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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Serra põe a Globo na sinuca

11.09.2012
Do blog  BRASIL QUE VAI, 31.08.12


Serra estará fora do segundo turno das eleições municipais em São Paulo. E é irônico que exatamente aquele que apostou todas as fichas na própria sagacidade, fazendo da suposta experiência pessoal o baluarte da participação na disputa, tenha tropeçado de maneira infantil diante dos contendores logo no início da campanha.

Inebriado pela convicção de quem se julga predestinado, Serra incorreu em erro que de tão primário está inscrito na bíblia como um dos 7 pecados capitais, o da soberba.


Considerou a si mesmo de antemão na fase definitiva do pleito e propôs ao segundo colocado nas pesquisas um pacto de não agressão que lhe garantisse contra a eventual ascensão do candidato cujo partido contava com maior densidade de votos na capital.


Pouco afeito a ensinamentos de qualquer espécie porque sabedor de tudo sob a face da terra, Serra ignorou a censura bíblica sendo punido, sabe-se lá se pela ira de Deus sabe-se lá se pela própria incúria, com a queda para o terceiro lugar dos levantamentos. Quiçá para o quarto, caso a providência divina e os desígnios do eleitor acharem por bem colocar também o postulante Gabriel Chalita à sua frente.

A reviravolta eleitoral, de qualquer modo, coloca em má situação a principal incentivadora da candidatura Serra, a Rede Globo de Televisão, que torcia indisfarçavelmente em seus telejornais pelo crescimento do candidato. Haja vista que apenas na cobertura de seus deslocamentos a emissora enviava um repórter para cobrir os pequenos gestos eleitoreiros do político de olhos esbugalhados.

Sofre a Globo porque terá agora de optar pelo candidato de Dilma e de Lula, já que o outro que lhe faz frente é o candidato do desafeto Edir Macedo, dono da Rede Record, que se lograr a chegada do ungido à Prefeitura o mínimo que fará aos detratores será mudar o nome da ponte Roberto Marinho para ponte Paulo Machado de Carvalho, lendário fundador da emissora concorrente.

O movimento não será difícil. Dilma tem oferecido uma rota de fuga à emissora. Deixou que os “globeiros” malhassem o Partido dos Trabalhadores diariamente nos telejornais com o caso cognominado “mensalão”. Não cedeu aos funcionários públicos como queria a bancada de comentaristas e emitiu sinais para que a CPI do Cachoeira não arrastasse a mídia para o centro debate.

Por essa razão é que entrada da presidente na campanha, como anunciou Haddad, deverá coincidir com uma mudança de postura da Globo nas eleições em que pensava dispor candidato previamente vitorioso. Tenderá a ser mais generosa com o candidato petista do que com o outro da Igreja Universal do Reino de Deus. Uma penitencia que terá agora de pagar por haver se apressado a adorar um santo embusteiro.
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Uma carta aberta a FHC que merece ir para os livros de História

11.09.2012
Do blog TUDO EM CIMA, 10.09.12
Por Theotonio dos Santos

- Via Blog do Rovai


Segue uma carta aberta de Theotonio dos Santos, economista, cientista político e um dos formuladores da Teoria da Dependência. Hoje é um dos principais expoentes da Teoria do Sistema Mundo. Mestre em Ciência Política pela UnB e doutor notório saber pela UFMG e pela UFF. Coordenador da cátedra e Rede ONU/Unesco de Economia Global e Desenvolvimento Sustentável (Reggen).


O texto é um primor e contribui tanto para entender o quanto o governo do PSDB foi deletério para o Brasil como ajuda a impedir que a mídia tente “lavar branquinho” a história e produzir uma nova versão do que foram os anos FHC.

Theotonio dos Santos: Carta Aberta a Fernando Henrique Cardoso

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos anos 1960.

A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete, contudo, este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender por que você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos de seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. [Se os leitores tiverem interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhes recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000]. Contudo, nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno de seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.

O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o Plano Real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, todas as economias do mundo apresentaram uma queda da inflação para menos de 10%. Claro que em cada país apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário.

No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos.Tivemos em seu governo uma das mais altas inflações do mundo. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição a seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte.

Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos de dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e seu ministro da Economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do País antes de sua desvalorização. O fato é que quando você flexibilizou o câmbio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista”, pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. Ora, uma moeda que se desvaloriza quatro vezes em oito anos pode ser considerada uma moeda forte? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese? Conclusões: O Plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha de ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

O segundo mito, de acordo com suas declarações, seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade. E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de Economia burlando a boa-fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3% a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste país da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda por que nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo… te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999, o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido todas as suas divisas. Você teve de pedir ajuda a seu amigo Clinton que colocou a sua disposição 20 bilhões de dólares do Tesouro dos EUA e mais uns 25 bilhões de dólares do FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia. Esperava-se aumentar as exportações do país para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida.

Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macroeconômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa de seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, um fracasso econômico rotundo que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criaram para este país.

Gostaria de destacar a qualidade de seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado nosso querido Francisco Weffort (este então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional.

Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente. Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter de revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão de pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo.

Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora. Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês (e tenho a melhor recordação de Ruth), mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível, mas com amor à verdade, me despeço.
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Santayana: Em nenhum governo agentes públicos enriqueceram tão rápido quanto no de FHC

11.09.2012
Do blog VI O MUNDO

Houvesse sido o seu governo o mais limpo e mais honrado de toda a nossa história republicana, naturalmente, o Sr. Fernando Henrique Cardoso manteria silêncio sobre os seus sucessores. Não lhe caberia censurá-los, nem elogiá-los, deixando o juízo à transparência dos fatos.

Quando alguém despreza a inteligência alheia, e é o que faz o ex-presidente, infirma a própria inteligência. Em nenhum governo houve tão rápido enriquecimento de agentes públicos, quanto no seu. Tudo se fez de forma asséptica, com cuidadoso planejamento legal, para que os brilhantes rapazes da equipe econômica saíssem por uma porta – a das instituições públicas – e entrassem pela outra – a do sistema financeiro e das empresas privatizadas, ganhando milhões neste movimento. É provável que, em nenhum dos casos, houvesse infração às leis, ajustadas previamente ao programa, a partir do governo Collor. Pode ter sido “legal”, mas contrariou todas as regras morais e feriu profundamente o mandamento ético.

É claro que sempre há descuidos, como houve o do “adjutório” ao banqueiro Cacciola. Cacciola, que pôde fugir para a Itália, foi laçado pelas circunstâncias e acabou indo para a prisão. Os outros implicados, diretores do Banco Central, apesar de condenados, respondem em liberdade. O dinheiro desapareceu no vórtice da crise.

Nenhum chefe de Estado, antes dele – e, até agora – nem depois dele, violou a Constituição a fim de reeleger-se, mediante o suborno de parlamentares com favorecimentos e, de acordo com as denúncias conhecidas, dinheiro vivo. A emenda da reeleição já se encontra na História como um dos momentos mais constrangedores da vida republicana.

Em entrevista a um portal da internet, há alguns meses, Fernando Henrique se referiu ao Ministro Gilmar Mendes – que ele nomeou – como “corajoso”. Não lhe pode ser negada a mesma coragem. A coragem, por exemplo, de se referir aos fatos lamentáveis da Ação 470, em julgamento pelo STF, como se referiu, esquecendo-se de que homens de seu partido se encontram sob suspeita de atos semelhantes. O publicitário Marcos Valério, é o que se sabe, sempre agiu com neutralidade partidária. Em lugar do ataque a Lula, seria melhor a Fernando Henrique um ato de contrição.

No julgamento dos pósteros, Lula, com todos os seus acertos, erros e defeitos, será lembrado como o sertanejo que entrou para a História, arrombando-a com o próprio peito, como fazem os pobres. E Fernando Henrique será lembrado como o “intelectual” arrogante, que chamou o seu próprio povo de caipira, e os aposentados de vagabundos. Ele, sim, é até hoje fascinado com os estrangeiros, embasbacado com Paris e Boston, frustrado por não ter nascido no Marais do século 18, nem na Nova Inglaterra de Franklin e Jefferson.

Leia também:
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GUIA PARA CONDENAR DIRCEU POLITICAMENTE

11.09.2012
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

O Conversa Afiada acredita que o PiG quer condenar Dirceu para desmoralizar o Lula e a Dilma.



Saiu no Estadão:

STF JULGA MENSALÃO; 21º DIA: RELATOR ABSOLVE SOMENTE AYANNA TENÓRIO DE LAVAGEM DE DINHEIRO



Na pág. A4 do Estadão, com o título “Barbosa vê ‘ação de crime organizado’ e condena 9 por lavagem de dinheiro”, também se lê (não consta da versão online):

Sobre dois encontros de Kátia Rabello, dona do Banco Rural, com José Dirceu, então Chefe da Casa Civil, uma vez no hotel Ouro Minas, em Belo Horizonte, e outra no Palácio do Planalto, o Ministro Barbosa “não os vê como um fato isolado”.

São, na verdade, “encontros ocorridos no mesmo contexto em que se verificaram as operações de lavagem de dinheiro levadas a efeito pelo grupo criminoso …”

Navalha
Conversa Afiada acredita que o PiG quer condenar Dirceu para, em consequência, desmoralizar o Lula e, portanto, derrubar a Dilma, numa segunda fase.
O mensalão (do PT) é o Dirceu.
Logo, o Lula e a Dima.
Não é à toa que o Fernando Henrique, para destilar seu ressentimento contra o Lula (e, agora, contra Dilma), foi para a tevê exaltar o caráter do Cerra e condenar o Dirceu no mensalão – por que será que ele embarcou nessa furada ?
Para ajudar a prender o Dirceu, desmoralizar o Lula e derrubar a Dilma, o ansioso blogueiro se propõe a oferecer ao PiG (e à elite que nele se expressa) um “Guia para Condenar o Dirceu”:
– Ignore que, na Casa Civil, o Dirceu recebeu o Banco Rural e representantes de praticamente TODOS os bancos e grandes grupos empresariais.
– Como fazia o Pedro Parente no Governo Fernando Henrique, ou o Aloysio 300 mil, no Governo Cerra, em São Paulo.
– Ignore que agenda do Chefe da Casa Civil da Presidência é pública e as do Dirceu estão nos autos.
– Ignore que Marcos Valério foi à Casa Civil levado pela dona do Banco Rural. Dirceu não lhe deu audiência, mas a ela, que levou Valério.
– Ignore que a Katia Rabello não era sócia do Mercantil de Pernambuco, como diz o Estadão, mas tinha uma de um milhão e meio de pendencias que há contra o Mercantil, o Econômico e o Nacional, ainda não inteiramente solucionadas.
– Ignore que o tema das liquidações de bancos não é com a Casa Civil e que Dirceu encaminhou a demanda a outra seção do Governo.
– Ignore que Dirceu não se “reuniu” com Kátia e Marcos Valério no hotel Ouro Branco, em Belo Horizonte, mas os recebeu durante um almoço, sem que fizessem parte desse almoço.
– Ignore que não há nenhuma prova, nenhuma testemunha que diga que o Dirceu faz parte do “grupo criminoso”.
– Ignore que não há um único documento assinado pelo Dirceu que o incrimine.
– A mulher do Valério diz que o marido conversava com Dirceu, mas Valério nega – e isso está nos autos.
– Quem falou em mensalão e o associou ao Dirceu foi o co-réu Thomas Jefferson, que, agora, nega o mensalão, absolve Dirceu e diz que a culpa toda é do Lula.
– Ignore que, até agora, o Supremo não tratou da acusação central do “mensalão”: pagamento mensal, repetitivo, a parlamentares para votar nos projetos do Lula.
– Ignore que não há nenhum vínculo entre um “mensalão” a parlamentares e o José Dirceu.
– Assim como convém ignorar que o dinheiro da Visanet NÃO é dinheiro público.
– Ignore as provas.
– Deduza.
– Presuma.
– Aceite provas tênues.
– Ignore que a única reforma política que o Congresso analisa, no momento, é de autoria de um deputado do PT, Henrique Fontana.
– Ignore que Fontana propõe o financiamento público das campanhas, tese que já foi de Fernando Henrique, mas, que, hoje, o PSDB e o PMDB combatem.





Conversa Afiada duvida que o Supremo – com ou sem Peluso – condene Dirceu.

Paulo Henrique Amorim


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BLOG MOBILIDADE URBANA: Navegar é preciso

11.09.2012
Do BLOG MOBILIDADE URBANA, 10.09.12
Por Tânia Passos

Há ainda um certo ceticismo em relação a implantação e até eficácia do projeto de navegabilidade do governo do estado, que irá atender o eixo Oeste, com 11 quilômetros, entre a BR-101 e a estação do metrô Recife, e parte do eixo Norte. O projeto foi incluíndo no PAC da Mobilidade e o relatório de impacto ambiental está em análise na Agência Estadual de Recursos Hídricos (CPRH). O prazo de implantação do projeto é até 2016, mas há uma expectativa que ele saia até a Copa.

Na verdade, o que pretendo chamar atenção não é se o projeto sairá ou não do papel. Acredito que sim. O que chamo atenção é da importância de se incorporar a cultura da navegabilidade numa cidade que é naturalmente cercada por rios. Se o modal terá condições de concorrer com os carros ou ônibus, isso só o tempo dirá. A estimativa é de 65 mil passageiros por dia no eixo Oeste. O transporte fluvial é uma ferramenta a mais de deslocamento. Da mesma forma que devemos apostar também nas ciclovias e nas calçadas. Quanto mais opção de modal melhor.

Recentemente escutei em um seminário sobre mobilidade um questionamento se o projeto Navega Recife terá uma operação eficiente. Foi questionado, por exemplo, o tempo para fazer o embarque e desembarque dos passageiros nas cinco estações fluviais, uma vez que a viagem só prossegue com todos os passageiros sentados e com equipamentos de segurança. É provável que isso acabe impactando no tempo total do percurso, ainda mais quando não se existe ainda a cultura da navegação.

Mas é também uma questão de escolha. Se o usuário do carro ou ônibus prefere perder tempo no meio do congestionamento da Avenida Rui Barbosa, por exemplo, onde o rio será uma paralela da via, será uma opção. O rio, no entanto, irá oferecer outros atrativos como a paisagem maravilhosa, a tranquilidade de uma viagem, sem congestionamento, e ainda a possibilidade de olhar a cidade sobre um prisma até então esquecido. Navegar será preciso sim, seja como forma de deslocamento, integrado com outros modais, mas principalmente para se criar, enfim, uma cultura de transporte fluvial na cidade.

Fonte: Diario de Pernambuco
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MENSALÃO - NÃO EXISTE "JANTAR GRÁTIS" - JOAQUIM BARBOSA E O CRIME POR PRESUNÇÃO

11.09.2012
Do blog 007BONDEBLOG


RELATOR DA AÇÃO PENAL 470 SINALIZA QUE VÊ "JANTAR" ENTRE JOSÉ DIRCEU E DIRIGENTES DO BANCO RURAL COMO UM INDÍCIO DE QUE HOUVE ASSOCIAÇÃO PARA O CRIME DE LAVAGEM DE DINHEIRO.

A nova "MÁXIMA" de Barbosa: NÃO EXISTE JANTAR GRÁTIS.

O Ministro Joaquim Barbosa aproveitou a leitura de seu voto ontem, referente à parte em que dirigentes do Banco Rural são acusados de LAVAGEM DE DINHEIRO junto com Marcos Valério, para mandar um recado velado quanto à participação do réu José Dirceu também nesse quesito. 

O Ministro leu um trecho do depoimento de José Dirceu em juízo de PRIMEIRA INSTÂNCIA.

"Juíza" _ O senhor jantou com a presidente do Banco Rural, senhora Kátia Rabello, quando foi isso, quem estava presente, de que assunto trataram ?

"Dirceu" _ Foi em Minas, eu acompanhei o presidente Lula que ia participar de um evento em Belo Horizonte, ele é formado pelo SENAC, eu jantei com a presidente do Rural, não me recordo do nome do outro diretor presente, falamos de assuntos referentes às medidas do governo, do que o governo estava fazendo, tratando dos interesses do Brasil.

O relator, Ministro Joaquim Barbosa, em trecho de seu voto disse o seguinte:

" EMBORA KÁTIA RABELLO E JOSÉ DIRCEU, À EVIDENCIA, NÃO ADMITAM TER TRATADO DE ESQUEMA DE LAVAGEM DE DINHEIRO OPERACIONALIZADO PELO BANCO RURAL, É IMPRESCINDÍVEL ATENTAR PARA O CONTEXTO EM QUE TAIS REUNIÕES SE DERAM"

Presume, repito, PRESUME sua excelência o relator, de que trataram de LAVAGEM DE DINHEIRO, embora o encontro tenha sido público, Dirceu tenha ido à BH acompanhando o Presidente Lula, e que ministros participarem de jantar com empresários seja a coisa mais comum do mundo. PRESUME ainda o relator, que uma audiência concedida pelo Ministro, agendada, de ampla divulgação, também tenha sido para tratar de ilicitudes.

EU PRESUMO, que o Relator vá pedir a CABEÇA DE JOSÉ DIRCEU, e também o FÍGADO e o CORAÇÃO, ALÉM DAS DUAS ORELHAS, RINS E PULMÕES. ESPERO, porém, que ele apresente PROVAS que justifiquem e FUNDAMENTEM a sua PRESUNÇÃO. Dia desses, durante o julgamento de um dos Réus, o Ministro Marco Aurélio de Mello disse, _"NÃO EXISTE CRIME POR PRESUNÇÃO".

Para o relator Joaquim Barbosa, parece que existe.

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Crise do PSDB vai além de Serra

11.09.2012
Do BLOG DO MIRO, 10.09.12
Por Saul Leblon, no sítio Carta Maior:

São preocupantes mas não surpreendentes para o PSDB as notícias que chegam das periferias de São Paulo. Reportagem do jornal Valor desta segunda-feira sinaliza que candidatos do partido à vereança já abandonam a candidatura Serra. A sangria nas franjas da pobreza onde o tucano nunca foi popular não chega a espantar. Mas agrava uma anemia de fundo, essa sim de consequências aflitivas para o tucanato. O declínio que ela sinaliza extrapola em muito o fiasco insinuado no pleito municipal.

Chega a ser irônico que Serra tenha sido capturado pelo destino para protagonizar esse momento de desmanche do partido. O ex-governador sempre fez questão de se diferenciar de seus pares por uma suposta opção 'desenvolvimentista' - ' de boca', corrigiria Maria da Conceição Tavares, que o conhece bem.

A decana dos economistas brasileiros tinha razão. Se o desenvolvimentismo de Serra fosse mais que ornamental esse seria o momento de exercer uma liderança mudancista no PSDB.

O fato de se agarrar pateticamente à tecla do 'mensalão', e ao 'apoio de FHC' no horário eleitoral, diz mais sobre o esgotamento político desse personagem do que o salve-se quem puder de correligionários nas periferias conflagradas, de resto imiscíveis com o seu higienismo social.

O grande cabo eleitoral de que se ressente o tucanato hoje, na verdade, é o capital a juro. Não que o dinheiro grosso lhe seja hostil. Vice-versa. As marcadas 'advertências' do sociólogo Fernando Henrique Cardoso à presidenta Dilma, desde que seu governo iniciou uma sequência de cortes que baixaram em cinco pontos a Selic, dão o testemunho de uma aliança carnal.

Mas o que era apenas socialmente nefasto agora se tornou disfuncional. 

A hegemonia financeira não gera mais sobras suficientes para promover a coagulação de interesses rentistas que se agregavam no entorno do PSDB, bem como de sua mídia algo catatônica nesse momento, a repetir 'análises' que trombam com o noticiário da página seguinte.

A orquestra desafinada do fim de festa subtrai credibilidade ao conjunto. Dos discursos às analises isentas, passando pelos bordões programáticos tudo parece levitar indiferente à mais ampla crise do capitalismo em 80 anos. 

FHC começa a falar, a frase seguinte é perfeitamente previsível na anterior. Escorrem platitude sobre as virtudes dos mercados e advertências sobre o Estado interventor. Tudo soa anacrônico, levemente obsceno, confrontado com a contrapartida dessa lógica no mundo real.

A rapidez do 'desalavancagem histórica' supera em muito a capacidade de renovação de um repertório que fez dos tucanos interlocutores preferenciais do dinheiro grosso, nativo e globalizado.

A confraria dos acionistas de bancos mostra-se inconsolável. A saudade dos dividendos com os quais se lambuzava é dolorida; endinheirados de fundos de investimento agressivos terão que mourejar de agira em diante na difícil busca de rentabilidade no mundo real. É forçoso admitir: terão que preciso incluir em seus cálculos a Nação com todos os seus 'ruídos de carne e osso'.

Nem o consolo de uma fuga de capitais com crise cambial encontra-se à vista. Fugir para onde? Aplicar em títulos da Grécia? Ou nos EUA - quem sabe na confiável Alemanha de Merkel - a juros negativos? 

O corner do dinheiro grosso e de sua órbita política fecha todas as portas de um ciclo. 

A incapacidade de o PSDB para ir além do denuncismo udenista contra o PT torna comovente a solidariedade que recebe da parte de togados do STF e da mídia.

A realidade, porém, é implacável. Pululam no noticiário sintomas de uma ladeira que se estreita e de inclina indiferente a muxoxos e chiliques emitidos do palanque de Serra. 

A entrevista do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, à Folha desta segunda-feira, ilustra a correnteza submersa que arrasta os 'valores universais' do PSDB - rentistas, bem entendido - para o canto escuro da história. 

Trechos:

(...)
"...Taxas de retorno sobre o investimento nas proporções que o mercado de capitais quer exigir... Vai exigir em outro lugar. Aqui não tem mais espaço para isso. Vamos ter que trabalhar com essa realidade".

"...É enganar as pessoas prometer rentabilidades que você tinha dez anos atrás. Isso não existe mais."

"..Vamos dar um excelente retorno para nosso acionista, não tenho dúvidas disso. Ninguém vai cortar rentabilidade do dia para a noite. Não vou virar a chave de 20% para 10%. Vai acontecer uma acomodação e depois ficar no patamar internacional" 

(... )Acabou o negócio do "spread"? Acabou. O "core business" de banco continuará sendo a intermediação financeira. Como você vai compensar essa redução de "spread"? Com volume (maior de crédito)"

O "spread" bruto no mundo está na faixa de 3% a 4%. No Brasil, o do BB gira em torno de 7%. Nos demais, é maior. 

(...) Falar em 19%, 18% com juros reais de 2%... Está certo a presidente [Dilma] gritar, né? (Folha, 10-09)

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Ficha-suja: mídia protege o PSDB

11.09.2012
Do BLOG DO MIRO, 10.09.12
Por José Dirceu, em seu blog:


Vocês são testemunhas de como oposição e mídia movem campanha permanente contra o PT, num esforço diário para associá-lo a irregularidades, à corrupção, à má gestão pública, à administração ineficiente. E o que se constata agora? Que no pente fino que a Justiça Eleitoral faz com base na Lei da Ficha Limpa em relação a candidatos na eleição deste ano, um dos partidos que têm menos candidatos barrados é exatamente o PT. E que o PSDB, os tucanos, partido e gente que posam de vestais o tempo todo são os campeões de candidatos Ficha Suja impugnados neste ranking. 


Não passa de verniz descascado, portanto, a moralidade e pureza que dizem ter e querem passar à opinião pública. Dos 317 candidatos barrados até agora pela Justiça Eleitoral o PSDB simplesmente tem o maior número, 56 impugnados, e o PT está na 8ª posição nesse triste campeonato.

PSDB, o campeão de candidaturas impugnadas
O PSDB tem 56 candidatos a prefeito barrados, o corespondente a 17,6% dos 317 impedidos pelos TREs. O PMDB está em 2º lugar com 49 (15,5%). E o PT, em 8º lugar, teve 18 candidatos a prefeito impedidos de concorrer (5,7%).

Aos 56 do PSDB, precisamos juntar os 9 barrados do PPS, um partido infinitamente menor que o PT, mas que tem metade do número de petistas impugnados. Juntar porque são unha e carne. Desde sempre, desde que surgiu o novo partido dos antigos comunistas (PPS) nunca conseguiu ser nada além de uma linha auxiliar, espécie de sublegenda dos tucanos.

Todos os barrados ainda podem recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Eles serão votados normalmente, mas se perderem na instância máxima (TSE) terão de dar o lugar não a seus vices eleitos a 7 de outubro próximo, mas ao 2º colocado nas urnas. A maior parte dos impedidos teve contas de antigas administrações rejeitadas.

E a Folha de S.Paulo hein?
Espécie de líder entre os que alimentam esta fogueira inquisitorial, o mais ranzinza dentre os veículos de comunicação a acusar justa ou injustamente políticos e gestores por irregularidades administrativas e de todo tipo, publica hoje sua "Entrevista da 2ª" com o juiz Márlon Reis.

O magistrado trabalha no interior do Maranhão e foi um dos inspiradores do movimento que levou à elaboração e aprovação da Lei da Ficha Limpa resultado de iniciativa popular subcrita por mais de 1,5 milhão de assinaturas.

A Folha simplesmente não perguntou nada ao juiz Márlon na entrevista da segunda sobre este 1ºlugar dos tucanos campeões de Ficha Suja. Que coisa mais feia...E olha que a entrevista foi feita na última 6ª feira, quando já havia saído a lista de barrados pela Justiça Eleitoral...

A injustiça do termo petralhas, que não é político
Mas, não, ao invés de perguntar sobre a vitória dos tucanos neste campeonato, o jornal ficou dando voltas na questão da publicidade das doações de campanha, um assunto resolvidíssimo no país, já que a lei autoriza doações aos partidos e comitês financeiros.

Sem falar que, apesar de entrevistar um juiz que, como se vê pela entrevista, fala de política, não aproveitou para conversar e não falou nada da reforma política, do financiamento público de campanha, do voto em lista ou misto, questões que estão na raiz de muitas das práticas que levam candidatos a terem Ficha Suja e serem barrados pela Justiça eleitoral.

A propósito, eu gostaria que vocês lessem, também, o artigo Folha informa: Petralha é lenda!. Neste texto na revista Época o jornalista Paulo Moreira Leite analisa a classificação dos partidos nesses vetos impostos a candidatos pela Justiça Eleitoral. Usa o termo "Folha informa..." porque foi o jornal que deu o ranking de candidatos barrados pela Justiça eleitoral.

O artigo do Paulo termina por mostrar, principalmente a injustiça que nossos adversários cometem ao usarem o termo petralhas contra os petistas. Fazer política e travar a disccussão em níveis políticos é uma coisa; mas chegar ao ponto de associar o adversário aos Irmãos Metralhas, personagens de Walt Disney, francamente, é baixar muito o nível...

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Marcos Coimbra: A dissimulação dos inimigos do Bolsa Família

11.09.2012
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 26.06.12
Por Marcos Coimbra

O axioma do pensamento conservador é simples: a cada vez que se “ajuda” um pobre, fabricam-se mais pobres.

bolsa família
Relação ambígua: ao mesmo tempo que criticam os programas de transferência de renda, os detratores dizem-se seus mentores
O pensamento conservador brasileiro – na política, na mídia, no meio acadêmico, na sociedade – temhorror ao Bolsa Família. É só colocar dois conservadores para conversar que, mais cedo ou mais tarde, acabam falando mal do programa.
Não é apenas no Brasil que conservadores abominam iniciativas desse tipo. No mundo inteiro, a expansão da cidadania social e a consolidação do chamado “Estado do Bem-Estar” aconteceu, apesar de sua reação.
Costumamos nos esquecer dos “sólidos argumentos” que se opunham contra políticas que hoje em dia são vistas como naturais e se tornaram rotina. Quem discutiria, atualmente, a necessidade da Previdência Social, da ação do Estado na saúde pública, na assistência médica e na educação continuada?

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Mas todas já foram consideradas áreas interditas ao Estado. Que melhor funcionariam se permanecessem regidas, exclusivamente, pela “dinâmica do mercado”. Tem quem pode, paga quem consegue. Mesmo se bem-intencionado, o “estatismo” terminaria por desencorajar o esforço individual e provocar o agravamento – em vez da solução – do problema original.
O axioma do pensamento conservador é simples: a cada vez que se “ajuda” um pobre, fabricam-se mais pobres.
Passaram-se os tempos e ninguém mais diz essas barbaridades, ainda que muitos continuem a acreditar nelas. Hoje, o alvo principal das críticas conservadoras são os programas de transferência direta de renda. Naturalmente, os que crescem e se consolidam. Se permanecerem pequenos, são vistos até com simpatia, uma espécie de aceno que sinaliza a “preocupação social” de seus formuladores.
Mas é uma relação ambígua: ao mesmo tempo que criticam os programas de larga escala, dizem-se seus mentores. Da versão “correta”. Veja-se a polêmica a respeito de quem inventou o Bolsa Família: irrelevante para a opinião pública, mas central para as oposições. À medida que o programa avançou e se expandiu ao longo do primeiro governo Lula, tornando-se sua marca mais conhecida e aprovada, sua paternidade começou a ser reivindicada pelo PSDB. Argumentavam que sua origem era um programa instituído pelo prefeito tucano de Campinas, José Roberto Magalhães Teixeira, em 1994.
Ele criou de fato o Programa de Renda Mínima, que complementava a receita de pessoas em situação de miséria. Por razões evidentes, limitava-se à cidade e beneficiava apenas 2,5 mil famílias, com uma administração tão complexa que era impossível expandi-lo com os recursos da Prefeitura.
Tem sentido dizer que o Bolsa Família nasceu assim? Que esse pequeno experimento local é a matriz do que temos hoje? O maior e mais bem avaliado programa do gênero existente no mundo e que serve de modelo para países ricos e pobres?
O que a discussão sobre o Renda Mínima de Campinas levanta é uma pergunta: se o PSDB estava convencido da necessidade de elaborar um programa nacional baseado nele, por que não o fez?
Não foi Fernando Henrique Cardoso quem venceu a eleição de 1994? O novo presidente não era amigo e correligionário do prefeito? Ou será que FHC não levou o programa do companheiro para o nível federal por ignorá-lo?
Quem sabe conhecesse a iniciativa e até a aplaudisse, mas não fazia parte do arsenal de medidas que achava adequadas para enfrentar o problema da pobreza. Não eram “coisas desse tipo” que o Brasil precisava.
Goste-se ou não de Lula, o fato é que o Bolsa Família só nasceu quando ele chegou à Presidência. E é muito provável que não existisse se José Serra tivesse vencido aquela eleição.
Fazer a arqueologia do programa é bizantino. Para as pessoas comuns não quer dizer nada. Como se vê nas pesquisas, acham até engraçado sustentar que o Bolsa Família não tem a cara de Lula.
Não é isso, no entanto, o que pensam os conservadores. Para eles, continua a ser necessário evitar que essa bandeira permaneça nas mãos do ex-presidente. O curioso é que não gostam do programa. E que, toda vez que o discutem, só conseguem pensar no que fazer para excluir beneficiários: são obcecados pela ideia de “porta de saída”.
Outro dia, tudo isso estava em um editorial de O Globo intitulado “Efeitos colaterais do Bolsa Família”: a tese da ancestralidade tucana, a depreciação do programa – apresentado como reunião de “linhas de sustentação social (?) já existentes” –, a opinião de que teria ficado “grande demais”, a crítica de que causaria escassez de mão de obra no Nordeste, e por aí vai (em momento revelador, escreveu “Era FHC” e “período Lula” – como se somente o primeiro merecesse a maiúscula).
Para a oposição – especialmente a menos informada –, o Bolsa Família é o grande culpado pela reeleição de Lula e a vitória de Dilma Rousseff. Não admira que o deteste.
Para os políticos, as coisas são, porém, mais complicadas. Como hostilizar um programa que a população apoia?
Por isso, quando vão à rua disputar eleições, se apresentam como seus defensores. Como na inesquecível campanha de Serra em 2010: “Eu sou o Zé que vai continuar a obra do Lula!”.
Alguém acredita?
CartaCapital
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