terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A estratégia de sobrevivência de Henrique Alves e assemelhados

12.02.2013
Do BLOG DA CIDADANIA, 10.02.13
Por Eduardo Guimarães

Muita gente se surpreendeu com postura do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, de retroceder de uma suposta confrontação com o STF. Inexplicavelmente, porque, como já foi dito aqui, por muito tempo ele demonstrou sua estratégia para sobreviver não só no cargo que ora ocupa, mas ao se reeleger, vez após outra, ao longo de décadas.

A estratégia de gente como Alves, Renan Calheiros, Sarney e tantos outros, é uma só: eles têm um discurso para cada platéia, ao gosto do freguês.
Para se eleger presidente da Câmara, Alves adotou um discurso de independência e de afirmação do Legislativo diante de ofensiva de um Judiciário que pretende que a Câmara aceite sem questionar cassações políticas no âmbito do julgamento da AP 470 (vulgo “mensalão”).
Eleito, porém, o novo presidente da Câmara adotou um discurso que já o tirou da linha de fogo em que permaneceu enquanto teve que sustentar o discurso eleitoral.
Ou alguém acha que esse homem se mantém deputado há 40 anos sendo coerente e franco? Político é isso aí, para quem não sabe. Diz o que cada um quer ouvir e depois faz o que a conjuntura indica ser melhor.
O novo discurso de Alves significa que os réus do julgamento do “mensalão” que têm mandatos de deputados federais já podem dar adeus aos cargos? Não significa, não.
Alves jamais teria tido problemas com a imprensa e com o partidarizado procurador-geral da República se não tivesse adotado o discurso de confronto com o Supremo que a maioria da Câmara queria. Os “escândalos de emergência” que surgiram contra si nessas instâncias ficaram guardados durante anos, esperando a hora de ser usados.
Viram que maravilha como sumiram todos os “bodes galeguinhos”, assessores enrolados e tudo mais, como em um passe de mágica?
Impressiona que impérios de comunicação e certos políticos tão experientes e com tantos recursos se deixem levar pelo vaivém de outros políticos notórios justamente pela ambigüidade política e ideológica.
Ao ceder à chantagem jurídico-midiática de que se confrontasse o STF seria atacado da mesma forma com que Renan Calheiros no Senado e Severino Cavalcanti na Câmara foram há alguns anos, Alves também agrada ao Palácio do Planalto e a parcela crescente do PT que prefere “virar a página” de um jogo que julgam perdido, pois a mídia conseguiu condenar politicamente alguns petistas.
O fato é o seguinte: Alves se reelegeu contra a vontade da mídia. Ele sabe muito bem que isso não iria ficar assim, que ela trabalharia dia e noite para derrubá-lo, pois não pode ficar como derrotada em conseguir desmoralizar quem quiser desmoralizar, pois precisa ser temida. Assim, ele ofereceu mercadoria que não pode entregar.
Quem acha que o rito que a Câmara irá adotar quando se esgotarem todos os recursos dos réus do julgamento do “mensalão” será decidido única e exclusivamente pelo presidente da Casa, engana-se redondamente. Decisões como essa são frutos de acordos de bastidores. No caso de Alves e da Câmara, o que vier a ocorrer daqui a talvez até um ano, será assim.
Sem essa pseudo rendição do presidente da Câmara, ele enfrentaria já um ataque em massa e incessante, além de certamente os braços midiáticos no MPF e no STF levarem adiante um processo contra si que estava esquecido e que ao esquecimento voltará… Ou melhor, que ao esquecimento JÁ voltou.
Caso a montanha de recursos dos réus da AP 470 que serão interpostos no STF não funcionem e o processo seja remetido à “Câmara”, o rito a ser adotado será produto de uma decisão política que, por óbvio, não será só do presidente da Casa, mas de acordos mil.
A má notícia para os réus é que, cada vez mais, vai aumentando o contingente de cabeças coroadas do PT que julgam que não adianta mais lutar por eles, caso sejam definitivamente condenados, com sentenças transitadas em julgado. Como se esses réus petistas de hoje não fossem outros – e novos – réus petistas de amanhã.
Politicagem de Carnaval
Estive lendo aquelas notícias que sempre saem nesta época de Carnaval todo ano, há pelo menos uns seis anos, e que dão a impressão de que o governo petista de turno está desmoralizado.  Refiro-me àquelas máscaras carnavalescas de políticos. Neste ano, são as de Joaquim Barbosa e as de “mensaleiros”.
A mídia tenta vender que a admiração a um e a repulsa a outros é produto de sentimento popular, quando a confecção das tais máscaras e a venda de alguns milhares delas não passa de farsa organizada pela mídia, em sua eterna campanha de desmoralização de petistas e, sobretudo, de Lula.
A Editora Abril está até fazendo “gibis” para crianças atacando o PT; novelas, programas humorísticos e tantos outros da Globo, idem. O Carnaval é só mais uma tentativa (vã) de jogar o ódio ao PT no gosto popular.
Tem funcionado? Acho que não precisaria responder, mas respondo: com máscaras de Carnaval, novelas, gibis, programas humorísticos e o diabo a quatro, a oposição demo-tucano-midiática está virando pó e o PT se fortalece a cada eleição – na última (2012), tornou-se o partido mais votado do país.
A idéia que a mídia oposicionista tenta vender com as tais máscaras carnavalescas, portanto, é falsa. O povo nem sabe quem é Joaquim Barbosa. Nem José Dirceu é tão conhecido. Muito menos João Paulo Cunha, Delúbio Soares ou José Genoino.
É tudo parte da “viagem” golpista do PIG, que, no novo Brasil, mais se assemelha às “viagens” de ácido lisérgico dos anos 1970, quando a “imprensa” ainda fazia a cabeça do brasileiro politicamente. Hoje não faz mais. Entre ter emprego e renda e embarcar na politicagem destro-midiática, o povo já fez sua opção.

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2013/02/a-estrategia-de-sobrevivencia-de-henrique-alves-e-assemelhados-2/

Cantanhêde e o filhote do Pinochet

12.02.2013
Do BLOG DO MIRO
Por Altamiro Borges
http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/

A jornalista Eliane Cantanhêde não relaxa nem no feriadão. Ela está muito angustiada com os rumos políticos no Brasil... e no Chile! Em seu artigo de hoje na Folha, intitulado “Antes e depois do Carnaval”, a colunista da “massa cheirosa” do PSDB faz uma lista dos problemas brasileiros e lamenta: “Mas a reeleição de Dilma Rousseff em 2014 vai de vento em popa”. Já no Chile, comandado por um notório filhote do ditador Augusto Pinochet, “a economia vai bem, mas a reeleição do presidente Sebastián Piñera vai mal”.

Talvez devido à ressaca carnavalesca, a jornalista da Folha não se atentou para o fato de que a Constituição chilena proíbe a reeleição. O seu amigo FHC até poderia dar uns conselhos ao neoliberal do país vizinho sobre como comprar uns votos para garantir a reeleição. Mesmo assim, ele não teria uma vitória garantida. O ricaço Sebástian Piñera, cuja família controla vários veículos da comunicação – talvez outro motivo da afinidade de Eliane Cantanhêde – tem feito um governo desastroso, como atestam várias pesquisas.

Nas eleições municipais de outubro do ano passado, os partidos de direita do Chile, reunidos na chamada Aliança, já sofreram duro revés. Candidatos independentes e da coalizão de centro-esquerda Concertación venceram na maioria das cidades. Diante do fiasco, o desgastado Sebástian Piñera promoveu uma ampla reforma ministerial. O objetivo foi manter o bloco direitista unido, já que a guerra interna se agravou com a derrota eleitoral e com a impossibilidade do atual presidente disputar a reeleição no final de 2013.

A manobra, porém, não surtiu os efeitos desejados e o Sebástian Piñera continua batendo recordes de rejeição. O motivo do descrédito é que o governo aplica o receituário neoliberal, acelerando o desmonte do estado, da nação e do trabalho. Além disso, o herdeiro do pinochetismo esbanja truculência, ordenando violenta repressão aos protestos estudantis que agitam o Chile contra a contrarreforma da educação. Como resposta da sociedade, várias lideranças estudantis foram eleitas nas eleições de outubro passado.    

No seu elitismo e na sua sanha oposicionista, Eliane Cantanhêde não leva estes fatores em conta. Ela só enxerga problemas no Brasil – inflação em alta, “Petrobras detonada”, “pibinho” e outros males – e critica a presidenta Dilma por se “reunir alegremente com líderes camponeses” e por participar da “comemoração do legado do PT”. No seu esporte favorito, ela também ataca o ex-presidente: “Depois do Carnaval, Lula reavivará a sua eficiente Caravana da Cidadania, distribuindo carisma e lábia país afora. Tudo é uma festa”.

“Assim, o Brasil segue na contramão do Chile. No simpático e aplicado país sul-americano, a economia vai bem, mas a reeleição [não leve em conta; é a ressaca carnavalesca] do presidente Sebastián Piñera vai mal. No melhor país do mundo, que é o nosso, a economia não está lá essas coisas, mas a reeleição de Dilma Rousseff em 2014 vai de vento em popa”. Cantanhêde está indignada!

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Fonte:http://www.altamiroborges.blogspot.com.br/2013/02/cantanhede-e-o-filhote-do-pinochet.html