque não foram informados. Não há informações disponíveis, para serem usadas pelos que quiserem defender a Copa.
Em nenhum momento o governo montou uma estratégia de comunicação para explicar todos esses aspectos – a razão dos reajustes na construção dos estádios, a existência de sistemas de acompanhamento das obras, as obras que estão sendo entregues no prazo, os ganhos do país com os jogos.
Deixou o tema de bandeja para a oposição.
Os interesses objetivos na mídia
Na mídia, quem está empunhando esta bandeira?
A Globo vive a esquizofrenia entre turbinar qualquer bandeira anti-governo e, ao mesmo tempo, ser a principal beneficiaria dos jogos da Copa – na condição de emissora que adquiriu os direitos de transmissão e de aliada eterna de João Havelange, Riacrdo Teixeira e da FIFA. 
No jogo da Seleção, a Globo fixou-se em vários momentos em UMA família com cartazes contra a "roubalheira" da Copa. Depois, mancou-se.
Hoje de manhã, assisti os jornais da Globo e da Record. Na Globo, nenhuma manifestação contra as obras da Copa, contra partidos políticos, nenhum espaço maior para as manipulações políticas das passeatas nem para os cartazes anti-corrupção. Os apresentadores estavam empenhados em classificar as manifestações como pacíficas e os quebra-quebras como restritos a grupos pequenos de vândalos.
Ontem, de fato, o Jornal Nacional foi especial, acompanhando os problemas em Brasília. Pode-se defender alegando interesse jornalístico.
Na Record – adversaria da Globo – há ênfase permanente na denúncia dos estádios da Copa, na corrupção, no tamanho dos impostos, nas concessões à FIFA.
Para rebater a defesa da Copa, pelo jogador Ronaldo, a Record passou um vídeo de um pai com a filha tetraplégica, devido a um erro médico, acusando as obras da Copa como responsáveis pela tragédia. A cada momento, a crítica (justa) aos privilégios da FIFA, aos estádios, à carga de impostos, à situação da saúde, da educação.
Quem é a conspiradora?
Provavelmente, nenhuma. Apenas cada qual aproveitando o caldeirão de insatisfação para seus interesses comerciais imediatos. A Globo é beneficiária da Copa; a Record, não.
Próximos passos
As ruas já deram seu recado, já expuseram a insatisfação geral do país com tudo.
Agora, é hora de parar para não abrir espaço para oportunistas e marginais.
O próximo passo dos grupos e governantes de boa vontade será abrir canais de diálogo e participação.
À medida que os novos tempos forem sendo construídos, aparecerão os efeitos positivos das manifestações e serão diluídas as manobras oportunistas e golpistas.
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DIREITA MIDIÁTICA ARTICULA-SE PARA O GOLPE EM 2014: Procura-se um moralista

21.06.2013
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito


Não causa surpresa a ninguém a  ”pesquisa” Datafolha que aponta Joaquim Barbosa, o presidente do Supremo Tribunal Federal, como o “candidato” favorito entre os manifestantes paulistanos.
Aliás, como a gente já dizia aqui de manhã, não precisava nem de pesquisa para dizer que se preparava alguém para o posto de “paladino da moralidade”.
A direita sempre teve estes personagens, de Carlos Lacerda a Demóstenes Torres, sempre achava alguém  para desempenhar o papel.
Não é preciso falar dos dois, não é?
Barbosa não é “um político”, embora o cargo que ocupa seja indicado pelo Executivo e seu nome votado pelo Senado.
E ele, como bom político, faz seu marketing e se deixa constrangidamente que a mídia o conduza ao lugar de “estrela apolítica”.
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Diante de protestos, Dilma fará, hoje ás 21h, pronunciamento à nação

21.06.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Luana Lourenço

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff fará um pronunciamento à nação em cadeia nacional de rádio e TV para falar sobre a série de manifestações e protestos pelo país. A mensagem presidencial vai ao ar às 21h.

Dilma se reuniu hoje (21) pela manhã com ministros, entre eles José Eduardo Cardozo, da Justiça, para avaliar o andamento das manifestações, que ontem (20) chegaram a reunir 1 milhão de pessoas em várias cidades do país.

A presidenta também conversou com governadores ao longo do dia e vai receber representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Além das manifestações, na mensagem, Dilma deve falar aos brasileiros sobre a Copa das Confederações.

Edição: Juliana Andrade
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Patriota diz que atos de vandalismo não podem se repetir

21.06.2013
Do portal da FOLHA DE PERNAMBUCO
Por Agência Brasil

Ministro voltou ao Palácio Itamaraty quando soube do protesto

BRASÍLIA - O ministro as Relações Exteriores, Antonio Patriota, havia ido embora e retornou ao Palácio Itamaraty assim que soube do protesto no prédio, na noite de ontem (20). Manifestantes invadiram a sede do Ministério das Relações Exteriores. Houve princípio de incêndio na parte externa.
“Voltei ao prédio com o secretário-geral do Itamaraty, o chefe da Administração e com outros assessores. Fiquei muito indignado com o que ocorreu. Este é um prédio que é um patrimônio da nação brasileira, um patrimônio público, que representa a busca do entendimento pelo diálogo, com base no direito. Este foi um ato de vandalismo que não pode se repetir”, disse por intermédio da assessoria de imprensa.
O ministro ressaltou que é necessário que os manifestantes “transmitam suas reivindicações de forma pacífica” para que tenham “credibilidade”. Patriota lembrou que a partir do momento que há destruição do patrimônio público isso “destitui de qualquer legitimidade política e moral”.
“Eu acredito que a grande maioria dos manifestantes não se associa à violência e está, pelo contrário, procurando como aperfeiçoar a democracia brasileira por formas legítimas de manifestação”, destacou o chanceler, que costuma deixar o prédio Itamaraty apenas à noite.
O chanceler disse ainda que a segurança da sede do ministério foi reforçada a pedido dele. “Eu gostaria de acreditar que são atos isolados e que a grande maioria dos brasileiros não se comporta dessa forma. E, é verdade que está, sim, havendo resposta e nós mesmos pedimos reforço aqui, e na mesma hora ele chegou”, disse Patriota, por intermédio, de sua assessoria de imprensa.
Patriota acrescentou ainda que as autoridades policiais reagiram ao desafio imposto pelos atos isolados de violência. “Agora, é um desafio de um tipo novo, então nós precisamos estar muito atentos”, disse o chanceler. Ontem (20) a Esplanada dos Ministérios onde está o prédio Itamaraty, localizado ao lado do Congresso Nacional e do edifício do Ministério da Saúde foi ocupada por manifestantes.
Antes dos episódios registrados na noite de ontem, na Esplanada dos Ministérios, Patriota elogiou as manifestações em várias cidades do país e negou semelhanças com os protestos na Turquia. “A própria presidenta [Dilma Rousseff] deu a tônica da resposta do governo às manifestações. A partir do momento em que sejam pacíficas, tratem de temas que merecem atenção do governo e que sejam legítimas, elas serão ouvidas com a atenção e o respeito que merecem”, disse ele
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Mais Vândalos identificados: Alunos do Mackenzie são presos por vandalismo

21.06.2013
Do portal LUIS NASSIF ON LINE
Por Por Vivi
Da Band

Quatro universitários estão entre os 61 detidos pela polícia acusados de atos de depredação durante os protestos

Quatro integrantes do Dacam (Diretório Acadêmico de Comunicação e Artes do Mackenzie) foram presos em flagrante por depredações e saques no centro da cidade e na avenida Paulista durante a manifestação de terça-feira. 

Além do grupo, o skatista profissional Luis Fernando Martins Calado, o Apelão, de 25 anos, também foi acusado de incêndio, incitação ao crime, desacato, dano ao patrimônio, desobediência, lesão corporal, resistência. 

Por conta das suspostas convocações para que adolescentes participassem das depredações, eles também sofrem acusação de corrupção de menores.

Segundo a polícia, eles danificaram e incendiaram um quiosque da Coca-Cola na praça do Ciclista, na avenida Paulista. Depois, teriam jogado pedras e garrafas de vidro em uma viatura da PM e em soldados. Os estudantes dizem que são inocentes. O skatista foi acusado de jogar líquido inflamável sobre o quiosque.

Nas seis manifestações anteriores que ocorreram em São Paulo desde o último dia 6, ficou clara a presença de dois grupos bem distintos. Um, pacífico, formado pela maioria. Outro, pequeno, era composto por pessoas encapuzadas que depredavam o patrimônio público, realizavam saques e confrontavam policiais. 

A Secretaria da Segurança Pública informou que as investigações para identificar se houve orquestração nos ataques são conduzidas pelas delegacias para onde os detidos foram levados. 

Dos 61 detidos (oito deles menores) na terça, 14 tinham passagem pela polícia por furto e roubo. A diferença foi notada no primeiro ato na avenida Paulista, no dia 6. Enquanto um grupo maior seguia pela via, outro depredava agências bancárias, quebrava entradas do metrô e colocava fogo em sacos de lixo na rua. 

No Palácio dos Bandeirantes, na segunda-feira, a tentativa de invasão foi organizada por um pequeno grupo encapuzado. O mesmo ocorreu na tentativa de invasão da sede da prefeitura e dos saques no centro da cidade.
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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-manifestacoes-de-rua-e-uso-oportunista-da-copa

Movimento de protesto é importante, mas não se sabe em que vai resultar, dizem pesquisadores

21.06.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Camila Maciel

São Paulo – Pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, reunidos hoje (21), na Universidade de São Paulo (USP), destacaram a importância das manifestações que ocorrem em todo o país para demonstrar o anseio de participação política da sociedade brasileira. Eles disseram, porém, que não sabem ao certo em que esse movimento pode resultar.

"Essas pessoas estão insatisfeitas pela forma como são representadas", afirmou o filósofo Renato Janine Ribeiro, professor de ética e filosofia política da USP, ao participar do debate O que está acontecendo?. Para ele, de alguma forma, o movimento é contra as instituições. "De tempos em tempos, a política precisa ser irrigada por uma injeção forte de vida, mesmo que essa vida não saiba como se expressa, mas para mostrar que política é um meio, e não um fim. Quando se fala em necessidade de participação política, não é aquela feita em moldes tradicionais", explicou.

O cientista político José Álvaro Moisés,  responsável pelo Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP, apontou como pano de fundo das mobilizações "um profundo mal-estar com a democracia existente no Brasil". Segundo Moisés, isso não nega a existência de um regime democrático, mas faz referência à qualidade da democracia brasileira. "Tivemos avanços extraordinários em termos de reconhecimento de direitos nas últimas décadas, mas, visivelmente, tem áreas em que ela [democracia] funciona mal, e provavelmente o maior déficit é o da representação."

O historiador em literatura brasileira Alfredo Bosi, professor aposentado da USP, também destacou a necessidade de repensar o modelo de participação política no país. Para ele, as manifestações expõe um problema vital, que é "como tornar viável uma democracia participativa, que me parece o ideal, e pela qual os grande problemas da cidade possam ser tratados com alguma racionalidade." declarou.

Já o sociólogo Bernardo Sorj, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lembrou que houve nos últimos anos uma neutralização da participação política no país, sobretudo pela chegada ao poder do PT, que exercia um forte papel de mobilização. "Houve castração da vida política no Brasil pela capacidade de cooptar boa parte dos movimentos sociais, dos sindicatos, dos grêmios universitários, da sociedade civil. Portanto, nos surpreendemos porque nos acostumamos a uma postura apolítica", disse ele.

O papel das mobilizações como instrumento de rompimento do "tédio" foi apontado pela psicóloga Sylvia Dantas, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Nós estávamos tomados por um estado de melancolia, de que as coisas estão tão complexas que não há como sair disso. Convivia-se com a ideia de que a nossa juventude estava alienada e todos estavam tomados pela passividade." Sylvia acredita que este é um momento de catarse: "as pessoas estão colocando para fora a vigência de uma dissonância cognitiva, que, na psicologia, é explicada como o fato de que a percepção da realidade não está de acordo com o que é dito".

A psicóloga ressaltou ainda que havia uma insatisfação encoberta por uma visão otimista do país. "O discurso é que somos a sétima economia do mundo, que a classe média está se expandindo, mas a realidade traz outros aspectos. O acesso à saúde e à educação é  negado. A contradição que todos vivem no dia a dia está sendo trazida à tona", disse Sylvia.

Edição: Nádia Franco
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ESQUERDA E DIREITA, ASSISTA O VÍDEO E ENTENDA: Diego Quinteiro e PC Siqueira explicam o que é esquerda e direita para o “Gigante que Acordou”

21.06.2013
Do blog MARIAFRÔ


Meu beijo pra o Diego e o PC, acho que esta é a linguagem pra usar com esta moçada completamente despolitizada que tomou gosto de ocupar a Paulista e não sabe muito bem o que está fazendo ali a não ser apavorar, se deslumbrar consigo mesma e se tornar cada vez mais perigosa para a democracia.

Espalhemos o vídeo.

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GLOBO E PROTESTOS: OPORTUNISMO E AMBIGUIDADE

21.06.2013
Do portal BRASIL247

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Depois de colunista Arnaldo Jabor, na primeira hora, ter atacado marchas estudantis como coisa de vândalos, ele não apenas se retratou, mas também Patrícia Poeta, no Jornal Nacional, leu nota oficial da emissora da família Marinho em apoio aos protestos; nas ruas, porém, profissionais como o consagrado Caco Barcellos sofreram represálias; nos estúdios, âncoras e colunistas tratam movimento com candura, alimentando-o; hoje tem Globo Repórter; jogo duplo para salvar a própria pele e desestabilizar o governo?

247 – Ambigüidade e oportunismo são as marcas da cobertura jornalística que a Rede Globo vai desenvolvendo em torno dos protestos que se multiplicam pelo País. Nas ruas, profissionais como o consagrado Caco Barcelos, autor do corajoso Rota 66, livro sobre crimes cometidos pela Rota, da PM paulista, foi escorraçado de duas passeatas em São Paulo razão do logotipo no microfone que portava. No Rio, outro profissional, Pedro Vêdeva, foi ferido na testa por um tiro disparado pela Polícia Militar. Da direção de jornalismo saiu a ordem, no início da semana, para repórteres cobrirem a identificação do microfone da emissora, como forma de evitar represálias, mas, mesmo assim, a insegurança perpassa todas as equipes do jornalismo global em envolvidas na cobertura. A sensação de medo de sair a campo é geral.

Os riscos de uma revolta anti-Globo ocorrer durante as manifestações levou a emissora a corrigir sua rota editorial. Com voz calma, tranquilidade e até informalidade, a dupla William Bonner e Patrícia Poeta vai conduzindo a cobertura do Jornal Nacional com uma candura inédita. Até mesmo com leves sorrisos, eles têm se mostrado satisfeitos em elogiar as marchas. Em editorial lido na segunda-feira 17, Patrícia manifestou com todas as letras a simpatia global pela iniciativa estudantil.

Ok, tudo lindo não fosse, ainda, a postura inicial da emissora frente ao movimento.

A primeira manifestação de massa, em São Paulo, na quinta-feira 13, quando a PM – e não o movimento – feriu, também com balas de borracha, nada menos que sete jornalistas e fez dezenas de feridos entre os manifestantes, foi classificada como "coisa de vândalos" por ninguém menos que Arnaldo Jabor, o principal colunista emissora, com entradas regulares no Jornal Nacional. Mas o próprio Jabor, em seguida, teve de se corrigir, em nome de preservar o patrimônio global, que não resistiria ao oposicionismo praticado em rede nacional pelos principais quadros da emissora. Em São Paulo, no Bom Dia local, o apresentador Rodrigo Bocardi acompanha o tom ameno da cobertura, assim como a âncora Leilane Neubarth, na Globo News, também tece elogios ao movimento, apesar das situações fora de controle em tantos casos.

Ao ajustar seus ponteiros com a massa, passando a apoiá-la no meio das marchas, a Globo descobriu, ao mesmo tempo, uma boa forma de fustigar o governo. Ontem, o Jornal Nacional, em decisão inédita, quebrou a grade de programação, invadiu o horário da novela e deixou no ar as cenas de conflito em Brasília, às portas do Palácio do Planalto. Noutros momentos, quando interessa não mostrar o povo na rua, a Globo cumpriu seu papel. Foi assim, num caso histórico e emblemático, diante da campanha das Diretas Já, em 1984, quando a Globo se recusava a transmitir imagens de comícios com mais de 100 mil pessoas (antes da era da internet), como foi o da Praça da Sé, em São Paulo.

Agora é diferente. Para proteger seu patrimônio, buscar a imagem de parceira do movimento e aproveitar para desgastar o governo, a Globo tem todas as suas câmaras abertas – e os melhores sorrisos de seus âncoras – para mostrar, ao seu modo, o que se passa neste momento no Brasil.
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Manifestações foram ocupadas por extrema-direita brasileira, diz professor da PUC

21.06.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL
Por Júlia Rabahie, da RBA

 Jurista Pedro Serrano afirma que o caráter antipartidário da manifestação de ontem representa postura golpista de setores conservadores paulistanos 

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Serrano considera "fascista" expulsar bandeiras de partidos, incluindo os que participavam desde o começo
São Paulo – O jurista e professor de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Pedro Serrano disse hoje (21) que o movimento de manifestações que tomaram as ruas de São Paulo nas últimas semanas, deflagrados pelo aumento das passagens de ônibus, trens e metrô da cidade no último dia 2, foi ocupado pela extrema-direita do país. “As violências que ocorreram ontem demonstram que o movimento vem sendo ocupado por fascistas, neonazistas ou a extrema-direita brasileira, e o problema da direita brasileira, ao contrario da direita europeia e norte-americana é que ela é uma direita que não aceita o processo democrático.”
Na manifestação realizada ontem (20) na avenida Paulista, inicialmente organizada para comemorar a revogação, na véspera, da tarifa das passagens, anunciada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT), bandeiras de partidos políticos foram queimadas e militantes de movimentos sociais foram hostilizados por manifestantes que gritavam frases como “sem partido” e “meu partido é meu país”. O movimento negro Uneafro teve uma de suas bandeiras rasgadas e militantes do movimento feminista Marcha Mundial da Mulheres (MMM) foram agredidos.
O discurso do apartidarismo, segundo o professor, na realidade esconde um caráter antipartidário e intolerante dos manifestantes. “A direita no Brasil não tem um partido claramente de direita, não participa da disputa social de ideias, não participa do processo democrático de maneira clara. Ela encontra subterfúgios discursivos para justificar atitudes golpistas.” Serrano também criticou o linchamento de partidos políticos e movimentos sociais organizados do ato e a depredação do Palácio do Iatmaraty, em Brasília, durante manifestação que também ocorreu ontem.
“São atitudes fascistas expulsar bandeiras de partidos políticos, que inclusive estavam desde o começo do movimento participando. Depredar órgãos públicos, inclusive um simbólico que é o Itamaraty, órgão que estabelece mecanismos pacíficos de relação entre os povos. Por trás do apartidarismo e do apoliticismo na realidade há uma postura antiga do Brasil, das nossas elites, que é uma postura golpista contra as conquistas sociais que o processo democrático trouxe ao país, e isso é muito perigoso”, comentou Serrano.

Novas demandas

O Movimento Passe Livre (MPL), responsável pela convocação dos atos pela revogação do aumento das passagens, foi elogiado por Serrano por trazer novas demandas à sociedade e aos governantes em geral. O MPL divulgou hoje em nota que não irá mais participar dos atos que estão sendo convocados pela internet, que levantam bandeiras genéricas como mais educação, mais saúde e o fim da corrupção, e estão trazendo à tona um discurso conservador. O professor da PUC aponta uma crise de legitimidade no modelo político representativo entre os jovens que inicialmente tomaram as ruas contra o aumento.
“O restante do movimento, o Passe Livre, a gente tem de refletir que eles têm uma demanda adequada. Há um problema de legitimidade da representação no sistemas democráticos do mundo. Quem recebe o mandato público, ao passar a exercê-lo, passa a atender mais a interesses particulares que os interesses de quem o elegeu. Essa meninada se revolta contra isso, e temos de absorver essas criticas , incorporá-las e ver como mudar isso, para poder sobreviver à ameaça à democracia.”
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'PSDB e DEM estão por trás das agressões a militantes', diz presidente do PSTU

21.06.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE

Você estava achando estranho o silêncio dos partidos PSDB, DEM, PPS e outros de extrema direita, tão acostumado aos holofotes de TVs?
Os episódios de agressão contra partidos de esquerda e organizações sindicais registrados durante os protestos contra o aumento das tarifas dos transportes públicos nesta semana foram provocados por grupos de extrema direita, como os skinheads, instrumentalizados pelo PSDB e pelo DEM. A afirmação é do presidente nacional do PSTU, José Maria de Almeida.

O dirigente do PSTU diz não ter provas que corroborem a afirmação, mas informou que a prática de 'recrutar radicais para prejudicar movimentos sociais' é comum no meio político. 

José Maria defendeu também os militantes petistas que foram agredidos, que de acordo com ele são de alas à esquerda dentro do PT que criticaram desde o início dos protestos a postura dos governos municipal, de Fernando Haddad (PT), e estadual, do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

O partido ainda não tem um balanço nacional de militantes feridos nos atos, mas estimaem "dezenas", especialmente nos protestos do Rio de Janeiro.A notícia completa está no Uol

José Maria, está denunciando não por ser "bonzinho", talvez por perceber que o partido a que ele pertence fez lambança, dando chance para o golpe
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VÂNDALOS E REACIONÁRIOS SE APROVEITAM DOS PROTESTOS: Em Brasília, servidores se assustam com depredação de patrimônio público

21.06.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Thais Leitão

Brasília - Um dia depois do protesto que reuniu cerca de 30 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, a depredação do prédio onde funciona o Ministério das Relações Exteriores –invadido ontem (20) por um grupo de manifestantes  – assustou os servidores que chegaram para trabalhar manhã de hoje (21). Alguns moradores de Brasília estiveram no local para conferir os estragos.
Ao descer do ônibus em frente ao Ministério do Trabalho e Emprego, a servidora pública Daniley Monteiro, 38 anos, precisou desviar dos vidros estilhaçados espalhados pela calçada. A estrutura que abriga os passageiros à espera dos coletivos ficou totalmente danificada. A cobertura de metal foi quebrada, assim como as paredes de vidro. Uma placa informando o limite de velocidade da via e tombada ao lado do ponto de ônibus completa a cena de depredação ao patrimônio público, ocorrida na noite anterior.
"Que horror, nunca vi destruição nessa proporção aqui na Esplanada. A manifestação do povo, claro, é válida, mas esse tipo de coisa é lamentável, afinal quem vai pagar pelo conserto somos nós mesmos, com nossos impostos", disse.

O oficial de Justiça Marco Antônio Vieira, 48 anos, também lamentou o que viu na manhã de hoje ao chegar à Esplanada. "É triste ver esse tipo de coisa. A gente chega para trabalhar e encontra o patrimônio do povo depredado por um grupo minoritário que estraga o brilho da manifestação democrática. Já acompanhei muitos protestos, mas nunca com esse nível de destruição", disse.
Com uma máquina fotográfica pendurada no pescoço, a socióloga Jeane Rodrigues, 35 anos, foi até o Palácio do Itamaraty na manhã de hoje (21) registrar o ocorrido. No local, que foi alvo da ação de manifestantes mais exaltados, funcionários retiravam estilhaços dos vidros. Durante o protesto de ontem, um grupo também ocupou o espelho d'água em frente ao edifício, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, e houve princípio de incêndio na parte externa.
"Vou postar essas fotos no meu Facebook e me posicionar contra esse tipo de atitude totalmente desnecessária de um grupo de vândalos. É revoltante porque tanta gente está mobilizada para protestar pacificamente e essas pessoas tiram o foco da manifestação legítima", disse.
Para avaliar os estragos e estimar os prejuízos, peritos da Polícia Federal estiveram no Itamaraty nesta manhã, para fazer umaanálise técnica. O laudo deverá ficar pronto em até cinco dias. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, criticou as ações e se disse "muito indignado". "Este [prédio] é um um patrimônio da nação brasileira, um patrimônio público, que representa a busca do entendimento pelo diálogo, com base no direito. Este foi um ato de vandalismo que não pode se repetir”, disse por intermédio da assessoria de imprensa.

Já no gramado da Esplanada, em frente ao Congresso Nacional, enquanto equipes do Corpo de Bombeiros ainda faziam rescaldo de focos de incêndio, um pequeno grupo de alunos da Universidade de Brasília (UnB) ajudava na limpeza. Usando vassouras, pás e sacos de lixo, eles catavam latinhas de refrigerante e de cerveja, garrafas de água e pedaços de papel.
"Viemos fazer a nossa parte e ajudar um pouco a limpar essa área que, infelizmente, foi alvo de atos de vandalismo, com atitudes ridículas. As pessoas têm que entender que esse tipo de coisa não ajuda em nada nas negociações com o governo, só enfraquece o movimento", lamentou o estudante de biologia Gian Rech, 20 anos.
Além dos danos causados ao Palácio do Itamaraty, houve pichação em muros de ministérios e em uma porta da Catedral Metropolitana, que também teve um vitral rachado. A catedral é um dos principais cartões-postais da capital federal. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o monumento de Oscar Niemeyer foi reaberto à visitação no fim do ano passado, após passar por reforma, que incluiu a restauração dos vitrais.
Edição: Lílian Beraldo
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BLOG DO MELLO ALERTA: Dois artigos importantíssimos e um pitaco meu sobre as manifestações, agora assumidamente fascistas e golpistas

21.06.2013
Do BLOG DO MELLO
Por Antônio Mello

Os dois artigos do título foram escritos, um, pelo sociólogo Boaventura de Sousa Santos; outro, pelo codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington, e presidente da Just Foreign Policy, Mark Weisbrot.


Meu pitaco os une e acrescenta às informações contidas neles a catástrofe das Comunicações do governo Dilma, tanto por parte do Ministério das Comunicações, comandado por Paulo Bernardo, como da Secom, sob comando de Helena Chagas.

O artigo de Boaventura denuncia opções equivocadas do governo Dilma. O de Weisbrot, a mão estadunidense sobre os países que se "atreveram" (é a visão deles) a praticar uma política de parceria, mas independente dos EUA. O meu pitaco é que a condução equivocada (para usar um eufemismo) dois dois ministros, ajudou a criar o campo para as manifestações que incendeiam o país.

Mas, o que dizem os tais artigos?

Weisbrot:


Acontecimentos recentes indicam que a administração Obama intensificou sua estratégia de "mudança de regime" contra os governos latino-americanos à esquerda do centro, promovendo conflito de maneiras que não eram vistas desde o golpe militar apoiado pelos EUA na Venezuela em 2002. 


(...) Está claro agora que o afastamento do presidente paraguaio Fernando Lugo, no ano passado, também teve a aprovação e o apoio do governo dos Estados Unidos. 

Num trabalho investigativo brilhante para a agência Pública, a jornalista Natalia Viana mostrou que a administração Obama financiou os principais atores do chamado "golpe parlamentar" contra Lugo. Em seguida, Washington ajudou a organizar apoio internacional ao golpe. 

O papel exercido pelos EUA no Paraguai é semelhante a seu papel na derrubada militar, em 2009, do presidente democraticamente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, caso no qual Washington dominou a Organização de Estados Americanos e a utilizou para combater os esforços de governos sul-americanos que visavam restaurar a democracia.

(...) Está claro que os EUA não viram o levemente reformista Fernando Lugo como um elemento ameaçador ou radical. O problema era apenas sua proximidade excessiva com os outros governos de esquerda. 

Como a administração Bush, a administração Obama não aceita que a região mudou. Seu objetivo é afastar os governos de esquerda, em parte porque tendem a ser mais independentes de Washington. Também o Brasil precisa se manter vigilante diante dessa ameaça à região.[Leia o texto na íntegra aqui]




O de Boaventura de Sousa Campos vou postar na íntregra, pois é muito rico e aberto a debates, e está publicado originalmente em espanhol, que me atrevi a passar para o português:


Com a eleição da presidente Dilma Rousseff, o Brasil queria acelerar os esforços para se tornar uma potência global. Muitas das iniciativas nessa direção vieram de trás, mas receberam um novo impulso: Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a Rio +20 de 2012, Copa do Mundo em 2014, Jogos Olímpicos de 2016, a luta por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, papel ativo no crescente protagonismo das "economias emergentes", os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a nomeação de José Graziano da Silva como presidente da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em 2012, e Roberto Azevedo como diretor geral da Organização Mundial do Comércio em 2013, uma política agressiva de exploração de recursos naturais, tanto no Brasil como na África, especialmente em Moçambique, a construção da grande agricultura industrial, especialmente para produção de soja, biocombustíveis e pecuária. 


Beneficiado por uma boa imagem pública internacionalmente granjeadapelo presidente Lula e por suas políticas de inclusão social, este Brasil desenvolvimentista se impõe ao mundo como uma potência de novo tipo, benevolente e inclusivo.  

Não poderia, portanto, ser maior a surpresa internacional ante as manifestações que na última semana levaram às ruas centenas de milhares de pessoas nas principais cidades do país. 

Se, antes, nas recentes manifestações na Turquia a leitura de "duas Turquias" foi imediata, no caso do Brasil era mais difícil reconhecer a existência de "dois Brasis". Mas ele está aí, aos olhos de todos.  

A dificuldade para reconhecê-lo reside na própria natureza do "outro Brasil", furtiva a análises simplistas. Esse Brasil é feito de três narrativas e temporalidades. 

A primeira é a narrativa da exclusão social (um dos países mais desiguais do mundo), das oligarquias latifundiárias, do caciquismo violento, das elites políticas restritas e racistas, uma narrativa que se remonta à colônia e que se reproduziu de formas mutantes até os dias de hoje. 

A segunda narrativa é a da reivindicação da democracia participativa, que se remonta aos últimos 25 anos e teve seu ponto culminante no processo Constituinte que levou à Constituição de 1988, nos pressupostos participativos sobre políticas urbanas em centenas de municípios e no impeachment do presidente Collor de Mello em 1992, na criação dos conselhos de cidadãos nas principais áreas de políticas públicas, especialmente na saúde e na educação, a diferentes níveis de ação estatal (municipal, estadual, federal).

A terceira narrativa tem apenas 10 anos de idade e trata das vastas políticas de inclusão social adotadas pelo presidente Lula da Silva, a partir de 2003, que conduziram a uma significativa redução da pobreza, à criação de uma classe média com elevada vocação consumista, ao reconhecimento da descriminação racial contra a população afrodescendente e indígena e às políticas de ação afirmativa, e ao reconhecimento de territórios e quilombolas (descendentes de escravos) e indígenas.


O que aconteceu desde que a presidenta Dilma assumiu o cargo foi a desaceleração, até mesmo a estagnação das duas últimas narrativas. E como em política não existe vazio, esse terreno baldio que deixaram foi aproveitado pela primeira e mais antiga narrativa, fortalecida sob as novas roupagens do desenvolvimento capitalista e as novas (e velhas) formas de corrupção.

As formas de democracia participativa foram cooptadas, neutralizadas no domínio das grandes infraestruturas e megaprojetos, e deixam de motivar às gerações mais jovens, órfãs de vida familiar e comunitária integradora, deslumbradas por um novo consumismo ou obcecadas por esse desejo.

As políticas de inclusão social se esgotaram e deixaram de responder às expectativas de quem se sentia merecedor de mais e melhor. A qualidade de vida urbana piorou, em nome dos eventos de prestígio internacional, que absorveram os investimentos que deviam melhorar os transportes, a educação e os serviços públicos em geral. O racismo mostrou sua persistência no tecido social e nas forças policiais. Aumentou o assassinato de líderes indígenas e camponeses, demonizados pelo poder político como "obstáculos ao crescimento", simplesmente por lutar por suas terras e formas de vida, contra o agronegócio e os megaprojetos de mineração e hidrelétricos (como Belo Monte, destinada a abastecer de energia barata a indústria extrativa).

A presidenta Dilma foi o termômetro dessa mudança insidiosa. Assumiu uma atitude de hostilidade indissimulável ante os movimentos sociais e os povos indígenas, uma mudança drástica em relação a seu antecessor. Lutou contra a corrupção, mas deixou para os aliados políticos mais conservadores as agendas que considerou menos importantes. Assim, a Comissão de Direitos Humanos, historicamente comprometida com os direitos das minorias, foi entregue a um pastor evangélico homofóbico. [Observação do Mello: essas são posições equivocadas do grande sociólogo. Em minha opinião, a comunicação errada do governo [ou a falta de comunicação, aliada à injeção de dinheiro e de incentivos à mídia corporativa que pôs o governo Dilma sob ataque, com o dinheiro do governo] não levou à população os feitos positivos e deixou correr sem resposta os ataques, nem sempre verdadeiros, que lhe foram feitos. E quanto à escolha de Marco Feliciano, foi uma decisão da Câmara dos Deputados, não da presidenta].

As atuais manifestações revelam que, longe de ter sido o país que despertou, foi a presidenta que o fez. Com os olhos postos na experiência internacional e também nas eleições presidenciais de 2014, a presidenta Dilma deixou claro que as respostas repressivas só agudizam os conflitos e isolam os governos. Nesse sentido, os prefeitos de nove capitais já decidiram baixar os preços dos transportes. É apenas um começo.

Para que seja consistente, é necessário que as duas narrativas (democracia participativa e inclusão social intercultural) retomem o dinamismo que já tiveram.

Se for assim, o Brasil mostrará ao mundo que só vale a pena pagar o preço do progresso aprofundando a democracia, redistribuindo a riqueza gerada e reconhecendo a diferença cultural e política daqueles que consideram que o progresso sem dignidade é retrocesso.



Os dois artigos são belos pontos de partida para debates sobre o momento atual do país. 

Mas, continuo a bater na tecla de que a maior guerra existente no mundo hoje é a da Comunicação. Nesse quesito, o governo da presidenta Dilma é um desastre. Ela já está pagando agora o preço disso. Espero que nós, a Nação, não venhamos a pagá-lo com um golpe há tanto tempo anunciado.

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