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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Repórter da Globonews desmente Kamel

03.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Antônio Mello, em seu blog:

O diretor de Jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, sempre afirmou que o Jornal Nacional não deu a notícia do acidente da Gol, que se chocou com o jatinho Legacy pilotado por dois norte-americanos, em que morreram as 154 pessoas a bordo, porque a informação só chegou quando o telejornal estava no ar e ainda era imprecisa.
Não foi o que disse uma jornalista da Globonews em um curso na Petrobras, de que participou o jornalista e blogueiro Daniel Dantas. Em seu blog, Dantas conta que participou por três meses de curso de Comunicação Empresarial, como exigência da empresa (o destaque em negrito é meu):
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Estivemos com uma jornalista de rádio (CBN), de impresso (Agência Estado) e tevê (Globonews).
As aulas com essas três profissionais ocorreram na semana seguinte ao primeiro turno eleitoral de 2006 - que ocorreu em 01 de outubro. Dois dias antes da eleição, ocorreu a tragédia com o vôo 1907 da Gol, que caiu matando todos os 154 passageiros e tripulantes após o choque com um jato privado.
A segunda-feira nos alcançou a todos ainda chocados com o acidente.
Lembro que estava no quarto de hotel assistindo o Jornal Nacional que só falava das fotos vazadas pelo delegado Bruno do dinheiro que petistas usariam para comprar o dossiê Vedoin contra Serra - foram presos em meados de setembro, no escândalo conhecido como "dos aloprados".
Logo após o fim do jornal, após o primeiro break da novela das nove, William Wack entrou em plantão informando o desaparecimento da aeronave.
Algum tempo depois, a Globo foi acusada de ter manipulado a edição do jornal para prejudicar a candidatura de reeleição do presidente Lula. Raimundo Pereira assinou uma matéria na Carta Capital afirmando que a emissora já sabia do acidente da Gol antes do início do Jornal Nacional mas preferiu segurar a informação para valorizar a divulgação das fotos do dinheiro na edição do jornal.
Só então fez sentido um fato ocorrido na aula com a representante da Globonews, ocorrida ainda na segunda-feira, 02 de outubro. Eu mesmo perguntei a ela como a Globonews lidava com a matriz com respeito a possíveis furos jornalísticos. A jornalista nos explicou que a Globonews não dá furos, mas os segura para a Globo. Eles podem até fazer um aprofundamento mais detalhado que a matriz, mas sempre os furos pertencem à Globo.
Nessa hora, ela usou como exemplo o caso do acidente da Gol. Segundo seu relato, a redação da Globonews já sabia do acidente desde o início da noite, mas houve uma orientação da direção da emissora para segurar qualquer notícia até que a própria Globo noticiasse. Assim, quando William Wack interrompeu a programação normal informando o desaparecimento do avião, a Globonews entrou com uma pauta já bastante adiantada no aprofundamento da notícia. [leia a postagem completa aqui]
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Esse depoimento da jornalista da Globonews confirma tudo o que a blogosfera suspeita há tempos e que foi relatado por repórteres da própria emissora, alguns deles que saíram de lá por não concordarem com a manipulação do noticiário sob ordem de Ali Kamel.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/04/jornalista-da-globonews-desmente-kamel.html

Crise no Hospital Regional de Arcoverde.

03.04.2013
Do blog GIRO SOCIAL, 01.04.13
Postado por Adauto Nilo

 
O Hospital Regional de Arcoverde,  que atende  cerca de 5 mil por mês , cobrindo 11 municípios do interior de Pernambuco, além de cidades da Paraíba, passa por um  momento de crise. Segundo várias denuncias feitas pelo Conselho Gestor da unidade de Saúde, composto por funcionários , a situação por falta de médicos  já foi relatada de forma oficial  PARA Secretaria Estadual de Saúde e Ministério Público.  

Na verdade, a lista de médicos especialistas estar  completa. Entretanto, o grande números de faltas desses funcionários vem prejudicando todo programa de saúde daqueles de dependem daquele hospital.

De acordo com o presidente do Conselho Gestor de Saúde do hospital,Arnaldo Barros,várias fiscalizações já foram feitas desde as primeiras denúncias, que começaram em 2011.”Já preenchemos vários protocolos e denunciamos  para Secretaria de Saúde de Arcoverde, ao governo do Estado até o Ministério Público, mas continuamos até então sem nem retorno,” explicou . No quadro de médicos  do Hospital Regional de Arcoverde, estão cadastrados  médicos do Estado além daqueles que tem contratos extras. Em uma das fiscalizações feita pela própria Secretaria do Município em um dia que deveriam estar atendendo 16 médicos,  apenas 5 estavam trabalhando,”Apesar das faltas , todos continuam ganhando normalmente o salário e as gratificações referente aos plantões que deveriam estar dando.”Nós do Conselho solicitamos a Direção do Hospital a escala de todos os funcionários para que haja controle , porém as dos médicos  não é fornecida. Tem alguns que constam na lista mas nunca foram vistos no Hospital”, Explicou Arnaldo Barros.

O Diretor do Hospital José Ivan Vidal, rebateu todas as acusações feitas pelo Conselho de Gestão  Hospital  Regional de Arcoverde: ´”É tudo mentira. O conselho estar formando  uma base política dentro da unidade de saúde querendo chamar a atenção contra a minha gestão. Se as coisas que eles acusam não forem comprovadas, infelizmente, iremos mover uma ação na Justiça contra Arnaldo.” Confrontou o Diretor.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado, toda grade de plantão estar sendo cumprida de forma regular e de acordo com a lei. A reportagem não conseguiu entrar em contato com a circunscrição Administrativa do Ministério Publico de Arcoverde.

Foto Portal do Sertão. Fonte JC. 
Postagem Adauto Nilo


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Fonte:http://www.girosocialb.blogspot.com.br/2013/04/crise-no-hospital-regional-de-arcoverde.html

Quem fez o Azenha mudar de ideia

03.04.2013
Do blog CONVERSA AFIADA, 01.04.13
Por Paulo Henrique Amorim 

 Ali Kamel, o Azenha te espera na esquina … 
 
O Conversa Afiada saúda sabia decisão do Mestre Azenha (já por imaginá-la e para não dar esse gostinho ao Gilberto Freire com “i “(*), o Conversa Afiada se recusou a publicar post anterior assinado pelo próprio Azenha, num momento de santa, justificada e passageira fúria):

“O leitor que me fez mudar de ideia”, diz Azenha


Depois de ter anunciado o fim do blog Viomundo, na sexta-feira 29, o jornalista Luiz Carlos Azenha publicou uma nota nesta segunda-feira 1º demonstrando a intenção de iniciar novos projetos jornalísticos. A decisão de deixar de editar o blog aconteceu após uma série de processos movidos contra ele em razão de críticas direcionadas à Rede Globo e ao diretor de Jornalismo da emissora, Ali Kamel. Em nota, Azenha disse que pretende contar com a colaboração de diversos profissionais da mídia alternativa neste projeto.

Segundo ele, o comentário de um leitor no Facebook o fez repensar a importância do trabalho desenvolvido no blog. “Achei muito bacana ver que um trabalho coletivo como o nosso, organizado por poucos mas que afeta muitos, ainda que precário e improvisado, seja capaz de tocar desta forma uma pessoa”, escreveu ele. Disse que, a partir disso, junto de Conceição Lemes e Leandro Guedes, pensou em refundar o site. “Acreditamos ter chegado a uma proposta que permitirá ao Viomundo não morrer, mas renascer das cinzas.”, encerrou Azenha.

Leia abaixo a nota originalmente publicada no blog Viomundo, por Luiz Carlos Azenha:

“A ideia de puxar o plug e simplesmente deslogar o Viomundo, depois de mais de 10 anos de existência, foi pessoal, familiar e amadurecida ao longo do tempo. Confesso: me emocionei com a tremenda onda de solidariedade de todos vocês nas redes sociais, que surpreendeu mesmo os meus melhores amigos. Minha mãe, de 88 anos de idade, recém-recuperada de uma operação de cataratas e, portanto, testando a nova capacidade visual no computador, riu muito de uma foto inventada pelo Gerson Carneiro, ainda que não tenha entendido muito bem o motivo de todo aquele fuzuê: estava muito mais interessada no programa da Fátima.

Em minha participação no I Encontro Nacional de Blogueiros, fiz duas observações em meu discurso: revelei minha antipatia à ideia de depender de governos, que mudam de opinião e de prioridades ao longo do tempo e que, frequentemente, acreditam que o dinheiro do Estado, que deveria ser investido em políticas públicas de longo prazo — por exemplo, na promoção da diversidade cultural e pluralidade de ideias — lhe pertence, quando este dinheiro é, evidentemente, público. Propus, na ocasião, uma cooperativa de blogueiros que vendesse clics coletivamente no mercado.

Meu segundo ponto: a crítica da mídia estava desgastada, como se fosse um pensamento único de esquerda, e era preciso gerar pauta e conteúdo próprios.

Explico: o grande poder da mídia corporativa no Brasil é o de definir a agenda do debate político. O tal consórcio midiático é formador de consensos: haverá um apagão que provará a incompetência geral do governo trabalhista, as filas de navios significam que é preciso privatizar os portos, a Petrobras é um fracasso e precisa ser “reestatizada” (isso do povo da Petrobrax, dos que faliram a indústria naval e que defendem a terceirização) e o mensalão foi o maior escândalo da História da República que merece um replay de 18 minutos no Jornal Nacional às vésperas da eleição municipal de São Paulo.

Embora não sejam mais completamente reféns da pauta da direita, os meios progressistas ainda subsistem dentro de um espaço de debate cujos marcadores são definidos pela grande mídia. Se o telejornal de maior audiência do Brasil tivesse dedicado uma boa parte de seus recursos e competência editorial aos incêndios nas favelas paulistanas, por exemplo, durante o governo do ex-prefeito Geraldo Kassab, é provável que um grupo muito maior de brasileiros se interessasse pelo assunto, cobrasse explicações e, lá no fim, seria levado pelo menos a especular se alguns episódios foram intencionais, obedecendo à politica de expulsar os pobres que tão bem serve à especulação imobiliária.

Nada disso aconteceu, obviamente e nenhum meio de esquerda que conheço detém os meios financeiros para bancar uma investigação de longo prazo sobre o assunto.

Portanto, voltamos à questão financeira e, apesar das generosas ofertas de ajuda que recebemos nas últimas horas, é óbvio que elas não resolvem os problemas de fundo, que são os que nos interessam. A ação que Ali Kamel venceu, apenas na primeira instância, nunca foi a questão central, mas sim a incapacidade de enfrentar a ofensiva da direita sem as mais simples ferramentas para fazê-lo.

Como tocar um blog que não aceita patrocínios de governos, empresas públicas ou estatais — uma decisão tomada porque esperamos que Globo, Veja, Folha e Estadão nos sigam — e ainda assim tenha capacidade de debater políticas públicas de forma relevante, sem apenas reproduzir opinionismo político? Acreditamos que o Estado deva adotar políticas que incentivem a diversidade e a pluralidade, conforme previsto na Constituição. Que combata a propriedade cruzada. Acreditamos que o Parlamento deve cuidar do Direito de Resposta, uma forma de evitar a judicialização que leva desiguais para se enfrentarem num campo em que prevalece o poder econômico — dos advogados e lobistas.

Isso se agrava pela nossa leitura da conjuntura internacional, que continua muito negativa: depois dos baques de Wall Street e do euro, o neoliberalismo se reorganiza num poderoso tripé: na indústria financeira, que pendurou e continua pendurando a conta nas costas dos direitos sociais, na crescente influência do dinheiro no processo político — basta ver a decisão da Suprema Corte Americana que permite às corporações doarem a campanhas como se fossem ‘indivíduos’, de forma ilimitada — e, acima de tudo, em uma mídia oligopolizada, de discurso quase unificado, que acima de tudo defende seus interesses econômicos associados ao neoliberalismo. Quando foi o último trabalho de fôlego da imprensa paulistana sobre o adensamento da cidade, se saem todos aqueles anúncios da Abyara nas edições de domingo?

Com as grandes corporações de mídia, vivemos uma espécie de Gulag ao contrário: nosso corpo está livre, mas nosso pensamento frequentemente é prisioneiro de uma pauta que não nos interessa e, mais que isso, desconhece o interesse público, precariza as relações de trabalho e concentra ainda mais o capital na mão de poucos.

A contra-ofensiva neoliberal está em andamento, acreditem: pelo urânio do Mali, pelo petróleo da Líbia, pelas reservas do Orinoco na Venezuela, pelo gás boliviano, pelo pré-sal brasileiro. O neo-imperialismo não obedece apenas às regras clássicas, de conquista militar.  Associado a interesses nacionais, ele faz lobby no Congresso, compra bancadas e trabalha silenciosamente nos bastidores. No Brasil, a mídia corporativa, concentrada em níveis inéditos, é uma espécie de aríete, capaz de arrombar a porta e implantar ministros-lobistas num governo do Partido dos Trabalhadores!

Sempre perspicaz, o senador Roberto Requião revelou o que está por trás da “falência” da Petrobras, por exemplo.

Estamos entregues às grandes corporações, que implantam vastas extensões de eucalipto, criam empregos de alta qualidade em seus países de origem, agregam valor à terra e ao sol brasileiros, exportam água embutida em seus produtos e nos deixam com os danos ambientais. Vale o mesmo para o agronegócio.

Estamos entregues em Carajás, com o fenomenal trem que arranca o minério num ritmo que não obedece a prioridades brasileiras, mas às necessidades de lucro da associação entre o grande capital internacional e o trabalho escravo chinês, que produz as bugigangas posteriormente exportadas para os Estados Unidos, via Wal Mart, para entre outros motivos manter baixa a inflação e dar à classe média local a sensação de que ela consome, logo existe!

Como se diz no Amapá, foi o manganês da Serra do Navio que financiou o Plano Marshall!

Estamos entregues na transformação dos rios amazônicos em fontes de energia para as grandes mineradoras; Tucuruí nasceu do interesse do Japão de se livrar de suas indústrias eletrointensivas e poluentes. O Brasil fica com o trabalho sujo, enquanto eles desenvolvem alta tecnologia e os empregos do futuro em solo japonês.

Nada disso é discutido com profundidade em nossa grande mídia.

Nosso único recurso — o daqueles que pretendem discutir questões essenciais ao futuro do Brasil sem o cabresto da mídia — é a solidariedade humana, que foi o que vocês demonstraram com profundidade nas últimas horas. Recentemente, li na revista Economist — de todos os lugares! — uma pesquisa sobre a necessidade que as pessoas têm de de sentirem úteis ao mundo, de deixarem sua contribuição, de acreditarem que fazem a diferença. Obviamente o viés da revista servia às grandes empresas, já que as estimulava a incentivar os empregados a se engajarem em ações filantrópicas. O altruísmo de funcionários utilizado para valorizar a marca!

Mas a solidariedade genuína, idealista e altruísta de todos vocês finalmente me convenceu. A mensagem decisiva veio do João Carlos Cassiano Ribeiro, que não conheço pessoalmente, via Facebook. Diz:

Boa noite!!!!

Não sei se o Azenha vai ler isto, mas gostaria que servisse de incentivo.
A um bom tempo me acostumei a ler blogs e abandonar jornais escritos.
Quando aconteceu o primeiro blog que conheci foi o Viomundo, desde então aprendi a conhecer o mundo pelo seu site.


Gosto dos colaboradores e fotos das reportagens históricas feitas pelo jornalista.
Hoje acordei incomodado com o papel que a tv e o CQC exercem na nossa vida. Passei o dia incomodado com o baixo nível intelectual da tv e o comportamento fascista que noto nela.
Até imaginei que se fosse eu no lugar do Genoino ou do Clodovil durante a agressão a que Pânico e CQC os submeteram, acho que não suportaria.
Ser humilhado em frente a tv toda semana, não sei se aguentaria.
Fiquei feliz ao ver seu post sobre seu pai, imaginei que os fascistas passarão mas os bons permanecem sempre. Foi um sopro de alegria na minha tristeza.
Como já havia acontecido em outras oportunidades com o Viomundo, resgatei um pouco da dignidade e do respeito ao ser humano, voltei a acreditar na capacidade criativa e na solidariedade humana.
Respeito sua decisão e compreendo sua necessidade, mas me sinto um pouco órfão com o fim do Viomundo e triste em ver o jornalista abandonando uma das frentes de trabalho por força da opressão.
Choro ao escrever essas palavras pois sei que perdemos um espaço vital para nossa luta. Não sou colaborador e nem costumo interagir com o blog, sou um leitor anônimo e aprendi a observar o seu blog como um filho observa o pai e aprende e se orgulha de estar por perto.
Nossa luta não é partidária ou governamental é pelos mais fracos e pela dignidade humana.
Sempre o terei como amigo sem nem o conhecer, pois me orgulho dos meus amigos e me orgulho muito de você!
Obrigado por ter tido no Viomundo os melhores exemplos de humanidade e um espaço em que sempre me senti à vontade.

Achei muito bacana ver que um trabalho coletivo como o nosso, organizado por poucos mas que afeta muitos, ainda que precário e improvisado, seja capaz de tocar desta forma uma pessoa.

Assim sendo, depois de longas horas de conversa com a Conceição Lemes e o Leandro Guedes, pensamos num jeito de refundar o site (com o nome provisório de, rsrsrs, Democratas).

Uma consulta ao Comitê Central, sempre munidos dos tomos leninistas, nos levou a decidir:

1. Conceição Lemes (conceicaolemes@uol.com.br) se torna a editora-chefe do site, encarregada também da relação com nossos 40 mil seguidores no twitter/facebook;

2. Leandro Guedes (leandro@cafeazul.com.br) adotará um mix de todas as sugestões que nos foram feitas por vocês sobre crowdfunding, além de perseguir eventuais patrocinadores que vocês nos sugerirem; o dinheiro arrecadado com o crowdfunding será todo reinvestido no site e não será utilizado para bancar advogados, dos quais já contamos com os competentíssimos Cesar Kloury, Idibal Pivetta, Airton Soares e um importante escritório de Brasília que ofereceu ajuda solidária.

3. Eu me afasto do compromisso diário de passar de 5 a 10 horas diante de um computador aprovando comentários, traduzindo e publicando textos. Torno-me um repórter voluntário e não remunerado, além de escrever os tradicionais comentários sobre mídia e política.

4. Passo a aceitar, sempre que compatível com minha agenda profissional, todos aqueles pedidos de entrevistas de estudantes, palestras em universidades e conferências, se possível associadas a oficinas sobre as redes sociais oferecidas pela Conceição Oliveira (blogmariafro@gmail.com), que entende tudo do ramo.

5. Acima de tudo, passo a me dedicar à área de minha especialidade, que é a produção de vídeos, mini-docs e docs.

Aqui, uma explicação se faz necessária. No modelo acertado com o Leandro Guedes, da Café Azul, que há meses já vinha estudando o assunto, os leitores poderão tanto indicar as pautas quanto aprovar nossas propostas.

Exemplo: o Gilberto Nascimento quer escrever uma investigação sobre o poder da Opus Dei no Brasil. Calcula o tempo que vai levar e a remuneração adequada, por valores de mercado, à tarefa. Colocamos uma espécie de contador para acompanhar o avanço da meta. As pautas financeiramente aprovadas serão feitas.

Outros exemplos hipotéticos: a Conceição Lemes quer ir a Minas Gerais investigar o choque de gestão dos governos Aécio/Anastasia.

Há mais de um interessado em fazer um mini-doc sobre o impacto da Globo nas eleições de 2006 e 2010.

Serão trabalhos jornalísticos, não de militância, sobre assuntos que a mídia corporativa brasileira simplesmente desconhece, por não se adequarem àquela pauta única a que me referi acima.

Eu, por exemplo, gostaria de investigar pessoalmente o massacre de Felisburgo, na Bahia, até hoje impune.

O Lino Bocchini poderia ser convidado para fazer a Coleção Folha: Como Rose Nogueira ‘abandonou’ o emprego durante a ditadura.

A Beatriz Kusnir, se aceitasse, poderia fazer uma versão em vídeo do livro Cães de Guarda, aquele que narra o colaboracionismo da mídia brasileira com a ditadura militar.

O Amaury Ribeiro Jr. poderia ficar encarregado, à lá Andrew Jennings, de perseguir e exigir explicações dos privatas que andam por aí. Nosso Michael Moore.

Minha ênfase nos vídeos se deve ao fato de que, eventualmente, eles vão dominar a internet, à medida em que as conexões se acelerarem.

Finalmente, queremos aproveitar o imenso potencial de jornalistas — e quantos!!! — recentemente demitidos, que deixaram suas empresas com boas histórias para contar e projetos nunca realizados.

Quem sabe vocês nos ajudam a financiar o sonho destes colegas.

Portanto, depois de muito matutar, acreditamos ter chegado a uma proposta que permitirá ao Viomundo não morrer, mas renascer das cinzas.

Aguardem, que as mudanças serão implantadas lentamente, inclusive em todo o visual do site.”

(*) Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da história da Globo (o ansioso blogueiro trabalhou com os outros três), deu-se de antropólogo e sociólogo com o livro “Não somos racistas”, onde propõe que o Brasil não tem maioria negra. Por isso, aqui, é conhecido como o Gilberto Freire com “ï”. Conta-se que, um dia, D. Madalena, em Apipucos, admoestou o Mestre: Gilberto, essa carta está há muito tempo em cima da tua mesa e você não abre. Não é para mim, Madalena, respondeu o Mestre, carinhosamente. É para um Gilberto Freire com “i”.

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/pig/2013/04/01/quem-fez-o-azenha-mudar-de-ideia/

A estratégia da direita midiática para retomar o poder no Brasil

03.04.2013
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Quem melhor definiu o quadro político neste ano pré-eleitoral foi a jornalista e escritora Maria Inês Nassif, irmã do jornalista Luis Nassif, quem, após deixar sua coluna no jornal Valor Econômico por pressão política, foi trabalhar no Instituto Cidadania, do ex-presidente Lula.

Maria Inês disse, em recente reunião de que ambos participamos, que a esquerda, no Brasil, “não sabe exercer a hegemonia como a direita” quando esta chega ao poder.
O que significa isso? Que, apesar de ter o Poder Executivo, a direita midiática tem o controle – não influência democrática que qualquer lado da política tem que ter, mas o controle, a hegemonia – do Judiciário e, em certos aspectos, até do Legislativo. Sem falar da mídia…

O PT chegou ao poder em 2003 através de Lula e os dois mandatos dele que se seguiriam e o da sucessora que indicou e conseguiu eleger, constituíram-se em um sucesso incontestável – ao menos do ponto de vista da maioria do eleitorado brasileiro em todas as classes sociais e na quase totalidade das regiões país.

Contudo, está sendo criada uma estratégia que pode surpreender quem acredita que Dilma “já ganhou”.

Estamos a um ano e meio da sucessão de Dilma Rousseff. Há, portanto, tempo de sobra para despertar os setores da sociedade que entendem e apoiam o processo de soerguimento econômico e social que o Brasil experimenta há uma década.

Leio nos jornalões antipetistas e antigovernistas que foi “Dilma” quem desencadeou a sucessão presidencial antes da hora. Editorial do jornal Folha de São Paulo de quarta-feira, 3 de abril de 2013, bate nessa tecla seguindo a linha do resto dessa “grande imprensa”.
Esse trecho do editorial resume a versão absurda dos fatos que está sendo difundida pela oposição e pela mídia a ela aliada:

“(…) A deletéria antecipação da corrida eleitoral de 2014 leva a presidente Dilma Rousseff a reciclar o jogo fisiológico e o loteamento de ministérios (…)”

Qualquer um que tenha a menor noção de política sabe que presidente nenhum quer a antecipação da própria sucessão. A expressão em inglês “Lame Duck” – que, em português, pode ser traduzida livremente como “pato manco” – alude justamente à perda de poder que um presidente experimenta quando o fim de seu governo se aproxima.

Quem desencadeou a sucessão presidencial não foram Dilma, Lula ou o PT; foi parte da oposição e até dos aliados do governo que estão sendo tentados pelo canto da sereia destro-midiático.

Apesar de pesquisa Datafolha recente ter detectado que se o pleito de 2014 fosse hoje Dilma seria reeleita em primeiro turno com 58% dos votos, todos sabemos que durante os processos eleitorais as coisas nunca são tão fáceis.

Lembremo-nos de como, em 2010, todos foram surpreendidos com a realização do segundo turno por conta, principalmente, do levante de católicos e evangélicos contra a candidatura Dilma a partir da premissa de que ela seria “abortista”.

Além disso, a vitória por apenas dez pontos percentuais em um momento em que a economia estava bombando, com emprego em alta, renda crescendo, pobreza despencando, dá bem uma dimensão de como a sociedade não se pauta sempre pela lógica na hora de votar. Dilma deveria ter vencido com muito maior folga.

Para 2014, a mídia conservadora conseguiu elaborar uma estratégia mais sofisticada do que a de 2010. Marina Silva deve vir com tudo. Mesmo se não passar do patamar de 16% dos votos que obteve na última pesquisa, lá se vão parte dos votos que seriam de Dilma. Eduardo Campos pode extrair mais um naco importante, se for candidato.

Contudo, a coisa não fica por aí. Reproduzo, abaixo, notícia extraída do Estadão e que circulou fartamente por vários outros veículos.
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O Estado de São Paulo
2 de abril de 2013


“A Procuradoria da República no Distrito Federal abriu seis procedimentos para investigar as acusações feitas pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza no depoimento prestado em 24 de setembro de 2012. Condenado pelo Supremo como o operador do mensalão, ele acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter se beneficiado pessoalmente do esquema. O petista classificou o depoimento, prestado sigilosamente à Procuradoria-Geral, como mentiroso.
(…)
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, esperou o fim do julgamento do mensalão para despachar o depoimento.
(…)
A Procuradoria da República em Minas já investiga os repasses feitos por Valério à empresa do ex-assessor da Presidência da República Freud Godoy. O operador do mensalão afirmou ter depositado um cheque de R$ 100 mil na conta da Caso Sistema de Segurança, uma empresa do setor de segurança privada.
Ao investigar o mensalão, a CPI dos Correios detectou, em 2005, um pagamento feito pela SMPB, agência de publicidade de Valério, à empresa de Freud. O depósito foi feito, segundo dados do sigilo bancário quebrado pela comissão, em 21 e janeiro de 2003, no valor de R$ 98.500.
Em busca de benefícios. Em meio ao julgamento do mensalão, Valério foi voluntariamente à Procuradoria-Geral da República no dia 24 de setembro na tentativa de obter algum benefício em troca de novas informações sobre o caso. Em mais de três horas de depoimento, disse que o esquema do mensalão ajudou a bancar “despesas pessoais” do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Esses processos foram propostos pelo atual procurador-geral da República – cujas posições oposicionistas todos conhecem – a instâncias estaduais do MPF com o evidente objetivo de se tornarem uma grande polêmica em pleno processo eleitoral de 2014.
Lula, o grande eleitor que elegeu Dilma e que deverá ter larga influência na próxima eleição, estará sob fogo cerrado, com “descobertas” sendo apresentadas ao eleitorado no momento em que ele terá que decidir quem continuará comandando este país.
Dirão, com boa dose de razão, que o uso de factoides e candidaturas lançadas só para reduzir a força dos candidatos petistas não começou hoje, mas o espectro de candidaturas que não têm pretensão outra além da de atrapalhar Dilma, pois não têm chance, será muito maior desta vez, potencializando o efeito Marina de 2010, agora com Eduardo Campos pela esquerda, Marina por um centro “sonhático” e o candidato da direita, possivelmente do PSDB, que carrega sempre uma parte consistente do eleitorado.
A antecipação da campanha eleitoral, pois, interessa à oposição e aos aliados do governo que se assanham com a possibilidade de voos solo. Essas candidaturas estão sendo construídas com grande antecedência, bem como o ataque ao grande eleitor de 2014 e, ainda, com uma conjuntura econômica internacional que sempre carrega surpresas.
Ano que vem, o país assistirá a uma campanha eleitoral que tem tudo para ser a mais virulenta do pós-redemocratização, por incrível que possa parecer à luz do que foram as anteriores. Aqui vai, portanto, um alerta: o pior inimigo de Dilma é o “já ganhou”.
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2013/04/a-estrategia-da-direita-midiatica-para-retomar-o-poder-no-brasil-3/

INSS vai nomear 1,8 mil aprovados

03.04.2013
Do blog SERVIDOR PÚBLICO
Por Larissa Domingues, no Correio Braziliense  

Os aprovados na última seleção promovida pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cujas provas foram aplicadas em 2012, podem se preparar: a posse será em breve. Foi publicado no Diário Oficial da União de ontem um despacho da presidente da República, Dilma Rousseff, autorizando a nomeação de, no total, 1,8 mil pessoas. O concurso abriu oportunidades de níveis médio e superior. Serão convocados, ainda nesta semana, 1,5 mil técnicos, posto que exige formação intermediária. Em maio, o governo chamará mais 300 peritos médicos previdenciários, todos graduados em medicina.

O edital, lançado em dezembro de 2011, ofereceu 1.875 vagas para preenchimento imediato, com lotação prevista em todo o Brasil. Organizado pela Fundação Carlos Chagas (FCC), o certame previu salários entre R$ 4.496,89 e R$ 9.070,93, para uma jornada laboral de 40 horas semanais. Todos os inscritos foram submetidos a provas objetivas. Houve ainda avaliação de títulos para os graduados.

Reforço

Mas quem não conseguiu a sonhada aprovação ou mesmo quem nem chegou a se inscrever na última seleção também tem o que comemorar. O INSS ratificou o lançamento de outro concurso público, que oferecerá 500 vagas para analista do seguro social, função que exige formação de nível superior. O edital será divulgado em maio deste ano. A remuneração inicial para a função é de R$ 5.538,05, podendo chegar a R$ 10.051,15 ao fim da carreira.

Organizado pela Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Assistência à Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro e ao Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (Funrio), o último certame para o cargo de analista foi feito em 2008. Aos participantes, foi exigida formação de nível superior em serviço social. As vagas foram destinadas a 22 unidades da Federação e também ao Distrito Federal. Houve provas objetivas com questões sobre língua portuguesa, raciocínio lógico, informática, direito constitucional e administrativo, legislação previdenciária, legislação da assistência social e conhecimentos específicos.
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Fonte:

http://servidorpblicofederal.blogspot.com.br/2013/04/larissa-domingues-correio-braziliense.html

Wikileaks revela gravíssima sabotagem dos EUA contra Brasil com aval de FHC

03.04.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 23.02.13

Telegramas revelam intenções de veto e ações dos EUA contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro com interesses de diversos agentes que ocupam ou ocuparam o poder em ambos os países

wikileaks tecnologia sabotagem brasilOs telegramas da diplomacia dos EUA revelados pelo Wikileaks revelaram que a Casa Branca toma ações concretas para impedir, dificultar e sabotar o desenvolvimento tecnológico brasileiro em duas áreas estratégicas: energia nuclear e tecnologia espacial. Em ambos os casos, observa-se o papel anti-nacional da grande mídia brasileira, bem como escancara-se, também sem surpresa, a função desempenhada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, colhido em uma exuberante sintonia com os interesses estratégicos do Departamento de Estado dos EUA, ao tempo em que exibe problemática posição em relação à independência tecnológica brasileira. Segue o artigo do jornalista Beto Almeida.
O primeiro dos telegramas divulgados, datado de 2009, conta que o governo dos EUA pressionou autoridades ucranianas para emperrar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes Cyclone-4 – de fabricação ucraniana – no Centro de Lançamentos de Alcântara , no Maranhão.

Veto imperial

O telegrama do diplomata americano no Brasil, Clifford Sobel, enviado aos EUA em fevereiro daquele ano, relata que os representantes ucranianos, através de sua embaixada no Brasil, fizeram gestões para que o governo americano revisse a posição de boicote ao uso de Alcântara para o lançamento de qualquer satélite fabricado nos EUA. A resposta americana foi clara. A missão em Brasília deveria comunicar ao embaixador ucraniano, Volodymyr Lakomov, que os EUA “não quer” nenhuma transferência de tecnologia espacial para o Brasil.

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“Queremos lembrar às autoridades ucranianas que os EUA não se opõem ao estabelecimento de uma plataforma de lançamentos em Alcântara, contanto que tal atividade não resulte na transferência de tecnologias de foguetes ao Brasil”, diz um trecho do telegrama.
Em outra parte do documento, o representante americano é ainda mais explícito com Lokomov: “Embora os EUA estejam preparados para apoiar o projeto conjunto ucraniano-brasileiro, uma vez que o TSA (acordo de salvaguardas Brasil-EUA) entre em vigor, não apoiamos o programa nativo dos veículos de lançamento espacial do Brasil”.

Guinada na política externa

O Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA (TSA) foi firmado em 2000 por Fernando Henrique Cardoso, mas foi rejeitado pelo Senado Brasileiro após a chegada de Lula ao Planalto e a guinada registrada na política externa brasileira, a mesma que muito contribuiu para enterrar a ALCA. Na sua rejeição o parlamento brasileiro considerou que seus termos constituíam uma “afronta à Soberania Nacional”. Pelo documento, o Brasil cederia áreas de Alcântara para uso exclusivo dos EUA sem permitir nenhum acesso de brasileiros. Além da ocupação da área e da proibição de qualquer engenheiro ou técnico brasileiro nas áreas de lançamento, o tratado previa inspeções americanas à base sem aviso prévio.
Os telegramas diplomáticos divulgados pelo Wikileaks falam do veto norte-americano ao desenvolvimento de tecnologia brasileira para foguetes, bem como indicam a cândida esperança mantida ainda pela Casa Branca, de que o TSA seja, finalmente, implementado como pretendia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas, não apenas a Casa Branca e o antigo mandatário esforçaram-se pela grave limitação do Programa Espacial Brasileiro, pois neste esforço algumas ONGs, normalmente financiadas por programas internacionais dirigidos por mentalidade colonizadora, atuaram para travar o indispensável salto tecnológico brasileiro para entrar no seleto e fechadíssimo clube dos países com capacidade para a exploração econômica do espaço sideral e para o lançamento de satélites. Junte-se a eles, a mídia nacional que não destacou a gravíssima confissão de sabotagem norte-americana contra o Brasil, provavelmente porque tal atitude contraria sua linha editorial historicamente refratária aos esforços nacionais para a conquista de independência tecnológica, em qualquer área que seja. Especialmente naquelas em que mais desagradam as metrópoles.

Bomba! Bomba!

O outro telegrama da diplomacia norte-americana divulgado pelo Wikileaks e que também revela intenções de veto e ações contra o desenvolvimento tecnológico brasileiro veio a tona de forma torta pela Revista Veja, e fala da preocupação gringa sobre o trabalho de um físico brasileiro, o cearense Dalton Girão Barroso, do Instituto Militar de Engenharia, do Exército. Giráo publicou um livro com simulações por ele mesmo desenvolvidas, que teriam decifrado os mecanismos da mais potente bomba nuclear dos EUA, a W87, cuja tecnologia é guardada a 7 chaves.
A primeira suspeita revelada nos telegramas diplomáticos era de espionagem. E também, face à precisão dos cálculos de Girão, de que haveria no Brasil um programa nuclear secreto, contrariando, segundo a ótica dos EUA, endossada pela revista, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, firmado pelo Brasil em 1998, Tal como o Acordo de Salvaguardas Brasil-EUA, sobre o uso da Base de Alcântara, o TNP foi firmado por Fernando Henrique. Baseado apenas em uma imperial desconfiança de que as fórmulas usadas pelo cientista brasileiro poderiam ser utilizadas por terroristas , os EUA, pressionaram a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que exigiu explicações do governo Brasil , chegando mesmo a propor o recolhimento-censura do livro “A física dos explosivos nucleares”. Exigência considerada pelas autoridades militares brasileiras como “intromissão indevida da AIEA em atividades acadêmicas de uma instituição subordinada ao Exército Brasileiro”.
Como é conhecido, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, vocalizando posição do setor militar contrária a ingerências indevidas, opõe-se a assinatura do protocolo adicional do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que daria à AIEA, controlada pelas potências nucleares, o direito de acesso irrestrito às instalações nucleares brasileiras. Acesso que não permitem às suas próprias instalações, mesmo sendo claro o descumprimento, há anos, de uma meta central do TNP, que não determina apenas a não proliferação, mas também o desarmamento nuclear dos países que estão armados, o que não está ocorrendo.

Desarmamento unilateral

A revista publica providencial declaração do físico José Goldemberg, obviamente, em sustentação à sua linha editorial de desarmamento unilateral e de renúncia ao desenvolvimento tecnológico nuclear soberano, tal como vem sendo alcançado por outros países, entre eles Israel, jamais alvo de sanções por parte da AIEA ou da ONU, como se faz contra o Irã. Segundo Goldemberg, que já foi secretário de ciência e tecnologia, é quase impossível que o Brasil não tenha em andamento algum projeto que poderia ser facilmente direcionado para a produção de uma bomba atômica. Tudo o que os EUA querem ouvir para reforçar a linha de vetos e constrangimentos tecnológicos ao Brasil, como mostram os telegramas divulgados pelo Wikileaks. Por outro lado, tudo o que os EUA querem esconder do mundo é a proposta que Mahmud Ajmadinejad , presidente do Irà, apresentou à Assembléia Geral da ONU, para que fosse levada a debate e implementação: “Energia nuclear para todos, armas nucleares para ninguém”. Até agora, rigorosamente sonegada à opinião pública mundial.

Intervencionismo crescente

O semanário também publica franca e reveladora declaração do ex-presidente Cardoso : “Não havendo inimigos externos nuclearizados, nem o Brasil pretendendo assumir uma política regional belicosa, para que a bomba?” Com o tesouro energético que possui no fundo do mar, ou na biodiversidade, com os minerais estratégicos abundantes que possui no subsolo e diante do crescimento dos orçamentos bélicos das grandes potências, seguido do intervencionismo imperial em várias partes do mundo, desconhecendo leis ou fronteiras, a declaração do ex-presidente é, digamos, de um candura formidável.
São conhecidas as sintonias entre a política externa da década anterior e a linha editorial da grande mídia em sustentação às diretrizes emanadas pela Casa Branca. Por isso esses pólos midiáticos do unilateralismo em processo de desencanto e crise se encontram tão embaraçados diante da nova política externa brasileira que adquire, a cada dia, forte dose de justeza e razoabilidade quanto mais telegramas da diplomacia imperial como os acima mencionados são divulgados pelo Wikileaks.
Plano Brasil
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