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quinta-feira, 13 de junho de 2013

O BRASIL QUE DILMA ENXERGA PASSA LONGE DOS JORNAIS

13.06.2013
Do portal BRASIL247

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A presidente Dilma está a ponto de repetir a decisão do ex-presidente Lula, que, em 2005, decidiu parar de ler os jornais e tocar o governo adiante; Palácio do Planalto já detectou operação orquestrada (que mais uma vez dará com os burros n'água) para pedir a cabeça do ministro Guido Mantega, e enxerga um país com uma situação econômica bem diferente da que vem sendo pintada com tintas pesadas na mídia; radar de Brasília capta desemprego baixo, inflação em queda, produção industrial em alta e contas públicas em ordem; imagem do Brasil real contempla programas como o "Minha Casa Melhor", que facilitará a aquisição de bens pela população mais pobre, uma Copa das Confederações que começa no próximo sábado e a continuidade da inclusão social, com programas como o PAC da Rocinha

247 - Na longa entrevista que concedeu ao sociólogo Emir Sader, sobre os primeiros dez anos do PT no poder, o ex-presidente Lula afirmou que uma de suas decisões mais importantes foi tomada em 2005. Naquele ano, no auge do escândalo do chamado "mensalão", ele parou de ler os jornais e decidiu tocar o governo adiante. Seguindo a orientação do jornalista e amigo Ricardo Kotscho, decidiu que era hora de "menos Brasília e mais Brasil". Resultado: Lula foi reeleito e terminou seu segundo mandato como o presidente mais popular da história do País.

No Brasil de hoje, a presidente Dilma Rousseff está a ponto de repetir a decisão tomada por Lula em 2005. Incomodada com o retrato que vem sendo pintado pelos grandes jornais e revistas, sobre um Brasil supostamente em crise, a presidente enxerga uma realidade completamente distinta. Nas lentes do Palácio do Planalto, o que existe hoje no Brasil real é um país com a menor taxa de desemprego da série histórica do IBGE, com a inflação em queda (e caminhando para o centro da meta em 2014), com recuperação da produção industrial e contas públicas em ordem. Além disso, um fracasso anunciado, como a Copa das Confederações (cujos estádios ficariam prontos só em 2039 segundo uma revista semanal) começa no próximo sábado. E as políticas de inclusão social, como o "Minha Casa Melhor", que facilita a compra de eletrodomésticos, e o PAC 2 da Rocinha, ajudam a atrair as classes D e E para o mundo do consumo, realimentando o crescimento.

No entanto, editoriais de jornais apontam um Brasil à beira do abismo e a presidente Dilma já identificou um movimento claro, orquestrado e que, mais uma vez, dará com os burros n'água. Trata-se de um ataque especulativo que tem, como objetivo central, exigir a cabeça do ministro da Fazenda, Guido Mantega. O início se deu com um artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, logo após a recente alta dos juros, quando ele afirmou que a presidente teria que "beijar a cruz". Depois disso, a revista The Economist pediu, novamente, a cabeça do ministro Mantega – desta vez, de forma irônica, sugerindo que ele ficasse, imaginando que, assim, Dilma o demitiria. Na sequência, Merval Pereira sinalizou que mesmo a troca de Mantega por Alexandre Tombini ou qualquer outro nome não funcionaria – uma vez que a política econômica é da presidente Dilma. E hoje, Carlos Alberto Sardenberg, uma voz que representa interesses do mercado financeiro, pede explicitamente a volta de Antonio Palocci ou de um nome que venha a ser uma espécie de tutor do governo, acima da autoridade presidencial.

Este pedido não será atendido por uma presidente que, apesar das turbulências, ainda desfruta de alta popularidade e se mantém confiante na eficácia de sua política econômica.

Da mesma forma, também não será acatada a sugestão feita pelo governador Eduardo Campos de que a presidente siga o exemplo de FHC e convide todos os presidenciáveis para discutir rumos para o Brasil, como FHC fez em 2002. Naquele ano, o risco-Brasil superava dois mil pontos. Hoje, o Brasil é um país com grau de investimento. Lá atrás, o Brasil vivia o maior desemprego de sua história. Hoje, o menor.

Ou seja: ainda que se possa fazer mais (o que sempre é possível), Dilma não vê um país à beira do abismo. E está a ponto de abandonar o hábito da leitura dos jornais. Ao menos, dos cadernos de economia.
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/poder/105214/O-Brasil-que-Dilma-enxerga-passa-longe-dos-jornais.htm

BOICOTE DA OPOSIÇÃO: Aécio, o “Moço do Restelo”

13.06.2013
Do BLOG DO MIRO, 
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Aécio Neves vestiu a carapuça e reagiu às declarações de Dilma Rousseff de que no Brasil existem muitos que são como o “Velho do Restelo”, personagem de Camões que ficava agourando a partida das naus portuguesas que partiam para as conquistas “d”além mar”.


Diz ele na Folha:

“Não serão ataques fortuitos e fora do tom à oposição que vão permitir que a inflação volte ao controle. Muita serenidade nessa hora. Que a queda nas pesquisas não afete o humor da presidente. Ela tem que planejar o país, o que não foi feito até agora.”

Como assim, Aécio?

Não tem planejamento?

Quando é que teve, no Governo Fernando Henrique?

Tinha um programa de investimentos públicos como o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC?

Tinha um programa de habitação, por mínimo que fosse, semelhante ao “Minha Casa, Minha Vida”?

Tinha um projeto como o Plano de Investimentos da Petrobras, de US$ 236,7 bilhões nos próximos cinco anos, ou estava apenas entregando as áreas petrolíferas às multinacionais?

Onde estão as usinas, as refinarias, as estradas de ferro, as obras públicas daquele período?

Ou será que tínhamos o “Bolsa-Família” ajudando milhões de pessoas a terem o mínimo para comer e sobreviver?

Aécio, Minas não tem mar, mas como você passa boa parte do tempo aqui no Rio de Janeiro,como diz o Estadão, por que não sai do circuito Ipanema-Leblon e dá um pulinho ali no Caju, para ver um imenso navio, de quase 330 metros de comprimento, sendo transformado em plataforma de petróleo para o pré-sal, num estaleiro que estava reduzido a sucata quando o “dindinho” FHC estava (estava?) no leme do Brasil?

Como sei que sua praia é outra, ajudo colocando aqui o vídeo caseiro de um brasileiro comum, o Ricardo Cardoso, gravou, espantado com a grandeza da obra, em lugar de ficar aí, como faz o “Moço do Restelo”, dizendo que “não há projeto” aqui.

Aliás, se alguém desse ouvido ao “Aécio do Restelo” na época do Infante D. Henrique, Portugal jamais teria sido a potência que foi, indo “além da Taprobana” e por mares “nuca d’antes navegados”. Este “nunca d’antes” lembra alguém, Aécio?

E quais são os “projetos” os que você, Aécio, anuncia?

Combater a inflação taxando com alíquota mais alta do Brasil a luz que paga o povo de Minas, como a gente mostrou aqui, ou baixar a conta de luz, como fez Dilma, reduzindo impostos e apertando as concessionárias de energia?

Ah, não, você mesmo diz o que é, na mesma Folha:

“É preciso explicar às agências de rating internacionais que não está havendo inflação, deterioração das contas públicas”.

Você pode explicar isso, Moço do Restelo, como se fazia no tempo de Fernando Henrique.

Sem esquecer de tirar os sapatos, antes, claro.

Mas você vai ficar agourando como fez o Velho do Restelo à partida das naus de Vasco da Gama.

É inútil a dizer que não vai fazer isso para a Eliane Cantanhêde dizer que você é“bom moço” e, na mesma edição do mesmo jornal, entrar na onda do terrorismo inflacionário.

Bom ou mau, o Moço do Restelo vai ver as caravelas passarem.
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Os EUA no abismo, de Ellsberg a Snowden

13.06.2013
Do blog LIMPINHO & CHEIROSO, 
Por Paulo Moreira Leite em seu blog
EUA_Ellsberg_Manning_Assange_Snowden
Ellsberg, Manning, Assange e Snowden, os “traidores” do espírito norte-americano
A perseguição a Edward Snowden é um episódio típico de nosso tempo. Antigo funcionário da CIA, responsável pela revelação de que o governo norte-americano possui uma máquina de espionagem de dimensões que superam temores que até ontem comentaristas de ar arrogante definiriam como “paranoia”, Snowden é o mais novo fugitivo da liberdade de expressão.

Encontra-se no mesmo patamar no qual o soldado Bradley Manning aguarda julgamento, pelo vazamento de milhares de documentos do Departamento de Estado, que derrubaram diversas máscaras da diplomacia norte-americana. Também lhe faz companhia, claro, Julian Assange, o criador do WikiLeaks, até hoje à espera de um salvo-conduto na embaixada do Equador em Londres.

O patrono desses personagens típicos da sociedade de comunicação de massas chama-se Daniel Ellsberg, o cidadão que em 1971 fez o favor de revelar, pelo New York Times, os célebres papéis do Pentágono. Ali, um conjunto de documentos secretos mostrava que o governo dos EUA sabia perfeitamente que a guerra do Vietnã era uma causa perdida, mas preferia seguir enviando os jovens pobres e negros da América para a morte em vez de enfrentar a elite imperial norte-americana e negociar uma saída pacífica.

O destino de Ellsberg e de seus sucessores contém lições didáticas sobre nosso tempo. Ellsberg foi perseguido, julgado – e absolvido. Nos anos 1970, os Estados Unidos estavam em guerra e seu gesto foi tratado como uma traição, pois ele proporcionava “conforto ao inimigo”. O New York Times foi alvo de censura e, durante duas semanas, impedido de circular, fato raríssimo na história norte-americana.

Mas considerou-se que Ellsberg tinha o direito de revelar aos cidadãos norte-americanos informações que eram de seu legítimo interesse. Um esforço de agentes secretos da Casa Branca para desmoralizá-lo terminou em fiasco e seus detalhes vieram a público. Descobriu-se que homens de confiança do governo Nixon haviam tentado penetrar em seus arquivos médicos para retratá-lo como louco. Foi mais um motivo para que Ellsberg fosse considerado inocente, deixando o escândalo para entrar na história da luta contra a guerra do Vietnã e da liberdade de expressão.

Quatro décadas depois, a situação é outra. Não há hipótese de Bradley Manning ser considerado inocente, ainda que seja impossível apontar um único caso em que as informações que ajudou a revelar tenham ameaçado vidas humanas ou causado prejuízos a interesses legítimos da política externa norte-americana. Em nenhum momento se demonstrou que Manning não tinha o direito (ou quem sabe o dever) de divulgar as informações a que teve acesso.

Num sintoma do momento político, não se questiona a natureza de suas acusações nem se pergunta se o melhor local para um julgamento onde as liberdades civis estão em jogo é um tribunal militar, onde a questão disciplinar irá sobrepor-se sobre qualquer outra consideração.
Na perseguição a Assange, não falta sequer uma anedota pessoal, como ocorreu com Ellsberg. No caso, é uma obscura acusação de estupro feita na Suécia. No mundo de Ellsberg um “traidor” saiu livre do tribunal.

Herbert Marcuse, um dos mestres da contestação nos tempos de Ellsberg, fez uma crítica conhecida da sociedade contemporânea. Dizia que ela criava o homem unidimensional, aquele que não convivia com contradições nem conflitos, enxergando a realidade a partir de suas aparências e mistificações. Marcuse era uma ótima leitura nos anos de 1960, mas é curioso imaginar o que poderia ter escrito sobre o mundo de hoje.

Manning, Assange e Snowden não são personagens fora de lugar. São rebeldes num mundo conformista, onde a democracia costuma ser posta à prova com frequência surpreendente pelo governo norte-americano.

A perseguição implacável aos responsáveis pelo vazamento do WikiLeaks e pela reportagem que denunciou o tamanho da espionagem mundial dos EUA fazem parte da mesma máquina que produziu e protege Guantânamo, onde cidadãos acusados de terrorismo foram sequestrados e torturados e já passaram mais de dez anos na prisão.

Como não há provas substanciais contra eles além de inaceitáveis declarações prestadas sob tortura, que a decência impede que sejam chamadas de “confissões”, palavra que tem o pressuposto de terem como base a verdade, a única atitude razoável seria mandar todos para casa após tanto tempo.

Como ocorria no Vietnã, falta coragem – e força política – para enfrentar os erros e contradições do império. Não é pura coincidência que pelo menos um personagem tenha frequentado esses dois momentos.

A abertura dos arquivos das operações contra Ellsberg revelou que nos bastidores do governo Nixon já atuava um assessor presidencial chamado Donald Rumsfeld. Quatro décadas depois, como secretário de Defesa de George W. Bush, Rumsfeld foi denunciado pela liberação da tortura como método de investigação militar depois do 11 de setembro.

O personagem do momento é Barack Obama, que oferece uma nova prova de melancólica fraqueza política para dar um mínimo de coerência entre palavras e atos. Como Marcuse poderia ter dito, o homem unidimensional atingiu um nível absoluto no governo Obama. Suas decisões e gestos são movimentos de uma máquina implacável, que avança sobre direitos que se pensava sagrados e devora conquistas de valor histórico.

O desrespeito às liberdades individuais e privacidade de milhões de pessoas mostra uma postura sem freios nem pudores para defender aquilo que a Casa Branca considera seus interesses. Imagine o destino reservado a quem pretender confrontá-los, não é mesmo?
A própria sociedade norte-americana mudou. Há 40 anos, houve uma reação de solidariedade a favor de Ellsberg. Com o New York Times sob censura, o Washington Post, que havia tomado o furo, passou a divulgar os papéis do Pentágono, oferecidos pelo mesmo Ellsberg. E agora? Pouco a pouco, muitas publicações que divulgaram os textos do WikiLeaks preferiram tomar distância de Julian Assange.

O julgamento de Bradley Manning ocorre em ambiente de segredo, e isso não gera grande emoção dentro ou fora dos Estados Unidos. Edward Snowden já é descrito como “delator” pelos meios de comunicação – palavra que envolve um juízo negativo e aponta para a criminalização de um gesto político.

Em declaração recente, o já velhinho Ellsberg voltou à cena e declarou que a democracia encontra-se à beira do abismo, nos EUA – e é bom refletir sobre o que ele diz.

A GLOBO É O VELHO DO RESTELO. DILMA ENFRENTA

13.06.2013
Do blog CONVERSA AFIADA, 12.06.13
Por Paulo Henrique Amorim

 A “CRISE” Quem espalhou que ia ter apagão ? A Globo !

Na foto, o Velho do Restelo ou o Ataulfo Merval (*)
Saiu no Valor:

INFLAÇÃO E CONTAS PÚBLICAS ESTÃO SOB CONTROLE, DECLARA DILMA



BRASÍLIA  -  A presidente Dilma Rousseff aproveitou seu discurso de lançamento do programa “Minha Casa Melhor” para reafirmar o compromisso do governo com o controle da inflação e da política fiscal do país. A declaração da presidente acontece em momento em que o mercado financeiro questiona a redução das metas de superávit primário, o dólar sobe e o Banco Central tem de elevar juros.

“É muito importante que Brasil tenha visão de futuro condizente com situação real em que vive. A situação do Brasil é de inflação e contas públicas sob controle”, afirmou Dilma em seu discurso.

“Não há a menor hipótese de meu governo não ter política de controle e combate à inflação. Todos que apostam nisso são os mesmos que no início deste ano apostaram que teríamos problema sério de fornecimento de energia no país”, acrescentou a presidente fazendo menção às especulações feitas sobre o risco de um apagão energético no país.

Dilma classificou esse episódio como uma leviandade política. “Leviandade política é grave porque não afeta pessoas, mas um país”, afirmou a presidente, destacando que a especulação sobre o risco de apagão “saiu dos jornais, porque não era real”.

(Thiago Resende, Bruno Peres, Leandra Peres | Valor)



Clique aqui para ler “Globo constrói uma Primavera Árabe”, que emprega a mesma tecnologia: “nacionalizar” uma crise local.

aqui para ler “Kirchner e Pinochet: ruralistas querem atear fogo às estradas”.
(…)
Velho do Restelo. Dilma comparou os críticos do governo ao personagem “Velho do Restelo”, criado por Luís de Camões para o clássico “Os Lusíadas”. Conhecido por seu pessimismo, o personagem ficava sentado às margens das praias e não acreditava nas conquistas de Portugal durante as grandes navegações.

“Era um velho que ficava sentado na praia azarando, dizendo que as coisas não iam dar certo e que aquilo era uma manifestação de vã glória, ou seja, vaidade e impulso para o desconhecido e a derrota”, afirmou.

(…)


(*) Ataulfo de Paiva foi o mais medíocre – até certa altura – dos membros da Academia. A tal ponto que seu sucessor, o romancista José Lins do Rego quebrou a tradição e espinafrou o antecessor, no discurso de posse –http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=12297&sid=256 – . Daí, Merval merecer aqui o epíteto honroso de “Ataulfo Merval de Paiva”, por seus notórios méritos jornalísticos,  estilísticos, e acadêmicos, em suma. Registre-se, em sua homenagem, que os filhos de Roberto Marinho perceberam isso e não o fizeram diretor de redação nem do Globo nem da TV Globo. Ofereceram-lhe à Academia.
E ao Mino Carta, já que Merval é, provavelmente, o personagem principal de seu romance “O Brasil”.
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CORRUPÇÃO TUCANA: Justiça reconhece fraude na privatização da Vale

13.06.2013
Do blog LIMPINHO & CHEIROSO, 07.06.13


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Maíra Kubík Mano, via Blogão dos Lagos

Se você tivesse um cacho de bananas que valesse R$9,00, você o colocaria à venda por R$0,30? Óbvio que não. Mas foi isso que o governo federal fez na venda de 41% das ações da Companhia Vale do Rio Doce para investidores do setor privado, em 1997. Eles pagaram R$3,3 bilhões por uma empresa que vale perto de R$100 bilhões. Quase dez anos depois, a privatização da maior exportadora e produtora de ferro do mundo pode ser revertida.

Em 16 de dezembro do ano passado, a juíza Selene Maria de Almeida, do Tribunal Regional Federal (TRF) de Brasília, anulou a decisão judicial anterior e reabriu o caso, possibilitando a revisão do processo. “A verdade histórica é que as privatizações ocorreram, em regra, a preços baixos e os compradores foram financiados com dinheiro público”, afirma Selene. Sua posição foi referendada pelos juízes Vallisney de Souza Oliveira e Marcelo Albernaz, que compõem com ela a 5ª turma do TRF.

Entre os réus estão a União, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Eles são acusados de subvalorizar a companhia na época de sua venda. Segundo as denúncias, em maio de 1995 a Vale informou à Securities and Exchange Comission, entidade que fiscaliza o mercado acionário dos Estados Unidos, que suas reversas de minério de ferro em Minas Gerais eram de 7.918 bilhões de toneladas. No edital de privatização, apenas dois anos depois, a companhia disse ter somente 1,4 bilhão de toneladas. O mesmo ocorre com as minas de ferro no Pará, que em 1995 somavam 4,97 bilhões de toneladas e foram apresentadas no edital como sendo apenas 1,8 bilhão de toneladas.

Outro ponto polêmico é o envolvimento da corretora Merrill Lynch, contratada para avaliar o patrimônio da empresa e calcular o preço de venda. Acusada de repassar informações estratégicas aos compradores meses antes do leilão, ela também participou indiretamente da concorrência por meio do grupo Anglo American. De acordo com o TRF, isso comprometeu a imparcialidade da venda.

A mesma Merrill Lynch, na privatização da Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF) da Argentina, reduziu as reservas declaradas de petróleo de 2,2 bilhões de barris para 1,7 bilhão.

Nova perícia

Depois da venda da Vale, muitas ações populares foram abertas para questionar o processo. Reunidas em Belém do Pará, local onde a empresa está situada, as ações foram julgadas por Francisco de Assis Castro Júnior em 2002. “O juiz extinguiu todas as ações sem apreciação do mérito. Sem olhar para tudo aquilo que nós tínhamos dito e alegado. Disse que o fato já estava consumado e que agora analisar todos aqueles argumentos poderiam significar um prejuízo à nação”, afirma a deputada federal doutora Clair da Flora Martins (PT/PR).

O Ministério Público entrou com um recurso junto ao TRF de Brasília, que foi julgado no ano passado. A sentença determinou a realização de uma perícia para reavaliar a venda da Vale. 

No próximo passo do processo, as ações voltam para o Pará e serão novamente julgadas. 

Novas provas poderão ser apresentadas e os réus terão que se defender.

Para dar visibilidade à decisão judicial, será criada na Câmara dos Deputados a Frente Parlamentar em Defesa do Patrimônio Público. A primeira ação é mobilizar a sociedade para discutir a privatização da Vale. “Já temos comitês populares em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pará, Espírito Santo, Minas Gerais e Mato Grosso”, relata a deputada, uma das articuladoras da frente.

“Precisamos construir um processo de compreensão em cima da anulação da venda da Vale, conhecer os marcos gerais dessas ideias a partir do que se tem, que é uma ação judicial, e compreendê-la dentro de um aspecto mais geral, que é o tema da soberania nacional”, acredita Charles Trocate, integrante da direção nacional do MST. Ele participa do Comitê Popular do Pará, região que tem forte presença da Vale.

Entre os marcos da privatização, que serão estudados e debatidos nos próximos meses nos comitês, está o Plano Nacional de Desestatização, de julho de 1995. A venda do patrimônio da Vale fez parte de uma estratégia econômica para diminuir o déficit público e ampliar o investimento em saúde, educação e outras áreas sociais. Cerca de 70% do patrimônio estatal foi comercializado por R$60 milhões, segundo o governo. “Vendendo a Vale, nosso povo vai ser mais feliz, vai haver mais comida no prato do trabalhador”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 1996. A dívida interna, entretanto, não diminuiu: entre 1995 e 2002 ela cresceu de R$108 bilhões para R$654 bilhões.

Na época, a União declarou que a companhia não custava um centavo ao Tesouro Nacional, mas também não rendia nada. “A empresa é medíocre no contexto internacional. É uma péssima aplicação financeira. Sua privatização é um teste de firmeza e determinação do governo na modernização do Estado”, afirmou o deputado Roberto Campos (PPB/SP) em 1997. No entanto, segundo os dados do processo, o governo investiu R$2,71 bilhões durante toda a história da Vale e retirou R$3,8 bilhões, o que comprova o lucro.

“O governo que concordou com essa iniciativa não tinha compromisso com os interesses nacionais”, diz a deputada doutora Clair.

Poder de Estado

A Vale se tornou uma poderosa força privada. Hoje ela é a companhia que mais contribui para o superávit da balança comercial brasileira, com 54 empresas próprias nas áreas de indústria, transporte e agricultura.

“Aqui na região de Eldorado dos Carajás (PA), a Vale sequestra todo mundo: governos municipais e governo estadual. Como o seu Produto Interno Bruto é quatro vezes o PIB do estado Pará, ela se tornou o estado econômico que colonizou o estado da política. Tudo está em função de seus interesses”, coloca Charles Trocate.

Trocate vivência diariamente as atividades da empresa no Pará e a acusa de gerar bolsões de pobreza, causados pelo desemprego em massa, desrespeitar o meio ambiente e expulsar sem-terra e indígenas de suas áreas originais.

“Antes da privatização, a Vale já construía suas contradições. Nós temos clareza de que a luta agora é muito mais ampla. Nesse processo de reestatização, vamos tentar deixar mais claro quais são as mudanças que a empresa precisa fazer para ter uma convivência mais sadia com a sociedade na região”, diz Trocate. De acordo com um levantamento do Instituto Ipsos Public Affairs, realizado em junho de 2006, a perspectiva é boa: mais de 60% dos brasileiros defendem a nacionalização dos recursos naturais e 74% querem o controle das multinacionais.

Patrimônio da Vale em 1996

● maior produtora de alumínio e ouro da América Latina
● maior frota de navios graneleiros do mundo
● 1.800 quilômetros de ferrovias brasileiras
● 41 bilhões de toneladas de minério de ferro
● 994 milhões de toneladas de minério de cobre
● 678 milhões de toneladas de bauxita
● 67 milhões de toneladas de caulim
● 72 milhões de toneladas de manganês
● 70 milhões de toneladas de níquel
● 122 milhões de toneladas de potássio
● 9 milhões de toneladas de zinco
● 1,8 milhão de toneladas de urânio
● 1 milhão de toneladas de titânio
● 510 mil toneladas de tungstênio
● 60 mil toneladas de nióbio
● 563 toneladas de ouro
● 580 mil hectares de florestas replantadas, com matéria-prima para a produção de 400 mil toneladas/ano de celulose

Fonte: Revista Dossiê Atenção – “Porque a venda da Vale é um mau negócio para o país”, fls. 282/292, da Ação Popular nº 1997.39.00.011542-7/PA.

Quanto vale hoje

● 33 mil empregados próprios
● participação de 11% do mercado transoceânico de manganês e ferro-liga
● suas reservas de minério de ferro são suficientes para manter os níveis atuais de produção pelos próximos 30 anos
● possui 11% das reservas mundiais estimadas de bauxita
● é o mais importante investidor do setor de logística no Brasil, sendo responsável por 16% da movimentação de cargas do Brasil, 65% da movimentação portuária de granéis sólidos e cerca de 39% da movimentação do comércio exterior nacional
● possui a maior malha ferroviária do país
● maior consumidora de energia elétrica do país
● possui atividades na América, Europa, África, Ásia e Oceania
● concessões, por tempo ilimitado, para realizar pesquisas e explorar o subsolo em 23 milhões de hectares do território brasileiro (área correspondente aos territórios dos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte)

Fonte: 5ª Turma do TRF da 1ª Região
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