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domingo, 14 de outubro de 2012

Comerciante atingido por explosão está com suspeita de morte cerebral

14.10.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO

Explosão de cilindros de gás deixa quatro homens feridos em frente ao Horto de Dois Irmãos. Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press
Explosão de cilindros de gás deixa quatro homens feridos em frente ao Horto de Dois Irmãos. Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press
Equipe médica do Hospital Getúlio Vargas abriu procedimento para verificar a situação de Luandson José Silva de Oliveira, de 19 anos. Ele perdeu as duas pernas em acidente com cilindro de gás na última sexta, no Parque Dois Irmãos

A equipe médica do Hospital Getúlio Vargas iniciou procedimento para verificar a morte cerebral do comerciante Luandson José Silva de Oliveira, de 19 anos, que teve as duas pernas amputadas, após a explosão de um cilindro de gás na Praça Farias Neves, perto da entrada do Parque Dois Irmãos, no Recife, na última sexta-feira. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde, o procedimento para verificar a morte cerebral demora entre seis e oito horas, com vários exames.


Apesar de ter sido submetido a uma cirurgia vascular para conter a hemorragia no local da amputação, no sábado, o estado de saúde de Luandson é considerado gravíssimo. Ele teve as pernas decepadas durante a explosão.

Ainda segundo a Secretaria de Saúde, a outra vítima do acidente, Marcelo de Paula Santos, de 42 anos, que também está internado na UTI do Hospital Getúlio Vargas, está se recuperando bem, estável, e já respira sem ajuda de aparelhos. Marcelo teve as pernas mutiladas na explosão e precisou passar pela amputação dos membros quando chegou ao Getúlio Vargas.

O acidente com os dois comerciantes aconteceu no início da tarde de sexta, quando eles enchiam balões de festa utilizando três cilindros de gás (provavelmente com substância de fabricação caseira), quando um deles explodiu. Ao todo, sete pessoas ficaram feridas, sendo três crianças que foram socorridas com queimaduras e escoriações para a UPA dos Torrões e liberadas ainda na sexta-feira.

Também foi socorrido e liberado em seguida Geraldo da Conceição Filho, 17 anos (levado para a UPA da Caxangá). José André da Silva, 37 anos, teve queimaduras de segundo grau, foi levado para o Hospital da Restauração, onde permanece internado.

O Instituto de Criminalística (IC) recolheu amostras dos cilindros e de outros materiais encontrados no local para analisar o que pode ter provocado a explosão. Já a Dircon, vai fiscalizar a utilização de cilindros de gás no Parque Dois Irmãos neste domingo à tarde.

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FLÁVIO TAVARES: MEU AMIGO ZÉ

14.10.2012
Do portal BRASIL247
Por Flávio Tavares*

Ex-companheiro de prisão escreve perfil de José Dirceu, afirmando que ele se tornou bode expiatório da degradação política brasileira, mas não o isenta de sua parcela de responsabilidade

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247 – Um ex-companheiro de prisão de José Dirceu – da época da ditadura – considera que a determinação do líder político o tenha levado ao topo de tudo, "como bode expiatório da degradação maior". Ele publica neste domingo um perfil do petista no caderno "Aliás" do jornal O Estado de S.Paulo, sem assiná-lo.

O autor do texto também afirma acreditar que nem o "passado de coragem" poderá livrar Dirceu de "parcela de culpa" atualmente. O ex-ministro da Casa Civil foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção ativa na semana passada. A corte entendeu que ele comandou o esquema conhecido como "mensalão" dentro do PT.

Depois de contar a trajetória do exílio – Dirceu deixou o País e depois retornou com outra identidade, voltando a ser quem era apenas ao final de 1979, com a anistia – o ex-parceiro relata que ele tirou o PT do atoleiro de seita fechada ou partido sindical quando presidiu o partido. "Mas, ao se abrir à sociedade, o PT assimilou os velhos vícios políticos, como vírus pelas veias", afirma.

"A degradação chegou ao próprio PT", diz. "Na tragédia, o terrível é que a determinação de Zé Dirceu o tenha levado ao topo de tudo, como bode expiatório da degradação maior. Mas nem seu passado de coragem pode livrá-lo da parcela de culpa. O passado não está em julgamento nem serve de escudo ao presente", conclui o autor. Leia seu texto na íntegra.

*FLÁVIO TAVARES É JORNALISTA, ESCRITOR E FOI UM DOS 15 PRESOS POLÍTICOS TROCADOS PELO EMBAIXADOR DOS EUA EM 1969 - O Estado de S.Paulo
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SP distribui a escolas livro com palavrões

14.10.2012
Do portal do jornal FOLHA DE S.PAULO, 19.05.2009
Por 
FÁBIO TAKAHASHI

Com termos impróprios e conotação sexual, obra seria utilizada por estudantes da rede estadual na faixa de nove anos 


Governo de SP disse que houve falha na escolha do livro para o programa Ler e Escrever e que determinou o recolhimento das obras 

A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo distribuiu a escolas um livro com conteúdo sexual e palavrões, para ser usado como material de apoio por alunos da terceira série do ensino fundamental (faixa etária de nove anos).

A gestão José Serra (PSDB) afirmou ontem que houve "falha" na escolha, pois o material é "inadequado para alunos desta idade", e que já determinou o recolhimento da obra.

O livro ("Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol") é recheado com expressões como "chupa rola", "cu" e "chupava ela todinha". São 11 histórias em quadrinhos, feitas por diferentes artistas, que abordam temas relacionados a futebol -algumas usam também conotação sexual. A editora Via Lettera afirma que a obra é voltada a adultos e adolescentes.

A pasta distribuiu 1.216 exemplares, que seriam usados como material de apoio para a alfabetização dos estudantes, dentro do programa Ler e Escrever (uma das bandeiras do governo na educação).

Nesse programa, os estudantes podem usar o material na biblioteca, na aula ou levar para casa. O livro começou a ser entregue na semana passada.

É o segundo caso neste ano de problemas no material enviado às escolas. A Folha revelou em março que alunos da sexta série receberam livro em que o Paraguai aparecia duas vezes no mapa.

"Os erros revelam um descuido do governo na preparação e escolha dos materiais", afirmou a coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Angela Soligo.

"Há um constante ataque do governo contra os professores e a formação deles. Mas o governo coloca à disposição dos docentes ferramentas frágeis de trabalho", disse Soligo.

Posição oficial

A reportagem solicitou entrevista com o secretário da Educação, Paulo Renato Souza. A pasta, porém, só divulgou uma nota, que não esclarece como é feita a escolha dos livros.
Sobre a responsabilidade pelo erro, disse apenas que abriu uma sindicância.

O governo afirma que "este livro é apenas um dos 818 títulos" comprados e que os 1.216 exemplares da obra representam "0,067% do 1,79 milhão de livros colocados à disposição das crianças". Diz ainda que faz um grande esforço para estimular o hábito da leitura.

O gerente de marketing da editora Via Lettera (responsável pelo livro), Roberto Gobatto, afirmou que apenas atendeu ao pedido de compra (no valor de cerca de R$ 35 mil) feito em novembro, na gestão de Maria Helena Guimarães de Castro na pasta da Educação.

"Não sabíamos para qual faixa etária seria destinada. Se soubéssemos, avisaríamos a secretaria", disse Gobatto.

Na história mais criticada por professores que tiveram contato com a obra, o cartunista Caco Galhardo faz uma caricatura de um programa de mesa-redonda de futebol na TV.

Enquanto o comentarista faz perguntas sobre sexo, jogadores e treinadores respondem com clichês de programas esportivos, como "o atleta tem de se adaptar a qualquer posição".

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JÂNIO DE FREITAS: A mentira geradora de todas as mentiras

14.10.2012
Do blog ESQUERDOPATA
Por Jânio de Freitas

Passados sete anos, ainda não se sabe quanto houve de mentira na denúncia inicial de Roberto Jefferson


A mentira foi a geradora de todas as verdades, meias verdades, indícios desprezados e indícios manipulados que deram a dimensão do escândalo e o espírito do julgamento do "mensalão".

Por ora, o paradoxo irônico está soterrado no clima odiento que, das manifestações antidemocráticas de jornalistas e leitores às agressões verbais no Supremo, restringe a busca de elucidação de todo o episódio. Pode ser que mais tarde contribua para compreenderem o nosso tempo de brasileiros.

Estava lá, na primeira página de celebração das condenações de José Dirceu e José Genoino, a reprodução da primeira página da Folha em 6 de junho de 2005. Primeiro passo para a recente manchete editorializada -CULPADOS-, a estonteante denúncia colhida pela jornalista Renata Lo Prete: "PT dava mesada de R$ 30 mil a parlamentares, diz Jefferson". O leitor não tinha ideia de que Jefferson era esse.

Era mentira a mesada de R$ 30 mil. Nem indício apareceu desse pagamento de montante regular e mensal, apesar da minúcia com que as investigações o procuraram. Passados sete anos, ainda não se sabe quanto houve de mentira, além da mensalidade, na denúncia inicial de Roberto Jefferson. A tão citada conversa com Lula a respeito de mesada é um exemplo da ficção continuada.

A mentira central deu origem ao nome -mensalão- que não se adapta à trama hoje conhecida. Torna-se, por isso, ele também uma mentira. E, como apropriado, o deputado Miro Teixeira diz ser mentira a sua autoria do batismo, cujo jeito lembra mesmo o do próprio Jefferson.

Nada leva, porém, à velha ideia de alguém que atirou no que viu e acertou no que não viu. A mentira da denúncia de Roberto Jefferson era de quem sabia haver dinheiro, mas dinheiro grosso: ele o recebera. E não há sinal de que o tenha repassado ao PTB, em nome do qual colheu mais de R$ 4 milhões e, admitiria mais tarde, esperava ainda R$ 15 milhões. A mentira de modestos R$ 30 mil era prudente e útil.

Prudente por acobertar, eventualmente até para companheiros petebistas, a correnteza dos milhões que também o inundava. E útil por bastar para a vingança ou chantagem pela falta dos R$ 15 milhões, paralela à demissão de gente sua por corrupção no Correio. Como diria mais tarde, Jefferson supôs que o flagrante de corrupção, exibido nas TVs, fosse coisa de José Dirceu para atingi-lo. O que soa como outra mentira, porque presidia o PTB e o governo não hostilizaria um partido necessário à sua base na Câmara.

Da mentira vieram as verdades, as meias verdades e nem isso. Mas a condenação de Roberto Jefferson, por corrupção passiva, ainda não é a verdade que aparenta. Nem é provável que venha a sê-lo.
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