terça-feira, 18 de junho de 2013

A NOITE DOS PERPLEXOS: No país do futebol, a goleada dos protestos

18.06.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Por Alberto Dines, na edição 751

Inimaginável: William Bonner, o âncora mais conhecido e editor-chefe do mais importante telejornal brasileiro, obrigado a fazer o papel de coadjuvante no segundo dia da Copa das Confederações porque as ruas de dez capitais do país – inclusive Brasília – foram tomadas por gigantescas manifestações populares. Muitas contra o desperdício de dinheiro para construir estádios suntuosos para os megaeventos até 2016.
Tudo previsto, armado, roteirizado: Bonner conduziria o jornal a partir das capitais onde a seleção brasileira deveria jogar (na segunda-feira, 17/6, estava em Fortaleza), enquanto a companheira de bancada Patricia Poeta faria a interlocução. Na primeira edição em dia útil, ela acabou conduzindo noticiário e ele contentou-se com breves comentários. Inédito, assustador.
As autoridades foram ainda mais surpreendidas do que a Rede Globo pela dimensão e duração do protesto. Não levaram a sério as vaias à presidente Dilma Rousseff no sábado (15), durante a abertura desta copinha de nome complicado – das Confederações – e pouco empolgante. A culpa foi atribuída à oposição e aos derrotistas.
Todos contavam com a paixão nacional. Todos foram vergonhosamente driblados por ela. O aumento das tarifas de transporte público previsto para o início do ano foi chutado para a frente a fim de não impactar no cálculo da inflação. Acabou impactando na história política do Brasil.
Às avessas
Nos três primeiros protestos em São Paulo, autoridades estaduais e municipais, em uníssono, classificaram os excessos como vandalismo. No quarto evento (quinta-feira, 13/6), a polícia sentiu-se na obrigação de enfrentar os vândalos. A culpa foi atribuída à imprensa.
Na segunda-feira (17), Noite dos Perplexos, a manifestação em São Paulo foi pacífica (até a hora em que este comentário está sendo fechado, 0h55 de 18/6). A do Rio foi maior e com um surto de violência inesperado diante da Assembleia Legislativa. A tristemente célebre Gaiola de Ouro (Câmara Municipal) passou incólume.
Os vinte centavos de aumento estavam esquecidos, a estatização dos transportes, idem: os cartazes falavam em transporte decente, melhores escolas, mais hospitais e fim da corrupção.
Na Praça dos Três Poderes em Brasília os manifestantes passaram ao largo das sedes do Executivo e do Judiciário. Coincidência ou não, concentraram-se diante e em cima do Congresso Nacional, cujo desprestígio bate todos os recordes.
Ao vivo, com transmissão simultânea e todos os requintes tecnológicos, a poucos dias do início do inverno, uma primavera às avessas: uma ventania imprevista rasgou o calendário e levou todos os scripts.
Leia também
Eles são todos nós – Luciano Martins Costa
Muito além dos 20 centavos – Sylvia Debossan Moretzsohn
Em São Paulo, vinagre dá cadeia – Piero Locatelli
Gás de provocação – Mauro Malin
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PROTESTO: Pelo menos seis cidades anunciam redução no valor de passagens de ônibus

18.06.2013
Do portal do DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Após os protestos em várias partes do Brasil, pelo menos seis cidades decidiram reduzir o valor das tarifas de ônibus. Recife, João Pessoa, na Paraíba, Cuiabá, em Mato Grosso, Blumenau, em Santa Catarina, Porto Alegre e Pelotas, no Rio Grande do Sul, anunciaram nesta terça os novos valores das passagens.

No Grande Recife, o governador Eduardo Campos declarou que a redução será de R$ 0,10 centavos para todos os anéis (A, B, D e G). Por exemplo, a tarifa A, que hoje custa R$ 2,25, com a redução, será de R$ 2,15. A redução da tarifa começa a valer a partir desta quinta-feira (20).

Na capital paraibana, João Pessoa, a redução também foi de R$ 0,10. O novo valor foi divulgado pelo prefeito Luciano Cartaxo (PT) nesta terça-feira. Já Cuiabá vai reduzir em R$ 0,10 a tarifa do transporte coletivo. O novo valor, R$ 2,85, passará a valer a partir da meia-noite de quarta-feira (19).

No Sul do país, em Blumenau, a redução foi de R$ 0,12, o que na prática passaria para R$ 2,93. O município, porém, fixou o valor em R$ 2,90 para facilitar o troco. Em Pelotas haverá redução de R$ 0,15 e o novo valor é R$ 2,60. Em Porto Alegre (RS), o prefeito José Fortunati, disse que vai enviar nesta terça (18) à Câmara Municipal um projeto de lei para reduzir a tarifa para R$ 2,80. A tarifa na capital gaúcha era de R$ 3,05 e atualmente está fixada em R$ 2,85 por decisão liminar da Justiça.
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CONVERSA AFIADA: PT QUER MUDAR MAIS

18.06.2013
Do blog CONVERSA AFIADA, 
Por Paulo Henrique Amorim

Inclusão de 40 milhões gerou novas aspirações

O Conversa Afiada reproduz nota da bancada do PT na Câmara ( o PT tem senadores ?):

NOTA DA BANCADA DO PT NA CÂMARA DOS DEPUTADOS 




O POVO COMO SUJEITO DA HISTÓRIA


A Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara  saúda as manifestações populares que têm ocorrido nas ruas de  diferentes cidades brasileiras. Como lembrou a presidenta Dilma Rousseff,  o Brasil acordou nesta terça-feira  mais forte  com as manifestações realizadas por todo o País, comprovando a energia da nossa democracia, a força das vozes da rua e o civismo da nossa população.  A bandeira por um país mais justo e melhor, levantada  por milhares de jovens, coincide com o que o PT defende e tem motivado nossas lutas na condução do Brasil.

As manifestações são legítimas e as reivindicações e os métodos para expressá-las fazem parte do sistema democrático. Compete às instituições do estado democrático de direito dialogar com esse sentimento. Os milhares de manifestantes deram um recado claro aos governantes de todas as instâncias e aos três poderes da República. Trata-se da expressão do desejo de influir nas decisões de todos os governos, do Legislativo e do Judiciário.

A elevação de 40 milhões de pessoas à classe média é um exemplo emblemático de como o País mudou. Surgiu, consequentemente, uma nova agenda, demandando mais inclusão, mais distribuição de renda, acesso a mais e melhores empregos, a bens e serviços e melhorias na qualidade de vida com base num modelo ambientalmente sustentável. Surgem, portanto, novos desafios para os governantes de todos os níveis.

A Bancada do PT e nosso governo estão em plena sintonia com as reivindicações expressas nas ruas, pois elas são produto de uma sociedade em transformação e em busca de novas conquistas e que consolidem o Brasil como um dos países mais democráticos do planeta. Avançamos e podemos avançar ainda mais. A agenda do desenvolvimento do Brasil, depois de décadas, foi finalmente desinterditada.

A Bancada do PT recorda que várias conquistas na área de transportes públicos, por exemplo, aconteceram em governos petistas, como a implementação do  Bilhete Único em São Paulo, em 2004, que proporcionou uma redução de custos de 30% para o usuário do sistema.  O governo Dilma acaba de editar a Medida Provisória nº 617/13 que zera as alíquotas da Contribuição para o PIS/PSEP e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da prestação de serviços regulares de transporte coletivo municipal rodoviário, metroviário e ferroviário de passageiro, o que permitirá reduzir o preço das passagens.

Defendemos 100%  dos royalties do petróleo para a educação e uma ampla reforma política que amplie os canais de expressão e participação popular, incluindo financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais. Na questão da saúde, é necessário avançar  em termos de recursos e na eficiência, incluindo enfrentamento aos grupos privados que buscam enfraquecer o modelo público do SUS.

A democracia representativa torna-se mais forte com a incorporação da mobilização popular, das vozes do povo e das manifestações expressadas por pessoas de diferentes orientações políticas e ideológicas. O uso das redes sociais nos debates políticos e na mobilização confere importância a um tema essencial de nossa pauta, que é a democratização dos meios de comunicação, e enfraquece  o monopólio dos grupos midiáticos empresariais que sempre estiveram interpretando os fatos de acordo com suas conveniências.

O povo na rua é nossa história. Lá é o espaço que revigora nossa democracia e proporciona o espaço de participação direta do cidadão na política.  Ouvir as vozes das ruas é dever de todos os Poderes, para mudar práticas e aprofundar o processo de transformações em busca de uma sociedade moderna, justa, democrática e com igualdade de oportunidades para todos.

Brasília, 18 de junho de 2013

José Guimarães-(PT-CE)- Líder da Bancada na Câmara


Clique aqui para ler: Dilma está com Lula
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Luiz Felipe Albuquerque: Novo estilo de golpe da direita

18.06.2013
Do blog VI O MUNDO
Por Luiz Felipe Albuquerque, do setor de comunicação do MST

Novo estilo de golpe: direita busca as ruas e ressuscita inflação

- Filho, você vai no ato amanhã?
- Claro, mãe. Por quê?

- Olha, realmente não sei nada de política, mas peço que não, porque acho que vai rolar um Golpe de Estado.

Parece absurdo, mas esse diálogo – que de fato ocorreu com um amigo – é sintomático.

No meio da manifestação desta segunda-feira (17), em São Paulo, começou a se falar sobre uma suposta ocupação do Congresso Nacional.

Foi preocupante.

- Sabe como se chama isso?

Disse um companheiro de organização.

- Golpe de Estado.

Felizmente, como sabemos, não foi o que ocorreu. Mas esse momento de tensão nos leva a algumas reflexões.

Logo após a manifestação da última quinta-feira, a linha editorial dos principais meios de comunicação mudou de tom radicalmente.

Se na quinta pela manhã eles inescrupulosamente pediam à Polícia Militar agir com violência, na sexta as principais manchetes repudiavam a ação dos PMs. Se não pode vencê-los, junte-se a eles, e busque cooptá-los.

A mudança de discurso é significativa. Representa um oportunismo da direita para criar um clima de instabilidade nacional. Agora, as manchetes centralizam suas forças principalmente sobre o governo federal.

A preocupação com os megaeventos esportivos, o distanciamento do PT com as massas e sua incapacidade de diálogo, a suposta popularidade da presidência em queda, as vaias na abertura da Copa das Confederações.

A pauta política está dada. Agora, a direita busca a pauta econômica para concretizar seu discurso e desestabilizar o governo. E, com isso, começam a retomar a questão da inflação.

O editorial da Folha desta segunda diz que, com exceção dos beneficiados do novo programa federal Minha Casa Melhor, “todos os outros brasileiros, em contraste, veem sua capacidade de consumo estreitar-se de forma acelerada, sob o golpe duplo do aumento da inflação (que já corrói os salários) e dos juros (que deve onerar as compras a prazo)”.

A história nos ensina que as contra-ofensivas se realizam com mais sucesso se for respaldada de um artefato sólido, ao entrelaçar elementos políticos aos econômicos.

E é o que estão buscando. “Dilma Rousseff resvalará para o autoengano, porém, se desconsiderar que as vaias vieram na semana em que se espalharam pelo país protestos contra altas de preços (tarifas de transportes) e contra o que alguns percebem como mau emprego de verbas públicas (nos eventos esportivos, entre outros)”.

E já atestam como fato dado que, no ano pré-eleitoral, “são fortes os sinais de que se rompe a bolha de otimismo que levou Dilma ao Planalto”.

“O que aflige os brasileiros é a perda de poder aquisitivo, com a inflação, e a incapacidade do Estado de apresentar soluções concretas para a crise nas áreas vitais de saúde, educação, segurança e transportes. Mais consumo e mais futebol não resolvem nada disso”, termina o editorial.

Mentira. Os espasmos inflacionários que a tese dominante tanto aposta evolui pouco perto do estardalhaço. A última nota técnica do Dieese (abril), mostra que entre março de 2012 a março de 2013, o IPCA evoluiu 6,59%, enquanto os preços dos alimentos, 13.49%.

Se não fosse o problema do subgrupo alimento, que ocorre devido a problemas sazonais e estruturais da agricultura brasileira (como bem coloca Gerson Teixeira em seu artigo O agronegócio é ‘negócio’ para o Brasil?), o IPCA teria sido de 5.07%, segundo simulação feita pelo Ministério da Fazenda. A meta central de inflação dentro do intervalo de tolerância é de 6,5%.

Tentam misturar as coisas, confundir e influenciar sobre um movimento ainda bem descentralizado. Soma-se a isso o fato da grande maioria (a redundância aqui é proposital) dos que participaram das manifestações não serem organizados e, ainda, rechaçarem violentamente partidos políticos e não terem uma compreensão clara sobre a necessidade organizativa.

Ao longo da marcha, bandeiras do PSTU foram tomadas por algumas pessoas. A Juventude do PT foi ameaçada por outro grupo e teria apanhado, não fossem outras organizações que estavam por perto e apaziguaram a situação. Boa parte do clima era de ódio com a política, com políticos e com partidos.

O momento é delicado. É necessário que a esquerda tenha isso em mente e, se ainda é possível, também colocar uma responsabilidade e necessidade do PT deixar de ser bundão, ser mais protagonista, polarizar o debate e politizar as massas.

E é o momento das forças de esquerda unificarem a luta, incidirem sobre o debate político ideológico e pressionar o PT a tomar alguma posição. Sempre reforçando a pauta central: diminuição dos preços do transporte público, e não ampliando como a direita pretende.

A direita, longe de ser boba, está se aproveitando. E para capitalizar essa gente e servir a ela como massa de manobra, não é preciso muito devido o grau de despolitização que o período neoliberal nos deixou.

Sem dúvida, as políticas sociais dos governos petistas melhoraram a vida do povo em muito, mas apenas no âmbito do consumo. Sem nunca se preocuparem com o processo de politização da classe trabalhadora. O que nada garante que num momento de polarização do debate e uma ofensiva da direita, as massas saiam às ruas em defesa desse governo ou partido.

Se outrora o trabalho de base pelo PT era uma das prioridades, há muito ele foi abandonado. E esse vazio político deixado tem que ser preenchido e aproveitado por essa aliança de forças dentro da esquerda.

Ainda resta um dilema ao PT: ou o maior partido político que ainda se diz de esquerda vai para a ofensiva, ou corre um sério risco de dar um tiro no próprio pé.

Enfim, de fato, não acredito que as angústias de Golpe de Estado estejam colocados por hora, mas sem dúvida é um importante momento de reflexão para ocasiões futuras.

 Leia também:


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Juventude do PSDB foge das ruas

18.06.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Altamiro Borges

O blogueiro paranaense Tarso Cabral Violin alertou para um fato curioso. Vasculhando as mensagens do Facebook, ele descobriu uma nota da Juventude do PSDB de São Paulo orientando os seus simpatizantes a não participarem do protesto ocorrido ontem (17) na capital paulista. A oposição tucana, amparada pela mídia direitista, até tenta partidarizar as manifestações contra o aumento da tarifa do transporte, procurando transformá-las num ato de rejeição aos governos Dilma e Haddad. Mas os tucaninhos sabem que não têm a simpatia dos manifestantes e temem às ruas. Reproduzo abaixo a mensagem:

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Facebook da Juventude da Capital Paulistana:

Amigos,

Diante dos acontecimentos e da manifestação que acontece hoje em Pinheiros promovida pelo movimento de militantes partidários ao PCdoB “Passe Livre”, entre outros: A JPSDB Paulistana (Juventude do PSDB do município de São Paulo) acordou que não participará deste manifesto em virtude de acreditarmos que o mesmo tenha se transformado em movimento político com o único intuito de enfraquecer o governo do estado de São Paulo.

Faz lembrar, enquanto maior defensor brasileiro da democracia e da liberdade, o PSDB sempre defendeu e estimulou as ações das pessoas por seus direitos, e em muitas esteve presente. No entanto, a JPSDB Paulistana não pode compactuar com os excessos que causaram depredações e agressões dos protestos ocorridos nos últimos dias em São Paulo em referência ao aumento da tarifa do transporte público.

É importante que a população perceba que a superlotação no Metro e na CPTM está diretamente ligada a incapacidade do prefeito de assumir suas responsabilidades e fazer funcionar devidamente os ônibus da cidade, e a um preço justo. Além de os excessos nas manifestações ter um culpado: o prefeito Fernando Haddad, por não cumprir suas próprias promessas de campanha.

Somos a favor à livre manifestação de ideias, porem de maneira civilizada, democrática e pacifica, e parabenizamos os jovens que hoje estarão com esse intuito.

Desse modo, se houver pessoas na manifestação que estejam em nome da JPSDB Paulistana, reafirmo que não nos representam e não fazem isso de acordo com as orientações desse grupo.

A JPSDB Paulistana entregará seu manifesto cívico, pedindo explicações da necessidade da alta dos preços das passagens ao Governador Geraldo Alckmin, e discutirá com o mesmo formas de melhorias para a população.

Vamos em frente!

Igor Cunha - Presidente da JPSDB da Capital São Paulo
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DILMA MONTA GABINETE DE CRISE EM SÃO PAULO

18.06.2013
Do portal BRASIL247
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Dilma e Lula: Haddad vai ouvir a rua!

18..06.2013
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

A manifestação de ontem de Lula e o discurso de Dilma, hoje (que a gente reproduz  na seção vídeos) deixaram claro que pedem ao prefeito de São Paulo que ouça a voz das ruas.
Este, sim, é o governo progressista: que em lugar de temer e reagir com polícia a manifestações – mesmo que em meio delas haja baderneiros idiotas ou provocadores – percebe e acolhe o que a população quer.
O prefeito Fernando Haddad já admitiu, hoje, que está disposto a rever o preço, desde que se descubra como viabilizar isso. Vai descobrir.
Aí embaixo, a gente mostrou que os empresários podem ganhar menos, porque já ganharam com José Serra mais do que a simples reposição da inflação.
Sem falar no que, antes, já tinham acumulado com governos dóceis a seus interesses, planilhas manipuladas, caixa-dois e uma série de barbaridades como as  que, todos sabem, ocorrem em empresas que sempre estiveram à margem de uma fiscalização adequada.
Lula e Dilma elegeram Fernando Haddad.
Isso, muito  longe de ser um demérito a ele, é a honrosa prova da imensa confiança que nele depositaram dois líderes que o tiveram como eficiente auxiliar, no Ministério da Educação.
Confiaram porque sabem que ele é fiel ao povo brasileiro, aos princípios da moralidade pública e é sensível aos desejos da população.
A passagem vai baixar.
E aqueles que tiverem o rabo preso nessa questão que se virem para explicar ao povo porque não baixam também.
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Fonte:www.tijolaco.com

Via Metropolitana Norte vai melhorar acesso em Olinda e Paulista

18.06.2013
Do BLOG MOBILIDADE URBANA
Por Tânia Passos

Via Metropolitana Norte - Secretaria das Cidades/Divulgação
Idealizada há pelo menos 30 anos, a Via Metropolitana Norte começa a sair do papel diferente do que havia sido planejada inicialmente, mas trazendo nova perspectiva de mobilidade para os bairros de Maria Farinha, Pau Amarelo e Janga, em Paulista, e de Rio Doce, Jardim Atlântico e Jardim Fragoso, em Olinda. Quem sair de Paulista para o Recife, por exemplo, não terá que passar por dentro de Olinda.
Já os moradores da Zona Norte de Olinda poderão ir ao Aeroporto Internacional dos Guararapes sem precisar passar pela Avenida Agamenon Magalhães. A nova via, prevista no Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), complementa-se à 2ª perimetral, totalizando 10,1 km. O processo de licitação das obras viárias foi iniciado em março, mas os serviços devem começar no segundo semestre, com prazo de 24 meses e custo de R$ 126 milhões pelo PAC Mobilidade.
O canal por onde passa o Rio Fragoso, em Olinda, será alargado em até 45 metros. As duas marginais terão 10,5 metros de largura com três faixas de rolamento cada, além de faixa exclusiva de ônibus, ciclovia e calçada. O sistema contará com quatro pontes e um viaduto que passará por cima do Terminal Integrado da PE-15 para se ligar à 2ª perimetral. “Essa via era um planejamento de longo prazo”, detalhou o presidente da Companhia Estadual de Habitação (Cehab), Flávio Figueiredo.
O órgão está responsável pelo alargamento e o revestimento do canal e a construção de habitacionais para famílias que terão casas desapropriadas. Até agora, 2,3 km do canal foram revestidos. “As obras serão feitas paralelamente ao revestimento do canal pela Secretaria das Cidades”.
“A via é importante para toda a região Norte. Permitirá a retirada do fluxo, que hoje passa pela Avenida Getúlio Vargas (Olinda) e poderá seguir pela PE-15 e a 2ª perimetral”, explicou o secretário de Trânsito de Olinda, Oswaldo Lima Neto.
A ideia original previa uma via paralela à PE-15 fazendo a ligação de Paulista a Abreu e Lima. A ligação passou a ser entre Paulista e Olinda. “As cidades mudam e esse projeto terá papel fundamental na urbanização e na passagem de tráfego”, destacou a engenheira Regilma Souza, que participou da elaboração do PDTU.
Perimetral
A 2ª perimetral terá o edital do projeto executivo e das obras lançado no fim de julho. De acordo com o secretário de Infraestrutura e Serviços do Recife, Nilton Mota, as obras deverão ser iniciadas no início de 2014. “A licitação será para as perimetrais 2 e 3 e ainda para a radial Sul”, afirmou.

Saiba mais
6,1 km de extensão de via
4 km da triplicação da 2ª perimetral
10,5 metros é a largura de cada uma das vias marginais
4 pontes
1 viaduto (sobre o Terminal da PE-15)
1 ciclofaixa
1 faixa exclusiva de ônibus 6 km de canal serão revestidos
2,3 km já foram revestidos
45 metros de extensão será o alargamento do canal
2 mil famílias serão desapropriadas ao longo do Rio Fragoso
6 bairros serão beneficiados diretamente pela via 2015 é a estimativa de entrega da obra
24 meses é o tempo de execução da obra (iniciada em maio de 2013)
R$ 126 milhões é o custo do sistema viário da Metropolitana
Fonte: Secretaria das Cidades
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Governo Dilma recebe manifestantes. Ministro diz "Mobilização é bem-vinda ... temos que compreender as mensagens"

18.06.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, que  já havia conversado com manifestantes de Brasília no último sábado, durante a partida de abertura da Copa das Confederações, na segunda-feira recebeu no Palácio do Planalto representantes dos manifestantes, para manter canais de diálogo.

Depois, em entrevista, disse:

“A manifestação é própria da democracia. O nosso projeto político cresceu no país fazendo mobilização. Mobilização é muito bem-vinda. Por isso que nós estamos preocupados em fazer uma discussão, uma aproximação, um diálogo, e elevarmos o nível dessa discussão porque esses jovens têm alguma coisa a nos dizer. Esses jovens nos apontam angústia… E se alcançam uma grande repercussão de mobilização é porque corresponde ao anseio de muita gente. Então é próprio da nossa atitude ouvir e valorizar isso (...) Eles são portadores de mensagens, e nós temos que compreender. É por isso que eu fiz questão, durante o próprio jogo, estive lá, conversando com os manifestantes. Foi um gesto de diálogo, de entendimento. E fiquei muito feliz de eles terem aceitado, parte deles, virem aqui. (…) Acho que foi um bom início de conversa, e acho que eles nos trazem reivindicações que consideramos importantes para gente tratar”, comentou.

A presidenta Dilma, uma ex-manifestante na adolescência e juventude, também comentou as manifestação por meio de sua assessoria. Afirmou que  "É próprio dos jovens se manifestarem" e que "As manifestações pacíficas são legítimas e próprias da democracia".

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Polícia diz que manifestação no DF foi financiada

18.06.2013
Do BLOGG DO AMORAL NATO, 17.06.13
Do G1via luisnassif

Polícia investiga financiamento de R$ 30 mil para manifestação no DF

Participantes receberam até R$ 300 para ir a protesto na sexta, diz polícia.
Um dos organizadores do movimento nega pagamento a manifestantes.

Isabella Formiga
Do G1 DF
A Polícia Civil do Distrito Federal informou nesta segunda-feira (17) que investiga a origem de R$ 30 mil supostamente destinados a financiar a manifestação ocorrida na sexta-feira (14) em frente ao Estádio Nacional Mané Garrincha. No protesto, as seis faixas do Eixo Monumental foram fechadas por manifestantes, que atearam fogo a pneus.
Segundo o diretor-geral da corporação, Jorge Xavier, a polícia tem provas de que o protesto foi financiado e que pessoas ligadas a parlamentares podem estar envolvidas com o movimento. Xavier não informou o nome dos parlamentares para qual os suspeitos trabalham.

De acordo com ele, manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) teriam recebido de R$ 250 a R$ 300 para comparecer ao protesto e queimar pneus. Ele explicou que receber ou pagar a alguém para participar de protestos não é crime, mas financiar dano ao patrimônio público, sim.
Cinco pessoas foram detidas na sexta-feira, entre elas o motorista do caminhão que transportou os pneus até o local. Elas afirmaram terem sido enganadas e que não sabiam para que os pneus seriam usados. Segundo Xavier, pelos relatos dessas pessoas foi possível identificar nove lideranças do movimento, das quais pelo menos três são ligadas a parlamentares.
A polícia investiga também a participação do ex-servidor da Presidência da República Gabriel Santos Elias no protesto. Segundo Xavier, Elias foi exonerado em maio e é líder do movimento Copa para Quem?. O grupo faz parte do Movimento Brasil e Desenvolvimento, liderado por estudantes e ex-estudantes da UnB, entre eles Elias.

“Embora tenha dado entrevista ao lado do incêndio, embora tenha feito contato com MTST para fundir os dois movimentos, a gente não pode dizer que ele participou do incêndio”, disse Xavier. “Ele vai ser intimado para prestar declarações em relação ao crime”, afirmou. A polícia procurou líderes do MTST neste fim de semana para prestar esclarecimentos, mas não conseguiu encontrá-los.
"Ainda não recebi nenhuma informação oficial a respeito disso. Não tive nenhuma participação no ato de queima de pneus. Em nenhum momento soube que isso aconteceria, até o momento que vi os pneus se queimando. Na hora em que cheguei, já estava queimando pneu”, disse Elias ao G1. “Não sabia da participação de parlamentares e em momento algum usei meu cargo para fazer atuação para movimentos sociais, inclusive para o MTST.”
Ele também negou ter feito pagamento a manifestantes. “Em nenhum momento dei qualquer dinheiro para esse protesto. Não tive nenhuma participação em nenhum ato mencionado nesse sentido. Não sei por que está sendo feito. Imagino que governo realmente esteja preocupado com manifestações. Mas acredito que seja tentativa de tirar da mobilização pessoas que são comprometidas com uma crítica das políticas sociais.”
Na página da internet, o Copa para Quem? diz ser responsável pelas ocupações da reitoria da UnB em 2008, que resultou na renúncia do então reitor Timothy Mullholand, e da Câmara Legislativa do DF, em 2009, que pedia a saída do então governador José Roberto Arruda, acusado de envolvimento com suposto esquema de corrupção que ficou conhecido como mensalão do DEM.
Segundo a polícia, Elias teria feito contato com o MTST para a participação no protesto e também estava presente na invasão do MTST a uma área em Ceilândia que ficou conhecida como Novo Pinheirinho, em referência ao Pinheirinho, terreno em São José dos Campos (SP) onde viviam 6 mil pessoas e que foi desocupado pela PM de São Paulo em janeiro de 2012. O G1 não conseguiu contato com o MTST.

“Uma advogada do grupo foi quem fez a defesa do movimento [MTST] na ação judicial da reintegração de posse [em Pinheirinho] e o trabalho de comunicação foi feito por nós. Na época fizemos campanha de arrecadação de alimentos para as famílias que estavam ocupando o local, um trabalho de apoio”, disse Elias. “Nossa parte no processo era prestar assessoria jurídica para o caso de alguém ser preso e como profissionais de comunicação. Em momento algum escondi minha participação no ato, sempre foi uma posição bem pública.”
 Outras prisões
O diretor afirmou que não há relação entre os protestos realizados na sexta-feira, que teria sido financiado, com o movimento realizado no sábado (15), que ocorreu de forma “espontânea e organizada através das redes sociais”.
No protesto de sábado, 19 pessoas foram presas e dez adolescentes, apreendidos. No sábado, após o jogo de estreia da Copa das Confederações, entre Brasil e Japão, o  secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, afirmou que a ação da polícia para conter os conflitos com manifestantes “foi perfeita”.
'Sabotagem'
O diretor da Polícia Civil afirmou ainda nesta segunda que dois estudantes detidos na madrugada de sábado tentando cortar cabos de um semáforo na 703 Sul não têm relação com nenhum dos movimentos.

Um dos envolvidos, no entanto, é assessor parlamentar e foi preso em flagrante com uma mulher que ca
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Contra tudo e contra todos? Para onde vai a onda das manifestações?

18.06.2013
Do blog ESCREVINHADOR, 17.06.13
Por Pablo Villaça, no Diário de Bordo

Hoje participei da manifestação que ocorreu em Belo Horizonte e sinto-me à vontade para dizer algo: Geraldo Alckmin conseguiu o que queria e entrou para a História do Brasil. Não como sonhava entrar, mas seu nome já está garantido ao menos como nota de rodapé nos livros didáticos.


Explico: até a noite de quinta-feira, 13 de junho, o movimento que ocorria pontualmente ao redor do Brasil em protesto ao aumento das passagens de ônibus era algo relativamente difuso, sem muito potencial para crescimento. Havia duas opções de desfecho: as passagens seriam reduzidas (como ocorreu em Porto Alegre) e tudo voltaria ao normal ou eventualmente a negativa das empresas e do governo deixaria claro que nada poderia ser feito quanto à questão. No entanto, a partir do instante em que Alckmin agiu como Alckmin (e Serra) e ordenou que a PM reprimisse a manifestação popular com força desproporcional, catalisou um processo que talvez levasse um tempo infinitamente maior para se cristalizar. Ninguém gosta de um bully – e o governo tucano, como já havia se mostrado em tantas outras ocasiões (com professores da rede pública, estudantes da USP, habitantes do Pinheirinhos e até mesmo com a Polícia Civil), não hesita em se entregar ao bullying sempre que questionado.

Desta vez, porém, Alckmin errou feio seu cálculo e criou um monstro que se espalhou por todo o país. A partir de quinta-feira, a questão definitivamente já não girava mais em torno de 20 centavos ou mesmo do transporte público livre; era uma questão de cidadania. E, como tal, deixou também de ser algo contra o governo tucano ou a prefeitura petista, passando a ser um grito de revolta generalizado, um berro de “chega!”.

Mas “chega” o quê?

E foi esta pergunta que vi tantos jovens se fazendo durante o manifesto em BH – mesmo que não percebessem o questionamento. Assim, voltei para casa feliz por testemunhar o despertar de uma juventude repleta de potencial, mas também inquieto por perceber claramente que ela não tem ainda uma ideia muito clara do que está fazendo ou de como prosseguir.

O que resulta numa combinação muito, muito perigosa.

(Aqui peço licença para um breve flashback pessoal para estabelecer por que me julgo detentor de certa experiência para discutir a questão: em 1992, depois de fundar e presidir por dois anos o grêmio do colégio no qual estudava – Promove Savassi -, fui eleito em assembleia estudantil como líder do movimento secundarista no Fora Collor. Como tal, participei da organização das manifestações em Belo Horizonte, discursei em carro de som na Praça da Liberdade e na Praça Sete e fui o rosto de meus colegas sempre que uma entrevista à imprensa era necessária – e certamente há fitas embaraçosas nas emissoras mineiras que trazem meu rosto moleque tentando parecer sério enquanto discute os motivos que tornavam necessária a saída do Presidente. Na época, fui um dos estrategistas do movimento em Minas, ajudando a decidir datas, locais e focos de protesto – e mais tarde presidiria o DA da faculdade até abandonar o movimento estudantil ao perceber que precisava me focar nos estudos. Não sou, portanto, um mero palpiteiro, creio eu. Fim do flashback.)

Ao caminhar entre a multidão de milhares de pessoas neste sábado, percebi duas coisas muito óbvias: uma imensa empolgação e uma preocupante falta de foco.

A primeira é fácil compreender: há anos a juventude não ia às ruas – e, como toda geração, eventualmente era inevitável que ela se questionasse acerca de sua própria revolução. A geração anterior teve o “Fora Collor!”; antes dessa, houve a luta contra a Ditadura. O que a geração pós-anos 90 tinha para protestar, porém? Quando e como poderia extravasar o impulso rebelde que faz parte do DNA jovem e que é algo tão belo e fundamental para o avanço da Humanidade?

Os últimos dias trouxeram esta oportunidade – e não é à toa que um jovem amigo pelo qual tenho imenso carinho me enviou uma mensagem por telefone na qual dizia, em parte, “estar em êxtase” após a passeata. Como não estaria? Lembro-me de meus dias de líder estudantil e ainda sinto o calor nostálgico da sensação de dever cumprido: como tantos antes de mim, eu estava deixando minha marca na História.

É um sentimento lindo, único, precioso. E sinto-me privilegiado por ter testemunhado o brilho que este trouxe aos olhos de tantos jovens hoje em Belo Horizonte. Eu olhava ao meu redor e via este êxtase em todos os rostos lisos que me cercavam – e sentia a vontade de abraçá-los com força e dizer: “Eu sei. É lindo, não é?”.

Sim, é lindo.

Mas eu também me sentia inquieto ao observar que, ao lado da euforia, havia uma clara dispersão de objetivos. Assim, puxei papo com vários jovens e observei atentamente os cartazes que carregavam.

“Pela humanização das prostitutas!”
“O corpo é meu! Legalizem o aborto!”
“Fora, Lacerda!”
“Viva o casamento gay!”
“Passe Livre já!”
“Passagem a 2,80 é assalto!”
“Pelo fim da PM no Brasil!”
“Cadê a Dilma da guerrilha?”
“Fuck you, PSTU!”
“Aécio NEVER!”
“Não à Copa no Brasil!”

E por aí afora. Era um festival desconjuntado de causas, ideologias e revoltas. Os cartazes tratavam dos sintomas, não da doença – e ao berrarem os sintomas pelas ruas de BH em vez de identificarem a patologia que os provocavam, aqueles jovens pareciam felizes, sim, mas também um pouco perdidos.

Passei a caminhar silencioso pela multidão. Sentia a energia gostosa, positiva, da ação juvenil, mas mergulhava cada vez mais em uma reflexão preocupada sobre o que via. Seria apenas um sinal dos tempos? Uma revolução do tempo das redes sociais, nas quais você pode “curtir” uma mensagem, uma causa, a cada segundo? Havia, sim, um componente de hiperlink até nos bordões cantados pela massa: um refrão sobre os ônibus levava a outro sobre a PM que levava a outro sobre a Copa que levava a outro sobre Lacerda que levava a outro sobre…

… sobre o quê?

Ao chegar em casa, manifestei esta dúvida no Twitter e alguns jovens imediatamente responderam: “Ninguém nos representa!” e “Sim, estamos contra tudo!”.

Mas “estar contra tudo” não é ideologia.

E sem ideologia não há movimento que se sustente. Ou, no mínimo, que se sustente de maneira consistente – o que abre espaço para a manipulação.

Foi isto, enfim, que me angustiou profundamente.

Vivemos em tempos perigosos: a direita religiosa se torna cada vez mais influente e as grandes empresas da mídia já perceberam que o PSDB não é uma oposição viável – e, assim, decidiram ser elas mesmas a Oposição. Não é à toa que, contradizendo todos os índices econômicos divulgados por órgãos independentes, a Globo, a Foxlha, a Veja e o Estadão vêm pintando um quadro de instabilidade crescente: inflação alta, dólar alto, PIB decrescente e por aí afora, pintando um país em crise que, sejamos honestos, não corresponde ao que vemos todos os dias nas ruas.

Enquanto isso, o aliado histórico dos movimentos populares, o PT, parece ter se esquecido de suas origens: tímido em sua resposta à brutalidade da PM, Haddad apenas embaraçou-se ao relativizar os excessos da polícia – e sua proposta de se reunir com as lideranças do movimento Passe Livre vem tardio, já que estas já não representam mais as massas na rua. 

Enquanto isso, Dilma é vaiada num estádio lotado por representar o poder – mesmo que, há pouco tempo, tenha oferecido subsídios justamente para diminuir as passagens de ônibus que, ironicamente, serviram como estopim da revolta.

Ora, se o PT não é visto mais como representante popular pelos manifestantes (e nem tem projeto que o aproxime da juventude) e o PSDB é claramente a mão pesada da repressão, para onde os jovens podem se voltar? Além disso, como não têm uma causa específica a defender, estes empolgados rapazes e moças criam um problema impossível, já que não há solução viável que os acalme. Como resultado, surge apenas um clima imponderável de insatisfação política generalizada – um clima complexo, intenso, raivoso e insolúvel.

É deste tipo de contexto que nascem os golpes.

E esta não seria uma solução que desagradaria os barões da mídia – lembrem-se das manchetes de O Globo pós-golpe em 64.

Claro que esta não é a única resolução possível para o quadro que se desenha. Uma revolução sem foco é uma revolução em busca de um líder, de um emblema, de uma figura messiânica. E não há, hoje, uma estrutura política mais equipada para preencher este vácuo que a direita religiosa.

A guinada reacionário-fascista, portanto, é uma possibilidade nada absurda para este movimento que nasce tão bem intencionado.

Isto, aliás, é que me deixa tão preocupado: os jovens que vi hoje na rua eram… lindos. Lindos. 

Felizes em seu papel democrático, acreditavam estar desempenhando uma função histórica fundamental. E estão. Mas se não surgir um foco para esta embrionária revolução, o perigo para que ela se desvirtue e seja cooptada pelo que temos de mais reacionário, conservador, atrasado e estúpido é real e imediato.

E veríamos, então, a destruição dos resultados trazidos por dez anos de um projeto político voltado de forma inédita para o crescimento social dos miseráveis. Ninguém duvida que, do ponto de vista social, o Brasil de 2013 seja infinitamente melhor que o de 2003. Mas se esta massa juvenil maravilhosa não encontrar o foco necessário, corremos um grande risco de regressarmos a 1993.

Foi isto, afinal, que me deixou tão triste após uma tarde de alegria ao lado daqueles admiráveis jovens.

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