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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Deputado do PSDB quer impedir pronunciamentos em cadeia de rádio e TV da presidente

12.06.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

O aecista Marcus Pestana (PSDB-MG) apresentou projeto de lei para regulamentar a transmissão de pronunciamentos em cadeia de rádio e TV da presidente. Ele teve a ideia após contar 13 pronunciamentos de Dilma desde o início do mandato...

O PSDB está desesperado. Quer se manter na mídia, nem que para isso faça papel ridiculo como esse. Também foi de Marcus Pestana a ideia de, em janeiro, bater na porta da Procuradoria-Geral da República  para reclamar  da cor do casaco usado por ela durante pronunciamento de TV no qual anunciou a redução da tarifa de energia elétrica.

Na petição de janeiro, Pestana escreveu:"A presidente Dilma usou roupas vermelhas no pronun­ciamento oficial em uma cla­ra referência às roupas verme­lhas utilizadas na campanha de 2010 (...) fazendo alusão à cor do seu partido".

Mas o blazer  era rosa. E só o tucano viu vermelho

Será que o deputado tucano está com muito tempo ocioso?
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EMIR SADER: Extermínio de ornitorrincos no Brasil

12.06.2013
Do BLOG DO MIRO, 
Por Emir Sader, no sítio Carta Maior:

As coisas funcionam assim:

Um domingo a Veja denuncia que o governo teria pronto um plano para eliminar todos os ornitorrincos do território nacional.

À noite, o Fantástico, com uma reportagem cheia de detalhes, dando a impressão que já a tinha preparada, rogando aos espectadores para que façam algo para parar o extermínio. E, enquanto soa uma música dramática de fundo, diz que não façam por cada um de nós, mas pelos ornitorrincos.

No dia seguinte, a Folha intitula: "Feroz investida do governo contra os ornitorrincos". "Ameaça de extinção"

Na terça, o Jô coloca a pergunta: Vão desaparecer os ornitorrincos? Como os brasileiros não reagem frente à extinção dos ornitorrincos?

Miriam Porcão fala da escassez dos ornitorrincos, com seus reflexos na inflação e na pressão para novo aumento da taxa de juros.

FHC escreve sobre a indiferença do Lula e a incompetência gerencial do governo para proteger a vida de um animal que marcou tão profundamente a identidade nacional como o ornitorrinco.

Aécio diz que está disposto a por em prática um choque de gestão, similar ao que realizou em Minas, onde a reprodução dos ornitorrincos está assegurada.

Marina diz que a ameaça de extinção dos ornitorrincos é parte essencial do plano do governo da Dilma de extinção do meio ambiente. Que assim que terminar de conseguir as assinaturas para ser candidata, vai apelar a organismos internacionais a que intervenham no Brasil para evitar a extinção dos ornitorrincos.

Marcelo Freixo denuncia que são milícias pagas pelo governo os que estão executando, fria e sistematicamente, os ornitorrincos.

Em editorial, o Estadão afirma que o extermínio dos ornitorrincos faz parte do plano de extinção da imprensa livre no Brasil e que convocará reunião extraordinária da SIP para discutir o tema.

Um repórter do Jornal Nacional aborda o ministro da Agricultura, perguntando os motivos pelos quais o governo decidiu terminar com os ornitorrincos, ao que o ministro, depois de olhar o microfone, para saber se é do CQC, respondeu: Mas se aqui não há ornitorrincos! O repórter comenta para a câmera: No governo não querem admitir a existência do plano de extermínio dos ornitorrincos, que já está sendo posto em prática.

Começam a circular mensagens na internet, que dizem: "Hoje todos somos ornitorrincos" e "Se tocam em um ornitorrinco, tocam a todos nós".

Heloisa Helena declara que os ornitorrincos são só o princípio e que o governo não tem limites na sua atuação criminosa, os coalas e os ursos pandas que se cuidem.

Uma ONG com sede em Washington lança uma campanha com o lema: "Fjght against Brazilian dictatorship!! Save the ornitorrincs!!"

O Globo, Folha e o Estadão com a mesma manchete: Sugestivo silêncio da presidente confirma culpabilidade.

Colunista do UOL diz que, de fonte segura, lhe disseram que o governo, diante da péssima repercussão do seu plano de exterminar os ornitorrincos, decidiu retroceder.

Todos os jornais editorializam, no final da semana, que os ornitorrincos do Brasil estão salvos, graças à heroica campanha da imprensa livre.

(Este artigo é a simples tradução e adaptação dos nomes para personagens locais, de um texto que corre nas redes da Argentina. As coisas funcionam assim lá e aqui).
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QUEM APÓIA DEBORAH PARA A PGR ?

12.06.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

A quem esse “site” presta contas ?

Como se sabe, Burburinho noticiou que o brindeiro Gurgel – clique aqui para ver que ele tem um Guardião para espionar, mas diz que não usa – desautorizou a vice-procuradora.

O que significa isso?, perguntou o ansioso blogueiro ao Oráculo de Delfos, que deu para passear em Brasília e acompanhar a queda do Gurgel – em 38 dias ele desce à planície e se encontra com Collor.

- Oráculo, amigo, como interpretar esse rompimento público, escancarado, uma ruptura no seio da Procuradoria Geral da República ?

- Hum, hum, você acha, meu filho ?

- O que, Oráculo ?

- Que foi um rompimento, uma ruptura no seio da PGR ?

- É o que parece …

- Parece mas pode não ser.

- Como assim, caro Oráculo ?

- Durante quatro anos ela esteve com o Gurgel. Um mês antes de ele cair fora, ela rompe … Por que não rompeu antes, quando ele fez o que fez?

- E fez o que não fez …

- Exatamente !

- É, de novo, Oráculo, a sua sabedoria começa a me impressionar…

- Vamos supor …

- Supor todo mundo pode …

- Vamos supor que ela, a Procuradora Deborah Duprat, seja a candidata do zé Cardozo … esse com “z” minúsculo, não é isso ?

- Exatamente !

- … vamos supor que o zé com “z” minúsculo defenda o nome dela para suceder o Gurgel…

- Se essa suposição for verdadeira, um rompimento, assim, em cima da hora, poderia ser útil.

- Mas, veja, meu filho essa é só uma suposição. 

- Claro, claro. 

- Agora, o que não é suposição é um site que se denomina “247” apoiar abertamente a candidatura dela. Chega a dizer que Gurgel pode ter nomeado a Duprat para o seu lugar ! 

(Clique aqui para ir ao “247”, mas saia depressa !, recomenda o Oráculo)

- Mas, esse site não engana ninguém, Oráculo.

- A mim e a você não engana. Mas, pode enganar outros …

- Desculpe, Oráculo, mas na minha modesta opinião, essa “notícia” serve apenas para explicitar um apoio que, talvez, a Procuradora preferisse repelir.

- É verdade.

- Sim, quem gostaria, a essa altura, de merecer o apoio da dupla  – Daniel Dantas ?

- Nem pensar !

Pano rápido.

Navalha
Veja a seguir os documentos que mostram a relação de um certo jornalista de nome Attuch com Carla Cicco, que exerceu a presidência da Brasil Telecom, quando presidida por Dantas.
(Cicco fugiu do Brasil antes de ser presa com o chefe e nunca mais pôs os pés aqui.)
Cicco recomenda o acima citado para prestar serviços de “informação” a alguém que, supostamente, prestava serviço de “informação” a ela – e a Dantas.
Estamos aí no âmbito da Operação Chacal que, segundo o Mino, se o Brasil fosse sério, já bastava para encarcerar Dantas.
Clique aqui para ler o histórico voto do Ministro Celso de Mello que deu, contra Dantas, decisiva vitória a Klouri e a Paulo Henrique Amorim.




Paulo Henrique Amorim
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COLLOR AO 247: "GURGEL É UM DÉSPOTA IGNORANTE"

12.06.2013
Do portal BRASIL247

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Senador Fernando Collor (PTB/AL), único parlamentar que confronta abertamente as atitudes de Roberto Gurgel, saiu em defesa da subprocuradora Deborah Duprat, que foi afastada do cargo pelo chefe, em função de uma divergência de opinião. “Foi um desrespeito, uma covardia e uma atitude antidemocrática tomada por um cidadão que nunca esteve à altura do cargo”, diz ele. Questionado por Collor sobre a compra de equipamentos de escuta telefônica pelo Ministério Público, Gurgel confirmou. “Ele montou um aparato de espionagem”

247 – Único parlamentar do Congresso que confronta abertamente as atitudes do procurador-geral Roberto Gurgel, o senador Fernando Collor saiu em defesa da subprocuradora Deborah Duprat, afastada do cargo nesta terça-feira, por decisão do chefe. “Gurgel demonstrou o que realmente é: um déspota ignorante, que não aceita ser contrariado”, disse Collor ao 247. “A subprocuradora Deborah Duprat exerceu seu direito pleno, ao manifestar sua opinião no plenário do Supremo Tribunal Federal”.

Mais do que uma atitude antidemocrática, Collor apontou também um desrespeito e uma atitude covarde. “Dentro de um mês, o senhor Gurgel não será mais o procurador-geral da República”, disse ele. “Por isso, não fazia o menor sentido punir uma pessoa que apenas tinha uma posição divergente da sua”.

Reportagem da Agência Brasil, publicada nesta terça, aponta que a divergência de opiniões motivou o afastamento. Leia abaixo:

Gurgel dispensa número 2 da Procuradoria após confronto de ideias

Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, dispensou hoje (11) a subprocuradora Deborah Duprat do cargo de vice-procuradora-geral. A informação foi confirmada no início desta noite pela assessoria da Procuradoria-Geral da República (PGR), que não justificou o ato. Não há previsão de substituto para o cargo.

Na semana passada, enquanto estava em representação oficial na Espanha, Gurgel foi confrontado duas vezes por sua vice. A divergência de opiniões oficiais no Ministério Público é possível porque os procuradores não são obrigados a seguir a posição de seus superiores hierárquicos. Deborah Duprat concorre em lista tríplice à chefia da Procuradoria-Geral da República, que ficará vaga em agosto.

O primeiro embate de ideias ocorreu durante julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), quando Deborah discordou do parecer de Gurgel contra o projeto de lei que limita a criação de partidos. "Se fossem duas partes em conflito entre si, eu me conservaria calada, mas acredito que esse é um importante e perigoso precedente. Eu sei que o doutor Gurgel esteve bastante preocupado a respeito disso, mas me preocupa a preservação do espaço democrático de discussão", disse Deborah.

No dia seguinte, ela se manifestou favoravelmente à proposta que criou mais quatro tribunais federais no país. Gurgel ainda não havia emitido opinião sobre o caso, pois alertava que a questão poderia ser judicializada e não descartava que a iniciativa poderia partir do próprio Ministério Público.

Com a dispensa, Deborah volta a exercer apenas o cargo de subprocuradora-geral. Atualmente, o quadro de subprocuradores-gerais tem  61 integrantes.

Em outro embate com Gurgel, Collor o questionou sobre a compra de aparelhos Guardião, pelo Ministério Público, que fazem grampos telefônicos. Na resposta, o procurador-geral confirmou a aquisição dos equipamentos, mas afirmou que os mesmos foram cedidos à Polícia Federal, que é quem tem o poder de realizar investigações. "Isso demonstra a urgência na aprovação da PEC 37", diz Collor. "O MP, com o senhor Gurgel, montou um aparato clandestino para bisbilhotar a vida das pessoas".

Segundo Collor, a resposta de Gurgel demonstra que o procurador-geral se contradiz ao confirmar a cessão dos equipamentos à PF. "Se ele próprio afirma que cedeu os grampos à Polícia Federal, porque sabe que o MP não tem o poder de sair investigando a vida das pessoas, acaba se colocando também à favor da PEC 37".

Leia, abaixo, o questionamento feito pelo senador Fernando Collor (PTB/AL): 
Leia, ainda, as respostas de Gurgel:
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MÍDIA GOLPISTA: CGU desmente UOL sobre Bolsa Família

12.06.2012
Do blog MARIAFRÔ

A íntegra do referido Relatório de Avaliação do Programa Bolsa Família está disponível no link:http://sistemas.cgu.gov.br/relats/uploads/2427_%20relatorio_bolsa_familia_10012013.pdf

Nota da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre o bolsa Família

Assessoria de Comunicação Social CGU

11/06/2013

Tendo em vista a repercussão, inclusive no Congresso Nacional, da notícia publicada pelo site UOL, em 10/06/2013, sobre o programa Bolsa Família, a Controladoria-Geral da União (CGU) sente-se no dever de esclarecer o que segue:

1. Os relatórios de fiscalização analisados pela reportagem compõem a 37ª edição do Programa de Fiscalização a partir de Sorteios Públicos, que abrangeu 58 municípios, e não podem ser analisados isoladamente, pois constituem apenas uma das etapas do processo de avaliação sistemática que a CGU realiza neste como em outros programas federais, por meio da acumulação dos dados de várias fiscalizações, em determinado período. No caso específico do Bolsa Família, o último Relatório de Avaliação feito pela CGU e publicado em 2012 compreende o período de 2007 a 2011 e engloba fiscalizações realizadas em 401 municípios,

2. Os dados desse trabalho demonstram que o Bolsa Família possui índices de irregularidades baixos, consideradas a complexidade e a enorme capilaridade do programa, que beneficia 13 milhões de famílias, em todo o território nacional. Por isso mesmo, o programa conta com a participação cooperativa das três esferas da federação, que inclui a União, os Estados e mais de cinco mil municípios.

3. O Relatório de Avaliação demonstrou, dentre outras conclusões, que, de uma amostra de 11.686 famílias visitadas, apenas 278 (2,4%) tinham renda superior à estipulada pela legislação.

4. Quando se verificam tais irregularidades, o MDS adota providências imediatas, acionando as prefeituras, responsáveis pela revisão do cadastro, para as devidas correções. Nesse aspecto específico, a CGU verificou que as prefeituras obedecem a tais determinações de correção, tendo apurado que em 89,3% dos casos (ou seja, 358 dos 401 municípios da amostra) foram adotadas as medidas corretivas.

5. Ainda que se pretenda considerar a recente fiscalização de 58 munícipios pelo Programa de Sorteio como base suficiente para uma nova avaliação, os resultados continuam sendo amplamente favoráveis à gestão do Bolsa Família, uma vez que os fatos destacados na reportagem são pontuais e isolados, podendo afirmar-se que se situam entre 1 e 4% do total.

6. Por outro lado, no que se refere à divulgação de pagamento de benefícios a pessoas mortas, cabe destacar que isso não significa necessariamente irregularidade, uma vez que, pela lei, a família não perde o direito ao benefício, pelo fato da morte de um de seus membros. Isso pode até, a depender do caso, representar um aumento da necessidade pela redução da renda familiar.

7. Em conclusão, reafirma-se aqui que o Bolsa Família é um programa de governo com baixíssimos índices de irregularidades, as quais, quando ocorrem, são apuradas pelo próprio Governo Federal, por meio do seu órgão de Controle Interno (CGU), em parceria permanente com o ministério gestor, o MDS, que tem dado, sempre, respostas prontas e imediatas em todas as providências da sua competência.

Leia também:
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Fonte:http://mariafro.com/2013/06/12/38363/

Vitória na Guatemala Brasil conquista vaga na Comissão Interamericana de Direitos Humanos

12.06.2013
Do blog ESCREVINHADOR, 10.06.13
Por  Marcelo Salles 
As ruas de Antígua, na Guatemala, parecem vivas. São quase todas de pedra e, a cada esquina, há um pedaço de ruína que conta um pouco de sua história. Ao longo dos séculos, em duas circunstâncias a cidade foi destruída: uma vez, devido a uma erupção vulcânica, outra pela força de um terremoto.


Seu povo, de maioria indígena, orgulha-se de sua ancestralidade maya, cujo símbolo maior é o pássaro Quetzal. Reza a lenda que quando o invasor espanhol assassinou o chefe indígena, o Quetzal, que acompanhava tudo de cima, também caiu morto, revelando assim a intensidade da ligação entre homem e natureza. Nos dias de hoje, em Antígua essa ligação parece refeita ao olharmos a perfeita conjugação entre restos dessas muralhas imemoriais e as plantas que as envolvem. Não é possível distinguir onde começa uma e termina a outra.

Na primeira semana de junho, a Organização dos Estados Americanos (OEA) esteve reunida nesta cidade mágica da Guatemala, para sua 43a Assembleia Geral. Entre os muitos assuntos, um chamava atenção: a eleição para a renovação de três vagas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, para as quais concorriam seis países: EUA, México, Colômbia, Brasil, Equador e Peru. A Comissão, como sabemos, tem sido importante ferramenta para a garantia de direitos; no entanto, também vem sendo instrumentalizada por aqueles que querem impedir o desenvolvimento dos países de maneira independente.

Nas eleições para a mais alta entidade de Direitos Humanos do continente americano, três eram os países que tentavam a recondução ao posto. Todos legítimos representantes da direita na região: Estados Unidos, México e Colômbia. John Kerry, o chanceler estadunidense, esteve na linha de frente da campanha, fazendo algo bastante incomum para os padrões da política externa de seu país. Kerry esteve pessoalmente em Antígua e jogou todo o peso do Departamento de Estado para garantir a “América para os americanos”.

No entanto, o Brasil estava atento e mobilizou grande força para a eleição de seu candidato. Nosso chanceler, Antonio Patriota, e a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, foram à linha de frente, em Antígua, após intensa campanha por todo o continente. O candidato equatoriano, com o decisivo apoio de seu país e da Venezuela, apresentou-se como uma alternativa novidadeira. Foi-se o tempo em que os países do Sul a tudo assistiam calados, ou com tudo consentiam sem expressar seus legítimos interesses. Como resultado, os países americanos perceberam o que estava em jogo e elegeram o ex-ministro Paulo Vannuchi para uma das três vagas, ao lado dos EUA e do México. No total, foram 60 votos para EUA, México e Colômbia, contra 42 votos para Brasil, Equador e Peru. Cada um dos 34 países tinha direito a 3 votos, totalizando 102 indicações.

A OEA tem em seu currículo desastres da envergadura de terremotos e fúrias vulcânicas, como o reconhecimento do golpe de estado promovido por Pedro Carmona na Venezuela em 2002, além da injustificável expulsão de Cuba em 1962.

O futuro pertence aos deuses, como se sabe. Mas o que aconteceu em Antígua nos permite, ao menos, antever novos rumos para o continente. E se as pedras e plantas mayas falassem, certamente diriam: após tanta devastação, a OEA já começa a encontrar o caminho do equilíbrio.

*Marcelo Salles é jornalista. No twitter é @MarceloSallesJ
Leia outros textos de Outras Palavras
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DILMA E A INFLAÇÃO: A GLOBO É LEVIANA !

12.06.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Quem espalhou que ia ter apagão ? A Globo !

Saiu no Valor:

INFLAÇÃO E CONTAS PÚBLICAS ESTÃO SOB CONTROLE, DECLARA DILMA


BRASÍLIA  -  A presidente Dilma Rousseff aproveitou seu discurso de lançamento do programa “Minha Casa Melhor” para reafirmar o compromisso do governo com o controle da inflação e da política fiscal do país. A declaração da presidente acontece em momento em que o mercado financeiro questiona a redução das metas de superávit primário, o dólar sobe e o Banco Central tem de elevar juros.

“É muito importante que Brasil tenha visão de futuro condizente com situação real em que vive. A situação do Brasil é de inflação e contas públicas sob controle”, afirmou Dilma em seu discurso.

“Não há a menor hipótese de meu governo não ter política de controle e combate à inflação. Todos que apostam nisso são os mesmos que no início deste ano apostaram que teríamos problema sério de fornecimento de energia no país”, acrescentou a presidente fazendo menção às especulações feitas sobre o risco de um apagão energético no país.

Dilma classificou esse episódio como uma leviandade política. “Leviandade política é grave porque não afeta pessoas, mas um país”, afirmou a presidente, destacando que a especulação sobre o risco de apagão “saiu dos jornais, porque não era real”.

(Thiago Resende, Bruno Peres, Leandra Peres | Valor)



Clique aqui para ler “Globo constrói uma Primavera Árabe”, que emprega a mesma tecnogolpia: “nacionalizar” uma crise local.

aqui para ler “Kirchner e Pinochet: ruralistas querem atear fogo às estradas”.
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PRESIDENTE ATACA PESSIMISTAS: "FAZ MAL AO PAÍS"

12.06.2013
Do portal BRASIL247

Roberto Stuckert Filho: Brasília - DF, 12/06/2013. Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de anúncio de linha de financiamento para aquisição de móveis e eletrodomésticos aos beneficiários do programa Minha Casa, Minha Vida. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.
Dilma garante que "situação real que o País vive é de inflação e contas públicas sob controle", ao anunciar o programa Minha Casa Melhor, que financia móveis e eletrodomésticos aos beneficiários do Minha Casa Minha Vida; "Não há a menor hipótese de o meu governo não ter uma política de combate à inflação", disse; presidente afirma ainda que movimentos dos que afirmam que tudo dará errado são "localizados e especulativos", mas "que fazem mal ao País"

247 - A presidente Dilma Rousseff voltou a criticar, nesta quarta-feira, os pessimistas que torcem contra o desenvolvimento do País. Durante o anúncio do programa Minha Casa Melhor, em Brasília, que permitirá o financiamento de móveis e eletrodomésticos com juros de 5% ao ano aos beneficiários do Minha Casa Minha Vida, Dilma garantiu que a "situação real" vivida hoje pelo País é de inflação e contas públicas sob controle.

"Não há a menor hipótese de o meu governo não ter uma política de combate à inflação. Todos os que apostam nisso são os mesmos que apostaram que ia haver um problema sério com fornecimento de energia no País", discursou a presidente, referindo-se às especulações sobre o apagão, no início do ano. "Que sumiu e desapareceu de todos os jornais, porque não era real", acrescentou.

Segundo ela, esses "são movimentos localizados e especulativos que duram um tempo, mas que fazem mal ao País" e a previsão de que haveria falta de energia foi uma "leviandade". "A inflação não está sem controle, e o governo tem todas as condições para impedir que isso aconteça", completou.

Dilma comparou ainda os pessimistas da imprensa e da oposição ao Velho do Restelo, personagem de Luís de Camões que "sempre torcia contra", conforme sua própria definição. De acordo com a presidente, este é "um personagem que encontra eco através da história. Muitos 'velhos do restelo' apareceram nas margens das nossas praias. Hoje, o Velho do Restelo não pode, não deve e não terá a última palavra no Brasil".

Leia abaixo reportagem da Agência Brasil sobre o anúncio do programa:

Governo concede R$ 17 bilhões para beneficiários do Minha Casa, Minha Vida

Danilo Macedo e Thais Leitão, repórteres da Agência Brasil - O governo federal lançou hoje (12) linha de crédito especial de R$ 17 bilhões para a aquisição de móveis e eletrodomésticos por beneficiários do Programa Minha Casa, Minha Vida.

As famílias poderão financiar até R$ 5 mil, com taxa de juros de 5% ao ano e prazo de até 48 meses para pagar. O financiamento foi chamado Minha Casa Melhor.

Haverá desconto de 5% na nota fiscal sobre os preços à vista. As prestações poderão ser pagas por meio de boleto bancário ou débito em conta. A expectativa do governo é que o financiamento beneficie 3,4 milhões de famílias.

Entre os itens que poderão ser adquiridos com a linha especial de crédito estão geladeira, fogão, lavadora de roupas automática, computador, TV digital, guarda-roupa, cama de casal e de solteiro (com ou sem colchão), mesa com cadeiras e sofá. "O objetivo é oferecer condições à família – que saiu do aluguel – a dar o segundo passo: montar sua casa e, assim, melhorar a qualidade de vida", informou o Ministério das Cidades.

Os beneficiários farão as compras por meio de um cartão magnético, emitido pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil, que operam o programa. O crédito estará disponível por 12 meses, a partir da emissão do cartão, para que as compras possam ser planejadas, com pesquisa de preço. Cada produto tem um limite máximo de preço.

O beneficiário poderá contratar o crédito a partir da entrega das chaves do imóvel e precisa estar em dia com as prestações. Se não estiver em dia, precisa regularizar o pagamento e, após dez dias, solicitar o cartão de compras. O cartão deve ser pedido pelo telefone 0800-726-8068 e será entregue em domicílio, podendo ser utilizado em mais de 12 mil lojas credenciadas em todo o país.

Edição: José Romildo
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Por que levam coquetéis molotov a “manifestações pacíficas”?

12.06.2013
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
Permanece um mistério o que está por trás das “manifestações pacíficas” que desde o aumento do transporte público em São Paulo vêm espalhando pânico e violência pelas ruas da cidade enquanto se dizem vítimas de “agressão da Polícia”.
Como já fora previsto neste espaço, a radicalização do movimento vai se intensificando. Se na manifestação da semana passada foram quebradas, segundo os defensores desses atos, “apenas algumas janelas”, desta vez os atos danificaram pele, músculos, ossos e fizeram jorrar sangue.
Além de a integridade física das pessoas ter sido colocada em risco, patrimônio público e privado foi alvo de depredação bem maior. Ônibus foram queimados, veículos particulares foram depredados e até uma instalação do Partido dos Trabalhadores foi atacada.
Os manifestantes, porém, não se valeram só de paus e pedras. As imagens que se espalham pela mídia mostram incêndios enormes em vias públicas. Ora, como é que se ateia fogo a um ônibus ou a uma barricada formada por todo tipo de material? Com um isqueirinho Bic?
Quem leva rojões – como aquele que matou um torcedor em um estádio de futebol na Bolívia –, gasolina e coquetéis molotov a uma imensa aglomeração, por certo está procurando encrenca.
Membros do Movimento Passe Livre, entidade que vem convocando as manifestações, admitiram que não têm controle sobre aqueles que foram às ruas instigados por essa mesmíssima organização.
Assim fica fácil. Você exorta as pessoas a irem às ruas e, se alguma coisa der errada, diz que não tem nada que ver com o que aconteceu.
Manifestantes alegam que seguiram sem sobressaltos até determinado ponto e que só se exaltaram porque a Polícia não permitiu que o ato fosse concluído em um terminal de ônibus pelo qual milhares de pessoas trafegam diariamente.
A Polícia diz que não poderia permitir que aquele local fosse tomado por outros milhares de manifestantes, pois se perdessem o controle, ali dentro, poderia ocorrer uma tragédia.
A Polícia Militar paulista é detentora de uma justa pecha de ser truculenta. Já praticou incontáveis barbaridades em manifestações pacíficas. Contudo, manifestantes que poucos dias antes praticaram quebra-quebras pela cidade certamente poderiam perder o controle de novo em um local em que milhares de passageiros trafegam, entre idosos, crianças etc.
A Polícia tinha OBRIGAÇÃO de proteger as pessoas.
Nas redes sociais, militantes de partidos políticos como PSOL, PSTU e PCO estão comparando o vandalismo em São Paulo à “Primavera Árabe”. Outros dizem que se manifestantes quebram tudo no Primeiro Mundo, fazer o mesmo em São Paulo a tornaria “cosmopolita”.
Por aí se vê o nível de cretinice ou de má-intenção desses grupos que, cada vez mais, vão deixando ver um viés político por trás dessas manifestações.
A “Primavera Árabe” ocorreu em países em que não havia democracia, visando se libertarem de ditaduras sanguinolentas. O equivalente brasileiro está ocorrendo por conta do menor aumento nas passagens do transporte público em ao menos uma década.
É uma comparação ridícula.
Claro que a passagem de ônibus e metrô em São Paulo é cara e protestar contra ela ou contra a Saúde, a Educação, a Habitação, a Segurança e tudo mais que não funciona nesta cidade é lícito e compreensível.
O que não se entende é que tudo isso não funciona há muito tempo e jamais se viu uma verdadeira guerra civil como a que está em curso.
Em anos anteriores houve manifestações contra aumentos das passagens, promovidos pelo mesmo Movimento Passe Livre e pelos partidos políticos que orbitam ao seu redor ou que – muito mais provável – estão por trás dele, mas nada igual às que estão acontecendo.
Foi só o PT assumir a prefeitura paulistana que esse movimento decidiu que tem que ser implantado na capital paulista o transporte público gratuito. Seria muito bom, mas alguém acredita que se possa conseguir um benefício social como esse queimando ônibus?
Isso é tática do PCC. É terrorismo. Visa colocar milhões de pessoas em pânico.
Passou do limite. É questão de tempo para começarem a surgir cadáveres.
E não adianta os organizadores desse movimento dizerem que não têm responsabilidade pelos excessos. Têm, sim. Eles estão levando pessoas às ruas e o que decorrer dessas convocações será responsabilidade deles.
Mais do que reprimir as manifestações, há que responsabilizar penalmente os que estão gerando esse caos. Um trabalho de inteligência da Polícia precisa ser feito com urgência antes que uma tragédia aconteça. Há que identificar quem está por trás disso.
Se a Polícia Militar paulista só sabe dar borrachadas, a Polícia Federal deve entrar no caso. A “Primavera Árabe”, que os vândalos usam como comparação, teve objetivo político. A diferença é que não há ditadura em São Paulo ou no Brasil.
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The Guardian entrevista Snowden: A espionagem sem limites dos EUA

12.06.2013
Do blog ESCREVINHADOR, 
Por Glenn Greenwald (em Hong Kong) entrevista Edward Snowden (vídeo aqui)
tradução por Vila Vudu
.
Edward Snowden: Meu nome é Ed Snowden, 29 anos. Trabalhei para a empresa Booz Allen Hamilton como analista de infraestrutura para a Agência Nacional de Segurança dos EUA no Hawaii.

Glenn Greenwald: Antes disso, que outras posições você teve, na comunidade de inteligência?

Snowden: Fui engenheiro de sistemas, administrador de sistemas, conselheiro sênior para a Agência Central de Inteligência, consultor de soluções e encarregado de sistemas de telecomunicações.

Greenwald: Um das coisas que as pessoas mais querem entender é quem é você, o que pensa e porque, num certo momento, você decidiu expor esses materiais e converteu-se em ‘vazador’. Explique às pessoas esse processo, até tomar a decisão.

Snowden: Quando você está em posição em que tem acesso privilegiado, como administrador de sistemas, por exemplo, para todos os tipos de agências da comunidade de inteligência, você é exposto a uma quantidade muito maior de informações, em escala muito maior do que o empregado médio. Todos assistem a coisas que podem ser muito perturbadoras, mas, na carreira de uma pessoa comum, os eventos mais perturbadores aparecem uma, duas vezes. E quando você vê o que vê em base mais frequente, você entende que muitas daquelas coisas são realmente abuso. Se você fala sobre aquilo com as pessoas daquele mesmo meio, onde aquele é o estado normal das coisas, as pessoas tendem a não dar muita atenção e a não tratar como coisa séria; ouvem e mudam de assunto.
Com o tempo, é como se a certeza de que aquilo não pode ser feito, que é errado, que é crime, vai crescendo. Você começa a ter de falar sobre aquilo tudo. E quanto mais você fala, menos atenção lhe dão. Quanto mais você ouve que aquilo não é problema, mais a coisa lhe parece errada, até que você afinal percebe que aquelas coisas têm de ser decididas pelo público, não por alguém que foi simplesmente contratado para trabalhar para o governo.

Greenwald: Fale um pouco sobre como realmente funciona o estado de vigilância norte-americano. Também espionam norte-americanos?

Snowden: A Agência de Segurança Nacional e a comunidade de inteligência em geral está focada em obter inteligência em todos os lugares, por todos os meios possíveis. Eles acreditam, baseados em todos os tipos de autocertificação, que servem ao interesse nacional. Originalmente, viu-se aquele foco muito estreitamente modelado para obter inteligência estrangeira.

Atualmente, cada vez mais estão trabalhando domesticamente. Para fazer isso, a Agência de Segurança Nacional toma por alvo, especificamente, as comunicações de todos. Recolhe tudo, como procedimento padrão. Recolhe as informações em seu sistema, depois filtra as informações e passa a analisar e avalia e armazena por períodos de tempo, simplesmente porque é esse é o meio mais fácil, mais eficiente e mais rendoso de atingir aqueles objetivos. Assim, podem estar interessados em alguém associado a algum governo estrangeiro ou alguém que eles suspeitem que seja terrorista, e coletam as comunicações de todos, para fazer aquele serviço.

Qualquer analista, a qualquer hora, pode tomar qualquer pessoa como alvo, qualquer seletor, em qualquer lugar. O local onde as comunicações serão recolhidas depende do alcance do sensor de redes e da autoridade que cada analista tenha. Nem todos os analistas têm meios para atacar qualquer pessoa. Mas eu, sentado na minha mesa, tinha, com certeza, autoridade para gravar qualquer um: você, o seu contador, um juiz federal e até o presidente, se eu tivesse um endereço de e-mail pessoal.

Greenwald: Um dos detalhes extraordinários desse episódio é que, de modo geral, os vazadores fazem anonimamente o que fazem, e cuidam para preservar o próprio anonimato pelo maior tempo possível, quase sempre esperando conseguir manter-se oculto para sempre. Mas você decidiu fazer diferente: declarou que é você que está por trás dessas revelações. Por que você decidiu agir assim?

Snowden: Acho que o público tem direito a uma explicação sobre as motivações que há por trás das pessoas que invadem a privacidade dos outros, uma invasão que não corresponde ao modelo democrático. O que eu vi acontecer é o governo subvertendo o poder do governo, que é coisa perigosa para a democracia, e em absoluto segredo, com o governo se beneficiando das próprias ações secretas. É como se aqueles agentes tivessem um mandato para prosseguir: “Digam isso e isso à imprensa, e mais isso… E assim o público ficará do nosso lado.” Mas só raramente, na prática, pode-se dizer, nunca, fazem isso, quando acontecem os abusos. Acaba recaindo sobre cidadãos individuais, que são demonizados sempre. Vira uma coisa de “esse pessoal está contra o país. Estão contra o governo. Mas eu não.”

Não sou diferente de ninguém. Não tenho capacidades especiais. Sou só mais um sujeito que senta todos os dias no escritório, vê o que está acontecendo e, um dia, pensa “Mas não me cabe decidir sobre essas coisas, não cabe a ninguém, aqui, decidir sobre essas coisas… 

Quem tem de decidir sobre isso é o público, se esses programas e essas políticas são certas ou erradas.” Quero que saibam que eu não alterei nada, não modifiquei a história. Essa é a verdade. O que está acontecendo é exatamente isso. Vocês decidam se temos de continuar a fazer isso.

Greenwald: Você pensou sobre qual será a resposta do governo dos EUA ao que você fez? O que vão dizer de você, que vão tentar desmoralizá-lo completamente, tudo que podem tentar fazer a você?

Snowden: Sim, posso ser sequestrado pela CIA. Vão me procurar. Ou qualquer outro dos envolvidos. Eles trabalham em íntima colaboração com vários outros países. E podem contratar gente de grupos clandestinos.[1] Qualquer dos seus muitos agentes e contratados. Há uma célula da CIA bem aqui na esquina, e o consulado dos EUA aqui em Hong Kong. Com certeza, vão estar muito ocupados na semana que vem. Esse é um medo que terei de carregar durante o resto da minha vida, dure quanto tempo durar.

Ninguém pode levantar-se contra as agências de inteligência mais poderosas do mundo e supor que não haverá riscos, porque são muito poderosos. Na verdade, ninguém pode levantar-se contra eles. Se quiserem acabar com você, conseguirão encontrá-lo. Mas, ao mesmo tempo, você tem de decidir o que realmente é importante para você. Se você estiver disposto ou interessado em viver sem liberdade alguma, mas confortavelmente, se você estiver interessado em aceitar isso… E há muitos que aceitam, é da natureza humana. É possível levantar todos os dias, ir trabalhar, receber o pagamento, aquele monte de dinheiro em troca de relativamente pouco trabalho e contra o interesse público, depois voltar para casa e dormir à noite, depois de assistir aos seus programas preferidos de TV.

Mas se você dá-se conta de que você ajudou a criar esse mundo, e que as coisas serão ainda muito piores para a próxima geração, e a outra, e a outra… Porque você ajudou a ampliar as capacidades desse tipo de arquitetura da opressão. Então você começa a ver que você está disposto a aceitar qualquer risco e que não importa o resultado, desde que o público consiga começar a tomar as próprias decisões sobre como fazer as coisas.

Greenwald: Por que as pessoas devem preocupar-se com estar sob vigilância, com estarem sendo vigiadas?

Snowden: Porque mesmo que você não esteja fazendo nada errado, mesmo assim você está sendo vigiado e gravado. E a capacidade de armazenamento desses sistemas cresce ano a ano, e cresce muito, em tal ordem de magnitude, que já estamos chegando ao ponto em que gravam tudo também de quem não esteja fazendo nada errado. Basta que surja alguma suspeita. Algum suspeito erra um número e o telefonema acabe chegando ao seu telefone. A partir daí, eles podem usar esse sistema e voltar no passado, para examinar cada passo que vc tenha dado, cada decisão que tomou, cada amigo com quem conversou. E podem atacar você, lançando suspeitas sobre qualquer um, sobre qualquer vida, por mais inocente que seja. E podem pintar qualquer um, como se fosse bandido.

Greenwald: Estamos sentados numa sala em Hong Kong, porque você optou por vir para cá. Fale um pouco sobre por que escolheu essa cidade. Já há quem esteja dizendo que vc escolheu buscar proteção num país que, para muitos, é o rival número 1 dos EUA: a China. E que você estaria, essencialmente, procurando ajudar um inimigo dos EUA, ao qual planeja pedir asilo. Você pode falar um pouco sobre isso?

Snowden: Claro que sim. Há algumas coisas a dizer, que, em certo sentido, estão incorporadas na ideia de quem questione eu ter escolhido Hong Kong. A primeira delas é que a China seria inimiga dos EUA. A China não é inimiga dos EUA. Há conflitos entre o governo dos EUA e o governo da República Popular chinesa, mas as pessoas, os cidadãos, nós, de fato, pouco nos incomodamos com aqueles conflitos. Os dois países comerciam livremente, não estamos em guerra, não há qualquer conflito armado, nenhum dos lados tem qualquer interesse em qualquer conflito armado. Os dois países são os principais parceiros comerciais, um do outro. A China não é nação inimiga dos EUA.

Além disso, Hong Kong tem forte tradição de liberdade de manifestação. As pessoas pensam ‘Oh, a China, a Grande Muralha Firewall’. A China continental mantém restrições significativas à liberdade de expressão dos cidadãos, mas o povo de Hong Kong tem longa tradição de protestar nas ruas, de fazer ouvir suas posições. A internet não é mais filtrada aqui que em qualquer país ocidental, e acredito que o governo de Hong Kong é realmente independente, em relação a muitos dos principais governos ocidentais.

Greenwald: Se sua motivação fosse causar dano aos EUA e ajudar os inimigos dos EUA, ou se seu motivo fosse alguma ambição pessoal, de ganhar muito dinheiro, você sabe que poderia ter dado outro destino às mesmas informações e documentos?

Snowden: Ah, sei, sim, com certeza! Qualquer pessoa, na posição em que eu trabalhava, com acesso e com as capacidades técnicas que eu tinha, poderia facilmente contrabandear informação, passar informações adiante, vendê-las no mercado livre russo. Sempre há interessados. Eles (e nós) mantemos sempre uma porta aberta para esses contatos. Nunca parou de haver interessados. E eu tinha acesso total às relações de todos os agentes que trabalham na Agência Nacional de Segurança, de toda a comunidade de inteligência dos EUA, de agentes infiltrados em todo o planeta. A localização de cada unidade, a missão de cada uma, e muito mais. Tinha acesso total a todas essas informações.

Se eu quisesse causar dano aos EUA?! Eu podia derrubar todo o sistema de vigilância em algumas horas, numa tarde. Mas isso não me interessava. Acho que todos os que criticam o que eu fiz devem pensar no que fariam se estivessem na posição em que eu estava. Se vivessem via boa, no Havaí, no paraíso, ganhando muito, muito dinheiro. Qual seria o limite de cada um? O que teria de acontecer, para que cada um decidisse deixar para trás tudo aquilo?
Meu maior medo, em relação a tudo isso e ao resultado que possa advir para os EUA, depois das revelações que fiz, é que nada mude… As pessoas lerão nos jornais sobre o que distribuí. E poderão ver até que ponto o Estado chegam, para assegurar poderes excepcionais só para eles mesmos, poderes unilaterais, para criar controle cada vez maior sobre a sociedade norte-americana e a sociedade global. OK… Mas pouca gente estará disposta a assumir os riscos necessários para mudar, realmente, tudo isso. Para obrigar os políticos eleitos a assumir a defesa, real, do interesse dos cidadãos eleitores.

E nos próximos meses e anos, as coisas só tendem a piorar, até que, um dia, as políticas comecem a mudar. Porque só a política tem capacidade para controlar as atividades e os poderes de vigilância do Estado. Até em nossos acordos com outros estados soberanos, entendemos que seja determinação política, não determinação por lei. Até lá, continuarão a ser eleitos líderes que dizem “A crise é grave, enfrentamos perigos terríveis em todo o mundo, surgiu uma nova e imprevisível ameaça e, por isso, precisamos de mais autoridade, de mais poder”. E não haverá coisa alguma que o povo possa fazer, depois que chegarmos àquele ponto, para opor-se a eles. Será tirania de porteira-fechada (orig. turnkey tyranny).
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