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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

CELSO E AYRES DÃO GOLPE. PARA SE INOCENTAR O Conversa Afiada anota que a primeira entrevista do Presidente Barbosa, depois de eleito, foi ao jornal nacional. Por que não foi a uma coletiva, a todos os canais ?

15.10.2012
Do blog CONVERSA AFIADA, 11.10.12
Por Paulo Henrique Amorim


Saiu no Valor, pág. A10:

CELSO DE MELLO VÊ ‘DELINQUÊNCIA GOVERNAMENTAL’ E BRITTO, ‘GOLPE’ POR PODER


Ayres Britto asseverou que há provas suficientes e claras no processo indicando a condenação da maioria dos réus: “A prova é a voz dos fatos. Há fatos que silenciam, que sussurram, que falam em decibeis razoavelmente audíveis, e há fatos que verdadeiramente gritam, porque expõem as próprias vísceras. Seria uma violência fechar os olhos para as vísceras expostas dos fatos criminais sob julgamento.”

(…)

Celso de Mello enfatizou que os réus do mensalão agiram numa “agenda criminosa muito bem articulada”. “Há elementos probatórios e não importa se são indiciários, porque os indícios se qualificam também como prova penal”, afirmou. Segundo o decano, os indícios “são convergentes, se harmonizam entre si e não se repelem, e, portanto, não se desautorizam mutualmente”.

Celso usou boa parte de seu voto para rechaçar as afirmações de que o tribunal estaria “inovando” para concluir pela punição de políticos. “A jurisprudência do STF em nada foi alterada”, ressaltou. “Repila-se a afirmação de que o tribunal está inovando para condenar alguns réus. Isso não é verdade! Isso não é exato!”

O decano defendeu a aplicação da teoria do domínio do fato, pela qual é possível atribuir responsabilidade penal a quem pertence a um grupo criminoso, mas não praticou diretamente o delito porque ocupava posição hierárquica de comando. Essa teoria permite a punição do mandante dos crimes, posição atribuída pela maioria a Dirceu. Para negar a tese de que ela estaria sendo utilizada de maneira casuística, o ministro lembrou que essa teoria já foi adotada pelo STF em outros julgamentos. “A teoria do domínio do fato não é uma construção ‘ad hoc’ [para se chegar a um fim específico]. Nós estamos a tratar de uma hipótese de macrodelinquência governamental.” E continuou. “Houve utilização abusiva criminosa do aparato governamental ou partidário por seus próprios dirigentes, objetivando não o diálogo institucional legítimo, não as negociações políticas legítimas, mas, sim, a adoção e consecução de finalidades por meios claramente criminosos.”

(…)

Navalha
Os votos de Celso de Mello e Ayres Britto são um delírio.
Uma catilinária.
Uma peça política.
Uma “photo opp” para o jornal nacional.
Como votaram por último, a função, ali, era defender o Supremo da violação dos Direitos que a condenação do Dirceu perpetrou.
Para absolver Collor de Mello, Celso de Mello não invocou o “domínio do fato”.
E exigiu o “ato de ofício”
Agora, para condenar o Dirceu, se vale dos “ … elementos probatórios e não importa se são indiciários …
Vale tudo.
O voto do Ayres Britto é um delírio de outra natureza.
Ele viu o Golpe.
Deve ser o mesmo Golpe que seu antecessor naquela cadeira sinistra – a da Presidência do STF -, o Gilmar Dantas (*), outro impoluto acusador, viu quando o De Sanctis, o de Grandis e o Protógenes prenderam o impoluto Daniel Dantas .
De fato, prender o Dantas e o Naji Nahas (outro símbolo da elite paulistana) foi um Golpe contra a elite !
E o Dantas, Presidente Barbosa, vai continuar a rir do Brasil ?
Será que, finalmente, o senhor vai abrir a janela e deixar o sol entrar no Supremo ?
Ou o Supremo viverá, sempre, na sombra ?
Ayres e Celso de Mello ofertaram a arbitrariedade ao Juiz da esquina.
Ao juiz da Comarca de Bragança ou Diamantino.
Pobre, preto, p… e petistas não se salvam com a “Jurisprudência” Suprema.
Não merecem presunção de inocência.
Alternativamente, a elite recebe um cheque em branco.
Elite só vai em cana com batom na cueca e ato de oficio escrito em marmore de Carrara.
Os votos derradeiros de Britto e Celso de Mello foram uma auto-defesa.
Eles sabem que criaram um Monstro.
De que se valerão como advogados, depois da aposentadoria.
Viva o Brasil!



Em tempo: o ansioso blogueiro, quando sente vergonha do Brasil, lembra da Argentina. O Presidente Néstor Kichner demitiu os ministros da Suprema Corte nomeados pelo Menem (no caso de Celso de Mello, o Sarney). Só assim conseguiu aprovar a Ley dos Medios.

Em tempo2: o Conversa Afiada sugere que a Presidenta Dilma, para caracterizar o Supremo, de forma inequívoca, como um corpo técnico e independente, indique o Ataulfo Merval de Paiva para o lugar de Ayres Britto. “Notável saber jurídico”, sem dúvida, ele demonstrou, ao conduzir o julgamento do mensalão. Assim, ela estabelecerá com a Globo ponte mais sólida do que a maciça veiculação de anúncios do Governo.

Em tempo3: o Conversa Afiada anota que a primeira entrevista do Presidente Barbosa, depois de eleito, foi ao jornal nacional. A Globo tem o domínio dos fatos !


Paulo Henrique Amorim

(*) Clique aqui para ver como eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. E não é que o Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas ? Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Isso dá processo…

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Vitória de Haddad anulará maior conspiração política desde 1964

15.10.2012
Do BLOG DA CIDADANIA,12.10.12
Por Eduardo Guimarães
Quem tem olhos, cérebro e alma sabe que o julgamento do mensalão decorre de uma conspiração política que só encontra paralelo na história recente do Brasil na conspiração que levou ao golpe militar de 1964. Essa fina flor do reacionarismo de ultradireita que reúne imprensa, Judiciário e setores do Legislativo apostou tudo nesse processo.
As eleições municipais de 2012, no primeiro turno, frustraram à larga os anseios dos que apostaram no julgamento do mensalão para destruir politicamente o Partido dos Trabalhadores.  E, apesar de toda a campanha massacrante que reuniu o maior aparato publicitário já formado em torno de um fato político, ela foi um fiasco.
O PT cresceu fortemente nas eleições de 7 de outubro. E, como se não bastasse, tornou-se o partido mais votado do país, com mais de 17 milhões de votos para prefeito e vereador.
Agora, no segundo turno, porém, o fracasso reacionário pode adquirir proporções dramáticas. Está para ocorrer a tomada do ultimo bastião da direita no Brasil, a cidadela do conservadorismo nacional, São Paulo, que está prestes a cair diante do força avassaladora de um projeto progressista que mudou o país para sempre.
Confesso a você, leitor, que, no início, cheguei a duvidar das possibilidades de o novo “poste” de Lula obter êxito em uma cidade como São Paulo, cidade que tem o povo mais despolitizado de todo o país e que se deixa influenciar como nenhuma outra por panfletos de ultradireita como Veja, Folha de São Paulo e Estadão, sem falar na Globo.
Mais uma vez, o ex-presidente mostrou por que chegou aonde chegou na política tendo partido da miséria do sertão nordestino. Lula enxerga o jogo político lá longe, como se estivesse ao seu lado. Poucos acreditavam em sua visão de que Fernando Haddad é, basicamente, o que São Paulo quer.
A direita midiática, com todos os seus recursos, com todos os seus institutos de pesquisa de opinião, com suas televisões, com seus jornais e com seus bilhões de dólares não foi capaz de perceber o esgotamento da paciência do paulistano com a embromação demo-tucana. Ou sequer a intensidade do sofrimento de São Paulo.
As pesquisas mostram larga vantagem de Haddad sobre José Serra, o bibelô da ultradireita brasileira. E, obviamente, a máquina de difamação demo-tucano-midiática já começa a se levantar. Nesta sexta mesmo, o panfleto mais servil a Serra, a Folha de São Paulo, ao lado da notícia sobre a disparada do petista na pesquisa Ibope já faz denúncia contra ele.
Serra e a mídia ultraconservadora estarem acuados é sinônimo de qualquer coisa que se possa imaginar em termos de baixaria, de golpes eleitorais. As portas do inferno irão se abrir contra Haddad. Família, biografia, tudo será alvo da fúria nazista desse grupo político criminoso, golpista, imoral.
Todavia, a vitória de Haddad tem chances muito boas de se materializar. Todos sabem que haverá uma campanha de desmoralização contra ele. Aliás, que maior campanha de desmoralização pode haver do que a farsa em curso no STF? Mas está funcionando? Não, claro que não. Dúzias de cientistas políticos dizem que não está funcionando.
A vitória de Haddad, além de tudo, produzirá uma nova e poderosa liderança política. O professor com pinta de galã certamente tem uma promissora carreira política pela frente. Haddad tem cara de presidente da República ou não tem? Só não pode cair no erro de Serra e abandonar o mandato no meio, caso seja eleito prefeito neste ano.
O xis da questão, porém, é que a eleição de Haddad como prefeito de São Paulo tornará negativo um efeito político zero que a direita midiática obteve com a farsa do julgamento do mensalão. Além de não conseguir nada a mais, essa direita ainda irá perder sua fortaleza política, São Paulo. Fracasso maior seria impossível

SERRA E O KAMA SUTRA: "Kama Sutra" na escola


15.10.2012
Por Leonardo Attuch

Imagine seu filho de nove anos recebendo como lição de casa a recomendação de leitura do livro "Dez na Área, Um na Banheira e Nenhum no Gol".

Leonardo Attuch
Comprado pela Secretaria de Educação do Governo de São Paulo e distribuído a 1.216 alunos da terceira série do primeiro grau, o livro explora várias posições sexuais e vem recheado de expressões pedagógicas como "chupei ela todinha", "ativo", "passivo" e outros palavrões impublicáveis. Não bastasse o conteúdo sexual, a obra é repleta de erros crassos de português, com uma linguagem digna de baile funk. Para piorar, funciona ainda como manual de ingresso no PCC, o Primeiro Comando da Capital.

É quase uma versão hardcore do "Kama Sutra" - e para crianças.

Tão surreal quanto a explicação do governo paulista, que, em nota, não soube informar como o livro foi parar nas mãos dos alunos.

Nos anos 50, quando o governador José Serra estudava na escola estadual Firmino de Mendonça, no bairro paulistano da Mooca, quem quisesse aprender algo sobre sexo teria de recorrer às revistas proibidas e apimentadas do "novo catecismo" de Carlos Zéfiro.

Os tempos mudaram, a educação se degradou e a cena definitiva dessa decadência ocorreu há pouco mais de uma semana, antes mesmo que o escândalo dos livros erótico-didáticos viesse a público.

Num confronto com a polícia, alunos da mesma escola em que Serra estudou quebraram 47 vidraças, 25 cadeiras e 27 mesas.

Foram contidos pela PM com spray de pimenta. Alguns deles, drogados, trancafiaram-se nos banheiros. Ao comentar o ocorrido, Serra foi lacônico. "No meu tempo não tinha isso, não me lembro de ter acontecido", declarou. Hoje, os alunos bem que poderiam responder dizendo que no tempo do governador o Estado também não distribuía manuais de sexo e violência às criancinhas.

Quando foi prefeito de São Paulo, Serra atribuiu a má colocação das suas escolas no ranking do Enem à chegada constante de novos migrantes, quando o natural seria esperar que a mais próspera metrópole do País se destacasse também pela excelência educacional. Estudando numa escola pública, Serra conseguiu, com méritos próprios, acumular conhecimentos e se tornar uma das figuras mais destacadas do País, apesar da origem humilde. Hoje, não mais no saudoso tempo de criança, mas no tempo ainda mais importante de governador, é improvável que um aluno da sua antiga escola da Mooca possa sonhar com um futuro brilhante.
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ELEIÇÕES 2012: Fé e consciência

15.10.2012
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 12.10.12
Por Marcelo Santos

Evangélicos recusam rótulo de curral eleitoral e avisam a candidatos que é preciso muito mais do que ser “irmão” para ganhar o voto 

Fé e consciência
Evangélica e nordestina, como se apresenta, Franqueline Terto dos Santos, de 31 anos, garante: na hora de votar, faz o que manda sua consciência, não os pastores ou lideranças de sua igreja, a Batista do Pinheiro, em Maceió. Ela lembra que em 2010, a poucos dias das eleições, o líder máximo de sua igreja no Brasil, o pastor Paschoal Piragine Junior, tentou desancar os candidatos da esquerda por meio de um vídeo que se tornou viral na internet. 
Pensamento livre. A alagoana Franqueline, na hora de votar, faz o que manda sua consciência, e não o que o pastor orienta (Foto: Arquivo pessoal)
No episódio, Piragine Junior orientava os crentes a não votar em candidatos do PT, classificava posições do então governo federal sobre aborto e homoafetividade como “iniquidade institucionalizada” e dizia que, caso os cristãos não se posicionassem nas urnas, “Deus iria julgar a Terra”.
Franqueline, ativista de movimentos sociais como o MST em Alagoas, não entrou na do pastor. E diz conhecer muitos evangélicos como ela que também ignoraram os arroubos partidários do líder religioso. O resultado eleitoral todos sabem. Mas o voto dos fiéis é cada vez mais alvo da sanha política. Principalmente após recente divulgação do Censo 2010: eles já somam 22% da população no país, um expressivo contingente de 42 milhões de pessoas. 
Os números podem ser medidos por meio do crescimento da participação na política partidária. A Frente Parlamentar Evangélica (FPE) no Congresso Nacional, composta por 70 deputados federais e três senadores, cresceu 50% em relação à legislatura anterior. “Desde a redemocratização, as lideranças passaram a trabalhar junto aos fiéis para que essa ‘tradução’ ocorresse. As elites evangélicas agiram no sentido de conquistar eleitores dentro de suas igrejas”, observa o cientista político Tiago Daher Padovezi Borges, da Universidade de São Paulo (USP). 
Segundo Borges, embora os evangélicos não se alinhem com uma visão comum de economia ou política, as lideranças conseguem mobilizar eleitores por meio de visitas às igrejas e da influência dos pastores. “A relação entre pastor e fiel existe, mas não é imediata. Os fiéis não votam de uma maneira cega com o pastor”, acredita. 
Pastor Elienai (Foto: Gerardo Lazzari)
Ainda assim, a atuação parlamentar dos evangélicos tem sido contestada. Dados organizados pela ONG Transparência Brasil revelam que 32 deputados federais da Frente Parlamentar Evangélica, ou seja, quase metade, sofrem processos de sonegação fiscal, formação de quadrilha, peculato, corrupção eleitoral, improbidade administrativa e rejeição das contas de campanha. Nesse caso, justiça seja feita, o percentual é elevado, mas ainda abaixo da média do Congresso, onde 63% dos parlamentares estão em litígio com os Tribunais Regionais Eleitorais.

Elienai: “Muitos pastores não têm uma visão política decente. Para eles, o parlamentar é um despachante avançado da instituição" (Foto: Gerardo Lazzari/RBA)

Relação perigosa

Na opinião de Elienai Cabral Junior, liderança da igreja evangélica Betesda e pastor na zona leste de São Paulo, o pastoreio não combina com política partidária, já que instrumentaliza um valor que não é inerente a outras forças políticas. 
“O líder religioso possui uma aura mística que lhe é dada pela comunidade. Sua palavra tem um peso revestido de sacralidade. Se ele a usa para outros fins que não o sacerdócio, corrompe sua vocação, que é desinteressada. O sacerdócio tem de ser um exercício desprovido de qualquer troca”, sustenta.
Elienai já vivenciou a estranha relação entre igrejas e parlamentares. Na década de 1990 trabalhou no escritório do deputado distrital Peniel Pacheco (PDT-DF). Evangélico e próximo às lideranças de diversas igrejas, o político era constantemente procurado para as mais diversas solicitações. “Pediam cópias de cartazes para eventos, camisetas, lotes de terreno e até pão e salsicha para as festas das igrejas. Sempre dizíamos que o gabinete não dispunha de verbas para esses fins, o que contrariava bastante pastores e líderes”, conta.
Numa dessas ocasiões um pastor de uma grande igreja de Taguatinga, cidade-satélite de Brasília, procurou o gabinete em busca de passagens aéreas para um congresso religioso. Como não conseguiu, conforme lembra Elienai, o líder se indignou e foi atrás de outros deputados distritais. “Pouco tempo depois ele passou novamente exibindo os talões e disparando ameaças, tais como ‘o deputado não quer mais ser eleito, é isso?’”  
Para o pastor da Igreja Betesda, trata-se de um “mau exemplo” em que os próprios evangélicos atuam para corromper os políticos. “Muitos pastores não têm uma visão política decente. Para eles o parlamentar é um despachante avançado da instituição.”

Debates no templo

Pastor Levi (Foto: Fernanda Salviano)
Filho de metalúrgico e nascido em Santo André, o pastor Levi Correa de Araújo sente falta da época em que sua antiga igreja organizava debates com políticos e gestores públicos no ABC Paulista. “Foi uma extraordinária experiência pedagógica, de formação e informação sobre política, política partidária e políticas públicas.” Era 2002 e Levi, então envolvido na organização das Conferências de Direitos Humanos de Santo André, atuava na Primeira Igreja Batista da cidade. O que começou como um protesto contra o antigo vício de uso do ambiente religioso como curral eleitoral, questionando a máxima “irmão vota em irmão”, transformou-se em espaço em que representantes do poder público prestavam esclarecimentos dentro da nave da igreja. 

Levi: tempo de eleição é propício para a igreja promover debate, contribuir com informação e com formação 
(Foto: Fernanda Salviano)
Com a proximidade das eleições, Levi teve a ideia de convidar candidatos ao governo estadual e os presidenciáveis. O então candidato Luiz Inácio Lula da Silva esteve por lá, acompanhado à época pelo senador norte-americano e ativista pelos direitos humanos Jesse Jackson e por intelectuais como o teólogo Leonardo Boff. A organização de debates e outras atividades de reflexão continuou por mais um ano, quando Levi, por motivos pessoais, deixou o pastoreio daquela igreja. 
Helio SBC (Arquivo Pessoal)
Em 2003, ele levou famílias de militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto para uma refeição no templo. Depois, na madrugada, seguiram em direção a um terreno que estava sob controle da empresa Volkswagen, na Vila Ferrazópolis, em São Bernardo do Campo. Junto dele estava o militante, professor universitário e pastor presbiteriano Hélio Sales Rios. “Ocupamos aquela área e fazíamos cultos todos os dias, participando inclusive das assembleias”, relembra. 

Hélio: “Quando um cristão conhece a luta dos movimentos sociais e dos trabalhadores. não tem como ficar indiferente” 
(Foto: Arquivo pessoal)
Em pouco tempo Hélio, que também é diretor no Sindicato dos Professores do ABC, foi “despojado administrativamente”, eufemismo para exclusão do ofício pastoral. “Disseram-me que a igreja não concordava com minha atuação junto aos movimentos sociais.” Um preconceito que nunca abalou a fé do pastor. “Minha opção pela esquerda, pelo socialismo e pela revolução veio da consciência cristã e bíblica. Foi a minha espiritualidade que me levou para os movimentos sociais.” Hélio lamenta que muitos evangélicos estejam “alienados” diante dos acontecimentos. “Assim como toda a sociedade, os crentes também ‘bebem’ as informações vindas de Veja, Globo, SBT, Bandeirantes, Estadão, e por aí vai. Tenho certeza que quando um cristão conhece a luta dos movimentos sociais e dos trabalhadores não tem como ficar indiferente.”  

‘Cabra marcado’ lia a Bíblia e também jornais

Cabra marcado
Um dos principais líderes camponeses do país, João Pedro Teixeira, fundador da Liga Campesina de Sapé, na Paraíba, foi assassinado no dia 2 de abril de 1962. 
Sua história de luta pela reforma agrária ficou conhecida dentro e fora do país por meio do documentário Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho.
João Pedro Teixeira começou sua luta sindical nos anos 1950, quando se converteu ao protestantismo na Igreja Presbiteriana. Lia a Bíblia e também os jornais, e não se conformava com o flagelo da população do campo. O líder camponês foi morto numa emboscada a caminho de sua casa. 
Antes, já havia sofrido diversas ameaças de morte por latifundiários. Na ocasião, o movimento dos trabalhadores de Sapé já contava com 10 mil associados. “Foi alguém que entregou a vida pela convicção de que lutar pelos direitos dos trabalhadores e pela reforma agrária era cumprir sua vocação cristã e evangélica sem se acovardar”, define o antropólogo Flávio Conrado, pesquisador associado do Instituto de Estudos da Religião, do Rio de Janeiro.
João e a família

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Bancada heterodoxa

A Frente Parlamentar Evangélica (FPE) é conhecida por obstruir o debate de temas como a descriminalização do aborto e das drogas, a educação religiosa nas escolas públicas e a criminalização da homofobia. Esses parlamentares também monitoram o que consideram “perigos” iminentes a suas igrejas, como a intenção declarada do governo de vetar o arrendamento de horários na TV aberta. Formada por membros de diversas igrejas e partidos, a bancada corresponde a pouco menos de 14% dos deputados federais e de 4% do número de senadores – em que pese sua representação na sociedade ter chegado, segundo o IBGE, a 22% da população. 
De acordo com Eduardo Lopes Cabral Maia, doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Santa Catarina e professor na Universidade Federal de Santa Maria (RS), é difícil medir o quanto a atuação religiosa no Congresso reforça ou fragiliza o amadurecimento da democracia. Para Maia, o barulho das bancadas religiosas em temas polêmicos é maior do que seu tamanho efetivo permitiria. “Os evangélicos não têm capacidade de determinar os processos políticos. Dependem da mobilização de outras forças, como os próprios católicos”, explica.
Em sua tese de doutorado, o professor mapeou 944 proposições dos parlamentares evangélicos durante a legislatura 2007-2010. Separou as ações por temas e concluiu que apenas 3,9% correspondiam exclusivamente aos interesses religiosos. A maior parte dos esforços foi para a área social (66,7%), econômica (10,4%) e de direito do consumidor (7,5%). 
Seu interesse nos evangélicos surgiu quando ainda era estudante da Universidade de Brasília (UnB), em 1998, e assistiu ao duelo entre Cristovam Buarque e Joaquim Roriz pelo governo do Distrito Federal. “Roriz atacava Buarque, classificando-o como um comunista ateu. Mais tarde obteve o apoio do candidato evangélico Benedito Domingos. O peso político religioso foi determinante para a vitória de Roriz”, relembra. “Aquilo aguçou em mim o desejo de observar a força política dos evangélicos.”

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A história se repete... como farsa

15.10.2012
Do portal  da REDE BRASIL ATUAL, 11.10.12
Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Quem pensa que a última instância é o processo jurídico no STF, se engana, porque a última instância de fato é o processo histórico, e no implacável processo histórico até os juízes entram no banco dos réus.
Deixando os aspectos jurídicos de lado por um instante, diante da história, como o povo enxerga a figura emblemática de Gilmar Mendes batendo o martelo para condenar José Genoíno e José Dirceu? Acho que o resultado das urnas no último domingo dá algumas pistas sobre a resposta.
O PT teve o melhor resultado de sua história em eleições municipais neste primeiro turno. Pela primeira vez foi o partido que teve mais votos na totalização nacional para prefeito. Cresceu em número de prefeitos e de vereadores já eleitos. É o partido que tem mais candidatos disputando o segundo turno. Com o PSDB ocorreu o inverso: encolheu.
Se o julgamento do STF está chegando ao fim (ainda que poderá acabar tendo anulações e reabertura de casos), o julgamento da história está só iniciando.
O processo político que escreve a história está deflagrado, e foi iniciado pelo próprio STF ao politizar o julgamento: desde a data marcada para coincidir com a campanha eleitoral (tecnicamente imprópria para os próprios juízes, que cumprem dupla jornada no TSE e no STF), até a explícita vontade política de condenar, dispensando a necessidade de provas, e condenando com base em conjecturas e opiniões pessoais, portanto subjetivas, de cada juiz.
Até hoje os réus que estão sendo condenados somente por sua atuação política e partidária, não puderam contar toda a sua versão da história. Não estavam censurados, mas um réu só responde ao que lhe acusam nos autos, porque quando não há um julgamento de exceção, quem acusa é quem tem que provar. Essa regra, fundamental nos estados democráticos, não valeu neste julgamento heterodoxo, repleto de exceções.
Agora os réus, cedo ou tarde, acabarão contando novos detalhes sobre como os fatos de 2003 a 2005 aconteceram, para registro histórico, para dar satisfação para seus descendentes e correligionários, para repor suas biografias no devido lugar, e até para reabrir o caso, anulando uma sentença quando montada em cima de premissas falsas.
A depender da verdade histórica, quem pode vir a ser condenado são os juízes de hoje. E os políticos de oposição, que tripudiam, podem se queimar na própria fogueira que acenderam, quando segredos dos réus empresários envolvendo demotucanos, forem revelados. Aécio Neves e José Serra, por exemplo, têm um implacável encontro marcado com a história do "valerioduto". Escapando ou não das garras da Justiça, não escaparão das garras da verdade histórica.
Caprichos e coincidências
A condenação de José Genoíno e José Dirceu se deu no dia 9 de outubro, o mesmo dia em que Che Guevara foi executado no cárcere, desarmado e a sangue frio, sem sequer ser julgado, após ser capturado na véspera, na selva da Bolívia. O assassinato foi exatamente há 45 anos atrás, cometido por um oficial boliviano, de comum acordo com o governo estadunidense, representado lá por agentes da CIA.
Aliás por outro capricho da história, 45 anos coincide com o número do PSDB, o partido que inventou e implantou o "mensalão"; que nomeou Gilmar Mendes ministro do STF; e que consegue empurrar com a barriga o julgamento do "mensalão" tucano, mesmo tendo ocorrido pelo menos 5 anos antes e, tecnicamente, era recomendável ser julgado antes, pois o risco de prescrever era maior, e os autos eram menores, já que foi desmembrado.

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MANIPULAÇÃO DA MÍDIA GOLPISTA EM FAVOR DE SERRA: Serra, o intocável

15.10.2012
Do blog BRASIL QUE EU QUERO, 03.04.2010
Por Professor Sérgio - Blog Brasil Nova 

A relação entre Serra e a mídia colonizadora chega a ser promíscua. A blindagem dada ao presidenciável na questão da greve dos professores de São Paulo é apenas uma amostra dessa escandalosa ligação. O jornalismo controlado por grupos que se beneficiaram da ditadura para sobreviver e crescer tornou-se um dos principais instrumentos contra a democracia. A estratégia é simples. Notícias ruins ao ex-governador surgem de forma picada e esporádica, sem opinião. As opiniões, quando em jornais, dão o tom editorial, as manchetes manipulam o conteúdo, e o texto desqualifica os adversários como os professores que passaram a baderneiros em campanha eleitoral. Na Globo, a especialidade é a edição de imagens, se valendo do princípio em que uma imagem vale mais que mil palavras. Outra estratégia é se utilizar de porta-vozes no rádio e na tv, como Arnaldo Jabor, Gilberto Dimenstein, Lúcia Hipólito, alguns com conhecimento do assunto, outros, longe disso, mas todos com o mesmo objetivo.
Em tempos em que as pessoas se alimentam de informações como em um fast food, fica fácil deformar opinião, não somente por meio de mentiras, mas de asneiras, mesmo. Dimenstein, na Folha, chamou os professores de baderneiros, na rádio CBN disse que o professor mesmo não faria aquilo. Naquela sexta-feira, em frente ao Palácio dos Bandeirantes, seriam figurantes contratados, os milhares de manifestantes presentes? Acusar a greve dos professores, de política e eleitoral, é brincar com a ingenuidade de leitores, telespectadores e ouvintes. Somente desavisados podem imaginar que a organização de trabalhadores não pode e não deve ser política. Mesmo na Folha, em sua coluna de 1º de abril, Jânio de Freitas disse: "É legítimo, e da própria definição de sindicato, que participe da vida política com a posição mais conveniente à classe." E complementa, reproduzindo o editorial do próprio jornal no dia anterior que legitima os motivos: "desde 2005, os professores paulistas receberam apenas 5% de aumento salarial, contra uma inflação de 22% no período”. Qualquer trabalhador público, mesmo os que não participam do movimento sindical, sabem que ano de eleição é hora de apertar, utilizando a mesma lógica que Serra usou ao deixar inaugurações e investimentos para o momento eleitoral. Porquê a indignação da mídia quanto ao oportunismo eleitoreiro não atacou o Governador. Seria apenas mais uma opinião a do jornalista Dimenstein, se sua fundação (Associação Cidade Escola Aprendiz) não recebesse do governo demo-tucano, mais de 3, 7 milhões de Reais para seus projetos (leia em mais em Amor com amor se paga - Lição de um aprendiz esperto).

 Não precisava sequer uma greve como motivo suficiente para a mídia cumprir sua obrigação de realizar um balanço da educação paulista há mais de 14 anos sob administração tucana. Mas se restringem a divulgar a concepção do partido quanto ao que entendem por educação, responsabilizando o professor. Não recomendo comparações entre o setore público e o privado, já que o primeiro não deve prever lucros, mas imaginem uma empresário falindo e que responsabiliza seus operários. Essa confusão (intencional, na verdade), já se tornou comum dede a era FHC, quando queria, com Serra, privatizar a Petrobras. Graças ao fracasso de suas tentativas, a estatal pulou de 118º lugar em 2002 para 3ª entre as maiores das Américas, em 2009, crescendo seus lucros em 900% até 2008, e seu valor de mercado em 1250% até 2009, maior que o da Vale privatizada por FHC (lei mais em As farsas dos privatistas).

Como não há espaço ainda (e tomara, nunca), para os tucanos privatizarem a educação, a ideia tem sido aplicar modelos parciais do setor privado, como a meritocracia, ou seja, valorizar professores pelo resultado da educação. Essa lógica (que não traz nenhuma novidade pois repete experiências do governo militar) parte do princípio que os professores serão promovidos pelo seu mérito, como se passasse pelas mãos do professor, todo o processo educacional, que vai da política (de gestão e financeira) da Secretaria de       Educação à relação da escola com a comunidade, passando pela estrutura educacional. Essa visão nada mais é que a concepção capitalista em que o professor apenas vende ao estado um produto, descartando e ignorando as relações sócio-históricos e classistas existentes. Como argumenta a Doutora em educação da Universidade de São Paulo (USP), Lisete Arelaro, "O professor é variável fundamental no processo, mas não é a única" (veja a matéria O professor vem sendo injustamente culpado pela situação educacional?.     

A Dra. Lisete defende: "Existe uma política hoje de encontrar um culpado para tudo e esse dedo está apontado para o professor. Geralmente quem faz isso são os governos, falta eles olharem para si próprios". Mas lembra a entrevistada prela repórter da Agência Brasil, que apesar de não ser único ator, um professor valorizado traz melhorias na qualidade da educação, meta que para ser alcançada exigiria maiores investimentos, o que, segundo Lisete Arelaro, não acontece, e "Estamos colhendo os resultados negativos de muito discurso e pouco recurso".   

A professora lembra que aspectos pouco discutidos como o número de alunos por professor e até mesmo o espaço físico das salas de aula influenciam no processo de aprendizagem. Todos esses fatores não são abordados pela mídia e o Governo de São Paulo continua superlotando salas com 40 alunos, delegando aos professores a responsabilidade pelo milagre que não acontece. Para piorar, explora a mentira dos dois professores por sala, uma falácia baseada em alguns estagiários que estão em aprendizado.    

Tantas tentativas de responsabilizar o professor no Estado de São Paulo, apoiadas pela mídia, vem de uma conclusão que não há discordância: a qualidade na educação paulista vem declinando e a pirotecnia tucana não alcançou efeitos. No quesito salário de professores, a Folha, no último dia 1º em um artigo de Antonio Gois, alega que os salários por si não garantem a qualidade da educação, citando Estados com melhores salários e piores resultados, bem como o contrário. Isso somente demonstra que o processo educacional depende de inúmeras variáveis. Por outro lado, o próprio artigo defende a tese que melhores salários atraem melhores profissionais (lógica do setor privado que o PSDB esquece de adotar). Apesar de não se aprofundar nos problemas da educação, a matéria traz um dado interessante no gráfico, mas sem comentá-lo. São Paulo, a velha locomotiva em desaceleração, está em 14º lugar, dentre os Estados da Federação, em termos de valor da hora-aula paga ao professor, com queda de 3 posições desde 2007.    

Mas não é só nos professores mal pagos que Serra já tentou botar a culpa. Em 2006, ainda candidato a Governador, o tucano, no SPTV, creditou os maus resultados da educação paulista aos "migrantes" que vêm para o Estado. Sem nos determos à questão da discriminação, vemos que ora, a culpa é do professor, ora, do aluno. Podemos esperar o quê, de quem governa para elites? Tanto é que 47,65% dos 15.598 que tinham internet em 2006, liam UOL e responderam a enquete concordaram com o então, futuro Governador. E não se pode discordar. Mercadante tentou à época. Demonstrou que entre 1999 e 2004, mais gente saiu de São Paulo, do que entrou, e chamou a postura de "discriminação contra brasileiros que ajudaram a desenvolver o Brasil". Mas Serra, o intocável, conseguiu uma liminar para tirar do site do candidato do PT a afirmação de que Serra revelaria um "posicionamento conservador e odioso" e "um preconceito inaceitável", com direito de resposta e tudo. 

Toda essa polêmica ainda pode ser acompanhada no Eleições UOL 2006. Vale só lembrar que as ondas de migrações para São Paulo e Rio de Janeiro, revelam um país que historicamente, inclusive na gestão FHC, pouco investiu na região Norte e Nordeste. Porém, houve refluxo das migrações, por um lado com a economia em queda e o aumento do desemprego no Brasil até 2002, em especial nas regiões metropolitanas, por outro lado, desde 2003, o Norte e o Nordeste do país, cresceram mais que a média brasileira. Enquanto isso São Paulo sofreu queda e estagnação econômica (veja o que diz Mario Pochmann, para quem a solução para o Estado está na educação).   

Em 2008, a culpa passou a ser do Alckmim, afinal nem sempre o Serra está errado. Conforme a Folha de 16/07/08, "o governo paulista não conseguiu cumprir nenhuma das quatro metas a que se propôs para a melhoria na qualidade do ensino na rede estadual, para o período entre 2004 e 2007". Em 3 dos 4 índices, caiu o que deveria subir e subiu o que deveria cair. Explica o jornal, "o objetivo era, no geral, reduzir a repetência e a evasão dos alunos, tanto no ensino fundamental (1ª a 8ª série) quanto no ensino médio (antigo colegial)". Como explicação Serra citou ao tribunal de contas, “a falta de parâmetros curriculares estaduais ”dentre os principais motivos para não ter atingido as metas, o que segundo a Folha, foi uma crítica indireta aos governos anteriores (também tucanos). Mas Serra, como apontou a própria Folha, achou uma saída: reduziu as metas para o período de 2008 a 2011. A Secretária de Educação à época, Maria Helena Guimarães de Castro, não quis dar entrevista, se limitando a uma nota que dizia que a situação de 2004 era diferente de 2008. Com certeza: era pior.      

Mas a ex-Secretária resolveu falar no momento "eleitoreiro" da greve, com artigo publicado pelo Estadão no dia 02 de abril, intitulado Fatos e mitos da educação básica de SP. Ela reclama das matérias recorrentes sobre o "desastre da educação paulista" (segundo ela, um mito), inclusive entre especialistas da área (quem mais deveria formar esse tipo de opinião?). Destaca que são "raras as análises que destacam os avanços dos últimos anos e indicam a evolução dos principais indicadores educacionais". São raras e feitas pelo próprio governo. Além de números fragmentados, como exemplos em 2009 dos avanços de Serra (o que ela trata como fatos), apresenta no artigo, os resultados do IDESPndice de Desenvolvimento da Educação) e do SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar), ambos criados pela própria administração tucana. São eles se avaliando. Para se referir aos "fatos" de órgãos federais, lembra que São Paulo é Estado, segundo o MEC, com menos reprovações. Só não citou a distorção criada pela administração PSDBista que transformou progressão continuada em aprovação automática. 

Os alunos continuam sem saber ler, escrever, interpretar textos entre outras aberrações. Mesmo as melhoras, segundo os próprios critérios trazem situações interessantes que a ex-Secetária não expôs. Em 2008, segundo o SARESP, o desempenho em Português caiu para as 4ª, 6ª e 8ª séries, mas melhorou em matemática. Em 2009, houve avanço em Português e queda em matemática, na média. É essa a consistência da política educacional de Serra e dos seus acertos tratados como fatos por sua ex-secretária?    

Fato é que se não são blogueiros e jornalistas que pela internet podem romper a blindagem do presidenciável tucano, podemos esperar sentados, à frente da televisão, ouvindo o rádio do carro, ou lendo jornal no banheiro (local adequado para alguns tabloides), que um balanço sério sobre a administração serrista não vai vir à luz. Permanecerá o obstinado, ou melhor, obcecado Serra, intocável.







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BLOG DO MIRO: Contraponto online aos donos da mídia

15.10.2012
Do BLOG DO MIRO, 14.10.12
Por João Brant

Em iniciativa que pretende ser um contraponto à Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), a campanha Para Expressar a Liberdade, em parceria com a posTV, a Carta Maior, Revista Fórum, Brasil de Fato e Caros Amigos, vai promover nesta segunda-feira (15) uma contraconferência online para discutir liberdade de expressão na América Latina.

A SIP tem sido, nos últimos anos, a principal porta voz dos donos da mídia no continente, mas suas ações não se limitam à defesa de interesses empresariais. Não por acaso, os momentos em que ela esteve mais em evidência tiveram relação com a busca de desestabilizar governos progressistas da região.

O debate já tem confirmada a participação de pesquisadores e ativistas da Argentina, Equador, Peru, Uruguai e Brasil, e vai acontecer num formato de programa de debate online, transmitido diretamente da Casa Fora do Eixo, em São Paulo, pela posTV (postv.org).

Às 17h30, o diretor de planejamento da AFSCA (órgão regulador para comunicação da Argentina), Luis Lazzaro, vai falar sobre a expectativa de adequação do grupo Clarín à lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, aprovada em 2009. Entre os brasileiros confirmados estão o escritor Fernando Morais, o professor Emir Sader e os pesquisadores do campo das políticas de comunicação César Bolaño, Dênis de Moraes, Lalo Leal, Marcos Dantas, Murilo Ramos, Suzy dos Santos e Venício Lima. A programação completa, com horários, segue abaixo.

A campanha Para Expressar a Liberdade tem a participação de dezenas de entidades da sociedade civil. A ação da contraconferência é promovida pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e pela Frente Paulista pelo Direito à Comunicação e Liberdade de Expressão.

Programação Contraconferência - 
Liberdade de expressão na América Latina: de que lado está a SIP?


Horário
Nome
Organização/universidade
15h
Marcos Dantas
Ulepicc/UFRJ
15h30
Dênis de Moraes
Professor UFF
16h
Suzy dos Santos
Professora UFRJ
16h
Emir Sader
Professor UERJ
16h
Silmara Helena
Secretária de Comunicação de Suzano
16h
Renato Rovai
Revista Fórum
16h
Beá Tibiriçá
Coletivo Digital
16h30
Murilo Ramos
Professor UnB
16h30
Ana Paola Amorim
Pesquisadora UFMG
17h
Eduardo Guimarães
Blog da Cidadania
17h
César Bolaño
Universidade Federal do Sergipe
17h
Lalo Leal
USP/TV Brasil
17h30
Luis Lazzaro
AFSCA (órgão regulador argentino)
17h30
Isis de Palma
Aliança Internacional de Jornalistas
18h
Edison Lanza
Professor da Universidade da República do Uruguai
18h
Venício Lima
Professor aposentado UnB
18h
Márcio Zonta
Brasil de Fato-Peru
18h30
Terezinha Vicente
Ciranda da Informação Independente
19h
Carla Rabelo
Instituto Alana
19h
Fernando Morais
Escritor
19h30
Pedro Pomar
Sindicato é pra lutar!
20h
Pancho Ordóñez
professor do Equador

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