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domingo, 12 de maio de 2013

TORTURADOR À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS

12.05.2013
Do blog NÁUFRAGO DA UTOPIA, 10.05.13

Reduzir a pó de  traque a racionália falaciosa e performance canastrônica do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra é tão fácil que, no meu caso, equivaleria a bater em bêbado. 

Então, não perderei muito tempo escrevendo uma  crônica do piti anunciado, que só serviria para dar destaque imerecido ao mafuá armado na Comissão da Verdade. 

Prefiro liquidar o assunto sucintamente:
  • Que a convocação do Ustra não lançaria luz nenhuma sobre assunto nenhum eram favas contadas. Como a presidente Dilma Rousseff, há alguns meses, cobrou da Comissão iniciativas que repercutissem mais na mídia, certamente o que se viu nesta 6ª feira (10/05) não passou de uma óbvia tentativa de atender a tal exigência de espetacularização --tanto que se tratou da primeira sessão do colegiado aberta ao público. Só que os crimes perpetrados por Ustra e seus cúmplices foram hediondos demais para que uma  tempestade de som e fúria significando nada  alivie minimamente nossa dor. Se não nos deram justiça, ao menos poupem-nos de farsas. 
  • Em meio à enxurrada de mentiras e asneiras, Ustra disse algo aproveitável: o Exército brasileiro e os generais ditadores foram mesmo os maiores culpados pelo festival de horrores para o qual ele concorreu como vil e servil instrumento. Considerada a correlação de forças do poder de então, um Delfim Netto, ao dar carta branca para o aparato repressivo (como signatário que foi do AI-5), teve responsabilidade muito maior nas carnificinas e atrocidades do que paus mandados como o Ustra, o Fleury e o Curió.
  • Foi pitoresco o Ustra negar a prática de torturas e, ao mesmo tempo, esquivar-se de responder se no DOI-Codi paulista, por ele comandado, existiam a  cadeira do dragão e o  pau-de-arara. É claro que existiam! Ambos, aliás, me foram apresentados pelo tenente-coronel Waldyr Coelho, seu antecessor, quando por lá passei em abril de 1970. Como eu estivera muito próximo de um enfarte no dia anterior, cheguei do RJ com a recomendação de que não me torturassem em SP. Então, o frustrado comandante se limitou a me conduzir numa  turnê educativa pelas dependências de sua filial do inferno, mostrando-me aquilo de que eu me safara por ser prisioneiro dos co-irmãos cariocas. Depois, sempre que pernoitava no DOI-Codi/SP após uma audiência nas auditorias do Exército, os gritos dos supliciados não me deixavam pregar o olho. Daí eu já ter comentado que só seria crível  a afirmação do Ustra, de desconhecer as torturas praticadas sob seu nariz, se ele apresentasse um atestado de surdez...
  • Há várias testemunhas, como o companheiro Ivan Seixas, de que o Ustra punha, sim, a mão na massa, participando pessoalmente das sevícias. Mas, no fundo, isto é secundário, em se tratando do comandante de um órgão sobre o qual pesam (durante sua gestão) mais de 500 denúncias de torturas e no qual pelo menos 50 prisioneiros indefesos foram covardemente executados. Os comandantes de Auschwitz e Buchenwald, tendo ou não assassinado eles próprios os presos, foram responsáveis por cada um dos exterminados nos respectivos campos de concentração. Eram bestas-feras; e o Ustra também.
  • A mais acachapante avaliação que alguém já fez de Ustra é a do ex-ministro da Justiça José Carlos Dias: "emporcalhou com o sangue de suas vítimas a farda que devera honrar". Ambos estiveram frente a frente na audiência da Comissão da Verdade e, como sempre, o  torturador símbolo do Brasil  foi incapaz de dar uma  resposta à altura, apesar das bravatas que vomita em livros e sites. Ele berra "lutei, lutei e lutei", mas vale muito pouco quando se trata de confrontar um homem em igualdade de condições.

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28 dados sobre Cuba ignorados pelo Jornal Nacional e seus papagaios

12.05.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 30.12.2011

28 dados que mostram a força de Cuba, mas propositalmente dispensados pela imprensa hegemônica

Cuba Jornal Nacional
Cuba Jornal Nacional
Como já dissera o escritor e jornalista uruguaio, Eduardo Galeano, quando se trata de Cuba, a grande imprensa, “aplica uma lupa enorme que amplia tudo o que ocorre, sempre que há interesses dos inimigos, chamando a atenção para o que acontece na Revolução, enquanto a lupa distrai e deixa de mostrar outras coisas importantes”.
Entre essas coisas importantes, que não são apontadas pelas lupas, chamo a atenção para 28 dados, que mostram a força de Cuba, na véspera de seu aniversário de 53 anos.
1) 8.913.000 de cubanos participaram da discussão do Projeto de Diretrizes para a Política Econômica e Social do Partido e da Revolução, debate prévio ao 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba.
2) Foram registrados mais de 3 milhões de intervenções populares.
Leia também
3) 68% das diretrizes foram reformuladas após a discussão com o povo cubano.
4) 313 diretrizes da Política Econômica e Social do Partido e da Revolução foram adotadas no 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba.
5) Na linha definida pelo povo cubano para atualização do modelo econômico, até agora, entraram em vigor.
6) 7 decretos-leis do Conselho de Estado.
7) 3 decretos do Conselho de Ministros.
8) 66 resoluções e instruções de ministros e chefes de instituições nacionais.
9) O governo cubano destinará, em subsídios, mais de 800 milhões de pesos para pessoas de baixa renda, como parte da Lei do Orçamento para 2012.
10) O governo cubano vai destinar mais de 17 milhões de pesos para a saúde, a educação e outras necessidades sociais, no orçamento para 2012.
11) No orçamento de 2012, serão alocados 400 milhões de pesos para proteger as pessoas em situação financeira crítica, incluindo pessoas com deficiências e consideradas disponíveis no processo de reestruturação do trabalho.
12) O orçamento do Estado encerrou o ano com um déficit estimado de 3,8% em relação ao Produto Interno Bruto, cumprindo o limite aprovado pela Assembleia Nacional, na Lei do Orçamento de 2011.
13) Produto Interno Bruto cresceu 2,7%, em 2011.
14) No final de 2011, a produtividade de todos os empregados na economia cresceu 2,8%.
15) Mais de 357 mil cubanos exercem o trabalho por conta própria.
16) 33 medidas foram aprovadas pelo Conselho de Ministros e entraram em vigor, em setembro passado, para continuar a facilitar o trabalho por conta própria.
17) Mais de 2,5 milhões de turistas visitaram a Cuba em 2011.
18) Foram produzidos 4 milhões de toneladas de petróleo e gás em 2011.
19) A taxa de mortalidade infantil em Cuba é inferior a 5 por mil nascidos vivos.
20) A expectativa de vida é de 78 anos.
21) 186 países condenaram os EUA pelo bloqueio genocida contra Cuba, durante a Assembleia Geral da ONU, em outubro passado.
22) Cuba ficou em segundo lugar nos Jogos Pan-Americanos Guadalajara, com 58 medalhas de ouro.
23) O Conselho de Estado da República de Cuba concordou em indultar mais de 2.900 presos.
24) Cuba ocupa a 51ª posição, no Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU, com um alto desenvolvimento humano.
25) Em 14 de dezembro marcou o primeiro aniversário da primeira rede social de conteúdo digital cubano, EcuRed, com cerca de 80 mil artigos e verbetes.
26) Mais de 40 mil cubanos estão em missões de solidariedade por mais de 70 países.
27) Mais de 3 milhões de pessoas foram alfabetizados pelo método “Yo, si puedo”, depois de ser aplicado em quase três dezenas de países ao redor do mundo.
28) Com o início do ano letivo 2011–2012, em 5 de setembro, abriram suas portas mais de 60 universidades na Ilha, com cerca de 500 mil alunos matriculados.

Leia também

Quem não pode ver isso, é porque se apega a sua cegueira.
Por Omar Pérez Solomon. Tradução: Robson Luiz Ceron. Solídários & Síntese Cubana

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ENTRE USTRA E DILMA, ESTADO FICA COM TORTURADOR

12.05.2013
Do portal BRASIL247, 11.05.13

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"Ustra nega tortura e mortes e diz que Dilma era de grupo terrorista", diz a manchete principal do jornal O Estado de S.Paulo neste sábado; publicação optou por destacar a defesa do coronel reformado e ex-comandante do DOI-Codi em São Paulo à Comissão Nacional da Verdade, negada pelo vereador Gilberto Natalini ainda durante a sessão, que afirmou ter sido ele próprio torturado pelo militar

247 – Num depoimento polêmico e raivoso, com direito a porradas na mesa, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra negou nesta sexta-feira 10 à Comissão Nacional da Verdade ter ocultado qualquer cadáver durante a ditadura militar. Mais: o ex-comandante do DOI-Codi em São Paulo afirmou que nenhuma tortura foi cometida dentro das instalações do órgão de repressão do governo militar sob sua gerência – entre 1970 e 1974 – e acusou a presidente Dilma Rousseff de participar de "grupo terrorista".

Apesar de seu nome estar entre os mais citados em denúncias sobre tortura e outras violações de direitos humanos à época do regime militar no Brasil, o jornal O Estado de S.Paulo escolheu a sua defesa para estampar a manchete principal da edição deste sábado 11. Eis o título: "Ustra nega tortura e mortes e diz que Dilma era de grupo terrorista". Em seu depoimento, como relata a reportagem, Ustra ressalta que "lutou pela democracia" e que combatia o "terrorismo".

Sobre a chefe do Executivo, o texto cita que Dilma "fez parte de grupos de resistência à ditadura e foi presa em 1970", mas não menciona que ela foi perseguida, presa e torturada durante a ditadura. No início do mês, a presidente anunciou que doaria a indenização de R$ 20 mil que receberá pelos crimes dos quais foi vítima no período para a ONG Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro. Ela faz parte de uma lista de 170 beneficiados de um programa de indenização a perseguidos políticos e familiares de vítimas da ditadura.

Vereador diz ter sido torturado por Ustra

A sessão da Comissão Nacional da Verdade foi marcada por momentos tensos envolvendo Ustra e o presidente da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, vereador Gilberto Natalini (PV-SP). Questionado sobre se teria torturado Natalini, em 1972, Ustra respondeu que não tinha nada a dizer e negou o fato. A negativa foi rebatida por Natalini que interrompeu a fala de Ustra aos gritos: "Sou um brasileiro de bem. O senhor é que é terrorista. Eu fui torturado pelo coronel Ustra".

O discurso do ex-comandante do DOI-Codi paulista também foi rebatido pelo agora deputado estadual Adriano Diogo, que presidente a Comissão da Verdade Rubens Paiva na Assembleia Legislativa de São Paulo. Segundo ele, que era estudante universitário quando foi preso em 1973, quem supervisionava tudo era Ustra e foi ele quem matou seu colega de classe Alexandre Vannuchi. "Ele é um assassino confesso, ele é um dos maiores verdugos da História do Brasil", disse o deputado (leia mais na reportagem da Rede Brasil Atual).
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DITADURA MILITAR BRASILEIRA: Acervo online sobre a ditadura

12.05.2013
Do DIARIO DE PERNAMBUCO
Política

Diario lança especial Memórias da Ditadura com fotos, vídeos e reportagens sobre o período de 1964 a 1985

Um acervo aberto ao público e em meio digital para consultas, pesquisas e preservação da memória de um tempo ainda obscuro. É a partir desta proposta que o site Diario de Pernambuco leva ao ar, neste domingo, o especial online Memórias da Ditadura. 


O cinquentenário do regime militar acontece em abril do próximo ano e, até lá, o espaço será atualizado frequentemente com informações relacionadas ao período de 1964 e 1985, a exemplo das investigações da Comissão Estadual da Verdade Dom Helder Camara. Esse grupo vem resgatando parte da história do estado e também do país neste período. 

Parte do material disponível tem sido revelada em uma série de reportagens produzida pelos jornalistas Jaílson da Paz e Tércio Amaral sobre o prontuário de dom Helder Camara do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), ao qual o Diario teve acesso com exclusividade. Todo esse material, bem como outras reportagens sobre a ditadura produzidas pela equipe do Diario, estarão disponíveis no especial online. 

No site, será possível, ainda, acessar uma linha do tempo com os principais acontecimentos das décadas do regime e um mapa interativo que mostra o roteiro da repressão no Recife. Além disso, a página contará com relatos e dados sobre mortos e desaparecidos pernambucanos. 

Também estarão disponíveis galerias compostas por fotos históricas do acervo do Diario e de outros veículos dos Diários Associados no Brasil. Além disso, será possível assistir a videorreportagens especiais. Para visitar o especial Memórias da Ditadura, acesse o endereço http://www.diariodepernambuco.com.br/politica.
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Há que envergonhar defensores e agentes da ditadura militar

12.05.2013
Do BLOG DA CIDADANIA, 11.05.13
Por  Eduardo  Guimarães

Em mais dois anos, completar-se-ão trinta anos desde o fim formal da ditadura militar (1964-1985). Já são quase três décadas de impunidade e até de deboche dessas pessoas que cometeram os mais hediondos crimes de lesa-humanidade.
Todavia, os que praticaram atos desumanos contra pessoas que apenas defendiam o país de um golpe ilegal e imoral contra a democracia não são os únicos responsáveis por aquele período trágico de nossa história.
Os que apoiaram e apoiam o que se fez neste país naquele período, mesmo sem participar diretamente dos crimes, também são criminosos.
Muitos se perguntam por que fazer uma Comissão da Verdade sobre o que de fato se passou naquele período se uma lei maldita, imoral e cínica como a Lei da Anistia impede que os psicopatas que torturaram, estupraram e assassinaram sejam presos.
A razão é muito simples: o espírito que rege a Comissão da Verdade pretende educar a sociedade para que não seja enganada sobre aquele momento vergonhoso da história deste país.
Afinal, há uma horda de degenerados – alguns travestidos de pessoas respeitáveis, pais de família, avós etc. – que, sob um discurso nojento e mentiroso, tenta vender às novas gerações que teria havido algum ideal nobre na “revolução de 64”.
A mentira sobre a ditadura é tão descarada e tão aceita em certos meios sociais que até um ministro do Supremo Tribunal Federal deu uma declaração estarrecedora.
Segundo esse ministro, “Foi melhor não esperar” que eclodisse um regime comunista no Brasil e dar logo aquele golpe “preventivo”. Assim, para esse indivíduo a ditadura teria sido “Um mal necessário”.
Veja, abaixo, a declaração que o ministro do STF Marco Aurélio Mello deu ao jornalista Kennedy Alencar.
Essa é a versão que encanta alguns setores da sociedade e que pretende justificar que um governo legitimamente eleito fosse deposto – jogando fora, assim, a vontade da maioria dos brasileiros – e que fossem praticados os horrores que logo virão à tona através da Comissão da Verdade.
É muito grave que um membro da cúpula do Poder Judiciário dê uma declaração a favor da ruptura da lei como foi o golpe de 1964, que, como todo golpe, foi dado por quem não tinha voto para vencer a eleição seguinte e, assim, optou por tomar o poder à força.
Mello entoa o mesmíssimo discurso do coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, quem, na última sexta-feira (10 de abril de 2013), esbofeteou a Comissão Nacional da Verdade com seu cinismo, com suas mentiras e com sua arrogância.
Todos conhecemos alguém que diz as mesmas coisas. Aqui mesmo, neste blog, nos comentários de leitores colocados em posts que tratam da ditadura, vemos essa farsa sendo repetida.
Além da farsa sobre as “razões” dos golpistas de 1964, há outra imensa farsa que precisa ser desmascarada, a de que haveria um número equivalente ao de vítimas do regime militar, as supostas vítimas de “terroristas”.
Os que apoiaram e apoiam o estupro da democracia naqueles ditos “anos de chumbo” referem-se a pessoas que teriam sofrido nas mãos da resistência à ditadura o mesmo que ela praticou contra presos políticos que queriam libertar o país.
Essa mentira pode ser facilmente desmascarada.
Há centenas de pessoas que denunciam os crimes praticados pela ditadura. Há pouco, faleceu um homem que foi torturado quando era um bebê de colo e que carregou as sequelas daquilo até a morte. Mas onde estão as “vítimas” dos “terroristas” de esquerda?
Não há. Ninguém nunca viu uma manifestação dessas vítimas simplesmente porque quando a resistência à ditadura matou alguém foi sempre em combate. Nunca apareceu um agente da ditadura ou mesmo um civil que tivesse sido torturado ou morto após ser dominado.
A grande mídia, cúmplice da ditadura – o golpe de 1964 foi tramado na redação do jornal O Estado de São Paulo –, tenta ajudar a desinformar a sociedade ao dar o mesmo peso ao discurso das vítimas da ditadura e ao discurso dos agentes dela.
Isso ocorre porque veículos como O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, entre outros, poderão ser denunciados pelos crimes que cometeram entre 1964 e 1985 – a Folha chegou a emprestar veículos para o regime transportar presos políticos.
Aí a razão para a grande mídia tratar com equidistância “os dois lados”, como se tivesse ocorrido uma guerra civil no país quando o que de fato ocorreu foi uma ditadura que esmagou não só quem resistiu à bala, mas quem ousava pensar diferente.
Os que gostam de criticar o governo hoje e não sabem o que ocorreu durante a ditadura precisam saber que se criticassem publicamente o então presidente Emílio Garrastazu Médici (que governou entre 1969 e 1974), por exemplo, no dia seguinte teriam a polícia política do regime batendo-lhes à porta.
Essas pessoas não entendem que entre 1964 e 1985 não se podia criticar o governo ou ter uma opinião diferente da do governo, pois quem divergisse publicamente era preso, torturado e até assassinado.
Isso aconteceu com Vladimir Herzog em 1975, quando era diretor do departamento de telejornalismo da TV Cultura.
O jornalismo da emissora fazia críticas ao governo e, assim, Herzog foi preso, torturado e assassinado no mesmo lugar em que Brilhante Ustra comandou tantas sevícias, estupros e assassinatos contra quem cometera o crime de pensar diferente.
Detalhe: Herzog jamais pegou em armas. Seu “crime” foi dizer coisas que a ditadura não gostou.
Assim, grande parte dos que, apesar de não terem cometido crimes durante a ditadura, atuam a serviço dela até hoje desinformando as pessoas, sabem que estão mentindo. Outros (poucos), fazem isso por desinformação.
A Comissão da Verdade, portanto, tem como objetivo principal barrar o discurso dos defensores da ditadura – tanto dos mal-intencionados como dos desinformados.
Aliás, há um critério para diferenciar os defensores da ditadura que mentem daqueles que apenas não sabem o que dizem: a idade – qualquer um que tenha mais de cinquenta anos e que desminta os crimes da ditadura, é um mentiroso.
O que se espera da Comissão da Verdade e do governo Dilma Rousseff, portanto, é que no ano que vem provem ao país, usando grandes meios de comunicação, que o regime militar foi implantado e sustentado por criminosos.
Se tudo o que está sendo apurado for devidamente difundido, o efeito benfazejo será o de calar gente como o ministro do STF supracitado ou pessoas que põem comentários mentirosos na internet ou os fazem em seus meios sociais.
Envergonhar os defensores da ditadura perante suas famílias, filhos, netos, amigos, colegas de trabalho etc. será imprescindível para que este país nunca mais sofra um golpe igual.
Além disso, a exposição adequada da desumanidade dos crimes da ditadura deixará qualquer pessoa decente literalmente perplexa e, assim, poderá permitir que a Lei da Anistia seja revista e os criminosos sobreviventes paguem por seus crimes.

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ATENÇÃO, ALIADOS DO PMDB: DILMA NÃO É UM PATO MANCO


12.05.2013
Do portal BRASIL247

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Na famosa gíria diplomática, pato manco é o presidente em final de mandato, que já cumpriu reeleição e sofre de popularidade declinante; decididamente, não é o caso da presidente Dilma Rousseff; recordista de aprovações nas pesquisas de opinião e disposta a concorrer, com garra, à reeleição em 2014, ela ainda conta com o apoio do igualmente popular Lula e superou seus problemas de relacionamento com o PT; quando os aliados do PMDB do vice-presidente Michel Temer, do presidente da Câmara, Henrique Alves, e do líder Eduardo Cunha vão perceber que erram feio quando jogam pressão clientelista sobre a presidente?; querem que desenhe?


247 - Pato manco é uma das gírias mais engraçadas e politicamente definitivas do jargão diplomático. Representa o chefe de Executivo em final de mandato, sem direito à reeleição e com pouca influência sobre sua sucessão, em razão da popularidade declinante. Nos Estados Unidos pré-Barack Obama, o George W. Bush todo poderoso às vésperas de conseguir seu segundo mandato tornou-se um pato manco quatro anos depois, quando mal tinha influência sobre o seu partido republicano.

No Brasil, tem gente confundido as figuras. O PMDB, por exemplo. Segundo maior partido do Congresso, inferior em número de parlamentares ao PT, e sem a força do passado -- em 1986, por exemplo, quando José Sarney chefiava a Nação, a legenda fez nada menos que 22 dos 23 governadores eleitos naquele ano, mas hoje comanda apenas cinco Estados, ente os quais Rondônia e o Rio de Janeiro do ex-tucano Sergio Cabral --, ainda assim o PMDB, presidido pelo senador Valdir Raupp (RO) durante a licença do vice-presidente da República Michel Temer, enxerga uma presidente Dilma diferente do que realmente ela é.

Nesta sexta-feira 10, depois de comandar uma verdadeira balbúrdia no plenário da Câmara, resultando na suspensão da sessão que discutia a MP dos Portos, de interesse direto da presidente, o líder do PMDB, Eduardo Cunha, ainda saiu falando grosso. Procurado pelo jornal Valor Econômico, ele, que sempre foi econômico em entrevistas, mantendo largo distanciamento da imprensa, se viu na posição de disparar recados. Disse que a presidente comanda um governo que não faz política, é dominado pela tecnocracia e não dá cargos ao partido na administração pública. Senhor dos anéis, Cunha pontificou que, do jeito que estão as relações, para 2014 o PMDB tem de repensar sua posição de aliado do PT e de Dilma.

À medida que não é, politicamente, quem Cunha está pensando, a presidente está pronta a fazer truco, a não ser que haja uma retratação. E ela tem todas as condições para isso. Egresso do PMDB fluminense, cuja cúpula é formada pelo governador Sergio Cabral e o prefeito da capital, Eduardo Paes, ex-PSDB, Cunha não aprendeu uma lição recente. Cartinha assinada pelo presidente do PMDB local, Jorge Picciani, lida sem repercussão na convenção nacional do partido, dois meses atrás, cai no vazio das provocações sem base política. Em combinação com Cabral e o vice-governador Luiz Fernando Pezão, Picciani tentou emparedar, simultaneamente, a presidente e o PT, ameaçando rejeitar a candidatura do senador Lindbergh Farias, do PT, ao governo do Estado, sob pena de rompimento de uma aliança que, até aqui, só tem favorecido o PMDB fluminense.

Na prática, a carta de Picciani foi rasgada assim que veio a público. O primeiro a dizer que o PT não mudaria em sequer um milímetro a sua posição no Rio foi o presidente nacional petista Rui Falcão. Em seguida, o ex-presidente Lula confirmou que o PMDB do Rio não está com essa bola toda para ditar padrões de comportamento para a sua legenda. E, por fim, a presidente Dilma deixou claro que, em nome da boa conviência, aceitaria analisar as chances de ter o chamado "palanque duplo" no Rio, apoiando o senador de seu partido sem tripudiar do vice-governador seu aliado, apesar de Lindbergh ser um dos favoritos nas pesquisas e Pezão, o lanterna.

Eduardo Cunha, próximo do vice-presidente Michel Temer e do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, não entendeu ou desdenhou daquele primeiro momento de tensão. Como se não fosse, ele próprio, um dos pilares mais importantes para a manutenção dessa aliança, Cunha bateu no governo como se fosse um oposicionista sem responsabilidades com a organicidade da base de apoio da administração Dilma. Em plenário e em página inteira do jornal Valor Econômico, Cunha pareceu pular do PMDB para a mais radical das legendas. Qual seria? O PSTU, o PCO – Partido da Causa Operária – ou o conservador DEM?

Pouco importa, na verdade, o que Cunha acredita ser, mas vale lembrar o que ele realmente é: líder de uma bancada de parlamentares que, por compromissos anteriores, cumpridos e desenvolvidos ao longo do mandato presidencial, na medida das possibilidades e da correção do relacionamento, apóia, repita-se, apóia o governo. Não um partido que está na base, e tem presença nos ministérios, trair, chantagear, solapar o governo.

Raciocinando, ao que parece, momento a momento, de acordo com seus interesses pessoais, acima até mesmo da missão partidária que lhe foi confiada, Cunha erra na avaliação que faz da presidente Dilma. Do alto de sua popularidade, e por todos os gestos políticos e administrativos que a presidente vem dedicando ao Rio de Janeiro, é o PMDB fluminense, e não Dilma, quem só tem a perder com a perda de paciência presidencial sobre este tipo de comportamento. Se Dilma disser tchau, adeus poder no Rio para a legenda. Porque Sergio Cabral, apesar de popular, é ele sim um pato manco, à medida em que não tem mais direito à reeleição.

Como líder, ao falar, Cunha sabe que não vocaliza apenas si mesmo. Em sua voz sempre haverá tons de caciques como o vice Michel Temer, o presidente Alves, o presidente do Senado, Renan Calheiros, Cabral, Paes, Pezão e dezenas de deputados. Ou essas lideranças dão uma enquadrada, e das boas, daquelas cujos termos são duros de serem reproduzidos até para a mulher quando se chega em casa, no líder, ou terá falado por todos. E a decepção da presidente, por erro de avaliação que levou à soberba, terá não mais, apenas, uma solução de resgate de autoridade com dimensões regionais, mas nacionais.

Dilma, que está mais para cisne no esplendor do firmamento, em razão, repita-se, da popularidade anos luz à frente dos opositores, do regime de pleno emprego que sustenta na economia, da expressão global que vai dando ao Brasil, entre outros predicados, poderá levar o PMDB a pagar pela língua de Cunha. A presidente não está disposta a conviver com desaforos feitos sob medida para arrancar dela favores político-administrativas. Para curvar-se assim, só sendo um pato manco.
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