quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Pizza na CPI foi a gota d’água

26.12.2012
Do BLOG DA CIDADANIA, 19.12.12
Por Eduardo Guimarães

A CPI do Cachoeira terminou em pizza, segundo os petistas e seus aliados membros da Comissão. E eles estão mais do que certos. PMDB e PSDB fizeram uma negociata que gerou a revoltante impunidade daquele que pode ser considerado o sócio oculto do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o governador de Goiás, Marconi Perillo.
Seria ocioso repisar, detalhadamente, o envolvimento escandaloso de um governador de Estado com um criminoso como Cachoeira. A profusão de fatos que comprovam a sociedade entre o tucano e o bicheiro é por todos conhecida, mas, para não passar em branco, vamos a alguns desses fatos.
  • A Polícia Federal captou conversas entre o governador e o bicheiro em que marcavam 
reuniões e confraternizavam.


  • Perillo e Cachoeira transacionaram um imóvel de alto valor com pagamento adicional 
“por fora”.


  • A Polícia Federal captou conversas de membros da quadrilha afirmando que Perillo 
  • nomearia pessoas para cargos no governo de Goiás e essas nomeações aconteceram.

  • Comprovou-se entrega de altas somas por emissários de Cachoeira no Palácio do 
governador tucano.
Isso não é tudo, mas deveria ser o suficiente para qualquer cidadão decente se indignar com a união entre PSDB e PMDB na CPI para proteger o quadrilheiro que governa Goiás e o empreiteiro Fernando Cavendish, da cota peemedebista. Contudo, os que trabalham pela impunidade do governador e do empreiteiro perderam qualquer traço de vergonha na cara.
Pode-se dizer, portanto, que o esquema criminoso em Goiás sobreviveu, pois um dos seus dois chefes não só não terá que responder por seus crimes como continua no comando de uma administração pública infestada de corruptos.
Enquanto isso, o Ministério Público não apresenta conclusão alguma sobre o inquérito que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, só abriu contra Perillo porque este pediu (!?), apesar de tudo que foi enumerado acima.
A isso, soma-se o engavetamento, pelo mesmo Gurgel, de investigação da Polícia Federal que terminou com a prisão de Cachoeira e o desmonte parcial de seu esquema criminoso, sem que, até hoje, o procurador-geral tenha dado qualquer explicação para sua omissão em instalar a investigação.
E nem vamos falar da Privataria Tucana, da lista de Furnas, do envolvimento de Policarpo Jr., da Veja, com o esquema Cachoeira e outros escândalos recheados de provas que o Ministério Público e o Legislativo acobertam.
Vai muito mal, o Brasil. Enquanto uns são acobertados e ainda tripudiam sobre as leis e o Direito, outros são condenados à prisão sem provas, com base em suposições. O Judiciário afronta o Legislativo usurpando sua competência, o Ministério Público atua de forma nitidamente partidária, poupando uns e acusando outros.
O governo Dilma, por sua vez, age como se não fosse com ele. Não trabalha pela regulação da comunicação e não exerce o seu direito de protestar contra a impunidade dos adversários políticos e a politização do Ministério Público e do Judiciário, gerando, assim, ao menos um fato político.
Isso sem falar na nomeação de procuradores-gerais e juízes do STF tendenciosos pela presidente da República, o que gera temor de que ela pode continuar nomeando de olhos fechados.
Os resultados políticos desse “pragmatismo” da presidente e do seu partido está sendo a destruição do Estado de Direito e a solidificação da corrupção no Brasil, com a solidificação de uma classe de inimputáveis que pode roubar à vontade com o beneplácito do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.
Enquanto cidadãos como este que escreve se expõem à sanha de pistoleiros das quadrilhas que aprisionaram parte do Estado ao promoverem ações na Justiça, manifestações etc., o governo fica de quatro, com a língua de fora, esperando um chamado da imprensa aliada ao crime organizado para lhe dar gostosas e sorridentes entrevistas.
O Brasil, pois, precisa de um líder político corajoso. Sem reação, a direita midiática retomará o poder e dele não sairá nunca mais, pois, nessa batida, todo aquele que se opõe frontalmente será acusado e condenado sem provas.
Não se esqueça, leitor, de que venho anunciando há anos o golpismo que poucos governistas negam hoje. Diziam que “não havia clima” para golpe. Quando eu dizia que havia outras formas de golpear a democracia, esgrimiam com as pesquisas. Ora, de que adianta pesquisa e voto se o político não puder disputar eleição ou se, eleito, for apeado do cargo?
Era para o PT estar levando sua militância às ruas, a presidente estar discursando contra a impunidade dos adversários e condenação sem provas de seus aliados, mas não. O partido se limita a declarações soltas, alguns comunicados que não geram consequências pela timidez e a presidente nem abre a boca.
O que é que estamos fazendo aqui, então? De que adianta nos expormos dessa forma se o governo e o partido do governo não ecoam a indignação de milhares de pessoas que todos já viram nesta página clamando por reação?
Este blogueiro gasta dinheiro que não tem para manter um blog e um movimento social, fazer intermináveis ligações telefônicas, viagens para participar de seminários, lidera ações concretas, interrompe sua atividade profissional remunerada, expõe-se até a ameaças de violência física… E tudo isso para quê?
O PT e seus aliados entre movimentos sociais, sindicatos etc., bem como o governo, teriam meios de reagir. Com o concurso das principais lideranças petistas, sobretudo Lula e Dilma, poderíamos denunciar que está surgindo no Brasil um grupo político inimputável, que pode roubar descaradamente, à vista de todos, e nada acontece.
O que está acontecendo é a ponta do iceberg. Em 2014, a direita midiática completará 12 anos fora do poder e não aceitará que sejam 16. Que Dilma e Lula não se enganem: serão impedidos de disputar a próxima eleição. E se o PT e o governo não se mexerem a partir de agora, que não contem comigo quando o circo pegar fogo.
*
Veja, abaixo, como votaram os senadores e deputados federais sobre o relatório final da CPI do Cachoeira.
Senadores
A favor
Jorge Viana (PT-AC)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Pedro Taques (PDT-MT)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Aníbal Diniz (PT-AC)
João Costa (PPL-TO)
Randolfe Rodrigues (PSOL-AP)
Contra:
Sérgio Petecão (PSD-AC)
Sérgio Souza (PMDB-PR)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Ivo Cassol (PP-RO)
Jayme Campos (DEM-MT)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP)
Marco Antonio Costa (PSD-TO)
—–
Deputados
A favor
Cândido Vacarezza (PT-SP)
Odair Cunha (PT-MG)
Paulo Teixeira (PT-MG)
Íris de Araújo (PMDB-GO)
Ônix Lorenzini (DEM-RS)
Glauber Braga (PSB-RJ)
Miro Teixeira (PDT-RJ)
Rubens Bueno (PPS-PR)
Jô Moraes (PCdoB-MG)
Contra
Luiz Pitiman (PMDB-DF)
Carlos Sampaio (PSDB-SP)
Domingos Sávio (PSDB-MG)
Gladson Cameli (PP-AC)
Maurício Quintela Lessa (PR-AL)
Sílvio Costa (PTB-PE)
Filipe Pereira (PSC-RJ)
Armando Vergílio (PSD-GO)
César Halum (PSD-TO)

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2012/12/pizza-na-cpi-foi-a-gota-dagua/

Tucanos e imprensa atacam, mas Lula e Dilma têm como reagir

26.12.2012
Do blog PALAVRA LIVRE
Por Davis Sena Filho 


         Primeiro, a imprensa de mercado resolveu taxar o caso do “mensalão” como o “maior escândalo de corrupção da história do Brasil”. O que é uma mentira, sobremaneira. Escândalos de corrupção como o do Banestado, do bicheiro Carlinhos Cachoeira e, sobretudo, o da Privataria Tucana são, por si só, muito maiores, no que diz respeito ao volume de dinheiro desviado, bem como o número de pessoas consideradas importantes na sociedade, tanto na esfera pública quanto na privada.
         Os porta-vozes do PSDB, os barões da imprensa, assumiram, de fato, a oposição ao Governo trabalhista e perceberam que, por intermédio do “mensalão” — o do PT — teriam um trunfo para usar como instrumento para combater politicamente o PT e principalmente o ex-presidente Lula e por isso, desde 2005, nunca arrefeceram um milímetro sequer sobre o caso, o que, inquestionavelmente, serviu de manchetes no decorrer de sete anos
         Afinal é o único trunfo da direita brasileira, que, concomitantemente, “esqueceu-se” do mensalão original — o do PSDB —, da famosa lista de Furnas e do banqueiro Daniel Dantas, aquele que foi preso duas vezes e por duas vezes beneficiado com dois habeas corpus concedidos, em 48 horas, pelo condestável juiz Gilmar Mendes. Um recorde mundial que deveria ser reconhecido pelo Guinnes Book.
         Contudo, a questão não é essa. O que está, realmente, em jogo é a eleição de 2014 e para isso a direita, os conservadores precisam, antes de tudo, enlamear os nomes de políticos ou de autoridades do PT, como, por exemplo, personalidades históricas do partido, a exemplo de José Dirceu e José Genoíno, pessoas que militam no campo da esquerda e que participaram da luta armada, bem como cooperaram, efetivamente, com a luta política, nas últimas três décadas, para que o maior líder político e trabalhista deste País e reconhecido internacionalmente conquistasse a cadeira da Presidência da República.
         A direita não tem voto suficiente para vencer as próximas eleições presidenciais. Não tem como, por causa dos altos índices de aprovação da presidenta Dilma Rousseff e do mentor de sua candidatura, o ex-presidente Lula, que, em um processo raro de acontecer na política, transferiu dezenas de milhões de votos para a candidata do trabalhismo, palavra esta que, desde os tempos de Getúlio Vargas, causa mal-estar, urticárias e extrema irritação àqueles que, sobremaneira, sabem que os trabalhistas tem voto, pois historicamente apresentam ao povo e colocam em prática seu programa de Governo e projeto de País, coisa que a direita reacionária, rancorosa, violenta, preconceituosa e elitista nunca teve, não tem e jamais terá. Porque a direita é o que é, como o escorpião sempre vai ser escorpião. Ponto.
         Entretanto, o que mais me chamou a atenção nesse processo draconiano é que no julgamento do “mensalão” a imprensa corporativa e privada deixou claro que seu alvo, mais do que o ex-ministro José Dirceu, é o presidente Lula. Os sintomas sobre o que afirmo são evidentes, e, sem sombra de dúvida, efetivou-se nos jornais conservadores no caso dos irmãos Vieira e da Rosemary Noronha, funcionários de terceiro escalão e que cometeram malfeitos para amealharem vantagens monetárias e até mesmo, ridiculamente, ser agraciada, no caso de Rosemary, com bilhetes para ter acesso, gratuitamente, a shows.
         Os barões da imprensa e seus asseclas que fazem o papel da oposição partidária (PSDB, DEM e PPS) superdimensionaram esses acontecimentos com a finalidade de atingir o único líder brasileiro de prestígio internacional e que está com os braços cansados de tanto receber de entidades, de órgãos diversos, de universidades e, sobretudo, dos governos troféus, comendas e homenagens por sua atuação como presidente de República, que efetivou ações que revolucionaram o Brasil em todos os sentidos e segmentos da sociedade e da economia. Os números e índices econômicos e sociais estão aí para quem duvida ou simplesmente quer saber. Basta acessar o sítio do Ministério da Fazenda e de todas as estatais que estão envolvidas com o desenvolvimento do Brasil. Ponto.
         A direita é esperta e não dá ponto sem nó. De forma alguma. Afinal, os donos dos meios de produção e seus representantes no Governo, no Congresso, no Judiciário e a imprensa burguesa dominaram o poder central a maior parte do tempo nesses cinco séculos de história do Brasil. Para fazer o contraponto aos trabalhistas, esses setores apostam na escandalização do processo político, bem como em sua criminalização, enquanto o Judiciário fica a cargo, obviamente, da judicialização.
         Além disso, a imprensa historicamente golpista se encarrega de dar voz a esses segmentos de poder, bem como desqualificar os a política e os políticos que são eleitos pela população. Certamente, existem políticos corruptos. Todo segmento social os têm, inclusive a imprensa, como ficou evidente no caso do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que, na verdade, atuava como editor e pauteiro da “Época” e principalmente da “Veja”, que tiveram seus editores-chefes, em Brasília, gravados pela Polícia Federal, que considerou que tais jornalistas estavam envolvidos com malfeitos e até mesmo com as sucessivas tentativas de derrubar mandatários.
Autoridades eleitas como o governador do DF, Agnelo Queiroz. Cachoeira, seus espiões e os editores das revistas boicotaram ou sabotaram o Governo trabalhista de Dilma Rosusseff, que demitiu ministros sem culpa no cartório, a exemplo do ministro dos Esportes, Orlando Silva. Uma sucessão de crimes, conforme a PF e a CPMI do Cachoeira, que não deu em nada, porque o deputado petista, Odair Cunha, amarelou, colocou o saco na viola e todos os envolvidos com os supostos crimes, inclusive o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, correram para abraçar a galera. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.
Todavia, a verdade é que os tucanos estão divididos, mas os ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso, lançou o senador Aécio Neves à Presidência. FHC — o Neoliberal — vendeu o Brasil, mas sabe que vencer Dilma Rousseff vai ser muito difícil. Para isso, ele entendeu que antecipar a corrida presidencial é necessário porque Aécio Neves é desconhecido da maioria da população. Além do mais, Fernando Henrique e os barões da imprensa paulista sabem muito bem que apesar do estardalhaço das manchetes sobre o “mensalão” o PT não deixou de conquistar as principais prefeituras do País, inclusive a de São Paulo. 
Mais do que isso, os petistas vão governar um número maior de cidadãos brasileiros. A direita sabe disso, apenas não publica e não mostra na televisão. Por isso, a tentativa de popularizar o nome de Aécio Neves, pessoa mais conhecida por suas peripécias deplayboy do que propriamente por ser um político preocupado com o desenvolvimento do Brasil e do povo brasileiro. O PSDB, a direita em geral e a imprensa de mercado se recusam a pensar o Brasil. A verdade é que essa gente se preocupa mesmo com seus interesses pecuniários e em manter o status quo garantido pelo establishmenta ferro e a fogo, até mesmo pela força das armas, como ocorre nas invasões dos países ricos nas terras dos países pobres.
O trabalhista Lula, tal qual à direita, sabe também como a banda toca nesses pagos tropicais. Por isso, o fundador da CUT e do PT acenou com a reedição das Caravanas da Cidadania. Todos nós sabemos e também compreendemos — se não formos tão reacionários no diz respeito à verdade e à realidade —, que para enfrentar campanha sistemática tão insidiosa e repetidas vezes infame do sistema midiático capitalista é necessário fazer o contraponto, ou seja, estabelecer parâmetros para que se possa enfrentar a propaganda negativa irradiada pela direita herdeira da escravidão. E a propaganda em prol de Lula, de Dilma e do PT e exatamente as realizações e as conquistas de seus governos democráticos e republicanos, que jamais, em hipótese alguma, mandaram as forças de segurança bater nos trabalhadores, organizados ou não. Ponto.
E como fazer com que as informações sobre as realizações dos governos trabalhistas cheguem as ouvidos e aos olhos do povo? Por intermédio de propaganda governamental no próprio sistema midiático privado, bem como pelas Caravanas da Cidadania, que permitirão que o presidente Lula fale diretamente com a população, de município em município e, dessa maneira, explicar o que está a acontecer no âmbito de Brasília onde o PT e o Governo trabalhista e próprio Lula travam uma luta sem trégua levada à cabo pelos órgãos estatais e privados de supremacia e hegemonia retratados no STF, na PGR e na imprensa alienígena, que nunca teve, não tem e nunca terá compromisso com o Brasil e seu povo.
CARAVANAS DA CIDADANIA: CONTATO COM O POVO E EXPLICAR OS FATOS.
 É assim, meu caro, que a banda toca. Lula compreende o que está a acontecer neste País. Quem conhece a história do Brasil também sabe o que está a acontecer e o que tem de fazer para impedir a concretização de um golpe de estado de direita. Afinal, conhecemos a história do grande presidente trabalhista João Goular, que quando anunciou as reformas de base sacramentou, inclusive, a sua morte, porque somente permitiram que ele entrasse no Brasil dentro de um caixão, no ano de 1976.
Sobre Getúlio, não é necessário comentar, afinal todos sabemos o que a direita entreguista e golpista fez com o estadista gaúcho que é o criador do Brasil moderno. Que leia a história quem duvida. Todavia, ressalto que não seria de bom alvitre ler a história do Brasil por intermédio das cabeças “pensantes” dos golpistas de direita aboletados no Instituto Millenium. Seria, digamos, um contrassenso; na verdade uma inenarrável estupidez.
A direita está desesperada, e o desespero leva à violência e à quebra da legalidade constitucional e da estabilidade institucional. E é exatamente isto que os conservadores desejam e querem. Só que o Brasil não é Honduras ou o Paraguai. Lula sabe disso, bem como a sociedade civil organizada que o apoia. Realidade que Jango e Getúlio não vivenciaram, infelizmente. A esquerda tem de reagir. O PT também. O estado democrático de direito não comporta arroubos anticonstitucionais. Os juízes do STF e o procurador-geral da República têm de serem eleitos e com mandatos de oitos anos, como os senadores. “A burguesia fede. A burguesia quer ficar rica. Enquanto houver burguesia, não haverá alegria” (Cazuza). É isso aí.

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Fonte:http://www.davissenafilho.blogspot.com.br/2012/12/tucanos-e-imprensa-atacam-mas-lula-e.html

COIMBRA: OS AUTORITÁRIOS DE HOJE. O FUX, POR EXEMPLO

26.12.2012
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Talvez por desconhecer de onde vêm as ideias que professa, Fux – e os que se parecem com ele – acredita estar sendo “novo”

Saiu na Carta Capital: 

OS AUTORITÁRIOS DE HOJE


O pensamento autoritário já viveu dias melhores no Brasil. Sua credibilidade já foi maior, e -suas ideias, mais consistentes. Seus -formuladores, mais respeitados e maior sua influência na vida nacional.

Se compararmos Oliveira Vianna, Azevedo Amaral, Alberto Torres e Francisco Campos, seus principais expoentes na República Velha e durante o Estado Novo, aos autoritários de hoje, a distância é abissal.

Seus sucessores contemporâneos são de dar pena. Salvo as exceções de praxe, faltam-lhes educação e estilo. Substituíram a disposição para o debate pela ofensa e a repetição de lugares-comuns. São ignorantes. O que os une aos antigos são as convicções que compartilham. A começar pelo que mais distingue o autoritarismo ideológico: a certeza de que a democracia pode ser boa no plano ideal, mas é irrealizável na prática. No mundo real, o povo seria incapaz de se governar e precisaria das elites para orientá-lo. Sem sua proteção paternal, se perderia.

Diferentemente do passado, muitos dos autoritários da atualidade se abrigam na mídia conservadora. Sem a proteção que recebem de seus veículos para falar alto e se exibir como valentes, não existiriam.

Mas há autoritários hoje no mesmo lugar em que, no passado, militaram vários: no Judiciário e cargos afins. Alberto Torres foi ministro do Supremo Tribunal Federal, Oliveira Vianna, do Tribunal de Contas da União, e Francisco Campos foi consultor-geral da República.

O julgamento do “mensalão” tem sido um momento privilegiado para conhecer o pensamento autoritário atual em maior detalhe. Seus representantes na mídia estão esfuziantes. O andamento do processo no Supremo Tribunal Federal foi melhor que a encomenda. No fundo, todos sabiam quão frágil era a denúncia montada pela Procuradoria-Geral da República.

A alegria de ver expoentes do “lulopetismo” condenados os enche de entusiasmo. Querem revidar em compensação a tudo que os entristeceu nos últimos anos. Quantas vezes foram forçados a se desdizer? Quantas projeções furadas fizeram? Quantos amigos na oposição tiveram de consolar?

Não tínhamos tido, até recentemente, a oportunidade de ver, com clareza, o autoritarismo existente no STF. Era um tribunal predominantemente discreto, que trabalhava longe dos holofotes. Vez por outra aparecia, mas para se pronunciar a respeito de questões específicas, ainda que nem sempre de maneira apropriada.

Agora, não. Fez parte do pacto da mídia conservadora com a Corte a mudança radical desse padrão. As luzes foram acesas, os microfones ligados e os repórteres postos a serviço. Tudo o que os ministros dissessem seria ouvido, registrado e divulgado, com pompa e fanfarras.

E eles se puseram a falar.

Ao longo do julgamento, à medida que liam seus votos, vimos quão parecidas são as ideias de quase todos com aquelas dos autoritários de cem anos atrás.

No mês passado, Luiz Fux aproveitou a visibilidade de orador na posse de Joaquim Barbosa na presidência do tribunal para apresentar algumas das suas. Tomemo-las como ilustração do que pensam por lá.

O discurso de Fux foi extraordinário. Até no que revelou da cumplicidade que se estabeleceu entre a mídia e o tribunal. É pouco provável que fosse tão assumidamente autoritário se não se sentisse amparado pelos correligionários na mídia.

Ficou famosa sua tortuosa formulação de que seria natural que o Judiciário se tornasse mais ativo, para intervir na “solução de questões socialmente controversas, como reflexo de uma nova configuração da democracia, que já não se baseia apenas no primado da maioria e do jogo político desenfreado”.

Parece que Fux imagina ter feito uma descoberta. Que haveria uma “nova configuração da democracia”, sabe-se lá o que isso seja, que exigiria deixar de lado o “primado da maioria” e o tal “jogo político desenfreado”.

Nada há, entretanto, de original no diagnóstico e no receituário. Antes dele, outros autoritários haviam chegado ao mesmo lugar. Todos, de antes ou recentes, têm a mesma aversão à vontade das maiorias. No fundo, acreditam que o povo não está “preparado para a democracia”. Que exige “homens de bem” para guiá-lo, livrando-o dos “demagogos”.

Todo autoritário é antidemocrático, quer frear o “jogo desenfreado”. E se imagina ungido da missão de fazê-lo, pela sua autoatribuída superioridade em relação ao cidadão comum.

Talvez por desconhecer de onde vêm as ideias que professa, Fux – e os que se parecem com ele – acredita estar sendo “novo”.

É tão velho quanto a Sé de Braga.

Marcos Coimbra

Navalha
A propósito “dos que se parecem com o Fux”, não deixe de conhecer os Chinco Campos (*).

Paulo Henrique Amorim

(*) Ao proferir seu Canto do Cisne e ameaçar o Presidente da Câmara com a cadeia, o decano Celso de Mello citou Chico Campos, o redator da “Polaca”, a Constituição ditatorial de 1937. Em homenagem a ele e a Chico Campos, o Conversa Afiada passa a referir-se aos Cinco Constituintes do Supremo – Celso de Mello, (Collor de) Mello, Fux, Barbosa e Gilmar – como os “Chinco Campos”. E lembra que Rubem Braga, quando passava de bonde pela Praia do Flamengo e via acesa a luz do apartamento do Chico Campos, dizia: “Quando acende a luz do apartamento do Chico Campos há um curto-circuito na Democracia”.


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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/12/26/coimbra-os-autoritarios-de-hoje-o-fux-por-exemplo/

Com apoio de movimentos sociais, Lula reage às acusações da imprensa

26.12.2012
Do blog BRASIL QUE EU QUERO
Imagem: O Globo / Michel Filho

Na manhã desta quarta (19), o ex-presidente Lula participou da troca de posse do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo. Acompanhando o presidente, estiveram presentes no ato, diversos representantes de movimentos sociais, como os militantes da UJS e da UNE, que prestaram apoio ao ex-presidente, fortalecendo também a campanha iniciada pelos jovens socialistas “#MexeuComLulaMexeuComigo“.

Lula aproveitou a ocasião para discursar a todos. Com uso da palavra disse que o que incomoda toda a oposição é justamente o sucesso que ele conquistou e ainda disse para o povo não se preocupar com os ataques, pois mesmo com todas as artimanhas já realizadas pela direita, o Partido dos Trabalhadores já conseguiu vencer a oposição nas urnas, e no próximo ele percorrerá o Brasil para conversar com todo o povo.

“Não se preocupem muito com os ataques. Há uma razão para isso. Em 2010, quando lançamos a Dilma, ela era um poste. Vencemos. Agora, quando apresentamos Fernando Haddad aqui em São Paulo, vencemos. De poste em poste a gente está iluminando o Brasil inteiro. Ano que vem, para a alegria de muitos e tristeza de poucos, estarei voltando a andar por este País”, disse Lula.

Em resposta às acusações de Valério, Lula também reagiu com respostas diretas, citando a perseguição que é feita a ele, que foi responsável por tirar o Brasil do domínio das classes conservadoras.

“Um vagabundo, falando mal de mim em uma sala com ar-condicionado, vai perder. Tem gente que olha para minha cara acha que eu sou burro. Eu consigo compreender o jogo que eles fazem. Eles governam o País desde que Cabral chegou aqui e como podem aceitar pacificamente, sem ódio, o que nós conseguimos em oito anos de governo?”.

Lula ponderou também os desafios que encontrou no Brasil ao tornar-se presidente, em 2002, e os avanços que conseguiu construir em pról dos povos mais pobres, que até então, pouca assistência recebiam dos governantes, e hoje já tem condições de vida mais dignas a todo brasileiro.

“Não era possível governar esse País para um terço da população. É por isso que eles não se conformam que colocamos 40 milhões de homens e mulheres na classe C. (Não se conformam em) ver os pobres viajarem de avião, trocarem de carro. Eu acho que isso deixa eles indignados”, disse.

Diversidades

Apontando os diferentes grupos sociais que há no Brasil, Lula questionou o por quê estes nunca receberam atenção dos demais presidentes, que além de tudo, sempre tiveram o respaldo total da imprensa brasileira.

 “Eles governaram antes de mim. Tinham unanimidade na imprensa. Por que não cuidaram dos índios, das mulheres, dos pobres? Por que não levantaram a auto-estima do povo? Um País como o nosso não pode ter medo do futuro”.

Lula disse que em 2002, quando se elegeu presidente pela primeira vez, desconfia que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) torceu por ele. “Teve momento que eu achava que ele preferia minha vitória do que a do Serra. Muita gente vinha e me dizia ‘ele prefere você’. Ele achou que não ia dar certo e que voltaria”, disse.

O ex-presidente afirmou ainda que é preciso pensar de forma positiva em relação ao desenvolvimento do Brasil. “Temos de pensar da forma mais positiva possível. Não é porque nosso vizinho está doente que nós vamos ficar doentes. Não é porque a Europa está em crise, que nós vamos entrar em crise. Ela pode ter maior ou menor incidência a partir das medidas que nós tomemos aqui”, disse ele.

Lula participou nesta quarta-feira da posse de Rafael Marques na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. Ele substituiu Sérgio Nobre, que foi eleito em julho passado para o cargo de secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Apoio
Durante o evento, em todas as falas, o presidente Lula foi citado. Críticas ao poder judiciário, à “campanha” da mídia contra o ex-presidente e à postura da oposição deram o tom dos discursos.

Wagner Freitas, presidente nacional da CUT, afirmou que o poder Judiciário está fazendo um papel que não é dele e que a elite brasileira ainda não digeriu que Lula “foi o maior presidente da história desse País”.

Na última segunda-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) cassou o mandato dos parlamentares João Paulo Cunha (PT-SP); Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), o que, no entendimento de alguns, seria uma atribuição do Congresso.

“A CUT está muito preocupada com isso. (A oposição) quer jogar no tapetão, quer jogar no Poder Judiciário. O que está querendo se construir é um golpe para que o Judiciário mude uma situação onde o povo não está representado. Se colocar a democracia em jogo, vamos para a rua. Não pode ser uma parcela do Poder Judiciário e da mídia a resolver isso. O Lula é nosso amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”, disse ele.

Gilmar Mauro, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, disse que o Brasil vive hoje a criminalização geral da pobreza, dos movimentos sociais e de muitos políticos. “É preciso colocar em pauta o Poder Judiciário, que parece ser intocável no nosso País”, disse ele, que também defendeu a regulação da mídia.

Daniel Iliescu, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) afirmou que a entidade topa “qualquer parada” para defender o projeto que tem o ex-presidente como figura central. “Não vamos nos intimidar. Não nos intimidamos quando este País esteve na ditadura…”, disse ele.

Da UJS

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Fonte:http://marciabrasileira.blogspot.com.br/2012/12/com-apoio-de-movimentos-sociais-lula.html

Morre policial indiano ferido em manifestação contra estupro coletivo


26.12.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO, 25.12.12
Por AFP - Agence France-Presse

Manifestantes em Nova Délhi pedem segurança para as mulheres. Foto: AFP Photo/Sajjad Hussain
Manifestantes em Nova Délhi pedem segurança para as mulheres. Foto: AFP Photo/Sajjad Hussain
Agente, de 47 anos, foi atacado no domingo por um grupo na Porta da Índia, um dos monumentos emblemáticos da capital

Autoridades indianas anunciaram nesta terça-feira a morte de um policial ferido durante manifestações, em Nova Délhi, contra o estupro coletivo de uma estudante.

O agente, de 47 anos, foi atacado no domingo por um grupo na Porta da Índia, um dos monumentos emblemáticos da capital, segundo uma porta-voz da polícia.

"Os manifestantes jogaram pedras em Subash Tomar. Ele permaneceu em coma durante dois dias e morreu hoje", declarou à AFP Rajan Bhagat.

Mais de 50 policiais ficaram feridos no domingo em confrontos com manifestantes. No total, mais de 100 pessoas foram hospitalizadas no fim de semana.

Desde então, o tráfego foi proibido em grande parte do centro da capital.

"Hoje é Natal, mas não podemos sair de nossas casas por causa das restrições policiais", declarou Anita Kumar, mãe de três filhas, ao canal Aaj Tak.

Os manifestantes protestavam contra a polícia e as autoridades, acusadas de não punirem com severidade aqueles que cometem abusos e agressões sexuais, após o estupro, em 16 de dezembro, de uma estudante de 23 anos por seis homens em um ônibus.

A vítima, que foi espancada, ainda está hospitalizada. Seu estado de saúde piorou na noite de segunda-feira e ela apresenta problemas respiratórios, segundo um médico do hospital Safdarjung.

Os seis homens, bêbados no momento do crime, foram detidos.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/mundo/2012/12/25/interna_mundo,414816/morre-policial-indiano-ferido-em-manifestacao-contra-estupro-coletivo.shtml

Votação do Orçamento fica para fevereiro de 2013, diz Jucá

27.12.2012
Do portal da Agência Brasil, 26.12.12
PorIolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil


Brasília - A votação do Orçamento-Geral da União para 2013 deverá ocorrer no dia 5 de fevereiro do ano que vem. O anúncio foi feito hoje (26) pelo relator da proposta orçamentária, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Segundo ele, havia a possibilidade de a votação ser feita pela Comissão Representativa do Congresso nesta semana, mas isso poderia abrir um “precedente” que não seria bom para o andamento dos trabalhos do Congresso no ano que vem.

Romero Jucá disse que está sendo costurado um acordo com as lideranças dos partidos da base governista e da oposição para viabilizar a votação no início de fevereiro. “Estamos fazendo um entendimento amplo com a base do governo e da oposição no sentido de não votar na Comissão Representativa e aguardar para votar em 5 de fevereiro. Há um compromisso, uma posição quase unânime de votar nesta data. Todos, em tese, chancelaram esse entendimento.”
De acordo com Jucá, a preocupação inicial era que o adiamento da votação para o ano que vem prejudicasse os investimentos e as desonerações tributárias previstas na proposta orçamentária. “A minha preocupação é que, como não tivemos entendimento com a oposição, o mês de fevereiro se esticasse com o debate e [o Orçamento] só pudesse ser votado no final de fevereiro. Isso geraria um problema de atraso grande para a retomada do crescimento, do investimento e a tentativa de inverter a curva do PIB [Produto Interno Bruto] para que possamos chegar aos 4,5% previstos.”
O adiamento da votação do Orçamento, que vem com o acordo entre os partidos, segundo Jucá, é importante, porque em 2013 serão votadas matérias importantes. “Não estamos fazendo um acordo de procedimento apenas para votar o Orçamento. Estamos iniciando um ano que é decisivo para o Brasil. Vamos ter que aprovar muitas matérias importantes e, por isso, é preciso começar o ano num clima de entendimento.”
Romero Jucá informou que o governo está elaborando uma medida provisória (MP) para resolver a questão dos créditos suplementares que não foram aprovados pelo Congresso Nacional neste fim de ano por causa do impasse na votação dos vetos ao projeto de lei dos royalties do petróleo e da decisão inicial do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal.  O senador disse que não tem informações sobre a MP, mas informou que ela será editada nesta semana.
Quanto ao reajuste dos servidores públicos que fizeram acordo com o governo antes do final de agosto, o Jucá informou que eles vão receber a partir de 1º de janeiro o reajuste de 5%. Os servidores de oito categorias que fizeram acordo depois daquele mês só receberão o reajuste depois de aprovado o Orçamento.
“Teremos que votar, antes, a alteração na LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] para possibilitar a votação dos projetos de lei que dão aumentos a essas categorias”, disse Jucá. Segundo o senador, as categorias que fizeram acordo até 31 de agosto estão contempladas no 1/12 de recursos que o governo pode gastar até a aprovação do Orçamento com despesas de custeio e pessoal.
Edição: Fábio Massalli

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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-12-26/votacao-do-orcamento-fica-para-fevereiro-de-2013-diz-juca