terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Três derrotas da mídia servil aos EUA

19.02.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Altamiro Borges

A mídia colonizada do Brasil, que mais parece uma sucursal rastaquera do Departamento de Estado dos EUA, sofreu três duras derrotas neste início de semana. O presidente Hugo Chávez, que os abutres da velha imprensa já davam como morto, retornou à Venezuela e foi saudado por milhares de pessoas. Já Rafael Correa, outro satanizado pela mídia, foi reeleito com folga no Equador. Por último, a “blogueira” cubana Yoani Sánchez, marionete dos EUA, chegou ao Brasil e foi desmascarada nas ruas e nas redes sociais.

A volta de Hugo Chávez, após dois meses de tratamento do seu câncer em Cuba, frustrou os barões da mídia. Eles juravam que o líder bolivariano não retornaria ao país. Acreditaram piamente nas informações dos agentes da sinistra CIA de que o presidente venezuelano sobrevivia apenas por aparelhos. A grotesca foto do jornal espanhol El País, com Hugo Chávez entubado, foi replicada pela mídia nativa. Merval Pereira, o “imortal”, já havia anunciado a sua morte no ano passado, antes das eleições presidenciais de outubro.

Com base nestas informações falsas e macabras, a mídia mundial e nacional fez intensa campanha para anular o resultado do pleito de outubro passado, que garantiu mais um mandato para Hugo Chávez de forma consagradora. O intento era criar o clima para uma nova tentativa de golpe na Venezuela. A iniciativa não vingou graças ao apoio de milhões de venezuelanos, que lotaram as ruas de Caracas no dia da posse. “O povo tomou posse” no lugar de Hugo Chávez, que agora volta ao país para se recuperar do tratamento.

Já a vitória de Rafael Correa era esperada pela mídia colonizada. Todas as pesquisas apontavam que ele venceria fácil o ex-banqueiro Guillermo Lasso, da seita fascista Opus Dei, e os outros sete concorrentes. Tanto que a imprensa, sempre seletiva, evitou dar destaque para a eleição no Equador – como se o país vizinho não existisse. Com a conquista de quase 58% dos votos e a reeleição já no primeiro turno, a mídia servil apenas lamentou a vitória do “inimigo” dos EUA e da “liberdade de imprensa”.

O bombardeio contra Rafael Correa deve se intensificar agora. Com a fácil reeleição e a conquista da maioria no Congresso Nacional, o líder equatoriano já anunciou que a sua prioridade é a aprovação da “Ley de Medios” no país. Nas suas primeiras entrevistas, ele fez questão de afirmar que os maiores derrotados nas eleições foram “a oligarquia financeira e os donos dos meios de comunicação”. O projeto de regulação democrática da mídia, antes barrado, agora deve ser aprovado pelo parlamento. A gritaria midiática será infernal.

Por último, no que se refere à visita ao Brasil da “blogueira” Yoani Sánchez, o show armado pelo império e por sua mídia servil não deu os melhores frutos. O script previa que a diretora “imposta” pelo antro patronal da Sociedade Interamericana de Prensa (SIP), com um salário de US$ 6 mil, fosse a estrela da campanha mundial contra a revolução cubana. Os jornalões garantiram generosos espaços; as revistonas, em especial a Veja, não param de falar na “blogueira independente”; e as emissoras de tevê a seguem por todos os cantos.

Mas o show midiático, que esconde as origens e as ideias da “principal dissidente cubana”, foi ofuscado nas redes sociais e nas ruas. De forma legítima, grupos de manifestantes protestaram contra Yoani Sánchez na sua chegada em Recife, no seu deslocamento para Salvador e na sua viagem ao interior da Bahia. A mesma mídia colonizada que já estimulou protestos contra líderes mundiais desafetos dos EUA, agora censurou as legítimas manifestações contra a “blogueira” financiada e manietada pelo império.

Com mais estes três derrotas na América Latina, a mídia servil aos EUA só tem a apresentar como trunfos aos seus ingênuos seguidores os golpes em Honduras e no Paraguai, a eleição fraudulenta no México e a manutenção do governo terrorista da Colômbia. A região continua se movendo de forma progressista, apesar de todos os percalços e dificuldades. Ela se firma como polo contra-hegemônico ao neoliberalismo e ao imperialismo ianque, o que causa desespero nos barões da mídia.
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Fonte:http://www.altamiroborges.blogspot.com.br/2013/02/tres-derrotas-da-midia-servil-aos-eua.html

Ao vivo: Dilma na luta política das camponesas, que Marina Silva trocou pelo Itaú/Natura

19.02.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Olha presidenta aí na luta política prestigiando o 1° Encontro Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas do Brasil.Com objetivo de discutir políticas públicas para combater a violência contra a mulher, ampliar as oportunidades de emprego, gerar mais renda e dar mais liberdade às mulheres no campo, está sendo realizado em Brasília o 1° Encontro Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas do Brasil, que vai até quinta-feira (21). Nesta terça-feira (19), a presidenta Dilma Rousseff está no evento.

De acordo com a coordenadora do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Justina Cima, o movimento tem como missão a transformação da sociedade. “Entendemos que dentro desta sociedade capitalista com a cultura patriarcal e machista, não haverá igualdade e dignidade entre os seres humanos. O Movimento de Mulheres Camponesas tem uma preocupação muito grande com as relações humanas e a natureza. Vivemos um momento de reflexões sobre o modelo de desenvolvimento e sustentabilidade para o planeta”, disse.

Reivindicações como a reforma agrária, titulação de terras e a licença maternidade de seis meses para as mulheres do campo serão encaminhadas para a presidenta Dilma Rousseff. Maria Cavalcante faz parte da direção do movimento e explica que além da posse da terra, é necessário estrutura. “Temos que ter um apoio, por exemplo, quando temos uma terra, ela por sí só não serve, pois precisamos de infraestrutura como estrada, energia elétrica, água e saúde. Não lutamos apenas pelas mulheres camponesas, mas sim por todas as trabalhadoras. Por isso, esse movimento é feminista e popular” afirmou.

A estimativa é de que mais de 3.000 mulheres participem dos debates, além de receber representantes de lideranças internacionais na América Latina, Itália e Moçambique. Para Tânia Chantel, uma das diretoras do movimento, esse espaço é importante para a troca de experiências entre as mulheres. “Além de compreender políticas que muitas vezes elas nem sabem que existe ou de onde vem. Aqui elas poderão dialogar diretamente e tirar dúvidas. Mesmo que exista o trabalho nas comunidades, muitas vezes não sabemos a resposta para todas as indagações. Então o evento vai servir para ter o governo ajudando a explicar, e outras mulheres com experiências diversificadas para ensinar” explicou.

Na quinta-feira (21), o encontro vai ser encerrado com uma caminhada pela Esplanada dos Ministérios com objetivo de chamar atenção da sociedade para os problemas e desafios das mulheres camponesas.

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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2013/02/ao-vivo-dilma-na-luta-politica-das.html

Comparação Lula-FHC irrita tucanos

19.02.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Altamiro Borges

Nas comemorações dos dez anos no governo, o PT lança nesta semana um livrete de 15 páginas com um comparativo entre o reinado de FHC e as gestões de Lula e Dilma. O texto didático, que aponta o “desastre neoliberal” causado pelos tucanos, já causou urticária na oposição de direita e na sua mídia venal. A Folha serrista condenou o “forte tom ideológico da cartilha”; o presidente do PSDB, o jagunço Sérgio Guerra, atacou o “mensalão petista”; e Aécio Neves, o cambaleante presidencial tucano, anunciou que vai listar os “13 fracassos do PT”.

Editado pelo Instituto Lula e pela Fundação Perseu Abramo, o livrete apresenta fatos concretos, inquestionáveis. Mostra, por exemplo, que nos oito anos de FHC, “enquanto o salário médio dos trabalhadores caiu, aumentou a derrama contínua de recursos públicos para os segmentos mais ricos e enriquecidos por uma dívida em expansão e por taxas reais de juros incomparáveis internacionalmente”. Na gestão tucana, a taxa básica de juros, Selic, ultrapassou os 40% ao ano; hoje, ela está em 7,25%, a menor da história recente do país.

O documento critica o “Consenso de Washington” – o receituário neoliberal de desmonte do estado, da nação e do trabalho – seguido caninamente pelos tucanos. Ele cita dados objetivos sobre o desemprego, os salários, a pobreza e a distribuição de renda no reinado de FHC e conclui que “o desastre do neoliberalismo foi contundente”. Ela também condena “as privatizações sem critérios e [sem] decência administrativa”, que resultaram em cerca de meio milhão de trabalhadores demitidos das estatais.

Como contraponto, o livrete aponta que as gestões de Lula e Dilma iniciaram a construção de política alternativa, com mais soberania nacional, mais políticas sociais e mais democracia. “A armadilha na qual os governos neoliberais aprisionaram o país foi sendo desarmada graças a uma nova maioria política, capaz de estabelecer um novo ciclo de mudanças... Os dez últimos anos mudaram o Brasil, permitindo reverter a decadência induzida pela rota da neocolonização neoliberal. O povo voltou a protagonizar mudanças”.
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Fonte:http://www.altamiroborges.blogspot.com.br/2013/02/comparacao-lula-fhc-irrita-tucanos.html

Anonymous fará 'Operação Abaixo Rede Globo' dia 23

19.02.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA


Reproduzimos a nota do coletivo ciberativista Anonymous, chamando para um "esculacho" na Rede Globo, no dia 23/02:





Procure o evento da sua cidade confirme sua participação:
Informações sobre a Rede Globo
http://www.anonymousbrasil.com/?p=5038
Recomendamos assistir os vídeos:
O golpe do roberto marinho pra desvalorizar as ações da nec e ganhar assim R$30 milhões
http://www.youtube.com/watch?v=rmKDR-LftG4
Rede Globo expulsa no protesto dos Bombeiros RJ
http://www.youtube.com/watch?v=zpTChGDVHW8
O MST aos olhos da Rede Globo
http://www.youtube.com/watch?v=D651ZSECHu0
Jornal “O Globo” distorce fala de Lula e recebe critica de Ricardo Boechat
http://www.youtube.com/watch?v=KvIcddEn7Ng
Jô Soares desabafa contra a Globo – Troféu Imprensa 87
http://www.youtube.com/watch?v=frP0TLlLnrA
Texto do vídeo:
Saudações ao povo brasileiro.
Estamos aqui para mostrar que vocês estão sendo enganados, manipulados, tratados como fantoches, foram submetidos à alienação, a imposição de uma mídia que só visa influenciar vocês, estamos aqui para abrir os seus olhos, mostrar como a Globo tem agido há anos, manipulando tudo o que tem chegado até vocês. A final todos tem direito à uma mídia sem máscaras, uma mídia que não seja parcial, seja justa. Nós não podemos deixar que ocorram casos como o do Serra nas ultimas eleições. A Globo chegou a dizer que uma pedra atingiu o candidato Serra na cabeça, mas na verdade ele tinha sido atingido por uma bolinha de papel. Este caso mostrou como ela manipula a verdade por trás dos verdadeiros fatos.
Essa gigante está sempre inundando a cabeça das pessoas com futilidades e coisas inúteis, agindo como um filtro entre os reais acontecimentos e o que é passado para a população, mostrando somente o que ela quer que o povo veja. E assim ela segue com essa atitude inescrupulosa. Este vídeo serve como aviso e é para mostrar a vocês somente um pouco de como ela age, um pouco do que ela faz com vocês todos os dias, nas suas casas, no seu trabalho, na sua vida, penetrando na sua mente e implantando toda essa cultura inútil não deixe que ela pense por você, que ela te influencie, que ela dite padrões de como você deve agir, que ela diga o que você tem que comprar, o que você deve comer, o que você deve vestir.
Esta Operação será realizada no dia 23/02/13 e nós estamos convocando a todos para lutarem do nosso lado contra essa manipulação descarada da rede globo, vamos dar um grito de basta não aceitaremos mais o lixo cultural que eles nos empurram, vamos questionar suas notícias, vamos cortar a alienação pela raiz. Vamos todos no dia 23/02/13 para a porta de suas sedes e afiliadas no Brasil gritar contra a alienação na qual eles prendem nosso povo. Vamos espalhar esta notícia, criem vídeos, criem eventos em suas cidades e chamem a todos para dar um fim neste controle exagerado da rede globo. Vocês estão sendo convidados a nos ajudar, venham conosco mostrar a eles, o que eles não veem, o que eles não percebem, o que a Globo faz com a nossa gente.
> Nós somos Anonymous.
> Nós somos Legião.
> Nós não perdoamos.
> Nós não esquecemos.
> Esperem por nós

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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2013/02/anonymous-fara-operacao-abaixo-rede.html

PT mira 2014 e opõe juros baixos a 'desastre' neoliberal

19.02.2013
Do blog APOSENTADO INVOCADO




NATUZA NERY
DE BRASÍLIA 

O PT começou a construir, em um documento a ser distribuído amanhã à militância da sigla, a narrativa que servirá de base para a campanha presidencial do ano que vem. 

Com forte tom ideológico e números de comparação entre a gestão petista e a administração tucana, o partido lançará na comemoração de seus 10 anos de governo uma cartilha que opõe o projeto que chama de "glorioso" de Lula e Dilma ao modelo que classifica de "desastroso" de Fernando Henrique Cardoso. 

Lula passa a faixa presidencial à Dilma, em 2011
Jorge Araujo - 1º.jan.2011/Folhapress
Lula passa a faixa presidencial à Dilma, em 2011
Embora ninguém admita publicamente, os termos da cartilha serão usados como matriz da disputa pela reeleição em 2014. O texto foi produzido pelo Instituto Lula e Fundação Perseu Abramo e supervisionado pelo presidente da sigla, Rui Falcão. 

Ele exalta, por exemplo, a redução dos juros na gestão petista --um dos pilares da propaganda de Dilma Rousseff por mais um mandato.
 
Sobre o período de FHC, ataca: "Enquanto o salário médio dos trabalhadores caiu, aumentou a derrama contínua de recursos públicos para os segmentos mais ricos e enriquecidos por uma dívida em expansão e por taxas reais de juros incomparáveis internacionalmente". 

Na gestão tucana, a Selic chegou a ultrapassar a taxa de 40% ao ano. Hoje, está em 7,25%. Analistas apostam, porém, que o Banco Central terá que subir os juros neste ano para conter a inflação. 

A cartilha não traz autocrítica nem faz menções ao mensalão, tampouco ao julgamento que condenou à prisão alguns de seus líderes. Dirigentes argumentam que também não fizeram menção a escândalos de tucanos. 

O livreto de 15 páginas, encapado com a imagem de Lula e Dilma, como se fossem rostos de um mesmo corpo, não economiza em adjetivos ideológicos. "Consenso de Washington" é um deles, adotado de forma pejorativa para identificar o receituário econômico de privatizações e de Estado mínimo. 

"Foram anos de enaltecimento da 'economia política do bonsai'. Para qualquer broto de crescimento com possível distribuição menos ingrata da renda que ousasse aparecer no Brasil havia a tesoura dos delegados do Consenso de Washington a amputá-lo", afirma. 
Ao citar desemprego, salários, pobreza e distribuição de renda sob FHC, a cartilha diz que "o desastre do neoliberalismo é contundente". 

"Por meio de privatizações sem critérios e [sem] decência administrativa, cerca de meio milhão de trabalhadores foram demitidos", diz. 

Sob Dilma, o Executivo construiu uma agenda extensa de concessões públicas ao setor privado. Mas sempre renegou o termo "privatização" e exaltou exigir contrapartidas, como redução de tarifas.

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Fonte:http://aposentadoinvocado1.blogspot.com.br/2013/02/a-oposicao-sem-rumo-e-sua-chefe-que.html

Reeleição de Rafael Correa: quatro lições de uma vitória esmagadora

19.02.2013
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO
Por Atilio A. Boron. Tradução: Jadson Oliveira, Adital

A reeleição de um presidente que iniciou um formidável processo de mudanças sociais dentro do Equador é um acontecimento a se destacar. Um recorde em um país historicamente marcado por crises sociais, econômicas e políticas

A esmagadora vitória de Rafael Correa, com uma porcentagem de votos e uma diferença entre ele e seu mais imediato concorrente que bem gostariam de obter Obama, Hollande e Rajoy, deixa algumas lições que é bom recapitular:
rafael correa equador
Reeleição de Rafael Correa no Equador deixa quatro lições relevantes (Foto: Divulgação)
Primeira, e a mais óbvia, a ratificação do mandato popular para continuar pelo caminho traçado mas, como disse Correa em sua entrevista coletiva à imprensa, avançando mais rápida e profundamente. O presidente reeleito sabe que os próximos quatro anos serão cruciais para assegurar a irreversibilidade das reformas que, ao cabo de 10 anos de gestão, será concluída com a refundação de um Equador melhor, mais justo e mais sustentável. Na coletiva de imprensa já aludida, ele disse textualmente: “Ou mudamos agora o país ou não o mudamos mais”. O projeto de criar uma ordem social baseada no socialismo do sumak kawsay, o “bem viver” dos nossos povos originários, exige atuar com rapidez e determinação. Mas, isso é sabido pela e pelo imperialismo; e, por isso, se pode prever que vão redobrar seus esforços para impedir a consolidação do processo da “Revolução Cidadã”.
Segunda lição: que se um governo obedece ao mandato popular e produz políticas públicas que beneficiam as grandes maiorias nacionais –que afinal de contas se trata da democracia–, a lealdade do eleitorado pode ocorrer com certeza. A manipulação das oligarquias midiáticas, a conspiração das classes dominantes e os estratagemas do imperialismo se esfarelam contra o muro da fidelidade popular.
Terceira, e como corolário da anterior, o esmagador triunfo de Correa demonstra que a tese conformista tão comum dentro do pensamento político convencional, a saber: que “o poder desgasta”, só é válida na democracia quando o poder se exerce em beneficio das minorias endinheiradas ou quando os processos de transformação social perdem densidade, titubeiam e terminam por deter-se. Quando, ao contrário, se governa tendo em vista o bem-estar das vítimas do sistema, acontece o que aconteceu ontem no Equador: enquanto na eleição presidencial de 2009, Correa ganhou no primeiro turno com 51% dos votos, ontem o fez – com a contagem existente no momento de escrever esta matéria (25% dos votos escrutinados) -, com 57%. Em lugar de “desgaste”, consolidação e crescimento do poder residual.
Quarta e última: com esta eleição se supera a paralisia de decisões geradas por uma Assembleia (Congresso) Nacional que se opôs intransigentemente a algumas das mais importantes iniciativas propostas por Correa. Ainda que haja até agora poucas cifras disponíveis a respeito, não há dúvidas de que a Aliança País (partido governista) terá a maioria absoluta dos parlamentares e com chances de alcançar uma representação parlamentar que chegue a uma maioria qualificada de dois terços.
Conclusão: os tempos mudaram. A ratificação plebiscitária dum presidente que iniciou um formidável processo de mudanças sociais e econômicas dentro do Equador, que protagoniza a integração latino-americana, que incorporou seu país à ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), que pôs fim à presença estadunidense na base (militar) de Manta, que realizou uma exemplar auditoria da dívida externa reduzindo significativamente seu montante, que outorga asilo a Julian Assange e que retira o Equador do Ciadi (Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos, criado sob a égide do Banco Mundial), não é algo que se veja todos os dias. Felicitações Rafael Correa, saúde Equador!

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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/02/reeleicao-de-rafael-correa-quatro-licoes-de-uma-vitoria-esmagadora.html

MOVIMENTO DE MULHERES CAMPONESAS REALIZA ENCONTRO NACIONAL EM BRASÍLIA

19.02.2013
Do portal FAZENDO MEDIA
Por Eduardo Sá
São esperadas 3 mil pessoas nas atividades do Encontro Nacional do Movimento das Mulheres Campesinas (MMC). Foto: Eduardo Sá

Com o tema “Na Sociedade que a Gente Quer, Basta de Violência contra a Mulher!”, cerca de três mil mulheres camponesas, de vinte e dois estados do Brasil, fizeram na tarde de ontem (18) a abertura do I Encontro Nacional do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC). O evento conta com a participação de diversos movimentos sociais, inclusive de outros países, sindicatos, parlamentares, representantes de órgãos do governo e setores da pesquisa, dentre outros segmentos. A maioria das delegações estaduais do MMC está alojada no próprio Pavilhão de Exposições no Parque da Cidade, em Brasília, onde as atividades estão ocorrendo. O evento vai até esta quinta-feira (21), quando será realizada uma marcha à Praça dos Três Poderes.
Na mística de abertura mulheres sujas de barro representaram a importância da terra para a vida camponesa, enquanto outras carregavam bandejas com frutas e legumes, em referência à alimentação saudável, outra bandeira do movimento. Delegações de outros países foram saudadas, e dezenas de movimentos sociais e integrantes do governo foram chamados ao palco para manifestar solidariedade ao MMC. Também foi aberta a Mostra de Produção das Mulheres Camponesas, com barracas vendendo produtos das comitivas dos estados participantes, incluindo artesanatos, alimentos e roupas.
Saudação dos movimentos sociais, parlamentares e comitivas internacionais ao MMC
Cantando muitas músicas e com muita descontração, o movimento foi expondo algumas de suas pautas aos participantes: transformação da sociedade, igualdade de gêneros, combate à violência contra as mulheres, valorização do trabalho feminino na produção de alimentos, soberania alimentar e combate aos transgênicos e agrotóxicos, defesa da agroecologia, reforma agrária, etc. A diversidade somada entre os movimentos de mulheres, como as sem terra, ribeirinhas, agricultoras familiares, quebradeiras de coco, índias, quilombolas, dentre muitos outros setores, marca a identidade do movimento.
De acordo com a coordenadora do MMC, Justina Cima, as mulheres estão unidas em torno de um projeto de sociedade que valorize as pessoas e a natureza, e promova o bem estar. A expectativa é que as mulheres se desafiem, e levem para os seus grupos de base nos seus estados as lutas a serem travadas localmente. Cima destacou ainda a importância do encontro, “fruto da luta de muitas lutadoras que ousaram enfrentar o capital, ditaduras, o latifúndio e todo tipo de repressão e opressão”.
“Toda uma história de resistência, dizer que estamos aqui para continuar lutando. Fizemos a luta por nossos direitos, pela reforma agrária, aposentadoria e salário maternidade, dentre outras, para que nos valorizassem porque também temos capacidade para construir aquilo que é melhor para sociedade. Queremos outras relações de igualdade e dignidade. Somos frutos daquelas mulheres que foram guardiães de sementes, benzedeiras, produtoras de plantas medicinais, e da obra de arte da alimentação saudável. Lutar por outra sociedade, em que a agroecologia seja um projeto de vida”, afirmou a coordenadora do MMC.
O MMC promove o combate aos transgênicos e a defesa das sementes crioulas
A busca pela continuidade do planeta de forma harmoniosa e promovendo o debate contra a violência, que, ainda segundo a representante, é fruto do sistema capitalista, patriarcal e machista, é um dos objetivos do movimento. Reconhecendo avanços na luta por políticas públicas, o dever de cada integrante do MMC agora é fortalecer a articulação dos movimentos para pressionar o governo a mais conquistas para as mulheres do campo.
A presidente Dilma Rousseff é esperada no encontro hoje (19) à tarde, momento em que as camponesas apresentarão sua pauta de reivindicações. Além de debates ao longo da semana, haverá mostras de artesanato e comidas, apresentações culturais e oficinas. Será lançado um CD de músicas do MMC e elaborada ao final do evento uma carta do Encontro.
(*) Fonte: Articulação Nacional de Agroecologia (ANA)

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Fonte:http://www.fazendomedia.com/movimento-de-mulheres-camponesas-realiza-encontro-nacional-em-brasilia/

Colunista da Folha compara clima político ao da ditadura

19.02.2013
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Antes de adentrar no assunto que intitula o post, há que informar que hoje (19/2), por volta das 19 horas, o jornalista Paulo Moreira Leite (ex-Época e atual IstoÉ) será entrevistado por blogueiros – entre os quais, este que escreve – no âmbito do pré-lançamento de seu livro A Outra História do Mensalão. Haverá transmissão pela TV dos Trabalhadores (TVT).
Como já foi informado anteriormente, o livro terá lançamento oficial nesta quarta-feira (20) e, apesar disso, sua primeira edição já está esgotada. Para tanto, a editora da obra, a mesma Geração Editorial de A Privataria Tucana (o maior best-seller político brasileiro do século XXI), adotou a estratégia de seu lançamento anterior: divulgação pela blogosfera e redes sociais.
Mas o que o lançamento dessa obra imprescindível (por contar, como diz seu título, uma história do julgamento da Ação Penal 470, vulgo “julgamento do mensalão”, que os grandes meios de comunicação esconderam) tem que ver com o título deste post?
Uma das razões do sucesso antecipado do lançamento da Geração Editorial, além da estratégia de enviar “bonecos” da obra aos blogueiros que a divulgariam, foi conseguir um prefácio de potencial cataclísmico, elaborado por um dos mais importantes colunistas do jornal Folha de São Paulo, o dito “decano do colunismo político brasileiro”, Janio de Freitas.
Ao lado de Paulo Moreira Leite, Freitas foi uma das raras vozes da grande imprensa brasileira a detectar e denunciar o processo kafkiano apelidado de “julgamento do mensalão”, em que, a exemplo da obra de Franz Kafka, alguns dos acusados até hoje não sabem do que foram acusados e, muito menos, por que foram condenados.
Apesar de o livro conter análises meticulosas de Moreira Leite sobre os excessos, omissões, invenções e distorções do juízo em questão, o prefácio de Freitas é estrondoso porque sua isenção política e sua seriedade profissional são reconhecidas inclusive pelos colegas da grande imprensa.
O colunista mais antigo da Folha costuma sintetizar sua carreira lembrando que perdeu muitos leitores no governo José Sarney por suas críticas a ele, assim como perdeu outros tantos durante os governos Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Lula, pois, como jornalista, nunca deixou de fustigar o poder, mas sempre com responsabilidade e serenidade.
A poucas horas da entrevista coletiva com Paulo Moreira Leite, dei-me repassar o “boneco” da obra que me enviou a Geração Editorial e, ao reler o prefácio de Janio de Freitas, deparo com um ponto do texto que me havia escapado e no qual ele compara o clima político vigente no país ao que vigeu durante a ditadura militar.
Textualmente, Freitas alude a “Uma carga de ódio e ferocidade não perceptíveis desde a ditadura”. Como Moreira Leite, o prefaciador aponta o risco para a democracia que envolve a transformação do Supremo Tribunal Federal em instrumento político de um setor da sociedade e dos partidos políticos que o representam.
Vale a pena a leitura, abaixo, do prefácio de Janio de Freitas para A Outra História do Mensalão, lembrando que a obra começa a chegar às livrarias nesta quarta-feira 20 de fevereiro, ainda que grande parte da primeira remessa, se não toda ela, já esteja comprometida com as encomendas antecipadas.
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Quase o mensário do mensalão
Por Janio de Freitas
Desde 2005, portanto desde o começo, Paulo Moreira Leite acompanha como jornalista tudo o que se passou a pretexto do mensalão que nunca foi sequer mensal, quanto mais mensalão.
Está dito ali em cima: “como jornalista”. Parece um registro banal, equivalente ao que seria dizer, em outras situações, “como engenheiro”, “como advogado”, “como médico”, e qualquer outra identidade profissional. No caso, porém, “como jornalista” tem um peso especial.
Antes de ser a Ação Penal 470 sob julgamento no Supremo Tribunal Federal, o chamado mensalão já estava sob uma ação penal. Executada na imprensa, na TV, nas revistas e no rádio. Uma ação que mal começara e já chegava à condenação de determinados réus.
Não participar dessa ação penal antecipada deveria ser o normal para todos os jornalistas. Não foi. Isto não quer dizer que os fatos denunciados não fossem graves, nem que entre os envolvidos não houvesse culpados pelos fatos e pela gravidade.
O que houve nos meios de comunicação foi o desprezo excessivo pela isenção. Os comentaristas, com exceções raras, enveredaram por práticas que passaram do texto próprio de comentário jornalístico para o texto típico da finalidade política, foram textos de indisfarçável facciosismo.
Essa prática foi levada também para a internet, onde, porém, os jornalistas profissionais não estão dispensados de sujeitar-se aos princípios universais do jornalismo. O vale-tudo (ainda) permitido na internet é uma espécie de orgia romana das palavras, um formidável porre opiniático. Nada a ver com a relação entre fato, jornalismo e leitor/espectador/ouvinte.
Paulo Moreira Leite ficou como uma das raras exceções referidas. Inclusive na internet. Embora, quando escreveu os artigos deste livro, estivesse na revista Época, todos foram feitos para o seu blog “Vamos combinar – Paulo Moreira Leite”.
Cedo, já no relatório entregue pela Polícia Federal ao Ministério Público, constatara a disparidade entre as acusações até ali divulgadas e as provas obtidas na investigação policial: aquelas eram bem mais numerosas do que estas.
Discrepância que assumiu também outras formas, inclusive nas relações entre ministros-julgadores, e veio a ser algo como uma constante no julgamento da Ação Penal 470. É dessa matéria-prima que vem este livro.
O blog do Paulo chegou a aumentar a “audiência” em 500% de um dia para o outro. Sucesso que tanto diz a seu respeito como diz dos meios de comunicação convencionais.
Mas não foi a experiência de correspondente brilhante em Paris e em Washington, nem o trabalho inteligente de repórter e em cargos de direção na Época, na Veja, no Diário de S. Paulo que fizeram tal sucesso. Foi, primeiro, o olhar permanente, como ele diz, “com curiosidade e com desconfiança”. Depois, não ter medo pessoal e ter independência profissional para expor o que e como viu os fatos e sua tessitura.
Há um preço alto a pagar por isso. Ao lado da compreensão e do aplauso de muitos, a reação dos desagradados com a veracidade jornalística tem mostrado, no decorrer da Ação Penal 470, uma carga de ódio e de ferocidade não perceptíveis desde a ditadura.
Seria mais um efeito do modo prepotente como o julgamento foi impulsionado?
Concluída a fase das condenações, Paulinho – como é chamado pelo saldo de carinho ainda existente nas redações – mudou-se da Época para a IstoÉ, e seu blog passou do site de uma revista para o da outra.
Este livro começou no blog e continuará nele. Sob seus olhos, tenho certeza.
Janio de Freitas firmou-se como um dos mais importantes jornalistas brasileiros na década de 1950, ao realizar uma reforma no Jornal d Brasil que seria imitada até pelos concorrentes. Em 1987 Janio ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo graças a uma reportagem que comprovou um acerto de empreiteiras na licitação da Ferrovia Norte Sul. Em 2012, ano em que completou 80 anos, Janio de Freitas publicou na Folha de São Paulo uma série de artigos que se tornaram leitura obrigatória durante o mensalão.

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2013/02/colunista-da-folha-compara-clima-politico-atual-ao-da-ditadura/

Yoani reloaded


19.02.2013
Do blog ESQUERDOPATA
Por Leandro Fortes, no Facebook


Primeiro de tudo: foi um erro dos manifestantes baianos impedir a exibição do documentário, ou seja lá o que for aquilo, do tal cineasta de Jequié, Dado Galvão, em Feira de Santana. Não que eu ache que dessa película poderia vir alguma coisa que preste, mas porque praticar sua arte – seja genial, banal ou medíocre – é um direito inalienável de qualquer cidadão brasileiro. 

Ao impedir o documentário, os manifestantes estão ajudando a consolidar a tese adotada pela mídia de que os que são contra a blogueira Yoani Sánchez são, apenas, a favor da ditadura cubana. Fortalece, pois, esse reducionismo barato ao qual a direita latinoamericana sempre lança mão para discutir as circunstâncias de Cuba.

Minha crítica aos manifestantes, contudo, se encerra por aqui.

De minha parte, acho ótimo que tenha gente disposta a se manifestar contra Yoani Sánchez, uma oportunista que transformou dissidência em marketing pessoal. Não vi ainda nenhuma matéria que informe ao distinto público quem está pagando a turnê de Yoani por 12 (!) países – passagens aéreas, hospedagens, traslados, alimentação, lazer, banda larga e direito a dois acompanhantes, o marido e o filho. 

Nem a Folha de S.Paulo, que até em batizado de boneca do PT pergunta quem pagou o vestido da Barbie, parece interessada nesse assunto. E eu desconfio por quê.

Yoani Sánchez é a mais nova porta-bandeira da liberdade de expressão em nome das grandes corporações de mídia e do capital rentista internacional. É a direita com cara de santa, candidata a mártir da intolerância dos defensores da cruel ditadura cubana, a pobre coitada que tentou, vejam vocês, 20 vezes sair de Cuba para ganhar o mundo, mas só agora, que a lei de migração foi reformada na ilha, pode viver esse sonho dourado. Mas continuo intrigado. Quem está pagando?

A mídia brasileira, horrorizada com as manifestações antidemocráticas em Pernambuco e na Bahia, não gosta de lembrar que a atormentada blogueira morou na Suíça, apesar de ter tentado sair de Cuba vinte vezes, nos últimos cinco anos. Vinte vezes! 

Façamos as contas: Yoani pediu para sair de Cuba, portanto, quatro vezes por ano, de 2006 para cá. Uma vez a cada três meses. Mas, antes, conseguiu ir MORAR na Suíça. Essa ditadura cubana é muito louca mesmo.

Mas, por que então a blogueira dissidente e perseguida abandonou a civilizada terra dos chocolates finos e paisagens lúdicas de vaquinhas malhadas pastando em colinas verdejantes? Fácil: nos Alpes suíços, Yoani Sánchez poderia blogar a vontade, denunciar a polícia secreta dos Castros e contar ao mundo como é difícil comprar papel higiênico de qualidade em Havana – mas de nada serviria a seus financiadores na mídia, seja a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que lhe paga uma mesada, ou o Instituto Millenium, no Brasil, que a tem como “especialista”.

Então, é preciso fazer Yoani Sánchez andar pelo mundo. Fazê-la a frágil peregrina da liberdade de expressão, curiosamente, financiada pelos oligopólios de mídia que representam, sobretudo na América Latina, a interdição das opiniões, quando não a manipulação grosseira, antidemocrática e criminosa da atividade jornalística, em todos os aspectos. 

É preciso vendê-la como produto “pró-Cuba”, nem de direita, nem de esquerda – aliás, velha lenga-lenga mais que manjada de direitistas envergonhados. Pena Yoani ter se atrasado nessa missa: Gilberto Kassab, com o PSD, e Marina Silva, com a Rede (Globo?), já se apropriaram, por aqui, dessa fantasia não-tem-direita-nem-esquerda-depois-da-queda-do-muro-de-Berlim.

No mais, se a antenada blogueira cubana tivesse ao menos feito um Google antes de embarcar para o Brasil, iria descobrir:

1) Dado Galvão, apesar de “colunista convidado” do Instituto Millenium, não é ninguém. Ela deveria ter colado em Arnaldo Jabor;
2) Eduardo Suplicy é a Yoani do PT;
3) Em Pernambuco não tem só frevo;
4) E na Bahia não tem só axé.
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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com.br/2013/02/yoani-reloaded.html

Cuba, o embargo injustificado, o papel do Brasil e dos EUA

19.02.2013
Do blog PALAVRA LIVRE
Por Davis Sena Filho


     O bloqueio econômico, financeiro e comercial a Cuba, imposto pelos Estados Unidos em 1962, no governo do democrata John F. Kennedy, é um dos bloqueios mais longos que se tem notícia no mundo contemporâneo, além de ser considerado cruel pelos organismos internacionais, a exemplo da Assembléia Geral da ONU, que aprovou, em 13 de novembro de 2012, a 21ª resolução de condenação ao embargo econômico a Cuba. Apenas os Estados Unidos, Israel e Palau ficaram a favor do embargo.  No dia 7 de fevereiro deste ano, o bloqueio completou 51 anos, ou seja, mais de meio século, e foi transformado em lei em 1992 e 1995. O ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, também democrata, ampliou o embargo comercial ao pequeno país caribenho em 1999, o que acarretou a proibição de filiais estrangeiras de empresas do paísyankee de comercializar com Cuba valores que ultrapassem a US$ 700 milhões, o que é um absurdo e uma gota no oceano em termos de comércio exterior.
       
       A Assembleia das Nações Unidas rejeita, reiteradamente, a política isolacionista promovida pelo governo estadunidense e o seu Departamento de Estado contra Cuba. Tal Departamento, cuja doutrina de política externa é o porrete, transformou-se em alvo de críticas internas contundentes por parte de entidades estadunidenses, contrárias ao bloqueio, ao argumentarem que não existem normas no direito internacional que justifiquem um embargo tão radical em tempo de paz, de globalização, além do fim da Guerra Fria, que ocorreu, simbolicamente, com a queda do Muro de Berlim, em 1989.

       Cuba enfrenta mais de cinco décadas de guerra econômica. Para se ter uma ideia do que é isto, ao longo de 51 anos a ilha cubana teve prejuízos que chegam a mais de US$ 1 trilhão, valor este elevado para um país tão pequeno. É algo incompreensível, com o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos ainda não mudarem sua política externa para com cubanos. E sabem por que essa realidade acontece? Respondo: Cuba atual não é importante economicamente, mas o é politicamente e ideologicamente, com forte conotação simbólica, que remonta a guerrilha de Fidel Castro e Che Guevara, ícones internacionais e que até hoje povoam o imaginário de diversas gerações — as mais jovens e as mais antigas. Combater e sufocar Cuba é essencial para os grandes capitalistas e seus governos, porque acreditam que dessa forma "matam" o sonho do socialismo.

       As contradições da política estadunidense no que tange a Cuba são questionadas pela comunidade internacional. Lembro que, ao tempo em que Cuba é boicotada por um tempo de 51 anos, os Estados Unidos se constituíram nos principais parceiros comerciais da China comunista, além de retomarem o diálogo com a Coreia do Norte e o Vietnã, seus arqui-inimigos do passado e do presente, com o propósito de criarem uma nova fronteira de negócios com os países que, juntamente com o Laos e o Camboja, formam a Indochina. No momento, a Coreia do Norte realiza experimentos atômicos, mas o diálogo com os EUA e a Coreia do Sul prosseguem. Somente indivíduos ingênuos ou jornalistas a serviço da mídia imperialista e de direita brasileira acreditariam que os EUA, no momento, abririam mão de negociações e optariam por uma invasão militar.

          É necessário salientar e relembrar também que representantes da Coreia do Norte e dos Estados Unidos se reuniram no ano passado em Genebra, na Suíça, com a intenção de desbloquearem as conversações sobre o desarmamento nuclear dos coreanos, considerados à revelia pelos yankees como um dos países formadores do “eixo do mal”, juntamente com o Irã e o invadido Iraque, que desde 2003 está ocupado pelas forças militares dos EUA, que têm interesses geopolíticos na região, além de controlarem o petróleo e uma nação como a do Iraque cujo povo tem cinco mil anos de história, pois eles são a própria Mesopotâmia.

       Se a questão fundamental fosse ideológica, os estadunidenses não negociariam com a China, que é comunista como Cuba e muitas vezes contrária, por exemplo, aos interesses dos estadunidenses no Conselho de Segurança da ONU. Negócios são apenas negócios. Ou como gostam os nossos complexados e colonizados tupiniquins:business to business (B2B). Os Estados Unidos, mesmo na Guerra Fria e em alta escala, sempre negociaram com a extinta União Soviética, e nem por isso o mundo acabou. O bloqueio comercial a Cuba não tem mais sentido, tanto é verdade que muitos países, inclusive o Brasil, negociam comercialmente com o país caribenho e pedem o fim do embargo nos fóruns internacionais.
 
       Além disso, considero o Brasil, que tem uma das diplomacias mais avançadas do mundo, um grande mediador. Com o fortalecimento do Mercosul com a entrada definitiva da Venezuela e o reconhecimento por parte dos grandes países ocidentais de que o Brasil é o principal País da América Latina, o Governo Federal, por meio do Ministério das Relações Exteriores, deveria se empenhar de forma mais assertiva junto à OEA, à ONU, aos blocos econômicos como a Comunidade Europeia para que os Estados Unidos façam uma revisão de suas políticas públicas e diplomáticas em relação a Cuba, país independente e autônomo, que se recusa a ser tutelado por quem quer que seja, como bem demonstra a história cubana desde 1959, quando os revolucionários, à frente do movimento de libertação Fidel Castro e Che Guevara, assumiram o poder político e militar na ilha caribenha.

       Considero fundamental que o Governo Federal recrudesça e procure efetivar a inserção de Cuba no mercado econômico e financeiro internacional, por intermédio de negociações do Itamaraty na OEA, na ONU, na OMC, no Mercosul e nos bancos internacionais, como o Banco Mundial (Bird), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Cuba tem de ser integrada urgentemente, bem como a Palestina à comunidade internacional, e com celeridade. Nenhum país deve ser tratado como se fosse de segunda categoria, porque povo algum é de segunda categoria. A humanidade pode até diferir na cor da pele e na textura dos cabelos, mas ela é uma só, única e indivisível, porque vivemos em um planeta do qual somos filhos, e, quando da nossa morte, voltamos para o útero dele em forma de pó. Existem, sim, países poderosos, com força econômica e bélica incomensurável e que se aproveitam de sua posição para impor sanções e bloqueios, além de, se puderem, promover invasões militares.


      Contudo, faço uma ressalva: essas organizações financeiras têm de, urgentemente, reformular seus programas de financiamento, voltando-se mais para o desenvolvimento social dos países subdesenvolvidos e endividados e deixar em segundo plano as estratégias que visam apenas o lucro, fato este que ocorreu durante décadas com o Brasil, e agora, quando a Europa e os EUA estão em crise, seus povos se recusam a apertar seus cintos e protestam nas ruas contra a falta de emprego, de renda e de esperança proporcionados pela crise de 2008, que até hoje perdura e que tende a piorar, segundo os ministros de Fazenda da zona do euro e os analistas vinculados ao mercado financeiro e ao comércio e à indústria.

        A verdade é que o ex-presidente Lula tem razão. Ele criticou o FMI em evento nos EUA realizado em 2011 quando recebeu prêmio de reconhecimento pelo seu governo ter combatido a fome e a miséria e inserido milhares de famílias brasileiras no mercado de consumo. O político trabalhista disse o seguinte: “O FMI tinha solução para tudo quando a crise era na Bolívia, no Brasil, no México. Quando a crise chega aos países ricos o FMI se cala, entrou num silêncio profundo. O BID, então, não fala mais nada” — criticou Lula, alto e em bom som para quem quisesse ouvir, inclusive os neoliberais brasileiros e a imprensa comercial e privada que insistem em defender o indefensável, a justificar o injustificável e a dissimular o fracasso retumbante de governantes atrelados ao Consenso de Washington de 1989 e vazios de sensibilidade social, como o tucano e ex-presidente neoliberal Fernando Henrique Cardoso, que foi três vezes ao FMI, de joelhos e com o pires na mão, o que fez milhões de cidadãos brasileiros se sentirem humilhados.

       Lula afirmou ainda que os países desenvolvidos deveriam seguir os passos do Brasil, tê-lo como exemplo quando se trata de combater a crise mundial. Para ele, os mais pobres são os que têm de ter prioridade, porque não há nada mais barato do que cuidar deles, pois duro e difícil é cuidar dos ricos. Para o ex-mandatário trabalhista, distribuir renda é a solução para que as pessoas pobres possam consumir e, consequentemente, fazer a economia girar, o que propiciará a criação de empregos e renda para os mais ricos, que poderão dessa forma contratar um número maior de trabalhadores e com isso aumentar a força de trabalho e a riqueza dos países, das sociedades.É o chamado ciclo virtuoso da economia.

       Por sua vez, a presidenta Dilma Rousseff disse quando esteve na Turquia que “Desejamos à Europa uma saída rápida da crise por meio da busca por maior estabilidade macroeconômica, mas também e, sobretudo, assegurando a retomada do crescimento, da proteção ao emprego e dos segmentos mais vulneráveis das diferentes populações”. A resumir: Lula e Dilma pensam de maneira igual, pois são executores do mesmo programa de governo e projeto de País. Eles são políticos trabalhistas, nacionalistas e acreditam no Brasil e em sua maior riqueza que é o seu povo. Lula e Dilma seguem, fundamentalmente, os princípios da escola política e econômica estruturalista, progressista, cuja origem remonta a Getúlio Vargas e passa pelo grande pensador e economista Celso Furtado.

      Os neoliberais nunca compreenderam isso, não porque são ignorantes ou de parcos conhecimentos sobre as questões e as realidades brasileiras, como se define pessoas relativamente “espertas” de forma educada. Governaram para poucos porque usaram de má-fé. E assim foi feito para, propositalmente, cuidarem dos ricos e governarem para 30% da população do País, como fez FHC — o Neoliberal — em seus dois governos, controlados pelo PSDB e com o apoio de partidos como DEM, o pior partido do mundo, pois tataraneto que é da UDN. Quanto ao PPS do desmoralizado Roberto Freire, considero-o apenas um partido de aluguel e que se esqueceu de sua memória. Lamentável.

        Voltemos a Cuba. A crise internacional é questionada fortemente por instituições nacionais de diversos países, bem como por ONGs e outros movimentos sociais que criticam, de forma ácida e até mesmo violenta, a atuação dos organismos financeiros internacionais perante aqueles que deles dependem ou que devem a eles. Se países inseridos em um contexto mais favorável têm enfrentado graves problemas no que concerne à inserção no mercado internacional, o que diríamos de Cuba que há mais de cinco décadas enfrenta um bloqueio econômico dos mais desumanos e cruéis que se tem notícia no mundo contemporâneo? Por isso, como cidadão e jornalista sou favorável ao fim do bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba.

    A Guerra Fria, repito, acabou. O mundo se tornou globalizado. Globalização, como o nome indica, significa interação entre os países, que passaram a se comunicar e a realizar negócios em uma frequência e grandeza nunca vistas antes pela humanidade. É surreal, em tempos de globalização, Cuba ficar à margem do processo de integração mundial por questões muito mais ideologicamente e politicamente mesquinhas do que econômicas. Os Estados Unidos veem Cuba como um problema pessoal. Dá a impressão que os sucessivos governos estadunidenses teriam perdido um estado de sua federação, à força, o que não retrata a realidade. Os cubanos seguiram seus destinos de povo livre e independente e que tem o direito de fazer parte da comunidade internacional tal qual a qualquer outro povo que tem representação na ONU e em outros fóruns internacionais. Cuba não é o Havaí e nem Porto Rico, que merecem, sem sombra de dúvida, todo meu respeito e consideração.

     Cuba é soberana. E o Brasil, como um País tradicionalmente moderado, diplomaticamente competente, de vocação mediadora, deve sentar à mesa de negociações, com o propósito de inserir e incluir Cuba no contexto internacional. A Carta da ONU considera direito inalienável de todo povo e de toda nação serem livres, bem como participar dos processos de interação e integração entre os povos. O bloqueio econômico ao país do Caribe não condiz com as realidades das Américas e muito menos com a democracia, tão defendida pelos Estados Unidos ao tempo que por eles negada ao povo cubano, bem como a muitos outros povos. O bloqueio a Cuba é ideológico, geopolítico, insensato, cruel e injustificado. 

     Será que a blogueira de direita, a cubana Yaoni Sánchez, contratada para o cargo de diretora da ultraconservadora Associação Interamericana de Imprensa (SIP), sabe dessas realidades relativas a Cuba? Com certeza, sim. E daí? O que importa a tipo de gente como a pseuda jornalista é atender aos interesses do governo estadunidense, bem como o do establishment. As questões cubanas são muito maiores e mais complexas do que as palavras encomendadas e direcionadas de Yaoni, que, visivelmente, esta atrelada aos patrões do sistema midiático privado e hegemônico das três Américas. A independência e a autodeterminação cubana, igualmente à brasileira e a de todos os povos da América Latina e do Caribe, não são negociáveis. Cuba é independente. É isso aí.

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Fonte:http://davissenafilho.blogspot.com.br/2013/02/cuba-o-embargo-injustificado-o-papel-do.html