domingo, 2 de setembro de 2012

Vila Autódromo apresenta proposta alternativa contra remoção ao prefeito do Rio

02.09.2012
Do portal da REVISTA CARTA MAIOR, 16.08.12
Por Rodrigo Otávio

Diante da ameaça de despejo por causa das obras para as Olimpíadas de 2016, comunidade que possui títulos de posse da área apresentou a Eduardo Paes um plano urbanístico e ambiental que viabilizaria a permanência das cerca de 500 famílias no local e custaria bem menos aos cofres públicos. Enquanto a implementação do projeto está orçada em R$ 13,5 milhões, o reassentamento da comunidade pela prefeitura carioca custaria R$ 38 milhões.

Rio de Janeiro - Os moradores da comunidade Vila Autódromo cumpriram mais uma etapa da luta contra a remoção de suas casas nesta quinta-feira (16), ao entregarem ao prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PMDB) o Plano Popular da Vila Autódromo. A comunidade de cerca de 500 famílias localizada em uma área de aproximadamente 1,18 milhões de m2 às margens da lagoa de Jacarepaguá, entre os bairros da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade, vem sendo alvo de novos ataques – que partem, segundo moradores e seus defensores, de uma aliança entre poderes municipal e estadual com o setor imobiliário – desde que a cidade foi eleita para sediar as Olimpíadas de 2016.

De acordo com seus elaboradores, o plano urbanístico mostra que a permanência da comunidade na área é técnica e socialmente viável e, inclusive, economicamente mais vantajosa do que o despejo. Enquanto a implementação do projeto está orçada em R$ 13,5 milhões, o reassentamento total da comunidade pela prefeitura carioca custaria R$ 38 milhões. Segundo Jane Nascimento, diretora-social da Associação dos Moradores e Pescadores de Vila Autódromo (AMPVA), Eduardo Paes se comprometeu a estudar o plano juntamente com a Secretaria Municipal de Urbanismo e a de Habitação, e afirmou que dará uma resposta em 45 dias.

Nos planos oficiais, os tijolos e telhados que sempre faziam uma ponta nas transmissões de TV do GP Brasil de Fórmula 1, quando este era realizado no autódromo Nelson Piquet, seriam banidos. Em um primeiro rascunho seriam substituídos por um “puxadinho” do futuro Parque Olímpico, que serviria para estacionamentos ou lojas de conveniências do aparato esportivo-comercial mundial.

Contestada na Justiça, a prefeitura reformulou o projeto original do Parque Olímpico e apresentou novas maquetes para toda a região. A Vila Autódromo agora daria lugar a uma inexplicável curva no novo traçado da Transolímpica, a via expressa que ligará a Barra da Tijuca à Avenida Brasil. (Ver neste vídeo, em 1:19).

Os gabinetes só se esqueceram de dois detalhes. As raízes da comunidade estão ali há muitos anos, e os moradores possuem documentos que garantem sua permanência no local. “A região no entorno da lagoa de Jacarepaguá foi uma das primeiras colônias de pesca do Brasil, em 1906, com a criação da figura da profissão de pescador. A comunidade de moradores mesmo começou durante a construção, nos anos 1970, do [centro de convenções] Riocentro e do autódromo”, afirma Inalva Mendes, diretora da Associação de Moradores da Vila Autódromo.

Inalva lembra que o faroeste imobiliário ali é uma constante, agora com uma tentativa de xeque-mate nos moradores originais com a proximidade das Olimpíadas. “A partir do Riocentro e do autódromo a ocupação daquela região foi toda predatória. As pessoas de influência pegavam aquelas terras e iam construindo, com os pescadores ali, enquanto não incomodavam. Agora a pesca está acabando por causa da poluição e querem acabar de vez com a comunidade”.

Olímpicos

Nesse tabuleiro, disposição para defender os seus direitos e boa vontade para negociar a não remoção com a prefeitura são o que não faltam para a comunidade da Vila Autódromo. A prova dessa boa vontade é o Plano de Desenvolvimento Urbano, Econômico, Social e Cultural (o Plano Popular) a ser entregue ao prefeito Eduardo Paes.

“Na Grécia Antiga, onde nasceram as Olimpíadas, os cidadãos se reuniam na ágora, que era a praça pública, para decidir os destinos de sua cidade. Então, se queremos ter uma cidade olímpica, deveríamos fazer o mesmo. Esse plano da Vila Autódromo é exatamente isso. Os moradores foram à praça pública e lá elaboraram caminhos. Portanto, a verdadeira cidade olímpica não é aquela que se faz nas Parcerias Público-Privadas, nos corredores dos palácios, é aquela na qual o cidadão se encontra na praça pública para determinar objetivos e a forma de alcançá-los”, diz Carlos Vainer, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e que, assim como estudantes e professores da Universidade Federal Fluminense (UFF), assessorou a comunidade na construção do plano.

Vainer explica que tecnicamente foram definidos quatro grandes programas: habitação; saneamento e infraestrutura; transporte e serviços; e desenvolvimento comunitário e cultura. “Na questão habitacional, por exemplo, deveria ser deixada uma faixa marginal de 15 metros para a preservação da lagoa. Houve um acordo para aquelas casas que estivessem nessa faixa ou perdessem um pouco de seu terreno ou fossem realocadas para outra área, dentro da comunidade”, diz ele.

No processo de realocação dessas casas e em outras áreas onde ocorreriam substituições de moradias precárias, os formatos eleitos pelos moradores para as novas unidades foram sobrados de dois ou três quartos e prédios de dois ou três andares, também com dois ou três quartos cada apartamento. O projeto prevê ainda que cada família reassentada escolheria o tipo e a localização da moradia, com os interessados e a comunidade negociando a ocupação via aluguel, empréstimo ou cessão.

Os responsáveis pelo plano popular são categóricos ao afirmar que os custos para a prefeitura seriam infinitamente menores do que os do plano de reassentamento da comunidade defendido pelo poder municipal – segundo a associação de moradores, no último caso só o novo terreno custaria cerca de R$ 20 milhões. Além disso, a entidade aponta que toda a negociação está cercada de controvérsias, ora por falta de licenciamento ambiental definitivo, ora por suspeitas de que a proprietária do terreno, a Tibouchinha Empreendimentos, seja controlada por construtoras que fizeram doações a membros da atual prefeitura na campanha eleitoral de 2008.

Novela judicial
O caso Tibouchinha é mais uma das inúmeras batalhas judiciais que os moradores da Vila Autódromo estão acostumados a travar. Em 26 de julho lá estavam os representantes da comunidade “atrapalhando” o trânsito de engravatados na porta do Fórum Central do Rio de Janeiro, berrando pelo direito à residência original na Zona Oeste. Tinham acabado de ser mais uma vez “atropelados” pela “celeridade” da Justiça, que não havia apreciado a representação dos vereadores Eliomar Coelho e Paulo Pinheiro, ambos do Psol, pedindo esclarecimentos sobre a negociação.

A pressa da justiça é contestada por dona Inalva. “A juíza da 4ª Vara Cível não considerou as alegações e deu uma sentença encaminhando o processo. Queremos entender até que ponto a Justiça vê com clareza essas denúncias”, diz. “Queremos explicações sobre o risco de sair de um terreno que é legal, que não tem riscos, para um terreno que é ilegal e com riscos.”

A diretora da associação de moradores faz referência ao cerne da questão, a titulação da comunidade concedida pelo ex-governador Leonel Brizola em 1985 e reafirmada pelo também ex-governador Marcello Alencar em 1998, por 90 anos, com direito à renovação por mais 90 anos.

Um dos autores da representação no caso Tibouchinha, o vereador Eliomar Coelho esclarece a questão judicial original. “A pendenga jurídica é em relação ao título de Constituição de Direito Real de Uso [CDRU] que está nas mãos dos moradores da Vila Autódromo”, explica à Carta Maior. Ele é taxativo ao cobrar o judiciário. “Ali tem que ser garantida a permanência porque eles têm esse título, que equivale a um direito de propriedade. Ou se respeita a lei ou não.”

Uma primeira prova de respeito às leis foi dada em meados dos anos 2000, quando a então governadora Rosinha Garotinho transferiu a área ao município para obras para os Jogos Pan-Americanos de 2007. O termo de transferência dizia que era necessário respeitar todas as concessões dadas anteriormente –a medida visava as casas e condomínios da classe alta, mas acabou incluindo os títulos das famílias da Vila Autódromo. As obras para a competição tomaram outra direção e a comunidade foi respeitada. Agora, com as Olimpíadas na agenda, voltam as manobras para banir a Vila Autódromo do mapa, seja com o Parque Olímpico ou a Transolímpica.

Programa de (des) governo
Para a advogada Maria Lúcia Pontes, que atua junto à comunidade pelo Núcleo de Terras da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, a questão jurídica é complexa, mas não esconde as reais intenções da prefeitura. “O município está sempre inventando uma motivação para a remoção da Vila Autódromo. Na verdade, o que existe é uma decisão política de retirada da comunidade”, afirma.

No tabuleiro urbano, o lance agora é da comunidade Vila Autódromo, através do Plano Popular. “Esse plano é mais do que suficiente para dizer não à remoção e sim à sobrevivência da Vila Autódromo. A comunidade quer continuar vivendo, trabalhando, morando, se divertindo naquele local. As condições para isso existem, a base legal, jurídica, existe, as condições urbanísticas existem e as condições ambientais viabilizam isso”, diz o professor Carlos Vainer.

“Esperamos que a prefeitura entenda que legado olímpico não é só para as grandes empresas, grandes proprietários de terra e hotéis, mas também para a população pobre dessa cidade. E que a Vila Autódromo tem direito a uma parte desse legado”, completa.


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Marcos Coimbra: Pesquisas confirmam quadro previsível

02.09.2012
Do blog VI O MUNDO
Por Marcos Coimbra, no Correio Braziliense, via Clipping do Planejamento


As recentes pesquisas da Vox Populi, do Ibope e do Datafolha, realizadas nas principais capitais nos últimos dias, revelam um quadro que, em seus traços gerais, era previsível.

Incluindo os números de São Paulo, onde os três institutos apontaram cenário muito desfavorável a Serra. Só seus defensores mais extremados terão se surpreendido, pois as dificuldades que o tucano enfrentaria este ano eram óbvias.

As pesquisas confirmam características conhecidas das eleições municipais brasileiras e do funcionamento atual de nosso sistema político. Indicam coisas que sabíamos:

1 — A força da reeleição: em todas as capitais em que os atuais prefeitos buscam a reeleição, eles lideram.

A maior vantagem está no Rio de Janeiro, onde Eduardo Paes (PMDB) tem ampla perspectiva de vitória no primeiro turno, apesar de enfrentar diversos adversários de biografia conhecida e respeitável.

Em Belo Horizonte e Curitiba, estão na dianteira os prefeitos Marcio Lacerda e Luciano Ducci, ambos do PSB. O mineiro tem um só concorrente de peso, Patrus Ananias, do PT. No Paraná, a situação é de empate triplo, entre ele, Ratinho Junior (PSC) e Gustavo Fruet (PDT).

São três casos de prefeitos que investiram pesadamente na propaganda de suas administrações ao longo do mandato. Não têm novidades a informar aos eleitores, mas fazem agora, usando a imensa mídia “gratuita”, uma personalização dos resultados de suas gestões.
As obras e programas que o cidadão conhecia como sendo da prefeitura são reapresentadas como de autoria do prefeito. Tudo de bom que aconteceu na cidade é mostrado como resultado de sua ação pessoal (e tudo de mau é suprimido).

Talvez nem todos vençam, mas isso ajuda a explicar sua performance.

2 — O declínio dos partidos de oposição: considerando o melancólico desempenho de Serra — que parece que sequer estará no segundo turno, para o qual são favoritos Celso Russomano (PRB) e Fernando Haddad (PT)—, os principais partidos de oposição só têm candidatos próprios bem posicionados em poucas cidades.

Desses, apenas ACM Neto (DEM), em Salvador, é considerado competitivo. Moroni Torgan, seu correligionário que disputa a eleição em Fortaleza, dá sinais de que, em breve, será ultrapassado por Elmano de Freitas (PT) e Roberto Cláudio (PSB) .

Se o quadro atual se confirmar, seria possível dizer que o PSDB terminará vencendo em Belo Horizonte e Curitiba, pois tanto Aécio e Anastasia quanto Beto Richa apoiam os líderes.

Pode ser verdade a curto prazo e, para Aécio, será ainda mais relevante, em face da derrocada de Serra. Mas, para o partido, é ruim atravessar mais uma eleição sem apresentar nomes para disputas futuras. Na política, como na moda, é preciso aproveitar as vitrines para mostrar os lançamentos da próxima temporada.

3 — A decisão ilusória: embora essas pesquisas indiquem níveis elevados de “definição de voto”, os profissionais do ramo, analisando outras — especialmente qualitativas —, percebem que as certezas dos eleitores são, a esta altura, provisórias.

As campanhas recém começaram e eles se veem alvo de uma comunicação maciça, tão grande que os deixa desconfiados.

O cidadão comum não se sente pressionado a resolver seu voto agora e nem acha que já tem informação suficiente para fazê-lo. Até a eleição, acredita ter tempo para conhecer melhor os concorrentes e se decidir com calma.

Curiosamente, há candidatos que hoje torcem para que os eleitores não mudem de ideia, com a mesma intensidade com que já torceram, em outras eleições, para que mudassem.

O cidadão comum não se sente pressionado a resolver seu voto agora nem acha que já tem informação suficiente para fazê-lo. Até a eleição, acredita ter tempo para conhecer melhor os concorrentes e se decidir com calma.

Leia também:


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Julgamento do 'mensalão' explode no colo do mercado publicitário

02.09.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Já surge o primeiro efeito colateral do julgamento do 'mensalão', e explodiu como uma bomba no colo do mercado publicitário, com dores de cabeça para empresas de mídia, como a Globo.

Apesar do ministro do STF Ricardo Lewandowski ter entendido que bônus de volume (BV) não integra direito do cliente, pois só existiria se não fosse repassado a terceiros, portanto, seria um bem intransferível, os outros ministros, Cesar Peluso e Ayres Britto, disseram que é crime de peculato o não repasse desse BV em contratos com o setor público que tenham cláusula semelhante à do Banco do Brasil com a DNA Propaganda.

Com isso, todos os gestores de contratos semelhantes, no setor público, desde a prefeitura do Oiapoque, passando pelos governos estaduais, até órgãos federais e estatais, que não queiram correr o risco de serem presos, terão que fazer imediatamente cobrança destes valores das agências de publicidade, inclusive retroativamente, o que deverá produzir um rombo bilionário no conjunto das agências.

Se a cobrança for contestada pela Agência, os funcionários públicos gestores destes contratos terão que entrar com execução na justiça, para se protegerem de serem acusados por peculato.

O ministro Ayres Britto, no clima de obscurantismo que se abateu no STF, afirmou que alei 12.232/2010 (regulamenta contratação pela administração pública de serviços de publicidade) teria sido feita "sob medida" para inocentar os réus, o que parece falso, pois a lei trata de matéria administrativa e não penal, e a emenda citada na lei fala em "subsidiar" contratos em curso ou encerrados, logo "subsidiar" é "ajudar" ou "auxiliar" e não revogar como imaginou Britto.

Fica claro que foi o mercado publicitário e os veículos de mídia que pediram essa regulamentação, provavelmente após o início desta Ação Penal 470. Os maiores interessados no BV sempre foram grupos como Globo e Abril, pois lhes garantem volume de verbas acima da proporção da audiência.

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FALSOS DEFENSORES DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO: Tucano ameaça repórter da Folha

02.09.2012
Do BLOG DO MIRO, 01.09.12
Por Altamiro Borges


O Portal Imprensa publicou ontem entrevista com o jornalista André Caramante, da Folha, que há dois meses recebe ameaças por ter escrito uma matéria sobre o policial Paulo Telhada, ex-comandante da Rota (Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar) e hoje candidato pelo PSDB a vereador na capital paulista. No texto, publicado em 14 de julho, Caramante denunciou o fato do policial usar seu perfil pessoal no Facebook para incitar a violência contra supostos bandidos, rotulados por ele de “vagabundos”.


Após a publicação da denúncia, o repórter passou a receber mensagens de seguidores do ex-chefe da Rota com ameaças contra ele e a sua família. Na semana passada, o caso ficou ainda mais grave. Um sítio ligado a policiais militares divulgou uma foto de Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha, confundindo-a com a do repórter ameaçado. “Agora que o rosto do André Caramante é conhecido, torço para que nenhum maluco resolva fazer justiça com as próprias mãos”, afirma o texto num tom enigmático.

"De olho nesse defensor de vagabundos"

Para Caramante, este clima de terror “está relacionado à cobertura da segurança pública de São Paulo na qual atuo há 13 anos. No mês de junho, o estado passou a enfrentar uma crise quando vários policiais militares de folga foram assassinados pelo grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC)... Em um determinado momento, resolvemos fazer um texto para falar sobre a página pessoal do ex-comandante da Rota, Paulo Telhada. Ele chamava os suspeitos de vagabundos e dizia que eles tinham que morrer mesmo”.

Após a publicação da matéria, afirma Caramante, o policial “fez uma postagem na página pessoal dele no Facebook e muitas pessoas fizeram eco naquilo que ele havia falado/escrito e fizeram os mais variados comentários: ‘Ah, bala nesses vagabundos mesmo e quem defende vagabundo também’. ‘De olho nesse André Caramante porque ele é defensor de vagabundo’... Depois disso, houve um monte de comentários na internet, não só no Facebook, dizendo que a Folha encampa algo contra a Polícia Militar de São Paulo”.

Jornal tucano devia acionar o Serra

André Caramante já recebeu a solidariedade do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, que enviou ofício ao governo estadual exigindo providências urgentes contra as ameaças. Ele também afirma contar com o apoio da direção da Folha e garante que não vai recuar no seu trabalho investigativo. “Este é um tipo de intimidação que eles tentam fazer para que não cumpramos nossa função de informar”. Seria o caso da direção da Folha, tão próxima ao ninho tucano, também acionar a direção do PSDB em São Paulo.

Afinal, o policial Paulo Telhada não é um personagem qualquer. Coronel reformado da Polícia Militar, ele comandou a temida Rota por vários anos. Foi nomeado pelo ex-governador José Serra, agora candidato à prefeitura. Em seu perfil no facebook, ele não esconde suas ideias. Posta fotos de caveiras com o uniforme da Rota e critica as entidades de direitos humanos. “Não sou obrigado a gostar de ladrão, o cara que está fora de lei não merece consideração nenhuma da sociedade”, afirmou recentemente ao portal Terra.

Fidelidade ao candidato do PSDB

Com esta postura truculenta, ele decidiu se candidatar a vereador pelo PSDB. Seu slogan de campanha é “uma nova Rota na política de São Paulo”. Ao portal Terra, ele explicou que a sua decisão de ingressar na política decorreu de um voto de lealdade ao tucano José Serra, que o nomeou comandante da Rota. “Ética é você apoiar quem te apoia e ajudar quem te ajuda. Acho o Serra uma pessoa muito preparada para a Prefeitura”, afirmou ao sítio. A Folha até que poderia procurar o tucano para pedir proteção ao repórter.

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Álvaro Dias também é rifado pelo PSDB

02.08.2012
Do BLOG DO MIRO
Por Altamiro Borges


Saiu hoje no blog de Ilimar Franco, hospedado no sítio do jornal O Globo:

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O PSDB resolveu se unir ao PT para deixar sem mandato o líder da oposição no Senado, Álvaro Dias (PR). Inimigo do governador Beto Richa, Dias foi avisado que está fora da chapa para 2014. Ele examina três alternativas: abandonar a política, concorrer a deputado federal ou mudar de partido, alegando perseguição política.
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As sangrentas bicadas tucanas

A notinha confirma que as bicadas no ninho tucano são cada vez mais sangrentas. Em São Paulo, o decadente José Serra – que lidera as pesquisas apenas no quesito rejeição – já teme ser “cristianizado”. Fala-se, até, numa vingança maligna de Geraldo Alckmin, que já foi traído por Serra em 2008. Há também a briga, explícita, entre o governador paulista e Arthur Virgílio, o candidato tucano à prefeitura de Manaus. O “valentão” já ameaçou sair do PSDB. Nos outros estados, os candidatos tucanos afundam nas pesquisas.

No caso do Paraná, as bicadas são antigas. No final do ano passado, o blogueiro Esmael Morais já havia cantado a bola. “Adversário político do governador Beto Richa, presidente estadual do PSDB, Álvaro se vê sem espaço na legenda do Paraná”, revelou em primeira mão. Esmael até conversou com o senador, um dos mais raivosos da direita nativa, que não escondeu seu descontentamento com os rumos da sigla no estado. “Há cinco anos não sou convidado para participar dos programas de TV do PSDB”, desabafou o tucano.

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Prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, persegue blogueiro de forma covarde

02.09.2012
Do BLOG DO ROVAI, 01.09.12
Por Renato Rovai

Luciano Ducci, que ganhou de presente a prefeitura de Curitiba por conta da renúncia de Beto Richa que deixou o cargo pra disputar o governo do Estado, está seguindo as pegadas do tucano que lhe deu asas em todas os sentidos.
Beto Richa processou na eleição passada o blogueiro Esamel e o perseguiu durante toda a campanha tentando liquidar a possibilidade de fazer seu blogue . Agora, Ducci faz o mesmo com o blog do Tarso. Leia a matéria a seguir, que pode ser acessada também neste link.
O que  motivou a perseguição é uma multa de R$ 212 mil reais foi uma enquete onde Ducci tem sido escolhido como o pior prefeito da cidade dos últimos tempos
É bizarro como esse tipo de processo ainda sejam bem-sucedido no judicioário brasileiro. Mas é compreensível. Na ditadura também havia legistas que assinavam laudos declarando que uma pessoa barbaramente torturada havia se suicidado. E juízes que consideram aquilo a versão real dos fatos.
Ducci com esta atitude mostra que não tem apreço pela liberdade de expressão. E que prefere os veículos de comunicação tradicionais, com os quais sempre é possível fazer uma “acordinho”.
Segue o texto do Tarso
O prefeito de Curitiba Luciano Ducci, candidato a reeleição pelo PSB (com PSDB/DEMO/PSD/PTB/PPS/PP etc), exterminou o Blog do Tarso.
Luciano Ducci e sua gangue almejavam há dias intimidar e censurar o Blog do Tarso, com a tentativa de aplicar multas de até R$ 212.820,00 (duzentos e doze mil, oitocentos e vinte reais), por causa de duas simples enquetes que o Blog divulgou.
Denuncio que os advogados responsáveis por tamanho absurdo contra um Blog elaborado por outro advogado são Ramon de Medeiros Nogueira e Cristiano Hotz, que entraram com a Representação 1174-71.2012.6.16.0001 e a Representação 1175-76.2012.6.16.0001. Uma mancha em seus currículos que vai ser cobrada no futuro.
O Ministério Público opinou e a 1ª Instância da Justiça Eleitoral, por meio de sentença do juiz Marcelo Wallbach Silva, decidiu de forma sensata no sentido apenas de recomendar que as enquetes fossem divulgadas nos termos daResolução 23.364 do Tribunal Superior Eleitoral.
Não satisfeitos, Luciano Ducci e seus advogados “pau para toda obra” recorreram para o Tribunal Regional Estadual do Paraná. Um dos advogados chegou a conversar com cada magistrado do TRE para condenar o Blog do Tarso ao pagamento da multa estratosférica. E não é que o TRE/PR, com apoio do MP, aplicou duas multas que somam o valor de R$ 106.410,00 ao editor-presidente do Blog do Tarso (que não é uma pessoa jurídica)?
Será que esses magistrados têm noção do que fizeram? Será que eles acham que estão lidando com candidatos, com partidos políticos, com grandes institutos de pesquisa e grandes meios de comunicação? Simplesmente essa sanção é uma “pena de morte” ao Blog do Tarso, um blog que é um hobby, sem fins econômicos, que existe para fazer controle popular da Administração Pública e para discutir política e o Direito.
Além de ser um absurdo que simples enquetes sejam consideradas como pesquisas.
Enquanto isso agentes públicos milionários são multados em R$ 5.000,00 pela Justiça Eleitoral, por uso de bens públicos em campanha eleitoral.
Pois bem, vou recorrer ao TSE em Brasilia, mas se mantidas as multas, fica aqui o último post do Blog do Tarso, no exato dia que atingiu um milhão de acessos, desde o dia 1.1.11, com uma média de 4 mil acessos ao dia nas últimas semanas.
Obrigado a todos os leitores e colaboradores, até quem sabe um dia! Continuo no Twitter e no Facebook.
Um grande abraço,
Tarso Cabral Violin – Editor-presidente do Blog do Tarso, professor de Direito Administrativo e mestre em Direito do Estado pela UFPR

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PROCURADOR GERAL TENDENCIOSO: Gurgel é aquele que não viu nada demais entre Perillo e Cachoeira

02.09.2012
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Que aproveitem bem a comemoração pelo êxito provisório desse esquema criminoso que uniu setores do Poder Judiciário, do Ministério Público, do Legislativo e da imprensa em um conluio para produzir a farsa estupradora de direitos civis em que se converteu o julgamento do mensalão, pois cedo ou tarde terão que responder por seus crimes.
Chega a ser piada: a autoridade que deu curso a esse processo na forma como está sendo conduzido se chama Roberto Gurgel. Ele condenou o deputado petista João Paulo Cunha por ter sacado (ou mandado sacar) 50 mil reais na boca do caixa, pagos por um esquema supostamente criminoso.
Gurgel é o mesmo que não viu nada demais quando lhe chegou às mãos a informação de que o governador de Goiás, Marconi Perillo, no exercício do cargo estava fazendo transações pessoais de milhões de reais com o bicheiro Carlos Cachoeira, indicando funcionários públicos em seu governo a mando do mesmo e até confraternizando com ele.
Detalhe: tanto é que Gurgel não viu nada demais nas relações entre Perillo e Cachoeira que só abriu inquérito contra o governador de Goiás anos depois de saber de suas relações e só porque o mesmo pediu
É uma piada esse julgamento do mensalão. A condenação de João Paulo Cunha fez dele o PRIMEIRO – isso mesmo, leitor, o primeiro – político condenado na história do STF. Ou seja: nunca antes na história deste país outro político mereceu ser condenado naquela Corte. Começou por um acusado de receber 50 mil…
O pior não é isso. Não há um vínculo direto entre quem é acusado de pagar João Paulo e ele. Ao menos um vínculo sequer parecido ao que há entre Perillo e Cachoeira.
Marcos Valério não vendeu casa a João Paulo, não conseguiu que indicasse funcionários para a Câmara dos Deputados, não recebeu do publicitário telefonema de felicitações pelo aniversário nem nada. Perillo se envolveu em tudo isso e Gurgel não viu nada demais (!). Onde é, diabos, que o Brasil melhorou com essa farsa?

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Jovem de 17 anos ganha provas internacionais de física, linguística e astronomia

02.09.2012
Do portal CIRCUITOMATOGROSSO, 29.08.12
Por FOLHA.COM
O estudante Ivan Antunes, 17, com medalhas após ganhar Olimpíadas de física, astronomia e linguística | Simon Plestenjak/Folhapress Ivan Tadeu Ferreira Antunes Filho, 17, é um prodígio.

Entre 13 de julho e 14 de agosto, emendando uma competição na outra, ganhou na Estônia a medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Física, a prata na Olimpíada Internacional de Linguística, na Eslovênia, e no Rio, a prata na Olimpíada Internacional de Astronomia.
O garoto disputou com a elite dos estudantes do planeta. A prova individual de linguística, uma das mais interessantes, exigiu a resolução de problemas a respeito de cinco línguas: dyirbal, umbu-ungu, teop, rotuman (diferentes idiomas da Oceania) e basco (da região espanhola). A prova em grupo versou sobre o tai-kadai, do sudeste asiático e do sul da China.

Antes que alguém se assuste, Ivan já explica: "Não, eu não tinha de conhecer essas línguas previamente". Ah!

"É competição de lógica. Você tem de perceber os padrões do uso da língua." Uma questão clássica: fornecem-se ao estudante duas listas, uma com frases em uma língua desconhecida; outra, uma lista de traduções. "Só que elas não estão ordenadas e uma das traduções está errada", diz Ivan. O desafio é descobrir qual tradução está errada, fazer a correspondência das traduções e apontar o erro da tradução.

A medalha de prata que Ivan trouxe é a primeira conquistada pelo Brasil na história dessa competição.

Filho de médicos de Lins (429 km de São Paulo), Ivan começou a disputar olimpíadas na quinta série. Com 14 anos, foi sem os pais para o Azerbaijão participar de sua primeira prova internacional.

Visitou dez países graças às competições. A viagem para a Disney com a família estava marcada, mas, na mesma data, apareceu uma semana de matemática em São José do Rio Preto (443 km de São Paulo). Adeus, Disney.

SOLTEIRO

Hoje, Ivan vive em São Paulo, em uma pensão vizinha ao Colégio Objetivo Integrado, onde estuda. Está "solteiro", diz. A família mora em Lins.

Ivan não se acha superdotado. "Qualquer pessoa que se dedique como eu conseguirá resultados iguais." A memória também não é excepcional. "Costumo esquecer os nomes das pessoas."

O segredo do sucesso? "Ser um campeão olímpico depende de curiosidade, planejamento, interesse e dedicação verdadeira", afirma.

O dia começa às 7h10, quando entra na escola. Vai até as 12h50, saída das aulas. À tarde, o jovem estuda por até seis horas. Mas têm dias em que o esforço se limita a ler 20 páginas de algum livro.

Sem rotinas férreas, recomenda que se tracem objetivos claros. "Tipo: quero acabar esse livro até tal data. Algumas metas têm de ser de longo prazo. Para ir à Internacional de Física, comecei a estudar um ano e meio antes."

Para aqueles que se acham modelos de dedicação infrutífera, Ivan tem duas hipóteses: "Ou são pessoas que pensam que se dedicam, mas não se dedicam tanto, ou se dedicam usando estratégias de aprendizado inadequadas."

Ele dá um exemplo de "estratégia inadequada". Durante o treinamento para a Olimpíada de Linguística, Ivan percebeu que estava estagnado. "Os professores diziam que deveríamos conhecer as teorias antes, mas para mim não funcionou."

Em vez de desistir, o jovem criou seu próprio método. "Para mim, foi muito melhor fazer as provas passadas, lendo a resolução e anotando todos os pontos importantes."

A lição que extraiu: "Existem estratégias que funcionam para algumas pessoas, e outras que funcionam para outras. Você tem de descobrir a que funciona para você".

Ivan se preocupa com a fama de "egoístas" que cerca alunos "olímpicos" como ele. Há dois anos, mantém com amigos o endereço www.olimpiadascientificas.com, com dicas de estudos. "Também tiramos dúvidas", diz. "É nossa forma de ajudar."

O menino que pensa em estudar em Harvard, Oxford, Princeton, MIT ou Cambridge - "As suas chances de ser aceito aumentam muito se você vencer uma olimpíada internacional", escreveu ele no site- não tem ainda a menor ideia de qual carreira seguirá. "Eu gosto de tudo, não consigo decidir o que fazer."


Fonte: FOLHA.COM

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