segunda-feira, 27 de agosto de 2012

greve dos servidores federais: Corte de ponto dos servidores em greve poderá ser revisto, diz secretário

27.08.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO,26.08.12


O governo sinalizou hoje (26) que poderá rever a decisão de cortar o ponto dos servidores públicos federais em greve há mais de três meses. O secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, disse há pouco que, se for fechado um acordo para reposição dos dias parados, não haverá o corte do ponto e poderá haver a devolução do salário cortado.

De acordo com o secretário, a negociação sobre os percentuais de reajuste e a que discute o fim do corte estão sendo feitas separadamente. “Uma é a negociação da reposição do trabalho, das horas [não trabalhadas] que foram decorrentes da greve. Se houver também uma possibilidade de acordo sobre a reposição do trabalho e das horas de trabalho, faremos um acordo também. Mas um acordo não depende do outro”, disse Mendonça.

“O governo acenou com esta possibilidade para todas as categorias. Há realmente esta possibilidade”, frisou. O secretário acrescentou que se houver a reposição dos dias parados o governo poderá devolver o salário dos servidores que já foram alvo do corte do ponto.

Desde o mês passado, o governo anunciou que faria o corte do ponto dos trabalhadores em greve. Mesmo com a ameaça do corte, o governo manteve as negociações com os servidores.

Na semana passada, quatro entidades sindicais ajuizaram ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra determinação do governo federal de cortar o ponto dos servidores públicos em greve. Os servidores alegam que, até o momento, não há decisão judicial que tenha declarado a ilegalidade da paralisação da categoria.

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EM 3 LINHAS, FOLHA OFENDE DILMA, WEBER E O LEITOR

27.08.2012
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

A Folha diz qualquer coisa de um lado só. É uma leviandade – para ser gentil – com método, diria o Hamlet.


Saiu na Folha (*):

JARDIM 2


O voto de Rosa (Weber), mesmo contra a sua vontade, será traduzido como o empenho (ou a falta dele) de Dilma pela absolvição de réus. Recém-nomeada para o STF, a ministra é amiga pessoal da família da presidente.

Navalha
Portanto, segundo a Folha (*), a Presidenta do Brasil nomeou ministra porque é “amiga pessoal da família da presidente”.
Segundo, Dilma é quem vota por ministros do Supremo.
E, portanto, ministros do Supremo são títeres.
Claro, isso só seria possível no chiqueiro em que a Folha (*) habita.
Em tempo:
Diz amiga navegante: é assim mesmo, a Folha (*) é capaz de dizer qualquer coisa.
Não, responde o ansioso blogueiro.
A Folha diz qualquer coisa de um lado só.
Vê se essa colonista (**) diz uma coisa dessas com impacto no outro lado.
É uma leviandade – para ser gentil – com método, diria o Hamlet.




Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.

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ARTUR VIGÍLIO VERSUS GERALDO ALCKMIN: Barraco no ninho tucano

27.08.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

Candidato a prefeito de Manaus, o ex-senador Arthur Virgilio  anda se estranhando com os tucanos paulistas. Por causa de uma ação do governo de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), contra a Zona Franca, que será analisada pelo STF, Virgilio chegou a chamar o governador Geraldo Alckmin de "provinciano".

Amazonas versus São Paulo. 

O governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra as isenções fiscais que beneficiam a Zona Franca de Manaus. Irritado, o candidato do PSDB à prefeitura de Manaus, Arthur Virgílio Neto, ameaça deixar a legenda, sendo eleito ou não.
Virgílio, chegou a ameaçar deixar o partido após as eleições, seja qual for o resultado alcançado no pleito:

Segundo o jornal Correio Brasiliense, Arthur Virgilio disse:- Esse partido não tem apetite para disputar o poder. Perdendo três eleições seguidas (para presidente da República), acostumou-se com esse negócio de vice (segundo lugar). Estou farto. Ganhando ou perdendo a eleição, vou avaliar se fico nesse partido, porque a base de um partido é a solidariedade. Foi simbólico eu ter perdido a última eleição (para o Senado) para o Lula, mas não foi simbólico para o meu partido me defender. Não vou ficar perdendo meu tempo - disse

PSDB busca Justiça Eleitoral

Ele afirmou que rompeu com Alckmin no ano passado, quando escreveu uma carta para o governador de São Paulo sobre a guerra fiscal. A Adin foi protocolada na semana passada. Na última vez que disputou uma eleição local — a prefeitura de Manaus, em 2008, Virgílio não teve sequer 5% dos votos

Concorre também à prefeitura de Manaus a senadora Vanessa Graziotin (PCdoB).Graziotin foi eleita senadora em 2010, com o apoio do ex-presidente Lula para derrotar justamente o tucano Arthur Virgílio.

A candidata Vanessa Grazziotin (PCdoB), que está em segundo lugar declarou. "Os aliados do PSDB querem tirar os empregos de milhares de trabalhadores e o sustento de suas famílias. Precisamos resistir", afirmava mensagem no programa de TV de Grazziotin.

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80 promotores e procuradores querem Demóstenes fora do Ministério Público de Goiás

27.08.2012
Do blog AMIGOS DO PRESIDENTE LULA


O Conselho Nacional do Ministério Púbico (CNMP) recebe hoje um pedido de afastamento do ex-senador Demóstenes Torres da função de procurador de Justiça desempenhada no Ministério Público (MP) de Goiás. Pela primeira vez desde o retorno, em 20 de julho, um grupo de promotores de Justiça, procuradores da República e procuradores do Trabalho se manifesta oficialmente contra a permanência de Torres no cargo, enquanto durar a investigação aberta contra ele.

Integrantes do MP goiano protocolam pela manhã uma representação coletiva contra Demóstenes, com pedidos de investigação, suspensão do exercício funcional e afastamento cautelar. A representação deve ser assinada por 80 promotores e procuradores que se dizem constrangidos com o retorno de Demóstenes ao MP, depois da cassação por ter colocado o mandato a serviço do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Uma sindicância foi aberta pela Corregedoria-Geral do MP em Goiás em 13 de julho, dois dias depois da cassação do ex-senador. Mas ele não é investigado pelo CNMP.

ex-senador vira argumento de defesa

O corregedor-geral, Aylton Flávio Vecchi, e dois dos três procuradores de Justiça designados para integrar a comissão responsável pela sindicância já declararam apoio a Demóstenes, em ata elaborada um mês depois da deflagração da Operação Monte Carlo.

Irmão de Demóstenes, Benedito Torres é o procurador-geral de Justiça em Goiás e está sendo investigado pelo CNMP em razão de citações em conversas telefônicas utilizadas na Operação Monte Carlo, deflagrada em fevereiro deste ano. Os autores da representação temem a sua influência no caso.

No documento, os promotores apontam a influência do episódio da cassação do ex-senador no andamento de ações civis públicas propostas pelo MP. É o caso de uma ação liderada por promotores de Goiânia, da área de defesa do patrimônio público. Os advogados de uma empresa que passou a ser ré no processo utilizaram como argumento de defesa as relações de proximidade entre Demóstenes e Cachoeira.

Os advogados argumentam que a ação teve motivação política, citam a Operação Monte Carlo e dizem que o objetivo do MP seria atender aos interesses de Cachoeira. Conversas telefônicas levantadas na Monte Carlo mostram ingerência do então senador no MP goiano em favor do bicheiro. O irmão Benedito Torres é citado em parte desses diálogos interceptados pela PF.

Os autores argumentam ainda que o processo no CNMP se justifica em razão do inquérito aberto pelo STF e remetido ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região; das investigações em curso na CPI do Cachoeira; e da cassação do mandato por falta de decoro.

Demóstenes Torres já proferiu despachos em processos que tramitam no Tribunal de Justiça do estado de Goiás. Opinou em ações cujos réus são um suposto batedor de carteira e um acusado de revender drogas para um morador de rua, entre outros.

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DIARIO DE PERNAMBUCO:Governo decide encerrar negociação

27.08.2012
Do DIARIO DE PERNAMBUCO
BRASIL

Servidores federais em greve têm até amanhã para assinar acordos

Secretário Sérgio Mendonça passou o domingo em reunião com grevistas (ANTONIO CRUZ/ABR)
Secretário Sérgio Mendonça passou o domingo em reunião com grevistas

Brasília - O governo encerrou ontem as rodadas de negociação com os servidores públicos federais em greve. O Ministério do Planejamento deu prazo até a próxima terça-feira (28) para que os representantes das categorias assinem os acordos concordando com o reajuste de 15,8%, dividido em três anos, proposto pelo governo.

As categorias que não concordarem ficarão sem aumento. Apesar de os trabalhadores saírem das negociações insatisfeitos com o percentual oferecido pelo governo, o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, disse estar confiante de que a maioria das categorias vai assinar. “Encerramos esse longo processo de negociação. Hoje e amanhã (terça, 28), vamos aguardar os retornos e estamos estruturando os projetos de lei daquelas categorias que estão aceitando fazer o acordo com o governo”, disse Mendonça.

Desde março, quando foi iniciado o processo de negociação salarial, foram mais de 200 reuniões para discutir o reajuste dos servidores com mais de 31 entidades sindicais. Apenas neste fim de semana foram realizadas 12 reuniões com representantes do Incra, dos controladores de voo, da Associação Nacional dos Analistas e Especialistas em Infraestrutura (Aneinfra), trabalhadores da área de ciência e tecnologia e do Itamaraty.

No próximo dia 31, termina o prazo para o envio do Orçamento ao Congresso Nacional, com a previsão de gastos com a folha de pagamento dos servidores para 2013. Até o momento, só as negociações na área da educação, segmento considerado estratégico e prioritário pelo governo, foram resolvidas. Apenas a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições de Ensino Superior (Proifes) e a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra), representante dos técnicos administrativos universitários, aceitaram a proposta.

Para os professores universitários, a proposta acordada foi reajustes que variam entre 25% e 40%, nos próximos três anos, e redução do número de níveis de carreira de 17 para 13. A oferta terá custo de R$ 4,2 bilhões para a folha de pagamento. No caso dos servidores administrativos das universidades, o impacto do reajuste será de R$ 2,9 bilhões.

Corte de ponto

Também ontem, o governo sinalizou que poderá rever a decisão de cortar o ponto dos servidores em greve. O secretário Sérgio Mendonça comunicou que, se for fechado acordo para reposição dos dias parados, não haverá corte do ponto e poderá haver a devolução do salário cortado.

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Tanya Harmer: No Chile, Médici fez o serviço sujo para Washington

27.08.2012
Do blog VI O MUNDO, 26.08.12


Don’t do what Allende did
Greg Grandin, em resenha do livro Allende’s Chile and the Inter-american Cold War [O Chile de Allende e a Guerra Fria Interamericana], de Tanya Harmer, no London Review of Books
[Trechos]

O programa doméstico de [Salvador, presidente do Chile] Allende em si era problema suficiente para Washington, mas foi sua política externa que mais alarmou [Henry] Kissinger, então assessor de segurança nacional de [Richard] Nixon. Pobre, remoto, esparsamente habitado e com um formato estranho, o Chile, Kissinger uma vez brincou, era um dardo apontado para o coração da Antártica. Com a eleição de Allende a tentativa de Kissinger de dividir o mundo entre esferas estáveis de influência ficou ameaçada. O Chile restabeleceu relações com Cuba e trabalhou para livrar a Organização dos Estados Americanos do domínio dos Estados Unidos. Allende logo se tornou líder do desafio econômico do Terceiro Mundo ao Primeiro, através de organizações como o G77, o Movimento Não-Alinhado e a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento.

Estes grupos fizeram propostas específicas — eles queriam preços fixos para as commodities do Terceiro Mundo, um banco mundial de energia capitalizado pelos países ricos –, mas foi um princípio moral que dirigiu suas demandas: o Ocidente tinha com eles uma dívida, a ser paga através da transferência direta de capital, tecnologia e propriedade intelectual, até que a economia global fosse reequilibrada.

O princípio seria testado por Allende na questão do pagamento por nacionalizações de interesses mineradores dos Estados Unidos. Desde que o México assumiu os bens da Standard Oil nos anos 30, Washington tinha aceitado o direito das nações de expropriar propriedade estrangeira, desde que restituição satisfatória fosse paga. Mas o governo de Allende insistiu que ‘lucros excessivos’ — qualquer coisa acima de 12% do valor da companhia — deveriam ser deduzidos da compensação. O Chile assumiu as operações das companhias mineradoras Anaconda e Kennecott e, quando os valores foram calculados, ainda apresentou [às empresas] faturas vencidas a pagar.

Os aplausos em pé que Allende recebeu, principalmente de delegados do Terceiro Mundo, na Assembleia Geral da ONU de 1972, quando ele justificou o conceito de excesso de lucro, foi um turning point na história dos direitos de propriedade internacionais. Washington decidiu que sua tolerância ao nacionalismo econômico do Terceiro Mundo tinha durado muito. As nacionalizações do Chile, o secretário do Tesouro de Nixon, John Connally, disse, ameaçavam provocar uma bola de neve de expropriações similares na região, com as quais Washington não poderia mais lidar caso a caso.

Havia a metafísica do ódio a Allende, que foi além das questões econômicas e de segurança nacional. “Nos anos seguintes”, Kissinger escreveu em 1968, “as mais profundas ameaças à política estadunidense não serão físicas, mas morais e psicológicas”. E então chegou Allende, com seus óculos de aro grosso e parecendo bem vivido para um revolucionário. Um dedicado marxista que também era um dedicado democrata, ele não se encaixava no mundo bipolar de Kissinger. Ele não era cru, nem cozido.

“Acho que ninguém do governo [Nixon] entendeu o quanto Kissinger era ideológico em relação ao Chile”, um assessor do Conselho de Segurança Nacional declarou certa feita. “Ninguém entendeu totalmente o quanto Henry [Kissinger] via Allende como uma ameaça muito mais séria que [Fidel] Castro. Se a América Latina se desvencilhasse, nunca aconteceria por causa de Castro. Allende era um exemplo vivo de reforma social democrática na América Latina. Todos os tipos de cataclismas aconteceram, mas Kissinger temia o Chile”.

[O repórter] Seymour Hersh, baseado numa conversa com outro integrante do Conselho de Segurança Nacional, escreveu que o que Kissinger mais temia sobre Allende não é que ele ganhasse a presidência, mas que no final do mandato o processo político funcionasse e ele, Allende, fosse derrotado. O socialismo, e menos ainda o marxismo, nunca poderia parecer compatível com democracia eleitoral.
[...]

Tanya Harmer, em O Chile de Allende e a Guerra Fria Interamericana deixa de lado argumentos sobre quem foi culpado por determinados episódios da Guerra Fria. Em vez disso, ela considera o contexto amplo. No caso do Chile, significa examinar as ações revolucionárias de Cuba e contrarrevolucionárias do Brasil, tanto quanto os chilenos, nos eventos que levaram à queda de Allende. Harmer visitou numerosos arquivos em vários países e conduziu entrevistas com vários jogadores-chave. No entanto, não importa quanto ela afaste as lentes as ações dos homens da Casa Branca continuam condenáveis.

O timing da queda de Allende foi determinado pelos eventos no Chile, mas a ‘pequena vantagem’ que Washington deu aos oponentes dele, como o chefe da diplomacia de Nixon na região colocou, foi crítica. De acordo com Harmer, um “amplo plano de desestabilização” foi colocado em andamento antes da posse de Allende e não terminou enquanto ele não morreu. Washington financiou jornais anti-Allende, deu dinheiro através de terceiros para sindicatos de oposição, aumentou a ajuda para os militares, sabotou a economia e promoveu ações clandestinas “para dividir e enfraquecer” a coalizão Unidade Popular [de Allende], além de financiar através do Partido Nacional, conservador, a criação do grupo paramilitar Patria y Libertad, um esquadrão da morte que rapidamente ‘escapou do controle’.

Kissinger não planejava os eventos no Chile. Não precisava: Harmer demonstra que o regime militar direitista do Brasil, em si um produto de um golpe apoiado pelos Estados Unidos, tomou a iniciativa. O presidente do Brasil, general Emílio Garrastazu Médici, foi pessoalmente convencido por Nixon em uma visita a Washington em dezembro de 1971. “Há muitas coisas”, Nixon disse ao general, “que o Brasil como um país sulamericano pode fazer que os Estados Unidos não podem”. A atual presidente do Brasil, Dilma Rousseff, passou parte dos três anos em que Allende estava no poder na cadeia, inclusive um período de 22 dias quando foi torturada com choques elétricos — uma das coisas que os militares brasileiros podiam fazer que, naqueles dias, os Estados Unidos não podiam.

Algumas pessoas argumentam, como [o historiador Mark] Falcoff, que a Casa Branca queria um governo interino liberal no Chile e não teria como prever a brutalidade do regime de Pinochet. Harmer enfatiza que Washington “queria um regime autoritário modelado na ditadura brasileira e uma guerra contra a esquerda como único remédio para o dano cometido pela presidência de Allende”. Washington estava preocupada com o fato de que “os líderes militares chilenos não são suficientemente brasileiros, nem em sua determinação para reprimir a esquerda nem em seu sentido de missão ideológica”. Não precisava ter se preocupado. O governo da Argentina caiu, derrubado pelos militares, três anos depois do golpe chileno e nas duas décadas seguintes a região se tornou sinônimo de terror político.

Leia também:

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BLOG DA CIDADANIA: Quanto mais rico, pior

27.08.2012
Do BLOG DA CIDADANIA, 26.08.12
Por Eduardo Guimarães

O título do texto não é só uma provocação e um exagero completo. Agora mesmo surgiu indício científico de que o dinheiro, ao invés de tornar a pessoa melhor, freqüentemente pode torná-la bem pior – ao menos do ponto de vista intelectual.
Muitos ficarão surpresos. Ora, como o dinheiro pode tornar alguém mais burro se permite ao endinheirado pagar por educação de melhor qualidade?
Burrice e inteligência são conceitos vagos. Quem já não julgou “burro” alguém com enorme bagagem de diplomas acadêmicos? Quem já não se espantou com a sagacidade e com a clarividência de alguém sem instrução formal e de origem pobre?
Em termos de inteligência política, ao menos, ter dinheiro parece danoso. É o que mostra pesquisa Datafolha recém divulgada pelo jornal Folha de São Paulo. A sondagem quis saber a opinião do eleitor sobre o horário eleitoral na TV e no rádio.
Apesar de o Datafolha mostrar que 64% dos paulistanos apóiam a propaganda eleitoral “gratuita” nos meios eletrônicos e que apenas 32% querem que seja extinta, entre os que têm renda acima de dez salários mínimos o percentual contrário à propaganda chega a 43%.
Ao ler sobre essa pesquisa me veio à mente um amigo que tem instrução formal e muita grana no banco, sem falar do vasto patrimônio. Para ele, política é uma brincadeira, um fla-flu. Discute o assunto seriíssimo sem qualquer compromisso com a seriedade.
Como quase todo paulistano de classe média alta, esse amigo é antipetista até a raiz dos cabelos – meu filho é mesário há várias eleições em um bairro desse estrato social e relata que, ali, a direita costuma ganhar com até 90% dos votos. Serra, em 2010, teve 93%.
Até aí, tudo bem. Por óbvio, não se sugere, aqui, que só quem tem inteligência política são os simpatizantes do PT. O problema do sujeito é outro, é o seu descompromisso com fatos e com a seriedade que o assunto requer.
Anda sempre com um jornal da direita midiática a tiracolo (Estadão ou Jornal da Tarde ou Folha de São Paulo), quando não carrega a Veja. Sai por aí vomitando acusações contra o PT e, quando perguntado se não vê corrupção nos partidos que apóia, muda de assunto.
Liguei para o amigo após ler a tal pesquisa Datafolha. Perguntei, sem falar da pesquisa, sua opinião sobre o horário eleitoral. A resposta era previsível: quer acabar com ele, pois decide seu voto pela orientação que recebe da “imprensa”.
Perguntei se não era melhor, então, acabar com as eleições e delegar à imprensa a prerrogativa de escolher parlamentares e chefes do poder Executivo (prefeitos, governadores e presidentes). A resposta foi a de que “Até que não seria má idéia”.
Poucos dias antes, o amigo foi me visitar em meu escritório. Já entrou cantarolando o jingle de José Serra. Fitei-o demoradamente enquanto refletia sobre sua postura. Decidi ir mais fundo em seu ideário político.
Quis saber se estava satisfeito com São Paulo. Respondeu que adora a cidade. Expliquei que não me referia a isso, que o que perguntara fora se estava satisfeito com a administração da cidade. Resposta: “No meu bairro, sim”.
Então lhe perguntei se achava que os outros bairros estão bons. Respondeu-me que os da periferia continuam uma porcaria, mas que, para ele, o que interessa é onde vive.
Decidi, então, aferir seus conhecimentos sobre seu próprio bairro – de fato, um bairro dito nobre.
Quis saber sobre a limpeza. Começou dizendo que era boa. Como meu escritório fica no bairro em que mora, pedi que viesse à janela e lhe mostrei a rua emporcalhada. A resposta foi a esperada: a sujeira em seu bairro “maravilhoso” é culpa da “baianada”.
Então perguntei sobre a educação pública. Respondeu que nunca precisou da educação pública para os seus filhos, apesar de ter estudado em escola pública. Mas como tem mais de sessenta anos, cursou-a à época em que servia a poucos, mas tinha qualidade.
Agora, pergunto sobre a saúde pública. A resposta é a de que nunca precisou de saúde pública e que seu plano de saúde familiar é “top de linha” – paga inacreditáveis 3,7 mil reais por um plano de saúde para si, a mulher e duas filhas.
E a segurança pública em São Paulo, é boa? Claro que sim. Só não é melhor por culpa de quem mesmo? Adivinhe, leitor, se puder…
Pergunto como a segurança pode ser boa se a sua casa parece um campo de concentração – fica em uma vila particular em que um portão enorme fecha o espaço público, além de grades, fios elétricos e câmeras por toda parte. Mais uma vez, a “baianada” levou a culpa.
Burrice, preconceito, irresponsabilidade… Tudo isso na boca de um ex-juiz do Trabalho, contador formado e que tem conta bancária com quase sete dígitos. Que desculpa tem esse homem para suas opiniões cretinas?
É tudo bem simples: vivemos em um país que está entre os 12 mais socialmente desiguais em um planeta que tem cerca de duas centenas de países. Essa minúscula elite que concentra renda, como ficou demonstrado acima, não precisa do Estado.
Criou-se, entre esse segmento microscópico – e influente – da sociedade, uma fé fervorosa no mais legítimo fascismo. Quer, no mínimo, deportar os nordestinos excedentes aos que necessita como empregados domésticos, garçons, manobristas, porteiros etc.
Alguns devem ter visto, aliás, entrevista que uma socialite chamada Anna Maria Corsi deu à mesma Folha de São Paulo, entre outras congêneres que também se manifestaram. A mulher disse, com todas as letras, o que afirmo no parágrafo anterior.
A mesma coisa é o meu amigo supracitado – que é infinitamente menos rico, mas igualmente preconceituoso. Aliás, mais radical, pois prega que coloquem todos os nordestinos “no paredão” e “passem fogo”.
“Horário eleitoral pra quê?”, diz o amigo reacionário. Segundo ele, os jornais já dizem quem é o candidato que “vai defender a gente dos comunistas que querem dar aos baianos indolentes o que conseguimos com nosso suor”.
Quis perguntar como ele pode ter “suado” para conseguir seu patrimônio se herdou tudo do pai, mas desisti. Vivo em um bairro de classe média alta – apesar de não ser dessa classe – e não posso brigar com a vizinhança toda.

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OAB critica posturas de Joaquim Barbosa

27.08.2012
Do blog ESQUERDOPATA

Atitudes de Barbosa no caso mensalão preocupam OAB 

As atitudes do ministro Joaquim Barbosa durante o julgamento da Ação Penal 470, o processo do mensalão, tornaram-se motivo de preocupação para o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. O Plenário da entidade decidiu, por unanimidade, divulgar uma nota se solidarizando com os advogados que atuam no processo.

O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, afirma que a nota se faz necessária porque o ministro Joaquim Barbosa “tem adotado posturas que em nada engrandecem a Justiça”. Entre os problemas apontados por ele, está o pedido do ministro, já no primeiro dia de votação, para enviar uma representação contra os advogados que pediram sua suspeição no caso, questionando sua imparcialidade para julgar o processo. O pedido foi rejeitado pelos outros ministros.

O presidente da OAB também critica a atitude do ministro ao chamar de “abobrinhas” questões preliminares levantadas por advogados do processo. “Quero eliminar as abobrinhas”, disse Barbosa em referência às questões preliminares, ao que até mesmo o ministro Marco Aurélio o advertiu de que os advogados podiam sentir-se ofendidos.

Pelo visto ofendeu mesmo, pois na visão de Ophir Cavalcante, Joaquim Barbosa “tentou diminuir as vozes da defesa”. E mais: tentou “emparedar os advogados de defesa ao pedir o envio de representação contra eles”.

A nota aprovada pelo Conselho Federal da OAB diz que “manifestações diminuindo a relevância do papel da defesa não se coadunam com o que se espera — e se exige — de uma autoridade do Judiciário”.

A OAB diz também que os advogados que estão atuando na AP 470 têm-se portado com dignidade, respeito, e em estreita observância aos postulados ético-profissionais, não se observando conduta ofensiva ou merecedora de reparos.

Leia a nota:

O plenário do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu, por unanimidade, divulgar nota se solidarizando com os advogados que atuam na Ação Penal 470, conhecido como mensalão, em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Com o seguinte teor:

1. O advogado é indispensável à administração da Justiça. No exercício de sua missão, deve atuar com independência e autonomia, de modo a assegurar a efetivação de um julgamento justo.

2. Toda e qualquer atitude em desrespeito à liberdade profissional do advogado ofende a Constituição, o devido processo legal e atenta contra as garantias fundamentais dos cidadãos.

3. Os advogados devidamente constituídos na referida Ação Penal têm-se portado com dignidade, respeito, e em estreita observância aos postulados ético-profissionais, não se observando conduta ofensiva ou merecedora de reparos.

4. Manifestações diminuindo a relevância do papel da defesa não se coadunam com o que se espera — e se exige — de uma autoridade do Judiciário.

Marcos de Vasconcellos é repórter da revista Consultor Jurídico.

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Regina Duarte tem medo de índio


27.08.2012
Do BLOG DO MIRO, 26.08.12
Por Altamiro Borges

A atriz global Regina Duarte ficou famosa, no mundo da política, ao participar do programa de tevê do candidato tucano José Serra nas eleições de 2002. No vídeo, em tom terrorista, ela afirmou que “estou com medo” da vitória de Lula. A apelativa peça publicitária não convenceu os brasileiros, que elegeram o líder operário. Desgastada, ela reduziu a sua participação nas campanhas do PSDB, mas não abandonou suas ideias reacionárias. Hoje ela é a garota propaganda dos latifundiários na luta contra os direitos dos povos indígenas.

"Garota propaganda" dos fazendeiros

Segundo o Centro de Estudos Ambientais, Regina Duarte é proprietária de terras em áreas pertencentes a comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul, na faixa de fronteira entre Brasil e Paraguai. A região tem se destacado pelo aumento dos conflitos entre ricos pecuaristas e os índios Guarani Kaiowá e Guarani Ñhandeva, que vivem em barracos de lona nas estradas e lutam para reconquistar as suas terras. Nos últimos anos, 245 índios foram mortos em confrontos com fazendeiros, ou vítimas da polícia e do tráfico.

“Regina Duarte lidera o setor pecuarista contra os povos indígenas e participa de comícios contra as demarcações em todo Brasil. No Mato Grosso do Sul, ela é a ‘garota propaganda’ em campanhas contra os indígenas”, relata o blog União Campo, Cidade e Floresta. O jornalista Leonardo Sakamoto já havia feito a mesma denúncia em seu blog no UOL em maio de 2009. Reproduzo o título e alguns trechos:

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A atriz global e pecuarista Regina Duarte, em discurso na abertura da 45ª Expoagro, em Dourados (MS), disse que está solidária com os produtores e lideranças rurais quanto à questão de demarcação de terras indígenas e quilombolas no estado.

“Confesso que em Dourados voltei a sentir medo”, afirmou a atriz, neste domingo (18), com referência à previsão de criação de novas reservas na região de Dourados. “O direito à propriedade é inalienável”, explicou ela, de forma curta, grossa e maravilhosamente elucidativa o que faz do BRASIL um brasil. Em verdade, ela deve estar sentindo medo desde a campanha presidencial de 2002…

(O deputado Ronaldo Caiado, principal defensor desses princípios, deveria cobrar royalties de Regina Duarte… Inalienáveis deveriam ser o direito à vida e à dignidade, mas terra vale mais que isso por aqui.)

“Podem contar comigo, da mesma forma que estive presentes nos momentos mais importantes da política brasileira.” Ela e o marido são criadores da raça Brahman em Barretos (SP).

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A postura da atriz da Rede Globo talvez ajude a explicar o aumento da violência na região, conforme aponta o vídeo abaixo:

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