domingo, 20 de janeiro de 2013

Pesquisa mostra que estudantes do ProUni ampliaram perspectivas profissionais e garantiram melhores salários

20.01.2013
Do portal da Agência Brasil
Por Mariana Tokarnia
Enviada Especial

Recife – O nível educacional no Brasil não determina maior renda, mas está ligado à satisfação pessoal e à abertura de novas perspectivas profissionais. O Programa Universidade para Todos (ProUni) tem sido fundamental para o acesso ao ensino superior e embora o nível educacional não determine maior renda, está ligado à satisfação pessoal e à abertura de novas perspectivas profissionais, conforme conclusões da pesquisa O ProUni e Seus Egressos: Uma Articulação Entre Educação, Trabalho e Juventude, da doutora em educação Fabiana Costa, apresentado pela primeira vez no 14º Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb) da União Nacional de Estudantes (UNE).
Em 2012 a pesquisadora consultou 150 egressos do ProUni na cidade de São Paulo. Para a maioria dos profissionais consultados (91,9%), a formação universitária possibilitada pelo programa ampliou os horizontes e facilitou a articulação na área profissional. Os entrevistados apontaram as várias dificultdades que tiveram durante o curso: 85% já trabalhavam e continuaram trabalhando durante a graduação.
“Esses estudantes superaram não apenas as dificuldades ao longo da graduação, mas de toda a formação. São problemas que vêm desde a escola. Eles já trabalhavam antes. Muitos como eles tiveram que escolher entre estudo e trabalho e acabaram deixando os estudos”, disse Fabiana.
Os entrevistados tiveram uma melhora na carreira e mais de um terço aumentou de 71% a 100% o salário que ganhava. Isso não significa que os rendimentos sejam altos: 33,9% recebe entre um e dois salários mínimos mensais, 27,1% recebem entre dois e três salários mínimos, 15,3% entre três e quatro e apenas 8,5% ganham mais de cinco salários mínimos por mês. Esses profissionais, no entanto, ganharam mais estabilidade com a formação – 85% estão empregados e 64,4% têm a carteira assinada.
Outro dado que chamou atenção da pesquisadora foi que 72,6% trabalham na área que estudaram. “Isso mostra que o programa está funcionando, que as pessoas estão colocando em prática o que aprendem e estão melhorando a carreira que escolheram."
O Programa Universidade para Todos (ProUni) concede bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica em instituições privadas de educação superior. Neste primeiro semestre estão sendo oferecidas 162.329 bolsas, distribuídas em 12.159 cursos de 1.078 instituições de todo o país. Até sexta-feira (18) o Ministério da Educação havia registrado mais de 620 mil inscritos.
O presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do ProUni (Conap), Valmor Bolan, acrescentou que os estudantes do programa têm aproveitamento semelhante ou superior aos demais estudantes. Em uma pesquisa feita na Universidade Católica de Brasília, em Taguatinga, no Distrito Federal, os estudantes do ProUni tiveram média de nota quase um ponto superior em relação aos outros.
“É comum que alunos em condições desfavoráveis tenham mais garra para vencer. Se você der uma chance a esses alunos, eles vão demonstrar que conseguem superar na caminhada aqueles que partem de uma situação mais favorável”, explicou Bolan.
O 14º Coneb da UNE acontece em Recife (PE) até segunda-feira (21). Este ano foram mais de 3,5 mil inscrições de entidades de todas as regiões do país. Sob o tema “A Luta pela Reforma Universitária: do Manifesto de Córdoba aos Nossos Dias”, o Coneb oferece debates e grupos de discussão sobre temas ligados às universidades e ao Brasil. Ao final, os delegados vão decidir os rumos e posicionamentos da UNE para 2013. O evento antecede a Bienal da UNE, espaço de diálogo de estudantes e movimentos culturais que, este ano, está em sua 8ª edição.
Edição: Andréa Quintiere

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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-01-20/pesquisa-mostra-que-estudantes-do-prouni-ampliaram-perspectivas-profissionais-e-garantiram-melhores-s

Farsa do mensalão: Estudo prova que não houve desvio algum no BB

20.01.2013
Do portal do jornal HORA DO POVO, 18.01.13
Por SÉRGIO CRUZ


Roberto Gurgel e Joaquim Barbosa desprezaram provas mostrando que recursos eram da multinacional Visanet   
A acusação principal que norteou o julgamento da Ação Penal 470 - de que houve desvio de recursos públicos para a compra de votos por parte de uma suposta "quadrilha" chefiada por José Dirceu - é totalmente falsa. Estudo detalhado do jornalista Raimundo Pereira, publicado na revista "Retratos do Brasil", mostrou que os juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) sabiam disso e decidiram seguir com a farsa do "mensalão".
Documentos, frutos de auditorias feitas pelo Banco do Brasil, constantes nos autos, provavam que os recursos usados pela Visanet - multinacional com sede nos EUA - para incentivar o uso de cartões de crédito no Brasil, e que teriam sido desviados, não eram dinheiro público e nem foram desviados. Não é sem razão que os advogados dos réus da AP 470 argumentaram incisivamente que os juízes não estavam atentando para os autos do processo. Eles foram enrolados pela estória da carochinha contra o PT, montada por Roberto Gurgel, procurador-geral da República, e Joaquim Barbosa, atual presidente do STF e relator da AP 470, para atender aos planos golpistas da mídia e da oposição.
Mas, justiça seja feita, o primeiro a preparar o roteiro para a farsa foi Gilmar Mendes. Foi dele a encenação principal, na sessão de 29 de agosto, defendendo a "tese central" do desvio do dinheiro público. É só lembrar o dramalhão montado por ele neste dia: "Este julgamento tratará da transferência de recursos públicos por meio da Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (CBMP)", disse. "(…) Todos nós tivemos alguma relação com esta notável instituição que é o Banco do Brasil. Certamente ficamos perplexos. Quando nós vemos que, em curtíssimas operações, em operações singelas, se tiram desta instituição R$ 73 milhões, sabendo que não era para fazer serviço algum...", prosseguiu Gilmar Mendes, olhando fixamente para as câmaras de TV num ar de estupefação teatral. Expressão que faltou a ele quando expediu dois habeas corpus na calada da noite, e em menos de 48 horas, para libertar o notório Daniel Dantas.
O centro da argumentação de Mendes, abraçada e desenvolvida por Joaquim Barbosa, era de que os empréstimos do PT junto ao Banco Rural e o BMG não existiram. Foram operações falsas. Os recursos que teriam sido usados para a suposta compra de votos no Congresso Nacional, na verdade, originaram-se, não nos empréstimos - que segundo eles não existiram -, mas do desvio dos recursos do Banco do Brasil. Os procuradores Antônio Fernando de Souza e, depois, Roberto Gurgel, sabiam que essa tese era falsa, mas ocultaram as informações, que estavam nas auditorias do BB, constantes dos autos, e que desmentiam esta versão.
O delegado da Polícia Federal, Luiz Flávio Zampronha, acionado à época da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios, para investigar as possíveis fontes dos recursos movimentados por Marcos Valério, tinha chegado à conclusão de que os empréstimos do PT foram verdadeiros e foram usados para despesas de caixa dois de campanha. Concluiu também que os recursos do Visanet não eram recursos públicos. Estranhamente, depois de uma entrevista, onde ele informou as conclusões de suas investigações, seu relatório não foi incluído nos autos da AP 470.
Um outro relatório, produzido por uma auditoria interna do Banco do Brasil, que faz parte dos autos, é claríssimo sobre a origem privada dos recursos movimentados por Marcos Valério. Em seu volume 25, parte1, item 7 da dita auditoria, está registrado de forma cristalina que "o Fundo de Incentivo Visanet (FIV) foi criado em 2001 com recursos disponibilizados pela Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (CBMP) para promover, no Brasil, a marca Visa, o uso de cartões com a bandeira Visa e maior faturamento da Visanet".
Ou seja, documentos contidos nos autos revelam que mesmo o capital inicial do fundo pertencia à CBMP-Visanet e não ao Banco do Brasil. O item citado do relatório diz ainda que esse fundo "é administrado por um comitê gestor - composto pelo diretor-presidente, diretor-financeiro e diretor de marketing da Visanet". A conclusão é obvia: se as despesas "são pagas diretamente pela Visanet", após "aprovações técnicas e financeiras" do "comitê gestor da Visanet", os recursos para a promoção dos cartões da Visanet não saíram e nem poderiam sair dos cofres do Banco do Brasil.
Até mesmo o Tribunal de Contas da União (TCU) já havia se posicionado, em janeiro de 2012, de que o dinheiro da Visanet não era público e que as operações do BB eram legais. A partir de relatório preparado pela ministra Ana Arraes, cujo voto foi acompanhado pelos demais ministros, o órgão concluiu pela legalidade da atuação do Banco do Brasil. De acordo com o plenário do TCU, os contratos seguiram o padrão de normalidade do Banco do Brasil e não diferiam dos que foram fechados com outras agências de publicidade. A decisão, suspensa a pedido do Ministério Público, não foi alterada em nenhum momento pelo colegiado do TCU. Mas o STF não levou isso em conta.
Aliás, a reportagem de Raimundo Pereira mostra que o STF não levou em conta também vários outros fatos. Como, por exemplo, o de que os recursos da Visanet (R$ 73 milhões) foram totalmente usados para pagamento de serviços de propaganda da empresa. As provas, desprezadas por Barbosa, desmentem a outra parte de sua versão: a de que os serviços da DNA Propaganda não foram realizados.

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Fonte:http://horadopovo.com.br/

O último suspiro de influência da mídia

20.01.2013
Do BLOG DO MIRO, 18.01.13
Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:


A queda de Fernando Collor de Mello, há 20 anos, foi a última demonstração de força e influência da imprensa brasileira, para o bem e para o mal. Collor, um político provinciano e oco, tagarela e bonitão, se tornou uma figura nacional graças à mídia, que viu nele uma alternativa salvadora a – sempre ele – Lula na presidência.

Collor seria consagrado como “o caçador de marajás” por jornais e revistas. Era descrito pela mídia como o homem perfeito: combatia marajás – os funcionários públicos de altos salários – e era moderno. Este foi o primeiro empurrão em Collor, e lhe permitiu chegar ao segundo turno das eleições presidenciais.

Sua plataforma era a versão tosca em português da de Margaret Thatcher, que então era tida como uma semideusa. Não haviam aparecido ainda os efeitos sinistros do thatcherismo. Hoje eles são claros, impressos que estão na grande crise econômica e financeira mundial. Mas quando Collor virou um pretendente sério à presidência a fórmula de Thatcher – desregulamentar e privatizar — parecia funcionar.

Como um Thatcher de calças, Collor cortejou e conquistou Roberto Marinho, à época considerado amplamente o homem mais poderoso do país. Isso foi essencial para o segundo empurrão dado em Collor: a edição mal-intencionada da TV Globo do debate entre ele e Lula às vésperas da eleição. Lula não foi bem no debate, mas na edição da Globo – vista por uma audiência gigantesca que já não existe mais para a emissora – ele foi ainda muito pior. E então nosso Thatcher virou presidente.

Collor cometeu o erro de achar que, porque andara de avião, podia voar sozinho. Foi fatal. Não buscou alianças políticas, e não soube manter sequer o apoio da mídia que tanto contribuíra para sua vitória. Sem base política, foi jogado para o abismo pela mesma mídia que o alçara ao Planalto.

Foi o apogeu da imprensa como força política.

Em 1964, ela participara ativamente das ações para a derrubada do presidente João Goulart – mas o papel principal coube aos militares. Em 1992, o protagonismo foi da mídia. Passados vinte anos, o poder da imprensa é uma sombra do que foi. Em parte porque a internet foi ocupando um espaço cada vez maior. Mas também porque as grandes corporações de jornalismo não souberam captar o zeitgeist, o espírito do tempo. E isso é fatal no jornalismo.

Em 1992, por exemplo, ler a Folha era considerado coisa de gente bacana. Ela captara o espírito do tempo na campanha das Diretas Já. Hoje, na nova geração de leitores, quem se importa com a Folha? O espírito do tempo agora se manifesta em coisas como a inconformidade com a iniquidade social monstruosa que varreu o mundo. Na agenda de que grande empresa de mídia se vê algum traço desse inconformismo?

A maior demonstração da crescente falta de potência está nos resultados das três últimas eleições presidenciais. Ganharam candidatos – Lula e Dilma – que jamais gozaram do apoio da mídia, para dizer o mínimo.

É bom ou ruim o enfraquecimento da mídia estabelecida para o Brasil? É difícil lamentar a perda de influência. O Brasil que as grandes empresas de jornalismo ajudaram a construir era simplesmente insustentável em sua iniquidade, na forma absurda com que era distribuído o bolo, no número abjeto de miseráveis amontoados em favelas.

No mundo perfeito, a mídia teria apontado esse drama e lutado para corrigi-lo. Não fez. Fez o oposto, na verdade: se alinhou à manutenção de privilégios e de mamatas. Por isso, vinte anos depois da queda de Collor, fala apenas para os privilegiados – e não todos eles, mas aqueles que em seu egoísmo sem limites ignoram e desprezam os desfavorecidos.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2013/01/o-ultimo-suspiro-de-influencia-da-midia.html

FHC e Gurgel são ‘gentilmente convidados’ a explicar corrupção e lavagem de dinheiro da ‘Lista de Furnas’

20.01.2013
Do portal CORREIO DO BRASIL, 12.12.12
Por  Redação, com ACS/Senado - de Brasília


FHC
FHC precisará dizer se aceita ou não o convite dos deputados
Em votação rápida e direta, a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), aprovou, nesta quarta-feira, o requerimento do deputado Jilmar Tatto (PT-SP), líder da Maioria na Câmara dos Deputados, para que o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, seja gentilmente convidado a prestar esclarecimentos sobre o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro para abastecer campanhas políticas do PSDB, no início dos anos 2000, denunciado no processo conhecido como Lista de Furnas, que integra uma ação em curso no Supremo Tribunal Federal, no bojo do caso conhecido como ‘mensalão tucano’.
No requerimento, incluído como pauta extra da reunião, Tatto alega a “importância estratégica para o país da Eletrobrás-Furnas como geradora e transmissora de energia elétrica”. Como gestor do país no período em que teriam ocorrido os fatos divulgados pela imprensa, o deputado questiona que tipo de influência FHC exerceria sobre a empresa. O deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) votou contra o requerimento, por considerar o pedido “inverossímil”.
Gurgel na fita
Foi aprovado também como pauta extra requerimento do presidente da CCAI, senador Fernando Collor (PTB-AL), de convite ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para que ele preste esclarecimentos acerca da “confluência das atividades de inteligência com o papel do Ministério Público e da Polícia Federal”.
De acordo com Collor, recentes operações da Polícia Federal, como a Vegas e a Monte Carlo, têm demonstrado “o quanto de informações devem ter sido adquiridas por meio de atividades de inteligência, em que pese o fato de esses órgãos, a princípio, não serem dotados de setores específicos e típicos de inteligência”.
Porto Seguro
Foram rejeitados os três requerimentos que constavam da pauta original, destinados à convocação de autoridades do governo e de funcionários afastados para prestar esclarecimentos a respeito dos fatos apurados na Operação Porto Seguro da Polícia Federal. Os pedidos haviam sido apresentados pelo deputado Mendes Thame, e propunham a convocação da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e da ex-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha.
A CCAI aprovou, ainda, requerimento para ouvir o general José Elito Carvalho Siqueira, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Wilson Roberto Trezza, a respeito de denúncias de prática de espionagem dentro da agência.
De acordo com reportagem publicada pela imprensa em setembro, um funcionário teria quebrado códigos e  senhas de colegas que atuavam em investigações estratégicas.
- Até que ponto a segurança nacional foi afetada? O que estaria por trás de uma ação como essa? – questionou a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, autora do requerimento, que também votou favoravelmente ao convite a FHC.

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Fonte:http://correiodobrasil.com.br/noticias/politica/fhc-e-gurgel-sao-gentilmente-convidados-a-explicar-corrupcao-e-lavagem-de-dinheiro-da-lista-de-furnas/558744/

GILMAR SUGERE TIRAR O LEITE DAS CRIANÇAS

20.01.2013
Do blog CONVERSA AFIADA, 19.10.13
Por Paulo Henrique Amorim

O Supremo Presidente Supremo já votou no Estadão sobre os recursos legais de que ainda dispõe o Genoíno: cadeia nele !


Na 581ª entrevista ao PiG (*) deste ano de 2013, Gilmar Dantas ressurge na primeira página do Estadão e numa página inteira (A4) para considerar ilegal o repasse de fundo a Estado.

“Em 31 de dezembro de 2012 a lei (de distribuição de recursos do Imposto de Renda, através do FPE – http://www.lrf.com.br/mp_op_fpe.html – PHA) deixou de integrar o ordenamento jurídico (sic). Logo, temos um vácuo.”

Navalha
Como o Congresso não votou a atualização dos critérios do FPE, a presidenta Dilma mandou entregar o dinheiro aos estados e municípios.
E garantir o leite das crianças.
O que ela poderia fazer ?
Suspender a distribuição de leite às crianças, enquanto o Congresso vota o FPE e o Supremo diz, agora, sim !
A entrevista é em cima de ovos.
O Estadão, como se sabe, é o microfone de preferência de Gilmar Dantas (**) para votar fora dos autos.
Quando era o Supremo Presidente Supremo do Supremo, foi aí, no Estadão, que ele pretendeu dar o Golpe do Estado da Direita, que ele chamou de “Estado de Direito”.
Foi quando ele concebeu o Golpe de Estado Espetacularizado do delegado Protógenes – por causa, é claro, da defesa do “ordenamento jurídico” que protegeu o imaculado banqueiro Daniel Dantas.
Neste sábado, Gilmar Dantas (**) “legítima”, com subterfúgios, a tentativa dos Chinco Campos (***) de governar o Legislativo, o Executivo e a Constituição.
Sobre a posse do deputado federal José Genoíno, eleito por 92 mil paulistas – um pouco menos de votos do que o Ministro Fux – , Gilmar Dantas (**) entende que a lei garante a posse de Genoíno.
Mas, …
“Essa questão deve ser analisada no plano político e institucional. Aí, obviamente, a questão se coloca num diálogo entre o parlamento e a sociedade.”
(Seria muito interessante promover, não é, amigo navegante ?, um diálogo entre o Supremo e a sociedade…)
E quem deve cassar o Genoíno: a Câmara ou o Supremo ?
Aí, o Supremo Presidente Supremo, que, segundo Mauricio Dias e Leandro Fortes na Carta Capital, não é Juiz, mas réu, banha-se em argumentos já expostos no colonismo (****) pigal:
“… vamos imaginar a situação de um parlamentar que tem que negociar com o carcereiro para comparecer a uma das casas do Congresso. Isso fala por si só.”
Primeiro, o Supremo Presidente Supremo vota, aí, no Estadão, publicamente sobre os recursos legais de que ainda dispõe o Genoíno: cadeia nele !
E daí: qual é o problema ?
O Genoíno, se condenado a pena de reclusão, sair da cadeia para votar na Câmara ?
Será ótimo !
Mostrar, num diálogo com a sociedade, como age o Supremo, em face da Máxima Soberania: a vontade popular.
E vamos ver, como sugeriu o então Ministro Joaquim Barbosa, se ele Gilmar Dantas (**) pode sair às ruas, sem a proteção de seus jagunços.
Porque o Genoíno pode sair às ruas.



Clique aqui para ler “Dirceu responde a Tarso Genro – esquecer o mensalão, como sugere Genro ? Não !”.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. E não é que o Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas ? Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Isso dá processo… 

(***) Ao proferir seu Canto do Cisne e ameaçar o Presidente da Camara com a cadeia, o decano Celso de Mello citou Chico Campos, o redator da “Polaca”, a Constituição ditatorial de 1937. Em homenagem a ele e a Chico Campos, o Conversa Afiada passa a referir-se aos Cinco Constituintes do Supremo – Celso de Mello, (Collor de) Mello, Fux, Barbosa e Gilmar – como os “Chinco Campos”. E lembra que Rubem Braga, quando passava de bonde pela Praia do Flamengo e via acesa a luz do apartamento do Chico Campos, dizia: “Quando acende a luz do apartamento do Chico Campos há um curto-circuito na Democracia”.

(****) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2013/01/19/gilmar-sugere-tirar-o-leite-das-criancas/

PSDB despenca no Sudeste

21.01.2013
Do BLOG DO MIRO, 20.01.13
Por Altamiro Borges


Pesquisa Ibope divulgada hoje aponta que o PSDB despencou na preferência do eleitorado da rica região Sudeste, exatamente onde se concentra o principal reduto dos tucanos, que governam os estados de São Paulo e Minas Gerais. Segundo o levantamento, encomendado pelo jornal Estadão, entre outubro de 1995 e outubro de 2012, caiu pela metade o número de pessoas que diz preferir o partido - de 14% para 7%. A pesquisa deve acender o sinal de alerta na cúpula tucana, que já estava escaldada com as derrotas em várias importantes cidades da região nas eleições municipais de outubro - principalmente na capital paulista.

Além de afundar no Sudeste, a situação do PSDB segue delicada no restante do país, com um número de simpatizantes é ainda menor: 5% no Norte/Centro-Oeste, 4% no Nordeste e 3% no Sul. Já o PT, apesar do violento bombardeio midiático durante o julgamento do chamado "mensalão", permanece como a legenda de maior preferência dos brasileiros. A pesquisa indica que ele é o partido preferido por 27% dos entrevistados no Nordeste, 26% no Sudeste, 22% no Sul e 11% no Norte/Centro-Oeste. 

O levantamento também mostra que houve uma mudança no perfil do eleitorado dos partidos. Em 1995, o PT contava com a simpatia de 23% dos brasileiros com renda familiar acima de dez salários mínimos. Hoje, apenas 13% dos eleitores deste estrato social dizem apoiar o partido - o que indica uma queda de influência junto à chamada classe média dos centros urbanos, mais vulnerável às campanhas udenistas da mídia e da oposição demotucana. Já o PSDB atinge 23% de preferência neste segmento social. Para compensar, o PT cresceu em influência junto a vasta maioria da sociedade mais explorada, enquanto o PSDB despencou.

Os dados da pesquisa Ibope sinalizam que os tucanos deverão manter sua linha política centrada na questão da ética - uma hipocrisia para um partido que reúne vários políticos mais sujos do que pau de galinheiro. A tendência é a do PSDB reforça a sua campanha udenista, furiosa, para tentar se salvar da possível extinção. A legenda dos ricaços também apostará no agravamento da crise econômica para implodir a base de apoio do governo. Neste esforço, a oposição tucana contará sempre com a inestimável ajuda da mídia. Que a presidenta Dilma e o PT não se embriaguem com os bons números da pesquisa. A batalha em 2013 promete ser das mais duras!

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com/2013/01/psdb-despenca-no-sudeste.html

O WESTERN ITALIANO, QUE FLERTAVA COM A REVOLUÇÃO

20.01.2013
Do blgo NÁUFRAGO DA UTOPIA, 18.01.13
Por Celso Lungaretti

Clint Eastwood no clássico
"Três homens em conflito"
Um dos gêneros cinematográficos que mais falou da revolução para platéias amplas foi o western italiano. Poucos, hoje, sabem disso.

Nascido em meados da década de 1960, ospaghetti-western foi também muito caro para a minha geração noutro aspecto: lavou a alma de todos que gostávamos dos bangue-bangues, mas não da  caretice  dos estadunidenses.

Teve surpreendente sucesso nas bilheterias
:O Dólar Furado (1), p. ex., chegou a ficar em cartaz durante cerca de um ano num cinema de São Paulo. Isto se deveu não só a ter ocupado um espaço vazio, já que os norte-americanos haviam deixado de fazer westerns, como também a haver trazido um novo enfoque e uma nova moldura para o gênero.

Tirando obras de exceção como Matar ou Morrer (2), Sem Lei e Sem Alma (3), O Matador (4), Estigma da Crueldade (5) eRastros do Ódio (6), os faroestes made in USA de até então tinham o insuportável defeito de tentarem nos impingir aquela ladainha da luta eterna do Bem contra o Mal -- um tédio!

mocinho não fumava, não bebia, não praguejava e nem trepava. A mocinha era recatada donzela. O xerife, pachorrento mas digno. Os índios, selvagens bestiais que tinham de ser tirados do caminho para não atrapalharem o progresso. Os mexicanos, beberrões subumanos.

Mesmo no mato, conduzindo boiada, o mocinho tinha a decência de manter-se sempre limpo e escanhoado. Bah!

O western italiano surgiu meio por acaso. A indústria cinematográfica italiana conseguira nos anos anteriores faturar uma boa grana com filmes épicos e mitológicos. Hércules, Maciste, Ursus, Golias, fundação de Roma, guerra de Tróia, etc. O filão, entretanto, estava esgotando-se e a Cinecittà saiu à cata de um novo produto.

Sergio Leone, então com 34 anos, tinha começado a carreira no neo-realismo italiano (como assistente de direção e diretor de segunda unidade), mas não conseguira alçar-se à direção. Era difícil abrir um espaço entre mestres como Vittorio De Sica, Lucchino Visconti, Pier Paolo Pasolini, Federico Fellini, Michelangelo Antonioni, etc.
  
James Coburn e Rod Steiger em "Quando explode a vingança"
Então, entre atuar eternamente à sombra dos medalhões do cinema de arte ou mostrar seu trabalho no cinema dito comercial, escolheu a segunda opção. Depois de dirigir os épicos Os Últimos Dias de Pompéia(7)O Colosso de Rodes(8), teve a sorte de estar no lugar certo, no momento exato, para dar o pontapé de partida num novo ciclo.

Adaptou para o Oeste a história de Yojimbo (9)
, um filme de Akira Kurosawa sobre samurai que açula a discórdia entre dois senhores feudais para prestar-lhes serviço alternadamente, sem que percebam seu jogo duplo. O que Leone fez em Por Um Punhado de Dólares (10), basicamente, foi mudar a ambientação e colocar um pistoleiro caça-prêmios no lugar do samurai.

O protagonista também teve aí seu grande golpe de sorte. Clint Eastwood não emplacara em Hollywood como mocinho, ficando relegado a séries de TV e a filminhos classe “B” e “C”.

Leone percebeu nele um bom anti-herói. Compôs seu personagem (o Estranho Sem Nome) com barba rala, chapéu sobre os olhos, charuto na boca, fala arrastada e um poncho. Com isto, acabou alçando-o ao estrelato e fazendo jus à homenagem que depois Eastwood lhe prestaria, ao dedicar-lhe sua obra-prima Os Imperdoáveis (11)
.

O que diferenciou o western italiano foi exatamente ter sido feito por cineastas bem diferentes dos tarefeiros hollywoodescos (os ditos artesãos, que se limitavam ao feijão-com-arroz artístico que lhes garantisse o dito cujo gastronômico).

Damiano Damiani, Carlo Lizzani e Sergio Corbucci eram outros talentos com a cabeça feita pelo cinema de arte, assim como o superlativo roteirista Sergio Donatti (aliás, até os grandes diretores Bernardo Bertolucci e Dario Argento chegaram a escrever histórias para westerns).

Então, não se limitaram a realizar filmes com muita ação e nenhuma vida inteligente; fizeram questão de deixar sua marca, passando mensagens cifradas, dando toques, propondo outra abordagem para o gênero.

Em vez de um palco em que o Bem vence sempre o Mal, o bangue-bangue italiano mostrou o  velho Oeste como uma terra de ninguém, primitiva e selvagem, em que todos perseguem seus objetivos como podem.


Evidentemente, há muito mais verossimilhança nesse enfoque do que no norte-americano. O Oeste do século 19 seria algo como o garimpo de Serra Pelada no seu apogeu. Um grotão selvagem onde prevalecia a lei do mais forte.

No lugar do herói, o western italiano consagrou o anti-herói: barbudo, desgrenhado, com roupas sinistras, muitas vezes um caça-prêmios, quase sempre um mau-caráter. No fundo, só se diferenciando dos bandidos por agir sozinho enquanto os outros atuam em bando.

Lembrem-se: era a década de 1960, quando havia um imenso desencanto com a ordem estabelecida. Rebeldes eram tudo que queríamos ver. Não suportávamos mais os heroizinhos c.d.f. de Hollywood, daí termos sido imediatamente cativados pela alternativa européia, os Djangos, Sabatas e Sartanas (os únicos  mocinhos  nos moldes estadunidenses eram os protagonizados por Giuliano Gemma).

E, enquanto os poderosos viraram vilãos, os índios e os peões mexicanos passaram a ser mostrados como vítimas e heróis. Afinal, vários cineastas italianos tinham inclinações revolucionárias, mas não havia nada revolucionário para destacar nos EUA do século 19.

A solução foi transferir a ação para o efervescente México, como em Quando Explode a Vingança (12), Gringo (13), Reze a Deus e Cave Sua Sepultura (14), Réquiem Para Matar(15), Os Violentos Vão Para o Inferno (16), Companheiros (17),  O Dia da Desforra (18) e Tepepa (19).
Franco Nero como Keoma: de arrepiar!

Toques esquerdistas, sim, eles podiam inserir em filmes cuja ação transcorria nos EUA:





  • o próprio Django (20), no qual os vilãos são obviamente inspirados na Ku-Klux-Khan;
  • Quando os Brutos Se Defrontam(21), reflexão sobre a gênese de líderes oportunistas;
  • O Especialista (22), que coloca jovens rebeldes (referência às barricadas francesas de 1968) em ação no Oeste;
  • O Vingador Silencioso (23), denunciando o massacre de Johnson Country, quando centenas de imigrantes eslavos foram dizimados pelos barões de gado do Wyoming – o mesmo episódio histórico que seria depois retratado na superprodução O Portal do Paraíso (24); e
  • o extraordinário Três Homens em Conflito (25), com algumas das mais marcantes seqüências antibelicistas do cinema em todos os tempos.
Uma última característica notável foi libertar a trilha musical da tirania do country. Não mais o que realmente existia nos EUA do século retrasado, como violões, violinos, banjos, gaitas e sanfonas, mas também flauta, saxofone, órgão, sintetizadores, castanholas -- tudo que se harmonizasse com o clima daquela seqüência, pouco importando se tais instrumentos eram encontrados ou não no velho Oeste.

Para completar, o uso criativo de sinos, caixas de música, assobios e outros achados. Morricone é, com certeza, o melhor criador de trilhas musicais de todos os tempos.

FILMES INESQUECÍVEIS

Quando Explode a Vingança está entre os melhores filmes do Leone. É, na verdade, o segundo da trilogia era uma vez, que inclui Era Uma Vez No Oeste (26) e Era Uma Vez Na América (27). Deveria ter-se chamado Era Uma Vez a Revolução, mas acabou com um título que em italiano significa "abaixe a cabeça" e, nos EUA, "agache-se, otário!".

Na visão do Leone, os verdadeiros heróis da revolução são os anônimos homens do povo, enquanto os líderes acabam sempre traindo a causa -- seja no México (o médico interpretado por Romolo Valli) ou na Irlanda (o dirigente do IRA que é amigo do John/James Coburn).

Foi feito em 1971, quando os movimentos revolucionários pipocavam na Itália, radicalizando-se progressivamente. Parece expressar o desencanto do Leone com o Partido Comunista Italiano e ser um alerta de que as Brigadas Vermelhas e congêneres teriam destino trágico.

Um lance interessante é mostrar de forma totalmente desumanizada o comandante das forças contra-revolucionárias: ele é visto escovando repulsivamente os dentes, chupando um ovo, olhando pelo binóculo. Leone não lhe concede sequer a dignidade da fala. De sua forma sutil, expressa o desprezo absoluto que tinha pela direita troglodita.
Thomas Milian e Lee Van Cleef no cult "O Dia da Desforra"
Outra grande sacada do Leone é ressaltar que a História nunca fixa a versão correta dos fatos. A frase que o Irlandês sempre repete, sobre "os grandes e gloriosos heróis da revolução", é um primor de sarcasmo.

* * *

Três Homens em Conflito foi, claramente, o divisor de águas na carreira de Sergio Leone, o momento em que ele mostrou ser muito mais do que um (brilhante) artesão.

Até então, em Por um Punhado de Dólares ele introduzira a figura do anti-herói no centro da trama; a amoralidade básica dos tipos e das situações; a apresentação criativa dos letreiros iniciais, valorizada com vários recursos, inclusive o uso de animação; a nova concepção musical que Morricone trouxe para os westerns; e um dos personagens mais emblemáticos do bangue-bangue à italiana, o pistoleiro oportunista interpretado por Clint Eastwood.

Depois, em Por Uns Dólares a Mais (28), todas essas características foram desenvolvidas e aprimoradas. É um filme muito melhor do que o anterior, mas, paradoxalmente, não apresentou novidades significativas.

A única que vale a pena citar é a colocação de dois personagens em destaque, em vez de um. A partir daí, os filmes de Leone trariam sempre essa dupla de anti-heróis ocupando o espaço dos antigos mocinhos.

Depois dos personagens interpretados por Clint Eastwood/Lee Van Cleef em Por Uns Dólares a Mais, tivemos Clint Eastwood/Eli Walash (Três Homens em Conflito), Charles Bronson/Jason Robards (Era Uma Vez no Oeste), Rod Steiger/James Coburn (Quando Explode a Vingança) e Robert De Niro/James Woods (Era Uma Vez na América).


Aí, finalmente, estava pronto para seu tour-de-forceTrês Homens em Conflito foi a obra em que Leone definiu e afirmou seu estilo, embutindo no cinema de ação discussões mais profundas, sem prejuízo do entretenimento propriamente dito. É um tipo de obra em camadas. 

De acordo com sua sensibilidade, o espectador pode se divertir apenas com o básico ou captar os muitos toques subjacentes.

E é grandiosa a crítica que Leone fez ao belicismo, com algumas das seqüências mais comoventes que o cinema já apresentou: o oficial bêbado sem coragem para destruir a ponte, a orquestra do campo de prisioneiros tocando para abafar os ruídos da tortura, o jovem soldado agonizante a quem o Estranho Sem Nome dá seu charuto.

Nos três filmes seguintes ele dissecaria a lenda (vinganças) e a realidade (construção da ferrovia) no Velho Oeste; as verdades e mentiras de uma revolução; e a transição da época glamourosa do aventureirismo para a hegemonia insípida das corporações.

Foi o cineasta que conseguiu ir mais longe na proposta de mesclar entretenimento e reflexão, saindo-se tão bem nas bilheterias quanto em termos de qualidade cinematográfica.
* * *

Keoma (29) foi o canto do cisne do western italiano. E encerrou o ciclo com extrema dignidade. Trata-se daquela única obra-prima que, às vezes, um diretor convencional faz na vida, como que para provar que tinha talento para voos maiores.
Gian-Maria Volonté (centro) como bandido mexicano em "Gringo"
O subtexto é riquíssimo:
  • a briga entre os quatro irmãos remete, evidentemente, a Freud e suas teorias sobre a horda primitiva;
  • o nascimento da criança num estábulo é um paralelo bíblico, assim como a crucificação do herói;
  • a presença da velha índia nos momentos culminantes do filme vem da mitologia grega, ela é um tipo de deusa do destino;
  • o herói errante em busca de um desígnio que justifique sua vida também tem inspiração mitológica;
  • a peste se constituiu num elemento bíblico e mitológico ao mesmo tempo, além de estabelecer uma ponte com o escritor Albert Camus (A PesteO Estrangeiro), cujas obras são uma óbvia referência no delineamento do personagem principal;
  • finalmente, Castellari reverencia seus mitos cinematográficos -- Keoma é filho de Shane, o herói protagonizado por Alan Ladd em Os Brutos Também Amam (30), enquanto a presença de Woody Strode no elenco constitui uma homenagem a John Ford, de quem era um dos atores prediletos.
E não foi só Castellari quem se superou, atingindo uma qualidade de que ninguém o suporia capaz. A dupla de compositores Guido e Maurizio de Angelis fez uma trilha musical extraordinária, capaz de rivalizar com as melhores de Morricone. O contraste do baixo com a soprano chega a nos arrepiar, as letras se casam maravilhosamente com o filme.

Em suma: trata-se de um clássico ainda não reconhecido.

Filmes citados:
  1. Un Dollaro Bucato, 1965, d. Giorgio Ferroni
  2. High Noon, 1952, d. Fred Zinneman
  3. Gunfight at O.K. Corral, 1957, d. John Sturges
  4. The Gunfighter, 1950, d. Henry King
  5. The Bravados, 1958, d. Henry King
  6. The Searchers, 1956, d. John Ford
  7. Gli Ultimi Giorni di Pompei, 1959, creditado, entretanto, a Mario Bonnard
  8. Il Colosso di Rodi, 1961, d. Sergio Leone
  9. Yojimbo, 1961, d. Akira Kurosawa
  10. Per un Pugno di Dollari, 1964
  11. Unforgiven, 1992, d. Clint Eastwood
  12. Giù la Testa, 1971, d. Sergio Leone
  13. El Chuncho, Quién Sabe?, 1967, d. Damiano Damiani
  14. Prega Dio... e scavati la fossa, 1968, d. Edoardo Mulagia
  15. Requiescant, 1967, d. Carlo Lizzani
  16. Il Mercenario, 1968, d. Sergio Corbucci
  17. Vamos a Matar, Compañeros, 1970, d. Sergio Corbucci
  18. La Resa dei Conti, 1966, d. Sergio Sollima
  19. Tepepa,  1969, d. Giulio Petroni
  20. Django, 1966, d. Sergio Corbucci
  21. Faccia a Faccia, 1967, d. Sergio Sollima
  22. Gli Specialisti, 1969, d. Sergio Corbucci
  23. Il Grande Silenzio, 1968, d. Sergio Corbucci
  24. Heaven’s Gate, 1980, d. Michael Cimino
  25. Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo, 1966, d. Sergio Leone
  26. C’Era Uma Volta il West, 1968, d. Sergio Leone
  27. Once Upon a Time in América, 1984, d. Sergio Leone
  28. Per Qualche Dollaro in Più, 1965, d. Sergio Leone
  29. Keoma, 1976, d. Enzo G. Castellari
  30. Shane, 1953, d. George Stevens

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Fonte:http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2013/01/o-western-italiano-que-flertava-com.html

ANTONY FLEW:O ateu mais influente do Século XX que se converteu através da ciência

20.01.2013
Do blog ROCHA FERIDA, 19.01.13

O ex-ateu Antony Flew, que faleceu em 2010 aos 87 anos, era conhecido por seu ativismo contra a fé. Entre os ateus, era considerado o “Papa dos ateus” e muitos estudiosos e filósofos gostam de ilustrar sua influência comparando-o a Richard Dawkins, o mais famoso ateu da atualidade, dizendo que ele foi no século XX, o que o famoso ateu inglês é hoje para os ateus: um símbolo.

Porém, em 2004, ao abandonar o ateísmo, ele se tornou o maior exemplo dos religiosos que se importam com o debate sobre fé e ciência.

Em 2007, escreveu o livro “Há um Deus”, onde afirmava sua admiração pelo cristianismo, classificando como a religião que “mais claramente merece ser honrada e respeitada”, ressaltando também a influência do apóstolo Paulo na formação das bases conhecidas do cristianismo hoje, a quem classificava como “intelectual”.

No livro “Deus Existe”, Flew relata em parceria com Roy Abraham Yarghese que sua conversão se deu da forma mais convincente para um ateu: através da ciência. Um grande exemplo costumeiramente usado por filósofos ateus para refutar a teoria da criação, é a teoria do big-bang. Porém, para Flew, após anos de estudo e reflexão, a própria teoria do big bang era a prova do que o livro de Gênesis relata.

Em seus relatos, Antony Flew, que era filho de um pastor anglicano afirmava que sua busca por respostas na ciência, o levou à crença em Deus: “Segui a razão até onde ela me levou. E ela levou-me a aceitar a existência de um Ser auto-existente, imutável, imaterial, onipotente e onisciente”.

Richard Dawkins, o ateu mais conhecido mundialmente deste século, recentemente negou ser ateu, afirmando ser agnóstico, pois exceto por detalhes, ele não poderia ter certeza da inexistência de Deus: “Eu estou convicto de 6,9 em cada 7 das minhas crenças… Eu acho que a possibilidade de existir um Criador sobrenatural é muito, mas muito baixa”, afirmou, sem certeza.
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Fonte:http://rochaferida.blogspot.com/2013/01/antony-flew-o-ateu-mais-influente-do.html#axzz2IXoV5Tc5

Guerra no Mali: Conflito no Mali coloca patrimônio da humanidade em risco

20.01.2013
Do portal da Revista CartaCapital, 18.01.13
Por Ana Paula Ferraz de Oliveira


“Um dos meus sonhos sempre foi ir a Tombuctu antes de morrer”, confessou Umberto Eco na obra Não Contem Com o Fim do Livro. O interesse do escritor e semiólogo italiano era visitar as bibliotecas da região, no centro do Mali, onde floresceu, antes do Renascimento na Europa, o maior núcleo acadêmico e comercial da África.
Mesquita de Sankore, um dos três centros de aprendizado que compõem a medieval Universidade de Tombuctu, no Mali. Ali alunos conhecem os princípios do corão, literatura, ciência, matemática, medicina entre outras disciplinas. Foto: @Unesco/ T. Joffroy / CRATerre-EAG
Mesquita de Sankore, um dos três centros de aprendizado que compõem a medieval Universidade de Tombuctu, no Mali. Ali alunos conhecem os princípios do corão, literatura, ciência, matemática, medicina entre outras disciplinas. Foto: @Unesco/ T. Joffroy / CRATerre-EAG
 Desde a Idade Média, Tombuctu atraia estudantes que usavam livros como moeda de troca em busca de conhecimento dos sábios negros do Mali. O patrimônio cultural abriga mais de 700 mil manuscritos produzidos entre os séculos 13 e 20 em línguas árabes e africanas. Felizmente, Eco concretizou o seu desejo e conheceu o local, onde pôde constatar uma cultura oral determinada por livros. Mas quem ainda não teve a oportunidade de conhecer esse patrimônio cultural reconhecido pela Unesco corre o risco de nunca fazê-lo. Como uma miragem, esse oásis de conhecimento em pleno deserto do Saara está à beira do desaparecimento: Tombuctu está tomada pelas forças rebeldes e, na última segunda-feira 14, foi alvo de bombardeios franceses.
A região abriga, ao todo, 26 bibliotecas, espalhadas pelas cidades de Gao (alvo de bombardeios nessa segunda), Bamba, Rhrous, Ber e Tombuctu, capital da região, que concentra mais da metade das obras. Os manuscritos ali guardados versam sobre temas como matemática, química, física, ótica, astronomia, medicina, história, geografia, ciências islâmicas, leis e tratados, jurisprudência e entre outros assuntos. São, portanto, uma das mais importantes de partida para reflexão sobre as tradições escritas na África.
A cidade de Tombuctu. Foto: © UNESCO/ Vorontzoff, Alexis N.
A cidade de Tombuctu. Foto: © UNESCO/ Vorontzoff, Alexis N.
Antes do conflito na região, esse legado islâmico, intelectual, acadêmico e espiritual do continente já estava ameaçado por outros fatores. De acordo com o site da Timbuktu Educational Foundation (www.timbuktufoundation.org), que tem a custódia legal dos manuscritos e arrecada fundos para restaurar, preservar, traduzir e publicar os documentos, as páginas estão frágeis e se desintegram facilmente. De acordo com o grupo Tombouctou Manuscripts (www.tombouctoumanuscripts.org), da University of Cape Town (UCT), dedicado à pesquisa de aspectos da escrita e da leitura dos manuscritos, a preservação do patrimônio é “fundamental para modificar a imagem estereotipada do primitivo selvagem como a verdadeira representação da civilização africana”.
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“É inexato imaginar um continente africano sem livros, como se livros tivessem sido a marca distintiva de nossa civilização”, afirmou o roteirista francês Jean-Claude Carrière, também emNão contém com o fim do livro.
A cidade de Tombuctu. Foto: © UNESCO/ Vorontzoff, Alexis N.
A cidade de Tombuctu. Foto: © UNESCO/ Vorontzoff, Alexis N.
O conflito na região levou a Unesco a fazer um apelo para que todas as forças militares no Mali façam esforços para proteger o patrimônio cultural de Tombuctu. Uma carta assinada pela diretora-geral da entidade, Irina Bokova, foi enviada às autoridades francesas e malinesas invocando a Convenção de Haia, de 1954. “O patrimônio cultural do Mali é uma joia cuja proteção é importante para toda a humanidade. Ele carrega a identidade e os valores de um povo. A atual intervenção militar deve proteger as pessoas e assegurar este patrimônio”, defendeu.
Antecipando as operações militares na região, a Unesco providenciou um levantamento das características topográficas dos monumentos históricos direcionado ao comando das tropas e brochuras individuais com informações para os soldados, com a intenção de prevenir mais danos.
Os alertas não são em vão. O conflito no Mali já provocou perdas relevantes para o patrimônio cultural de Tombuctu no ano passado. Em dezembro de 2012, ao menos três mausoléus foram danificados. Outras ondas de estragos foram registradas em julho do mesmo ano. Na ocasião, a Unesco organizou duas missões de emergência ao país e o Comitê do Patrimônio Mundial criou um fundo de emergência para reabilitação e resguardo dos bens culturais. “A devastação a esse tesouro inestimável é um crime contra o povo de Mali, que sempre mostrou grande tolerância pelos diferentes tipos de religião, crenças e práticas espirituais”, declarou, à época, Bokova.
"Sou a favor da intervenção da francesa", diz o professor malinês Saddo Ag Almouloud, que leciona no Brasil. Foto: Arquivo pessoal
“Sou a favor da intervenção da francesa”, diz o professor malinês Saddo Ag Almouloud, da PUC-SP. Foto: Arquivo pessoal
Professor do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação Matemática da PUC-SP, Saddo Ag Almouloud leciona no Brasil mas nasceu numa pequena aldeia na região de Tombuctu chamada Karaukamba. Ele passa férias acadêmicas em Bamako, capital do Mali, que está “relativamente calma”, segundo revelou a Carta Capital. Ele conta que Tombuctu teve a primeira e a maior universidade islâmica da África negra. “Da produção dessa universidade nasceram várias bibliotecas cuja mais conhecida é Ahmed Baba”, explica. Almouloud se declara a favor da intervenção internacional e lamenta os danos aos monumentos já registrados. Ele não acredita, porém, que o patrimônio esteja ameaçado pelos bombardeios franceses, mas pela imprevisibilidade dos jihadistas. “Eles não têm nada de muçulmanos e já destruíram alguns monumentos em Tombuctu. Não acredito que estejam preocupados com esse patrimônio”, afirma.
“Fico profundamente triste pelo que está acontecendo com meu país, sou profundamente contra os jihadistas e completamente a favor da atual intervenção da francesa e internacional, pois o país está correndo perigo de sua existência como nação. Estou torcendo para que o Mali recupere sua estabilidade e paz”, disse.

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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/internacional/conflito-no-mali-coloca-patrimonio-da-humanidade-em-risco/