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domingo, 4 de novembro de 2012

TÂNIA PASSOS: Pedestre sem vez na rua

04.11.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO
Por TÂNIA PASSOS*

Uma batalha diária para um universo de pessoas que se desloca a pé, sem as mínimas condições de estrutura e segurança

Distância de 750
metros entre a faixa
de pedestre da Igreja
do Pina, na Herculano
Bandeira, e a outra
mais próxima na
altura do Clinical
Center, na Avenida
Domingos Ferreira,
em Boa Viagem (ALCIONE FERREIRA/DP/D.A PRESS)
Distância de 750 metros entre a faixa de pedestre da Igreja do Pina, na Herculano Bandeira, e a outra mais próxima na altura do Clinical Center, na Avenida Domingos Ferreira, em Boa Viagem
Primeiro na escala da mobilidade e último entre as escolhas das atuais políticas urbanas, na maioria das cidades brasileiras, o pedestre desafia os mais diferentes obstáculos, mas precisa superar os próprios limites para seguir em frente. No meio do caminho enfrenta desde a ausência de calçadas, trechos esburacados, ocupação indevida do espaço destinado ao passeio e o que é pior falta de continuidade nas travessias em razão de uma política que privilegia o carro até na sinalização. O Diario de Pernambuco traz uma série, que inicia neste domingo e vai até a próxima terça-feira, sobre esses anônimos esquecidos, que representam 30% da população da Região Metropolitana do Recife. Hoje pedestre, por falta de opção, eles sonham em migrar para a classe privilegiada dos “carrocratas”. Uma perspectiva que vai de encontro às cidades sustentáveis no futuro. Ou se caminha na direção de opções não motorizadas de deslocamentos ou chegará o momento em que ninguém vai andar para lugar algum e no meio do caminho ao invés de buracos, serão apenas carros.

Caminhar sempre fez parte de uma atividade essencial para a sobrevivência das pessoas. Por muito tempo, a humanidade teve uma vida nômade. As cidades voltadas para os carros só começaram a surgir em meados do século 20. Os carros passaram a substituir as pernas, inclusive para pequenos trajetos. Mas para um universo ainda pequeno, o caminhar ainda é a opção para vencer distâncias. Esse universo poderia ser maior e a escolha de percorrer a pé distâncias razoáveis poderia se transformar numa rotina saudável para a maioria das pessoas 

Embora não haja consenso na legislação sobre a distância exata, entre uma faixa de pedestre e outra, os especialistas apontam que a distância não deve ultrapassar os 500 metros e estes precisam estar em condições adequadas para o pedestre. “O ideal é que fossem distâncias de 100 a 200 metros em áreas adensadas, mas são aceitáveis distâncias entre um quarteirão e outro, que medem em média 400 metros”, explicou o professor e doutor em mobilidade urbana, Oswaldo Lima Neto. 

No nosso primeiro exemplo do que não acontece na prática, trouxemos a realidade dos transeuntes que circulam na área do Cais de Santa Rita, área central do Recife. O ordenamento do que o pedestre não deve fazer para ir de um lado para outro do Cais, se deu com a instalação de gradis separando os dois lados da via. Um dos problemas dessa solução é que a única faixa de pedestre existente fica logo abaixo do Viaduto das Cinco das Pontas, no extremo Sul da Avenida Cais de Santa Rita. Quem estiver do meio para o extremo Norte da via, a sua segunda opção de travessia fica a 1,8 quilômetro de distância, onde finalmente há uma faixa de pedestre na altura do Marco Zero. A via que abre espaço e velocidade para o carro não leva em conta as necessidades de travessia de um lado a outro de quem trabalha ou reside nas imediações. “Instalar um sinal de pedestre no meio da via, nas imediações das duas torres, pode acarretar em acidente, uma vez que os motoristas que descem do viaduto precisariam de pelo menos 30 metros para serem avisados da faixa”, explicou Gina Viegas, assessora executiva da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU). 

Canteiro

Sobre a distância de quase dois quilômetros para a próxima faixa de pedestre, a assessora diz que faltou manutenção. “Aquela é uma área que está sendo reurbanizada e com certeza serão instaladas opções de faixas para o pedestre”, revelou Viegas. Um dos cálculos levados em conta na hora de se fazer uma faixa de pedestre, fora dos cruzamentos, é o número de pessoas que se desloca por hora no mesmo sentido. “Há uma estimativa de 100 a 200 pessoas por hora em deslocamentos que revelem o desejo de travessia e que denotam indicação de faixa ou semáforo de pedestre”, afirmou a assessora técnica da CTTU. 

E se menos pessoas fizerem essa travessia de forma contínua e permamente, ficam à própria sorte? O Diario acompanhou a travessia de moradores em um trecho sem nenhum tipo de segurança para o pedestre, mas mesmo assim se tornou um caminho “natural” de travessia. O início da Avenida Domingos Ferreira, uma das principais vias de acesso à Zona Sul. A via começa a partir de uma curva, que faz ligação com a Avenida Herculano Bandeira. Uma média de 57 mil veículos passa por dia no local. Nesse trecho, o intervalo entre uma faixa e outra é de quase 800 metros e para piorar a situação para o pedestre uma parte do canteiro central da avenida foi reduzido em cerca de 200 metros para facilitar a vida dos motoristas e tornar impossível a dos pedestres. Mesmo assim, eles atravessam em uma área larga onde cabem seis faixas para os carros. “É uma distância muito grande entre uma faixa e outra e sem nenhuma ilha de refúgio para o pedestre após a remoção do canteiro. É uma política que privilegia o carro”, criticou o engenheiro e consultor em mobilidade, Germano Travassos. Pode ser, mas é assim que é. 
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CRIMES DA DITADURA MILITAR: Ditadura brasileira expulsou mais de mil refugiados latino-americanos


04.11.2012
Do BLOG DE JAMILDO,03.11.12
Postado por Gilvandro Filho
Anos de chumbo

Reprodução da Internet

Agência Estado

No auge da repressão no Cone Sul, a partir dos anos 1970, o Itamaraty e militares brasileiros devolveram opositores buscados pelos regimes nos países vizinhos, rejeitaram dezenas de pedidos da ONU para que dessem asilo a famílias que estavam sendo ameaçadas e perseguidas e ainda forçaram a entidade a buscar uma saída desses refugiados para outros países. No total, em apenas cinco anos, o regime brasileiro na prática expulsou mais de 1 mil argentinos, uruguaios e chilenos do País, sempre com a cooperação da diplomacia brasileira.

As informações fazem parte de centenas de telegramas, relatórios e cartas que estão guardadas nos arquivos da ONU em Genebra e que o Estado pôde consultar com exclusividade.

No total, 3,3 mil latino-americanos chegaram ao Brasil entre 1977 e 1982 em busca de asilo político e fugindo da tortura. Mas o status de refugiado seria dado para apenas 1380 deles e todos, sem exceção, seriam transferidos pela ONU a locais "seguros" à pedido do governo brasileiro. Quase 90% deles eram argentinos ou uruguaios.

Nos diversos telegramas entre seus escritórios no Rio de Janeiro, Buenos Aires e a sede em Genebra, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados alerta para a recusa do Itamaraty e do governo brasileiro em aceitar que esses opositores permanecessem no território nacional de forma permanente.

"O governo continua a recusar dar asilo ou qualquer outro visto de residência permanente a nossos refugiados no Brasil", se queixava em 25 de junho de 1979 Rolf Jenny, vice-representante regional do Acnur em Buenos Aires. Pelo direito internacional, devolver a regimes ditatoriais pessoas que estão sendo perseguidas politicamente é considerado como um crime contra a humanidade. "O Brasil não aplica na prática a lei de asilo nacional para a esquerda ou não-europeus", informava a ONU em comunicados internos.

Segundo o telegrama de 25 de junho, Jenny confirmava que a entidade operava em uma "posição extra oficial" no País, por exigência do próprio regime militar brasileiro e num acordo com o Itamaraty. Além do sigilo em suas atividades, outra condição colocada pelo regime era de que a ONU "fizesse todo o possível" para dar um destino aos refugiados que estavam entrando no País. Ou seja, retirá-los do Brasil.

Em troca, o governo garantiria um prazo de seis meses para esses refugiados permanecerem na condição de "pessoas em trânsito". Mais do que isso, os documentos revelam que o Itamaraty fez questão de alertar que não haveria garantias de segurança.

Para justificar sua recusa em dar assistência a essas pessoas, o governo explicava à ONU que o Brasil "não era mais um país de imigração e que uma integração de refugiados era difícil". O argumento se repete em vários comunicados internos e em diversas reuniões entre diplomatas brasileiros e missões da ONU que, por anos, tentaram convencer o Brasil a mudar de posição.

De fato, já em 1984, num encontro entre a ONU e o então diretor do Departamento de Organismos Internacionais, Marcos Azambuja, o diplomata voltaria a explicar que diante da "circunstância econômica do país, o aumento do desemprego, o alto número de pessoas já ilegais no Brasil e os milhares de quilômetros de fronteira para o Brasil monitorar, o governo não considera adequado permitir uma estadia definitiva de refugiados diante de uma possível invasão".

A ONU não comprou o argumento, nem em 84 e nem durante a década de 70. Para fazer desmoronar a explicação dada pelo Itamaraty, a entidade internacional destacava como os portugueses que fugiam de Angola no processo de descolonização eram aceitos como imigrantes no país. "Deve ser notado, entretanto, que nos últimos anos, dezenas de milhares de portugueses chegaram e é difícil admitir que não haja a possibilidade para outras poucas centenas de refugiados", alertaria a entidade em um telegrama de 1978.

Se nas salas do Itamaraty os diplomatas tentavam apresentar suas posições, documentos da entidade revelam que, nos bastidores, o Brasil ajudou de forma ativa na perseguição de refugiados de países vizinhos até o final da década de 70 e chegou a fechar acordos formais para ajuda militares argentinos a perseguir opositores ao regime de Buenos Aires que tivessem cruzado a fronteira para o Brasil.

Num telegrama de dia 28 de março de 1979, a ONU conta como dois refugiados argentinos alertaram que haviam sido perseguidos no Brasil ao tentar pedir asilo. Um deles havia reconhecido um dos agentes da inteligência argentina que os seguia. O representante do regime de Buenos Aires era o mesmo que esse militante havia encontrado quando, meses antes, estava numa prisão na capital argentina.

"É obvio que nossa colônia de refugiados em trânsito no Brasil está mais que preocupada sobre os eventos", indicou a ONU. No mesmo telegrama, o Acnur relata como foi buscar de forma emergencial a ajuda da embaixada da Holanda no Brasil para aceitar os dois argentinos, Horacio de la Paz e Laura de Carli, como refugiados em Amsterdã.

Mas o depoimento desses argentinos ia além. Segundo a ONU, eles "foram informados de vários argentinos que foram sequestrados do Brasil e devolvido a seus países de origem".

Num outro relato de um refugiado argentino colhido pela ONU, mais um sinal da existência da colaboração oferecida pelo Brasil aos militares argentinos. Jaime Ori, membro do conselho superior do Movimento Peronista Montonero, relataria que foi informado na prisão ainda em seu país da "colaboração direta das autoridades brasileiras no sequestro de argentinos refugiados em território brasileiro". "Pude ver pastas com documentos e fotos facilitadas por autoridades militares brasileiras aos militares do II Corpo do Exército, em Rosario", contou Ori à ONU.

"Ele (Ori) conta como o Exército argentino havia conseguido um acordo com o Brasil e que consistia que o Grupo de Tarefa de Rosário se transferiria e se instalaria no Rio para operar sobre os exilados", indicou o documento da ONU. "Com tal objetivo, militares brasileiros facilitariam esta manobra, aportando casos operativos, proteção militar e legais às forças argentinas", completa o relato. Segundo a carta, o acordo valeria partir de março de 78.

Já numa carta de 2 de janeiro de 1979, o escritório da ONU no Rio informa a sede em Genebra que "evitou por milagre" a devolução por parte do Brasil de um estudante argentino para os militares em Buenos Aires.

Um telegrama de 28 de março de 1979 revelaria como, em janeiro daquele ano, o Itamaraty tinha amplo conhecimento das operações de repressão. Diplomatas brasileiros entraram em contato em caráter de emergência com a ONU para pedir que a entidade organizasse a saída imediata de três opositores argentinos que estavam no Brasil por "questões de segurança". "Depois de insistir, o Itamaraty nos confirmou que as Forças Armadas (brasileiras) não permitiram ficar", esclareceu o telegrama.

Em duas semanas, Eduardo Elisondo, Hugo Lambertucci e Hugo Pierro seriam transferidos para a Holanda e Suécia. "O Itamaraty deixou muito claro que a preocupação era de que, se não houvesse uma solução rápida, a proteção a esses refugiados contra uma deportação a seu país de origem, a Argentina, não poderia ser mantida", constatava a ONU.

A entidade avaliava que a atitude do Itamaraty colocava a diplomacia brasileira numa situação complicada, já que tentava mostrar que o País cumpria seus acordos. Mas precisava atuar conforme as ordens dos militares. "O Itamaraty tinha enfrentado obviamente um sério conflito interno com as forças de segurança", avaliava a ONU.

De todas as formas, citando uma fonte argentina, a entidade alertava que "a colaboração entre os serviços de inteligência ainda poderia ser uma realidade e que a segurança de refugiados em trânsito no Brasil poderia ser precária".

Um mesmo pedido de evacuação emergencial seria ainda repetido no caso de dois uruguaios que estavam em Porto Alegre e que estavam ameaçados de ser deportados. A ONU continuaria a pressionar o Brasil a dar o status de exilado político a essas pessoas perseguidas. Mas, num trecho de um telegrama do final dos anos 70, a ONU não disfarçava a total frustração diante do "categórico não" da parte do Itamaraty e Ministério da Justiça em relação à autorização para que esses refugiados permanecessem no País.
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Mídia GOLPISTA ESCONDE: Cachoeira usa lei criada pela máfia

04.11.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA


O silêncio absoluto diante de qualquer autoridade é marca registrada da máfia italiana. O consenso estabelecido pelos mafiosos de nunca colaborar com os investigadores, mesmo sob forte pressão, ficou conhecido como o princípio da Omertà. A palavra de etimologia italiana significa "conspiração." Quem quebra o código máximo das organização criminosa é, geralmente, punido com a morte. Todos os membros da quadrilha comandada por Carlinhos Cachoeira seguiram o código do silêncio à risca. "Vou fazer uso das prerrogativas constitucionais e me reservar ao direito de permanecer em silêncio." Essa foi a frase padrão mais ouvida durante os depoimentos dos envolvidos no escândalo.

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BOICOTE AO ENEM: MEC identifica fonte de boato sobre Enem cancelado

04.11.2012
Do blog LUÍS NASSIF ON LINE,03.11.12
Por Estadão

Tuiteiro nega ter espalhado informação falsa que alcançou 4º lugar entre os Trending Topics mundiais

Sobre a hashtag #GuiPanguaInocente, Guilherme afirma que a campanha é "justa" porque, segundo ele, não começou a onda de boatos.
A Polícia Federal investiga o caso de um usuário do Twitter que espalhou boatos de que o Enem 2012 foi cancelado. Segundo o Ministério da Educação (MEC), a informação é falsa e partiu do perfil chamado Chora Minha Nega (@gui_pangua), que se descreve como "Um cara que não tem o que fazer e fica o dia inteiro na internet". Ele postou a primeira mensagem com a hashtag #Enem2012Cancelado às 10h08. A palavra-chave alcançou o 4.º lugar dos Trending Topics mundiais na manhã deste sábado, 3.
Às 12h04, @gui_pangua postou: "fui almoçar q quando volto sou foragido da pol. federal" (sic).
Vários tuiteiros saíram em defesa de @gui_pangua e lançaram a hashtag #GuiPanguaInocente. Alegam que o "Chora Minha Nega" não foi a origem dos boatos, que teriam partido da Vovó da Fiel (@Vovo_Panico). Este perfil postou às 2h12 deste sábado: "GALERA!!! Avisem os Amigos que o Enem foi cancelado... Descobriram uma fraude agora! #ENEMcancelado" (sic).
Em entrevista por Twitter, @gui_pangua, que se identifica como Guilherme, de 20 anos, diz que "apenas foi na onda" e também postou hashtags sobre o cancelamento da prova que estavam sendo publicados desde a madrugada. "Não acho justo o MEC me responsabilizar."
Sobre a hashtag #GuiPanguaInocente, Guilherme afirma que a campanha é "justa" porque, segundo ele, não começou a onda de boatos.

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PML: QUEM NÃO TEM VOTO CAÇA COM VALÉRIO

04.11.2012
Do blog CONVERSA AFIADA, 03.10.12
Por Paulo Henrique Amorim

Nem mesmo quando, preso por outras razões, tomava porrada de colegas de presídio numa cadeia, lembrou que podia contar algo para se proteger?



Folha (*) e  Estadão oferecem na capa da edição deste sábado uma delação premiada ao Marcos Valério, o novo Herói da Moral Udenista, trono até aqui ocupado por Thomas Jefferson, a única “prova” produzida para condenar o Dirceu.

O que dá mais relevância a este excelente artigo de Paulo Moreira Leite.

Ele desmonta também a farsa do evento Celso Daniel, uma espécie de D. Sebastião da Elite brasileira.

Quando a coisa aperta, eles chamam D. Sebastião !

Ao PML: 

QUEM NÃO TEM VOTO CAÇA COM VALÉRIO


O alvoroço provocado pela notícia de que Marcos Valério pode ter informações comprometedoras contra Lula, Antônio Palocci e até sobre o caso Celso Daniel chega a ser vergonhoso.

Desde a denuncia de Roberto Jefferson que Valério tem demonstrado grande disposição para colaborar com a polícia.

Foi ele quem entregou a relação de 32 beneficiários das verbas do mensalão, inclusive Duda Mendonça.

Conforme os advogados de um dos réus principais, ao longo do processo Valério fez quatro tentativas de oferecer novas delações em troca de uma redução de sua pena.  As quatro foram rejeitadas.

O estranho,  agora, não é a iniciativa de Valério, mais do que compreensível para quem se encontra numa situação como a sua. Não estou falando apenas dos 40 anos de prisão.

As condenações de José Dirceu  e José Genoíno se baseiam em “não é possível que não soubessem”, “não é plausível”, “um desvio na caminhada” e assim por diante.

Eu acho legítimo pensar que deveriam ser questionadas em novo julgamento,  o que certamente poderia ser feito se tivessem direito a uma segunda instância, como vai ocorrer com os réus do mensalão PSDB-MG que foram desmembrados nestes “dois pesos, dois mensalões,” na antológica definição de Jânio de Freitas.

Parece muito difícil questionar o mérito das acusações contra Valério.  Ele participava de um esquema para levantar recursos de campanha. Mas seu interesse era comercial, digamos assim. Pretendia levantar R$ 1 bilhão até o fim do governo, disse Silvio Pereira, secretário geral do PT, em entrevista a Soraya Agege, do Globo, em 2006.

Era o titular do esquema, o dono das agências de publicidade, aquele que recolhia e despachava o dinheiro, inclusive com carros forte e conta em paraíso fiscal.

O estranho, agora, não é o comportamento de Valério. São os outros.

É a torcida, o ambiente de vale-tudo.

Ele teve sete anos para apresentar qualquer informação relevante. A menos que tenha adquirido o costume de criar dificuldades para comprar facilidades até com a própria liberdade, o que não é bem o costume dos operadores financeiros, seu silêncio sugere a falta de fatos importantes para revelar. Ele enfrentou em silêncio a denúncia  do primeiro procurador, Antônio Carlos Fernando de Souza, em 2006.  Assistiu do mesmo modo à aceitação da denúncia pelo Supremo, em 2007. Deu não se sabe quantos depoimentos a Justiça e a Polícia.  Seu advogado, Marcelo Leonardo, um dos mais competentes do julgamento, escreveu não sei quantas alegações finais no STF.

Nem mesmo quando , preso por outras razões, tomava porrada de colegas de presídio numa cadeia,  lembrou que podia contar algo para se proteger?

A verdade é que os adversários de Lula não conseguem esconder a vontade de que Valério  tenha grandes revelações a fazer.  Deveriam estar acima de tudo desconfiados e cautelosos, já que as circunstâncias não garantem a menor credibilidade a qualquer denuncia feita DEPOIS que  um réu enfrenta uma condenação de 40 anos e não se vislumbra nenhum atenuante para amenizar a situação.

É preocupante porque  nós sabemos que é possível transformar versões falsas  em fatos verdadeiros.

Basta que os melhores escrúpulos sejam deixados de lado, as versões anunciadas sejam convenientes e atendam aos interesses de várias partes envolvidas.  O país tem uma longa experiência com essa turma. Ela denunciou um grampo telefônico que não houve. Falou de uma conta em paraíso fiscal – do próprio Lula e outros ministros – que eles próprios sabiam que era falsa. Também denunciou uma  caixa de dólares enviados do exterior para a campanha de 2002 que ninguém foi capaz de abrir para dizer o que tinha lá dentro.

Na prática, os adversários de Lula querem que Valério entregue aquilo que o eleitor não entregou.

O próprio Valério sabe disso. De seu ponto de vista, qualquer coisa será melhor do que enfrentar uma pena de 40 anos, concorda? Qualquer coisa.

Do ponto de vista dos adversários de Lula, também. Qualquer coisa é melhor do que uma longa perspectiva de derrotas, não é mesmo?  Talvez não por 40 anos mas quem sabe mais quatro?

É por isso que os interesses das partes, agora, coincidem.  O mocinho da oposição tornou-se Valério.

No mundo do “não é possível”, do “é plausível”, do “não pode ser provado mas não poderia ser de outra forma ” as coisas ficam fáceis para quem acusa.  A moda ideológica, agora, é acusar de bonzinho quem acha que a obrigação da prova cabe a quem acusa.

E eu, que pensei que a presunção da inocência era um direito constitucional e fazia parte das garantias fundamentais. Mas não. Isso é ser bonzinho, é se fazer de ingênuo.

No novo figurino, as  coisas parecem verdadeiras porque não podem ser provadas. É a inversão da inversão da inversão.  O movimento estudantil tem uma corrente que se chama negação da negação.  Estamos dando uma radicalizada…

A experiência ensina que há um  meio infalível de levantar uma credibilidade em  baixa. É a ameaça de morte, o que explica a lembrança do caso Celso Daniel.

Os advogados dizem que Valério sofreu ameaças de morte. Já se fala nos cuidados  com a segurança pessoal e da família. Também li que a Polícia Federal “ainda “ não decidiu protegê-lo.

Algumas palavras tem importância especial em determinados momentos.  A morte de Celso Daniel foi acompanhada por várias suspeitas de crime político mas, no fim de três meses de investigação, a Polícia Civil de São Paulo concluiu que fora crime comum.

Um delegado da Polícia Federal, que seguiu o caso e até participou das investigações a pedido de Fernando Henrique Cardoso, chegou a mesma conclusão. O caso parecia encerrado. Os suspeitos estavam presos, confessaram tudo e aguardavam julgamento. Quem fala em aparelho petista deve lembrar que a investigação tinha o respaldo do comando da polícia do governo Alckmin e da PF no tempo de FHC.

O caso saiu dos arquivos quando um irmão de Celso Daniel alegou que sofria ameaça de morte. Fiz várias entrevistas com familiares e policiais e posso afirmar que nunca ouvi um fato consistente. Nem um grito ameaçador ao telefone. Nem um palavrão no trânsito. Nem um empurrão no bandejão da faculdade.

Nunca. Respeito aquelas pessoas, fomos colegas de luta no movimento estudantil mas aquilo me pareceu uma história sem consistência. Eu ia fazer uma matéria sobre essa denuncia mas aquilo não dava uma linha. Não havia sequer um fato para ser narrado. Nem um boato para  ser desmentido. Nada. Fiquei impressionado porque eu havia entrado na história achando que havia alguma coisa, seja lá o que fosse.  Nada. Mas a família conseguiu o direito até de viver exilada na França. O caso foi reaberto e, embora uma segunda investigação policial tenha chegado a mesma conclusão, o suspeito de ser o mandante aguarda o momento de ir a julgamento.

Nos últimos meses, com o julgamento no mensalão, os adversários de Lula pensavam  que seria possível reverter o ambiente político favorável a Lula, no país inteiro. É este ambiente que coloca a reeleição de Dilma no horizonte de 2014, embora muita enxurrada possa passar por debaixo da ponte. Mas, no momento, essa perspectiva, para a oposição, é insuportável e dolorosa – até porque ela não foi capaz de reavaliar suas sucessivas  derrotas do ponto de vista político, não fez um balanço honesto dos acertos do governo Lula, o que dificulta aceitar que o país tem um presidente popular como nenhum outro antes dele, a tal ponto que até postes derrotam  medalhões vistos como imbatíveis. No seu apogeu, a ideia de renovação sugerida por FHC foi descartada como proposta petista por José Serra. Assim fica difícil, né.

(Vamos homenagear os postes. Essa expressão foi cunhada por uma das principais vozes da luta pela democratização, Ulysses Guimarães, para quem “poste” era o candidato capaz de representar os interesses do povo  e da democracia, mesmo que fosse um ilustre desconhecido. Certa vez, falando sobre a vitória estrondosa do MDB em 1974, quando elegeu 17 de 26 senadores, Ulysses falou que naquela eleição o partido elegeria “até um poste.” Postes, assim, são candidatos que entendem o vento da sua época.)

Semanas antes da eleição do poste Fernando Haddad,  o procurador geral Roberto Gurgel chegou a dizer que ficaria muito feliz se o julgamento influenciasse a decisão do eleitor. Muita gente achou natural um procurador falar assim.

Eu não fiquei surpreso porque sempre achei a denuncia politizada demais, cheia de pressupostos e convicções anteriores aos fatos. Eu acho que a denuncia confunde aliança política com compra de votos e verba de campanha com suborno, o que a leva a querer criminalizar todo mundo que vê pela frente – embora, claro, tenha sido  seletiva ao separar o mensalão PSDB-MG, como nós sabemos e nunca será demais lembrar. Mas não achei o pronunciamento do procurador natural. Em todo caso, considerando a liberdade de expressão…

Mas a fantasia oposicionista era tanta que teve gente até que se despediu de Lula, lembra?

Embora o julgamento tenha caminhado na base do “não é plausível”, “não poderia ter sido de outro jeito ”e outras considerações pouco conclusivas e nada robustas, faltou combinar com o eleitor.

Em campanha própria, com chapa pura, os  adversários de Lula tiveram uma grande vitória em Manaus. Viraram a eleição em Belém onde o PSOL não quis apoio de Lula.  Ganharam em Belo Horizonte em parceria com Eduardo Campos, que até segundo aviso é da base de Lula e Dilma.

O  PT cresceu no número de prefeituras, no número de votos em escala nacional, e também levou o troféu principal da campanha, a prefeitura de São Paulo.  Mesmo com a vitória em Salvador, os partidos conservadores, à direita do PSDB, tiveram a metade do eleitorado reunido em 2008. Isso aí: perderam 50% dos votos.

É neste ambiente que Valério passa ter importância. Quem não tem voto caça com Valério.



(Clique aqui para ler “(Collor de) Mello quer que Valério desembuche – a bancada do Golpe no Supremo”).


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

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REFORMA PROTESTANTE: Universidade publica textos sobre a vida de Martinho Lutero

04.11.2012
Do portal GOSPEL PRIME, 01.11.12
Por Leiliane Roberta Lopes

Vários profissionais participaram das pesquisas que analisaram diversos níveis da teologia da reforma no mundo   


Reforma Protestante comemora 495 anos
Agora é possível conhecer mais sobre a vida de Martinho Lutero através da internet, pois o professor Vitor Westhelle, da Faculdade EST, está disponibilizando suas pesquisas desenvolvidas para a Cátedra de Lutero.

O projeto recebeu o apoio da Igreja Luterana da Baviera, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e também da faculdade que deseja aproveitar a comemoração dos 500 anos da Reforma Protestante para divulgar esse conhecimento.
Para desenvolver esse projeto, Westhelle registrou elementos da teologia emergente articulando-a a partir de três níveis. O primeiro deles diz respeito a abordagem centrada no contexto latino-americano, usando produções teológicas tanto em nível acadêmico como na espiritualidade popular.
O segundo nível mostra eventos internacionais, analisando, junto com o Departamento de Estudos da Federação Luterana Mundial (FML) como é a articulação sul-sul. Já o terceiro nível analisa norte-sul com o objetivo de trazer a voz do sul a esses debates teológicos.
Um Grupo de Referência foi montado, com iniciativa do reitor da EST, professor Oneide Bobsin, formado por pessoas de conhecimento profundo sobre a vida de Lutero e sobre a Teologia da Reforma. Juntos, esses estudiosos desenvolveram três áreas de atuação prioritária: justificação, escatologia e espiritualidade; igreja, política e economia; e teologia da cruz.
O resultado de tanta pesquisa pode ser acessado no site da EST, todos os textos podem ser consultados mostrando várias análises sobre a Reforma e sobre Martinho Lutero.
Com informações ALC

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A nova identidade do Edifício JK


04.11.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO,
Por Ana Dolores

Desativado desde 2000, prédio será um empresarial a partir do 1º semestre de 2013 

A nova identidade do Edifício JK

   (FOTOS: TERESA MAIA/DP/D.A.PRESS)

Primeiro foi a desativação no ano 2000. Depois, a tinta sobre a marca da Previdência Social que era uma espécie de tatuagem na paisagem urbana do Recife. O abandono do Edifício Juscelino Kubitschek, ou simplesmente JK, não só incomodava como aguçava a curiosidade dos recifenses. Afinal, qual seria o destino do prédio cartão-postal da cidade situado no coração da Avenida Dantas Barreto? Quatro anos após ter sido leiloado, o edifício ganhará, enfim, uma nova identidade. No 1º semestre de 2013, receberá o nome de Empresarial JK, com escritórios, bancos, praça de alimentação, espaço para eventos, mirante na cobertura e faculdades, mudando a ideia inicial de concentrar a maior parte das salas na área educacional.

A proposta de transformar a antiga sede do INSS em empresarial é do investidor paranaense Carlos Cristo Nunes, 50 anos. Foi ele quem arrematou o prédio, no dia 30 de outubro de 2008, por R$ 2,3 milhões e, desde então, vem investindo na recuperação dos seus 20 andares. Até agora, cerca de R$ 13 milhões já foram aplicados e a previsão é gastar mais R$ 7 milhões para dar a cada pavimento a infraestrutura necessária para os empreendimentos que deverão chegar. “Sou investidor e jamais poderia fazer algo para não obter lucro. Esse investimento terá retorno”, apostou o empresário, com a expertise de quem já comprou e recuperou, o prédio do antigo Bandepe, na Avenida Guararapes, onde funciona uma faculdade.
Leiloado há 3 anos, local
está sendo recuperado
pelo empresário
paranaense Carlos
Nunes. Terá bancos,
praça de alimentação
e até mirante
Leiloado há 3 anos, local está sendo recuperado pelo empresário paranaense Carlos Nunes. Terá bancos, praça de alimentação e até mirante

Vista do Recife

Uma visita ao último andar do JK ajuda a compreender o otimismo do empresário. De lá, é possível contemplar o Recife de todos os ângulos. A vista dá aos pisos superiores a vocação para receber um espaço para eventos, como shows, aniversários, casamentos e formaturas, uma praça gourmet aberta ao público e um mirante com paredes de vidro na cobertura que deve atrair, sobretudo, os turistas. Os andares intermediários seriam destinados a escritórios, associações de classe e cursos técnicos. Uma escola, inclusive, já está em funcionamento no 12º andar. Os pisos inferiores estão sendo direcionados a faculdades. Oito já estão alugados a dois grupos educacionais. Há também uma empresa de call center que pretende se instalar no prédio, além de bancos e financeiras que ocupariam a sobreloja e parte do térreo, onde já existe uma lanchonete.

O futuro

Apesar de ainda estar atraindo os empreendimentos, o investidor Carlos Nunes já vislumbrou até a dinâmica de funcionamento do futuro empresarial. De dia, terá como público alvo estudantes e trabalhadores dos escritórios, bancos e call center. À noite, será a vez do espaço de eventos funcionar. “Com isso, acredito que vamos resolver o problema da falta de estacionamento na área, já que à noite é possível parar carros sem problemas no Centro”, argumentou.

Carlos Nunes garante que o empresarial não deverá nada aos mais modernos da cidade. Para isso, promete investir em tecnologia e recursos humanos logo na recepção, que terá controle rigoroso de visitantes. Toda as instalações elétricas e hidráulicas do edifício estão sendo trocadas. Os seis elevadores são novos, rápidos e informatizados. Na fachada, quase nada vai mudar. As pastilhas em cor de gelo serão mantidas. Apenas paredes e portas de vidro transparente foram colocadas no intuito de proteger as pilastras e conservar a entrada do prédio.

> Registro histórico

A transformação do edifício JK em empresarial representa mais que a recuperação de um edifício. É uma aposta que comerciantes e frequentadores do bairro de Santo Antônio fazem de tentativa de revitalização do Centro

Ao ganhar novos usos, o JK, um dos marcos da arquitetura 
moderna da capital, deverá reviver seus tempos de imponência

O projeto do imóvel data de 1956 e o alvará de habite-se foi aprovado pela Prefeitura do Recife em 12 de julho de 1961.
Segundo informações do INSS, o terreno foi adquirido antes pelo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários em novembro de 1947. Com o tempo, surgiu o INPS que, por fim, tornou-se INSS

Antes de ser desativado, o JK abrigava cerca de 500 servidores do INSS do térreo ao 14º andar e mais 600 trabalhadores do antigo Inamps nos demais pisos

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OS GOLPISTAS DA DITADURA MILITAR DE 64 ESTÃO BEM VIVOS: A caminho da ditadura

04.11.2012
Do BLOG DO MIRO, 02.11.12
Por Venício A. de Lima, na revista Retrato do Brasil:

Em novembro a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) completará meio século de existência. Nesse período ela aglutinou os grupos mais poderosos da radiodifusão brasileira, tornando-se um forte polo de defesa dos grandes interesses do setor.

Sua origem, como informa o site da entidade, liga-se diretamente à “luta contra os vetos do presidente João Goulart ao Código Brasileiro de Telecomunicações [CBT, Lei 4.117/62], em 1962”. Era o momento em que os empresários de radiodifusão começavam a “despertar” para iniciar “o trabalho de esclarecimento da sociedade por meio de seus congressistas”. Em destaque, João Calmon, o primeiro presidente da Abert, que lideraria um grupo de trabalho para discutir os vetos. “O grupo conseguiu reunir em um encontro histórico no Hotel Nacional, em Brasília, representantes de 213 empresas”, informa o site. Os empresários e “seus congressistas” não somente foram bem-sucedidos em neutralizar a ação de Goulart, como, a partir dessa intensa mobilização, fundariam a Abert.

Em junho último, durante o 26º congresso da entidade, realizado na capital federal, seu presidente, Emanuel Carneiro, lembrou essa história, mas não apresentou explicações sobre as circunstâncias históricas em que o CBT foi elaborado e votado e, sobretudo, sobre o que versavam os 52 vetos do presidente da República, afinal derrubados pelo Congresso Nacional.

O ano de 1962 foi especial. Em outubro seriam realizadas eleições para o Congresso, assembleias estaduais, câmaras municipais e parte dos Executivos estaduais e municipais. A conjuntura política era extremamente volátil: Tancredo Neves renunciara como primeiro-ministro (junho), sendo substituído por Brochado da Rocha, que só ficaria no cargo por três meses, quando Hermes Lima assumiu seu lugar. Goulart lutava para aprovar no Congresso a realização de um plebiscito para que o País decidisse entre os regimes presidencialista, defendido por ele, e parlamentarista, o qual fora obrigado a aceitar após a renúncia do presidente Jânio Quadros no ano anterior. Goulart, vice-presidente da República, era apresentado pela grande mídia da época como alguém que conduziria o País ao comunismo. Diante da ameaça de que sua posse fosse impedida por um golpe que envolvia os chefes militares, aceitou o parlamentarismo.

Inexistiam políticas públicas específicas para as telecomunicações e para a radiodifusão. A maioria das operadoras de telecomunicações era estrangeira e não havia quadros nacionais de dirigentes e/ou técnicos. Essa situação preocupava em particular aos militares que identificavam o setor como estratégico ao interesse nacional e, claro, à “segurança nacional”. Essa preocupação conduziu a uma importante aliança de interesses entre setores militares e empresários de radiodifusão, que viria a se consolidar no tempo e seria característica de boa parte do período autoritário (1964–1985).

Em entrevista publicada em 2007, o historiador Oswaldo Munteal afirmou: “Durante a década de 1960, constituiu-se uma coligação ligada à radiodifusão comercial, cujo objetivo era pressionar o governo e garantir seus interesses econômicos (...). A presença de empresários desse setor no Congresso Nacional permitiu um aumento significativo no poder de pressão do grupo em questão, o qual, legislando em causa própria, tornou-se capaz de anular a maioria das restrições a seus próprios interesses políticos e econômicos. (...) Qualquer decisão governamental que prejudicasse o empresariado da radiodifusão seria repudiada pelo Legislativo. Os vetos de Jango [como também era conhecido o presidente Goulart] ao Código Brasileiro de Telecomunicações, portanto, representaram sua tentativa em minar a força desse setor empresarial, cuja representação política deu-lhe acesso a irrestritos privilégios, além de grande influência na opinião pública, por intermédio dos meios de comunicação”.

Mais importante: encontrava-se em marcha a grande articulação civil-militar que executaria o golpe de 1964 e a deposição de Goulart. Calmon, vice-presidente dos Diários Associados – o maior conglomerado de mídia do País à época –, eleito deputado em 1962, no pleno exercício da presidência da Abert, se constituiu, logo depois, em idealizador e principal articulador da “Rede da Democracia”, que reunia centenas de emissoras de rádio e jornais num combate cotidiano ao governo Goulart, preparando a opinião pública para o golpe.

Quais foram os vetos e as justificativas do presidente Goulart para eles? Um rápido exame dos vetos a dois parágrafos do artigo 33 do CBT pode fornecer algumas pistas. O artigo trata da exploração “por concessão, autorização ou permissão” dos “serviços de telecomunicações não executados diretamente pela União”. Seu parágrafo 3º afirma: “Os prazos de concessão e autorização serão de 10 (dez) anos para o serviço de radiodifusão sonora e de 15 (quinze) anos para o de televisão, podendo ser renovados por períodos sucessivos e iguais, se os concessionários houverem cumprido todas as obrigações legais e contratuais, mantido a mesma idoneidade técnica, financeira e moral, e atendido o interesse público”.

A justificativa apresentada por Goulart diz: “O prazo deve obedecer ao interesse público, atendendo a razões de conveniência e de oportunidade, e não fixado a priori pela lei. Seria restringir em demasia a faculdade concedida ao Poder Público para atender a superiores razões de ordem pública e de interesse nacional o alongamento do prazo da concessão ou autorização, devendo ficar ao prudente arbítrio do poder concedente a fixação do prazo de que cogita o inciso vetado”.

Já o parágrafo 4º afirma: “Havendo a concessionária requerido, em tempo hábil, a prorrogação da respectiva concessão ter-se-á a mesma como deferida se o órgão competente não decidir dentro de 120 (cento e vinte) dias”. A alegação presidencial ao veto é: “Não se justifica que, competindo à União o ato de fiscalizar, de gerir, explorar ou conceder autorização, ou permissão ou concessão etc., o seu silêncio, muitas vezes provocado pela necessidade de acurado exame do assunto, constitua motivação para deferimento automático”. E prossegue: “Os problemas técnicos surgidos, as exigências necessárias à verificação do procedimento das concessionárias etc. podem, muitas vezes, ultrapassar o prazo de 120 dias, sem qualquer culpa da autoridade concedente”.

De forma geral, a partir de uma leitura atenta e não jurídica dessas e de outras partes vetadas e das justificativas aos vetos, constata-se que, por detrás deles, há uma disputa de poder entre concessionários de um serviço público e o poder concedente; vale dizer, entre os radiodifusores e o Poder Executivo. Os vencedores queriam – e conquistaram – prazos dilatados para as concessões (dez e 15 anos); renovação automática delas; ausência de penalidade (mesmo após julgamento pelo Poder Judiciário) em casos de divulgação de notícias falsas; e assimetria de tratamento em relação a outros concessionários de serviços públicos – alteração da lei de mandado de segurança; reafirmação de normas que já se encontram em outros diplomas legais, inclusive na própria Constituição. A derrubada dos vetos definiu o eixo regulador da radiodifusão brasileira, o qual, apesar de todas as alterações, sobretudo as do Decreto nº 236/76 e da Lei Geral de Telecomunicações (Lei nº 9.472/97), foi em boa parte incorporado pela Constituição de 1988 e continua em vigor.

Criada na luta contra os vetos de Goulart e com eles identificada, a Abert constitui o grande e vitorioso ator na definição de regras para o setor. O País, no entanto, mudou; não estamos no conturbado 1962. No mundo contemporâneo, o setor de comunicações passou – e ainda passa – por profundas mudanças tecnológicas que afetam radicalmente desde as diferentes formas da sociabilidade humana até os modelos de negócio.

Teria mudado a Abert? A entidade e seus associados se recusaram a participar da 1ª Conferência Nacional de Comunicação e têm tratado o tema da regulação não como uma necessidade, mas como uma ameaça à liberdade da imprensa. Não há, todavia, outro caminho senão a construção democrática de um novo marco regulatório para as comunicações que tenha como horizonte o interesse público e a consolidação do direito à comunicação.

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Transporte público gratuito existe e não é coisa de maluco

04.11.2012
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 30.10.12
Por Thalita Pires, Rede Brasil Atual

Transporte público gratuito existe e não é coisa de maluco
Transporte público, bom e gratuito já é realidade em cidades como a norte-americana Chapell Hill: hora de estudar viabilidades no Brasil (CC/Wikimedia_
O tema do valor do transporte público é sempre sensível nas cidades brasileiras. A cada aumento de tarifa, vozes se levantam para cobrar um subsídio maior para o uso de ônibus e trens. A resposta das prefeituras e governos estaduais é sempre a mesma: alguém tem de pagar pelo sistema, cujos custos sempre aumentam. Mas essa discussão chegou em outro nível em várias cidades nos Estados Unidos e Europa. Nelas, os moradores não pagam para usar o transporte coletivo. Entre elas estão Châteauroux, Vitré e Compiègne, na França; Hasselt, na Bélgica; Lubben, na Alemanha e Island County, Chapel Hill, Vail e Commerce, nos Estados Unidos, entre outras. A próxima a adotar a ideia será Tallinn, a capital da Estônia, no final deste ano.
A ideia de gratuidade no transporte vai contra tudo o que nos disseram sobre o assunto aqui no Brasil, a saber: sem pagamento, o sistema ficaria sem recursos, e em algum momento se tornaria inviável. Mas existem teóricos e administradores públicos que defendem que é economicamente viável – ou até preferível – que as pessoas não paguem por ele.
As vantagens de não se cobrar pelo uso de trens e ônibus são várias: promoção de uma certa justiça social, já que o peso do pagamento de transporte público é grande para a população mais pobre, que é a que mais precisa dele; redução da emissão de poluentes; menos poluição sonora; redução do uso de combustíveis fósseis; diminuição dos gastos em obras viárias, já que o carro seria menos necessário; aumento do uso do espaço público, pois as pessoas precisariam andar mais nas ruas para usar o transporte; eliminação dos gastos com o sistema de cobrança, entre outras.
Em Châteauroux, cidade de 49 mil habitantes, a média de uso do ônibus era de 21 viagens por ano, contra uma média de 38 em outras cidades pequenas da França. Depois da implementação da gratuidade, esse número saltou para 61 viagens por ano. Em Hasselt, o uso do transporte público subiu mais de 1000% desde que passou a ser gratuito. 
O aumento no número de usuários é um dos indicadores para o sucesso do sistema, pois significa que as pessoas trocaram de meio de transporte: se deixaram o carro, contribuíram para a diminuição do trânsito, e se de outra forma teriam ido a pé ou de bicicleta, ajudaram a reduzir os riscos de acidentes como atropelamentos, diminuindo ainda mais o gasto com os carros (nesse caso, os custos de acidentes desse tipo entram na conta do transporte individual motorizado). 
Os teóricos do transporte gratuito dizem ainda que, a cada aumento de tarifa, existe uma diminuição no número de usuários, que passam a não poder pagar ou encontram uma alternativa economicamente mais viável para se locomover. Isso diminuiu ou até anula o aumento da arrecadação esperado com o aumento da tarifa, fazendo com que o sistema fique cada vez menos viável, já que menos pessoas têm de pagar mais para as mesmas viagens.
Outro motivo econômico importante para a abolição das tarifas é que o sistema de cobrança custa muito dinheiro. Um estudo patrocinado pela Administração Federal de Transportes dos  Estados Unidos mostrou que os gastos com o sistema de cobrança pode chegar a 20% de toda a renda com o pagamento de tarifas. Isso inclui gastos com máquinas de vendas, pessoal, contagem do dinheiro coletado e custos afins.

Mas quem paga por isso, afinal?

Embora os sistemas de financiamento variem um pouco de cidade para cidade, o princípio é sempre o mesmo. O transporte público é bancado por impostos. Em Hasselt, na Bélgica, 1% dos impostos municipais vai para o sistema de ônibus. No condado de Island, Washington, 6% do dinheiro arrecadado com o imposto sobre vendas vai para o transporte público. Em Châteauroux, os recursos vêm dos impostos sobre os salários, pagos pelos empregadores. As possibilidades são variadas. 
Financiar o sistema de transporte com impostos pode parecer uma ideia, digamos assim, muito comunista. Mas por que faz mais sentido pagar desse modo por saúde, educação e, pior, construção de ruas e avenidas para os carros? Por uma questão de justiça social, o transporte público também poderia ser incluído no rol de serviços custeados por impostos. Afinal, quem não anda de transporte público, especialmente no Brasil e nos Estados Unidos, acaba escolhendo carro ou moto para se locomover, aumentando custos de obras, da saúde, da limpeza pública, entre outros, além de contribuir para a emissão de poluentes. Há aqueles que não têm outra alternativa senão andar, e esses seriam os maiores beneficiados. 
O segredo para o sucesso da gratuidade nas cidades citadas – e até agora todas elas se consideram casos de sucesso – é o planejamento anterior. Algumas delas fizeram investimentos maciços no transporte público antes de abolir as tarifas, para tornar o sistema atraente para um maior número de pessoas.
A grande questão que fica é se isso seria aplicável no Brasil. Isso depende de estudos aprofundados, que só podem ser feitos individualmente em cada cidade. Nas metrópoles, por exemplo, os sistemas de transportes já são tão lotados que qualquer ideia nesse sentido teria de ser precedida por um aumento massivo na oferta de ônibus e transporte sobre trilhos. É mais provável, no entanto, que seja um conceito inaplicável em grandes cidades, restando a ideia de maior subsídio ao sistema. Em cidade menores, talvez esse conceito seja mais facilmente aplicável. Mas, ao analisar que as tarifas estão chegando ao patamar dos R$ 3 para cada viagem (ou conjunto de viagens, no caso de São Paulo), é bom saber que existem exemplos que desafiam a lógica que impera por aqui. Resta saber qual seria a popularidade dessas ideias entre administradores públicos, empresários do setor de transporte e contribuintes que acham que não seriam beneficiados com a medida.
Para mais informações, recomendo a leitura deste e deste artigos, em inglês.

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PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA PERSEGUE LULA: Deixem o Homem respirar! Parasitas!

04.11.2012
Do do FACEBOOK de Mil Ton, 03.11.12


Lamentável que a imprensa tenha se submetido a chegar tão baixo. Nesse esgoto fétido que a Grande Imprensa vive, seu único objetivo é tirar Lula e o PT do páreo das eleições de 2014. Pra eles tudo é válido porque eles, tudo pode. À Grande Imprensa é permitido tudo. Ela está acima da lei, do povo e da democracia.

Pra se ter uma idéia, todos os textos dos “colun
istas”, “pensadores”, “formadores de opinião”, de hoje, de ontem e pelo que parece, de sempre, será de perseguição a Lula e a tudo que a ele pertença ou esteja vinculado. Pelo menos até a saída, desistência ou morte do maior líder popular da história desse país. Aos mais fanáticos e defensores da Globo, Veja, Estadão e Folha, vocês não achas estranho que eles (os “colunistas”) não encontrem nenhuma qualidade no Lula, no PT e no Governo do PT?

A direita no Brasil, formada por partidos, grande imprensa e elite conservadora, não vai desistir da luta pelo caminho desleal... Até porque, pensam eles, pelo caminho da renovação, da verdade e do crescimento partidário, levaria no mínimo 100 anos. Até lá, Lula e seu partidinho já teria transformado o Brasil num país em que a elite conservadora não aceita. Igualdade, crescimento social, divisão de rendas, são algumas das palavrinhas que fazem gelar a espinha dorsal da massa cheirosa.

Lula e o PT, são os verdadeiros formadores de opinião. Criaram um movo modo de governar por meios de programas que estão diretamente relacionados ao “petista” ou “lulista”, e que são consideradas jóias da coroa não só aqui mas, em mais de 70 países no mundo. Embora o PT seja um partido com muitos problemas, ele tem feito a grande diferença. E seria possível que muitos desses problemas poderiam nem existir, se tivéssemos uma imprensa imparcial e uma justiça justa! 

Por mais que os cães raivosos esbravejem, mais ainda a fama de Lula se expande e muito mais pessoas passam a admirá-lo. Entre os cães raivosos, me permitam relacionar o nome de três deles, os mais determinados a exterminação do Lula: Reinado Azevedo, Augusto Nunes e Arnaldo Jabor. Esses três não conseguem disfarçar o grande ódio. Chega a ser possível detectar nas entre linhas de seus textos. Como pessoas podem viver tendo como único objetivo na vida, destruir uma pessoa, seja ela quem for? Pelo menos, é o que eu percebo! E você?

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GOLPISTAS DE 1964 QUEREM GOLPEAR LULA: O script do golpe

04.11.2012
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Vencidas as inacreditáveis ingenuidade e imprudência de democratas bem-intencionados que chegaram a crer que a direita midiática continuaria aceitando ser contrariada por uma vontade popular que as urnas teimam em expressar eleição após eleição desde o histórico 2002, é chegada a hora de ler o script do golpe – que já não se esconde.
Retrocedamos, pois, ao limiar daquele outono de 1964, quando, já em nome do “combate à corrupção”, os mesmos meios de comunicação evocavam a “ética” contra o governo trabalhista de então, que, tenhamos presente, cometia o “crime” de combater a desigualdade renitente que infecta a nação há 500 anos, só que com muito menos ousadia do que o atual.
No início dos anos 1960, o Coeficiente de Gini, que mede a concentração de renda das nações, em sua versão verde-amarela, já altíssimo, alcançava a marca pornográfica de 0,52 – quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade.
Aos trancos e barrancos, no limiar do golpe Jango Goulart retomara, em certa medida, o controle do governo, após tentativas civilizadas de impedir que adotasse medidas contra uma chaga nacional que escandalizava o mundo e mantinha o país agrilhoado ao atraso.
A expressão “reforma agrária” também escandalizava, só que aos detentores do que, à época, tinha muito mais importância do que hoje: a propriedade da terra. E, para colocar lenha na fogueira, os movimentos estudantil e sindical se entregavam, entre um devaneio e outro, ao idílio socialista. E o que é pior: sem fazer maior segredo.
Os arreganhos golpistas, para se venderem à sociedade, não falavam no “direito” dos ricos a concentrarem parcela indecente da renda. A ideia de que o povo estava sendo roubado pelo governo justificaria melhor a conspiração que já germinava nas redações dos donos da “imprensa”.
Era preciso, pois, construir “razões” para justificar o uso da força bruta a fim de obter o que, cada vez mais, ficava evidente que não seria obtido pelas urnas – até porque, na falta de votos, fraudá-las seria impossível estando os “comunistas” no poder, pois são os governos que organizam eleições.
Dez anos antes, a mesma desculpa fora usada para acuar aquele que, heresia das heresias, ousara erigir uma legislação trabalhista que tantos “custos” acarretara ao “pobre” capital.
A história do Brasil, como se vê, é a prova de que a “corrupção” sempre foi o artifício do capital e das elites para manter a esquerda, seu trabalhismo e seu viés distributivista de renda longe do poder de Estado.
A pontuação do coeficiente de Gini, naquele outono de 1964, era pouco maior do que é hoje. Com a ditadura, as coisas foram postas no lugar, ou seja, de 0,52, naquele momento, ao fim da ditadura foi parar em cerca de 0,60, em um processo que tornou o rico mais rico e o pobre, mais pobre.
Entre todas as razões para o golpismo se erguer de novo por estas bandas, portanto, a queda vertiginosa do Gini que marcou os governos Lula e Dilma explica, como nada mais, a volta das acusações de corrupção ao grupo político que, no poder, é responsável por, em dez anos, devolver ao Brasil o que a ditadura levou vinte para lhe roubar – em 2012, o índice é pouco menor do que o de 1964.
No entanto, se as razões de hoje para o golpismo via acusações de corrupção ao governo de turno são as mesmas de há meio século, o script do golpe teve que ser reescrito. Não existe mais o inimigo externo a ameaçar tomar os bens das famílias mais abastadas para entregá-los à ralé preguiçosa, morena e inculta.
Sem a ameaça de tropas vermelhas a marchar sobre a nação, não se justifica mais o uso das forças armadas para golpear a democracia. É por aí que começou a ser construída, em Honduras, uma modalidade de golpe que há pouco se reproduziu no Paraguai de forma mais próxima – porém ainda grosseira – do modelo que se pretende aplicar por aqui.
O golpe “constitucional” de Honduras inaugurou a modalidade, o do Paraguai a refinou um pouco mais, mas ainda não o suficiente para ser usada no Brasil. O ansiedade por retomar o poder naqueles países pecou pelo tempo escandalosamente curto para desenvolver o processo.
No Brasil, com a comunicação de massas, o Judiciário, os militares e boa parte da classe política de acordo, pode-se dar tempo ao tempo, começando a devorar a democracia pelas beiradas.
A aceleração que se está vendo do processo, portanto, deve-se à gota d’água que foram as eleições de 2012, que extirparam aos golpistas contemporâneos qualquer esperança em obter do povo a colaboração eleitoral para recolocá-los no poder.
Pela burrice de que padecem os autoritários, confiaram na “burrice” popular que acreditaria, por exemplo, em uma revista que há dez anos, semana após semana, só enxerga e denuncia corrupção em um único partido, em um único nível de governo. Passada a última surra eleitoral, aplicada bem quando a bomba atômica (o julgamento do mensalão) foi detonada, não há mais esperança.
A condenação ditatorial de José Dirceu, José Genoino e outros petistas menos relevantes não conspurcou nem o PT, nem Lula e muito menos o governo Dilma Rousseff. Acabaram-se as ilusões.
Assim, o golpismo destro-midiático descobriu que o povo simplesmente se recusa a acreditar que o PT inventou a corrupção  no país – premissa contida no fato de petistas serem os primeiros políticos a ser condenados pelo STF após mais de cem anos de história republicana.
Eis que a ingenuidade de Lula e de Dilma, quase inacreditável, foi um presente dos deuses – ou dos demônios – para o golpismo tupiniquim. Lula, um estrategista político como nunca se viu outro no Brasil, nomeou, de olhos fechados, inimigos políticos para o cargo que dá a quem ocupa a prerrogativa de processar até o presidente da República.
Dessa maneira, há poucas dúvidas – se é que existe alguma – de que o doutor Roberto Gurgel aceitará, gostosamente, a denúncia que a oposição faz àquele que responsabiliza por suas derrotas eleitorais, o que ela faz por não entender que o que leva o povo a votar nos que ele indica não são seus belos olhos, mas a distribuição de renda e oportunidades.
Os golpistas mais espertos, então, já sabem que anular Lula será insuficiente enquanto a vida do brasileiro continuar melhorando. Mesmo que consigam fazer o processo dele andar até as eleições de 2014, de forma a chegar lá desmoralizado, a situação do país reelegerá Dilma.
Se mesmo após Lula ter sido inocentado nas investigações sobre o mensalão agora estão conseguindo envolvê-lo com matérias  meramente opinativas de revistas e jornais, o que custará “descobrirem”, antes de agosto – quando Gurgel será substituído –, que a presidente, que integrou o governo anterior, também integrou a “quadrilha”?

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