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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

NASSIF DÁ UMA BANANA À VEJA

20.02.2013
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Justiça garante ao sujo blogueiro o direito de responder ao detrito sólido de maré baixa.


Saiu no Portal Comunique-se:

JUSTIÇA GARANTE A LUIS NASSIF DIREITO DE RESPOSTA NA VEJA



Redação Comunique-se


Em seu blog no Advivo, o jornalista Luis Nassif informou nesta terça-feira, 19, que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) garantiu seu direito de resposta a uma coluna escrita por Diogo Mainardi e publicada na revista Veja. Em julgamento de apelação da Editora Abril, três desembargadores votaram de forma unânime a decisão favorável ao blogueiro.

Nassif agradeceu ao escritório Leonardi & Advogados e afirmou que a sentença favorável “não apagará os dissabores” pelos quais passou, além do “sofrimento” contra a sua família. 
“Vítima do que sempre denunciei, senti na pele o que sentiram milhares de pessoas, cuja reputação virou joguete nas mãos de uma mídia que há muito perdeu todos os filtros”, ressaltou.

O caso

Desde 2008, o jornalista contesta na justiça o texto de Diogo Mainardi, intitulado “Nassif, o banana”, publicado em 16 de julho daquele ano na Veja. Na época, o então colunista da revista da Abril afirmou que Nassif atacava o governo de Geraldo Alckmin por supostos interesses profissionais e que por isso foi demitido da Folha. 

Em maio de 2012, o juiz Gustavo Dall’olio, da Vara Cível de São Paulo, já tinha considerado que o blogueiro sofreu ataques do ex-colunista da Veja, em decisão em primeira instância. 
Após julgamento de apelação da Editora Abril, realizada nesta terça, 19, três desembargadores decidiram de forma unânime pelo direito de resposta. Ainda cabe recurso.

(Clique aqui para ler na aba “Não me calarão” que este mesmo colaborador do detrito sólido deve uma grana ao ansioso blogueiro. O que, talvez, explique sua mudança para uma conexão em Manhattan.)

Clique aqui para assistir ao histórico video: o jornal nacional lê um direito de resposta do engenheiro Leonel Brizola.

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/pig/2013/02/20/nassif-da-uma-banana-a-veja/

FrancoAtirador: O partido apolítico apartidário

20.02.2013
Do blog VI O MUNDO, 17.02.13
Por FrancoAtirador, em comentário aqui

Foto do Minha Marina

Antigamente, na época em que o acesso à escola e aos tratamentos médicos, no Brasil, era limitado a uma elite sócio-econômica, as campanhas eleitorais – todas demagógicas – sempre incluíam genericamente “Saúde” e “Educação” como “as prioridades das prioridades” no rol de promessas dos candidatos, pois “Doença” e “Ignorância” sempre renderam votos.

Com o passar do tempo, fundamentalmente a partir da Constituição Federal de 1988, a universalização da prestação desses serviços públicos absolutamente essenciais à toda população – ainda que o atendimento estatal e privado, nesses setores, seja vergonhosamente insuficiente até os dias atuais – somada ao advento da concentração populacional urbana nas grandes cidades, causada pela concentração de terras e o êxodo rural, que trouxe indubitavelmente conseqüências drásticas ao cotidiano dos cidadãos, outras demandas como “Segurança” e “Transporte vieram concorrer com aquelas já desgastadas propostas dos candidatos demagogos que costumeiramente prometem, elegem-se e não cumprem as promessas de véspera de eleição.

Porém estes são assuntos que restringem-se às administrações dos estados e municípios.
É claro que, nesse ínterim, as soluções para os problemas econômicos nacionais, que dizem respeito diretamente à vida dos trabalhadores, como “Desemprego” e “Inflação”, também estiveram, estão e estarão na ‘Relação Geral da Demagogia BraZileira’.

Mas, agora, o País encontra-se numa situação de praticamente pleno emprego, de inflação relativamente baixa e com reajustes reais do Salário-Mínimo; o poder aquisitivo e a capacidade de consumo das famílias mantêm-se em níveis razoáveis; a miséria e o analfabetismo diminuem, os níveis de escolaridade aumentam; a mortalidade infantil se reduz e a expectativa de vida cresce.

E, apesar dos reflexos das políticas neoliberais assombrarem o País, até hoje, as perspectivas de desenvolvimento do Brasil, no médio e no longo prazo, são animadoras.

Assim é que, diante da superação nacional de algumas fases agudas de males crônicos – porque não totalmente resolvidos, mas sensivelmente atenuados – surgem os temas “Ambientalismo” e “Sustentabilidade”, na crista da onda das novas gerações, a “New Wave” da juventude planetária que surfa, não navega, nas redes sociais da internet.

Seria impossível criar termos mais genéricos, pois se referem a Tudo e significam Nada.

Na verdade, não passam de símbolos de uma “Nova Política Demagógica”, em contraponto à “Velha Política” onde se colaram as etiquetas “Corrupção” e “Impunidade”.

Convenhamos que realmente está todo mundo de saco cheio de conchavos partidários demagógicos, sem COERÊNCIA IDEOLÓGICA alguma, à esquerda, à direta, ao centro, ao sul e ao norte.

Talvez por isso, até o prestigiado jornalista Mino Carta, mais que reivindicando, está implorando por uma alternativa partidária menos incoerente.

É nessa marola que o PAA (Partido do Ativismo Autoral ou Partido Apolítico Apartidário) vai surfar em 2014, embora, na prática, esteja tentando amalgamar uma massa amorfa, uma frente constituída de uma miscelânea de componentes que, pela generalidade da temática, vão desde a extrema-esquerda até a extrema-direita, muitos de boa-fé, alguns sem-fé e outros tantos de má-fé, quase todos antipetistas.

Vem daí, inclusive, o verdadeiro pavor que está causando à concorrente direita conservadora, financista e impatriótica, agrupada em torno de PSDemB/PPS, diante da possibilidade concreta de ficar de fora do segundo turno da próxima eleição para Presidente da República.

Por enquanto, ninguém da concorrência está se dando conta de que só a Margarina Salva os silva da extinção.

Leia também:


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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/francoatirador-o-partido-apolitico-apartidario.html

BLOGUEIRA: BADERNAÇO ERA TUDO DE QUE O PIG PRECISAVA

20.02.2013
Do blog NÁUFRAGO DA UTOPIA
Por Celso Lungaretti

O badernaço promovido logo no início da programação brasileira da blogueira Yoani Sánchez era tudo de que o PIG precisava para colocá-la em evidência.

Se os militantes truculentos não fizessem o jogo dos inimigos, a visita se resumiria à blogueira repetindo pela enésima vez aquilo que escreve no blogue, ou seja, mais do mesmo. 

Agora, é assunto para editoriais dos principais veículos da mídia golpista, como os jornais O Estado de S. Paulo Folha de S. Paulo. É capaz de a Veja dar até matéria de capa...

Quem é burro, pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue.

Em tempo: se queremos o direito de expressão e o direito de ir e vir para nós, não podemos concordar que eles sejam violados no caso daqueles de quem não gostamos. É simples assim.

Os governantes cubanos criaram um monstro ao agirem autoritariamente contra a blogueira, tornando-a vítima. Se tivessem o bom senso de ignorar o blogue, sua repercussão não só continuaria sendo mínima em Cuba, como a tal Yoani não teria alcançado notoriedade mundial.

Os ativistas daqui --manifestantes e internautas que desperdiçam tempo e esforços fazendo campanha contra ela-- repetem o mesmíssimo erro. Não esqueceram nem aprenderam nada. São um desastre em comunicação.

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Fonte:http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2013/02/badernaco-era-tudo-que-os-inimigos.html

Com Yoani, os anos 60 estão de volta

20.02.2013
Do portal LUIS NASSIF ONLINE, 
Por  Luis Nassif

A visita da blogueira cubana Yoani Sanchéz ao Brasil, comprova: somos um país fantástico, o único do mundo livre que preserva suas tradições, sem medo do ridículo!
Parte do país está no século 21; há algumas manchas de século 19, nos rincões mais profundos. Mas a parte mais visível, a parte pública, está em plena... Guerra Fria. É como o japonês do Gordo e do Magro. Que ficou anos na trincheira, por não ter sido informado sobre o fim da Guerra.
É um regalo para os saudosistas, para os que cultivam a memória dos anos 60, o rock, a foto do Che.
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Em outros tempos, o Departamento de Estado norte-americano bancava Svetlana Alliluyeva, a filha de Stalin que abjurou o comunismo e a Rússia. Vivia-se o auge da guerra fria e da disputa entre dois modelos políticos.
Agora, em pleno 2013 (!), na era da Internet e das comunicações, na era da globalização, vinte e tantos anos após a queda do Muro de Berlim, após o desmanche da União Soviética, o país da saudade e da nostalgia revive... a Guerra Fria. Em vez do patrocínio nobre do Departamento de Estado americano à filha do maior ditador soviético, a fina flor dos exilados cubanos bancando a blogueira cubana Yoani que não quer deixar a ilha.
O grande fantasma comunista são dois velhinhos em final de vida, em uma ilha distante, que não representa ameaça nem aos seus vizinhos de fronteira e só interessa aos cubanos de Miami e – lógico – à fina flor da intelectualidade midiática brasileira.
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Monta-se um show formidavelmente ridículo, recorrendo a uma fórmula tão velha quanto andar para frente: provoca-se e, como dois e dois são quatro, atrai-se a ira de jovens radicais – sem nenhuma expressão política maior, a não ser colocar sua energia jovem para fora. Vinte jovens na faixa de vinte anos fazendo barulho. E, aí, senadores vetustos, colunistas indignados, comunicadores-humoristas alertam para o perigo da ditadura comunista, do fim da liberdade de expressão. Recria-se a velha guerra sem quartel do bem contra o mal na tenda espírita do Twitter
Daqui a pouco o fantasma do Padre Peyton ressurgirá em um perfil do Facebook, amaldiçoando os corruptos da terra com a fantasma da excomunhão.
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Como lembrou Jair Fonseca, comentarista do meu blog: "na sociedade do espetáculo (a sociedade capitalista, segundo Debord) estamos em pleno reino do simulacro - a cópia da cópia, segundo Platão. Para Fredric Jameson, o pós-moderno é a lógica cultural do capitalismo tardio, com o retorno de fantasmagorias sob a forma da paródia e do pastiche. E não apenas na arte..."
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No dia em que um historiador se debruçar sobre esses tempos loucos, não perceberá diferença entre os alucinados do Twitter e a velha mídia. Constatará que o grande personagem desses tempos de realidade virtual é o professor Hariovaldo. Trata-se de um personagem fictício, que tem um blog representante dos "homens de bem". Comparando com outros colunistas, o historiador terá enorme dificuldade em separar a paródia do parodiado.

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Fonte:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/com-yoani-os-anos-60-estao-de-volta

CANTANHÊDE, A RAINHA DO “ERRAMOS”

20.02.2013
Do blog CONVERSA AFIADA, 13.02.13
Por Paulo Henrique Amorim

 Lembra daquela reunião emergencial urgentíssima para afogar a Dilma no apagão ?



Sugestão do amigo navegante Miguel Baia Borges:


ELIANE CANTANHÊDE, A RAINHA DO “ERRAMOS” DA FOLHA


Amadeu Leite Furtado

A jornalista (sic) e comentarista (sic) de política, de economia e de tucanagem da Folha de S.Paulo, Eliane Cantanhêde, vai entrar para o Guiness. Em sua coluna, de terça-feira, dia 12, ela deu mais um furo – não uma notícia bombástica… uma notícia furada – de reportagem. Segundo ela, enquanto o mau aluno, o Brasil, tende a reeleger sua presidente Dilma Rousseff; o mesmo não ocorre com o Chile, melhor aluno da classe. “No simpático e aplicado país sul-americano, a economia vai bem, mas a reeleição do presidente Sebastián Piñera vai mal. No melhor país do mundo, que é o nosso, a economia não está lá essas coisas, mas a reeleição de Dilma Rousseff em 2014 vai de vento em popa”, afirma a “colonista” (clique aqui para ler a “barriga” completa).

Só que a antenadíssima e informadíssima jornalista, não se ateve a um mero detalhe: a Constituição chilena não permite dois mandatos seguidos para presidente. Aqui no Brasil é possível a reeleição graças a Fernando Henrique Cardoso, que ao comprar o Congresso, possibilitou que fosse aprovada emenda para que ele se reelegesse.

Na quarta-feira, dia 13, o “Erramos” da Folha teve de corrigir a informação (sic). Em 2013, a jornalista (sic) da massa cheirosa, da febre amarela, do apagão, dentre outros “furos”, já passou com grande destaque na coluna “Erramos”. Na época em que a presidente Dilma anunciava a redução na conta de energia elétrica – que os defendidos por Cantanhêde eram contra –, ela publicou um artigo em que afirmava a existência de uma reunião de emergência do setor elétrico, “acertada entre Dilma, durante suas férias no Nordeste, e o ministro das Minas e Energia Edison Lobão” para discutir os apagões (sic) que aconteciam no País. Elaine defendeu a informação até os 45 minutos do segundo tempo, mas depois teve de dar o braço a torcer: a tal da reunião foi marcada em 12 de dezembro de 2012 e não tinha nada de emergencial. Era uma reunião rotineira do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (clique aqui).

Se continuar nesse ritmo, um por mês, Eliane Cantanhêde entrará para o Guiness como a jornalista que publicou mais “furos” com sua imaginação fértil. Taí uma ideia para o Portal Comunique-se, que gosta de premiar os jornalistas (sic) da mídia empresarial: o “Prêmio Jornalista Imaginativo”. Ricardo Noblat, Merval Pereira, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e Eliane Cantanhêde concorreriam palmo a palmo pelo prêmio.


Clique aqui para assistir ao comovente vídeo de “massa cheirosa”.

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/pig/2013/02/13/cantanhede-a-rainha-do-erramos/

Morador de favela teme preconceito e oculta o endereço

20.02.2013
Do portal Agência Brasil
Por Flávia Villela

Favela da Rocinha, Rio de Janeiro

Rio de Janeiro – Quase a metade dos jovens que vivem em favelas evita dizer o local onde mora ao frequentar espaços fora de suas comunidades, segundo pesquisa sobre aspectos econômicos e sociais das favelas brasileiras, divulgada hoje (20) pelo Instituto Data Popular, em parceria com a Central Única de Favelas. O estudo aponta que 49% dos entrevistados preferem não revelar que moram em favelas por medo de sofrer preconceito e que 75% acreditam que quem vive em favela sofre preconceito.
Para o empresário Thomas Rabe, que tem lojas de venda de passagens aéreas instaladas apenas em favelas, os moradores de locais pobres enfrentam vários obstáculos. “A autoestima nesse mundo é muito baixa, porque é um povo castigado. Até poucos anos atrás, mais ou menos 40% dessas pessoas (das classes C, D e E) que entravam em um magazine para comprar um eletrodoméstico ou um móvel recebia um não, porque não tinham crédito ou comprovante de renda”, comentou.
Apesar das dificuldades e do preconceito, o estudo identificou que 85% dos entrevistados estão satisfeitos com o lugar onde moram e 70% afirmam que continuariam a morar na favela mesmo se dobrassem a renda.
A pesquisa ouviu 500 jovens entre 15 e 25 anos de cinco favelas do Rio: Rocinha, Chatuba, Baixada Fluminense, Salgueiro e Cidade de Deus. Para o coordenador da pesquisa, Renato Meirelles, com a melhora efetiva da renda, da escolaridade e do processo de pacificação, o preconceito vem diminuindo gradualmente, sobretudo entre os empresários. “Existe uma oportunidade que não tem nada a ver com terceiro setor, com ser legal, tem a ver com oportunidade de negócios, tem a ver com um mercado de R$ 56 bilhões de reais [por ano] e 12 milhões de consumidores”, disse ele.
O coordenador da pesquisa informou que o instituto e a Central das Favelas estão elaborando um mapa nacional sobre o consumo em favelas, nas nove maiores regiões metropolitanas do país. O mapa vai ajudar empresas a desenvolverem estratégias de negócios dentro das favelas, deixando como contrapartida a capacitação dos moradores em pesquisas de mercado. “A ideia é que na segunda quinzena de março a gente comece com o processo de capacitação dos moradores e que a pesquisa seja lançada no começo de agosto”, disse Renato Meirelles.
Dos jovens cariocas moradores de favelas, 90% acessam a internet, 70% navegam todos os dias e mais de 33% usam a rede dentro de casa. Cerca de 52% desses jovens são mulheres, 25% delas mães solteiras e 3% são analfabetos. Aproximadamente 70% dos maiores de idade são economicamente ativos e o salário médio dos que trabalham é R$ 690.
Entre os jovens acima de 18 anos, 85% contribuem com a renda da casa e 28% são a principal fonte de renda da casa. Ainda segundo o estudo, o desejo de cursar o ensino superior predomina sobre a vontade de ter emprego. Cerca de 39% dos entrevistados apontaram a faculdade como um sonho distante ou como perspectiva concreta. A oportunidade de emprego é prioridade para 28% dos entrevistados.
Edição Beto Coura

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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-02-20/morador-de-favela-teme-preconceito-e-oculta-endereco

Caso Aécio: “É constitucional o governador contratar empresa sua e da sua família?”

20.02.2013
Do blog VI O MUNDO, 19.02.13
Por Conceição Lemes


O ex-procurador-geral de Justiça, Alceu José Torres Marques, cuidou de arquivar pessoalmente duas representações do Movimento Minas Sem Censura contra Aécio e Andrea Neves

Em Minas Gerais, o senador Aécio Neves (PSDB) e a irmã Andrea estão blindados por todos os lados.

Denúncias feitas contra ambos em 2011 e 2012 nunca foram investigadas, inclusive pelo Ministério Público do Estado.

O ex-procurador-geral de Justiça, Alceu José Torres Marques, que deixou o cargo no início de dezembro de 2012, cuidou de arquivar pessoalmente duas representações feitas pelo Movimento Minas Sem Censura, bloco de oposição que reúne parlamentares do PT, PMDB, PCdoB e movimentos sociais.

Ambas tinham como foco a época em que Aécio era governador (2003 a 2010) e Andrea comandou o Núcleo Gestor de Comunicação Social do Governo. Durante esse período, ela destinou dinheiro de estatais mineiras e da administração direta estadual para a rádio Arco-Íris e em outras empresas de comunicação da família Neves.

A primeira representação, protocolada em maio de 2011, foi arquivada em 27 de julho do mesmo ano. A segunda, de março de 2012, teve igual destino em novembro.

Em reportagem publicada pelo Viomundo neste domingo 17, o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) justificou: “Como o ex-procurador-geral não apurou nada, sequer quanto de dinheiro público foi aplicado na rádio Arco-Íris, entramos com a segunda representação”.

Ela foi distribuída a João Medeiros Silva Neto, que é um dos oito promotores da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MP de Belo Horizonte.

Ele não se intimidou. Abriu inquérito civil público para apurar as denúncias dos deputados Rogério Correia (PT) e Sávio Souza Cruz (PMDB), respectivamente líder e vice-líder do Minas Sem Censura.

O doutor Alceu Marques, porém, avocou para si o processo – leia-se tirou das mãos de João Medeiros — e arquivou.

Mais uma vez o promotor não se intimidou. Ingressou com reclamação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Inicialmente, ela foi distribuída para o conselheiro Jarbas Soares Júnior, procurador-geral de Justiça de Minas de 2005 a 2008, nomeado pelo então governador Aécio Neves.

O promotor João Medeiros arguiu o seu impedimento. Só então Jarbas Soares Júnior se declarou suspeito. Abaixo o seu despacho.

A ação foi redistribuída, ficando a relatoria com o conselheiro Almino Afonso Fernandes.

Na seção de 11 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional do Ministério Público, o relator decidiu pela improcedência da reclamação, mas os conselheiros Mario Bonsaglia e Fabiano Silveira pediram vista do processo. Ela será julgada na próxima sessão, no dia 26 de fevereiro. O procurador-geral da República é quem preside o CNPM. Roberto Gurgel, relembramos,  há quase 23 meses mantém engavetada a representação de deputados mineiros contra Aécio e Andrea Neves por sonegação fiscal e ocultação de patrimônio.

Viomundo – Ao recorrer ao Conselho Nacional do Ministério Público, o que o senhor pleiteia?

João Medeiros – Peço que seja reconhecida a atribuição da Promotoria e devolvido o inquérito à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte para que possamos realizar a investigação. Afinal, ao avocar para si o inquérito, ou seja, tirar da Promotoria o inquérito, o ex-procurador-geral feriu a autonomia do Ministério Público.

Viomundo — Por que decidiu investigar as denúncias contra Aécio e Andrea Neves?

João Medeiros – Todas as notícias que chegam à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MP de Belo Horizonte geram uma investigação através de um inquérito civil público. Assim foi feito com essa representação. Em março do ano passado, ela chegou aqui e foi distribuída para mim por critério de ordem de entrada. Até então eu desconhecia os fatos relatados. Aí, instaurei um inquérito civil público, como é de praxe em situações semelhantes.

Viomundo – O que aconteceu a seguir?

João Medeiros — A partir do momento em que abri o inquérito civil público, eu passei a levantar dados. Como os deputados haviam trazido a informação de que o ex-governador e a irmã eram proprietários de duas ou três rádios e um jornal impresso, a minha primeira providência foi solicitar à Junta Comercial documentos que pudessem confirmar isso ou não.
A abertura do inquérito chegou ao conhecimento do ex-procurador-geral, que me fez algumas ligações, para saber do que se tratava.

Depois, por escrito, ele me pediu que prestasse informações sobre o tema, pois havia suspeita de que uma investigação idêntica já havia sido feita pela Procuradoria Geral.

Enviei a cópia da portaria para instauração do inquérito civil público, que é o primeiro ato do inquérito. Ela tem a síntese do objeto, a descrição do que se tratava, com base na representação dos parlamentares.

Aí, veio o ato de avocação. Não cheguei sequer a receber a documentação da Junta Comercial.

Viomundo – Existe hierarquia funcional do chefe do MP sobre os promotores?

João Medeiros  — Não, o procurador-geral é a chefia administrativa da instituição.

Viomundo – Quais as justificativas do ex-procurador-geral para avocar o processo?

João Medeiros – Foram duas. A primeira, a de que o caso já estava resolvido, pois tinha sido objeto de investigação da Procuradoria Geral. Foi então que eu soube que no ano anterior, 2011, os parlamentares já tinham enviado ao então procurador-geral de Justiça de Minas uma representação semelhante.

Na verdade, em 2011, os parlamentares se equivocaram, pois deveriam já ter encaminhado a representação à Promotoria e não ao Procurador-Geral.

Mas o ex-procurador-geral também se equivocou ao não encaminhar o inquérito para a Promotoria e realizar a investigação no âmbito da chefia do Ministério Público.

A segunda alegação é a de que o fato se projetava também sobre o atual governo. Logo, ele, o procurador-geral, deveria ser o responsável pela investigação também.

Viomundo – O que acha dessa investigação do o ex-procurador-geral?

João Medeiros – Eu tenho críticas a ela, pois foi muito célere e superficial. O então procurador-geral arquivou-a de forma quase sumária, quando, na verdade, ele a deveria ter encaminhado à Promotoria.

Viomundo – Como a investigação para a segunda representação se projetaria também sobre o atual governador?

João Medeiros – Eis a questão. Aí, tem uma distorção muito importante na leitura. Por essa interpretação equivocada, se o fato denunciado diz respeito à política de comunicação do governo e ela foi mantida, logo, em tese, haveria também irregularidades na atual gestão. Logo, o atual governador seria investigado também.

Só que não é disso que se trata. Em nenhum momento, a portaria que instaurou o inquérito fala que a política de comunicação estava equivocada, que houve licitação viciada, entre outros problemas. Além disso, a nossa preocupação não era com o patrimônio da rádio.

A nossa representação se fixou no repasse de recursos públicos para a empresa de propriedade de um ex-governador e de sua família. Esse seria o foco da nossa apuração.

Configura irregularidade ou não? Qual o valor repassado? Qual a natureza do material veiculado? Como se deu esse procedimento? É constitucional o governador contratar empresa sua e da sua família? Houve ou não privilégio? Isso não fere o princípio da impessoalidade e da moralidade?

São pontos que eu pretendia esclarecer, mas não tive oportunidade de investigar.

O nosso foco, repito, é o vínculo de parentesco de um ex-mandatário, uma empresa de sua propriedade e os recursos públicos recebidos a título de publicidade.

Viomundo — Na última sessão de 2012 do Conselho Nacional, o senhor fez sustentação oral da sua reclamação. Qual foi a sua linha de defesa?

João Medeiros – Defesa da autonomia da Promotoria e de o inquérito permanecer sob a sua tutela.  Esclareci que, ao contrário do ex-procurador aventou, o meu foco de investigação não visava a política de comunicação, de modo a estender a responsabilidade para o atual governador, mas um contrato que havia sido feito na época em que o senador Aécio Neves era governador,  eventualmente beneficiando a empresa dele e da família.

Ainda questionei o fato de o então procurador ter tirado o processo da minha alçada.Pedi que fosse reconhecido o papel da Promotoria, devolvendo o inquérito para ela realizar o procedimento investigatório.

O conselheiro Almino Alfonso, relator do processo, julgou improcedente a minha reclamação, mas dois conselheiros, Mario Bonsaglia e Fabiano Silveira, pediram vista.  Aí, o julgamento foi suspenso. Ele está nesse pé.

Viomundo – E agora?

João Medeiros – O julgamento da minha reclamação está na pauta da próxima sessão do Conselho Nacional, em 26 de fevereiro.

Ocorre que há um detalhezinho que complica a situação. Enquanto o meu questionamento tramitou, o procurador-geral, que estava com o inquérito na sua mão, arquivou-o. Esse mais um imbróglio que terá de ser resolvido.

Vamos supor que o Conselho Nacional decida que o ex-procurador-geral tem razão. Aí, refletirei sobre o que fazer.

Agora, se o meu recurso for julgado procedente, o Conselho, além de determinar que o inquérito venha para a Promotoria, vai de ter esclarecer como vai ser feita a sua anulação do ato de arquivamento,  pois foi tocado por uma autoridade incompetente. Temos de aguardar a decisão.

Leia também: 


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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/caso-aecio-e-constitucional-o-governador-contratar-empresa-sua-e-da-sua-familia.html

Prefeito tucano de Fazenda Rio Grande é cassado pelo TRE


20.02.2013
Do BLOG DO ESMAEL MORAIS, 19.02.13

Chico Santos (PSDB).
Chico Santos (PSDB).
O pleno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) cassou, por unanimidade, o mandato do prefeito de Fazenda Rio Grande(PR), Chico Santos (PSDB), pelo placar de 5 votos a zero.
O tucano, reeleito em outubro passado, foi cassado por improbidade administrativa e abuso do poder econômico. O município fica na região metropolitana de Curitiba.

Cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).





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Fonte:http://www.esmaelmorais.com.br/2013/02/prefeito-tucano-de-fazenda-rio-grande-e-cassado-pelo-tre/

A fraude desfila, mas aos heróis nem o sol se permite


20.02.2013
Do blog ONIPRESENTE, 
Por Paulo Vinícius *

A DIREITA BRASILEIRA SE ASSANHA MAIS UMA VEZ. GALOPA AGORA SERELEPE, O PÔNEI ROSA QUE LHE PARECE SER A TURNÊ INTERNACIONAL (12 PAÍSES!) DA BLOGUEIRA MADE IN USA DESDE CUBA, YOANI SÁNCHEZ. SEGUINDO UM ROTEIRO QUE PROMETE VIRAR MODA, O PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA PROMOVE HOSTILIDADES CONTRA AS EMBAIXADAS DE CUBA E VENEZUELA, “DENUNCIANDO” “MOVIMENTAÇÕES POLÍTICAS” QUE, NUM CRESCENDO, TORNAM-SE FACTÓIDES DE SUPOSTA INGERÊNCIA DOS PAÍSES IRMÃOS NO BRASIL.

Impressionante o ódio contra a integração latinoamericana, as relações políticas entre os povos do sul, contra a sincera amizade entre Brasil, Cuba e Venezuela.

Basta comparar a seletividade do patriotismo do PIG. Não é a mesma imprensa que nos vende uma “eleição” no Vaticano? A que quer nos fazer sentir em Nova Iorque com suas aulas de imbecilização e elogio ao “american way of life? Não é a que se associou à embaixada estadunidense e aos generais golpistas que derrubaram João Goulart em 1964? 

Assim, sua “indignação” é afetada e falsa como o mito que se intenta construir em torno da blogueira mais querida do Departamento de Estado em solo cubano. O problema é esse, e não outro. Eles tem de criar uma cortina de fumaça em torno das seriíssimas evidências de fraude, manipulação, mercenarismo e bobagem que cercam um excelente invólucro, mas com um produtinho bastante conhecido em terras latino-americanas e caribenhas: o vendido ao imperialismo.

A blogueira é contra a Revolução Cubana, mas a favor da direita latino-americana e do Departamento de Estado. É figurinha tarimbada na Seção de Interesses Norteamericanos na ilha, e sua independência e patriotismo são os da potência estrangeira que trama, paga, ataca e bloqueia seu país. Aí sim, em Cuba, há ingerência, mas o PIG não se indigna com isso, tem uma dupla moral descarada. 

A credibilidade e boa fé de Yoani já foram repetidas vezes desmontadas pelas evidências toscas de farsa. Por exemplo, em 2009 teria feito um pedido de entrevistas aos presidentes Raúl Castro e Barack Obama. O mundo se maravilhou com o Obama gente boa a responder a jovem rapidinho. E Raúl não respondeu, acredita? Nem uma coisa, nem outra: as respostas foram do Departamento de Estado, e a própria Yoani disse ao diplomata estadunidense que nunca enviara ao presidente cubano questionário algum. Que “danadinha”, não é? Só não contava com o Wikileaks...

E isso fora a quantidade de dinheiro que afluiu generosamente para a jovem. Nababescamente premiada, acumula um Ortega e Gasset e recebeu já mais de 300 mil dólares através dessa sorte de expediente. Seu talento é incomum em Cuba: atacar seu próprio país fazendo cara de santa com a botija cheinha de dinheiro.

Seu “blog” é uma máquina de guerra midiática invejável, muito longe das lamúrias com que descreve suas “limitações” de acesso à internet – sem denunciar o bloqueio sofrido por Cuba. Traduzido em mais de duas dezenas de línguas, hospedado no portal de serviço GoDaddy, usado pelo Pentágono para promover a cyberguerra, tem uma estrutura de comunicação que bate o Granma, o jornal mais importante de Cuba. Isso fora os robozinhos que bombaram seu twitter... E mais uma vez, mente, mas não colou, ao dizer que seu blog era bloqueado em Cuba, diante do jornalista francês Salim Lamrani. 

Aliás, o professor não a pegou na mentira apenas uma vez. É risível como a sua história de “sequestro” de 25 minutos – como?! Isso, 25 min... A versão de“tortura” e o “espancamento” não resistiu a duas, três perguntinhas tranquilas de um bom jornalista interessado na verdade, que não é mercadoria tão lucrativa para a blogueira membro da Sociedade Interamericana de Imprensa, articulista dos jornais mais famosos – e nem sempre escrupulosos -, mas, sempre, inimigos viscerais de Cuba.

Então, celebrar Yoani é aplaudir suas mentiras e patrões, e jamais a defesa de liberdade ou direito humano algum. Para quem tem um pingo de vergonha alheia evidencia-se a fraude, o produto, a máquina caça-níquei que se esconde por trás do sorriso, falso como uma nota de três dólares.

Que diferença para Julian Assange e o Wikileaks, que desmascarou a relação da jovem com os inimigos declarados da independência de seu país! Longe da badalação que merece a colaboradora dos EUA contra a pequena e valente Cuba, Julian Assange está refugiado desde junho de 2012 na embaixada do Equador, que quase foi invadida (!!!) pela polícia britânica – e viva a coragem do presidente equatoriano Rafael Correa e à solidariedade!

Longe dos prêmios em dinheiro, vimos o bloqueio de todas as maneiras de pagamento dos serviços que ofertava legalmente em seu site. Vimos o verdadeiro bloqueio do Wikileaks, que não poderia ser acessado nem em Cuba, nem em lugar nenhum do mundo, pela ação de quem controla de fato o fluxo da internet mundial. Salvo outra vez foi o portal pela solidariedade de ativistas hackers de todo o mundo. Vimos como foi estranho o circo montado para denegrir a pessoa Julien Assange, buscando que fosse considerado um estuprador, história mal contada, com sérias evidências de armação por anti-castristas suecos.

Essa é a diferença. Yoani nada tem com direitos humanos e liberdade de imprensa. Mas tem tudo a ver com os maiores inimigos dos direitos humanos e com fanáticos pela liberdade dos donos das empresas jornalísticas. Ela priva de relações nas altíssimas rodas inimigas de Cuba, e em seu giro por doze países, nada faz que não seja a seu serviço. 

Quem luta pela liberdade mesmo é alvo; dificilmente tem o reconhecimento, a promoção, a blindagem e a companhia do que há de pior na humanidade. Julian Assange sim, é um lutador pela paz, pela verdade, pela liberdade, uma pessoa que honra a humanidade com seu exemplo. Os cubanos antiterroristas presos nos EUA todos os dias são torturados pela tentativa de corrupção que se lhes oferta: abandonar a verdade pela sua soltura. Essas pessoas e Cuba padecem, dão exemplos de destemor e integridade. Por isso merecem toda a perseguição dos ricos e poderosos. Mas contam com a simpatia, o amor, a gratidão dos povos, porque padecem hoje pelo sonho comum que partilhamos. Quanto a Yoani, rótulo e a embalagem não enganam a corrupção do produto. É gringa, descaradamente.

* Sociólogo e Bancário, Secretário Nacional de Juventude Trabalhadora da CTB.
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Fonte:http://blogdoonipresente.blogspot.com.br/2013/02/a-fraude-desfila-mas-aos-herois-nem-o.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+blogspot/jENg+(Oni+Presente)

“A Hora Mais Escura” revela os problemas da sociedade norte-americana

20.02.2013
Do portal da Revista Carta Capital, 19.02.13
Por José Antonio Lima


Atenção: este texto contém spoilers do filme A Hora Mais Escura
Jessica Chastain interpreta Maya, agente da CIA que teve papel fundamental na busca por Bin Laden. Foto: Divulgação
Jessica Chastain interpreta Maya, agente da CIA que teve papel fundamental na busca por Bin Laden.
Foto: Divulgação
Vamos aos fatos. Bin Laden só foi encontrado na cidade de Abbottabad, no Paquistão, porque os serviços de inteligência dos Estados Unidos conseguiram identificar seu principal mensageiro. Este homem atendia pelo nome de guerra de Abu Ahmed Al-Kuwaiti, cujo nome verdadeiro era Ibrahim Saeed Ahmed.A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty), dirigido por Katherine Bigelow e indicado ao Oscar de Melhor Filme, está imerso em várias polêmicas. A maior de todas delas é a acusação de referendar e fazer propaganda da tortura, ao dizer que “interrogatórios coercitivos” da CIA tiveram papel na busca por Osama bin Laden. Toda a discussão, antes de chegar a uma conclusão sobre o filme e sobre a caçada ao terrorista, mostra quão problemática é a sociedade americana.
Em A Hora Mais Escura, o nome do Kuwaitiano surge pela primeira vez da boca de Ammar (Reda Kateb) um detento torturado sistematicamente pela CIA. Ammar cita o Kuwaitiano fora das salas de tortura, numa pausa da tortura, ao ser alimentado dignamente por agentes da CIA.
Esta cena, logo no início do filme, foi suficiente para tornar Katherine Bigelow, e seu roteirista, Mark Boal, alvos de uma intensa campanha do chamado campo progressista da mídia norte-americana e britânica. Foram acusados de propagandistas da tortura, imorais, amorais. Glen Greenwald, no Guardian, mesmo sem ver o filme, afirmou que A Hora Mais Escura defendia a tortura. Naomi Wolf, no mesmo diário, escreveu que Bigelow seria “lembrada para sempre como serva da tortura”.
De fato, há muitos questionamentos a respeito do papel da tortura na caça a Bin Laden. Em abril de 2012, os presidentes dos comitês de Inteligência e das Forças Armadas do Senado dos EUA, os democratas Dianne Feinstein e Carl Levin, divulgaram um documento negando que presos sob tortura tenham citado o mensageiro de Bin Laden. Segundo os senadores, o relatório de 5 mil páginas sendo produzido há três anos sobre tudo envolvendo as torturas da CIA não encontrou nada do tipo. Em dezembro, Ali Soufan, o agente do FBI responsável por desvendar as identidades dos sequestradores do 11 de Setembro, negou que a tortura tenha sido responsável por achar Bin Laden. Em dezembro, Soufan afirmou à revista Foreign Policyque as cenas de Zero Dark Thirty eram “ficção”.
Para deleite dos “progressistas”, costumam defender a versão de que a tortura deu resultados pessoas interessadas nela. São exemplos deste comportamento Michael Hayden, diretor da CIA sob George W. Bush, e Jose Rodriguez, ex-diretor de Operações da CIA. Ocorre que pessoas sérias e isentas defendem uma versão dos fatos exatamente igual à mostrada no filme.
O papel da tortura
No ótimo livro Procurado (Man Hunt no original), Peter Bergen abre o capítulo seis contando a história de Mohammed al-Qahtani, que seria o 20º sequestrador do 11 de Setembro. Preso pelo Exército do Paquistão em dezembro de 2001, Qahtani foi entregue aos EUA e enviado para Guantánamo, onde foi torturado por 48 dias. Segundo Bergen, após o abuso Qahtani citou o nome do Kuwaitiano, ligando-o a Khalid Sheikh Mohammed, o idealizador do 11 de Setembro. A prova disso está neste relatório secreto da CIA sobre Qahtani, divulgado pelo WikiLeaks.
Não está claro, afirma Bergen na página 83 do livro, “se Qahtani cedeu essa informação por ter sido interrogado coercitivamente ou porque os interrogadores lhe contaram que KSM (…) estava sob custódia americana”. Bergen avança em sua explicação dizendo que, sozinho, o depoimento de Qahtani não era tão significativo. Posteriormente, no entanto, a importância do mensageiro viria a ser confirmada por pelo menos um outro detento torturado pela CIA, um paquistanês chamado Hassan Ghul.
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Bergen prossegue sua narrativa, e o livro, mostrando que diversos outros avanços da investigação a respeito do mensageiro de Bin Laden ocorreram sem relação com a tortura e, em alguns casos, mesmo sem relação com a CIA. Foi a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), por exemplo, a responsável por identificar o telefone celular usado pelo Kuwaitiano no Paquistão.
Da mesma forma como o livro de Bergen, A Hora Mais Escura mostra os diversos avanços da Inteligência norte-americana que ocorreram sem o recurso à tortura. Para isso, centra a narrativa na história de uma agente da CIA (interpretada por Jessica Chastain) cuja vida profissional foi dedicada à caça de Bin Laden. O livro foi aclamado e o filme, vilipendiado.
Os valores dos EUA
O que toda essa discussão revela? O debate acerca do filme está centrado em uma dicotomia infeliz. Para uns, a tortura ajudou a encontrar Bin Laden. Para outros, ela não só não ajudou como tentativas de supor essa possibilidade quase equivalem à própria tortura.
Boa parte dos documentos da caçada a Bin Laden são, ainda, confidenciais. Vai demorar anos, talvez décadas, para que cheguem ao público. Mesmo quando isso ocorrer, talvez nunca se possa responder a controvérsia de forma definitiva. Para se ter uma breve dimensão da dificuldade: o relatório que os comitês do Senado dos EUA estão elaborando envolve a análise de 6 milhões de documentos oficiais da CIA. Isso sem contar as outras agências americanas.
Escapa à discussão o que deveria ser seu ponto central. Não importa em rigorosamente nada o resultado obtido pela CIA com suas torturas. Ainda que algum prisioneiro tivesse dito o endereço de Osama Bin Laden e em quais horários ele realizava suas orações, teria valido a pena para os Estados Unidos, supostamente defensores de valores universais como a liberdade e os direitos humanos, adotar práticas equivalentes a crimes de guerra para isso? Como lembra David Cole, professor de Direito na Universidade Georgetown, a tortura foi referendada pelos dois principais políticos norte-americanos da época, Bush e seu vice, Dick Cheney. E, até hoje, também lembra Cole, “não houve condenação oficial da conduta que violou os compromissos mais fundamentais da nação e do mundo com a decência e o estado de direito”.
Não houve condenação porque a administração Barack Obama tem um monstruoso telhado de vidro. Se descontinuou a tortura, Obama acabou de nomear à chefia da CIA John Brennan, suspeito de ter apoiado os “interrogatórios coercitivos” e homem-forte do programa de assassinatos seletivos com aviões não tripulados (os drones), uma prática igualmente execrável.
Da mesma forma que a administração Obama, a sociedade norte-americana, como deixa claro a discussão a respeito de A Hora Mais Escura, vive uma ambivalência entre os valores defendidos e os praticados. Para muitos, se a tortura e/ou os drones estão obtendo resultados, são aceitáveis. É este tipo de pensamento que permite a uma democracia conviver com o escândalo de Guantánamo e tolerar um governo torturador e outro assassino.
Confira abaixo o trailer de A Hora Mais Escura:
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/internacional/a-hora-mais-escura-revela-os-problemas-da-sociedade-norte-americana/