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terça-feira, 21 de maio de 2013

ELITE INVEJOSA: O incorrigível ódio de classe contra Lula

21.05.2013
Do blog ESQUERDOPATA, 
Por Charles Carmo, O Recôncavo 


Lula no NYT: reações nas redes sociais explicam porque a oposição está na oposição

Eles precisam diminuir o adversário para acreditar em sua própria vitória, diria Gramsci. 

Não é de se admirar que esse grupo social esteja há 10 anos na oposição. 
Como, se não sabe inglês?- perguntam seus  opositores, com ares de Cícero.  
Algumas postagens nas redes socais sobre o fato do ex-presidente Lula virar colunista do jornal The New York Times comprovam que é absolutamente impossível para parte da classe média e quase a totalidade da elite brasileira aceitar, sem manifestações explícitas de incorrigível ódio de classe e peculiar preconceito, esse fato: Lula é um player dentro da política internacional!

Seus artigos serão comprados, aposta o NYT. Por isso Lula foi contratado.

No fundo esse é o sonho do tucano clássico. Por isso também o despeito. Lula é respeitado em todo mundo. É um fato, ora.

Se a oposição partisse da realidade, e não de seu fígado, faria a leitura conjuntural que lhe possibilitaria mensurar as ações necessárias ao seu crescimento.

Não obstante, esses setores preferem permanecer numa desqualificação que, a toda hora, é derrotada pela realidade. É nessa hora que Lula viva colunista do NYT. E a leitura errada é entornada no chão.

Eles precisam diminuir o adversário para acreditar em sua própria vitória, diria Gramsci.

Frágeis…tão frágeis. Há um preconceito atávico que a eles serve de explicação racional do Brasil. Sem esses preconceitos seus totens caem, como gotas de orvalho. Esses preconceitos explicam porque são superiores. E porque seres superiores devem viver em situação privilegiada.    

Há quem pergunte, triunfante, como se o argumento fosse definitivo:

- Ora, mas como Lula escreverá para o NYT se não sabe o idioma inglês?

Não é de se admirar que esse grupo social, incapaz de perceber que neste grau de relações a língua jamais será uma barreira, esteja há 10 anos na oposição.

Lula os põe na palma da mão. Por isso ele está na linha de frente.

É que na universidade do mundo eles são analfabetos políticos. E Lula é Doutor.

Ou agora a meritocracia não vale?


Charles Carmo

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A carapuça, a covardia, e o tempo que passa

21.05.2013
Do blog CRÔNICAS DO MOTTA
A ministra Maria do Rosário falou 
o que até as pedras sabem, mas depois 
teve de contemporizar: governo Dilma
 não gosta de brigar
(Foto: Elza Fiúza/ABr)

O episódio dos boatos criminosos sobre o fim do Bolsa Família permite duas constatações.

A primeira é que o governo Dilma é do tipo que faz de tudo para não entrar numa briga, e a outra é que o programa social  está tão incorporado à vida de milhões de brasileiros que seria impossível decretar o seu fim, como quer a turma do contra.

Poucas horas depois de atribuir a autoria dos boatos à oposição, via twitter, a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, voltou atrás, obviamente coagida pelos superiores.

Note-se que, mesmo dizendo "oposição" genericamente, sem nominar esse ou aquele, os próceres da turma do contra - sempre os mesmos - vomitaram frases indignadas contra a ministra.

A carapuça serviu direitinho.

E o governo acovardou-se.

A própria presidente Dilma, embora tenha classificado a onda de boataria de criminosa, perdeu a oportunidade de mostrar ao público como vem sendo travada no Brasil a luta política pelo poder, as baixarias que os seus adversários (ou inimigos?) têm usado nesses anos todos, e, principalmente, a intenção óbvia de ferir mortalmente a maior realização social dos governos do PT, uma conquista do povo miserável, que pela primeira vez na história do país, se vê verdadeiramente amparado pelo Estado.

Os próximos dias, se de fato a Polícia Federal investigar a fundo a origem dos boatos, vão dizer como bate o pulso do governo Dilma no que se refere à sua própria autoridade.

Se, como é bem provável que aconteça, os bravos policiais chegarem à conclusão de que é impossível determinar onde fica a central de boatos, ficará evidente que, mais uma vez, o governo petista amarelou, preferiu, como se diz na linguagem militar, efetuar um recuo tático, do que partir para um contra-ataque vigoroso.

Pulando para a linguagem futebolística, é como dizia o saudoso narrador Fiori Gigliotti, que se exasperava quando o time que estava perdendo o jogo não conseguia marcar o golzinho salvador: "E o tempo passa..."

O tempo passa, a eleição de 2014 está mais próxima, a guerra empreendida pela turma do contra vai ficando mais cruel. mais violenta.

Para essa situação, Fiori imortalizou outro bordão:

"Aguenta, coração!"

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ALTAMIRO BORGES: Nem tudo está como antes no STF


21.05.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Paulo Moreira Leite, em sem blog:

Quando li, no Valor Econômico, a entrevista em que Joaquim Barbosa denunciou um misterioso carro preto que ronda sua casa, perguntei: por que o presidente do STF não chama a Polícia em vez de denunciar o fato para dois jornalistas?

Como lembrou um advogado que conhece essas coisas, bastaria um telefonema de uma autoridade da República para que a Polícia Federal entrasse em ação – até com helicópteros, se fosse necessário. 

Barbara Gancia foi mais rápida. Escreveu: “Hmmmm”.

A verdade é que acho que a fase de embargos do julgamento do mensalão está trazendo surpresas desagradáveis para quem imaginava que seria um puro espetáculo midiático.

Pontos fracos da denúncia se tornam mais evidentes, na medida em que pessoas interessadas em debater o que houve têm a possibilidade de refletir e elaborar sobre o que assistiram.

Há pontos que chamam a atenção. Está demonstrado que as penas de corrupção ativa foram definidas a partir de um erro clamoroso de datas, permitindo que os réus fossem punidos a partir de parâmetros mais duros do que a lei determinava na época em que os fatos ocorreram.

Há outros casos.

Está cada vez mais difícil demonstrar, com base nos autos, que houve desvio de dinheiro público. As auditorias não apontam para desvios nem irregularidades. As notas fiscais que demonstram serviços fiscais estão lá, os gastos das agências também.

Outro dado curioso. Existe um laudo elaborado por três peritos do Instituto de Criminalística que concluiu, após demorada apuração, que oito dirigentes do Banco do Brasil deveriam ser apontados como responsáveis pelos recursos que, conforme a denúncia, foram desviados para o esquema de corrupção.

Não estou dizendo que isso ocorreu. Estou dizendo que essa era a narrativa da acusação. 

Curiosamente, o único condenado como gestor dos recursos do Visanet foi Henrique Pizzolato, que não foi acusado pelos peritos e não era o gestor daqueles recursos. O outro apontado, Luiz Gushiken, foi julgado e inocentado cinco anos depois.

Veja-se, também, o que aconteceu com a tese de “compra de votos”.

Até agora não apareceu um caso concreto de compra de votos no Congresso durante o governo Lula. Não há uma lei que teria sido aprovada com esse tipo de ajuda.

Ao contrário da emenda da reeleição, em que pelo menos dois parlamentares admitiram que haviam vendido seus votos, no mensalão não apareceu um caso concreto.

Acreditando naquilo que determinados ministros disseram durante o julgamento, insinuando que o mensalão servira para comprar votos para a reforma da previdência, o PSOL tentou entrar na festa pela porta dos fundos.

Bateu às portas do Supremo para pedir que a reforma da previdência fosse anulada. Em teoria, era muito coerente. Se a reforma foi produto de crime, os bons princípios recomendariam que fosse revogada – algo semelhante a obrigar um ladrão a devolver o dinheiro depois de um roubo.

A tese não conseguiu passar nem pelo procurador-geral Roberto Gurgel, aquele que no início do julgamento lançou a teoria da “compra de votos, compra de consciências”.

Lembrando que é preciso distinguir entre prova e presunção, Gurgel rejeitou o pedido lembrando que “não se pode presumir sem que tenha havido a respectiva condenação, que outros parlamentares foram beneficiados pelo esquema e, em troca, venderam seus votos para a aprovação da Emenda numero 41”.

É isso aí, meus amigos: presumir é diferente de provar. 

Mas ficou uma pergunta: se a presunção não vale para anular a reforma, por que pode valer para condenar aquilo que se chamou de “organização criminosa”?

Nem vamos lembrar que só agora soubemos que, sob a presidência de Cármen Lúcia, ministra do STF, o Tribunal Superior Eleitoral aprova as contas de campanha do Partido dos Trabalhadores desde 2002. 

De duas uma: ou o TSE não fez o serviço direito, e deve ser questionado por isso; ou o TSE fez tudo certo e então são as denúncias contra o PT que merecem ser questionadas.

É difícil negar que o comportamento de Joaquim Barbosa tem contribuído para diminuir a credibilidade das decisões do tribunal.

Em entrevista a Isabelle Torres e Josie Jeronimo, publicada pela IstoÉ que acaba de chegar às bancas, a ministra Delaíde Arantes, do TST, faz várias afirmações que traduzem um sentimento que não é só dela. “Ele faz críticas à magistratura que eu não faria, pois não contribuem para alterar nada no Judiciário”. A ministra condena o comportamento de Joaquim Barbosa no julgamento do mensalão. “Preocupam-me as declarações que ele fez ao ministro Ricardo Lewandowski. Eu não critico um colega que vota diferente de mim. Não acho que tenho esse direito. Eu realmente tenho uma preocupação com a forma como ele fala e como se coloca”.

É neste ambiente que o debate sobre os embargos terá início.

A preocupação é tanta que pretende-se submeter o ministro Teori Zavascki, que acaba de assumir sua cadeira no Supremo, a um conhecido jogo de pressões em tom patriótico.

Saudado de forma unânime quando foi indicado, Zavascki já não é festejado com o mesmo ânimo.

Isso porque é um ministro que já criticou a “banalização” do crime de formação de quadrilha – postura que, se for mantida no exame de embargos, pode beneficiar vários condenados, a começar por José Dirceu. O novo ministro tem uma postura mais cautelosa em relação a outro crime, lavagem de dinheiro, e, numa demonstração de apego ao princípio da soberania popular, já deixou claro que, em sua opinião, apenas o Congresso tem o direito de interromper o mandato de políticos eleitos.

Nesse ambiente, procura-se ressuscitar o coral cívico que fez a trilha sonora do julgamento. 

É um perigo.

Os embargos são a última oportunidade para se evitar possíveis erros e contradições de um julgamento que terminou em penas pesadas, que implicarão em anos de perda de liberdade.

É bom que os fatos sejam examinados com serenidade.
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VI O MUNDO: Direita caça votos da classe média atacando o Bolsa Família?

21.05.2013
Do blog VI O MUNDO
Por  Luiz Carlos Azenha


Meme que está rolando via twitter, dica da Dolphin Di Luna nos comentários

Fico imaginando qual seria a vantagem de atacar o Bolsa Família a esta altura da campanha eleitoral, se atacar o programa não rende votos junto aos beneficiários. Existe ao menos uma resposta possível: já que os votos dos beneficiários estão perdidos mesmo, usemos o programa para ganhar votos dos não-beneficiários, retomando em outros termos o debate em torno do “bolsa-esmola”. Não é de hoje que a direita identifica o Bolsa Família com “assistencialismo” ou “caça aos votos”, desconhecendo o impacto dinamizador que ele tem na economia, especialmente no Nordeste.

Convenhamos, é um prato cheio para o tradicional discurso da demonização dos pobres, que atrai parcelas crescentes da classe média e da classe média baixa, sujeitas ao bombardeio diário da grande mídia sobre o Estado que cobra muito imposto mas é perdulário e ineficiente.

Como escreveu hoje Vladimir Safatle, na Folha de S. Paulo, os liberais brasileiros nunca reclamam quando o Estado é mãe para eles; só não pode ser mãe para os mais pobres.

Vale a pena reproduzir um trecho:
Na verdade, eis aí um verdadeiro Estado-providência, mas seus filhos são apenas certos setores da burguesia nacional e da sociedade civil associada ao governo. Há dois exemplos paradigmáticos ocorridos nas últimas semanas.´ 
Durante os últimos anos, o governo investiu mais de R$ 1 bilhão na reforma do estádio do Maracanã. Obra feita a toque de caixa devido ao calendário da Copa do Mundo. Dias atrás, ficamos sabendo que um consórcio composto pela Odebrecht e pelo onipresente empresário Eike Batista ganhou o direito de administrar o estádio por (vejam só vocês) R$ 180 milhões pagáveis em 30 anos. Ou seja, só em reformas o Estado, principalmente via BNDES, gastou mais de R$ 1 bilhão para entregar a seus filhos, por menos de 20% do valor investido, um complexo esportivo com o qual nem mesmo o mais néscio dos administradores seria capaz de perder dinheiro.
Na mesma semana, descobrimos também que o governo paulista resolveu inventar um cartão que dá R$ 1.350,00 para viciados que queiram se internar em comunidades terapêuticas cadastradas. Nada de mais, à parte o Estado acabar por financiar comunidades terapêuticas privadas, normalmente vinculadas a igrejas e com abordagens “espirituais” de atendimento psicológico bastante questionáveis, enquanto sucateia vários Caps (Centro de Atenção Psicossocial) pelo Estado.
Assim caminha o paulatino abandono da capacidade governamental de formular políticas públicas em saúde mental. Mas pelo menos alguns de seus filhos, por coincidência com grande influência nos próximos embates eleitorais, serão amparados.
Curiosamente, na mesma página, em editorial, o diário conservador elogia posturas do virtual candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, com apenas um reparo:
O líder tucano deu novos sinais de hesitação, contudo. Repetiu a saudação à bandeira petista, o Bolsa Família, declarando ser o PSDB “o partido dos programas de transferência de renda” — prova de que reluta, ainda, em assumir uma dicção mais liberal com denúncia ácida de seu aspecto assistencialista.
Registre-se que, na mesma página, a colunista Eliane Cantanhede, falando sobre “mentirinhas”, escreveu que é uma farsa a ideia de que milhões de brasileiros ascenderam socialmente nos governos Lula/Dilma:
Segundo o repórter João Carlos Magalhães, basta aplicar a inflação à “linha da miséria” (R$ 70 por mês, desde 2011) que 22,3 milhões voltam para onde estavam. E de onde, no mundo de verdade, nunca saíram.
Ou seja, o Estado-mãe de que nos falou Safatle, quando ajuda pobres, é ora assistencialista, ora produtor de propaganda enganosa.

Curiosamente, uma comentarista estreou no Viomundo falando sobre o boato em torno do fim do Bolsa Família nos seguintes termos:
O Bolsa Familia é esmola, é indigno e é uma ofensa a classe média que trabalha e se esforça para ganhar a vida com descencia. Bolsa Familia é vergonhoso e é claramente um projeto para garantir votos assim como outros absurdos neste país decadente.
Notem que o raciocínio implica jogar a classe média contra os pobres. Parece mesmo que a direita brasileira elegeu requentar um velho tema eleitoral. Talvez isso ajude a explicar a quem o crime de dizer que o Bolsa Família acabou interessa…

PS do Viomundo: Dexter Rocha, que pode ser um fake, criou um perfil no Facebook só para propagar uma página que usa uma única entrevista para tentar desqualificar todo o programa, usando o senso comum que tem grande apelo mesmo entre quem um dia já dependeu de um programa social. É a ascensão social despolitizada do governo Lula cobrando seu preço…

Leia também:


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Cardozo diz que boatos sobre Bolsa Família podem ter sido orquestrados

21.05.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Thais Leitão

Brasília - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse hoje (21) que a velocidade com que os boatos sobre o fim do Bolsa Família se espalharam levanta a suspeita de que a ação possa ter sido “orquestrada”.
“Isso chama a atenção porque tivemos a eclosão [dos boatos] em vários pontos diferentes do território nacional e com uma velocidade espantosa. Não podemos afastar a hipótese de ter havido orquestração desses boatos sabe-se lá por que razão. Evidentemente houve uma ação de muita sintonia e isso nos leva a cogitar essa hipótese”, disse ao acrescentar que haverá rigor nas punições, embora ainda não seja possível identificar quais delitos foram cometidos.
Quanto à possibilidade de motivação política para a divulgação dos boatos, Cardozo disse que ainda é cedo para qualquer posicionamento. “Seria leviano da minha parte, como ministro da Justiça, falar sobre isso enquanto a apuração não for concluída”, destacou.
Segundo ele, a PF está investigando o caso com “absoluta prioridade”. “Ações como essas mostram um profundo descompromisso com o interesse público e com o país.”
A informação falsa de que só seria possível sacar o benefício até sábado (18) levou muitas pessoas às agências da Caixa Econômica Federal e dos Correios.
Edição: Talita Cavalcante
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10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil – Lula e Dilma

21.05.2013
Do BLOG DO EMIR, 20.05.13
Por Emir Sader


Carta Maior inicia a publicação dos textos do livro “10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil – Lula e Dilma”, publicado pela Boitempo em colaboração com Flacso. O livro foi organizado por mim e contém 21 artigos de balanço, alguns de caráter geral, outros, setorial, além de uma longa entrevista com o Lula.

Um ex-ministro da ditadura afirmou faz algum tempo de que seria bom que o PT ganhasse de uma vez, fracassasse, e os deixasse governar o Brasil com tranquilidade. O PT - à cabeça de um bloco de partidos - finalmente triunfou. A direita esperava seu fracasso, a ultra-esquerda uma “traição”. Ambos davam por liquidado o governo já no seu início.

A trajetória do governo – como o próprio Lula afirma, na sua entrevista – foi tumultuada, não seguiu o itinerário traçado pelo PT anteriormente. Mas, para surpresa de ambos, o governo triunfo, chegou ao final dos dois mandatos do Lula impondo seu principal objetivo a prioridade do social.

O capítulo que dediquei ao Lula no meu libro “A nova toupeira – Os caminhos da esquerda latino-americana” (Boitempo) foi intitulado por mim de “O enigma Lula”. Porque, pela complexidade do fenômeno, quem não o decifra – como aconteceu com a direita e com a ultra-esquerda – acaba sendo devorado.

A década – incluindo os dois primeiros anos do governo Dilma, eleita como resultado do sucesso do governo Lula – que foi constituindo o fenômeno mais importante da historia brasileira, junto com os governos do Getúlio , é o objeto de analise neste livro. Uma década em que os governantes – especialmente o Lula – foram contornando os obstáculos enfrentados com soluções concretas, pragmáticas, buscando as vias de menor resistência do modelo neoliberal que se busca superar.

Essa trajetória merece uma reflexão aprofundada – para o que este livro pretende contribuir – pelas formas – sempre novas – que todos os governos progressista assumem. 

A série se inicia com a entrevista que o Pablo Gentili e eu fizemos com o Lula para o livro, que tem como título “O necessário, o possível e o impossível). Será seguida pelos seguintes textos:

- O Brasil e seu “entorno estratégico” na primeira metade do século XXI – José Luís Fiori
- Dez anos de política externa – Marco Aurélio Garcia
- Dez anos de política econômica – Nelson Barbosa
- Os anos do povo – Luiz Gonzaga Belluzzo
- Dez anos depois – Jorge Mattoso
- Uma nova classe trabalhadora – Marilena Chaui
- A construção da hegemonia pós-neoliberal – Emir Sader
- Políticas públicas e situação social na primeira década do século XXI
- Desenvolvimento regional brasileiro e políticas públicas federais – Tania Bacelar
- Energia e setor elétrico nos governos Lula e Dilma – Luiz Pinguelli
- A reforma agrária que o governo Lula fez e a que pode ser feita – Bernardo Mançano
- Por que não se avança nas comunicações? – Venício Lima
- A política ambiental na década 2002-2012 – Liszt Vieira e Renado Cader
- Saúde e desenvolvimento – Ana Maria Costa
- A procura da igualdade: dez anos de política educacional no Brasil – Pablo Gentili e Dalila Andrade
- Uma década de avanço em ciência, tecnologia e inovação no Brasil- Sergio Rezende
- Cultura: políticas púbicas e novas visibilidades – Glauber Piva
- Um olhar dos trabalhadores: um balanço positivo, uma disputa cotidiana – Artur Henrique
- Dez anos de política para as mulheres: avanços e desafios – Eleonora Menicucci
- Direitos humanos e o fim do esquecimento – Paulo Vannuchi
- Dez anos de promoção da igualdade racial: balanços e desafios

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O Estadão, a democracia e a ditadura midiática

21.05.2013
Do portal da Agência Carta Maior
Por Maria Inês Nassif 

O Estadão, a democracia e a ditadura midiática A mesma mídia que hoje critica anseios democratizantes das comunicações no Brasil um dia defendeu a importância de “uma política de concessões infensa a coronelismos, complementada por eficaz legislação antitruste” e de “fortalecimento da mídia eletrônica pública”. Esses trechos de editorial do ‘Estadão’, é claro, não foram escritos sob o atual governo petista, mas em 2001, quando FHC estava no comando do país. Por Maria Inês Nassif (que, com este artigo, marca seu retorno à Carta Maior) Maria Inês Nassif

Eis o receituário contra “os ‘Big Brothers’ de todas as latitudes”, e para evitar o perigo à democracia que a “TV lixo”, aquela que é “um brevê contra a inteligência e o senso crítico dos espectadores”, pode representar em qualquer parte do país: “De um lado, uma política de concessões infensa a coronelismos, complementada por eficaz legislação antitruste, de defesa do consumidor e da concorrência, contra a exacerbação predatória da lei do mais forte no mercado da indústria de informação”; “de outro, o fortalecimento da mídia eletrônica pública, independente tanto do Estado quanto da área privada e, mais ainda, protegida do espúrio contubérnio entre ambos, que gera a ‘ditadura midiática’, na Itália, na Bahia – e em qualquer lugar do planeta.”

Não se trata, leitor, de nenhum texto inspirado na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, ocorrida em dezembro de 2009, em Brasília, que discutiu diretrizes, no âmbito da sociedade civil, para a regularização da mídia – aquela conferência que a direita tratou como uma tentativa tomada de poder do governo petista de Luiz Inácio Lula da Silva, via organizações populares. Não, não é nenhuma peça subversiva e nenhuma ofensiva ao status quo da mídia brasileira. É a conclusão de um editorial do conservador jornal “O Estado de S. Paulo”, intitulado “Democracia e ‘ditadura midiática’” e publicado numa nobre edição do domingo, dia 10 de junho de 2001.

Naquela época, todavia, o presidente do Brasil era Fernando Henrique Cardoso; o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, havia renunciado ao mandato de senador, depois de ter fraudado uma votação em plenário, e estava então em rota de colisão com FHC, a quem servira desde o início do mandato; e o poder econômico da mídia ainda não havia feito um pacto de não agressão contra um inimigo maior, um governo de esquerda que enterrou duas gestões tucanas que consolidaram no país o receituário conservador, político e econômico, que grassava no mundo, sob o disfarce de modernidade.

ACM, segundo o editorial, era o espécime mais bem acabado do “coronelismo eletrônico que grassava pelo país, em particular nos Estados do Nordeste: o produto político da associação com “o principal conglomerado de emissoras de TV” com os interesses de grupos políticos. Usando da associação com esse conglomerado e da “fidelidade irrestrita à ordem ditatorial”, o senador baiano construiu um “virtual monopólio de mídia e de acesso a verbas publicitárias particulares e públicas [na Bahia], a começar do próprio governo estadual e da prefeitura de Salvador, sob suas asas”.

No momento em que ACM caía no Brasil, na Itália ascendia novamente ao poder Silvio Berlusconi – que chegara a premiê em março de 1994 usando o poder econômico e um império de mídia eletrônica, renunciou em 1994 e chegava novamente ao cargo pelos mesmos recursos, exercitando o que o presidente da segunda emissora de TV italiana, Carlo Freccero, seu colaborador por mais de 20 anos, designava como “ditadura midiática” em um entrevista concedida na semana anterior ao editorial ao semanário francês “L’Express”.

O ex-colaborador do premiê italiano, diz o editorial do Estadão, “sabe perfeitamente como a hegemonia inconstrastável de um grupo de mídia sobre o conjunto do setor [grifo nosso] pode ´lobotomizar´ toda uma Nação, em proveito dos amigos políticos de seus colaboradores”.

“Se um país civilizado como a Itália pode tornar-se refém de um dublê de um czar da mídia e de autoridade governamental, não são necessários grandes voos de imaginação para prever o perigo que a “TV lixo”, como diz Frecero (...) pode representar em outras paragens”.

A associação do “principal conglomerado nacional” – assim o editorial se refere à Rede Globo – a interesses políticos variados apenas pode resultar em grande poder político e econômico, concluiu o Estadão, ao analisar o caso ACM no Brasil e antes de lembrar o caminho trilhado por Berlusconi para chegar ao poder na Itália.

O editorial lembra a resposta dada pelo senador baiano ao repórter, sobre o que faria depois de sua renúncia. ‘“Gostaria de dirigir a Globo”, respondeu, risonho’, relata o texto do jornal. “Pode-se julgar como se queira a sua longa trajetória na vida pública nacional e no seu estilo de atuação. Mas nunca, em sã consciência, alguém lhe fará a injustiça de desconsiderar o seu faro extremamente privilegiado para as fontes e os mecanismos de exercício do poder”, conclui.

“Graças a esse dom, ele foi um dos primeiros políticos brasileiros, na passagem dos anos 60 e 70, a perceber a importância decisiva que teria o controle da mídia eletrônica para a conquista de apoio popular, a consolidação das posições de mando alcançadas e o uso da influência pessoal, assim amplificada, para o comércio de favores – o que, por sua vez, asseguraria a reprodução do cacife político já amealhado”, analisa o editorial, à luz da trajetória política e da sua construção como empresário da mídia baiana, sob o abrigo e em associação com a maior rede nacional de televisão.

Ele e Sarney entenderam isso, ele na Bahia e Sarney no Maranhão. Juntos, Sarney como presidente, ACM como seu ministro das Comunicações e, ambos, associados à “maior rede nacional”, mantiveram-se, daí como mandatários, o “coronelismo eletrônico”, mesmo depois da redemocratização do país. “Ministro das Comunicações do presidente José Sarney e tão ligado como ele à maior rede nacional, ACM fez da outorga de concessões de emissoras de rádio e TV o instrumento por excelência de seu ‘coronelismo eletrônico’, na apropriada expressão do editorial de domingo passado do Jornal da Tarde”, continua o jornal, em sua sessão de Opinião. É ele quem diz.

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GURGEL VAI TER QUE CUMPRIR PRAZO

21.05.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

 Faltam 38 dias para Gurgel descer à planície. Onde Collor o espera.

Conversa Afiada já informou que o Conselho Nacional do Ministério Público, por seu conselheiro Luiz Moreira, exigiu que o brindeiro Gurgel, a quem o senador Collor chama de prevaricador, lhe enviasse documentos referentes à sua gestão.

Como se vê abaixo, Gurgel, por um subordinado, mandou dizer que não mandava.

Moreira voltou a enfatizar a obrigação de cumprir o prazo.

Como se sabe, Gurgel comprou tablets da Apple sem a apropriada licitação – segundo Collor -, não investiga a Privataria Tucana, o Aécio, a Roseana e não investigou o Randolphe, certamente porque achou que as provas eram “tênues”.

Gurgel está diante de opção complexa: aguarda-o na Câmara a colheita de assinaturas do deputado Delegado Protógenes para criar uma CPI contra ele.

Gurgel, Gilmar e, agora, Barbosa, que chama os partidos de “mentirinhas”, não são exatamente amados no Congresso.

Eis o e-mail que este ansioso blogueiro recebeu de Luiz Moreira:

Prezado Jornalista Paulo Henrique Amorim

Para conhecimento, segue ofício encaminhado ao PGR determinando o imediato cumprimento das requisições formuladas nos ofícios anteriormente enviados.

Cordialmente,

Luiz Moreira
Conselheiro Nacional do Ministério Público





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Uma conferência para pôr em marcha o projeto de integração sul-americana

21.05.2013
Do portal do CORREIO DO BRASIL, 20.05.13
Por J. Carlos de Assis - de São Paulo


Realiza-se em Caracas na próxima semana, entre os dias 27 e 30, a “Conferência da Unasul sobre Recursos Naturais e Desenvolvimento Integral da Região”
Realiza-se em Caracas na próxima semana, entre os dias 27 e 30, a “Conferência da Unasul sobre Recursos Naturais e Desenvolvimento Integral da Região”
Realiza-se em Caracas na próxima semana, entre os dias 27 e 30, a “Conferência da Unasul sobre Recursos Naturais e Desenvolvimento Integral da Região”, a qual, pelo que me consta, é a primeira iniciativa sistemática no sentido de buscar caminhos efetivos para a integração produtiva da América do Sul. Em razão da crise financeira global, sobretudo na Europa, este é um momento estratégico para fazer avançar essa iniciativa, já que a região deve preparar-se para condicionantes externos cada vez mais limitativos a seu desenvolvimento.
O projeto de integração sul-americana tem sido uma história recorrente de aspirações idealistas e parcos resultados. No nível latino-americano, em geral teve como principal foco, desde a ALALC e a ALADI, a promoção do livre comércio entre os países da região, o que esbarrou em obstáculos representados pelas grandes assimetrias produtivas dentro do bloco. Já ao nível sul-americano o Mercosul prosperou, também limitado, porém, à ideia de promoção do livre comércio, sem cuidar efetivamente de integração produtiva. Já o Pacto Andino previu integração produtiva, mas colapsou por motivos políticos.
O fato é que, quando se fala em integração, os ideólogos do livre comércio se adiantam e tomam a cena. A inspiração parece vir do Mercado Comum Europeu, porém sem considerar que, na Europa, o projeto integracionista partiu da efetiva integração de duas indústrias básicas através do acordo do carvão e do aço, isto é, de duas indústrias básicas, a de energia e a siderúrgica. Além disso, os países europeus – primeiro seis, depois nove – restauraram sua infraestrutura de transportes no pós-guerra num contexto integracionista.
Embora, enquanto instituição política, o Mercosul seja um sucesso, sua contribuição ao desenvolvimento regional é pífia, justamente porque lhe falta o sentido da integração produtiva. Sem um mínimo de especialização produtiva entre os países, sobretudo na área industrial, o comércio sozinho não possibilita aumento substancial da produção e desenvolvimento. Ou, ainda pior, países que estejam num nível assimétrico de tecnologia tendem a aniquilar os sistemas produtivos dos menos desenvolvidos, destruindo renda e emprego nos mais fracos.
Os signatários do Mercosul se defendem disso promovendo um livre comércio limitado dentro do bloco mediante a criação de barreiras protecionistas seletivas. Na prática, porém, o sistema funciona com atritos frequentes conforme se pode ver nas relações comerciais entre o Brasil e a Argentina. É pouco provável que haja uma solução permanente para esses impasses fora de um grande projeto de integração e especialização produtiva dentro do bloco, o que exigirá, como aconteceu na Europa, um mínimo de planejamento regional.
Suponho que a Conferência de Caracas seja um primeiro passo nesse sentido. É que a Unasul, que nasceu sobretudo como uma instância política, está evoluindo para ser um efetivo instrumento de integração sócio-econômica. Anteriormente ela já havia absorvido e redirecionado a IIRSA, que se transformou em Cosiplan – um mapeamento das necessidades de infraestrutura na região porém ainda sem uma clara visão de financiamento. Agora se trata de mobilizar o principal ativo da América do Sul, ou seja, seus recursos naturais.
A exploração e transformação na própria região dos abundantes recursos naturais da América do Sul talvez seja nossa última oportunidade de não perder o bonde da história. Mesmo porque, com o avanço da tecnologia, recursos naturais hoje considerados valiosos podem perder interesse. Explorar os recursos naturais implica auto-sustentabilidade e proteção ambiental, porém, certamente num grau de responsabilidade maior do que o sistema atual de mineração predatória para exportação de matérias primas, que concentra renda e gera pouquíssimos empregos de qualidade.
O problema, a meu ver, é que um grande programa de desenvolvimento de recursos naturais na América Latina requer logística adequada. O desenvolvimento logístico, por sua vez, requer investimentos públicos a fundo perdido, e isso requer, por sua vez, uma base adequada de financiamento. Só vejo uma alternativa para enfrentar essa deficiência: fazer o que fizeram Estados Unidos e Brasil no passado, a saber, criar um imposto vinculado ao financiamento dos transportes com base na gasolina ou na propriedade de automóveis. Em uma palavra, criar poupança interna para alavancar financiamentos.
Não temos muito tempo. A Europa está afundando e ameaça afundar com ela boa parte do mundo. A selvagem política patrocinada pelos dirigentes políticos europeus tende a restringir importações e aumentar exportações, já que seu regime de “austeridade” não permite aumentar a demanda interna. Já estamos, na América do Sul, enfrentando as consequências dessa política, inclusive via seu efeito sobre a China (desaceleração, redução de importações de matéria prima). Ou nós nos integramos efetivamente, protegendo nossos mercados e estimulando o sistema produtivo comum, ou voltaremos mais uma vez ao ciclo das crises externas recorrentes pelo lado do balanço de pagamentos.
J. Carlos de Assis é economista, professor de economia internacional da UEPB e autor, entre outros livros, de “A Razão de Deus” (ed. Civilização Brasileira).

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BLOG MOBILIDADE URBANA: Uma avenida que nasceu grande, por Tânia Passos

21.05.2013
Do BLOG MOBILIDADE URBANA
Por Tânia Passos

Avenida Agamenon Magalhães - arquivo/DP.D.A.Press
Ao inaugurar, na década de 1970, a primeira perimetral da capital pernambucana, o então prefeito Geraldo Magalhães queria deixar um marco de modernidade para a cidade. E deixou. A localização estratégica da Avenida Agamenon Magalhães foi fundamental para o adensamento do seu entorno e, os bairros se multiplicaram. Um dos reflexos desse adensamento e do consequente aumento da frota de veículos no Recife pode ser visto a olho nu. Nos dez bairros lindeiros à avenida há uma população de 120.641 moradores, quase a população de Boa Viagem, a maior da cidade.
Para quem mora a Oeste da via, as chances de ficar travado no trânsito são maiores. Os moradores do Espinheiro, Graças, Derby, Campo Grande, Torreão e Paissandu dispõem de menos opções de travessia para o sentido Leste. Além das pistas locais, os motoristas têm basicamente as avenidas Norte, Rui Barbosa e ainda alguns acessos pelo Derby. Os que moram a Leste da via, como nos bairros de Boa Vista, Santo Amaro, Soledade e Ilha do Leite, têm mais opções de acesso ao Centro e Zona Sul. Já nos sentidos Norte e Oeste precisam passar, necessariamente, pela perimetral.
Para reduzir os congestionamentos na Agamenon Magalhães, que recebe um tráfego diário de mais de 100 mil veículos, os urbanistas apontam duas frentes: redução das necessidades de deslocamentos por meio das novas centralidades e criação de novas opções de acesso para quem fica a Oeste da cidade. De acordo com a presidente do Instituto da Cidade Pelópidas Silveira, Evelyne Labanca, o Rio Capibaribe é hoje uma barreira geográfica que obriga as pessoas que moram na região Oeste a passar pela Agamenon Magalhães. “O impacto maior é na Agamenon Magalhães, que funciona como passagem para vários pontos da cidade”, afirmou. Segundo ela, já estão previstas ações dentro do PAC da Mobilidade para as construções das pontes da 3ª perimetral e da semiperimetral. “São duas conexões que vão reduzir as distâncias de quem precisa atravessar o rio, e isso irá refletir também na primeira perimetral”, explicou Labanca.
Agamenon Magalhães - Foto - Alcione Ferreira DP/D.A.Press
O urbanista César Barros defende a implantação de mais pontilhões para ajudar na travessia da Agamenon no sentido Oeste/Leste. Atualmente, a avenida dispõe de oito cruzamentos. “Quem vem da Rua Amélia, por exemplo, é obrigado a pegar a pista local, que já é muito congestionada. Um pontilhão no sentido do Círculo Militar levaria os motoristas até o acesso à Avenida João de Barros”, afirmou o arquiteto. Ele também defende outros usos para as pistas locais. “A Agamenon tem 12 faixas, é uma senhora avenida e todas são para o carro. Mesmo com a pista exclusiva que será feita para o transporte público, as vias locais poderiam ser cedidas para o pedestre e permitir apenas o tráfego de veículos de emergência ou, no máximo, dos moradores locais”, observou o arquiteto.
Na melhoria das centralidades, a arquiteta Evelyne Labanca, ressalta a importância de apostar nessa lógica. “A mobilidade não pode ser dissociada da ocupação do uso do solo. São necessárias pequenas centralidades sustentáveis. Quem mora na Rua do Futuro, por exemplo, dispõe de vários tipos de comércio e serviço, que ajudam a reduzir os deslocamentos de carro e ampliar as opções de circulação a pé”, destacou.


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MÍDIA MUNDIAL INVEJA BEM ESTAR BRASILEIRO


21.05.2013
Do portal BRASIL247

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Numa Europa mergulhada em seis trimestres consecutivos de recessão, mídia tradicional representada pelo Financial Times não tem moral para ministrar lições a quem cresceu 1% no primeiro semestre (contra 0,5% do Japão, por exemplo), criou 200 mil empregos no mês passado e mantém a inflação dentro da meta do BC; só pode ser dor de cotovelo de quem vê o velho continente ficar cada vez mais conturbado – e velho, sem condições de compreender uma politica econômica que, contra tudo e todos, vai dando certo; hoje, a pretexto de comentar saída de Nelson Barbosa da secretaria executiva do Ministério da Fazenda, FT aposta num racha na equipe econômica que, como seu viu pelo desfecho, foi resolvido; como disse o professor de Harvard Dani Rodrik, que o Financial Times não ouviu, "o Brasil é um país normal, o que nos dias de hoje quer dizer muita coisa"

247 – O Estado de Bem Estar brasileiro estampa a edição do dia do principal jornal de economia do planeta, o Financial Times. O Brasil, afinal, cresceu 1% no primeiro trimestre, o dobro da elevação da economia japonesa, elogiada no mundo dos países ricos pela elevação de 0,5% no mesmo período. Um por cento que vale por muito mais, à medida em que a Europa apresentou no mesmo período o sexto trimestre consecutivo de crescimento negativo, ou seja, 18 meses com os pés e as mãos da zona do euro atolados na recessão.

O Brasil, para chamar a atenção do Financial Times, criou 200 mil empregos no mês de abril, apontando para um segundo semestre de economia animada, enquanto países como Espanha e Portugal mantêm-se ancorados em taxas de desemprego de dois dígitos. Em razão de programas assistenciais como o Bolsa Família, que contribuiu decisivamente para tirar 40 milhões de brasileiros do estado de miséria, não há, no Brasil dos últimos dez anos, cenas comparáveis às batalhas campais de cidadãos gregos contra suas forças de segurança, em protesto contra as políticas de austeridade determinadas para salvar a primeira democracia do mundo da bancarrota econômica.

O FT com sua redação de alto gabarito deve ter se interessado, ainda, pela taxa brasileira de inflação que se mantém na meta estipulada pelo Banco Central, apurada em 6,9% nos últimos dozes meses, associada à criação de 4,1 milhões de empregos formais desde janeiro de 2011, quando tomou posse o governo da presidente Dilma Rousseff. Um número, repita-se, de 4,1 milhões de novos empregos repleto de contratações de estrangeiros, expulsos, na prática, de uma Europa deprimida e sem coragem para mudar sua política econômica.

No entanto, apesar do quadro objetivo, o vetusto Financial Times fez foco na economia brasileira como um corvo olha para a carniça que lhe interessa, de maneira invejosa e predadora. Porque, diz a editorializada matéria do FT, o Estado de Bem Estar brasileiro seria apenas e tão somente de fachada, ou, como se diz aqui, para inglês ver.

Nada mais falso. Instalado no coração da crise, na City londrina da Libor desmoralizada (a secular taxa de juros inglesas está sendo trocada por outro indexador, ainda a ser criado, em razão da manipulação fraudulenta sofrida pela ação ilícita de bancos locais), o Financial Times pendurou a humildade junto com suas galochas e segue acreditando ser capaz de ministrar ao mundo as fórmulas ultrapassadas que não estão dando certo nem no perímetros avistados de seus janelões – quanto mais além mar.

Hoje, o FT versa sobre a saída do secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, já em férias. A aposta, mais uma vez, não corre pelo lado positivo, a partir do ponto óbvio da permanência do titular Guido Mantega, mas da pior hipótese, como perda do melhor quadro entre os auxiliares do ministro. Um texto feito para dividir e intrigar. De resto, um texto ultrapassada, porque a silenciosa saída de Barbosa do governo não provocou nenhum abalo interno, como muitos gostariam, mas consumou-se como um episódio natural em qualquer governo, onde os divergentes, sem formar consenso ou maioria, perdem e saem. Como disse o professor de Harvard Dani Rodrick, em passagem pelo Brasil na semana passada, "este é um país normal, o que nos dias de hoje significa muita coisa".

Buscar humildade num jornalista, inglês ainda por cima, curvado à uma das realezas mais caras e empoeiradas do mundo, nunca é fácil. Mas pelo visto, na redação do Financial Times, a missão é mesmo impossível. Todos os números, projeções e retrospectivas mostram que a experiência brasileira de aposta no mercado interno como sustentação do crescimento têm dado certo até aqui. Por mais que quem esteja de fora não a entenda ou, simplesmente, pela desvão do velho e sempre presente imperialismo, não as queira compreender e, como seria correto, admirar.
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