sábado, 17 de novembro de 2012

JULGAMENTO DO MENSALÃO: Efeitos colaterais das sentenças

17.11.2012
Do portal do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 14/11/12
Por  Luciano Martins Costa, na edição 720


Em meio ao exaustivo noticiário sobre o rescaldo das condenações do grupo político de réus na Ação Penal 470, chama atenção uma reportagem da Folha de S.Paulo sobre um efeito colateral do inédito funcionamento do Supremo Tribunal Federal: banqueiros, advogados e dirigentes de empresas que negociam ações no mercado de capitais estariam preocupados com uma possível mudança na rotina dos julgamentos de crimes financeiros.
Folha não cita o caso específico, mas deve pesar também nessas avaliações a recente prisão do banqueiro Luis Octavio Índio da Costa, ex-dono do Banco Cruzeiro do Sul, que passou 17 dias no cadeião de Pinheiros, unidade de detenção provisória na zona oeste de São Paulo.
Índio da Costa não esquentou a cela: foi detido no dia 24 de outubro e liberado no dia 9 de novembro, graças a um habeas corpus de um desembargador do Tribunal Regional Federal de São Paulo, e segue respondendo à acusação de fraude num montante superior a R$ 4 bilhões.
Jornalistas do setor sabem que o crime de que o banqueiro e seus sócios estão sendo acusados é extremamente grave, e personagens ouvidos pela imprensa têm consciência de que ele poderá voltar à prisão em breve, por conta de novas acusações. Ainda assim, surpreende alguns entrevistados o fato de um banqueiro ter sido colocado atrás das grades, mesmo que por apenas duas semanas: por não ter diploma de curso superior, Luis Octavio Índio da Costa teve que amargar a cela comum, sem regalias.
Temor generalizado
Mas a reportagem que a Folha de S.Paulo traz na edição de quarta-feira (14/11) não se refere aos processos em fase inicial, porque é do senso comum que o desempenho exibido pelo Supremo Tribunal Federal no caso chamado de “mensalão” está longe de representar a realidade nas demais instâncias da Justiça brasileira.
Nos foros primários e mesmo na segunda instância, a realidade não é a mesma que transformou em celebridade o ministro Joaquim Barbosa. Pelo contrário: a detenção de Índio da Costa, ainda que por curto prazo, é uma exceção à regra e só aconteceu porque se descobriu que ele andou espionando auditores do Banco Central na fase de liquidação do Banco Cruzeiro do Sul.
Mas o que está realmente assustando banqueiros e outros dirigentes de instituições que operam no mercado de capitais é o rigor da pena imposta à dona do Banco Rural, Kátia Rabello, na Ação Penal 470. Ela foi condenada a 16 anos e 8 meses de prisão, sob a acusação de haver autorizado empréstimos e permitido que o dinheiro fosse distribuído em suas agências sem identificação dos verdadeiros destinatários. Esses recursos financeiros são o eixo central do esquema condenado pelo Supremo Tribunal Federal.
Para os personagens ouvidos pela Folha, a pena imposta a Kátia Rabello é excessiva e desproporcional às suas responsabilidades objetivas na administração do banco.
Ninguém, além do advogado José Carlos Dias, defensor de Kátia Rabello, aceitou ter seu nome citado na reportagem da Folha, mas o texto deixa claro que há um temor generalizado de que o rigor das decisões do STF no caso chamado de “mensalão” comece a se espalhar pelas instâncias inferiores do sistema judiciário.
Empregos para advogados
Como um presidente de banco ou o vice-presidente jurídico de uma grande empresa de capital aberto não têm condições de verificar pessoalmente todas as operações financeiras que acontecem aos milhares, todos os anos, em seus negócios, teoricamente qualquer um deles pode vir a ser acusado por uma fraude numa agência remota e acabar condenado à prisão. Se todas as justificativas de votos apresentadas pelo relator da Ação Penal 470 vierem a formar um novo padrão, eles têm motivos de sobra para preocupações.
Há dois aspectos a serem observados na análise dessa reportagem: um deles é o risco de tal assunto cair no lodo do maniqueísmo, reforçando a demonização do setor financeiro e estimulando juízes com vocação para o estrelato a buscar o caminho fácil das sentenças exageradas para se destacar entre seus pares.
Outra consequência – que, segundo a Folha de S.Paulo, já está acontecendo – é o aumento de custo dos departamentos jurídicos das empresas cujas operações financeiras se enquadram nos padrões mais sensíveis.
Não vai faltar trabalho para advogados.
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Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/efeitos_colaterais_das_sentencas

Você Já Conhece Franquias Virtuais?

17.11.2012
Do portal  JOVEM EMPRESÁRIO

Você já conhece franquias virtuais?

Uma das maneiras mais fáceis de iniciar o próprio negócio é investindo em franquias. Normalmente, as franquias tradicionais oferecem o negócio já consolidado, aprovado pelo consumidor e com um modelo pronto, o que facilita o andamento do empreendimento. E o modelo de franquias virtuais? Você conhece e sabe como funciona?
Uma franquia virtual é o uso de uma marca criada para ser usada apenas noambiente online. De acordo com Dra. Melitha Novoa Prado, consultora de relacionamento em redes, as regras são as mesmas de uma franquia física. “Você terá que seguir as regras de venda da marca  que você comprou. Você paga para usar a marca, mas os lucros da loja ou prestadora de serviços são seus diretamente”, conta a especialista.
Segundo Ricardo Camargo, diretor executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF), atualmente existem 11 franquias virtuais associadas à entidade. Esse número, no entanto, tende a crescer nos próximos anos. “As franquias virtuais são encaradas como uma tendência de franchising. A expectativa é de que nos próximos cinco anos a quantidade de redes com este modelo crescerá entre 25% e 30% ao ano”, afirma Camargo.
Este crescimento está diretamente atrelado às facilidades e a autonomia que o empreendedorconsegue ter com a sua rotina. “Quem é dono de um negócio virtual não tem horários fixos e nem local de emprego estabelecido. É possível trabalhar até de frente para o mar, com um laptop à mão”, conta a Dra. Melitha. Além disso, o amadurecimento da internet auxilia o desenvolvimento desse tipo de negócio. Segundo o e-bit, o mercado online faturou R$ 8,4 bilhões só no primeiro semestre de 2011. O crescimento em relação ao mesmo período em 2010 foi de 24%.
Outro fator que incentiva o investimento em franquias virtuais é a facilidade de operar sem loja física, além de o custo ser menor, exigindo do interessado investimentos entre R$ 5.000 e R$ 50.000. Com isso, a variedade de serviços oferecidos por esse tipo de rede é grande, como vendas de soluções em estratégia de marketing digital, serviços de consultoria variados, oferta de emprego e venda de produtos eletrônicos.
Cuidados
Itens como baixo custo de investimento, possibilidade de retorno rápido e um mercado que fatura bilhões de reais anualmente, tornam esse modelo de negócio tentador aos olhos de novosempreendedores. No entanto, tornar-se um franqueado desse tipo requer cuidados. É imprescindível que os interessados pesquisem e questionem o tipo de suporte oferecido pelos franqueadores.  “Os cuidados e os riscos para se tornar um franqueado virtual são os mesmos que em qualquer outro tipo de franquia, por isso é essencial que o interessado tenha todos os detalhes necessários que os auxiliem em sua tomada de decisão”, reforça Melitha.
A consultora de relacionamento ainda chama a atenção para um item muito importante e que osempreendedores devem ficar de olho. Seguindo as mesmas regras das redes tradicionais, a franqueadora virtual também deve obedecer aos parâmetros da Lei de Franchising (8.955/94), bem como às práticas de mercado atuais na sua concessão e gestão.
Já os donos das franquias precisam tomar cuidado também na escolha do franqueado. Realizar uma forte análise de perfil antes de aceitar um franqueado é extremamente importante, afinal, uma escolha mal feita traz sérios prejuízos para a rede.
Para finalizar, a profissional faz uma ressalva importante. “Em quase 30 anos de franchising no Brasil, muitas novidades vieram para ficar e outras ainda surgirão, mas é preciso olhar com cautela para tudo o que surge, seja inovador ou releitura de negócios já existentes”, conta.
fonte: pensandogrande.com.br

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Fonte:http://jovemempresario.com/voce-ja-conhece-franquias-virtuais/

Criminosos incendeiam ônibus em Santa Catarina.

17.11.2012
Do portal MSN/ESTADÃO
Por DANIEL CARDOSO, estadao.com.br

Santa Catarina enfrentou outra noite de atentados e mais uma cidade entrou na lista de alvo dos bandidos. 


Santa Catarina enfrentou outra noite de atentados e mais uma cidade entrou na lista de alvo dos bandidos. Em São Francisco do Sul, no litoral norte do Estado, um grupo de homens interceptou um ônibus por volta da 0h45 deste sábado e ateou fogo ao veículo após pedir para passageiros, motorista e cobrador desembarcarem.

Os criminosos também atacaram unidades policiais. O primeiro ataque ocorreu às 23h30 da sexta-feira, quando dois homens de moto dispararam cinco tiros contra a base da Polícia Militar, no Campeche, em Florianópolis. Havia apenas um policial no local, que não ficou ferido.

Por volta da 1h30 do sábado, criminosos jogaram um coquetel molotov em um veículo estacionado no pátio de uma delegacia. O carro estava no local porque havia sido apreendido.

Em São José, no bairro Areias, os bandidos alvejaram a base da Guarda Municipal, atingindo com 10 tiros o prédio da instituição e duas viaturas que estavam estacionadas no pátio. O ataque ocorreu às 3h30.

"Apesar dos ataques, fica evidente que a onda de violência perde força. Isso ocorre pela presença ostensiva das polícias nas ruas e do trabalho de inteligência", afirmou João Batista Réus, major do Centro de Comunicação Social da PM. Desde o início dos ataques, 47 pessoas foram detidas por envolvimento com os atentados.

O estado de tensão da população, porém, é evidente. Nesta madrugada, a polícia recebeu denúncias com base em eventos rotineiros. Em Gaspar, um grupo de pessoas fazia uma fogueira na praia próximo a duas Kombis. Com medo, algumas pessoas pensaram que era um incêndio e ligaram para denunciar.

Outro caso foi de um caminhoneiro em Itajaí que fazia uma fogueira à noite e, após denúncia por telefone, acabou sendo abordado pela polícia para apuração dos fatos. "Isso mostra que as pessoas ainda estão tensas, mas atentas a qualquer caso", explicou o major.

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Fonte:http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/criminosos-incendeiam-%C3%B4nibus-em-santa-catarina?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Perda de mandato de réus divide o Supremo

17.11.2012
Do jornal FOLHA DE S.PAULO
De BRASÍLIA


STF terá que definir se cassa os deputados considerados culpados ou se a decisão deve ser tomada pela Câmara
Para Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e Marco Aurélio, decisão cabe ao STF; Celso de Mello e Lewandowski se opõem

A cassação dos mandatos dos três deputados condenados no julgamento do mensalão divide os ministros do Supremo Tribunal Federal e tem potencial para provocar novos embates no plenário.

O STF terá de decidir se cabe à corte estabelecer a imediata perda do mandato dos deputados condenados ou se essa definição deve ser tomada pela própria Câmara.

O relator do processo, Joaquim Barbosa, tentou colocar a medida em votação nesta semana, mas não teve sucesso porque os ministros argumentaram falta de tempo para tratar da polêmica.

Dos 25 condenados no processo do mensalão, são hoje parlamentares João Paulo Cunha (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e Valdemar Costa Neto (PR-SP). O petista José Genoino poderá assumir uma vaga na Câmara em janeiro.

Segundo ministros da Folha ouvidos sob a condição de anonimato, Barbosa, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello devem defender que a decisão cabe ao Supremo. A tendência é que Ricardo Lewandowski e Celso de Mello deixem a palavra final à Câmara, já que o artigo 55 da Constituição define as regras para perda do mandato.

Este artigo estabelece que "a perda do mandato será decidida pela Câmara, por voto secreto e maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa Diretora ou de partido político representado no Congresso".

O texto ainda afirma que ocorre a cassação do parlamentar "que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado".

No julgamento do mensalão, só o ex-ministro Cezar Peluso tratou da questão quando votou o caso de João Paulo. Ele pediu a perda do cargo pelo crime ter ocorrido no exercício do mandato.

Sem consenso dos ministros, a equipe jurídica da Câmara insistirá que a decisão final será dada pela Casa.

A expectativa de integrantes da Câmara é que deve prevalecer o entendimento de que a cassação depende do aval dos plenário da Casa.

Isso porque no julgamento do deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), realizado em 2011, ministros se manifestaram nesse sentido, inclusive o relator do caso, o ministro Dias Toffoli. Foram nessa linha Luiz Fux, Lewandowski, Mendes, Cármen Lúcia e Ayres Britto. Todos eles, exceto o último, devem se pronunciar sobre o caso.

"O ministro Paulo Brossard falava que nós não poderíamos reduzir o Congresso a um 'carimbador' de uma decisão daqui", disse Cármen Lúcia. "Deve-se oficiar à Mesa da Câmara para fins de deliberação a respeito de eventual perda de seu mandato", declarou Toffoli.

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Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/78448-perda-de-mandato-de-reus-divide-o-supremo.shtml

Espanha quer aliança com América Latina para enfrentar crise

17.11.2012
Do BLOG DA FOLHA, 16.11.12
Por BBC Brasil

Brasília - O rei espanhol Juan Carlos abriu hoje (16) a 22ª Cúpula Ibero-Americana, em Cádiz, propondo alianças entre a Espanha, Portugal e os países da América Latina a fim de aproveitar a atual bonança econômica das antigas colônias. Segundo ele, os dois lados do oceano devem falar com "uma só voz".
"Nossos olhos estão em vocês, temos experiência que se pode dividir", disse aos chefes de Estado e de Governo da América Latina presentes à inauguração da cúpula. Para o rei, atualmente o Continente Latino-Americano tem mais coesão social, mas ainda precisa lutar contra as desigualdades.
"A Espanha tem sido terra de acolhida da América Latina", disse o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy. Segundo ele, contar com "mais América Latina na Europa e na Espanha é uma receita imbatível para afrontar os atuais desafios".
O que ficou claro na abertura do encontro é o desejo de "uma relação renovada" entre a América Latina, a Espanha e Portugal.
Neste primeiro dia, a presidenta Dilma Roussef teve duas reuniões bilaterais com os colegas da República Dominicana e do Haiti.
Acompanham a presidenta brasileira os ministros Antonio Patriota, das Relações Exteriores, Aloizio Mercadante, da Educação, Helena Chagas, da Comunicação Social, e Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais.
Amanhã (17), a presidenta Dilma deverá se posicionar sobre a crise na Europa ibérica, na sessão plenária em que os chefes de Estado e de Governo assinarão a Declaração de Cádiz.
O documento destacará o desenvolvimento de infraestruturas, a promoção de micro, pequenas e médias empresas e políticas de crescimento econômico e emprego.
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Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-11-16/espanha-quer-alianca-com-america-latina-para-enfrentar-crise

Estudante que tenta ressuscitar Arena e é contra cotas e Bolsa-Familía, é bolsista do Prouni

17.11.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 16.11.12

Cibele Bumbel Baginski, que  foi filiada ao DEM, é contra cotas e o Bolsa Familía  é Bolsista do Prouni (Programa Universidade para Todos) do governo Lula.

A estudante  tenta refundar a Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido que apoiou a ditadura militar no país, diz que é agradecida ao ex-presidente Lula pelo financiamento de seus estudos.Presidente da sigla Arena, a gaúcha Cibele Baginski recebe bolsa integral do programa federal para cursar Direito na Universidade de Caxias do Sul (RS)

Cibele, porém, diz não enxergar contradição entre sua bolsa e a posição adotada pela nova Arena."Prouni não é cota.  E completa: "O Prouni, graças a Deus, ainda não tem cota. Todo mundo pode entrar independente de cor, opção sexual ou anteninhas na cabeça ou não" diz ela.

ProUni, também é cotas...


O Prouni, que concede bolsas de estudo em instituições privadas do ensino superior a alunos de baixa renda, foi criado pelo governo Lula em 2004 e começou a vigorar no ano seguinte. O programa reserva cotas para pessoas com deficiência e alunos negros, pardos e indígenas.

Cibele também  declarou durante a semana que, é contra o Bolsa-Família por que, segunda ela, "O  Bolsa-Família, e outros,  são  programas assistencialistas  ridículos." O que tu vês é uma mãe tendo uma penca de filhos e recebendo R$ 50 para dar comida para cada um".

Entre as bandeiras defendidas pelo seu  partido estão ações como "abolição de quaisquer sistemas de cotas raciais, de gênero ou condições "especiais""

Leia também: 

Estudante tenta ressuscitar o partido do regime militar

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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2012/11/estudante-que-tenta-ressuscitar-arena-e.html

Poderosos e “poderosos” no mensalão

17.11.2012
Do blog VAMOS COMBINAR, 16.11.12
Por Paulo Moreira Leite

Num esforço para exagerar a dimensão do julgamento do Supremo, já tem gente feliz porque agora  foram condenados “poderosos…”

Devagar. Você pode até estar feliz porque José Dirceu, José Genoíno e outros podem ir para a cadeia e cumprir longas penas.

Eu acho lamentável porque não vi provas suficientes.


Você pode achar que elas existiam e que tudo foi expressão da Justiça.

“Poderosos?” Vai até o Butantã  ver a casa do Genoíno…

Poderosos sem aspas, no Brasil, não vão a julgamento, não sentam no Supremo e não explicam o que fazem. As maiores fortunas que atravessaram o mensalão ficaram de fora, né meus amigos. Até gente que estava em grandes corrupções ativas,  com nome e sobrenome, cheque assinado, dinheiro grosso, contrato (corrupção às vezes deixa recibo)  e nada.
Esses escaparam, como tinham escapado sempre, numa boa, outras vezes.

É da tradição.  Quando por azar os poderosos estão no meio de um inquérito e não dá para tirá-los de lá, as provas são anuladas e todo mundo fica feliz.

É só lembrar quantas investigações foram anuladas, na maior facilidade, quando atingiam os poderosos de verdade… Ficam até em segredo de justiça, porque poderoso de verdade se protege até da maledicência… E se os poderosos insistem e tem poder mesmo, o investigador vira investigado…

Poderoso não é preso, coisa que já aconteceu com Genoíno e Dirceu.
Já viu poderoso ser torturado? Genoíno já foi.

Já viu poderoso ficar preso um ano inteiro sem julgamento sem julgamento?

Isso aconteceu com Dirceu em 1968.

Já viu poderoso viver anos na clandestinidade, sem ver pai nem mãe, perder amigos e nunca mais receber notícias deles, mortos covardemente, nem onde foram enterrados? Também aconteceu com os dois.

Já viu poderoso entregar passaporte?

Já viu foto dele  com retrato em cartaz de procurados, aqueles que a ditadura colocava nos aeroportos. Será que você lembrou disso depois que mandaram incluir o nome dos réus na lista de procurados?

Poderoso? Se Dirceu fosse sem aspas,  o Jefferson não teria dito o que disse. Teria se calado, de uma forma ou de outra. Teriam acertado a vida dele e tudo se resolveria sem escândalo.

Não vamos exagerar na sociologia embelezadora.

Kenneth Maxwell, historiador respeitado do Brasil colonial, compara o julgamento do mensalão ao Tribunal que julgou a inconfidência mineira. Não, a questão não é perguntar sobre Tiradentes. Mas sobre  Maria I, a louca e poderosa.

Tanto lá como cá, diz Maxwell, tivemos condenações sem provas objetivas. Primeiro, a Coroa mandou todo mundo a julgamento. Depois, com uma ordem secreta, determinou que todos tivessem a vida poupada – menos Tiradentes.

Poderoso é quem faz isso.

Escolhe quem vai para a forca.

“Poderoso” pode ir para a forca, quando entra em conflito com sem aspas.

Genoíno, Dirceu e os outros eram pessoas importantes – e até muito importantes – num governo que foi capaz de abrir uma pequena brecha num sistema de poder estabelecido no país há séculos.

O poder que eles representam é o do voto. Tem duração limitada, quatro anos, é frágil, mas é o único poder para quem não tem poder de verdade e  depende de uma vontade, apenas uma: a decisão soberana do povo.

Por isso queriam um julgamento na véspera da eleição, empurrando tudo para a última semana, torcendo abertamente para influenciar o eleitor, fazendo piadas sobre o PT, comparando com PCC e Comando Vermelho…

Por isso fala-se  em “compra de apoio”, “compra de consciências”, “compra de eleitor…” Como se fosse assim, ir a feira e barganhar laranja por banana.

Trocando votos por sapatos, dentadura…

Tudo bem imaginar que é assim mas é bom provar.

Me diga o nome de um deputado que vendeu o voto. Um nome.
Também diga quando ele vendeu e  para que.

Diga quem “jamais” teria votado no projeto x (ou y, ou z) sem receber dinheiro e aí conte quando o parlamentar x, y ou z colocou o dinheiro no bolso.

Estamos falando, meus amigos, de direito penal, aquele que coloca a pessoa na cadeia. E aí é a acusação que tem toda obrigação de provar seu ponto.

Como explica Claudio José Pereira, professor doutor na PUC de São Paulo, em direito penal você não pode transferir a responsabilidade para o acusado e obrigá-lo a provar sua inocência. Isso porque ele é inocente até prova em contrário.

O Poder é capaz de malabarismos e disfarces,  mas cabe aos homens de boa fé não confundir rosto com máscara, nem plutocratas com deserdados…

Poder é o que dá medo, pressiona, é absoluto.

Passa por cima de suas próprias teorias, como o domínio do fato, cujo uso é questionado até por um de seus criadores, o que já está ficando chato.

Nem Dirceu nem Genoíno falam ou falaram pelo Estado brasileiro, o equivalente da Coroa portuguesa. Podem até nomear juízes, como se viu, mas não comandam as decisões da Justiça, sequer os votos daqueles que nomearam.

Imagine se, no julgamento de um poderoso, o ministério público aparecesse com uma teoria nova de direito, que ninguém conhece, pouca gente estudou de verdade – e resolvesse com ela pedir cadeia geral e irrestrita…

Imagine se depois o relator resolvesse dividir o julgamento de modo a provar cada parte e assim evitar o debate sobre o todo, que é a ideia de mensalão, a teoria do mensalão, a existência do mensalão, que desse jeito “só poderia existir”, “está na cara”, “é tão óbvio”, e assim todos são condenados, sem que o papel de muitos não seja demonstrado, nem de forma robusta nem de forma fraca…

Imagine um revisor sendo interrompido, humilhado, acusado e insinuado…

Isso não se faz com poderosos.

Também não vamos pensar que no mensalão PSDB-MG haverá uma volta do Cipó de Aroeira, como dizia aquela música de Geraldo Vandré.

Engano.

Não se trata de uma guerra de propaganda. Do Chico Anísio dizendo: “sou…mas quem não é?”

Bobagem pensar em justiça compensatória.

Não há José Dirceu, nem José Genoíno nem tantos outros que eles simbolizam no mensalão PSDB-MG. Se houvesse, não seria o caso. Porque seria torcer pela repetição do erro.

Essa dificuldade mostra como é grave o que se faz em Brasília.

Mas não custa observar, com todo respeito que todo cidadão merece: cadê os adversários da ditadura, os guerrilheiros, os corajosos, aqueles que têm história para a gente contar para filhos e netos?  Aqueles que, mesmo sem serem anjos de presépio nem freiras de convento, agora serão sacrificados, vergonhosamente porque sim, a Maria I, invisível,  onipresente, assim deseja.

Sem ilusões.

Não, meus amigos. O que está acontecendo em Brasília é um julgamento único, incomparável. Os mensalões são iguais.

Mas a política é diferente. É só perguntar o que acontecia com os brasileiros pobres nos outros governos.  O que houve com o desemprego, com a distribuição de renda.

E é por isso que um deles vai ser julgado bem longe da vista de todos…

E o outro estará para sempre em nossos olhos, mesmo quando eles se fecharem.
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Fonte:http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2012/11/16/poderosos-e-%E2%80%9Cpoderosos%E2%80%9D-no-mensalao/

Grávida de 12 anos é assassinada com tiro na cabeça e médicos salvam bebê

17.11.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO, 16.11.12
Uma menina de 12 anos, que estava grávida de oito meses, morreu após ser executada com vários tiros a 200m de casa na noite de quinta-feira (15/11), em Águas Lindas.

Segundo testemunhas, por volta de 20h um carro se aproximou da jovem e teria perguntado pelo irmão da garota. Um dos passageiros atirou de dentro do veículo. Um dos disparos atingiu a cabeça da vítima. Ela foi atendida no hospital Bom Jesus com traumatismo craniano e não resistiu.

Os médicos, no entanto, conseguiram salvar o bebê após uma cesariana. O crime foi no Bairro Cidade, próximo ao colégio Rui Barbosa.

A criança nasceu com dificuldade respiratória e precisa de ajuda de aparelhos para respirar. O bebê, uma menina, está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Regional de Ceilândia.
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Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br/app/outros/ultimas-noticias/46,37,46,12/2012/11/16/interna_brasil,408051/gravida-de-12-anos-e-assassinada-com-tiro-na-cabeca-e-medicos-salvam-bebe.shtml

Livro JK aponta injustiça e falha civil no Golpe de 64

17.11.2012 
Do BLOG DE JAMILDO, 28.07.2011
Postado por Jamildo Melo

A importância do político e do homem Juscelino Kubitschek – da saga e da construção de Brasília, o Presidente da República desenvolvimentista obrigado pelo regime militar brasileiro (1964-1985) a prestar depoimentos “sem pé nem cabeça” das 7 da manhã às 7 da noite, por dois meses – é o tema maior do livro “JK – A coragem da ambição”, que o empresário Mario Garnero lançará dia 3 de agosto próximo, das 11h30 a 12h40, com palestra, seguida de entrevista, na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo.

Garnero escreve que o livro não tem como objetivo ser uma biografia. “Não tem pretensão comercial, nem de status”, mas pretende dar uma dimensão humana e atual ao trabalho do Juscelino.Hoje um dos mais destacados empresários brasileiros, o autor conheceu o ex-presidente Juscelino Kubitschek, quando presidia, na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o Centro Acadêmico 22 de Agosto e o convidou para uma palestra.Juscelino estava em campanha para as eleições presidenciais de 1965, que seriam abortadas pelo regime militar, então sob o comando de Humberto de Alencar Castelo Branco.. 


“Permanecemos ao lado do Juscelino até o dia de sua cassação. Naquela época, eu me lembro que saía de casa e dizia para o meu pai: não sei se vou voltar. Muitas vezes cheguei a sair com revólver na cintura”, recorda Fernando Menezes, ex-diretor do Unibanco (hoje integrado ao Itaú), ao escrever sobre o autor de “JK – A coragem da ambição”, que tem o hotsite www.jkacoragemdaambicao.com.br.“Nós cuidávamos da organização das vindas de Juscelino a São Paulo.


 Não foi nada fácil, porque contávamos com a oposição dos “donos” do partido (PSD), principalmente do Auro Moura Andrade” (que foi presidente do Senado), comenta Menezes.Garnero destaca, no livro, que Juscelino foi um grande amigo e mentor. “Era um homem de muitas virtudes, correto e justo. Sabia analisar os grandes temas de interesse do Brasil. Foi capaz de transformar sonhos em realidade. Iniciou um projeto de desenvolvimento para o País, do qual colhemos frutos até hoje, 50 anos depois”. 


POPULARIDADE E INIMIGO NÚMERO UM


Segundo o autor, antes de dia 31 de março de 1964 – quando os militares tiraram do poder João Goulart -, o mineiro Juscelino Kubitschek dispunha de uma popularidade de quase 70% do eleitorado e já era o candidato indicado pelo PSD na corrida presidencial das eleições de 1965. O segundo colocado era Ademar de Barros (SP), com 18%, e o terceiro era Carlos Lacerda (RJ).“Do lado militar, houve um entendimento de que uma guerra entre os civis estava prestes a acontecer” (depois da queda de Goulart). 


Outro ponto citado por Garnero foi a popularidade da candidatura de JK, “a quem os demais candidatos jamais permitiriam que chegasse novamente ao poder pelo processo democrático. Dessa maneira, estabeleceu-se um único objetivo: a cassação de Juscelino. Carlos Lacerda defendeu isso claramente, com apoio dos outros candidatos”.Segundo o autor de “JK – A coragem da ambição”, o que o que os outros candidatos não sabiam é que eles mesmos colocaram uma corda no próprio pescoço.


Juscelino Kubitschek, afirma Garnero, até tentou uma aproximação com Lacerda, no sentido de buscar uma coordenação política, como havia feito em São Paulo com Franco Montoro e outras lideranças, para haver uma união em prol da democracia..


“Depois de duas horas de reunião com Roberto de Abreu Sodré, presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo e depois governador do Estado, coordenador da campanha de (Carlos) Lacerda, fui levá-lo ao aeroporto. Sodré me disse: “diga ao Juscelino que vamos caminhar para um entendimento”. No dia seguinte de manhã, nos jornais, havia uma declaração do Carlos Lacerda dizendo que JK era um ladrão e deveria ser cassado. Ou seja, Sodré, autorizado pelo Lacerda, disse uma coisa, e o Lacerda, à noite, fez outra”.


“COMO CIVIS,FALHAMOS”


Garnero estava na casa de JK no dia da cassação. “O processo de apoio civil a ele ruiu imediatamente. Eu não imaginava que pudesse haver a ruptura do sistema democrático, até então muito bem estabelecido durante o governo de Juscelino.


Ele passou dois meses fazendo depoimentos sem pé nem cabeça. Juscelino chegava às 7 da manhã e ficava em pé até as 7 da noite no quartel, com um sargento perguntando seu nome, pedindo para ele se identificar”.Na opinião de Garnero, “como civis, nós devemos assumir que falhamos”, criando todas as condições para Golpe de 64 e para a ditadura.“Juscelino sofreu muito após este episódio. JK, que poucos meses antes era o paradigma da democracia e do diálogo foi transformado em inimigo numero 1 da nação.. 


Ora, quando alguém, mesmo que sem motivos racionais, ou comprovações, recebe este título, até os cachorros mortos passam a uivar”.


CONVERSA FINAL

Mario Garnero relatou a última conversa com o ex-presidente, no dia de sua morte, 22 de agosto de 1976. Garnero almoçou com JK, no restaurante “La Tambouille”, no dia da morte dele, acompanhado pelo Adolpho Bloch (Revista Manchete) e pelo jornalista Mauro Ribeiro, então seu assessor. Ao final do encontro, quase beirando o anoitecer, insistiu e insistiu com 

Juscelino para que dormisse na fazenda dele em Campinas. Prometeu-lhe que, no dia seguinte, ambos seguiriam para Brasília, num jatinho já fretado. O ex-presidente, porém, foi de carro para o Rio de Janeiro, dizendo que tinha um encontro inadiável.

Dez horas da noite do mesmo dia, um ex-diretor da Volkswagen ligou para Garnero, comentando o desastre e a morte de Juscelino Kubitschek. “O avião que me levaria para Brasília, levou-me ao Rio para um dos momentos mais tristes da minha vida”, escreve.


O livro reproduz o artigo “JK: O começo do fim”, do escritor Carlos Heitor Cony, publicado em maio deste ano. Garnero antecipou o texto “JK – A Coragem da Ambição” para Cony. “Li na telinha o livro que você me mandou. Parabéns. Bem escrito e bem documentado”, comenta.
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Mia Couto: ativismo político também é feito com literatura

17.11.2012
Do portal OPERA MUNDI, 10.11.12
Por João Novaes | São Paulo

Poeta, jornalista e biólogo moçambicano participou da luta pela independência de seu país       

Viviane de Paula/Blog Colecionador de Pedras

Amantes da poesia lotaram o Bar do Zé Batidão, na zona sul, para acompanhar a conversa com Mia Couto e o sarau da Cooperifa

Sob a laje de um sobrado no Jardim São Luís, bairro de periferia na zona Sul de São Paulo, mais de cem pessoas se acomodavam para escutar atentamente e com confesso deslumbramento uma palestra informal do poeta, biólogo e jornalista moçambicano Mia Couto, autor de obras como “Terra Sonâmbula” (Cia. Das Letras, 1992 (1ª ed.), 208 pgs.), de passagem pelo Brasil para a divulgação de seu mais recente livro, “A Confissão da Leoa” (Cia das Letras, 2012, 256 pgs.).

Em meio aos populares do Bar do Zé Batidão, onde ainda participou de um sarau organizado pelo coletivo Cooperifa, na última quarta-feira (07/11), Mia parecia mais à vontade do que no dia anterior, quando conversou amigavelmente com um público mais elitizado, em uma sala de cinema do Conjunto Nacional, localizado nos Jardins, bairro ‘nobre’ da zona oeste. Nas duas ocasiões, conversou com a reportagem de Opera Mundi.

O perfil pacato e conciliador do escritor não esconde uma vida marcada pela militância, que começou nos anos 1970, quando participou da luta pela independência de Moçambique, quando se juntou à Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique). Hoje, desencantado, não participa mais da vida político-partidária do país (promete nunca mais voltar a se envolver com partidos), mas o ativismo está presente em suas atividades como jornalista, biólogo (dirige uma empresa de estudos sobre impactos ambientais) e, sem dúvida, em suas obras.

Ativismo político

“Política é um assunto tão sério que não pode ser deixado só nas mãos dos políticos. Temos de reinventar uma maneira de fazer política, porque isso afeta a nós todos. Faço isso pela via da escrita, da literatura, já que me mantenho jornalista e colaboro com jornais. Também faço intervenções como visitar bairros pobres onde as pessoas não recebem meu tipo de mensagem. Essa é a minha militância”, explica.

Atualmente, afirma manter uma distância crítica do governo, controlado pela Frelimo desde a independência, em 1975. Para ele, a proximidade entre o discurso e a prática do partido se distanciaram, mas afirma não haver ressentimento ou sensação de traição, pois considera que esse fenômeno se reproduz em todo o mundo. Ao contrário, se diz grato por seu tempo de militância partidária. “Fazer política hoje exige grande criatividade, temos de saltar fora de modelos, mas o modelo de fazer política faliu. Em todo o lado do mundo. Então é preciso reinventar, ter imaginação. Para ter imaginação é preciso sair fora dos padrões que vemos”.

Nascido António Emílio Leite Couto, filho de um casal de portugueses que já viviam há muitos anos no país africano, Mia cresceu em uma casa colonial na Beira, terceira maior cidade de Moçambique, em um meio rural e próximo do ambiente místico encontrado em algumas de suas histórias.

Wikmedia iCommons 
Polivalente, Mia também foi um dos autores do hino moçambicano

Na juventude, já morando em Maputo (na época colonial chamada de Lourenço Marques) e começando a ganhar destaque por seus poemas, decidiu estudar medicina. Por diretrizes da luta revolucionária, foi escalado como jornalista na Tribuna, publicando matérias favoráveis à independência – até o jornal ter sido incendiado por colonos portugueses. Lembra que nunca pegou em armas durante a luta pela independência, pois, embora os brancos fossem bem-vindos no movimento, não eram autorizados a atuar como guerrilheiros, mas no serviço clandestino.

Em suas histórias de luta pela independência, Mia lembra de como se alistou clandestinamente na Frelimo. “Havia na época um ritual chamado ‘confissão de sofrimento’, onde cada pessoa para ser aceita contava sua história de vida e todos os fatos que o colonialismo os fez sofrer. Ouvi cada história e me assustava, porque não tinha sofrido tanto quanto eles. Temia que teria de inventar uma história muito sofrida para ser aceito. Quando chegou minha vez de falar, me perguntaram: ‘É você que escreve poesias?’ e respondi que sim. Daí me disseram: ‘Então tudo bem, você pode entrar’”, conta, sempre provocando risos.

Atuação ambiental

Sobre seu trabalho com estudos de impacto ambiental, Mia é mais um entre os muitos ativistas moçambicanos a relatar a dificuldade para se encontrar um equilíbrio entre o ativismo nessa área e a agenda desenvolvimentista. Perguntado sobre os problemas que as grandes obras, principalmente relacionadas à mineração, têm causado às populações e ao meio ambiente, ele afirma que o principal problema se encontra na aplicação das leis.

“Moçambique tem uma grande fragilidade institucional que é seguir o que está na lei. O país tem leis, mas não a capacidade para acompanhamento e controle. Isso tem de ser resolvido. Por outro lado, é preciso prestar atenção, pois Moçambique está em uma armadilha grande: entre ficar como está e aceitar aquilo que vem [de fora], o que nem sempre é o melhor. O país lutou muito para atrair investimentos, para que sua imagem criasse simpatia com o grande capital. (...) Deve-se lembrar que a miséria também é um problema ambiental. [Não se pode] deixar os países como Moçambique como estão, como se estivessem bem, quando na verdade eles não estão [Mia criticou em outras ocasiões, assim como  neste caso, a corrente que defende que a África deveria permanecer um ‘continente selvagem’]. A miséria gera problemas enormes em Moçambique, tão insustentáveis quanto aos atribuídos à indústria, que muitas vezes é cega”. Para ele, o meio termo deste conflito só pode ser alcançado com o diálogo.

Engajamento poético

Entre tantos trabalhos e engajamentos, Mia considera que sua atividade mais importante é dar conselhos e orientações aos jovens moçambicanos que o procuram e manifestam seu desejo de se tornarem poetas. “A condição para o poeta não é que ele escreva bem, mas que tenha uma história a ser contada. A falta de domínio da técnica não deve ser um impedimento para continuar, não deve ser a morte do sonho”, afirma, lamentando que um dos locais onde mais se procure desencorajar essa iniciativa sejam justamente as escolas.

Foi muito aplaudido quando disse essa frase na Cooperifa, já que estava cercado de um público que, por muitas vezes, vê o seu direito a produção intelectual ser alvo de preconceito. “Acredita-se que a periferia pode dar jogador, cantor, dançarino, mas poeta? No sentido de que o poeta não produz só uma arte, mas pensamento...Acho que o grande racismo, a grande maneira de excluir o outro, é dizer que o outro pode produzir o que quiser, até o bonito, mas pensamento próprio, não. E vi aqui que havia um pensamento que está muito vivo e está fazendo acontecer coisas”


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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/perfis/25345/mia+couto+ativismo+politico+tambem+e+feito+com+literatura.shtml