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sábado, 24 de novembro de 2012

Meninas indígenas trocam virgindade por doce no Amazonas

24.11.2012
Do BLOG DO OZAÍ, 21.11.12
 Publicado por Antonio Ozaí da Silva 



Na cidade que possui a maior população indígena do país, meninas indígenas são exploradas sexualmente e chegam a trocar sua virgindade por doces, frutas e celulares.
São Gabriel da Cachoeira, na fronteira do Brasil com a Colômbia, possui 29 mil índios de 22 etnias.
Para a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Irmã Justina Zanato, é muito difícil combater esse tipo de exploração sexual, pois os abusadores são brancos, ricos e influentes na região. “Ele têm o poder que grita mais alto, que é o dinheiro”, lamenta.

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Fonte:http://antoniozai.wordpress.com/2012/11/21/meninas-indigenas-trocam-virgindade-por-doce-no-am/

CORRUPÇÃO: Coerência. Ou você tem ou você não tem

24.11.2012
Do blog TUDO EM CIMA, 06.04.12

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Fonte:http://tudo-em-cima.blogspot.com.br/2012/04/coerencia-ou-voce-tem-ou-voce-nao-tem.html

A MÍDIA QUADRILHEIRA PODE ESCONDER... MAS A GENTE MOSTRA...

24.11.2012
Do FACEBOOK de Marlene Senna

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Fonte:http://www.facebook.com/photo.php?fbid=10151113386885978&set=a.495895515977.265589.631310977&type=1&theater

Mídia moralista sai em defesa da quadrilha de Perillo e Cachoeira

25.11.2012
Do BLOG DA CIDADANIA, 24.11.12
Por Eduardo Guimarães

Os ataques midiáticos ao relatório da CPI do Cachoeira e a soltura deste pela Justiça justamente quando as provas de seus crimes engolfam o governador de Goiás, Marconi Perillo, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e o editor de Veja Policarpo Júnior, desnudam a farsa do julgamento do mensalão e a tese ridícula de que aquele tribunal de exceção teria inaugurado uma nova era em que poderosos também seriam submetidos à lei.
A indignação da mídia tucana e de sua militância com a corrupção – na América Latina, há “partidos” da mídia que têm até militância –, portanto, fica absolutamente caracterizada como produto de um descaramento que esbofeteia o Brasil. É tudo tão escancarado que é impossível que alguém de boa fé não esteja notando como a indignação com a corrupção no PT dá lugar à defesa apaixonada de um grupo político que aprisionou Goiás naquele que, agora sim, é o maior escândalo de corrupção já visto no país, pois atinge a casa dos bilhões de reais.
A cúpula da quadrilha que aprisionou Goiás, segundo o relatório da CPI, era formada, basicamente, por Cachoeira, Demóstenes, Perillo, Gurgel e Policarpo. O que pesa contra esses quatro é estupefaciente e dispensará a Justiça do uso da famigerada teoria do “domínio do fato” devido à vastidão de provas materiais que pesam contra eles.
Sobre Cachoeira e Demóstenes nem é preciso dizer nada, mas sobre Perillo e Gurgel lembremo-nos de que os “atos de ofício” que comprovam atos criminosos são intermináveis. Perillo se envolveu em negócios imobiliários com Cachoeira, nomeou quem ele pediu – há gravações da PF mostrando que o bicheiro determinava os nomes de quem queria pôr no governo e as nomeações aconteciam –, mas as atividades criminosas da quadrilha jamais foram alvo de ações do governo goiano e, por fim, o procurador-geral da República, sabendo de tudo que acontecia, e ao contrário do que fez com o PT e seus aliados, engavetou tudo.
A esta altura, a imprensa deveria estar cobrando a CPI para que fizesse um relatório duro condenando um esquema imenso, muito maior do que o do mensalão (do PT) em todos os sentidos, tanto em número de integrantes da quadrilha como em valores desviados. E tudo com o concurso do chefe do Ministério Público Federal. Entretanto, ao contrário da corrupção que possa haver no PT, a do PSDB, do DEM e do MPF gerou defesa desabrida dos corruptos pelos moralistas de plantão.
Então vamos combinar: se um escândalo dessa magnitude for abafado, se o relatório da CPI aliviar para Perillo, Gurgel e Policarpo ou se o relatório for desfigurado e o Ministério Público e a Justiça não fizerem nada, acabou o Brasil. Estará comprovado que estamos vivendo em um Estado ditatorial que persegue um grupo político enquanto protege outro – e quando se alude a Estado não se está falando do Poder Executivo, mas do Judiciário e do Legislativo.
Como acreditar em um país em que crimes escancarados, atrevidos (para usar termo da moda) e incomensuráveis são praticados à larga e, após serem descobertos, seus autores são poupados devido ao grupo político que integram? Como acreditar em um país em que a Justiça, a imprensa e o próprio Legislativo tratam a corrupção de um lado com rigor irrefreável e a de outro com tolerância total?
Quando se fala em CPI do Cachoeira, fala-se em Goiás. Essa história da empreiteira Delta e dos governadores de Brasília e do Rio de Janeiro é cortina de fumaça para desviar o foco da transformação daquele Estado em parque de diversões de corruptos locais.
A empreiteira Delta provavelmente tem muita sujeira contra si, mas essa investigação precisa de sua própria CPI. E contra Agnelo Queiróz e Sergio Cabral até agora não surgiu uma mísera prova, um mísero indício crível. Nem com todo “domínio do fato” do mundo se torna possível acusá-los.
Contra Agnelo, pesa apenas uma única e isolada menção da quadrilha a um codinome que seria o do governador, menção que não se confirmou se foi a ele mesmo, e nada mais. Contra Cabral, pesa ainda menos porque não há menção alguma da quadrilha a ele. Tudo o que há é uma filmagem de um jantar do governador do Rio com o dono da Delta, Fernando Cavendish, em Paris, apesar de as relações desse personagem envolverem nomes como José Serra, Gilberto Kassab e muitos outros oposicionistas ao governo federal.
Que se faça a CPI da Delta, então. Mas a do Cachoeira é sobre Goiás e as autoridades que acobertaram e até ajudaram a quadrilha do bicheiro a transformar aquele Estado, repito, em parque de diversões de um grupo criminoso que movimentou bilhões de dinheiro público.
A Justiça que está para prender José Dirceu sem que contra ele pese um grama do que pesa contra Perillo pôs em liberdade um mafioso como Cachoeira. Essa é a “nova era” que o julgamento do mensalão (do PT) inaugurou?
Este país só não virou uma piada completa, ainda, porque a Justiça tratar acusados de corrupção de acordo com a filiação partidária de cada um não tem graça nenhuma. Portanto, se essa CPI não fizer a denúncia que tem que fazer contra Perillo, Gurgel e Policarpo – e, claro, por tabela contra os empregadores deste último – terá acabado a ilusão de que vivemos em uma democracia. O último a sair, portanto, que apague a luz.
Fugi do convescote da direita no STF
Após a visita que fiz ao gabinete do ministro Ricardo Lewandowski consegui entrar no plenário do STF, onde ocorreu a posse do novo presidente daquela Corte, o ministro Joaquim Barbosa.
O que vi ali foi a fina flor da fauna demo-tucano midiática. Merval Pereira e um grupo de distintos senhores se exibiam em frente a um exército de cinegrafistas e fotógrafos que se postou diante da bancada dos ministros que ali dariam posse a Joaquim Barbosa.
Pelo auditório, flanavam o indefectível Merval Pereira (Globo), Renata Lo Prete (Folha de SP), Heraldo Pereira (Globo) e outros expoentes da mídia demo-tucano-judiciária. Na verdade, o PIG praticamente ocupava todos os espaços.
Um fato curioso: encontrei o jornalista Kennedy Alencar e decidi cumprimentá-lo, à diferença do que fiz com o resto do PIG ali presente. Surpreendi-me por ele me conhecer…
Após algumas palavras, brinquei com ele: “Cuidado que o Serra está por aí”. Comentário de Kennedy: “Vixe!”.
O engraçado é que, segundo soube, os jornalistas do PIG disputaram a tapa o convite para a posse de Joaquim Barbosa e eu, que tive acesso à cerimônia, vendo que nada tinha a fazer ali, virei as costas e fui-me embora.
Tinha que editar o vídeo da mensagem de Lewandowski à blogosfera e sabia que estava em uma festa de um partido político que reúne mídia, partidos de oposição e a cúpula do Judiciário. Então esnobei o STF e me mandei.
Detalhe: não havia um só jornalista da imprensa alternativa. O PIG dominou a posse de Barbosa. Esse é o poder que resta ao PIG: sua relação promíscua com o Judiciário.
Abaixo, algumas imagens que registrei durante minha visita ao STF na última quinta-feira

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2012/11/midia-moralista-sai-em-defesa-da-quadrilha-de-perillo-e-cachoeira/

STF condenou Dirceu e Genoino sem apresentar uma só prova

24.11.2012
Do blog ESQUERDOPATA, 
PorEric Nepomuceno - Carta Maior
Artigo publicado originalmente no jornal Página/12, da Argentina.


Tal como se temia, o STF se deixou influenciar pela pressão externa e politizou um processo que deveria ser jurídico. A única surpresa foi a atmosfera de espetáculo criada pelos integrantes da Corte. Além da transmissão das sessões ao vivo pela televisão, propiciando um nutrido desfile de egos inflados, exibições de erudição jurídica e aulas de moral e bons costumes, o que se viu foi uma rajada de inovações na interpretação a aplicação de alguns pilares básicos do Direito. Para começar, se aboliu a exigência de provas para condenar parte dos acusados. 

O mais ruidoso e pressionado julgamento da história recente da Corte máxima do Brasil está chegando ao seu final. Os condenados buscarão brechas para apelas das sentenças, enquanto juristas e analistas políticos tratam de medir as consequências do que ocorreu até aqui.

A única coisa que falta agora é o Supremo Tribunal Federal brasileiro estabelecer as penas dos condenados. Foi um julgamento atípico, que transcorreu sob a insólita pressão dos meios de comunicação, com o aplauso frenético de setores das classes médias conduzidas pela mão dos grandes grupos midiáticos e que termina sem maiores surpresas. Tal como se temia, o STF se deixou influenciar pela pressão externa e politizou um processo que deveria ser exclusivamente jurídico.

A única surpresa foi a atmosfera de grande espetáculo público criada pelos próprios integrantes da Corte. Além da transmissão das sessões ao vivo pela televisão, propiciando ao respeitável público um nutrido desfile de egos inflados, exibições de erudição jurídica e aulas de moral e bons costumes, o que se viu foi uma rajada de inovações na interpretação a aplicação de alguns pilares básicos do Direito.

Para começar, se aboliu a exigência de provas para condenar parte dos acusados. Ficou estabelecido o preocupante precedente que permite que, na hora de julgar, se aceite ilações, suposições, e que a Corte se deixe induzir pela pressão midiática, que permita que os trabalhos sejam politizados.

Alguns dos magistrados chegaram a condenar, em seus votos, os malefícios das alianças formadas para que exista um governo de coalizão. Ou seja, mais do que julgar supostos crimes e delitos, se deram ao luxo de julgar a própria política.

Ficou estabelecido, além disso, que aos senhores juízes está permitido, na hora de emitir voto e sentença, exibir rotundas doses de sarcasmo, em comentários que mostram muito mais seus rancores e traços ideológicos do que equilíbrio e equidade.

Essas inovações surgiram com ímpeto na hora de julgar o chamado “núcleo político” do esquema de distribuição de dinheiro para cobrir gastos da campanha política de 2002, que além de eleger governadores, deputados nacionais e senadores, levou Luiz Inácio Lula da Silva e seu Partido dos Trabalhadores à presidência da República.

O caudaloso fluxo de dinheiro não declarado é uma prática velha – e por certo muito condenável – na política brasileira. Mas, ao menos até agora, era um assunto da Justiça Eleitoral.

A peça acusatória, levada ao Supremo Tribunal Federal pelo Ministério Público, assegurava que, mais do que essa velha prática, tratou-se da compra de votos de parlamentares para que fossem aprovados projetos legislativos de interesse do governo. Não houve nem há nenhuma prova minimamente concreta disso. Acusou-se o PT e seu então presidente, José Genoino, por alguns empréstimos bancários. O PT provou que os empréstimos foram registrados, de acordo com a legislação eleitoral, renegociados e, finalmente, pagos. Acusou-se José Dirceu, homem forte do partido e estrategista da vitória de Lula, de ter engendrado um esquema de compra de parlamentares.

Um dos “argumentos” da acusação foi dizer que, como chefe da Casa Civil, ele recebia dirigentes políticos aliados do governo, como se não fosse exatamente essa sua função. Não há uma miserável prova nem de sua participação nem da existência de tal esquema.

Há, isso sim, evidências e indícios concretos de desvio de fundos públicos, principalmente do setor de comunicação e publicidade do Banco do Brasil e um intenso jogo de interesses por parte da banca que repassou fundos ao tesoureiro do PT. Mas não houve nem há uma única e solitária prova de que as duas principais figuras políticas acusadas, José Genoino e José Dirceu, tivessem participado da trama.

A última condenação de Dirceu, por formação de quadrilha – a outra foi por corrupção ativa – resultou de uma decisão dividida (seis votos a quatro), o que, ao menos em tese, lhe dá o direito de apresentar recurso contra a decisão. Na condenação por corrupção ativa, não: teve dois votos favoráveis e oito contrários.

Seja como for, as consequências políticas do julgamento ainda não se fizeram sentir. Pelo contrário: nas últimas eleições, o PT conseguiu aumentar seu caudal de votos e está a ponto de reconquistar a prefeitura de São Paulo, derrotando mais uma vez a José Serra, que, em duas ocasiões, teve seus sonhos presidenciais fulminados, a primeira por Lula em 2002 e a segunda por Dilma Rousseff em 2010.

Nem Dirceu nem Genoino deixarão de ter peso específico nas decisões do partido. Dirceu, especialmente, seguirá sendo um dirigente de forte expressão, apesar de ser brutalmente hostilizado e vilipendiado pela grande imprensa e pelas classes médias ávidas por extirpar do horizonte político o PT, Lula e a esquerda em geral.

Juridicamente, será preciso esperar para ver até que ponto as esdrúxulas inovações desse julgamento midiático, transcorrido sob pressões inéditas, criarão jurisprudência no futuro. A essa altura, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, principalmente o relator do processo, Joaquim Barbosa, contam com o aplauso iracundo dos grandes meios de comunicação e de setores das classes médias. É preciso ver quanto tempo durará essa euforia.

Enquanto isso, a impunidade dos poderosos segue intacta no Brasil. Os métodos delituosos de financiamento das campanhas eleitorais, também. E dois veteranos combatentes das lutas populares, José Dirceu e José Genoino, que nos tempos da ditadura foram vítimas de tribunais de exceção (o primeiro foi expulso do país, o outro sofreu cinco anos de prisão e tortura), são agora vítimas de um julgamento de exceção.

Há uma assustadora diferença: antes havia uma ditadura. Agora, se vive em democracia. Todo o resto, para eles, tem sido igual, ou quase. Ao menos, desta vez, a tortura não é física.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com.br/2012/11/stf-condenou-dirceu-e-genoino-sem.html

O gigante, o anão e os festivos

24.11.2012
Do blog  BRASIL QUE VAI, 23.11.12


Um fenômeno curioso mostrou-se com a posse de Joaquim Barbosa na presidência do STF: o ressurgimento de certa esquerda festiva, sempre disposta a trocar as grandes conquistas democráticas do País pela efervecência de uma emoção midiática, como a que cercou a posse do ministro.

Para ilustrar a crispação das emoções, é o bastante sublinhar as muitas referências que se fêz nas redes sociais sobre a presença da mãe do ministro, negra como ele (sim, porque poderia ser branca como a de Obama), na ala VIP do plenário e ao fato, tão óbvio quanto a cor do empossado, de ser ele o primeiro negro a presidir o Judiciário. 

Muitos viram o simbolismo de uma conquista popular histórica onde mais não havia que a preparada encenação por grupos mais reacionários da nossa sociedade de ato político destinado a conferir legitimidade às condenações espúrias, porque sem base no direito constitucional da ampla defesa e da demostração probatória, com a finalidade de marcar o governo Lula com o estigma da corrupção.

Não resistiram à emoção programada pela emissora de emprestar um ar de “happening” ao que deveria ser uma simples cerimônia oficial com o propósito de obliterar o sem número de violências jurídicas cometidas pelo empossado contra personagens chaves da luta das esquerdas brasileiras para romper os mecanismos de reprodução das desigualdades sociais no País.

Para os que gostam de ostentar Che nas camisetas antes de experimentar-lhe no peito a  indignação, as imagens de TV tiveram o condão de equiparar o juiz arbitrário, arrogante e personalista  a Lula, ao primeiro operário a chegar à presidência de um país capitalista.

Esqueceram-se-se de considerar que Lula foi eleito pelo voto popular depois de haver enfrentado e, por fim, derrotado, a mesma emissora de TV que agora se mancomuna com o festejado juiz. Que sua chegada à Presidência foi o corolário do combate que deu ao regime autoritário, enquanto a do Ministro ao Supremo não passou de tentativa frustrada de acelerar avanços sociais em marcha no País, com a indicação de um alto magistrado pertencente a setores historicamente sem voz na sociedade brasileira.

Lula, Dirceu e Genoino são gigantes da história política recente do Brasil. Joaquim Barbosa não é senão um anão, que vem se prestando à execução de um sórdido plano de natureza personalista destinado a transferir para o interior das Instituições de Estado o enfrentamento político que uma oposição impotente tem se revelado incapaz de levar adiante por meio de eleições democráticas.

Vitoriosa nas urnas, a despeito da urdidura que entrelaçou nas últimas eleições ambições pessoais e os interesses inconfessáveis de um “establishment” golpista, é chegada a hora da esquerda consequente mobilizar as forças vivas da sociedade para refutar a tentativa de banimento da vida pública daqueles que ergueram essa que é a pilastra central em que se apóia a democracia no Brasil, o partidos dos trabalhadores.


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Fonte:http://brasilquevai.blogspot.com.br/2012/11/o-gigante-o-anao-e-os-festivos.html

CARTA CAPITAL: Gurgel acuado

24.11.2012 
Do portal da Carta Capital
Por Maurício Dias


É sinal positivo o clamor da oposição, em coro com trêfegos parlamentares da base governista, contra o texto do deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPMI sobre as atividades  criminosas e as afinidades eletivas do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Cunha incomodou muita gente e contrariou variados interesses. Não se sabe se o relatório conseguirá cruzar a tempestade provocada pelos contrariados e chegar a porto seguro. Na partida, se assemelha a um barquinho navegando sob bombardeio. E pode afundar antes de ancorar.
Moroso. Há cem dias, Gurgel guarda um processo que ameaça Roseana Sarney. Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF
A lista de indiciados e de responsabilizados, elaborada por Cunha, é uma carga pesada. O relator julgou suficientes as provas colhidas que, em princípio, são capazes de derrubar o governador tucano Marconi Perillo (GO); de incriminar jornalistas que, ao romper limites éticos, transitaram do campo da investigação para o da associação, e de provocar danos graves ao empresário Fernando Cavendish, da Delta, entre outros casos. Notadamente, o relatório pode desestabilizar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Gurgel é peixe graúdo. A contrariedade da mídia, com a inclusão do nome dele na lista de Cunha, comprova. Ele tornou-se um procurador heterodoxo. Virou peça do jogo político de curto e de longo prazo. Em linhas gerais, passou a atuar afinado com a oposição a Dilma, a colaborar com o esforço de neutralização de Lula e, por fim, mas não menos importante, a agir com o objetivo de encerrar o ciclo do PT no poder.
Caso aprovado, o relatório de Cunha pode abalar Gurgel e, inclusive, interferir na própria sucessão dele, na PGR, em julho de 2013.
Roberto Gurgel é acusado por crimes constitucional, legal e funcional. A aprovação do relatório, nesse ponto, levará a questão à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, competente para processar o procurador-geral por crime de responsabilidade. No STF, Gurgel seria julgado por improbidade administrativa e por prevaricação.
O procurador-geral foi fisgado porque manteve engavetadas as denúncias da Operação Vegas. Assim atraiu a suspeita de ter sido conivente com as atividades criminosas de Cachoeira, apuradas pela Polícia Federal. Ele alegou à CPI que tinha detectado somente desvios no “campo ético”, insuficientes para abrir ação penal.
Gurgel, no entanto, mantém outros problemas na gaveta. Há quase cem dias guarda o processo enviado ao Ministério Público, no qual a governadora Roseana Sarney (MA) é acusada de assinar convênios com as prefeituras, no valor aproximado de 1 bilhão de reais. Cabe a ele dar um parecer que pode levar Roseana a perder o mandato.
Há quem veja nessa morosidade um conluio entre o senador Sarney, pai da governadora, e Gurgel. Sustentam essa hipótese renitentes coincidências. José Arantes, assessor parlamentar do procurador-geral foi assessor parlamentar de Sarney na Presidência da República. Seria apenas um detalhe curioso?
Mas há problemas concretos. Um deles, já denunciado nesta coluna, levou o presidente da Câmara quase à exasperação. Na terça-feira 20, o deputado Marco Maia criticou pública e duramente o Senado pela morosidade em votar a indicação do professor Luiz Moreira, já aprovada pelos deputados, para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNPM).
Seria “morosidade gurgeliana”?

Ou seja, a indicação estaria bloqueada por Sarney em favor de Gurgel? Gurgel teria bloqueado o processo de Roseana em favor de Sarney? Finalmente, haveria nessa história uma vergonhosa troca de favores?
Andante Mosso
Aproximação. O PSB olha para Marina Silva e sorri. Foto: José Cruz/ABr
Verde ou madura?

Dois anos após de ter negado apoio a Dilma ou a Serra, na disputa do 2º turno para a  Presidência, Marina da Silva voltou à política nas disputas municipais. Assim, em 2012, ela tenta se recompor desse fiasco de 2010, quando recebeu cerca de 20 milhões de votos no 1º turno da disputa e fugiu da raia.

Setores do PSB, em fase de namoro fácil, se aproximam dela de olho em 2014. Eduardo  Campos, por exemplo, abriu espaço para o “marinista”, Sergio Xavier, no secretariado dele.
Marina, amadurecida, encantaria empresários do Sudeste com a referência de boa gestão pública com respeito ao mundo verde.

Trajetórias

Discretamente, foi anunciada a condenação do desembargador aposentado Carpena de  Amorim a dois anos e meio de prisão, por crime contra o sistema financeiro. Carpena foi um homem poderoso do Tribunal de Justiça do Rio no início deste século 21. Bajulado e  homenageado, e agora se vê, terminou envolvido por advogados famosos e, hoje, milionários.

Quando corregedor, ele abriu processo disciplinar contra a juíza Márcia Cunha, em 2005, que teve a conduta contestada após dar liminar que permitiu à Previ, e outros fundos de pensão,
a retirar do Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, o controle da Brasil Telecom.

Eu, o Supremo

Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, alcançou mais cedo do que  esperava a notoriedade buscada. Agora tem problemas para dominar esse fato.

Em Natal (RN), onde participou de uma cerimônia de casamento, foi assediado pela imprensa.

Dois jornalistas, Rafael Duarte e Nei Douglas (fotógrafo), do Novo Jornal, furaram o cerco e Barbosa não os recebeu bem. Os dois ficaram sob a guarda da polícia por quase uma hora.

Marcado pela suspeita I

Denominado “o maior do mundo”, o Maracanã é conhecido também por ser usado como fonte de mutreta desde sua construção, em 1950. Testemunha isso um raro exemplar, talvez único, da brochura Defesa Complementar do General Herculano Gomes, administrador oficial da obra.

Ela certamente não consta do museu do estádio.
Maracanã. A reforma já triplica o custo da construção
Marcado pela suspeita II

Escrita em 1959, ela tenta responder, em 29 páginas, às acusações “sobre desfalques na construção”. “A velocidade da obra (…) exigia uma série de medidas que não se podiam enquadrar em normas legais (…) dados os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil”, alegou o general.

Tal como se alega hoje, após o Regime Diferenciado de Contratações, criado para dar agilidade à reforma do estádio para a Copa do Mundo, em 2014.
Marcado pela suspeita III

Após contas detalhadas o general-administrador registra o dinheiro saído do Erário: o  Maracanã custou 276.876.415,40 de cruzeiros (reprodução). O valor em dólar, pelas regras de atualização do US Labor Statistics, sujeito a chuvas e trovoadas de percurso, teria sido de 125 milhões de dólares.

Algo em torno de 300 milhões de reais, em novembro de 2012. A reforma, até agora, gira em torno de 900 milhões de reais. Um custo também marcado pela suspeita.
Política: Ela x Eles

Não haverá paz, no Ceará, entre o governador Cid Gomes e o irmão dele, Ciro, com Luiziane Lins, do PT, após o choque na recente eleição municipal.  Em fim de mandato, ela, prefeita de Fortaleza, está preparada para disputar a eleição ao governo do estado, em 2014, com apoio da direção nacional do partido.

Luiziane parte de uma base na capital onde a administração dela se encerra com aprovação bastante razoável e com a quase vitória do candidato petista que ela lançou e apoiou. Entre eles cada um cumpre um papel. Ciro criticou a intromissão de Lula na disputa da capital. Cid reafirma compromisso com a reeleição de Dilma e, com isso, joga um balde de água fria numa eventual ambição à Presidência do governador pernambucano, Eduardo Campos, líder maior do PSB.
O PT já recusou a oferta feita por Cid ao deputado José Guimarães, para ser vice na chapa  encabeçada pelo senador Eunício Oliveira, do PMDB. O clã dos Gomes está sem saída. A  discussão pode parecer prematura. Só parece. É hábito político esperar o trem na plataforma.

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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/sociedade/gurgel-acuado/

Gaúcho vai mostrar à Comissão da Verdade que Operação Condor foi criada pelo Brasil

24.11.2012
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 23.11.12
Por Tadeu Breda, da Rede Brasil Atual

Aos 74 anos, Jair Krischke falará à CNV na próxima segunda-feira em posse de documentos que atestariam a existência da cooperação repressiva internacional no Cone Sul e suas atividades no país, inclusive depois da Anistia  

Gaúcho vai mostrar à Comissão da Verdade que Operação Condor foi criada pelo Brasil
Krischke garante que seu depoimento na próxima será de extrema importância para a Comissão da Verdade (Foto: Antonio Augusto. Arquivo Agência Câmara)
São Paulo – "Vou mostrar com documentos que quem criou a Operação Condor foi o Brasil", disse à RBA o ativista gaúcho Jair Krischke, fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) de Porto Alegre (RS), que na próxima segunda-feira (26) irá fazer uma série de revelações à Comissão Nacional da Verdade (CNV). Krischke promete "provar" a ocorrência de uma série de ações realizadas em conjunto pelos aparelhos repressores das ditaduras sul-americanas para sequestrar e eliminar membros da resistência.
"Vou documentalmente exibir a primeira Operação Condor, levada a cabo em dezembro de 1970, em Buenos Aires, e a segunda, ocorrida em junho de 1971", revelou, sem dar mais detalhes "em respeito à CNV". O ativista exibirá pedidos feitos ao Brasil pelas ditaduras vizinhas com o objetivo de capturar militantes da oposição caçados pela repressão da Argentina, Uruguai e Paraguai, muitos deles até hoje desaparecidos. "Um desses documentos informa com singeleza: 'preso pelo Exército brasileiro e entregue a polícia do Uruguai contra recibo'", antecipa. A audiência está marcada para as 14h e será aberta ao público.
A Operação Condor foi "oficialmente" inaugurada em 1975 durante uma reunião das polícias políticas brasileira, paraguaia, chilena, argentina, uruguaia e boliviana, em Santiago do Chile. "Os representantes do Brasil não assinaram a ata de fundação", lembra o ativista gaúcho. Por isso, costuma-se debitar sua criação à Dina, órgão repressor do chileno Augusto Pinochet. Para Krischke, porém, o grande articulador da cooperação repressiva regional foi Serviço Nacional de Informações (SNI) do Brasil.
"O embaixador brasileiro no Chile à época, Antonio Câmara Canto, era considerado o quinto homem da Junta militar que conduzia a ditadura no país vizinho", pontua. "No Estádio Nacional, um dos centros da tortura chilena, havia interrogadores que falavam português com sotaque carioca." Krischke acredita que a aparência de que o Brasil teve papel secundário na Operação Condor se deve à que considera a grande "qualidade" do regime ditatorial imposto por aqui em 1964: a dissimulação. "Costumamos colocar tudo nas costas dos Estados Unidos, onde cabe tudo, mas o Brasil deu todo o suporte para a criação dos órgãos repressores na América do Sul."
O ativista gaúcho anuncia que mostrará documentos que comprovam ainda atividades da Operação Condor protagonizadas pelos brasileiros inclusive depois da aprovação da Lei de Anistia, em 1979. "Houve ações realizadas no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, em março de 1980, e outra em 1984", adianta. "As operações continuaram mesmo depois do regime ter anistiado os militantes."
Respeitado internacionalmente, o MJDH de Krischke salvou da tortura, da morte ou do desaparecimento cerca de 2 mil pessoas perseguidas durante os anos de chumbo das décadas de 1960 a 1980, quando regimes militares sufocaram a democracia nos países do Cone Sul. Krischke vai contestar ainda a versão oficial das autoridades militares brasileiras sobre a queima de arquivos, informando sobre o atual paradeiro de documentos supostamente destruídos sem autorização legal.

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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2012/11/gaucho-promete-provar-a-comissao-da-verdade-que-operacao-condor-foi-criada-pelo-brasil

Após ser indiciada por corrupção, chefe do escritório da Presidência em SP é demitida


24.11.2012
Do portal MSN/ESTADÃO
Por Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff decidiu exonerar a chefe do escritório da Representação da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, indiciada pela Polícia Federal por corrupção e tráfico de influência. O advogado geral da União substituto, José Weber Holanda, também será exonerado da função que exerce de número 2 do órgão.

Os diretores das agências ANA (Agência Nacional de Águas), Paulo Rodrigues Vieira, e seu irmão, Rubens Rodrigues Vieira, da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), que estão presos, serão afastados e haverá abertura de processos disciplinares contra eles, já que o processo deles é mais complexo pois as suas indicações passaram pelo Congresso. Todos os servidores indiciados serão afastados ou demitidos pelo governo. Os órgãos citados na Operação Porto Seguro da Polícia Federal passarão por sindicâncias internas para que responsabilidades sejam apuradas, além de verificar se há envolvimento de outros funcionários nas denúncias.

A decisão de afastar, demitir e abrir investigações foi tomada na manhã de sábado,24, no Palácio da Alvorada, pela presidente Dilma, em reunião com o ministro-chefe da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho. A presidente está muito irritada com toda a repercussão do caso e com respingos que este escândalo terá sobre o Planalto daí a pressa em chancelar os afastamentos e abrir as investigações internas, para dar demonstração de que o governo está agindo. Dilma tem insistido também que nada será barrado para impedir ou atrapalhar as investigações da PF.

Ela quer saber a extensão dos casos em vários órgãos. A ideia é de que até que o marido de Rose, que trabalha na Infraero, também seja alvo de investigação. Na Advocacia Geral da União foi montado uma espécie de gabinete de crise, que avalia a extensão dos danos da atuação do número dois da AGU, José Weber Holanda, que também teve todos os HDs e computadores apreendidos pela Polícia Federal.

Dilma não gosta de despachar do escritório de São Paulo e só vai lá quando é absolutamente necessário. Nunca gostou de Rose, mas a manteve no cargo, a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem Rose é muito próxima. A presidente desde o início do processo está avisando que não vai passar a mão na cabeça de ninguém e o que tiver de ser investigado será.

A presidente não gostou também de como Rose se comportou quando os agentes da Polícia Federal chegaram ao escritório da Presidência, em São Paulo, na manhã de ontem, para executar o mandado de busca e apreensão. "Ela deu um piti", contou um interlocutor da presidente, ao relatar que Rose estava presente no escritório quando os policiais chegaram na manhã de sexta-feira, 23. Segundo relatos, ela gritava com os policiais e os desacatava."Vou ligar para a Presidência. Aqui vocês não entram", berrava ela, que instruiu os seguranças do escritório a ligarem para a Polícia Federal e até para a Justiça, para checar se a ordem de busca era verdadeira e se o juiz que assinava o mandado de busca e apreensão realmente existia.

Constatado que se tratava de decisões judiciais e com a ordem de Dilma de que mandados judiciais têm de ser cumpridos, Rose passou a negociar o que seria levado de sua sala no escritório. Como não havia muita negociação, foi feito back up de tudo que exista lá e levado o que a PF achou imprescindível.

O afastamento dos servidores será publicado no Diário Oficial.
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Fonte:http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/ap%C3%B3s-ser-indiciada-por-corrup%C3%A7%C3%A3o-chefe-do-escrit%C3%B3rio-da-presid%C3%AAncia-em-sp-%C3%A9-demitida

Mulheres da Arábia Saudita são controladas eletronicamente pelo governo

24.11.2012
Do portal GOSPEL PRIME
Por Leiliane Roberta Lopes

 Nova tecnologia causou revolta nas redes sociais


Mulheres da Arábia Saudita são controladas eletronicamente pelo governoMulheres da Arábia Saudita são controladas eletronicamente pelo governo
Além de não terem o direito de viajar sem o consentimento de seus responsáveis masculinos e proibidas de dirigir, as mulheres da Arábia Saudita são agora monitoradas por um sistema eletrônico que controla os movimentos se elas atravessarem as fronteiras.
Desde a semana passada, os responsáveis masculinos pelas mulheres da Arábia começaram a receber mensagens de texto em seus celulares informando quando as mulheres sob sua custódia deixam o país, mesmo que estejam viajando juntos.
Manal al-Sherif, a ativista que se tornou símbolo de uma campanha lançada no ano passado, exortando as mulheres sauditas a desafiarem a proibição de dirigir, começou a espalhar a informação no Twitter, depois que foi alertada por um casal.
O marido, que estava viajando com sua esposa, recebeu uma mensagem de texto das autoridades de imigração informando-o que sua mulher havia deixado o aeroporto internacional de Riad.
“As autoridades estão usando a tecnologia para monitorar as mulheres”, disse o colunista Badriya al-Bishr, que criticou o “estado de escravidão em que as mulheres são mantidas” no pais muçulmanos ultraconservador. “Esta é uma tecnologia usada para o atraso, e assim manter ae mulheres presas”, disse Bishr.
Para que uma mulher saia da Arábia Saudita sem permissão de seu guardião masculino, ele deve dar o seu consentimento ao assinar o que é conhecido como a “folha amarela” no aeroporto ou no posto de fronteira. A nova tecnologia emite o alerta após a leitura de um chip instalado no passaporte que se comunica com a internet. Há rumores para a futura implantação de chips similares sob a pele, algo não confirmado pelo governo saudita.
A medida das autoridades sauditas foi rapidamente condenada nas redes sociais, embora o acesso do mundo árabe a esses meios ainda seja bem restrito.
A Arábia Saudita, onde fica Meca, vive sob uma interpretação radical da sharia, ou lei islâmica. É o único país do mundo onde as mulheres não têm permissão para dirigir. O reino impõe regras rígidas que restringem a convivência entre os sexos. Pela lei, as mulheres são obrigadas a usar um véu e um manto preto, ou abaya, que as cobre da cabeça aos pés, exceto para as mãos e o rosto.

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Fonte:http://noticias.gospelprime.com.br/mulheres-da-arabia-saudita-sao-controladas-eletronicamente-pelo-governo/

Resenha de “A esquerda que não teme dizer seu nome”, de Vladimir Safatle

25.11.2012
Do blog  OUTRO OLHAR,09.11.12
Por Idelber Avelar

Vladimir Safatle publicou um livro essencial para a esquerda brasileira, tanto no que afirma como no que deixa de afirmar: A esquerda que não teme dizer seu nome (São Paulo: Três Estrelas, 2012) é um libelo curto, de 85 páginas, em defesa do legado da esquerda e centrado em duas ideias básicas, que Safatle define como inegociáveis: a soberania popular e o igualitarismo. O maior mérito do livro é insistir que a esquerda não se acomode aos limites do possível e não se renda à mediocridade do realismo dos pequenos resultados. Uma esquerda que não tem medo de dizer seu nome deve, segundo Safatle, “falar com clareza que sua agenda consiste em superar a democracia parlamentar pela pulverização de mecanismos de poder de participação popular” (51). Esta é uma postura clássica da esquerda, de Marx a Lênin, de Gramsci a Althusser, e que é cada vez mais esquecida hoje, inclusive – e talvez especialmente – por aqueles que falam em nome de um ideário de esquerda. No Brasil, vivemos um período de cada vez mais descompasso entre, por um lado, as referências mobilizadas por certa esquerda, pertencentes a uma tradição revolucionária clássica e, por outro lado, a prática cotidiana dessa mesma esquerda, dedicada a justificar alianças eleitorais com a direita ou com o fisiologismo, legitimar projetos de remoções higienistas de pobres, celebrar a austeridade fiscal e defender projetos que nitidamente exacerbam o caráter monopolista do capitalismo brasileiro, como, por exemplo, a farra barrageira das empreiteiras na Amazônia. Só por falar claramente em superação da democracia parlamentar pela pulverização dos mecanismos de poder popular, o livro de Safatle já seria uma intervenção mais que bem-vinda no debate político brasileiro.

Mas os seus méritos não terminam aí e incluem a referência a um par conceitual cuja descontinuidade é ainda pouco pensada dentro da esquerda: Direito e Justiça. Para isso, Safatle se ancora em Jacques Derrida, para quem a Justiça jamais se reduz ao Direito, já que este tem uma existência positiva e é, portanto, desconstrutível, sendo a Justiça, ao contrário, um horizonte que nunca é redutível a um estado de coisas realmente existente, que jamais é sinônimo de um qualquer ordenamento jurídico ou um conjunto de leis. Se “nenhum ordenamento jurídico pode falar em nome do povo” (47), então impõe-se, para a esquerda que não tema dizer seu nome, outra relação com o conceito de legalidade. Eis aqui o momento de maior coragem do livro de Safatle: a defesa do direito popular à resistência, inclusive à resistência violenta, contra o poder. Na realidade, como mostra bem o autor, o direito ao exercício da soberania popular para além do Estado de Direito é parte constitutiva da tradição liberal, pelo menos desde John Locke. A própria Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789, segunda versão em 1793) estabelece que “todo indivíduo que usurpe a soberania seja assassinado imediatamente pelos homens livres” e que “a resistência à opressão é consequência dos outros direitos do homem”. As constituições francesa, alemã e de vários estados dos EUA contêm cláusulas semelhantes. O direito popular à rebelião violenta contra a opressão não é, portanto, uma exclusividade do pensamento de esquerda, nem muito menos uma ideia extremista, mas um princípio solidamente estabelecido na tradição liberal. É um grande mérito do livro insistir nesse direito numa época em que ele não é defendido sequer em comarcas que se autointitulam de esquerda e num país em que ainda se iguala, por um lado, a violência sistemática, arbitrária de um poder militar que usurpou o Estado e instalou uma ditadura de torturadores e, por outro, os atos de resistência, violentos ou não, daqueles que se sublevavam contra a tirania. A equação entre essas duas coisas é uma das práticas mais obscenas e características da desmemória brasileira, e a insistência de Safatle no direito popular à rebelião é um bom antídoto contra ela.

A soberania popular, incluindo o direito à rebelião violenta contra a opressão, divide espaço no livro com outro princípio, defendido por Safatle, a meu modo de ver, de forma bem mais problemática. Trata-se do princípio do igualitarismo, sem dúvida parte essencial de qualquer programa de esquerda que não tema dizer seu nome, mas que Safatle desmembra em duas metades bem diferentes: por um lado, a luta contra a desigualdade social e econômica, um ideário clássico da esquerda e, por outro, a ideia, bem mais discutível, de que a esquerda deve ser “indiferente às diferenças” no caso das “demandas de reconhecimento”. Na defesa da primeira ideia, Safatle manda um recado claro a certa esquerda brasileira que já se acomodou: “a esquerda deve saber encarnar a urgência daqueles que sentem mais claramente o sofrimento social advindo da precariedade do trabalho, da pauperização e das múltiplas formas de exclusão. Mas é difícil encarnar tal urgência quando se começa a viver em apartamentos de 6,5 milhões de reais” (16). Qualquer semelhança com certas figuras da esquerda partidária e sindical brasileira dos últimos anos não é mera coincidência.

Se nos ativermos ao que o termo igualitarismo sempre significou na tradição do pensamento de esquerda, pelo menos explicitamente, encontraremos essa primeira metade do raciocínio de Safatle, a luta por um mundo em que a apropriação da riqueza produzida não seja benefício de uns poucos. Safatle oferece números contundentes: o PIB dos EUA cresceu 36% entre 1973 e 1995, enquanto o salário-hora dos não executivos, no mesmo período, caiu 14%. Nos países em que as políticas neoliberais se aplicaram sem freios nas últimas décadas, como os EUA, o aumento da desigualdade foi abissal. Aqui, não há ambiguidade quanto ao papel da esquerda: inventar e construir um mundo em que sejam abolidas absurdas disparidades como a existente no Brasil, onde a diferença entre o maior e o menor salário de um banco chega a cem vezes. Até aqui, ninguém que se defina como esquerda – esquerda mesmo – poderia discordar de Safatle.

Na outra compreensão do termo “igualitarismo”, começam os problemas que, a meu ver, são graves no contexto brasileiro de hoje. Safatle dá um salto do igualitarismo como ideal de combate às desigualdades na distribuição de renda para “constatar o esgotamento da diferença como valor maior para a ação política” (27). O capítulo intitulado “Igualdade e a equação da indiferença” é um libelo contra o que Safatle vê como a “transformação da tolerância à diversidade cultural … no problema político fundamental”, o que teria, segundo ele, “provocado uma secundarização de questões marxistas tradicionais vinculadas à centralidade de processos de redistribuição e de conflito de classes na determinação da ação política” (28). Na verdade, Safatle só explicita o que vários pensadores de esquerda não têm tido como assumir nas últimas décadas: a recusa (ou incapacidade, formule-se como se queira) a pensar as diferenças étnicas, sexuais, de gênero e de orientação sexual como parte constitutiva de uma política de esquerda. Safatle chega ao ponto de criticar “aqueles que não veem relação alguma entre fortalecimento dos comunitarismos, retorno da ala mais reacionária do catolicismo e política multicultural das diferenças” (33), como se essa relação fosse óbvia ou estivesse demonstrada no livro. Segundo Safatle, esses três elementos seriam parte de uma mesma “procura pela reconstituição social de vínculos identitários”, na qual o perigo seria a “veleidade comunitarista ou a entificação da diferença” (34). Para o autor, as políticas ancoradas no reconhecimento das diferenças étnicas, nacionais, de gênero e sexuais “procuram atomizar a sociedade por meio de uma lógica estanque […] que funciona, basicamente, no plano cultural e ignora os planos político e econômico” (35). Eis aqui a repetição de outro lugar comum que a esquerda tem sido incapaz de repensar: a estranha ideia de que a luta em torno a direitos indígenas ou quilombolas, por exemplo, é “cultural” e a luta de esquerda clássica, centrada nas classes sociais, é “política”.

Circulam, nesse argumento, uma série de termos que, em seu sentido às vezes equívoco, dão uma dimensão do problema: “atomizar”, “veleidade comunitarista”, “entificação da diferença”, “cultural e não econômico” são alguns dos eixos do argumento do universalismo esquerdista. Por mais que o sentido dos termos seja confuso, como veremos, o argumento parece claro: no fundo, que essa história de colocar lutas afro-brasileiras, indígenas, feministas e anti-homofóbicas no mesmo plano das lutas tradicionais da esquerda, ancoradas na classe operária, só pode levar à “lógica estanque” da “atomização”. Aqui, é curioso notar que Safatle associe as questões identitárias com a ideia de “reconstituição”. Para populações como as indígenas brasileiras, nada poderia estar mais distante do que está em jogo do que a ideia de “reconstituição” de um vínculo identitário perdido. O próprio uso do termo “reconstituição” já é revelador de como a esquerda brasileira tem pensado as populações indígenas, sempre no registro do passado, como se as identidades fossem algo a se recuperar ou resgatar, e como se indígenas ou quilombolas não fossem protagonistas presentes nas lutas políticas brasileiras. A identificação, feita por Safatle, entre a “política cultural das diferenças” e o “fortalecimento dos comunitarismos” não se diferencia muito da retórica de comentaristas de direita como Demétrio Magnoli e Yvonne Maggie (sempre prontos a culpar os “particularismos” e os “racialistas” pela emergência dessa incômoda coisa chamada racismo, que não existia quando os “racialistas” negros estavam calados), por mais, claro, que Safatle seja um pensador muito mais sofisticado que qualquer um dos dois citados.

A prova dessa diferença na sofisticação é que Safatle antecipa essa objeção e insiste que “a crítica à sociedade multicultural aqui proposta nada tem a ver com o medo de que o cosmopolitismo e o relativismo cultural vão provocar uma erosão das bases de nossos valores ocidentais” (35). O medo descrito na oração subordinada é característico, como sabemos, da retórica da direita, especialmente, mas não só, na Europa. Mas aqui não custa introduzir uma dúvida: será? Será mesmo? A insistência, presente no livro de Safatle, na indispensabilidade do Estado não seria o mais ocidental dos valores? Será que o argumento de que as lutas “culturais” de indígenas, negros, mulheres e gays “atomiza” a luta verdadeiramente importante vem de matriz tão diferente assim do argumento de direita, de que esses “particularismos” são uma ameaça nefasta? Será que o receio da esquerda à la Safatle, de que a proliferação de diferenças solape o poder universalista do Estado realmente não tem nenhum parentesco com o receio da direita, de que a proliferação das diferenças solape “os valores ocidentais”? A pura e simples afirmação de que esse parentesco não existe não a torna verdadeira.

Segundo Safatle, “da esquerda espera-se um detalhamento minucioso dos processos governamentais que devem ser postos em prática para realizar suas propostas” (77). Mas impõe-se aqui a pergunta: como reconciliar isso com o postulado de que “o que devemos fazer é não recusar esses processos contingentes e inesperados que têm a força de romper o tempo” (75)? O que fazer quando a irrupção dos processos contingentes jogam por terra o “detalhamento minucioso” dos “processos governamentais”? Para usar um exemplo concreto e brasileiro: será que o governo de centro-esquerda, liderado por um partido supostamente de esquerda, está atento à enorme insatisfação que vai se gestando no interior dos movimentos populares, entre quilombolas, indígenas, gays, lésbicas, ribeirinhos, instâncias daquelas diferenças às quais, segundo Safatle, a esquerda deveria ser indiferente? Será que, quando e se essa insatisfação eclodir e “romper o tempo”, o “detalhamento minucioso dos processos governamentais” será capaz de contê-las ou representá-las? No caso que é mais provável, o negativo, que legitimidade restará a essa esquerda então?

Em A esquerda que não teme dizer seu nome, Safatle volta a repetir um conhecido mantra dessa corrente, a de que a filosofia da história de Hegel “não foi bem compreendida” (e que, aí já concluo eu, bastaria compreendê-la corretamente para que o problema se resolvesse). Pode ser que essa “má compreensão” seja um fato. Mas o que é fato cabal também é que a esquerda hegeliano-marxista brasileira jamais considerou com cuidado, ou refutou, argumentos como os do professor cubano radicado na Bahia, Carlos Moore que, em O marxismo e a questão racial, mostrou, com abundantes citações, como há um núcleo estruturalmente racista no interior do pensamento marxiano, visível nos elogios à escravidão como força modernizadora, nas muitas referências ao “atraso” de africanos, aborígenes, asiáticos e ameríndios, e nas justificativas à pilhagem e à carnificina fora da Europa como base para o desenvolvimento, para ficar em três exemplos óbvios.

Creio firmemente em ater-me ao texto que se discute e em não usar quaisquer menções às posições institucionais ou geográficas de seus autores como parte da argumentação. Mas aqui, não custa lembrar a filiação (intelectual, não é a pessoal que importa) de Safatle às correntes hegemônicas no pensamento de esquerda brasileiro do último século, a saber, as ciências humanas e sociais produzidas no estado de São Paulo, especialmente na USP. Safatle se instala na franja esquerda desse pensamento ao defender, de forma corajosa, os mecanismos do poder popular para além do Estado democrático de direito. Mas repete a endêmica incapacidade desse pensamento de refletir sobre as lutas das comunidades étnicas, raciais, de gênero e de orientação sexual a não ser como apêndices desimportantes à luta principal. A esquerda uspiana segue defendendo seu universalismo hegeliano-marxista sem considerar a hipótese de que ele seja menos universal do que parece.

Em outras palavras, e em bom português: a esquerda paulista precisa visitar o Xingu. A esquerda uspiana precisa considerar, a sério, a possibilidade de que as críticas a Hegel, Marx e Adorno não vêm somente de pessoas que “não entenderam” suas obras. A esquerda hegeliano-marxista tem que questionar esse estranho esquema de pensamento segundo o qual a luta de classes industrial é “política” e a luta dos quilombolas é “cultural”. Que a esquerda paulistana lute para desalojar a direita da prefeitura, mas que não se esqueça do que os seus aliados sul-matogrossenses fazem contra os Guarani Kaiowá (a estas alturas, quase todo mundo já descobriu, mas continua agindo como se não soubesse). Que a esquerda hegeliano-marxista repense o seu uso dos verbos “voltar”, “regressar”, “recuperar” e “restaurar” sempre que se trata da defesa das formas de vida indígenas. Ao contrário, o preço a pagar pode ser a crescente indistinção entre a esquerda que não teme dizer seu nome e a esquerda que não ousa dizer seu nome, curiosíssimo e revelador ato falho cometido por alguns perfis de esquerda na divulgação do ótimo livro de Safatle na internet.
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Fonte:http://revistaforum.com.br/idelberavelar/2012/10/09/resenha-de-a-esquerda-que-nao-teme-dizer-seu-nome-de-vladimir-safatle/