sábado, 15 de junho de 2013

BRASIL247: HADDAD DIFERE DE ALCKMIN E CHAMA MPL AO DIÁLOGO

15.06.2013
Do portal do BRASIL247
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Cotidiano dos idosos é administrar aposentadoria e aumento de despesas

15.06.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Renata Giraldi

Brasília –  O cotidiano dos idosos é baseado geralmente na administração dos benefícios da aposentadoria com os gastos e o aumento de despesas. Dos 22,3 milhões de brasileiros, com mais de 60 anos, 3,7 milhões voltaram a trabalhar – em empregos fixos ou temporários. Muitos se queixam das dificuldades, pois ajudam parentes e amigos. Pelo menos 15,8 milhões se dizem chefes de família.  

É o caso do marceneiro aposentado Manoel Lopes, de 61 anos. Lopes disse que sua sorte é ter casa própria, do contrário, sua vida seria mais difícil. “Eu gasto pouco e faço minhas economias, como não pago aluguel, dá pra viver. Não gasto com roupa, nada disso. Gasto muito pouco com medicamentos, coisinha de R$ 10 a R$ 15”, ressaltou.

Econômico, Lopes disse que sempre tenta ajudar um parente que esteja precisando de suporte financeiro. “De vez em quando ainda dá para ajudar um filho ou um neto que precise”, destacou o aposentado.

Lopes faz parte do perfil da pesquisa Idosos no Brasil, do Instituto DataPopular. O diretor do instituto, Renato Meirelles, fez o levantamento de dados com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),e entrevistas nas principais cidades das cinco regiões do país, de outubro a dezembro de 2012.

“Para o idoso, trabalhar é um valor a ser respeitado. Mas a maioria volta a trabalhar porque a aposentadoria é insuficiente”, disse Meirelles. “Mas todos têm muito orgulho de dizer que, embora aposentados, ainda trabalham”, acrescentou. “Na prática, o que muitos ganham por ter experiência perdem pela baixa escolaridade, infelizmente.”

O funcionário público aposentado Benedito da Rocha, de 73 anos, reclama das dificuldades financeiras e das despesas que têm com a mulher, que é diabética e sofre de doença de Chagas, fazendo uso de uma série de medicamentos. “Tá tudo muito caro. A inflação subiu e o salário não foi corrigido de acordo com esse aumento. Minha mulher tem diabetes e Chagas [doença]. Ela precisa de uma boa alimentação. Verdura é caro”, disse.

Estudo da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) mostra que renda familiar inferior a R$ 291 indica classe baixa. Se a renda familiar fica entre R$ 291 e R$ 1.019 aponta para a classe média.

Edição: Carolina Pimentel
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ESCÂNDALOS TUCANOS:O modo tucano de governar. Porrada!

15.06.2013
Do BLOG DO MIRO, 14.06.13
Por Altamiro Borges

De Paris, onde se encontrava em missão institucional, o governador tucano Geraldo Alckmin deu a ordem: protesto "é caso de polícia". No final da tarde de ontem (13), a PM seguiu à risca a determinação e baixou a porrada nos manifestantes que ocuparam as ruas centrais de São Paulo para exigir a redução da tarifa do transporte público. Antes mesmo do início do protesto, cerca de 40 pessoas foram detidas arbitrariamente e levadas ao 78º Distrito Policial. Quatro horas depois, enquanto os ativistas gritavam "sem violência", a tropa de choque disparava balas de borracha, lançava centenas de bombas de gás e prendia outras 180 pessoas.

A manifestação pública, a quarta da série na capital paulista, reuniu mais de 15 mil pessoas, superando as expectativas mais otimistas dos organizadores. Fora alguns atos isolados de vandalismo, que podem até ter sido praticados por provocadores infiltrados, ela transcorreu de forma pacífica na maior parte do tempo. A ação truculenta da PM, orientada por um governador simpático ao Opus Dei e cercado de notórios fascistas no Palácio dos Bandeirantes - um dos seus assessores é líder da seita Endireita Brasil -, acirrou os ânimos e foi a principal culpada pelas cenas de guerra na cidade, que resultou em mais de 200 pessoas feridas. 

Até colunistas que não podem ser acusados de antitucanos avaliam que a PM está descontrolada. "Arruaça policial", registrou Janio de Freitas, para descrever a "estupidez inútil da violência armada" nos últimos dias. Elio Gaspari, que acompanhou o protesto de ontem, não vacilou em afirmar que "o distúrbio em São Paulo começou com a Tropa de Choque". A própria mídia tucana, que antes exigia o endurecimento no trato com os manifestantes - da mesma forma como fez na sua cruzada pelo golpe militar de 1964 contra o "perigo comunista" - agora reconhece que a PM tucana está exagerando na dose, beirando a barbárie.

Para quem acompanha a trajetória elitista e autoritária do tucanato, as cenas de violência desta terça-feira não surpreendem. Logo que tomou posse como presidente da República, em 1995, FHC acionou as tropas do exército contra a greve dos petroleiros. Refinarias foram ocupadas e a repressão foi brutal, visando "quebrar a espinha dorsal" do sindicalismo, segundo confessou na época um assessor presidencial. No seu reinado, o MST foi alvo de inúmeras ações violentas. Já em São Paulo, a repressão desmedida da PM tucana já virou rotina. Os próprios policiais civis foram vítimas dela num famoso ato em frente ao Palácio dos Bandeirantes. O "modo tucano de governar" inclui a porrada, a violência, o desrespeito às lutas sociais!
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Sicsú: “Se você quer ver um Brasil em crise, leia os grandes jornais”

15.06.2013
Do blog VI O MUNDO
Por Luiz Carlos Azenha


Um ping-pong com João Sicsú, autor dos Dez Anos que Abalaram o Brasil. O livro será lançado no mês de julho. O autor é professor de economia da UFRJ, não é filiado a partido político e é colunista da CartaCapital.

Viomundo: Abalaram como?

JS. A história brasileira foi sempre construída e escrita pelas elites. Nos dez anos de governos de Lula e Dilma o povo entrou em cena. Encontrou emprego, renda e ganhos sociais. Mostro nolivro com números quanto o Brasil de hoje está diferente e melhor do que aquele país sem esperança dos anos 1990.

Viomundo: Abalaram só para o bem? 

JS. Não. O livro não é “chapa branca”. Eu penso que os governos do PT acertaram muito, muito mesmo, mas erraram também. Mostro, por exemplo, que não contribuíram para desconcentrar os meios de comunicação. Apresento números: somente os canais da TV Globo receberam ano passado mais que meio bilhão de reais do governo federal em verbas de publicidade.

Viomundo: E o abalo de agora, pelo menos o que aparece nos jornais?

JS. As notícias reais são boas: a inflação está em queda, há sinais fortes de recuperação da produção industrial, o investimento voltou a crescer e até o câmbio se desvalorizou para ajudar a competitividade dos produtos brasileiros. Se você quer ver um Brasil em crise, leia os grandes jornais. Se você quer conhecer o Brasil real, vá aos números do IBGE e saia às ruas para conversar com o povo trabalhador.

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Corredor da 4ª perimetral do Recife terá edital lançado neste sábado

15.06.2013
Do portal do DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 14.06.13
Por Tânia Passos

BR-101 - 4ª perimetral do Recife - Secretaria das Cidades/ Divulgação
A Secretaria das Cidades vai relançar no Diario Oficial, deste sábado, o edital de licitação do corredor da BR-101, no contorno Recife, que corresponde a 4ª perimetral. O edital havia sido lançado em março deste ano, mas foi suspenso a pedido do DNIT.O projeto contempla um corredor nos moldes do BRT (Bus Rapid Transit) ou Transporte Rápido por ônibus. A liberação do edital ocorre menos de uma semana depois do governador Eduardo Campos pedir ao presidente do órgão mais agilidade na liberação.
Veja na íntegra, a nota encaminhada pelo DNIT à Secretaria das Cidades.
Foi aprovada pelo DNIT, em Brasília, no último dia 11 de  junho, por intermédio de sua Diretoria Colegiada, edital de licitação da Restauração do Anel Viário de Recife, obra a ser realizada pelo Governo de Pernambuco, em conformidade com Instrução Normativa do Ministério dos Transportes. Trata-se de uma parceria entre o Governo Federal e o Governo de Pernambuco para revitalizar a BR-101/PE (Anel Viário de Recife), com obras que trarão melhoria para a mobilidade urbana da cidade.
A Obra prevê a Reabilitação do Pavimento, Melhoramento, Adequação da Capacidade e Segurança Rodoviária e Implantação do Sistema de Transporte Rápido de ônibus – TRO/BRT, tendo como interveniente executora a Secretaria das Cidades de Pernambuco.
Enquanto não são iniciadas as obras de revitalização, o DNIT mantém um contrato de Conservação, do tipo tapa-buracos, que é o serviço recomendado e economicamente viável, antecedendo a um obra que vai atuar na estrutura do pavimento, garantindo nova vida útil ao leito estradal.

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Show de abertura da Copa vai reproduzir festa da torcida brasileira em estádios

15.06.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Danilo Macedo

Brasília - Com os olhares do mundo voltados para a cidade, Brasília sedia hoje (15) a festa de abertura da Copa das Confederações. O evento é um teste para a Copa do Mundo de 2014, que também será disputada no Brasil, e conta com a participação de seleções que conquistaram, juntas, 12 títulos mundiais. O Brasil e o Japão jogarão a primeira partida da competição às 16h, mas, às 14h25, o show já começa no Estádio Nacional Mane Garrincha, com a cerimônia de abertura.

Os organizadores da apresentação, que terá 20 minutos e será feita por 2.800 voluntários, prometem mosaico, bandeirão e grito de gol. O objetivo é reproduzir em campo a festa que a torcida brasileira costuma fazer nos estádios. O carnavalesco Paulo Barros, bicampeão do carnaval do Rio de Janeiro, desenvolveu um espetáculo de danças e cores que homenageará a diversidade da cultura brasileira e os oito países participantes: o Japão, a Nigéria, Espanha, o Uruguai, Taiti, a Itália e o México, além do Brasil.
A trilha sonora usará elementos do samba, maracatu e da cultura indígena e ritmos típicos dos demais países participantes. As seis cidades-sede da Copa das Confederações também serão homenageadas com referências aos seus principais pontos turísticos. Além de Brasília, as cidades de Fortaleza, Belo Horizonte, Salvador, do Rio de Janeiro e do Recife receberão jogos.
Segundo a Fifa, 8.492 pessoas se inscreveram para ser voluntárias na cerimônia de abertura, das quais 2.600 foram selecionadas para o corpo artístico que fará a performance e 200 para o apoio nos bastidores. Ao todo foram 100 horas de ensaios e 31 sessões de audições. Serão utilizadas 2.800 fantasias, 1.500 adereços, produzidos por 15 costureiras e 50 aderecistas. Cerca de 4 toneladas de alumínio e 20 mil metros de tecidos foram usados na confecção das fantasias. Artistas circenses e soldados do Exército também participarão das coreografias.
A Fifa pede aos torcedores que cheguem mais cedo ao estádio para, além de acompanhar e torcer na primeira partida, aproveitar o show de abertura. A presidenta Dilma Rousseff, alguns ministros e o presidente da Fifa, Joseph Blatter, participarão da cerimônia e assistirão o jogo no camarote VIP do estádio.
Edição: Graça Adjuto
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MPL, tucanos e polícia — o PT tem de ser incomodado e incomodar

15.06.2013
Do Blog Palavra Livre, 14.06.13
Por Davis Sena Filho 


O que mais chamou a atenção até agora nos protestos de estudantes liderados pelo Movimento Passe Livre (MPL) em várias capitais do País, notadamente em São Paulo, não foi a infiltração de grupos de extrema direita nas manifestações e muito menos a participação da esquerda que faz oposição ao governo trabalhista, por intermédio das siglas PSTU e PSOL, ao tempo em que compõe com os interesses da direita, como no caso do senador Randolfe Rodrigues (PSOL/AP) que foi pessoalmente dar apoio ao juiz Gilmar Mendes no episódio em que o magistrado, equivocadamente e ditatorialmente, impediu que o Congresso legislasse sobre o projeto de lei que trata das novas regras sobre criação de partidos políticos.

Randolfe Rodrigues e outros senadores, a exemplo de Cristóvam Buarque e Rodrigo Rollemberg, comportam-se como verdadeiros quinta colunas, e, por se conduzirem politicamente dessa forma, insurgiram-se, vergonhosamente, contra a instituição da qual são membros, o Senado, além de “rasgarem” a Constituição, que não deixa dúvida alguma quanto ao papel dos Três Poderes da República. Comportaram-se dessa maneira para atender os seus interesses e os da senhora Marina Silva, que precisa, urgentemente, regularizar o seu partido Rede Sustentabilidade, que é apenas mais uma agremiação conservadora, com verniz progressista, como o é o PSOL, que em Minas Gerais por pouco não ficou nas mãos da direita.

Contudo, o que me chamou a atenção realmente foi a PM paulista, conhecida historicamente por sua violência, pois tradicionalmente sempre se comportou como uma guarda pretoriana de defesa dos interesses de classe e do patrimônio da burguesia paulista. Juntamente com a Polícia Civil, a PM paulista se tornou emblemática no País, por sua atuação assassina na repressão a militantes de grupos de esquerda no decorrer de 21 anos de ditadura militar.

É sintomática a participação da PM no que tange à repressão exagerada tão a gosto dos políticos do PSDB, que, no poder, sempre se valeram das corporações policiais para reprimir os movimentos sociais e populares, tanto no campo quanto na cidade, a exemplo dos massacres de Pinheirinho e de Eldorado dos Carajás. Dois acontecimentos que são os símbolos maiores das inúmeras repressões promovidas por mandatários do PSDB, partido divorciado do povo brasileiro, porque simplesmente se distanciou dos interesses da população e hoje se conduz como agremiação política conservadora cujos políticos são vistos como testas de ferro do establishment.

Afirmo ainda que há uma certa estranheza no ar no que concerne aos líderes do MPL e das lideranças estudantis, muitos deles vinculados a partidos políticos, o que é legítimo e natural, recusarem-se a dialogar com a Prefeitura, conforme informou hoje o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, à “grande” imprensa. Haddad disse que o aumento de R$ 0,20 já era anunciado desde o ano passado e por isso não pegou ninguém de surpresa. O mandatário petista afirmou ainda que o aumento da tarifa de ônibus “é muito abaixo da inflação”, sendo que o menor dos últimos três anos. O prefeito disse também que a majoração da passagem em apenas R$ 0,20 somente foi possível porque a Prefeitura subsidiou a tarifa com recursos orçamentários da ordem de R$ 600 milhões, além de deixar claro que está aberto ao diálogo.

Entretanto, lembro ao leitor que o MPL questiona e realiza movimentos desde os tempos do prefeito Gilberto Kassab (PSD), político que foi aliado dos tucanos e que atualmente é importante aliado do governo trabalhista da presidenta petista Dilma Rousseff. Não esqueçamos, porém, que o PSD faz parte da base política e partidária do governo federal, além de ser a terceira maior bancada do Congresso, menor apenas que as do PT e do PMDB.

Mesmo a encerrar a parceria com os tucanos e ser considerado traidor pelos barões da imprensa e seus jornalistas porta-vozes de interesses patronais, Kassab nunca foi atacado com ênfase e agressividade como os áulicos da imprensa corporativa dedicam aos políticos do PT. Esse comportamento é devido à esperança de que algum dia Kassab retorne às hostes da direita, apesar de ser um político conservador. Por isto e por causa disto, a imprensa de negócios privados nunca atacou com violência exagerada o ex-prefeito e o “protegeu” ao esconder das principais manchetes de seus jornais o Movimento Passe Livre (MPL), o que, evidentemente, não ocorre na administração de Fernando Haddad, político do PT.

Essa realidade é visível e transparente como as águas do mar sem poluição. Somente não enxerga quem não quer, por motivos políticos e ideológicos ou por alienação. Todavia, asseguro que considero o MPL um movimento legítimo e que o protesto, a manifestação e as críticas são partes integrantes da democracia e, consequentemente, do estado democrático de direito, que permite a liberdade de expressão e a de reivindicar. Por seu turno, acho que o PT precisava de uma sacudida, a fim de perceber que as reformas econômicas e sociais têm de ser realizadas e concretizadas com mais rapidez, menos burocracia e maior vontade política para resolver as questões e os conflitos sociais.

Afinal, o PT é um partido reformista, e, seguramente, não é revolucionário, como muitos de seus integrantes o são, mas que, no momento, não têm voz ativa e cargos importantes para que se pudesse agilizar e, quiçá, efetivar as reformas tão necessárias para o desenvolvimento do povo brasileiro, a exemplo das reformas agrária, tributária e política. Esses processos são, historicamente, combatidos, por aqueles que controlam os meios de produção, e que têm ainda muita força e influência no Congresso, no STF, na PGR, nos Ministérios Públicos, nas confederações e federações empresariais rurais e urbanas e no próprio Palácio do Planalto, que forma um governo de coalizão.

Somente os lorpas e os pascácios, como diria o conservador e genial Nelson Rodrigues, confundem o programa de governo e o projeto de Pais dos governos trabalhistas do PT com as alianças sacramentadas que tem o propósito de viabilizar a governabilidade, o que seria impossível em um País como o Brasil, de tamanho continental, e características e interesses políticos regionais e estaduais. A verdade é que essas pessoas não conhecem os bastidores e se comportam como amadores, no sentido de não perceberem que as alianças são necessárias para governar, sem que, obviamente, o partido e o governante que conquistou o poder não rasgue o programa de governo apresentado à população, bem como não esqueça do seu passado, como aconteceu com o ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso, conhecido também como o Neoliberal I.

Por isso que pessoas como Marina Silva, Cristóvam Buarque, Rodrigo Rollemberg, Eduado Campos, Heloísa Helena, Alfredo Sirkis, Fernando Gabeira, Randolfe Rodrigues, Pedro Simon, além de Pedro Taques e Álvaro Dias, os dois últimos políticos midiáticos e replicadores contumazes das manchetes oposicionistas e golpistas da imprensa burguesa e alienígena, não têm credibilidade perante o povo, e, por conseguinte, suas figuras ficam restritas ao mundo da classe média tradicional, como já afirmei mais de mil vezes, conservadora, reacionária, preconceituosa e portadora dos valores e dos princípios dos ricos, que estão cansados de usá-la para seus interesses políticos e de consumo, bem como igualmente cansados de barrar tal classe despolitizada na porta de seus bailes à black tie e regados à champanhe.

Para finalizar, digo que o PT e o governo petista liderado pela presidenta Dilma Rousseff abram os olhos, caminhem nas ruas e voltem a fazer o que sempre fizeram: apertar a mão do povo e ver de perto a sua realidade. O PT e o governo trabalhista de Dilma Rousseff não deve jamais titubear, vacilar e muito menos perder a disposição quando se trata de distribuir renda e riqueza para que o povo brasileiro possa se emancipar e nunca mais ficar á mercê dos herdeiros da casa grande, que escravizaram seres humanos no decorrer de quatro séculos ou mais. O PT é reformador, apesar de ter, volto a repetir, em seus quadros e em seus diversos grupos políticos militantes revolucionários.

Abrir mão das reformas para compor com as “elites” nababescas, perdulárias, colonizadas e entreguistas e dessa forma evitar ser alvo de ataques e campanhas negativas são erros políticos e estratégicos graves. Quem conquista o poder tem de ser incomodado, mas também tem o dever de incomodar os que sempre puderam mais e que estão a controlar os meios de produção e as terras improdutivas rurais e urbanas. O Brasil tem muito dinheiro e pode melhorar a vida dos brasileiros. As desigualdades envergonham o povo brasileiro, que é o maior grupo social, o mais importante, o melhor, o que trabalha e o que quer mudanças e reformas para se livrar da miséria, da pobreza, e, por sua vez, da violência.

O MPL tem razão, mas deve dialogar e não ficar à mercê de grupelhos fascistas, como ocorreu nas manifestações. O PT é um partido orgânico, inserido nos principais segmentos e setores da sociedade. O governo do PT e dos seus aliados efetivam há 11 anos uma política econômica e social de distribuição de renda e de riqueza, que é combatida diuturnamente e ferozmente pelo patronato brasileiro, pelos partidos que os representam (PSDB, DEM, PPS e PSOL) e fundamentalmente pela imprensa golpista.

Os barões midiáticos que desde 1930, quando o trabalhista e estadista Getúlio Vargas assumiu o poder, boicotam, sabotam e se acumpliciam até com as forças estrangeiras para derrubar os políticos do campo do trabalhismo e do socialismo, realidade esta que aconteceu em 1964 quando deram um golpe de estado e derrubaram o trabalhista João Goulart — o Jango. O PT tem de cumprir totalmente o seu programa de governo e para isso precisa agilizar as reformas. A presidenta Dilma Rousseff tem força para política para aprová-las. Se a imprensa mercadológica e os grupos reacionários querem realmente criticar e fazer oposição sistemática ao governo trabalhista, que eles pelo menos tenham uma razão concreta e palpável. O PT tem de pisar no acelerador e deixar para o PSDB o perfume da massa cheirosa. Esses tucanos leram sobre revoluções, mas não compreendem o que é revolução. É isso aí.
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Adriano Diogo: “Infiltraram policiais civis e militares no meio da garotada para incitar a violência”

15.06.2013
Do blog VI O MUNDO, 14.06.13
Por  Conceição Lemes


Na próxima terça-feira, os deputados estaduais Adriano Diogo e Beth Sahão (PT) proporão  à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) a  convocação do comandante da Polícia Militar (PM), para dar explicações sobre barbárie dessa quinta-feira, 13 de junho.

“Nos últimos dias, o governo Alckmin prometeu intensificar a repressão nas próximas manifestações de rua. Ao anunciar isso publicamente, ele deu a senha para a repressão abusiva, descabida, desnecessária da PM”, atenta Adriano Diogo, que preside a Comissão. “Os policiais atiraram em jovens, jornalistas, pessoas que estavam passando… Barbarizam mesmo para forçar uma reação violenta.”

“Embora o metrô e o trem tenham aumentado, o governo Alckmin, nas entrevistas, só se refere ao aumento do ônibus, para atingir o governo Haddad”, prossegue o deputado. “É uma ação pensada, bem orquestrada, com vistas à eleição de 2014, e com o objetivo de desmoralizar o PT.”

“Nessas horas, dá perceber claramente o que nós já sabemos: a  estrutura policial da ditadura permanece intacta, principalmente os setores de inteligência, como a P2 [serviço reservado da PM] e a tropa de choque”,  denuncia Adriano. “Infiltraram policiais civis e militares à paisana no meio da garotada para incitar a violência. Ninguém me contou, eu vi um bando de profissionais em provocação – não eram estudantes! –,  quebrando vidro, fazendo bandidagem.”

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Folha e Estadão estimularam violência da PM e foram atendidos

15.06.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 14.06.13

De forma desonesta e irresponsável, Estadão e Folha incitaram a violência da PM em editoriais publicados antes do massacre de ontem. Ambos foram atendidos

violência PM São Paulo
Estadão e Folha incitaram a violência da PM em editorial (Foto: ABr)
Durante o quarto protesto por conta do aumento da tarifa de ônibus hoje em São Paulo, seis repórteres do grupo Folha foram alvejados à queima-roupa por um policial da Rota, na rua Augusta, em São Paulo. A bala era de borracha, mas os estilhaços feriram 6 profissionais. Dois deles, nos olhos. Essa foi apenas uma das dezenas de cenas de violência protagonizadas pela Polícia Militar do Estado de São Paulo nesta quinta-feira na capital paulista. As prisões, muitas com indícios de arbitrariedade, contam-se às dezenas.
Poucas horas antes, pela manhã, os dois maiores jornais do Estado chegavam às bancas e às casas dos assinantes com editoriais defendendo uma ação mais dura da PM. O Estadão incitou a violência dos policiais claramente. A Folha, por sua vez, colocou a desocupação da avenida Paulista como ponto de honra, desde o título. Ambos foram atendidos:

“Chegou a hora do basta”, O Estado de S. Paulo:

“A PM agiu com moderação, ao contrário do que disseram os manifestantes, que a acusaram de truculência para justificar os seus atos de vandalismo (…) A atitude excessivamente moderada do governador já cansava a população. Não importa se ele estava convencido de que a moderação era a atitude mais adequada, ou se, por cálculo político, evitou parecer truculento. O fato é que a população quer o fim da baderna – e isso depende do rigor das autoridades (…) De Paris, onde se encontra para defender a candidatura de São Paulo à sede da Exposição Universal de 2020, o governador disse que “é intolerável a ação de baderneiros e vândalos. Isso extrapola o direito de expressão. É absoluta violência, inaceitável”. Espera-se que ele passe dessas palavras aos atos e determine que a PM aja com o máximo rigor para conter a fúria dos manifestantes, antes que ela tome conta da cidade.”
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“Retomar a Paulista”, Folha de S. Paulo:

“É hora de pôr um ponto final nisso. Prefeitura e Polícia Militar precisam fazer valer as restrições já existentes para protestos na avenida Paulista (…) No que toca ao vandalismo, só há um meio de combatê-lo: a força da lei”.
Lino Bocchini, CartaCapital
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Carlos Menem condenado por contrabando de armas

15.06.2013
Do portal da Revista Carta Maior, 14.06.13
Por Página/12

O ex-presidente argentino Carlos Menem foi condenado a sete anos de prisão pela venda ilegal de armas à Croácia e ao Equador, uma operação realizada entre 1991 e 1995. A Justiça considerou Menem coautor do delito de contrabando qualificado e condenou-o a sete anos de prisão. O ex-presidente não irá para a cadeia ainda, porque há possibilidade de recurso e ele goza de foro privilegiado por ser senador.

Buenos Aires - Em um processo que já se estende por dezoito anos, o ex-presidente argentino Carlos Menem foi condenado pela venda ilegal de armas a Croácia e ao Equador. A Justiça considerou Menem coautor do delito de contrabando agravado e condenou-o a sete anos de prisão. O ex-presidente não irá para a cadeia ainda, porque há instâncias de recurso. Junto com a sentença, os juízes pediram a suspensão do foro privilegiado que ele tem como senador. Menem conseguiu: ele se converteu no primeiro ex-presidente democrático a ser condenado com uma pena de prisão.

Menem, de 82 anos, não assistiu ao pronunciamento do veredito alegando questões de saúde. Seu advogado, Maximiliano Rusconi, apresentou um atestado médico que afirma que o ex-presidente sofre de diabetes hipertensão arterial e “angústia”, necessitando de repouso absoluto.

A decisão converteu Menem no primeiro ex-presidente da democracia a receber uma pena de prisão. No entanto, para que essa pena seja efetivada será preciso uma autorização do Senado e a confirmação da sentença pela Corte Suprema. E mesmo no caso disso tudo ocorrer, Menem poderá pedir o benefício da prisão domiciliar por ser maior de 70 anos.

Junto com ele também foi condenado seu ministro da Defesa, Oscar Camilión, que tampouco foi à audiência por razões médicas. Camilión recebeu uma pena de cinco anos e seis meses de prisão pelo mesmo delito de contrabando qualificado. A justiça também determinou condenações de 4 e 5 anos de prisão a outros dez acusados e ordenou o pagamento de quase 900 mil dólares para cinco deles, soma relacionada às propinas que os mesmos teriam cobrado para participar do contrabando de armas.

O advogado de Menem anunciou que apelará ante a Câmara de Cassação para rever o tamanho da pena. “Esta segunda parte do julgamento é disparatada e digna de ficção científica. O mesmo tribunal que o absolveu hoje impõe essa pena contra sua própria vontade. Se houve um contrabando foi ao não se cumprir o destino das armas fixado nos decretos presidenciais”, sustentou Rusconi na defesa do ex-mandatário.

Os juízes Luis Imas, Jorge Pisarenco e Gustavo Losada consideraram provado o objetivo de lucro que guiou toda operação, realizada entre 1991 e 1995, quando foram enviadas 6,5 toneladas de armas e munições para dois países em guerra, Croácia e Equador, adulterando os certificados de destino como se as mesmas estivessem sendo destinadas para a Venezuela e o Panamá. 

Assinalaram, como agravante da pena contra Menem, o fato de que ele era o presidente do país, razão pela qual gozava de uma “posição única”. Observaram ainda que a operação colocou “em risco de vida” os soldados argentinos que estavam nos Balcãs integrando forças da ONU.

Menem e os demais processados tinham sido absolvidos em um primeiro julgamento, em setembro de 2011, mas a Câmara Federal de Cassação revogou essa decisão e determinou que o tribunal revisasse as penas contra doze dos dezessete acusados originais.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
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Brasil abre Copa das Confederações com desafio de convencer o mundo

15.06.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL
Por  Futepoca 

Partida de estreia contra o Japão vai testar o futebol da seleção e a capacidade de organização local
maracana
Este é o momento de sanar dúvidas sobre a capacidade do país de sediar o torneio. Ou de confirmá-las
Preparativo para o Mundial de Futebol, a Copa das Confederações do Brasil começa hoje (15), com a partida entre a Seleção Brasileira e o Japão. Os anfitriões têm como desafio convencer sua própria torcida e o mundo, dentro e fora do gramado. Enquanto o escrete de Luiz Felipe Scolari precisará mostrar coesão e capacidade como time, com a maior parte dos nomes debutando em uma competição desse porte, a organização do evento estará na mira do planeta. O primeiro evento esportivo de uma série que terá a própria Copa, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016, é uma prova de fogo, depois de seis anos de preparação e polêmicas.
Dentro de campo, a equipe de camisas amarelas, que tem em Neymar a principal estrela, enfrenta o Japão. Os campeões asiáticos vão à capital federal para, primeiro, mostrar que são bons na vida real, e não só no videogame. Falam até em ser campeões, recorrendo a um zagalístico esquema tático 4-2-3-1, de Alberto Zaccheroni. O técnico italiano reuniu um perfil de atletas mais encorpados física e tecnicamente. Kagawa, que atua no Manchester United, é o principal nome. Na defesa, há atletas maiores e mais fortes do que o perfil "só correria" que se via em selecionados anteriores.
Do lado de fora, as dificuldades para retirar, o clima de casa mal acabada e todas as dúvidas sobre a capacidade de organização e planejamento de grandes eventos vai estar no centro das atenções. Além de Brasília e de seu Estádio Nacional Mané Garrincha, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador também abrigarão partidas. Ainda sem Fuleco, mas já com a bola Cafusa, todas as dúvidas serão sanadas (ou confirmadas).

O brasileiro médio, que torce pela seleção – com ou sem bandeirinha no vidro do carro, com ou sem camisa amarela, com ou sem decorar a rua para a festa – e dá uma pausa na vida cotidiana para acompanhar uma partida que vale taça, vai estar dividido nas expectativas. De um lado, para superar o ceticismo diante de Hulk e outras incógnitas da nova Família Scolari. De outro, para ver o que o país foi capaz de fazer.

Então, parafraseando o saudoso Fiori Gigliotti, que se abram logo as cortinas e comece o espetáculo.
Mowa Press

Norio Nakayama/Flickr


Neymar, pelo Brasil, e Nakata, pelo Japão, são bons motivos para ver o jogo de estreia da Copa das Confederações 2013, no Brasil. Como se precisasse de razões adicionais...
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Jornalista agredida pelas costas pela PM fala ao Blog

15.06.2013
Do BLOG DA CIDADANIA, 14.06.13
Por Eduardo Guimarães
A jornalista Gisele Brito é paulista, tem 27 anos e é repórter da Rede Brasil Atual, empresa jornalística que congrega veículos de rádio e televisão, veículos impressos e um portal de internet, e que é parceira do Blog da Cidadania há vários anos. A RBA está divulgando matéria em que relata o ocorrido com a sua repórter.
Em resumo, na última quinta-feira, em São Paulo, Gisele, no exercício de sua profissão, ao cobrir os protestos contra aumento do preço do transporte público foi vítima de uma agressão impressionante por ter sido praticada por um tenente da Polícia Militar, que, apesar de informado por ela de que estava ali trabalhando como jornalista, agrediu-a pelas costas.
A jovem jornalista atendeu prontamente à solicitação do Blog para lhe conceder uma entrevista e se mostrou especialmente conhecedora da questão que investiga com seu trabalho, oferecendo opiniões interessantes e surpreendentemente racionalizadas – após ter sofrido o que sofreu – sobre o problema que vem afetando grandes centros urbanos do país todo.
Confira, a seguir, a entrevista com Gisele e seu relato impressionante dos métodos de uma Polícia absolutamente despreparada para o fim que justifica sua existência, o de proteger o cidadão, demonstrando que foi pensada, pura e simplesmente, como força punitiva em lugar de uma força promotora de segurança.
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Blog da Cidadania – Gisele, o que foi que aconteceu com você nessa manifestação em São Paulo na última quinta-feira? Em qual dos pontos da manifestação você estava?
Gisele Brito – Eu cobri [a manifestação] pela Rede Brasil Atual desde o início, às cinco da tarde. Subi com os manifestantes vindo do centro, pela Consolação, onde ocorreu o primeiro confronto com a Polícia – Que foi… Que é bem agressiva, é importante frisar, porque, mais do que uma agressão direta, como aconteceu comigo, o gás que ela usa é muito agressivo – e, então, houve uma dispersão grande em direção à [avenida] Amaral Gurgel.
Depois voltei à Consolação, minutos após a dispersão, e resolvi subir até a [avenida] Paulista, porque, parecia, lá é que estariam os acontecimentos. Permaneci por ali durante umas duas horas, período em que aquela avenida ficaria interditada para o trânsito.
Os manifestantes tentavam, a qualquer preço, chegar à Paulista pelas ruas transversais, mas havia vários bloqueios e eles não conseguiam. Havia muito gás, muita bomba, então eu não tenho precisão. Mas por volta das nove e meia a Tropa de Choque, a Rocam e a Cavalaria começaram a sair da Paulista e eu voltei com a massa.
Naquele momento encontrei um outro veículo do Terra, a gente estava comentando sobre a violência e procurando um lugar para se sentar, para escrever a matéria e uma equipe da Polícia portando cassetetes veio na direção dos manifestantes, que vinham na nossa direção – estávamos no meio dos dois grupos – e, então, me agrediram.
Blog da Cidadania – Você foi agredida enquanto estava sentada?
Gisele Brito – Na primeira vez que me machuquei não estava mais sentada, eu tinha me levantado e corrido porque estava claro que a gente não poderia mais ficar ali sentados. Eu me levantei, corri e até bati numa pessoa que vinha em direção contrária, os meus óculos se quebraram e meu olho direito ficou machucado. Aí fiquei um pouco desnorteada e dei as costas à Polícia, mas eu não tinha intenção de correr porque ali no Masp tem uma espécie de um degrau que dá para um vão livre e dali não há por onde sair.
Como não tinha para onde ir, fiquei parada, achando que ficar quietinha ali me salvaria. Foi então que recebi a primeira cacetada, na nuca…
Blog da Cidadania – Um momento, Gisele: você foi atacada pelas costas?
Gisele Brito – Fui. E, depois, levei cacetada nas pernas, também nas nádegas e, quando me virei, já gritando que era jornalista e que estava trabalhando, levei com o cassetete no rosto.
Blog da Cidadania – Como era o policial que a agrediu?
Gisele Brito – Chamou-me atenção que era um dos poucos policiais negros, ali. Registrei bem o rosto dele.
Blog da Cidadania – Após ser agredida, o que fez?
Gisele Brito – Fui me abrigar com um grupo de policiais, onde achei que ficaria mais segura. Até porque eu queria falar com o chefe daquele grupamento para fazer um relato [da agressão], mas não consegui…
Blog da Cidadania – Uma pergunta, Gisele: você esteve na manifestação anterior?
Gisele Brito – Estive na penúltima, em Pinheiros. Não na anterior, pois estava acamada. Nessa última, fui designada [pela RBA] para cobrir.
Blog da Cidadania – Você notou alguma mudança no comportamento da Polícia? Você acha que ela estava mais violenta? A sua visão é a de que a Polícia está em um crescendo de violência?
Gisele Brito – É difícil dizer violência, Eduardo, porque, como eu disse, o gás é muito violento e em todas as manifestações houve uso de gás. Mas, assim, a postura na Paulista foi diferente, eu acho, porque não tinha manifestantes.
Eu vi os policiais jogando gás em ruas vazias. Eu suponho que foi para impedir que entrassem [na avenida], porque o gás fica no ar um período. A Polícia permaneceu na Paulista, durante muito tempo, sem que tivesse aglomeração. Quem fechou a Paulista, ontem, foi a Polícia.
Nos dois atos que eu cobri, como jornalista, percebi que em todos os confrontos a Polícia não usou o gás para terminá-los, mas para direcionar para onde a marcha iria, para dispersar a massa.
Blog da Cidadania – Andam dizendo que a pessoa que se identifica como jornalista achando que com isso obterá respeito do policial, predispõe esse mesmo policial a agredir por que a Polícia, supostamente, não gosta de jornalistas. O que você acha dessa afirmação?
Gisele Brito – Ah, não sei… Não sei se percebi isso na situação que eu vivi…
Bem, o repórter da Carta Capital fez um vídeo em que o policial ironiza o fato de ele ser repórter. Dizia: “Pode filmar, pode filmar…”, mas não percebi isso pessoalmente.
O que eu acho é que o próximo ato vai ser maior, porque a violência policial infla a causa dos manifestantes. Mas acho que os repórteres, por certo, vão ter uma postura mais cuidadosa e isso pode comprometer a capacidade deles de mostrar o que está acontecendo.
Para você poder relatar uma agressão que alguém está sofrendo ou mesmo uma agressão que a Polícia estiver sofrendo é necessário que você esteja onde as coisas estão acontecendo e se nesses lugares o trabalho do jornalista não é assegurado pela Polícia, eu imagino que a postura do jornalista vai ter que ser diferente.
Eu, por exemplo, agora teria muito medo de me encontrar sozinha com o policial que me agrediu.
Blog da Cidadania – Gisele, sabemos que esse tipo de confronto violento entre manifestantes e policiais ocorre inclusive em países ricos. A sua percepção é a de que as coisas se desenrolam aqui como naqueles países ou aqui o resultado desses confrontos é diferente, para pior?
Gisele Brito – A nossa Polícia tem problemas de modo geral. Agora: se ali, na Paulista, cheio de repórteres, cheio de câmeras, com manifestantes, em grande parte estudantes da maior universidade do país, sendo muitos de classe média, acontece tudo aquilo, o que não acontece nas periferias?
Imagine o que ocorreu nos atos da M’Boi Mirim, imagine como é nas noites do Capão, nas noites do Clímaco, nas ocupações…
Eu acho que a gente tem uma Polícia que não está preparada para lidar com a cidadania. Infelizmente, a gente tem um passivo do período escravocrata, dos períodos ditatoriais e que não foram passados a limpo e, assim, temos a mesma Polícia hoje.
Eu cobri o primeiro julgamento do Carandiru. O que me chamou a atenção é que os policiais que foram julgados, bem como seus advogados, dizem que a Polícia entrou no presídio para “evitar mortes de presos” porque os presos estariam numa briga que poderia gerar tais mortes. Bom, essa mesma Polícia gerou 111 mortos.
A Polícia fechou a Paulista para impedir que os manifestantes impedissem o trânsito e foi a Polícia que impediu o trânsito. Ela vai dizer que tentou impedir a violência, mas ela praticou a violência. A gente não tem uma Polícia preparada.
Blog da Cidadania – Gisele, você acredita que esse movimento contra o aumento das passagens teria como mudar de métodos para que a situação não chegasse a esse ponto de tensão ou você acha que os manifestantes estão numa linha correta que não tem o que mudar por estarem fazendo o que precisa ser feito e como deve ser feito?
Gisele Brito – Eu concordo com as pessoas que estão na linha de frente do Movimento Passse Livre (MPL). É uma manifestação muito grande e você não tem como controlar todas as pessoas.
Eu vi, várias vezes, brigas, discussões entre os manifestantes porque um queria tacar fogo, fazer uma barricada com fogo e outro achava que essa não seria a melhor estratégia. Algumas pessoas querendo destruir lixeiras e outras dizendo que aquilo não deveria ser feito. Algumas pessoas querendo impedir o fluxo do trânsito e outras dizendo que aquilo não era a melhor coisa a se fazer…
Ontem eu vi o designado pela manifestação para negociar com a Polícia. Parecia ser um rapaz de não mais de vinte anos e estava tentando negociar…
Eu acho que o pessoal da organização do MPL não tem como evitar que um ou outro faça atos de vandalismo.
Blog da Cidadania – Desculpa, Gisele, uma pergunta: o que você descreve parece um movimento anárquico. Seria isso ou não é bem isso?
Gisele Brito – Não, acho que não é um movimento anárquico.
Blog da Cidadania – Então tem uma organização centralizada?
Gisele Brito – Tem uma organização central, mas o MPL é composto por muitos grupos. Tem pessoas de partidos tentando mediar, tem organizações sindicais fazendo mediação, mas, também, tem, aparentemente, grupos de anarquistas.
É um movimento que faz “uma nova política”, que está fora dos partidos, com movimentos sociais que assumem, que falam, que vão à frente, e com uma molecada que está no Facebook e que discute os detalhes das marchas, por onde vão etc., na rede social.
Para o pessoal mais maduro parecem meio anárquicos, mas eles têm uma organização.
Blog da Cidadania – Você acredita, Gisele, que se essa organização dissesse “Nós não vamos à rua”, as pessoas não iriam mesmo ou iriam de qualquer jeito? Complementando, vi um dirigente do MPL dando entrevista ao Estadão e o que ele dizia era que se o seu grupo anunciasse que não iria à rua não adiantaria nada porque alguns iriam de uma forma ou de outra.
Você acha que o MPL mantém, ainda, condição de impedir alguma coisa?
Gisele Brito – Ontem começaram a surgir vários perfis “fakes” no Facebook convocando uma manifestação para hoje [sexta-feira, 14].  Porém, no perfil oficial do MPL foi anunciado que não, que a manifestação seria para segunda ou terça-feira, não me lembro direito…
O ato, quem chama, é o perfil do MPL no Facebook. Se o MPL não tivesse chamado o primeiro ato, as pessoas não teriam se organizado espontaneamente. Mas acho que se o perfil do MPL não fizer novas convocações, outras pessoas vão fazer e vão se reproduzir na internet do mesmo jeito.
Blog da Cidadania – Então o movimento ficou incontrolável e as pessoas estão mesmo saindo de casa e indo àquele lugar para fazer o ato independentemente de qualquer orientação…
Pergunto: suponhamos que o governo recue da decisão de não reduzir o preço das passagens. Você acha que o movimento ficaria satisfeito com isso ou seria possível que continuasse na rua até obter a tarifa zero?
Gisele Brito – Eu acho que o movimento continuaria existindo pela tarifa zero…
Blog da Cidadania – Mas nesse molde em que está?
Gisele Brito – Não sei… Acho que se a tarifa baixasse o ato perderia força. No entanto, o objetivo do MPL é convencer as pessoas de que elas têm direito de usar o transporte público sem pagar. Primeiro, estão fazendo campanha pela redução, que é mais factível pôr na cabeça das pessoas, pois muita gente ainda acredita que tem que pagar para usar o transporte público.
Mas eu acho que daqui a seis meses ou daqui a duas semanas, eles voltariam [à rua] para pedir a tarifa zero… Mas também não sei porque não sou da organização.
Blog da Cidadania – Gisele, por sua proximidade profissional ao ter que cobrir as ações desses movimentos, você conseguiu descobrir se em alguma outra metrópole de qualquer outra parte do mundo que tenha um sistema de transporte público tão grande e complexo, com metrô, existe um sistema de tarifa zero para todos, indiscriminadamente?
Gisele Brito – Faz mais ou menos um ano fiz uma entrevista com o Lucio Gregori, secretário municipal de transportes de São Paulo na gestão de Luiza Erundina [1989-1992]. Ele foi a primeira pessoa, em São Paulo, que propôs a tarifa zero.
Seu projeto baseava-se em cobrar imposto progressivo [onde os mais ricos pagam mais] e com esse dinheiro bancar o transporte público; ele dizia que essa é uma decisão meramente política.
Blog da Cidadania – O que se nota, Gisele, é que é uma tese para a humanidade, porque o que eu pude apurar – e é isso que eu quero que você me responda, porque até agora tem sido difícil de obter essa resposta – é que em pequenas cidades dos Estados Unidos ou da Europa, por exemplo, tem passe livre, ou tarifa zero. Mas sobre grandes metrópoles, com metrô, sistema viário complexo, etc., não se tem notícia de nenhuma que dê transporte de custo zero para todos. Você saberia se existe algum centro urbano que chegou a isso?
Gisele Brito – Acho que algumas pessoas citaram, em algumas matérias, mas eu não me lembro, de cabeça…
Mas, enfim, acho que a gente paga R$ 3,20 de tarifa e se a gente cobrasse imposto de toda a população poderíamos pelo menos ter um custo menor. Se não fossem só os trabalhadores – que usam o transporte público – que pagassem, a gente poderia diminuir.
Blog da Cidadania – Gisele, seria lícito concluir que parte da sociedade não confia mais nas Casas Legislativas para travar esse debate? Ou seja: esse setor da sociedade entenderia que os políticos não estão se sensibilizando e, assim, recorre a uma postura do tipo “Daqui a gente não sai se não baixar a tarifa” e, depois, “Daqui a gente não sai se a tarifa não for zero”?
Seria isso?
Gisele Brito – Eu acho que é uma coisa que pode estar acontecendo na sociedade, mas essa descrença total não é a principal característica. O Passe Livre, aqui em São Paulo, teve grande participação de vereadores, que se juntaram à causa e chegaram a levantar que haveria inconsistência nos valores das tabelas de custos apresentadas à prefeitura.
Esses vereadores, neste ano, não estão dando apoio ao Passe Livre. Mas o que eles disseram, em audiência pública, é que o preço das tarifas não é estabelecido pelo Legislativo, mas por decreto do Executivo.
Nesse aspecto, há uma proposta interessante do prefeito Fernando Haddad para usar os recursos da Cide para subsidiar o transporte público.
Blog da Cidadania – Agora uma questão pessoal. Após o trauma porque passou por conta dessa covardia da Polícia, você se sente preparada para voltar a cobrir essas manifestações outras vezes. E você não acha que o governador Geraldo Alckmin, com as suas declarações um tanto quanto intolerantes, estaria estimulando a sua Polícia a se sentir liberada para “descer o pau” nos manifestantes?
Gisele Brito – É, as declarações do Alckmin são sempre nessa direção. Quando você diz que “Quem não reagiu está vivo”, está sinalizando, para a Polícia, nessa direção. O policial deve saber o que faz ou não com uma arma na mão, mas as declarações do governador não têm sido exatamente felizes.
Blog da Cidadania – E o seu preparo para continuar esse trabalho, Gisele?
Gisele Brito – Eu vou continuar, é o meu trabalho, eu não tenho opção. Eu sou uma trabalhadora como qualquer outro. Mas com certeza eu e outros jornalistas vamos estar com medo e esse medo irá atrapalhar o nosso desempenho.
Blog da Cidadania – Pois é, Gisele, trata-se de um drama contemporâneo e urbano. Todo trabalhador deve sentir exatamente isso, numa cidade como São Paulo. Sai de casa todo dia sabendo que pode ser agredido, pode tomar um tiro até da Polícia…
Enfim, Gisele, acho que todos estamos muito tristes com tudo isso e, neste caso em particular, quero me solidarizar com você e colocar este espaço à sua disposição.
Gisele Brito – Obrigada.
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