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sexta-feira, 8 de março de 2013

VEJA’ & ‘CARTA CAPITAL’: Porrete da adjetivação deforma jornalismo


08.03.2013
Do portal do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 05.03.13
Por Carlos Chaparro,  na edição 736

Reproduzido do blog do autor, 27/2/2013; título original “Porrete da adjetivação deforma jornalismo de Vejae Carta Capital”

O croata-peruano Juan Gargurevich, jornalista, historiador de jornalismo e mestre em Comunicação, é autor de referência na bibliografia latino-americana sobre jornalismo. Em um dos seus livros (Géneros Periodísticos, Quito Equador, 1982) propôs uma classificação de classes de textos na qual inclui a espécie “Campanha” como gênero jornalístico – tolice que ele próprio quase em seguida corrigiu. No mesmo capítulo, ao detalhar as características desse tipo de texto, Gargurevich reconheceu que, embora frequente na mancha impressa do noticiário, os textos por ele classificados como “Campanha” não poderiam ser incluídos nas formas discursivas do jornalismo, pelo simples motivo de que lhes faltam as substâncias de essência do jornalismo: a clareza e a honestidades da independência.

Qualquer texto de “Campanha”, quando mascarado de jornalismo, é, na verdade, fraude do jornalismo. E esse é o risco assumido por duas das nossas principais revistas semanais, Veja e CartaCapital – mais aVejado que a CartaCapital, na qual o principal peso editorial está no texto argumentativo do articulismo autoral, classe de texto ao qual menos se aplica a crítica que aqui faço. Mas quando a pauta da revista de Mino Carta se abre à reportagem, também ela segue, com frequência, a “receita” do jornalismo da Veja, usada na perspectiva ideológica inversa: a de impor à narração jornalística, como condição prévia, a obrigação de exaltar as ideias e ações do PT e de seus governos, e de execrar quem delas discorda. E o faz sem meias palavras, na base de adjetivação agressiva, por vezes ofensiva.

Assim, a serviço de posições antagônicas política e ideologicamente assumidas, as duas revistas decidem pela mesma lógica em assuntos tratados como “reportagem”: revestem de propaganda até a qualidade jornalística da investigação. E com o porrete da adjetivação depreciativa, que nada elucida, deformam a estética narrativa da boa reportagem, impondo-lhe tom e amarras de argumentação panfletária.

Quando assim é, as duas revistas rivais, em vez de jornalismo, fazem propaganda de campanha, submetendo a seleção e a articulação das informações a filtros pelos quais só passa o que convier aos objetivos políticos, partidários ou ideológicos da pauta. Até as informações mais valiosas (quase sempre bem investigadas) acabam sendo contaminadas pelo vírus da suspeição, dada a preponderância do viés propagandístico (contra ou a favor) que dá tom às reportagens. 

Em especial na Veja, a constância desse viés em pautas e edições sucessivas cola no jornalismo político da revista o já irrecusável rótulo de “campanha”– contra tudo e qualquer coisa que cheire a Lula e PT.

Na reportagem sobre a visita da blogueira cubana Yoani Sánchez ao Brasil, o jornalismo de campanha começa pelo título: “A guerreira e os fanfarrões” – perfeito para panfleto militante, seja lá de esquerda ou de direita. Depois, na abertura da reportagem, o discurso argumentativo toma conta do texto e escancara, nas trinta primeiras palavras, o objetivo de campanha que o orientava:

“A dissidente cubana Yoani Sánchez encontrou no Brasil uma raridade, jovens manipulados para defender uma ditadura. Viu patetas fantasiados de Che Guevara tentando, aos berros e à força, impedi-la de falar”.

Ora, manifestações de “jovens manipulados”, contra ou a favor de ditaduras, nada têm de raridade; e de “patetas” (tolos, parvos, burros...) aquela gente também nada tinha. Manipulados ou não, equivocados ou não, aqueles manifestantes sabiam muito bem o que queria. E realizaram ações que, na avaliação deles, alcançaram sucesso.

Para a reportagem de cobertura do mesmo acontecimento,CartaCapitalescalou a repórter Cynara Menezes, jornalista de ótimo texto. Descontado o título-rótulo (“A blogueira favorita da mídia”),que não deve ter sido dela, mas dos ideólogos da revista, Cynara fez uma reportagem lúcida, criativa e honesta, que pode ser exibida como um bom exercício de independência intelectual. 

Ainda assim, não escapou à tentação da porretada, no que toca à adjetivação ideologizada. Às tantas, Cynara perturba a fluência e a lucidez da sua reportagem com a seguinte concessão à vulgarização estilística do adjetivo porrete:

“Na Câmara dos Deputados, posou ao lado do que há de pior na política brasileira, como o líder ruralista Ronaldo Caiado e o brucutu homofóbico Jair Bolsonaro”.

Conclusões

1) A asseveração jornalística e crítica das duas revistas, que no plano dos fatos raramente pode ser desmentida, seria bem mais convincente e contundente se os relatos dos conflitos circulassem embalada em precisa e honesta narração. 

2) Mesmo no articulismo, onde o que importa é a opinião clara, fundamentada e assumida de quem subscreve os textos, os respectivos cacoetes do adjetivamento ideológico manifestam-se por vezes de maneira decisiva, prejudicando o mérito das ideias.

3) De alguma forma, e apesar das autoproclamações de independência dos dois lados, esse é um jornalismo dependente. De viseiras. 

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[Manuel Carlos Chaparro é jornalista, doutor em Ciências da Comunicação e professor de Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo]
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Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed736_porrete_da_adjetivacao_deforma_jornalismo

NIRLANDO: SURTOS DE BARBOSA SÃO “JOGO DE CENA”

08.03.2013
Do portal BRASIL247
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/95634/Nirlando-surtos-de-Barbosa-s%C3%A3o-%E2%80%9Cjogo-de-cena%E2%80%9D.htm

MINO SOBRE CHÁVEZ: UM NOTÁVEL EXEMPLO

08.03.2013
Do blog  CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Chávez, ao contrário dos brasileiros, enfrentou o PiG.


Conversa Afiada reproduz editorial de Mino Carta na Carta desta semana:

NOTÁVEL REFORMADOR


O Brasil tem um ponto em comum com a Venezuela: o brutal desequilíbrio social. Havia outro até data recente, representado pela extraordinária semelhança entre a mídia venezuelana e a brasileira, uma e outra a serviço da oligarquia e da treva, sempre e sempre dispostas a inventar, omitir e mentir. Se hoje não há como alegar esta inglória parecença, é porque Hugo Chávez, ao contrário do governo do Brasil, decidiu enfrentar o inimigo.

No momento, mais da metade dos órgãos de comunicação venezuelanos são públicos, o que permite restabelecer um razoável equilíbrio entre as forças envolvidas nesta guerra. As palavras guerra e inimigo estão longe de ser exageradas. O ataque ao governo de Dilma Rousseff é feroz e diuturno, assim como foi a Lula e a Chávez. A mídia nativa, aliás, continua na ofensiva contra o líder venezuelano e celebra sua morte como se o odiado inimigo tivesse tombado no campo de batalha.

As razões são óbvias. Chávez, como Lula e Dilma, mexeu com os interesses da minoria privilegiada. Há diferenças entre o venezuelano e os brasileiros, ao contrário destes, aquele recorreu a formas autoritárias de poder. Mesmo assim, tratou-se de um formidável reformador e de um incentivador da unidade latino-americana a bem da independência do subcontinente, enfim livre da condição de quintal dos Estados Unidos.

Nem tudo na atuação de Chávez merece admiração, mas seus méritos estão expostos à luz do sol. Leio as diatribes ficcionais da nossa mídia, dizem que se tratou de um déspota populista. A definição é tão imprópria quanto foi batizar de “terrorista” quem lutou contra a ditadura civil-militar. Populista porque nacionalista ao defender o petróleo de seu país como fez Getúlio Vargas em 1952 ao criar a Petrobras? Ou populista porque condenou firme e inexoravelmente o neoliberalismo?

Tropecei na quarta 6 de março no delirante editorial da Folha de S.Paulo, que condenava o “populista” Chávez por causa do seu peremptório não ao neoliberalismo. Ora, ora, mas não foi a religião do deus mercado que nos mergulhou na maior crise econômica, política e social dos últimos dois séculos? Algo não menos assustador do que as epidemias de peste negra da Idade Média.

Ah, claro, populista por ter tirado da miséria uma larga fatia de venezuelanos, e por ter garantido assistência médica e hospitalar a todos os concidadãos, e por ter erradicado o analfabetismo. Tal é a linha da mídia nativa, exército dos barões. O jornalismo há de se basear no respeito da verdade -factual, no exercício do espírito crítico e na fiscalização do poder. Os barões midiáticos e seus regimentos desrespeitam a verdade factual e submetem o espírito crítico aos seus dogmas e preconceitos. Quanto à fiscalização do poder, cuidam de investir de arma em punho contra quem ali está há dez anos, depois de ter elevado à glória dos altares o governo tucano de FHC e tornado motivo de culto todas as suas mazelas.

Creio não ser árduo perceber que estamos a assistir, há dez anos, a uma ofensiva bélica, em pleno desrespeito às regras éticas do jornalismo e do senso de responsabilidade imposto pela consciência da cidadania. Não nos defrontamos simplesmente com uma mídia a serviço da oposição, e sim com uma artilharia capaz de executar seu bombardeio sem solução de continuidade.

De uns tempos para cá, me ocorre, de quando em quando, perguntar aos meus perplexos botões se o governo tem vocação de mulher de apache. Estão pasmos, admitem, com tanta leniência, ou paciência, ou resignação. E se declaram perdidos como um pesqueiro ao largo da costa escocesa, em uma madrugada invernal a 20 graus abaixo de zero, em meio à névoa mais espessa e sem apito. Aos leitores sugerem uma pausa de meditação à página 16 desta edição, para inteirar-se da reflexão de Mauricio Dias na sua Rosa dos Ventos.

Ali, entre outras considerações muito oportunas, Mauricio evoca uma entrevista que ambos fizemos com Hugo Chávez, em 2006. Recordo um maciço indivíduo, de carisma explosivo e fala fluente, a dizer coisas que faziam sentido.

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/pig/2013/03/08/mino-sobre-chavez-um-notavel-exemplo/

PERILLO ABRIU PROCESSOS CONTRA 3 JORNALISTAS NA CRISE CACHOEIRA.ARTIGOS DE O POPULAR LEVARAM À INTERPELAÇÃO

08.03.2013
Do portal do DIÁRIO DE GOIÁS, 04.06.12
Por ALTAIR TAVARES 


O governador Marconi Perillo adotou uma estratégia de processar jornalistas, no meio da crise causada pela Operação Monte Carlo, e na iminência do depoimento à CPI do Cachoeira. Recentemente, duas ações buscam indenização por dano moral e uma interpelação por causa de trechos de 2 artigos publicados em O POPULAR, de Goiânia
A jornalista de O Popular, Fabiana Pulcinelli, foi acionada por uma interpelação judicial no dia 22 de maio. Henrique Morgantini, do jornal O Anápolis, foi processado com pedido de indenização, no dia 29 de maio.
Na interpelação do governador Marconi Perillo(PSDB) à jornalista de O POPULAR, Fabiana Pulcineli, a advogada Suele Menezes Apolinário Silva, solicita que sejam feitos esclarecimentos sobre trechos de dois artigos publicados nos dias 14 e 21 de maio passados.
O Diário de Goiás reproduz os trechos, conformes consta na interpelação.
No artigo do dia 14 de maio, a jornalista publicou que:
“A semana, porém, foi de sucessivos revezes para o governo. Não só apareceram fatos novos sobre a relação de Marconi com Cachoeira – no caso da negociação da casa no Alphaville – como ganharam força os efeitos políticos do desgaste gerado pela Operação Monte Carlo no governo. Distanciamento e falta de apoio de aliados de peso, cobranças, ameaças e dificuldades na troca de secretários servem de alerta para o risco de isolamento político de Marconi, que pode ser intensificado nas próximas semanas, a depender das reações do governo e dos desdobramentos do caso no Congresso”
No mesmo artigo, cita outro trecho diz que: “Por mais que Jardel diga que Marconi atende bem os aliados e não é alvo de chantagem, o levante contra os auxiliares desgasta apenas o governador. Reforça a ideia de que não há comando e de que o governo está inerte, paralisado, com a crise”.
A interpelação movida por Perillo destaca, em outro trecho, que:
“os reflexos das denúncias também atingem em cheio o processo eleitoral deste ano. O governador sofreu grande queda da popularidade em Goiânia, como mostrou a pesquisa Serpes/O Popular na terça-feira, e os efeitos já se alastraram, ainda que em menor velocidade, para o interior, segundo relatos de aliados”.
Na ação, a advogada de Perillo selecionou outro trecho de artigo de Pulcineli, publicado no dia 21/05/12, em O POPULAR. Nele, a jornalista escreveu:
“Em Goiás, na quarta-feira, os deputados da base do governador Marconi Perillo (PSDB) foram ao Palácio Pedro Ludovico entregar nota de apoio e confiança ao govenador em função das denúncias de seu envolvimento e de integrantes de seu governo com Carlos Cachoeira. Não tem a mesma expressão, mas a nota bem que poderia ser resumida na mensagem de Vaccarezza a Cabral: “Não se preocupe, você é nosso e nós somos teu”.(Grifos da Advogada)
A advogada de Perillo alega que ele não foi denunciado e nem muito menos tem envolvimento com Carlos Cachoeira, por isso, interpela a jornalista para que ela explique, nos termos do Artigo 222, do Código do Processo Civil, os temos utilizados. No fundo, o governador se sentiu ofendido.
O jornalista Mino Pedrosa, do site www.quidnovi.com.br, que divulgou o áudio de negociações telefônicas entre Cachoeira e Garcez em uma suposta entrega de dinheiro numa caixa de computador na sede do governo do Estado, também recebeu processo de indenização, impetrado no dia sete de maio.
Ao Diário de Goiás,  Henrique Morgantini interpretou a iniciativa do governador como uma forma de intimidação contra ele e os jornalistas de Goiás. Mas, disse ele, tal fato não vai interferir na atitude profissional dele. O jornalista já foi processado por Perillo, em 2010 por um inusitado processo de "propaganda negativa extemporânea".
Em processo recente, Perillo conseguiu uma decisão liminar que retirou uma entrevista, integralmente, do site da Rádio 730 (www.portal730.com.br). (LEIA AQUÍ).
A mesma entrevista caiu no Youtube e está entre vídeos muito acessados, com conteúdo direcionado para Goiás.(VEJA AQUÍ)
Veja imagens dos processos:
Marconi Perillo X Mino Pedrosa
b_300__16777215_00_images_stories_documentos_MonteCarlo_Processo201201621334PerilloXMinoPedrosa.jpg
Marconi Perillo X Fabiana Pulcineli, de O Popular - Goiânia
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Marconi Perillo X Henrique Morgantini, de O Anápolis
b_300__16777215_00_images_stories_documentos_MonteCarlo_processo201201842071marconixhmorgantini.jpg







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Fonte:http://diariodegoias.com.br/editorias/eleicoes-2012/615-perillo-reage-na-justica-contra-jornalistas

Chávez e o hidrófobo William Waack

08.03.2013
Do BLOG DO MIRO, 07.03.13
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

http://www.rnv.gob.ve/

Não se pode dizer que seja exatamente uma surpresa o fenômeno que passou a ser visto após o anúncio da morte de Hugo Chávez. Logo após esse anúncio, o título do texto aqui publicado já dizia que o venezuelano não morrera, mas que, antes, acabara de nascer – ou renascer –, agora como mito.

O fenômeno em tela é o de o ex-presidente, depois de morto, estar sofrendo um nível de ataques na mídia americanizada do Brasil – e nas de tantos outros países latino-americanos – que poucas vezes se viu quando estava vivo.

Foi surpreendente, porém, a virulência com que a edição do Jornal da Globo que foi ao ar entre a noite da última terça-feira e o começo da madrugada de quarta tratou o presidente recém-falecido.

O Jornal Nacional, poucas horas antes, fugiu de mostrar os avanços sociais na Venezuela durante a era Chávez, mas não enveredou pela hidrofobia sem limites que se viu no Jornal da Globo – telejornal destinado ao público que dorme e acorda mais tarde e que tem maior poder aquisitivo.

Abaixo, o texto hidrófobo lido pelo âncora do Jornal da Globo William Waack sobre um ser humano que acabara de perder a vida. Um texto desrespeitoso à Venezuela e à parcela esmagadora de seu povo que apoiou o ex-presidente até seu último suspiro e que continua apoiando, agora na figura de Nicolás Maduro, provável herdeiro político de Chávez.

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JORNAL DA GLOBO

http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2013/03/hugo-chavez-morre-aos-58-anos.html

Willian Waack

5 de março de 2013

Hugo Chávez nunca reclamou quando o chamaram de caudilho, embora preferisse o título de comandante revolucionário. Como todo caudilho sul-americano, a revolução era ele.

O dono de um tal de socialismo bolivariano, que ninguém, nem mesmo Chávez, foi jamais capaz de explicar. Começou a carreira como muitos militares do continente, dando um golpe, descontente com políticos e elites tradicionais, que jamais, no caso da Venezuela, foram capazes de distribuir a grande riqueza do país: petróleo e energia.

Chávez fracassou na primeira tentativa de chegar ao poder, em 1992, mas não desistiu. Escolheu a marcha através das instituições formais da democracia como maneira de atacar a própria democracia, que, no entendimento dele, o caudilho bolivariano, só servia apenas aos interesses de quem ele declarava seus inimigos.

Em 1999, eleito presidente, Chávez não perdeu tempo. Convocou uma Assembleia Nacional Constituinte com a qual forjou as ferramentas que o manteriam no poder até o fim da vida.

Um de seus principais alvos era a imprensa independente: Hugo Chávez ganhou um lugar na já repleta história de caudilhos sul-americanos incapazes de conviver com o contraditório e a liberdade de imprensa.

Para ele, pouco importava: admirador dos irmãos Castro e do experimento ditatorial de Cuba, Chávez achava que a revolução social que tinha como propósito justificaria o emprego de qualquer meio. Foi beneficiado por uma extraordinária conjuntura internacional, que favoreceu a principal — quase única — fonte de renda do país: o petróleo.

Chávez transformou a então bem gerida e produtiva PDVSA, a estatal do petróleo, em um braço político dedicado ao distributivismo típico dos caudilhos preocupados apenas com a própria popularidade.

A indústria venezuelana ficou pelo caminho, a corrupção tornou-se ainda pior do que no regime político anterior, a inflação ficou sendo uma das maiores da América do Sul, mas Chávez continuava repetindo: “adelante siempre”.

Fez escola entre outros países ricos em energia, como Equador e Bolívia, onde conquistou adeptos. Tratou de exportar seu modelo para outro país rico na história em caudilhos, a Argentina.

Declarou os Estados Unidos da América como o pior inimigo da Venezuela. Protagonizou um dos piores momentos da Assembleia Geral das Nações Unidas, ao dizer que onde o então presidente americano George W. Bush havia acabado de discursar ainda prevalecia o cheiro de enxofre, o cheiro do diabo.

Sua maior desmoralização internacional, no entanto, ocorreu nas mãos do rei da Espanha, Juan Carlos, que o mandou se calar. Chávez quase foi derrubado em 2002 por um mal-articulado golpe militar no qual ele identificou a mão do império, a mão dos Estados Unidos.

Rompeu relações diplomáticas com Israel e estreitou laços com o Irã. Tornou-se muito popular em Moscou com as pesadas compras de armas, e um inimigo da vizinha Colômbia, que o acusava de abrigar, armar e ajudar os narcoguerrilheiros das Farc.

Encontrou no governo petista do Brasil um aliado confortável em várias iniciativas no continente, como a expansão do Mercosul, através de um truque diplomático articulado contra o Paraguai.

Faltou, porém, com a palavra dada a um de seus maiores amigos, o ex-presidente Lula, com quem combinou construir uma refinaria em Pernambuco. Até hoje, o aporte financeiro prometido por Chávez não se materializou, obrigando a Petrobras a tocar sozinha o projeto.

Ajudado por uma oposição desarticulada, desmoralizada e vítima também de perseguições, Chávez dominou a Venezuelal, mas não conseguiu realizar o tal do socialismo bolivariano, inspirado na figura de Simon Bolívar, que ele mandou exumar e venerava como um santo.

Como todo caudilho, embevecido de si mesmo, Chávez detinha a última palavra em qualquer assunto. Tinha a certeza de que seu nome, e a inspiração aos camisas vermelhas, seria o suficiente para levar a Venezuela a um grande futuro, pelo qual o país — dividido, traumatizado, empobrecido e violento — continua esperando.

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Um aspecto interessante desse texto lido por Waack no ar é que, a certa altura, parece lamentar o insucesso da tentativa de golpe de Estado contra Chávez em 2002 ao dizer que ele “Quase foi derrubado em 2002 por um mal-articulado golpe militar no qual ele identificou a mão do império, a mão dos Estados Unidos”.

A quantidade de distorções dos fatos contida na cobertura da Globo e do resto da grande mídia sobre o que foi o governo Chávez, é imensurável. Essa afirmação de que foi o venezuelano que “identificou” a interferência dos EUA na tentativa de golpe que sofreu, é hilária.

A tentativa de golpe contra Chávez em 2002 foi publicamente condenada pelas nações latino-americanas (os presidentes do Grupo do Rio se reuniram em San José, Costa Rica, na época, e emitiram um comunicado conjunto de repúdio ao golpe) e pelas organizações internacionais.

Apenas os Estados Unidos e a Espanha rapidamente reconheceram o governo de facto da Venezuela, agora presidido pelo rico empresário Pedro Carmona, presidente da Fiesp venezuelana, a “Fedecámaras”.

Como primeira medida, o “presidente” Carmona fechou o Congresso e a Suprema Corte de Justiça do país e reprimiu, com tropas leais, as manifestações pró-Chávez que tomaram Caracas, com a população descendo dos morros que circundam a cidade para irem protestar diante do Palácio Miraflores, sede do governo venezuelano.

E para que fique absolutamente claro que a participação dos EUA no golpe não foi uma invenção de Chávez, basta ver notícia que o portal da mesma Globo na internet, o G1, publicou em 2009. Leia, abaixo, trecho da matéria.

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Jimmy Carter diz que EUA sabiam de golpe contra Hugo Chávez em 2002

G1

20 de setembro de 2009

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1311305-5602,00-JIMMY+CARTER+DIZ+QUE+EUA+SABIAM+DE+GOLPE+CONTRA+HUGO+CHAVEZ+EM.html

Os Estados Unidos estavam sabendo do golpe que quase derrubou o presidente venezuelano Hugo Chávez em 2002, e talvez tenham até apoiado a frustrada tentativa, declarou o ex-presidente americano Jimmy Carter em entrevista publicada neste domingo (20) pelo jornal colombiano “El Tiempo”.

“Acho que não há dúvidas sobre o fato de que em 2002 os Estados Unidos estavam sabendo, ou tiveram participação direta, no golpe de Estado”, disse Carter ao jornal. Assim, as críticas de Chávez contra os Estados Unidos “são legítimas”, destacou o ex-dirigente democrata, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2002.

(…)

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Parece-me material suficiente para que, ao menos, a Globo não atribuísse só a Chávez a acusação de que os Estados Unidos foram parte integrante da tentativa fracassada de golpe em 2002 na Venezuela, certo?

É claro que o que o Jornal da Globo apresentou não foi uma reportagem, mas um editorial capenga, cheio de furos e que, se fosse publicado em uma televisão norte-americana, seria passível de ser contestado no ar por qualquer cidadão que se sentisse prejudicado, como determina o Federal Communications Commision (FCC), órgão regulador das comunicações eletrônicas naquele país.

Mas isso é nos EUA, que, como todos sabem, é um país “marxista”…

Voltando à dura realidade brasileira, no mesmo Jornal da Globo ainda tivemos Arnaldo Jabor com mais opinião e ainda menos fatos, vociferando sem parar contra Chávez, omitindo, distorcendo, inventando etc.

Nos blogs e sites, os antichavistas pareceram ter enlouquecido com a imortalidade recém-adquirida por Chávez. Virulentos, pornográficos, hidrófobos ao impensável, mentecaptos de todas as idades e de todas as regiões do país tentavam se superar em palavrões, insultos e praguejamentos diversos contra um ser humano que acabara de falecer e que, segundo informações minimizadas e distorcidas da Folha de São Paulo do dia seguinte, reduziu a pobreza na Venezuela de 20% para 7%.

Tanto o telejornalismo da Globo quanto os grandes jornais impressos do dia seguinte simplesmente não deram uma linha sobre o fato de que Chávez conseguiu os maiores avanços em termos de redução da pobreza, da miséria e de distribuição de renda na América Latina, sem falar do feito histórico de ter acabado com o analfabetismo em seu país, conforme referendo público da Unesco.

A impressão que o noticiário sobre a morte de Chávez deu a qualquer um que assistiu ou leu – mesmo às pessoas despolitizadas –, foi de surpresa. Muitos não conseguiram entender a razão de tanto ódio contra alguém que acabara de deixar a vida para entrar na história.

A explicação, porém, já foi dada aqui mesmo poucas horas após o falecimento de Hugo Rafael Chávez Frías: morto, está mais poderoso do que nunca. É relativamente simples destruir os vivos – ainda que, às vezes, como no caso de Chávez ou do próprio Lula, nem tanto. Mas é praticamente impossível destruir um mito.

O que se viu e ainda será visto nos próximos dias, semanas e até anos em termos de hidrofobia político-ideológica contra o falecido Chávez, portanto, não passa de um medo absolutamente visceral que a direita sente de um homem que ergueu a América Latina social e economicamente.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/03/chavez-e-o-hidrofobo-william-waack.html

Presidenta da República tem 48 horas para promulgar nova lei dos royalties

08.03.2013
Do portal da Agência Brasil, 07.03.13
Por Iolando Lourenço*


Brasília - Com a derrubada dos 142 vetos da presidenta Dilma Rousseff pelo Congresso Nacional, na madrugada de hoje (7), o Brasil terá uma nova lei disciplinando a distribuição dos royalties do petróleo. Caberá agora ao presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), comunicar à presidenta da República a derrubada dos vetos para que ela faça a promulgação e mande para publicação a nova lei.
De acordo com os parágrafos 5º e 7º do Artigo 66 da Constituição Federal, o presidente da República tem 48 horas para promulgar o texto. Se isso não acontecer, caberá ao presidente do Congresso fazer a promulgação. A Constituição também estabelece que os dispositivos que haviam sido vetados entram em vigor após a promulgação e publicação da nova lei. Com isso, seus efeitos não retroagem à data da publicação da lei anterior.
Contudo, os parlamentares do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, além dos governadores dos dois estados, já anunciaram que vão acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) com mandados de segurança para tentar anular a sessão do Congresso que derrubou os vetos. Caso a medida não seja acatada pelo STF, os governadores vão ingressar com pedido de ação direta de inconstitucionalidade (Adin) questionando a legalidade das mudanças na legislação.
O texto aprovado por deputados e senadores sobre as novas regras de distribuição dos royalties do petróleo teve origem no Senado e foi relatado pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Na votação na Câmara, os deputados rejeitaram substitutivo apresentado pelo relator da matéria, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), e aprovaram o texto original do Senado. A proposta recebeu então 142 vetos da presidenta Dilma Rousseff. Os vetos desagradaram os parlamentares dos estados não produtores de petróleo. Com isso, as bancadas desses estados se mobilizaram para derrubar os vetos, o que acabou ocorrendo na madrugada de hoje.
Pelo texto original aprovado pelo Congresso, a União tem sua fatia nos royalties reduzida de 30% para 20%. Os estados produtores terão redução de 26,25% para 20%. Os municípios confrontantes (que fazem divisa com os produtores) sofrerão a seguinte redução: de 26,25% passam para 17% e chegam a 4% em 2020. Os municípios afetados pela exploração de petróleo também sofrerão cortes: de 8,75% para 2%. Em contrapartida, o percentual a ser recebido pelos estados e municípios não produtores saltará de 8,75% para 40%.
O projeto aprovado pelo Congresso prevê ainda a redistribuição da participação especial. Nesse caso, a União, mais uma vez, perderá parte de seus recursos. Os 50% a que tem direito hoje passarão a ser 42%. A partir daí, com a expectativa de aumento das receitas, a União voltará a ter a alíquota ampliada ano a ano.
Colaborou Ivan Richard
Edição: Carolina Pimentel

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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-07/presidenta-da-republica-tem-48-horas-para-promulgar-nova-lei-dos-royalties

Governo prepara regra para negociação coletiva e greve no serviço público

08.03.2013
Do portal da Rede Brasil Atual, 
Por Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual

Secretário acredita que fixação de regras pode reduzir nível de conflito. Em apenas sete meses do ano passado, foram realizadas 300 mesas de negociação  

Governo prepara regra para negociação coletiva e greve no serviço público
A discussão envolve cinco áreas do governo, que terão de definir entre uma série de visões jurídicas controversas (Foto: Marcello Casal Jr. Agência Brasil)
Brasília – O Decreto 7.944, referente à Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), foi publicado hoje (7) no Diário Oficial da União, mas há algum tempo o governo faz estudos para formular sua proposta de regulamentação da negociação no setor público, que deve vir acompanhada de proposições sobre o direito de greve. 
Cinco áreas do Executivo participam do debate: Casa Civil, Secretaria-Geral da Presidência, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Ministério do Trabalho e Emprego e Advocacia-Geral da União. O projeto ainda não tem data para sair, dada sua complexidade. Apenas no âmbito do Executivo civil, são aproximadamente 1,2 milhão de servidores, entre estatutários (Regime Jurídico Único) e celetistas.
"O regramento (da Convenção 151) não é auto-aplicável", observa o secretário de Relações do Trabalho, ligado ao Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça. Isso significa que é preciso adaptar os princípios da convenção à legislação brasileira. O caminho ainda é longo. Passa, primeiro, por consenso dentro do próprio governo, onde convivem visões jurídicas diversas sobre o tema. Depois ainda é preciso negociar com entidades sindicais, estados e municípios. E, claro, aprovar possíveis mudanças no Congresso. Ainda há questões e conceitos a resolver: estados e municípios, por exemplo, teriam de ser obrigados a negociar com seus servidores ou a lei deve apenas prever diretrizes?
Mendonça observa que qualquer negociação no setor público também deve considerar o respeito ao orçamento, que precisa ser votado no Parlamento. "Um acordo com os servidores não invade a prerrogativa legal do Congresso", diz. Apenas no ano passado, foram 32 termos de acordo negociados com diversas entidades, que resultaram em quatro projetos de lei. Em sete meses de gestão, em 2012, o secretário coordenou aproximadamente 300 mesas de negociação. Administrar o Direito administrativo com a negociação coletiva, como se pretende com a regulamentação, é uma tarefa "que exige perícia". 
O estabelecimento de normas claras é importante justamente para aperfeiçoar a negociação. "Muitas vezes o conflito se exacerba na mesa por falta de regras, de datas de referência. (A regulamentação) vai ajudar na composição do acordo e melhorar o diálogo. Com regras claras e transparentes e boa fé, a chance de diminuir o conflito é grande", avalia Mendonça. Para ele, já existe uma "cultura de diálogo" consolidada, mas é fundamental institucionalizar a negociação coletiva, até para que não haja um risco de retrocesso em caso, por exemplo, de mudança de governos.
Hoje, servidores não têm data-base. Recentemente, lembra o secretário, ficou estabelecido que projetos de lei decorrentes de negociação com o funcionalismo devem tramitar até 31 de agosto. O objetivo é criar também regras para o exercício do direito de greve, atualmente regido pela Lei 7.783, de 1989 – o que, por vezes, deixa a paralisação à mercê de interpretações judiciais diversas.
Em abril de 2010, o Congresso aprovou a Convenção 151 e a Recomendação 159 da OIT, sobre relações de trabalho na administração pública. Em junho daquele ano, o governo ratificou as normas. O passo seguinte foi dado agora, com a promulgação da convenção e da recomendação. O Executivo usa a expressão "pessoas empregadas pelas autoridades públicas", que abrange empregados aprovados em concurso público e regidos pela CLT, como os regidos pela Lei 8.112, de 1990 (Regime Jurídico Único). Também inclui servidores nos níveis estadual e municipal, "regidos pela legislação específica de cada um desses entes federativos". Aprovada em 1978, a convenção trata de direito de organização, condições de trabalho e solução de conflitos, entre outros temas.
O anúncio do decreto foi feito ontem à noite pelo Planalto, após reunião entre a presidenta Dilma Rousseff e dirigentes de seis centrais. A regulamentação da Convenção 151 era um dos itens da pauta apresentada pelos sindicalistas.

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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/trabalho/2013/03/governo-prepara-proposta-para-regulamentar-negociacao-no-servico-publico

Joseph Kennedy II: 'Graças ao presidente Chávez, dois milhões de pessoas nos EUA receberam calefação grátis'


08.03.2013
Do BLOG DO MELLO, 06.03.13
Postado por Antônio Mello 

Joseph P. Kennedy II, filho mais velho de Robert Kennedy, ex-membro da Câmara de Representantes de EUA, fundador de Citizens Energy Corporation (Corporação de Energia para os Cidadãos) e diretor geral da companhia desde 1998, depois de 12 anos de serviços como representante do 8º Distrito Congressional de Massachusetts, ao inteirar-se do falecimento do Presidente Chávez, emitiu a seguinte declaração:

"O presidente Chávez se preocupou muito pelos pobres da Venezuela e de todas as nações do mundo e suas necessidades, inclusive as necessidades mais básicas, enquanto algumas das pessoas mais ricas do planeta têm mais dinheiro do que nunca razoavelmente poderão gastar. Cerca de dois milhões de pessoas nos Estados Unidos receberam calefação grátis, graças à liderança do presidente Chávez.

"Nossas orações acompanham à família do presidente Chávez, ao povo da Venezuela, e a todos os que graças à sua generosidade puderam ter calefação".

Um porta-voz de Kennedy disse que Chávez e o povo de Venezuela doaram cerca de 200 milhões de galões de combustível de calefação através de uma colaboração de oito anos com Citizens Energy. A organização distribui combustível para calefação grátis a famílias de baixos rendimentos em 25 estados e em Washington D.C. [Fonte]
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Fonte:http://blogdomello.blogspot.com.br/2013/03/joseph-kennedy-ii-gracas-ao-presidente.html

Em guerra com os fatos imprensa latina se desmoraliza dia após dia

08.03.2013
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Os noticiários políticos e econômicos dos grandes meios de comunicação brasileiros e os do resto da América Latina deram mais um passo no processo de desmoralização em que mergulharam há cerca de uma década e no qual vão mergulhando cada vez mais fundo.
Logo após o anúncio da morte do ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez, a grande imprensa brasileira foi tomada por um acesso inexplicável de fúria e rancor.
A virulência do noticiário brasileiro se mostrou inexplicavelmente redobrada em relação a alguém que acabara de falecer, o que deveria gerar, se não respeito, ao menos prudente comedimento.
Não foi o que ocorreu. As “análises” dos telejornais – sobretudo os da Globo – sobre a Venezuela pós Chávez retrataram um país mergulhado no caos, na pobreza e na violência.
Imprudente, a dita “imprensa” corporativa pareceu nem suspeitar de que milhões de venezuelanos colocariam suas versões em xeque indo às ruas em comoção pela partida de um líder amado pela esmagadora maioria daquele povo.
Suponho que muitos devem ter presenciado cenas que presenciei nos últimos dias envolvendo pessoas de classe média pouco politizadas e que, como exceção, ainda dão crédito ao que os grandes veículos dizem sobre política, seja sobre a nacional ou a internacional
Muitos estão surpresos com a comoção e o carinho que os venezuelanos estão dedicando a um líder político eternamente acusado pelas mídias brasileira, latina, americana e europeia de tudo de ruim que se possa imaginar.
A pergunta mais recorrente que tem sido vista, é: se Chávez era tão ruim, por que seu povo demonstra tanta dor com a sua partida?
Esse fenômeno não ocorre só no Brasil. Como já foi dito, a grande mídia internacional também sempre vendeu essa história de que Chávez “destruiu” a Venezuela “em 14 anos de governo”, premissa que se choca com o que está sendo visto no país vizinho.
Timidamente, alguns poucos “colunistas” daqui e de toda parte tentam explicar o fenômeno alegando que os povos latinos são ignorantes e, assim, não conseguem avaliar o quanto Chávez era ruim.
Esse, porém, é um discurso perigoso pelo qual só os extremistas midiáticos de direita ousam enveredar. Os mais moderados preferem insinuar.
Apesar de a Venezuela ter produzido os maiores avanços sociais da última década na América Latina, para os “colunistas”, “editorialistas” e até “repórteres” dos grandes veículos de toda parte, isso pouco importa.
Apegam-se aos problemas econômicos que aquele país enfrentou devido à crise econômica internacional, já que depende muito do comércio exterior, ou da exportação de petróleo. E sempre ignorando que os problemas não chegaram ao povo que apoiou Chávez e que hoje chora por ele por ter melhorado drasticamente de vida sob seu governo.
A incompatibilidade sobre o que dizem as grandes mídias e a realidade, porém, não se resume a esse episódio. Aqui no Brasil, a mídia acaba de sofrer nova grave desmoralização por questões econômicas.
Na última quinta-feira, caiu o último de três cavalos-de-batalha midiáticos sobre a economia brasileira lançados entre o fim do ano passado e o começo deste: a produção industrial.
No último trimestre, a indústria brasileira, contrariando todas as previsões midiáticas, cresceu 2,5%. Pouco antes, os alarmismos sobre racionamento de energia e sobre um surto de inflação iminente já tinham caído.
O risco de racionamento que foi vendido como altamente provável, sumiu do noticiário. E a inflação sofreu um tombo sobretudo devido ao barateamento da energia elétrica.
Porém, para usar uma surrada frase de efeito, o fracasso parece que subiu à cabeça da direita midiática. Quanto mais suas previsões furadas se desmoralizam, mais ela reincide nelas.
A crença da direita latina na estupidez popular chega a ser messiânica.
Não é por outra razão que os partidos de direita e os de extrema esquerda que lhes servem de linha auxiliar vão minguando tanto no Brasil quanto no resto de uma América Latina que hoje é a região que mais avança econômica e socialmente em um mundo à beira do abismo.
A direita midiática parece não entender nada. Ao menos é o que dão a entender as suas “análises” desconectadas da realidade.
Incapaz de perceber que, para os povos da região, é assustador que avanços sociais sejam tratados como fatos secundários, subjacentes a critérios sobre as economias que não influem diretamente em suas vidas, a direita chafurda em um discurso catastrofista.
Aqui mesmo no Brasil, o tal de “pibinho” foi alvo de grandes apostas da direita midiática, como se alguns pontos percentuais a menos no Produto Interno Bruto pudessem anular o pleno emprego e o crescimento da renda que se vê nos países governados pela centro-esquerda.
No Brasil, porém, o governo Dilma nada de braçada. Poucos apostam nas chances da oposição no ano que vem, ainda que alguns colunistas se entreguem a devaneios. Já na Venezuela, a oposição direitista trabalha para perder de pouco a eleição do sucessor de Chávez.
Ainda no Brasil, o PSDB e o DEM, os principais partidos, encolheram assustadoramente no Legislativo, ainda que mantenham alguns governos estaduais importantes. Todavia, no quartel-general tucano, São Paulo, as expectativas não parecem promissoras.
Note-se que o parágrafo acima encontra concordância inclusive entre os analistas da grande mídia mais partidários do PSDB e do DEM. Entre outros jornalistas umbilicalmente ligados ao PSDB, a colunista da Folha de SP Eliane Cantanhêde concorda comigo.
É fácil entender a razão desse processo de desidratação da direita midiática latino-americana. Está sem outro discurso que não seja sobre “corrupção” ou o de negar todos os avanços que a região experimentou na última década.
No Brasil, particularmente, o discurso oposicionista-midiático sobre os avanços do país é ainda mais delirante, pois se alterna entre negar os fatos e, logo em seguida, aceitar os avanços mas atribuí-los ao governo Fernando Henrique Cardoso.
Nesse aspecto, vira e mexe eclode uma campanha midiática tentando “ressuscitar” FHC.
Na eleição para prefeito de São Paulo em 2010, a campanha de José Serra ensaiou pôr o ex-presidente na telinha para “avalizar” o candidato tucano, mas logo que viu o resultado ruim dessa estratégia, abandonou-a.
Até hoje, mais de dez anos após a primeira eleição de Lula, a direita midiática ainda não percebeu que ele só chegou ao poder por conta da revolta dos brasileiros com o estelionato eleitoral praticado por FHC em 1998, estelionato que, inclusive, foi endossado pela mídia.
Apesar de os jovens com vinte anos ou menos não terem memória sobre o governo FHC, pais, avós, amigos, professores etc. lembram muito bem de como era ruim este país até 2002 e sabem muito bem quanto o Brasil avançou na década passada. E transmitem o conhecimento aos jovens.
Não existe hoje na América Latina, portanto, um projeto político viável à direita. E mesmo as aventuras golpistas acalentadas por tantos na região, como as experiências em Honduras e Paraguai, não se mostram promissoras e desestimulam novas aventuras iguais.
Vejamos o caso da Venezuela: a saída de Chávez da cena política não aumentou as chances da oposição. Assim, não adianta extirpar um Chávez ou um Lula, porque a consciência política na América Latina já ganhou dinâmica própria.
Até as apostas em criminalização de líderes de centro-esquerda parecem fadadas ao fracasso.
No Brasil, quem aposta em que a criminalização de Lula irá render dividendos políticos, engana-se. Vista como única chance pela direita midiática para vencer em 2014, será entendida como golpe dos ricos contra os pobres, o que elegerá Dilma ainda mais facilmente.
Em resumo, o que está construindo a hegemonia da centro-esquerda na América Latina é a distância abissal que separa a direita midiática do povo. Essa direita trata a volta por cima no emprego e na renda como fatos secundários.
O maior eleitor da centro-esquerda latino-americana é a direita midiática. Se fosse mais comedida, se respeitasse mas o povão, seria muito mais difícil derrotá-la. A arrogância da elite branca e midiática latino-americana é a sua maior inimiga.

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2013/03/em-guerra-com-os-fatos-imprensa-latina-se-desmoraliza-dia-apos-dia/