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sábado, 11 de agosto de 2012

Serra exige explicar que é diferente de Hitler, mas também ataca o gueto

11.08.2012
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE, 10.08.12


A música e o vídeo para internet acima foi feito pelo rapper Mamuti 011, crítico a atitudes de José Serra (PSDB) narradas abaixo.

Depois de percorrer vários sites na internet, acabou sendo exibido também no site do candidato a prefeito de SP, Fernando Haddad (PT), aberto à expressão da cultura e da voz da periferia.

No vídeo de 3 minutos tem uma cena de 1 segundo onde uma foto de Serra aparece ao lado de Adolf Hitler. Foi o suficiente para o PSDB dar um xilique, que levou o site de Haddad a retirá-lo para evitar mal-entendidos, para que não fosse confundido com discurso da campanha.

Mesmo assim os tucanos querem "direito de resposta" no site! 

Ai...ai...ai... que mico.

Será que a imagem do tucano está tão desgastada assim, que é preciso explicar, via direito de resposta, que Serra não é propriamente igual a Hitler?

Se a ideia de Serra é afastar-se da imagem de Hitler, pelo menos numa coisa, já está produzindo efeito contrário. O ditador nazista atacou o gueto de Varsóvia durante a II Guerra. José Serra ataca a cultura do gueto paulistano.

O rapper Mamuti 011, explica, em seu site a origem do rap e do vídeo, na nota abaixo:

Terça-Feira da semana passada (dia 31/7/2012), no site do politico José Serra, saiu uma nota atribuindo ao candidato a prefeitura de SP o espaço conquistado pelo rap dentro do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ Cachoeirinha). Não contente em se vangloriar por algo não feito por ele, no texto há citações a projetos e artistas que não tem nenhuma ligação com o partido e/ou candidato em questão.

Após a publicação dessa nota o coletivo Reviva Rap – citado no texto – publicou uma nota de repúdio e esclarecimento deixando claro que não tinha nada a ver com o acontecido. O Rapper Mamuti 011, componente do coletivo, resolveu fazer sua resposta de forma diferente. Através de um webvideo ilustrado com imagens que contestam as palavras do politico e uma música composta especialmente para a situação o MC alerta os ouvintes para as balelas do candidato a prefeitura da cidade de São Paulo além de citar outras “falhas” do politico.

O Vídeo correu rápido pelo FaceBook e twitter e em 5 dias colecionou posts em blogs movimentados que discutem sobre politica entre outros assuntos. Dos blogs/sites que foi postado se destacam os dos jornalistas Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada) e o do também jornalista Luis Nassif.

O objetivo da música não é fazer campanha politica em prol de qualquer legenda politica e sim alertar aos amantes da cultura Hip Hop que há pessoas querendo se vangloriar com o corre dos que fazem acontecer a cultura de forma independente. Continuamos lutando pela propagação da mensagem.

E caso alguém da assessoria do candidato, ou quem sabe até o próprio, se propuserem a responder, fica a pergunta:

E AGORA JOSÉ, VAI DIZER QUE FOI VOCÊ?

(Equipe Mamuti)

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EDUARDO GUIMARÃES: Noblat livra Tóffoli de… Noblat

11.08.2012
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães

Se eu fosse jornalista e trabalhasse em um grande órgão de imprensa jamais faria o que o blogueiro da Globo Ricardo Noblat fez neste sábado ao transformar, publicamente, um ministro do Supremo Tribunal Federal em seu inimigo particular.
Antes que alguém ache que estou sugerindo que o jornalista não deveria ter brigado com o juiz porque pode ser retaliado por ele, esclareço que não quero dizer que o ataque público que aquele fez a este irá gerar retaliação.
Poderia, pois o jornalista fez acusação sem provas ao magistrado do STF. A sorte de Noblat, porém, é que não atacou outro juiz daquela Corte que tem por costume processar jornalistas que o criticam.
Segundo a imprensa, o ministro do Supremo Gilmar Mendes ligou para o senador do PSOL, Randolfe Rodrigues, que o criticou, e ameaçou dizendo-se “um homem de enfrentamentos”.  Até prova em contrário, esse não é o perfil de José Antônio Dias Tóffoli.
Antes de explicar a razão pela qual julgo que o blogueiro da Globo cometeu um erro que se voltará contra si, porém, reproduzo, abaixo, post dele em que “denuncia” Tóffoli por tê-lo xingado com palavrões.
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11.08.2012
Por Ricardo Noblat
Acabo de sair de uma festa em Brasília. Na chegada e na saída cumprimentei José Antônio Dias Tóffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal.
Há pouco, quando passava pelo portão da casa para pegar meu carro e vir embora, senti-me atraído por palavrões ditos pelo ministro em voz alta, quase aos berros.
Voltei e fiquei num ponto do terraço da casa de onde dava para ouvir com clareza o que ele dizia.
Tóffoli referia-se a mim.
Reproduzo algumas coisas que ele disse (não necessariamente nessa ordem) e que guardei de memória:
- Esse rapaz é um canalha, um filho da puta.
Repetiu “filho da puta” pelo menos cinco vezes. E foi adiante:
- Ele só fala mal de mim. Quero que ele se foda. Eu me preparei muito mais do que ele para chegar a ministro do Supremo.
Acrescentou:
- Em Marília não é assim.
Foi em Marília, interior de São Paulo, que o ministro nasceu em novembro de 1967.
Por mais de cinco minutos, alternou os insultos que me dirigiu sem saber que eu o escutava:
- Filho da puta, canalha.
Depois disse:
- O Zé Dirceu escreve no blog dele. Pois outro dia, esse canalha o criticou. Não gostei de tê-lo encontrado aqui. Não gostei.
Arrematou:
- Chupa! Minha pica é doce. Ele que chupe minha pica.
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Em primeiro lugar, colocar em um blog de grande visitação – por estar hospedado no portal da maior empresa de comunicação do país – termos como esses é um desrespeito ao leitor. Não precisava. Infelizmente, tenho que reproduzir para emoldurar a gravidade do caso.
Noblat confessa que espionou Tóffoli para saber o que dizia a seu respeito. Ou seja: mesmo se for verdade a versão do jornalista, ainda assim o que o magistrado teria dito foi em privado. Não disse essas coisas – se é que disse – publicamente.
Fico me perguntando se Noblat, em privado, usa termos de um lorde inglês ao se referir a seus desafetos. Você, leitor, já usou termos assim sobre alguém em conversa privada? Tófolli é ministro em sua intimidade?
Quem ouviu o que o juiz teria dito? O blogueiro global não diz.
Se não diz, provavelmente não considerou útil a informação. Se não considerou útil é porque não havia platéia, mas, provavelmente, só amigos ou familiares do alvo de sua espionagem confessa.
Mas a questão nem é essa. A questão é que, como jornalista de política, Noblat certamente terá que “cobrir” a atuação do ministro, até porque ele está na linha de frente de um dos fatos políticos mais importantes dos últimos anos.
Com o post que publicou, Noblat, por decisão pessoal, tornou-se inimigo público de Tóffoli. Que tipo de informação sobre ele o público pode esperar no futuro? Isenta? Certamente as pessoas se lembrarão de que o jornalista é inimigo do juiz.
A razão que o jornalista da Globo alega para o suposto acesso de fúria do juiz contra si é a campanha que moveu contra ele para que se declarasse impedido para julgar o mensalão. Noblat pegou no pé de Tóffoli e não largou mais por ele ter decidido julgar o caso.
Bem, agora o juiz se livrou do jornalista. Ou, ao menos, do peso de suas críticas. Toda vez que Noblat tocar no nome de Tóffoli as pessoas se lembrarão de que está aludindo a um inimigo e que, portanto, sua opinião ou acusação ou mero relato carecem de isenção.
Jornalista não deve se envolver pessoalmente com a notícia. O público quer notícia, não idiossincrasias. Ironicamente, Noblat quis impedir Tóffoli e acabou impedido. Ah, sei, a Globo não dá bola a tais “detalhes”… Ok, mas o público dá.
Resumo da ópera: Tóffoli está livre ao menos da credibilidade de Noblat em relação ao que vier a dizer sobre si.

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