domingo, 12 de agosto de 2012

SERVIDORES PÚBLICOS: Mídia reforça preconceito contra servidores, por Maria Gódoi Faria

11.08.2012
Do blog VI O MUNDO, 09/08/12
Por Maria Godói Faria, secretária geral adjunta da CUT e presidenta da CNTSS


Sem servidor valorizado não há protagonismo do Estado

Desde a sua fundação em 1995, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTTS) tem como uma das suas principais bandeiras de luta a Negociação Coletiva no Serviço Público. É sabido por todos que até a Constituição Federal de 1988 o funcionalismo público das três esferas (União, Estados e municípios) não podia se organizar em sindicatos, fazendo suas lutas até então através das Associações de Servidores, que não tinham o caráter sindical.

Com o direito conquistado a partir de 88, a maioria das associações se transformou em entidades sindicais. Durante todos esses anos, as nossas lutas têm adquirido duas importantes vertentes: primeira, a defesa do serviço público para a implementação de políticas públicas sociais como dever do Estado e direito do cidadão, como consta na Constituição Federal. Portanto, com a concepção de entidades sindicais cidadãs. Segunda, buscando cada vez mais conquistar para os “servidores”, os mesmos direitos que os “trabalhadores” do setor privado têm.

Infelizmente, a grande maioria da sociedade brasileira quando houve falar em funcionalismo público, logo pensa “naquela” pequena parcela privilegiada, pois desconhece a dura realidade da grande maioria assalariada.

Como os grandes conglomerados de comunicação, emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas, plenamente identificados com o ideário neoliberal de desmonte do Estado e privatização dos serviços, se empenham para reforçar no inconsciente coletivo esta visão preconceituosa e deturpada, queremos apresentar, brevemente, algumas das situações vividas pelos servidores públicos federais, que valem também para a maioria do funcionalismo estadual e municipal.

Por serem concursados e estatutários, quando se aposentam, os servidores levam consigo o salário do mês, o percentual de férias e o 13º a que tem direito e… ponto! Portanto, depois de mais de 30 anos de serviços prestados, saem com uma mão na frente e outra atrás.

Como os salários ou vencimentos base não são os maiores valores do contracheque/holerite – pois este é composto por várias gratificações – quando se aposentam, os seus vencimentos caem, pois as gratificações não se estendem à aposentadoria, ou quando isso acontece não são – nem de longe – nos mesmos percentuais. É retirado o vale-auxílio, o vale-alimentação (se justifica, porém ele/ela não deixa de comer). E para piorar, não existe uma política de aumento/recuperação salarial para os aposentados, como ocorre no setor privado. Hoje em dia quando se discute alguma porcentagem de aumento/correção, é um valor para os da ativa e outro para os aposentados. Ou seja, todo servidor precisa trabalhar até a compulsória e depois depender da família.

No Estado de São Paulo, depois de 10 anos durante os quais os servidores estaduais receberam R$ 4,00 de auxílio-alimentação, o governo, “reconhecendo” e “valorizando” a categoria, “concedeu” um aumento de 100%! Bom, não é? Passou de R$ 4,00 para R$ 8,00. Será que os que estão no governo do mais rico estado da Federação almoçam com R$ 8,00?

No governo federal, começamos em 2008 uma discussão de reestruturação de tabela salarial, onde foram feitas inúmeras reuniões com as entidades de servidores federais e assinados vários protocolos. Com a crise na Europa e nos Estados Unidos, praticamente nada teve sequência. E a alegação da equipe econômica foi justamente a “crise”, como se o aumento do poder aquisitivo dos salários dos servidores não impactasse positivamente o mercado interno. 

Só para lembrar, o governo Lula focou no fortalecimento dos salários e no crescimento do consumo para reduzir o tsunami vendido pela imprensa como demolidor a uma “marolinha”. 

Agora, tentam reduzir os ganhos salariais para, via “ajuste fiscal” e elevado superávit primário, ampliar os repasses para o sistema financeiro, para banqueiros e especuladores. Qual a lógica desta irracionalidade?

Bem, neste período depois de muita, mas muita luta, conseguimos que o Brasil fosse signatário da Convenção 151 da OIT, que diz respeito à “negociação coletiva no serviço público”, um momento histórico. Porém é preciso sua regulamentação, o que, infelizmente, não está nas prioridades do governo.

Resumo da obra: sem negociação, sem dissídio, sem data-base, sem correção da inflação, sem aumento real, sem recuperação de perdas salariais, sem carreira para evolução profissional, depois de reuniões infindáveis no Ministério do Planejamento, além das mesas setoriais, o que restou para o conjunto dos servidores foi a greve.

A resposta do empregador, ou seja, do governo, foi o absurdo corte de ponto, decreto de substituição de servidores federais por estaduais, municipais e/ou contratados e nenhuma proposta.

Ora, para um país se desenvolver precisa do protagonismo do Estado, de políticas sociais, de serviços públicos para atender a sociedade como saúde, educação, transporte, segurança, etc… Vejam, se áreas tão prioritárias como estas encontram-se em greve, nos parece que há alguma coisa de muito errada. E, com certeza, não é com os trabalhadores que lutam pelo seu direito mais elementar, que é o seu salário.

A democratização das relações de trabalho, o reconhecimento e a valorização dos trabalhadores, garantindo salários dignos é um pressuposto básico de um governo democrático e popular. O funcionalismo federal precisa de negociação coletiva como todos os trabalhadores deste país e não ser tratado como a causa dos problemas do governo que, para enfrentar a crise cuida de grandes empresas, inclusive multinacionais, com montanhas de recursos públicos, deixando as sobras aos demais. Se houver.

Somos funcionários públicos, sim senhor! Com muito orgulho. Somos nós que estamos na linha de frente, todos os dias, atendendo, nas condições que nos são dadas, a população deste país.

Somos cidadãos, sim senhor! Com muito orgulho e contribuímos, como todos os demais, para o desenvolvimento nacional. Portanto, queremos o que é direito de trabalhador e nada mais. 

Queremos aumento de salário e reposição da inflação, plano de carreira e condições de trabalho, o fim do assédio moral, o direito à negociação coletiva.

Para construir um país novo, precisamos virar a página de velhos – e falidos – receituários. O povo brasileiro não cabe na camisa de força do passado.

Leia também:


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MARAJÁS DO PSDB: Hackers invadem site do governo de SP e exibe salários dos marajás tucano

12.08.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 10.08.12


Hackers organizaram em uma tabela, por ordem crescente e decrescente, os vencimentos mensais do funcionalismo público paulista. No Portal Transparência Estadual, onde são divulgados os valores pagos ao funcionalismo pelo governo, há somente mecanismos de buscas por nome, cargo, órgão e situação (aposentados, ativos e pensionistas), e não por vencimentos.

O teto estadual é de R$ 18,7 mil, equivalente ao salário do governador, mas um dos servidores, o coronel da reserva da Polícia Militar (PM) e atual subprefeito da Lapa, na Zona Oeste da capital paulista, Aílton Araújo Brandão, recebeu rendimento líquido, no mês de junho, de R$ 254,1 mil. 
 
No Portal Transparência Estadual, há registro de mais de 17,5 mil nomes. Pela tabela organizada pelos hackers, depois de Brandão, os maiores salários são os de dois fiscais de renda da Secretaria da Fazenda, ambos na ativa, com vencimentos líquidos de R$ 180,2 mil e R$ 134,8 mil, respectivamente. Segundo o governo, os dois devem ter recebido remuneração extra no mês de junho, como o coronel.

Dos dez maiores vencimentos, cinco são de coronéis e tenentes-coronéis aposentados da PM paulista, todos acima de R$ 100 mil. Além de Brandão, o tenente-coronel da reserva Almir Ribeiro, que aparece no "top ten" também ocupa um cargo na gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD): é chefe de gabinete da Subprefeitura Jaçanã/Tremembé. No Estadão

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Brasil repete roteiro, vence os EUA e é bicampeão olímpico de vôlei feminino

12.08.2012
Do portal UOL NOTÍCIAS, 11.08.12
Por Gustavo Franceschini 
Do UOL, em Londres (Inglaterra)

Jogagoras do Brasil comemoram medalha de ouro no lugar mais alto do pódio em Londres
Jogagoras do Brasil comemoram medalha de ouro no lugar mais alto do pódio em Londres
O Brasil O Brasil O Brasil O Brasil contrariou todos os prognósticos, bateu com propriedade o time mais temido e é bicampeão olímpico de vôlei feminino. Em um jogo emocionante e que retratou bem a campanha da equipe em Londres, a seleção de Jaqueline, Sheilla e Dani Lins fez 3 sets a 1 (11-25, 25-17, 25-20 e 25-17) nos Estados Unidos e entrou para a história como o primeiro time do país a conseguir dois títulos seguidos nos Jogos.

E como em 2008, a conquista veio em cima dos Estados Unidos depois de muitas críticas à performance da equipe, que viveu uma crise intensa já durante os Jogos Olímpicos e reagiu. O feito coloca José Roberto Guimarães, técnico da equipe, em um patamar único na história do esporte brasileiro. Campeão com o masculino em 1992 e com o feminino há quatro anos, ele é o primeiro tri olímpico do Brasil, contando treinadores e atletas.
A segunda medalha de ouro também consagra a geração de Jaqueline, Fabiana, Thaisa, Paula Pequeno, Fabi e Sheilla, que foram campeãs em 2008 e adicionam outro pódio às suas carreiras, uma semana depois de a equipe quase eliminada na primeira fase.
A superação da crise começou nos últimos jogos da fase de grupos, passou por uma vitória eletrizante sobre a antiga carrasca e acabou diante da equipe mais forte do mundo. Amplas favoritas, as norte-americanas mostraram durante todo o jogo que não tinham o status de graça, mas encontraram o Brasil mais paciente e técnico dos últimos tempos, que conseguiu, com muito custo, a sonhada medalha.

Brasil x EUA - final do vôlei feminino

Foto 14 de 40 - Fernanda Garaay comemora com Jaqueline ponto marcado na final contra os Estados Unidos AFP PHOTO / KIRILL KUDRYAVTSEV
O começo, no entanto, deu a entender que a derrota era inevitável. Os Estados Unidos começaram impossíveis e o Brasil muito mal, em uma analogia involuntária ao que aconteceu ao longo do torneio. Logo de cara, Akinradewo, a melhor bloqueadora do torneio, amorteceu quatro ataques do Brasil na rede antes de seu time fazer 5 a 1. Zé Roberto tentou consertar e pediu calma, mas a equipe parava na muralha norte-americana e quando tinha chances errava.
A volta para a quadra foi bem mais firme. Dani Lins distribuiu mais o jogo e viu Jaqueline crescer muito. A ponteira, que se notabiliza por ser melhor na defesa que no ataque, marcou pontos em sequência, tirou o Brasil do buraco e ajudou o time a criar uma vantagem de cinco pontos. Mais à vontade, Sheilla também cresceu, voltou a virar bolas e foi importante na conquista do set, fechado em 25 a 17.Sheilla, sobrecarregada, já tinha falhado em oito bolas antes das rivais chegarem ao 15º ponto. O Brasil, como um todo, colocou no chão só cinco das 34 chances que teve na parcial e errou nove vezes. Um apagão que deu para os Estados Unidos o set com a maior diferença de pontos da história das finais olímpicas: 25 a 11.

A reação rápida deu moral ao Brasil, que igualou de vez a partida. Com Dani Lins e Jaqueline de novo como destaque, a seleção começou na frente a terceira parcial e chegou a impor cinco pontos de vantagem. Com o saque verde-amarelo quebrando o passe, as americanas ficaram sob pressão. O sistema de bloqueio e defesa funcionava e o time de Zé Roberto abusou da categoria nos momentos difíceis, contou com erros cruciais das rivais e venceu por 25 a 20.
No quarto set, foi a vez de Sheilla brilhar. A oposta mostrou enorme categoria em ao menos duas bolas difíceis e manteve a vantagem de dois pontos conquistada logo no início da parcial. Quando fez 14 a 9, o Brasil começou a ouvir da arquibancada o grito de “O campeão voltou”, que embalou a equipe nos momentos de reação em Londres.
Nada que fizesse a seleção se desconcentrar. Em todo o jogo, o Brasil teve o mérito de cortar qualquer tentativa de reação dos EUA, e no quarto set não foi diferente. Dani Lins fez até ponto de largadinha e viu as americanas muito abaladas com a situação adversa. A seleção, paciente na defesa, abriu 22 a 14. Nos pontos finais, muita atitude na recepção, um aproveitamento acima do normal no ataque e muita emoção, em quadra e nas arquibancadas.

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Fonte:http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2012/08/11/brasil-repete-roteiro-vence-os-eua-e-e-bicampeao-olimpico-de-volei-feminino.htm

JORNALISMO CRIMINOSO: DR. ROSINHA ENFRENTA O PIG. A BATATA DA GLOBO ASSA

12.08.2012
Do blog CONVERSA AFIADA, 11.08.12
Por Paulo Henrique Amorim 

A reportagem de Leandro Fortes na Carta Capital – clique para ler “Leandro e a Carta pegam a Veja – Temer e a Globo deixam ?” – informa:


A reportagem de Leandro Fortes na Carta Capital – clique para ler “Leandro e a Carta pegam a Veja – Temer e a Globo deixam ?” – informa:

“Na próxima terça-feira, dia 14, o deputado Dr. Rosinha, do PT do Paraná, irá ao plenário da CPI do Cachoeira fazer o que ninguém teve coragem de fazer até agora: enfrentar a mídia” (aqui chamada de PiG (*).

“Com base em um documento preparado a partir de todo o material enviado à Comissão pela Polícia Federal, o parlamentar vai apresentar um requerimento de convocação do jornalista Policarpo Jr., diretor da revista Veja em Brasília.”

“O parlamentar tem em mãos um quadro completo das ligações escusas do jornalista e da semanal da Editora Abril com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Um relicário de quase uma centena de interceptações telefônicas feitas pela Policia Federal nas operações Vegas, de 2009 (aquela que conferiu ao brindeiro Gurgel a acusação de “prevaricador” e “chantagista”- PHA) e Monte Carlo, realizada em 29 de fevereiro deste ano.”

“A conclusão é devastadora.”

A reportagem de Leandro reproduz um diálogo entre Poli – também conhecido na quadrilha como o “Caneta” – e Carlinhos, em que o “Caneta” pede:

“Como é que eu levanto umas ligações aí do Jovair Arantes, deputado (do PTB de Goiás) ?

Diz Cachoeira: “Vamos ver, uai.”

Navalha
Quem transformava o detrito sólido de maré baixa da Veja em Chanel # 5 ?, amigo navegante ?

Eram os filhos do Roberto Marinho – que não tem nome próprio – pelas mãos daquele que Collor chamaria de “rabiscador”, produtor de “cacarias”: o Ali Kamel.

Os telejornais da Globo eram o destino final da obra da “cambada”- para usar outra expressão de Collor.

Carlinhos e o Caneta tramavam, publicavam na Veja, e a Globo dava um “up”, com a deterioração da credibilidade de profissionais como o Bonner, a Fátima, o Chico, entre outros.

(O William Traaack, como diria dona Guilhermina, é irrecuperável.)

O desassombro do Dr. Rosinha, portanto, não é apenas chamar o Caneta para a forca.

Significa chamar também o Rupert Civita, o Fabio Barbosa, os filhos do Roberto Marinho (eles não tem nome próprio) e, ultima ratio, o Kamel.

Porque o diretor da Época (da Globo), em Brasília, êmulo do Caneta, já dançou, pelo mesmo motivo: ele era “assim” com o Carlinhos.

Agora, na terça-feira, a onça vai beber água.

Vamos ver se o PT vota a convocação do Caneta – e, portanto, de seu patrão, o Murdoch, dos filhos do Roberto Marinho e do Kamel, numa sequencia inevitável.

Vamos ver a valentia do PT contra a Globo.

Vamos ver se o PMDB vota.

Os liderados pelo Temer, que fez o “pacto do abafa” com os filhos do Roberto Marinho.

Vamos ver se o Miro Teixeira vota.

O interessante é que o Miro, o Eduardo Cunha, o Henrique Alves, o Alvaro Dias, aquele Gigante do Orçamento, o Sergio Guerra – todos eles poderiam e ainda podem ser vítimas de um Caneta da Veja: “levanta aí umas ligações do Miro”; “vamos revisitar a CPI dos Gigantes do Orçamento”…

Vamos ver, uai.

Como é que eles se comportarão na terça-feira ?

Qual a “liberdade de imprensa” que o Miro defende e defendeu – com brilho -, ao propor no Supremo o fim da Lei de Imprensa.

Qual liberdade, Miro ?

De grampear parlamentar ?

Foi pela liberdade do Caneta que você lutou, Miro ?

Do Kamel, o empacotador de detrito solido de maré baixa ?

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/pig/2012/08/11/dr-rosinha-enfrenta-o-pig-a-batata-da-globo-assa/

O Triste fim de Policarpo [Não o Quaresma literário, mas o Jr, da revista Veja]

12.08.2012
Do BLOG DO SARAIVA, 11.08.12
Por Leandro Fortes

Na CartaCapital dessa semana há uma história dentro de uma história. A história da capa é o desfecho de uma tragédia jornalística anunciada desde que a Editora Abril decidiu, após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, que a revista Veja seria transformada num panfleto ideológico da extrema-direita brasileira. 

Abandonado o jornalismo, sobreveio a dedicação quase que exclusiva ao banditismo e ao exercício semanal de desonestidade intelectual. O resultado é o que se lê, agora, em CartaCapital: Veja era um dos pilares do esquema criminoso de Carlinhos Cachoeira. O outro era o ex-senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Sem a semanal da Abril, não haveria Cachoeira. Sem Cachoeira, não haveria essa formidável máquina de assassinar reputações recheada de publicidade, inclusive oficial.

A outra história é a de um jornalista, Policarpo Jr., que abandonou uma carreira de bom repórter para se subordinar ao que talvez tenha imaginado ser uma carreira brilhante na empresa onde foi praticamente criado. Ao se subordinar a Carlinhos Cachoeira, muitas vezes de forma incompreensível para um profissional de larga experiência, Policarpo criou na sucursal daVeja, em Brasília, um núcleo experimental do que pior se pode fazer no jornalismo. 

Em certo momento, instigou um jovem repórter, um garoto de apenas 23 anos, a invadir o quarto do ex-ministro José Dirceu, no Hotel Nahoum, na capital federal [aqui]. Esse ato de irresponsabilidade e vandalismo, ainda obscuro no campo das intenções, foi a primeira exalação de mau cheiro desse esgoto transformado em rotina, perceptível até mesmo para quem, em nome das próprias convicções políticas, mantém-se fiel à Veja, como quem se agarra a um tronco podre na esperança de não naufragar.

A compilação e análise dos dados produzidos pela Polícia Federal em duas operações – Vegas, em 2009, e Monte Carlos, em 2012 – demonstram, agora, a seriedade dessa autodesconstrução midiática centrada na Veja, mas seguida em muitos níveis pelo resto da chamada “grande” imprensa brasileira, notadamente as Organizações GloboFolha de S.PauloO Estado de S.Pauloe alguns substratos regionais de menor monta. Ao se colocar, veladamente, como grupo de ação partidária de oposição, esse setor da mídia contaminou a própria estrutura de produção de notícias, gerou uma miríade de colunistas-papagaios, a repetir as frases que lhes são sopradas dos aquários das redações, e talvez tenha provocado um dano geracional de longo prazo, a consequência mais triste: o péssimo exemplo aos novos repórteres de que jornalismo é um vale tudo, a arte da bajulação calculada, um ofício servil e de remuneração vinculada aos interesses do patrão.

A Operação Vegas, vale lembrar, foi escondida pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel, este mesmo que por ora acusa mensaleiros no STF com base em uma denúncia basicamente moldada sobre os clichês da mídia, em especial, desta Veja sobre a qual sabemos, agora, que tipo de fontes frequentava. Na Vegas, a PF havia detecdado não somente a participação de Demóstenes Torres na quadrilha, mas também de Policarpo Jr. e da Veja. Essa informação abre uma nova perspectiva a ser explorada pela CPI do Cachoeira, resta saber se vai haver coragem para tal.

Há três meses, representantes das Organizações Globo e da Editora Abril fecharam um sórdido armistício com Michel Temer, vice-presidente da República e cacique-mor do PMDB. 

Pelo acordo, o noticiário daria um descanso para Dilma Rousseff em troca de jamais, em hipótese alguma, a CPI do Cachoeira convocar Policarpo Jr., ou gente maior, como Roberto Civita, dono  da Abril. A fachada para essa negociata foi, como de costume, as bandeiras das liberdades de imprensa e de expressão, dois conceitos deliberadamente manipulados pela mídia para que não se compreenda nem um nem outro.

No dia 14 de agosto, terça-feira que vem, o deputado Dr. Rosinha irá ao plenário da CPI apresentar um requerimento de convocação do jornalista Policarpo Jr.. É possível, no mundo irrreal criado pela mídia e onde vivem nossos piores parlamentares, que o requerimento caia, justamente por conta do bloqueio do PMDB e dos votos dessa oposição undenista sem qualquer compromisso com a moral nem o interesse público.

Será uma chance de ouro de todos nós percebermos, enfim, quem é quem naquela comissão.

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Do Blog TERRA BRASILIS.

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FHC , E SEU ESQUECIMENTO SELETIVO: Ex-presidente Fernando Henrique 'não lembra' do mensalão de Azeredo

12.08.2012
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 09.08.12


Ex-presidente Fernando Henrique 'não lembra' do mensalão de Azeredo
(Renato Araujo/ABr)
Fernando Henrique Cardoso está de volta à mídia. Dia sim, e no outro também, o ex-presidente tucano aparece dando pitaco sobre algum assunto que quando foi presidente envagetou. Mas agora ele se acha capaz  de dizer como deve ser feito. FHC sugeriu ao STF ouvir a "opinião pública" para condenar os réus do "mensalão".
Se for assim, por que FHC nunca sugeriu, pelo menos, expulsar Eduardo Azeredo do PSDB e negar legenda para ele não se eleger deputado federal em 2010?
O mensalão do Azeredo em Minas Gerais,  que segundo o Ministério Público funcionou no fim da década de 1990 para arrecadar ilegalmente recursos para a campanha ao governo de Minas, ainda não tem previsão para ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.  E pior, corre o risco de prescrição. Em dezembro de 2009, os ministros do STF receberam a denúncia e abriram processo criminal contra o então senador Eduardo Azeredo (PSDB), acusando-o de peculato e lavagem de dinheiro.
Ao contrário do que ocorre atualmente no processo da Ação 470 (o chamado "mensalão")  no qual todos os réus serão julgados pelo STF, no mensalão do PSDB por enquanto apenas Azeredo terá a acusação analisada pela corte máxima. Os outros dez réus do processo contra os tucanos serão julgados pela Justiça de Minas Gerais.
Além disso, se fosse para ouvir a "opinião pública", o justo seria um júri popular, onde os jurados têm obrigação de assistir com atenção a todo o julgamento (e não só a cobertura editada e levada ao ar pelo Jornal Nacional), ouvindo a acusação e a defesa para, então, decidir.
Triste fim o de FHC. A esta altura da vida, ele poderia contribuir para o aprimoramento da nação revelando as mazelas do poder, que bem conheceu, para saná-las. Poderia ajudar a combater o financiamento privado de campanhas, por exemplo, a principal raiz sistêmica da corrupção em uma democracia como a brasileira.
Mas parece que FHC, usemos uma expressão bem popular, gosta da coisa. Já foi financiado pela Fundação Ford em plena ditadura, e recentemente ganhou um prêmio de US$ 1 milhão do Congresso estadunidense pelos serviços prestados aos EUA, quando aderiu ao consenso de Washington, durante seu governo de privataria tucana.
Em vez de lutar contra o financiamento privado de campanhas, FHC comporta-se como se fosse o imperador romano Commodus (um dos piores daquele império), ao sugerir condenar ou absolver gladiadores sinalizando com o dedo polegar, conforme a platéia do Coliseu.
E se, somente por uma hipótese alegórica, o presidente do STF, Aires Brito, resolvesse seguir o conselho, e convocasse a população para comparecer em frente ao STF, e pedisse ao público para levantar a mão quem quisesse condenar e, depois, quem quisesse absolver, um a um? Se o julgamento for apenas político, quem consegue colocar o povo na rua? Será que são os demotucanos?
Em tempo: Commodus foi retratado, em uma adaptação ficcional para o cinema, no filme "Gladiador", como vilão corrupto. O herói era o ex-general Maximus, perseguido por Commodus, que acabou traçando e executando um plano rebelde de fazer justiça, se tornando gladiador popular, desafiando o imperador.

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Piada pronta e paranóia no mensalão

12.08.2012
Do blog ESQUERDOPATA, 11.08.12


Está na moda observar que os ministros do STF resolveram quebrar o costume e interrogar os advogados dos acusados do mensalão para fazer perguntas inesperadas durante o julgamento. Eu acho essa atitude muito positiva tanto pelo conteúdo como pela forma.

Pelo conteúdo, por que ajuda a questionar discursos que parecem bonitos demais para serem verdadeiros.

Pela forma, porque nem sempre é fácil aguentar várias falações consecutivas sem ficar entendiado.

As perguntas ajudam, portanto.

Eu acho que apareceu uma nova pergunta sobre o caso. Ou melhor, é uma piada pronta. Acabo de ler que o mensalão do DEM foi desmembrado. Aquele mesmo, sobre 38 integrantes do governo do Distrito Federal que foram filmados quando recebiam dinheiro em sacos de supermercado e na sacola de feira. Então, ficamos assim: o mensalão do PSDB foi desmembrado. O mensalão do DEM foi desmembrado. Já o mensalão do PT não foi desmembrado.

No mesmo processo, uma das acusações mais graves contra o governador Joaquim Roriz foi considerada prescrita.

Vamos combinar: é recorde. Podiam pelo menos esperar o final do julgamento dos petistas antes de anunciar a medida. Embora a decisão sobre o mensalão do DEM tenha sido tomada em outro tribunal, o STJ, parece que as coisas envolvem acusações um pouquinho semelhantes…

Ninguém vai dizer: PQP!?

Talvez seja um sinal dos tempos, um espírito da época. Quem sabe um símbolo, um exemplo, como dizem aqueles antropólogos tão convencidos do caráter arquetípico do mensalão (do PT) que parecem querer substituir o Ayres Britto pelo Carl Jung.

Tenho um amigo que dizia que o fato de uma pessoa ser paranóica e enxergar uma conspiração em cada esquina não impede que possa estar sendo efetivamente perseguida. E aí quem tem razão: o médico ou o paciente?

Falando nisso: um doleiro que colaborou com as investigações do mensalão do PT conseguiu o que os “comuns” queriam. Foi desmembrado individualmente e será julgado pela Justiça comum, em São Paulo. Isso porque ele fez um acordo de delação premiada com o ministério público. Ajudou muito nas investigações? Não sei. O advogado de Waldemar Costa Neto, que entrou no mensalão como chefe do PL, chegou a fazer ironias sobre as delações prestadas…

Mas sei que é mais um exemplo que ajuda os petistas a acharem que são perseguidos.

Há outras questões, contudo. O relator Joaquim Barbosa questionou, muito corretamente, o advogado do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. O relator queria saber se os milhões que foram transferidos do sistema Visa Net para as agências de Marcos Valério, empresa da qual o BB é um dos três sócios, são recursos públicos.

O advogado de Pizzolato dizia que eram recursos privados. Barbosa sustentou, pelas perguntas, que são recursos públicos. Foi elogiadíssimo nos dias seguintes. A interpelação virou manchete.

A credibilidade de Pizzolato é difícil porque ele recebeu uma bolada de R$ 326 000 reais em seu apartamento e diz que não sabe quem mandou lhe entregar e não lembra para quem repassou logo em seguida.

Como, dias depois, ele comprou um apartamento no valor de R$ 400 000, sua palavras parecem embrulhadas no saco de papel onde disse que o dinheiro chegou.

A discussão sobre dinheiro publico é importante.

A maioria das pessoas usa a expressão “desviar” para falar do dinheiro que saiu da Visa Net para as empresas de Marcos Valério. Está provado que boa parte desse dinheiro não foi usada em publicidade, mas para alimentar o cofre do esquema de Valério-Delubio Soares. A palavra “desvio” sugere que era uma operação ilegal mas o fato que não há lei que impeça o Visa Net — seja público, seja privado — de agir assim. Tanto é verdade que Lucas Figueiredo registra, no livro O Operador, que o mensalão tucano recebia boladas igualmente respeitáveis antes da chegada de Pizzolato e sua turma a diretoria do Banco do Brasil. O primeiro contrato com Marcos Valério foi assinado antes mesmo dele ser nomeado diretor, revelou-se no tribunal.

A Polícia Federal descreve, em seu inquérito, a imensa autonomia dos diretores para assinar cheques e fazer pagamentos sem nenhum tipo de restrição. Vale para os políticos e até para patrocínios esportivos. Tudo entre os diretores do banco.

Mas não diz que isso é crime.

Se não é crime, cabe uma observação sensata feita por Miguel Reale Junior, que foi ministro da Justiça no governo de FHC. Reale Jr lembrou que muitos réus do mensalão são acusados de lavagem de dinheiro. O problema é que,para lavar dinheiro, diz a lei, é preciso haver um crime anterior. Se não há uma clara tipicação do crime, como falar em lavagem de dinheiro? Se você sustenta que eram recursos públicos, a acusação está melhor defendida, certo?

Outra pergunta curiosa é: quem pagou Pizzolato? Ele não era deputado, nem tinha dívida de campanha para pagar.

Se o mensalão petista destinava-se a pagar gastos de campanha, por que Pizzolato recebeu – mesmo que tenha sido por algumas horas – uma bolada tão respeitável?

Os adversários de Pizzolato no PT dizem que ele recebeu dinheiro de um personagem de quem pouco se falou nos últimos tempos: o banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity.

A história desses petistas é assim: procurado por Delúbio Soares para dar sua contribuição, Daniel Dantas concordou em dar dezenas de milhões de reais. Em troca, queria suporte para manter-se no comando da gigante de telefonia Brasil Telecom, de onde os sindicalistas que comandavam os fundos de pensão do Banco do Brasil,da Caixa e da Petrobrás pretendiam desalojá-lo e brigaram até o fim do governo Lula para conseguir isso.

O fim dessa disputa você conhece. Deu até na Operação Satiagraha, levou àquele dossiê falso com contas secretas de araque no exterior e assim por diante. É muita confusão, concorda?

Mas Pizzolato foi útil para Daniel Dantas ao fazer, publicamente, acusações contra Luiz Gushiken, apontado com o mentor intelectual dos fundos de pensão. Essas acusações serviram para alimentar a denúncia contra Gushiken e ajudaram a seu indiciamento em 2007, embora as bases para isso fossem tão frágeis que cinco anos depois o ministério publico pede sua absolvição por falta de provas.

A polícia federal não achou nada para incriminar Gushiken mas encontrou provas da atuação de aliados de Daniel Dantas. Está lá no relatório assinado pelo delegado Zampronha. Conta-se que a executiva que Daniel Dantas tinha nomeado para comandar a Brasil Telecom assinou um contrato no valor de R$ 50 milhões com as agências de Marcos Valério, a serem pagos em três prestações. 

Confesso que achei essa informação importante e fiquei mais impressionado ainda ao descobrir que nem Daniel Dantas nem nenhum de seus sócios e diretores foram indiciados no mensalão. Mas Gushiken foi.

Curiosidade? Paranóia?

Acho que é piada pronta. Lembro sempre que ninguém deve ser acusado por antecipação. Mas, em minha infinita ignorância, encontro um laço de parentesco entre os recursos do Visa Net e da Brasil Telecom.

Enquanto dirigiu a Brasil Telecom, Daniel Dantas e seus amigos tinham acesso ao cofre dos fundos de pensão de estatais, instituições cujo presidente é nomeado pelo presidente da República. Só para mostrar a ligação dos fundos com o Estado, basta lembrar que, certa vez, Fernando Henrique Cardoso assinou uma intervenção que afastou toda a diretoria da Previ, o fundo do Banco do Brasil.

Mas vamos aguardar. O julgamento retoma na segunda-feira, teremos novas defesas e, em seguida, os ministros vão falar. Muitas perguntas foram feitas. Vamos ver quantas serão respondidas. Mas se aparecer um novo desmembramento vai ficar muita antropologia para um julgamento só…

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