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domingo, 28 de abril de 2013

Internação compulsória de viciados em crack dominará debate político nesta segunda-feira


28.04.2013
Do BLOG DO JAMILDO,27.04.13
Postado por Jamildo Mello
Vereador Luiz Eustáquio, autor do projeto de lei 017/2013 que prevê a internação involuntária
A Câmara Municipal do Recife confirmou, para a manhã da segunda-feira, às 10h, uma audiência pública para tratar da internação voluntária, involuntária e compulsória para dependentes químicos de álcool e outras drogas. Está tramitando na Casa o projeto de Lei 17/2013 de autoria do vereador Luiz Eutáquio (PT), que também estará a frente da audiência pública.

Nesta semana que passou, o vereador do Recife Jayme Asfora, do PMDB, disse, em debate no programa CBN Total, que é a favor da internação compulsória de viciados em crack. Ele argumentou que os dependentes colocam a vida deles e dos outros em risco. “O projeto do vereador Luis Eustáquio (PT) é bom, mas disutível. Acho que ele é insconstitucional, pois deve vir de legislação federal”. No entanto, há cidades brasileiras que já adotam a medida.

Já o vereador André Regis, do PSDB, disse que não tinha opinião formada ainda e iria estudar melhor o tema.

Dentre os convidados para debater o assunto na audiência, figuram nomes como o do deputado federal Osmar Terra (PMDB/RS), membro da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, e autor do Projeto de Lei 7.663/2010, que tramita no congresso nacional sobre e o Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas.

Também deve participar o deputado federal Givaldo Carimbão (PSB-AL) relator da proposta que altera a Lei Antidrogas (PL 7.663/2010), considerando a internação compulsória e a classificação das drogas por sua capacidade de causar dependência. Ele é membro da membro da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, e da Comissão Especial de Políticas Públicas de Combate às Drogas.

Outro deputado federal que já confirmou presença é Francisco Eurico, mais conhecido como Pastor Eurico, (PSB-PE), membro da Comissão de Seguridade Social e Família, e da Comissão Especial de Políticas Públicas de Combate às Drogas.

Audiência pública:10h
Data: segunda-feira (29)
Local: Câmara Municipal do Recife
Tema: "A Aplicação da Internação Compulsória para tratamento de dependentes químicos de álcool e outras drogas no município do Recife


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Atentado em Boston: por ‘pressa’, mídia cometeu graves erros

28.04.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 27.04.13

Pressa em “furar” a concorrência levou mídia dos EUA a cometer erros graves. Saiba como CNN, FoxNews, New York Post e Associated Press tiveram a credibilidade abalada após publicarem falsas especulações



O estudante Salah Barhoun, de 17 anos, não acreditou ao ver a manchete do New York Post, na quinta-feira passada (18/04). Numa foto tirada à beira da pista da Maratona de Boston, ele e seu treinador estampavam a capa do tabloide. A manchete dizia: “Homens da mochila”, seguida do aviso: “Federais procuram estes dois”.
Tudo partiu das especulações de investigadores amadores do fórum de internet Reddit, que detectaram os dois numa foto do local das explosões. Em seguida, a foto foi rapidamente publicada pelo tabloide nova-iorquino, sem qualquer tipo de verificação.
atentado boston mídia
Em meio à cobertura dos ataques em Boston, jornalistas divulgam informações sem conferir a veracidade delas e criam situações embaraçosas para TVs e jornais. Foto: Mario Tama/ Getty Images North Aerica/ AFP
O jornal também cometeu outros erros: publicou que havia 12 mortos – foram três – e apontou como suspeito um cidadão saudita que não tinha nada que ver com os ataques.

Interferência negativa das redes sociais

Na opinião do crítico de mídia do The New York Times Joe Concha, as redes sociais como o Twitter e o Facebook mais atrapalharam do que ajudaram o noticiário sobre o atentado. “Agora, não existe apenas a pressão da concorrência entre as emissoras, mas também da concorrência com o Twitter: ele induz os meios de comunicação a se precipitarem.”
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Logo em seguida aos atentados, a FoxNews, mais bem-sucedido canal de notícias nos Estados Unidos, “pagou um mico” ao divulgar que uma terceira explosão teria ocorrido na Biblioteca Presidencial John F. Kennedy, em Dorchester. Como se constatou em seguida, a suposta explosão era apenas um pequeno incêndio.
Situação pior foi a da emissora de televisão CNN, concorrente da FoxNews, e a da agência de notícias Associated Press (AP). O experiente repórter da CNN John King anunciou na última quarta-feira, orgulhoso: “Houve uma prisão. Meu informante na polícia de Boston me disse: ‘Nós o pegamos’”. E King prosseguiu, dando detalhes sobre um vídeo, no qual supostamente “se vê um homem de pele escura depositar uma mochila no local da segunda explosão”.
A FoxNews e outros veículos de imprensa passaram a trabalhar com essa informação. Em seguida, a notícia da AP de que o preso já estava a caminho do tribunal levou centenas de jornalistas a correrem para a porta da corte de Justiça. Só para, uma hora e meia depois, ver na CNN o mesmo John King negando – também com exclusividade – a sua suposta informação exclusiva: “Há importantes progressos, mas nenhuma prisão. Quem falar em prisão está colocando o carro na frente dos bois”.

Velocidade versus credibilidade

A credibilidade, tanto da CNN quanto da AP, ficou abalada. Outros veículos de mídia tradicionais também publicaram falsas especulações tiradas do Twitter e boatos da internet.
atentado boston cobertura mídia
Também a CNN informou equivocadamente (Foto: Reprodução)
Para Erik Wemple, especialista em mídia do jornal Washington Post, a imprensa deveria retornar a suas boas e velhas virtudes, esquecidas em meio ao caos: “Verificar os fatos e, em caso de dúvida, colocar a precisão na frente da rapidez. Talvez tenha chegado o momento de os meios de comunicação dizerem: vamos aguardar a confirmação oficial através de uma coletiva de imprensa ou de um comunicado”.
Apesar de a imagem da CNN ter sofrido abalos na última semana, seu novo chefe, Jeff Zucker, parece ter motivos para estar satisfeito com os índices de audiência, que aumentaram 200% com a cobertura do atentado em Boston. Quase 3 milhões de telespectadores sintonizaram a emissora todos os dias – seus maiores números desde o início da Guerra do Iraque, há dez anos.

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BLOG DE JAMILDO: A "cota fantasma" do PSDB

28.04.2013
Do BLOG DE JAMILDO
Bruna Serra, do Jornal do Commercio
Postado por Gabriela López 

Foto: Edmar Melo/JC Imagem

Moradoras de Brasília Teimosa, célebre comunidade da Zona Sul do Recife, oito mulheres com idade entre 70 e 80 anos compartilhavam na última quarta-feira (24) um bolo de milho quentinho. A casa de número 14 da Rua Japerica virou ponto de encontro após elas descobrirem que foram vítimas de um crime eleitoral.
As oito estão impedidas de votar, tirar passaporte, tomar posse em cargo público ou participar de concursos. Não apresentaram as prestações de contas da campanha eleitoral do ano passado. O curioso é que elas dizem não saber que haviam disputado uma vaga na Câmara de Vereadores do Recife. Mas disputaram. E mais: foram votadas.
Atendendo a um pedido de Elides Queiroz, famosa líder comunitária de Brasília Teimosa, e de um homem identificado como Herberth Alexandre de Barros Campos, as oito mulheres assinaram um documento com informações sobre suas escolaridades.
“Ele foi na minha casa, ditou o que eu deveria escrever e depois pediu que eu assinasse. Me disse que era apenas para reativar o meu cadastro de filiação ao partido”, conta Maria da Paz do Nascimento, uma senhora discreta e de óculos. Ela se referia a Herberth, que em 9 de janeiro deste ano foi nomeado auxiliar no gabinete da vereadora Aline Mariano (PSDB), líder da oposição. O cadastro em questão é o do PSDB do Recife.
De posse do atestado de escolaridade e com os números da identidade, CPF e título de eleitor das oito mulheres, Elides Queiroz e Herberth abriram contas bancárias na agência do Banco do Brasil da Avenida Agamenon Magalhães. Em seguida, o registro de candidatura foi efetivado com uma previsão de gastos de campanha entre R$ 300 mil e R$ 360 mil.
“Um dia eu estava lavando minha calçada, quando um vizinho apareceu e perguntou: ‘Como a senhora se candidata a vereadora e nem avisa?’. Fiquei achando que era brincadeira até que meu filho entrou na internet e confirmou”, relata Sônia Lustosa, dona de casa na Rua Japerica e primeira a descobrir o esquema.
Após comentar com a vizinhança o ocorrido, Abraão Lustosa, filho de Sônia, descobriu as outras vítimas. Decidiram, então, procurar o advogado Marcel Barbosa, que ingressou com a queixa crime junto ao Tribunal Regional Eleitoral, sob o protocolo 191.299/2012, no dia 20 de dezembro do ano passado. Aline Mariano é citada no processo como parte beneficiada pela engenharia eleitoral praticada por seu assessor.
A motivação do esquema é simples. Para evitar que partidos ou coligações sejam dominados somente por homens, a legislação eleitoral exige uma participação mínima de 30% de mulheres no total de candidatos inscritos. Foi justamente para cumprir a determinação que os partidários da vereadora inscreveram as oito mulheres como candidatas.
“Não tenho nem um real no banco. De repente vejo meu nome na Internet com R$ 360 mil para prestar contas. De onde vou tirar um dinheiro desses?”, indagou Iraci Rita da Silva Melo.
Outras vítimas, Maria Cleópatra Braz e Maria Luiza Moreira dos Prazeres ainda conseguiram dois votos cada uma. “Como é que pode isso?”, questionou Maria do Livramento Costa, última a chegar ao encontro por causa de dificuldades de locomoção. Ela tem 76 anos.
Mais nova entre as candidatas virtuais, Risonelma Bezerra carrega os documentos que provam que sua assinatura na carteira de identidade e na ficha de candidatura são grosseiramente diferentes. “Sou muita amiga do filho de dona Elides e só assinei esse documento porque confiei. Ele foi na minha casa e até foto de celular tirou. Depois descobri que era a foto da urna”, conta.
DILIGÊNCIAS
O crime vem sendo investigado pela Polícia Federal e deve ser julgado na esfera eleitoral. Assim que recebeu o processo em seu gabinete, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), desembargador Ricardo Paes Barreto, encaminhou-o à polícia.
O caso ainda está em fase de inquérito e algumas diligências estão sendo realizadas para esclarecer detalhes. A queixa-crime impetrada conjuntamente pelas oito mulheres pede o indiciamento de Elides Queiroz e Herberth Alexandre por falsidade ideológica e estelionato.
Aline Mariano é citada como beneficiária do golpe, mas novas diligências realizadas pela PF irão averiguar se há o envolvimento da vereadora com os responsáveis por coletar as assinaturas e fazer o registro das candidaturas.

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NOVOS PARTIDOS: Emenda de deputado do DEM também desmente Reinaldo Azevedo da Veja

28.04.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Está feia a coisa em termos de mentirada na revista Veja desta semana.

O "rola-bosta" de lá pegou uma emenda do deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) e quis inventar que foi cria da base governista. Mas o site da Câmara comprova que não é verdade.



O projeto original apresentado por um deputado do PMDB, da base governista, era manter a regra antiga de divisão do horário na TV e fundo partidário, aceita por todos antes do STF ter mudado a interpretação em 2012, favorecendo o Kassab e Serra em 2012.

E o objetivo do projeto nunca foi para aumentar o tempo dos partidos já estabelecidos. Foi para não diminuir, no caso de infidelidade partidária na farra da criação de legendas de aluguel.

Quando o STF beneficiou o PSD de Kassab em 2012, quem saiu perdendo foi o DEM. Agora o DEM resolveu dar o troco para recuperar o tempo perdido criando esta emenda, e exigindo apoio a ela para aprovar o resto. Por acordo, a maioria, incluindo o DEM, aprovou, e ganho no voto na Câmara (falta tramitar no Senado). 

Portanto, não foi o PT e PMDB que aumentaram o tempo, como diz Reinaldo , foi o DEM de oposição que quis assim. Se a oposição deu tiro-no-pé, supostamente aumentando o tempo de TV da Dilma, vá reclamar com o deputado Caiado.

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Folha: Jânio de Freitas acusa Gilmar Mendes

28.04.2013
Do blog BRASIL QUE VAI!

No picadeiro - JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SP - 28/04


O ato cogerador da 'crise' é de Gilmar Mendes, a pedido de um partido do próprio Congresso, o PSB

A "crise" entre o Supremo Tribunal Federal e o Congresso não está longe de um espetáculo de circo, daqueles movidos pelos tombos patéticos e tapas barulhentos encenados por Piolim e Carequinha. É nesse reino que está a "crise", na qual quase nada é verdadeiro, embora tudo produza um efeito enorme na grande arquibancada chamada país.

Não é verdade, como está propalado, que o Congresso, e nem mesmo uma qualquer de suas comissões, haja aprovado projeto que submete decisões do Supremo ao Legislativo. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara nem sequer discutiu o teor do projeto que propõe a apreciação de determinadas decisões do STF pelo Congresso. A CCJ apenas examinou, como é de sua função, a chamada admissibilidade do projeto, ou seja, se é admissível que seja discutido em comissões e eventualmente levado a plenário. A CCJ considerou que sim. E nenhum outro passo o projeto deu.

Daí a dizer dos parlamentares que "eles rasgaram a Constituição", como fez o ministro do STF Gilmar Mendes, vai uma distância só equiparável à sua afirmação de que o Brasil estava sob "estado policial", quando, no governo Lula, o mesmo ministro denunciou a existência de gravação do seu telefone, jamais exibida ou comprovada pelo próprio ou pela investigação policial.

De autoria do deputado do PT piauiense Nazareno Fonteles, o projeto, de fato polêmico, não propõe que as decisões do STF sejam submetidas ao Congresso, como está propalado. Isso só aconteceria, é o que propõe, se uma emenda constitucional aprovada no Congresso fosse declarada inconstitucional no STF. Se ao menos 60% dos parlamentares rejeitassem a opinião do STF, a discordância seria submetida à consulta popular. A deliberação do STF prevaleceria, mesmo sem consulta, caso o Congresso não a apreciasse em 90 dias.

Um complemento do projeto propõe que as "súmulas vinculantes" -decisões a serem repetidas por todos os juízes, sejam quais forem os fundamentos que tenham ocasionalmente para sentenciar de outro modo- só poderiam ser impostas com votos de nove dos onze ministros do STF (hoje basta a maioria simples). Em seguida a súmula, que equivale a lei embora não o seja, iria à apreciação do Congresso, para ajustar, ou não, sua natureza.

O projeto propalado como obstáculo à criação de novos partidos, aprovado na Câmara, não é obstáculo. Não impede a criação de partido algum. Propõe, isso sim, que a divisão do dinheiro do Fundo Partidário siga a proporção das bancadas constituídas pela vontade do eleitorado, e não pelas mudanças posteriores de parlamentares, dos partidos que os elegeram para os de novas e raramente legítimas conveniências. Assim também para a divisão do horário eleitoral pago com dinheiro público.

A pedido do PSB presidido pelo pré-candidato Eduardo Campos, Gilmar Mendes concedeu medida limitar que sustou a tramitação do projeto no Congresso, até que o plenário do STF dê a sua decisão a respeito. Se as Casas do Congresso votassem, em urgência urgentíssima, medida interrompendo o andamento de um processo no Supremo Tribunal federal, não seria interferência indevida? Violação do preceito constitucional de independência dos Poderes entre si? Transgressão ao Estado de Direito, ao regime democrático? E quando o Supremo faz a interferência, o que é?

Ao STF compete reconhecer ou negar, se solicitado, a adequação de aprovações do Congresso e de sanções da Presidência da República à Constituição. Outra coisa, seu oposto mesmo, é impedir a tramitação regimental e legal de um projeto no Legislativo, tal como seria fazê-lo na tramitação de um projeto entre partes do Executivo.

O ato intervencionista e cogerador da "crise", atribuído ao STF, é de Gilmar Mendes -e este é o lado lógico e nada surpreendente do ato. Mas o pedido, para intervenção contra competência legítima do Congresso, foi de um partido do próprio Congresso, o PSB, com a aliança do PSDB do pré-candidato Aécio Neves e, ainda, dos recém-amaziados PPS-PMN.

Com o Congresso e o STF, a Constituição está na lona.
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A espionagem e ilegalidade do governador tucano

28.04.2013
Do blog COM TEXTOLIVRE

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De Marconi Perillo a Mister Magoo

Leandro Fortes, de Goiânia
Mister Magoo, o simpático personagem de desenho animado criado nos Estados Unidos em 1949, é um velhote que se mete em enormes confusões por ser praticamente cego. E aparece aqui neste texto na cota de humor de um enredo de espionagem e ilegalidades de desenhado e comandado de gabinetes do Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás, e sob as ordens do governador Marconi Perillo. “Mister Magoo” é o codinome de um hacker, cuja identidade está prestes a ser desvendada pelo Ministério Público Federal, contratado para operar um rede ilegal de grampos telefônicos, criar perfis falsos na internet e invadir a privacidade de dezenas de adversários e até aliados de Perillo. O contato com o hacker era intermediado por um casal de radialistas de Goiânia, Luiz Gama e Eni Aquino.
Em 2011 e 2012, “Mister Magoo”, dono de uma “visão cibernética” invejável, ao contrário do personagem do desenho, serviu ao esquema com grande eficiência. A partir das encomendas de Gama e Aquino por e-mails e mensagens diretas via Twitter, o hacker montou um fenomenal arquivo de informações retiradas de computadores invadidos e telefones celulares grampeados. Pelos serviços, recebia de R$500,00 a R$47 mil, a depender da complexidade do trabalho e do alvo em questão. O dinheiro saía de duas fontes antes de passar pelas mãos do casal de radialistas, segundo documentos obtidos por CartaCapital. No início, o responsável pelos pagamentos era o jornalista José Luiz Bittencourt, ex-presidente da Agência Goiana de Comunicação. Na fase seguinte, a operação passou a ser de responsabilidade de Sérgio Cardoso, cunhado de Perillo, atual secretário estadual extraordinário de Articulação Política.
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Além da participação do governador e de assessores diretos no esquema de grampo e invasão de perfis na rede mundial de computadores, a troca de mensagens dos radialistas com “Mister Magoo” revela que o governo de Goiás seria utilizado de hackers oriundos de São Paulo e Minas Gerais. O radialista sustenta ainda que parte desse serviço importado chegou ao estado por meio de um contrato firmado com a SMP&B, agência de publicidade que pertenceu a Marcos Valério de Souza, figura central dos escândalos dos “mensalões” do PSDB e do PT.
Em um dos possíveis crimes mais graves, Gama conta a “Mister Magoo” que Bittencourt negociava a compra de dados da Infoseg, a rede nacional de informações de segurança pública de todos os órgãos policiais, de Justiça e de fiscalização do Brasil. Depositária de diversas informações altamente sigilosas, a Infoseg arquiva dados sobre inquéritos policiais, processos, armas de fogo, veículos e mandados de prisão.
Guarda também informações secretas sobre armas do Exército brasileiro e dados da Receita Federal, do Superior Tribunal de Justiça e da Justiça Federal, inclusive aqueles referentes à Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos. A administração do sistema é de responsabilidade da Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, mas os dados podem ser acessados por cerca de 80 mil autoridades, sobretudo policiais, cadastradas em todo o País.
Segundo Gama, a base de dados da Infoseg foi oferecida a “Zé Bitte”, apelido de Bittencourt, por R$18 mil. Na parte de cima da mensagem copiada por “Mister Magoo”, em 6 de março de 2012, o hacker anotou: “Estão falando de um programa Infoseg de tempo real. É um dicionário do cidadão brasileiro. Se nasceu e fez sombra, tem nesse programa.” Pelas demais mensagens trocadas entre os dois, não foi possível saber se a negociação chegou a ser realizada ou não. Se houve compra, Perillo pode ter cometido um crime federal gravíssimo, de quebra de sigilo institucional contra a União.
CartaCapital teve acesso a 450 das mensagens trocadas entre os radialistas e o hacker. O material permite dimensionar a forma de operação do esquema. Elas foram entregues pelo próprio “Mister Magoo” ao publicitário Gercyley Batista, vice-presidente do Partido Republicano Progressista de Goiás, diretor de criação da agência de propaganda Canal, de propriedade de Jorcelino Braga e ex-secretário de Fazenda do governo Alcides Rodrigues, um dos maiores desafetos de Perillo no estado.
Batista mantém no Twitter o perfil@Gersyley44, por meio do qual faz muitas e duras críticas ao governador tucano. Por esse motivo, e por ser ligado a Braga, tornou-se um dos principais alvos de Gama e Aquino. Por ordem do casal, “Mister Magoo” foi instado a invadir o computador de Batista e derrubar o perfil do publicitário no Twitter, mais de uma vez. Entre as atribuições do hacker constava a montagem de uma rede de perfis falsos no Twitter, os chamados fakes, a fim de garantir uma claque virtual de apoio a Perillo quando o governador foi depor na CPI do Cachoeira, em 12 de junho de 2012. Ao todo, o hacker criou 92 perfis que infestaram a internet antes, durante e depois do depoimento do Perillo. Na ocasião, o governador tentou explicar o inexplicável: a presença maciça e a influência desmensurada da quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira na administração pública de Goiás.
Na quinta-feira, dia 25, Batista foi à sede do Ministério Público entregar pessoalmente os arquivos repassados por “Mr. Magoo”, além de cópias das mensagens trocadas reservadamente pelo Twitter com o hacker. No depoimento ao procurador Hélio Telho, o publicitário relatou os contatos com “Mr. Magoo”, todos realizados por meio da internet. Segundo Batista, o hacker identificou-se como um estudante de Medicina de 22 anos que alegadamente passou a fazer o serviço para pagar os estudos e auxiliar a mãe doente.
Telho já tinha conhecimento informal da existência do material produzido pelo hacker, mas esperava o depoimento de Batista para iniciar o processo de investigação. Caberá ao procurador organizar as informações e enviá-las à Procuradoria Geral da República, em Brasília, de modo a viabilizar uma denúncia no Superior Tribunal de Justiça, por conta do foro privilegiado de Perillo. O tucano e seus auxiliares envolvidos podem responder por peculato (crime cometido por servidor público), improbidade administrativa e quebra ilegal de sigilos telefônicos e telemáticos.
Segundo Batista, o hacker entrou em contato via mensagem direta do Twitter nos primeiros meses de 2012, aparentemente preocupado com as consequências do serviço sujo. “Cheguei ao nome do senhor porque me pediram, mais uma vez, para fazer serviços, e desta feita contra o senhor e seus chefes, como vou lhe mostrar”, escreveu “Mr. Magoo”, por meio de um perfil falso (@petrastoubas), em 22 de maio de 2012. Logo depois, os dois passaram a trocar e-mails, período em que o hacker teria descrito como eram feitas as encomendas de invasão de perfis e grampos telefônicos a pedido de Gama e Aquino.
O invasor fez questão de se declarar hacker (especialista em invadir sistemas e modificá-los) e não cracker (marginal virtual que rouba dados e senhas para utilizá-los de forma criminosa), o que é desmentido pelas mensagens de Gama e Aquino. “Mr. Magoo” fazia as duas coisas. Ele confessou ter recebido ordens para invadir o computador do publicitário, mas se declarou arrependido. Para provar suas informações, passou a enviar cópias das mensagens trocadas com os radialistas. “Ele queria saber quem estava certo ou errado naquela história toda”, diz Batista.
Na verdade, “Mr. Magoo” decidiu entregar o esquema após descobrir que Gama e Eni atrasavam os pagamentos. E mais: a dupla embolsava parte do dinheiro destinado a ele. O casal, narrou a Batista, cobrava R$12 mil e só repassava R$7 mil ao estudante. Nos primeiros contatos, “Mr. Magoo” tentou vender as informações ao publicitário. Este diz ter recusado. Apesar da negativa, garante o denunciante, o hacker aceitou revelar o esquema para provar não ser um blefe.
“Mr. Magoo”, afirma Batista, pediu para que outros três alvos do esquema fossem avisados. São eles o jornalista Altair Tavares e o administrador Carlos Bueno, funcionários da Rádio 730, e o ex-secretário Jorcelino Braga, antigo proprietário da emissora. Por medida de segurança, e por pavor da turma de Perillo, Batista diz ter apagado os e-mails trocados com Mr. Magoo. Ele pretende, porém, solicitar ao Ministério Público Federal a quebra de sigilo em suas contas no MSN (Microsoft) e Gmail (Google), para provar a existência dos diálogos. O publicitário guardou as mensagens reservadas trocadas pelo Twitter.
Perillo não concedeu entrevista. Preferiu escalar João Furtado, seu chefe de gabinete, para rebater as acusações. Furtado não soube precisar a data, mas garante ter dado ordem para a Polícia Civil investigar a proliferação de perfis falsos nas redes sociais. Infelizmente, o pedido tinha um viés. A polícia supostamente foi escalada para levantar apenas as mensagens negativas contra o tucano. “O governador, na verdade, era vítima desses caluniadores”, afirma. Talvez por causa desse viés, os investigadores, se é que investigaram algo, nunca chegaram a Gama e Aquino, muito menos souberam da existência do hacker. Apesar de garantir o pedido de apuração, Furtado nunca se interessou pelo resultado do trabalho policial.
Segundo o chefe de gabinete, o casal de radialistas responsáveis pelo contato com “Mr. Magoo” não é ligado ao governo de Goiás nem recebeu ordens de Perillo para montar a central ilegal de grampos, embora as mensagens obtidas por esta revista sejam claras quanto à origem das solicitações. “Se o fizeram, foi por conta própria”, afirma. Para Furtado, as referências a Bittencourt e Cardoso não passam de tentativa de “exploração de prestígio”.
Gama e Aquino são apresentadores do programa Papo de Bola na Fonte TV, emissora da Rede Fonte de Comunicação, ligada à Igreja Fonte da Vida, um milionário culto pentecostal fundado e administrado pelo “apóstolo” César Augusto de Sousa. Gama chegou a ser chefe do Departamento de Jornalismo da empresa, mas acabou demitido no ano passado por razões não esclarecidas. Manteve, porém, o espaço terceirizado do programa esportivo apresentado em companhia da mulher. Tanto o “apóstolo” quanto seu filho, o pastor Fábio Sousa, deputado estadual pelo PSDB, foram grampeados por “Mr. Magoo”, segundo consta das mensagens.
Apesar dos reiterados pedidos de entrevista, Sousa preferiu o silêncio. O mesmo fez o casal de radialistas acusados de operar o esquema. Gama achou melhor contra-atacar na internet. No Twitter, declarou-se vítima de “pistoleiros virtuais”.
A seguir, detalhes da central de grampo que não poupou aliados ou subordinados de Perillo.
“O cabra poderoso”
Apesar de manter contato com “Mr. Magoo” desde agosto de 2011, apenas depois da Operação Monte Carlo, operação da Polícia Federal que desbaratou a quadrilha do bicheiro Carlos Cachoeira, Gama e Aquino intensificaram o relacionamento com o hacker. Nas redes sociais, a proximidade entre o governador de Goiás e o contraventor tornara-se assunto recorrente.
O hacker começou a ser sondado para um serviço inicialmente não definido. Em 27 de março, Gama decidiu abrir o jogo. Durante a troca de 28 mensagens entre 12h53 e 16h20, o radialista revelou o nome do verdadeiro chefe do esquema, não sem antes criar um clima de mistério. “Ele”, escreve Gama, queria o hacker no esquema “para sempre”. “O cabra é poderoso”, anota em outra comunicação. A revelação viria às 14h39. “Na verdade, é o governador Marconi Perillo”, informa ao hacker. “Ele precisa de um cara craque assim como você. Ele é muito atacado.”
A partir desse ponto e até a última mensagem, Gama discorre sobre as vantagens de trabalhar para o governo (“arrumar a sua vida”), da necessidade de se manter tudo em segredo (“ele quer sigilo total”), do apoio logístico de primeira (“tudo teta pra você, o que precisar de equipamento, rola”), da segurança das operações (“você será, inclusive, protegido por todo o esquema dele”) e do status social (“fora a moral que você vai ter”). Às 15h46, o radialista, eufórico com o desfecho da negociação, não se contém: “Vem aí… o espião Magooo 007! KKKKKK. Vai ser show!”. Em várias mensagens, Gama insinua a possibilidade de o hacker tornar-se funcionário do governo estadual. Em um texto específico, Aquino chega a mencionar o possível salário: R$15 mil.
Em 14 de abril, a turma de Perillo se mostra preocupada com o movimento Fora Marconi, desencadeado nas redes sociais e, em seguida, transformado em passeatas pelas ruas de Goiânia. O movimento nasceu após reportagem de CartaCapital de 12 dias antes intitulada “O crime no poder”. O texto descrevia em detalhes a influência da quadrilha de Cachoeira no governo de Goiás. “Tem como derrubar o Fora Marconi?”, pergunta o radialista ao hacker. Não tinha. Mr. Magoo escreve, no alto da mensagem, que a tarefa seria impossível, por causa do grande número de servidores, equipamentos de armazenagem de dados, envolvidos.

Em contrapartida, Gama pede ao hacker para dar um jeito de colocar a hashtag #ForçaMarconi nos trend topics, o ranking de mensagens mais vistas do Twitter, em 21 de abril. Caso conseguisse realizar o serviço, “Mr. Magoo” poderia passar no dia seguinte para pegar “trezentinho” com o radialista.
Em 17 de maio, após Perillo anunciar a disposição de depor voluntariamente na CPI do Cachoeira, Gama enviou um pedido especial para “Mr. Magoo”: “Preciso de um cara que monte uma rede de uns 100 perfis no TT (Twitter) e no face (Facebook). R$2 mil por mês de salário”. Segundo o radialista, os perfis serviriam para “falar bem do governo e do governador e quando for preciso atacar os adversários e aqueles que nos atacam”.
A partir de então, foram montados 92 perfis falsos para o dia do depoimento de Perillo na CPI do Cachoeira, em 12 de junho, às 10 horas da manhã. “Preciso que a tag #ForçaMarconi arrebente no Twitter na hora que ele estiver na CPI”, pede Gama em 9 de junho.
Em 11 de junho, dia anterior ao depoimento, Aquino entra em contato com “Mr. Magoo”, via mensagem direta do Twitter. Ela avisa ao hacker que, na manhã seguinte, enviaria as frases a serem usadas nas redes sociais a favor do governador. Às 4h24 do dia 12, Gama envia as tags a serem seguidas no Twitter, a partir de uma hierarquia de tempo: #EuConfioMarconi (antes), #MarconiEsclarece e #VerdadePerillo (durante), e #EuAcreditoMarconi (depois). “Mete bronca com gosto de gás!”, escreve.
O vídeo da “grana alta do Marconi”
Em 8 de maio de 2012, Gama avisa “Mr. Magoo” que o secretário de Educação de Goiás, Thiago Peixoto, foi gravado em vídeo quando recebia “uma grana alta do Marconi”. Ex-deputado estadual pelo PMDB, Peixoto abandonou a legenda de Íris Rezende a convite de Perillo para se candidatar em 2010 a deputado federal pelo recém-criado PSD. Eleito, se licenciou e assumiu a secretaria.
Marconi_Perillo12_CartaCapitalO secretário é citado na Operação Monte Carlo. Segundo a PF, ele teria repassado sigilosamente o modelo das escolas goianas para o grupo de Cachoeira construir prédios iguais e, depois, alugá-los ao estado. O vídeo, diz Gama, “ferra feio” o secretário. O radialista desconfia que a gravação tenha sido feita por encomenda do vereador Elias Vaz, do PSOL de Goiânia, e de Adib Elias, do PMDB, candidato derrotado à prefeitura de Catalão. O vídeo teria sido vendido ao jornal O Popular, de Goiânia.
Vaz, igualmente citado no relatório da Monte Carlo após ser flagrado em conversas com Cachoeira (a quem chama de “companheiro”), nega tudo. Diz não ter conhecimento sobre o tal vídeo e que não tem nenhuma intimidade com Gama. A assessoria do secretário Peixoto, embora contatada pela reportagem, não respondeu aos pedidos de informação.
A rede de pagamentos
Na troca das mensagens fica claro que os pagamentos ao hacker sairiam da Agência de Comunicação estatal sob o comando de José Luiz Bittencourt Filho, órgão irrigado por muitas verbas públicas. Só em 2012, a Agecom gastou cerca de R$150 milhões em compra de espaço publicitário. O hacker recebia o dinheiro de Gama e Aquino. O pagamento era feito normalmente na casa do casal ou na sede da Fonte TV em Goiânia.
Em mensagem de 6 de fevereiro do ano passado, Gama avisa a “Mr. Magoo” o propósito de colocá-lo em contato com “um dos Bittencourt”, e diz ao hacker que “os caras são quentes e gente boa, tudo campeão”. Referia-se a uma turma muito conhecida em Goiás: os quatro irmãos Bittencourt, apelidados pelos adversários de “Irmãos Metralha”.
O Bittencourt citado nas mensagens é o chefe da Agecom. “Eles vão te contratar, um deles é José Luiz Bittencourt. Cara quente!”, avisa. Os outros irmãos são Luiz Bittencourt, ex-deputado federal do PMDB, João Bosco Bittencourt, assessor informal de imprensa de Perillo, e Paulo Tadeu Bittencourt, diretor de Comunicação Social da Assembleia Legislativa.
No dia seguinte, 7 de fevereiro, Gama avisa ao hacker: os pagamentos passam à responsabilidade de Sérgio Cardoso, cunhado de Perillo e secretário de Articulação Política. Cardoso é outro citado na Monte Carlo. Segundo a PF, o secretário intermediou contratos sem licitação para a Delta Construções, empreiteira-mãe da quadrilha de Cachoeira. “Sérgio é meu chegado”, tranquiliza Gama.
Fraudes no Serasa e outros crimes
Gama e Aquino ficaram entusiasmados com a possibilidade de ter um hacker a seu serviço. O primeiro crime cometido para o casal teve caráter particular. Em 15 de setembro de 2011, por meio do e-mail da Fonte TV, Aquino enviou um pedido a “Mr. Magoo”: “Você consegue zerar nome no SPC e Serasa?”. Diante da resposta positiva, a radialista envia, no mesmo dia, o nome a ser “zerado” nos serviços de proteção ao crédito: “Luiz Carlos Alves, CPF 470.794.101-00, RG 8124212 2a Via DGPC – GO”. Detalhe: Luiz Carlos Alves é o verdadeiro nome de Luiz Gama.
Ao longo dos 17 meses de registros de mensagens, o casal encomendou a invasão de mais de duas dezenas de perfis hostis a Perillo, além de solicitar grampos telefônicos nos celulares adversários e naqueles de ao menos dois aliados do governador: o deputado Túlio Isac, do PSDB, e Elaino Garcia, assessor de Perillo e vice-presidente do Partido Humanista da Solidariedade.
Isac, dono do perfil @apostolomarcos1 no Twitter, é chamado de “otário fazendo gracinha” por Gama, por criticar as pretensões eleitorais do pastor Fábio Sousa, da Igreja Fonte da Vida, pré-candidato a prefeito de Goiânia pelo PSDB em 2012.
Gama pede a “Mr. Magoo” para ficar de olho em Garcia, pois, segundo anotou o hacker em mensagem de 11 de abril de 2012, o assessor “estaria estranho” e provavelmente era ligado a alguém que havia pago R$4 mil para bloquear outras linhas telefônicas.
Passados sete meses, descobre-se que até Sousa e o pai, o “apóstolo” César Augusto, eram monitorados, acusados de “puxar o tapete” do casal na Fonte TV. Aquino avisa “Mr. Magoo”, em 14 de novembro: “Mantenha Túlio Isac e Elaino Garcia grampeados”.
A primeira encomenda de grampo foi feita em 23 de janeiro de 2012. O alvo era o ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz, do PSDB. O tucano entrou na mira do esquema pelo fato de, no momento da articulação das pré-candidaturas à prefeitura da capital, ter lançado o nome de Leonardo Vilela, deputado federal da legenda, e não apoiado Souza, da Igreja Fonte da Vida. Sousa não conseguiu se articular e Vilela acabou derrubado por aparecer em interceptações legais da PF, nas quais pede a Cachoeira um emprego para a filha.
O boquirroto
A sensação de poder afetou Gama. Estimulado pelo intenso relacionamento com “Mr. Magoo”, o radialista passou a usar com mais intensidade o esquema para interesses pessoais e a atacar adversários, aliados e personalidades de Goiás.
Em 11 de julho de 2012, ele acusa o deputado Sandro Mabel (PMDB/GO) de ter ficado milionário por meio de empréstimos no BNDES. “Ele adora uma mutreta. KKKKKK!”, diverte-se.
Em seguida, tripudia do bicheiro mais famoso do estado. “Esse Cachoeira é um safado. E uma piranhaça a tal noiva dele [Andressa Mendonça]. KKKKKK, tem grana e [é] bobo”. E faz uma “revelação” conhecida até pelas árvores de pequi de Goiás: “A revista Veja só tinha furos que o Cachoeira dava pra eles”.
Em 25 de julho, mira no secretário de Cultura do estado, Gilvane Felipe. “Ele tem fama de gay, a ex-mulher dele hoje é doente”. Em 3 de novembro, investe contra os poderosos irmãos Bittencourt. Segundo informou a “Mr. Magoo”, os quatro “começaram a plantar mentiras escandalosas” contra ele e a mulher. “Esses Bitencas são os cãos.” Assim mesmo, neste português castiço.
Marconi_Perillo13A_CartaCapital

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MÍDIA TENDENCIOSA:Os estádios da copa e o ridículo sem limite da Veja

28.04.2013
Do blog ESQUERDOPATA


Brasil 247- Há exatamente dois anos, a revista Veja produziu uma capa antológica. A publicação previa que o Maracanã seria entregue apenas em 2038 e que algumas arenas da Copa, como as de Natal e Curitiba, jamais ficariam prontas.

O Maracanã, como se sabe, foi reinaugurado ontem, num jogo que contou com as presenças da presidente Dilma e de seu antecessor Lula. Ainda que as condições do Mundial de 2014 não sejam as ideais, o fato é que o ritmo de construção das arenas da Copa é bem melhor do que o que foi previsto por Veja. Já estão prontos, por exemplo, o Mineirão, o Estádio Nacional de Brasília, o Castelão, de Fortaleza, e a Fonte Nova, de Salvador.

Confira abaixo o ritmo das arenas e a previsão catastrofista feita por Veja: 


Estádio
Entrega
Previsão de Veja
Mineirão - Belo Horizonte
 21/12/2012         
2020
Estádio Nacional de Brasília
Maio de 2013         
2021
Arena Pantanal – Cuiabá
62% concluída       
2017
Arena da Baixada - Curitiba
56% concluída          
Nunca
Castelão – Fortaleza
16/12/2012          
2013
Maracanã - Rio de Janeiro
27/04/2013     
2038
Arena da Amazônia – Manaus
 56% concluída        
2024
Arena das Dunas – Natal
61% concluída       
Nunca
Beira-Rio - Porto Alegre               
65% concluída
2017
Arena Pernambuco – Recife
Maio de 2013    
2017
Fonte Nova - Salvador
5/4/2013
2015
Arena Corinthians
70% concluída
Nunca

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FOLHA DE SÃO PAULO E O APOIO AOS CRIMES DA DITADURA MILITAR BRASILEIRA

28.04.2013
Do blog VI O MUNDO
Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Paulo Nogueira: Pede para sair, Mercadante!

Uma prova da desumana ignorância de Mercadante: como a Folha da Tarde, o jornal do Frias, divulgou o assassinato de Eduardo Collen Leite, o Bacuri, pela repressão.

Mais que bajulação, o que ficou estampado foi a ignorância do ministro da Educação.

Uma das frases de Sêneca que mais me agradam fala o seguinte: “Quando penso em certas coisas que disse, tenho inveja dos mudos.”

Ela me ocorreu ao ter ciência da carta que o ministro Aloízio Mercadante escreveu para a Folha de S. Paulo.

Mercadante fez um desagravo da memória de Octavio Frias de Oliveira, falecido dono do jornal, depois que um delegado dos tempos da ditadura militar disse, na Comissão da Verdade, o que todos sabem, exceto talvez ele mesmo, Mercadante: que Frias colaborou ativamente com a repressão a “terroristas”, “subversivos” e “assassinos”.

Frias foi o chamado colaborador total. De um lado forneceu carros do jornal para a perseguição de “subversivos” pela Oban, Operação Bandeirante, um grupo particularmente selvagem dedicado a exterminar a resistência à ditadura.

De outro, usou sua empresa jornalística para publicar conteúdos pró-ditadura.

Meu pai [Emir Nogueira], editorialista e com carreira na Folha estabelecida antes que Frias comprasse o jornal em 1961, se recusou a escrever um editorial no qual Frias mandou que fosse dito que não existiam presos políticos – todos eram criminosos comuns.

Frias, nos piores anos da ditadura, manteve um jornal, a Folha da Tarde, que era uma espécie de porta-voz da repressão. (Mercadante poderia conversar sobre isso com Frei Betto, que foi jornalista da FT antes de Frias transformá-la numa extensão da Oban.)

Num certo momento, com a abertura política, Frias, como empresário, enxergou uma boa oportunidade de negócio ao engajar a Folha na campanha das diretas e deixá-la mais arejada.
Era um movimento óbvio. O concorrente Estadão já estava morto editorialmente, então. E a Globo era, como a FT, porta-voz da ditadura na tevê.

O distanciamento oportunista da Folha em relação ao regime não impediria Frias de acatar servilmente uma ordem de um general para que afastasse o diretor Claudio Abramo depois que o grande cronista Lourenço Diaféria escreveu, com toda razão, que os paulistanos mijavam na estátua do Duque de Caxias, no centro da cidade, perto da Folha.
Bastava passar por lá e sentir o cheiro.

Para Claudio Abramo foi um desdobramento irônico e amargo do editorial que meu pai recusou e ele, Claudio, escreveu, sabe-se lá a que custo emocional e mesmo físico, uma vez que era um homem de esquerda.

Frias pôs imediatamente no lugar de Claudio um jornalista que ele mantinha por causa das relações deste com o regime: Boris Casoy, egresso do Comando de Caça ao Comunista e antigo locutor de rádio. (Anos depois, na televisão, ao falar dos lixeiros, Boris mostrou quão pouco mudou nestes anos todos.)

Assustado, medroso, Frias tratou também de tirar seu nome da primeira página do jornal, como responsável. Boris passou a figurar como o responsável.

Apenas para situar, Boris marcou uma ruptura na Folha. Até ali, os chefes de redação eram jornalistas completos: tinham feito grandes reportagens a partir das quais subiram até serem testados também como editores.

Boris simplesmente não sabia escrever. Ele estava no jornal, e num cargo elevado, por razões políticas, e não jornalísticas.

Isso gerou situações bizarras. Na morte de Samuel Wainer, cabia a Boris escrever um pequeno tributo na coluna “São Paulo”. Boris chamou meu pai para escrever por ele por não ter capacidade para realizar a tarefa.

Mercadante mostrou uma ignorância desumana ao desconhecer tudo isso na carta que mandou à Folha.

A demonstração espetacular de desconhecimento é tanto mais grave por vir do ministro da Educação. Se ele não conhece com alguma profundidade um assunto tão próximo dele, o que ele conhecerá?

Terá lido livros? Quais?

Pela ignorância, mais ainda do que pela bajulação despropositada, Mercadante deveria ser afastado sumariamente do cargo que ocupa. Daqui por diante, ele será sempre lembrado como aquele sujeito que disse que o “seu Frias” foi um quase mártir na “luta pelas liberdades democráticas”.

A carta de Mercadante cumpre o papel inevitável das mensagens estapafúrdias, o de ser alvo de desprezo dos chamados dois lados. É altamente provável que Otávio Frias Filho não tenha enxergado na carta o que todo mundo enxergou.

Se existe um atenuante para Mercadante, é que parece haver no DNA do PT uma espécie de submissão mental aos donos da mídia.

Essa patologia ajuda a entender por que o Brasil não avançou nada, em dez anos de PT, na questão crucial para a sociedade de discutir os limites da mídia, a exemplo do que a Inglaterra acaba de fazer.

O momento simbólico dessa submissão – que o grande Etienne de La Boétie chamava de “servidão voluntária” – é assinado por Lula, ao escrever na morte de Roberto Marinho que ali se ia um, pausa antecipada para rir, um grande brasileiro, merecedor de três dias de luto oficial.

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