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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Venezuela chavista: A vitória apertada e o trunfo de Maduro

15.04.2013
Do blog ESCREVINHADOR
Por
 Rodrigo Vianna


A vitória do chavismo foi apertada. Mas incontestável: Nicolás Maduro teve 50,66%, contra 49,07% de Capriles (isso faltando menos de 1% para totalizar). Diferença de mais de 200 mil votos.  A Venezuela votou no candidato de Chavez. Na Democracia é assim: 50% mais um significam vitória. E ponto.


Ano passado, nos EUA, Barack Obama ganhou a reeleição por dois pontos percentuais no voto popular. Foi uma eleição radicalizada. Do outro lado, havia eleitores republicanos que consideravam Obama uma espécie de “demônio socialista”, por conta do projeto de assistência pública de saúde. Os EUA viraram um país “dividido” e “ingovernável”? Não. Obama governa. E Mitt Romney sumiu, no fundo das xícaras do Tea Party.

A diferença é que nos EUA não há embaixada americana para fomentar golpe e instabilidade…

Isso quer dizer que a vida de Maduro será fácil? Não. A direita venezuelana mostrou força. A tendência dos chavistas, de tratar todo adversário como “fascista” e “oligarca”, não cola. Metade do país é fascista? Maduro terá que moderar o discurso…

Chavez tirou o Estado (e o petróleo) das mãos da oligarquia, criou programas sociais, deu dignidade para os pobres. Isso tudo é fato. Vi de perto, em quatro viagens à Venezuela nos últimos cinco anos. Mas há problemas sérios de gestão. E isso ficou claro desde a primeira vez que visitei Caracas, em 2007.

Desde aquela época, escrevi: a oposição, com 45% dos votos (era o que conseguia, na época), tem força para fazer a disputa democrática, em vez de apelar para o golpismo.

E aí vamos ao segundo ponto. A derrota por margem estreita tira o argumento daqueles que – em Caracas, em Washington ou no Jardim Botânico carioca – afirmam: a Venezuela chavista é uma ditadura. Bobagem. A oposição tem força midiática, presença nas TVs e jornais, liberdade de organização. E há um esquema limpo para contagem de votos.

O resultado, por margem estreita, é um chamado para a moderação. De lado a lado. A vitória apertada porde ser um trunfo de Maduro, na legitimação de seu governo. Só que os chavistas precisam agora dialogar com o centro, com aqueles que até apóiam as políticas sociais do governo – mas estão insatisfeitos com a gestão do dia-a-dia. Em Caracas, por exemplo, há problemas sérios nas áreas de segurança, coleta de lixo, transporte…

Capriles deveria apostar no institucional, cobrando que o governo resolva os problemas concretos da população. Os tempos de subir no muro da Embaixada cubana e de fomentar golpes acabaram. Será que Capriles terá grandeza para assumir o novo papel? O problema é que parte da oposição quer golpe e confronto. E o outro problema são os gringos, acostumados com o jogo sujo. Nos últimos dias, surgiram indícios de que a CIA pode ter infiltrado mercenários armados na Venezuela.

Maduro, por seu lado, terá que enfrentar uma burguesia e uma classe média furibundas (é esse o núcleo duro da oposição, com 30% a 40% dos votos) e, ao mesmo tempo, dialogar com aqueles 10% a 15% que votaram em Capriles mas não são “oligarcas” antipovo.

Não basta mais invocar a figura de Chavez apenas. O presidente morto levou Maduro até o Palácio. Agora Maduro é quem precisa escrever sua história.

Não podemos descartar que setores da oposição partam para campanhas abertas de desestabilização nos próximos dias. Mas será difícil justificar atos de violência quando – pelo voto – a oposição foi capaz de “quase” ganhar.

Contraditoriamente, portanto, a aparente fragilidade de Maduro (“ganhou por apenas 2 pontos”) é também sua força estabilizadora. A Venezuela é uma democracia. E deve ser respeitada como tal.

O Brasil terá um papel importante, rechaçando qualquer tentativa de ataque “por fora” da Democracia.

Fiquemos atentos. E não esqueçamos: em Caracas, há embaixada dos Estados Unidos. Fonte de golpes e instabilidade na história da América Latina.

Nos próximos meses também podem aparecer mais detalhes sobre o câncer que matou Chavez. A Venezuela segue a ser o centro de uma batalha continental. Os Estados Unidos querem retomar o velho quintal…

PS: assim que acabei de escrever esse texto, já na madrugada de segunda-feira, Henrique Capriles anunciou que não reconhecia os resultados eleitorais; vai pedir recontagem total de votos. Joga na instabilidade, o que na verdade pode tirar dele parte do eleitorado (não chavista, mas tampouco antichavista). É uma jogada arriscada. E que pode incendiar a Venezuela. Difícil acreditar que Capriles tome essa direção sem apoio externo daqueles que já fizeram tombar governos legítimos em Honduras e no Paraguai. Espero estar errado, mas acho que tempos difíceis nos aguardam na América do Sul. E esse clima pode “contaminar” o Brasil.

Leia outros textos de Vasto Mundo

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Imobiliárias em Portugal usam visto para atrair brasileiros

15.04.2013
Do portal da BBC BRASIL,12.04.13
Por  Ruth Costas
da BBC Brasil

Agente de imigração (foto AP)
Agente de imigração: para quem pode investir, deve ficar mais fácil ser europeu

Compre uma casa de praia e ganhe, no pacote, o direito de transitar pela Europa - ou até um passaporte europeu.

Essa é uma das promessas em que agências imobiliárias portuguesas apostam para atrair compradores de imóveis brasileiros, impressionadas com o peso que eles adquiriram no mercado de Miami - embora, na prática o processo para se levar esse "bônus" esteja longe de ser simples.

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"O que temos chamado de 'Visto Gold' pode ser um grande atrativo para compradores de diversas nacionalidades, inclusive os brasileiros que são, fora da Europa, o principal foco de nossa campanha de atração de investidores", disse à BBC Brasil Frederico Costa, presidente da agência governamental Turismo de Portugal.

Costa conta que Portugal tem hoje cerca de 10 mil imóveis vazios em função da crise econômica europeia e está apostando em duas estratégias para movimentar esse mercado.
A primeira é o programa "Living in Portugal", lançado em fevereiro, que fornece informações a estrangeiros endinheirados interessados em comprar imóveis para investir, passar férias ou se aposentar em Portugal - esclarecendo desde questões tributárias até dúvidas sobre a oferta de serviços de saúde no país.

O programa também procura promover o "estilo de vida" de Portugal junto a esses estrangeiros, com campanhas que exaltam o clima ameno do país, seus altos índices de segurança, baixo custo de vida, "praias que se estendem até onde a vista alcança", existência de ótimos campos de golfe, rica cena gastronômica e cultural e facilidade de acesso a outras partes da Europa.

A segunda iniciativa é o tal do "Visto Gold" - oficialmente chamado de Autorização de Residência para Atividade de Investimento (ARI).

Aprovado no país por decreto em setembro, esse dispositivo facilita a concessão de vistos de residência para investidores e compradores de imóveis, o que lhes permite circular pelo espaço europeu (dos países signatários da zona de Schengen), além de morar e trabalhar em Portugal. Depois de seis anos, seus titulares também podem fazer um pedido de cidadania - que lhes garantiria um passaporte europeu.

"Essa é uma medida muito recente e o interesse gerado por ela no Brasil ainda deve crescer bastante", aposta Guilherme Grossman, da imobiliária Consultant.

Condições do visto

Vistos de residência semelhantes já vêm sendo oferecidos a investidores por outros países da União Europeia. A novidade do documento português são suas condições mais flexíveis - como o fato de que ele pode ser aplicado a compradores de imóveis.

Em geral, em outros lugares tais vistos estão condicionados a aportes de valores mais altos, investimentos em atividades econômicas ou à geração de empregos. Também é comum exigir dos investidores um período de permanência maior no país para o qual eles conseguem o visto - por exemplo, que fiquem mais de seis meses por ano no território em questão.

No caso português, a exigência atual são sete dias de permanência no primeiro ano e 14 dias nos seguintes. Ou seja, na prática, um estrangeiro que compre um imóvel pode conseguir uma autorização de residência sem efetivamente residir em Portugal.

 Imovel em Portugal (Foto Irglux)
Brasileiros estariam mais interessados em atravessar o atlântico para buscar a 'casa dos sonhos'

Mas o processo português é muito mais complicado do que os discursos dos agentes imobiliários do país pode fazer parecer.

Para começar, não adianta comprar qualquer choupana. Para ter direito à ARI, os investidores têm de gastar em imóveis um mínimo de 500 mil euros (ou R$1,3 milhões).

Após a aquisição, o comprador obtêm um visto de residência temporário, mas este só vale por um ano. No fim desse prazo, o visto pode ser renovado mais duas ou três vezes, sendo válido por dois anos após cada uma dessas renovações. Ao fim do quinto ano, o investidor pode pedir um visto de residência permanente e no sexto, a cidadania (conforme previsto na legislação portuguesa).

Como a emissão de cada autorização de residência para investimento custa 5.135 euros (R$13.350) não é difícil concluir que o foco da iniciativa são mesmo os estrangeiros endinheirados. Nada de classe média recém-desafogada dos apertos nas contas no fim do mês.

Feiras de imóveis

Para divulgar essas e outras políticas de incentivo aos investimentos no mercado imobiliário do país, no segundo semestre deste ano o governo português deve levar ao Brasil um road show - a primeira iniciativa governamental desse tipo fora da Europa.

"Vamos ao Brasil antes de ir à China ou à Índia, porque nos demos conta que o número de brasileiros comprando casas na Flórida era impressionante e poderíamos conquistar parte desse mercado", diz Costa.

Na realidade, do outro lado do balcão, alguns brasileiros há algum tempo também vinham manifestando algum interesse pelo mercado imobiliário europeu, segundo agências que atuam na área, motivando os vendedores a se organizarem para fisgar esses clientes.

Nuno Durão, da imobiliária portuguesa Irglux, especializada em produtos de alto padrão, por exemplo, diz ter vendido para brasileiros metade dos 26 apartamentos lançados em 2011 no seu empreendimento Palácio Estoril, em uma área costeira perto de Lisboa.

 Imóvel em Cascais (Foto Irglux)
Imóvel na beira da praia à venda em Portugal: preços mais razoáveis se comparados ao mercado brasileiro

Segundo ele, nesse primeiro momento a propaganda do empreendimento na comunidade brasileira foi feita boca a boca - mas os resultados das vendas mostraram o potencial desse mercado. "A questão da língua e a proximidade cultural fazem com que Portugal possa se tornar bastante atrativo para os brasileiros, apesar da forte concorrência com Miami", acredita Nuno, que espera que o novo Visto Gold ajude nesse processo.

Em dezembro, agências imobiliárias organizaram, em parceria com a Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, a chamada Mostra de Imobiliário Português (MIP), oferecendo ao público brasileiro quase mil imóveis, de apartamentos modestos a casas de veraneio e empreendimentos de luxo. No mês que vem, outra feira semelhante será realizada em São Paulo.

"Como resultado da feira no Rio, estamos negociando com 20 investidores brasileiros imóveis avaliados em um total de 55 milhões de euros (R$142 milhões)", diz Paulo Sousa, da Caixa Geral de Depósitos, que adquiriu a propriedade desses imóveis depois que compradores portugueses, afogados com a crise, não conseguiram honrar suas hipotecas.

Grossman, da Consultant - agência que ajudou a organizar a MIP - diz que foram recebidos durante o evento pelo menos 800 interessados em adquirir uma segunda residência em Portugal.

"Fechamos até o momento 10 negócios e ainda estamos negociando com 200 potenciais compradores, muitos dos quais estão marcando viagens a Portugal para visitar os imóveis", afirma.

Segundo Costa, o interesse do governo em dar apoio a esse mercado vem da constatação de que quem compra um imóvel em Portugal "acaba gastando em serviços e em compras, voando por companhias aéreas portuguesas ou investindo no país". "Por isso temos todo interesse em atrair esses investidores", explicou.

Espanha

Animada pela experiência portuguesa, a Espanha também anunciou um projeto para criar um visto semelhante ao ARI em novembro, de olho principalmente em compradores russos e chineses (esse é um mercado pelo qual os brasileiros só começaram a demonstrar interesse recentemente, segundo imobiliárias como a Coelho da Fonseca e a Hamoral Group).

E no projeto espanhol, o valor necessário para dar entrada no visto de residência seria ainda menor: comprando um apartamento de apenas 160 mil euros (R$ 414 mil reais) o estrangeiro já teria direito de pedir a autorização de residência.

Nesse país, porém, as resistências manifestadas a uma simplificação da obtenção do visto pelos investidores foram muito maiores que as de Portugal.

 MIP (Foto Divulgação)
Mostra do Imobiliário Português no Rio de Janeiro: esforço para atrair compradores brasileiros

"Estamos falando de questões sérias, que comprometem (o país) no longo prazo. Um apartamento pode ser vendido no dia seguinte da compra, mas (o visto de) residência vincula por muito tempo", disse ao jornal El País Marisol Pérez Domínguez, porta-voz do Partido Socialista Espanhol (PSOE), que acusou o governo de "mercantilizar" o visto de residência.

Para Costa, da Turismo de Portugal, a proposta espanhola criou mais polêmica "em parte por eles terem estipulado um valor relativamente baixo (para o valor mínimo da compra que daria acesso ao visto)".

As críticas ao projeto fizeram o governo espanhol rediscutir seus termos, mas a julgar pela escala do problema dos "apartamentos vazios" na Espanha - que segundo alguns cálculos pode chegar a 6 milhões - é de se esperar que ele seja retomado.

Segundo a Assessoria de Comunicações do setor que cuida de questões migratórias na União Europeia, a política para concessão de vistos de residência e nacionalidade são de competência de cada país do bloco. "As condições para a entrada de investidores não-europeus na União Europeia (UE) não são harmonizadas por leis da UE, o que significa que os estados-membros podem definir as condições de entrada e permanência desses não-europeus", explicou a assessoria à BBC Brasil.

Se faltam leis comuns sobre o tema e sobram imóveis vazios por causa da crise, é natural imaginar que, ao menos para quem pode pagar e está disposto a investir, as fronteiras europeias tendam a ser cada vez mais abertas.

Leia mais:
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CAPRILES QUER RECONTAR. OS VOTOS E O PRÉ-SAL

15.04.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

A Venezuela tem a maior jazida de petróleo do mundo. O pré-sal é a maior descoberta de petróleo em dez anos … The Big House fica aflita…



O chavismo ganhou dezessete de 18 eleições de que participou (e ainda dizem que aquilo é uma ditadura).

Perdeu um plebiscito (em 2007) por menos de 0,1%.

E acatou o resultado.

Todas as eleições na Venezuela chavista foram acompanhadas por observadores internacionais.

O mais conhecido deles é Jimmy Carter, ex-presidente americano, que, por diversas vezes, atestou a qualidade do sistema eleitoral venezuelano.

Lá, como se sabe, o voto eletrônico pode ser conferido pelo “papelzinho” correspondente cada urna.

O “papelzinho” do Brizola, que sabia como a Casa Grande tentou lhe tomar uma eleição no computador.

Capriles foi eleito governador de Miranda por uma diferença de 40 mil votos.

E o chavista perdedor acatou o resultado.

Felipe Calderón foi eleito presidente do México por 0,56% de diferença e o Superior Tribunal Eleitoral não aceitou recontar os votos.

George Bush, filho, ganhou por menos de 1% de diferença e, mesmo assim, jamais se saberá se ele, de fato, ganhou na Florida.

Depois, como se sabe, a Suprema Corte lhe conferiu a vitória com o voto decisivo do Maior de Todos os Conservadores, Scalia, uma espécie de Gilmar Dantas (*) mais competente, muito mais.

Como se lê no twitter:  en #Chile, Pdte Lagos fue electo con 187 mil votos de diferencia. Pdte Piñera, con 223 mil. En Venezuela, Maduro con 300 mil

Capriles diz que Maduro foi derrotado, já que a eleição foi roubada. 

E quer a recontagem, voto a voto.

Maduro concorda: vamos recontar !

Maximilian Forte ‏@1D4TW 20h 
Henrique Capriles: still making accusations of vote rigging, as he prepares excuses for his defeat. http://bit.ly/16WfFTm  #VenezuelaDecide
Retweeted 27 times 
View tweet 
Heather Marsh ‏@GeorgieBC 6h 
Maduro immediately accepted complete audit: “Let’s do it! No problem.”


A estratégia de Capriles se anunciava desde a manhã da eleição: antes que o primeiro voto fosse contado, ele denunciou no twitter que Maduro ia roubar a eleição.

Clique aqui para ler umas tantas verdades sobre o grande democrata Capriles.

O objetivo de Capriles, desde já, é transformar Maduro num presidente ilegítimo.

Porque, já o definiu como um incompetente, um despreparado.

(Foi o que pensava a Folha, que saiu tosquiada.)

Como, aqui, se disse e diz do Lulilma: despreparado, incompetente, que “dá para fazer mais !”.

Só eles sabem governar…

Sabem governar, sobretudo, o petróleo.

A Venezuela tem a maior jazida de petróleo do mundo.

Chávez criou um fundo para usar o dinheiro do petróleo em programas sociais.

Os tucanos, aqui, por exemplo, queriam fundar a Petrobrax, e entregar o pré-sal à Chevron.

É o que está em jogo na Venezuela – e aqui, amigo navegante: com quem fica o petróleo ?

Com os tucanos/americanos ou com o povo ?

Aqui, a Dilma quer entregar o dinheiro do pré-sal à Educação.

Se o Sérgio Cabral, gentilmente, permitir, antes de nomear a filha do Fux desembargadora.

Clique aqui para votar na trepidante enquete “quem é mais talentosa – a filha de Cerra ou de Fux ?”; e aqui para ler“escolha de ministro do Supremo tem que ser no pau”.

Clique aqui para ler “Dilma vai ter que ajudar Maduro a evitar o Golpe na TV”.

Paulo Henrique Amorim

(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. E não é que o Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas ? Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Isso dá processo…

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PT quer apresentar projeto de reforma política até o começo de 2014

15.04.2013
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 12.04.13

Presidente do partido, Rui Falcão, confirma que começa na próxima semana coleta de 1,5 milhão de assinaturas por financiamento público, voto em lista e paridade entre homens e mulheres 


PT quer apresentar projeto de reforma política até o começo de 2014
Falcão afirmou que o fracasso do Congresso em votar as propostas de Henrique Fontana expõe os entraves sobre o tema (Foto: Cláudio Manculi/Frame/Folhapress)
São Paulo – O PT lançou hoje (12), em São Paulo, uma campanha para colher 1,5 milhão de assinaturas e apresentar um projeto de lei de iniciativa popular de reforma política. O partido vai realizar quatro grandes eventos grandes de adesão, no Rio de Janeiro, em Brasília, São Paulo e Belo Horizonte. Mas poderá haver atos em outros estados, segundo o presidente nacional, Rui Falcão. 
Um desses eventos será no próximo dia 16 de abril, na festa de aniversário do Sindicato dos Bancários de São Paulo, com a presença confirmada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A campanha publicitária está sendo criada e, “no momento em que estiver concluída, será apresentada e colocada em camisetas e outdoors”, segundo o dirigente. O prazo para o fim da coleta de assinaturas, que serão coletadas em universidade e praças, de acordo com Falcão, será fevereiro de 2014, por ocasião do 5° Congresso do partido. “Se a meta for atingida antes do prazo, poderemos abreviá-lo, ou mesmo alongar, se for para ter mais assinaturas.”
Confirmando o que já havia sido antecipado pela RBA, a mobilização será centrada em três itens: financiamento público exclusivo de campanhas eleitorais, voto em listas fechadas nas eleições proporcionais e paridade entre homens e mulheres nessas listas. A campanha defenderá que a reforma deverá ser feita por uma Assembleia Constituinte exclusiva. “Mas, como vai se fazer um debate sobre o projeto de lei, não há um fechamento de questão sobre a flexibilidade na lista, a exemplo do que propôs o deputado Henrique Fontana (PT-RS). Mas defendemos o voto proporcional para qualquer tipo de lista, e não o voto distrital, nem distrital misto.” 
O projeto que o partido defende proíbe financiamento privado, embora sem prever sanções, e define que todo financiamento seja feito por meio de um fundo público, cuja forma será definida em lei.
O fracasso da tentativa de aprovar o relatório do deputado Henrique Fontana, nesta semana e ao longo de todo o mandato de Dilma Rousseff, “comprovou que os deputados e senadores têm muita dificuldade de alterar a lei eleitoral e o sistema político do país”, disse Falcão. 
Ele citou a definição de suplentes de senador (o senador, atualmente, pode assumir mandato com um mínimo de votos) e do mandato (quatro ou oito anos), além da coincidência das eleições e a questão das coligações como exemplos de temas nos quais os parlamentares colocam obstáculos. “São temas em debate que não estamos colocando no abaixo-assinado e que, numa constituinte, haveria mais possibilidade de um debate plural com a participação de diferentes setores da sociedade”, explicou.
Questionado se falta “vontade política” do governo Dilma Rousseff, assim como do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em aprovar a reforma, Falcão disse que, durante o período Lula, algumas propostas foram apresentadas pelo ex-ministro da Justiça Tarso Genro. “E a presidenta Dilma, vi ela se manifestar uma vez dizendo que isso é temática do Congresso.”

Comunicações e Lula

Na entrevista, Falcão voltou a ser questionado sobre a posição do PT e do governo na questão do marco regulatório das comunicações. "Estamos empenhados em defender a liberdade de expressão. Como o PT apoia o governo e se reconhece no governo, mas não é o governo, temos liberdade para fazer nossas campanhas, assim como o governo tem suas políticas e iniciativas, apoiadas por nós", justificou, evitando críticas diretas ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. "A gente não concorda, mas compreende as razões do ministro para adotar a posição que tem assumido até o momento. Esperamos que ele possa se convencer que essa (a regulamentação) possa ser uma boa alternativa."
Ele também foi questionado sobre o posicionamento do partido sobre a investigação de Lula pela Polícia Federal, a respeito do chamado mensalão. Na segunda-feira (8), a PF recebeu do Ministério Público Federal determinação para instaurar um inquérito para investigar as acusações do empresário Marcos Valério, segundo as quais Lula teria se beneficiado do esquema. Ele disse que “a investigação é sobre se a campanha do ex-presidente teve utilização de caixa 2, e não sobre a pessoa do presidente Lula. Como eu já disse, essa é mais uma das muitas invencionices contra o presidente Lula, cujo único crime foi o de melhorar a vida de milhões de brasileiros”.

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Marcos Coimbra: FHC marcha o Brasil para o buraco

15.04.2013
Do blog VI O MUNDO, 14.04.13
Por por Marcos Coimbra, em CartaCapital


Marcos Coimbra: FHC e mídia de direita são tão parecidos que é difícil saber, hoje, quem influencia quem. Felizmente a maioria da população pensa diferente


A vida é cheia de coincidências. Recentemente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou um de seus habituais artigos de discussão política. Foi daqueles nos quais assume o papel de farol das oposições. Seu conteúdo era, como se esperaria, fortemente crítico em relação ao governo.

Por coincidência, no mesmo dia, os principais jornais estavam cheios de notícias negativas sobre a situação nacional. Depois de lê-los, qualquer um ficaria com a impressão de que o Brasil caminha em marcha acelerada para o buraco (se é que já não estaria dentro dele).

Em outra coincidência, ficou pronta, naquele domingo, uma nova pesquisa nacional da Vox Populi. Feita em todo o País, sua amostra era suficiente para que os resultados sejam representativos dos sentimentos da opinião pública brasileira.

O artigo de FHC e o tom do noticiário eram tão semelhantes que um desavisado poderia suspeitar. Os editores e o ex-presidente estariam combinados? Você diz isso e nós aquilo? Nós mostramos os “fatos” e você os interpreta?

Conhecendo os personagens, é pouco provável. Mas FHC e a mídia conservadora não precisam combinar (no sentido de pactuar) exatamente porque combinam (no sentido de possuir afinidades). Cada um à sua maneira, contam as mesmas histórias.

São tão parecidos que é difícil saber, hoje, quem influencia quem. Tendo há muito abandonado o vigor analítico de seus tempos de sociólogo, as ideias de FHC se parecem cada vez mais àquelas dos editorialistas e comentaristas da direita da mídia. E esses, por o admirarem com veneração, fazem o possível para imitar seu pensamento.

A cada dia, FHC fica mais Globo e Veja (até porque não conseguiria viver sem eles) e elas mais FHC. Todos imaginam um Brasil lastimável, onde tudo dá errado. São, no entanto, de um otimismo imenso. Paradoxalmente, acreditam que estamos à beira do abismo, mas acreditam em uma saída simples e rápida: derrotar o “lulopetismo” na próxima eleição.

Em contraste flagrante, não há qualquer coincidência entre o seu pensamento e o sentimento da vasta maioria do País. A pesquisa da Vox, como as outras recentemente divulgadas, do Ibope e do Datafolha, mostra quão pequena é a parcela da sociedade afinada com a oposição, seja nos partidos, nas instituições, na indústria de comunicação ou na opinião pública.

Os entrevistados se dizem satisfeitos com o País e esperançosos em relação ao futuro. Entendem que sua vida tem melhorado e vai melhorar ainda mais. Sabem que falta muito por fazer, mas confiam no caminho trilhado.

Aprovam o governo. A maioria considera “ótimo” ou “bom” o modo como Brasília lida com a economia, enfrenta a crise econômica internacional, trata as questões do emprego e da inflação, administra programas sociais, conduz a política habitacional, cuida da imagem externa do País.

Gostam da presidenta: mais de 80% dos entrevistados a definem como “ativa”, com “garra”, “decidida”, “conhecedora do Brasil”, “boa administradora”. Mesmo em itens em que os políticos tendem a se sair mal, ela obtém índices muito favoráveis. Mais de 70% afirmam ser ela “sincera”, “próxima do povo” e “de palavra”.

É tamanha a diferença entre as convicções oposicionistas e o sentimento popular que é como se vivêssemos em dois países. Em um, tudo vai mal e a mudança política seria imperiosa. No outro, as coisas seguem de maneira satisfatória e as perspectivas são positivas. Neste, a continuidade política é lógica.

Está errada a maioria dos brasileiros? Os únicos certos são os próceres oposicionistas, os articulistas de meia dúzia de jornais e a minoria da sociedade? Somente eles conheceriam a “verdade”? Todos os restantes seriam ignorantes e incapazes de conhecer suas vidas, donde inabilitados para dizer-se satisfeitos de forma racional?

Não é apenas autoritária a tese de que só alguns poucos privilegiados conhecem o Brasil e possuem a visão certa das coisas. É tola e inútil para a atuação política.

Pode ser agradável para uma liderança escrever um artigo para jornal e ler na mesma edição uma manchete a confirmar sua análise. Assim como pode ser prazeroso para um jornalista referendar, por meio de seu trabalho, as ideias do ídolo.

Nada disso adianta quando não coincide com o que o povo pensa e deseja. As oposições se acham superiores, mas estão apenas a léguas dos cidadãos. E são eles, os cidadãos, que elegem os governantes.

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Especialistas preveem queda da inflação nos próximos meses

15.04.2013
Do blog ESQUERDOPATA, 13.04.13
Por Wellton Máximo

Repórter da Agência Brasil

Apesar do forte aumento no início do ano, com o estouro do teto da meta (6,5%) no acumulado de 12 meses, a inflação oficial não deve fugir do controle. Segundo especialistas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve arrefecer nos próximos meses, até encerrar o ano em níveis similares aos do ano passado.

Para os economistas, a possibilidade de o Banco Central (BC) reajustar os juros básicos da economia pela primeira vez em quase dois anos e as novas reduções de impostos anunciadas pelo governo contribuirão para conter os preços. No entanto, o fator decisivo que ajudará a segurar a inflação é o esgotamento das principais pressões sobre os índices.

Segundo o economista chefe do banco Sulamérica Investimentos, Newton Rosa, os preços dos alimentos, que se refletiram no IPCA nos três primeiros meses do ano, tendem a cair depois dos níveis recorde de março. “A perspectiva de uma safra recorde nos próximos meses e a desoneração da cesta básica vão arrefecer a pressão dos alimentos sobre os preços”, diz Rosa. Ele também ressalta que os custos com educação, que também influenciaram a inflação no primeiro trimestre, já se estabilizaram.

Para ele, a atuação do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que se reunirá na próxima semana para fixar os juros básicos da economia, também será decisiva para conter a inflação. “O Banco Central vai contribuir para segurar as expectativas. A alta dos juros é importante para cortar o canal que alimenta a inflação e facilitar a estabilização dos índices, não apenas em 2013, mas também no próximo ano”, explica. Ele acredita que, caso o Banco Central não reajuste a taxa Selic na próxima semana, tomará a decisão no fim de maio.

Tanto o mercado quanto o governo acreditam que a inflação desacelerará nos próximos meses. No último boletim Focus, pesquisa com instituições financeiras divulgada toda semana pelo Banco Central, os analistas preveem que o IPCA encerrará o ano em 5,7%. No Relatório de Inflação, divulgado no fim de março, o BC também projeta que a inflação vai desacelerar no segundo semestre.

De acordo com o Relatório de Inflação, o IPCA deverá acelerar um pouco nos próximos meses,até atingir 6,7% no acumulado de 12 meses terminados em junho. O índice, então, deverá recuar para 6% no fim de setembro, até terminar o ano em 5,7%. Para 2014, a autoridade monetária projeta inflação oficial em torno de 5,3%.

Ex-diretor do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas também acredita que a inflação desacelere no segundo semestre e chegue ao fim do ano abaixo do teto da meta. Ele não arrisca uma estimativa exata, mas diz que, mesmo fechando 2013 em menos de 6,5%, a inflação continua alta. Segundo Freitas, problemas estruturais da economia brasileira têm feito o IPCA ficar acima de 5% nos últimos anos.

Para ele, a política econômica e o fato de o Brasil estar vivendo níveis mínimos de desemprego contribuem para que a inflação continue em níveis elevados. “O país está com condições de crescimento baixo porque o uso da capacidade instalada está elevado e a economia está em pleno emprego. Neste cenário, se o governo estimula a demanda, seja reduzindo impostos ou facilitando o crédito, a produção só pode crescer acompanhada de aumentos de preços.”

Edição: Nádia Franco

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União Europeia faz apelo para que oposição aceite resultado da eleição venezuelana

15.04.2013
Do portal OPERA MUNDI
Por Redação (*) | São Paulo

Bloco de países, porém, também pediu que, caso a recontagem seja realizada, que ocorra com "total transparência"
A UE (União Europeia) fez um apelo nesta segunda-feira (15/04) para que todas as forças políticas venezuelanas aceitem a vitória do candidato governista, Nicolás Maduro. De acordo com o CNE (Conselho Nacional Eleitoral), o chavista foi eleito com 50,66% dos votos, mas aliados do opositor Henrique Capriles solicitam recontagem de todos os sufrágios.

"É importante que o resultado de uma eleição seja aceito por todas as partes", assinalou à Agência Efe a porta-voz das Relações Exteriores do bloco Maja Kocijancic.

















"Se o CNE decidir fazer uma apuração, pedimos que se faça rápido e com total transparência, especialmente à vista da margem extremamente estreita dos resultados", acrescentou a porta-voz.
Leia mais


A UE, segundo Kocijancic, "registrou" a vitória de Maduro divulgada pelo CNE, mas também que a oposição e um dos membros de tal órgão pediram uma revisão manual dos votos, e que Maduro se mostrou disposto a aceitá-lo.

A porta-voz lembrou ainda que, após as eleições presidenciais de outubro de 2012, vencidas por Hugo Chávez, a chefe da diplomacia do bloco, Catherine Ashton, pediu às autoridades venezuelanas para trabalhar com "todos os segmentos da sociedade da para reforçar as instituições do país e promover as liberdades fundamentais, a inclusão e um desenvolvimento econômico sustentável".

(*) com agência Efe
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