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segunda-feira, 18 de março de 2013

Dr. Rosinha: A maioria dos agressores sexuais de mulheres é conhecida

18.03.2013
Do blog VI O MUNDO, 17.03.13
Dr. Rosinha, especial para o VioMundo


 
O machismo e a impunidade

A cada final de ano, os discursos se repetem: vereadores, deputados e senadores sobem às tribunas dos parlamentos Brasil afora para desejar a todos os brasileiros e brasileiras um bom natal e um feliz ano novo. As vésperas do primeiro de maio, a coisa também se repete: lá está o rosário de parlamentares a comentar sobre o dia do trabalhador. E assim vai o ano inteiro, data após data, ano após ano.

Foi assim na semana passada, às vésperas do 8 de Março: todos falam do dia da mulher e, com algumas exceções, o discurso é o mesmo. Parlamentares homenageiam, em nome de suas respectivas mães, filhas ou esposas, todas as mulheres do Brasil e, por que não, alguns perguntam, do mundo. E tascam a demagógica “homenagem” sem nenhum comentário sobre uma questão fundamental: o machismo. Aliás, o próprio discurso já é resultante do machismo, embora elem não se deem conta disso.

Ouvindo todos estes discursos, lembrei-me de uma campanha municipal, no ano de 2008. Já escrevi sobre esse fato, mas não custa relembrá-lo. Sei o nome da cidade e do candidato onde ocorreu, mas não é o caso de aqui identificar, porque isto deve ter ocorrido e ainda ocorre em muitos outros municípios. Escrevi na ocasião:

“Em 2008 estava eu num desses comícios de um candidato a prefeito. O candidato a discursar sobre o seu programa de governo e nada de falar sobre a questão da mulher. Cansada de esperar, a esposa diz baixo, mas o suficiente para todos no palanque ouvirem: “fala da [questão da] mulher”. O discurso continua, e ela insiste: “fala da mulher”.

“Lá pela quarta ou quinta “fala da mulher”, o candidato resolve: “Agora vou falar da mulher, esse ser sagrado, esse ser divino de onde viemos e quero aqui homenagear todas as mulheres, principalmente as duas da minha vida, minha esposa e minha mãe”. E engasgou numa sequência de repetições.

“Insatisfeita, a esposa continuou ao lado: “fale das propostas”. E ele não teve dúvidas: “nós vamos construir vários clubes de mães para ensinar crochê, tricô, costura e a cozinhar”. A esposa, não sei se satisfeita ou porque desistiu, parou de insistir”.

Qualquer homem que tenha um discurso igual ou semelhante ao acima não tem a mínima consciência do que é ser mulher e do que se passa com a mulher. Não tem a mínima consciência do longo processo para superar os problemas que o machismo causa. O homem que tem esse tipo de discurso é o machista que nega esta sua condição.

Segundo o Instituto Sangari, o machismo assassinou ao longo de 30 anos, entre 1980 e 2010, mais de 92 mil mulheres, só no Brasil. Na última década do estudo, foram assassinadas 43,7 mil. Portanto foram assassinadas mais de 4,3 mil mulheres por ano, aproximadamente 12 mulheres por dia, ou seja, uma a cada duas horas.

Chamo a atenção para o fato de que estes números foram obtidos analisando as declarações de óbitos encaminhadas ao Ministério da Saúde, mais precisamente enviadas ao Viva (Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes). Saliento que nem todos os municípios do Brasil comunicam ao Viva as mortes de mulheres por homicídio.

Segundo, se uma mulher for ferida de morte pelo seu companheiro, marido ou namorado, e não morreu imediatamente, vindo a morrer depois de 24 horas, a causa morte já não é contabilizada como homicídio. Portanto, o número de homicídios de mulheres vítimas do machismo é, infelizmente, superior. Lembro também que não estão sendo contabilizadas as mulheres vitimas de violência física, psicológica e sexual.

Em 2006, sob o governo Lula, o Ministério da Saúde começou a implantar o sistema Viva. Segundo dados colhidos pelo Viva em 2012, o Sistema Único de Saúde (SUS) atendeu um total de 18.007 mulheres, uma média de duas mulheres por hora (uma a cada meia hora) vítimas de violência sexual. A maioria, cerca de 75%, das vítimas eram crianças, adolescentes e idosas.

Não são contabilizadas as vítimas da violência sexual que procuram o atendimento médico em consultórios, ambulatórios, hospitais e clínicas privadas. Só entram nessa conta os atendimentos feitos pelo SUS. Tampouco são contadas, obviamente, as mulheres que não procuraram serviços médicos. Portanto, não temos no Brasil o número exato da violência sexual (estupros) contra a mulher.

O número exato de mulheres agredidas sexualmente é desconhecido, mas os agressores, na maioria (cerca de 60%) são conhecidos, estão dentro de casa. São o marido, o pai, o padrasto, o namorado, o amante, o avô.

Tampouco fazem parte da contabilidade de homicídios de mulheres aquelas vítimas do narcotráfico, que muitas vezes também são vítimas do machismo.

Esta tragédia humana é causada pela relação de gênero, na qual o homem se sente superior e olha a mulher como uma coisa, um objeto seu. É também responsável pela tragédia a impunidade. A polícia não investiga, o Ministério Público não atua e os poucos casos que chegam à justiça não são julgados e, se julgados, o machismo da maioria dos juízes e da própria instituição absolve os homicidas.

Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal (PT-PR) e presidente da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. No twitter: @DrRosinha

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/dr-rosinha-a-maioria-dos-agressores-sexuais-de-mulheres-e-conhecida.html

Como a política mata ciclistas

18.03.2013
Do portal da Revista Superinteressante, 04.2012
Por por Denis Russo Burgierman

Nunca andamos tanto de bicicleta - e por isso mesmo nunca houve tão pouco espaço para elas. E para mudar isso só há um caminho: acabar com a miopia urbanística dos governantes 

Cada um de nós tem uma escolha a fazer sobre como chegar ao trabalho todas as manhãs. Podemos ir de carro, a pé, de transporte público, de táxi, de moto, de bicicleta. Há prós e contras para todas as opções. Ônibus é mais barato, mas também não é nenhuma pechincha: em São Paulo, onde a passagem custa R$ 3, um mês de ida e volta de ônibus custa R$ 180 por pessoa, 30% do valor do salário mínimo. E é infernal: implica muito aperto, muito tempo perdido, muito susto com motoristas estressados... (e quem não se desequilibraria passando o dia no trânsito?).

É tão ruim que uma minoria crescente da população opta por ter um carro. A vida com carro não é boa, mas é muito melhor do que dentro do ônibus. Os vidros fumê, o ar condicionado e a música ambiente dão a sensação de que está tudo bem, apesar de Sodoma e Gomorra lá fora. Ter carro é caro: custa mais de R$ 1 mil por mês, se tudo for colocado na conta (impostos, estacionamento, gasolina, depreciação do veículo). E há vários contras para o resto da cidade: essa opção implica poluição, piora do clima, custos para a saúde. Além dos usuários de transporte público e carro, há quem prefira caminhar (a escolha mais barata), outros andam de táxi. E há quem opte pela bicicleta.

Bicicleta só não é mais barato do que caminhar. E, além do custo baixo, ela é boa para quem pedala (evita obesidade, depressão, doença cardíaca, câncer, melhora o sono, o sexo, a disposição) e para a cidade (reduz o trânsito, não emite poluentes, não piora o clima e reduz gastos públicos com saúde). A prefeitura de Copenhague calculou que, a cada quilômetro que uma pessoa anda de carro, a cidade gasta R$ 0,30. A cada quilômetro pedalado por uma bicicleta, a cidade ganha R$ 0,70 (com o incremento do turismo, por exemplo). Ou seja, abrir espaço para bicicletas é bom para todo mundo.

A boa notícia é que nunca se pedalou tanto. Só na cidade de São Paulo o número dos deslocamentos debicicleta subiu de 47 mil por dia em 1987 para 147 mil em 2007 (data das estatísticas mais recentes). Isso é quase o dobro dos deslocamentos de táxi (78 mil). Em países bem administrados, os cidadãos são estimulados a escolher aquilo que é melhor para todos. Na Bélgica, por exemplo, ciclistas pagam menos impostos. Já no Brasil, pedestres e ciclistas são punidos com a falta de espaço.

O prefeito é o responsável por construir infraestrutura para a cidade. Ele cobra impostos de todos os habitantes e, com esse dinheiro, tem a obrigação de tornar o espaço público adequado para todo mundo. Nas cidades brasileiras, a maior parte dos investimentos no espaço público é tradicionalmente voltada para quem anda de carro - o dinheiro que a prefeitura toma de todo mundo é gasto com um só grupo.

Por quê? Por inércia. Na nossa cultura política, o que rende voto é obra monumental - basicamente grandes viadutos e avenidas. Não por coincidência, as empreiteiras que fazem essas obras são as grandes financiadoras das eleições. Ou seja, o dinheiro doado na campanha volta multiplicado ao bolso de quem "doou". Esse ciclo vicioso, por si só, não é o responsável pela quase inexistência de infraestrutura para ciclistas no Brasil, mas ajuda. É que as obras viárias matam dois coelhos dos políticos com uma cajadada só: rendem contratos gordos para os financiadores de campanha e votos, muitos votos. Mas essa é uma visão caduca.

Não é de hoje que bom urbanismo ganha eleição - e não é exagero concluir que essa tendência vive um auge histórico. O caso do Bike Rio serve de exemplo. Trata-se de um sistema de aluguel de bicicletas a exemplo do Vélib´, de Paris: você aluga a bicicleta num ponto e devolve em outro. Esperavam que o sistema tivesse 7 mil usuários. Pouco depois da inauguração, em outubro de 2011, eram 45 mil. Moral da história: construa uma boa infraestrutura, e a bicicleta como meio de transporte virá - para o bem de todos.

Olhar com atenção para esse assunto não é só uma questão de urbanismo, inclusive, mas de segurança pública. Em março, a ciclista Juliana Ingrid Dias morreu esmagada por um ônibus na Avenida Paulista, em São Paulo. Ela foi uma entre os 3 ciclistas mortos no Brasil naquela semana. José Carlos Lopes, o motorista do ônibus que a matou, disse que a conhecia, que a via todos os dias, que ela era consciente, cuidadosa, educada, "tinha noção do espaço dela". Mas não havia espaço para ela. E enquanto a visão urbanística dos nossos prefeitos continuar míope, as mortes não vão parar.
Ilustração Alexandre Piovanni
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Fonte:http://super.abril.com.br/cotidiano/como-politica-mata-ciclistas-682257.shtml?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_super

Trote racista com saudações nazistas gera revolta nas redes sociais

18.03.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

Trote gera polêmica com fotos de saudações nazistas e racismo. Caso ocorreu na Universidade Federal de Minas Gerais. Estudantes estão chamando reuniões e atos para debater o ocorrido. A universidade disse que ainda está apurando o caso

trote racista direito ufmg
Caloura esconde o rosto durante trote do curso de Direito da UFMG. (Reprodução / Facebook)

Uma menina com tinta preta pintada no corpo carrega uma placa com o texto “Caloura Chica da Silva”. Mesmo tentando esconder o rosto com o cabelo, ela aparece acorrentada e é puxada por outro colega que sorri. Essa é a cena de uma das duas imagens postadas no facebook nesta segunda-feira (18) do trote do curso de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais e que estão provocando revolta nas redes sociais.
Na outra imagem postada três estudantes aparecem fazendo a saudação nazista ao lado de um rapaz amarrado a pilastra. Um dos rapazes chega a ter pintado no rosto um bigode parecido com o de Hitler. As fotos já têm mais de dois mil compartilhamentos nas redes sociais.
O autor das imagens ainda é desconhecido, mas estudantes de Direito confirmaram que as cenas vistas ocorreram durante o trote realizado na última sexta-feira e os estudantes que aparecem nas imagens seriam alunos do segundo semestre, responsável pela organização do trote. Os alunos que aparecem nas fotos, no entanto, ainda não foram identificados.


Leia também

De acordo com os alunos de Direito, os responsáveis pelo Centro Acadêmico do curso convocou uma reunião para hoje à noite para falar sobre o que ocorreu no trote e para evitar que o episódio se repita.
— Nossa posição é de total repúdio ao machismo, racismo e homofobia — disse Leonardo Custódio , vice-presidente do Centro Acadêmico de Direito, ao dizer que a entidade não participou da organização do trote.
A Assembleia Nacional dos Estudantes Livres (Anel) junto com o Movimento Mulheres em Luta (MML) está chamando para amanhã outra reunião para discutir propostas de combate ao trote violento.
trote racista ufmgEstudantes fazem saudação nazista em trote da UFMG

— Essa é uma prática recorrente, desta vez escancarou. Mas a prática do trote machista, homofóbico é recorrente — disse Juliana Rocha, estudante Veterinária e integrante da Executiva Nacional da Anel.

Revolta na web

Logo que surgiram as imagens nas redes sociais, os estudantes foram duramente criticados pelos internautas. “Estes aí serão nossos futuros juízes, magistrados, advogados e políticos do país?”, argumentou Heric Maicon.
“Todo trote ofensivo ou humilhante deve ser proibido. O argumento de que ‘participa quem quer’ é ridículo, pois pressupõe uma falaciosa liberdade total de escolha do calouro. Mesmo dentro da FDUFMG ainda há quem ache graça em oprimir, submeter e achincalhar o colega. Debater o tema é urgente. Propor gincanas lúdicas e trotes solidários é o melhor caminho”, sugeriu Eduardo Araújo.

Tolerância zero

Os trotes já são problemas recorrentes na UFMG. Em março do ano passado, a direção da Universidade já havia informado que iriam punir os veteranos que insistiam em fazer as brincadeiras. A política de tolerância zero surgiu depois que estudantes de turismo relataram que duas calouras foram amarradas a um poste. Os veteranos se vestiram de policiais militares e colocaram camisinhas na ponta de cassetetes, obrigando os novos universitários a chupar o objeto.
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/03/trote-racista-na-ufmg.html

Trânsito na Madalena sofre alteração para construção de túnel

18.03.2013
Do portal da FOLHA DE PERNAMBUCO

 Expectativa é de que obra seja finalizada em janeiro de 2014

Allan Torres/Folha de Pernambuco
Obra deverá ser finalizada em janeiro de 2014


Os motoristas e usuários de ônibus que cruzam a avenida Caxangá, pela Real da Torre, ou que seguem da Caxangá para a rua Benfica deverão ficar atentos às mudanças que serão realizadas no trânsito na região. Isso porque as obras de construção de um túnel em frente ao Museu da Abolição, no bairro da Madalena, começam nesta segunda-feira (18). A construção do túnel, orçado em R$ 16 milhões, é mais uma etapa do Corredor Exclusivo Transporte Rápido de Ônibus do eixo Leste/Oeste, que está sendo implantado do Derby até Camaragibe. A expectativa é de que obra dure dez meses.


A obra será realizada em etapas para que o tráfego local não seja interrompido totalmente. Na primeira etapa da interdição, que segue até o dia 28 de março, uma faixa da Real da Torre (entre a rua José Osório e a avenida Caxangá) será interditada, ficando duas faixas para o tráfego misto. Nesta fase, serão demolidos 17 imóveis localizados na rua João Ivo da Silva, incluindo a Igreja do final da avenida Caxangá. Essa intervenção também vai provocar a desativação da primeira parada de ônibus da rua João Ivo da Silva e os usuários devem embarcar ou desembarcar na parada anterior, na Real da Torre, ou na seguinte, na própria João Ivo da Silva.

Nesta mesma etapa, segundo o secretário, ainda serão colocados os dutos subterrâneos (rede elétrica e de esgoto) em 150 metros da calçada do lado esquerdo da Real da Torre (mesmo lado do Museu) e retirado o trevo de concreto do cruzamento entre a rua José Osório e a avenida Real da Torre. Na segunda etapa, a partir do dia 29 de março, só será permitida a passagem de ônibus e do tráfego local na Real da Torre, mas apenas os ônibus podem cruzar a Caxangá e seguir para a João Ivo da Silva. O trânsito para o transporte individual será desviado pela rua José Osório.

Já o tráfego local, como não poderá cruzar a Caxangá/Benfica, será obrigado a dobrar à direita na avenida Caxangá ou, antes de chegar nela, dobrar à direita na 19 de novembro ou mesmo voltar para a Visconde de Albuquerque, pegando à esquerda na rua Lopes de Carvalho. Nesta etapa, serão pavimentadas as quatro faixas da João Ivo da Silva, onde foram demolidos os imóveis. Serão cravadas as estacas no alinhamento do meio fio do Museu da Abolição. A calçada, ao lado direito da Real da Torre, também será realinhada.

A partir de maio e nas etapas seguintes, algumas paradas de ônibus vão precisar ser relocadas e o tráfego dos ônibus também sofrerá alteração, não podendo mais cruzar a Caxangá e tendo que usar a José Osório para retornar pela avenida Caxangá e, só então chegar à Benfica.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/cotidiano/noticias/arqs/2013/03/0212.html

DIAS E O “CRIME DE RESPONSABILIDADE” DO GURGEL

18.03.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Com a Roseana ele tem a rapidez com que enfrentou o Senador Demóstenes.


Saiu na excelente “Rosa dos Ventos”, de Maurício Dias, na mesma Carta Capital em que o Mino trata do Papa eMarcos Coimbra das chances (remotas) do Eduardo.

(Leia na mesma “Rosa dos Ventos” , de Mauricio Dias)


GURGEL SOB FOGO

(…)

Crime de responsabilidade é a base do pedido de impeachment do procurador-geral da Republica, Roberto Gurgel, protocolado dia 11 de março no Senado. Entre os fatos juntados na representação há três processos distintos contra a governadora do Maranhão, Roseana Sarney.

A documentação lista os recursos contra a expedição de diploma a governadores eleitos em 2010 (tabela). A praxe do Tribunal Superior Eleitoral é a de encaminhar os pedidos ao vice- -procurador-geral eleitoral. No caso, a subprocuradora Sandra Cureau. As duas únicas exceções, como se vê, são os dois processos contra Roseana sobre os quais Gurgel repousa em paz há quase dois anos.

(…)

Navalha
E foi ele – a quem o senador Collor chama de “prevaricador” – que condenou o Dirceu e o Genoino com “tênues provas”. 

Tênues !

Paulo Henrique Amorim



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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2013/03/18/dias-e-o-%E2%80%9Ccrime-de-responsabilidade%E2%80%9D-do-gurgel/

Alcoolismo atinge cerca de 5,8 milhões de pessoas no país

18.03.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Camila Maciel

São Paulo - Histórico de consumo abusivo de álcool, síndrome de abstinência e manutenção do uso, mesmo com problemas físicos e sociais relacionados, é o tripé que caracteriza a dependência em álcool, segundo a psiquiatra Ana Cecília Marques, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O tratamento da doença, que atinge cerca de 5,8 milhões de pessoas no país, segundo o Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, de 2005, não é fácil: dura pelo menos um ano e meio em sua fase mais intensiva e tem índice de recaída de cerca de 50% nos primeiros 12 meses.
"Ele precisa preencher os três critérios. Um só não basta para se considerar dependente", destaca a psiquiatra. Ela explica que o consumo contínuo e abusivo leva a uma tolerância cada vez maior do usuário à bebida. "O corpo acostuma-se com o [álcool]. Ele resiste mais e, para obter o efeito que tinha no começo com uma lata de cerveja, precisará tomar cinco". A falta do álcool provoca uma série de sintomas graves, como elevação da pressão arterial, tremores, enjoo, vômito e, em alguns pacientes, até mesmo convulsão. Esse é o quadro da síndrome de abstinência.
O terceiro critério para caracterização da dependência alcoólica está ligado aos problemas de relacionamento e de saúde provocados pelo consumo abusivo. "O indivíduo tem problemas no trabalho por causa da bebida. Ele perde o dia de trabalho mas, mesmo assim, bebe de novo". A professora destaca que, além da questão profissional, devem ser considerados diversos aspectos da vida do paciente, como problemas familiares, afetivos, econômicos, entre outros.
Em relação às outras drogas, a psiquiatra informou que o tratamento da dependência de álcool se diferencia principalmente na primeira fase, que dura em média dois meses. "Cada substância tem uma forma de atuar no cérebro, portanto, vai exigir, principalmente na primeira fase do tratamento, diferentes procedimentos farmacológicos para que a gente consiga promover a estabilização do paciente", explica.
De acordo com a médica, o álcool se enquadra na categoria de substâncias psicotrópicas depressoras, juntamente com os inalantes, o clorofórmio, o éter e os calmantes. Há também as drogas estimulantes, como a cocaína, a cafeína e a nicotina, e as perturbadoras do sistema nervoso central, como a maconha e o LSD.
"Na segunda e terceira fases, o tratamento entra em uma etapa mais semelhante, que é quando você vai se aprofundar no diagnóstico e preparar o individuo para não ter recaída", acrescenta.
A segunda fase do tratamento, a chamada estabilização, quando se trabalha a prevenção da recaída, dura, em média, de oito a dez meses. Nessa etapa, são percebidas e tratadas as doenças correlatas adquiridas pelo consumo do álcool e, então, o paciente é preparado para readquirir o controle sobre droga. "A dependência é a doença da perda do controle sobre o consumo de determinada substância. [É feito um trabalho] para que ele volte a se controlar, a entender esse processo e readquirir a autonomia. Não é mais a droga que manda nele".
A psiquiatra destaca que, nesse processo, a recaída é entendida como algo normal e que não invalida o tratamento. "Ele pode ter uma recaída e não é que o tratamento não esteja no caminho certo ou que ele não queira se tratar. Faz parte da doença, é um episódio de agudização dessa doença crônica que é a dependência do álcool. Faz parte recair", esclarece.
Na terceira etapa, que dura cerca de seis meses, ocorre o "desmame da tutela do tratamento". "Ele está manejando essa nova autonomia. Ele volta para as avaliações com menos frequência". Por fim, o paciente passa a ir ao médico com maiores intervalos entre as consultas. "Ele segue em tratamento como qualquer indivíduo que tem doença crônica. Pelo menos uma vez por ano, ele passa pelo médico. A bem da verdade, [no tratamento dessas] doenças crônicas, a gente não dá alta".
Levantamento feito em 2005 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Unifesp, e pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), mostra que o uso do álcool prevalece entre os homens em todas as faixas etárias. Mais de 80% deles declararam fazer uso de álcool. Entre as mulheres, o percentual cai para 68,3%.
No que diz respeito à dependência, eles também estão na frente. O índice de dependentes do sexo masculino (19,5%) é quase três vezes o do sexo feminino (6,9%). A faixa etária de 18 a 24 anos, por sua vez, apresenta os maiores índices, com 27,4% de dependentes entre os homens e 12,1% entre as mulheres.
Edição: Tereza Barbosa

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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-18/alcoolismo-atinge-cerca-de-58-milhoes-de-pessoas-no-pais

Ditadura na Amazônia – memória de uma mulher da frente de batalha


18.03.2013
Do portal da Revista Carta Maior, 17.03.13
Por Lilian Campelo e Rogério Almeida*

A professora de Ciência Política da Universidade Federal do Pará Hecilda Veiga foi presa e torturada nos quartéis do regime quando estava grávida de cinco meses. Ela havia ajudado a fundar a Sociedade de Defesa de Direitos Humanos e militado no PCdoB e na Ação Popular. “Eu tinha certa dificuldade de falar sobre isso, mas já passou aquela fase mais difícil dos primeiros tempos”, admite. Agora, ela conta sua história.

Belém – O estafe político ideológico estadunidense exerceu papel decisivo no século passado no processo de instalação de estados de exceção em países da América Latina. No continente a Argentina passa a limpo o período ditatorial, e puniu e continua a julgar os responsáveis pela violação de direitos humano.

No dia 12 de março deste ano condenou à prisão perpétua Reynaldo Bignone, o último presidente da ditadura militar (1976-1983). O ex-presidente foi condenado por crimes contra a humanidade cometidos no centro clandestino Campo de Mayo. Junto com Bignone irão cumprir a mesma pena os ex-militares Omar Riveros, Luis Sadi, Eduardo Oscar Corrado e Carlos Tomás Macedra. 

O Chile tenta fazer o mesmo caminho, mas tem enfrentado resistência. O Brasil instalou em maio de 2012 a Comissão Nacional da Verdade (CNV), com vistas a apurar no prazo de dois anos as violações dos direitos humanos no período da ditadura civil militar (1964-1985). E, como no Chile, há situações de tensões, a exemplo do atentado a bomba ocorrido na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do estado do Rio de Janeiro, no dia 07. 

A Guerrilha do Araguaia, ocorrida no fim dos anos 1960 e nos anos iniciais de 1970, no sudeste do Pará e norte do Tocantins (antigo território de Goiás), com abrangência até o oeste do Maranhão é o caso mais significativo na Amazônia. O episódio foi protagonizado por militantes do PC do B. Um Grupo de Trabalho (GT) foi constituído dentro da CNV para investigar o caso. Cláudio Fonteles, José Carlos Dias e a psicanalista Maria Rita Khel são os responsáveis pelas investigações, enquanto Pedro Pontual e Vivien Ishaq os encarregados pela pesquisa. 

Entre os militares o major Curió (Sebastião Rodrigues de Moura) desponta como o de maior visibilidade na repressão aos guerrilheiros e simpatizantes locais ao movimento e religiosos alinhados à Teologia da Libertação da região, entre eles o padre Roberto de Valicourt. Helenira Rezende de Souza Nazareth, Luisa Augusta Garlippe, Maria Lucia Petit da Silva e Suely Yuniko Kanayama, Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha foram algumas das mulheres do PC do B tombaram em combate com o Exército. 

Amazônia integrada

O contexto político, econômico e social é conhecido como integração da Amazônia ao resto do país. Naquele momento, em 1971, o decreto de nº 1.164 federalizou 100 km das terras consideradas devolutas das rodovias federais em construção e as projetadas. A militarização da Amazônia engendrou um mundo de quartéis na região. 

Polos de produção baseados em madeira, pecuária e mineração regiam o cenário econômico, que buscou incrementar a instalação de empresas do Centro Sul do país a partir de uma política de incentivos fiscais, o braço civil do regime, sem falar na grande mídia e setores da Igreja Católica, em particular Dom Alberto Ramos, arcebispo de Belém da época, e responsável por artigos contra os comunistas no jornal ‘Voz de Nazaré’. O acreano tenente coronel Jarbas Passarinho, ex-governador do Estado e ex- ministro é considerado um personagem central da condução da ditadura no estado, e o responsável pela deposição do governador Aurélio do Carmo, que será homenageado numa cerimônia na Assembleia Legislativa no dia 18. Ironia? Passarinho é conterrâneo do ambientalista Chico Mendes. Ambos nasceram na mesma cidade, Xapuri. 

CNV no Pará 

No Pará as atividades da CNV iniciaram em agosto do ano passado com a realização de uma audiência pública em Belém, e outra na região do Araguaia. Em novembro do ano passado e no começo deste ocorreram visitas de campo à região no sudeste do Pará para ouvir camponeses e indígenas Suruí. Na ocasião foi criada a Associação de Torturados na Guerrilha do Araguaia (Atga). Paulo Fontelles Junior, ex-vereador pelo PC do B em Belém é um dos membros da CNV no estado. O ativista é filho do ex-deputado estadual e advogado Paulo Fontelles e da professora Hecilda Veiga. Ambos militaram em defesa dos direitos humanos. 

Hecilda Veiga – uma das mulheres no fronte

Ela tem pouco mais de um metro e meio. Corpo franzino e cabelos ralos. O físico frágil não a impediu de integrar um grupo de ativistas em defesa dos direitos humanos em Belém, capital do Pará, no período conhecido como de exceção na história política brasileira (1964-1985). O raciocínio articulado que recompõe com entusiasmo fatos históricos, ganha forma a partir de uma voz suave. 

Ao lado de outras mulheres como Marga Rothe, Eneida Guimarães, Rosaly Brito, Regina Lima, Ana Célia Pinheiro, Isabel Cunha, a professora do Instituto de Filosofia e de Ciências Humanas da Universidade Federal do Pará (UFPA), Hecilda Mary Ferreira Veiga ajudou a fundar a Sociedade de Defesa de Direitos Humanos (SDDH), e militou no PC do B e na Ação Popular (AP). Num instante em que o PCdoB e a AP rivalizavam a hegemonia da esquerda com o PCB. 

Além de Hecilda e seus pares mais próximos, é conhecida na história do Pará a atuação do ex-deputado e escritor Benedito Monteiro, o professor e escritor Joao de Jesus Paes Loureiro, Cláudio Barradas, Ronaldo e Ruy Barata e Raimundo Jinkings contra o regime. A pessoa que se depara com a educadora nos corredores da UFPA não imagina as agruras que a mesma passou nos cárceres durante a ditadura militar.

“Eu acho que meu coração ainda é de estudante, como diz a música de Milton Nascimento.” Assim a professora começa a narrar a experiência que viveu durante o período da ditatura civil militar. Antes, tira da bolsa um lenço branco decorado nas bordas com pequenas flores coloridas. Põe em seu colo, lugar mais acessível às mãos, que livres poderá usá-lo caso precise.

O narrar da história se faz a partir da construção de fatos. É um desenrolar de lembranças de homens, mulheres e crianças que fazem parte desse enredo, mas o que se observa é que o protagonista da memória oficial, ao longo de muito tempo, teve um narrador, a figura masculina.

Elas não são de Atenas

“Mirem-se no exemplo / Daquelas mulheres de Atenas / Vivem pros seus maridos / Orgulho e raça de Atenas”. A música de Chico Buarque, em tom irônico, demonstra como a sociedade define o papel da mulher. Ao longo dos tempos, elas foram relegadas ao anonimato e ao esquecimento, o que se observa em um dos episódios mais recentes e brutais da história brasileira.

Mulheres que transgrediram a ordem e o progresso ditado pelo governo foram torturadas. Por serem mulheres, as torturas tinham o objetivo de degradar a alma feminina. O corpo nu ficou à mercê do torturador, as humilhações, a violência psicológica e sexual não pouparam mães, freiras, jovens, nem mesmo grávidas.

Sim, grávidas. Foi o caso da paraense Hecilda Veiga. “Quando fui presa, minha barriguinha de cinco meses de gravidez já estava bem visível. Fui levada à Delegacia da Polícia Federal, onde, diante da minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles, comecei a ouvir, sob socos e pontapés: ‘Filho dessa raça não deve nascer.”

O testemunho está no livro “Luta, substantivo feminino”. A obra faz parte do relatório “Direito à memória e à verdade”, realizado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos e de Políticas para Mulheres. Nele, há histórias de vida e morte de 45 mulheres brasileiras que lutaram contra a ditatura militar e o testemunho de 27 sobreviventes que narram com coragem os horrores que sofreram nos porões da ditatura.

Hecilda Veiga lutou contra o regime juntamente com seu esposo Paulo Fontelles, assassinado em 11 de junho de 1987, a mando da União Democrática Ruralista (UDR). Paulo, nessa época, advogava as causas camponesas e estava à disposição da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no sul do Pará.

Marido e mulher eram militantes na Ação Popular Marxista-Leninista (APML). O casal foi para Brasília, onde ficaria mais próximo dos acontecimentos políticos. Ela estudava Ciências Sociais, ele Direito na Universidade de Brasília (Unb). Mas, em outubro de 1971, foram presos. Neste ano, começou a história de coragem e luta pela dignidade humana não só de Hecilda, mas de muitas Marias, Anas, Lúcias, Teresas...

Naquele momento havia um interesse e curiosidade em tudo que acontecia. Havia uma atmosfera contra as condições coloniais em vários cantos do mundo, e pela ampliação dos direitos civis. Havia substância. Preocupava-se com um caminho para uma revolução brasileira. Em Brasília causava estranheza para o pessoal que a gente da Amazônia conhecesse a última canção do Chico Buarque. Os debates eram candentes e acalorados. Tive dificuldades em voltar para a universidade a experiência do cárcere. As coisas que sofri e vi foram terríveis.

1971 – prisão em Brasília

“Fomos convidados pela direção do partido para ajudar a oxigenar a luta. Morávamos na própria universidade, num alojamento destinado a casais. Não tardou, eu e o Paulo assumimos a condição de lideranças para reavivar os centros acadêmicos livres. As medidas encaminhadas pelo professor Darci Ribeiro haviam sido refreadas, e parte do quadro de professores demitida, e outra seguiu para o exílio no exterior” rememora Veiga. 

A professora pondera que em Belém ocorria uma gravitação de pessoas em torno da Faculdade de Ciências e Letras da UFPA, e que havia uma série de representações estudantis em Belém que agitavam a mobilização em oposição do regime. “A Escola Paes de Carvalho tinha tradição de pessoas articuladas, entre elas recordo da Zélia Amador, Cristóvão, Pipira (Medicina), Mauro Brasil, Ubiratan Barbosa. Promoveram ocupações de alguns prédios públicos aqui em Belém em protesto contra a violência da ditadura. Neste momento recuperamos o Centro popular de Cultura (CPC),” recorda. 

Sobre a prisão e tortura, em relato publicizado na internet, a professora narra que: 
“Fui levada ao Pelotão de Investigação Criminal (PIC), onde houve ameaças de tortura no pau de arara e choques. Dias depois, soube que Paulo também estava lá. Sofremos a tortura dos “refletores”. 

Noutro momento ilustra que “Eles nos mantinham

acordados a noite inteira com uma luz forte no rosto. Fomos levados para o Batalhão de Polícia do Exército do Rio de Janeiro, onde, além de me colocarem na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui submetida à 'tortura cientifica', numa sala profusamente iluminada. A pessoa que interrogava ficava num lugar mais alto, parecido com um púlpito. Da cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios.”

“As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis: calor, frio, asfixia. De lá, fui levada para o Hospital do Exército e, depois, de volta à Brasília, onde fui colocada numa cela cheia de baratas. Eu estava muito fraca e não conseguia ficar nem em pé nem sentada. Como não tinha colchão, deitei-me no chão. As baratas, de todos os tamanhos, começaram a me roer. Eu só pude tirar o sutiã e tapar a boca e os ouvidos. Aí, levaram-me ao hospital da Guarnição em Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia. Foi uma experiência muito difícil, mas fiquei firme e não chorei, encerra Hecilda.”

Lenço branco

Contar o que foi 1968 faz parte da memória coletiva. Enfrentar o passado é o primeiro passo para que a sociedade entenda os fatos ocorridos e, assim, não permita que crimes contra a humanidade voltem a acontecer, argumenta Hecilda.

“Eu tinha certa dificuldade de falar sobre isso, mas já passou aquela fase mais difícil dos primeiros tempos. Mas eu acho que é preciso que a gente conte tudo isso para que não se repita mais. Poxa, quantas vidas interrompidas! A vida de uma geração. Até hoje fico muito comovida quando ouço a música 'Coração de estudante': ‘Podaram seus momentos, desfiaram seus destinos’. A sensação que eu tenho até hoje é essa, de que eu estou correndo contra o tempo, por que eu tive a minha vida acadêmica interrompida. Eu concluí meu curso depois de 15 anos. E, apesar disso, eu ainda posso dizer ‘ah, eu sobrevivi’, mas quantos outros não sobreviveram?”

Hecilda Veiga hoje é professora de Ciência Política na UFPA, local em que, por coincidência ou não, iniciou a carreira de militante antes de ir a Brasília, em 1968. Como ela, muitas mulheres lutaram e buscaram um país mais justo para todos os brasileiros, especialmente para as mulheres.

Hoje, ela conta sua história. Outras tiveram destinos parecidos, como Inês Etienne Romeu, a única sobrevivente da “Casa da Morte”, em Petrópolis, estado do Rio de Janeiro. E, ainda, outras tiveram suas vidas interrompidas durante um dos momentos mais obscuros da história brasileira, como a sindicalista rural Margarida Maria Alves, morta em 1983 na Paraíba por pistoleiros, a mando de fazendeiros da região.

O que tiramos de tudo isso? Que os direitos das mulheres no Brasil foram conquistados em meio à luta, à dor e resistência e, em muitos casos, sob julgo e morte. O que moveu essas mulheres? O espírito de transformação, da indignação ante a barbárie e a injustiça. E de todas essas histórias ficará o ensinamento da professora Hecilda: é preciso contar sempre, para que episódios como esses nunca mais se repitam. Ao final, a professora devolveu o lenço à bolsa. Não precisou usá-lo.

*Lilian Campelo é jornalista; Rogério Almeida é autor do livro Pororoca pequena – marolinhas sobre a (s) Amazônia (s) de Cá\2012 e anima o blog Furo. Entrevista: Lilian Campelo e Luena Barros (jornalistas) Dilermano Gadelha (estudante de jornalismo da UFPA
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21752

Fernando Bezerra Coelho pede prudência dos aliados ao fazer críticas

18.03.2013
Do portal do DIARIO DE PERNAMBUCO
Por Aline Moura 

Ministro da Integração Nacional participou de reunião com 50 prefeitos pernambucanos. Foto: Aline Moura/DP/D.A Press (Aline Moura/DP/D.A Press)
Ministro da Integração Nacional participou de reunião com 50 prefeitos pernambucanos. Foto: Aline Moura/DP/D.A Press
O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, reuniu-se nesta segunda-feira (18) com cerca de 50 prefeitos do interior pernambucano para discutir medidas emergenciais de combate à seca. Na ocasião, ele pediu prudência e disse ser injusto o tom das críticas usado pelo gestores presentes em relação às ações do governo federal. 

O ministro falou após ouvir a opinião de vários prefeitos. "É preciso ter cuidado ao expressar as cobranças porque parece que não tem política nenhuma do governo federal. E foi a partir do PAC que o Nordeste teve o direito a fazer os maiores investimentos de infraestrutura hídrica, como Adutora do Oeste. Só essa adutora está orçada em 1/3 da transposição do Rio São Francisco, que custará mais de R$ 2 bilhões", declarou.

Em tom conciliador, Fernando Bezerra pediu apoio dos municípios e sugeriu que o presidente da Associação Municipalista de Pernambuco, José Patriota, conversasse com outras associações para marcar um encontro em Brasília nesta próxima quarta. "Temos que evitar que essa seca puxe a região para traz. Estamos fazendo muitas obras, mas elas tem um tempo de realização e temos que pactuar pelo menos cinco ações com os municípios", afirmou, acrescentando que as ações envolvem contratação de carros-pipas, compra de ração animal, perfuração e recuperação de poços, além de hora-máquina. 

O presidente da Associação Municipalista de Pernambuco, José Patriota, disse, depois de se reunir com o ministro, que as ações do governo federal para amenizar os efeitos da seca têm "sido insuficientes". Segundo ele, o maior problema é a centralização dos recursos e a burocracia para a liberação das verbas. "As ações existem, mas são insuficientes. Quem mais sente o drama da seca são os municípios, as prefeituras e o dinheiro é centralizado e não temos capacidade de fazer as coisas de forma mais rápida e mais barata", declarou Patriota.

O presidente da Amupe contou ter sido incumbido pelo ministro para conversar com outras associações municipalistas e marcar um encontro em Brasília para discutir a seca. "Posso dar um exemplo da centralização. A Codevasf faz um esforço enorme, tem poços perfurados, sem instalar", protestou. 

Segundo o presidente, o cartão que será disponibilizado para o governo federal para ajudar os municípios em medidas emergenciais deve ter um valor equivalente a uma parcela do Fundo de Participação dos Municípios. "Nós ainda não sabemos o montante, mas não pode ser apenas uma parcela". O governo estadual disponibilizou, do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Municipal, uma parcela referente ao FPM para os municípios. "Se o governo do estado liberou, porque o governo federal não pode liberar mais do que isso?"

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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/politica/2013/03/18/interna_politica,429225/fernando-bezerra-coelho-pede-prudencia-dos-aliados-ao-fazer-criticas.shtml

De bicicleta para o trabalho

18.03.2013
Do blog TRANSPORTE ATIVO, 29.09.2008
Por  Denir


Passamos pela Semana Brasileira da Mobilidade, cuja data máxima foi o Dia sem Carros. “O objetivo deste movimento é chamar a atenção para a necessidade de se repensar o modelo de mobilidade que estamos aplicando em nossas cidades desde o advento do automóvel no início do século passado” (Rua Viva, Carta aos Municípios Brasileiros, 14.jul.2008).
A valorização do uso da bicicleta tem sido um dos principais eixos desta mudança pretendida. Contudo, a realidade diária torna esta mudança inviável para muitas pessoas, por barreiras que se firmam ou no preconceito ou, sobretudo, no desconhecimento. O que fazer para ir de bicicleta para o trabalho? O que as empresas devem fazer? O que as pessoas precisam saber? Foi pensando nisto que a Associação Transporte Ativo e o Mountain Bike BH elaboraram o Guia De bicicleta para o trabalho.
De bicicleta para o trabalho
Trabalhamos desde fevereiro para lançar o Guia como parte dos eventos da Semana da Mobilidade e Dia sem Carros.
Traduzimos dois manuais estrangeiros, fizemos adaptações para nossa realidade e preparamos um leiaute especial, para acrescentar leveza e beleza ao conteúdo. Com isto, conseguimos produzir um documento exclusivo, único em língua portuguesa, que se iguala ao que existe de melhor em outros países.

Quais são as respostas para aquelas desculpas clássicas que as pessoas dão para não usar a bicicleta? Veja se sua bicicleta está preparada para o trabalho. Como você pode atuar dentro da empresa para criar uma cultura pró-bicicleta? Você sabia que, como política de incentivo, empresas no exterior financiam a compra de bicicleta por seus funcionários? Que há abonos e horas de folga cumulativas para quem vai de bicicleta para o trabalho??
Confira tudo isto e muito mais no Guia De bicicleta para o trabalho
Veja também o cartaz “Respostas para desculpas clássicas“. Esta seção do guia foi especialmente selecionada para que você possa divulgar entre colegas de trabalho. Imprima colorido e coloque no mural de avisos do seu local de trabalho!! Para fazer um “dia sem carros” todos os dias.
Visite logoMTBBH

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Fonte:http://zip.net/bvjCWC