terça-feira, 31 de dezembro de 2013

“Controle do PSDB sobre a mídia atrasa julgamento do mensalão tucano”

31.12.2013
Do blog VI O MUNDO, 30.12.13
Por Lúcia Rodrigues, em Belo Horizonte*

Deputado que identificou valerioduto acusa irmã de Aécio de  comandar censura em Minas

A explicação para que o mensalão tucano e outros escândalos que envolvem políticos do partido não repercutam em Minas Gerais tem nome, segundo o deputado estadual Sávio Souza Cruz (PMDB-MG), líder do bloco Minas Sem Censura, na Assembleia Legislativa do Estado. Trata-se de Andréa Neves, irmã mais velha do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

O parlamentar se refere a ela como a “Goebbels das Alterosas”, em uma clara alusão ao ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels, que exercia forte controle sobre os meios de comunicação da Alemanha.

De acordo com Sávio, Andréa comanda o controle à mídia mineira com mão-de-ferro, para evitar que o irmão e políticos aliados sejam atingidos por notícias desfavoráveis.

Formada em jornalismo pela PUC Rio, Andréa integra desde 2003, quando Aécio assumiu o Executivo, o Grupo Técnico de Comunicação do Governo de Minas Gerais. O núcleo estratégico reúne representantes de empresas públicas e dos órgãos da administração direta, responsáveis pelas áreas de comunicação.

O deputado oposicionista relata que a maioria das empresas privadas sediadas em Minas está concentrada nas áreas de mineração, siderurgia e metalurgia, e que estas normalmente não são grandes anunciantes na imprensa local. Isso confere ao governo mineiro poder e controle sobre a mídia, por ter peso decisivo como anunciante preferencial.

Tudo dominado

É por isso que escândalos como o do mensalão tucano quase não reverberam nas páginas dos noticiários locais. Ao ser anunciante de destaque, o governo cuida de abafar o que o desfavorece. O controle exercido por Andréa evita que em Minas os tucanos apareçam de forma negativa na mídia.

Sávio tem esperança de que a situação se inverta, mas ressalta que a pressão exercida sobre os vários setores do Estado e da sociedade é praticamente total.

“Aqui tá tudo dominado… Produzimos um Aécinho Malvadeza. A Assembleia [Legislativa] está de joelhos. Se o governador mandar pra cá um projeto revogando a Lei da Gravidade, a Assembleia aprova. A imprensa, comprada, sempre disposta a publicar os releases da Andréa Neves. O nosso Ministério Público não denuncia os mal-feitos do governo. E o Tribunal de Contas se converteu em um tribunal do faz de contas”, denuncia.

Rompendo o esquema

Quando foi secretário de Administração do governo Itamar Franco, Sávio orientou o governador a romper todos os contratos com as empresas do publicitário Marcos Valério.

Itamar sucedeu Eduardo Azeredo, hoje réu no processo do mensalão tucano, que aguarda julgamento. O esquema teria sido montado para garantir a reeleição de Azeredo, em 1998, com o desvio de dinheiro de estatais minerais para as empresas de Marcos Valério.

O publicitário foi recentemente condenado no STF por envolvimento com o mensalão do Partido dos Trabalhadores, o esquema de caixa dois que o Supremo entendeu ser voltado para comprar votos no Congresso.

Quando assumiu o cargo no governo Itamar, Sávio diz ter percebido que as agências de publicidade de Valério serviam de fachada para o desvio do dinheiro público que abasteceu o mensalão tucano.

Sávio Souza Cruz ressalta que não foi difícil chegar à conclusão.

É que agências de publicidade recém formadas, às quais ele se refere como “portinholas”, tiveram crescimento extraordinário em pouco tempo.

Cita outros indícios, como declarações do então presidente da Copasa, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais, de que teria sido orientado a abastecer as empresas.

O deputado do bloco Minas Sem Censura destaca que quando Aécio Neves assumiu o governo do Estado, sucedendo Itamar Franco, deu um giro de 360 graus.

Os contratos com agências de publicidade, que haviam sido cancelados pelo antecessor, foram retomados.


Hoje o líder do bloco Minas Sem Censura critica a manobra que excluiu vários beneficiários do mensalão tucano dos processos que correm no STF e na Justiça estadual de Minas.

O senador do PSDB Aécio Neves foi um dos que se beneficiaram da decisão do Supremo Tribunal Federal.

Segundo o relatório da Polícia Federal, ele teria recebido R$ 110 mil no esquema de corrupção montado pelo partido.


Para o parlamentar, a pressão da sociedade é fundamental para que justiça seja feita no caso do mensalão tucano.

“Não tem nada mais injusto do que justiçar um lado”, afirma ao se referir à condenação dos réus no processo do mensalão petista.

Enquanto isso, o esquema original só deverá ser julgado no final de 2014 ou em 2015.
Ele espera que as redes sociais ajudem na cobrança por isonomia do STF.

Sávio exemplifica com o caso de Marcos Valério, operador dos dois esquemas de corrupção.

Por enquanto, foi condenado apenas na ação penal que envolveu representantes do Partido dos Trabalhadores.

“Fica essa situação para o Judiciário explicar”, frisa.


Segundo o deputado, o tratamento diferenciado do Supremo Tribunal Federal em relação aos dois mensalões se deve à influência exercida pelo PSDB sobre a mídia.

Casos parecidos são tratados com dois pesos, duas medidas, diz o peemedebista.


Sávio lamenta que outro esquema de corrupção promovido por tucanos de Minas Gerais não tenha resultado em punição, pelo menos até agora: o da Lista de Furnas.

O esquema, voltado para abastecer as campanhas do PSDB e do extinto PFL em 2002, teria tido início em 2000.

Dirigentes da estatal de energia elétrica Furnas são acusados de fazer pressão sobre fornecedores da empresa para arrancar doações que abasteceram o caixa de campanha.

A autenticidade da lista com a relação de doadores foi reconhecida em perícia da Polícia Federal.


Sávio não descarta a hipótese de que outro esquema de corrupção esteja em marcha em Minas Gerais.

Como não existe espaço para o contraditório na mídia do Estado fica muito difícil exercer a vigilância sobre quem governa, diz o líder do bloco Minas Sem Censura.


Acompanhe abaixo a íntegra da entrevista:


*A viagem da repórter Lúcia Rodrigues a Minas Gerais foi financiada pelos assinantes do Viomundo. Torne-se um deles clicando aqui.

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Desembargador humilha garçon e vai parar no YouTube

31.12.2013
Do blog CASINHAS AGRESTE INFORMA
Postado por Edmilson Arruda

Envolvido em uma confusão com um desembargador neste domingo (29) em uma padaria de Natal, o empresário Alexandre Azevedo, de 44 anos, vai entrar com uma representação contra o magistrado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A discussão, segundo Alexandre, foi iniciada depois que o desembargador Dilermando Motta (foto) destratou um garçom na padaria Mercatto, no bairro Lagoa Nova, na zona Sul da capital potiguar. Em nota, o magistrado negou que tenha desrespeitado o funcionário.

'Não sou herói, não quero ser herói. Apenas tomei uma atitude natural de um cidadão que se sentiu constrangido e indignado com a forma como ele tratou o garçom, humilhando um trabalhador', afirma o empresário, que aparece discutindo com o desembargador em vídeos publicados anonimamente por clientes nas redes sociais. No YouTube, um dos vídeos já tem mais de 60 mil acessos. 

Para Alexandre, houve abuso de autoridade por parte do magistrado.

Para vê o vídeo click AQUI

O empresário conta que o garçom deixou um copo na mesa onde o desembargador estava acompanhado pela família e saiu para atender outro cliente. Dilermando Motta, ainda segundo Alexandre, reclamou aos gritos que não havia sido colocado gelo em seu copo. O magistrado teria levantado e puxado o funcionário pelo ombro, exigindo ser tratado como Excelência e ameaçando quebrar um copo na cabeça do garçom.

Com informações Magno Martins

Casinhas Agreste
www.casinhasagreste.com.br
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Quem tem medo de mulheres negras de jaleco branco?

31.12.2013
Do portal da Agência Carta Maior, 30.12.13
Por Negro Belchior (*) 

Médicos, imprensa e Conselho Federal de Medicina, é para vocês a grande lição deixada pela estudante de medicina em Cuba, Cíntia Santos Cunha.
Divulgação
(*) Publicado originalmente no Blog Negro Belchior, em 29 de agosto de 2013.
 
“Eu já desde muito nova queria fazer Medicina… só que Medicina é um curso impensável para as pessoas de onde eu venho, para as pessoas como eu sou, negra, mulher, pobre, Capão Redondo. Ninguém sonha ser médico lá. Eu insisti que queria fazer medicina.” – Cintia Santos Cunha




Em seu texto sobre a polêmica dos médicos cubanos no Brasil e a reação de uma jornalista potiguar que escandalizou as redes sociais ao dizer que médicos cubanos pareciam “empregadas domésticas”, e que precisariam ter “postura de médico”, o que não acontecia com os profissionais cubanos, o professor Dennis de Oliveira sintetizou:
 
“(…) ela expressou claramente o que pensa parte significativa dos segmentos sociais dominantes e médios do Brasil: para eles, negros e negras são tolerados desde que em serviços subalternos. Esta é a “tolerância” racial brasileira.”
 
Essa mentalidade racista que sempre pressupôs o lugar do negro em nossa sociedade, contaminou milhares de jovens estudantes nas últimas muitas gerações. Isso somado ao descaso com a qualidade da educação pública faz com que, em sua grande maioria, jovens negros e/ou pobres sequer sonhem com universidades ou profissões “diferentes” daquelas nas quais percebem seus iguais.

HERDEIROS DE NINA RODRIGUES

A classe médica (e média) que hoje não se constrange em manifestar seu preconceito racial é herdeira de Nina Rodrigues. Racista confesso, o renomado médico baiano tentava dar cientificidade à sua tese sobre as raças inferiores.
 
Acreditava ele que os negros tinham capacidade mental limitada e uma tendência natural à criminalidade.

No final do século XIX, Nina Rodrigues combatia a miscigenação por acreditar que qualquer mistura poderia degenerar a raça superior branca. Mais ainda, defendia a existência de dois códigos penais: uma para os brancos e outro para as raças inferiores. Esses e outros absurdos podem ser observados em seu livro “As Raças Humanas e a Responsabilidade Penal no Brasil’.

A população negra perfaz mais de 50% da população brasileira, mas entre os formados em medicina o percentual foi de 2,66% em 2010. Na USP, por exemplo, são comuns listas de aprovados nos vestibulares mais concorridos sem sequer um único auto-declarado negro, como foi o caso deste ano de 2013. Isso se repete na Bahia, onde mais 70% da população é negra. Simbólica e triste a foto ao lado,que traz a turma de 2011 da Universidade Federal da Bahia.

A DECLARAÇÃO DE CÍNTIA, DO CAPÃO

Cintia Santos Cunha foi uma exceção. E ao a ouvi-la falar, ao perceber a postura de dignidade que todo ser humano pode – se quiser, carregar, independente de sua profissão, é possível entender o porquê de tanta oposição por parte das classes dominantes em relação à presença dos doutores de pele preta: a descoberta de sua mediocridade.

Médicos, imprensa e Conselho Federal de Medicina corporativistas, reacionários, cínicos e racistas, é para vocês a grande lição deixada pela estudante de medicina em CUBA, Cíntia Santos Cunha, que retornou a Ilha para concluir o curso em Fevereiro de 2014.

É do povo que vocês tem medo! E devem mesmo ter medo! Toda sua riqueza não é suficiente para compensar os mais de 500 anos de opressão.

Assistam e assustem-se!
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

GOVERNO BRASILEIRO CONDENA ATENTADOS NA RÚSSIA

30.12.2013
Do portal BRASIL247
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Terrorismo midiático fracassou em 2013

30.12.2013
Do blog ESQUERDOPATA

Guerra psicológica de 2013 terminou em fracasso

Ontem, em cadeia nacional de rádio e televisão, a presidente Dilma Rousseff fez um alerta; disse que a "guerra psicológica" que tenta infundir desânimo e pessimismo pode inibir investimentos e retardar o crescimento; na virada de 2012 para 2013, aconteceu um desses fenômenos, quando os jornais Folha e Globo tentaram convencer a opinião pública que havia risco iminente de racionamento de energia elétrica; nesta segunda-feira, o jornal Valor Econômico, que pertence aos grupos Globo e Folha, informa que a expansão do sistema elétrico em 2013 foi a maior em três anos.

247 - Ontem, em cadeia nacional de rádio e televisão, o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff teve seu ponto alto, destacado nas manchetes desta segunda-feira, quando ela fez um alerta. "Se alguns setores, seja porque motivo for, instilarem desconfiança, especialmente desconfiança injustificada, isso é muito ruim. A guerra psicológica pode inibir investimentos e retardar iniciativas", disse ela (leia mais aqui).

Na virada de 2012 para 2013, um fenômeno desse tipo aconteceu e foi liderado por dois jornais brasileiros: o Globo e a Folha de S. Paulo. Ambos fizeram de tudo para convencer a opinião pública, em suas manchetes e nas colunas de seus articulistas, que o Brasil vivia o risco iminente de enfrentar um novo apagão. Na Folha, era Eliane Cantanhêde quem noticiava o inexistente apagão. No Globo, "informava-se" que grandes indústrias estariam racionando energia.

Termina o ano e, como todos sabem, não houve apagão.

Mas o mais interessante é ler uma notícia no jornal Valor Econômico, joint-venture dos grupos Globo e Folha, publicada nesta segunda-feira. Segundo a publicação, a expansão do setor elétrico em 2013 foi a maior dos últimos três anos, com a adição de 5.795 megawatts ao sistema (leia mais aqui).

Foram novas hidrelétricas, térmicas, usinas eólicas e projetos com fontes alternativas, como a biomassa. O número de 2013 representa grande crescimento em relação aos 3.982 megawatts de 2012 e os 4.199 megawatts de 2011.

Ou seja: em 2014, a despeito da "guerra psicológica", não faltará energia para quem estiver disposto a investir no Brasil.
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Eduardo Campos deixará o Governo de Pernambuco no dia 4 de abril

30.12.2013
Do BLOG DE JAMILDO
Postado por Paulo Veras

Foto: José Cruz/ABr
Pré-candidato à Presidência da República, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), anunciou, na manhã desta segunda-feira (30), que deixará o Governo do Estado no dia 4 de abril, último dia do prazo para se desincompatibilizar do cargo antes de disputar as eleições de 2014.
"Vamos ficar até o prazo estabelecido pela Lei Eleitoral. A lei exige um prazo de desincompatibilização para aqueles que serão candidatos às eleições. Vou ficar no governo até o prazo legal, que é dia 4 de abril", afirmou em entrevista à Rádio Cultura Palmares, no município de Palmares, na Mata Sul pernambucana.
O Governo do Estado entregou 707 casas na cidade, que fica a 128 quilômetros do Recife, na manhã desta segunda.
Leia também: 
Durante a entrevista, Campos minimizou ainda o impacto que o desconhecimento do seu nome pode ter nas eleições de 2014.
"Temos a clareza de que neste País de dimensões continentais, que é muito grande, nós ainda temos um desconhecimento muito grande. Eu sou conhecido em Pernambuco, mas fora de Pernambuco nós só vamos vencer esse desconhecimento quando o debate da TV e do rádio for iniciado", disse o governador, que acredita que haverá tempo de percorrer todo o Brasil na campanha eleitoral.
Pesquisa divulgada pelo Ibope em outubro deste ano aponta que o pernambucano ainda é desconhecido por quase metade do eleitorado nacional.
"Até o tempo que a legislação determina, vou estar em Pernambuco cuidando da minha tarefa, que é cuidar da segurança, da educação, da saúde, do saneamento, atraindo empresas para a geração de empregos. Esse é o meu dia-a-dia, que faço com grande ânimo e determinação", afirmou sobre o comando do executivo estadual.
Dentro do PSB, a candaditura do governador à Presidência é tida como irreversível desde que ele conseguiu o apoio da ex-senadora Marina Silva, em outubro deste ano.
"Vamos entrar em 2014 para ganhar 2014, com muito trabalho, ânimo e fé no futuro. Por isso, um feliz ano de 2014 para todas as famílias e que a gente possa tornar realidade os nossos sonhos", falou animado, após garantir que ganhou 2013.
Campos deve disputar o comando do País contra a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), da qual era aliado até setembro deste ano, quando o PSB entregou os cargos que possuia no Governo Federal.
Andrea Rego Barros/PCR
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Máfia dos cemitérios: preso primeiro suspeito por venda ilegal de túmulos

30.12.2013
Do portal do DIÁRIO DE PERNAMBUCO

 (Blenda Souto Maior/DP/D.A Pres)
Fernando "Sardinha" foi preso por volta das 6h30, enquanto visitava túmulo de familiares, no Cemitério de Santo Amaro, no Recife

Foi preso, na manhã desta segunda-feira (30), no interior do Cemitério de Santo Amaro, Fernando Alves da Silva, de 63 anos, conhecido como "Fernando Sardinha". O homem é suspeito de envolvimento direto na chamada "Máfia dos cemitérios", um esquema ilegal de venda e locação de túmulos administrados por irmandades religiosas que atuam no Cemiério de Santo Amaro. A polícia cumpriu o primeiro de dois mandados de prisão preventiva por estelionato, emitidos pelo juiz Eraldo José, neste final de semana.
A investigação, liderada pelo delegado Adelson Barbosa, teve início há três meses, depois de denúncias de preços superfaturados de túmulos religiosos, aos quais a população recorre quando há suposta falta de vagas no cemitério. O preço de um túmulo comum em Santo Amaro, por exemplo, custa R$ 78,80 mais uma taxa de R$ 38,80, enquanto as irmandades cobram cerca de R$ 300. A polícia deu conta, no entanto, que intermediadores da negociação cobravam até R$ 1 mil das famílias dos falecidos, que, por vezes, continuavam pagando pelo espaço sem saber que os ossos de seus parentes eram substituídos após determinado tempo. Por isso, seis funerárias estão sendo investigadas, além de membros das irmandades - hoje com intervenção decretada pela Arquidiocese de Olinda e Recife -, incluindo padres.
Até o momento, 40 pessoas foram ouvidas pelas equipes policiais. O segundo homem com mandado de prisão decretado contra si ainda não foi localizado.
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50 anos de golpe: o que faremos sobre isso em 2014?

30.12.2013
Do blog TIJOLAÇO, 29.12.13
Por Miguel do Rosário

jango
Em 2014, o Brasil viverá a mais dolorosa efeméride de sua história: 50 anos do golpe de Estado.
O que está sendo preparado pelo governo, pelos partidos, pelas organizações civis e pela mídia para que o passado não seja esquecido?
A coincidência com ano eleitoral, Copa do Mundo, e prováveis protestos de rua, nos dá a chance de forçarmos o Brasil a fazer o que até hoje nunca fez: politizar o debate sobre o golpe de 64. Por que ele aconteceu? Quem se beneficiou? Quem são os herdeiros do golpe?
Seria um belíssimo presente à democracia brasileira, por exemplo, se a Lei da Anistia fosse revista. Não para prender velhinhos, mas para darmos uma satisfação política a nós mesmos, enquanto povo.
Não se anistia tortura. Não se anistia golpe.
Sobretudo, é preciso lembrar à sociedade que o que vivemos não foi nenhuma “ditabranda”. Vivemos um período de ruptura democrática, truculento e sinistro, que abortou o sonho de milhões de brasileiros. O golpe serviu para ampliar a desigualdade de renda, achatar o salário dos trabalhadores, e esmagar as esperanças de setores organizados de construir um país mais justo.
Não há nada de brando no esmagamento do sonho de centenas de milhões de cidadãos e na violação da normalidade democrática, com a instalação de um regime militar de exceção que, paulatinamente, aniquilou todas as liberdades no país.
Não há nada de brando na ruptura brutal de toda uma série de estudos e pesquisas acadêmicas e científicas em curso no país, nas universidades, quase todas abandonadas por causa de uma repressão estúpida e paranóica.
O Brasil, especialmente a nossa juventude, precisa ser melhor informado sobre o que aconteceu. A ditadura trouxe corrupção, miséria e degradação institucional. A origem do sucateamento dos serviços públicos está na ditadura. O problema da corrupção política também tem raízes no período de exceção, porque era um tempo sem liberdade de imprensa, sem instituições de controle e com chefes políticos exercendo cargos administrativos importantes de maneira quase totalitária. Quem ousaria acusar o diretor de uma estatal de corrupção, sendo o mesmo um coronel ou general com poder de mandar prender o acusador por “subversão”?
Precisamos conhecer melhor a história da construção do golpe. Como ele foi gestado, como foi a campanha midiática que o preparou? As passeatas que antecederam o golpe também merecem ser objeto de mais estudo, até porque a mídia, a mesma mídia que apoiou o golpe, prossegue até hoje tentando organizar protestos “espontâneos” para derrubar forças populares.
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Schumacher está 'lutando pela vida', dizem médicos

30.12.2013
Do portal BBC BRASIL

A equipe médica que está cuidando do ex-piloto de Fórmula 1 Michael Schumacher informou nesta segunda-feira que ele está "lutando pela vida" após o acidente de esqui que sofreu no domingo, nos Alpes Franceses.
Michael Schumacher (Arquivo/PA)
Michael Schumacher esquiava acompanhado do filho de 14 anos
O alemão de 44 anos, internado em um hospital na cidade francesa de Grenoble, foi colocado em coma induzido após uma operação para tratar uma lesão que sofreu na cabeça ao batê-la em uma pedra no acidente, ocorrido no resorte de Maribel.
O anestesiologista Jean-François Payen, responsável pela UTI do hospital, disse a jornalistas que se Schumacher não estivesse usando um capacete "não teria sobrevivido".
"Tivemos de operá-lo às pressas para aliviar a pressão na cabeça", disse ele. “Nós não podemos prever o futuro de Michael Schumacher”
“Ele está um estado crítico em termos de ressuscitação cerebral.”

Contorções

O neurocirurgião Stephan Chabardes disse ainda que exames pós-operatórios acusaram lesões em ambas as partes do cérebro de Schumacher.
Segundo ele, o ex-piloto chegou ao hospital no domingo em um estado agitado, com contorções incontroláveis, e piorou rapidamente.
Payen ressaltou que Schumacher não estaria vivo se não tivesse usado um capacete enquanto estava esquiando.
“Dada a violência do impacto, o capacete em parte o protegeu. Se alguém tem esse tipo de acidente sem um acidente, certamente não estaria aqui (vivo)”, disse.
No domingo, o hospital já havia emitido uma nota confirmando que Schumacher sofrera “traumatismo cerebral grave”.
"O senhor Schumacher foi admitido ao Hospital da Universidade de Grenoble às 12h40 (horário local) depois de um acidente de esqui que ocorreu em Meribel, no final da manhã. Ele sofreu um ferimento grave na cabeça e estava em coma ao chegar, o que exigiu uma intervenção neurocirúrgica imediata. Ele permanece em estado crítico", informou o hospital.
O hospital não deu mais informações e, segundo a agência de notícias Reuters, um novo boletim deve ser divulgado nesta segunda-feira.

Caminhando

Schumacher estava esquiando com o filho de 14 anos nos Alpes Franceses quando o acidente ocorreu.
De acordo com o diretor do resort de esqui perto de Meribel, Christophe Gernignon-Lecomte, dois patrulheiros do resort atenderam Schumacher e chamaram um helicóptero para levá-lo ao hospital mais próximo, na cidade de Moutiers. Apenas depois de passar pelo hospital da cidade, ele foi levado para Grenoble.
As primeiras informações afirmavam que o estado dele não era grave, e Schumacher teria caminhado logo após o acidente afirmando que estava apenas um pouco abalado.
O correspondente da BBC em Paris Hugh Schofield informou que especialistas afirmaram que é provavel que o cérebro de Schumacher começou a inchar e a cirurgia urgente teria sido realizada para aliviar a pressão.
A esposa, Corinna, e os dois filhos estão com ele.
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ESTUPROS: Por que a Índia trata tão mal suas mulheres?

30.12.2013
Do portal BBC BRASIL
Por Soutik Biswas
BBC, Nova Déli, Índia

Protesto na Índia. Reuters
Cerca de 24 mil mulheres foram estupradas na Ìndia só em 2011

Muitos a chamaram de “coração valente” ou “filha da Índia”. Mais do que motivar uma onda de orações e protestos em todo o país, a estudante de 23 anos morta no sábado após ser estuprada por seis homens em um ônibus em Nova Déli fez o país se perguntar: “Por que a Índia trata tão mal as suas mulheres?”.

No país, não são raros os casos de aborto de fetos femininos, assim como os de assassinato de meninas recém-nascidas. A prática levou a um assombroso desequilíbrio numérico entre gêneros no país.

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As que sobrevivem enfrentam discriminação, preconceito, violência e negligência ao longo da vida, sejam solteiras ou casadas.

TrustLaw, uma organização vinculada à fundação Thomson Reuters, qualificou a Índia como o pior lugar para se nascer mulher em todo o mundo.

E isso se dá em um país no qual a líder do partido do governo, a presidente da Câmara de Deputados, três importantes ministras e muitos ícones dos esportes e dos negócios são mulheres.

Crimes em alta

Apesar do papel mais importante desempenhado pelas mulheres no país, crimes de gênero estão em alta na Índia. Em 2011 foram registrados 24 mil casos de estupro – 17% só na capital, Nova Déli. O número é 9,2% maior do que no ano anterior.

Segundo os registros policiais, em 94% dos casos os agressores conheciam as vítimas. Um terço desses eram vizinhos. Parte considerável era de familiares.

E não se tratam apenas de estupros. Segundo a policía, o número de sequestros de mulheres aumentou 19,4% em 2011 (em relação ao ano anterior). O aumento dos casos assassinato foi de 2,7%, nos de torturas, 5,4%, nos de assédio sexual, 5,8%, e nos de violência física, 122%.

Discriminação mortal

Protesto na Índia. Reuters
Protestos contra o estupro da jovem indiana se espalharam por todo o país.

Segundo Amartya Sen, prêmio Nobel de Economia de 1998, mais de 100 milhões de mulheres desapareceram ou foram mortas em todo o mundo vítimas da discriminação.

De acordo com os cálculos dos economistas Siwan Anderson e Debraj Ray, mais de dois milhões de indianas morrem a cada ano: cerca de 12% ao nascer, 25% na infancia, 18% em idade reprodutiva e 45% já adultas.

O estudo mostrou que mais mulheres morrem na Índia por ferimentos do que por complicações no parto. E esses ferimentos seriam um indicador da violência de gênero.

Outro dado estarrecedor é o de 100 mil mulheres mortas por queimaduras. Segundo os dois economistas, boa parte delas são vítimas de violência relacionada ao pagamento de dotes matrimoniais. Não raro, os agressores queimam as mulheres.

Sociedade patriarcal

Para os analistas, é preciso uma mudança estrutural nas atitudes da sociedade para que as mulheres sejam mais aceitas e tenham mais segurança na Índia.

O preconceito de gênero é reflexo de uma sociedade de tradição patriarcal, ainda mais forte no norte do país.

Para os manifestantes que saíram às ruas após o estupro da jovem estudante de medicina, os políticos, inclusive o primeiro-ministro Manmohan Singh, não são sinceros quando prometem leis mais duras contra a violência de gênero.

Eles ainda questionam o fato de que 27 candidatos nas últimas eleições regionais eram acusados de estupro. Além disso, seis deputados respondem pelas mesmas acusações. Como crer, então, na classe política?

Ainda é cedo para saber se o governo realmente concretizará suas promessas de leis mais duras e julgamentos mais ágeis em casos de estupro. Os protestos em Nova Déli, no entanto, parecem trazer alguma esperança de que algo poderá mudar, para o bem das mulheres indianas.
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