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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Campanha alerta motoristas profissionais sobre os riscos do trânsito

06.06.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Agência Brasil
Brasília – Mudar a postura de quem dirige profissionalmente um veículo é o grande desafio para preservar a vida, disse o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, hoje (06), no lançamento de mais uma campanha de trânsito do Pacto Nacional pela Redução de Acidentes (Parada – Um Pacto pela Vida). A campanha será feita por meio de filmes e spots em canais abertos de televisão e rádio em todo o país.
A campanha, que tem como lema “Motorista, álcool e drogas podem fazer da sua viagem um caminho sem volta”, será focada nos motoristas profissionais de caminhões, ônibus, vans, táxis/empregados ou autônomos. A meta é reduzir o número de acidentes em até 50% até a próxima década.

Dados de 2010, registraram 42.844 vítimas fatais no país. Desse total, os acidentes com mortes envolvendo caminhões correspondem a 21%. O ministro explicou que o excesso de trabalho e o uso de drogas e álcool estão entre os principais fatores desses acidentes. “Uma vida não pode ser ceifada por desleixo de alguém que bebe e não tem condições de dirigir”, disse.
O hábito de muitos caminhoneiros de permanecer acordados por meio do consumo de substâncias prejudiciais à saúde é outro fator responsável pela maioria dos acidentes de trânsito. “Não adianta correr para chegar rápido e perder a vida não chegando a lugar algum”, disse o ministro. Ribeiro observou que os filmes da campanha terão cenas de acidentes com o objetivo de sensibilizar a população.
Para o diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Antônio Claúdio Portela, a conscientização do motorista no volante é o foco principal da campanha. “Queremos fazer com que o motorista verifique as consequências que ele pode gerar com a irresponsabilidade”.
Edição: José Romildo
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Franklin Martins: O maior tabu da imprensa é a imprensa

06.06.2013
Do blog VI O MUNDO, 05.06.13
Por Lilia Diniz, na edição 749 do Observatório da Imprensa, sugerido por Julio Cesar Macedo Amorim

O nó da regulação no festival de gambiarras

 A quinta edição comemorativa do aniversário de 15 anos da versão televisiva do Observatório da Imprensa, exibida na terça-feira(4/6), na TV Brasil, veiculou uma entrevista de Alberto Dines com Franklin Martins, que foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República durante do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Franklin Martins começou a trabalhar aos 15 anos no jornal Última Hora e, em 1967, entrou para o curso de Ciências Econômicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante a ditadura militar militou no movimento estudantil. Foi preso, passou para a clandestinidade e integrou a luta armada. Exilou-se na França em 1977 e voltou ao Brasil com a anistia, dois anos depois. 

Na década de 1980 voltou-se para o jornalismo político e passou pelas principais Redações do país: O GloboJornal do BrasilO Estado de S.Paulo, TV Globo, SBT, Época e Rádio Bandeirantes.

Em editorial, antes do debate no estúdio, Dines ressaltou o perfil de crítico de Franklin Martins: “Nosso convidado é um experimentado e brilhante jornalista que converteu-se num estudioso da mídia contemporânea por força da função de ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, mas também como decorrência de uma consciência crítica da qual raros são os profissionais que dela conseguem escapar. Jornalismo é um exercício constante de crítica e autocrítica”.

Na abertura do programa, Dines comentou que quando a presidente Dilma Rousseff se sente incomodada com a mídia usa um truque: convoca Franklin Martins ao Palácio do Planalto. “Ninguém sabe o que vocês falaram e logo depois a mídia arrefece o seu entusiasmo”, explicou Dines. O ex-ministro assegurou que esse truque não passa de folclore: “Se a presidente me convidasse todo dia em que ela se chateia demais, me convidaria todo dia para ir lá. A imprensa não larga do pé dela”, disse Franklin Martins.

Imprensa e poder

O ex-ministro contou que ele e a presidente construiram uma sólida amizade durante o segundo mandato do presidente Lula da Silva, quando Dilma ocupava o cargo de ministra-chefe da Casa Civil. Atualmente, os dois mantêm conversas frequentes que não giram apenas em torno de política, mas tratam também de literatura e outros temas. “Se ela resolve de vez em quando [cutucar] um pouco a imprensa, é um direito que ela tem”, avaliou o ex-ministro, em tom de brincadeira.

Dines comentou que esse folclore se propaga porque o ex-ministro encarna a possibilidade de “tirar do armário o fantasma do marco regulatório das comunicações no Brasil”. Para Franklin Martins, apenas os donos dos grandes grupos de comunicação ficam incomodados em discutir temas ligados à mídia – a sociedade, em geral, não se incomoda com essa questão. O Brasil precisa “desesperadamente” de um novo ordenamento jurídico para o setor de comunicação eletrônica, na opinião do ex-ministro.

“Nós estamos vivendo um momento no mundo de convergência das comunicações eletrônicas. Isso significa que o celular, a televisão portátil e o computador afunilam para a mesma coisa. Não haverá diferença entre celular, computador e televisão portátil dentro de muito pouco tempo. Isso significa que o conteúdo que é posto à disposição das pessoas – seja pela radiodifusão, seja pelas empresas de telecomunicação ou pelos Googles da vida – está afunilando. Se não houver um marco regulatório, isso significa que nós vamos ter um reforço ainda maior do processo de oligopolização da indústria de comunicação, que é algo vital para a sociedade”, defendeu Franklin Martins.

Legislação atrasada

O foco de atenção do ex-ministro é o espectro eletromagnético, que compreende a radiodifusão e boa parte da telefonia, sobretudo a móvel. “Isso é um bem público, escasso e finito, que tem que ser repartido. Por isso, é objeto de concessão pública”, explicou Franklin Martins.

Todas as concessões públicas são reguladas pelo Estado em qualquer país. “No Brasil, nós vivemos um festival de gambiarras nessa área há muito tempo”, criticou o ex-ministro. O Código Geral de Telecomunicação do Brasil, que rege a radiodifusão e parte das telecomunicações, foi promulgado em 1962 e está claramente defasado. Há 50 anos, quando foi criado, havia apenas 2 milhões de aparelhos de televisão. Hoje, há transmissão ao vivo, redes, satélites, cadeia nacional e internet, para citar apenas algumas mudanças.

Esta discussão, na opinião de Franklin Martins, é indispensável para a sobrevivência dos grupos de comunicação, que correm o risco de ser “atropelados pela jamanta” – as empresas de telecomunicação e os grandes portais de busca. A situação vai afetar a produção de conteúdo e concentrar ainda mais o setor, mas não há interesse em discuti-la.

“O problema é que no Brasil nós temos a tradição de que sempre que se fala em discussão de alguma coisa que afeta a imprensa, se reage como se isso fosse um atentado à liberdade de imprensa”, criticou Franklin Martins. Para ele, isso só ocorre porque o setor é altamente concentrado.

Nas últimas décadas, a ditatura militar contribuiu para a concentração da mídia brasileira e a imprensa se tornou uma indústria pesada, com altos custos de produção. Nos anos 1950, circulavam no Rio de Janeiro, então capital federal, mais de vinte jornais importantes. Atualmente, apenas dois grupos de comunicação atuam no estado, evidenciando um processo de concentração que aconteceu também na televisão e no rádio.

Para Franklin Martins, as novas mídias promovem uma convergência e exigem uma regulação que seja capaz de lidar com o novo paradigma – mas, por outro lado, permitem um extraordinário barateamento dos custos de produção. Este fator permitiria a volta dos “tempos heroicos da imprensa”, quando os jornalistas e pequenos empresários tinham condições de lançar publicações e se manter no mercado.

O novelo das comunicações

Dines ressaltou que a expressão marco regulatório pode soar assombrosa para alguns setores, mas que fora do Brasil são adotadas medidas reguladoras que funcionam, como a arbitragem da concorrência promovida pela Federal Communications Commission (FCC), nos Estados Unidos. O órgão impede a propriedade cruzada e a concentração de um grupo de mídia em uma mesma região. Dines sugeriu que se medidas como esta fossem adotadas no Brasil não “assustariam” dos grupos de mídia e abririam as portas para a discussão. Para Franklin Martins, a questão precisa ser discutida, mesmo contra a vontade das empresas.

“Fantasmas existem para quem acredita em fantasmas, não para pessoas que botam o pé no chão, que são razoáveis, que olham o mundo de frente ou que não querem manipular a opinião pública, porque grande parte disso é algo deliberado por parte da imprensa tentando interditar uma discussão”, avaliou o ex-ministro.

Para Franklin Martins, o debate sobre o marco regulatório acaba sendo um debate sobre a imprensa, a indústria de entretenimento e os direitos da população à informação e à pluralidade. “Isso não tem nada a ver com controle de conteúdo porque censura é um controle prévio de conteúdo. Isso momento algum [isso] foi proposto. Vem se criando uma grande confusão que interdita o debate. Só que isso não vai dar certo porque a convergência impõe mudanças e isso terá que ser discutido”, garantiu o ex-ministro.

Franklin Martins comentou que podem ser observados avanços na regulação. Há cerca de um ano, por exemplo, foi estabelecida uma legislação para a TV por assinatura. “Separou distribuição de produção – quem produz não pode distribuir, quem distribui não pode produzir – para impedir a concentração, a oligopolização.

Estabeleceu cotas para a produção nacional, para a regional e para a independente. E isso tudo, diga-se de passagem, previsto na Constituição da nossa República. Todos esses dispositivos nunca foram regulados. O setor de radiodifusão é o único setor onde a Constituição federal diz especificamente que não pode haver oligopólio, mas nunca houve regulação do assunto”, disse.

Uma mídia mais plural

O ministro comentou que o único dispositivo que foi regulado é o que proibia a presença de capital estrangeiro na mídia brasileira. “Em 2002, a meu ver acertadamente, ampliou-se para 30%. É claro que isso se ampliou em razão de que havia algumas empresas, no caso a Editora Abril e as Organizações Globo, que viviam seriíssimos problemas de caixa no momento e isso foi muito bem-vindo. Mas só quando foi a favor das empresas de comunicação é que alguma coisa foi regulada. E a sociedade? E o cidadão? Ele não tem direito à pluralidade?”, questionou Franklin Martins.

A importância da imprensa comunitária também foi discutida na entrevista. “Jornalismo comunitário tem uma importância monumental no mundo todo. Jornal escrito, em princípio, é comunitário, é da cidade dele [leitor]. Rádio é comunitário. Televisão é que já é um pouco mais complicado. Quem souber se conectar com isso vai longe. Quem ficar choramingando porque o mundo está mudando e achincalhando quem quer ir para frente, vai ficar para trás”, apostou Franklin Martins. Para ele, atualmente, as TVs e rádios comunitárias são tratadas como se fossem uma excrecência, mesmo sendo parte importante no processo de comunicação.

Outro tema tratado no programa foi a concessão de canais de radiodifusão a parlamentares. Franklin Martins explicou que a Constituição não proíbe especificamente a presença de parlamentares no controle, mas diz claramente que quem goza de foro privilegiado, como deputados, senadores e juízes, não pode ser detentor de concessão pública.

Alugar horário para venda de produtos ou para confissões religiosas é outra distorção no sistema de radiodifusão. “Isso virou um cipoal de gambiarras porque não existe um marco regulatório. Não tem nada de espantoso. Nos Estados Unidos tem, mas eles regulam mais pela via econômica, proibindo a propriedade cruzada”, sublinhou o ex-minstro. Já na Europa são estabelecidas algumas obrigações de conteúdo, como proibição de atos racistas e de incitação ao ódio.

Independente de quem?

O ex-ministro defendeu o debate em torno da propriedade cruzada. Nos anos 1980, os jornais O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo chegaram a tratar do assunto publicamente, mas a discussão não avançou. “A imprensa é algo que é cíclico, não está sempre ladeira abaixo ou sempre subindo a montanha. Eu acho que nós já vivemos momentos bem melhores na nossa imprensa sob o ponto de vista da qualidade e da pluralidade. Hoje em dia há um certo pensamento único”, criticou Franklin Martins.

Para ele, a mídia precisa se ater aos fatos para poder ser independente: “A imprensa não pode querer ir além das suas chinelas. A imprensa existe para fornecer informação de qualidade, e dependente dos fatos. Porque eu sempre digo: só existe uma imprensa independente, a que é dependente dos fatos. A que é independente só do governo, mas que é dependente da oposição; a que é independente do governo, mas é dependente dos grupos econômicos ou dos interesses dos acionistas, [esta] não é independente. É gogó, é discurso. Independência da imprensa é resultado de uma dependência visceral que é a dependência do fato”.

Atualmente está um curso uma significativa mudança no modelo de comunicação, na opinião de Franklin Martins. O padrão vigente, onde um núcleo ativo produtor de informação emite a mensagem para uma massa passiva consumidora, está com os dias contados. “Isto acabou. Hoje em dia, mal saiu a notícia você já tem um monte de gente na internet discutindo se aquilo é verdadeiro ou não é. Os erros da imprensa resistem por pouquíssimo tempo”, afirmou o ex-ministro. Casos de manipulação da imprensa são desmascarados rapidamente: “A internet é o cidadão entrando e atropelando as instituições que estão estabelecidas”.

Novos tempos para a imprensa

Se a imprensa reagir de forma positiva a esse novo cenário, de acordo com a previsão do jornalista, poderá aprender com os erros: “Nós seremos mais humildes. Nós somos muito arrogantes, de um modo geral. E dos donos de jornal, então, nem se fala”. Na opinião de Franklin Martins, a sociedade é benevolente com os erros da imprensa quando acredita que foram cometidos de boa-fé, no afã de entregar a notícia rapidamente.

Por outro lado, quando percebe que está sendo manipulada, torna-se crítica ferrenho. “Existe um contrato básico que é o seguinte: eu vou lhe entregar informação honesta e de qualidade e vou lhe proporcionar um debate público plural. Mas, além disso, eu tenho que lhe surpreender. Quando que você se surpreende hoje em dia?”, questionou.

O ex-ministro assegurou que a imprensa incomoda muito mais o governo quando é verdadeira do que quando é mentirosa. “Quando ela é mentirosa, não afeta nada porque isso não resiste. Quando ela é verdadeira, obriga o governo a fazer mudanças, retificações, derruba pessoas”, explicou. Para o entrevistado, os principais órgãos de imprensa têm uma política conservadora.

O ex-ministro lembrou como foi trabalhar nas Organizações Globo, mesmo tendo um perfil historicamente identificado com o pensamento de esquerda. De acordo com Franklin Martins, a direção do grupo percebeu que a empresa havia saído chamuscada do período da ditadura e decidiu adotar duas táticas para reformar a sua imagem: apegar-se aos fatos e contratar colaboradores com perfis diversos.

“Hoje em dia eu vejo no jornal: todo mundo fala igual, todos os colunistas falam igual. Isso serve para dar aos telespectadores, leitores e ouvintes uma dose diária de fel e ressentimento que a gente tem que entregar, mas isso também demonstra insegurança no debate de ideias. Por que não se pode debater ideias livremente, com posições diferentes?”, questionou.

A imprensa brasileira nos anos 1980 e 1990 vivia um período de ebulição, mas era obrigada a “baixar a bola” com frequência: “Alguém ia sair batendo no Antonio Carlos Magalhães assim? Embrulhou, mandou, bate? Não, porque Antonio Carlos Magalhães tinha poder. Se queria fazer uma matéria contra ele, tinha que matar a cobra e mostrar o pau. Hoje em dia vale qualquer coisa, desde que seja contra fulano ou beltrano. Se for contra certas pessoas da oposição, senta-se em cima. Se for um debate que estimula uma reflexão crítica sobre a imprensa, senta-se em cima. Sabe qual é o maior tabu da imprensa? A imprensa. E quando a imprensa não se aceita discutir ela será discutida pelos outros”.
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Lilia Diniz é jornalista

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CRIS OLIVEIRA: Como lidar com o racismo?

06.06.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 05.06.13
Por Cris Oliveira*

Professora negra, nascida em Salvador e que atualmente mora em Bremen, revela de modo impecável como são diferentes as maneiras de encarar, debater e lidar com o racismo aqui no Brasil e na Alemanha

“Como você lida com o racismo lá?” Essa era a pergunta que eu mais tive de responder ao voltar ao Brasil depois de meu primeiro ano de Alemanha. A minha resposta, que na época surpreendia à todos – inclusive a mim mesma, era sempre :”Nunca tive de lidar com racismo lá”. Deixa eu explicar direito o porque de minha surpresa e de minha resposta.
Há onze anos eu tinha acabado de terminar a faculdade e queria ter uma experiência no exterior antes de cair de cabeça no mercado de trabalho e de ter de me assumir adulta de uma vez por todas. Como professora de inglês, minha primeira escolha tinha sido a Inglaterra, mas como as coisas graças à Deus nem sempre saem do jeito que a gente planeja, eu acabei conhecendo uma pessoa maravilhosa, que é a tampa de meu balaio, com quem eu decidi dividir minha vida. E ele morava na Alemanha. Resolvi fazer uma pequena adaptação nos meus planos e mudei o destino de minha minha viagem. O amor enche a gente de coragem pra fazer meio mundo de maluquice, mas no fundo, na época eu estava morrendo de medo do que iria encontrar aqui. É que naquele tempo eu não sabia quase nada sobre a Alemanha e o que sabia vinha de livros de história, ou seja, um passado macabro e sangrento. Quando não era isso era uma notícia aqui outra ali, no geral bem limitadinhas e estereotipadas do tipo Oktoberfest e neonazistas. Claro que eu tive medo e claro que estava tensa a respeito do que me esperava.
Quando cheguei o que me impressionou foi perceber o quanto a imagem que se vende deste país é equivocada. Aqui tem sim Oktoberfest e neonazistas. Tem uma série de outros problemas e preconceitos também contra a mulher e contra estrangeiros além de ainda terem dificuldade em lidar com todas as questões que a multiculturalidade traz consigo. A diferença é que os limitados e racistas daqui se escondem muito bem, e quando se mostram, são muito bem punidos. A sociedade debate constantemente sobre a intolerância e a mídia não dá trégua sobre esse tema. As pessoas no geral são cuidadosas com essas questões, são cautelosas nas escolhas das palavras quando não tem certeza se certo termo pode ser ofensivo e pedem desculpas imediatamente quando, sem querer, ofendem. Eu já passei por várias situações em que a pessoa com quem eu estava falando dizia alguma coisa sobre o cabelo ou cor da pele de alguém e logo em seguida me falava “Desculpa que eu falei assim, não sei se isso ofende. Como é o certo?” Eu sempre me emociono em situações como essas porque nelas eu vejo seres humanos, que apesar de não sofrerem a mesma dor do outro, mostram empatia, humildade e vontade de mudar para o bem estar geral.
Teve uma vez que eu estava em um trem e um outro passageiro estava muito incomodado com minha presença. Não estava entendendo bem qual era o problema dele comigo até que ele fez um comentário racista se referindo a mim. Me levantei com a intenção de dizer umas poucas e boas a ele, mas antes de poder abrir minha boca, TODOS os passageiros do vagão (umas 15 pessoas ) se revoltaram e tomaram a frente, discutindo com ele de uma forma que me surpreendeu. A estória terminou com uma mulher que exigia que ele se desculpasse comigo e como ele se recusou os demais passageiros chamaram a polícia. Quem me conhece sabe que eu choro por tudo e claro que chorei no meio daquele fuzuê. Os passageiros me consolavam achando que minhas lágrimas eram por ter sido vítima de racismo. Mal sabiam eles que eram lágrimas de emoção por causa da reação deles. Foi um sentimento muito especial me ver sendo defendida e aparada por um grupo de pessoas desconhecidas. Fiquei pensando que todas elas eram muito diferentes, mas que uma coisa tinham em comum: o senso de justiça e a certeza de que um problema social é um problema de cada um deles. Cada um resolveu por si só levantar a voz e no final das contas eles formavam um grupo que se indignava com o comportamento racista do homem que me ofendeu. Vários passageiros me pediram desculpas depois da confusão. Um senhor me disse “Não deixe esse idiota interferir no que você veio fazer aqui, não. Aqui tem muita coisa boa.” Essa atitude com certeza é uma delas.
cris oliveira racismo
*Cris Oliveira é mestra em linguística e professora de inglês (Foto: Blogueiras Negras)
Não são somente as pessoas à caminho do trabalho nos transportes públicos, que se preocupam em mudar a percepção de alguns de que a Alemanha é um país injusto. O governo daqui também investe constantemente em medidas sócio-educativas e reparadoras. Aqui existe cota pra mulher, estrangeiros, portadores de deficiência. Tem benefício pra quem tem filho na escola, pra quem é estudante universitário, pra ajudar a pagar o aluguel, pra ajudar a pagar atividades culturais e educativas se a família tem filho, pra comprar livros, pra comprar remédios e por aí vai. Judeus tem direito de imigrar pra cá sem a burocracia que pessoas de outras confissões enfrentam. A sociedade entende que isso tudo é normal. É raro ver alguém questionando essas medidas. Mesmo os alemães medianos parecem entender que se houve um erro histórico, uma retratação é inevitável. Se existe discrepância social, todo mundo sai perdendo então é melhor ter menos pra ter mais, dividir pra que ninguém deixe de ter. Infelizmente eu percebo que as coisas andam piorando aqui também, mas o povo questiona tudo sem parar e isso atrasa as mudanças negativas, o que é bom.
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Aí eu fico pensando no Brasil e de como a gente se orgulha de dizer que somos o país mais tolerante do mundo. A gente se interessa em saber como é a questão do racismo em outras partes do mundo e adora ficar repetindo essa de que somos um povo que não sabe o que é racismo porque é todo mundo misturado. Pra muita gente no Brasil, ativista de movimento negro é paranóico e ações afirmativas é racismo às avessas. Tem um monte de gente que fala como se tivessem sido pessoalmente ofendidas com toda e qualquer iniciativa que busca melhorar a situação social de um grupo que não goza dos mesmo benefícios que o resto da sociedade.
Me choca o fato de que em Salvador, cidade onde eu nasci, apesar de mais de cinquenta por cento da população ser negra, ainda é possível ser a única negra no restaurante, na aula de ballet, na sala de espera de consultório chique, na sala dos professores da escola particular. Fico especialmente triste quando eu percebo que muita gente passa a vida inteira sem nem se dar conta dessas coisas, achando super normal que outros tenham a vida mais difícil que a sua baseado em um detalhe que não se pode escolher, como gênero, cor da pele, origem. Infelizmente, em nosso país tem gente que acha que quem sofre discriminação deve sofrer calado, sem questionar nada, sem exigir mudanças. Deixa quieto que assim tá bom. Pra alguns.
Hoje em dia quando volto ao Brasil e alguém me pergunta como lido com o racismo aqui, minha resposta passou a ser “muito melhor do que eu lido com ele no Brasil”. Aqui se entende que discutir e questionar os preconceitos é trocar idéias e evoluir, já em meu país quem é engajado em alguma causa tem sempre de primeiro explicar que não é nem paranóico nem radical. É triste, mas na verdade sabem como é que eu lido mesmo com o racismo aqui? Guardando minhas forças pra enfrentar ele quando chego em meu país.
Publicado originalmente em Blogueiras Negras Edição: Pragmatismo Politico
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GOVERNO FEDERAL FAZ APOLOGIA À PROSTITUIÇÃO: Evangélicos pedem explicações sobre campanha para prostitutas do Ministério da Saúde

06.06.2013
Do portal GOSPEL PRIME, 05.06.13
Por  Leiliane Roberta Lopes

O ministro Alexandre Padilha afirma que o material não fora aprovado e demite funcionário que divulgou a campanha na internet.

Evangélicos pedem explicações sobre campanha para prostitutas do Ministério da SaúdeEvangélicos pedem explicações sobre campanha para prostitutas
A bancada evangélica cobrou nesta terça-feira (4) explicações do Ministério da Saúde sobre a campanha voltada para as prostitutas que foi lançada pela internet.
Em uma das peças publicitárias há uma frase que diz: “Eu sou feliz sendo prostituta”. A frase foi considerada pelo deputado Marcos Rogério (PDT-RO) como uma apologia à prostituição. “O que o governo faz é um crime, é apologia à prostituição. O governo está patrocinando um crime ao defender essa conduta”, disse ele.
Quem também é contra este tipo de campanha é a deputada Liliam Sá (PSD-RJ) que não acredita que uma mulher possa ser feliz sendo explorada sexualmente, classificando a campanha como um “desfavor à sociedade”.
O deputado João Campos (PSDB-GO) se manifestou sobre o assunto fazendo críticas ao governo de Dilma Rousseff e à falta de atenção com os valores da família. “Esse é um governo que não preza pelos valores da família”, disse ele. De forma irônica, o deputado evangélico diz que as próximas campanhas financiadas pelo governo terão como tema o adultério, o incesto e a pedofilia.
A campanha foi lançada durante o final de semana para comemorar o “Dia Internacional das Prostitutas”, o tema central era pedir respeito às prostitutas e alertar sobre doenças sexualmente transmissíveis, porém nenhuma das três frases postadas em cartazes diferentes falam sobre o tema. Além de “sou feliz sendo prostituta” a campanha exibia outras duas frases: “não aceitar as pessoas da forma como elas são é uma violência” e “o sonho maior é que a sociedade nos veja como cidadãs”.
Ao falar sobre as peças divulgadas por sua pasta, o ministro Alexandre Padilha recuou dizendo que o material precisava ser aprovado e para mostrar que não tinha relações com a divulgação do material, demitiu o diretor da campanha.
O funcionário demitido é Dirceu Greco, diretor do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida e Hepatites Virais do ministério. Sua demissão foi anunciada nesta quarta-feira (5) no Diário Oficial da União sendo justificada pela veiculação do material sem a autorização do setor de Comunicação Social da pasta da Saúde.
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Evangélicos protestam pacificamente em frente ao Congresso

06.06.2013
Do portal GOSPEL PRIME, 05.06.13
Por Jarbas Aragão

 Deputado do PT critica manifestação de evangélicos  

Evangélicos protestam pacificamente em frente ao CongressoEvangélicos protestam pacificamente em frente ao Congresso
Organizada para acontecer nesta quarta-feira (5), a partir das 15h, a manifestação pacífica de evangélicos em frente ao Congresso Nacional reuniu cerca de 50 mil pessoas. O pastorSilas Malafaia, criador do evento, divulgou que esperava cerca de 100 mil.
Com o objetivo de fazer uma “grande manifestação em defesa da família tradicional, da vida, da liberdade de expressão e religiosa”, centenas de líderes evangélicos estavam presentes, além dos cantores Thalles Roberto, André Valadão, Aline Barros, Eyshila, Nani Azevedo, David Quinlan, Cassiane e Bruna Karla.
Malafaia convocou: “Já que estão forçando a barra sobre o casamento gay, vamos a Brasília para dizer que estamos do outro lado. Não é um ato exclusivo para apoiar Marco Feliciano, mas para marcarmos nossa posição. Vamos dar a nossa resposta. Todas as lideranças evangélicas estarão presentes, assim como a bancada evangélica. Vai ter gente de todos os lados do Brasil”.
O movimento também contou com a presença de políticos da chamada “bancada evangélica”. O objetivo era retomar as manifestações como a de 2008, quando milhares de pessoas protestaram em frente ao Congresso contra projetos apoiados pela comunidade LGBT.
Um dos focos do ato, que ocorre poucos dias após a Parada Gay de São Paulo, é manifestar-se contra a resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que obriga os cartórios de registro a reconhecer a união civil entre pessoas do mesmo sexo e celebrar o casamento homoafetivo.
manifestacao protesto
Embora o PSC tenha pedido ao Supremo Tribunal Federal a derrubada da ordem, o recurso acabou arquivado pelo ministro Luiz Fux. Em entrevista ao site Congresso em Foco, o deputado João Campos (PSDB-GO), ex-presidente da Frente Parlamentar Evangélica, disse que setores do PT tentam colocar uma “mordaça na imprensa e nas religiões…. O Estado laico não é o religioso nem o antirreligioso. É o que garante a liberdade de crença”.
O deputado acredita que um dos principais problemas da união entre pessoas do mesmo sexo é a adoção de crianças. “A psicologia diz que o primeiro elemento que amplia a visão de mundo delas é a figura do pai. Há um prejuízo para a formação da criança”, asseverou
Curiosamente, ontem (4), o presidente do Senado, Renan Calheiros, anunciou, que o Projeto de Lei 122/06, o qual transforma homofobia em crime deve ter sua tramitação acelerada.
Falando em nome do governo, o deputado Domingos Dutra (PT-MA) reclamou da manifestação que seria apenas um protesto focando a presidente Dilma Rousseff. “Além de uma pauta conservadora, tenta expor sua força para amedrontar a presidenta Dilma, às vésperas do pleito eleitoral”.
Marco Feliciano Manifestacao
Dutra criticou ainda as igrejas evangélicas que estão tirando fiéis da igreja católica usando “a mídia e o charlatanismo”. Citou ainda o exorcismo de uma pessoa na Igreja Universal do Reino de Deus, que, para ela, tratava-se de uma pessoa com fome. “E não tira [o demônio] de graça. Atrás dessas ações estão sempre presente o dízimo”. Com informações UOL e G1.
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Danuza Leão é demitida. Coitadinha!

06.06.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Altamiro Borges

Saiu hoje (6) no Portal Imprensa:

A colunista Danuza Leão encerrou suas atividades na Folha de S.Paulo, diário em que atuou por 12 anos, na última segunda-feira (4/6).

De acordo com Ancelmo Gois, de O Globo, Danuza afirmou que sua saída tem a ver com cortes no jornal. 

“Já estava na hora de dar um tempo neste casamento. Eu não tinha coragem. O jornal acabou resolvendo um problema meu”, disse a colunista.

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Difícil de acreditar que ela ficou contente com sua dispensa – logo ela que prestou tantos serviços ao jornal da famiglia Frias, atraindo leitores das “zelites” com seus artigos elitistas e preconceituosos. Como Danuza Leão irá manter seu padrão de vida – comer caviar, viajar para o exterior, esbanjar opulência consumista? Nos últimos tempos, a jornalista se tornou uma das principais referências da elite nativa inculta e egoísta. Os seus artigos causavam frisson nas socialites e ricaços. Agora, no rastro da crise e das demissões sumárias do Grupo Folha, ele simplesmente levou um pé no traseiro! 

Num dos seus últimos textos tacanhos, em março passado, Danuza Leão atacou a chamada “PEC das Empregadas”, usando argumentos típicos dos escravocratas contra o fim da escravidão no século retrasado. Para ela, todos iriam perder com a nova legislação que garante direitos trabalhistas aos empregados domésticos. As “pobres” patroas, que não teriam como pagar os benefícios, e os próprios trabalhadores, que seriam demitidos. Só faltou ela propor a volta da chibata e do pelourinho!

Em outro artigo, no final do ano passado, a socialite-colunista afirmou na maior caradura que ser rico no Brasil perdeu todo o glamour. “Ir para Nova York ver os musicais da Broadway já teve sua graça, mas, por R$ 50 mensais, o porteiro do prédio também pode ir, então qual é a graça. Enfrentar 12 horas de avião para chegar a Paris, entrar nas perfumarias que dão 40% de desconto, com vendedoras falando português e onde você só encontra brasileiros – não é melhor ficar por aqui mesmo?”, escreveu. E concluiu:

“Se todo mundo fosse rico, a vida seria um tédio... Se todos têm acesso a esses prazeres, eles passam a não ter mais graça... Não importa estar no lugar mais bonito do mundo; o que interessa é saber que só poucos, como você, podem desfrutar do mesmo encantamento”. Agora, jogada fora como bagaço pela Folha, como Danuza Leão poderá “desfrutar do mesmo encantamento”. Coitadinha!
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HERANÇA DE BARBOSA A BARROSO: 8 MIL PROCESSOS

06.06.2013
Do portal BRASIL247

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Lembo: “Estamos sendo mortos nas ruas enquanto o governador Alckmin discute sobre um emprego”

06.06.2013
Do blog  OS AMIGOS DO PRESIDENTE

O ex-governador de São Paulo   Cláudio Lembo (PSD) diz que Geraldo Alckmin "perde tempo" ao bombardear o acúmulo de cargos de Guilherme Afif. Lembo enumerou casos  de violência que estão acontecendo no Estado de São Paulo, que segundo ele, Alckmin ignora: "Estamos sendo mortos nas ruas enquanto o governador  Alckmin  discute sobre um emprego".

Cláudio Lembo criticou  o governador tucano Geraldo Alckmin (PSDB) por não interferir no debate que a Assembleia Legislativa faz sobre a possível perda de mandato do vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD), seu colega, de partido. Lembo foi vice de Alckmin na gestão 2003-2006, e assumiu o governo em março de 2006 quando o tucano deixou o cargo para se candidatar à Presidência da República. À época ele estava no DEM, do qual saiu depois, migrando para o PSD, onde estão Afif e o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.

"Ele (Alckmin) devia solicitar à bancada dele que analisasse essa questão com uma visão global, e não com uma visão absolutamente provinciana. A Assembleia Legislativa tem um líder do governador e ele tem influência na casa. Alckmin devia estar orgulhoso de ver um quadro dele chamado para Brasília", afirmou Lembo ao jornal o  Estado de SP.

Para ele, a questão devia ser encerrada pelo governo estadual. "z"O governador tem que se preocupar com assuntos mais sé rios, e não criar esse falso dilema que não existe."

O ex-governador avaliou que a discussão sobre a dupla função de Afif anão tem importância alguma" e "é falta do que fazer". "Além do mais, não é problema do PSDB, é da comunidade, e ela está muito satisfeita com Afif no ministério".
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Governo Alckmin não adere a programa do MEC para alfabetização de adultos

06.06.2013
Do blog ESCREVINHADOR, 05.06.13
Por Rede Brasil Atual

Depois de dez anos de estudo para realizar o sonho de aprender a ler e a escrever, Terezinha Brandolim, de 82 anos, se viu sem alternativa no começo deste ano: a escola em que estudava, no município paulista de Ribeirão Preto, fechou as duas turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) na qual estudavam pessoas de todos os níveis de escolaridade.


Com a impossibilidade de a mãe continuar os estudos, sua filha, Maria Zulmira de Souza, convidou-a para ficar em São Paulo, onde mora. “Mas todas as escolas aqui perto estavam fechando seus cursos de alfabetização”, conta. Ela, então, contratou uma professora particular, que dá aulas para “dona Tetê” três vezes por semana. “Resolvi fazer esse esforço porque deixei muito tempo na mão do governo estadual, que dizia dar conta, mas não funcionava.”

Dona Tetê faz parte do conjunto de 1,7 milhão de paulistas adultos que não sabem ler nem escrever, total equivalente à população de Curitiba. Ainda assim, São Paulo, segundo o Ministério da Educação (MEC), foi o único estado do país a não aceitar recurso do governo federal para alfabetização de adultos pelo Programa Brasil Alfabetizado neste ano. A verba, que varia segundo o número de alfabetizandos e alfabetizadores, poderia ser usada para pagamento de professores e coordenadores, além da aquisição de materiais pedagógicos para as aulas.

Com adesão das demais 25 secretarias de Educação (mais o Distrito Federal), o programa do MEC atende hoje 959 prefeituras. O objetivo é chegar ao final de 2013 em 3.359 municípios e 1,5 milhão de pessoas.

A Secretaria de Educação de São Paulo informou que o estado possui seu próprio programa na área, o Alfabetiza São Paulo, que atende a 25 mil alunos em 38 municípios, entre eles a capital paulista e Ribeirão Preto.

A verba para o projeto neste ano é de R$ 8.879.916. O montante não está discriminado no Orçamento do estado por, segundo a secretaria, estar incluído no Programa de Inclusão de Jovens e Adultos na Educação Básica, que atende a todas as etapas do ensino. O dinheiro, no entanto vai para ONGs, e não para as prefeituras.

As ONGs, segundo nota da secretaria, fazem uma “uma ação complementar ao trabalho que já deve ser realizado pelas administrações municipais”.

A secretaria reforçou que a alfabetização faz parte dos anos iniciais do ensino fundamental, de responsabilidade dos municípios, que ficaram livres para aderir ao programa federal. Apesar do programa estadual, 40 prefeituras paulistas aceitaram o apoio, com o qual 11.954 pessoas devem estudar neste ano. O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) não aderiu ao Brasil Alfabetizado no ano passado, o que possibilitaria sua implementação em 2013.

O especialista em Educação de Jovens e Adultos da ONG Ação Educativa, Roberto Catelli, questiona o programa. “O Alfabetiza São Paulo não dá conta da demanda. Está longe de dar, por isso, o estado não deveria deixar de aceitar ajuda”, avalia. “Um programa não inviabiliza o outro, pelo contrário.”

Ribeirão Preto, onde mora dona Tetê, participa dos dois programas. “O estado defende que o percentual de analfabetos é baixo, mas em número absolutos é muito alto. Só na cidade de São Paulo são 300 mil, segundo dados do Censo de 2010, quase a população da cidade mineira de Uberaba”, afirma.

Catelli lembra também que o Brasil Alfabetizado, do governo federal, peca na falta de avaliação dos resultados alcançados e por não propor meios de os alunos continuarem estudando depois de alfabetizados. “Temos dados que provam que menos de 10% continuam na escola”, afirma.

Esforço reconhecido

Segundo Maria Zulmira, filha de dona Tetê, ela avançou muito de janeiro, quando começou a ter aulas particulares, até agora. “A gente sai na rua e eu tento ler as placas”, conta Tetê. “Qual aquela que você leu que me deixou emocionada?”, pergunta Maria Zulmira. “Imperatriz”, respondeu a mãe, orgulhosa.

“Fui em muitas escolas municipais e estaduais, mas era muito difícil”, conta dona Tetê. “Quando eu estava na escola, as professoras davam mais atenção para quem estava sabendo mais. Ela dava exercício que nem para criança e depois, no mesmo instante, dava aqueles problemas grandes, com contas muito fortes. Eu não fazia nem as pequenas quanto mais as grandes… Aí eu só copiava… cheguei até a chorar na escola.”

Dona Tetê, natural do município de Monte Azul Paulista, a 420 quilômetros de São Paulo, não pôde seguir seus estudos na infância por ter de ajudar os pais, dois colonos agricultores, nos períodos de colheita. “Sempre tive vontade de voltar a estudar. Mesmo depois de casada tive que trabalhar muito. Meu marido e meus filhos tentaram ajudar, mas a gente ficava só um pouco no estudo e depois tinha que voltar para a roça”, conta.

“Aprender a ler é tudo, muda tudo. Eu fico em casa de noite sozinha, sentada no sofá, olhando a televisão. Só tem a TV e eu não gosto muito. Mas, se eu soubesse ler, eu pegava um livro ou escrevia algo”, diz. “Quando eu aprender, quero fazer a leitura da igreja para todo mundo ouvir”, planeja. Outra vontade é retornar para Ribeirão Preto, para estar mais perto da família e dos amigos.

“Eu já chorei muito pela falta da leitura. Chegam as correspondências em casa e eu tenho que dar para os outros lerem. Quando meu marido morreu, há 30 anos, tive que buscar trabalho sem saber ler. Eu só fazia limpeza e trabalhava na roça. Faz falta, muita falta.”

Para Maria Zulmira, alfabetizar a mãe virou um desafio pessoal. “Eu faço questão de contar a história da minha mãe porque eu imagino que essa deva ser a história de muitas outras pessoas. Deve haver tanta gente adormecida que nem minha mãe. Quantos artistas e escritores poderiam ter sido produzidos neste país? Quantas pessoas poderiam ter tido a oportunidade de realizar seus sonhos?”

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Tá explicado o mau-humor urubulógico! PIG impresso despencou 9,1% em 2013

06.06.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE, 05.06.13


Os números do IBGE mostrando a indústria expandindo 1,8% em abril em relação à março, demonstra que a pujança da economia brasileira é muito maior do que os urubólogos do noticiário querem fazer crer.

Mas em um setor a crise realmente está feia. É justamente no segmento de "edição, impressão e reprodução de gravações", setor que engloba os jornalões como Folha, Estadão, O Globo e revistas como a Veja.

Nos primeiros quatro meses deste ano o setor encolheu -9,1% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto que a indústria como um todo cresceu 1,6%.

Segundo o relatório do IBGE, essa queda de 9,1% na produção foi ocasionada pela menor fabricação de livros, revistas e jornais.

Desse jeito, quem trabalha nas redações desses jornalões só estão vendo crise em volta de si mesmo. E quanto mais noticiam sua visão deturpada da economia brasileira, olhando só para a decadência de seus patrões, sem olhar para o que acontece no resto do Brasil, menos cidadãos vão comprar jornal e revista. Afinal, até mesmo conservadores esclarecidos não abrem mão de receber informações corretas. Basta lembrar que os leitores, se acreditassem no que leram no início do ano,  estariam esperando um apagão elétrico até hoje. E jornal e revista que vive vendendo informação errada é mercadoria estragada que ninguém gosta de comprar.
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