quarta-feira, 31 de julho de 2013

JORNALISMO ECONÔMICO: O deus do mercado cheira mal

31.07.2013
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA*, 27.07.13
Por Luciano Martins Costa,na edição 756  

A imprensa brasileira deu grande destaque para artigo do colunista Neil Steinberg, do jornal Sun-Times, de Chicago, publicado na quarta-feira (24/7), no qual o jornalista cita os conflitos durante manifestações ocorridas no Rio de Janeiro, para questionar por que o Comitê Olímpico Internacional escolheu o Rio, e não Chicago, para as Olimpíadas de 2016. O texto, em tom de gozação, foi reproduzido exaustivamente pelo Brasil afora, indo parar até mesmo em blogs e sites de pequenos jornais regionais.
Sun-Times não chega a ser um jornal importante e Steinberg é um cronista do cotidiano que nunca brilhou na chamada grande imprensa americana.
Na sexta-feira (26/7), a imprensa brasileira ignorava um escândalo que ganhou destaque em publicações muito mais importantes, como o New York Times e Los Angeles Times, e segue sendo rastreado pelas edições digitais das principais mídias dos Estados Unidos e da Europa, com destaque para o Financial Times e a Economist.
Nem se pode dizer que os editores brasileiros foram surpreendidos pela notícia, porque desde maio algumas agências internacionais, como a Reuters e a Bloomberg, vêm acompanhando o caso. Trata-se do indiciamento dos dirigentes da consultoria financeira SAC, uma das mais tradicionais de Wall Street, acusada formalmente de fraude.
Apenas a Folha de S. Paulo dedicou na sexta-feira (26) algum espaço ao assunto, numa nota de duas colunas associada a reportagem sobre uma quadrilha de ucranianos e russos que roubou dados de cartões de crédito de milhões de pessoas em todo o mundo.
Apenas para comparar a grandeza das duas notícias, observe a leitora ou leitor atento que os estelionatários comuns causaram prejuízos generalizados de “centenas de milhões de dólares” durante sete anos, enquanto os responsáveis pelas operações da SAC Capital Advisors podem ser condenados a pagar US$ 10 bilhões em multas e ressarcimentos.
New York Times observa que as autoridades federais americanas são acusadas de tratar com “luvas de pelica” os criminosos de Wall Street e diz que a SAC Advisors pode ter ludibriado a vigilância dos órgãos de fiscalização do mercado financeiro por “mais de uma década”.
Síndrome de vira-latas
É relativamente fácil explicar por que a imprensa brasileira deu tanto destaque a um colunista obscuro de um jornal regional de menor importância nos Estados Unidos, que resolveu falar mal da capacidade brasileira de organizar grandes eventos, como a Copa do Mundo ou as Olimpíadas. Trata-se da síndrome de vira-latas, o conjunto de sentimentos patológicos que caracterizam uma suposta elite provinciana que se envergonha de sua nacionalidade.
Um pouco mais complicado é explicar por que um crime comum praticado pela máfia russa, tão vulgar que virou estereótipo de filme de segunda categoria na TV, ganha amplo espaço nos jornais – enquanto a comprovação de que um dos ícones do capital financeiro internacional funcionava como uma quadrilha é solenemente ignorada pela mídia tradicional.
Em primeiro lugar, é preciso considerar que os paradigmas de empresas como a SAC Capital Advisors são a “bíblia” de nove entre dez colunistas de economia dos jornais e comentaristas econômicos da televisão. Então, fica constrangedor admitir que a verdadeira natureza do capital especulativo é a fraude.
Em segundo lugar, mas não menos importante, deve-se levar em conta que, fora do círculo de sagração do capital financeiro, sobram poucas justificativas para a maioria das decisões editoriais no campo da economia e até mesmo da política, uma vez que essa posição de subserviência em relação ao “deus” mercado é condição essencial para a manutenção do espaço midiático de cada um. São raros os articulistas que escapam desse perfil, e em geral são usados como exemplo de “diversidade” no pensamento hegemônico da mídia.
Em terceiro lugar, observe-se que esses valores é que fazem a imprensa cobrar do governo – qualquer governo – total liberdade para o mercado e seus sacerdotes.
As sucessivas crises produzidas no mundo nos últimos vinte anos foram causadas principalmente pela expansão sem controle do capital financeiro, porque se convencionou que o Estado é o vilão e o capital especulativo é o motor do mundo. No rastro dessa crença, consolidou-se a corrupção como modelo de negociação com agentes públicos, e ampliaram-se os poderes e o alcance do crime organizado, em todas as suas formas. No Brasil, todo governo que aceitou rezar esse “terço” acabou por fragilizar os fundamentos da economia.
As fraudes são um sintoma da putrefação desse sistema.

*Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 26/7/2013

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Fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/o_deus_do_mercado_cheira_mal

Lígia Bahia e Mário Scheffer: Os planos de saúde deitam e rolam. Entenda o motivo

31.07.2013
Do blog VI O MUNDO, 25.07.13


No jargão dos planos de saúde, sinistro é a perda financeira a cada demanda de um cliente doente. Já a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi tomada pelo sinistro no sentido popular do termo — ou seja, aquilo que é pernicioso.

Dois ex-executivos de planos de saúde — um serviu à maior operadora do país e outro, à empresa líder no Nordeste — acabam de ser nomeados diretores da ANS.

Desde sua criação, há 13 anos, a agência foi capturada pelo mercado que ela deveria fiscalizar. As medidas sugeridas para coibir o conflito de interesses na ANS — frise-se, um órgão público sustentado com recursos públicos — sempre foram contestadas sob o argumento de que tais pessoas “entendem do setor”.

Assim, a agência instalou em suas entranhas uma porta giratória, engrenagem que destina cargos a ex-funcionários de operadoras que depois retornam ao setor privado.

A atuação frouxa da ANS, baseada no lucro máximo e na responsabilidade mínima das operadoras, tem a ver com essa contaminação. Impunes e protegidos pela fiscalização leniente, os planos de saúde ao fim restringem atendimentos e entregam emergências lotadas e filas de espera para consultas, exames e cirurgias.

As empresas deixaram de vender planos individuais, pois têm o aval da ANS para comercializar planos coletivos a partir de duas pessoas, com imposição de reajustes abusivos e rescisão unilateral de contrato sempre que os usuários passam a ter problemas de saúde dispendiosos. Sob o olhar complacente da ANS, dão calote no SUS, pois não fazem o ressarcimento quando seus clientes são atendidos em hospitais públicos.

Os planos de saúde doam recursos para candidatos em tempo de eleição que, depois de eleitos, devolvem a mão amiga com favores e cargos. Há coincidências que merecem explicação.

Em 2010, as operadoras ajudaram na eleição de 38 deputados federais, três senadores, além de quatro governadores e da própria presidente da República. Da empresa que doou legalmente R$ 1 milhão para a campanha de Dilma Rousseff, saiu o nome que presidiu a ANS até 2012.

O plano de saúde que doou R$ 100 mil à campanha de um aliado — o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral — emplacou um diretor da agência que, aliás, acaba de ser reconduzido ao cargo.

Em 1997, o texto do que viria a ser a lei nº 9.656/98, que regula o setor, foi praticamente escrito por lobistas dos planos.

Em 2003, na CPI dos Planos de Saúde, as empresas impediram investigações.

Em 2011, um plano de saúde cedeu jatinho para o então presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), em viagem particular.

Quase mil empresas de planos de saúde que atendem 48 milhões de brasileiros faturaram R$ 93 bilhões em 2012.

Com tal poder econômico, barram propostas de ampliação de coberturas, fecham contratos com ministérios e estatais para venda de planos ao funcionalismo público, definem leis que lhes garantem isençõestributárias. E se beneficiam da “dupla porta” (o atendimento diferenciado de seus conveniados em hospitais do SUS) e da renúncia fiscal de pessoas físicas e jurídicas, que abatem do Imposto de Renda os gastos com planos privados.

Agora as operadoras bateram às portas do governo federal, pedindo mais subsídios públicos em troca da ampliação da oferta de planos populares de baixo preço — mas cobertura pífia.

No momento em que os brasileiros foram às ruas protestar contra a precariedade dos serviços essenciais, num rasgo de improviso os problemas da saúde foram reduzidos à falta de médicos. O que falta é dotar o SUS de mais recursos, aplicar a ficha limpa na ocupação de cargos e eliminar a promiscuidade entre interesses públicos e privados na saúde, chaga renitente no país.

MÁRIO SCHEFFER, 46, é professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP); LÍGIA BAHIA, 57, é professora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Leia também:

As pesquisas pós-manifestações

31.07.2013
Do BLOG DO MIRO,28.07.13
Por Marcos Coimbra, na revista CartaCapital:


Na recente safra de pesquisas uma única coisa interessa: o que dizem a respeito da sucessão presidencial. O demais é secundário. Ou melhor, só é relevante por seus efeitos sobre essa questão fundamental.

Se não tivéssemos uma eleição daqui a pouco mais de um ano e se a presidenta não fosse candidata, perguntas sobre a avaliação do governo e de políticas seriam de relevância menor.


Todas concordam que Dilma Rousseff caiu do patamar onde estava até o início de junho. Naquelas, obtinha, no voto espontâneo, perto de 25%. Nas novas, minguou para 15%.

No chamado voto estimulado, ficava entre 50% e 58%, a depender dos adversários. Nas de agora, mal chega a 35% nas simulações de primeiro turno e vai, no máximo, a 42% naquelas de segundo.

É preciso lembrar que a predisposição a votar na presidenta estava em queda de março para junho. No voto espontâneo, fora de 35% para 25%, e caíra de 60% para 50% na estimulada. Ou seja, suas chances de vitória tinham se reduzido, apesar de permanecerem elevadas.

Nas atuais, a queda foi bem mais expressiva. O desgaste que se identificava foi intensificado e acelerado pelas manifestações de junho.

O que parece é que Dilma sofreu uma perda considerável de intenção de voto pelo fato de os cidadãos terem ido às ruas se manifestar e não pela preexistência de uma elevada insatisfação com ela ou com seu governo. Em outras palavras, as manifestações foram causa e não consequência do tamanho e do tipo de descontentamento retratados hoje pelas pesquisas (e que se reflete no despencar de suas chances, para usar a palavra que tanto alegra a “grande mídia”).

De um lado, o fato de elas eclodirem e receberem imensa (e favorável) cobertura dos meios de comunicação fez com que tivessem o que a sociologia chama de “efeito demonstração”. Mesmo quem tinha uma insatisfação “aceitável” passou a achar que devia “indignar-se”, ainda que não soubesse exatamente contra o quê.

Mas a razão primordial para as manifestações cumprirem esse papel foi o seu impacto na elevação da sensação de insegurança dos brasileiros comuns. E o que a provocou foi a visualização da violência em estado bruto nas principais cidades do País.

Nenhum governo resiste à repetição diária de cenas de mortes, sangue, tiros, quebra-quebras, depredações, incêndios. Durante três semanas, exatamente entre as pesquisas de junho e julho, foi ao que a sociedade brasileira assistiu na televisão, viu na internet, ouviu no rádio, leu em jornais e revistas.

Em outras palavras, o que de fato atingiu a avaliação do governo (com um consequente impacto na intenção de voto em Dilma) não foi o “lado bom” das manifestações, tão louvado pela mídia, das moças e rapazes a cantar o Hino Nacional enrolados na bandeira, mas seu “lado negro”, dos “baderneiros” e “arruaceiros”. Em relação xifópaga, um usou o outro.

Mas, se é verdade que Dilma desceu, é também verdade que nenhum de seus adversários efetivos subiu. Apenas Marina Silva teve desempenho positivo.

Ao comparar a performance de Aécio Neves e Eduardo Campos nas pesquisas de junho e julho, vemos que no voto espontâneo ambos permaneceram estacionados: o tucano em 4% e o pernambucano em 1%. No estimulado, Aécio tinha 14% e lá ficou. Eduardo obtinha 3% e passou a 4%.

Cresceram Marina (turbinada pela simpatia dos ricos) e o não voto, o agregado daqueles que disseram branco, nulo, nenhum ou não saber. Quando se considera apenas a indecisão, os resultados de julho foram iguais àqueles de junho, com 5%. O que poderia ser considerado voto de rejeição, a soma de brancos e nulos, dobrou, ainda que ficasse em menos de 20%.

Tudo considerado, Dilma mantém-se favorita, até pelo fato de essas pesquisas a flagrarem no que deve ter sido seu pior momento. Permanece à frente, tem a seu favor o tempo, a inércia da reeleição e, como mostram as pesquisas qualitativas recentes, continua a contar com a torcida de muitos que acham cedo para julgá-la.

E a única candidatura que cresceu foi de alguém que a maioria da população vê com simpatia, mas sem condições de se sentar na cadeira de presidente. Muita gente admira Marina, mas poucos ficam confortáveis ao imaginá-la no cargo.

Quanto a fabricar alguém de última hora, a chance é pequena, mas não pode ser descartada. Em 1989, por exemplo, a um mês da eleição, a direita inventou a candidatura de Silvio Santos.
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Fonte: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2013/07/as-pesquisas-pos-manifestacoes.html

Record publica a 2a. matéria sobre a Globo. E tem mais vindo aí

31.07.2013
Do blog TIJOLAÇO, 30.07.13
Por  Fernando Brito

Reproduzo, ao final do post, a segunda matéria veiculada pela Rede Record sobre o caso de sonegação da Globo.
Foi um “rescaldo” do que havia sido noticiado ontem e trouxe as repercussões políticas do caso, naturalmente restritas aos poucos parlamentares que não se acovardam diante do império global.
Rescaldo, aliás, saborosíssimo, porque é mais frequente a aparição do Cometa de Halley que ver na telinha alguém criticando a globo, o que dirá em manifestações diante da emissora.
Manifestações, como se sabe, são assunto na Globo apenas quando são – ou podem ser exploradas como se fossem – contra governos de esquerda.
Foi legal ver a justiça ser feita e ouvir o Miguel do Rosário, que por sua conta e risco, bancou a publicação dos documentos que lhe chegaram sobre a Globo no seu blog O Cafezinho e, com isso, deflagrou essa imensa onde de jornalismo colaborativo que está permitindo lançar luz sobre o caso. A atitude de Miguel, está se vendo, tem dez mil vezes mais coragem do que a de quem tem o dever funcional de investigar e conta com todas as imunidades para isso.
Agora, se os anos não enferrujaram o pouco que sei de jornalismo, foi também uma “respirada” para avançar mais no caso. E não demora, eu creio.
E que ninguém reduza isso a uma guerra de emissoras, como aliás a Globo faria se fosse a Record.
Se a grande imprensa estivesse cumprindo o seu dever de publicar o caso, seria apenas mais uma matéria sobre ele.
Aliás, só o silêncio da mídia já seria tema para uma reportagem chocante.
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Começa segunda fase de julgamento do massacre do Carandiru

31.07.2013
Do portal do DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 28.07.13

No banco dos reús, estão 26 dos 79 policiais acusados

Complexo Penitenciário do Carandiru. Crédito: Itamar Miranda/Agência Estado/AE
 Crédito: Itamar Miranda/Agência Estado/AE
A segunda das quatro fases do julgamento pelo massacre do Complexo do Carandiru, ocorrido há 11 anos, e que deixou 111 mortos, começa nesta segunda-feira (28). No banco dos reús, estão 26 dos 79 policiais acusados. 

A primeira etapa do julgamento encerrou em abril, com a condenação de 23 pessoas a 156 anos de prisão. Eram policiais responsáveis pelas mortes de 13 presos que estavam no pavilhão nove. Além desses, três foram absolvidos. 

Outras cinco mortes foram relacionadas ao coronel reformado Luiz Nakaharada, que será julgado depois das quatro fases do julgamento.

OPERAÇÃO

Participaram do Massacre do Carandiru 330 agentes, dos quais 79 foram processados judicialmente. O objetivo da operação, que aconteceu em 2 de outubro de 1992, era conter o motim no pavilhão nove do Carandirú, onde havia cerca de 2.700 detentos, alguns deles sem condenação, à espera de julgamento.Durante a ocupação, foram disparados 515 tiros, sendo 126 deles nas cabeças das vítimas.
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O ATAQUE DA MÁFIA DE BRANCO E DOS PLANOS DE SAÚDE

31.07.2013
Do blog CONVERSA AFIADA, 27.0713
Por Paulo Henrique Amorim

Máfia de branco e planos de saúde tramaram para dominar o sistema de saúde americano

Conversa Afiada publica sugestão do amigo navegante A. Mônaco:

Grande Paulo

Acho que o documentário do Michael Moore, SICKO (fácil de ver no “youtube”) daria até um bom comentário em seu blog. Assunto bem atual, que mostra como a máfia de branco e os planos de saúde “tramaram” direitinho para “dominar” o sistema de saúde (?) americano. Todo mundo foi “comprado”…Nixon, Hilary (que a princípio  tinha boas intenções), etc. Não é à toa que mais de 50 milhões de americanos estão ferrados. Além disso, dá uma boa ideia de como seriam bem vindos os médicos cubanos.
Abraço
A. Mônaco
Clique na imagem e assista ao documentário

Clique aqui para ler ” Médicos: Mercadante recua. Como na Constituinte”.
Aqui para “PML: Os médicos, o veneno e a doença.
E aqui para a entrevista do Padilha: “O Brasil tem metade dos médicos da Argentina “.;
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Em Araripina, governador entrega novo acesso ao distrito de Rancharia e Via Perimetral, obras executadas pela Secretaria de Transportes

31.07.2013
Do blog ESTRADAS DE PERNAMBUCO, 30.07.13

O governador Eduardo Campos inaugurou, nesta terça-feira (30/07), a rodovia de acesso ao distrito de Rancharia, em Araripina, no Sertão do Araripe. A obra atende a uma reivindicação antiga dos moradores, pois o distrito não possuía ligação com o município. "Essa foi uma obra solicitada durante o Todos por Pernambuco. Hoje, estamos aqui entregando essa rodovia essencial para os moradores dessa região", contou o governador. "Para que o governo pudesse realizar esses investimentos, foi necessário sair dos gabinetes e ouvir a voz do povo, pois só assim e possível promover ações que causem impacto na vida das pessoas", explicou o governador.

A rodovia liberada tem 9,5 quilômetros de extensão e custou aos cofres públicos R$ 5 milhões. O novo acesso deve atrair novos empreendimentos para a região e promover o crescimento da economia. "Em 2007, tínhamos 14 localidades sem ligação de asfalto, que foram devidamente construídas. Além desses casos, tivemos que recuperar outras estradas pernambucanas", afirmou o governador.

O secretário de Transportes, Isaltino Nascimento, reforçou que a atual gestão esta com um plano arrojado de intervenções nas rodovias do Estado. "Nós estamos investindo bastante em infraestrutura, mas não é possível fazer tudo em um só tempo. Temos que planejar e executar com responsabilidade", disse Nascimento, ressaltando a importância da construção de novas estradas para a economia local. "Ainda  há muito a ser feito, mas tudo isso que começamos vai continuar dentro do estabelecido. O nosso crescimento é irreversível", garantiu Eduardo.

TRANSPORTE - Ainda em sua passagem por Araripina, o governador Eduardo Campos inaugurou a via perimetral do município. Com cerca de oito quilômetros recuperados e um investimento da ordem de R$ 12 milhões, a obra melhora o tráfego na área urbana, onde há um fluxo intenso de veículos pesados, devido ao polo gesseiro. "Fizemos um projeto planejado, com ciclovia e toda a sinalização necessária", ressaltou o governador.
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BLOG DA SARAIVA: Por que Alckmin é tão blindado pela mídia?

01.08.2013
Do BLOG DO SARAIVA, 28.07.13

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Nas duas últimas semanas, a revista Istoé dedicou capas ao escândalo do metrô de São Paulo. Na primeira, obteve o depoimento de um ex-funcionário da Siemens, que revelou como era paga a propina nos governos tucanos. Na mais recente, revela o superfaturamento de R$ 425 milhões. Sabe quantos segundos esse assunto mereceu no Jornal Nacional? Ou quantas linhas ganhou no Estado de S. Paulo ou mesmo na Folha, a primeira a revelar o caso Siemens? Zero. Por que será?

247 - Duas semanas atrás, no dia 14 de julho, a Folha de S. Paulo revelou ao País o chamado "caso Siemens". De acordo com a reportagem, a empresa denunciou um cartel na venda de equipamentos ao metrô, do qual ela própria fazia parte, e aceitou um acordo de delação premiada, para reduzir suas penalidades (leia mais aqui).

Nos dias que se seguiram, a Folha, curiosamente, tirou seu time de campo e praticamente não voltou ao assunto.

No fim de semana passado, a revista Istoé, da Editora Três, dedicou sua primeira capa ao tema. A publicação obteve o depoimento de um ex-funcionário da Siemens, que revelou até o nome da empresa que recolhia a propina, chamada MGE, que dizia agir em nome dos governos tucanos (leia aqui).

A contrapartida da propina, naturalmente, era a possibilidade de vender os equipamentos a um preço mais alto. Neste fim de semana, a nova capa de Istoé sobre o tema aponta superfaturamentos de até R$ 425 milhões no metrô de São Paulo (o suficiente para vários mensalões) (leia aqui).

Dito isso, algumas questões intrigantes:

1) por que a Folha não voltou ao assunto?

2) por que jornais concorrentes, como Estado ou Globo, não decidiram apurar o caso Siemens?

3) por que o Jornal Nacional não dedicou nenhum mísero segundo ao tema?

Cada veículo de comunicação adota seus próprios critérios. Mas o fato é que Geraldo Alckmin, ao menos junto à chamada "grande imprensa", conseguiu se blindar. Por que será?

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BLOG DO MIRO: Justiça condena a Globo

31.07.2013
Do BLOG DO MIRO, 30.07.13
Por sítio Vermelho:


A Justiça Federal no Tocantins condenou a emissora Globo Comunicação e Participações S/A e a empresa Quatro Elementos Turismo Ltda a repararem o dano causado à Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins pelo uso indevido de imagem durante a veiculação de uma reportagem exibida no programa Esporte Espetacular do dia 25 de abril de 2010, que associa a imagem da cachoeira da Fumaça à prática de rafting esportivo, prática esta, incompatível com os objetivos das estações ecológicas.

A sentença proferida pela titular da 1ª vara, juíza federal Denise Dias Dutra Drumond, julgou procedente a ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal e condenou as empresas ao pagamento de indenização ao Meio Ambiente no valor de 500 mil reais e a reparação do dano por meio da produção de uma reportagem, previamente autorizada, com o tema “Turismo Sustentável na Região do Jalapão”, que deverá ser exibida em horário semelhante e com a mesma duração da anterior.

Consta nos autos, que a reportagem exibida foi feita mesmo com o pedido de autorização negado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia federal que administra a área. De acordo com o relatório do ICM, a equipe foi avisada sobre o impedimento de realizar gravações com foco na prática de esportes radicais naquela área, tendo em vista que a Instrução Normativa do IBAMA 05/2002 determina que as matérias jornalísticas realizadas em Estações Ecológicas e Reservas Biológicas não deverão fomentar atividades que não sejam de caráter científico e preservacionista.

Em sua fundamentação a magistrada ponderou que a Estação Ecológica foi criada para evitar a exploração turística e econômica desordenada. Para isso a legislação proíbe a visitação pública, exceto quando com objetivo educacional ou científico. “Em outras palavras, a Estação Ecológica tem em seu anonimato um de seus grandes trunfos, pois fica assim protegida da curiosidade leiga e da depredação que a atividade turística em massa e desordenada promove. Logo, a exposição em si mesma da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins como área propícia à prática esportiva, diversa portanto de sua finalidade legal específica, já configura o dano ambiental” constatou.

Na defesa, as empresas alegaram inexistência de dano ambiental e a Globo Comunicações alegou ofensa a liberdade de imprensa. Argumento este, afastado pelo juízo federal durante a fundamentação. Para a magistrada, não se pode permitir abusos no desfrute da plenitude de liberdade de imprensa e este direito não está imune à obrigação de indenizar caso haja lesão à bem jurídico de terceiros.

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Fonte:

Jornal da Record exibe mais uma matéria sobre Globogate

31.07.2013
Do blog O CAFEZINHO, 30.07.13
O Jornal da Record exibiu hoje mais um bloco sobre o escandaloso caso da sonegação da Globo. Deste vez, este modesto blogueiro aparece cobrando o DARF…
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O CAFEZINHO: A máquina de esconder escândalos

31.07.2013
Do blog O CAFEZINHO, 29.07.13
Por Miguel do Rosário

Em conversas de botequim, tenho feito uma proposta “científica” para avaliarmos se a mídia convencional nos torna uma pessoa melhor informada e mais preparada para os embates da vida. Imagine duas cobaias humanas, trancadas cada uma num quarto fechado, sem contato nenhum com o mundo exterior. Uma delas receberá toda manhã um conjunto de jornais e revistas tradicionais: Veja, Folha, Globo e Estadão. No outro quarto, o indíviduo não receberá nada. Ficará olhando as paredes e meditando. Deixemos os dois nessa situação por um ano.
Quando soltarmos o segundo, o que não recebeu nada, há duas hipóteses: uma é que ele ficou um pouco tantan, com mania de falar sozinho; outra – a que eu prefiro acreditar – é que se tornou uma pessoa mais sábia. Um ser humano melhor, mais reflexivo. Aprendeu a conhecer melhor a si mesmo, seguindo o ditado da inscrição mais famosa do oráculo de Delfos: conheça a ti mesmo.
O outro, bem… o outro sairá do quarto qual uma besta fera descontrolada, vociferando palavras de ordem contra o PT, contra o comunismo, interessado mais em ver José Dirceu na cadeia do que beijar sua esposa. E, sobretudo, será uma pessoa muito pior do que antes da experiência. Será mais intolerante, mais raivoso.
O mais irônico é que o cidadão que passou um ano trancado num quarto apenas lendo jornais estará mais desinformado do que o outro que não leu nada. Mais desinformado e ainda despreparado para receber mais informações. O outro terá alguns vazios em termos de informação, mas nada que não possa suprir em algumas semanas. Pode ser até mesmo lendo a imprensa tradicional, mas temperando com leitura de sites, blogs, conversa com amigos, interação em redes sociais.
Pensei na minha proposta de botequim ao ler os jornais desta segunda-feira. Nenhum deles dá qualquer destaque ao escândalo que dominou as redes sociais no domingo: Joaquim Barbosa infringiu a lei ao inscrever o imóvel funcional onde residia como sede de sua “corporação”, a Assas JB Corporation. Quer dizer, a Folha deu a notícia num cantinho tão escondido, ao final de uma nota sobre outro assunto, que não vale.
O Ministério do Planejamento informou que a regra é clara: segundo o inciso VII do artigo 8º da norma que rege as regras de ocupação de imóveis funcionais, esse tipo de propriedade só pode ser usado para “fins exclusivamente residenciais”.
O Brasil 247 estampou a manchete:
Tem mais coisa. O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Nino Toldo, declarou que “um ministro do STF, como qualquer magistrado, pode ser acionista ou cotista de empresa, mas não pode, em hipótese alguma, dirigi-la”. Toldo refere-se ao artigo 36 da Lei Complementar nº 35. “Essa lei aplica-se também aos ministros do STF. Portanto, o fato de um ministro desobedecê-la é extremamente grave e merece rigorosa apuração”, ressaltou.
O blogueiro Luis Nassif procurou a Controladoria Geral da União (CGU) para se informar sobre a gravidade da violação. A resposta foi taxativa.
De acordo com o Decreto no. 980/1993 (que regula a cessão de uso dos imóveis residenciais de propriedade da União), o permissionário (morador) tem o dever de destinar o imóvel para fins exclusivamente residenciais. Fosse um funcionário público comum, a atitude de Barbosa estaria sujeita a apuração e a penas que poderiam ir de advertência a demissão.
Nassif então faz uma denúncia duríssima contra a hipocrisia institucional no país, porque a iniciativa está em mãos de Roberto Gurgel, que por sua vez só age com autorização da grande mídia. É uma aliança espúria: Joaquim Barbosa, Roberto Gurgel e velha mídia.
Joaquim Barbosa não deu sorte. No mesmo domingo, o Globo publicou longa entrevista do presidente do STF com sua jornalista mais célebre, Miriam Leitão. A entrevista foi encomendada, notoriamente, para blindar Joaquim dos ataques que vem recebendo da “mídia subterrânea” e dos blogs “bandidos”, como ele se refere, delicadamente, a seus críticos.
A repercussão enorme da matéria publicada no Correio Braziliense acabou atrapalhando os planos da dupla Globo e Joaquim.
Entretanto, mesmo que não houvesse a matéria do Correio Braziliense, Joaquim estaria igualmente em maus lençóis pela repercussão negativa de sua entrevista. E por sua própria culpa. A entrevista de Barbosa é de um homem com delírios de paranoia. Como de praxe, esculhamba o Estado. O sujeito é tão doente que encerra a entrevista xingando o Itamaraty!
Ora, o Itamaraty de fato ficou conhecido pela falta de diplomatas negros, mas há dez anos instituiu cotas raciais, diferentemente do STF, cujo sistema de ingresso não tem nenhuma política de afirmação positiva. Barbosa parece ter prazer em desqualificar seu próprio país. Ele nem pode dizer que não sabia, porque seu próprio filho concorreu ao Itamaraty, mas faltou à entrevista final – preferiu aceitar o emprego que seu pai lhe arrumou, no programa do Luciano Huck, na Globo…
Todas as respostas de Barbosa são patéticas. O final, porém, é tão ridículo que parece uma gag de humor.
O senhor não passou no concurso?

Passei nas provas escritas, fui eliminado numa entrevista, algo que existia para eliminar indesejados. Sim, fui discriminado, mas me prestaram um favor. Todos os diplomatas gostariam de estar na posição que eu estou. Todos.
Que mediocridade! Quer dizer que ele encara o cargo de ministro no STF como uma “vingança” pessoal contra o fato de ter levado bomba na entrevista do Itamaraty? Ele acusa o Itamaraty de lhe ter discriminado, mas conhecendo Barbosa como o conhecemos agora, só posso bater palmas para o avaliador que o reprovou. Alguém consegue imaginar um homem desses, irascível, mal educado, truculento, agressivo, como um diplomata?
Leiam também o artigo que escrevi para o Tijolaço, sobre o mesmo tema.
*
O escândalo das propinas das empresas que construíram estações de metrô em São Paulo também não aparece em nenhum jornal. A Folha dá uma matéria no interior do caderno Cotidiano, sem mencionar nem uma vez os vocábulos PSDB ou Geraldo Alckmin. E o texto dá a entender, ridiculamente, que a empresa vai devolver o dinheiro superfaturado e tudo será perdoado. A matéria não tem chamada na primeira página, nem sequer na capa do caderno onde foi publicada, que já é pouco lido. Daqui a pouco a Folha estará publicando escândalos tucanos no meio dos Classificados, em fonte tamanho 5.
A mídia brasileira está se tornando uma verdadeira máquina de esconder escândalos de seus amigos. O que reforça a minha teoria de que o sujeito que lê apenas a imprensa tradicional acaba mais desinformado do que aquele que não lê nada. Porque este último, ao menos, escapa da manipulação.
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Reproduzo a íntegra da entrevista abaixo, para registro histórico:
Joaquim Barbosa: Brasil não está preparado para um presidente negro
Presidente do STF falou com exclusividade à colunista Míriam Leitão
Tópicos da matéria: Mensalão
RIO – Para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda há bolsões de intolerância racial não declarados no Brasil. Ele afirma não ser candidato e diz que seu nome tem aparecido com relevância em pesquisas eleitorais por causa de manifestações espontâneas da população. Segundo ele, que se define politicamente como alguém de inclinação social democrata à europeia, o Brasil precisa gastar melhor seus recursos públicos, com inúmeros setores que podem ser racionalizados ou diminuídos.
O senhor é candidato à presidente da República?

Não. Sou muito realista. Nunca pensei em me envolver em política. Não tenho laços com qualquer partido político. São manifestações espontâneas da população onde quer que eu vá. Pessoas que pedem para que eu me candidate e isso tem se traduzido em percentual de alguma relevância em pesquisas.

As pessoas ficaram com a impressão de que o senhor não cumprimentou a presidente.


Eu não só cumprimentei como conversei longamente com a presidente. Eu estava o tempo todo com ela.

O Brasil está preparado para um presidente da República negro?

Não. Porque acho que ainda há bolsões de intolerância muito fortes e não declarados no Brasil. No momento em que um candidato negro se apresente, esses bolsões se insurgirão de maneira violenta contra esse candidato. Já há sinais disso na mídia. As investidas da “Folha de S.Paulo” contra mim já são um sinal. A “Folha de S.Paulo” expôs meu filho, numa entrevista de emprego. No domingo passado, houve uma violação brutal da minha privacidade. O jornal se achou no direito de expor a compra de um imóvel modesto nos Estados Unidos. Tirei dinheiro da minha conta bancária, enviei o dinheiro por meios legais, previstos na legislação, declarei a compra no Imposto de Renda. Não vejo a mesma exposição da vida privada de pessoas altamente suspeitas da prática de crime.

Como pessoa pública, o senhor não está exposto a todo tipo de pergunta e dúvida dos jornalistas?

Há milhares de pessoas públicas no Brasil. No entanto os jornais não saem por aí expondo a vida privada dessas pessoas públicas. Pegue os últimos dez presidentes do Supremo Tribunal Federal e compare. É um erro achar que um jornal pode tudo. Os jornais e jornalistas têm limites. São esses limites que vêm sendo ultrapassados por força desse temor de que eu eventualmente me torne candidato.

Que partido representa mais o seu pensamento?

Eu sou um homem seguramente de inclinação social democrata à europeia.

Como ampliar o Estado para garantir direitos de quem esteve marginalizado, mas, ao mesmo tempo, controlar o controle do gasto público para manter a inflação baixa?

O primeiro passo é gastar bem. Saber gastar bem. O Brasil gasta muito mal. Quem conhece a máquina pública brasileira, sabe que há inúmeros setores que podem ser racionalizados, podem ser diminuídos.

O senhor disse que o Brasil está numa crise de representação política. O que quis dizer com isso?

Ela se traduz nessa insatisfação generalizada que nós assistimos nesses dois meses. Falta honestidade em pessoas com responsabilidade de vir a público e dizer que as coisas não estão funcionando.

Quando serão analisados os recursos dos réus do mensalão?

Dia primeiro de agosto eu vou anunciar a data precisa.

Eles serão presos?

Estou impedido de falar. Nos últimos meses, venho sendo objeto de ataques também por parte de uma mídia subterrânea, inclusive blogs anônimos. Só faço um alerta: a Constituição brasileira proíbe o anonimato, eu teria meios de, no momento devido, através do Judiciário, identificar quem são essas pessoas e quem as financia. Eu me permito o direito de aguardar o momento oportuno para desmascarar esses bandidos.

Por que o senhor tem uma relação tensa com a imprensa? O senhor chegou a falar para um jornalista que ele estava chafurdando no lixo.

É um personagem menor, não vale a pena, mas quando disse isso eu tinha em mente várias coisas que acho inaceitáveis. Por que eu vou levar a sério o trabalho de um jornalista que se encontra num conflito de interesses lá no Tribunal. Todos nós somos titulares de direitos, nenhum é de direitos absolutos, inclusive os jornalistas. Afora isso tenho relações fraternas, inúmeras com jornalistas.

A primeira vez que conversamos foi sobre ações afirmativas. Nem havia ainda as cotas. Hoje, o que se tem é que as cotas foram aprovadas por unanimidade pelo Supremo. O Brasil avançou?

Avançou. Inclusive, entre as inúmeras decisões progressistas que o Supremo tomou essa foi a que mais me surpreendeu. Eu jamais imaginei que tivéssemos uma decisão unânime.

Nos votos, vários ministros reconheceram a existência do racismo.
O que foi dito naquela sessão foi um momento único na história do Brasil. Ali estava o Estado reconhecendo aquilo que muita gente no Brasil ainda se recusa a reconhecer, e a ver o racismo nos diversos aspectos da vida brasileira.

Os negros são uma força emergente. Antes, faziam sucesso só nas artes e no futebol, mas, agora, eles estão se preparando para chegar nos postos de comando e sucesso em todas as áreas. Como a sociedade brasileira vai reagir?
Ainda não vejo essa ascensão dos negros como algo muito significativo. Há muito caminho pela frente. Ainda há setores em que os negros são completamente excluídos.

Como o Brasil supera isso?
Discutindo abertamente o problema. Não vejo nos meios de comunicação brasileiros uma discussão consistente e regular sobre essas questões.

Como superar a desigualdade racial, mantendo o que de melhor temos?
O que de melhor nós temos é a convivência amistosa superficial, mas, no momento em que o negro aspira a uma posição de comando, a intolerância aparece.

Como o senhor sentiu no carnaval tantas pessoas com a máscara do seu rosto?
Foi simpático, mas, nas estruturas sociais brasileiras, isso não traz mudanças. Reforça certos clichês.

Reforça? Por quê

Carnaval, samba, futebol. Os brasileiros se sentem confortáveis em associar os negros a essas atividades, mas há uma parcela, espero que pequena da sociedade, que não se sente confortável com um negro em outras posições.

O senhor foi discriminado no Itamaraty?
Discriminado eu sempre fui em todos os trabalhos, do momento em que comecei a galgar escalões. Nunca dei bola. Aprendi a conviver com isso e superar. O Itamaraty é uma das instituições mais discriminatórias do Brasil.

O senhor não passou no concurso?
Passei nas provas escritas, fui eliminado numa entrevista, algo que existia para eliminar indesejados. Sim, fui discriminado, mas me prestaram um favor. Todos os diplomatas gostariam de estar na posição que eu estou. Todos.

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