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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Desinformação é arma de guerra do Pentágono.

23.01.2013
Do blog LÓTUS EGÍPCIO,11.01.13




“Desinformação é a arma de guerra do Pentágono”

A jornalista Stella Calloni alerta que, seguindo o script de Washington, Grupo Clarín ataca a Ley de Medios da Argentina

Leonardo Severo e Vanessa Silva, de Buenos Aires (Argentina), no Brasil de Fato

Aos 77 anos, Stella Calloni luta o bom combate, energizando com alegria tudo ao redor. Nos recebe em sua casa para falar sobre a Lei de Meios Audiovisuais da Argentina, a Ley de Medios.

A sala em que nos recebeu, repleta de quadros e imagens de diversos países, é um cenário internacionalista e integracionista perfeito para nossa conversa. O tema é o 7D (sete de dezembro), que colocou o debate sobre a comunicação na ordem do dia e mobilizou toda a sociedade argentina.

Neste dia, o maior conglomerado de comunicação do país vizinho, o Grupo Clarín, deveria ter apresentado seu plano de adequação para desfazer-se de seu monopólio e adequar-se à lei. Todos os demais grupos de mídia o fizeram até a data, mas por uma ação judicial do Clarín, acolhida por uma corte de Justiça, o 7D não se consumou e a batalha pela democratização da palavra continua.

Escritora e jornalista, Stella desvendou a Operação Condor e tantos crimes macabros cometidos pelo imperialismo e seus testas-de-ferro no Sul do Continente. Stella estudou a fundo a lei dos meios e afirma categoricamente que se trata da “mais democrática e participativa da América Latina”, e tem um “significado especial para a conquista da soberania efetiva e o avanço da própria integração”.

Frente ao festival de mentiras, calúnias e omissões que proliferam na imprensa contra a presidenta Cristina Kirchner e a nova lei, Stela nos convida a uma reflexão sobre quem se beneficia do caos na comunicação: “A desinformação é uma arma de guerra do Pentágono”.

Brasil de Fato: Da mesma forma que O Globo, no Brasil, o Grupo Clarín foi claramente beneficiado pela ditadura. Como isso se deu?
Stella Calloni: Em 1978 a ditadura persegue a família do banqueiro e dono da empresa Papel Prensa, Davir Graiver, (empresa que detinha o monopólio da fabricação de papel jornal) acusado de trabalhar com o grupo guerrilheiro Montoneros. O proprietário morreu num estranho acidente em 1976, no México, e nunca se pôde achar o corpo nem nada.
A suspeita é que o assassinato tenha sido executado pela CIA e por grupos secretos que trabalhavam com a ditadura. Então, numa manobra entre a ditadura, o Diário Clarín, o La Nación e o diário La Razón, que já não existe mais, fizeram o “acordo” com Graiver. Tudo assinado e sua esposa Lidia Papaleo de Graiver, que regressou ao país com sua filhinha de dois anos, foi detida e torturada num centro clandestino. Nessas condições, teve que assinar a “venda” da Papel Prensa.
A “compra” foi por um montante que era nada e ocorreu, evidentemente, mediante extorsão. Do total do patrimônio, 80% ficaram para os três jornais e uns 20% da empresa para o Estado. Foi assim que o Clarín e o La Nación começaram a formar seu monopólio, pois quem tem o poder do papel jornal na mão tem o poder da distribuição deste papel.
Em 1980, o regime da ditadura militar (1976-1983) dita por decreto a lei de radiodifusão que, neste momento, já concebia a comunicação como uma mercadoria. A ditadura havia aberto então a porta para a conformação de grandes grupos monopólicos.

Terminada a ditadura, o presidente Raúl Alfonsín chegou a questionar esta anomalia?
Depois de 1983, após a Guerra das Malvinas, cai a ditadura e Raul Alfonsín chega à Presidência. Em 1984 ele começa a se dar conta que a lei de meios da ditadura precisaria mudar. Então é desatada uma grande campanha do Grupo Clarín contra Alfonsín e nada avança. É esta a lei que se encontra em vigência até agora.

Como inicia esse movimento pela democratização da comunicação?
Nos anos de 1990 começa um trabalho coletivo de universidades, diretórios estudantis, profissionais, movimentos sociais e sindicais, sobretudo de profissionais de imprensa, entre eles a União de Trabalhadores de Jornalismo de Buenos Aires. Iniciam o debate sobre o tema da concentração de poder nos meios de comunicação.
Vale lembrar que, em 1989, o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999) privatiza tudo, além de um monte de meios de comunicação, escancarando as portas para a possibilidade de se comprar a quantidade de licenças que quisessem. Isso possibilita que, em 1995, quando começou a campanha para mudar a lei, Clarín já tivesse se tornado um grupo monopólico.

Qual o tamanho desse monopólio?
Beneficiado com esta lógica privatista, no ano 2000, Clarín já detinha 240 licenças, os canais 13, Toda Notícia, Volver, Rádio Mitre AM, 80 FM, Multicanal, Datamarket, por meio dos quais controlava quase todo o país, além de imprimir o principal diário, o Clarín, e a Olé, que é uma revista esportiva. Havia acumulado, portanto, bem mais do que todo o resto dos grupos.

No Brasil, o grupo Folha emprestava seus automóveis para a repressão. De que forma o Grupo Clarín agiu?
Este é um problema. O Clarín e os grandes meios colaboraram com a ditadura publicando como “enfrentamento” o assassinato de militantes pelos grupos policiais. É a velha história: a mídia fazia o jogo do poder econômico, dos latifundiários, dos banqueiros, das multinacionais, que manipulavam em todo o continente os meios de comunicação, ligados aos Estados Unidos, dependentes deles. Assim, quando os EUA viam que seus interesses estavam sendo contrariados, e que precisavam dar um golpe e invadir um país, utilizavam a mídia local.
Foi assim na invasão à Guatemala, foi dessa forma que converteram o herói nicaraguense Augusto César Sandino em bandido. Por isso atacam tanto atualmente o presidente equatoriano Rafael Correa. O que está em jogo é a defesa dos interesses econômicos.Concebem a informação como mercadoria e a liberdade de expressão como liberdade de empresa. O que potencializou esse movimento foi o furacão neoliberal dos anos de 1990.

Você se refere à crise que vitimou bastante a economia Argentina?
A Argentina foi um dos países mais gravemente afetados pelo neoliberalismo. Acabaram os trens no nosso país. É uma coisa única no mundo, porque tínhamos cobertas nossas maiores extensões. Com isso morreram vários povoados no interior. Foi um retrocesso nos princípios iniciais da República, foram quebradas muitas empresas.
O governo chegou a cortar publicidade para quebrar empresas de comunicação, a fim de que viessem os estrangeiros e seus testas-de-ferro, o que foi conformando um poder hegemônico. Foram apoderando-se, no caso da Europa, das agências de notícias, mancomunadas com interesses privados a tal ponto que perderam totalmente a espécie de independência que ainda tinham. Vocês como brasileiros, nós como argentinos, lembramos que quando tivemos as ditaduras recorríamos àquelas agências para fazer denúncias. Hoje elas são parte de um só discurso midiático.

Como avalia o papel dos novos governos populares nesta batalha pela liberdade de expressão?
Devido às mudanças que ocorreram na América Latina, vivemos o pós-neoliberalismo – ainda que este sistema não esteja completamente enterrado. O fato é que surgiram governos que expressam uma vontade popular totalmente distinta. Estes governos surgem das lutas populares nas ruas, nas estradas, e ressignificam a tragédia do neoliberalismo nos setores mais renegados e excluídos entre os excluídos.
Afinal, os neoliberais concebem o desemprego como um disciplinador social, por isso, trataram de reduzir os sindicatos, debilitaram as defesas dos trabalhadores, desregulamentaram nossas economias. E a resposta veio da grande massa popular, dos piqueteiros na Argentina, por exemplo. O mesmo aconteceu na Bolívia, e na Venezuela com o Caracaço em 1989, que foi a primeira rebelião contra o sistema neoliberal produzida no continente.
Os novos governos que surgem, como o de Hugo Chávez, vêm quando os países estavam afundados no abismo. Daí tantas rebeliões populares e a entrada em cena de Evo Morales na Bolívia, Nestor Kirchner na Argentina, Lula no Brasil, Manuel Zelaya em Honduras, a volta de Daniel Ortega na Nicarágua. São governos frutos destas rebeliões que mudam o mapa da América Latina, em contraposição à lógica das ditaduras que nos implantaram os Estados Unidos.
Começa então um processo de integração e unidade. Isso dá um salto além do processo de integração econômica, como havia sido inicialmente concebido, para um processo de emancipação nacional, porque estamos em um processo de independência, ainda não temos nossa independência totalmente assegurada.

Como profissional que acompanha o debate sobre a democratização da comunicação há muitos anos, qual a sua avaliação sobre a Ley de Medios?
A Lei de Meios da Argentina é a mais democrática e participativa que se votou no país e, creio, em toda a América Latina. As diferentes organizações estão trabalhando nela, constantemente aperfeiçoando a proposta há 22 anos. Há uma grande aprendizagem, fruto de um acúmulo. A questão da mídia, pela sua capacidade de interferência na realidade, de pautar governos e influir no comportamento social, ganhou ainda maior relevância para a própria democracia.
Claro. Se antes existiam três meios potentes que destruíam um governo, neste período histórico temos milhares de repetidores destes meios potentes que têm um poder tão grande que agora são concebidos pelo Pentágono como arma de guerra.
A desinformação hoje é uma arma de guerra. Massivamente pode-se destruir um mandatário, convertê-lo em ditador, sustentar uma mentira como as armas de destruição em massa no Iraque, uma mentira atroz como a usada contra a Líbia. Muammar Kadafi nunca bombardeou seu povo.
Não deixaram nada em pé na Líbia. Então a mídia foi usada recentemente em quatro guerras coloniais: Afeganistão, Iraque, Líbia e, agora, a Síria, onde também estão produzindo devastação em larga escala. Temos também a questão grave dos bombardeios e do cerco a Gaza, na Palestina, países que foram divididos como o Sudão, e ameaçados, como o Líbano e o Irã.
Vejam como isso se reflete aqui na América Latina com a nova ofensiva dos grandes conglomerados de comunicação sobre os governos da região, tentando destruir a integração que conseguiu vencê-los. Nossa integração conseguiu parar golpes de Estado como o dado contra Evo, apoiou [Rafael] Correa e isolou os golpistas em 2010, desconheceu o governo ditatorial de Honduras e tomou uma decisão, como no caso do Paraguai, cumprindo com o regramento do Mercosul que defende a democracia verdadeira.
Concebemos e reafirmamos a democracia como é: uma grande participação popular, e pela primeira vez os Estados Unidos caíram na sua própria armadilha. Não diziam que o que valia era o voto na urna? Pois pelo voto nossos povos afirmaram um caminho independente do governo de Washington. Como a vontade popular é favorável à independência, temos uma verdadeira guerra instalada no Continente, a guerra dos meios.

Voltando à Argentina, conte-nos mais sobre a guerra que está sendo travada pela mídia contra o governo de Cristina.
Na Argentina há uma desinformação enorme. Em 2008 quando o governo quis colocar um imposto para a venda da soja, pois havia uma entrada enorme de dinheiro, foi produzida uma tentativa de golpe de Estado. A paralisação das rodovias do Mercosul era um golpe estratégico. Conseguiu-se superar isso, mas a desinformação era tão grande que começou a confundir setores da sociedade, que são ainda cativos dos grandes meios, porque nenhum meio estatal tem o poder comunicacional deles, que abarcam todo o país.
Com 240 licenças, o Grupo Clarín tem rádios de longo alcance em cada província, chegando até a Terra do Fogo, a mais distante. Conhecemos pela história de Goebbels e do nazismo, que tudo o que é repetido todos os dias vai formando uma verdade, uma opinião, que pode ser absolutamente equivocada. Como ocorreu com o povo alemão, as informações de Goebbels foram levando os alemães à sua própria destruição, pois não conseguiram ver que era falsa a mensagem.

A destruição da consciência, de países e povos, acontece via desinformação?
Aqui a desinformação é tamanha que ao ler o Clarín, da primeira à última página, são todas notícias negativas sobre a lei de meios. Chegou a um ponto que nunca havíamos chegado, de se oporem ao governo quando este defende a questão das Ilhas Malvinas, que são estratégicas não só para Argentina, como para toda a América Latina, porque senão teremos as maiores bases estrangeiras já instaladas, com alcance para o Brasil, para toda a região.
Diante desta ameaça real, esses meios começam a desacreditar esta vontade, esta posição do governo, dizendo que é preciso respeitar os habitantes instalados no lugar, trazidos da Grã Bretanha. Querem justificar a falta de soberania, defender uma colônia a 14 mil quilômetros da Grã Bretanha, instalada em águas territoriais argentinas.

Esse é um comportamento que vem de longa data?
Veja, o La Nación é da família Mitre, oligárquica do passado, que sempre combateu os governos populares, tendo sido chaves na derrubada de Perón, em 1955. São sociedades cativas que se acostumaram a ter muito poder através desses meios. Mentem para este público dizendo que o jornal vai deixar de sair no dia seguinte à entrada em vigor da Ley de Medios. Mas no caso do jornal não há nenhum problema, pois a lei não tem alcance para os meios escritos.
Isso é absolutamente falso. Eles podem ficar com até 24 canais e 10 rádios, mas não poderão ficar com as 240 concessões irregulares, porque isso é monopólio. A lei se rege também por regras da Comissão Interamericana de Direitos Humanos que afirma que não pode haver monopólios informativos porque eles restringem a liberdade de expressão dos países. Então nos perguntamos: por que esta lei não está sendo cumprida pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP)? Porque ela representa os donos dos meios.

No caso argentino, após amplo debate, aprovada pelo Executivo e pelo Legislativo, a lei foi obstaculizada pelo Judiciário. O que deve acontecer agora?
A lei entrou como projeto do governo, apresentada por todas estas organizações. Os deputados estudam a questão e a lei é aprovada por maioria pelo governo e pela oposição em outubro de 2009. De imediato, o Grupo Clarín começa a colocar medidas cautelares. Pressiona por uma medida cautelar para o artigo 161, que regula os monopólios midiáticos, que não deveriam mais existir e que todos os grupos deveriam se adequar. A lei não é nenhum ataque a um meio determinado.
Tanto é assim que no dia 6 de dezembro, um dia antes do prazo, 19 grupos já haviam entregado seus planos de adequação para o governo. Havia um acerto que no dia 7 de dezembro a Autoridade Federal de Serviços Audiovisuais de Comunicação (AFSCA) devia apresentar um plano de adequação para os que não cumprissem o prazo. Então uma Câmara Civil e Comercial integrada por juízes que têm até relação familiar com o Clarín, um juiz que foi convidado pelo grupo para ir a Miami fazer um debate contra a nova lei, suspende seu efeito.

Uma decisão em causa própria?
É impossível que uma pessoa possa ser juiz e parte, mas aconteceu. Um monopólio restringe a liberdade de informação e o Estado deve tomar medidas contra a intenção monopolista. E foi obstaculizado por uma decisão judicial. Deparamos-nos com uma verdade que ninguém quer dizer em toda a América Latina, na Argentina, no Brasil: a Justiça está impregnada pelo passado. Ainda restaram muitos juízes da ditadura, do poder econômico que veio depois, juízes que colaboram ativamente com as oposições locais.

Uma guerra pela democratização da comunicação. Dessa forma, como avalia o papel desempenhado pela SIP?
A luta pela democratização da mídia é a mãe de todas as batalhas. A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que é a sociedade de todos os donos da mídia do continente, que tem grande influência dos Estados Unidos, está contra a Ley de Medios porque ela favorece a pluralidade de vozes, estabelece um limite para o número de licenças que cada grupo de empresários pode ter.
A nova lei argentina determina que o Clarín não pode manipular tantos sinais, criou a Autoridade Federal de Serviços Audiovisuais (AFSCA), determinou um máximo de 24 licenças de televisão por cabo e 10 de rádio AM ou televisão aberta para cada grupo, reconheceu o direito à comunicação com identidade dos povos originários, entre outros avanços. Na manhã do dia 8 de dezembro, começou a funcionar a primeira televisão mapuche e há mais de 20 rádios que passaram a ser feitas pelos próprios povos originários. Estou contentíssima com isso.

Sem romper com o monopólio do Clarín não é possível que a lei entre em vigor?
A lei indica que tudo devia começar com os aspirantes aos canais apresentando-se como cooperativas. E assim foi feito. Mas se não se rompe o monopólio, não tem como distribuir. Este é o problema. Já se permitiu a abertura de novas rádios em alguns lugares, apoiou-se pela primeira vez o desenvolvimento de pequenas e médias empresas que poderão ficar responsáveis por um canal de cabo.
Cinquenta universidades já podem ter a sua própria televisão, foram liberadas mais de 365 licenças de AM e FM e devem sair outras 800 solicitações de distintos setores populares para rádio. Isso já está sendo cumprido, com licenças para organizações sem fins de lucro, canais educativos, de saúde, 1.150 frequências para rádios municipais, se abriram mais de 130 rádios em escolas e mais de 20 para povos originários. Mais de 50 cooperativas de serviços públicos em todo o país já têm sua licença e outras 100 as solicitaram. Isso dá uma ideia do que vai acontecer no dia seguinte ao que o monopólio acabar.

Como a nova legislação aborda a questão da publicidade?
A lei exige que a publicidade incentive a produção local. Assim se produziram mais de duas mil horas de conteúdo televisivo desde que chegaram os planos de fomento do Estado nacional e mais de 3.500 projetos foram apresentados em todo o país. Com recursos, 26 das novas séries de televisão foram realizadas nas províncias com atores e técnicos locais.
A indústria audiovisual gera mais de 100 mil postos de trabalho por ano em todo o país, número que pode ser bastante ampliado com a diversificação estimulada pela lei. As pequenas e médias empresas (Pymes) já contam com mais de 2.800 horas diárias de programação e geram mais de seis mil postos de trabalho. Esta informação obviamente não é divulgada pela mídia, mas as pessoas necessitam ter a dimensão do seu significado.

A grande mídia esconde os benefícios da nova lei, mas seus defensores conseguem dialogar sobre a sua relevância para o avanço da democracia?
Dizem que ela é necessária, falam da democratização, mas não são divulgados fatos concretos, não se demonstra a importância de fato. O artigo 161 é importantíssimo porque, como já disse, sem mexer no monopólio não tem como distribuir. Então a decisão da Corte em favor do Clarín está interferindo no processo.
Os demais grupos de mídia estão dispostos a cumprir a lei, mas a SIP vem à Argentina apoiar o grande monopólio, num dos maiores atos de intromissão nos assuntos internos de um país. Aqui, no dia 22 de maio, a Corte Suprema fixou que no 7 de dezembro venceria a medida cautelar. Agora, com o apoio de alguns juízes, conseguiram novamente protelar. O Clarín está burlando a legislação com acompanhamento externo e o Estado está lutando contra a velha justiça que responde ao poder econômico.

Em sua opinião, o que temos pela frente?
Em primeiro lugar, precisamos tornar mais didáticas as denúncias contra o grupo monopolista. Se o Clarín continua sem cumprir a lei, o Estado está obrigado a chamar concursos públicos. As licenças que excedam o mínimo estipulado pela lei devem ser entregues a novos titulares. A obrigação do Estado é chamar o concurso. Se não adequar-se ao processo, em sua luta equivocada, o Clarín terminará favorecendo os setores populares.
Inclusive agora está em curso um processo judicial pelo caso da fábrica de papel jornal, onde os antigos donos estão denunciando como lhes tiraram seu patrimônio, de forma ilegal e indevida. A atuação é juridicamente reprovável porque se fez com pessoas detidas. Além disso, houve o descumprimento do que dispunha a lei quanto ao percentual de ações que deveria ter ficado com o Estado e que acabou sendo apropriado pelos grupos privados.
O monopólio também amplia o poder e os lucros do Clarín, que obriga as demais publicações a pagarem um fundo para que possam ser distribuídas nas bancas. O Estado tem dito e repetido que não vai expropriar de nenhuma maneira, nem vai estatizar. Trata-se de garantir a pluralidade de vozes, algo que nunca houve. Ao contrário, uma quantidade de meios foram fechados durante a ditadura, inclusive com bombas, como o Diário Sur e o diário La Calle, do Partido Comunista.
Há mais de cem jornalistas argentinos desaparecidos e 50 assassinados. Mas sobre isso a SIP não fala, como nada tem dito sobre o que está ocorrendo em Honduras onde em duas manifestações realizadas pela oposição foram espancadas equipes inteiras de televisão.

E como é possível romper com este cerco midiático?
Precisamos fazer cumprir o que diz a Corte Interamericana: os monopólios de comunicação cerceiam a liberdade de expressão. Quando os governos querem atuar para democratizar a palavra, se fazem de desentendidos. A informação é uma arma real para o poder hegemônico, uma arma para destituir governos.
Uma arma tão real que muitas das notícias são fabricadas no próprio Pentágono, como as do Oriente Médio, e repetidas em todo o mundo. Imagine o poder que significa que, em todo o mundo, na mesma hora, a repetição da mesma coisa. Isso amplifica de uma forma perversa, eu diria terrorista, a desinformação.
Não se respeita o direito dos povos a uma informação verdadeira, que ajude a população a ter mais educação e cultura. A isso se agrega os entretenimentos que são o maior modelo de desculturação que tiveram nossos países nos últimos anos. E isso é mais grave porque chega onde não há um jornal. Está em frente à televisão, está absorvendo anti-valores.

Do blog Viomundo

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Fonte:http://lotusegipcio.blogspot.com/2013/01/desinformacao-e-arma-de-guerra-do.html

POR QUE O EMBATE ENTRE CARLOS DORNELLES E A GLOBO É DE GRANDE INTERESSE PÚBLICO

23.01.2013
Do portal FAZENDO MEDIA
Por Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo


Empresas jornalísticas deveriam ter um comportamento exemplar nas práticas administrativas, dado o seu papel fiscalizador.  Você não pode cobrar retidão de governos e políticos  se faz curvas
A sociedade tem que saber mais sobre as práticas fiscais de corporações como a Globo. Carlos Dornelles é um verbete grande no espaço de memórias do site da Globo. Ali, ficamos sabendo que Dornelles, gaúcho de Cachoeira do Sul nascido em 1954, fez muitas coisas na Globo. Vou transcrever um trecho para conhecermos melhor Dornelles na Globo segundo a própria Globo:
Esteve à frente de importantes coberturas, tais como a do comício no Vale do Anhangabaú pela campanha das Diretas Já, em 1984. (…)Também integrou a equipe mobilizada para a cobertura da doença e, em seguida, do falecimento do então presidente eleito Tancredo Neves. Em abril de 1989, Dornelles foi transferido para o escritório da TV Globo em Londres, onde começou a trabalhar como correspondente. Durante os anos em que esteve na Inglaterra, realizou importantes coberturas jornalísticas sobre a crise do leste europeu. Na então Tchecoslováquia, cobriu a chamada Revolução de Veludo, em novembro de 1989. No mesmo período, esteve no Irã, onde foi responsável pela cobertura da morte do aiatolá Khomeini, cujo enterro reuniu cerca de dez milhões de iranianos; e na Alemanha, onde acompanhou o primeiro ano-novo após a queda do Muro de Berlim. Em outubro de 1990, recém-chegado de Londres, Carlos Dornelles foi convidado (…) para trabalhar como correspondente em Nova York. No ano seguinte, participou da equipe de cobertura da Guerra do Golfo, um dos momentos mais marcantes de sua carreira.  (…) Ainda como correspondente em Nova York, realizou a cobertura da prisão e da morte do traficante colombiano Pablo Escobar, em 1991 e 1993, e esteve diversas vezes no Peru cobrindo o governo e a queda do ex-presidente Alberto FujimoriAo longo de sua carreira, também participou de importantes coberturas esportivas, como a da Copa do Mundo de 1990, na Itália; a de 1994, nos Estados Unidos, em que o Brasil conquistou o tetracampeonato; e a de 1998, na França. Fez parte, ainda, da equipe que cobriu as Olimpíadas de Seul, na Coreia do Sul, em 1988, e de Sidney, na Austrália, em 2000. 
Bem, tanta coisa não foi suficiente para que Dornelles não fosse demitido, em 2008. Dornelles, algum tempo antes, tinha manifestado publicamente seu incômodo com a forma como a Globo vinha cobrindo política. Antes de ser mandado embora, passou pelo exílio jornalístico siberiano  do Globo Rural, encostado e visto por agricultores sem muito que fazer nos domingos pela manhã. Tanta coisa, também, não foi suficiente para que Dornelles, a partir de um determinado momento na Globo, desfrutasse dos direitos trabalhistas nacionais. Dornelles foi instado a se tornar, como tantos outros funcionários graduados da Globo, o chamado “PJ” – pessoa jurídica. É uma manobra comum entre as empresas jornalísticas, com raras e caras exceções como a Abril. Usar PJs é uma gambiarra de discutível legalidade e indiscutível imoralidade. O objetivo é simplesmente não pagar o imposto devido. A empresa simula que o funcionário presta serviços eventuais, e com isso economiza consideravelmente.
Dornelles era um PJ ao deixar a Globo, embora isso não esteja em seu verbete. Para os cofres públicos, a proliferação de PJs é uma calamidade. Falta dinheiro que poderia construir escolas, ou pontes, ou hospitais. Para o empregado, é nocivo. Fundo de garantia, 13º salário, férias etc simplesmente desaparecem. É bom apenas para os acionistas. O que leva uma empresa como a Globo a isso? Falta de dinheiro? Ora, a Globo – por causa de outro expediente de duvidosa ética, os chamados BVs, algo que mantém as agências de publicidade numa virtual dependência da empresa – fica, sozinha, com praticamente metade de toda a receita publicitária brasileira. (Os BVs — bonificações por volume — explicam em boa parte o milagre de a receita publicitária da Globo aumentar no ano em que teve a pior audiência de sua história. De Xuxa a Faustão, do Jornal Nacional ao Fantástico, o Ibope marcha soberbamente para trás.) Isso, para resumir, significa o seguinte: a Globo teria que ser administrativamente muito inepta para não ser muito lucrativa com tanto faturamento.
Por que, então, tornar PJs funcionários como Carlos Dornelles, se não é por sobrevivência? A melhor resposta é: por ganância, associada a um sentimento de impunidade comum em quem tem muito poder de retaliação e intimidação. E esperteza: fazendo este tipo de coisa, a empresa ganha vantagem competitiva sobre as rivais seus custos diminuem. A Abril, que não tem PJs, já foi maior que a Globo.  Hoje é algumas vezes menor. O risco para a empresa é que, em algum momento, em geral na saída, o PJ a processe. Foi o que Dornelles fez. Ele reivindica mais de 1 milhão de reais da Globo na Justiça.
Empresas jornalísticas deveriam ter um comportamento exemplar nas práticas administrativas, dado o seu papel fiscalizador.  Você não pode cobrar retidão de governos e políticos  se faz curvas. Isso se chama cinismo. Há que ter muita desfaçatez para dar lições de moral quando você agride o interesse público ao recolher menos imposto do que deveria. Em vários países, as autoridades estão trazendo à luz aberrações fiscais para que a sociedade se inteire de algo que é crítico para seu bom funcionamento. Na Inglaterra, vieram à luz os impostos pífios pagos por colossos como Google, Amazon e Starbucks com o propósito de embaraçar as empresas e forçá-las a pagar sua taxa justa. O caso Dornelles é uma lembrança oportuna de que o governo brasileiro deveria jogar luzes – o mais eficiente desinfetante —  nas práticas fiscais de empresas como a Globo com seus PJs de araque.
(*) Fonte: Revista Fórum.

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Fonte:http://www.fazendomedia.com/por-que-o-embate-entre-carlos-dornelles-e-a-globo-e-de-grande-interesse-publico/

Deputados da base do governo tucano evitam CPI em SP

23.01.2013
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 22.01.13

A função do legislativo é fiscalizar o executivo. Mas na Assembleia Legislativa de São Paulo, quem  fala mais alto é  o rolo compressor dos  governos do PSDB 

Segundo uma  reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo desta segunda (21), a  Assembleia Legislativa de São Paulo mostram uma menor aprovação de leis e um alinhamento das ações com o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) em 2012.  Dona da maioria - dos 94 parlamentares, só 24 são oposicionistas -, a bancada aliada ao governo do PSDB  impediu o funcionamento de todas as CPIs propostas por deputados que não são da base.

De acordo com o jornal, pedidos sobre temas sensíveis ao governo - como a crise que levou à troca do comando da Segurança Pública- nem tiveram as assinaturas necessárias. O alinhamento também reflete no número de vetos do Executivo analisados pela Assembleia. A Casa só analisou 5 dos 635 vetos na fila e nenhum deles foi derrubado. O jornal  aponta ainda que os indicadores também mostram uma queda na produção legislativa. No ano passado, o número de leis aprovadas foi 30% menor que em 2011. A maior parte delas cria datas comemorativas ou dá nomes a ruas e prédios públicos.
PSDB  gosta de CPIs...em Brasília

Os governos dos tucanos Geraldo  Alckmin e José Serra,  em São Paulo são marcados  pela política do "abafa"a exemplo do que ocorreu nos dois mandatos de FHC que não enfrentou nenhuma CPI ao contrário do Presidente  Lula que enfrentou varias e varias  em  seus oito anos de  mandato , sendo que três delas foram simultâneas o que rendeu uma saraivada de acusações contra seu governo e também contra o Partido dos Trabalhadores.

Poderia se  considerar como mérito  o fato do governo petista ter tido a transparência de enfrentar as CPIs relatadas por adversários sem que tenha sido de alguma forma atrapalhado  por ação governamental visando obstruir os trabalhos. 

A isto pode-se chamar de "transparência" . Diferente do que acontece   ao longo dos governos  do PSDB  em São Paulo, onde houve deliberada política de "engavetar" todas as denúncias com pedido de instalação de CPI na Assembléia Legislativa paulista.


Principais CPIs engavetada na gestão do tucano 

1-Propaganda das estatais

Verba de publicidade do banco Nossa Caixa foi dirigida para revistas, jornais e programas indicados ou mantidos por deputado em suas bases eleitorais, na capital e no interior.O governo Alckmin está ligado ao esquema por meio do seu assessor Roger Ferreira que deixou o cargo no início da semana, e por várias agência de publicidade.
Uma troca de e-mails revelou que Roger Ferreira pedia atenção especial para gastos com aliados de Alckmin. A CPI para investigar o caso foi pedida em fevereiro, mas acabou sendo barrada na assembléia.

2-Mensalinho

Outro pedido de investigação aponta que várias estatais do governo podem estar ligada ao esquema de "agrados" aos parlamentares,com verbas mensais fixas pelo gastos em propaganda.Os beneficiados, teriam em média, R$10 mil mensais em anúncios em veículos de comunicação de sua escolha.

3-Contratos Irregulares

Foram descobertos no arquivo morto da assembleia 706 processos julgados irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), entre 1977 e 2002,além de 267 após este período. Quase metade, ou 43,48% deles, é do CDHU, 23% do DER, 4,39% da Nossa Caixa e 4,10% do DERSA.

4- TV Cultura

Desvirtuamento de verbas públicas e doações, além de má gestão de recursos da Fundação Padre Anchieta - TV Cultura.

5-Obras do Rodoanel

Irregularidades na execução das obras do Rodoanel Metropolitano de São Paulo.

6-Execução de presos

Supostas execução de presos por polícias militares

7- Manipulação de dados da segurança

Indícios de manipulação dos números oficias sobre a segurança pública no estado.

8-Obras do metrô

Irregularidades contratuais nas obras das linha verde e amarela do metrô.

9-Obras do rebaixamento da calha do Rio Tietê

Irregularidade no contratos aditivos, empréstimos, planejamento e etc., nas obras feitas no rio.

10- Habitação

Irregularidades na CDHU. Os terrenos foram superfaturados e as licitações direcionadas. O TCE já apontou pelo menos 215 processos do CDHU.

11-Febens

Seria uma suposta fábrica de rebeliões que beneficiaram empresas em planos emergências e sem licitação, além de esquemas de superfaturamento de custos da alimentação e das construções e de consultorias externas irregulares, cada interno custaria R$1,8 mil por mês.

-12 Rede católica

Denúncias de irregularidade na cessão de fazenda de 87 hectares em Lorena à rede católica "Canção Nova".

13-Setor elétrico

Pedidos de investigações sobre irregularidades nas empresas ligadas ao setor elétrico no estado.

COMO AS CPIS SÃO BARRADAS EM SÃO PAULO


Pelas regras da Assembleia Legislativa de São Paulo, são necessária 33 assinaturas para que o pedido seja votado em plenário.No entanto, para aprovação, são necessários 50% dos votos mais 1. Assim como o PSDB e seus aliados têm maioria, há 6 anos a bancada tucana não libera abertura de CPIs sobre nenhum tema 

A minha lista  de CPIs engavetadas pelo PSDB vai parando por aqui. Mas vocês queridos leitores, podem dar continuidade abaixo do texto, no comentário...

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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2013/01/deputados-da-base-do-governo-tucano.html

Luciano Martins Costa: Imprensa e politização

23.01.2013
Do blog VI O MUNDO, 22.01.13


A edição de domingo (20/1) do Estado de S.Paulo trouxe como manchete levantamento feito pelo Ibope a pedido do jornal paulista, no qual se revela que a maioria dos brasileiros não tem preferência partidária: no final de 2012, época da consulta, 56% declararam não apoiar nenhum partido específico, enquanto 44% tinham algum partido preferido. Em 1988, os números eram invertidos, com 61% partidarizados e 38% sem preferência.

Segundo o diário, a indiferença dos cidadãos em relação a siglas partidárias é resultado dos escândalos políticos dos últimos anos, em especial o que envolveu dirigentes do Partido dos Trabalhadores. No entanto, embora tenha perdido popularidade desde março de 2010, o PT segue sendo a agremiação com maior número de adeptos, o equivalente a 24% do total.

Uma análise cuidadosa da reportagem, confrontada com outros textos sobre o mesmo tema, revela que houve um esforço de edição por parte do jornal para forçar o entendimento de que o PT teve a maior perda entre os partidos. Os números, porém, indicam que o PMDB, com 6%, e PSDB, com 5%, segundo e terceiro colocados, ainda estão muito distantes do Partido dos Trabalhadores em termos de popularidade. Além disso, não há revelações inéditas no estudo, uma vez que a redução da credibilidade dos partidos políticos é em fenômeno comum a todas as democracias do Ocidente.

Também não é verdadeira a afirmação do Estado de S.Paulo de que a consulta do Ibope revela que “apartidários são maioria no País pela primeira vez desde a redemocratização”, como anuncia o título da reportagem. Em maio de 2012, uma pesquisa do Vox Populi já revelava que 60% dos consultados não simpatizavam com nenhuma legenda política.

Por outro lado, convém analisar o valor desses números: em qualquer circunstância, conforme já observava o jornal gaúcho Zero Hora naquela ocasião, um engajamento partidário de 44% da população é um número nada desprezível.

No subtexto da reportagem do Estadão se pode encontrar, com facilidade, referências a circunstâncias tipicamente brasileiras, como os efeitos de escândalos e a rotinização da democracia, que tende a reduzir o engajamento dos cidadãos. No entanto, a perda de credibilidade dos partidos políticos é tema de estudos em todo o mundo, e aparece até mesmo em uma análise sobre as eleições israelenses, em reportagem do Globo publicada na segunda-feira (21/01): “Ex-líder trabalhista diz que a época de grandes legendas acabou”, diz o texto.

O retrato pintado pelo Estadão no domingo fica mais completo na edição de segunda-feira (21), na coluna do jornalista José Roberto de Toledo, que dá seguimento às análises do estudo publicado na véspera. Resumidamente, ele observa que o PT perdeu adeptos principalmente entre os brasileiros mais ricos, que migraram para o PSDB. “Pela primeira vez, há mais brasileiros com renda superior a dez salários mínimos que se dizem tucanos que petistas: 23% a 13%, segundo o Ibope”, diz o texto.

No entanto, a mudança de perfil não se deu apenas porque os mais ricos e educados deixaram de apoiar o PT, mas principalmente porque a base do Partido dos Trabalhadores foi inflada por cidadãos que ingressavam na nova classe de renda média.

Na verdade, constata o colunista, o PT vinha perdendo apoiadores entre os mais ricos desde junho de 2001, quando 35% dos brasileiros de renda mais alta se diziam simpatizantes do partido. Esse fenômeno não era percebido, em parte, por causa do crescimento do PT na base da pirâmide, impulsionado pela grande popularidade do então presidente Lula da Silva.
O PSDB só começou a crescer entre os brasileiros de renda superior a dez salários mínimos a partir de 2010 – e aqui se pode misturar uma série de fatores, desde o bombardeio da imprensa sobre o tema da corrupção até o desconforto da elite com aeroportos lotados pela classe emergente.

Mas um elemento importante desse estudo, que é abordado ligeiramente por Toledo, ainda está por ser radiografado: o Partido dos Trabalhadores perdeu espaço principalmente entre os leitores de jornais e revistas.

Esse aspecto da consulta do Ibope precisa ser visto por dois ângulos opostos: os leitores de jornais e revistas abandonaram o PT por causa do intenso noticiário sobre escândalos políticos, ou os petistas abandonaram a leitura de jornais e revistas pela mesma razão?

Assim como o PSDB se transforma em partido de elite, mais conservador e homogêneo, também a imprensa passa por um fenômeno semelhante: tudo a ver?

Mas esse é tema para estudos mais profundos, que certamente os jornais teriam pouco interesse em publicar.

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/luciano-martins-costa-imprensa-e-politizacao.html

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA PRISÃO ABERRANTE DO PROFESSOR BASCO?

23.01.2013
Do blog NÁUFRAGO  DA UTOPIA
Por Celso Lungaretti


Desde a última 6ª feira (18), encontra-se detido no Brasil o antigo militante do separatismo basco Joseba Gotzon, que desistiu da luta, veio para cá e passou os últimos 16 anos levando vidinha pacata e distanciada da política, como professor de espanhol no Rio de Janeiro.

Conforme esclareceu (vide aqui) o também professor Carlos Lungarzo, que há mais de três décadas atua como defensor dos direitos humanos, há DÚVIDAS quanto à participação de Gotzon num atentado sem vítimas fatais:
"A Espanha diz que ele é suspeito de ter participado de um ataque a bomba em 1991, no qual foi ferido um policial. Mas, o próprio estado espanhol não diz que isso esteja confirmado".
De resto, ainda que fosse provada sua participação, não há mais hipótese de ele ser punido: O CASO PRESCREVERÁ AINDA NESTE MÊS DE JANEIRO DE 2013! Foi o que autoridades espanholas admitiram ao jornalista Mauro Santayana (vide aqui), antigo correspondente da Folha de S. Paulo em Madri, que continua tendo ótimas fontes naquele país.
Lungarzo: contra Gotzon
existem apenas suspeitas
Então, os paralelos com o Caso Battisti existem, mas também há diferenças importantes:
  • o governo espanhol não parece nem de longe estar tão interessado na extradição de Gotzon como o de Silvio Berlusconi estava; e
  • tratando-se de crime menos grave do que o falsamente atribuído a Battisti (ferimento e não morte), sem uma sentença condenatória dos tribunais espanhóis e que estará prescrito em questão de dias, a possibilidade de o Conselho Nacional para os Refugiados recomendar a extradição, o ministro da Justiça ou o STF autorizá-la e a presidente Dilma Rousseff aprová-la é NENHUMA.
As grandes questões são: por que a Polícia Nacional da Espanha veio atrás do inofensivo e já esquecido Gotzon no Brasil e por que a Polícia Federal brasileira acumpliciou-se com tal iniciativa FLAGRANTEMENTE ARBITRÁRIA E INÚTIL.

A hipótese mais plausível é que policiais discordantes da política de pacificação que está possibilitando a reintegração dos antigos etarras (os militantes da  Euskadi Ta Askatasuna, ou seja, Pátria Basca e Liberdade) à vida política espanhola, estejam fazendo uma PROVOCAÇÃO, para reabrir velhas feridas e atrapalhar a distensão implementada pelo governo, criando-lhe um constrangimento.

Vale lembrarmos, p. ex., que os militares franceses chegaram a formar uma organização terrorista (a OAS) e a atentar muitas vezes contra a vida do então presidente Charles De Gaulle, por estarem inconformados com o fato de ele haver ordenado a saída das tropas e colonos da Argélia.
Santayana: agentes da PF
merecem ser punidos
E, por aqui, a decisão do ditador Ernesto Geisel de desativar o DOI-Codi foi respondida com atentados a várias entidades da sociedade civil, incêndio de bancas de jornais e até a prisão de Vladimir Herzog (os agentes da repressão acreditavam que, sendo o  Vlado  um professor muito querido na USP, o movimento estudantil sairia às ruas, dando-lhes um argumento para defenderem a manutenção do braço hediondo do regime).

Mais difícil de entendermos é a colaboração risonha e franca  da PF --salvo se pensarmos numa afinidade de policiais recalcitrantes de dois continentes, incapazes de aceitar as decisões tomadas pelos governos democráticos a que deveriam estar fielmente servindo.

Está certíssimo, portanto, o Santayana:
"Se não há acordo formal, negociado pelos respectivos ministérios de Relações Exteriores, os policiais brasileiros envolvidos podem sofrer sanções disciplinares. Nesse caso, a Polícia Federal não deve prestar serviço a autoridades estrangeiras, nem a Policia Nacional da Espanha atuar no Brasil".
Neste momento, mais preocupante do que o caso em si (tende a desabar como castelo de cartas quando o Conare dele se ocupar) é a possível existência de um foco extremista dentro da PF --a qual, no mínimo, deve aos brasileiros uma explicação sobre os motivos de ter agido como agiu.

E nunca é demais lembrarmos que Gotzon JAMAIS DEVERIA ESTAR PRESO. Privam-no abusivamente da liberdade, repetindo o que os então ministros do STF Cezar Peluso e Gilmar Mendes fizeram com Cesare Battisti, mantendo-o preso durante mais cinco meses, depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia dado o xeque-mate na questão.

NÃO PODEMOS PERMITIR QUE TAIS RETALIAÇÕES ILEGAIS E VENDETTAS MAQUILADAS VIREM MODA NO BRASIL!!! 

Daí a necessidade de os defensores dos direitos humanos se manifestarem pela libertação imediata de Joseba Gotzon, firmando a petição on line que pode ser acessada aqui e formando correntes de solidariedade.

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Fonte:http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2013/01/o-que-esta-por-tras-da-prisao-aberrante.html

Ajude a tirar o debate político do rés do chão

23.01.2013
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Quebrar a rotina ajuda a reflexão. Eis que, ao abstrair do cotidiano em viagem de trabalho fora de São Paulo, atolado em reuniões chatas, em cifras, estratégias comerciais ou em almoços pantagruélicos que, indigestamente, terminam em mais reuniões, refleti sobre como estou de saco cheio do nível do debate político que se faz hoje no Brasil.
Começo a escrever pouco depois das onze da noite. Volto de jantar com um industrial e seus clientes estrangeiros. Falou-se de trabalho o tempo todo – quando a boca estava vazia. E quem não falava, escutava. Pedidos, faturas, remessas, protocolos, cobranças, concorrência, equipamentos, mão-de-obra… Ufa!
É chato? Muito. Mas confesso que, diante da interminável guerra verbal ou escrita que se trava em ambientes, vá lá, mais intelectualizados como aqueles nos quais se discute política, aquelas reuniões pareceram até amenas
No debate político que se trava no Brasil não se discutem estratégias, mas o quanto o país já está maravilhoso, próximo ao Éden, ou, então, como está falido, ao nível do inferno. Conforme o lado, estamos no inferno ou no paraíso. Não há meio termo. É o pensamento binário em estado sólido, e recendendo ao que é: uma merda.
Porque a vida não é feita de branco ou preto, quente ou frio, baixo ou alto, tênue ou esmagador. A vida é feita, justamente, de nuanças, de meios-tons, de ambiguidades. A vida é uma falta de certezas, mas o debate que se trava hoje é o da certeza absoluta até nas questões que mais desafiam a humanidade há milênios.
Claro que temos que denunciar a corrupção, combatê-la, fiscalizar o poder público, mas não desse jeito em que um lado vira bandido e o outro vira idiota, pois o que se tem hoje é isso: os escândalos em um lado decorrem de ingênua idiotia enquanto que os que acontecem do outro são sempre “os mais graves da história”, mesmo quando iguais aos que pesam contra o lado A.
E escolha você quem é lado A ou B. No fim, não fará diferença. Não mudará o nível do debate e o seu principal preço, que é atrasar a agenda do país por falta de foco no que deveria estar mobilizando as atenções.
Nos próximos três anos, o Brasil sediará os dois eventos esportivos mais importantes da atualidade. Está sentado em uma reserva de petróleo de proporções épicas, que será explorada por uma empresa genuinamente nacional. A população vai se tornando mais escolarizada e tem expectativa de futuro em alta.
Mas temos, também, uma pobreza que certamente não irá sumir quando o governo diz que irá, uma infra-estrutura para lá de atrasada, um nível de escolaridade médio baixíssimo e, inclusive, superestimado, pois um jovem brasileiro com onze anos de estudo não sabe tanto quanto equivalentes de países de qualidade de vida média como o nosso.
Nossas cidades são hostis, com raríssimas exceções. Nosso sistema de saúde ainda tortura os enfermos. Nossas escolas públicas e até as privadas não preparam nossa futura força de trabalho de forma minimamente análoga à que preparam as escolas de países muitas vezes até mais pobres e com muito menos recursos.
Esperaríamos que esses fossem os assuntos mais importantes, entre tantos outros, mas, enquanto temos tudo isso a resolver, em vez pôr mãos à obra ficamos nos masturbando com um julgamento cheio de nuanças políticas e em torno do qual parecemos ter apostado o futuro dos nossos netos e bisnetos, como se realmente alguém acreditasse que da degola de meia dúzia de políticos decorreria alguma diminuição da impunidade.
Ficamos discutindo um racionamento de energia cujas probabilidades de ocorrer sempre foram mínimas em vez de nos debruçarmos sobre como aproveitar a janela de oportunidades que está aberta para o Brasil em tantas áreas. Inclusive, negamo-nos a enxergar a própria janela, que dirá aquilo que ela mostra.
E ainda se discutíssemos essa inutilidade com modos, não seria nada. Mas é à base do nós contra eles, do tudo ou nada, da desqualificação completa de um lado pelo outro, não restando nada a quem estiver de fora que não seja entrar na pancadaria ou esquecer que política existe, com todas as consequências trágicas que a segunda opção encerra.
Tirei dois dias para refletir. Agora ponho a reflexão em texto. Nem sei o que está se passando na política. E, hoje, nem quero saber. Estou cheio dessa disputa pelo nada. A reflexão, portanto, é a de que temos que achar um jeito de elevar o debate ao rés do chão que se trava hoje no país. Você, por exemplo, leitor, não teria alguma idéia para doar?

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2013/01/ajude-a-tirar-o-debate-politico-do-res-do-chao/

Governo contesta apagão da Folha em 2014

23.01.2013
Do blog BRASIL!BRASIL!



O ano de 2013 começou, para a Folha de S.Paulo, com um apagão iminente, desmentido pelas termelétricas e pelas chuvas. Depois, surgiu a tese de que não era mais um apagão que ameaçava o Brasil, mas 'apaguinhos' espalhados pelo País. Agora, surge a possibilidade de apagão em 2014, já desmentida pelo governo. Qual é a próxima?


O ano de 2013 começou, para a Folha de S.Paulo, com um apagão iminente, indicado, pretensamente, por uma reunião emergencial que, saberíamos horas depois, estava marcada desde o ano passado (relembre). Na semana passada, surgiu a tese de que não era mais um apagão que ameaçava o Brasil, mas vários apaguinhos espalhados pelo País, simbolizados pela falha que levou à queda de energia em municípios do Piauí antes da chega da presidente Dilma Rousseff ao estado. Agora, surge a tese do apagão em 2014, já desmentida também pelo governo. Qual será a próxima?

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo desta terça-feira, "O fornecimento de luz para a Copa do Mundo de 2014 está ameaçado em boa parte das cidades-sede, diferentemente do que vem sustentando o governo. É o que mostra um relatório da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), finalizado em dezembro e obtido pela Folha". O problema é que o relatório da Aneel diz que não faltará energia, "mesmo que uma fração das instalações inicialmente propostas não seja tempestivamente concluída".

Apesar de realmente destacar atrasos, o relatório diz que "é importante comentar que a maioria desses atrasos não oferece risco iminente ao abastecimento de energia para a Copa de 2014". "Tal conclusão", diz o texto, "está ampada no fato de ainda ser possível que as concessionárias de distribuição compensem os atrasos com a urgente aceleração do ritmo de implantação das redes e subestações de distribuição".

Leia nota à imprensa divulgada pelo Ministério de Minas e Energia:

O Ministério de Minas e Energia, por meio do Grupo de Trabalho (GT) criado em 30 de agosto de 2010, acompanha e monitora todas as obras definidas como importantes para a garantia do suprimento de energia elétrica durante os eventos do Campeonato Mundial de Futebol, a Copa do Mundo. As reuniões de acompanhamento, coordenadas pelo MME, permitem afirmar, com absolutasegurança, que não há risco de desabastecimento durante a Copa do Mundo de 2014.

O Ministério informa ainda que o duplo suprimento aos Estádios para a Copa das Confederações está garantido, cumprindo assim o compromisso firmado entre o Governo Federal e a FIFA.

O Grupo de Trabalho, que tem a finalidade de definir as obras e ações necessárias para garantir o suprimento de energia para a Copa 2014, realizou em 2012 quinze (15) reuniões nas Cidades-Sedes e seis (6) reuniões em Brasília para verificar e buscar soluções para os problemas identificados pelas distribuidoras.

O relatório da ANEEL, Nota Técnica n° 0188/2012-SFE/ANEEL, citado na reportagem "Para ANEEL, há Risco de Faltar Luz na Copa", publicada no jornal  Folha de S. Paulo desta terça-feira (22/01/2013), foi elaborada com as informações apresentadas pelas Concessionarias de Distribuição no mês de outubro de 2012 e tem como principal foco subsidiar o Ministério de Minas e Energia de informações sobre o cumprimento dos prazos acordados com a Agência. Com base nestas informações do MME realizou em dezembro/2012 reuniões nas cidades-sede para verificar o andamento das obras e adotar providências para o cumprimento de seus cronogramas de execução.

Ao contrário do que afirma a "Folha de S. Paulo", o relatório da Aneel conclui "que a maioria desses atrasos não oferece risco iminente ao abastecimento de energia para a Copa 2014".

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Fonte:http://nogueirajr.blogspot.com.br/2013/01/governo-contesta-apagao-da-folha-em-2014.html#more

Lula, Dilma e a próxima novela

23.01.2013
Do BLOG DO MIRO, 22.01.13
Por Renato Rovai, em seu blog:
http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/


Em breve você vai participar de um encontro de família no final de semana e o papo vai começar pela última convocação do Felipão, vai passar pela porcaria do Big Brother e em algum momento vai chegar no desgaste da relação entre Lula e Dilma. Quando isso acontecer, aquele parente ou amigo reaça da família não vai ter dúvida em dizer: “Tá vendo, nem a Dilma aguenta mais o Lula”. Ao que um outro ainda mais politizado pelo PIG acrescentará: “Mas quem aguenta o PT e o Lula? Só o fulano mesmo..”. E vai apontar, morrendo de rir, pra você. Que terá o direito de ficar calado ou então o de ser chamado de encrenqueiro. Afinal, nesses casos, ser bem educado é fazer de conta que o melhor para o Brasil é ser o que era nos tempos de FHC.

Os próximos capítulos da novela piguiana que se iniciou quando Lula ganhou as eleições em 2002 certamente tratarão dessa questão. É algo pouco criativo, mas que ao menos segura uma parte da audiência. Principalmente aquela que se diverte muito xingando o petismo. E que se divertia muito xingando os comunistas que queriam acabar com a “democracia” brasileira nos tempos da ditadura militar. Tive um amigo que adorava dizer, mudam-se as moscas…

Mas voltando a novela que começou a entrar em cartaz, Dilma está perdendo a paciência com Lula. Afinal, ela teria recebido um país quebrado e está tentando colocar as coisas nos trilhos, mas o sujeito e o PT não lhe dão paz. Por isso, decidiu organizar o seu grupo. Claro, para parecer verdadeira a história precisa de detalhes. Mas quem seria o grupo de Dilma? Aqui e ali já começam a aparecer os nomes dos atores: Gleise, Fernando Pimentel, Tarso Genro, Zé Eduardo Cardoso (que o Lula odeia) e Marta (que estaria muito puta com o Lula por conta do passa moleque da eleição paulistana).

Como o amigo pode ver a história vai ganhando sentido. E aí começam a surgir reuniões fechadas, com informações em off, revelando que um teria falado mal do outro. Que um estaria puto com o outro. E na sequência, boatos de demissão no governo por conta disso. E aí, claro, este enredo acabará desembocando numa reforma ministerial. E as especulações serão sobre quem está ganhando força no governo: a turma da Dilma ou o grupo do Lula.

Ficou fácil fazer jornalismo político hoje em dia. Basta você ir escrevendo colaborativamente a novela da vez com outros colegas dos veículos comerciais. Sem necessidade de fontes que sustentem a história. E sem se preocupar com a possibilidade de que nada daquilo venha a se confirmar. Afinal, o seu compromisso não é com a verdade factual, mas com o interesse do veículo.

Para os donos da mídia, a boa historia da vez é a de que Dilma e Lula estão se distanciando. E é isso o que interessa.

O fato é que isso não existe. Lula ficou doente e está voltando a fazer o que gosta: política.

Dilma só tem a ganhar com isso. Com ele no jogo, a oposição e os que estavam pensando em pular fora do barco do governo, vão pensar duas vezes.

Dilma e Lula hoje não disputam o mesmo espaço. Só um idiota ou mal intencionado pode fazer uma narrativa apostando nisso.

A conta deles é de mais. Não de dividir. Se um ganha algo o outro ganha também.

Há diferença entre eles. Há quem ache um melhor do que o outro. Mas isso não chega a ser nem ao menos um detalhe. O projeto político deles está sacramentado para os próximos muitos anos.

Mas isso não será suficiente para ouvir relatos diferentes no almoço da família. Até porque a mídia tradicional já decidiu que não é assim.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2013/01/lula-dilma-e-proxima-novela.html#more