sexta-feira, 17 de agosto de 2012

USP rejeita negros e pobres; Uerj e Unicamp defendem inclusão

17.08.2012
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

Mesmo com pesquisas favoráveis à inclusão, e após a aprovação do projeto de cotas pelo Senado, a Universidade de São Paulo (USP) mantém barreiras contra o acesso de negros e pobres à universidade

usp cotas negros
A arte que simboliza o Núcleo de Consciência Negra da USP.
Estudos realizados pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pela Universidade de Campinas (Unicamp) mostraram que o desempenho médio dos alunos que entraram na faculdade graças ao sistema de cotas é superior ao resultado alcançado pelos demais estudantes.
Tradicionalmente a USP descarta a adoção de qualquer tipo de cota, sempre indicando valorizar exclusivamente o mérito. A USP entende que o sistema de bônus do Programa de Inclusão Social da USP (Inclusp), voltado a alunos de escola pública, independentemente da cor da pele, já atende às demandas por inclusão. O Inclusp foi adotado a partir de 2007 e dá bônus na nota do vestibular a esses alunos, independentemente da cor da pele.
O Núcleo de Consciência Negra da USP luta há anos para mudar esta realidade. Em resposta, a reitoria tem ameaçado fechar o espaço onde o Núcleo de Consciência Negra desenvolve cursinhos populares para o vestibular. A inciativa envolve professores voluntários que sonham em ver a reserva de vagas com cota racial uma realidade na maior universidade do país.

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“Além de dar acesso à população, a universidade tem que criar as condições para que estas pessoas permaneçam na universidade para que não haja evasão”, defendeu Leandro Salvático, coordenador do Núcleo de Consciência Negra.
Apesar da pressão e com amplo apoio e reconhecimento da comunidade acadêmica, o Núcleo tem se mantido dentro da universidade com o “famigerado” espaço onde continua a realizar seu cursinho popular.
Segundo a Fuvest, fundação que realiza o vestibular, a participação de alunos de escola pública na USP chegou a 28% em 2012, ante 26% no ano passado. Se calculados os ingressantes negros e pardos, eles representaram 13,8 % dos aprovados no vestibular deste ano. No ano anterior, esse porcentual era de 13,4%. Os pardos registraram pequeno aumento, de 10,6% para 11,2%. Os candidatos que se declararam negros representaram 2,6%, ante 2,8% em 2011. Neste ano, foram aprovados 283 estudantes negros, de um total de 10.766.
Levantamento feito em junho pelo Estado de S. Paulo, com dados do vestibular de 2011, mostrou que, em cinco anos, apenas 0,9% – o equivalente a 77 alunos – dos matriculados em Medicina, Direito e na Escola Politécnica eram negros. Em Medicina, por exemplo, nenhum negro havia passado nos vestibulares de 2011 e 2010. Esse recorte do vestibular de 2012 ainda não está disponível.
A USP sempre sofreu críticas em relação ao perfil dos estudantes que ocupam suas vagas – a maioria absoluta vem de escolas particulares. Além do Inclusp, a universidade inaugurou a partir deste ano um novo modelo de bonificação para alunos de escola pública.
Para quem sempre estudou em escola pública – do ensino fundamental ao médio –, a universidade criou o Programa de Avaliação Seriada da USP (Pasusp). Neste ano, o primeiro após a mudança nos critérios, o bônus chegou a até 15%, de acordo com o desempenho do estudante na Fuvest. Para participar, o aluno precisa estar cursando o ensino médio e realizar as provas no 2º e no 3º anos.

O desempenho dos cotistas

O primeiro levantamento sobre o tema, feito na Uerj em 2003, indicou que 49% dos cotistas foram aprovados em todas as disciplinas no primeiro semestre do ano, contra 47% dos estudantes que ingressaram pelo sistema regular.
No início de 2010, a universidade divulgou novo estudo, que constatou que, desde que foram instituídas as cotas, o índice de reprovações e a taxa de evasão totais permaneceram menores entre os beneficiados por políticas afirmativas.
A Unicamp, ao avaliar o desempenho dos alunos no ano de 2005, constatou que a média dos cotistas foi melhor que a dos demais colegas em 31 dos 56 cursos. Entre os cursos que os cotistas se destacaram estava o de Medicina, um dos mais concorridos – a média dos que vieram de escola pública ficou em 7,9; a dos demais foi de 7,6.

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A mesma comparação, feita um ano depois, aumentou a vantagem: os egressos de escolas públicas tiveram média melhor em 34 cursos. A principal dificuldade do grupo estava em disciplinas que envolvem matemática.
Vermelho e Agências

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MÍDIA GOLPISTA ESCONDE ESCÂNDALOS DO PSDB: Quer dizer que quando é o Serra pode?

17.08.2012
Do blog DoLaDoDeLá, 15.08.12


Na semana passada, Lúcia Espagolla, diretora regional da Secretaria Estadual de Educação, utilizou uma circular oficial e o site do órgão para convocar servidores de escolas públicas de São Paulo a participar de uma reunião em apoio à campanha de José Serra. Alguns diretores denunciaram que, após disparar os convites, a tucaninha ainda ligou ameaçando os que não comparecessem com a perda do cargo. O encontro ocorreu num centro cultural na zona norte e teve a presença de Alexandre Schneider, o vice de Serra.

A grave denúncia foi publicada pela Folha, mas não mereceu destaque na capa ou qualquer repercussão no restante da mídia serrista. Nos dias seguintes, a coação com uso da máquina pública simplesmente caiu no esquecimento. O jornal apenas noticiou que a diretora foi afastada do cargo e abriu espaço para o PSDB apresentar sua desculpa esfarrapada. Será que a mídia tucana teria a mesma atitude complacente se circular oficial fosse usada pelo governo federal para convocar uma reunião com o petista Fernando Haddad?


Uma prática rotineira dos tucanos

Nas campanhas eleitorais em São Paulo, o uso da máquina pública já virou rotina. Há quase duas décadas no comando do estado, os tucanos são especialistas na matéria e usam vários estratagemas. Para vitaminar a sua campanha à prefeitura da capital, Serra tem usado a própria agenda de inaugurações do governo estadual. Na semana passada, ele visitou uma unidade de reabilitação de deficientes físicos e ganhou os holofotes do telejornal SP-TV, da TV Globo. Ele foi filmado ao lado de pacientes e posou para fotos.

No início de agosto, outra notinha na Folha, desta vez no Painel, informou que o governador Geraldo Alckmin escalou os secretários de seu núcleo político para um mutirão em cem cidades paulistas. Julio Semeghini (Planejamento), Edson Aparecido (Desenvolvimento Metropolitano), Sílvio Torres (Habitação), Bruno Covas (Meio Ambiente), José Aníbal (Energia) e Sidney Beraldo (Casa Civil) turbinarão campanhas de aliados nas regiões do Estado onde mantêm eleitorado cativo. A notinha só não explica como eles irão operar!

Diante do crescente uso da máquina pública, os candidatos de outros partidos prometem fazer barulho. Antonio Donato, coordenador da campanha de Fernando Haddad, afirmou que o PT acionará a Justiça. "Usar a máquina na eleição é indecente e criminoso", critica Gabriel Chalita (PMDB). Já Celso Russomanno (PRB) exigiu uma postura firme do Ministério Público e da Justiça Eleitoral. É muito triste, uma forma antidemocrática de fazer campanha, afirmou. Para a mídia serrista, porém, o assunto não merece destaque!

Apoios preocupantes

Ao mesmo tempo, os jornalões tem dado cobertura aos apoios obtidos pelo eterno candidato do PSDB sem nenhuma leitura crítica. Nesta semana, eles noticiaram a adesão da igreja evangélica Renascer em Cristo, liderada pelo casal Estevam e Sônia Hernandes, que foi preso nos EUA em 2007. Dias antes, o tucano já havia recebido as bênçãos do sinistro Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, e um conte comigo do midiático Marcelo Rossi. Eu sou um admirador dele. Somos amigos, afirmou o padre.

Este amplo leque de apoios religiosos indica que o tucano deverá manter a linha da campanha presidencial em 2010, quando explorou preconceituosamente temas como aborto e casamento homossexual. A mídia serrista, porém, não tem reparos a fazer sobre isto! 

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MINO: QUE LIBERDADE É ESSA, A DO POLICARPO ? Observe como o Mino expõe a peraltice do ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo.

17.06.2012
Do blog CONVERSA AFIADA, 16.08.12
Por Paulo Henrique Amorim


O engenheiro e o doutor. Que diriam eles de como ficaram seus partidos? Foto: Arquivo/AE e Rolando de Freitas/AE

Saiu na Carta Capital que chega nesta sexta-feira às bancas imperdível editorial do Mino Carta.

Observe como o Mino expõe a peraltice do ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo.

A estratégia que ele usou para amedrontar a Carta Capital, que o localizou a Lista da Caixa Dois do Eduardo Azeredo.

O ex-Supremo, como se sabe, já processou e perdeu numa ação contra a Carta, como perdeu uma ação contra este ansioso blogueiro – clique aqui para conhecer as ações que movem contra este ansioso blogueiro, não percam a notável Galeria de Honra Daniel Dantas, e não deixem de registrar, como faz o Mino: dz-me quem te processa e dir-te-ei quem és.

A tática ex-Suprema é digna do Padim Pade Cerra: avisa que vai processar o Amaury por causa da Privataria Tucana e morre de medo de uma “exceção da verdade”…

Vamos ao  Mino e não percamos tempo com a mais trágica herança do FHC. 

QUE LIBERDADE É ESTA?



Do PMDB dos dias de hoje, que diria o Doutor Ulysses? Digo, aquele que enfrentou os cães raivosos da ditadura, ironizou a “eleição” de Ernesto Geisel ao criar sua anticandidatura e liderou a campanha das Diretas Já. E do PDT, que diria Leonel Brizola, um dos poucos a esboçarem uma tentativa de resistência ao golpe de 1964, cassado e exilado, no retorno vigiado pelo poder ditatorial no ocaso, e ininterruptamente perseguido pela Globo? Quem ainda recorda as duas notáveis figuras tem todas as condições para imaginar o que diriam.

A CPI do caso Cachoeira acaba de escantear a convocação do jornalista Policarpo Jr., diretor da sucursal de Veja em Brasília, que por largo tempo manteve parceria criminosa com o contraventor. As provas irrefutáveis da societas sceleris apresentadas por CartaCapital na edição da semana passada não somente foram olimpicamente ignoradas pela mídia nativa, o que, de resto prevíamos, mas também não surtiram efeito algum junto à CPI. A qual, como se sabe, teria de apurar em todos os aspectos os crimes cometidos pelo talentoso Carlinhos e seus apaniguados. Entre eles, está demonstrado, Policarpo Jr.

Se as façanhas da semanal da Editora Abril não entraram na pauta da CPI é porque aqueles que nela representam PMDB e PDT são contrários à convocação do jornalista de Veja. Há precedentes para explicar. Sem justificar, é óbvio. Quando dos primeiros sinais de que Policarpo Jr. estava envolvido no entrecho criminoso, um dos filhos de Roberto Marinho foi a Brasília para um encontro com o vice-presidente da República e líder peemedebista Michel Temer. Tomava as dores de Roberto Civita, nosso Murdoch subtropical, sob a alegação de que alvejar Veja significaria mirar na mídia nativa em geral e pôr em xeque a liberdade de imprensa. Outro encontro, no mesmo período, Temer teve com o presidente-executivo da Abril, Fábio Barbosa. Cabe lembrar que fato igual não se deu nos tempos da censura dos ditadores a alguns órgãos de imprensa, quando os Marinho se relacionam com extrema cordialidade com os ministros da Justiça (Justiça?), e Veja  estava sob censura feroz.

E eis que surgem as provas cabais da participação de Policarpo Jr., mas a vontade dos barões midiáticos prevalece, com a inestimável contribuição do PDT, escudado nos argumentos de um notório simpatizante das Organizações Globo, Miro Teixeira, idênticos, palavra por palavra, àqueles usados por um dos Marinho na conversa  com Temer. Donde, caluda, como se nada tivesse ocorrido, de sorte a cumprir a recomendação da casa-grande: nada de encrencas, deixemos as coisas como estão. Encrencas para quem? Para a minoria privilegiada, omessa. E a liberdade de imprensa? É a de Veja agir como bem entende.

Encaro meus acabrunhados botões, e pergunto: e que diria vovô Brizola de Brizola Neto? Será que Miro Teixeira pesa mais na balança do poder do que o ministro do Trabalho? Pesa ao menos dentro do PDT, a ponto de ofender impunemente a memória do engenheiro Leonel. É a observação dos botões, sugerida como conclusão inescapável.

Confesso algo entre o desconforto e o desalento. Indignação e revolta eu experimentava durante a ditadura, hoje sobrevém a desesperança. A mídia nativa é o próprio alicerce da casa-grande. Não há, dentro do seu espaço, impresso ou não, uma única voz que se levante para pedir justiça. É o silêncio compacto da turba, enquanto os seus porta-vozes invectivam contra a corrupção, sempre e sempre petista, e desde já decidem o resultado do processo do chamado “mensalão”. Pretendem-se Catões, são piores que Catilina.

Os botões me puxam pela manga. Ah, sim, esqueci: uma voz se levanta, a do Estadão, para noticiar que Gilmar Mendes, este monstro sagrado da ciência jurídica nativa, solicita um inquérito público a respeito de CartaCapital. Motivo: a nossa denúncia da sua participação do valerioduto mineiro. Mendes diz até ter estudado na Alemanha, deveria saber, porém, que no caso o único caminho é nomear advogado e mover demanda no Penal.

Em compensação, esta semana Roberto Jefferson se tornou personagem de destaque por ter apontado no ex-presidente Lula o chefão da quadrilha. Ele mesmo, o Jefferson que no começo da história, quando já havia embolsado 4 milhões de reais despejados pelo valerioduto nos seus bolsos, cuidou de isentar o então presidente.

Nem tudo é desgraça nas pregas do momento: na terça 14, o Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou por unanimidade a decisão de primeiro grau que reconhece como torturador o coronel Carlos Brilhante Ustra, comandante do DOI-Codi por certo período dos anos de chumbo. É a primeira vez que um órgão colegiado da Justiça brasileira afirma os crimes de um agente da ditadura civil-militar. Com isso, abre-se a porta para processos similares no Cível. A demanda movida pela família Teles, que conta com cinco torturados na masmorra do coronel Ustra, valeu-se do destemor e do saber do jurista Fábio Konder Comparato, infatigável na defesa da causa. Seu desfecho, pelo menos até agora, representa um avanço, mas a lei da anistia, condenada nas instâncias internacionais e tão limitativa das nossas aspirações democráticas, continua em vigor.

Ao cabo da semana, os botões sustentam condoídos que a casa-grande está de pé, inabalável, certa da cordialidade da senzala, como diria Sérgio Buarque de Holanda.

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BLOG DO MIRO: Noblat, não rasgue a Constituição

17.08.2012
Do BLOG DO MIRO, 16.08.12


Por Marcus Vinícius, em seu blog:

Se fosse advogado Ricardo Noblat não passaria no exame da Ordem. E como jornalista deveria se aprofundar nos temas que discute. O articulista resolveu se meter a censor do Supremo Tribunal Federal (STF) dizendo quem pode e quem não pode julgar a Ação 470. Mais: atenta contra a Constituição Federal.

Não vou entrar na polêmica se realmente Noblat ouviu o ministro José Antônio Dias Tóffoli fazendo comentários desairosos sobre sua pessoa. Me atenho ao seu comentário em video (link: http://youtu.be/cvyLfkZs-jo ), onde elenca motivos para que Dias Tóffoli não julgue:

1 – Lula o nomeou ao STF depois de sua passagem pela Advogacia Geral da União

2 – Foi assessor do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu

3 – Sua atual esposa foi advogada de três acusados

Os ministros Carlos Ayres Brito, Cesar Peuluzzo, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandoviski, Carmen Lúcia também foram nomeados pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Estariam eles também sob suspeição?

Quando foi da Advocacia Geral da União e quando esteve à serviço do ministro José Dirceu o ministro Dias Tóffoli praticou algum ato que desabonasse sua conduta?

Para ser ministro do STF é preciso autorização prévia de órgãos de imprensa, CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para contrair matrimônio?

No seu comentário Ricardo Noblat declara:

“Se ele (Tóffoli) votar pela inocência de pessoas com as quais viveu e algumas com as quais trabalou, sempre vai se dizer que prestou um serviço a quem o nomeou”.

Sob esta ótica o voto de cinco colegas de Dias Tóffoli estaria “contaminado”, pois foram todos nomeados pelo governo que Dias Tóffoli participou.

A pergunta mais importante, que em nenhum momento é feita pelo jornalista é: E se todos forem inocentes? Neste caso, mesmo comprovada a inocência o ministro Dias Toffoli deveria votar pela condenação apenas para “não ficar mal com a mídia”?

Diz o texto da Constituição Brasileira de 1988 em seu artigo 5.°, inciso LVII: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Desta forma, o acusado de ato ilícito tem o direito de ser tratado com dignidade enquanto não se solidificam as acusações, já que pode-se chegar a uma conclusão de que o mesmo é inocente.

Ao colocar em xeque a honra do ministro Dias Tóffoli, e, sobretudo, macular o princípio sagrado da presunção de inocência, o jornalista pre-julga os réus, o STF e agride nossa Carta Magna.

A Suprema Corte Brasileira pautou-se sempre como guardiã do Direito e da Justiça. Sem provas, In dubio pro reo, pois um juiz de instância maxima não julga ao sabor dos humores da opinião pública, tampouco da opinião publicada. Fosse assim não teríamos um ordenamento jurídico, perdendo efeito toda jurisprudência que baliza as decisões de nossos magistrados.

Noblat talvez devesse refletir sobre o exemplo da Suprema Corte dos Estados Unidos. Lá é notória a divisão entre juízes conservadores (nomeados pelos Republicanos) e liberais (nomeados pelos democratas). O equilíbrio politico entre uma posição e outra se dá justamente onde interessa ao cidadão: na jurisprudência. É o que registra matéria de João Ozório de Melo, no site Conjur (Consultor Jurídico):

"A Suprema Corte dos EUA tem nove ministros — cinco conservadores e quatro liberais. Na ala conservadora estão o presidente da Corte, John Roberts (indicado por George Bush) e os ministros Antonin Scalia (indicado por Ronald Reagan), Anthony Kennedy (Ronald Reagan), Clarence Thomas (George Bush) e Samuel Alito (George Bush). Na ala liberal, estão o ministro Stephen Breyer (indicado por Bill Clinton) e as ministras Ruth Bader Ginsburg (Bill Clinton), Sonia Sotomayor (Barack Obama) e Elena Kagan (Barack Obama)".

Nos últimos tempos, o ministro conservador Anthony Kennedy assumiu a posição de fiel da balança da Suprema Corte, se alinhando com os conservadores ou com os liberais de acordo com suas convicções jurídicas, em cada um dos casos.

Os brasileiros e brasileiras esperam que o STF faça justiça, seja o guardião da Constituição Federal e consagre o respeito ao devido processo legal. Ninguém pode ser condenado sem provas. Nenhum ministro pode ser posto sob suspeição antes de manifestar juridicamente seu voto.

As tentativas de cerceamento da defesa dos réus, a espetacularização do julgamento, a intimidação de ministros nos fazem lembrar os momentos mais tristes da imprensa brasileira, quando nos idos de 1964, veículos como O Globo, no qual o articulista escreve, rasgou a Constituição de 1946 para apoiar abertamente o golpe contra um presidente legitimamente eleito pelo voto popular.

O retorno à democracia, ao Estado de Direito e às liberdades individuais custou o sangue de centenas de brasileiros. Não é digno da memória dos que tombaram campanhas histriônicas para que o STF, justo a nossa Suprema Corte, patrocine um atentado à Constituição Cidadã.

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