domingo, 19 de agosto de 2012

Em Goiás, atuação de Demóstenes como procurador causa polêmica

19.08.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE  LULA


Os primeiros processos destinados ao procurador de Justiça Demóstenes Torres têm como réus um suposto batedor de carteira, um acusado de revender drogas para um morador de rua e um jovem acusado de roubo que tenta converter a prisão em prestação de serviços. Após ser cassado pelo Senado por colocar o mandato a serviço do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Demóstenes retomou o cargo de procurador no Ministério Público de Goiás em 20 de julho.As informações são do Globo

Ao mesmo tempo em que ajuda a definir o destino de réus, o ex-senador também é investigado. Desde 30 de julho, uma comissão formada por quatro procuradores de Justiça é responsável pela sindicância aberta na Corregedoria Geral do MP de Goiás para apurar supostas infrações administrativas cometidas por Demóstenes.

Dos quatro procuradores, três manifestaram solidariedade ao então senador após a deflagração da Operação Monte Carlo, entre eles o corregedor-geral, Aylton Flávio Vechi. A ata do Colégio de Procuradores de Justiça que registra o apoio é de 26 de março, quase um mês depois da operação. O apoio de Vechi foi extensivo ao irmão de Demóstenes, Benedito Torres, procurador-geral de Justiça de Goiás. A manifestação ocorreu três dias antes de virem a público, no GLOBO, gravações mostrando que o então senador pusera o mandato a serviço do bicheiro.

A presença dos dois na instituição desperta constrangimento entre os colegas. Benedito, citado em conversas telefônicas do grupo de Cachoeira, é investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O delegado da PF responsável pelas investigações, Matheus Rodrigues, encaminhou à Procuradoria-Geral da República um documento com os diálogos, sugerindo ao subprocurador geral Oswaldo Barbosa "diligências que entender cabíveis". Em viagem, Barbosa não comentou.

Já o MP de Goiás sustenta que não cabe à PGR "qualquer investigação" sobre a conduta de Benedito. A competência seria do MP estadual. A assessoria do MP diz ainda que não há suspeição contra a comissão que de sindicância e que considerações sobre as manifestações do ex-senador nos processos criminais devem ser feitas pelo corregedor-geral, que não estava no MP na sexta. "O procurador Demóstenes continua atuando na esfera criminal e, até o presente momento, não deu nenhuma sinalização de que pretenda migrar para a área cível."

Até 29 de fevereiro, dia da deflagração da Operação Monte Carlo, Demóstenes era o mais influente senador da oposição, fiscal das gestões petistas, carrasco de parlamentares sujeitos à cassação e até cotado para candidato à Presidência da República. Cassado em 11 de julho, voltou ao MP e passou a despachar em processos em que boa parte dos réus não tem dinheiro para pagar advogados e dependem de defesa constituída pelo Estado ou de assistência jurídica patrocinada igrejas e ONGs. De 23 a 31 de julho, Demóstenes proferiu despachos em dez processos. Advogados dos réus se dividem sobre sua credibilidade.

- É um grande procurador, apesar das intempéries políticas - disse Carlos Cruvinel, advogado de um suposto batedor de carteiras.

Já o advogado Ronaldo Guimarães tem outra opinião:

- É uma pouca vergonha! Demóstenes não tem credibilidade para se manifestar no processo.

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Rogério Correia: PSDB de Minas Gerais usou a polícia e a mídia para tentar cassar meu mandato

19.08.2012
Do BLOG DA CIDADANIA, 17.08.12
Por Luiz Carlos Azenha

Rogério Correia ao lado da presidente Dilma em evento do Programa Minha Casa Minha Vida, em Betim (foto do site do deputado)

O líder do PT na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Rogério Correia, enfrentou um ano conturbado.

Em dezembro de 2011 a revista Veja publicou uma denúncia, A Trama dos Falsários, de Gustavo Ribeiro e Rodrigo Rangel, sugerindo que o deputado petista era um dos mentores da falsificação, pelo lobista Nilton Monteiro, da chamada Lista de Furnas, um documento que traz o nome de supostos beneficiários de esquema de caixa dois tucano nas eleições de 2002.

A reportagem de Veja foi rebatida na blogosfera, à época, com o argumento de que o texto mais parecia uma novela, recheado de adjetivos e ilações. Obviamente, a resposta não teve a mesma repercussão, mas apontou ao menos uma importante omissão da revista:
A “Veja” omitiu que existe sentença judicial, proferida pela juíza Maria Luiza Marilac Alvarenga de Araújo, inocentando Nilton Monteiro (processo 024.06.029.163-0, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, 11/2009), em processo no qual é acusado por José Carlos Aleluia (ex-deputado do PFL) de falsificação da tal lista. Dentre outros motivos, a absolvição se deu pela existência de um “Laudo de Exame Documentoscópico (Mecanográfico e Grafotécnico)” do Instituto Nacional de Criminalística, do Departamento de Polícia Federal, do Ministério da Justiça, de nº 1097/2006, assinado pelos peritos Marcus de Jesus de Morais e Narumi Pereira Lima, apontando: que a versão original da “lista” não apresentava indícios de montagem; que a assinatura convergia para a de Dimas Toledo; que a empunhadura da caneta indicava forte convergência entre a assinatura e as rubricas postas nas diversas páginas; que a impressão das suas cinco páginas apontavam que foram confeccionadas pela mesma impressora; que a tinta da caneta, usada para a assinatura e para as rubricas indicavam fortes semelhanças etc.
Na semana seguinte, Veja voltou ao assunto, dizendo que a Lista teria sido forjada para aliviar a situação do ex-presidente Lula durante a crise do mensalão.

Em seguida, o jornal O Estado de Minas publicou reportagens, dentre as quais O esquema do fraudador, sugerindo que Nilton Monteiro teria cobrado dívida “por supostos serviços prestados” a Rogério Correia. Em editorial, o jornal pediu a cassação do petista.

Foi a deixa para que o PSDB formalizasse o pedido à Assembleia Legislativa, onde o grupo governista ligado ao senador Aécio Neves tem ampla maioria.

Na mesma época, a direção do PSDB pagou R$ 200 mil reais a um perito estadunidense, que concluiu que a lista era uma fraude grosseira – segundo Rogério Correia, a perícia no Exterior foi feita em uma cópia xerox.

“Isso [a cassação] só não se efetivou porque a tramoia foi desmascarada. O documento periciado pela Polícia Federal mostrava veracidade [da lista]. O Tribunal de Justiça [de Minas Gerais] já tinha julgado aqui também uma ação contra o Nilton Monteiro por falsificação da lista e tinha dado razão à veracidade da lista. E também pela reação aqui do PT, do PCdoB, do PMDB e do movimento social”, afirma hoje o petista.

Em retrospectiva, ele identifica como teria se dado a armação política:

1. Um delegado do Departamento de Operações Especiais (DEOESP) — que Correia identifica como “braço político” da polícia de Minas Gerais — teria obtido degravações de interceptações telefônicas do lobista Nilton Monteiro. As gravações, feitas com autorização da Justiça, constavam do inquérito que apurou o esquema de financiamento de campanhas cujo resumo consta da Lista de Furnas.

2. Estas degravações teriam sido tiradas de contexto nas reportagens da revista Veja, para se encaixarem na suposta trama petista, que teria Rogério Correia como um dos mentores da falsificação.

3. A repercussão na mídia mineira, especialmente em O Estado de Minas, criou o clima na opinião pública local para justificar o pedido de cassação.

O timing da movimentação dos tucanos leva o deputado a especular, hoje, que o objetivo deles era pressionar a procuradora da República Andrea Bayão Ferreira, que se preparava para fazer a denúncia relativa à Lista de Furnas no Rio de Janeiro — denúncia enfim apresentada no início deste ano, como revelou o repórter Amaury Ribeiro Jr., no jornal mineiro Hoje em Dia.

Desde as denúncias da Veja em dezembro de 2011, no entanto, a situação do deputado Rogério Correia experimentou uma reviravolta.

A demolição da quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira, em Goiás e no Distrito Federal, revelou os “métodos investigativos” da revista Veja.

A denúncia do Ministério Público Federal sobre a Lista de Furnas trouxe duas informações especialmente relevantes:

1) A perícia oficial — segundo Rogério Correia, a única feita no original da Lista de Furnas — diz que não há montagens no documento e confirma a assinatura de Dimas Fabiano Toledo, o ex-diretor de Engenharia de Furnas acusado de ser o organizador do sistema de arrecadação de recursos junto a fornecedores da empresa;

2) Contrariando o que foi divulgado pela revista Veja, o conjunto de interceptações telefônicas, na apreciação do MPF, reforça a tese de que o lobista Nilton Monteiro acreditava na autenticidade da lista. Segundo o deputado, não há nada ali que corrobore as acusações feitas contra ele pela revista. Segundo Amaury Ribeiro Jr., a procuradora escreveu que “durante a intercepção das linhas telefônicas usadas por Nilton Monteiro, nada foi captado que indicasse a falsidade da lista, ao revés, em suas conversas telefônicas, inclusive com sua esposa, sustenta que a lista é autêntica”.



Além disso, o deputado petista obteve na Justiça direito de resposta no jornal O Estado de Minas. Porém, passados quase quatro meses (a publicação do Acórdão se deu no dia 23.04.2012), o jornal ainda não fez a publicação. Em vez disso, pagou multa de 10 mil reais.

Na sentença, o TJ mineiro destacou expressões dos textos publicados no jornal, sobre Correia, que seriam “injusta imputação de crimes ao agravante, bem como injuriando o e difamando” (f. 11-TJ): “desrespeito e desfaçatez”; “ridícula demonstração de desfaçatez na Assembléia”; “desrespeitando aquela Casa e a inteligência do povo mineiro”; “encenação”; “deformada noção de compromisso com a ética e com o interesse público”; “prática de denúncia irresponsável”; “método de ação eleitoral próprio dos despreparados para vida parlamentar e o exercício do poder político”; “despudor de articular sórdida montagem”; “farsa petista”; “montagem de fraude”; “Rogério Correia (PT), patrono da iniciativa”; “O deputado (…) tentou mais uma vez enganar de boa-fé de seus colegas” (f. 06 e 09-TJ).

Rogério Correia agora estuda pedir a prisão de diretores do jornal por descumprimento de decisão judicial.

Ele também processa o jornal e a revista Veja por danos morais.

Sobre o conteúdo da Lista de Furnas, Correia diz que há dois fortes indícios de que os números que constam dela correspondem a doações que de fato aconteceram:

1) O ex-deputado Roberto Jefferson confirmou que recebeu os 75 mil reais atribuídos a ele. ”O Roberto Jefferson, que aliás para os tucanos serve para denunciar o PT, mas quando ele próprio diz que recebeu o dinheiro que está na lista, eles querem desconsiderar”, afirma o petista.

2) O deputado estadual mineiro Antonio Julio, do PMDB, que aparece na lista como recebedor de 200 mil reais, confirma que pediu a Furnas o investimento da quantia na reforma de um hospital, o que de fato aconteceu.

Pela lista, a campanha do então candidato do PSDB à Presidência, José Serra, teria recebido R$ 7 milhões; a campanha de Aécio Neves, candidato a governador de Minas, R$ 5,5 milhões.
A certa altura do relato (clique abaixo para ouvir a íntegra da entrevista) perguntei ao deputado mineiro:

“O sr. quase foi cassado em nome de uma falsidade?”

Ele: “Uma falsidade. Feita entre o braço político [do PSDB] na Polícia Civil, através do [delegado Márcio Simões] Nabak, publicando falsidade na revista Veja em conluio com O Estado de Minas e o PSDB então pede a cassação na Assembleia Legislativa. Tudo armado!”.

Teria sido parte da armação a prisão do lobista Nilton Monteiro pela polícia civil mineira, sob a acusação de falsificar documentos não relacionados à Lista de Furnas. No período, a polícia divulgou a existência de um documento registrado em cartório mostrando que Nilton cobrava uma dívida do deputado Rogerio Correia.

O petista admite que conhece Nilton e que recebeu dele denúncias sobre esquemas de caixa dois do PSDB mineiro em 1998 e 2002. Mas afirma que nunca teve qualquer dívida com o lobista e supõe que a ação policial tinha como objetivo dar base ao pedido de cassação de seu mandato.

“Ao prender o Nilton, eles fizeram questão de desviar o assunto da prisão para a Lista de Furnas, cometendo portanto, evidentemente, uma aberração jurídica e policial. Fizeram do Nilton Monteiro, neste caso, um preso político. Passaram a averiguar algo que não era da competência deles”, afirma Rogério Correia.

Nilton Monteiro, que já está solto, nega todas as acusações feitas contra ele pela polícia. O lobista enviou carta à Assembleia Legislativa denunciando que, enquanto esteve preso, foi levado à sede da DEOESP, a do delegado Nabak, onde teria tido um encontro com três deputados federais do PSDB. Eles teriam pressionado Nilton Monteiro a negar a veracidade da Lista de Furnas e a incriminar Rogério Correia.

“Para você ver a gravidade que é! Isso que o Nilton relatou ainda não está provado. Mas o Nilton disse que esteve no gabinete do Nabak com três deputados federais do PSDB”, relata o líder do PT.

O pior, segundo Rogério Correia, passou, mas alegações contra o deputado petista continuam sendo feitas pelo PSDB, agora de forma velada.

A edição de agosto da revista Piauí traz uma reportagem sobre o mensalão mineiro, o esquema de financiamento de campanha de 1998 que tinha como um dos envolvidos o publicitário Marcos Valério.

Atenção: favor não confundir o esquema do valerioduto tucano, de 1998, com o esquema da Lista de Furnas, de 2002.

Os dois casos tem alguns personagens em comum: Rogério Correia denunciou ambos.

Nilton Monteiro, de longa atuação nos bastidores da política, atuou nos dois.

Em 1998, no caso do valerioduto mineiro, Cláudio Mourão foi o tesoureiro da campanha de reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas. Azeredo perdeu e deixou pendências em aberto, inclusive com Mourão. Em 2005, Mourão foi ao STF cobrar a conta: segundo ele, R$ 3,5 milhões. Nasceu daí a “Lista Cláudio Mourão”, que chegou à Polícia Federal pelas mãos de Nilton Monteiro.

Grosseiramente, o esquema do valerioduto funcionava assim: Marcos Valério, o publicitário, misturava em contas de sua agência dinheiro de empréstimos do Banco Rural e de aportes milionários de empresas públicas mineiras para promover o Enduro da Independência — uma prova de motocross — e repassava dinheiro para a campanha de Azeredo. Da mineradora Comig, da empresa de saneamento Copasa, do banco Bemge e da companhia de energia Cemig as empresas de Valério receberam R$ 5,1 milhões. Segundo perícia, menos de R$ 100 mil foram de fato repassados aos organizadores do Enduro.

O esquema todo teria movimentado R$ 100 milhões para financiar campanhas nacionais e estaduais do PSDB e de aliados. O ano, 1998, foi o da reeleição de Fernando Henrique Cardoso.

Valério teria feito pagamentos a 179 pessoas e empresas prestadoras de serviço da campanha de Azeredo, cujos nomes foram registrados na Lista de Cláudio Mourão.

Por conta do valerioduto tucano, o hoje senador Eduardo Azeredo foi acusado de peculato e lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federal. A denúncia foi aceita por 5 votos a 3.

Em entrevista à repórter Daniela Pinheiro, da Piauí, Azeredo disse, sobre o pedido de cassação feito contra ele pelo PSOL — que não vingou — e o apoio que recebeu na época: “Não foi aquele apooooio, mas foi importante. Dentro do partido, também tive. O Sérgio Guerra, o Serra, esses me apoiaram. Mas faltou uma pessoa”.

Azeredo não disse quem lhe faltou na hora agá. Teria sido FHC, que na época afirmou “quem tiver culpa no cartório, que pague”? Ou Aécio Neves?

A frase cifrada pode não ser um bom sinal para o PSDB. Faz sentido um esforço conjunto do partido para tentar salvar Azeredo. A defesa dele se sustenta, em parte, na tese dos documentos falsificados.

À Piauí, Azeredo afirmou que a Lista de Cláudio Mourão é uma “peça espúria fabricada por um conhecido lobista mineiro a mando de um deputado do PT”.

Rogério Correia admite que Azeredo possivelmente se referiu a ele.

Nega ser o mentor desta outra lista, mas admite que investigou o caso, especialmente o envolvimento da Cemig no financiamento da campanha de 1998.

O petista diz que obteve informações concretas sobre o fluxo de dinheiro da Cemig, que entrava na conta da agência SMP&B, de Marcos Valério, e em seguida fluia para a conta de políticos: segundo Rogério Correia, há comprovantes de depósitos, por exemplo, para o ex-presidente do PSDB mineiro e atual prefeito de Juiz de Fora, Custódio Mattos.

Segundo o petista, não existe esse tipo de comprovação no caso de Aécio Neves, que em 1998 era deputado federal disputando reeleição e aparece na Lista de Cláudio Mourão como recebedor de R$ 110 mil.

Aécio é candidato potencial ao Planalto em 2014.
Quanto ao hoje senador tucano, o petista não tem dúvida: “O Aécio Neves está por trás de toda essa jogada”, ou seja, da desqualificação dos documentos e das pessoas que denunciam os esquemas de caixa dois do PSDB em Minas.

Rogério Correia resume:
“Olha, é grave a situação aqui em Minas Gerais, aqui em Minas nós não vivemos um estado de direito democrático da maneira como se deve, na plenitude democrática. Aqui nós temos um caso onde a imprensa é praticamente dominada pelo tucanato, em especial pelo grupo de Aécio Neves; O Estado de Minas é a faceta mais clara disso, só é possível que seja publicado aquilo que passa pela censura deles, o que se agrava nos períodos eleitorais; há uma censura à imprensa enorme e um conluio, agora, onde a própria Polícia Civil foi utilizada para fazer fatos políticos em favor do PSDB, utilizando a sua estrutura, transformando um setor da Polícia Civil em polícia política. Isso é de uma gravidade enorme. Utilizando então um jornal local, com respaldo da revista Veja, para se tentar cassar um mandato legitimamente democrático, que faz o que tem de fazer, que é exatamente verificar denúncias de caixa dois tanto na eleição de 1998 quanto na eleição de 2002″.
Clique abaixo para ouvir a entrevista completa. Começamos tratando do valerioduto tucano conforme a revista Piauí:




Neste trecho, Rogério Correia fala sobre a prisão de Nilton Monteiro e o suposto encontro do lobista com três deputados do PSDB:




Abaixo, o texto da denúncia do MPF de acordo com documentos divulgados pelo repórter Amaury Ribeiro Jr.:
Lista de Furnas no MPF

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Racismo explícito no Zorra Total relembra humor segregacionista dos EUA

19.08.2012
Do blog SINTONIA FINA, 
Por Jorge da Silva, em seu sítio


Veja aqui o que o Partido da Imprensa Golpista (PIG- Partido da Imprensa Golpista) não mostra!

BOICOTE, BOICOTE, BOICOTE!

VI ESTE QUADRO DE "HUMOR" HORRENDO ENQUANTO TOMAVA UM LANCHE NUMA PADARIA, FIQUEI ABSOLUTAMENTE CHOCADO, NÃO IMAGINAVA QUE NOS DIAS DE HOJE AINDA HÁ ESPAÇO (NA MÍDIA TELEVISIVA, NUMA EMISSORA VISTA POR MILHÕES DE BRASILEIROS) PARA O ESCANCARAMENTO DO RACISMO DE FORMA TÃO EXPLÍCITA. ZORRA TOTAL SEMPRE FOI UM PROGRAMA ABJETO, COM UM TIPO DE HUMOR ALA ITÁLIA FASCISTA. NO ENTANTO, RACISMO É CRIME PREVISTO EM LEI, O MINISTÉRIO PÚBLICO TEM QUE INTERVIR JÁ. OUTRA MEDIDA É BOICOTAR E REDE GLOBO DE UMA VEZ POR TODAS, ESTA CORPORAÇÃO É A PRINCIPAL VEICULADORA E DEFENSORA DA BARBÁRIE E DE TUDO QUE EXISTE DE MAIS NEFASTO NESSE PAÍS. LEIAM O EXCELENTE TEXTO DE JORGE DA SILVA ABAIXO. 

NOS ESTADOS UNIDOS, O USO DE ATORES BRANCOS – OU MULATOS – COM A CARA PINTADA DE PRETO, OU “BLACKFACED”, EM PAPEIS QUE RIDICULARIZAVAM OS NEGROS FOI PRÁTICA COMUM NOS TEMPOS DA SEGREGAÇÃO RACIAL

adelaide zorra total racismoUm quadro do programa Zorra total, da Rede Globo, tem provocado indignação no público sensível aos problemas do racismo e da discriminação racial no Brasil. Tem como protagonista uma mulher chamada Adelaide – interpretada pelo ator – em que se concentram todos os estereótipos negativos atribuídos às mulheres negras: é feia, desdentada, ignorante, e costuma fazer referências pejorativas, por exemplo, ao cabelo dos negros. Um combustível perfeito para o bullying que aflige as crianças negras, especialmente as meninas, na escola e nos círculos de convivência, contribuindo para manter baixa a autoestima de um segmento da população quotidianamente adestrado a se sentir e comportar como inferior.
Infelizmente, o humor baseado em estereótipos raciais tem uma longa tradição em nosso país. Não é preciso muito esforço para nos lembrarmos de nomes como Grande Otelo (a despeito de seu reconhecido talento), Gasolina, Muçum, Tião Macalé, que sempre representaram personagens associados ao alcoolismo, à preguiça, à falta de cultura e de inteligência. Sem contar os brancos pintados de preto, até hoje presentes nos programas humorísticos da TV.
Nos Estados Unidos, o uso de atores brancos – ou mulatos – com a cara pintada de preto, ou “blackfaced”, em papeis que ridicularizavam os negros foi prática comum nos tempos da segregação racial. Personagens como Aunt Jemima, Jim Crow (que poderíamos traduzir como Zé Urubu), Zip Coon, Buck, Jezebel, Pickaninny, Uncle Tom, Amos ‘n’ Andy e outros, que refletiam os mais grosseiros estereótipos a respeito dos afro-americanos e de sua cultura, eram, não obstante – ou talvez por isso mesmo -, altamente populares entre as plateias brancas. Na década de 1960, com o Movimento de Direitos Civis, incluindo boicotes organizados por entidades como a NAACP, o uso desses personagens se reduziu enormemente, embora continue presente, de forma bastante atenuada, em algumas produções mais atuais.
Em Bamboozled (2000), que no Brasil ganhou o título de A Hora do Show, Spike Lee faz uma crítica à tradição dos minstrel shows e do vaudeville, gêneros baseados nessa estereotipia. Aos interessados, vale a pena dar uma olhada no site black-face.com.
Sintonia Fina

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FHC aposta no mensalão contra a superioridade histórica de Lula

19.08.2012
Do BLOG DA CIDADANIA, 16.08.12
Por Eduardo Guimarães
Aparentemente, Fernando Henrique Cardoso é um homem feliz. A mídia aliada o retrata sempre satisfeito e sorridente enquanto tece loas ao seu desastroso período à frente do governo do país. Todavia, é um homem magoado e frustrado com o registro que a história e a voz do povo, que só as urnas expressam com clareza, fazem de sua atuação como presidente.
Uma década após ter sido virada a página daqueles oito anos de crises incessantes, de desemprego, de quebradeiras, de descrédito internacional do Brasil, de aumento da violência e da criminalidade, de caos na educação e na saúde e até de aumento da pobreza e da desigualdade, tentam reescrever a história. Contudo, tem sido em vão.
A maior prova de que dez anos foram tempo insuficiente para o povo brasileiro esquecer o que foi a era FHC está na última eleição presidencial, na qual, como em todas as eleições presidenciais anteriores desde 2002, o candidato do PSDB da vez (José Serra) tentou esconder o ex-presidente da República de seu partido de forma que o eleitorado não o associasse a ele.
Eis que, no âmbito do julgamento do mensalão “do PT”, o ressentido ex-presidente vê a oportunidade de tisnar o período presidencial que sucedeu ao seu e que, de forma diametralmente oposta, recebeu dos brasileiros toda a aprovação possível e imaginável.
Quase dois anos após ter deixado a Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva ainda é objeto da admiração e do respeito do povo ao ponto máximo, a um ponto tão alto que pesquisa de opinião do instituto Sensus recém-divulgada mostra que nada mais, nada menos do que SETENTA POR CENTO dos brasileiros querem que Lula governe de novo o Brasil.
FHC, então, sempre contando com uma literal tentativa de fabricação da realidade por uma mídia que cooptou durante seu governo, acaba de declarar publicamente que condenações no julgamento do mensalão irão “manchar” o governo daquele que o sucedeu na Presidência da República.
De onde o ex-presidente tucano tirou isso? De alguma pesquisa de opinião? De alguma pitonisa? Nada disso: tirou essa hipótese de seus desejos mais recônditos de ao menos minimizar o êxito espantoso que ao menos o povo brasileiro e o mundo atribuem a Lula e ao seu período histórico na Presidência da República.
O que será registrado nos livros de história sobre esses dois períodos de governo tão distintos, a retórica dos titulares dos governos entre 1995 a 2002 e entre 2003 a 2010 e dos aliados de cada um ou os fatos, ou seja, os resultados finais daqueles governos e a visão do povo sobre cada um deles?
A história registrará que não apenas Lula jamais teve fato que o desabonasse comprovado ou sequer analisado pela Justiça como legou à sucessora um país com a economia entre as mais organizadas do planeta e com uma situação social infinitamente melhor do que a do período que antecedeu seu governo pleno de êxitos e realizações que o mundo reconheceu.
Não é fácil reescrever história. Isso porque ela não é escrita só pelos grandes órgãos de imprensa ou por este ou aquele escritor ou historiador, mas por uma ampla coalizão de observadores entre os quais o povo é o protagonista. A história, por fim, é escrita pelos fatos. E são esses fatos que contrariam a esperança de FHC em uma farsa que ajudou a erigir.
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Ministro Joaquim Barbosa passou por cima do princípio 'in dubio pro reo'

19.08.2012
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 17.08.12
Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

O ministro do STF Joaquim Barbosa(foto ao lado) passou por cima do princípio "na dúvida, a favor do réu", quando votou pela condenação do deputado João Paulo Cunha na Ação Penal 470, pejorativamente chamada de "mensalão".
Segundo Barbosa, o deputado teria recebido R$ 50 mil, não de caixa-2, como alega a defesa, mas como propina por um contrato da agência de publicidade de Marcos Valério com a Câmara dos Deputados, quando Cunha presidia a casa. 
Porém, segundo a própria denúncia, o valor do contrato com a Câmara foi de R$ 10 milhões. Logo, R$ 50 mil representa apenas meio por cento do valor do contrato. É um percentual muito abaixo dos casos de corrupção que tem sido noticiado historicamente, o descaracteriza propina. Este fato reforça a probabilidade de ser mesmo caixa-2 que ocorreu em paralelo, mas não em conexão com o referido contrato. 
É compreensível que Barbosa, egresso do Ministério Público, tenha convicções mais afinadas com o lado da acusação. Mas se a acusação ficou no campo das probabilidades, e não da certeza, a dúvida teria que ser a favor do réu.
Barbosa ainda ignorou que as demais agências de publicidade que perderam a licitação da Câmara não contestaram o resultado, o que aponta para lisura do processo. Ignorou também que quem cuida da parte administrativa da Câmara é o primeiro-secretário da mesa e não o presidente da casa.
O ministro também viu evidência de culpa no fato de João Paulo não ter admitido de imediato o recebimento do dinheiro, realizado por sua mulher, apresentando uma desculpa na primeira hora. Contudo, Barbosa ignorou que admitir caixa-2 já era motivo suficiente para constrangimento de um homem pública, o que era motivo suficiente para o deputado procurar desconversar.
Será interessante ouvir o que dirá os demais ministros, principalmente o revisor.

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Depois da Operação Monte Carlo, PF flagra conversas do tucano Perillo na Operação Trem Pagador

19.08.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA,16.08.12


As investigações da Operação Trem Pagador podem complicar ainda mais a situação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que já tem que explicar a natureza de suas relações com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Numa das interceptações da Trem Pagador, autorizadas pela Justiça Federal, a Polícia Federal gravou conversas de Perillo com o ex-presidente da Valec José Francisco das Neves, o Juquinha, preso pela PF como resultado da mesma investigação.

Num dos diálogos obtidos, Perillo promete dar ao ex-presidente da Valec a Secretaria das Cidades, departamento com orçamento elevado, em troca de apoio político. Na mesma conversa, o governador diz que quer para o comando da secretaria uma pessoa que seja um "avião supersônico" para levantar dinheiro em Brasília com o mesmo padrão de sucesso do ex-dirigente da empresa pública de ferrovias.As informações são de O Globo

Quando fez a oferta, o governador já sabia que Juquinha havia sido afastado da Valec, no ano passado, em meio a denúncias de corrupção na construção da ferrovia Norte-Sul. O diálogo entre os dois foi interceptado em 28 de junho deste ano. Sérgio Cardoso, um auxiliar de Perillo, liga para o ex-presidente da Valec. Depois de rápidos cumprimentos, passa o telefone para o governador.

- Aquele assunto está redondo, resolvido - avisa Perillo.

Juquinha pede mais detalhes a Perillo.

- Aquele da Secretaria tá resolvido.

Segundo a PF, o naco de poder negociado era a Secretaria das Cidades, responsável por obras de saneamento, habitação e até pelo Detran (Departamento de Trânsito), setores com orçamentos generosos na máquina do estado. Juquinha, que já era alvo de uma investigação com crescimento patrimonial incompatível à renda declarada, fica satisfeito.

- Então tá OK - responde o ex-presidente da Valec.

Também animado com o resultado na negociação, Perillo dá carta branca a Juquinha.

- Pode mandar quem você quiser - afirma o governador.

Neste caso, Juquinha poderia indicar qualquer pessoa para ocupar uma das pastas mais importantes do governo de Goiás. Perillo só faz uma exigência: quer que o futuro secretário de Cidades seja um "avião supersônico" na captação de dinheiro em Brasília.

- Tá fechado. Agora eu preciso de um avião lá. Um tipo Juquinha. É a secretaria que mexe com o saneamento e com a habitação. E com o Detran também - diz Perillo, que acrescenta: - Tem de dar conta de alavancar dinheiro em Brasília e que saiba mexer o doce - enfatiza.

- Tá bom então, chefe - concorda o ex-presidente da Valec.

Prisão sete dias após conversa

A partir daí, os dois começam a falar sobre as eleições municipais deste ano. Sete dias depois da conversa, Juquinha, a mulher e um dos filhos foram presos pela Polícia Federal na Operação Trem Pagador. Eles são acusados de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro, supostamente desviado da construção da Norte-Sul. A PF aponta desvio de R$ 129 milhões em trechos da ferrovia em Goiás.

Relatório da PF informa ainda que, no mesmo período da negociação com Perillo, Juquinha estava de olho na Secretaria de Infraestrutura da prefeitura de Goiânia, administrada por Paulo Garcia (PT). As referências às negociações aparecem em conversas de Juquinha com aliados políticos. Num dos áudios, Juquinha "expõe a Luiz Carlos que o prefeito (Paulo Garcia) vai dar a Secretaria de Infraestrutura em Goiânia e pode ser que Luiz Carlos assuma a pasta", afirma relato da operação da PF relacionado à prefeitura.

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Os defensores do jornalismo bandido


19.08.2012
Do blog ESQUERDOPATA
Por Leandro Fortes

 Alves e Teixeira dizem defender a “liberdade de imprensa”. 
Mas quem disse que ela está ameaçada?

Os protetores do antijornalismo

Na terça-feira 14, de posse de uma análise preparada por técnicos da CPI do Cachoeira a partir de interceptações telefônicas e documentos da Polícia Federal, o deputado Dr. Rosinha (PT-PR) estava pronto para um embate e tanto: requerer a convocação do jornalista Policarpo Jr., diretor da revista Veja em Brasília. Seria a segunda tentativa da CPI de ouvir Policarpo, mas o PT decidiu retirar o assunto de pauta, por enquanto, até conseguir convencer o PMDB a participar da empreitada. Antes, o senador Fernando Collor (PTB-AL) havia tentado sem sucesso convocar o jornalista.

O documento de mais de cem páginas elaborado por técnicos da CPI, publicado em seus principais detalhes na edição passada de CartaCapital, prova de diversas maneiras a ligação de Policarpo Jr. com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, a quem o diretor da semanal da Editora Abril chegou a solicitar um grampo ilegal contra o deputado Jovair Arantes (PTB-GO).

Na segunda-feira 13, um dia antes da data prevista para Dr. Rosinha se manifestar, uma tensa reunião ocorrida na casa do deputado Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara, tornou possível dimensionar a força do lobby da Abril sobre a bancada de quatro deputados do PMDB na comissão. O grupo atendia aos apelos do vice-presidente da República, Michel Temer, presidente do partido, e do deputado Henrique Eduardo Alves, líder da sigla na Câmara.

Constrangidos, incapazes de articular uma desculpa coerente, os peemedebistas da CPI continuam a negar apoio ao PT na empreitada. Na reunião, voltaram a se prender à falsa tese dos riscos da convocação à “liberdade de imprensa” no País. Eram eles os deputados Luiz Pitiman (DF) e Iris de Araújo (GO) e os senadores Sérgio de Souza (PR) e Ricardo Ferraço (ES).

Não há, obviamente, nenhuma relação entre um jornalista depor em uma CPI e um suposto atentado à liberdade de imprensa. No caso de Policarpo Jr., o argumento soa ainda mais esdrúxulo, uma vez que o jornalista já depôs na Comissão de Ética da Câmara, em 22 de fevereiro de 2005, no processo de cassação do ex-deputado André Luiz (PMDB-RJ).

Policarpo lá esteve, como voluntário, para defender ninguém menos que Cachoeira, a quem André Luiz pretensamente queria subornar para evitar a inclusão do nome do bicheiro no relatório final de outra CPI, a da Loterj (estatal fluminense de loterias), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Na casa de Tatto, a defesa da liberdade de imprensa foi o bastião dos peemedebistas. Do lado do PT, além do anfitrião e de Dr. Rosinha, estavam os deputados Odair Cunha (MG), relator da comissão, e Emiliano José (BA) e o senador José Pimentel (CE). Por mais de uma hora, os petistas revezaram-se na argumentação baseada tanto no documento preparado pelos técnicos da comissão quanto na reportagem de CartaCapital. Pouco adiantou. O PMDB não tinha ido negociar, apenas reforçar a orientação de Temer e Alves.

Sem o PMDB, o PT jamais conseguirá convocar Policarpo Jr. ou qualquer outro figurão da mídia nacional, embora se trate de um partido da base governista e tenha o vice-presidente nos quadros do governo Dilma Rousseff. A posição de Temer sobre o assunto é mais do que conhecida, embora as razões ainda sejam obscuras. Há três meses, ele se reuniu separadamente em jantares no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice em Brasília, com Fábio Barbosa, presidente da Editora Abril e braço direito do dono da empresa, Roberto Civita, e com João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo. A ambos prometeu que o PMDB iria barrar a convocação de jornalistas.

No caso de Alves, há uma razão empresarial e outra política para o parlamentar potiguar se curvar aos interesses do baronato da mídia. A família Alves é dona do Grupo Cabugi, que detém os direitos de retransmissão da TV Globo no Rio Grande do Norte. Além disso, Alves pretende ser o próximo presidente da Câmara, o que dificilmente conseguirá, se virar alvo de uma campanha na mídia, Veja à frente.

Causa estranheza, contudo, o grau de submissão dos integrantes do PMDB na CPI do Cachoeira aos interesses pessoais dos caciques do partido. Embora tenham cautela de não se pronunciar em público a respeito, é certo que a maioria é a favor da convocação de Policarpo Jr. A tese do atentado à liberdade de imprensa, de tão risível, nem sequer é considerada seriamente pelo grupo, que só tem coragem de sustentá-la em reuniões fechadas, ainda assim com a ressalva de seguirem a orientação do partido.

A oposição – DEM, PSDB e PPS – trabalha em absoluta sintonia com os interesses da Editora Abril, e mesmo entre os governistas o assunto é tabu. A principal voz a se levantar contra a ida de Policarpo à CPI, aliás, vem da base.

Em tom alarmista, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) tem alertado a quem quiser ouvir do perigo de o Brasil se transformar em um Estado policial caso o diretor da revista seja obrigado a explicar por que recebia encomendas e fazia pedidos ao bicheiro. “A intimidação, a coação, poderá ir ao plano estadual, ao plano municipal”, desesperou-se o deputado.

Teixeira equivoca-se. Como se pode comprovar na investigação no Reino Unido das malfeitorias cometidas por jornalistas do grupo de comunicação do magnata Rupert Murdoch, o que realmente ameaça a liberdade de imprensa e a democracia é a união entre jornalismo e bandidagem.

Irritado, o líder do PT argumentou que a ida de Policarpo Jr. à CPI em nada ameaçava a mídia livre. “Trata-se de convocar um senhor que começa a envergonhar a categoria dos jornalistas”, disse Tatto. Frustrado por nem poder colocar em pauta a convocação do jornalista, Dr. Rosinha desabafou: “Criou-se uma casta de intocáveis na CPI. Podemos convocar deputados e governadores, mas não jornalistas envolvidos com o crime organizado”.

Sobre o assunto, a velha mídia tratou em notinhas esparsas. Andou mais preocupada com os humores do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, cujo nome apareceu na lista do mensalão tucano, em Minas Gerais, como beneficiário de 150 mil reais. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Mendes pediu à Procuradoria-Geral da República para abrir inquérito contra CartaCapital, autora da denúncia.

O ministro não nega ter recebido o dinheiro, mas o fato de que, na época, em 1998, fosse advogado-geral da União. Na lista, a referência a Mendes aparece ao lado da sigla AGU, provavelmente por ele trabalhar na Subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência, órgão ligado à Advocacia-Geral. Não se sabe por que o ministro decidiu usar o Ministério Público para lhe advogar de graça, numa causa privada.
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Fonte:http://esquerdopata.blogspot.com.br/2012/08/os-defensores-do-jornalismo-bandido.html