domingo, 3 de fevereiro de 2013

No cartório, Brasil tem terras extras equivalente a mais um estado de São Paulo

03.02.2013
Do BLOG DO JAMILDO
Postado por Vinícius Sobreira



Da Agência Estado

Do Oiapoque ao Chuí, o território brasileiro tem cerca de 8,5 milhões de km². Oficialmente, segundo o IBGE, essa é a superfície do País. No papel, porém, o território brasileiro é maior. Quando se faz a soma da área de todos os imóveis rurais cadastrados no Instituto Nacional de Colonização e Reforma (Incra), o resultado final chega a 9,1 milhões de km².

É uma diferença notável: a área que sobra equivale a duas vezes o território do Estado de São Paulo. Ou, para quem se sente melhor com grandezas imperialistas, à soma dos territórios da Alemanha e Inglaterra.

O esticamento do território nacional foi verificado pelo Sindicato Nacional dos Peritos Federais Agrários, após obter no Incra, por meio da Lei de Acesso à Informação, dados detalhados do Serviço Nacional de Cadastro Rural - que tem a tarefa de recolher informações de todos os imóveis rurais registrados no País. O mapeamento reúne informações de 2011. As de 2012 ainda não foram compiladas pelo Incra.

Os peritos concluíram que o Brasil, uma das maiores potências agrícolas do mundo, está longe de ter um cadastro de terras confiável. O problema mais aparente é o que eles chamam de sobrecadastro - quando a soma das áreas declaradas pelos proprietários nos cartórios supera a superfície real do município. Nessa categoria, o caso que mais chama a atenção é o de Ladário, no Mato Grosso do Sul.

Dez andares - De acordo com o IBGE, a superfície daquele município alcança 34.250 hectares. Mas a soma da área dos 139 imóveis cadastrados é mais do que dez vezes maior: chega a 397.999 hectares. Dito de outra forma, para que o território cadastrado coubesse no real seria necessário erguer dez andares de terras sobre Ladário.

O município sul-mato-grossense chama a atenção por estar no topo da lista, mas o problema não ocorre só lá, nem é exclusividade do Brasil profundo. Palmas e Cuiabá, capitais de dois Estados que se destacam como importantes produtores agrícolas - Tocantins e Mato Grosso -, enfrentam o mesmo problema.

Pelas informações obtidas no Incra, dos 5.565 municípios brasileiros, 1.354 tem sobrecadastramento, o que representa cerca de um em cada quatro. A razão mais comum para o descompasso são fraudes nos registros e até erros na transcrição dos números. Mas não é só. Os peritos apontam desatualização dos registros e, sobretudo, as condições precárias em que são feitos. "Quase tudo gira em torno da declaração que o proprietário faz no cartório sobre o tamanho de sua terra", diz Fernando Faccio, perito federal do Incra em Florianópolis (SC) e porta-voz do sindicato. "Os órgãos estaduais de terras não possuem um bom mapeamento das áreas; os cartórios não têm obrigação de garantir que a terra registrada não está em cima de outra; e o Poder Público também não vai lá verificar."

Para Faccio, o fato de o Brasil não conhecer sua malha fundiária é inaceitável, principalmente quando se considera que as tecnologias já existentes, como o georreferenciamento, permitem resolver o problema de maneira eficiente. "Só posso imaginar que os empecilhos no caminho da modernidade são essencialmente políticos."

Terra a menos - Sobra de terra no cadastro não é o único drama. Na região Norte do País verifica-se o subcadastramento, que ocorre quando a superfície registrada é menor do que a real. A causa principal é a existência de grandes áreas de terras devolutas, controladas pelo Estado e frequentemente ocupadas de maneira irregular. O sindicato estima que na região amazônica só 4% do território está cadastrado. "Os órgãos de governo não tem controle de suas terras, o que acaba favorecendo os conflitos agrários na região" afirma Faccio.

O sindicato do qual ele faz parte defende a ideia de que o Incra passe a se dedicar exclusivamente ao controle fundiário, transferindo para outros organismos a questão da reforma agrária. O órgão passaria a se chamar Instituto de Terras. "Sem conhecer sua malha fundiária, o Brasil não consegue definir políticas públicas de maneira consistente, não consegue evitar a insegurança jurídica. No momento não se sabe nem quanta terra se encontra nas mãos de estrangeiros", observa o perito.

O assunto atrai a atenção da presidente Dilma Rousseff desde quando era chefe da Casa Civil. Confrontada com questões relacionadas a desmatamento, conflitos agrários, políticas sociais na zona rural, a então ministra constatou que existem cadastros paralelos no Incra, na Receita Federal e nos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura - e que nenhum deles é confiável.

Na Presidência, ela tem cobrado a consolidação de um cadastro único e confiável. A ministra Gleise Hoffmann, que substituiu Dilma na Casa Civil, é uma das pessoas encarregadas de analisar a questão. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.


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TRAGÉDIA EM SANTA MARIA: A cobertura do horror

03.02.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 29.01.13
 Por Antonio Brasil*, na edição 731


“As principais agências internacionais de notícias apresentam o Brasil como uma nação assombrosa, oscilando entre paraíso tropical e inferno dantesco.” (Peter Burke, 2006)
Outra vez o Brasil ganhou enorme espaço no limitado e disputadíssimo cenário jornalístico internacional. Temos que agradecer esse duvidoso privilégio ao trágico incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS). Afinal, com mais de 233 mortos e outros tantos feridos, além de outros desastres naturais regulares e previsíveis o Brasil é referência e fonte inesgotável de más notícias na imprensa internacional.
A tragédia em Santa Maria é o segundo incêndio mais mortal e a quinta maior tragédia da história do Brasil. Diante de tantas notícias ruins, estamos todos de luto. Mas o nosso pesar e tristeza não deveriam ser confundidos com indiferença, descaso ou o pior e mais provável: o esquecimento.
O incêndio de Santa Maria não é um evento singular, raro ou excepcional em nosso país. Desastres naturais e grandes tragédias frequentam nossos noticiários com incrível e inaceitável regularidade. Apesar de “campeões em tragédias”, o incêndio em Santa Maria deveria ser uma oportunidade para mudarmos muitas coisas no país.
Temos que aproveitar o desastre e a tristeza para repensar nossas atitudes em relação à segurança de casas noturnas no Brasil, e cobrar mais responsabilidade dos proprietários, funcionários, autoridades e do público que frequenta essas “arapucas noturnas”.
Ou seja, todos nós temos uma parcela de culpa em nossas tragédias.
Velhas doenças
Grandes ou pequenos eventos no Brasil são convites abertos a tragédias anunciadas. Ainda mais às vésperas da Copa do Mundo e das primeiras Olimpíadas no Brasil, eventos gigantescos que criarão situações perigosas semelhantes à tragédia de Santa Maria. Copa do Mundo não acontece somente nos estádios. Os atletas, autoridades, jornalistas e turistas virão em grande número para frequentar os eventos esportivos e nossas “arapucas diurnas e noturnas”.
A responsabilidade de organizar grandes eventos internacionais no Brasil nos coloca ainda mais em evidência diante da opinião pública internacional. Hoje, mais do que nunca, o Brasil é destaque no noticiário. Estamos sendo observados em nossa capacidade para gerar soluções inovadoras e criativas para resolver problemas recorrentes. Mas também estamos sendo cobrados em relação a velhas “doenças”, como violência social, corrupção generalizada, descaso e incompetência de empresários e das autoridades.
Brasil na mídia
Em relação à cobertura internacional, a tragédia de Santa Maria é uma oportunidade excepcional para entendermos melhor o papel da mídia na divulgação de notícias positivas e negativas sobre o país, e a construção da imagem do Brasil no exterior pelos correspondentes e sua relação com o controle ou manipulação da opinião pública mundial.
Ao contrário do que gostariam muitos governantes que gastam fortunas em campanhas para garantir a difusão de notícias consideradas “positivas” sobre o país, cabe aos correspondentes e agências internacionais a difusão dos fatos sobre o Brasil.
Como a maioria dos habitantes do planeta, tudo ou quase tudo que você conhece sobre esses países foi visto na TV e nos telejornais graças ao trabalho dos correspondentes. A maioria das pessoas não se interessa ou viaja para países periféricos, como Brasil, Iraque, Afeganistão ou Costa Rica. Elas costumam se interessar somente por seus próprios países. A TV costuma ser a sua única janela para o mundo. E as emissoras preferem divulgar as notícias ruins, as desgraças, as pautas consideradas negativas. Dessa forma, são responsáveis pela construção da imagem dos países.
Nesse cenário, as agências de notícias são as empresas jornalísticas especializadas em difundir informações e notícias diretamente das fontes para os veículos de mídia, como as emissoras de TV. As agências operam por meio de escritórios locais, em diferentes cidades e países, que transmitem sua apuração para as centrais – as quais, por sua vez, redistribuem o material para os clientes (jornais, revistas, rádios, televisões, websites etc.).
No domingo (27/1), a cobertura das agências internacionais de notícias foi intensa em busca de imagens para mostrar e explicar a trágica e recorrente história brasileira em Santa Maria. Uma cobertura dramática como essa permanece no imaginário internacional durante muito tempo e confirma os piores estereótipos sobre o nosso país.
Mas, ao contrário da expectativa geral, a nossa imagem no exterior não é resultado exclusivo do trabalho de jornalistas internacionais. É, sim, resultado da nossa própria percepção sobre o país. A imagem do Brasil no exterior é produto de uma autoimagem, traduzida e divulgada pelos correspondentes baseados no país, que se utilizam do noticiário brasileiro como fonte primária para a construção da imagem do Brasil no exterior. Ou seja, apesar dos estereótipos culturais dos correspondentes, são os próprios brasileiros que fornecem a matéria-prima para o noticiário internacional sobre o país.
As agências internacionais para TV, como a Associated Press e a Reuters, utilizaram intensamente as imagens da Rede Globo. Sites de jornais – como o americano TheNew York Times, o espanhol El País e o francês Le Monde –publicaram notícias e fotos do desastre que foram fornecidas pela imprensa brasileira.
A TV ainda é a principal fonte de informações para a maioria das pessoas. Associated Press e Reuters têm praticamente o monopólio de notícias internacionais para os telejornais e são muito, muito parecidas.
Vale também destacar a matéria do New York Times divulgada domingo (27), com enorme repercussão internacional. As principais conclusões e citações do texto foram extraídas da imprensa brasileira:
“De forma mais ampla, o incêndio chama a atenção para questões de responsabilidade no Brasil e aponta para a aplicação relaxada de medidas destinadas a proteger os cidadãos em uma economia que possui base sólida. Desastres evitáveis costumam ceifar vidas no Brasil, como ficou evidente pelo desabamento de prédio, explosões de bueiros e desastres com os bondes no Rio de Janeiro. ‘A burocracia e a corrupção também causam tragédias’, disse André Barcinski, colunista da Folha de S.Paulo, um dos maiores jornais do Brasil” (ver íntegra aqui).
Este é um exemplo significativo da cobertura do New York Times sobre a tragédia de Santa Maria que utiliza os jornais locais como fonte primária para a construção da imagem do Brasil no exterior.
Em relação à cobertura internacional, é importante distinguir o que é uma notícia positiva ou negativa de um país tão diverso e complexo como o Brasil. O que seria uma notícia verdadeira ou mentirosa sobre determinado país? Afinal, as imagens a que assistimos na TV e que tanto nos apavoram e entristecem são as mesmas que milhões de estrangeiros verão sobre o Brasil em seus telejornais.
Provavelmente, serão as únicas informações que receberão sobre o enorme e desconhecido país da América Latina chamado Brasil. Como dizia o editor de agência de notícias internacionais para quem trabalhei durante muitos anos, “no Brasil, se não é violência, é queimada ou enchente”.
Éramos responsáveis pela construção, ou melhor, pela “desconstrução” da imagem do Brasil no exterior. Meu editor nunca tinha vindo ao Brasil e sabia muito pouco sobre nossa cultura. Mas decidia o que milhões de telespectadores de todo o mundo assistiriam sobre os acontecimentos no Brasil.
Mundo injusto
Há muitos anos, trabalho e pesquiso o poder dos correspondentes e das agências internacionais para informar e desinformar milhões de telespectadores de todo o mundo (ver “A construção da imagem do Brasil no exterior: um estudo sobre as rotinas profissionais dos correspondentes internacionais“).
Essas grandes empresas fornecem a quase totalidade de notícias sobre o que consideram mais importante em praticamente todos os países. Elas seriam as verdadeiras responsáveis pela construção das imagens nacionais. Países que tendem a conferir uma enorme e exagerada importância à sua própria imagem. Não à sua imagem interna, aquela construída para consumo nacional, mas à imagem externa, isto é, aquilo que os outros percebem sobre a nossa realidade. Os jornalistas criam, manipulam e muitas vezes “denigrem” imagens ou estereótipos nacionais.
Os jornalistas não criam a nossa imagem lá fora. Eles simplesmente retratam um cotidiano repleto de fatos inacreditáveis em suas matérias. A nossa realidade há muito tempo parece ficção.
Em certo sentido, os brasileiros costumam ser cúmplices dos estrangeiros na criação de uma autoimagem pouco elogiosa. Ao contrário da grande maioria dos países, adoramos falar mal de nós mesmos. Mas jamais admitimos que os “outros” – os tais estrangeiros – nos critiquem. Almejamos o controle absoluto do que os outros pensam de nós.
Positiva ou negativa, verdadeira ou falsa, talvez essa imagem não seja muito diferente daquela que temos de nós mesmos e que vemos em nossa TV. O equilíbrio entre as boas e as más notícias seria o ideal. Mas o mundo é um lugar injusto.
Olho no Brasil
Em relação à cobertura nacional de mais uma tragédia anunciada no Brasil, ficou evidente o despreparo e a incompetência não só dos seguranças da boate Kiss, mas também o despreparo de nossos jornalistas – principalmente em canais de notícias 24 horas, como a GloboNews – para enfrentar esse tipo de situação. Cometem sempre os mesmos erros. Na falta de imagens e de informações, os apresentadores permanecem no ar durante horas tentando explicar o que não sabem.
Algum dia, nossas televisões deveriam deixar de considerar os desastres ou tragédias como eventos imprevisíveis ou inesperados. Deveriam, sim, investir mais no treinamento de profissionais para cobrir desastres e fazer um jornalismo de melhor qualidade. Um jornalismo que busque as causas dos desastres e que exija medidas concretas para evitá-los no futuro. Pode não dar tanto Ibope, mas pode salvar muitas vidas.
Não sabemos quando e onde, mas desastres e tragédias sempre acontecem. São eventos muito importantes para a cobertura jornalística e não deveriam nos surpreender. Não podemos viver eternamente acreditando em improvisações, amadorismos ou jeitinhos de última hora para mostrar a mais recente tragédia. Hoje foi em Santa Maria, mas a próxima tragédia já está em construção. Mera questão de tempo.
E já que eles são recorrentes e talvez inevitáveis, precisamos no preparar mais para cobrir os desastres e tragédias. O jornalismo de prestação de serviços precisa continuar relevante e atuante. Grandes tragédias podem significar grandes coberturas jornalísticas. Mas precisamos nos preparar.
Se bombeiros fossem jornalistas, todos os incêndios ou inundações também seriam enormes desastres. Bombeiros e profissionais de segurança treinam intensamente para enfrentar as surpresas da natureza, os acidentes ou a irresponsabilidade de empresários ou governantes. Jornalistas também deveriam se preparar para cobrir o inevitável.
Tragédias ou desastres são o grande momento de qualquer tipo de jornalismo. Ainda mais na TV. Não podem ser previstos ou planejados, mas a cobertura dessas tragédias pode ser preparada, equipes podem ser treinadas e os resultados finais podem ser avaliados.
Assim como devemos evitar tragédias como o incêndio de Santa Maria, no jornalismo temos que aprender a cometer erros novos. Bom jornalismo, assim como a imagem de um país, não se improvisa.
O mundo está de olho no Brasil.
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*Antonio Brasil é jornalista e professor da Universidade Federal de Santa Catarina

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Fonte:http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed731_a_cobertura_do_horror

Por que os ricos temem a distribuição de renda?


03.02.2013
Do blog DoLaDeLá
Por Marco Aurélio Mello

Estava no restaurante da Globo, em 2002. A empresa passava por uma crise sem precedentes. Encontrei-me com um dos lambe-botas no balcão e ponderei sobre a questão. A resposta que ele deu foi surpreendente. Disse-me o sujeito que os filhos do "bom velhinho", pobrezinhos, tinham autorizado a venda do helicóptero para pagar parte das dívidas. Um aceno aos credores. Eles podiam simplesmente demitir, disse o chefe, hoje diretor. Falei: verdade. Pensei: que idiota. Esse nasceu para ser capacho. Fique com o texto do Miro, abaixo: 

por Altamiro Borges

Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, herdeiros do império das Organizações Globo, não têm o que reclamar dos governos Lula e Dilma. Eles ganharam muita grana neste período e só fazem oposição raivosa por razões políticas, de classe. Após quase dez anos de ausência na lista dos bilionários da revista Forbes, a família Marinho voltou a ocupar posição de destaque no ranking mundial. Segundo a publicação, os filhos de Roberto Marinho acumulam fortunas individuais próximas de 5 bilhões de dólares.

Quando da morte do patrono da família, em agosto de 2003, o império midiático atravessava uma situação financeira complicada, quase falimentar. A Rede Globo tinha apostado as suas fichas na falsa estabilidade do governo FHC e se endividou aos tubos, inclusive junto ao generoso BNDES. Com a retomada do crescimento econômico no governo Lula, a corporação voltou a prosperar. Ela lucrou com a forte expansão do mercado publicitário e com outros negócios milionários – como o crescimento da tevê por assinatura.

Em agosto do ano passado, a edição brasileira da Forbes já havia apontado o vertiginoso enriquecimento dos herdeiros das Organizações Globo. Segundo a publicação, a família Marinho ocupava a sexta posição entre os 15 empresários mais ricos do país – já Roberto Civita, dono do Grupo Abril e chefão da asquerosa revista Veja, aparecia em 14ª lugar. Agora, os filhos de Roberto Marinho voltam a ocupar posição de destaque no ranking mundial, apesar da grave crise que abala a mídia tradicional no mundo inteiro.

O enriquecimento dos filhos de Roberto Marinho até mereceria uma investigação. Afinal, nos últimos anos a audiência da emissora na tevê aberta tem sofrido constantes quedas. Mesmo assim, no ano passado ela teve um estranho faturamento de R$ 12 bilhões – cerca de 10% acima do ano anterior. Todas estas “vantagens” não fizeram com que os filhos de Roberto Marinho refluíssem na sua postura de principal partido da direita nativa. Para tranquilizá-los, o governo ainda doa fortunas ao grupo em publicidade oficial. Haja bondade! 
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Fonte:http://maureliomello.blogspot.com.br/2013/02/por-que-os-ricos-temem-distribuicao-de.html

Metade herói, metade ninguém: De volta ao anonimato


03.02.2013
Do jornal DIARIO DE PERNAMBUCO
Por André Duarte (texto) 
Helder Tavares (fotos)

Dois meses depois de salvar Helena Brennand e ganhar a fama momentânea do heroísmo, Paulo segue seu instável trajeto entre o crack e uma pneumonia que não cessa

Metade herói, metade ninguémEm 37 segundos, Paulo Henrique de Brito, 19 anos, saca da memória o percurso que o desviou do anonimato: “Eu estava na pracinha lanchando, porque uma mulher pagou um cachorro-quente pra mim. Era na faixa de meia-noite. Aí eu vim nessa direção pra usar (crack). Quando eu ia usar, só vi o carro passando rápido. Quando olho pra frente, ouço aquela zoada. 

Era um carro caindo no canal. Um Polo branco, quatro portas. Aí eu tirei a camisa, pulei no canal, tirei a gilete da boca, estourei o vidro com uma pedra, cortei o cinto e tirei ela”. Um roteiro com pitadas de heroísmo que não aprumou um centímetro sequer o trajeto instável deste morador de rua de Boa Viagem. Coube a ele tirar a empresária Helena do carro, àquela altura parcialmente tomado pela água de esgoto, e protagonizar o noticiário local como o garoto que apareceu da escuridão para salvar a vida de uma das filhas do artista plástico Francisco Brennand.

Dois meses depois, a rotina de Paulo segue indiferente àquela madrugada de 7 de dezembro. Continua a dormir ao relento, geralmente em colchões velhos em alguma esquina do quadrante entre as avenidas Visconde de Jequitinhonha e Fernando Simões Barbosa, que margeiam o canal de Boa Viagem. No miolo do quarteirão fica a Favela do Veloso, encurralada por prédios de classe média, armazéns de construção e restaurantes que abastecem o paladar da Zona Sul. Sem barraco pra chamar de seu, elegeu aquela comunidade como base de sobrevivência e autodestruição. Costuma vagar no seu entorno para fazer bicos como flanelinha e lavador de carros: o dinheiro obtido desova integralmente na compra de pedras de crack.

É assim há quatro meses, desde que chegou com a roupa do corpo, as sandálias achadas — uma de cada cor — e o inseparável boné. Fez novos amigos, ganhou respeito dos moradores da favela pelo jeitão tranquilo. Antes mesmo de desafiar a falta de saneamento e tomar para si a tarefa do resgate, os comentários na comunidade convergiam para a descrição de um rapaz de boa índole, “que não faz mal a ninguém”, exceto a si próprio. Até esta entrevista para a Aurora, não fazia a menor ideia de quem era o pai da moça que socorreu no fim do ano passado. “Só sabia que era alguém importante”.

No começo do semestre, ainda morava com os pais e nove irmãos na praia de Carne de Vaca, em Goiana. Tirava sustento da água barrenta do Litoral Norte, no arrasto de um cotidiano saudável ajudando o pai, pescador, e a mãe, marisqueira. Trabalhava, namorava, estudava e, como muitos de sua idade, desafiava o tédio da maresia nas festas da cidade. Numa delas fumou a primeira pedra mesclada de crack e, como quem navega redemoinho em mar revolto, tomou o rumo de um espiral previsível.

Com o vício soprando forte na popa, em questão de semanas passou a vender objetos de casa até tomar a decisão de desertar do convívio familiar “para não ver a mãe sofrendo mais”. Nunca mais se falaram, e Paulo foi morar de favor em Abreu e Lima, de onde saia para vender ostras na praia de Piedade ou pilotar um carrinho de batata-frita. A mudança sem direito a mala para Boa Viagem não foi o que se pode chamar de escolha. “Foi aqui que eu fumei a primeira pedra grandona (de crack). Nunca mais saí”.

Pouco mais de um mês após avistar o Polo branco desgovernado atravessar a mureta de concreto que protege o canal, aparece com olhos amarelados, algumas marcas no rosto e dentes manchados que lhe conferem alguns anos a mais na aparência. Estava, garante, há quatro dias sem usar crack e manifestava o desejo de permanecer de cara limpa, pelo menos das pedras.

Paulo é dono de um sorriso franco e econômico, que só resolve aparecer ao lembrar da ceia farta que provou no último revéilon, quando ganhou guarida no barraco de uma espécie de família adotiva. Foi encontrado chorando na entrada da favela pela comerciante de roupas Maria da Luz, 42, e pelo marido Carlos André, 35, naquela que seria a sua primeira virada de ano sozinho. Integrado aos filhos do casal, se esbaldou na mesa com torta salgada, surpresa de uva, refrigerante e panetone. Tomou um banho e dormiu um sono pesado, daqueles que a rua não permite. “Não tem o que falar dele. É uma ótima pessoa”, diz Maria, a quem o flanelinha já chama de “minha mãe”.

Ao contrário dos amigos que dividem com ele as calçadas de Boa Viagem, Paulo não é arredio e fala do vício com uma naturalidade desconcertante. Já fumou 20 pedras num único dia, o que lhe custou R$ 200. Além de conter a “nóia” devastadora, passou a ter mais um problema sério: administrar a dívida com os traficantes e, por tabela, garantir a própria sobrevivência. Há bem pouco tempo devia R$ 120, mas conseguiu pagar R$ 100. Os outros R$ 20 pendentes esperava conseguir com algumas lavagens de carro.

“De vez em quando eu passo por eles e levo um tapa na cabeça”, diz, falando de uma advertência dos credores do tráfico sobre o atraso no pagamento. Quando o dinheiro falta, o ex-pescador não hesita em fisgá-lo numa fonte arriscada. É quando recorre a pequenos furtos a supermercados do bairro. “Não sou santo, não. Nunca roubei ninguém na rua, mas no mercado um desodorante eu pego. É mais nesses mercados grandes. Dão um vacilo e eu pego um uísque (para vender depois). Não vou mentir”.

Pouco depois do Natal, uma pneumonia diagnosticada na infância voltou em forma de uma dor aguda no pulmão, que o levou ao chão. Caído na calçada, foi ajudado por Maria da Luz, que ligou para o SAMU e fez um apelo à atendente, na esperança de a ambulância chegar mais rápido: “Olha, é aquele neguinho que salvou a filha de Brennand”. 

Naquela noite, Paulo foi levado a duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), tomou um antibiótico e recebeu alta. A receita, que ele entregou a terceiros para não perder, o obriga a tomar um comprimido de Cefalexina a cada oito horas, além de outro medicamento que não lembra o nome, justamente por não conseguir comprá-lo. 

Recebeu ainda outra trinca de recomendações que nunca cumpriu por razões óbvias: “Não posso tomar água gelada, andar descalço e nem dormir na frieza”, diz o paciente. “É justamente tudo o que ele faz. Quem já viu alguém morar na rua e não pegar frieza”, emenda Maria da Luz, numa conclusão evidente, que outra frieza, a do tratamento médico, não diagnosticou.

Paulo costuma receber visitas de uma equipe do Atitude, como foi abreviado o nome do Núcleo do Programa de Atenção Integrada a Usuários de Drogas de Jaboatão dos Guararapes. Sem data marcada ou periodicidade, os profissionais da rede pública costumam aparecer numa Kombi e o procuram nas ruas até achá-lo. Se for de sua vontade, é levado a uma casa do programa, onde dorme alguns dias pra ficar longe do crack . “Gosto de lá. Eles dão cinco refeições por dia”, elogia. 

O flanelinha decidiu evitar as drogas pesadas para tomar os remédios contra a pneumonia, mas não há sincronia nos tratamentos do vício e da doença. “A fissura vem e passa”. Na prática, é como se incorporasse dois pacientes diferentes, o que estaciona as melhorias efetivas e impulsiona a eterna gangorra de recaídas. 

Enquanto nos leva até local do acidente através de um beco da Favela do Veloso, Paulo cruza com uma moradora antiga, que comenta indignada, em voz alta: “Ele salvou a menina da maré e não deram nada”. Ele lembra de ter sido empurrado pela motorista — ainda nervosa — no momento que a resgatou no carro depois de cortar o cinto de segurança com a gilete que guardava na boca. No dia seguinte ao episódio, quando deu entrevistas à imprensa, foi questionado por repórteres sobre o que fazia com uma lâmina afiada debaixo da língua. Titubeou na resposta, difícil de ser explicada: “Era pra cortar maconha. Pra render mais”. 

Após contato por telefone, Helena Brennand nos enviou um texto sobre o acidente. No e-mail de cerca de 20 linhas, a empresária descreve o que lembra daquela madrugada em que perdeu o controle do carro. “Para quem sofre o acidente a visão é totalmente diferente. Eu sequer sabia ter sido salva até a tarde do dia seguinte. Minha lembrança tátil me fazia pensar ter saído do carro sozinha”. No segundo trecho, ela discorre sobre o “destino” que a levou a ser salva e agradece ao morador de rua sem comentar o porquê de não procurá-lo depois. “Acredito que, no momento em que ele se jogou, sem esperar por nada, sem pensar, se mostrando apenas como humano, condição de todos nós, algo em sua vida deve ter mudado. Acredito no ato de plantar e colher, no cálculo simples do universo. Espero do fundo do meu coração que ele possa ainda hoje estar melhor do que antes”.

Há duas semanas, Paulo voltou a Carne de Vaca de ônibus para pegar a sua certidão de nascimento que estava na casa da família. Como não tem carteira de identidade nem CPF, precisava tirar os documentos pra disputar um emprego numa empresa do Porto de Suape, indicado por um amigo. Na versão que soltou no dia seguinte, quando voltou a Boa Viagem, encontrou a casa da família fechada. Segundo ele, os comentários dos antigos vizinhos davam conta que os pais teriam se mudado com os irmãos para um lugar desconhecido. O telefone celular que Paulo forneceu da mãe biológica não funciona. O projeto de pendurar no pescoço um crachá com sua foto 3x4 foi suspenso. Por hora e sem previsão de mudança, ainda é uma flanela que repousa nos ombros.

“Não sou santo, não”, diz o ex-pescador, que hoje faz bicos para bancar o vício.
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Fonte:http://www.impresso.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/suplementos/aurora/2013/02/03/interna_aurora,44452/de-volta-ao-anonimato.shtml

Lino Oviedo morre em acidente de helicóptero no Paraguai

03.02.2013
Do portal da Agência Brasil


Brasília - O candidato à presidência do Paraguai Lino César Oviedo morreu na noite de ontem (2) após a queda de um helicóptero. Ele participou de um ato político no estado de Concepción e retornava para Assunção, capital do país, no momento do acidente.
Uma comitiva de militares e agentes de polícia especial foi enviada à área do acidente, na cidade de Concepción, onde foi encontrado o helicóptero acidentado e os três corpos carbonizados.
Lino Oviedo, aposentado militar, 69 anos, teve participação ativa no golpe de estado de 1989, que derrubou o ditador Alfredo Strossner. Desde então, havia adquirido um papel de primeira linha no cenário político do Paraguai.
Em 1999, ele foi acusado de incitação ao assassinato do vice-presidente José María Argaña e de ser um dos idealizadores do massacre, que ocorreu durante os protestos populares em março daquele ano, e que levou à saída do presidente Raúl Cubas.
Atualmente, Oviedo era candidato pelo partido União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace) para as eleições gerais, marcadas para o dia 21 abril. Ele foi legitimado candidato em uma lista única ao lado do candidato a vice-presidente, Alberto Soljancic, após participarem das primárias ocorridas em dezembro do ano passado.

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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-02-03/lino-oviedo-morre-em-acidente-de-helicoptero-no-paraguai

Roberto Freire, o “pau mandado”

03.02.2013
Do BLOG DO ALTAMIRO
Por Altamiro Borges

O deputado Roberto Freire, chefão do PPS, é a expressão mais escancarada do servilismo na política nacional. Desde a sua conversão ao neoliberalismo, com o fim do bloco soviético, ele se tornou um “pau mandado” da direita nativa, com generosos espaços na mídia. Ele hoje é mais serrista do que o próprio José Serra e transformou seu partido num apêndice do PSDB. Na semana passada, sem se olhar no espelho, ele esbravejou contra Ruy Falcão, presidente do PT: “É lamentável que ele seja pau mandado do José Dirceu”.

O motivo da agressão é que o dirigente petista criticou a partidarização da mídia – o que já foi reconhecido até pela ex-presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Judith Brito. Num linguajar típico dos fascistóides da Veja, Roberto Freire saiu em defesa dos barões da mídia. “Se não existisse a imprensa para dar a conhecer à sociedade todas as malfeitorias do governo lulopetista, eles já teriam implantando um regime antidemocrático no qual só valeriam as suas opiniões”, afirmou, segundo registro do sítio do PPS.

Freire também ficou indignado com as críticas de Ruy Falcão ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que tem ocupado cada vez mais o papel de ícone da oposição de direita. Acostumado a abanar o rabo diante de Serra e de outros tucanos, Freire afirmou que o presidente do PT “só criticou o procurador porque o Zé Dirceu mandou”. O PPS foi um dos partidos que encaminhou no mês passado representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) exigindo investigações contra o ex-presidente Lula.

As declarações agressivas e destemperadas de Roberto Freire só confirmam que a situação da oposição de direita no país é cada vez mais delicada. A sua valentia não demonstra força. Pelo contrário, revela fraqueza e desespero. Nas eleições de outubro passado, o PPS voltou a encolher. Na comparação com o pleito de 2008, ele perdeu 298 vereadores e 15 prefeituras. Sob o comando do caudilho, a legenda afunda e caminha para a extinção. O eleitor tem sido muito duro com a sigla do “pau mandado” da direita.

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Fonte:http://www.altamiroborges.blogspot.com.br/2013/02/roberto-freire-o-pau-mandado.html

Roberto Gurgel desmoraliza MPF

03.02.2013
Do BLOG DA CIDADANIA, 02.02.13
Por Eduardo Guimarães

A Constituição de 1988 dotou o Ministério Público do Brasil de funções, competências e garantias sem precedentes em relação às Constituições anteriores. As prerrogativas conferidas à instituição pelo texto constitucional por certo permitiram um significativo avanço de nossa ainda imberbe democracia. Contudo, o MP brasileiro se encontra sob ameaça.
O Ministério Público Federal (MPF) é parte do Ministério Público da União (MPU), também composto pelos Ministérios Públicos do Trabalho, Militar, do Distrito Federal e de Territórios (MPDFT). Juntos, MPU e Ministérios Públicos Estaduais formam o Ministério Público Brasileiro.
Atribuições e instrumentos do Ministério Público estão previstos no artigo 129 da Constituição, no capítulo “Das funções essenciais à Justiça”. Funções e atribuições do MPU estão na Lei Complementar nº 75/93.
Os leitores deste blog por certo já leram, nos preâmbulos das representações ao MPF aqui publicadas, que “O Ministério Público (MP) é uma instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (art.127, CF/88)”.
O MPF é chefiado pelo procurador-geral da República, escolhido e nomeado pelo presidente de turno após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado Federal.
Desde a fundação do Ministério Público da União, determinada pela Carta de 1988, o cargo de  Procurador Geral da República foi ocupado por Geraldo Brindeiro (1995-2003), nomeado por Fernando Henrique Cardoso, e por Cláudio Lemos Fonteles (2003-2005), Antonio Fernando Barros e Silva de Souza (2005-2009) e Roberto Monteiro Gurgel Santos (2009- ), todos nomeados por Luiz Inácio Lula da Silva.
De todos esses procuradores-gerais, somente o último vem tendo um comportamento que, além de escandaloso, é arrogante e ameaçador à instituição que chefia. Dirão que o pior PGR foi o de FHC, que ficou no cargo de ponta a ponta daquele mandato presidencial, tendo engavetado tudo que não interessava ao governo que o nomeou.
Discordo.
Brindeiro, o inesquecível “engavetador-geral” da República, teve uma atuação discreta e limitou-se a não fazer nada. Apesar de ser vergonhosa a atuação daquele indivíduo, passou os oito anos do governo do PSDB sem ao menos ser notado.
Roberto Gurgel é diferente. Não se limita à inoperância e vai ao ataque sob um escandaloso viés político-partidário. A diferença dele para Brindeiro é que este defendeu o governo que o nomeou, enquanto que o atual PGR se transformou em adversário político de quem o nomeou e do partido de quem o nomeou.
Esse cargo, explica-se, não pode, em nome do melhor interesse democrático, ser ocupado nem por aliado, nem por inimigo de quem o preencheu.
Gurgel, porém, tornou-se infinitamente pior ao se transformar em ator político, com suas seguidas entrevistas à imprensa oposicionista, nas quais se converteu em detrator do partido da presidente da República enquanto, contra si, pesam omissões escandalosas como no esquema do bicheiro Carlos Cachoeira e suas relações perigosas com o ex-senador Demóstenes Torres e com o governador de Goiás, Marconi Perillo.
Denunciando petistas com fúria redobrada e acobertando demos e tucanos com singeleza e desvelo, Gurgel, agora, chega ao ponto máximo de sua atuação político-partidarizada no caso do novo presidente do Senado, Renan Calheiros.
As denúncias contra Calheiros explodiram em 2007, quando deixou o mesmo cargo para o qual acaba de ser empossado no âmbito de um escândalo que envolveu até uma ex-namorada que se valeu da fama que interesses políticos lhe delegaram para posar nua para uma revista masculina, a despeito da ausência de maiores atributos físicos.
Nos últimos cinco anos, a denúncia oportunista feita contra Calheiros dormitou nos escaninhos da Justiça e do Ministério Público. A “fartura” de provas contra o senador peemedebista que a mídia partidarizada alardeia, ao que tudo indica não teria virado denúncia formal se o mesmo não tivesse se candidatado à Presidência do Senado.
Qualquer cidadão que não seja um completo cara-de-pau – ou um completo idiota – achará que acatar de repente uma denúncia que ficou parada por anos, e justamente a uma semana da eleição para a Presidência do Senado, equivale a transformar a Procuradoria em linha auxiliar de um grupo político.
Existe alguma dúvida de que a denúncia do PGR contra Renan Calheiros tramitou em uma semana, após ficar parada durante anos, só por razões políticas? Quem tem coragem de exibir tanta falta de vergonha na cara negando que Gurgel transformou o Ministério Público em um organismo partidarizado e, mais do que tudo, desavergonhado?
É lamentável e altamente danoso à democracia que uma instituição como o Ministério Público, tão necessária, seja conspurcada por uma figura menor e que, de forma alguma, reflete o conjunto da instituição, pois, em verdade, ela abriga muita gente idealista e decente, ainda que, conjunturalmente, possa estar em minoria.
Conforme bem lembrou o site Brasil 247, caberá a Calheiros analisar representação do senador Fernando Collor de Mello contra Gurgel por ter acobertado durante anos o esquema de Carlinhos Cachoeira e as relações criminosas do ex-membro do Ministério Público e ex-senador Demótenes Torres, mas só até que a Polícia Federal fizesse o que o MP não fez.
Passou da hora de o Congresso se levantar contra essa escandalosa utilização política do Ministério Público do Brasil por ação de alguém que está enlameando e desacreditando a instituição e, assim, todos os seus membros, cada vez mais vistos como suscetíveis de serem corrompidos por grupos políticos e econômicos.
O ataque da trinca Ministério Público, “imprensa” e Supremo Tribunal Federal ao Poder Legislativo precisa de resposta, razão pela qual até senadores da oposição negaram a essa trinca a prerrogativa de coagir o Senado a eleger quem preferia para presidir a Casa. Que esse sentimento prospere e chame Gurgel às falas, em defesa da democracia.

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2013/02/roberto-gurgel-desmoraliza-o-mpf/

Após 10 anos, Bolsa Família reduz miséria em 80%

03.02.2012
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 02.02.13
Por: Lucas Rodrigues, da EBC
Aliado a outras iniciativas do governo Lula, programa lançado em 3 de fevereiro de 2003 tira quase 23 milhões de pessoas da pobreza extrema

Após 10 anos, Bolsa Família reduz miséria em 80%
Cidade-piloto do Bolsa Família, Guaribas (em foto de 2003) deixou para trás o título de lugar mais pobre do Brasil (Foto: ABr)
Guaribas (PI) - Lançado no dia 3 de fevereiro de 2003, no município com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, o Programa Fome Zero foi criado com o objetivo de erradicar a miséria, com a transferência de renda e garantindo o alimento para as famílias que viviam na extrema pobreza. Hoje, o Brasil ainda tem pelo menos 5,3 milhões de pessoas sobrevivendo com menos de R$ 70 por mês, diferentemente do início dos anos 2000, quando eram 28 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza.
Nos último dez anos, esse número vem diminuindo. Em parte, por causa de políticas públicas de ampliação do trabalho formal, do apoio à agricultura e da transferência de renda. Hoje, a iniciativa, que ganhou o nome de Bolsa Família, chega a quase 14 milhões de lares. Ela nasceu do Programa Fome Zero, criado para garantir no mínimo três refeições por dia a todos os brasileiros. E foi do interior do Nordeste que essa iniciativa partiu para o restante do país.
Depois de dez anos, a Agência Brasil voltou a Guaribas, no sul do Piauí, escolhida como a primeira beneficiária do programa de transferência de renda. Localizada a 600 quilômetros ao sul da capital, Teresina, Guaribas não oferecia condições básicas para uma vida digna de sua população: faltava comida no prato das famílias, que, na maioria das vezes, só tinham feijão para comer. Não havia rede elétrica e poucas casas tinham fogão a gás.
Mulheres e crianças andavam quilômetros para conseguir um pouco de água e essa busca, às vezes, durava o dia inteiro. A dona de casa Gilsa Alves lembra que, naquela época, “era difícil encontrar água para lavar roupa”, no período de seca. “Às vezes, até para tomar banho era com dificuldade".
O aposentado Eurípedes Correa da Silva não se esquece daquele tempo, quando chegou a trabalhar até de vigia das poucas fontes que eram verdadeiros tesouros durante os longos períodos de seca, com água racionada. Hoje, a água chega, encanada, à casa dele.
Pai de sete filhos, Eurípedes tem televisão e geladeira. Além do dinheiro da lavoura e da aposentadoria, ele recebia o benefício do Fome Zero e agora conta com o Bolsa Família. O benefício chega a 1,5 mil lares e a meta é alcançar 2 mil neste ano, o que representa oito em cada dez moradores da cidade. A coordenadora do programa em Guaribas, Raimunda Correia Maia, diz que “o dinheiro que gira no município, das compras, da sustentação dos filhos, gera desenvolvimento".
A energia elétrica também chegou a Guaribas e trouxe com ela internet e os telefones celulares. No centro da cidade, há uma praça com ruas calçadas e uma delegacia, além de agências bancárias, dos Correios e escolas. A frota de veículos cresceu e, hoje, o que se vê são motos, em vez de jegues.
O município conquistou o principal objetivo: acabar com a miséria. Mesmo assim, ainda está entre os mais pobres do país e enfrenta o êxodo dos jovens em busca de emprego em grandes cidades. Segundo o IBGE, entre 2000 e 2007, quase 10% dos moradores deixaram Guaribas.
Alan e Rosângela podem ser os próximos. O Bolsa Família e as melhorias na cidade não foram suficientes para manter o casal no município, já que ali os dois não encontram trabalho. Os irmãos já foram para São Paulo e é impossível sustentar a família de oito pessoas com um cartão (do Bolsa Família) de R$ 130.
Quem escolheu ficar na cidade sabe que muita coisa tem que melhorar. O esgoto ainda não é tratado; algumas obras não saíram do lugar, como a do mercado municipal. Até o memorial erguido em homenagem ao Fome Zero está abandonado há anos. Longe de Teresina, os moradores se sentem isolados, principalmente por causa da dificuldade de chegar à cidade mais próxima: são 54 quilômetros de estrada de terra, em péssimo estado, até Caracol.
Isso torna difícil escoar a produção de feijão e milho e faz com que todos os produtos cheguem mais caros. A dificuldade de acesso também prejudica uma das conquistas da região: a unidade de saúde. A doméstica Betânia Andrade Dias Silva levou o filho de 5 anos para uma consulta e não encontrou médico. Ela desabafa: “É ruim né?! Principalmente numa cidade pequena, na qual você precisa de um atendimento melhor, tem que sair para ir para outra cidade, Caracol, São Raimundo, que fica longe daqui. Por exemplo, caso de urgência, se você estiver à beira da morte, acaba morrendo na estrada… Então, é difícil".
Há mais de um mês, o atendimento é feito apenas por enfermeiras e por um dentista. Mesmo oferecendo um salário que chega a R$ 20 mil, a prefeitura diz que não consegue contratar médicos. O jeito é mandar os pacientes mais graves para as cidades vizinhas.
Mas essa situação pode começar a mudar ainda neste ano. Segundo informou a Secretaria de Transportes do Piauí, o trecho da BR-235 que liga Guaribas a Caracol deve começar a ser asfaltado em outubro. Por enquanto, está sendo asfaltado outro trecho da rodovia, entre Gilbués e Santa Filomena.
O casal Irineu e Eldiene saiu de Guaribas para procurar trabalho em outras cidades, mas voltou. Agora eles levantam, pouco a pouco, uma pousada no centro da cidade. Irineu diz que a obra que está fazendo não é “nem tanto pensando no agora”, é para o futuro. “Estou vendo que a cada ano que está passando, Guaribas está desenvolvendo mais”.
A expectativa de Irineu e Edilene é resultado da mudança dessa que já foi a cidade mais pobre do país. Mesmo com dificuldades, os moradores de Guaribas, agora, olham para o futuro com mais esperança e otimismo. Eldiene garante que vai ficar e ver a pousada cheia de clientes.

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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2013/02/apos-10-anos-bolsa-familia-reduz-miseria-em-80?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter