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domingo, 27 de janeiro de 2013

Dilma Rousseff se encontra com parentes de vítimas e feridos de incêndio em Santa Maria (RS)

27.01.2013
Do portal da Revista Època
Por REDAÇÃO ÉPOCA COM AGÊNCIA BRASIL

Presidente visitou um hospital e o ginásio de esportes da cidade, onde os corpos das vítimas aguardam identificação 

Dilma Rousseff se encontra com familiares de vítimas e feridos (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

A presidente Dilma Rousseff deixou há pouco ao ginásio de esportes de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, onde se encontrou com parentes das vítimas do incêndio na boate Kiss, ocorrido na madrugada deste domingo (27). As famílias estão no Centro Desportivo Municipal, para onde foram levados os corpos para identificação.

Emocionada, a presidente deixou o local sem falar com a imprensa. Antes de chegar ao ginásio, ela também passou no Hospital Caridade, onde estão sendo atendidos parte dos feridos. Dilma segue para a Base Aérea de Santa Maria, acompanhada pelo prefeito da cidade, César Schimer, e retorna a Brasília ainda no final desta tarde.


A presidente estava acompanhada do ministro da Educação, Aloizio Mercadante; da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia. "É o tipo de tragédia que ninguém imagina que possa acontecer. Nossa preocupação agora é atender as famílias. Depois vemos outras coisas [apuração sobre as causas e responsáveis pelo acidente", disse Marco Maia.


Dilma que participava da reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos com a União Europeia, no Chile, cancelou a participação em três reuniões com autoridades da Argentina, Letônia e Bolívia por causa da tragédia e seguiu para Santa Maria. Em rápida entrevista, ainda no Chile,  a presidente se emocionou ao comentar a tragédia.


O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, a cerca de 300 quilômetros da capital Porto Alegre, resultou na morte de 232 pessoas e deixou 117 hospitalizadas. 
NP
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Fonte:http://revistaepoca.globo.com/Brasil/noticia/2013/01/dilma-rousseff-se-encontra-com-parentes-de-vitimas-e-feridos-de-incendio-em-santa-maria-rs-1.html

Os novos caminhos do Brasil

27.01.2013
Do portal da Revista CartaCapital, 25.01.13
Por Arnaldo Comin

Não é preciso um retrovisor de longo alcance para notar que o Brasil de hoje se parece muito pouco com o país à beira da bancarrota de 30 anos atrás. Desde a Constituição de 1988, a maior economia latino-americana tem assegurado a estabilidade institucional, com inegável avanço nos direitos fundamentais. Da ampliação dos serviços básicos de educação e saúde até a garantia de liberdades individuais, como as políticas de inclusão racial e de gênero, o Brasil destoa de seus pares do bloco dos Brics, se não pelo crescimento pujante, ao menos como referência de nação livre e democrática.
O presidente do Conselho da Infraestrutura da CNI, Jose de Freitas Mascarenhas, participa da palestra 'A Infraestrutura no Brasil e a Expansão da Produção dos Bens Minerais'. Foto: Nindin Sanches/ Valor/Ag. O Globo
O presidente do Conselho da Infraestrutura da CNI, José de Freitas Mascarenhas, participa da palestra ‘A Infraestrutura no Brasil e a Expansão da Produção dos Bens Minerais’. Foto: Nindin Sanches/ Valor/Ag. O Globo
A série recente de conquistas sociais, contudo, é insuficiente para conduzir o País a um novo ciclo de expansão vigorosa na próxima década. O Brasil precisa de muito mais. Para crescer até 5% ao ano, fortalecer sua jovem classe média, mantendo acesa a chama dos investidores, é o momento de superar seu maior atraso histórico: a infraestrutura. Algumas carências, como incapacidade de universalizar a oferta de energia elétrica, ainda mantêm comunidades inteiras na escuridão do século XIX.
“A Constituição de 1988 desvinculou todos os fundos para investimentos diretos em infraestrutura e o País ficou sem fontes de financiamento. Nossa capacidade de investir despencou. O PAC foi importante para dar escala maior à solução dos principais problemas, mas o que vemos hoje é a insuficiência do Estado em levar adiante essas obras. Mais que dinheiro apenas, precisamos de planejamento estratégico”, afirma José de Freitas Mascarenhas, presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e vice-presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI).
Portos, aeroportos, rodovias, saneamento, energia elétrica, combustíveis, mobilidade urbana, integração logística com o Cone Sul e capacitação de mão de obra. Essas são as necessidades mais urgentes de modernização e que demandam avanços concretos nos próximos cinco a dez anos, considerando ainda a pressão imposta pela realização da Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.
Para debater essas questões, CartaCapital passa a publicar, a partir desta edição, a série de suplementos mensais Os Novos Caminhos do Brasil, tendo como objetivo lançar a discussão sobre os gargalos e propostas de soluções para a infraestrutura do País.
Hora da virada. No momento em que mergulha na segunda metade de seu mandato, a presidenta Dilma Rousseff sabe que somente conseguirá reverter a tendência de baixo crescimento que marcou sua gestão até aqui com ações concretas de investimento em logística e infraestrutura. Os resultados, por ora, foram insuficientes. De acordo com cálculos da Inter.B Consultoria, os investimentos públicos no setor no ano passado deverão fechar em valores semelhantes aos de 2011, não muito superiores a 85 bilhões de reais. Caso a previsão se confirme, o Brasil deverá, pela primeira vez na década, aplicar menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura. Para um cenário de retomada, os valores mínimos do setor público deveriam ser de 100 bilhões de reais.
Para que o Brasil consiga ao menos acompanhar outros emergentes, como a Índia, que aporta perto de 6% do PIB em infraestrutura — e faz planos para chegar a 9% —, há um consenso entre empresários e economistas de que a média para os próximos anos precisaria subir para algo entre 4% e 5% sobre produto interno. Isso traria o Brasil de volta aos tempos do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), cujas duas versões, elaboradas na época do regime militar, asseguraram que o Brasil investisse, entre 1971 e 1980, 5,45% do PIB. Mesmo na década de 1980, quando chegou a hora de pagar a fatura da explosão da dívida externa provocada pelo “Milagre Econômico”, a média da década se manteve em 3,62%, recuando para 2,29% nos anos 1990 e a 2,15% a partir dos anos 2000.
Para fechar a conta de um novo ciclo de desenvolvimento, será necessário o apoio expressivo da iniciativa privada, que, nos cálculos da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), responde por pouco mais de 40% do total dos aportes na área. Em 2012, a Abdib estima que a infraestrutura tenha recebido valores absolutos, entre públicos e privados, de 192 bilhões de reais, com um crescimento real de 7% sobre o ano anterior.
Dilma sabe disso e tem contado com apoio expressivo do empresariado para tocar reformas. Uma das medidas mais esperadas foi a criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), considerada passo indispensável pare criar uma visão de longo prazo sobre o problema estrutural dos transportes. “A EPL é um começo importante. Também avançamos na elaboração de um marco ferroviário que é fundamental para a competitividade do País”, acrescenta Mascarenhas.
Para atrair mais investimento privado e agilizar a modernização da malha de transportes, a presidente apostou suas fichas no PAC das Concessões, a fim de atrair 133 bilhões de reais em investimentos na modernização de rodovias e ferrovias, sendo 79,5 bilhões já nos primeiros cinco anos. Também deu a largada nas concessões de aeroportos, começando pelo Galeão (RJ) e Confins (MG) que, juntos, devem captar mais 11,4 bilhões de reais em recursos privados. Em paralelo, reforçou com mais 4 bilhões de reais, para 45 bilhões, o caixa para investimentos em saneamento básico até 2014.
“Dois mil e doze foi o ano de ouro da infraestrutura no Brasil”, exalta o diretor de infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti, para quem “Dilma foi a melhor presidente para a infraestrutura que o Brasil teve em sua história”.
Exageros à parte, a presidente não tem poupado recursos para desengavetar investimentos, com ação intensiva do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No ano passado, segundo dados preliminares, o banco aumentou em 25%, a 24,5 bilhões de reais, o volume de empréstimos para projetos nos setores de energia e logística, sobretudo no primeiro, que ficou com 70% do montante, dando estímulo a empreendimentos de energias alternativas, como a eólica, e termelétricas. “Dois mil e treze será o ano da logística. Esse é o foco de crescimento daqui para frente”, avisa o superintendente de infraestrutura do BNDES, Nelson Siffert.
Embora o tema dos transportes deva ganhar protagonismo, com a iminência da Copa, um dos maiores avanços do governo federal no ano que passou foi na energia. Somente para a usina de Belo Monte, o BNDES já tem capital reservado de 22 bilhões de reais. A presidente Dilma Rousseff comprou a briga do alto custo do insumo com as geradoras e entra em 2013 com o desafio de cumprir uma promessa difícil: baixar em 32% o preço final da conta de luz.
Uma das vilãs históricas do Custo Brasil, a energia é o tema da edição de estreia desta série de CartaCapital, que pode ser conferida na edição número 733, que já está nas bancas, e também na versão da revista para tablets.
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/economia/os-novos-caminhos-do-brasil/

A mídia hoje é uma vergonha

27.01.2013
Do blog BRASIL QUE EU QUERO
Por Márcia Brasil
Lula fala aos trabalhadores. Foto: Arquivo
Tantas tentativas frustradas de desqualificar a imagem do ex-Presidente, inconformada com a ascensão de Lula, a mídia acentua o status de desacreditada.A popularidade e aprovação de mais de 80% dos brasileiros pelo Lula cresce cada vez mais quando o PIG tenta algo novo. O povo não é bobo.

Instituto Millenium, mídia e as lições da história

Por Emiliano José - Carta Capital

Cedo à tentação, e me comprazo em fazê-lo, de lembrar Gramsci, que, nos seus Cadernos do Cárcere, falou, não poucas vezes, e com muita propriedade, do papel dos intelectuais, dando-lhes um estatuto político até então imprecisamente avaliado. Evidente que não pretendo tratar especificamente disso, mas resvalar o tema para voltar ao assunto da velha mídia no Brasil. Gramsci indicava, lá nos anos 30 do século passado, como os grandes intelectuais individuais, ou grupo de intelectuais agrupados em revistas, jornais e demais meios de comunicação, exercem frequentemente a função de partidos políticos.
O site do Instituto Millenium

Ele se refere, por exemplo, ao “partido constituído por uma elite de homens da cultura, que tem a função de dirigir, do ponto de vista da cultura, da ideologia, um grande número de partidos afins”, ou quando afirma que “um jornal (ou um grupo de jornais), uma revista (ou um grupo de revistas) são também ‘partidos’ ou ‘frações de partidos’”. Retiro essa reflexão – incluídos os textos aspeados – do notável livro de Carlos Nelson Coutinho – “Gramsci : um estudo sobre seu pensamento político”, da editora Civilização Brasileira. Coutinho é seguramente o mais denso estudioso de Gramsci no Brasil, e contribuiu decisivamente para que o País o conhecesse e para que a política fosse positivamente contaminado pelo pensamento gramsciano.

O mundo é outro, inegavelmente. Mas a abordagem de Gramsci sobre os intelectuais continua atual sob muitos aspectos, especialmente no que diz respeito à natureza partidária dos nossos meios de comunicação, sobretudo daqueles meios que chamo de velha mídia, no Brasil os poucos grupos monopolistas que pretendem controlar o discurso sobre o País e que se arvoram à condição de partido político, pretendendo, ainda, personificar a opinião pública, mistificação que foi sendo desmontada com a autonomia da opinião pública das ruas, que felizmente não aceita mais passivamente o discurso midiático.

Veja e Cachoeira. A intervenção específica da revista Veja mereceria um capítulo à parte, embora não possamos aqui, no limite desse texto, elucidar o seu papel de raivosa usina teórica da extrema-direita na América Latina. No caso da quadrilha de Carlos Cachoeira, Veja foi muito além disso, e envolveu-se profundamente com o crime organizado, como o comprovam as tantas matérias publicadas, sobretudo na blogosfera e na revista CartaCapitalVeja, além de cometer crimes, de atentar contra quaisquer princípios éticos do bom jornalismo, insista-se, age como partido político, combatendo sem trégua o projeto político que o Partido dos Trabalhadores conduz no País desde 2003. Separo Veja dos demais meios, embora seja correto acentuar que a velha mídia tem um programa político comum quanto ao Brasil, e não varia no seu combate cotidiano ao projeto político iniciado com a vitória de Lula em 2002.

Quero mesmo, para definir o escopo central do texto, tratar do Instituto MIllenium. Embora soubéssemos da existência dele, a leitura da matéria de Débora Prado, na revista Caros Amigos, de agosto de 2012, é muito esclarecedora quanto à natureza nitidamente partidária assumida pela instituição, um conglomerado de intelectuais que se dispõe a pugnar contra o projeto político em andamento no Brasil, e a favor da proposta neoliberal, derrotada em 2002, apesar do esforço da mídia em sentido contrário. A organização é uma autêntica vanguarda da velha mídia, voltada essencialmente à defesa do direito de propriedade e da livre iniciativa. Uma entidade que defende privatizações, o sistema financeiro mesmo quando ele entra em colapso, faz campanha permanente contra a regulamentação das comunicações, propõe sem variação a redução dos direitos sociais e combate qualquer política afirmativa por parte do Estado, conforme o registro da excelente matéria.

E é uma entidade com um programa nitidamente neoliberal, organizada diretamente pelos barões da velha mídia, note-se. Não se trata de intelectuais dispersos, avulsos, mas aqueles afinados com esse discurso, e recrutados diretamente pelo quartel-general midiático que dirige a organização. O Instituto Millenium conta com o que Gramsci chamaria intelectuais orgânicos da direita. O gestor do Fundo Patrimonial é ninguém menos que Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Dispõe de uma extensa rede de articulistas que, além de escrever em seu site, tem espaço constante, assegurado nos principais veículos da velha mídia: Demétrio Magnoli, Carlos Alberto Sardenberg, Ali Kamel, Roberto Da Matta e Roberto Romano são alguns dos nomes lembrados.

Ideólogos da direita. Não sei se o Instituto cultiva a figura do simpatizante, mas seguramente há um número muito grande deles nos meios de comunicação da velha mídia. A matéria de Débora Prado chama-os de amigos. E cita Reinaldo Azevedo, José Nêumanne Pinto e Ricardo Amorim. Sem quaisquer ligações formais, há muitas outras personalidades, jornalistas ou não, que comungam inteiramente dos ideais do Millenium. A matéria noticia que Pedro Bial participa da Câmara de Fundadores e Curadores da entidade e que João Roberto Marinho, Roberto Civita e Roberto Mesquita – Globo, Abril e Estadão – são da Câmara de mantenedores. O Conselho Editorial é composto por Antonio Carlos Pereira, do Estadão, e por Eurípides Alcantara, de Veja. Um quartel-general da direita, bastante conhecido, dirigentes do partido midiático.

Esse tipo de articulação de direita não constitui uma novidade no Brasil. O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), surgido em 1961, e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), nascido em 1959, são seus predecessores, ancestrais do golpismo no Brasil. Surgem, anotem, para conter o avanço do comunismo, nome que se dava à movimentação dos trabalhadores por reformas, e, claro, conter os agentes políticos que se dispusessem a levar à frente projetos reformistas. As duas entidades – na verdade, uma poderosa articulação política – tinham objetivos comuns, e a atuação delas ganhou intensidade depois da chegada de João Goulart ao governo, e contaram com a participação decisiva da mídia de então.

Goulart aparecia para as duas entidades como a encarnação do comunismo, embora saibamos que essa era uma linha argumentativa destinada a assombrar os brasileiros, especialmente as camadas médias e as senhoras católicas. O que o IPES e o IBAD não aceitavam era um governo reformista, como era o de Goulart. A mídia obviamente também não aceitava, como não aceita o projeto político iniciado em 2003.  IPES e IBAD trabalharam intensamente a favor do golpe, formaram uma base ideológica e política fundamental para o sucesso daquela empreitada que nos envolveu numa longa noite de terror, de perseguição, de torturas, de desaparecimentos de pessoas, que persistiu até 1985.

Uma família unida. Discutia muito na Universidade Federal da Bahia, quando professor da Faculdade de Comunicação, o quanto a velha mídia tinha de identidade de propósitos e de como agia de acordo com tais propósitos. A linha editorial era absolutamente semelhante, e a pauta parecia que era combinada todo dia entre eles. Lia um jornal, bastava. Os outros dariam o mesmo enfoque. E assim com as tevês, diferenças apenas aquelas dadas pela abundância de recursos de uma, escassez de outras. As revistas, salvo exceções como CartaCapital (para falar só de semanais) também guardavam uma semelhança impressionante. E alguns de meus colegas, bons professores, diziam que eu tinha uma visão conspiratória.

Não se trata de nenhuma visão conspiratória. É que há uma consonância ideológica. Os meios da velha mídia não precisam se reunir para que tudo saia num mesmo diapasão. Tocam de ouvido. Têm a mesma ideologia, a mesma compreensão de mundo, a mesma visão política, o mesmo projeto político para o Brasil. Assim, em princípio, seria desnecessário um Instituto Millenium. Afinal, a concordância é natural. Esses meios fazem parte de uma mesma família política e ideológica. Por que então o Millenium? Essa a pergunta que intriga.

O professor Demian Bezerra de Melo, da Universidade Federal Fluminense, diz que a atuação do Instituto tem o sentido histórico da contenção – conter o avanço de governos de esquerda na América Latina, sejam quais forem as formas que eles adquiram. Creio que é uma boa pista. Penso, como acréscimo, que há, por parte do Instituto, uma particular preocupação com o Brasil, por obviedade. Contenção de um projeto político de esquerda que vem se afirmando há praticamente uma década. O Brasil tem mudado. A renda do povo melhorou. Nossa soberania afirmou-se. Somos respeitados em todo o mundo. Firmamos uma liderança popular como Lula – no Brasil e no mundo. Dilma afirma-se como grande presidenta, querida do povo. A classe trabalhadora tem um protagonismo acentuado.

Apesar de você. E tudo isso está ocorrendo apesar da mídia, e não contando com ela. O sucesso desse projeto acendeu o sinal vermelho para a direita brasileira, em todos os seus matizes. E o Millenium chega para tentar sustentar teoricamente a luta dos que ainda defendem o neoliberalismo à brasileira. Não lembrei o IPES e o IBAD por acaso. Não podemos esquecer as lições da história. O Millenium acompanha uma tradição golpista existente no Brasil, uma tradição golpista da nossa velha mídia inclusive. Não aceita, não engole um governo que, pela via democrática, e com parâmetros distintos do neoliberalismo, está mudando o Brasil. E fará de tudo para derrotar esse projeto. De tudo.

Assim, face a esse tipo de organização, é fundamental, para além da atuação cotidiana dos partidos políticos que se opõem à ideologia defendida pelo Millenium, que todos nós tenhamos consciência do quanto é essencial a luta pela democratização dos meios de comunicação no Brasil. E luta pela democratização significa garantir a emergência de tantos outros atores sociais que estão excluídos da cena midiática, que não tem a chance de transitar nela, esmagados pelos monopólios. Esta é uma luta política essencial dos nossos dias. Esperamos que brevemente chegue à Câmara Federal o projeto do novo marco regulatório das comunicações para que, com ele, assistamos a emergência de um novo tempo nessa área, que consiga revelar o Brasil diverso em que vivemos, tão rico culturalmente, que permita o trânsito, na esfera midiática, de pensamentos diferentes dos professados pelo Millenium.

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Instituto Millenium: ódio à esquerda e a Lula 

Do blog Cidadão

"(...) o Millenium funda seus princípios na liberdade dos mercados e no medo do “avanço do comunismo”, hoje personificado nos movimentos bolivarianos de Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales. Muitos de seus integrantes atuais engrossaram as marchas da família nos anos 60 e sustentaram a ditadura. Outros tantos, mais jovens, construíram carreiras, principalmente na mídia, e ganharam dinheiro com um discurso tosco de criminalização da esquerda, dos movimentos sociais, de minorias e contra qualquer política social, do Bolsa Família às cotas nas universidades."
"Montado sob a tutela do suprassumo do pensamento conservador nacional e financiado por grandes empresas, o instituto vende a imagem de um refinado clube do pensamento liberal, uma cidadela contra a barbárie. Mas a crítica primária e o discurso em uníssono de seus integrantes têm pouco a oferecer além de uma narrativa obscura da política, da economia e da cultura nacional. Replica, às vezes com contornos acadêmicos, as mesmas ideias que emanam do carcomido auditório do Clube Militar, espaço de recreação dos oficiais de pijama."

"Em pouco tempo, aparelhado por um batalhão de 'especialistas', virou um bunker antiesquerda e principal irradiador do ódio de classe e do ressentimento eleitoral dedicado até hoje ao ex-presidente Lula."

Imagem: Minha Lapa, minha vida

 

Saudades de 1964 

Leandro Fortes - Carta Capital 

Em 1º de março de 2010, uma reunião de milionários em luxuoso hotel de São Paulo foi festejada pela mídia nacional como o início de uma nova etapa na luta da civilização ocidental contra o ateísmo comunista e a subversão dos valores cristãos. Autodenominado 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, o evento teve como anfitriões três dos maiores grupos de mídia nacional: Roberto Civita, dono da Editora Abril, Otávio Frias Filho, da Folha de S. Paulo, e Roberto Irineu Marinho, da Globo.

O evento, que cobrou dos participantes uma taxa de 500 reais, foi uma das primeiras manifestações do Instituto Millenium, organização muito semelhante ao Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), um dos fomentadores do golpe de 1964 (quadro à pág. 28). Como o Ipes de quase 50 anos atrás, o Millenium funda seus princípios na liberdade dos mercados e no medo do “avanço do comunismo”, hoje personificado nos movimentos bolivarianos de Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales. Muitos de seus integrantes atuais engrossaram as marchas da família nos anos 60 e sustentaram a ditadura. Outros tantos, mais jovens, construíram carreiras, principalmente na mídia, e ganharam dinheiro com um discurso tosco de criminalização da esquerda, dos movimentos sociais, de minorias e contra qualquer política social, do Bolsa Família às cotas nas universidades. 



Madureira, o principal jornalista da turma
Há muitos comediantes no grupo. No seminário de 2010, o “democrata” Arnaldo Jabor arrancou aplausos da plateia ao bradar: “A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo?” Isso, como? A resposta é tão clara como a pergunta: com um golpe. No mesmo evento brilhou Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta. Como se verá ao longo deste texto, há um traço comum entre vários “especialistas” do Millenium: muitos se declaram ex-comunistas, ex-esquerdistas, em uma tentativa de provar que suas afirmações são fruto de uma experiência real e não da mais tacanha origem conservadora.

Madureira não foge à regra: “Sou forjado no pior partido político que o Brasil já teve”, anunciou o “arrependido”, em referência ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o velho Partidão. Após a autoimolação, o piadista atacou, ao se referir ao governo do PT de então: “Eu conheço todos esses caras que estão no poder, eram os caras que não estudavam”. Eis o nível.

O símbolo do Millenium é um círculo de sigmas, a letra grega da bandeira integralista, aquela turma no Brasil que apoiou os nazistas. Jabor e Madureira estão perfilados em uma extensa lista de colaboradores no site da entidade, quase todos assíduos frequentadores das páginas de opinião dos principais jornais e de programas na tevê e no rádio. Montado sob a tutela do suprassumo do pensamento conservador nacional e financiado por grandes empresas, o instituto vende a imagem de um refinado clube do pensamento liberal, uma cidadela contra a barbárie. Mas a crítica primária e o discurso em uníssono de seus integrantes têm pouco a oferecer além de uma narrativa obscura da política, da economia e da cultura nacional. Replica, às vezes com contornos acadêmicos, as mesmas ideias que emanam do carcomido auditório do Clube Militar, espaço de recreação dos oficiais de pijama.

Meio empresa, meio quartel, o Millenium funciona sob uma impressionante estrutura hierárquica comandada e financiada por medalhões da indústria. Baseia-se na disseminação massiva de uma ideia central, o liberalismo econômico ortodoxo, e os conceitos de livre-mercado e propriedade privada. Tudo bem se fosse só isso. No fundo, o discurso liberal esconde um frequente flerte com o moralismo udenista, o discurso golpista e a desqualificação do debate público. Criado em 2005 com o curioso nome de “Instituto da Realidade”, transformou-se em Millenium em dezembro de 2009 após ser qualificado como Organização Social de Interesse Público (Oscip) pelo Ministério da Justiça. Bem a tempo de se integrar de corpo e alma à campanha de José Serra, do PSDB, nas eleições presidenciais de 2010. Em pouco tempo, aparelhado por um batalhão de “especialistas”, virou um bunker antiesquerda e principal irradiador do ódio de classe e do ressentimento eleitoral dedicado até hoje ao ex-presidente Lula. 



Lamounier – O figurino dos anos 1960 no século XXI
O batalhão de “especialistas” conta com 180 profissionais de diversas áreas, entre eles, o jornalista José Nêumanne Pinto, o historiador Roberto DaMatta e o economista Rodrigo Constantino, autor do recém-lançado Privatize Já. A obra é um libelo privatizante feito sob encomenda para se contrapor ao livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., sobre as privatizações nos governos de Fernando Henrique Cardoso que beneficiaram Serra e seus familiares. E não há um único dos senhores envolvidos com as privatizações dos anos 1990 que hoje não nade em dinheiro.  

Os “especialistas” são todos, curiosamente, brancos. Talvez por conta da adesão furiosa da agremiação aos manifestantes anticotas raciais. A tropa é comandada pelo jornalista Eurípedes Alcântara, diretor de redação da revista Veja, publicação onde, semanalmente, o Millenium vê seus evangelhos e autos de fé renovados. Alcântara é um dos dois titulares do Conselho Editorial da entidade. O outro é Antonio Carlos Pereira, editorialista de O Estado de S. Paulo.

Alcântara e Pereira não são presenças aleatórias, tampouco foram nomeados por filtros da meritocracia, conceito caríssimo ao instituto. A dupla de jornalistas representa dois dos quatro conglomerados de mídia que formam a bússola ideológica da entidade, a Editora Abril e o Grupo Estado. Os demais são as Organizações Globo e a Rede Brasil Sul (RBS).

O Millenium possui uma direção administrativa formada por dez integrantes, entre os quais destaca-se a diretora-executiva Priscila Barbosa Pereira Pinto. Embora seja a principal executiva de um instituto que tem entre suas maiores bandeiras a defesa da liberdade de imprensa e de expressão – e à livre circulação de ideias –, Priscila Pinto não se mostrou muito disposta a fornecer informações a CartaCapital. A executiva recusou-se a explicar o formidável organograma que inclui uma enorme gama de empresas e empresários.

Entre os “mantenedores e parceiros”, responsáveis pelo suporte financeiro do instituto, estão empresas como a Gerdau, a Localiza (maior locadora de veículos do País) e a Statoil, companhia norueguesa de petróleo. No “grupo máster” aparece a Suzano, gigante nacional de produção de papel e celulose. No chamado “grupo de apoio” estão a RBS, o Estadão e o Grupo Meio & Mensagem.

Há ainda uma lista de 25 doadores permanentes, entre os quais se incluem o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga e o presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, filho do falecido empresário José Alencar da Silva, vice-presidente da República nos dois mandatos de Lula. O organograma do clube da reação possui também uma “câmara de fundadores e curadores” (22 integrantes, entre eles o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco e o jornalista Pedro Bial), uma “câmara de mantenedores” (14 pessoas) e uma “câmara de instituições” com nove membros. Gente demais para uma simples instituição sem fins lucrativos.

Uma das atividades fundamentais é a cooptação, via concessão de bolsas de estudo no exterior, de jovens jornalistas brasileiros. Esse trabalho não é feito diretamente pelo instituto, mas por um de seus agregados, o Instituto Ling, mantido pelo empresário William Ling, dono da Petropar, gigante do setor de petroquímicos. Endereçado a profissionais com idades entre 24 e 30 anos, o programa “Jornalista de Visão” concede bolsas de mestrado ou especialização em universidades dos Estados Unidos e da Europa a funcionários dos grupos de mídia ligados ao Millenium.

Em 2010, quando o programa se iniciou, cinco jornalistas foram escolhidos, um de cada representante da mídia vinculada ao Millenium: Época (Globo), Veja (Abril), O Estado de S. PauloFolha de S. Paulo e Zero Hora (RBS). Em 2011, à exceção de um repórter do jornal A Tarde, da Bahia, o critério de escolha se manteve. Os agraciados foram da Época (2), Estadão (1), Folha (2), Zero Hora (1) e revistaGalileu (1), da Editora Globo. Neste ano foram contemplados três jornalistas doEstadão, dois da Folha, um da rádio CBN (Globo), um da Veja, um do jornal O Globo e um da revista Capital Aberto, especializada em mercado de capitais.

Para ser escolhido, segundo as diretrizes apresentadas pelo Instituto Ling, o interessado não deve ser filiado a partidos políticos e demonstrar “capacidade de liderança, independência e espírito crítico”. Os aprovados são apresentados durante um café da manhã na entidade, na primeira semana de agosto, e são obrigados a fazer uma espécie de juramento: prometer trabalhar “pelo fortalecimento da imprensa no Brasil, defendendo os valores de independência, democracia, economia de mercado, Estado de Direito e liberdade”.


Mainardi: sua covardia o levou a se esconder em Veneza
O Millenium investe ainda em palestras, lançamentos de livros e debates abertos ao público, quase sempre voltados para assuntos econômicos e para a discussão tão obsessiva quanto inútil sobre liberdade de imprensa e liberdade de expressão. Todo ano, por exemplo, o Millenium promove o “Dia da Liberdade de Impostos” e organiza os debates “Democracia e Liberdade de Expressão”. Entre os astros especialmente convidados para esses eventos estão Marcelo Tas, da Band, e Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, ambos de Veja. Humoristas jornalistas. Ou vice-versa.

O que toda essa gente faz e quanto cada um doa individualmente é mantido em segredo. Apesar da insistência deCartaCapital, a diretora-executiva Priscila Pinto mandou informar, via assessoria de imprensa, que não iria fornecer as informações requisitadas pela reportagem. Limitou-se a enviar nota oficial com um resumo da longa apresentação reproduzida na página eletrônica do Millenium sobre a missão do instituto. Entre eles, listado na rubrica “código de valores”, consta a premissa da transparência, voltada para “possibilidade de fiscalização pela sociedade civil e imprensa”. Valores, como se vê, bem flexíveis.

Josué Gomes e Gerdau também não atenderam aos pedidos de entrevista. O silêncio impede, no caso do primeiro, que se entenda o motivo de ele contribuir com um instituto cuja maioria dos integrantes sistematicamente atacou o governo do qual seu pai não só participou como foi um dos mais firmes defensores. E se ele é contra, por exemplo, a redução dos juros brasileiros a níveis civilizados. O industrial José Alencar passou os oito anos no governo a reclamar das taxas cobradas no Brasil. A turma do Millenium, ao contrário, brada contra o “intervencionismo estatal” na queda de braço entre o Palácio do Planalto e os bancos pela queda nos spreads cobrados dos consumidores finais.

No caso de Gerdau, seria interessante saber se o empresário, integrante da câmara de gestão federal, concorda com a tese de que a tentativa de redução no preço de energia é uma “intervenção descabida” do Estado, tese defendida pelo instituto que ele financia. Gerdau e Josué se perfilam, de forma consciente ou não, ao Movimento Endireita Brasil, defensor de teses esdrúxulas como a de que os militares golpistas de 1964 eram todos de esquerda.

O que há de transparência no Millenium não vem do espírito democrático de seus diretores, mas de uma obrigação legal comum a todas as ONGs certificadas pelo Ministério da Justiça. Essas entidades são obrigadas a disponibilizar ao público os dados administrativos e informações contábeis atualizadas. A direção do instituto se negou a informar à revista os valores pagos individualmente pelos doadores, assim como não quis discriminar o tamanho dos aportes financeiros feitos pelas empresas associadas.

A contabilidade disponível no Ministério da Justiça, contudo, revela a pujança da receita da entidade, uma média de 1 milhão de reais nos últimos dois anos. Em três anos de funcionamento auditados pelo governo (2009, 2010 e 2011), o Millenium deu prejuízos em dois deles.

Em 2009, quando foi certificado pelo Ministério da Justiça, o instituto conseguiu arrecadar 595,2 mil reais, 51% dos quais oriundos de doadores pessoas físicas e os demais 49% de recursos vindos de empresas privadas. Havia então quatro funcionários remunerados, embora a direção do Millenium não revele quem sejam, nem muito menos quanto recebem do instituto. Naquele ano, a entidade fechou as contas com prejuízo de 8,9 mil reais.

Em 2010, graças à adesão maciça de empresários e doadores antipetistas em geral, a arrecadação do Millenium praticamente dobrou. A receita no ano eleitoral foi de 1 milhão de reais, dos quais 65% vieram de doações de empresas privadas. O número de funcionários remunerados quase dobrou, de quatro para sete, e as contas fecharam no azul, com superávit de 153,9 mil reais.
Segundo as informações referentes ao exercício de 2011, a arrecadação do Millenium caiu pouco (951,9 mil reais) e se manteve na mesma relação porcentual de doadores (65% de empresas privadas, 35% de doações de pessoas físicas). O problema foi fechar as contas. No ano passado, a entidade amargou um prejuízo de 76,6 mil reais, mixaria para o volume de recursos reunidos em torno dos patrocinadores e mantenedores. Apenas com verbas publicitárias repassadas pelo governo federal, a turma midiática do Millenium faturou no ano passado 112,7 milhões de reais.

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Mídia derrotada mais uma vez pelo PT de Lula

Ricardo Kotscho, no Balaio

Perderam para Lula em 2002.

Perderam para Lula em 2006.

Perderam para Lula e Dilma em 2010.

Perderam para Lula e Haddad em 2012.

A aliança contra Lula e o PT montada pelos barões da mídia reunidos no Instituto Millenium sofreu no domingo mais uma severa derrota.

Eles simplesmente não aceitam até hoje que tenham perdido o poder em 2002, quando assumiu um presidente da República fora do seu controle, que não os consultava mais sobre a nomeação do ministro da Fazenda, nem os convidava para saraus no Alvorada.

Pouco importa que nestes dez anos tenha melhorado a vida da grande maioria dos brasileiros de todos os níveis sociais, inclusive a dos empresários da mídia, resgatando milhões de brasileiros da pobreza e da miséria, e dando início a um processo de distribuição de renda que mudou a cara do País.

Lula e o PT continuam representando para eles o inimigo a ser abatido. Pensaram que o grande momento tinha chegado este ano quando o julgamento do mensalão foi marcado, como eles queriam, para coincidir com o processo eleitoral.

Uma enxurada de capas de jornais e revistas com quilômetros de textos criminalizando o PT e latifúndios de espaço sobre o julgamento nos principais telejornais nos últimos três meses, todas as armas foram colocadas à disposição da oposição para o cerco final ao ex-presidente, mas a bala de prata deu chabu.

Na noite de domingo, quando foram anunciados os resultados, a decepção deve ter sido grande nos salões da confraria do Millenium, como dava para notar na indisfarçada expressão de derrota dos seus principais porta-vozes, buscando explicações para o que aconteceu.

Passada a régua nos números, apesar de todos os ataques da grande aliança formada pela mídia com os setores mais conservadores da sociedade brasileira, o PT de Lula e Dilma saiu das urnas maior do que entrou, como o grande vencedor desta eleição.

“PT — O maior vencedor” é o título do quadro publicado pela Folha ao lado dos mapas das Eleições em todo o País. Segundo o jornal, o PT “foi o campeão em dois dos mais importantes critérios. Além de ter sido o mais votado no 1º turno (17,3 milhões), é o que irá governar para o maior número de eleitores”.

De fato, com os resultados do segundo turno, o PT irá governar cidades com 37,1 milhões de habitantes, onde vive 20% do eleitorado do País. Com cidades habitadas por 30,6 milhões, o segundo colocado foi o PMDB, principal partido da base aliada.

“Em relação aos resultados das eleições de 2008, o total de eleitores governados por prefeitos petistas crescerá 29% em 2013, quando os eleitos ontem e no primeiro turno deverão assumir”, contabiliza Ricardo Mendonça no mesmo jornal.

Do outro lado, aconteceu exatamente o contrário: “Já os partidos que fazem oposição ao governo Dilma Rousseff saem da eleição menores do que entraram. Na comparação com 2008, PSDB, DEM e PPS, os três principais oposicionistas, terão 309 prefeituras a menos. Puxados  para baixo principalmente pelo DEM, irão governar para 10,5 milhões de eleitores a menos”.

Curiosa foi a manchete encontrada pelo jornal “O Globo” para esconder a vitória do PT: “Partidos ficam sem hegemonia nas capitais”. E daí? Quando, em tempos recentes, algum partido teve hegemonia nas capitais? Só me lembro da Arena, nos tempos da ditadura militar, que o jornal apoiou e defendeu, quando não havia eleições diretas.

O que eles estarão preparando agora para 2014? Sem José Serra, que perdeu de novo para um candidato do PT que nunca havia disputado uma eleição, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, eleito com 55,57% dos votos, terão que encontrar primeiro um novo candidato.

Ao bater de frente pela segunda vez seguida num “poste do Lula”, o tucano preferido da mídia corre agora o risco de perder também a carteira de motorista.


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A privatização da moral pública

Por Luciano Martins Costa - Observatório da Imprensa

A impossibilidade eventual de sair batendo perna pela cidade (já que este observador se encontra temporariamente com pouca mobilidade física) abre a oportunidade para a bisbilhotagem continuada, por longas horas, das redes sociais digitais. E o que se vê, basicamente, é a construção de um abismo onde deveriam vicejar naturalmente novos vínculos sociais e onde antigos vínculos podem ser retomados e reanimados pelo encontro virtual.
Aparentemente, após três dias de imersão nas redes sociais, pode-se concluir que a imprensa brasileira está trabalhando ativamente na desconstrução do conceito de sociedade democrática.
Ao se colocar agressivamente contra determinadas figuras da República, usando critérios diferenciados para fatos similares, as principais empresas de comunicação do país estabelecem um padrão para o jornalismo sobre o qual um dia haverão de ser cobradas. Esse padrão é composto por elementos de preconceito e manipulação, mas apresentado sob o manto virtuoso da defesa da moralidade pública.

Manipulação de imagen

A palavra mágica é, como sempre, ética. O contexto, porém, é o dos tribunais de inquisição.

Dois presidentes da República. Um deles foi acusado de comprar apoio no Congresso para fazer aprovar o direito de disputar a reeleição. O outro, tendo a possibilidade de se reeleger quanto quisesse, cumpriu a lei e deixou o poder.

 Para um, o olhar da imprensa é complacente. Afinal, ele estabilizou a moeda, reorganizou o sistema financeiro, atuou dentro dos paradigmas do mercado. Para o outro, a lei. Mas não apenas a lei aplicada pela Justiça: principalmente a lei do arbítrio, quando a sentença é anterior ao julgamento.

Considerem-se apropriadas todas as decisões tomadas recentemente pelo Supremo Tribunal Federal no caso chamado de mensalão. Ainda assim, nada justifica a sanha da imprensa, em ataques pessoais, a não ser um ódio que precede o caso em si.

 Ao abandonar a linguagem jornalística apropriada para adotar o discurso político, a imprensa induz boa parte da sociedade a adotar retórica semelhante, com o que, então, se dá adeus à racionalidade. Um dos resultados pode ser a ruptura do tecido social.

Mas há uma ironia nessa história: observando-se manifestações nas redes sociais, parece que a parcela de opiniões críticas sobre esse desempenho da imprensa cresce mais do que aquela parcela que compartilha as opiniões do noticiário editorializado.

O tema está a merecer uma pesquisa de comunicadores, mas pode-se afirmar que o campo político onde se situam aqueles que discordam da imprensa se transformou em terreno minado onde nunca mais haverão de brotar assinaturas desses jornais e revistas – e onde a publicidade veiculada nessas mídias tende a produzir efeito negativo para os anunciantes.

São decisões editoriais que comprometem o futuro da mídia tradicional, e o principal erro da imprensa tem sido quanto ao uso de seu suposto poder de influenciar pessoas: não é de hoje que pesquisadores como o britânico Paul Johnson (católico e conservador) observam que a manipulação de imagens em favor de interpretações preconcebidas, antes um vício da televisão, acabou dominando a mídia impressa.

Processo em curso

Há mais de dez anos, Johnson já dizia que os pecados típicos da imprensa tradicional quando ela começou a se apropriar das tecnologias digitais de informação e comunicação eram preconceito, manipulação, precipitação e editorialização.

A observação da imprensa brasileira faz lembrar uma das frases mais emblemáticas criadas por Paul Johnson nesse período: “A mídia é uma arma carregada quando utilizada com hostilidade”.

Hostilidade e agressividade são as palavras centrais para descrever o conteúdo jornalístico que tem sido oferecido aos leitores e telespectadores nos últimos anos, no seu esforço desenfreado e irracional para criar e aprofundar uma divisão na sociedade brasileira.


Preconceito, manipulação, precipitação e editorialização são expressões que ficam mal dissimuladas sob o discurso moralizante que domina a linguagem jornalística.

A denúncia dos maus procedimentos, a fiscalização dos poderes, o papel essencial da imprensa de organizar a agenda pública para manter em evidência os valores fundamentais da vida republicana, implicam equilíbrio e algum compromisso com a busca da verdade.

 O que se vê, claramente, é o uso político de informações fora de contexto, em nome da ética. Não se trata, nesse sentido, de ética propriamente, mas de moralidade, expressão definida especificamente na Constituição brasileira. Trata-se, claramente, de um processo de privatização da moralidade pública.
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Fonte:http://marciabrasileira.blogspot.com/2013/01/a-midia-hoje-e-uma-vergonha.html

LEWANDOWSKI: "NÃO SE PODE PARAR UM PAÍS"

27.01.2013
Do portal BRASIL247,26.01.13

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/91749/Lewandowski-N%C3%A3o-se-pode-parar-um-pa%C3%ADs.htm

Familiares de babá encontrada morta em Portugal aguardam liberação de atestado

27.01.2013
Do jornal FOLHA DE PERNAMBUCO,26.01.13
Por DIEGO MENDES

Previsão é de que a transferência do cadáver aconteça até 4 de fevereiro 

Arthur Mota/Arquivo Folha
Corpo de Maria Aparecida ainda está em Portugal

Os familiares da babá Maria Aparecida de Souza Lima, 48 anos, morta no último dia 4, na cidade de Faro, em Portugal, aguardam a liberação do atestado de óbito dela para que a data do traslado do corpo seja definida. De acordo com a sobrinha da brasileira, Irene dos Santos, o consulado do Brasil na cidade portuguesa informou, nesta sexta-feira (25), que só está esperando a polícia europeia liberar o documento, o que pode acontecer ainda neste sábado. A previsão é de que a transferência do cadáver deve ocorrer até 4 de fevereiro.

Irene dos Santos disse que aguarda a ligação do consulado para definir os detalhes do sepultamento. “Está tudo certo para o Governo de Pernambuco pagar o traslado. Só estamos dependendo mesmo da agilidade da polícia portuguesa. Eles precisam concluir o atestado de óbito da minha tia, para ela pode vir para cá, onde vai ser enterrada ao lado do túmulo da mãe dela”, disse a sobrinha da Maria Aparecida, que reside com a família em Petrolina, no Sertão de Pernambuco.

O traslado do corpo de Maria Aparecida, que morava na cidade de Leiria, em Portugal, há seis anos, vai custar, até o Recife, 4,1 mil euros, cerca de R$ 13 mil. O Governo de Pernambuco já se comprometeu a custear a despesa, que será paga com os recursos do Fundo Estadual de Assistência Social. A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SDSDH) está encarregada de cuidar de todos os procedimentos legais.
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Fonte:http://www1.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/cotidiano/noticias/arqs/2013/01/0291.html

A CULPA É SEMPRE DOS OUTROS ...

27.01.2013
Do blog SALA FÉRIO, 25.01.13
METADE DO TOTAL DOS DÉBITOS COM A
RECEITA FEDERAL É ORIGINADA POR 370
GRANDES DEVEDORES.
ENTRE ELES, BANCOS, SEGURADORAS,
FINANCEIRAS, FIRMAS DE SEGURANÇA E
EMPRESAS DE COMUNICAÇÃO.

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Fonte:http://salafehrio.blogspot.com/2013/01/a-culpa-e-sempre-dos-outros.html

Igreja que virou “obra de arte” recebe críticas Prédio religioso é grafitado para divulgar museu

27.03.2013
Do portal GOSPELPRIME,26.01.13
Por   Jarbas Aragão

Igreja que virou “obra de arte” recebe críticasIgreja que virou “obra de arte” recebe críticas
O famoso grafiteiro conhecido como Hense recebeu a oportunidade de “revitalizar” o prédio de uma antiga igreja na área do Distrito 6, em Washington, capital dos EUA.
O artista plástico começou a trabalhar com a ajuda de uma pequena equipe, usando rolos, pincéis, sprays, tintas acrílicas e  esmaltes para cobrir cada centímetro da igreja de quase 7 mil metros quadrados. Depois de várias semanas, a cor branca original foi substituída por um conjunto de cores e formas, no que parecia um episódio do programa “Extreme Makeover”.
Mas segundo o Huffington Post, nem todo mundo viu a mudança de maneira positiva. “Há algumas pessoas que pensaram que eu profanei a igreja”, explica o artista. “Embora muitos mudaram de ideia quando eu explicava que era um trabalho que tinha pensamento positivo por trás… eles entendiam”, asseverou.
Igreja
O prédio da antiga igreja estava desocupado há anos e foi posto à venda. Com a ajuda de uma comissão do bairro, Hense foi convidado para dar ao templo um novo começo e trazer um pouco de cor ao local.
A iniciativa é parte da divulgação de novos empreendimentos que serão inaugurados do outro lado da rua.  O grupo Rubell comprou uma antiga escola e a transformou em um museu de artes. Ao lado, haverá um prédio que funcionará como um anexo do hotel Capitol Skyline, que pertence ao mesmo grupo de investidores.
chuch
Até achar um comprador, a igreja “obra de arte” será uma atração a mais para as pessoas que visitarem o museu ou se hospedarem no hotel. Com informações Huffington Post.

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Fonte:http://noticias.gospelprime.com.br/igreja-que-virou-obra-de-arte-recebe-criticas/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A%20gospelprime%20%28Gospel%20Prime%29