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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Lugo abandona discurso pacifista e incita escrachos contra "golpistas"

21.08.2012
Do portal OPERA MUNDI, 15.08.12
Por  Luciana Taddeo | Enviada especial a Assunção

Entre as críticas feitas ao atual governo, Lugo disse que seu país "não está à venda, nem se aluga às transnacionais"

O ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, derrubado após um julgamento político em junho, subiu o tom de seus discursos, até então caracterizados pela orientação pacifista. Mencionando um incidente registrado nesta quarta-feira (15/08) quando o atual presidente Federico Franco foi ‘escrachado’ por manifestantes durante um ato pelo aniversário da cidade de Assunção, Lugo afirmou que “os golpistas merecem isso e muito mais”.
Luciana Taddeo/Opera Mundi
O ex-presidente Fernando Lugo classificou seu impeachment como “um marco negro” da história política paraguaia

A frase foi dita em um discurso realizado pelo ex-presidente em um festival de encerramento do Fórum Social realizado pelo movimento “Paraguai Resiste”. Após a apresentação de músicos paraguaios, onde se cantou inclusive a versão em espanhol da canção “Ideologia”, de Cazuza, os organizadores do evento entregaram a lugo uma ata com as conclusões e objetivos de luta definidos nas mesas de discussão do fórum.

Após repetir uma frase cantada em uníssono pelo público presente, “Unidade para Triunfar”, Lugo afirmou que quem chegará ao poder, em abril de 2003, “não serão os golpistas, que não têm tranquilidade para viver nem para transitar tranquilamente por nossas ruas. A consciência cidadã paraguaia está os ‘escrachando’ por que eles merecem isso e muito mais”, disse.

Algumas horas antes, o atual presidente, Federico Franco foi abordado por pelo menos 40 manifestantes durante um ato pela comemoração do aniversário de 475 anos da capital paraguaia. Após ser vaiado e chamado de “golpista”, o presidente teve que se esconder no interior do o Lido Bar, um tradicional restaurante próximo ao monumento, para fugir dos manifestantes, que continuaram reunidos para protestar contra o vice-presidente que acabou assumindo o gabinete executivo do Palácio de los López após a destituição parlamentar do antigo governo.

Lugo classificou seu impeachment como “um marco negro” da história política paraguaia, quando “a oligarquia truncou o processo democrático”. Citando que nesta quarta, quando seu mandato cumpriria quatro anos, disse “renovar” seu “compromisso de trabalhar com a pátria de todos e de todas, com a mesma ilusão, com a mesma esperança, com a mesma força e a mesma intensidade”. Quando o ex-presidente subiu no palco, os presentes cantaram a frase “Lugo, amigo, o povo está contigo”.

Entre as críticas feitas ao atual governo, Lugo disse que seu país “não está à venda, nem se aluga às transnacionais e à oligarquia paraguaia que se associa contra o povo, que levanta a cabeça e começa a pensar por si mesma e a expressar seu pensamento claro, nítido, limpo, de querer um futuro muito melhor do que o que nos foi negado no passado”. “Não vamos renunciar a continuar construindo juntos o país que merecemos”, afirmou.

Entre as metas estabelecidas pelas organizações participantes do Fórum Social realizado deste a última terça-feira (15/08), está a mobilização e resistência popular “contra o golpe”, denúncia de injustiças, trabalho conjunto, reivindicação dos direitos dos povos originários e da reforma agrária integral, extensão das discussões do fórum a todas as cidades do país, “vigilância e controle da política do governo golpista” e recuperar o poder popular com “autoridades legítimas”

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Caso Assange: como o fundador do Wikileaks poderia sair de Londres?

21.08.2012
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 17.08.12
Por Filipe Mauro, Opera Mundi

Especialistas explicam como Julian Assange, criador do Wikileaks, poderia deixar a embaixada do Equador em Londres. O Reino Unido já anunciou que prenderá o ativista caso ele tente sair da embaixada

assange equador
Governo do Equador concedeu asilo político para Julian Assange. Grã-Bretanha diz que prenderá fundador do Wikileaks para deportá-lo à Suécia.
Após quase dois meses aguardando refugiado na Embaixada do Equador em Londres, o fundador do Wikileaks Julian Assange finalmente conseguiu obter nesta quinta-feira (16/08) a concessão de um asilo político pelo governo de Rafael Correa. Contudo, sua tentativa de contornar o que classifica como uma perseguição política do governo britânico ainda não foi concluída e ele agora precisa encontrar meios de se deslocar definitivamente para fora do território do Reino Unido.
Diante desse cenário, a hipótese mais natural era de que a defesa de Assange, encabeçada pelo magistrado espanhol Baltasar Garzón, buscaria a emissão de um salvo-conduto que o permitisse se deslocar livremente até um aeroporto e, então, partir rumo ao Equador.
Uma das possibilidades levantadas é a de que o Equador concederá a Assange tanto a cidadania quanto o estatuto de diplomata do país. Dessa forma, o jornalista conseguiria supostamente se proteger com os princípios de imunidade e se deslocar até o território equatoriano.

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Mas, “no direito internacional de hoje, a imunidade diplomática não é baseada simplesmente na extraterritorialidade”, ressalta Celso Lafer, professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e ex-chanceler brasileiro. Seu argumento é de que a inviolabilidade reside atualmente em um caráter “funcional”, o que significa que um diplomata só está imune às leis locais quando comprova que cometeu um delito durante o exercício de suas atribuições oficiais. Como, a seu ver, os britânicos alegam que Assange supostamente cometeu um crime comum, essa tática não prosperaria.
Marcelo Brito Queiroz, coordenador-geral de Direito Internacional do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, não difere dessa interpretação e acrescenta que “reconhecer em Assange uma prerrogativa diplomática é um problema”. Em seu entender, há pelo menos dois elementos básicos que o Equador deve levar em consideração para a retirada de Assange do Reino Unido. Em um primeiro momento é necessário averiguar “se esse é um caso de estado de necessidade, isto é, se há uma ameaça iminente e atual [contra o réu]”. Depois, diplomatas devem verificar “se a natureza do delito é política, isto é, se o crime cometido não é um crime comum” e se, por extensão, gera um caso de “perseguição”.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 estabelece em seu artigo 14 que “toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países”. A exceção a essa norma, contudo, se dá nos casos em que estão em análise violações aos princípios das Nações Unidas ou um “crime de direito comum”. É nessa ressalva que, de acordo com Lafer, o Reino Unido encontra subsídios para alegar, por exemplo, “que Assange não é um perseguido político”.
Para o embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Arvelaiz, a concessão de um estatuto diplomático seria algo pouco eficiente para Assange. Caso isso ocorra, “as coisas se complicam para o Reino Unido, que terá de diferenciar o tratamento entre um cidadão australiano com asilo político do Equador e um diplomata propriamente dito”.

Comportamento latino-americano

A concessão de asilos políticos “é um costume tipicamente latino-americano e não europeu”, afirma Queiroz, mencionando casos como o do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, que se refugiou por semanas na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Daí é que surge, a seu ver, as razões pelas quais a questão tornou-se “muito mais política do que jurídica”.
Confirmando este ponto, Lafer recorda o sintomático caso do fundador do partido peruano APRA (Aliança Popular Revolucionaria Americana, na sigla em espanhol). Em 1948, devido ao fracasso de seus correligionários durante uma tentativa de golpe de estado, Víctor Raúl Haya de la Torre consegue a concessão de um asilo político da Colômbia, mas não consegue deixar seu país porque o governo peruano passa a argumentar que ele não é um perseguido político, mas sim um infrator comum.
O caso foi obrigado a seguir para o arbítrio da CIJ (Corte Internacional de Justiça), que deu ganho de causa à Colômbia e a Haya de la Torre ao notar que o Peru (bem como Brasil e Estados Unidos) não era signatário da Convenção de Montevidéu sobre os direitos e deveres de um estado.
A Convenção de Caracas de 1954 são outro elemento que revela o caráter essencialmente latino-americano da concessão de asilos políticos. Assinada apenas por governos de estados-membros da OEA (Organização dos Estados Americanos), ela normatiza logo em seu segundo artigo que “todo Estado tem o direito de conceder asilo, mas não se acha obrigado a concedê-lo, nem a declarar por que o nega”.
Ao mesmo tempo, em concordância com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, também ressalva que “não é lícito conceder asilo a pessoas que tenham sido acusadas de delitos comuns, processadas ou condenadas por esse motivo por tribunais ordinários competentes, sem terem cumprido penas respectivas”. É desse raciocínio que surge o novo ponto nodal do caso Julian Assange e as razões pelas quais é tão relevante aos britânicos acusarem-no de não ser um perseguido político.

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Suprema humilhação

21.08.2012
Do blog ESQUERDOPATA, 20.08.12



O destempero de Joaquim Barbosa, o histórico de Gilmar Mendes, a pressa para Cézar Peluso poder votar, a omissão de todos os demais – tudo isso contribui para que o Brasil assista, atônito, o festival de vaidade e loucura que se instalou no STF a partir do julgamento do “mensalão”.

A decisão de “fatiar” o julgamento, tomada sem base legal alguma, a partir do voluntarismo do ministro relator e também para se adequar à sanha da mídia, levou os advogados a apresentar, agora de manhã, uma petição ao tribunal para que, enfim, se esclareça em que tipo de Estado de Direito estamos vivendo, afinal.

Já passou da hora de se rever os métodos de indicação e permanência dos ministros do STF, muitos dos quais indicados apenas por questões políticas, boa parte sem o conhecimento jurídico e a capacidade formal para atuar como juiz.

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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com.br/2012/08/suprema-humilhacao.html

MÍDIA GOLPISTA ESCONDE: Arruda é condenado. Cadê as manchetes?

21.08.2012
Do BLOG DO MIRO, 20.08.12
Por Altamiro Borges

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, de Brasília, decidiu suspender por cinco anos os direitos políticos de José Roberto Arruda. Na sua primeira derrota na Justiça, ele foi condenado por violar o painel eletrônico do Senado, em fevereiro de 2001. Na época, ele era líder do PSDB e, junto com o falecido Antonio Carlos Magalhães, autorizou a adulteração do painel na votação da cassação do ex-demo Luiz Estevão. Para evitar a cassação, ele renunciou ao seu mandato no Senado, após uma patética sessão em que chorou no plenário.

Protegido pela mídia demotucana, que sempre blindou o ex-líder de FHC, Arruda deixou o PSDB, filiou-se ao PFL - atual DEM - e, em 2006, foi eleito governador do Distrito Federal. A revista Veja até chegou a produzir "reporcagens" sobre o "exemplo de administrador". O tucano José Serra anunciou que ele poderia ser o seu vice nas eleições presidenciáveis de 2010. "Vote num careca e leve dois", afirmou. Mas o projeto não vingou. Vídeos comprovaram o milionário esquema de corrupção no Distrito Federal, apelidado de "mensalão do DEM". Arruda foi preso em fevereiro de 2010 e teve o seu mandato cassado, em março.

O "vice careca" e o "mensalão do DEM" 

As investigações da Polícia Federal, na operação Caixa de Pandora, confirmaram que Arruda comandava uma rede de pagamento a parlamentares do Distrito Federal, com dinheiro oriundo de empresas que faziam negócios com o governo. O "vice careca" de Serra também se lambuzou no "mensalão", com pagamentos quinzenais de R$ 50 mil, além de conseguir empregos para parentes e amigos nas empresas que integravam o esquema. Num vídeo, Arruda aparece recebendo maços de dinheiro. Já as investigações da Operação Castelo de Areia revelaram que o protegido da mídia recebeu 637,6 mil dólares na sua campanha de 1998.

A condenação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região diz respeito apenas à primeira maracutaia do ex-tucano e ex-demo. Por violar o painel eletrônico do Senado, ele perde os direitos políticos por cinco anos, terá que pagar uma multa de cem vezes o salário de senador na época do escândalo e não poderá receber benefícios fiscais do poder público nem participar de contratos. Até o pagamento da dívida, todos os seus bens estão indisponíveis. Quanto ao "mensalão do DEM", o caso tramita lentamente no Supremo Tribunal Federal (STF), o mesmo que está com tanta pressa para julgar o chamado "mensalão do PT".

A seletividade da mídia demotucana

Será que a mídia demotucana vai dar manchete para a condenação de José Roberto Arruda? Ou, de forma seletiva, ela só está interessada no "mensalão petista" ? A Folha, que fabricou uma pesquisa para pressionar o STF e exigir a condenação sumária dos 38 réus, fará outra sondagem para defender a "prisão" do ex-demo e ex-tucano? O cartunista Angeli também será pago para fazer um gibi sobre o "mensalão do DEM"?

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As razões que derrubam José Serra

21.08.2012
Do BLOG DO MIRO, 20.08.12
Por José Dirceu, em seu blog:

http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/

São poucas, ainda, mas aqui e ali se vêem na mídia as análises e conclusões sobre as razões que provocaram a debacle da candidatura tucana de José Serra a prefeitura, sua queda contínua nas pesquisas e a rejeição crescente. A candidatura de José saiu de 35% nas primeiras para 26% agora e a sua rejeição atingiu 37%.

Alguns analistas recorrem a pesquisas reservadas, feitas para balizamento dos partidos e candidatos e publicam as razões que levam José Serra a cair, a aumentar sua rejeição e a estar empatado na corrida com o candidato Celso Russomano (PRB).

Segundo estas pesquisas, a 1ª razão é o peso da rejeição à administração do prefeito Gilberto Kassab (ex-DEM-PSDB, agora PSD), desaprovada por 80% da população. E a 2ª é a desconfiança do eleitorado de que José Serra não cumpre mandato até o fim e, caso se eleja prefeito agora, mais uma vez não cumprirá integralmente o mandato.

Só metade do partido o queria como candidato

De acordo com estes levantamentos, também contribuem para esta situação ruim de José os rachas do PSDB nacional e regional. Ele saiu candidato por um partido cindido ao meio já em torno da candidatura presidencial de 2014 e na prévia que o escolheu candidato dia 25 de março pp. teve apenas 52% dos votos dos convencionais.

Além disso, resmungam os tucanos, foi um erro estratégico adotar a tática de vitaminar a candidatura Russomano para que este e não o candidato do PT e partidos aliados, Fernando Haddad, passe ao 2º turno. Esta estratégia foi acertada por Kassab e José em encontro com Marcos Pereira, presidente nacional do PRB.

Ironia do destino: José não morria de amores pela coligação com Kassab, paralisou os dois partidos (PSD-PSDB) e só fechou a aliança depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu tempo de propaganda de rádio e TV já este ano à legenda refundada pelo prefeito paulistano. Fechou justamente com a legenda e o apoio que agora puxam sua candidatura para baixo.

No caminho, um erro na estratégia tucana

Mas os analistas e a mídia em geral não precisavam fazer nem recorrer a estas pesquisas reservadas para chegar a estas conclusões e razões que derrubam a candidatura José Serra - as principais, a rejeição a administração Kassab e a desconfiança (na verdade, certeza) de mais de 2/3 do eleitorado de que José, caso se eleja, abandonará de novo a cidade.

Recorrem às pesquisas, mas por razões próprias - ficar bem com o governo tucano do Estado - não apontam outra razão que também contribuirá para a derrota do serrismo: o risco de o governador Geraldo Alckmin (PSDB) devolver com a mesma moeda a traição de José em 2008, ano em que o atual governador foi candidato a prefeito de São Paulo e José o abandonou, apoiou a reeleição de Kassab.

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Mídia desqualifica o debate: A criminalização da política

21.08.2012
Do blog de Rodrigo Vianna, 20.08.12
Por Lalo Leal, na Revista do Brasil


Política para a mídia brasileira em geral é sinônimo de escândalo. Para grande parte da população, resume-se a eleições. Pessoas 
menos informadas cos­tumam referir-se ao ano eleitoral como o “ano da política”, fechando dessa forma o círculo da incultura cívica do país. O ensino é alheio ao tema. Nação de base escravocrata, às camadas subalternas sempre foi negado o direito de efetiva participação no jogo político. Como concessão permite-se o voto, dentro de regras restritivas, feitas sob modelo para a perpetuação das elites no poder.

O descompasso entre presidentes eleitos a partir de programas de governo reformistas, com apelo popular, e composições parlamentares no Congresso conservadoras e patrimonialistas tem sido constante da política brasileira desde a metade do século passado. O suicídio de Vargas em 1954 e o golpe de Estado sacramentado pelo senador Auro de Moura Andrade em 1964 ao declarar vaga a Presidência da República legalmente ocupada por João Goulart são símbolos da ambiguidade política brasileira, na qual se enquadra até a renúncia tresloucada de Jânio Quadros, em 1961.

Cabem aí também as chantagens dos grupos parlamentares contra Lula e Dilma, obrigando-os a dolorosas composições partidárias.

Diferentemente da eleição majoritária, na qual os candidatos a chefe do Executivo falam às massas e são obrigados a mostrar seus projetos nacionais, deputados e senadores apoiam-se no voto paroquial, no compadrio, no tráfico de influência, herdeiros do velho coronelismo eleitoral.

E no Congresso, sem compromisso com o eleitor, defendem os interesses dos financiadores de suas campanhas, quase sempre poderosos grupos econômicos, ao lado das igrejas e até de entidades esportivas. São candidaturas cujo sucesso só ocorre pela falta de um crivo crítico, proporcionado por debates constantes que apenas a mídia tem condições de oferecer em larga escala.

No entanto, jornais, revistas, o rádio e a televisão não estão interessados em mudanças. Pertencem, no geral, aos herdeiros dos escravocratas (reais ou ideológicos). A existência de um eleitorado esclarecido e consciente apresenta-se como um perigo para os seus interesses. 

Por isso, usam de todos os meios para manter a maioria da população distante da política, criminalizando-a sempre que possível.

As raízes da tensão histórica existentes entre Executivo e Legislativo não fazem parte da pauta da mídia nacional. 
Como também não fazem parte as várias propostas existentes no Congresso voltadas para uma necessária e urgente reforma política. Entre elas, a que acaba com o peso desigual dos votos de cidadãos de diferentes estados, as que propõem a adoção do voto distrital misto, o financiamento público de campanha ou até o fim do Senado, cujo debate e votação são sempre bloqueados pelos grupos conservadores dominantes.

O dever social da mídia seria ampliar esse debate, levando-o a toda sociedade e tornando seus membros participantes regulares da vida política. Mas ela não presta esse serviço. 

Prefere destacar apenas os desvios éticos de parlamentares e os “bate-bocas” nas CPIs. O resultado é a criação de um imaginário popular que nivela por baixo toda a atuação política institucionalizada. Seus atores são desacreditados, mesmo aqueles com compromissos sérios, voltados para interesses sociais efetivos. A definição de uso corrente de que “são todos iguais” reflete essa imagem parcial e deformada da política, criada pela mídia.

No caso específico da televisão, por onde se informa a maioria absoluta da população, a situação é ainda mais grave. O Brasil é a única grande democracia do mundo sem debates políticos regulares nas redes nacionais abertas. Só aparecem, por força de lei, às vésperas dos pleitos, reforçando ainda mais a ideia popular de que política resume-se a eleições.

Ao exercer no cotidiano a criminalização da política, os meios de comunicação, em sua maioria, brincam com fogo, traçando o caminho mais curto em direção ao golpismo.

Leia outros textos de Outras Palavras

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GILMAR ESTRELA DA TV ? OU É O HUCK DO JUDICIÁRIO ?

21.08.2012
Do blog CONVERSA AFIADA, 20.08.12
Por Paulo Henrique Amorim

O merchandising é o que interessa: chamar alunos para o Instituto


Saiu no Globo:

GILMAR MENDES DEVE ESTRELAR PROGRAMA NA TV

Ministro do STF pode apresentar atração sobre Constituinte na TV Senado

BRASÍLIA – Depois da popularidade do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes deve estrelar um programa na TV Senado. O Instituto Brasiliense de Direito, faculdade da qual ele é sócio, propôs a realização de um programa sobre a história da Constituinte de 1988. O convênio ainda está sendo estudado pelo Senado.

O Senado está estudando a proposta. A ideia é reunir o material existente sobre a Constituinte, os documentos, e fazer um programa — afirmou o diretor da Secretaria de Comunicação Social do Senado, Fernando César Mesquita.

Navalha
Começa que um ministro do Supremo acumula a aplicação da Lei com negócios comerciais no ramo da Educação.
Póóóóde, amigo navegante ?
Viva o Brasil !
O amigo navegante há de se lembrar de reportagem do Leandro Fortes, na Carta Capital.
Leandro revela que, para abafar na Justiça um litígio com Inocêncio Mártires Coelho, sócio no Instituto, Gilmar Dantas (*) levantou rapidinho, rapidinho, oito milhões de reais.
Indenizou o sócio e abafou o caso.
Mas, ali se soube que ele “avançava” sobre o caixa.
E exigia uma remuneração adicional pelo fato de ser a “estrela” do Instituto e, portanto, o chamariz do negócio.
O que talvez explique a febril necessidade de aparecer no jornal nacional e no Estadão.
Era para vender o peixe.
Agora, ele aceitaria ser o William Bonner da TV Senado para apresentar um programa sobre a História da Constituinte de 1988.
Ou melhor: seria um merchandising do Instituto ?
Se for, ele está mais para Luciano Huck.
Mesmo que o ex-Supremo não receba cachê do senador Sarney.
O merchandising é o que interessa: chamar alunos para o Instituto.
O Presidente Ayres Britto não entrará na História do Supremo com o julgamento do mensalão.
Mas, com o Gilmar.
Viva o Brasil !
Viva o Supremo do Brasil !
Clique aqui para ler sobre a botija em que o Leandro Fortes o localizou, nas contas ex-secretas do Eduardo Azeredo.
Paulo Henrique Amorim
(*) Clique aqui para ver como eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. E não é que o Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas ? Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Isso dá processo…

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EMIR SADER: O campo político latinoamericano

21.08.2012
Do BLOG DO EMIR, 13.08.12
Por Emir Sader


No período histórico atual, o capitalismo assume o modelo neoliberal como sua forma predominante. Passou da hegemonia de um modelo regulador, keynesiano, a um modelo liberal de mercado. Concomitantemente à passagem de um mundo bipolar a um mundo unipolar e de um ciclo longo expansivo do capitalismo a um ciclo longo recessivo.

A linha divisória que organiza os campos políticos de enfrentamento se dá em torno dessa definição, entre o campo neoliberal e o campo posneoliberal. A luta anticapitalista assume a forma da luta antineoliberal, o neoliberalismo sendo a forma extremada de mercantilização que busca o capitalismo.

A América Latina, que foi a região do mundo com mais e mais radicais governos neoliberais, como reação a essa situação tornou-se o único continente com governos posneoliberais. Estes foram se estendendo na América do Sul, com modalidades mais radicais – como as da Venezuela, da Bolivia, do Equador – ou mais moderadas, como as do Brasil, da Argentina, do Uruguai.

Mas fazem parte do mesmo campo posneoliberal, fazem parte da construção de alternativas ao neoliberalismo. Tanto é assim, que participam juntos do Banco do Sul, do Mercosul, do Conselho Sulamericano de Defesa, entre outras instâncias.

Há dois pólos que articulam o campo político de enfrentamento: o pólo neoliberalismo e o pólo posneoliberal. Os seis governos mencionados – Venezuela, Brasil Argentina, Uruguai, Bolívia, Equador – constituem o pólo pósneoliberal. Os do México, do Chile, da Costa Rica, do Panamá, entre outros, são os eixos do pólo neoliberal. Governos como os do Peru, da Colômbia, tentam se situar no meio do caminho entre os dois.

Os governos que constituem a ALBA não são um terceiro eixo, mas fazem parte do polo posneoliberal, como sua vertente mais radical. A unidade de todos esses governos, no marco das suas diferenças, que são menores em relação às diferenças contra o pólo neoliberal, é fundamental na luta pela superação do neoliberalismo. 


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MÍDIA & MENSALÃO: Jornalistas ou carniceiros?

21.08.2012
Do OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 14.08.12
Por Marcos Antonio Improta Sampaio*, na edição 707


Mensalão já virou show há muito tempo. Já tem gente cobrando ingresso para assistir ao maior clássico da política nacional: governo (PT) x oposição (todos os outros partidos políticos que não fazem coligação com o PT). Digo clássico porque é jogo de futebol. Tem juiz, jogadores, e torcida! O Supremo Tribunal é o Maracanã. A única coisa que falta, como no esporte, é craque. E as coincidências não param por aí.
Lendo a edição de terça-feira (7/8) do jornal Folha de S.Paulo, percebi um fato inusitado: todos os colunistas da página 2, seção Opinião, dedicaram suas colunas ao mensalão: Hélio Schwartsman, Eliane Cantanhêde, Carlos Heitor Cony e Vladimir Safatle. Até aí, tudo bem. O que me chamou atenção foi a repetição das opiniões dos colunistas. Todos dividiam as mesmas perspectivas; ninguém ousou abordar o mensalão de uma forma diferente. Sequer trouxeram algum fato novo. Ou, pelo menos, um detalhe que nós, leitores, não tenhamos visto, uma fala, um furo na roupa, uma metáfora bem elaborada, qualquer coisa que tirasse as colunas da sua imobilidade diante dos fatos, e justificasse ter comprado esse jornal, e não outro, mais barato, escrito por estagiários inexperientes, que custam quatro vezes menos. É opinião, perspectiva subjetiva, necessita de uma dose de criatividade. Um dos colunistas é escritor renomado. Mas, não. Eles preferiram mais do mesmo.
A página 2 da Folha de S.Paulo, hoje, bem poderia se chamar “Pleonasmos de uma elite preguiçosa”. Ou, mais poético: “Ecos do vazio”. Deu na televisão, ele abusam dos eufemismos e publicam, ou são publicados (tanto faz).
Outros casos
Mais ridículo ainda é ver jornalistas experientes caírem em armadilhas tão óbvias, que a força da experiência na profissão já deveria tê-los ensinado a fugir. A opinião pública (se é que ela existe, pois acho que é outra paranoia dos meios de comunicação – aqui – para justificarem outra paranoia: a sua) e a mídia oficial julgam o “mensalão” como o maior caso de corrupção da história do Brasil. Vladimir Safatle afirmou isso hoje em sua coluna no Folha.
Após sete anos de investigação e mais de 50 mil páginas de processo com inquirição de cerca de 600 testemunhas, peritos oficiais conseguiram mapear o tamanho do mensalão, esquema político de pagamento de propina a parlamentares da base do governo Lula. O chamado valerioduto, que o Ministério Público diz ter sido comandado pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, desviou pelo menos R$ 101,6 milhões. O número foi apurado por investigadores da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU) (O Globo, publicado por Fábio Góes, em 29/07/2012).
Brasileiro não tem memória.
Só para citar dois casos: O “caso Jorgina de Freitas”, uma ex-advogada brasileira, procuradora previdenciária, que organizou um esquema de desvio de verbas de aposentadorias em 1992. A ex-procuradora do INSS foi condenada em 1992 por comandar uma quadrilha que desviou 310 milhões do referido órgão (dos quais apenas 82 milhões foram reavidos). Podemos citar também o “esquema PC”, que movimentou mais de US$ 1 bilhão dos cofres públicos, também na década de 90. Comparando os casos de desvio de verba, o mensalão não chega nem no chulé desses outros dois.
O problema do esquecimento
Para mim, ficou claro: os abutres encontraram uma carniça mais rechonchuda. Lembrem-se que a carniça que mais se comia era o caso “Cachoeira”, que julgo ser mais podre. Mas, que a essa altura, nem fede mais. Afinal, brasileiro não tem memória!
Obs.: O caso PC causou até o primeiro processo de impeachment da América Latina, em 1992. Um mensalão está sendo explorado por uma mídia raquítica, que vive sua crise, e atingiu seu paroxismo atávico.
Sugiro que os cursos de História integrem Comunicação – com especialização em jornalismo como matéria. Ia me esquecendo: o caso não é de conhecimento, é de memória. Então que inventem nos cursos de Jornalismo uma nova matéria: Memoração da História política do Brasil. Assim, ameniza o problema do esquecimento e a maioria dos alunos continua sem precisar aprender! Não é assim desde o ensino fundamental?
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*Marcos Antonio Improta Sampaio é blogueiro, estudante de Jornalismo e poeta, Mogi das Cruzes, SP]

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O crescimento do transporte por cabotagem

21.08.2012
Do blog de Luís Nassif, 20.08.12
Por Assis Ribeiro Da Agência Brasil

Transporte de carga por cabotagem deverá crescer em média 36% nos próximos dois anos, prevê estudo do Instituto Ilos


Rio de Janeiro - Na esteira da retomada da indústria naval brasileira, e esquecido nas últimas décadas, o transporte de cabotagem no Brasil “caminha para um futuro promissor” e vive a expectativa de um aumento médio de 36% em volume de carga transportada nos próximos dois anos.
Os números detalhando as expectativas do setor serão apresentados durante o 18º Fórum Internacional de Logística & Expo.Logística 2012, entre os dias 20 e 22 deste mês, na capital fluminense.
Pesquisa recente do Instituto Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain – cadeia de suprimentos) indica que seis entre as dez das maiores empresas do Brasil em faturamento pretendem aumentar o volume de carga movimentada pelo modal nos próximos dois anos.
“A expectativa é que o aumento médio transportado pelo modal seja de 36% nos próximos dois anos. O que aproxima o Brasil dos padrões mundiais desta modalidade de transporte, mais segura e eficiente e que, paralelamente, é muito menos poluente que outras modalidades de transporte de carga”, disse à Agência Brasil João Guilherme Araújo, diretor de Desenvolvimento de Negócios do Instituto Ilos.
Araújo destaca, dentre os setores mais interessados em ampliar a sua participação na cabotagem, os de higiene e limpeza, de cosméticos e farmacêutico, automotivo e de autopeças, químico e petroquímico e de alimentos e bebidas. “O nosso país tem 7.500 quilômetros de costa, 80% de sua economia estão a apenas 200 quilômetros dela. É portanto um tremendo e natural candidato a usar o transporte de cabotagem, que no entanto, é uma modal ainda subutilizado quando comparado com números internacionais”.
No Brasil, segundo ele, a cabotagem responde por apenas 9% do transporte de carga, contra 37% da União Europeia e 48% da China, o país que mais usa este tipo de transporte em todo o mundo.
O estudo feito com exclusividade pelo Instituto Ilos para o 18º Fórum Internacional de Logística aponta a rota Manaus-Santos-Manaus como a de maior potencial de crescimento. O Porto de Santos (SP) é visto pelas empresas entrevistadas como o principal ponto de saída de carga por cabotagem, seguido por Paranaguá (PR) e Manaus (AM). Em contrapartida, Manaus e Suape (PE) são os portos com maior potencial de receber carga por cabotagem, seguidos por Santos.

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Protestos de servidores grevistas chegam ao STF

21.08.2012
Do portal da Revista CARTA MAIOR, 16.08.12
Por Najla Passos


Servidores do Judiciário e Ministério Público da União (MPU) deixaram claro que a manifestação nada tinha ver com o julgamento do mensalão. Eles reivindicaram negociação salarial já, em especial a aprovação do novo plano de cargos e salários das duas categorias. E expressaram descontentamento com a postura do governo perante a greve. Durante a manhã, cerca de 10 mil servidores das 25 categorias em greve já haviam parado a capital federal.

Brasília - A onda de protestos que tomou conta de Brasília, nesta quarta (15), chegou às portas do Supremo Tribunal Federal (STF). Quando a defesa do último dos 38 réus do mensalão apresentava sua sustentação oral na tribuna da corte, buzinas, apitos e fogos de artifício chamaram a atenção para os cerca de mil servidores públicos federais do Judiciário e do Ministério Público da União (MPU), que reivindicam a aprovação do plano de cargos e salários das duas categorias. 

Nas faixas que portavam, os servidores, em greve, deixavam claro que o protesto nada tinha a ver com a ação penal em curso. “Mensalão? Cachoeira? Que nada. Queremos a aprovação do PL 6613/09“, dizia uma delas, em referência ao projeto de lei que propõe a revisão do plano de carreira do judiciário, e que tramita em conjunto com o PL 6697/09, que revisa a do MPU. Em outras, demonstravam o descontentamento com a condução dada pelo governo às negociações. Até mesmo faixas pedindo “Fora Dilma!” já podiam ser identificadas.

Os manifestantes tentaram derrubar as cercas de ferro colocadas na Praça dos Três Poderes para resguardar o julgamento do mensalão. Houve um princípio de tumulto, logo resolvido. Além dos seguranças do STF, dezenas de policiais militares perfilaram-se em frente à corte. Os servidores também protestaram em frente ao Palácio do Planalto, onde se uniram a uma outra manifestação, organizada por aposentados, que pediam o fim do fator previdenciário. À noite, retornaram ao Supremo e, em número bem menor, iniciaram uma vigília. 

Mais mobilizações

Durante a manhã, uma grande manifestação do conjunto dos servidores públicos já havia parado a capital federal. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) estimou o número de presentes em mais de dez mil. 

A marcha partiu da Catedral Metropolitana, no Eixo Monumental, e fez parada em frente ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), responsável pelas negociações com os servidores. Participaram representantes das 25 categorias em greve em todo o país. 

“O mote da marcha foi simples: negocia Dilma! Porque o governo federal continua com dificuldades de colocar propostas na mesa para que possamos dialogar e criou um ambiente em que acenava por uma resposta aos trabalhadores entre os dias 13 e 17 deste mês. Como isso não ocorreu, a indignação cresceu”, comentou o secretário adjunto de Relações do Trabalho da CUT, Pedro Armengol. 

A Secretaria de Relações do Trabalho do MPOG divulgou uma agenda de negociações com os servidores que vai até o dia 24. Mas eles temem que os acordos não sejam fechados até 31 de agosto, último prazo para o governo enviar ao Congresso a previsão orçamentária para o ano que vem. O MPOG já afirmou que não irá conceder reajuste linear para todos os servidores, uma das principais reivindicações dos grevistas.


Fotos: Marcello Casal Jr./ABr 

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