terça-feira, 23 de outubro de 2012

MÍDIA GOLPISTA ESCONDE BENESSES DA DIREITA REACIONÁRIA: TUDO QUE O LEITOR DEVERIA SABER SOBRE SONINHA E A MÍDIA PAULISTANA ESCONDE

23.10.2012
Do blog ONIPRESENTE
Por Blog Diário do Centro do Mundo


Soninha tem interesse pessoal na permanência do PSDB no poder em São Paulo. Mãe e filhas têm bons empregos públicos no governo paulista conquistados sem concurso. 

Ela própria também tem vantagens concretas. Recebe dinheiro para participar de reuniões de diretoria na Cetesb, da qual é conselheira.
Falta aí, mais que tudo, transparência. O eleitorado tem que saber disso amplamente. 

O partido de Soninha apoia o PSDB. Pode ser que o apoio seja por convicções. Mas também pode ser por razões menos nobres. A transparência ajuda o cidadão a formar sua opinião.

E aí vou para a mídia. Caberia a ela trazer essa transparência ao tema. Isso foi parcialmente feito. Em minha pesquisa, vi que o Jornal da Tarde publicou há alguns meses uma reportagem de Fabio Leite sobre as relações profissionais de Soninha e família com o governo paulista.

Na reportagem, você lê que o governo justificou a contratação de uma filha de Soninha com sua fluência em várias línguas. O repórter descobriu, no site da USP, que não tem fluência em nenhuma.

O que fez a Folha de S. Paulo, por exemplo? Em minha pesquisa, e se estou enganado me avisem por favor, não encontrei uma única reportagem sobre um tema de grande interesse público no estado que ela carrega no nome.

Como paulista, pensei o seguinte. Quantos casos iguais aos de Soninha não existem no governo de São Paulo? Quantos empregos do mesmo gênero não são sustentados pelo contribuinte paulista? Essa é a famosa qualidade de gestão do PSDB, um partido no qual votei pela maior parte de minha vida adulta?

O assim chamado aparelhamento do estado pelo PT é citado ubiquamente pela mídia. O que é este caso senão um sinal de que o PSDB de São Paulo faz um aparelhamento a seu estilo, fora da vigilância da mídia que deveria funcionar como fiscal?

O Diário quer ajudar a trazer luz para os debates na sociedade brasileira. Má conduta no PT e no PSDB e onde mais for será tratada do mesmo modo, no interesse público.

A mídia tradicional está trazendo apenas a luz que lhe convém – e o Brasil merece muito mais que isso.


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MENSALÃO - PT SE REINVENTA - RENOVA E DÁ A VOLTA POR CIMA

23.10.2012
Do BLOG DO SARAIVA


ANALISTA ENTENDE QUE PARTIDO COLHEU FRUTOS  GRAÇAS A VISÃO DO EX-PRESIDENTE LULA.

Uma análise que vale ser lida.
Agência Estado

SÃO PAULO - O escândalo do mensalão, tratado basicamente sob a ótica do prejuízo eleitoral ao PT, produziu, no final das contas, benefícios ao partido por forçar a renovação da sua seção paulista e projetar novas lideranças de seus quadros técnicos para disputar eleições.

É o que avalia o cientista político, professor e vice-coordenador do curso de administração pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marco Antonio Carvalho Teixeira. "Parecia o fim da história para os petistas. Membros da oposição chegaram a pedir a extinção do partido e a ameaçar o então presidente Lula de uma surra pública. Ao contrário do que muitos imaginam, o mensalão também produziu benefícios para o PT ao, praticamente, obrigar sua seção paulista a se renovar e, com isso, projetar novas lideranças recrutadas de seus quadros técnicos, para as disputas eleitorais."

A segunda decorre do fato de Lula ter percebido a necessidade de se construir uma alternativa e jogar todo o prestígio político de seu governo na viabilização eleitoral na construção desse nome. Foi assim que Dilma, até então uma técnica sem militância partidária orgânica, tornou-se candidata e foi eleita presidente da República."

LEIA + AQUI


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STF está agindo como uma quadrilha?

23.10.2012
Do BLOG DO MIRO,  22.10.12
Por Antônio Mello, em seu blog:


A partir da dominante tese de "domínio do (ou de para outros) fato", em que a evidente presença de orelha, rabo, pé, costela e barriga de porco significa que estamos diante de um porco, por mais que estejamos diante de uma fumegante feijoada (leiaaqui), tudo é possível no estranho universo do STF, que julga com uma faca no pescoço, espetada pela mídia corporativa.

Então, por que não podemos especular que as excelências supremas estejam agindo como quadrilha organizada para derrubar um governo legitimamente eleito, reeleito e novamente eleito por maioria, em eleições livres e democráticas?

Seria apenas uma simples coincidência o julgamento do tal mensalão do PT ocorrer no exato e preciso instante das eleições municipais? 

Por que o julgamento do mensalão mineiro pôde ser desmembrado e o do PT não, se o juízes que analisaram os mesmíssimos pedidos são em sua grande maioria os mesmos?

Quem não se lembra da pressão da mídia e de vários dos ministros para que o ministro revisor do processo, Ricardo Lewandowski, entregasse logo seu texto? Por que a pressa? O ministro chegou a confessar que estava sendo constrangido, e emitiu nota sobre o assunto :

"Sempre tive como princípio fundamental, em meus 22 anos de magistratura, não retardar nem precipitar o julgamento de nenhum processo, sob pena de instaurar odioso procedimento de exceção."[Fonte]
A desculpa oficial era que se pretendia acelerar o processo para permitir o voto do ministro Peluso, que se aposentaria em setembro. O que o povo brasileiro e os acusados tinham a ver com isso pareceu irrelevante.

Mas o fato é que coincidiu o julgamento do mensalão com as eleições.

Agora, às vésperas do segundo turno, há nova correria no STF, sob alegação de que tudo deve ser votado até semana que vem (exata e coincidentemente a das eleições) porque o relator terá de viajar para tratamento de saúde. O mais ridículo é que a tal ausência seria de no máximo uma semana. Por que o processo de há sete anos não pode esperar uma semana?

Então, o que fica parecendo é que o objetivo apenas é fazer coincidir o julgamento e a condenação com o segundo turno das eleições.

Aliás, o insuspeito Estadão acaba entregando o esquema - o objetivo do STF é municiar as campanhas oposicionistas - com matéria curiosamente intitulada "STF acelera julgamento e pretende definir punições a três dias do segundo turno":

A conclusão do julgamento dará nova munição às campanhas de adversários do PT pelo País, que já têm explorado, por exemplo, a condenação do ex-ministro José Dirceu e dos ex-dirigentes do partido José Genoino e Delúbio Soares. Até lá, além de julgar se houve a formação de uma quadrilha para cometer os crimes denunciados pelo Ministério Público, a definição das penas indicará quais réus terão de cumprir pena em regime fechado ou em semiaberto.
Mais diretos que isso, só se gritassem GOLPE!...

Ontem, para "agilizar" o processo, os ministros cancelaram uma sessão ordinária do STF, sob protesto do ministro Lewandowski, que argumentou que outros processos precisavam da atenção do Supremo, inclusive com pedidos de habeas corpus. Foi voto vencido, o que significa que também pessoas que poderiam sair da prisão na terça que vem continuarão na cadeia para que o processo do mensalão coincida com as eleições.

Se as excelentíssimas excelências podem julgar e condenar a partir de indícios, por que nós não? Para isso, posso usar as mesmíssimas palavras do excelentíssimo ministro Celso de Mello:

“Há elementos probatórios, não importa se indiciários, ainda mais se são indícios convergentes, que se harmonizam entre si e não se repelem e não se desautorizam mutuamente” [Fonte]
É exatamente o que acontece com esta coincidência mensalão-eleições: "indícios convergentes, que se harmonizam entre si e não se repelem e não se desautorizam mutuamente".

Não me surpreenderei se o desfecho do drama, ou da farsa, for a prisão imediata dos réus, para que sejam produzidas imagens para a mídia corporativa tentar levantar candidaturas de oposição ao governo.

O presidente do STF Ayres de Brito chegou a afirmar que o PT tentou um golpe republicano. Não estarão os ministros, em conluio com a mídia, tentando um golpe supremo? 

Acho bom as excelências sacudirem a poeira com suas capas pretas e prestarem atenção a dois "dados concretos" (como diria nosso presidente Lula):

1- A presidenta tem quase 80% de aprovação
2- A presidenta já mostrou na ditadura que não foge à luta.

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UM POETA QUE PERDEU O RUMO: Colunista sujo da Folha perde o rumo

23.10.2012
Do blog ESQUERDOPATA, 22.10.12

Gullar vê país sem rumo diante da força do PT 

Segundo o poeta, apesar da condenação na Ação Penal 470, o partido cresceu nas eleições municipais e deve ganhar em São Paulo, ampliando sua capacidade de mascarar a verdade e manipular as carências dos mais necessitados; intelectual enxerga a população como massa de manobra de um projeto político hegemônico e não vê o eleitor como sujeito racional, capaz de decidir o que considera melhor para si próprio

Ex-militante do Partido Comunista Brasileiro, o poeta Ferreira Gullar tem sido um dos críticos mais ácidos do PT e do chamado “lulismo”. Neste domingo, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, ele descreve um Brasil que terá dificuldades para reencontrar o “rumo certo”, pois, mesmo condenando dirigentes petistas na Ação Penal 470, fortaleceu o PT nas urnas e deve também entregar ao partido a cidade mais rica do País: São Paulo.

De onde vem essa aparente contradição, incompreendida pelo poeta? Talvez da própria questão que afastou militantes comunistas e petistas ao longo do processo de transição democrática. Enquanto o PCB se manteve como partido de intelectuais, o PT buscou se inserir na sociedade por meio dos sindicatos, definindo-se como um partido autêntico, que buscava benefícios reais para a população mais pobre e não a superação definitiva da luta de classes.

Gullar, com a cabeça de velho comunista, enxerga a população apenas como massa de manobra, incapaz de discernir e diferenciar o que é melhor para si. Com as vitórias nas urnas, diz ele, o PT terá agora maior capacidade para mascarar a verdade e manipular as carências dos mais necessitados. Daí a dificuldade para reencontrar o “rumo certo”.

Falta ao poeta a humildade para reconhecer a soberania do eleitor e a capacidade de escolher, de forma racional, e não manipulada, o que considera melhor. O que talvez explique o ocaso do PCB (convertido em PPS) e o fato de o PT ter conquistado o poder, ampliando seus espaços a cada eleição.
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Ex-candidato a vereador tucano deixa PSDB e anuncia apoio a Haddad

23.10.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 22.10.12


Após vinte anos de militância tucana, Luciano Gama, candidato derrotado a vereador do PSDB no último pleito, com 12.154 mil votos, anunciou nesta segunda-feira, 22, sua desfiliação do partido e declarou apoio ao candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

Gama escolheu o ato com lideranças da juventude e esporte da campanha petista, realizado em um auditório lotado no Sindicato dos Engenheiros, para tornar pública sua decisão. Em sua fala, desfiou críticas ao estilo de fazer política do candidato tucano, José Serra, segundo ele "radical e intolerante".

"Infelizmente nós vemos agora um discurso radical, intolerante, posturas extremadas na condução do processo político do PSDB e da campanha do candidato majoritário. Como não concordo, resolvi me retirar (do PSDB), porque a gente tem que fazer as coisas com ética e lealdade. Não se faz uma cidade justa, democrática e acessível para a população na base da porrada, na base do cassetete, na base da intolerância e do preconceito", afirmou.

O rompimento não teve somente motivos ideológicos. Aos jornalistas, Gama afirmou ter apoiado o deputado federal licenciado e atual secretário estadual de Energia José Aníbal nas prévias tucanas e, desde então, relata ter sido escanteado pelo partido e ficado sem apoio para sua campanha a vereador. "Só candidatos da cozinha do Serra e do Kassab foram apoiados", reclamou.

Segundo ele, "Serra tem uma forma muito rasteira de fazer política, não tem coragem de fazer o debate direto e usa formas transversais de agredir pessoas, puxar o tapete, plantar nota na imprensa, dissimular. Uma forma antiga de fazer política".

Gama foi assessor de Edson Aparecido, atual coordenador da campanha tucana, na Secretaria de Desenvolvimento Metropolitano, em 2011. Seu último cargo de confiança no governo Geraldo Alckmin (PSDB) foi assessor executivo da presidência da CDHU, posto que deixou no final de abril para concorrer às eleições. Ele disse que recebeu uma ligação de Aparecido nesta segunda, mas decidiu não atender porque não quer "ouvir contrapropostas" e disse que não "precisa de cargo".

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O DIA EM QUE O STF VIROU UM TRIBUNAL POLÍTICO


23.10.2012
Do portal BRASIL247, 22.101.12

Edição/247: celso de melo forca dirceu genoino marco aurelio

Marco Aurélio Mello e Celso de Mello foram responsáveis pelos maiores arroubos retóricos no clímax do julgamento da Ação Penal 470. Um citou o número 13 do PT e comparou o partido à mafia italiana. Outro, ao PCC e ao Comando Vermelho, afirmando ainda que os réus, como José Genoino e José Dirceu, devem ser punidos como delinquentes – aliás, por que não enforcá-los? Talvez tenha sido coincidência que tudo isso tenha ocorrido a apenas seis dias das eleições. Talvez

247 – Este 22 de outubro de 2012 é o dia que, para o bem ou para o mal, entrará para a história do Supremo Tribunal Federal. A data em que dois ex-presidentes do partido político mais votado no primeiro turno das eleições municipais – José Dirceu e José Genoino – foram mandados para a forca como bandidos comuns e condenados como quadrilheiros.

Talvez tenha sido coincidência que o auge do julgamento do mensalão ocorresse a seis dias das eleições municipais. Outra possível coincidência, a edição do Jornal Nacional, que emendou a propaganda de José Serra com o noticiário sangrento sobre o tema. E que destacou, naturalmente, as peças de retórica mais ousadas. Ambas partiram dos dois “Mellos” do Supremo Tribunal Federal: o decano Celso de Mello e o sempre surpreendente Marco Aurélio Mello.

É possível que haja razões jurídicas para condenar boa parte dos réus da Ação Penal 470. Mas o dia de hoje ficará marcado como a data em que dois ministros preferiram trilhar um caminho político na suprema corte.

Marco Aurélio, em vez de simplesmente votar, resgatou e releu o discurso que fez quando de sua posse no Tribunal Superior Eleitoral em 2006. Um discurso em que comparou a era Lula a um “fosso moral”. Em seguida, incluiu a funcionária “mequetrefe” Geiza Dias da agência DNA na acusação por formação de quadrilha para que os réus fossem 13. “Um número simbólico”, lembrou Marco Aurélio, numa outra possível coincidência, também destacada no Jornal Nacional, a seis dias das eleições. Marco Aurélio falou ainda em bandidos “armados com dinheiro”, numa alusão ao passado guerrilheiro de José Dirceu e José Genoino, que enfrentaram a ditadura militar de 1964 – um regime que Marco Aurélio qualificou como um “mal necessário”.

Em seguida, comparou o Partido dos Trabalhadores, dono do número 13, à Máfia italiana, passando a bola para Celso de Mello, que fez ligações mais próximas à realidade brasileira. Para o “decano” do STF, o PT se parece mesmo com o PCC, o Primeiro Comando da Capital, e com o Comando Vermelho, grupos criminosos que assaltam e matam no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Abaixo, o discurso de Marco Aurélio na ocasião de sua posse no TSE, quando ele também disse acreditar na “voz da urna”. Nesta segunda-feira, os  ministros do STF fizeram política antes de tratar propriamente da Justiça. No domingo, as urnas falarão.

ÍNTEGRA DO DISCURSO DO MINISTRO MARCO AURÉLIO NA POSSE COMO PRESIDENTE DO TSE

A seguir a íntegra do discurso do ministro Marco Aurélio na solenidade de posse como presidente do TSE:

"Agradeço a presença de todos que compareceram a esta solenidade, vindo a prestigiá-la. Cumprimento-os saudando os integrantes da Mesa - o senador da República Renan Calheiros, no exercício da Presidência da República, a ministra Ellen Gracie, Presidente do Supremo - portanto, Chefe do Poder Judiciário -, o deputado federal Sigmaringa Seixas, representando a Câmara dos Deputados, e o ministro de Estado da Justiça, Márcio Thomas Bastos. Registro também o agradecimento à compreensão da minha família, pelas horas de dedicação praticamente exclusiva ao ofício judicante: a minha mulher, a desembargadora Sandra de Santis Mendes de Farias Mello, aos meus filhos, Letícia, a advogada, Renata, a médica, Cristiana, a Procuradora do Distrito Federal, e Eduardo Affonso, o estudante de Direito, o meu carinho ao neto João Pedro, ao meu irmão, Manoel Affonso, primogênito, ao meu genro Bruno.

Agradeço as palavras de incentivo do colega César Asfor Rocha que, de forma bondosa, falou em nome do Colegiado; do exemplar Procurador-Geral Eleitoral e Procurador-Geral da República, Dr. Antonio Fernando; do Dr. Roberto Busato, Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - instituição que, nas precisas palavras de Gofredo da Silva Telles, é a sentinela da ordem democrática. Agradeço, na pessoa do Presidente, Dr. Rodrigo Colasso, à Associação dos Magistrados Brasileiros, por haver proporcionado coquetel na oportunidade em que os empossados, em fraternal confraternização, receberão os cumprimentos.

Senhores e senhoras, em face da liturgia desta solenidade e para que, juntamente com a nominata e os discursos proferidos, fique nos anais da Corte, devo veicular, ante a expectativa geral, nesta data de sintomática coincidência - dia 4 do mês 5 do sexto ano do segundo milênio -, uma mensagem. Serei breve, mas, mesmo assim, peço a benevolência dos ouvintes e, mais do que isso, a reflexão de todos sobre o que tenho a dizer.

Infelizmente, vivenciamos tempos muito estranhos, em que se tornou lugar-comum falar dos descalabros que, envolvendo a vida pública, infiltraram na população brasileira - composta, na maior parte, de gente ordeira e honesta - um misto de revolta, desprezo e até mesmo repugnância. São tantas e tão deslavadas as mentiras, tão grosseiras as justificativas, tão grande a falta de escrúpulos que já não se pode cogitar somente de uma crise de valores, senão de um fosso moral e ético que parece dividir o País em dois segmentos estanques - o da corrupção, seduzido pelo projeto de alcançar o poder de uma forma ilimitada e duradoura, e o da grande massa comandada que, apesar do mau exemplo, esforça-se para sobreviver e progredir.

Não há, nessas afirmações - que lamento ter de lançar -, exagero algum de retórica. Não passa dia sem depararmos com manchete de escândalos. Tornou-se quase banal a notícia de indiciamento de autoridades dos diversos escalões não só por um crime, mas por vários, incluindo o de formação de quadrilha, como por último consignado em denúncia do Procurador-Geral da República, Doutor Antônio Fernando Barros e Silva de Souza. A rotina de desfaçatez e indignidade parece não ter limites, levando os já conformados cidadãos brasileiros a uma apatia cada vez mais surpreendente, como se tudo fosse muito natural e devesse ser assim mesmo; como se todos os homens públicos, nas mais diferentes épocas, fossem e tivessem sido igualmente desonestos, numa mistura indistinta de escárnio e afronta, e o erro passado justificasse os erros presentes.

A repulsa dos que sabem o valor do trabalho árduo se transformou em indiferença e desdém, como acontece quando, por vergonha, alguém desiste de torcer pelo time do coração e resolve ignorar essa parte do cotidiano. É a tática do avestruz: enterrar a cabeça para deixar o vendaval passar. E seguimos como se nada estivesse acontecendo. Perplexos, percebemos, na simples comparação entre o discurso oficial e as notícias jornalísticas, que o Brasil se tornou um país do faz-de-conta. Faz de conta que não se produziu o maior dos escândalos nacionais, que os culpados nada sabiam - o que lhes daria uma carta de alforria prévia para continuar agindo como se nada de mal houvessem feito. Faz de conta que não foram usadas as mais descaradas falcatruas para desviar milhões de reais, num prejuízo irreversível em país de tantos miseráveis. Faz de conta que tais tipos de abusos não continuam se reproduzindo à plena luz, num desafio cínico à supremacia da lei, cuja observação é tão necessária em momentos conturbados.

Se, por um lado, tal conduta preocupa, porquanto é de analfabetos políticos que se alimentam os autoritarismos, de outro surge insofismável a solidez das instituições nacionais. O Brasil, de forma definitiva e consistente, decidiu pelo Estado Democrático de Direito. Não paira dúvida sobre a permanência do regime democrático. Inexiste, em horizonte próximo ou remoto, a possibilidade de retrocesso ou desordem institucional. De maneira adulta, confrontamo-nos com uma crise ética sem precedentes e dela haveremos de sair melhores e mais fortes. Em Medicina, "crise" traduz o momento que define a evolução da doença para a cura ou para a morte. Que saiamos dessa com invencíveis anticorpos contra a corrupção, principalmente a dos valores morais, sem a qual nenhuma outra subsiste.

Nesse processo de convalescença e cicatrização, é inescusável apontar o papel do Judiciário, que não pode se furtar de assumir a parcela de responsabilidade nessa avalancha de delitos que sacode o País. Quem ousará discordar que a crença na impunidade é que fermenta o ímpeto transgressor, a ostensiva arrogância na hora de burlar todos os ordenamentos, inclusive os legais? Quem negará que a já lendária morosidade processual acentua a ganância daqueles que consideram não ter a lei braços para alcançar os autoproclamados donos do poder? Quem sobriamente apostará na punição exemplar dos responsáveis pela sordidez que enlameou gabinetes privados e administrativos, transformando-os em balcões de tenebrosas negociações?

Essa pecha de lentidão - que se transmuda em ineficiência - recai sobre o Judiciário injustamente, já que não lhe cabe outro procedimento senão fazer cumprir a lei, essa mesma lei que por vezes o engessa e desmoraliza, recusando-lhe os meios de proclamar a Justiça com efetividade, com o poder de persuasão devido. Pois bem, se aqueles que deveriam buscar o aperfeiçoamento dos mecanismos preferem ocultar-se por trás de negociatas, que o façam sem a falsa proteção do mandato. A República não suporta mais tanto desvio de conduta.

Eis o poder revolucionário do voto, com o qual, eleição após eleição, estamos os brasileiros a nos afeiçoar de tal forma que, muito em breve, os candidatos aprenderão a respeitá-lo, se não puderem honrá-lo de espontânea vontade.

Que a importância do voto sirva de argumento àqueles que pregam, como vindita por tanta infâmia, a anulação do escrutínio. Ao reverso do abatimento e da inércia, é de conclamar o povo, principalmente os mais jovens, a se manifestar pela cura, não pela doença, não pela podridão do vale-tudo, que corrói, com a acidez do cinismo, a perspectiva de um futuro embasado em valores como retidão, dignidade, grandeza de caráter, amor à causa pública, firmeza de propósitos no empenho incondicional ao progresso efetivo, e não meramente marqueteiro, do País. Ao usar a voz da urna, o povo brasileiro certamente ouvirá o eco vitorioso da cidadania, da verdade - que, sendo o maior dos argumentos, mais dia, menos dia, aparecerá -, alfim, da indispensável liberdade, viciados que estamos todos na autodeterminação viabilizada, sem retorno, pela democracia.

Àqueles que continuam zombando diante de tão simples obviedades, é bom lembrar que não são poucos os homens públicos brasileiros sérios, cuja honra não se afasta com o tilintar de moedas, com promessas de poder ou mesmo com retaliações, e que a imensa maioria dos servidores públicos abomina a falta de princípios dos inescrupulosos que pretendem vergar o Estado ao peso de ideologias espúrias, de mirabolantes projetos de poder. Aos que laboram em tamanhas tolices, nunca é demais frisar que se a ordem jurídica não aceita o desconhecimento da lei como escusa até do mais humilde dos cidadãos, muito menos há de admitir a desinformação dos fatos pelos agentes públicos, a brandirem a ignorância dos acontecimentos como tábua de salvação.

Já se antevê o significado do certame que se avizinha, incumbindo a cada eleitor perceber que o voto, embora individualizado, a tantos outros se seguirá, formando o grande todo necessário à escolha daqueles que o representarão. Impõe-se, nesse sagrado direito-dever, a conscientização, a análise do perfil, da vida pregressa daqueles que se apresentem, é de presumir - repito - para servir com honestidade de propósito e amor aos concidadãos, dispostos, acima de tudo, a honrar a coisa pública. Somente dessa forma o eleitor responderá às exigências do momento, ficando credenciado, em passo seguinte, à cobrança.

No que depender desta Presidência, o Judiciário compromete-se com redobrado desvelo na aplicação da lei. Não haverá contemporizações a pretexto de eventuais lacunas da lei, até porque, se omissa a legislação, cumpre ao magistrado interpretá-la à luz dos princípios do Direito, dos institutos de hermenêutica, atendendo aos anseios dos cidadãos, aos anseios da coletividade. Que ninguém se engane: não ocorrerá tergiversação capaz de turbar o real objetivo da lei, nem artifício conducente a legitimar a aparente vontade das urnas, se o pleito mostrar-se eivado de irregularidades. Esqueçam, por exemplo, a aprovação de contas com as famosas ressalvas. Passem ao largo das chicanas, dos jeitinhos, dos ardis possibilitados pelas entrelinhas dos diplomas legais. Repito: no que depender desta Cadeira, não haverá condescendência de qualquer ordem. Nenhum fim legitimará o meio condenável. A lei será aplicada com a maior austeridade possível - como, de resto, é o que deve ser. Bem se vê que os anticorpos de que já falei começam a produzir os efeitos almejados. Esta é a vontade esmagadora dos brasileiros.

No mais, é aguçar os sentidos, a coragem, é aumentar a dedicação, acurar a inteligência e desdobrar as horas e as forças, no intuito único de servir à aspiração geral por um pleito limpo, civilizado e justo. É o que o Brasil merece e espera. É o que solenemente prometo ao assumir esta Presidência.

Muito obrigado".

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Ramatis Jacino: O sonho do ministro Joaquim Barbosa pode virar pesadelo

23.10.2012
Do blog VI O MUNDO, 22.10.12
Por Ramatis Jacino*


  
    Negros que escravizam e vendem negros na África, não são meus irmãos
   Negros senhores na América a serviço do capital, não são meus irmãos
   Negros opressores, em qualquer parte do mundo, não são meus irmãos...
        Solano Trindade


O racismo, adotado pelas oligarquias brasileiras para justificar a exclusão dos negros no período de transição do modo de produção escravista para o modo de produção capitalista, foi introjetado pelos trabalhadores europeus e seus descendentes, que aqui aportaram beneficiados pelo projeto de branqueamento da população brasileira, gestado por aquelas elites.

Impediu-se, assim, alianças do proletariado europeu com os históricos produtores da riqueza nacional, mantendo-os com ações e organizações paralelas, sem diálogos e estratégias de combate ao inimigo comum. Contudo, não há como negar que o conjunto de organizações sindicais, populares e partidárias, além das elaborações teóricas classificadas como “de esquerda”, sejam aliadas naturais dos homens e mulheres negros, na sua luta contra o racismo, a discriminação e a marginalização a que foram relegados.

No campo oposto do espectro ideológico e social, as organizações patronais, seus partidos políticos e as teorias que defendem a exploração do homem pelo homem, que classificamos de “direita”, se baseiam na manutenção de uma sociedade estamental e na justificativa da escravidão negra, como decorrência “natural” da relação estabelecida entre os “civilizados e culturalmente superiores europeus” e os “selvagens africanos”.

É equivocada, portanto, a frase de uma brilhante e respeitada filósofa negra paulistana de que “entre direita e esquerda, eu sou preta”, uma vez que coloca no mesmo patamar os interesses de quem pretende concentrar a riqueza e poder e àqueles que sonham em distribuí-la e democratizá-la. Afirmação esta, que pressupõe alienação da população negra em relação às disputas políticas e ideológicas, como se suas demandas tivessem uma singularidade tal que estariam à margem das concepções econômicas, de organização social, políticas e culturais, que os conceitos de direita e esquerda carregam.

As elites brasileiras sempre utilizaram indivíduos ou grupos, oriundos dos segmentos oprimidos para reprimir os demais e mantê-los sob controle. Capitães de mato negros que caçavam seus irmãos fugidos, capoeiristas pagos para atacarem terreiros de candomblé, incorporação de grande quantidade de jovens negros nas polícias e forças armadas, convocação para combater rebeliões, como a de Canudos e Contestado, são exemplos da utilização de negros contra negros ao longo da nossa história.

Havia entre eles quem acreditasse ter conquistado de maneira individual o espaço que, coletivamente, era negado para o seu povo, iludindo-se com a idéia de que estaria sendo aceito e incluído naquela sociedade. Ansiosos pela suposta aceitação, sentiam necessidade de se mostrarem confiáveis, cumprindo a risca o que se esperava deles, radicalizando nas ações, na defesa dos valores dos poderosos e da ideologia do “establishment” com mais vigor e paixão do que os próprios membros das elites. A tragédia, para estes indivíduos – de ontem e de hoje -, se estabelece quando, depois de cumprida a função para a qual foram cooptados são devolvidos à mesma exclusão e subalternidade social dos seus irmãos.

São inúmeros os exemplos deste descarte e o mais notório é a história de Celso Pitta, eleito prefeito da maior cidade do país, apoiado pelos setores reacionários, com a tarefa de implementar sua política excludente.

Depois de alçado aos céus, derrotando uma candidata de esquerda que, quando prefeita privilegiou a população mais pobre – portanto, negra – foi atirado ao inferno por aqueles que anteriormente apoiaram sua candidatura e sua administração. Execrado pela mídia que ajudou a elegê-lo, abandonado por seus padrinhos políticos, acabou processado e preso, de forma humilhante, de pijama, algemado em frente às câmeras de televisão. Morreu no ostracismo, sepultado física e politicamente, levando consigo as ilusões daqueles que consideram que a questão racial passa ao largo das opções político/ideológicas.

A esquerda, por suas origens e compromissos, em que pese o fato de existirem pessoas racistas que se auto intitulam de esquerda, comporta-se de maneira diversa: foi um governo de esquerda que nomeou cinco ministros de Estado negros; promulgou a lei 10.639, que inclui a história da África e dos negros brasileiros nos currículos escolares; criou cotas em universidades públicas; titulou terras de comunidades quilombolas e aprofundou relações diplomáticas, econômicas e culturais com o continente africano.

Joaquim Barbosa se tornou o primeiro ministro negro do STF como decorrência do extraordinário currículo profissional e acadêmico, da sua carreira e bela história de superação pessoal. Todavia, jamais teria se tornado ministro se o Brasil não tivesse eleito, em 2003, um Presidente da República convicto que a composição da Suprema Corte precisaria representar a mistura étnica do povo brasileiro.

Com certeza, desde a proclamação da República e reestruturação do STF, existiram centenas, talvez milhares de homens e mulheres negras com currículo e história tão ou mais brilhantes do que a do ministro Barbosa.

Contudo, nunca passou pela cabeça dos presidentes da República – todos oriundos ou a serviço das oligarquias herdeiras do escravismo – a possibilidade de indicar um jurista negro para aquela Corte. Foi necessário um governo de esquerda, com todos os compromissos inerentes à esquerda verdadeira, para que seu mérito fosse reconhecido.

A despeito disso, o ministro Barbosa, em uníssono com o Procurador Geral da República, considera não haver necessidade de provas para condenar os réus da Ação Penal 470. Solidariza-se com as posições conservadoras e evidentemente ideológicas de alguns dos demais ministros e, em diversas ocasiões procura ser “mais realista do que o próprio rei”.

Cumpre exatamente o roteiro escrito pela grande mídia ao optar por condenar não uma prática criminosa, mas um partido e um governo de esquerda em um julgamento escandalosamente político, que despreza a presunção de inocência dos réus, do instituto do contraditório e a falta de provas, como explicitamente já manifestaram mais de um dos integrantes daquela Corte.

Por causa “desses serviços prestados” é alçado aos céus pela mesma mídia que, faz uma década, milita contra todas as iniciativas promotoras da inclusão social protagonizadas por aquele governo, inclusive e principalmente, àquelas que tentam reparar as conseqüências de 350 anos de escravidão e mais de um século de discriminação racial no nosso país.

O ministro vive agora o sonho da inclusão plena, do poder de fato, da capacidade de fazer valer a sua vontade. Vive o sonho da aceitação total e do consenso pátrio, pois foi transformado pela mídia em um semideus, que “brandindo o cajado da lei, pune os poderosos”.

Não há como saber se a maximização do sonho do ministro Joaquim Barbosa é entrar para a história como um juiz implacável, como o mais duro presidente do STF ou como o primeiro presidente da República negro, como já alardeiam, nas redes sociais e conversas informais, alguns ingênuos, apressados e “desideologizados” militantes do movimento negro.
O fato é que o seu sonho é curto e a duração não ultrapassará a quantidade de tempo que as elites considerarem necessário para desconstruir um governo e um ex-presidente que lhes incomoda profundamente.

 Elaborar o maior programa de transferência de renda do mundo, construir mais de um milhão de moradias populares, criar 15 milhões de empregos, quase triplicar o salário mínimo e incluir no mercado de consumo 40 milhões de pessoas, que segundo pesquisas recentes é composto de 80% de negros, é imperdoável para os herdeiros da Casa Grande. Contar com um ministro negro no Supremo Tribunal Federal para promover a condenação daquele governo é a solução ideal para as elites, que tentam transformá-lo em instrumento para alcançarem seus objetivos.

O sonho de Joaquim Barbosa e a obsessão em demonstrar que incorporou, na íntegra, as bases ideológicas conservadoras daquele tribunal e dos setores da sociedade que ainda detém o “poder por trás do poder” está levando-o a atropelar regras básicas do direito, em consonância com os demais ministros, comprometidos com a manutenção de uma sociedade excludente, onde a Justiça é aplicada de maneira discricionária.

A aproximação com estes setores e o distanciamento dos segmentos a quem sua presença no Supremo orgulha e serve de exemplo, contribuirão para transformar seu sonho em pesadelo, quando àqueles que o promoveram à condição de herói protagonizarem sua queda, no momento que não for mais útil aos interesses dos defensores do “apartheid social e étnico” que ainda persiste no país.

Certamente não encontrará apoio e solidariedade nos meios de esquerda, que são a origem e razão de ser daquele que, na Presidência da República, homologou sua justa ascensão à instância máxima do Poder Judiciário. Dos trabalhadores das fábricas e dos campos, dos moradores das periferias e dos rincões do norte e nordeste, das mulheres e da juventude, diretamente beneficiados pelas políticas do governo que agora é atingido injustamente pela postura draconiana do ministro, não receberá o apoio e o axé que todos nós negros – sem exceção – necessitamos para sobreviver nessa sociedade marcadamente racista.

*Ramatis Jacino é professor, mestre e doutorando em História Econômica pela USP e  presidente do INSPIR – Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial.

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Despojos da Batalha do Mensalão

23.10.2012
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Pensaram que era uma guerra, mas, ao buscarem despojos entre os escombros, descobriram que a luta sangrenta, que de fato venceram, não passou de uma batalha. Guerras, como se sabe, dão tudo aos exércitos vencedores. Batalhas não. Só servem para tomar posições ao inimigo, mas não premiam com o objetivo final da guerra.
Sim, venceram uma grande batalha. Invadiram a fortaleza inimiga, fincaram bandeira e aprisionaram generais – literalmente. Agora, arrastam-nos pelas ruas do espectro eletromagnético. Maltrapilhos, feridos, acorrentados, José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e João Paulo Cunha são exibidos como troféus pelas hordas midiáticas.
Mervais, Noblats, Azevedos, Cantanhêdes, Malafaias, Serras e que tais, porém, conduzem, meditabundos, o cortejo de flagelação que exibe para a cidadela capturada os líderes subjugados. Mas, de dentro da gaiola em que os prisioneiros são mantidos, um gesto: Dirceu, mais uma vez, levanta e exibe os grilhões. E sua voz, desafiadora, ainda se faz ouvir.
Sim, eles ainda controlam super soldados do STF capazes de produzir estrondos com o menear de um dedo. Todavia, agora se dão conta de que o inimigo ainda controla os macro movimentos do oceano eleitoral, que, em breve, derramará um vagalhão democrático que a tudo engolfará.
Os despojos dessa Batalha sanguinolenta, pois, não passaram de Dirceu e Genoino, em última análise. Só que eles já haviam sido capturados antes. E em condições muito mais adversas.
Aquela guerra que foi tirar o Brasil da ditadura que os mesmos de hoje implantaram ontem, no entanto, eles perderam. O regime ditatorial que dizem ter sido “mal necessário” – como se algum mal pudesse sê-lo –, caiu.  E aqueles verdugos operosos, altivos e arrogantes são hoje apenas uma sombra do que foram outrora.
Hoje, não passam de velhotes – ou velhacos – tímidos, frágeis, que já vão sendo encurralados pela (Comissão da) Verdade, pelo eco de seus crimes.
Após uma década, sonharam que era chegada a hora de dividirem, aos tabefes, os despojos almejados. Não aconteceu. Venceram, sim, a Batalha do Mensalão e, covardes, tripudiam sobre os capturados. Mas estes permanecem de cabeças e grilhões erguidos para lembrá-los de que vencer uma batalha não é vencer a guerra, que continua.
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Abaixo, a nota de José Dirceu sobre a própria condenação
“NUNCA FIZ PARTE NEM CHEFIEI QUADRILHA
Mais uma vez, a decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal em me condenar, agora por formação de quadrilha, mostra total desconsideração às provas contidas nos autos e que atestam minha inocência. Nunca fiz parte nem chefiei quadrilha.
Assim como ocorreu há duas semanas, repete-se a condenação com base em indícios, uma vez que apenas o corréu Roberto Jefferson sustenta a acusação contra mim em juízo. Todas as suspeitas lançadas à época da CPI dos Correios foram rebatidas de maneira robusta pela defesa, que fez registrar no processo centenas de depoimentos que desmentem as ilações de Jefferson.
Como mostra minha defesa, as reuniões na Casa Civil com representantes de bancos e empresários são compatíveis com a função de ministro e em momento algum, como atestam os testemunhos, foram o fórum para discutir empréstimos. Todos os depoimentos confirmam a legalidade dos encontros e também são uníssonos em comprovar que, até fevereiro de 2004, eu acumulava a função de ministro da articulação política. Portanto, por dever do ofício, me reunia com as lideranças parlamentares e partidárias para discutir exclusivamente temas de importância do governo tanto na Câmara quanto no Senado, além da relação com os estados e municípios.
Sem provas, o que o Ministério Público fez e a maioria do Supremo acatou foi recorrer às atribuições do cargo para me acusar e me condenar como mentor do esquema financeiro. Fui condenado por ser ministro.
Fica provado ainda que nunca tive qualquer relação com o senhor Marcos Valério. As quebras de meus sigilos fiscal, bancário e telefônico apontam que não há qualquer relação com o publicitário. 
Teorias e decisões que se curvam à sede por condenações, sem garantir a presunção da inocência ou a análise mais rigorosa das provas produzidas pela defesa, violam o Estado Democrático de Direito.
O que está em jogo são as liberdades e garantias individuais. Temo que as premissas usadas neste julgamento, criando uma nova jurisprudência na Suprema Corte brasileira, sirvam de norte para a condenação de outros réus inocentes país afora. A minha geração, que lutou pela democracia e foi vítima dos tribunais de exceção, especialmente após o Ato Institucional número 5, sabe o valor da luta travada para se erguer os pilares da nossa atual democracia. Condenar sem provas não cabe em uma democracia soberana.
Vou continuar minha luta para provar minha inocência, mas sobretudo para assegurar que garantias tão valiosas ao Estado Democrático de Direito não se percam em nosso país. Os autos falam por si mesmo. Qualquer consulta às suas milhares de páginas, hoje ou amanhã, irá comprovar a inocência que me foi negada neste julgamento.”
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Serra propõe tratar alunos como potenciais criminosos na CBN

23.10.2012
Do BLOG DO ROVAI, 22.10.12
Por Renato Rovai

Serra e Haddad foram confrontados na CBN com a pergunta do ouvinte Cléber Augusto, que queria saber qual o projeto deles para combater a violência nas escolas.
Haddad falou do seu projeto de escola integral e disse que isso ajudaria a criar uma nova educação na cidade.
Serra respondeu dizendo que iria fazer uma parceria com a Fundação Casa (ex-Febem) para identificar potenciais criminosos e usuários de drogas dentro das escolas. Ouça você mesmo essa barbaridade e imaginem o que significa levar a educação da Fundação Casa (ex-Febem) para dentro das escolas da rede municipal.
Ouça você mesmo e imagine como vai ser o processo de identificação de potenciais criminosos e usuários de drogas na rede pública de ensino municipal.

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O jornalismo seletivo da “Folha de S. Paulo” e a Privataria Tucana

23.10.2012
Do blog PALAVRA LIVRE, 22.10.12
Por /DAVIS SENA FILHO


A imprensa burguesa é como o gato: bebe leite, ronrona e dorme no colo do dono... Pergunte ao passarinho da gaiola o que ele acha de tal felino.
Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre
“A sociedade é maior do que o mercado. O leitor não é consumidor, mas cidadão. Jornalismo é serviço público, não espetáculo.” (Alberto Dines)
       Suzana Singer*ombudsman da Folha de S. Paulo, repassou, no dia 15/12, críticas para o público interno da empresa jornalística. Tais críticas eram relativas à censura imposta pela diretoria da Folha durante dias ao não permitir a publicação de notícias sobre o livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior — “A Privataria Tucana” —, que em apenas quatro dias as livrarias venderam 30,5 mil exemplares, sendo que outros 50 mil estão prontos para sair do “forno”.
       Singer escreveu em seu relatório “Antes tarde do que nunca”, em um quase desabafo, mas certamente alívio, no qual afirmou que “ainda bem que o jornal deu a notícia sobre o livro”. Ela considerou ainda a matéria da página A11 da Folha correta e com o devido destaque, porém considera que o jornal não deveria encerrar o assunto porque a publicação do Amaury contém muitas pautas.
        Como se observa, os jornais, as revistas e as televisões que compõem a velha imprensa privada e corporativa censuraram a “A Privataria Tucana”, bem como boicotaram quaisquer publicidades do livro. Como existe a blogosfera, para o bem da sociedade brasileira, milhares de blogs considerados “sujos” pela grande mídia e pelas classes sociais privilegiadas furaram a censura imposta e, consequentemente, a vendagem do livro explodiu a tal ponto que não foi mais possível para a chamada grande imprensa não tocar no assunto ou fingir que o livro do Amaury não existia.
O tigre é igual à imprensa comercial, primeiro te abraça para depois morder seu pescoço.
       O livro não é uma publicação qualquer. Ele é fundamentado, com mais de cem páginas de documentos, todos “garimpados” pelo autor de forma legal, inclusive por meio de cartórios, em uma pesquisa que demandou tempo, dinheiro, dedicação e, sobretudo, paciência. Não é fácil escrever um livro dessa envergadura, que para ficar pronto levou 12 longos anos. O livro é uma espada afiada e por isso o deputado do PCdoB, Protógenes Queiroz, vai transformá-lo em uma CPI. O parlamentar informou que já conseguiu as 173 assinaturas exigidas para abrir a CPI da Privataria e, por conseguinte, investigar a privatização do patrimônio público brasileiro na era FHC, bem como convocar as pessoas que participaram de tal crime de lesa pátria.
         FHC, José Serra, alguns de seus familiares, Ricardo Sérgio, Luis Carlos Mendonça de Barros, André Lara Resende, Elena Landau, Pedro Malan, Gustavo Franco, Pérsio Arida, Daniel Dantas, Carlos Jereissati, dentre muitos homens e mulheres tem de dar satisfação à sociedade brasileira e principalmente ao povo trabalhador deste País. Não se pode alienar empresas públicas da grandeza da Vale do Rio Doce e da Telebras (somente para ficar nessas) a toque de caixa para atender os ditames e os interesses de governos e bancos estrangeiros e de parte corrupta da elite empresarial e politica brasileira. A CPI tem de ser criada e o líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vacarezza, não pode tergiversar sobre o assunto ou passar a mão na cabeça daqueles que venderam o Brasil na maior cara de pau e total insensatez e irresponsabilidade e que hoje vivem como nababos e paxás, a curtir a vida, como se nada tivesse acontecido.
        Vacarezza afirmou que o PT e o Governo não olham pelo retrovisor. É o fim da picada a declaração do político. O Brasil tem, sim, de olhar pelo retrovisor para ter um futuro melhor. O Brasil tem de passar a limpo suas mazelas para que a sociedade viva em paz e com o sentimento de saber o que aconteceu. O cidadão contribuinte não pode ser tratado como incapaz ou desimportante porque certa autoridade assim o vê. Se é para ser assim, então é melhor para o cidadão brasileiro não pagar os impostos e também não votar. Acontece que contribuir com o estado e votar são ações obrigatórias e por isso também considero obrigatório que os representantes do povo e os servidores públicos pagos por este mesmo povo deem satisfações à cidadania brasileira. Questões como a dos desaparecidos políticos e a roubalheira que aconteceu por intermédio das privatizações devem ter publicidade, bem como tem de ser investigadas. Vacarezza: trate de olhar pelo retrovisor. É sua obrigação de parlamentar.
        A ombudsman da Folha tem consciência que a grande e velha imprensa está delinquindo como delinquiram os tucanos “mauricinhos” emplumados e os demoníacos do DEM (o pior partido do mundo), porque, como sempre afirmei, a imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) não tem compromisso com o povo brasileiro, com a Nação, com o País, com o Brasil. Tal imprensa tem compromisso apenas com o capital privado, com os interesses do mercado de capitais, com os juros altos, com os banqueiros e com os grandes barões da indústria, com o agronegócio de exportação e com o Departamento de Estado dos EUA, o mesmo que tem como principal estratégia diplomática o porrete.
Olha o barão da imprensa aí, gente. Ele adora se vestir com listras pretas e amarelas.
      Suzana Singer sabe que os barões da imprensa corporativa apoiaram a ditadura militar e dela se beneficiaram. Singer, deve saber, por exemplo, que o “velho” Octávio Frias de Oliveira, fundador da “Folha”, emprestava os carros do jornal para os policiais do Dops, para carregar presos políticos, muitos deles torturados e depois mortos ou “desaparecidos”. Alguns carros desse periódico de direita sofreram atentados (violentos), o que, sobremaneira, não engrandece e muito menos orgulha o jornalismo da elite econômica paulista e brasileira, que financiou a Operação Bandeirante (Oban), de triste memória, onde militavam com devoção o major e hoje coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra e o delegado Sérgio Fernando Paranhos Fleury, morto por afogamento em 1979.
Todavia, voltemos à Folha. Suzana Singer faz questionamentos aos responsáveis pela redação do jornal, que eu mostro a seguir em itálico: Antes tarde do que nunca — “Ainda bem que a Folha deu a notícia sobre o livro A Privataria Tucana (A11). A matéria está correta, com o destaque devido, mas o jornal deveria continuar no assunto, porque há mais pautas no livro.
Exemplo: por que Verônica Serra e o marido têm off-shores? Não deveríamos investigar e questioná-los? Já publicamos que Alexandre Bourgeois, marido de Verônica, foi condenado por dever ao INSS? É verdade que as declarações que ela deu na época das eleições, sobre a sociedade com a irmã de Daniel Dantas, eram mentirosas? Fomos muito rigorosos com o caso Lulinha, por exemplo.
Outra frente é a o tal QG de dossiês anti-Serra na época da eleição presidencial, que a Folha deu com bastante destaque. O livro conta coisas de arrepiar a respeito de Rui Falcão. Ao mesmo tempo, sua versão de roubo de seus arquivos parece inverossímel. Seria bom investigar, já que ele faz acusações graves contra a imprensa, especialmente Veja e Folha.
Teria sido bom editar um “acervo Folha conta a história da privatização” para lembrar ao leitor que o jornal foi muito duro com o governo FHC. É um erro subestimar a capacidade da internet – e da Record – de disseminar a tese do “PIG”. E também seria bom esclarecer, com mais detalhes, o que é novidade no livro sobre esse período.
O Painel do Leitor só deu hoje [15/12] uma carta cobrando a cobertura do livro. Eu recebi 141 mensagens. Quem escreveu hoje criticou a matéria publicada por:
1.ter um viés de defesa dos tucanos;
2. não ter apresentado Amaury Ribeiro Jr. devidamente e não tê-lo ouvido;
3. exigir provas que são impossíveis (ligação das transações financeiras entre Dantas e Ricardo Sérgio e as privatizações);
4. não ter esse grau de exigência em outras denúncias, entre as mais recentes, as que derrubaram o ministro do Esporte (cadê o vídeo que mostra dinheiro sendo entregue na garagem?);
5. não ter citado que o livro está sendo bem vendido.
Com toda certeza, os grandes meios de comunicação que ainda não noticiaram ou meramente comentaram o livro A Privataria Tucana devem estar julgando que teria sido melhor a Folha de S. Paulo não ter publicado nada sobre o caso, a ter publicado o que publicou em sua edição de quinta-feira, dia 15”.
A imprensa corporativa vê uma coisa e pinta outra completamente diferente.
       Há muitos anos eu questiono a velha imprensa comercial e privada. Não tem sentido a imprensa rica e de âmbito nacional se partidarizar e ocupar o espaço da oposição partidária e política, ou seja, fazer o contraponto ao governo sem, no entanto, ter sida eleita para isso e muito menos participar de direito do sistema político, mas sim de fato, inclusive com forte atuação nas eleições presidenciais desde 1989, sendo que a de 2010 a imprensa, as mídias empresariais puseram a mão na massa, e, juntamente com o candidato do PSDB, José Serra e seu staff, realizaram a campanha mais suja contra um adversário (Dilma/Lula) que eu vi em toda a minha vida.
       A imprensa não se fez de rogada e, mesmo derrotada, não reconhece o voto popular e muito menos os avanços sociais e econômicos conquistados pelos brasileiros. Se uma pessoa desavisada chegar ao Brasil vai pensar, se depender da imprensa golpista, que o País está falido, tal qual a Grécia e outros países europeus. Afirmo e repito: os barões da imprensa são os empresários mais atrasados da sociedade. Eles estão aquém até mesmo dos ruralistas da UDR ou dos integralistas do tempo de Plínio Salgado ou dos evangélicos do Tea Party. Eles são realmente conservadores e detestam o Brasil, que o serve apenas como fonte de renda. Eles são a elite endinheirada e a nossa burguesia é colonizada, de passado escravocrata e tem um imenso complexo de vira-lata. A elite empresarial brasileira se recusa a pensar o Brasil.
      Os barões aturam os tucanos paulistas (eles detestam o Aécio Neves) porque foi o que sobrou da direita, bem como os políticos do PSDB perceberam que poderiam ocupar o espaço que foi, um dia, da UDN e do PFL, porque o herdeiro da direita tupiniquim, o DEM, morreu, foi enterrado e ainda não sabe. Se vivessem no tempo da escravidão, certamente que seriam escravocratas. Os jornalistas responsáveis, com cargo de mando e empregados de confiança da oligarquia midiática estão a perder a credibilidade. Não se pode fazer jornalismo sem ouvir os dois lados, investigar, favorecer o contraditório e, o mais importante, não destruir reputações principalmente quando a moral de cidadãos é atacada por bandidos que na verdade não comprovaram nada, mas o estrago já está feito.
     Jornalistas que pensam dessa forma chamam o jornalismo praticado atualmente pela grande imprensa (que vive também da publicidade, de concessões e de empréstimos públicos) de jornalismo de esgoto, de detrito de maré baixa, de reporcagem, com “C” mesmo, porque não é tolerável para a democracia e ao estado democrático de direito que empresários e profissionais de imprensa façam um jornalismo arrivista, contrário aos interesses da população e do País. Um jornalismo de crises intermináveis, diárias, a ser a maioria delas artificiais, baseadas em declarações, não filmadas, não documentadas e não gravadas. É a imprensa do jornalismo declaratório ao invés de ser de investigação.
Banda larga pública e barata livrará o povo do pensamento único do Partido da imprensa.
      Esses caras, os chefes e chefetes, fazem um jornalismo de péssima qualidade e que envergonha a maioria da categoria. Pode acreditar, leitor. Não pense que os jornalistas que aparecem nas telinhas e nas colunas dos jornais e revistas a fazer o jogo dos patrões são a maioria, porque não o são. Os sentimentos e as opiniões dessa classe profissional de trabalhadores que ganha mal, enfrenta perigos até mesmo de vida, não tem segurança no emprego e vive sob pressão nas redações são diametralmente opostos aos desses mauricinhos e patricinhas que fazem o jogo sujo e combatem governos trabalhistas sem titubear, porque o propósito é desqualificar, sangrar e se possível derrubar o mandatário que ousou não seguir a cartilha política e econômica dos bancos e do grande empresariado nacional e internacional. Por isso o ódio ao Lula, o desprezo disfarçado pela Dilma Rousseff e a tentativa de esquecimento de políticos trabalhistas da grandeza de Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola.
       Alguns leitores ficam furibundos, furiosos comigo. Realmente tem alguns que perdem a razão. Tem leitores que me agridem com palavras fortes. Eu respondo a eles, porque sou democrata, sou jornalista e quero uma imprensa que faça jornalismo. Eu sempre aposto no debate. Sou de esquerda, socialista, trabalhista e nacionalista. É verdade. Mas nunca escondi a minha realidade, que me orgulha. Sou um dissidente do sistema midiático e o combato nesta tribuna que é o Blog Palavra Livre. Não tenho compromisso com o sistema de poder da imprensa empresarial, porém, tenho com o jornalismo, conforme acredito que ele deva ser. O faço com coragem e desprendimento. Não recebo para ser o que eu sou. Não trabalho para o Governo. Os editores do JB nunca me censuraram. Não vendo a minha consciência e a minha alma, pois luto pelas minhas ideias, convicções e crenças. O problema é que muitos desses leitores não conhecem os bastidores da imprensa e seu intricado jogo de poder e de interesses. Portanto, saibam que é dessa forma que continuarei a ser.
Voltemos novamente à Folha. O livro “A Privataria Tucana” é para mim e para muitos de meus colegas dos blogs “sujos” um divisor de águas. Quando a imprensa se cala para censurar, esconder a publicação que estourou nas vendas, a velha imprensa mostra, sem deixar dúvidas, quem ela é, o que ela quer e o quê e a quem defende. É inquestionável essa realidade. O leite foi derramado e não tem como colocá-lo novamente no copo. Recusar-se a divulgar o livro do Amaury é um desserviço à Nação, porque o jornalista trata do dinheiro público, dos impostos do contribuinte e da autonomia e da independência do Brasil, porque quando o governo tucano vende uma estatal como a Vale do Rio Doce o estado se enfraquece e os recursos provenientes da empresa pública trocam de destino, porque vão para as mãos da iniciativa privada, que, como bem diz o nome, pertence a poucas pessoas e não ao País.
Alguém pode argumentar que tal empresa pública vai ser cabide de emprego, vai favorecer a corrupção e por isso é bom vendê-la. Pois não é. Corrupção se combate e nepotismo também. Tanto é verdade que a Polícia Federal nunca prendeu tanto, nunca realizou tantas operações desde quando os governos trabalhistas de Lula e Dilma assumiram o poder. O Portal da Transparência foi implementado por Lula, onde qualquer pessoa pode ter acesso às contas do Governo. O presidente trabalhista foi republicano.
Aliás, muitos dos escândalos e farsas promovidos artificialmente por essa imprensa burguesa e alienígena tiveram como fonte, acreditem, o Portal da Transparência, ferramenta esta que o Governo de São Paulo não tem e não oferece ao povo paulista, apesar de os tucanos estarem no poder há quase 20 anos. Os governantes do PSDB nunca foram republicanos. Eles venderam o País e o estado paulista. Então por que eles implementariam um portal? Por que a imprensa não cobra o portal dos governantes tucanos? Com a palavra, os jornalistas que trabalham nesses veículos hegemônicos de comunicação.
Para que contratar ombudsman? O Octavinho, dono da Folha, não a ouve...
Leitor, o que a Folha publicou contra a sua vontade não foi propriamente uma matéria. A intenção da Folha e dos responsáveis pelo texto noticioso foi defender o ex-governador José Serra, principal interlocutor da imprensa paulista. Serra não foi acusado pelo jornalista Amaury diretamente, mas seus parentes e alguns amigos ou aliados o foram. De acordo com o livro, essas pessoas se transformaram em proprietárias de empresas cujos capitais sociais são de milhões de reais, o que, sobremaneira, chama a atenção, até porque o Serra sempre foi político e não empresário.
Para o Serra, a Folha “concedeu” o benefício da dúvida. Apelou para o contraditório e questionou o livro a exigir provas mais contundentes. Contudo, com os ministros Orlando Silva e Carlos Lupi o periódico passou a navalha na jugular deles, que não tiveram outra opção do que sair de seus ministérios. Estão também a tentar derrubar o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que é do PT e não do PSDB. Pesos e medidas diferentes. Enfim, percebe-se, com clareza e exatidão, que a imprensa não está nem aí para a corrupção. Ela simplesmente não quer o PT e os trabalhistas no poder. O sistema midiático controlado por meia dúzia de famílias é a verdadeira oposição. E se puder dar um golpe o dará sem titubear.
Entretanto, a imprensa é a imprensa e todo mundo sabe disso, até aqueles que acham que ela pratica o jornalismo e não o golpismo. Um colega meu disse: “o problema inaceitável é se a Justiça agir como a imprensa. Aí será preciso parar este país até que se chegue a um acordo sobre que tipo de democracia é essa em que estamos vivendo, na qual alguns, em tal situação, serão “mais iguais” do que outros perante a lei”.
O problema é que as elites brasileiras sempre contaram com o “bom” olhar da Justiça, que é também, há muito tempo, questionada pela sociedade civil brasileira. A moral e a ética da Folha de S. Paulo é indelevelmente seletiva. As palavras da ombudsman da Folha confirmam que a imprensa tem lado, e este lado é tucano. Por sua vez, ela me pareceu constrangida. É isso aí.

Observações de Davis Sena Filho: Este texto foi escrito em dezembro de 2011. Em janeiro deste ano, a chefe de redação do Jornal do Brasil (JB) me enviou mensagem por e-mail na qual dizia que não seria mais possível eu continuar com o Blog Palavra Livre hospedado no JB. A resposta de tal editora só me foi dada depois de três dias de o Palavra Livre ter saído do ar.
O motivo pelo qual a diretoria do JB decidiu pela minha saída foi o seguinte: “meu perfil profissional não era adequado com a reforma editorial do jornal”. Só que não houve reforma, além de eu ter sido o único blogueiro dos mais de 25 blogs hospedados no JB a ser censurado por questões ideológicas e políticas. E a chamada grande imprensa age com desfaçatez e denuncia que há tentativa de censura quando se fala em marco regulatório para o setor econômico midiático.
Só que os empresários da imprensa de negócios privados censuram aqueles que não pensam como eles, que não defendem seus propósitos e seus interesses, bem como não toleram pensamentos dissonantes, antagônicos ou contrários aos deles, que, intolerantes, transformaram instrumentos e ferramentas de comunicação em agremiação política, o Partido da Imprensa, o de pensamento único e determinado a defender as causas das classes dominantes, dos empresários e até os interesses dos governos dos países considerados desenvolvidos.
Os donos da imprensa burguesa são tão ideológicos e conservadores que não se importaram em afastar o blogueiro mais lido do JB, o blog mais acessado. Não importou, no meu caso, a acessibilidade que o Palavra Livre dava  ao jornal, pois acima de tudo está a questão ideológica e pragmática dos barões da imprensa, que agem dessa forma nos bastidores e em público se apresentam como os paladinos da democracia e da liberdade de expressão e de imprensa. Nada mais falacioso e hipócrita.
Este artigo sobre o jornalismo seletivo da Folha de S. Paulo e as considerações e críticas de sua ombudsman, Suzana Singer, denotam a realidade, o que acontece no mundo do jornalismo empresarial, sendo que a censura à minha pessoa é o maior e o melhor (ou pior?) exemplo e ratifica o que eu penso e escrevo há muito tempo sobre os meios de comunicação privados e hegemônicos, que lutam desde de sempre para atrasar e até mesmo impedir o desenvolvimento do povo brasileiro e a autonomia e independência do Brasil. É isso aí.

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