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terça-feira, 4 de junho de 2013

Dilma, África e os urubólogos

04.06.2013
Do blog de RODRIGO VIANNA, 03.06.13
Por Marco Piva

Semana passada, na Etiópia, a presidenta Dilma Roussef perdoou ou facilitou o pagamento de US$ 897,7 milhões de dívidas de doze países africanos com o Brasil. É a mesma situação daquele cartão de crédito ou financiamento das Casas Bahia que você fez e não conseguiu pagar. Seu nome foi para o Serasa e ficou “sujo”. Sem essa medida, a dúzia de nações africanas não conseguiria obter novos empréstimos e as empresas estariam impedidas de investir. Em uma frase: a decisão beneficia os países africanos, mas ajuda, sobretudo, as empresas brasileiras interessadas em investir com segurança naquele continente.

Para se ter uma ideia, seis países africanos estão na lista dos dez com maior crescimento econômico registrado nos últimos anos no mundo. As nações dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) são agora os principais parceiros comerciais da África e formam o novo grupo de maiores investidores no continente. O comércio entre os Brics e a África deve exceder US$ 500 bilhões até 2015, de acordo com o Standard Bank.

Talvez a notícia não agrade os “urubólogos” da grande mídia, que devem achar isso um desperdício de dinheiro público, o que não é totalmente verdade porque empresas fizeram o serviço e receberam por isso. Mas é por meio desse tipo de atitude generosa, que estimula economias emergentes a negociar e investir entre si, que se pode construir um novo modelo de desenvolvimento econômico para superar a atual crise mundial.

Leia outros textos de  Outras Palavras
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GLOBO TEME BARROSO: “STF NÃO DEVE CEDER À PRESSÃO”

04.06.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

 Será que a Constituição voltará a ser constitucional ?

Saiu no Valor, o PiG (*) cheiroso, ou a corneta da “mercado”:

PARA BARROSO, STF NÃO DEVE CEDER À PRESSÃO DA SOCIEDADE


Por Juliano Basile | De Brasília

O jurista Luís Roberto Barroso acredita que o Supremo Tribunal Federal (STF) não deve ceder às pressões da sociedade em suas decisões. Para ele, é legítimo que as pessoas se manifestem e peçam aos integrantes da Corte que julguem um caso de determinada maneira, mas isso não pode fazer com que os ministros procurem moldar os seus entendimentos aos anseios populares.

“A pressão da sociedade é legítima; ceder à pressão é que não é”, afirmou Barroso em conversa com o Valor, durante a posse de Carlos Ayres Britto na Presidência do STF, em abril de 2012.

(…)

Indicado para o STF pela presidente Dilma Rousseff, Barroso será sabatinado amanhã pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde deve ser questionado a respeito de sua futura participação no mensalão.

“Resultado de julgamento, só sabemos ao final”, afirmou Barroso ao Valor, quando foi perguntado sobre o mensalão, em abril de 2012. Na época, era difícil imaginar que um dia ele participaria do julgamento mais marcante da história do Supremo. “Não se começa julgamento com resultado pronto nem se fazem juízos favoráveis ou desfavoráveis sem ter visto as provas”, continuou.

( …)

ele também entende que “o Supremo é um tribunal de Justiça, e não de exceção”. Nesse ponto, Barroso se aproxima da corrente garantista – defendida tanto pelo ministro Ricardo Lewandowksi, o revisor do mensalão que se contrapôs a Barbosa na maior parte dos debates da Ação Penal nº 470, quanto de Celso de Mello, o decano da Corte, para quem o tribunal deve dar todas as garantias de defesa antes de chegar a um resultado final.

“São possíveis divergências teóricas e filosóficas em direito, mas devemos trabalhar sobre fatos comprovados”, completou Barroso ao ser questionado sobre o polêmico julgamento do mensalão que se avizinhava. Para ele, em questões criminais, a análise das provas é essencial.
(…)

A data do julgamento dos recursos dos condenados no mensalão deve ser definida até o fim deste mês.



Leia mais em: http://www.valor.com.br/politica/3148204/para-barroso-stf-nao-deve-ceder-pressao-da-sociedade#ixzz2VFKMHKz0

Navalha
Como se sabe, “pressão da sociedade” tem um nome, no Brasil: a Globo.
A Globo e todos os seus instrumentos e concessões de serviço público – como a CBN e a TV aberta – exerceram sobre o Supremo uma pressão irresistível para enforcar o Dirceu, de preferência no dia em que o eleitor de São Paulo escolhia entre Cerra e Haddad.
Para isso contribuiu de forma decisiva o Big Ben de Propriá, então presidente do STF, que montou o cronograma do julgamento com a precisão de um programador da grade da Globo – minuto a minuto.
O Brasil jamais se esquecerá dos 18′ do jornal nacional para celebrar o enforcamento do Dirceu.
É uma das páginas nobres da biografia do grande antropólogo pátrio, o Gilberto Freire com “i” (**).
(Clique aqui para ler “Lula lembra à Globo que ela é uma concessão de serviço público” e as sábias palavras de Leonel Brizola.)
Conversa Afiada não quer se precipitar.
Já teve que engolir as palavras, quando saudou a chegada de Ayres Britto à presidência do Supremo como um sol que entrava na janela que, enfim, se abria.
Bom, depois do Peluso, não seria muito difícil …
Mas, deu no que deu.
Ayres Britto acabou no prefácio do livro do Ataulfo Merval de Paiva (***) – antes que o julgamento chegasse ao final – e no Instituto que a Souza Cruz patrocina.
Mas, o ansioso blogueiro renova as esperanças de que a Constituição, um dia, volte soberanamente à Corte Suprema.
Que, assim, para condenar seja preciso ter prova do crime.
Que os acusados tenham direito à dupla jurisdição.
Que depois de absolvidos, o bens dos acusados sejam desbloqueados – até hoje, o brindeiro Gurgel não deixa o Duda Mendonça reaver seus bens…
E que a Constituição – especialmente o artigo 52, Inciso X – não seja inconstitucional, como pretendem Gilmar Dantas (****) e seu fiel escudeiro, Eros Grau, aquele que relatou a vergonhosa anistia da Lei da Anistia.
Será que a Constituição voltará a imperar no Supremo ?
Isso deve ser motivo de profunda preocupação na Globo – ou melhor, na “pressão da sociedade”.



Em tempo: não deixe de ler “As assinaturas da mulher do Gurgel são o ‘xis’ da questão. Até tu, Toffoli ?”. (A animação é um batom na cueca !)

Em tempo2: não deixe de ler “as assinaturas do Randolph são do Randolph, dizem a perícia e o cartório”.

Em tempo3: faltam 31 dias para Gurgel descer à planície e ter uma conversinha com o senador Collor, que o chama de “prevaricador”.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm  no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da história da Globo (o ansioso blogueiro trabalhou com os outros três), deu-se de antropólogo e sociólogo com o livro “Não somos racistas”, onde propõe que o Brasil não tem maioria negra. Por isso, aqui, é conhecido como o Gilberto Freire com “ï”. Conta-se que, um dia, D. Madalena, em Apipucos, admoestou o Mestre: Gilberto, essa carta está há muito tempo em cima da tua mesa e você não abre. Não é para mim, Madalena, respondeu o Mestre, carinhosamente. É para um Gilberto Freire com “i”.

(***) Ataulfo de Paiva foi o mais medíocre – até certa altura – dos membros da Academia. A tal ponto que seu sucessor, o romancista José Lins do Rego  quebrou a tradição e espinafrou o antecessor, no discurso de posse. Daí, Merval merecer aqui o epíteto honroso de “Ataulfo Merval de Paiva”, por seus notórios méritos jornalísticos,  estilísticos, e acadêmicos, em suma. Registre-se, em sua homenagem, que os filhos de Roberto Marinho perceberam isso e não o fizeram diretor de redação nem do Globo nem da TV Globo. Ofereceram-lhe à Academia. E ao Mino Carta, já que Merval é, provavelmente, o personagem principal de seu romance “O Brasil”.

(****) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. E não é que o Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes  de Gilmar Dantas ? Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Isso dá  processo…
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Igor Grabois: O empresariado nacional, sempre à sombra do Estado

04.06.2013
Do blog VI O MUNDO 
Por Igor Grabois

Olha o Delfim! (foto Wikipedia)

Uma das acusações disparadas contra o governo federal trata da escolha de “campeões nacionais” no empresariado, turbinados com fartos financiamentos do BNDES. A questão é que esses campeões já receberam a sua taça há um bom tempo, na maioria das vezes no período da ditadura militar. A maioria dos grandes grupos empresariais do Brasil que sobreviveram à revolução tecnológica e à internacionalização das cadeias produtivas cresceu à sombra do Estado, seja nas grandes obras de infraestrutura, nas concessões de serviços públicos ou nas privatizações.

Por que esses grupos se desenvolveram e outros, fruto do mesmo processo histórico, desapareceram ou sobrevivem com uma atuação marginal? Sagacidade empresarial? Capacidade de trabalho dos seus controladores? Clarividência de seus fundadores?

Nessa história, as diferenças entre burguesia e estado e política e mercado se dissolvem. O grande indutor da acumulação de capital no Brasil tem sido o Estado. O grande financiador da indústria e dos serviços industriais é o BNDES. A Petrobrás, desde a sua fundação na década de 50, tem sido a principal indutora da indústria de máquinas e equipamentos no Brasil. O Estado garantiu energia barata, através da Eletrobrás, e aço a preços de ocasião, com as siderúrgicas estatais, durante décadas a fio.

Nos grandes saltos industriais, principalmente nos governos JK e na ditadura, permitiram a formação dos oligopólios, que desde então, têm dado a tônica na economia brasileira. O BNDES, nessa nova fase de sua atuação, encontrou um cardápio pronto de empresas com capacidade de absorção de tecnologias, formação empresarial e capacidade de realizar a concentração de capital.

Os conglomerados formados em torno das grandes empreiteiras da construção pesada são o exemplo acabado da centralização e concentração de capital no Brasil. Odebrecht, Camargo Correia, Andrade Gutierrez, CR Almeida, Queiroz Galvão, para citar as principais em atividade, deram seu grande salto nas grandes obras do período da ditadura. Itaipu, Tucuruí, as usinas nucleares de Angra, Transamazônica, Ferrovia do Aço fizeram dessas construtoras, todas com atuação restrita regional, grandes players internacionais das obras de infraestrutura.

A Odebrecht, segundo a história contada pela própria empresa, cresceu graças às suas relações com a Petrobrás, construindo, inclusive o seu edifício-sede, depois do golpe de 64. A Odebrecht construiu Angra 1, o Aeroporto do Galeão e esteve na raiz do Pólo Petroquímico de Camaçari. A implosão da capacidade de financiamento do Estado no Brasil produziu um período de vacas magras de grandes obras. A Odebrecht se voltou para a Petroquímica, se beneficiando da privatização da Petroquisa, holding dos negócios petroquímicos da Petrobrás, engolindo quase todo o setor a partir dos anos 90.

Hoje a Odebrecht realiza obras públicas no exterior, principalmente na América do Sul e na África, seguindo os passos da política externa do governo. Tem ramificações nos setores do etanol, construção popular – construindo no programa Minha Casa, Minha Vida – saneamento, exploração de óleo e gás, energia elétrica, portos, ferrovias, rodovias, construção naval, supermercados em Angola, seguros. A novidade é a Odebrecht Defesa e Segurança, dona da Mectron, produtora de mísseis de São José dos Campos.

A Camargo Corrêa construiu a Tranzamazônica, a Linha Norte-Sul do Metrô de São Paulo, entrou no ramo do comento, insumo fundamental da construção pesada. Nos anos 90, na falta de grandes obras, criou a CCR, junto com a Andrade Gutierrez, e passou a gerir a Via Dutra e a ponte Rio-Niterói. É dona, junto com o grupo Votorantim, da CPFL, braço de eletricidade da Camargo Corrêa. Com a Queiroz Galvão, criou o estaleiro Atlântico Sul, entrando de cabeça na renovação da frota da Transpetro. Tem ramificações na área têxtil e de construção de moradias.

A Andrade Gutierrez segue trajetória similar. Empreiteira de grandes obras na ditadura, comprou um naco do antigo Sistema Telebrás, formando a Telemar, associada ao grupo La Fonte, de Carlos Jereissati. A Telemar virou Oi, depois de engolir a Brasil Telecom, contando com financiamento do BNDES para tal. A CR Almeida, depois de construir grandes estradas, passou a geri-las, com a Ecovias, concessionária do sistema Imigrantes-Anchieta.

As grandes construtoras têm uma história em comum. Deram seu grande salto na época da ditadura. A história dos desmandos e da corrupção das grandes obras da ditadura ainda está por ser contada. Todas essas empresas apoiaram entusiasticamente o regime militar. Na crise das décadas de 80 e 90, se apropriaram das empresas estatais nas privatizações. Hoje, acompanham os programas governamentais, obras do PAC, da Copa, hidrelétricas da Amazônia, pré-sal, concessões rodoviárias, portuárias e de aeroportos, compras de material bélico. Se espalham pela indústria de transformação e nos serviços.

A concentração de capital atinge outros setores. O Ministro Delfim achou, no período Médici, que o Brasil tinha bancos demais. E iniciou o processo de concentração bancária, que resultou em apenas dois grandes bancos comercias privados, Bradesco e Itaú. Ambos engoliram a maioria dos bancos estaduais liquidados pelo Proer de FHC e Malan. O Bradesco cresceu engolindo diversos bancos regionais na década de 70. Amador Aguiar, seu fundador, foi contumaz colaborador do regime, inclusive dos órgãos da repressão política. O Bradesco esteve no centro de privatizações, como a da Vale e do setor siderúrgico. Bradesco e Itaú são os grandes fornecedores de crédito da expansão recente do consumo, fonte da rentabilidade recorde desses bancos.

O modelo do agronegócio, que transformou o Brasil em um grande exportador de grãos e de proteína animal, também foi gestado na ditadura. Na ausência de uma reforma agrária, a agricultura integrada com a indústria, com participação intensiva do capital estrangeiro, tornou dominante. BRF e Friboi são fruto dessa história. A produção agropecuária brasileira é intensamente verticalizada, com grupos empresarias originários da expansão da fronteira agrícola na década de 70, na base de incentivos fiscais e concentração fundiária.
Pode-se falar dos grupos de mídia eletrônica. Afinal, todos eles são concessões sob a égide do Ministério das Comunicações, de Rômulo Furtado a Paulo Bernardo e são fruto do modelo de grandes redes. Mas esses cospem no prato em que ainda comem.

Alguns setores que se desenvolveram na ditadura não conseguiram passar na prova de fogo da universalização do capital. O setor de autopeças, desenvolvido a golpes de financiamento estatal, não resistiu à internacionalização das cadeias de fornecimento das multinacionais do automóvel. A indústria de eletrônicos de consumo morreu vítima de sua criação, o campo de sonegação fiscal oficializada que é a Zona Franca de Manaus.

Os grupos empresariais que sobreviveram e se consolidaram foram os que se imbricaram com Estado. Moldaram as políticas e confundiram seus interesses com os interesses nacionais. Isso é fato mesmo quando se lança a cortina de fumaça ideológica do Estado Mínimo e das privatizações. O novo momento da acumulação de capital, em que parece existir uma divisão de tarefas entre governo e empresas, beneficia os mesmos que tiveram sua arrancada nas trevas dos anos de chumbo. Eike Batista é uma exceção, não tão exceção assim. Suas raízes estão na Vale, ainda estatal.

Da ditadura aos governos do PT, passando por Sarney, Collor e FHC, há uma linha de ruptura e continuidade. Os sucessivos governos vão cumprindo tarefas necessárias para que a acumulação de capital se dê em patamares cada vez mais elevados.

Leia também:

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TÂNIA PASSOS: Fiscalização eletrônica ampliada

04.06.2013
Do portal do DIÁRIO DE PERNAMBUCO
Por Tânia Passos

Novos equipamentos vão identificar carros que pararem sobre a faixa de pedestres ou desrespeitarem o sinal vermelho

Sensores poderão identificar placas de veículos que passarem por cruzamentos (EDVALDO RODRIGUES/DP/D.A PRES)
Sensores poderão identificar placas de veículos que passarem por cruzamentos

Quem costuma parar o veículo em plena faixa de pedestre, enquanto o semáforo abrir, ou ainda tem o péssimo hábito de avançar o sinal vermelho, deve começar a repensar a forma de dirigir ou vai acabar sentido o peso no bolso. A Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) vai aumentar de 57 para 177 o número de equipamentos de fiscalização eletrônica nos principais cruzamentos da cidade. Eles vão identificar as placas dos motoristas infratores por meio de reconhecimento óptico de caracteres, os chamados OCR. Hoje, o avanço do sinal vermelho é a segunda infração mais cometida, com 39.490 multas registradas no ano passado. Já parar o carro na faixa de pedestre é a sexta maior infração, com quase 17 mil multas.

Avanço de sinal é infração é gravíssima, com sete pontos na carteira e multa de R$ 191,54. Estacionar na faixa é uma infração grave, com cinco pontos na carteira e multa de R$ 127,69. Os motoristas que insistem em cometer essas infrações, mas ainda não foram flagrados por um agente de trânsito, dificilmente irão escapar das lentes de reconhecimento óptico que serão instaladas nos cruzamentos. Os equipamentos devem começar a funcionar em até 60 dias. Ontem, o prefeito Geraldo Julio assinou o edital para contratação de uma empresa especializada em engenharia de tráfego. “A fiscalização do trânsito do Recife é ainda muito precária. Estamos instalando novos equipamentos e teremos ainda um concurso para a contratação de novos agentes de trânsito, além dos monitores de tráfego para reduzir essa carência”, ressaltou.

A ampliação dos equipamentos eletrônicos de fiscalização do trânsito é bem vista pelos especialistas. Para o engenheiro e especialista em mobilidade César Cavalcanti, a medida terá um caráter essencialmente educativo. “Além de melhorar o trânsito, a punição é educativa porque irá pesar no bolso, a nossa parte mais sensível”, opinou. Já o professor dos departamentos de engenharia das universidades Federal e Católica de Pernambuco, Maurício Pina, ressalta que os motoristas vão pensar duas vezes antes de fechar um cruzamento. “É uma medida bastante positiva porque obrigará o motorista a mudar o comportamento no trânsito para não ser multado”. Graças à leitura óptica das placas, o equipamento também poderá identificar veículos que estejam irregulares.

As faixas de pedestre onde os equipamentos vão ser instalados terão que estar devidamente pintadas e iluminadas. “A empresa que vencer a licitação também se encarregará da pintura e da iluminação. É um pacote completo”, explicou a presidente da CTTU, Taciana Ferreira. Além dos 120 equipamentos fixos de OCR, haverá ampliação no número de câmeras que transmitem informações em tempo real à Central de Operações de Tráfego da CTTU, de 40 para 72. Os equipamentos vão funcionar das 6h as 20h. 

Saiba mais

Sistema de identificação veicular com leitura das placas
Identifica veículos com restrição de circulação
Elabora estatística do tempo de percurso
Identifica a velocidade média dos veículos
Registra a placa dos veículos que avançarem o sinal vermelho
Registra a placa dos veículos que pararem na faixa de pedestres
Ampliação dos equipamentos de fiscalização:
57 equipamentos existem atualmente
120 novos equipamentos serão instalados nos cruzamentos da cidade
40 câmeras auxiliam no monitoramento do tráfego em tempo real
72 câmeras passarão a fazer o monitoramento do tráfego em tempo real
Algumas das principais avenidas que receberão os equipamentos
Domingos Ferreira
Sul
Caxangá
Mascarenhas de Morais
Beberibe
Dois Rios
Norte
Agamenon Magalhães
Conselheiro Rosa e Silva
Fonte: CTTU
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Segundo dentista que teve corpo incendiado em assalto morre em SP

04.06.2013
Do portal da Agência Brasil, 04.06.13
Por Camila Maciel
São Paulo - Morreu às 22h30 de ontem (3) o dentista  Alexandre Peçanha Gaddy, 41 anos, que estava internado desde o último dia 27 após ter o corpo incendiado em um assalto em São José dos Campos, no Vale do Paraíba. Esse foi o segundo caso com dentistas queimados vivos por criminosos em pouco mais de um mês em São Paulo.
Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, para onde ele foi transferido no dia 30 de maio, o paciente encontrava-se em estado crítico devido a queimaduras de terceiro grau que atingiram mais de 50% do seu corpo.
Alexandre foi atacado por duas pessoas encapuzadas, por volta das 21h do dia 27 de maio, na Rua Periquitos, no bairro Vila Tatetuba. A primeira vítima, Cinthya Magaly Moutinho de Souza, 47 anos, morreu no dia 25 de abril, depois de ser atacada e queimada por criminosos que invadiram seu consultório em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
Os ataques mobilizaram a categoria, que solicitou uma audiência com o secretário de Segurança Pública do estado, Fernando Grella Vieira. O Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp) publicou nota em que manifestou indignação: “Essa tragédia reforça a necessidade de um profundo debate sobre a questão da segurança no estado de São Paulo e no Brasil. É, aliás, um retrato da falta de segurança que ronda o dia a dia dos profissionais de odontologia e dos cidadãos de São Paulo”, diz o comunicado.
Edição: Graça Adjuto
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-06-04/segundo-dentista-que-teve-corpo-incendiado-em-assalto-morre-em-sp

Imprensa esportiva reacionária adentra o gramado

04.06.2013
Do blog PALAVRA LIVRE, 03.06.13
Por Davis Sena Filho


Há muitos meses percebi que os colunistas, comentaristas, repórteres, âncoras e blogueiros da velha imprensa corporativa passaram a fazer comentários, ilações e até mesmo a ironizar e desprezar, de forma sistemática, os megaeventos esportivos que vão acontecer no Brasil. Estranho. E explico por quê. Como pode os jornalistas, por exemplo, da CBN, do Sportv, da Globo, da Band, da Jovem Pan, do jornal Lance!, da revista Placar, do Esporte Espetacular, da ESPN, da Fox Sports e do Globo Esporte serem contra eventos que propiciarão lucros gigantescos às empresas nas quais eles trabalham? Respondo: pode.
O jornalista esportivo por vontade própria ou a mando de seu chefe editor ou diretor passou a fazer também oposição ao Governo Federal.  Como qualquer ser que respira — mesmo se viver na ignorância e na alienação —, o jornalista esportivo tem instinto de preservação e de sobrevivência, sendo que o seu problema maior se traduz na preservação do emprego, que se soma ao reacionarismo arraigado em seus valores de classe média. Dos valores elencados, o principal deles é o de se livrar da companhia das massas, porque acreditam em um mundo VIP, onde se sintam “especiais” e bafejados pela sorte e pelos olhares e os cuidados dos deuses.
A maioria dos jornalistas esportivos é originária da classe média. Através das gerações aprenderam a desprezar e a menosprezar o Brasil e tudo o que representa o brasileiro, bem como, ultimamente, alinharam-se aos jornalistas de política e de economia da imprensa de negócios privados, porque passaram a fazer também uma campanha insidiosa, pérfida e sem trégua aos governantes trabalhistas, que assumiram, constitucionalmente, há 11 anos o poder no Brasil por meio das urnas, ou seja, conquistaram a maioria dos votos do povo brasileiro.
Eu quero dizer que os jornalistas esportivos ‘adentraram o gramado’, como afirmavam os narradores antigos, e passaram a fazer uma injusta e intolerante campanha contra, inclusive, os interesses da Nação, porque se juntaram, a mando de seus patrões, a seus colegas das editorias política e econômica, como forma de fazer uma frente que desqualifique o trabalhador brasileiro e desmoralize o governo da presidenta trabalhista Dilma Rousseff, além de atingir, sem sombra de dúvida, o ex-presidente Lula, cujo governo trabalhista garantiu que a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas fossem realizadas no Brasil. 

Os jogos e os eventos esportivos vão fazer com que o País deixe como herança à população um legado em infraestrutura, receba bilhões em recursos financeiros no decorrer desta década, realidades que vão fomentar ainda mais a economia interna, e, consequentemente, vão propiciar a criação de milhares de empregos, além de fazer com que o Brasil fique exposto à mídia mundial, que vai mostrar o País a todos os povos, que, curiosos, poderão, um dia, visitá-lo como turistas e ajudar a desenvolver ainda mais a economia brasileira. Quaisquer governos ou povos desejam ou querem ser sedes de jogos com visibilidade planetária. Quem rema contra a maré, para variar, são sempre os mesmos portadores de complexo de vira-latas: a imprensa burguesa, a direita partidária, setores atrasados do empresariado urbano e rural e a classe média tradicional, que consome os produtos de péssima qualidade editorial da imprensa de mercado.
Mesmo assim a campanha nebulosa da imprensa esportiva não cessa. É intermitente. As grandes corporações de comunicação deste País vão ganhar dinheiro a rodo com a realização dos grandiosos eventos. A Globo e os seus canais fechados, por exemplo, vão lucrar como nunca lucraram, mas mesmo assim, por causa de ideologia e preconceitos históricos, apostam no “suicídio” financeiro, no fracasso dos jogos, e dão tiros nos pés, porque o ódio é incomensurável. A verdade é que as nossas “elites” brancas, reacionárias, perversas, colonizadas e de passado escravagista preferem aplicar o veneno em si mesmas do que cooperar para que o Brasil e seu povo se tornem um sucesso no que diz respeito a realizar os eventos esportivos, com competência somada à alegria tão comum ao povo brasileiro.
Todos os setores e segmentos da economia vão ter lucros. Cresci a ver os jornalistas esportivos a choramingar misérias porque o Brasil estava há décadas a não receber e realizar eventos esportivos internacionais. Era o sonho dos empresários midiáticos e de seus empregados, que, diuturnamente, apregoam o “fracasso” e a “incompetência” do Brasil. Até a África do Sul foi sede de uma Copa do Mundo, mas o Brasil, que é um País industrializado, a sexta maior economia do mundo e que sempre teve tudo por causa de sua competência, como bem comprova a privatização de suas estatais, porque só vende quem tem o que vender, não vai conseguir fazer uma Copa do Mundo, talvez porque vai faltar bolas e apitos, o que, sobremaneira, vai inviabilizar os jogos e a vinda de milhões de turistas. Dá um tempo, né? É o complexo de vira-lata e a baixa estima na veia!
Contudo, sabemos que o Brasil foi sede de uma Copa no já longínquo ano de 1950. O Brasil rural, onde quase 70% da população morava no campo realizou a Copa. Agora em pleno século XXI, no terceiro milênio, o Brasil, o seu governo trabalhista e os trabalhadores brasileiros não têm competência, segundo a nossa imprensa alienígena, derrotista, negativista e de essência arbitrária. Tornou-se impossível ouvir, assistir e ler as "abobrinhas" e ter paciência com a insensatez e a total falta de sabedoria de tais escribas, agentes da derrota, da baixa estima e do ódio ao Brasil. Antes, os jornalistas esportivos eram proibidos de comentar sobre política e até mesmo falar sobre economia.
Entretanto, com o advento dos megaeventos no Brasil em um tempo em que os mandatários eleitos são do campo trabalhista e do PT, a ordem nas redações é para boicotar as Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas até esses eventos começar. A partir daí, como sempre, as aves de mau agouro, os abutres dão um tempo, pois afinal eles têm que comer carniça, que se traduz em  ganhar muito dinheiro, para logo depois de encerrado os jogos recomeçar a flagelação e a desqualificação de quem proporcionou tamanhas festas esportivas. Afinal, as eleições presidenciais vão ser realizadas em outubro de 2014.
A direita brasileira é assim: uma das mais perversas e poderosas do mundo. Os senhores da casa grande não vão dar água a quem necessita, no caso o Brasil. Onde e quando se viu os senhores de escravos e os seus capatazes de classe média a cooperar e a se solidarizar? Se alguém viu é porque está completamente equivocado, desnorteado ou de porre. A corrente dos entreguistas e colonizados que não desejam um Brasil independente, soberano e com seu povo emancipado é, na verdade, o campo político mais antigo do País e composto por escravagistas desde 1500, em que seus latifúndios estão, geração após geração, disseminados, simbolicamente, nas mentes, na cultura, nas estruturas sociais e no imaginário da classe média tradicional e de grande parte dos donos dos meios de produção.
E é por isto que jornalistas de política, de economia e agora os esportivos estão escalados no mesmo time, a compor uma grande frente contra o Brasil e o povo brasileiro. Quando, certo dia, os trabalhistas do PT saírem do poder, talvez tudo que é feito neste País vai merecer os aplausos dos escribas reacionários e dos pequenos mussolinis das classes média e rica. Mesmo assim me arrisco a afirmar que os barões da imprensa, se tiverem de escolher, sempre optarão pelos interesses dos grandes bancos e dos trustes internacionais e dos governos imperialistas, a exemplo da Inglaterra, da França e principalmente dos EUA. Eles são autoritários, arrogantes, presunçosos com o Brasil, a África e a América Latina.
Por sua vez, falam grosso com a Bolívia e o Paraguai, e fino com os EUA e a Inglaterra. Essas pessoas se transformam em seres subservientes, venais, colonizados e pusilânimes quando tratam com seus senhores, que dominam o capitalismo em âmbito mundial e financiam e propagam a guerra por meio de invasões armadas de pirataria e rapinagem, como ocorreu e ocorre com a Líbia, o Iraque, o Afeganistão, a Palestina e a Síria, cuja oposição armada é financiada pelas potências ocidentais, por intermédio da Otan, da CIA e do Departamento de Estado dos EUA. A imprensa esportiva reacionária adentrou o gramado. Este lamentável campo, sem ter conhecimento e discernimento para meter a mão em tal cumbuca. A maioria dos jornalistas esportivos, por ideologia ou meramente oportunismo, aposta no fracasso dos eventos. Contudo, eles vão, mais uma vez, perder o jogo para o povo brasileiro. É isso aí.
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Volta do PSDB ao poder poderia gerar convulsão social no país

04.06.2013
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
Se o bombardeio midiático de saturação contra o governo Dilma obtiver êxito e conseguir eleger um tucano como presidente no ano que vem, pode-se prever grandes mudanças na política econômica do país. Mudanças que podem ser desastrosas.
A similaridade entre o discurso do pré-candidato tucano Aécio Neves e o dos analistas e editorialistas da grande imprensa já permite ver algumas mudanças práticas que sobreviriam.
Em primeiro lugar, Aécio já encampou a pregação dos jornais e revistas semanais sobre o estímulo à economia via gastos públicos.
Em recente propaganda partidária do PSDB, o pré-candidato tucano defendeu controle de gastos públicos para conter a inflação. Esse discurso é exatamente o mesmo que o dos jornais Folha de São Paulo, O Globo e Estadão, além de revistas como Veja e Época.
Veja, abaixo, vídeo contendo recente propaganda partidária do PSDB em que Aécio acusa o governo de “gastar mais do que arrecada” e que isso precisa mudar para diminuir a inflação. Em seguida, leia trecho de editorial da Folha que diz exatamente o mesmo.
—–
Propaganda partidária do PSDB
22 de maio de 2013
*
FOLHA DE SÃO PAULO
Editorial
Um plano Dilma
2 de junho de 2013
“(…) O governo deve renunciar à insensatez de tentar estimular a economia com gastos públicos enquanto o BC se dedica à missão contrária de desincentivar crédito e consumo, necessária para debelar a inflação (…)”
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Como se vê, ambos dizem a mesma coisa. No vídeo, Aécio diz, textualmente, que “Hoje, o governo federal gasta mais do que arrecada” e que, por isso, “A conta não fecha”, referindo-se à causa da inflação.
O gráfico abaixo mostra que o PSDB não tem como dar lições nesse assunto. A relação dívida-PIB que ilustra está desatualizada porque o estudo é de 2010 e, assim, os resultados daquele ano, de 2011, 2012 e 2013 estão desatualizados. Contudo, mostra a situação concreta entre 1984 e 2009.
Como se vê, a relação entre o Produto Interno Bruto e a dívida líquida do setor público começou a piorar entre 1995 e 2002, último ano do governo do PSDB, quando chegou a 60% do PIB. Depois, veio caindo. Em abril deste ano, estava em pouco mais de 35%.
Esse é um dos indicadores mais eloquentes sobre o Estado de uma economia. Sim, a dívida veio crescendo nos últimos meses, mas, ainda assim, não há uma situação explosiva como a da era tucana.
Todavia, seria possível o governo melhorar ainda mais esse número se seguisse o conselho da mídia e do PSDB sobre “renunciar à insensatez de tentar estimular a economia com gastos públicos”.
Mas há um probleminha nessa política. Antes de explicar qual é, analisemos o patamar atual da economia brasileira em relação ao de 2002, último ano do governo FHC.
Em 2012, o PIB brasileiro foi de 2,5 trilhões de dólares; em 2002, foi de 450 bilhões. Ou seja: em dólares, a economia brasileira é hoje CINCO VEZES maior do que a de uma década atrás.
Nos últimos dez anos, portanto, houve uma revolução na economia brasileira que nos deu condições de usar o investimento do Estado para promover o crescimento.
Além disso, a política brasileira é bem sensata e produto de uma decisão do governo que se sustenta em um fato real: gastamos porque podemos.
Em abril, o governo divulgou que pode haver relaxamento da meta de superávit em 2013 e 2014. Superávit primário, para quem não sabe, é a diferença entre receitas e despesas do governo, excluído o valor dos juros da dívida pública, que, hoje, é muito menor em relação ao tamanho da economia.
O Brasil não tem como incluir os juros nessa conta, mas o indicador que define o Estado da economia não é o tamanho da dívida pública e sim a sua relação com o PIB, ou seja, quanto o governo deve em comparação com a riqueza que produz anualmente.
Ora, Lula chegou ao poder com uma dívida pública líquida que representava 60% do PIB e, hoje, com Dilma, esse percentual está em 35%.
Podemos – e devemos –, portanto, usar essa situação inédita na economia brasileira para fugir de uma política que teria como contrapartida um verdadeiro desastre social no país.
O desemprego só está baixo, hoje, porque o Estado lidera os investimentos no país com programas sociais (como o Bolsa Família) e de infraestrutura (como o PAC). Uma redução consistente nesses gastos, visando aumentar o superávit primário, teria como consequência o aumento do desemprego e a redução da renda e dos salários.
Aécio e a mídia ligada ao PSDB afirmam que essa política reduziria a inflação e aceleraria o crescimento.
Quanto à inflação, o arrocho salarial e o desemprego poderiam, sim, reduzi-la um pouco, mas de que adiantam preços mais baixos se o povo estiver desempregado e quem tiver emprego estiver ganhando muito menos?
Hoje, a população não sente a crise econômica que está gerando convulsão social em grande parte dos países ricos, sobretudo na Europa. A política que a mídia prega e que o PSDB deixa ver que pode adotar, no entanto, importaria essa convulsão para o Brasil.
A você que acredita no que dizem a mídia tucana e o partido que ela quer reconduzir ao poder, portanto, tenha em mente que, se o PSDB voltar ao poder, é certo que haverá mais desemprego e salários menores. E que você pode ser atingido por essa situação.
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BLOG MOBILIDADE URBANA: Escalonamento de horários

04.06.2013
Do BLOG MOBILIDADE URBANA, 03.06.13
Por Tânia Passos

Foto - Juliana Leitão DP/D.A.Press
Uma alternativa que vem sendo discutida em várias cidades brasileiras para a melhoria da mobilidade ainda não ganhou eco na capital pernambucana: o escalonamento dos horários de funcionamento das empresas públicas e privadas. A lógica parte de um princípio básico: com horários distintos, a movimentação será segmentada e o tráfego mais rápido.
É verdade que não é uma solução de fácil consenso e precisaria ser discutida nas três esferas de governo. Mas mudar horários não deveria ser mais complicado do que construir grandes obras viárias (com soluções temporárias) ou ainda implantar rodízio de placas, também com prazo de validade. A ideia de mexer na dinâmica de circulação da massa trabalhadora resultaria numa melhor eficiência da ocupação dos espaços públicos e da qualidade de vida. Mas como decidir uma questão tão complexa, a partir de soluções pontuais?
Em Cuiabá, o escalonamento chegou a ser discutido como medida temporária durante as obras da Copa do Mundo, mas não saiu do papel. Em Curitiba, a ideia do escalonamento também já foi colocada em pauta. Apesar de ter um dos melhores sistemas de transportes públicos do país, a capital do Paraná tem uma das maiores frotas de veículos e também sofre com os congestionamentos.
Mas nem mesmo lá, o escalonamento chegou a ser adotado. Numa época em que as soluções mágicas para melhoria da mobilidade surgem de todas as formas, readequar horários não parece ser nenhuma medida espetacular, mas pode modificar um cenário de incertezas nas ruas cada vez menores para uma frota que cresce a cada dia.
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Barbosa e ex-procurador geral esconderam provas que poderiam mudar julgamento do mensalão

04.06.2013
Do blog VI O MUNDO, 03.06.13

Fotos: Agência Brasil

A pedido do procurador Antônio Fernando de Souza, ministro Joaquim Barbosa manteve um inquérito paralelo sob segredo de justiça, no Supremo Tribunal Federal (STF), e decretou sigilo em outro processo que corre no Distrito Federal contra um ex-diretor do Banco do Brasil, acusado pelo mesmo crime que condenou Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do BB. Por esses dois outros procedimentos passaram parte das investigações do chamado caso do “Mensalão”.


São Paulo - O então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, criaram em 2006 e mantiveram sob segredo de Justiça dois procedimentos judiciais paralelos à Ação Penal 470.

Por esses dois outros procedimentos passaram parte das investigações do chamado caso do “Mensalão”. O inquérito sigiloso de número 2474 correu paralelamente ao processo do chamado Mensalão, que levou à condenação, pelo STF, de 38 dos 40 denunciados por envolvimento no caso, no final do ano passado, e continua em aberto. E desde 2006 corre na 12ª Vara de Justiça Federal, em Brasília, um processo contra o ex-gerente executivo do Banco do Brasil, Cláudio de Castro Vasconcelos, pelo exato mesmo crime pelo qual foi condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato.

Esses dois inquéritos receberam provas colhidas posteriormente ao oferecimento da denúncia ao STF contra os réus do mensalão pelo procurador Antônio Fernando, em 30 de março de 2006. Pelo menos uma delas, o Laudo de número 2828, do Instituto de Criminalística da Polícia Federal, teria o poder de inocentar Pizzolato.

O advogado do ex-diretor do BB, Marthius Sávio Cavalcante Lobato, todavia, apenas teve acesso ao inquérito que corre em primeira instância contra Vasconcelos no dia 29 de abril deste ano, isto é, há um mês e quase meio ano depois da condenação de seu cliente. E não mais tempo do que isso descobriu que existe o tal inquérito secreto, de número 2474, em andamento no STF, também relatado por Joaquim Barbosa, que ninguém sabe do que se trata – apenas que é um desmembramento da Ação Penal 470 –, mas que serviu para dar encaminhamento às provas que foram colhidas pela Polícia Federal depois da formalização da denúncia de Souza ao Supremo. Essas provas não puderam ser usadas a favor de nenhum dos condenados do mensalão.

Essa inusitada fórmula jurídica, segundo a qual foram selecionados 40 réus entre 126 apontados por uma Comissão Parlamentar de Inquérito e decidido a dedo para qual dos dois procedimentos judiciais (uma Ação Penal em curso, pública, e uma investigação sob sigilo) réus acusados do mesmo crime deveriam constar, foi definida por Barbosa, em entendimento com o procurador-geral da República da época, Antonio Fernando, conforme documento obtido pelo advogado. Roberto Gurgel assumiu em julho de 2009, quando o procedimento secreto já existia.

A história do processo que ninguém viu

Em março de 2006, a CPMI dos Correios divulgou um relatório preliminar pedindo o indiciamento de 126 pessoas. Dez dias depois, em 30 de março de 2006, o procurador-geral da República, rápido no gatilho, já tinha se convencido da culpa de 40, número escolhido para relacionar o episódio à estória de Ali Babá.

A base das duas acusações era desvio de dinheiro público (que era da bandeira Visa Internacional, mas foi considerado público, por uma licença jurídica não muito clara) do Fundo de Incentivo Visanet para o Partido dos Trabalhadores, que teria corrompido a sua base aliada com esse dinheiro. Era vital para essa tese, que transformava o dinheiro da Visa Internacional, aplicado em publicidade do BB e de mais 24 bancos entre 2001 e 2005, em dinheiro público, ter um petista no meio. Pizzolato era do PT e foi diretor de Marketing de 2003 a 2005.

Pizzolato assinou três notas técnicas com outro diretor e dois gerentes-executivos recomendando campanhas de publicidade e patrocínio (e deixou de assinar uma) e foi sozinho para a lista dos 40. Os outros três, que estavam no Banco do Brasil desde o governo anterior, não foram mencionados.

A Procuradoria-Geral da República, todavia, encaminhou em agosto para a primeira instância de Brasília o caso do gerente-executivo de Publicidade, Cláudio de Castro Vasconcelos, que vinha do governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso. O caso era o mesmo: supostas irregularidades no uso do Fundo de Incentivo Visanet pelo BB, no período de 2001 a 2005, que poderia ter favorecido a agência DNA, do empresário Marcos Valério. Um, Pizzolato, que era petista de carteirinha, respondeu no Supremo por uma decisão conjunta. Outro, Cláudio Gonçalves, responde na primeira instância porque o procurador considerou que ele não tinha foro privilegiado. Tratamento diferente para casos absolutamente iguais.

Barbosa decretou segredo de Justiça para o processo da primeira instância, que ficou lá, desconhecido de todos, até 31 de outubro do ano passado, quando a Folha de S. Paulo publicou uma matéria se referindo a isso (“Mensalão provoca a quebra de sigilo de ex-executivos do BB”). Faltavam poucos dias para a definição da pena dos condenados, entre eles Pizzolato, e seu advogado dependia de Barbosa para que o juiz da 12ª Vara desse acesso aos autos do processo, já que foi o ministro do STF que decretou o sigilo.

O relator da AP 470 interrompera o julgamento para ir à Alemanha, para tratamento de saúde. Na sua ausência, o requerimento do advogado teria que ser analisado pelo revisor da ação, Ricardo Lewandowski. Barbosa não deixou. Por telefone, deu ordens à sua assessoria que analisaria o pedido quando voltasse.

Quando voltou, Barbosa não respondeu ao pedido. Continuou o julgamento. No dia 21 de novembro, Pizzolato recebeu a pena, sem que seu advogado conseguisse ter acesso ao processo que, pelo simples fato de existir, provava que o ex-diretor do BB não tomou decisões sozinho – e essa, afinal, foi a base da argumentação de todo o processo de mensalão (um petista dentro de um banco público desvia dinheiro para suprir um esquema de compra de votos no Congresso feito pelo seu partido).

No dia 17 de dezembro, quando o STF fazia as últimas reuniões do julgamento para decidir a pena dos condenados, Barbosa foi obrigado a dar ciência ao plenário de um agravo regimental do advogado de Pizzolato. No meio da sessão, anunciou “pequenos problemas a resolver” e mencionou um “agravo regimental do réu Henrique Pizzolato que já resolvemos”. No final da sessão, voltou ao assunto, informando que decidira sozinho indeferir o pedido, já que “ele (Pizzolato) pediu vistas a um processo que não tramita no Supremo”.

O único ministro que parece ter entendido que o assunto não era tão banal quanto falava Barbosa foi Marco Aurélio Mello.

MelloO incidente [que motivou o agravo] diz respeito a que processo? Ao revelador da Ação Penal nº 470?”

Barbosa: “Não”.

Mello: “É um processo que ainda está em curso, é isso?”

Barbosa: “São desdobramentos desta Ação Penal. Há inúmeros procedimentos em curso.”

MelloPois é, mas teríamos que apregoar esse outro processo que ainda está em curso, porque o julgamento da Ação Penal nº 470 está praticamente encerrado, não é?”

BarbosaÉ, eu acredito que isso deve ser tido como motivação…”

Mello: “Receio que a inserção dessa decisão no julgamento da Ação Penal nº 470 acabe motivando a interposição de embargos declaratórios.”

Barbosa: “Pois é. Mas enfim, eu estou indeferindo.”

Segue-se uma tentativa de Marco Aurélio de obter mais informações sobre o processo, e de prevenir o ministro Barbosa que ele abria brechas para embargos futuros, se o tema fosse relacionado. Barbosa reitera sempre com um “indeferi”, “neguei”. (Veja sessão aqui)

O agravo foi negado monocraticamente por Barbosa, sob o argumento de que quem deveria abrir o sigilo de justiça era o juiz da 12ª Vara. O advogado apenas conseguiu vistas ao processo no DF no dia 29 de abril do mês passado.

Um inquérito que ninguém viu

O processo da 12ª Vara, no entanto, não é um mero desdobramento da Ação Penal 470, nem o único. O procurador-geral Antonio Fernando fez a denúncia do caso do Mensalão ao STF em 30 de março de 2006. Em 9 de outubro daquele ano, em uma petição ao relator do caso, solicitou a Barbosa a abertura de outro procedimento, além do inquérito original (o 2245, que virou a AP 470), para dar vazão aos documentos que ainda estavam sendo produzidos por uma investigação que não havia terminado (Souza fez as denúncias, portanto, sem que as investigações de todo o caso tivessem sido concluídas; a Polícia Federal e outros órgãos do governo continuavam a produzir provas).

O ofício é uma prova da existência do inquérito 2245, o procedimento paralelo criado por Barbosa que foi criado em outubro de 2006, imediatamente ganhou sigilo de justiça e ficou sob a responsabilidade do mesmo relator Joaquim Barbosa.

Diz o procurador na petição: “Por ter conseguido formar juízo sobre a autoria e materialidade de diversos fatos penalmente ilícitos, objeto do inquérito 2245, já oferecia a denúncia contra os respectivos autores”, mas, informa Souza, como a investigação continuar, os documentos que elas geram têm sido anexados ao processo já em andamento, o que poderia dar margens à invalidação dos “atos investigatórios posteriores”. E aí sugere: “Assim requeiro, com a maior brevidade, que novos documentos sejam autuados em separado, como inquérito (…) ”.
Barbosa defere o pedido nos seguintes termos: “em relação aos fatos não constantes da denúncia oferecida, defiro o pedido para que os documentos sejam autuados em separado, como inquérito. Por razões de ordem prática, gerar confusão.”

No inquérito paralelo, o de número 2474, foram desovados todos os resultados da investigação conduzida depois disso. Nenhum condenado no processo chamado Mensalão teve acesso a provas produzidas pela Polícia Federal ou por outros órgãos do governo depois da criação desse inquérito porque todas todos esses documentos foram enviados para um inquérito mantido todo o tempo em segredo pelo Supremo Tribunal Federal.

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